Cirurgia
Cirurgia
ATENDIMENTO INICIAL
1. Preparação
Pré-hospitalar: GARANTIR A SUA SEGURANÇA / sinalização da via / equipe comunicar a transferência do
paciente ao hospital
Hospitalar: eleição do líder da equipe / sala adequada para reanimação com equipamentos e medicações
2. Triagem
Múltiplas vítimas + hospital pode receber todos: pacientes com risco de vida iminente e lesões
multissistemicas serão atendidos primeiro
Múltiplas vítimas + hospital não pode receber todos: vítimas com maior probabilidade de sobreviver serão
atendidas primeiro
3. AVALIAÇÃO PRIMÁRIA
A Airway Coluna cervical + via aérea
B Breathing Respiração e ventilação
C Circulation Circulação + controle da hemorragia
D Disability Disfunção neurológica
E Exposition Exposição + prevenção da hipotermia
Via aérea:
- Está pérvia? (Fonação preservada?)
Sim: O2 > 10L/min
Não: via aérea artificial
IOT (1ª opção) → via aérea temporária (ML) → via aérea cirúrgica (crico cirúrgica)
CRICOTIREOIDOSTOMIA CIRÚRGICA
Incisão transversa sobre a membrana cricotireoidea (palpada entre a cartilagem tireoide e cricoide da
laringe) → dilatação do orifício com pinça hemostática → inserção da cânula
Contraindicada em crianças < 12 anos
TRAQUEOSTOMIA
Deve ser evitada e encarada como método de exceção no atendimento inicial
Recomendação para acessar via aérea de crianças < 12 anos
Grande indicação: FRATURA DE LARINGE COM FALHA NA IOT (rouquidão, enfisema subcutâneo – crepitação local,
palpação de instabilidade na região da laringe)
B. RESPIRAÇÃO
Locais mais frequentes de perda hemorrágica que evolui para choque: tórax (hemotórax maciço), intra-
abdominais, fraturas pélvicas e múltiplas fraturas de ossos longos.
1º – ACESSO VENOSO
Instabilidade hemodinâmica → 02 acessos venosos periféricos (2 acessos calibrosos, curto e grosso, em veia
antecubital).
Se acesso periférico não for possível no adulto→ CVC, dissecção da veia safena
Crianças < 6 anos: 1ª escolha AVP; 2ª opção é a punção intraóssea!
Controle da hemorragia: se sangramento externo → compressão da ferida. Ou torniquete, ligadura..
3º - TRANSFUSÃO SANGUÍNEA
Protocolo de transfusão maciça (PTM)
Estimativa de perda volêmica:
Hipotensão permissiva:
- PA mínima para garantir perfusão não no TCE
- Elevações pressóricas pode favorecer o sangramento
Transfusão maciça (>10 UI de CH nas 24h iniciais):
- 1CH : 1P : 1CP
- O- até tipagem
- Indicação: Classe IV ou ABC > 2 (PAS <90; FC > 120; FAST + e lesão penetrante em tronco)
Ácido Tranexâmico:
- Hemorragia não compressível (ex. trauma abdominal, fratura de pelve..)
- trauma + choque hemorrágico antifibribolitico
- 1ª dose (1g) nas primeiras 3hr e dose de reforço (1g) em 8h
D. DISFUNÇÃO NEUROLÓGICO
Avaliar o paciente – virar o paciente / despir o paciente completamente para avaliar e identificar lesões
ocultas
Observar fraturas
Prevenir a hipotermia
X-ABCDE PHTLS 9ª Ed.
