Defesa Prévia
Defesa Prévia
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
fls. 121
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
AO JUÍZO DE DIREITO DA 3ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE RIO LARGO
Processo:0700552-02.2021.8.02.0051
1
[Link] FATOS
Extrai-se da denúncia que, no dia 25/04/2021, por volta das 16h40min, na Rua São
Jorge, Mata do Rolo, nestacidade, o denunciado foi preso em flagrante por trazer consigo 30g de
Cannabis SativaLinneu, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar,praticando com isso o crime do art. 33 da lei 11.343/06.
Conforme a peça investigativa, uma guarnição da polícia militar e outra da
ForçaTática realizavam patrulhamento no local acima informado quando abordaram
odenunciado para revista pessoal, quando encontraram aproximadamente 30g (trintagramas) de
maconha fracionadas em bombinhas, dentro de uma sacola carregada pelodenunciado, além da
quantia de R$ 30,00 (trinta reais) e um aparelho celular.
Ao serquestionado o denunciado confessou ter comprado a droga para revender,
contudo, senegou a informar quem havia fornecido o entorpecente, momento em que foi
conduzidoaté a Central de Flagrantes.
Em sede de interrogatório o denunciado confessa a propriedade das
drogasencontradas em seu poder.
A Defensoria Pública foi intimada para apresentar Defesa Prévia, uma vez que o réu
não foi encontrado.
Eis o necessário.
.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
fls. 122
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
[Link] REJEIÇÃO DA DENÚNCIA ANTE A AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA
analisando detidamente o Inquérito Policial, que houve clara ilegalidade quanto à busca pessoal
do réu, vejamos:
Art. 240. A busca será domiciliar ou pessoal. § 2o Proceder-se-á à busca pessoal quando
houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida ou objetos
mencionados nas letras b a f e letra h do parágrafo anterior.
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
Ora Excelências, a busca pessoal foi ilegal por dois motivos: primeiro, a partir das
declarações dos próprios policiais, não há detalhes de fundada suspeita para realização
da busca pessoal realizada no réu.
De mais a mais, conforme veremos através dos entendimentos advindos do STJ
acerca da busca pessoal em razão de denúncia anônima, a busca pessoal torna-se ilegal a partir da 3
existência de denúncias anônimas desacompanhadas de outros elementos concretos que possam
comprovar a prática delitiva.
O simples fato de a denúncia anônima ter sido recebida e repassada por
suposto popular, não torna a tese da ilegalidade da busca pessoal inexigível, se assim o
fosse, toda e qualquer busca pessoal que ocorresse mediante informações repassadas por
terceiros, iriam tornar-se legal, o que não faz nenhum sentido, frente aos vastos
entendimentos que já possuímos acerca da matéria, conforme veremos adiante.
Como sabido, não satisfazem a exigência legal para a realização da busca pessoal, por
si sós, meras informações de fonte não identificada (e.g. denúncias anônimas), ainda que
estas sejam repassadas pela guarnição via COPON.
Acerca da busca pessoal embasada em denúncia anônima, vejamos alguns dos
entendimentos do STJ:
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
FUNDADAS RAZÕES. JUSTA CAUSA NÃO VERIFICADA.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. 1. Considera-se ilícita a
busca pessoal e domiciliar pessoal executadas por autoridade policial sem a
existência da necessária justa causa para a efetivação da medida invasiva, com
base apenas em denúncia anônima (art. 240, § 2º- CPP), bem como a prova
derivada da busca pessoal. 2. Tendo a busca pessoal ocorrido apenas com base em
parâmetros subjetivos dos agentes policiais (nervosismo ante a presença da autoridade
policial e ingresso no interior do imóvel), sem a indicação de dado concreto sobre a
existência de justa causa para autorizar a medida invasiva (ingresso no domicílio, sem
ordem judicial), deve ser reconhecida a ilegalidade por ilicitude da prova, bem como das 4
provas dela derivadas, nos termos do art. 157, caput e § 1º, do CPP. 3. Habeas corpus
concedido para declarar ilegal a apreensão da droga e, consequentemente, trancar
a da ação penal n. 5014975-62.2021.8.24.0033 (art. 386, II - CPP), determinando a
restituição da liberdade dos pacientes, se por outro motivo não estiverem presos.
