INSTITUTO MÉDIO POLITÉCNICO DA FRELIMO – SOFALA
Curso de Agropecuária-12+1
Disciplina de Produção Vegetal
CULTURA DE QUIABO
Discentes:
Dulce Da Josefa João
Nome da Formadora: Engª Megui Do Rosário
Beira, Abril de 2025
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INSTITUTO MÉDIO POLITÉCNICO DA FRELIMO – SOFALA
Curso de Agropecuária-12+1
Turma B
CULTURA DE QUIABO
Discentes:
Dulce Da Josefa João
Nome da Formadora: Engª Megui Do Rosário
Beira, Abril de 2025
1
Índice
Introdução ................................................................................................................................................ 3
Objectivos ................................................................................................................................................ 3
Objectivo geral ......................................................................................................................................... 3
Objectivos específicos ............................................................................................................................. 3
Caracteristicas (Morfologia) do quiabo ................................................................................................... 4
Exigências edafo-climáticas da cultura .................................................................................................... 5
Maneio da adubação ................................................................................................................................ 5
Origem e distribuição ............................................................................................................................... 6
Classificação Sistemática do quiabo ........................................................................................................ 6
Descrição das Variedades de quiabo........................................................................................................ 7
Importância nutricional e medicinal ........................................................................................................ 7
Principais pragas e doenças da cultura de quiabo .................................................................................... 8
Conclusão................................................................................................................................................. 9
Referências bibliográficas ...................................................................................................................... 10
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I. Introdução
O presente trabalho versa sobre a cultura de quiabo, onde o quiabo [Abelmoschus esculentus
(L.) Moench] é uma hortícola semi-lenhosa pertencente a família Malvaceae. Originária do continente
africano, possivelmente da Etiópia, existem relatos do cultivo desta a milhares de anos por povos
Egípcios. Os maiores produtores são a Índia, Nigéria, Paquistão, Gana e Egipto.
A cultura do quiabo é muito popular em regiões de clima tropical e subtropical, devido à
tolerância ao calor, além de não exigir grande tecnologia para seu cultivo. A planta apresenta algumas
características desejáveis como: ciclo rápido, custo de produção economicamente viável, resistência a
pragas e alto valor alimentício e nutritivo tais como baixo nível calórico;boa quantidade de vitaminas
A, C e B1; sais minerais como fósforo, ferro e cálcio. Actualmente não é descrita como uma cultura de
maior importância económica. Entretanto seu fruto é muito popular, uma vez que sempre podemos
encontrá-lo nos mercados e feiras.
Considerando-se, que a adubação nas hortaliças apresenta uma grande contribuição no aumento
do rendimento, quando associado as variedades que melhor se adaptam a região jogam um papel
preponderante no rendimento da cultura. O uso de fertilizantes, no que concerne a essa cultura pouco se
conhece ao seu respeito, e foi com este propósito que otrabalho objectivou avaliar o comportamento das
variedades de quiabo sob aplicação dos diferentes fertilizantes.
1.1.Objectivos
1.1.1. Objectivo geral
Realizar uma revisão bibliográfica para a obtenção de conhecimento sobre a cultura do quiabo.
1.1.2. Objectivos específicos
Conhecer as caracteristicas da cultura de quiabo;
Classificar a taxónomia da cultura de quiabo;
Descrever as principais variedades do quiabo;
Identificar as principais pragas e doenças que afecta a cultura do quiabo.
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1.2.Caracteristicas (Morfologia) do quiabo
As características morfológicas do quiabo são de uma cultura arbustiva com caule semi-lenhoso,
erecto e alto que pode atingir até 3 metros de altura (MOTA, 2000).
1.2.1. Raíz
O quiabo caracteriza-se por ser uma planta que apresenta sistema radicular relativamente
profundo, podendo chegar a uma profundidade de até 1,9 m (embora estudos realizados com diferentes
variedades tenham revelado que a maioria das raízes localiza-se a uma profundidade em torno de 20
cm), sendo este um dos factores que confere à cultura uma boa resistência à seca (FILGUEIRA, 2003).