- Extra hospitalar
- Se exsanguinando primeiro comprime
TRAUMA DE TÓRAX
- Indicações de toracotomia: hemotórax maciço (drenagem imediata de 1500ml ou mais de sangue OU saída de
200ml/h nas primeiras 2-4h inicias), lesões penetrantes na parede torácica anterior com tamponamento cardíaco,
feridas da caixa torácica de grandes dimensões, lesões de vasos nobres no tórax na presença de instabilidade
hemodinâmica, lesões traqueobrônquicas extensas, evidencia de perfuração esofagiana
1. PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO
Ar penetra na cavidade pleural de forma contínua e unidirecional
Causas: diversas. Mais comum: ventilação mecânica sob pressão positiva em pacientes com lesões
pleuropulmonares assintomáticas ou não percebidas durante o atendimento
Obs. Pneumotórax simples: perda do parênquima inferior a 1/3 do volume pulmonar. Se paciente estável:
acompanhar com raio x. se alteração do estado clinico, aumento do volume, necessidade de transporte
aéreo ou IOT drenagem em selo d’água
Clínica (alterações ventilatórias e hemodinâmicas): MV reduzido ou abolido, percussão hipertimpânico,
desvio de traqueia, turgência de jugular, hipotensão
Consequências:
i. Colapso do pulmão ipsilateral ao pneumotórax
ii. Desvio do mediastino com compressão do pulmão saudável, gerando insuficiência respiratória
iii. Desvio do mediastino provocando angulação dos vasos da base. Este fenômeno dificulta o retorno
venoso e ocasiona, portanto, redução do débito cardíaco com hipotensão e/ou choque
i. Aumento de pressão intratorácica, o que contribui em menor escala para a diminuição do retorno
venoso
Diagnóstico clínico!
Conduta imediata toracocentese de alívio (4º OU 5º EIE anterior a LAM)
Conduta definitiva drenagem em selo d’água
Critérios para retirada do dreno: pulmão totalmente expandido e não borbulhamento pelo frasco de drenagem por
48 a 72h
Drenou e não melhorou (borbulhamento intenso, não reexpansão..) pensar em lesão de grande via aérea
(ex. brônquio fonte) diagnóstico por broncoscopia conduta imediata: 2º dreno conduta definitiva:
toracotomia
2. PNEUMOTÓRAX ABERTO
Ferida na parede torácica que permite que o ar atmosférico ganhe a cavidade pleural (lesão >2/3 do
diâmetro da traqueia)
Tratamento imediato: oclusão da ferida com curativo quadrangular fixado em 3 lados (o ar sai da cavidade
pleural na expiração / não entra durante a inspiração)
Tratamento definitivo: toracostomia com drenagem em selo d’água + fechamento cirúrgico da ferida
3. HEMOTÓRAX
Presença de sangue no espaço pleural
Maioria dos casos: autolimitado (85%)
Principais fontes: lacerações pulmonares, envolvimento e vasos intercostais ou comprometimento da artéria
mamaria interna
Hemotórax maciço (>1500ml imediato ou > 200 a 300 ml/hora nas primeiras 2 a 3 horas iniciais)
CLÍNICA:
MV ausente
Macicez à percussão do hemitórax acometido
Jugular colabada
Choque
4. TÓRAX INSTÁVEL
FRATURA EM 2 OU MAIS ARCOS COSTAIS CONSECUTIVOS EM PELO MENOS 2 LOCAIS
A região entre as fraturas perde o contato com o restante da caixa torácica – segmento instável
CLÍNICA:
Dor - é tão intensa que o paciente não consegue manter um drive ventilatório adequado, podendo evoluir
com insuficiência respiratória.
Respiração paradoxal - na inspiração, como temos um segmento instável (que não acompanha o movimento
da caixa torácica), a caixa torácica distende e a pressão intratorácica diminui; o segmento instável sofre uma
retração. Na expiração, retraímos a caixa torácica, aumentando a pressão intratorácica; nesse caso, o
segmento sofre uma distensão ou um abaulamento. Apesar de chamar a atenção, não mata o paciente! →
aumento do trabalho em respirar + hipoventilação alveolar
CONDUTA: ACOMPANHAMENTO
1. Analgesia com opiáceos (intravenoso, bloqueios intercostais ou uso epidural)
A melhora da dor permite: maior expansibilidade torácica + alinhamento das fraturas + evita acúmulo de
secreções pulmonares
2. Fisioterapia respiratória intensiva
3. Restrição volêmica (balanço hídrico negativo)
Obs.: Para que o paciente tenha tido tantas fraturas é necessário que o trauma tenha sido muito intenso; associado
ao tórax instável podemos ter uma contusão pulmonar, e o paciente não irá realizar troca gasosa de forma
adequada.
