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Defesa Prévia

O documento apresenta a defesa prévia de Valter Barbosa Mendes da Silva, acusado de tráfico de drogas, argumentando a ilegalidade da busca pessoal que resultou na apreensão de 30g de maconha. A defesa sustenta que a busca foi realizada sem fundada suspeita, baseada apenas em uma denúncia anônima, o que contraria o Código de Processo Penal. A Defensoria Pública solicita a rejeição da denúncia devido à ausência de justa causa para a ação policial.

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Defesa Prévia

O documento apresenta a defesa prévia de Valter Barbosa Mendes da Silva, acusado de tráfico de drogas, argumentando a ilegalidade da busca pessoal que resultou na apreensão de 30g de maconha. A defesa sustenta que a busca foi realizada sem fundada suspeita, baseada apenas em uma denúncia anônima, o que contraria o Código de Processo Penal. A Defensoria Pública solicita a rejeição da denúncia devido à ausência de justa causa para a ação policial.

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.

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
fls. 121

DEFENSORIAPÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS


Defensoria Pública em Rio Largo

Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0700552-02.2021.8.02.0051 e código EmWvdScB.
AO JUÍZO DE DIREITO DA 3ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE RIO LARGO

Processo:0700552-02.2021.8.02.0051
1

VALTER BARBOSA MENDES DA SILVA, já qualificado nos autos da ação


penal que lhe move o Ministério Público, através da DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO
DE ALAGOAS, por atuação do Defensor Público adiante firmado, vem, respeitosamente,
perante Vossa Excelência apresentarDEFESA PRÉVIA,com fulcro no art. 395, do Código de
Processo Penal, pelos motivos que passa a expor.

[Link] FATOS

Extrai-se da denúncia que, no dia 25/04/2021, por volta das 16h40min, na Rua São
Jorge, Mata do Rolo, nestacidade, o denunciado foi preso em flagrante por trazer consigo 30g de
Cannabis SativaLinneu, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar,praticando com isso o crime do art. 33 da lei 11.343/06.
Conforme a peça investigativa, uma guarnição da polícia militar e outra da
ForçaTática realizavam patrulhamento no local acima informado quando abordaram
odenunciado para revista pessoal, quando encontraram aproximadamente 30g (trintagramas) de
maconha fracionadas em bombinhas, dentro de uma sacola carregada pelodenunciado, além da
quantia de R$ 30,00 (trinta reais) e um aparelho celular.
Ao serquestionado o denunciado confessou ter comprado a droga para revender,
contudo, senegou a informar quem havia fornecido o entorpecente, momento em que foi
conduzidoaté a Central de Flagrantes.
Em sede de interrogatório o denunciado confessa a propriedade das
drogasencontradas em seu poder.
A Defensoria Pública foi intimada para apresentar Defesa Prévia, uma vez que o réu
não foi encontrado.
Eis o necessário.
.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
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[Link] REJEIÇÃO DA DENÚNCIA ANTE A AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA

 DA NULIDADE DA BUSCA PESSOAL


Em atenção ao que disciplina os arts. 240,§2º e 244, ambos do CPP, observa-se, 2

analisando detidamente o Inquérito Policial, que houve clara ilegalidade quanto à busca pessoal
do réu, vejamos:
Art. 240. A busca será domiciliar ou pessoal. § 2o Proceder-se-á à busca pessoal quando
houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida ou objetos
mencionados nas letras b a f e letra h do parágrafo anterior.

Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando


houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de
objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no
curso de busca domiciliar.