(STJ - HC: 687342 SC 2021/0260372-5, Relator: Ministro OLINDO MENEZES
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), Data de Julgamento:
05/10/2021, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 11/10/2021) (grifei)
Além do mais, por ter sido encontrado objeto ilícito após a revista, não convalida a
ilegalidade prévia, pois é necessário que o elemento “fundada suspeita” de posse de corpo de
delito, conforme disciplina o art.244 do CP, seja aferido com base no que se tinha antes da
diligência, o que não ocorreu no caso concreto, pois, de acordo com o próprio relato de um dos
agentes, a diligência se deu tão somente pelo fato de que os policiais teriam sido acionados
em decorrência de uma denúncia de terceiro anônimo.
Portanto, se não havia fundada suspeita de que a pessoa estava portando
objetos ilícitos, não há como se admitir que a mera descoberta casual de situação de
flagrância, posterior à revista do indivíduo, justifique a medida.
Vale dizer, há uma necessária análise da medida, vinculada à sua finalidade legal
probatória, a fim de que não se converta em salvo-conduto para abordagens e revistas
exploratórias (fishingexpeditions), baseadas em suspeição genérica existente sobre indivíduos,
atitudes ou situações, sem relação específica com a posse de arma proibida ou objeto (droga, por
exemplo) que constitua corpo de delito de uma infração penal.
Em um país marcado por alta desigualdade social e racial, o policiamento ostensivo
tende a se concentrar em grupos marginalizados e considerados potenciais criminosos ou usuais
suspeitos, assim definidos por fatores subjetivos, como idade, cor da pele, gênero, classe social,
local da residência, vestimentas etc.
Sob essa perspectiva, a ausência de justificativas e de elementos seguros a legitimar a
ação dos agentes públicos, diante da discricionariedade policial na identificação de suspeitos de
práticas criminosas, pode fragilizar e tornar írritos os direitos à intimidade, à privacidade e à
liberdade.
.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
fls. 125
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
Acerca da matéria, observe-se os remansosos entendimentos do STJ:
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
mutatis mutandis: "HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO
PREVENTIVA. RELAXAMENTO. BUSCA PESSOAL ILEGAL. INVASÃO DE
DOMICÍLIO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. ILEGALIDADE DA
BUSCA PESSOAL RECONHECIDA. DEMAIS PLEITOS PREJUDICADOS. 1.
A autoridade policial recebeu denúncia anônima de tráfico de drogas e dirigiu-se ao
local. O paciente, percebendo a chegada dos policiais, correu para um bar, ao que os
militares 'foram em busca dele e o paciente resistiu à abordagem, ao que foi necessário
contê-lo' (acórdão). 2. Foram encontradas drogas em seu poder. [...] 'tendo em vista que
o paciente disse para os policiais que morava na casa verde informada da denúncia e
que a residência era conhecida no meio policial como ponto de venda de drogas', os 6
agentes entraram na residência e encontraram mais drogas. 3. Se não amparada pela
legislação a revista pessoal que foi realizada apenas com base em parâmetros
subjetivos dos agentes policiais, sem a indicação de dado concreto sobre a
existência de justa causa para autorizar a medida invasiva, vislumbra-se a
ilicitude da prova, e das dela decorrentes, inclusive a busca e apreensão
domiciliar, nos termos do art. 157, caput e § 1º, do CPP. 4. Concessão da ordem
de habeas corpus. Trancamento da ação penal (art. 648, I - CPP) pela imputação
constante da denúncia (art. 33, caput - Lei 11.343/2006). Demais pleitos prejudicados.”
(HC 707.819/MG, Rel. Ministro OLINDO MENEZES, Desembargador Convocado
do TRF 1.ª Região, SEXTA TURMA, DJe 25/04/2022; sem grifos no original.) (...)
(HC 625.819/SC, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em
23/02/2021, DJe 26/02/2021; sem grifos no original.) (...) (HC 659.689/DF, Rel.
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 15/06/2021,
DJe 18/06/2021; sem grifos no original.) Assim, considerando que as provas
coletadas por meio da busca pessoal são ilícitas, a própria demonstração da
materialidade e da autoria delitiva está viciada, o que impõe a declaração de
nulidade do processo e a absolvição do Paciente do crime previsto no art. 33,
caput, da Lei n. 11.343/2006. Ante o exposto, CONCEDO a ordem de habeas
corpus, para anular as provas obtidas ilicitamente, bem como as provas delas
decorrentes e, em consequência, absolver o Paciente das imputações feitas na
Ação Penal n. 1500559-92.2021.8.26.0535.