1.2.2. Caule
O quiabo é uma planta arbustiva com caule semi-lenhoso, erecto, esverdeado ou tingido de
vermelho, podendo atingir 3 m de altura dependendo das variedades.
1.2.3. Folhas e flores
Segundo MINAMI (1997), as flores do quiabo são grandes, apresentam pétalas de coloração
amarelo-clara e o centro vermelho escuro, medindo de 5-8 cm de diâmetro quando abertas.
Segundo este autor a abertura das mesmas ocorre pela manhã e a polinização é feita principalmente por
insectos como a formiga, a vespa selvagem e as abelhas. AZEVEDO (2007), porém relata que no cultivo
desta olerácea predomina a auto fecundação devido ao facto de as flores serem hermafroditas, sendo
que, também considera a ocorrência da polinização cruzada feita por insectos.
As folhas são grandes, lobadas e com pecíolos longos, as suas flores são magníficas, de cor
amarela, com um coração vermelho ou de cor-de-rosa (FILGUEIRA, 2003).
1.2.4. Fruto
O fruto é uma cápsula cuja cor pode ser verde, violeta, vermelho ou branco em função das
variedades podendo atingir 15 cm de comprimento. Os seus frutos são colhidos quando imaturos e ricos
em mucilagem, mas antes de se tornar altamente fibrosos. Em geral, a produção de fibras no fruto
começa a partir do 6° dia de formação de frutos e de um aumento repentino no teor de fibra a partir de
9 dias.
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1.3. Exigências edafo-climáticas da cultura
1.3.1. Temperatura
O quiabo é uma hortícola de clima quente, podendo desenvolver melhor em zonas com
temperaturas entre 21,1 a 29,4ºC com a média das máximas de 35°C e a média das mínimas de 18,3ºC.
A planta do quiabo é intolerante ao frio e necessita temperaturas mais altas para se desenvolver e
produzir frutos. Em condições de temperatura baixa há retardamento na germinação e emergência das
plântulas facto que prejudica o crescimento, a floração e a frutificação enquanto que em condições de
temperaturas altas há um aumento na velocidade de germinação (FILGUEIRA, 2008).
1.3.2. Fotoperíodo
Segundo PEREIRA, COUTO & MAESTRI (1971), à medida que se aumenta o comprimento do
dia, há um aumento no número de dias entre a sementeira e o florescimento, passando de 61,1 dias em
condições de 8 horas de luz para 79 dias em 14 horas de luz.
1.3.3. Solo
Não é uma cultura muito exigente quanto ao tipo de solo, visto que a mesma produz bem em
solos areno-argilosos, argilosos, argilo-arenosos, não suporta acidez elevada, o pH ideal para seu cultivo
vai de 6,0 a 6,8 (FIGUEIREDO, 2005).
1.4. Maneio da adubação
1.4.1. Esterco bovino
Estercos são excreções de animais misturadas com as camas (palha) dos mesmos animais
(FREIRE, 2004).
Segundo WEINARTNER et al. (2006), o esterco é a fonte de matéria orgânica mais lembrada
quando se fala em adubos orgânicos. É um dos recursos naturais que o agricultor tem a sua disposição
e a sua utilização deve ser a mais optimizada possível. Os estercos possuem características próprias,
dependendo do tipo de animal e mesmo oriundo da mesma espécie animal se diferencia conforme a
idade, alimentação e maneio.
Recomendações de pesquisa indicam a aplicação de 10 a 25 t/ha de esterco bovino
(MALAVOLTA, 1989), podendo chegar ate 30 t/há.
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1.4.2. Adubação Mineral
A adubação mineral é uma das práticas que mais afecta a produção de hortícolas, tanto sob o
aspecto tecnológico quanto económico (FILGUEIRA, 2008).