No caso em comento, em sede policial foram ouvidas as testemunhas que fizeram


parte da abordagem do réu, as quais apresentaram os seguintes relatos:

(Diego Torres de Freitas - Policial Militar – Testemunha):

(Wklebson Pereira da Silva – Policial Militar – Testemunha):


.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
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Ora Excelências, a busca pessoal foi ilegal por dois motivos: primeiro, a partir das
declarações dos próprios policiais, não há detalhes de fundada suspeita para realização
da busca pessoal realizada no réu.
De mais a mais, conforme veremos através dos entendimentos advindos do STJ
acerca da busca pessoal em razão de denúncia anônima, a busca pessoal torna-se ilegal a partir da 3
existência de denúncias anônimas desacompanhadas de outros elementos concretos que possam
comprovar a prática delitiva.
O simples fato de a denúncia anônima ter sido recebida e repassada por
suposto popular, não torna a tese da ilegalidade da busca pessoal inexigível, se assim o
fosse, toda e qualquer busca pessoal que ocorresse mediante informações repassadas por
terceiros, iriam tornar-se legal, o que não faz nenhum sentido, frente aos vastos
entendimentos que já possuímos acerca da matéria, conforme veremos adiante.
Como sabido, não satisfazem a exigência legal para a realização da busca pessoal, por
si sós, meras informações de fonte não identificada (e.g. denúncias anônimas), ainda que
estas sejam repassadas pela guarnição via COPON.
Acerca da busca pessoal embasada em denúncia anônima, vejamos alguns dos
entendimentos do STJ:

HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. REVISTA PESSOAL.


DENÚNCIA ANÔNIMA. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS CONCRETOS.
FUNDADA SUSPEITA INEXISTENTE. BUSCA DOMICILIAR.
AUTORIZAÇÃO NÃO COMPROVADA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL
EVIDENCIADO. PRECEDENTES. 1. Nesta Corte Superior, prevalece o
entendimento de que a simples existência de denúncia anônima,
desacompanhada de outros elementos preliminares indicativos da prática de
crime, não configura fundadas razões e, portanto, não legitima o ingresso de
policiais em domicílio, nem mesmo a busca pessoal, fundamentada no art. 240,
§ 2º, do Código de Processo Penal,porquanto se exige a presença de fundada
suspeita para que o procedimento persecutório esteja autorizado e, portanto, válido. 2.
As circunstâncias que antecederam a busca pessoal e o ingresso dos policiais no
domicílio do paciente estavam amparadas apenas na denúncia anônima, não
existindo as fundadas razões que os justificassem, e também não ficou
devidamente demonstrada a autorização voluntária. 3. Ordem concedida para,
reconhecendo a nulidade das provas obtidas ilicitamente, bem como as delas derivadas,
absolver o paciente com fundamento no art. 386, II, do Código de Processo Penal -
Ação Penal n. 0000091-82.2019.8.19.0014.
(STJ - HC: 733082 RJ 2022/0094750-3, Data de Julgamento: 07/06/2022, T6 - SEXTA
TURMA, Data de Publicação: DJe 17/06/2022) (grifei)

HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO EM FLAGRANTE.


DENÚNCIA ANÔNIMA. FUGA PARA INTERIOR DA RESIDÊNCIA.
INVASÃO DE DOMICÍLIO. ILICITUDE DAS PROVAS. AUSÊNCIA DE
.
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FUNDADAS RAZÕES. JUSTA CAUSA NÃO VERIFICADA.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. 1. Considera-se ilícita a
busca pessoal e domiciliar pessoal executadas por autoridade policial sem a
existência da necessária justa causa para a efetivação da medida invasiva, com
base apenas em denúncia anônima (art. 240, § 2º- CPP), bem como a prova
derivada da busca pessoal. 2. Tendo a busca pessoal ocorrido apenas com base em
parâmetros subjetivos dos agentes policiais (nervosismo ante a presença da autoridade
policial e ingresso no interior do imóvel), sem a indicação de dado concreto sobre a
existência de justa causa para autorizar a medida invasiva (ingresso no domicílio, sem
ordem judicial), deve ser reconhecida a ilegalidade por ilicitude da prova, bem como das 4
provas dela derivadas, nos termos do art. 157, caput e § 1º, do CPP. 3. Habeas corpus
concedido para declarar ilegal a apreensão da droga e, consequentemente, trancar
a da ação penal n. 5014975-62.2021.8.24.0033 (art. 386, II - CPP), determinando a
restituição da liberdade dos pacientes, se por outro motivo não estiverem presos.
(STJ - HC: 687342 SC 2021/0260372-5, Relator: Ministro OLINDO MENEZES
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), Data de Julgamento:
05/10/2021, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 11/10/2021) (grifei)