5. CONTUSÃO PULMONAR
O líquido e sangue do interior dos vasos rotos tomam os alvéolos, o interstício e os brônquios → hipoxemia +
quadro radiológico de consolidações localizadas em regiões do parênquima
A lesão ocasiona resposta inflamatória intensa, podendo comprometer ainda mais a função respiratória e
levar à inflamação sistêmica
CONDUTA:
Se SaO2 > 90% em ar ambiente: analgesia + fisioterapia respiratória + restrição volêmica
Se hipoxemia (SatO2 <90% ou PaO2 ≤ 65) IOT + ventilação mecânica
Devem ser monitorizados com oximetria de pulso, ECG continua e gasometria
6. TAMPONAMENTO CARDÍACO
Acumulo de liquido no saco pericárdico (150-200lm)
Lesões com sangramento para dentro do saco pericárdico → compressão sobre as câmaras cardíacas → restrição do
enchimento diastólico → turgência jugular bilateral + congestão pulmonar → queda do débito cardíaco →
hipotensão e choque. O sangue ao redor do coração faz as bulhas ficarem abafadas (TRÍADE DE BECK = turgência
jugular + hipotensão + hipofonese de bulhas).
CAUSAS: lesões penetrantes torácicas │ traumas cardíacos fechados com ruptura miocárdica │ dissecções
traumáticas da aorta ascendente │ lesões das porções intrapericárdicas da VCI e VCS
CLÍNICA:
Turgência jugular
Hipotensão TRÍADE DE BECK
Hipofonese de bulhas
Cianose
Congestão pulmonar
Pulso paradoxal
Dor torácica
Taquicardia
Sinal de Kussmaul
7. LESÃO DE AORTA
Ao nível do ligamento arterioso
A maioria das vitimas morre de imediato, outra parte (aprox. 20 pcento) tem o sangramento contido pelos
tecidos periaórticos pleurais ou pela túnica adventícia ainda integra, levando ao surgimento do aneurisma
traumático do vaso
Clínica pobre: pulso MMSS normal e reduzido em MMII
Se historia compatível investigar
Achados no raio X: alargamento do mediastino (>8cm); perda do contorno aórtico; desvio de TOT e traqueia
para direita;
Diagnóstico: Angio TC ou aortografia
Tratamento:
- primeiro: tratar outras lesões
- toracotomia ou reparo endovascular
PNEUMOTÓRAX HEMOTÓRAX TÓRAX INSTÁVEL TAMPONAMENTO LESÃO DE AORTA
HIPERTENSIVO CARDÍACO
Ar penetra na Presença de sangue Fratura em 2 ou mais Acumulo de liquido
cavidade pleural de no espaço pleural arcos costais no saco pericárdico
forma contínua e consecutivos em pelo (150-200lm)
unidirecional menos 2 locais
MV reduzido ou MV ausente; Macicez Dor + respiração Turgência de jugular; Pulso MMSS normal e
abolido, percussão à percussão do paradoxal hipotensão; reduzido em MMII;
hipertimpânico, hemitórax acometido; hipofonese de bulhas; alargamento de
desvio de traqueia, Jugular colabada; congestão pulmonar; mediastino (>8cm);
turgência de jugular, Choque pulso paradoxal; perda do contorno
hipotensão taquicardia; sinal de aórtico
Kussmaul
Imediata: Drenagem em selo Analgesia com Imediata: Primeiro: tratar
toracocentese de d’água opiáceos; fisioterapia Pericardiocentese outras lesões
alívio (4º OU 5º EIE respiratória; BH - subxifoidiana (punção Após: Toracotomia ou
anterior a LAM) de Marfan) reparo endovascular
Definitiva: drenagem Definitiva:
em selo d’água Toracotomia
- Indicações de toracotomia: hemotórax maciço (drenagem imediata de 1500ml ou mais de sangue OU saída de 200ml/h
nas primeiras 2-4h inicias), lesões penetrantes na parede torácica anterior com tamponamento cardíaco, feridas da caixa
torácica de grandes dimensões, lesões de vasos nobres no tórax na presença de instabilidade hemodinâmica, lesões
traqueobrônquicas extensas, evidencia de perfuração esofagiana
- Retirar dreno Torácico:
A. Ausência de borbulhamento do frasco à tosse
B. Expansão pulmonar visualizada ao raio x de tórax
C. Baixo débito do dreno (<100 a 300ml/dia)
D. Aspecto seroso ou serohematico
TRAUMA ABDOMINAL
PENETRANTE
ARMA DE FOGO (PAF) DELGADO cólon fígado
ARMA BRANCA FÍGADO delgado diafragma
CONTUSO
BAÇO fígado
SINAL DO CINTO DE SEGURANÇA Delgado e mesentério
EXAMES:
1. TC: 2. FAST
Melhor exame para avaliar o trauma contuso Trauma contuso e paciente instável
Classifica as lesões e avalia o retroperitônio Líquido livre
Não avalia bem delgado, vísceras ocas e Onde procurar: saco pericárdico, espaço
diafragma hepatorrenal, espaço esplenorrenal,
TC de corpo inteiro (TCI) hipogástrio/fundo de saco
Exige estabilidade hemodinâmica FAST só avalia dentro da cavidade
E-FAST: FAST + hemo ou pneumotórax
POCUS (usg beira leito): FAST, E-FAST, bainha
do nervo óptico..