(STJ, HC 777.830/SP, Rel. Min. LAURITA VAZ, decisão monocrática, julgado em
05/12/2022, DJe 09/12/2022, grifos nossos)
Neste azo, para ministro Rogério Schietti, a suspeita deve estar fundada e conjugada
à probabilidade de posse de objetos ilícitos, fugindo das impressões subjetivas e
demonstradas concretamente, já que a finalidade prevista para a busca pessoal é a de produção
de provas, sendo vedada sua utilização para a pescaria probatória ou fishingexpedition:
O fato de, efetivamente, ter sido encontrada droga com o indivíduo não convalida a
ilegalidade, de acordo com o ministro, já que a suspeita exigida pelo CPP deve ocorrer e ser
fundamentada com o que existe anteriormente à sua realização. Assim, a ausência de
fundamentação idônea gera a ilicitude de eventuais provas obtidas, podendo, inclusive,
gerar a responsabilização dos policiais, em especial com base na Lei de Abuso de
.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
fls. 127
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
[Link] de acordo com os ensinamentos do ministro Rogério Schietti no que tange as
ações realizadas pelos agentes policiais:
"O que se percebe, portanto, é que, a pretexto de transmitir uma sensação de segurança
à população, as agências policiais em verdadeiros 'tribunais de rua'
cotidianamente constrangem os famigerados 'elementos suspeitos' com base
em preconceitos estruturais, restringem indevidamente seus direitos
fundamentais, deixam-lhe graves marcas e, com isso, ainda prejudicam a 7
imagem da instituição e aumentam a desconfiança da coletividade sobre ela "
Nessa esteira, é de bom alvitre considerar que há três razões principais para que se
exijam elementos sólidos, objetivos e concretos para a realização de busca pessoal vulgarmente
conhecida como dura, geral, revista, enquadroou baculejo, além da intuição baseada no tirocínio
policial:
a) evitar o uso excessivo desse expediente e, por consequência, a
restrição desnecessária e abusiva dos direitos fundamentais à
intimidade, à privacidade e à liberdade (art. 5º, caput, e X, da
Constituição Federal), porquanto, além de se tratar de conduta invasiva e
constrangedora mesmo se realizada com urbanidade, o que infelizmente
nem sempre ocorre, também implica a detenção do indivíduo, ainda que por
breves instantes;
b) garantir a sindicabilidade da abordagem, isto é, permitir que tanto
possa ser contrastada e questionada pelas partes, quanto ter sua validade
controlada a posteriori por um terceiro imparcial (Poder Judiciário), o
que se inviabiliza quando a medida tem por base apenas aspectos
subjetivos, intangíveis e não demonstráveis;
c) evitar a repetição ainda que nem sempre consciente de práticas
que reproduzem preconceitos estruturais arraigados na sociedade, como
é o caso do perfilamento racial, reflexo direto do racismo estrutural.
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
Ora, Excelência, se não havia fundada suspeita de que a pessoa estava na posse de
arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, não há como se admitir
que a mera descoberta casual de situação de flagrância, posterior à revista do indivíduo,
justifique a medida.
Acerca da matéria, observe-se os remansosos entendimentos do STJ:
8
RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA PESSOAL.
AUSÊNCIA DE FUNDADA SUSPEITA. ALEGAÇÃO VAGA DE “ATITUDE
SUSPEITA”. INSUFICIÊNCIA. ILICITUDE DA PROVA OBTIDA.