Além do mais, por ter sido encontrado objeto ilícito após a revista, não convalida a
ilegalidade prévia, pois é necessário que o elemento “fundada suspeita” de posse de corpo de
delito, conforme disciplina o art.244 do CP, seja aferido com base no que se tinha antes da
diligência, o que não ocorreu no caso concreto, pois, de acordo com o próprio relato de um dos
agentes, a diligência se deu tão somente pelo fato de que os policiais teriam sido acionados
em decorrência de uma denúncia de terceiro anônimo.
Portanto, se não havia fundada suspeita de que a pessoa estava portando
objetos ilícitos, não há como se admitir que a mera descoberta casual de situação de
flagrância, posterior à revista do indivíduo, justifique a medida.
Vale dizer, há uma necessária análise da medida, vinculada à sua finalidade legal
probatória, a fim de que não se converta em salvo-conduto para abordagens e revistas
exploratórias (fishingexpeditions), baseadas em suspeição genérica existente sobre indivíduos,
atitudes ou situações, sem relação específica com a posse de arma proibida ou objeto (droga, por
exemplo) que constitua corpo de delito de uma infração penal.
Em um país marcado por alta desigualdade social e racial, o policiamento ostensivo
tende a se concentrar em grupos marginalizados e considerados potenciais criminosos ou usuais
suspeitos, assim definidos por fatores subjetivos, como idade, cor da pele, gênero, classe social,
local da residência, vestimentas etc.
Sob essa perspectiva, a ausência de justificativas e de elementos seguros a legitimar a
ação dos agentes públicos, diante da discricionariedade policial na identificação de suspeitos de
práticas criminosas, pode fragilizar e tornar írritos os direitos à intimidade, à privacidade e à
liberdade.
.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
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Acerca da matéria, observe-se os remansosos entendimentos do STJ:

RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO ILÍCITO DE


DROGAS. BUSCA PESSOAL. REQUISITOS DO ART. 244 DO CÓDIGO DE
PROCESSO PENAL. AUSÊNCIA DE FUNDADA SUSPEITA.
ABORDAGEM EM VIA PÚBLICA MOTIVADA APENAS POR IMPRESSÃO
DE NERVOSISMO. ILICITUDE DAS PROVAS OBTIDAS. ABSOLVIÇÃO.
RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. A percepção de nervosismo do averiguado por 5
parte de agentes públicos é dotada de excesso de subjetivismo e, por isso, não é
suficiente para caracterizar a fundada suspeita para fins de busca pessoal, medida
invasiva que exige mais do que mera desconfiança fundada em elementos intuitivos. 2.
À falta de dados concretos indicativos de fundada suspeita, deve ser considerada
nula a busca pessoal amparada na impressão de nervosismo do Acusado por
parte dos agentes públicos. 3. Recurso especial provido, a fim de anular as
provas obtidas ilicitamente, bem como as provas delas decorrentes e, em
consequência, absolver o Recorrente, nos termos do art. 386, inciso II, do
Código de Processo Penal.
(STJ - REsp: 1961459 SP 2021/0044017-0, Relator: Ministra LAURITA VAZ, Data de
Julgamento: 05/04/2022, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 08/04/2022

HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS.