4. VIDEOLAPAROSCOPIA
Lesões na transição TORACOABDOMINAL
Dúvida diagnóstica
Exige estabilidade hemodinâmica
5. LAPAROTOMIA
Se abdome cirúrgico (LESÃO ÓBVIA):
PENETRANTE CONTUSO
PERITONITE OU PERITONITE (descompressão dolorosa) OU
CHOQUE OU RETROPERITÔNIO OU PNEUMOPERITÔNIO
EVISCERAÇÃO SE INSTÁVEL (LAPA se não politrauma OU se
politrauma com FAST positivo)
TRAUMA PENETRANTE NÃO CIRÚRGICO
(NÃO tem choque / peritonite / evisceração)
Arma de fogo: se trauma abdominal penetrante por arma de fogo na região anterior do abdome: a LAPAROTOMIA
estará indicada!
Se feridas no flanco ou dorso: TC antes (se estável)!
LESÃO POR ARMA BRANCA NÃO CIRURGICA:
O ABDOME É “CIRÚRGICO”? LAPAROTOMIA
(choque, peritonite, evisceração)
ALTERAÇÃO
SIM NÃO REINICIAR DIETA + ALTA
Critérios:
1. Abdome não é cirúrgico
2. Estabilidade hemodinâmica
3. Condições de observação: CTI
4. Capacidade de intervenção imediata (cirurgia, angioembolização – blush arterial)
LESÕES ESPECÍFICAS:
1. TRAUMA ESPLÊNICO
Obs; o baço está associado à filtração de bactérias circulantes e produção de IgM (anticorpo para opsonização de
germes encapsulados)
Lesão mais comum no trauma contuso
Pensar em trauma esplênico sempre que fraturas de arcos costais à esquerda ou dor subescapular à
esquerda (sinal de Kerh)
>> sinal de Kerh: sangramento irritação frênica irritação escapular
Tratamento conservador: se critérios
Tratamento cirúrgico:
a. Lesão esplênica grau IV (desvascularização > 25)
>> se estável e com blush: angioembolização
b. Lesão grau V (pulverizado)
>> esplenectomia
Vacinação aos que realizarem esplenectomia: pneumococo, meningococo, haemophilus influenza tipo B
após o 14º dia de pós-operatório
2. TRAUMA HEPÁTICO 3. FRATURA DE PELVE
Se tem critério tratamento conservador Tipos:
Lesão grau V se estável com BLUSH a. Compressão lateral (60-70) – pode associar
tentar angioembolização com lesão visceral
Manobra de PRINGLE: clampear ligamento b. Compressão vertical (5-15) – pode associar
hepatoduodenal colédoco, artéria hepática com lesão visceral
e veia porta c. Compressão anteroposterior (15-20)
>> reduzir sangramento >> OPEN BOOK: disjunção > 2,5 cm do anel
>> se não parou sangramento VCI (retro pélvico pode evoluir com instabilidade
hepática); veias hepáticas empacotamento hemodinâmica
+ peritoniostomia, controle de danos; shunt >> geralmente o sangramento é venoso
atriocaval (pouco realizado) >> se Hipotensão amarrar a pelve ao nível
do trocanter maior do fêmur ou fixação
externa da pelve (uma opção)
>> amarrou a pelve e não parou de sangrar
pensar em sangramento arterial
Angioembolização ou pecking pré-peritoneal
Tratamento:
>> Medidas gerais: posição supina, reposição com cautela, drenagem das coleções, analgesia e sedação
>> Laparotomia descompressão para os refratários OU se PIA > 25mmHg ou SCA + TCE grave ou HIC
Obs.PIA >25mmg VCI é comprimida diminui RV reduz DC
TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO
PREPARO PRÉ-OPERATÓRIO
Visa controlar fatores com impacto na evolução cirúrgica
Checklist pré-operatório:
Avaliação cardiovascular
Exames pré-operatórios
Medicação de uso crônico
Avaliação anestésica
Profilaxia antibiótica
Avaliação cardiovascular
1. Não operar se: cardiopatia grave: 3. Avaliar capacidade funcional (METs):
A. Angina instável > 4 METs indicar cirurgia!
B. ICC descompensada < 4 METs: teste cardíaco não invasivo teste
C. Arritmia grave de esforço ou cintilografia miocárdica
D. Valvopatia grave normal indicar cirurgia!
2. Índice de Risco Cardíaco Revisado (índice de Capacidade Funcional: gasto energético diário do
LEE) – mnemônico “cardio” coração, quantificada em METs!
(1) Coronariopatia; 1 MET – cuidados próprios..
(2) AVC ou AIT < 4 METs – subir 1 lance de escadas
(3) Renal Crônica (Cr > 2); 4 – 10 METs – limpar casa/afastar moveis
(4) DM insulinodependente; > 10 METs – pratica esportes
(5) ICC
(6) Operação grande: Cirurgia torácica,
abdominal ou vascular suprainguinal
Exames Complementares
IDADE EXAMES
< 45 anos -
45 – 54 anos ECG p/ homens
55 – 70 anos ECG + hemograma
ECG + hemograma + eletrólitos + glicemia +
> 70 anos
função renal
COMORBIDADES
HAS ECG, Ur, Cr, Eltrólitos..
DM Hb1ac, glicose, Ur, Cr..
PNEUMECTOMIA Espirometria
POLÊMICOS
Anamnese suspeita ou estimativa sangramento
Coagulograma
> 2L
>50 anos + cirurgia alto risco OU IMC > 40 OU
Raio X tórax DPOC
USP: tabagismo (>20maços/ano) ou > 65 anos
Suspender:
NO DIA Antidiabéticos orais
Heparinas (HNF 2-6 horas) // HBPM (12-24h)
2 DIAS Novos anticoagulantes (Rivaroxabana/Xarelto, Dabigatrana)
AINES
> 5 DIAS Clopidogrel
Warfarina (RNI < 1,5 + ponte com heparina)
EXTRA Gingko (36h)
Capsula de alho (7 dias)
Ginseng (7 dias)
Avaliação anestésica
1. Jejum (2-4-6-8)
Realizar jejum para evitar resíduo gástrico, afim de prevenir aspiração durante ato anestésico
Líquidos claros (água, chá): 2h
Leite Materno/humano: 4h
Leite não-humano/alimentos leves: 6h
Carnes e frituras: 6 – 8h
3. Classificação de ASA
ASA I – Sem doença
ASA II – Doença (não limita). Cuidado: tabagismo, etilismo social, obesidade (IMC>30)
ASA III – Limita, mas não incapacita (ex.: HAS ou DM não controlada; sequelas mas sem incapacitar)
ASA IV – Incapacita
ASA V – Moribundo
ASA VI – Morte cerebral - doador de órgãos
Profilaxia antibiótica
ANTIBIOTICOPROFILAXIA:
CEFAZOLINA: pele, osso, estomago e delgado SEM OBSTRUÇÃO
CEFAZOLINA + METRONIDAZOL: colorretal ou OBSTRUÇÃO
Alternativa: CEFOXITINA (anaeróbios B. fragilis)
QUANDO FAZER
30 – 60 minutos antes da incisão cirúrgica (geralmente junto ao ato anestésico)
REPIQUE (3 horas OU sangramento 1500ml)
QUANDO INTERROMPER
Final da cirurgia (aceito até 24h)
Tricotomia
Não deve ser feita
Se fizer: sem trauma e imediatamente antes da cirurgia
Complicações Cirúrgicas
Existem 2 tipos de cirurgiões: aqueles que tem complicações e aqueles que mentem!