TRANCAMENTO DO PROCESSO. RECURSO PROVIDO. 1. Exige-se, em
termos de standard probatório para busca pessoal ou veicular sem mandado
judicial, a existência de fundada suspeita (justa causa) – baseada em um juízo
de probabilidade, descrita com a maior precisão possível, aferida de modo
objetivo e devidamente justificada pelos indícios e circunstâncias do caso
concreto – de que o indivíduo esteja na posse de drogas, armas ou de outros
objetos ou papéis que constituam corpo de delito, evidenciando-se a urgência
de se executar a diligência. 2. Entretanto, a normativa constante do art. 244 do CPP
não se limita a exigir que a suspeita seja fundada. É preciso, também, que esteja
relacionada à “posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de
delito”. Vale dizer, há uma necessária referibilidade da medida, vinculada à sua
finalidade legal probatória, a fim de que não se converta em salvo-conduto para
abordagens e revistas exploratórias ( fishingexpeditions), baseadas em suspeição
genérica existente sobre indivíduos, atitudes ou situações, sem relação específica com a
posse de arma proibida ou objeto (droga, por exemplo) que constitua corpo de delito
de uma infração penal. O art. 244 do CPP não autoriza buscas pessoais praticadas
como “rotina” ou “praxe” do policiamento ostensivo, com finalidade preventiva e
motivação exploratória, mas apenas buscas pessoais com finalidade probatória e
motivação correlata. 3. Não satisfazem a exigência legal, por si sós, meras
informações de fonte não identificada (e.g. denúncias anônimas) ou intuições e
impressões subjetivas, intangíveis e não demonstráveis de maneira clara e
concreta, apoiadas, por exemplo, exclusivamente, no tirocínio policial. Ante a
ausência de descrição concreta e precisa, pautada em elementos objetivos, a
classificação subjetiva de determinada atitude ou aparência como suspeita, ou de certa
reação ou expressão corporal como nervosa, não preenche o standard probatório de
“fundada suspeita” exigido pelo art. 244 do CPP. 4. O fato de haverem sido
encontrados objetos ilícitos – independentemente da quantidade – após a revista
não convalida a ilegalidade prévia, pois é necessário que o elemento “fundada
suspeita de posse de corpo de delito” seja aferido com base no que se tinha
antes da diligência. Se não havia fundada suspeita de que a pessoa estava na posse de
arma proibida, droga ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, não há
como se admitir que a mera descoberta casual de situação de flagrância, posterior à
revista do indivíduo, justifique a medida. 5. A violação dessas regras e condições legais
para busca pessoal resulta na ilicitude das provas obtidas em decorrência da medida,
bem como das demais provas que dela decorrerem em relação de causalidade, sem
prejuízo de eventual responsabilização penal do(s) agente(s) público(s) que tenha(m)
realizado a diligência. (RHC n. 158.580/BA, Rel. Ministro Rogerio Schietti, DJe
25/4/2022).
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
EXCLUSIVAMENTE, no tirocínio policial, sem elementos concretos que ensejassem a
fundada suspeita.
Nessa esteira, por não ter, a busca pessoal, se apoiado em qualquer outro
meio de prova que justificasse a medida, torna-se imperiosa a rejeição da denúncia ante a
ausência de justa causa, nos termos do art. 395, inciso III do CPP.
9
Ademais, caso Vossa Excelência entenda que não houve ilegalidade na busca pessoal
realizada pelos policiais militares, é imperioso o reconhecimento da atipicidade da conduta do
réu, uma vez que foram encontradas com ele apenas 30g de droga, o que, a luz do entendimento
atual do STF (Tema 506), torna a conduta atípica, uma vez que é usuário de drogas e se enquadra
no art. 28 da Lei de Drogas.
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
ela para consumo próprio, atentando para os requisitos dispostos no artigo 28, par. 2º, da Lei
11.343/06.
Cabe destacar ainda que o STF, em recente julgado, fixou o tema 506,
estabelecendo a seguinte tese:
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
4. Nos termos do § 2º do artigo 28 da Lei 11.343/2006, será presumido usuário quem,
para consumo próprio, adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer
consigo, até 40 gramas de cannabis sativa ou seis plantas-fêmeas, até que o
Congresso Nacional venha a legislar a respeito;
8. A apreensão de quantidades superiores aos limites ora fixados não impede o juiz de
concluir que a conduta é atípica, apontando nos autos prova suficiente da condição de
usuário.
Com efeito, tendo em vista que a quantidade apreendida é inferior a 40g de maconha
e quenão existem elementos que indiquem o intuito da mercancia, razão pela qual a
conduta deverá ser considerada ATÍPICA, em respeito ao julgado supracitado, com a
consequente absolvição sumária do acusado.
3. DOS PEDIDOS
Diante do exposto, com fulcro no art. 395, inciso III do CPP, a DEFENSORIA
PÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS, pugna pelaREJEIÇÃO DA DENÚNCIA, com a
consequente extinção do feito, ante a ausência de justa causa para o exercício da ação penal, pela
clara ilegalidade da busca pessoal realizada sem fundada suspeita;
.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
fls. 132
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
Subsidiariamente, pugna pela desclassificação da conduta para o art. 28 da Lei de
drogas, com o reconhecimento da atipicidade da conduta, em respeito ao tema 506 do STF, haja
vista que o réu só possuía 30g de maconha no momento da prisão, devendo ser absolvido
sumariamente.
Requer, ainda, os benefícios da Justiça Gratuita, por ser hipossuficiente, com
fulcro no art. 5º, LXXIV, CF e art. 98, CPC. 12