BUSCA PESSOAL. REQUISITOS DO ART. 244 DO CÓDIGO DE PROCESSO
PENAL. AUSÊNCIA DE FUNDADAS SUSPEITAS. ILICITUDE DAS
PROVAS OBTIDAS. ABSOLVIÇÃO. ORDEM CONCEDIDA. (...) A busca
pessoal, de acordo com o § 2.º do art. 240 do Código de Processo Penal, somente pode
ser realizada quando houver fundada suspeita de que a pessoa oculte consigo arma
proibida ou objetos mencionados nas alíneas "b" a "f "e "h" do § 1.º do citado
dispositivo. O art. 244, por sua vez, prevê que a busca pessoal, como medida
autônoma, independerá de mandado prévio se houver fundada suspeita de que a pessoa
esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de
delito. (...) No caso, extrai-se do Auto de Prisão em Flagrante a seguinte narrativa do
condutor do flagrante (fl. 25; sem grifos no original): "[...] Comparecem nesta Delegacia
de Polícia os policiais militares acima descritos, noticiando que durante patrulhamento
de rotina, junto a um local conhecido dos policiais como ponto de tráfico de drogas,
avistaram a pessoa do indiciado, sentado a frente de um bar, onde ao avistar a presença
da viatura da polícia militar demonstrou nervosismo, tendo sido realizada a abordagem
junto ao mesmo. O qual não portava documentos, dizendo-se chamar-se Paulo
Gherardi Marinho Neto, e em revista pessoal junto ao mesmo foi localizado a quantia
de R$472,00 (Quatrocentos e Setenta e Dois Reais) em dinheiro, e um aparelho de
telefone celular, tendo Paulo dito que a origem do dinheiro, seria fruto de seu trabalho
como pedreiro, em uma revista mais minuciosa, foi localizado junto a cueca do mesmo
um papelote contendo substância esbranquiçada similar a cocaína, bem com vinte e
nove pedras de substância amarelada aparentando ser crack. Indagado sobre as drogas
encontradas consigo Paulo Gherardi Marinho Neto, confessou que realmente estava
traficando drogas junto aquele local e que ficaria ali até às 23 horas. Diante disto foi
exarada voz de prisão em flagrante delito a Paulo Gherardi Marinho Neto, pela prática
do crime de tráfico de drogas, tendo sido o mesmo conduzido até esta Delegacia de
Polícia." Como se vê, a busca pessoal realizada pelos policiais está apoiada
apenas em "atitude suspeita", consistente no mero fato de o Paciente ter sido
abordado em local conhecido pela prática da traficância, além de ter
demonstrado nervosismo ao avistar os policiais. Portanto, não vislumbro 11
elementos indiciários suficientes do cometimento de delitos, ainda que
permanentes, que justifiquem a abordagem em tela. Convém assinalar que não
consta do acórdão atacado ou da sentença condenatória que os agentes públicos
teriam visualizado o Réu vendendo drogas ou mesmo praticando qualquer outro
crime, sendo que a posterior situação de flagrância não legitima a revista
pessoal amparada em meras suposições ou conjecturas. Ilustrativamente,
.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO e TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE ALAGOAS, protocolado em 04/11/2024 às 13:49 , sob o número WRLA24700193107
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mutatis mutandis: "HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO
PREVENTIVA. RELAXAMENTO. BUSCA PESSOAL ILEGAL. INVASÃO DE
DOMICÍLIO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. ILEGALIDADE DA
BUSCA PESSOAL RECONHECIDA. DEMAIS PLEITOS PREJUDICADOS. 1.
A autoridade policial recebeu denúncia anônima de tráfico de drogas e dirigiu-se ao
local. O paciente, percebendo a chegada dos policiais, correu para um bar, ao que os
militares 'foram em busca dele e o paciente resistiu à abordagem, ao que foi necessário
contê-lo' (acórdão). 2. Foram encontradas drogas em seu poder. [...] 'tendo em vista que
o paciente disse para os policiais que morava na casa verde informada da denúncia e
que a residência era conhecida no meio policial como ponto de venda de drogas', os 6
agentes entraram na residência e encontraram mais drogas. 3. Se não amparada pela
legislação a revista pessoal que foi realizada apenas com base em parâmetros
subjetivos dos agentes policiais, sem a indicação de dado concreto sobre a
existência de justa causa para autorizar a medida invasiva, vislumbra-se a
ilicitude da prova, e das dela decorrentes, inclusive a busca e apreensão
domiciliar, nos termos do art. 157, caput e § 1º, do CPP. 4. Concessão da ordem
de habeas corpus. Trancamento da ação penal (art. 648, I - CPP) pela imputação
constante da denúncia (art. 33, caput - Lei 11.343/2006). Demais pleitos prejudicados.”
(HC 707.819/MG, Rel. Ministro OLINDO MENEZES, Desembargador Convocado
do TRF 1.ª Região, SEXTA TURMA, DJe 25/04/2022; sem grifos no original.) (...)
(HC 625.819/SC, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em
23/02/2021, DJe 26/02/2021; sem grifos no original.) (...) (HC 659.689/DF, Rel.
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 15/06/2021,
DJe 18/06/2021; sem grifos no original.) Assim, considerando que as provas
coletadas por meio da busca pessoal são ilícitas, a própria demonstração da
materialidade e da autoria delitiva está viciada, o que impõe a declaração de
nulidade do processo e a absolvição do Paciente do crime previsto no art. 33,
caput, da Lei n. 11.343/2006. Ante o exposto, CONCEDO a ordem de habeas
corpus, para anular as provas obtidas ilicitamente, bem como as provas delas
decorrentes e, em consequência, absolver o Paciente das imputações feitas na
Ação Penal n. 1500559-92.2021.8.26.0535.
(STJ, HC 777.830/SP, Rel. Min. LAURITA VAZ, decisão monocrática, julgado em
05/12/2022, DJe 09/12/2022, grifos nossos)

