Ginástica Rítmica e Contorcionismo
Ginástica Rítmica e Contorcionismo
An89g
2691 FEF/1120
Ginastica ritmica e
contorcionismo:
primeiras aproximac;oes
Campinas
2005
TCC/Uri!CAMP A
Ans9 9 v·
Ginastica ritmica e
contorcionismo:
primeiras aproxima~oes
Campinas
2005
FICHA CATALOGRAFICA ELABORADA
BIBLIOTECA FEF- UNICAMP
~~I·
Prot /D~f~Jub
8
u
/ Orientadora
Banca Examinadora
Campinas 2005
Dedicat6ria
Agradecimentos
RESUMO
A ginitstica ritmica (GR) caracteriza-se como mna pr3.tica corporal que aparece, atualmente, nilo
apenas pelo seu carater esportivo, mas tambem pelas suas relayOes com a danya, conferindo-lhe
uma dimenslio artistica, que somada a expressao corporal e as U:cnicas corporais formam esta
modalidade esportiva tal como a conhecemos hoje. Neste estudo, procuramos estabelecer
algumas aproximar;Oes entre a GR e a pritica do contorcionismo, tomando como referSncia o
processo de sistematizayao da gimlstica e suas relayOes com o universe do circo, assim ((Omo as
manifestay5es da gin3stica ritmica observadas na atualidade, sobretudo nos campeonatos
mundiais desta modalidade, nos quais observamos que a GR e o contorcionismo sao duas
pniticas que apesar de terem percorrido caminhos diferentes, juntas proporcionam urn
espet<iculo ern que as ginastas, com sua flexibilidade extrema, podem ser consideradas
verdadeiras contorcionistas.
ABSTRACT
The Rhythmic Gymnastic (RG) is characterize to be a physical practice that shows itself,
actually, not just because of yours sports characteristics, but also because of your relationship
with dance, granting the artistic dimension, that combine to the body expression and the
physical technique make this sport as we know now. In this study we tried to establish some
approximations between RG and contortion, taking as references the process systematization of
gymnastic and the relations with circus world, as the rhythmic gymnastics manifestations
observed in own times, specially in the RG world championships, places where we can see that
RG and contortion can, despite they have been into different ways, together make a really good
show, where the gymnastics with the extreme flexibility, can be considered also as truly
contortionists.
1. Introdm;ao 13
2. Circa 16
2.1 Contorcionismo 20
3. Gin3stica e Circa 24
4. Gimistica ritmica e contorcionismo 30
Referencias Bibliogr3.ficas 50
Anexos 52
13
1. lntrodu9ao
passaram dentro do ginasio. Eu cresct dentro do ginasio. Meus brinquedos foram o arco, a bola, a
corda, a fita e as mayas. Em minhas viagens para melhorar minha condiyao de atleta, como os
treinamentos que real izei na Bulgaria, os treinos eram redobrados, pots Ia eu nao tinha escola e a
{mica cotsa que deveria fazer naquele local era treinar, treinar e tremar
Figura 1
Mas como disse anteriormente a ginastica tambern f01 a minha "rua", quantas
bnncadeiras reahzamos dentro daquele centro de treinamento, brincadetras diferentes e claro,
gostavamos de tmttar as grandes ginastas, realizar suas series, reproduztr seus movtmentos. Em
preparayao para a Olimpiada de Atlanta, 1996, a selevao bulgara ria de nossas performances,
pen so que naquele momento esqueciam-se urn pouco da responsabihdade e apenas nam conosco,
pequenas menmas.
Mas esse tempo passou, cresci, e quando me preparava para o Campeonato
Panamericano de Winnipeg (Canada) em 1999, por urn achado radiol6gico, no qual se constatou
urn problema congenito em minha co luna cervical, tive de abandonar tudo. Jogando handebol em
uma aula de educavao fisica na escola em que estudava, iniciei urn contra-ataque, nao havia
ninguem a minha frente, eramos apenas a goleira e eu, quando senti algo me puxar para traz e cai,
batendo a minha cabeva diretamente no solo.
Assim tudo comeyou, ida a medicos, inumeros exames e a frustrayao de urn
sonho. Nao podena mats treinar, nao poderia mais tentar a vaga para as Olimpiadas, o sonho
havta termmado e eu nao entendia como e por que. Quantos me disseram que desta vez era
possivel, que eu poderia ir sim representar o Brasil no campeonato mais almeJadO por qualquer
atleta, mas nao fot. Afastei-me durante anos. Prestei vestibular para outras carretras, porque
segundo os medicos nao poderia mais cursar educayao fisica. Mas foi o mic io da g raduayao na
Faculdade de Educayao Fisica da UNICAMP que urn reencontro com o mundo da ginastica me
foi proporcionado, atraves da participayao no Grupo Ginastico da Faculdade de Educayao Fisica
(GGFEF), vivenciando diferentes interpretavoes da ginastica inseridas no contexto da ginastica
15
1
Estes grupos de GG eram coordenados pela Prof'. Dr" Elizabeth Paoliello Machado de Souza e pelo Prof. Dr. Jorge
Sergio Perez Gallardo. Atualmente estlio sob a coordenayffo da Prof'. Dr" Elizabeth Paoliello Machado de Souza.