OLIVEIRA et al. (2003), observou um grande aumento na produção de quiabo quando foi
combinado com fertilizantes minerais. As doses de fertilizantes aplicadas ao solo não devem ser
limitantes ao crescimento e a produtividade das culturas, no entanto, em excesso, a adubação pode
implicar em absorção excessiva, o que levará a toxidade das plantas ou interferência na absorção de
outros nutrientes.
No quiabo, o nitrogénio, fósforo e potássio são os nutrientes que proporcionam maior resposta
em termos de produção de frutos (FILGUEIRA, 2000).
1.5. Origem e distribuição
O [Abelmoschus esculentus (L.) Moench], pertence à família Malvaceae, é uma hortaliça cuja
sua origem diverge entre as zonas montanhosas da Eritreia, nas zonas altas do Sudão e Egipto, no vale
do Nilo e na Abissínia actual Etiópia, sendo ainda relatado por DHANKHAR E MISHRA (2009), como
de origem Asiática, mas todas as evidências sugerem que o quiabo seja originário da África
possivelmente da Etiópia (GONSALVES, 2009).
Tradicionalmente é cultivada nos trópicos, abrangendo África, Índia, Ásia, Turquia, Austrália e
Brasil, e em regiões temperadas como o sudeste dos Estados Unidos, onde as temperaturas são elevadas.
A cultura foi introduzida no continente americano pelos escravos africanos.
Em Moçambique o quiabo encontra se distribuído em quase todas províncias principalmente nas
regiões centro e norte do país, e a sua produção é feita pelo sector familiar (ECOLE, 2014).
1.6. Classificação Sistemática do quiabo
Reino: Plantae
Filo (Divisão): Spermatophyta
Subdivisão: Angiospermae
Classe: Dicotelidoneae
Ordem: Malvales
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Família: Malvaceae
Género: Abelmoschus
Espécie: Abelmoschus esculentus
1.7. Descrição das Variedades de quiabo
a) Variedade Rv101252 (V1): esta variedade tem como características peculiares folhas estreitas e
compridas, a planta adulta pode atingir aproximadamente a 3 metros de altura, as sementes quebram a
dormência em 5 dias, os brotos dos frutos são emitidos aos 30 dias depois da sementeira (dds), a floração
iniciou aos 45 dias, é uma variedade susceptível ao ataque de afídeos, os frutos podem atingir até 25cm
de comprimento, e um diâmetro de 2,8mm, é uma variedade precoce.
b) Variedade Rv101255 (V2): esta variedade tem como características folhas largas, a planta adulta
pode atingir aproximadamente a 3 metros de altura, as sementes quebram a dormência em 15 dias, os
brotos são emitidos aos 37 dias após a sementeira, a floração inicia aos 50 dias, os frutos podem atingir
até 27cm de comprimento, e um diâmetro de 2,9mm, é uma variedade com um ciclo de 60 dias.
c) Variedade Rv101525 (V3): A variedade tem como características fundamentais folhagem larga e
abundante, a planta adulta pode atingir aproximadamente 2m de altura, a dormência é quebrada em 7
dias após a sementeira, os brotos emitiram em torno de 30 dias, é uma variedade de ciclo médio, a planta
produz frutos quando o caule deixa de ter uma coloração verde passando a ter uma tonalidade violeta,
os frutos são curtos, com formato de pirâmide, coloração roxa, com pequeníssimos picos e podem atingir
um diâmetro de 6mm.
d) Variedade Clemson Spineless (V4): Variedade Clemson Spineless tem plantas vigorosas crescem
de 90 a 150 centímetros de altura. Excepcionalmente uniforme, folhagem profundo verde-esmeralda
com nervuras proeminentes e as cápsulas são idealmente colhidos quando atingem 10cm de
comprimento ainda assim, é a variedade de polinização aberta mais popular no mercado com a
frutificação começando entre 50-64 dias.