Neste azo, para ministro Rogério Schietti, a suspeita deve estar fundada e conjugada
à probabilidade de posse de objetos ilícitos, fugindo das impressões subjetivas e
demonstradas concretamente, já que a finalidade prevista para a busca pessoal é a de produção
de provas, sendo vedada sua utilização para a pescaria probatória ou fishingexpedition:

"Ante a ausência de descrição concreta e precisa, pautada em elementos


objetivos, a classificação subjetiva de determinada atitude ou aparência como
suspeita, ou de certa reação ou expressão corporal como nervosa, não preenche
o standard probatório de 'fundada suspeita' exigido pelo artigo 244 do CPP"

O fato de, efetivamente, ter sido encontrada droga com o indivíduo não convalida a
ilegalidade, de acordo com o ministro, já que a suspeita exigida pelo CPP deve ocorrer e ser
fundamentada com o que existe anteriormente à sua realização. Assim, a ausência de
fundamentação idônea gera a ilicitude de eventuais provas obtidas, podendo, inclusive,
gerar a responsabilização dos policiais, em especial com base na Lei de Abuso de
.
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[Link] de acordo com os ensinamentos do ministro Rogério Schietti no que tange as
ações realizadas pelos agentes policiais:

"O que se percebe, portanto, é que, a pretexto de transmitir uma sensação de segurança
à população, as agências policiais em verdadeiros 'tribunais de rua'
cotidianamente constrangem os famigerados 'elementos suspeitos' com base
em preconceitos estruturais, restringem indevidamente seus direitos
fundamentais, deixam-lhe graves marcas e, com isso, ainda prejudicam a 7
imagem da instituição e aumentam a desconfiança da coletividade sobre ela "

Nessa esteira, é de bom alvitre considerar que há três razões principais para que se
exijam elementos sólidos, objetivos e concretos para a realização de busca pessoal vulgarmente
conhecida como dura, geral, revista, enquadroou baculejo, além da intuição baseada no tirocínio
policial:
a) evitar o uso excessivo desse expediente e, por consequência, a
restrição desnecessária e abusiva dos direitos fundamentais à
intimidade, à privacidade e à liberdade (art. 5º, caput, e X, da
Constituição Federal), porquanto, além de se tratar de conduta invasiva e
constrangedora mesmo se realizada com urbanidade, o que infelizmente
nem sempre ocorre, também implica a detenção do indivíduo, ainda que por
breves instantes;
b) garantir a sindicabilidade da abordagem, isto é, permitir que tanto
possa ser contrastada e questionada pelas partes, quanto ter sua validade
controlada a posteriori por um terceiro imparcial (Poder Judiciário), o
que se inviabiliza quando a medida tem por base apenas aspectos
subjetivos, intangíveis e não demonstráveis;
c) evitar a repetição ainda que nem sempre consciente de práticas
que reproduzem preconceitos estruturais arraigados na sociedade, como
é o caso do perfilamento racial, reflexo direto do racismo estrutural.