Hérnia Umbilical
Defeito no anel umbilical
Diferenciar a hérnia da criança e do adulto, pois apresentam fisiopatologia e tratamento diferentes
O fechamento espontâneo é até os 2 anos de idade
Operar se:
Criança 1. Concomitante à hérnia inguinal;
(congênita) 2. Defeito > 2cm;
3. DVP associada;
4. Não fechar após 4-6 anos
Adulto
Operar se: sintomática, ascite volumosa
(adquirida)
Hérnia de Grynfeltt
No triângulo lombar superior (abaixo da 12ª
costela)
Hérnia Lombar Mais comum dentre elas
Hérnia de Petit
No triângulo lombar inferior (acima da crista
ilíaca)
Hérnia Inguinal
A parede posterior do canal inguinal é composta pela: fáscia transversalis,
músculos transverso do abdome e oblíquo interno.
O anel inguinal interno/profundo inicia o canal inguinal
Pela parede posterior passam o anel inguinal interno e canal femoral.
A parede anterior do canal inguinal é composta pela aponeurose do músculo
oblíquo externo.
O anel inguinal externo marca o final do canal inguinal.
Canal inguinal: comunicação entre anel inguinal interno e externo
O ligamento inguinal é uma reflexão da aponeurose do oblíquo externo.
O testículo desce através do CPV, que é uma evaginação do peritônio, pelo canal
inguinal até a bolsa escrotal.
A hérnia mais comum é a INDIRETA, sendo mais comum no homem/mulher, idoso e criança!
Se anuncia através do anel inguinal interno! Típica da infância! Maior risco de encarcerar
Hérnia Inguinal Um defeito congênito, em que ocorre persistência (patência) do CPV, causa a hérnia
Indireta indireta, levando a evaginação de uma alça intestinal e causando assim a hérnia inguino-
escrotal!
Hérnia Inguinal Enfraquecimento da parede posterior (defeito adquirido).
Direta Se anuncia pelo triângulo de Hasselbach!
Tratamento
1. Redutível: cirurgia eletiva
Se pouco sintomático ou não quer operar não precisa operar
2. Encarcerada: redução manual (manobra de “taxi”); cirurgia (caso refratário ou isquemia)
3. Estrangulada (isquemia): cirurgia de emergência por inguinotomia (se isquemia: apenas reduz e sutura;
se necrose: ressecção da alça)
a. Se reduzir na anestesia: laparotomia xifopúbica
Tipos de Cirurgia
Abordagem anterior: necessita herniorrafia anterior + reforço posterior (sempre é feita no adulto)
o Shouldice: reforço posterior pela imbricação/sutura de músculos
o Lichtenstein (técnica anterior de escolha): tela livre de tensão (mais rápida, fácil); menor índice de
recidiva
o Mc Vay: utilizada para hérnia femoral (lig. Cooper)
o Plug femoral: cone de tela no canal femoral
o Bassini: reforço da parede posterior suturando o tendão conjunto e o arco musculoaponeurótico ao
ligamento inguinal. Não há uso de tela. Maiores taxas de recidivas
Nervos mais acometidos: ilioinguinal, ilio-hipogastrico, ramo genital do genitofemoral
REMIT
Resposta Endocrinometabólica e Imunológica ao Trauma
O corpo precisa de glicose, água e oxigênio. Frente ao trauma, o organismo utiliza do metabolismo
intermediário para “correr ou lutar”.
Metabolismo Intermediário
A resposta ao trauma é CATABÓLICA
Período pós-prandial:
↑glicemia e insulina → glicose para dentro da célula (metabolismo celular)
Sobrou glicose? A insulina inicia o anabolismo (construção de estoque)!