1.8. Importância nutricional e medicinal
O quiabo é uma hortaliça de alto valor nutricional, apresenta elevado teor de água, fibras,
pigmentos, vitamina A e C, vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, sais minerais e hidratos de carbono
(GONSALVES, 2009). As folhas do quiabo têm alto conteúdo de proteínas, superior inclusive à dos
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frutos e podem ser utilizados como saladas. Em países africanos e asiáticos, as folhas são utilizadas na
alimentação de animais. No Japão, o quiabo é uma planta fornecedora de fibra; e na Turquia, o quiabo
seco é consumido em fatias durante o inverno. Verifica-se também propriedades medicinais de frutos
novos no combate de doenças de vias respiratórias e urinárias (MOTA, 2000).
Esta hortaliça além do uso culinário, também apresenta propriedades medicinais e terapêuticas,
sendo utilizada no tratamento de bronquite e problemas pulmonares.
1.9. Principais pragas e doenças da cultura de quiabo
1.9.1. Pragas
De acordo com AZEVEDO (2007), o quiabo é uma cultura atacada por muitas pragas, das quais
as mais importantes são: besouro (Diabrotica speciosa), afídeos (Aphis gosyipii), mosca branca (Bemisia
tabacci) e lagarta-rosca (Agrotis ipsilon).
1.9.2. Doenças
FILGUEIRA (2003), enumera como principais doenças na cultura do quiabo: mancha angular
(Xanthomonas esculenti), nematódo-das-galhas (Meloidogyne spp.), oídio (Erysiphe polygoni), murcha
- verticilar (Verticillium dahliae).
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2. Conclusão
Após a realização do presente trabalho que versa sobre a cultura de quiabo, o grupo concluiu que
o quiabo [Abelmoschus esculentus (L.) Moench] é uma hortícola semi-lenhosa pertencente a família
Malvaceae. Originária do continente africano, possivelmente da Etiópia, existem relatos do cultivo desta
a milhares de anos por povos Egípcios. Os maiores produtores são a Índia, Nigéria, Paquistão, Gana e
Egipto.
A planta apresenta algumas características desejáveis como: ciclo rápido, custo de produção
economicamente viável, resistência a pragas e alto valor alimentício e nutritivo tais como baixo nível
calórico;boa quantidade de vitaminas A, C e B1; sais minerais como fósforo, ferro e cálcio.. Entretanto
seu fruto é muito popular, uma vez que sempre podemos encontrá-lo nos mercados e feiras.
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3. Referências bibliográficas
1. AZEVEDO, C.O. (2007) Manuais Práticos Vida, um guia de autossuficiência – É fácil cultivar
quiabo. 32 p Editora Três, São Paulo
2. ECOLE, C.C (13 de Novembro de 2014). Distribuição da cultura do quiabo em Moçambique.
Informação oral, Boane.
3. FIGUEIREDO, A. (2005). Efeito da fertirrigação de esgoto domestico tratados na qualidade
sanitária e produtiva do quiabo. Revista brasileira. Engenharia Agrícola e Ambiental. V.9
4. FILGUEIRA, F.A.R. (2003), Agrotecnologia moderna na produção e comercialização de
hortícolas. 2, 412p, Editora Viçosa-MG São Paulo
5. Filgueira, F.A.R. (2008). Novo manual de olericultura: Agrotecnologia moderna na produção
e comercialização de hortícolas, 3ª ed, 412p, Editora Viçosa-MG
6. GONÇALVES, G. C. (2009), Estudo da viabilidade técnica da produção de quiabo
7. MALAVOLTA, E. (1990), Pesquisa com nitrogênio no Brasil -passado, presente e
perspectivas, p.89-177, Itaguaí
8. MINAMI, K. (1997). Cultura do quiabeiro: Técnicas simples para hortaliça resistente ao calor.
Série produtor rural – nº. 3. Piracicaba-SP: Universidade de São Paulo-USP. Brasil
9. MOTA, W.F. (2000), Olericultura: melhoramento genético do quiabeiro. Viçosa:
Universidade Federal de Viçosa.
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