Sob essa perspectiva, a ausência de justificativas e de elementos seguros a legitimar a


ação dos agentes públicos, como no caso concreto, diante da discricionariedade policial na
identificação de suspeitos de práticas criminosas, pode fragilizar e tornar írritos os direitos à
intimidade, à privacidade e à liberdade.
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Ora, Excelência, se não havia fundada suspeita de que a pessoa estava na posse de
arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, não há como se admitir
que a mera descoberta casual de situação de flagrância, posterior à revista do indivíduo,
justifique a medida.
Acerca da matéria, observe-se os remansosos entendimentos do STJ:
8
RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA PESSOAL.
AUSÊNCIA DE FUNDADA SUSPEITA. ALEGAÇÃO VAGA DE “ATITUDE
SUSPEITA”. INSUFICIÊNCIA. ILICITUDE DA PROVA OBTIDA.
TRANCAMENTO DO PROCESSO. RECURSO PROVIDO. 1. Exige-se, em
termos de standard probatório para busca pessoal ou veicular sem mandado
judicial, a existência de fundada suspeita (justa causa) – baseada em um juízo
de probabilidade, descrita com a maior precisão possível, aferida de modo
objetivo e devidamente justificada pelos indícios e circunstâncias do caso
concreto – de que o indivíduo esteja na posse de drogas, armas ou de outros
objetos ou papéis que constituam corpo de delito, evidenciando-se a urgência
de se executar a diligência. 2. Entretanto, a normativa constante do art. 244 do CPP
não se limita a exigir que a suspeita seja fundada. É preciso, também, que esteja
relacionada à “posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de
delito”. Vale dizer, há uma necessária referibilidade da medida, vinculada à sua
finalidade legal probatória, a fim de que não se converta em salvo-conduto para
abordagens e revistas exploratórias ( fishingexpeditions), baseadas em suspeição
genérica existente sobre indivíduos, atitudes ou situações, sem relação específica com a
posse de arma proibida ou objeto (droga, por exemplo) que constitua corpo de delito
de uma infração penal. O art. 244 do CPP não autoriza buscas pessoais praticadas
como “rotina” ou “praxe” do policiamento ostensivo, com finalidade preventiva e
motivação exploratória, mas apenas buscas pessoais com finalidade probatória e
motivação correlata. 3. Não satisfazem a exigência legal, por si sós, meras
informações de fonte não identificada (e.g. denúncias anônimas) ou intuições e
impressões subjetivas, intangíveis e não demonstráveis de maneira clara e
concreta, apoiadas, por exemplo, exclusivamente, no tirocínio policial. Ante a
ausência de descrição concreta e precisa, pautada em elementos objetivos, a
classificação subjetiva de determinada atitude ou aparência como suspeita, ou de certa
reação ou expressão corporal como nervosa, não preenche o standard probatório de
“fundada suspeita” exigido pelo art. 244 do CPP. 4. O fato de haverem sido
encontrados objetos ilícitos – independentemente da quantidade – após a revista
não convalida a ilegalidade prévia, pois é necessário que o elemento “fundada
suspeita de posse de corpo de delito” seja aferido com base no que se tinha
antes da diligência. Se não havia fundada suspeita de que a pessoa estava na posse de
arma proibida, droga ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, não há
como se admitir que a mera descoberta casual de situação de flagrância, posterior à
revista do indivíduo, justifique a medida. 5. A violação dessas regras e condições legais
para busca pessoal resulta na ilicitude das provas obtidas em decorrência da medida,
bem como das demais provas que dela decorrerem em relação de causalidade, sem
prejuízo de eventual responsabilização penal do(s) agente(s) público(s) que tenha(m)
realizado a diligência. (RHC n. 158.580/BA, Rel. Ministro Rogerio Schietti, DJe
25/4/2022).