No jejum ou no trauma:
↓Glicemia ou ↓insulina preciso “correr ou lutar”
Hormônios contra-insulínicos iniciam o catabolismo (destruição de estoque)
RESPOSTA ENDÓCRINA/METABÓLICA:
O principal deflagrador é a dor + lesão!
1. ADRENAL
1.1. Cortisol
Hipotálamo CRF hipófise ACTH Adrenal Cortisol gliconeogenese + permite ação de
catecolaminas
A sepse pode diminuir a produção de cortisol; a adrenalina perde ação. Por isso a reposição de hidrocortisona.
Paciente não responde a noradrenalina: falta de cortisol ou desidratação
1.2. Catecolaminas
Bronco/pupilodilatação
Vasoconstrição periférica
Aumento do ino/cronotropismo
Atonia intestinal
* As catecolaminas diminuem a circulação esplâncnica e também diminuem sua atividade. É por isso que mesmo uma
vítima de trauma torácico pode apresentar íleo adinâmico! Vasoconstriçao translocação bacteriana sepse por Gram-
1.3. Aldosterona
Retém Na e H2O
Libera K e H+
Participa da alcalose mista
o A vítima de trauma hiperventila e perde CO2, fazendo alcalose respiratória, que junto à alcalose
metabólica causa uma alcalose mista!
RESPOSTA IMUNOLÓGICA:
IL-1, IL-2 e TNF-alfa
↑ Temperatura (paciente treme p/ gerar calor)
Anorexia (proteção do intestino atônico)
Proteínas de fase aguda:
Sobe: PCR, ceruloplasmina e haptoglobina
Cai: pré-albumina, albumina, transferrina
Interleucinas anti inflamatórias: IL4, IL10, IL13
QUEIMADURAS
Choque do Queimado
↑ Histamina e Serotonina
↑ Permeabilidade vascular Perda de líquido p/ 3º espaço
Conduta: evitar coloides nas primeiras 24h!
Predisposição a infecções
Causa de morte tardia
Focos: cutâneo e pulmonar antibiótico tópico reduz focos cutâneos, aumentando focos pulmonares
2 – Indicações de CETQ:
Segundo grau > 10% SCQ
Terceiro grau qualquer %
Face, mão/pé, grandes articulações
Olhos, períneo/genitália
Lesões por inalação
Química ou elétrica graves
Tem comorbidades ou outros traumas que podem ser piorados
pela queimadura
* O grande queimado é aquele com grande área queimada, ou que
queimou um local especial, ou é um paciente especial ou tem queimadura
especial!
Atendimento hospitalar
TRAUME – ABCDE
A – Coluna e vias aéreas
o Avaliar rouquidão/estridor e nível de consciência
B – Complicações respiratórias
o São 4 complicações divididas em 2 cenários
D – Disfunção neurológica
E – Exposição
ANALGESIA: OPIOIDE EV
Queimadura de 1º Grau
Queimadura solar Tratamento: limpeza, analgesia, hidratantes
Profundidade: epiderme Não entra no cálculo de SCQ!
Coloração: eritema Resultado estético bom
Sensibilidade: dor / ardência
ATB tópicos
- Mafenida
Dolorosa
Penetra na escara
Queimadura de 3º grau
Profundidade: gordura subcutânea
Coloração: marrom
Sensibilidade: pouca dor
Tratamento: desbridamento + enxertia cutânea precoce
Retração da “pele dura” ou “escara”: ↓expansibilidade, compressão vascular (geralmente quando lesões
circunferenciais nas extremidades em que o edema pode comprometer a circulação)
o Conduta: escarotomia!
Cicatrização Anormal
QUELÓIDE CICATRIZ HIPERTRÓFICA
Causa: EXCESSO DE COLÁGENO
(↑produção local de fibronectina, elastina e proteoglicanos)
Ultrapassa os limites da
LIMITES Não ultrapassa
cicatriz
APARECIMENTO > 3 meses Precoce
Acima das clavículas e Áreas de tensão /
LOCAL + CLÍNICA dorso superfícies flexoras
Dor e prurido Pode ter dor / prurido
Rara Espontânea
REGRESSÃO
Refratária ao tratamento Passível de tratamento