Diante de todo o exposto, percebe-se que não há justa causa para o


prosseguimento da ação penal, tendo em vista que a busca pessoal se fundou,
.
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EXCLUSIVAMENTE, no tirocínio policial, sem elementos concretos que ensejassem a
fundada suspeita.
Nessa esteira, por não ter, a busca pessoal, se apoiado em qualquer outro
meio de prova que justificasse a medida, torna-se imperiosa a rejeição da denúncia ante a
ausência de justa causa, nos termos do art. 395, inciso III do CPP.
9

 DA DESCLASSIFICAÇÃO PARA POSSE DE DROGAS PARA


CONSUMO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. TEMA 506 STF

Ademais, caso Vossa Excelência entenda que não houve ilegalidade na busca pessoal
realizada pelos policiais militares, é imperioso o reconhecimento da atipicidade da conduta do
réu, uma vez que foram encontradas com ele apenas 30g de droga, o que, a luz do entendimento
atual do STF (Tema 506), torna a conduta atípica, uma vez que é usuário de drogas e se enquadra
no art. 28 da Lei de Drogas.

Compulsando os autos, observa-se que foram encontrados apenas 30g de maconha.


Além disso, com o réu, não foram encontradas objetos comuns na prática de traficância, a
exemplo de balanças de precisão, embalagens, agenda contendo nome de possíveis
usuários, dinheiro em grande quantidade em espécie etc.

Logo, não havendo a produção de qualquer prova idônea a atestar a destinação


mercantil da substância, é imperiosa a desclassificação da conduta imputada na denúncia
para a prevista no artigo 28 da Lei 11.343/06.

Assim, não há um “ônus” do acusado em demonstrar a destinação da droga


apreendida, porquanto em um Estado Democrático de Direito a acusação deve, sempre, se basear
em provas, não sendo possível impor ao acusado a tarefa de provar sua inocência.

A acusação de tráfico de drogas, no presente caso, trata-se na verdade de um ‘ouvir


dizer’ policial que, apesar de possuir fé pública, deve vir acompanhado de elementos probatórios
mínimos.

Ademais, não foi apontado, sequer, um suposto adquirente da substância, muito


menos pessoas próximas ao réu no momento da abordagem, circunstâncias que confirmam ser
.
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ela para consumo próprio, atentando para os requisitos dispostos no artigo 28, par. 2º, da Lei
11.343/06.

Nesse sentido, sendo o conjunto probatório insuficiente para demonstrar a


ocorrência da traficância, bem como levando em consideração que a existência de eventuais
dúvidas deve resolver-se em favor do réu, requer a defesa que seja desclassificada a conduta 10
perseguida para a do tipo penal descrito no artigo 28 da Lei 11.343/06.

Não é outro o entendimento da jurisprudência pátria, senão vejamos:

APELAÇÃO CRIMINAL - CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS -


CONDENAÇÃO PELA TRAFICÂNCIA - AUSÊNCIA DE PROVAS
SUFICIENTES ACERCA DA MERCANCIA DE ENTORPECENTES -
DESCLASSIFICAÇÃO PARA USO -- VIABILIDADE - PRESCRIÇÃO
SUPERVENIENTE - RECONHECIMENTO DE OFÍCIO - APELO
MINISTERIAL PROVIDO EM PARTE.

1. Se pelas provas coligidas aos autos não é possível afirmar de


maneira categórica a mercancia de entorpecentes por parte do acusado e em
sendo por este afirmada a dependência química, deve ser desclassificada a
conduta denunciada como tráfico de drogas para o uso, nos termos do art. 28 da
Lei de Tóxicos.

2. Transcorrido lapso temporal superior ao exigido pela lei para a


ocorrência da prescrição, deve ser declarada extinta a punibilidade do agente do delito
(TJ/MG; Apelação Criminal 1.0699.14.010936-3/001; 7ª Câmara Criminal; Rel. Des.
Sálvio Chaves; Data de Julgamento: 27/02/2019) (destaques não originais).

Cabe destacar ainda que o STF, em recente julgado, fixou o tema 506,
estabelecendo a seguinte tese:

1. Não comete infração penal quem adquirir, guardar, tiver em depósito,


transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, a substância cannabis
sativa, sem prejuízo do reconhecimento da ilicitude extrapenal da conduta, com
apreensão da droga e aplicação de sanções de advertência sobre os efeitos dela (art. 28,
I) e medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo (art. 28, III);

2. As sanções estabelecidas nos incisos I e III do art. 28 da Lei 11.343/06 serão


aplicadas pelo juiz em procedimento de natureza não penal, sem nenhuma repercussão
criminal para a conduta;

3. Em se tratando da posse de cannabis para consumo pessoal, a autoridade policial


apreenderá a substância e notificará o autor do fato para comparecer em Juízo, na
forma do regulamento a ser aprovado pelo CNJ. Até que o CNJ delibere a respeito, a
competência para julgar as condutas do art. 28 da Lei 11.343/06 será dos Juizados
Especiais Criminais, segundo a sistemática atual, vedada a atribuição de quaisquer
efeitos penais para a sentença;
.
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4. Nos termos do § 2º do artigo 28 da Lei 11.343/2006, será presumido usuário quem,
para consumo próprio, adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer
consigo, até 40 gramas de cannabis sativa ou seis plantas-fêmeas, até que o
Congresso Nacional venha a legislar a respeito;

5. A presunção do item anterior é relativa, não estando a autoridade policial e seus


agentes impedidos de realizar a prisão em flagrante por tráfico de drogas, mesmo para
quantidades inferiores ao limite acima estabelecido, quando presentes elementos que
indiquem intuito de mercancia, como a forma de acondicionamento da droga,
as circunstâncias da apreensão, a variedade de substâncias apreendidas, a 11
apreensão simultânea de instrumentos como balança, registros de operações
comerciais e aparelho celular contendo contatos de usuários ou traficantes;

6. Nesses casos, caberá ao Delegado de Polícia consignar, no auto de prisão em


flagrante, justificativa minudente para afastamento da presunção do porte para uso
pessoal, sendo vedada a alusão a critérios subjetivos arbitrários;

7. Na hipótese de prisão por quantidades inferiores à fixada no item 4, deverá o juiz, na


audiência de custódia, avaliar as razões invocadas para o afastamento da presunção de
porte para uso próprio;

8. A apreensão de quantidades superiores aos limites ora fixados não impede o juiz de
concluir que a conduta é atípica, apontando nos autos prova suficiente da condição de
usuário.

Nesse sentido, observa-se que o caso concreto se amolda perfeitamente ao


julgado da corte máxima brasileira, uma vez que, de acordo com o tema fixado pela Suprema
Corte, será presumido usuário quem, para consumo próprio, adquirir, guardar, tiver em
depósito, transportar ou trouxer consigo, até 40 gramas de cannabis sativa ou seis
plantas-fêmeas.

Com efeito, tendo em vista que a quantidade apreendida é inferior a 40g de maconha
e quenão existem elementos que indiquem o intuito da mercancia, razão pela qual a
conduta deverá ser considerada ATÍPICA, em respeito ao julgado supracitado, com a
consequente absolvição sumária do acusado.

3. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, com fulcro no art. 395, inciso III do CPP, a DEFENSORIA
PÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS, pugna pelaREJEIÇÃO DA DENÚNCIA, com a
consequente extinção do feito, ante a ausência de justa causa para o exercício da ação penal, pela
clara ilegalidade da busca pessoal realizada sem fundada suspeita;
.
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Subsidiariamente, pugna pela desclassificação da conduta para o art. 28 da Lei de
drogas, com o reconhecimento da atipicidade da conduta, em respeito ao tema 506 do STF, haja
vista que o réu só possuía 30g de maconha no momento da prisão, devendo ser absolvido
sumariamente.
Requer, ainda, os benefícios da Justiça Gratuita, por ser hipossuficiente, com
fulcro no art. 5º, LXXIV, CF e art. 98, CPC. 12

Diante de todo o exposto,


Termos em que pede deferimento.
Rio Largo/AL, datado e assinado digitalmente.

MANOEL CORREIA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO


DEFENSOR PÚBLICO

ANDERSON BRUNO SANTOS LIMA


ASSESSOR JURÍDICO

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