16
Compunham assim todos os atos do "teatro do povo" (... ). Traziam o corpo como
espet<iculo. Invertiam a ordem das coisas. Andavam com as maos, lan(,':avam-se ao espayo,
contorciam-se e encaixavam-se em pequenos potes, em cestos, imitavam bichos, vozes,
produziam sons com as mais diferentes partes do corpo, cuspiam fogo, vcrtiam liquidos
inesperados, gargalhavam, viviam em grupos. Opunham-se assim aos novos canones do
corpo acabado, perfeito, fechado, limpo e isolado que a ciencia construini, da vida fixa e
disciplinada que a nova ordem exigia (SOARES, 1998, p.25).
supressao ao circa, o circa popular ainda se manteve, resistindo ate mesmo as novas tendencias
do circa modemo.
0 ctrco moderno tern seu inicio paralelamente ao crescimento dos artistas
livres, que tinham a rua como seus palcos e suas prat;:as como picadeiros. Urn dos sucessos do
circa moderno era a arte eqtiestre, que atrav6s de sua elegilncia cativou o pUblico aristocrata e
burgues. E oeste momenta que as picadeiros, como se conhece hoje, comec;am a surgir, trazendo
a forma circular e repleta de atividades, as quais eram realizadas pelos artistas "livres" que antes
ficavam nas ruas. Umas das caracteristicas inovadoras do circa moderno aparece na RUssia, com
Hugues - urn dos primeiros criadores do circa - no qual o bale e a danc;a aparecem para
incrementar o espeticulo com rnovirnentos de for9a e qualidade.
Depois de rnuitas arnea9as de extin9ao o circa acaba se transformando, mas e
no contato entre a tradi9ao do circa e a vanguarda do teatro que surge o circa como arte, ou seja,
as espeticulos circenses erarn rnuitas vezes cornandados par diretores do teatro, rnlisicos faziam
cornposi90es especiais e a dan9a clissica assume urn papel importantissirno neste contexto.
Ern diversos paises a circa assume caracterfsticas diferentes, como par exemplo
no "Canada, ande ginastas corne~;ararn a dar aula para alguns artistas performiticos e a fazer
programas especiais para a televisao e em ginA.sios em que as saltos acrobaticos eram mais
circenses" (Duprat, 2004, p.5). Este circa cria uma cumplicidade entre o ator-acrobata e o
pUblico, aproximando as t6cnicas corparais da arte, caracterizando assim o atualmente conhecido
Circa Contemporfineo.
19
Figura 3
20
2.1 Contorcionismo
Contorcionismo ou conton;ao 6 uma forma de acrobacia que envolve flex5es e
ton;:Oes do corpo humano.
Antigamente era constantemente encontrado em ilustray6es e esculturas no
Egito, Gn!cia e Roma. Isso traz referencias de que esta pnitica era realizada desde o comeyo
destas civilizay5es. 0 circa romano foi urn dos impulsos para que o contorcionismo perdurasse
ate os dias atuais. Al6m das civilizay5es antigas esta arte tambem foi encontrada em meio aos
Hindus, que realizavam diversas poses de conton;ao para atender ao beneficia corporal e
espiritual. Apesar do contorcionismo ter sido considerado, em toda a sua hist6ria, parte do circa
dos "horrores", na MongOlia as mulheres contorcionistas tern uma posiyao privilegiada perante a
sociedade.
Porem, o contorcionismo como conhecemos hoje, citado por Duarte (1995) foi
identificado pelos medicos no seculo XIX a partir de sua transformayao numa molestia, a
sindrome de Eh1ers-Danlos, causada por uma frouxidiio ligamentar, atualmente atribuida a
origem genetica. Tem-se que esta sindrome pode se manifestar em v<irios niveis, trazendo
consequencias diversas para o corpo, beneficas au maleficas ao individuo. Em urn desses niveis
se situam os contorcionistas, que no secu1o XIX apareciam no limite da humanidade, sendo vistas
com estranhamento, era inevitivel a comparayao em direyao a vida animal. Isso acontecia devido
as apresentac6es dos contorcionistas da epoca, que buscavam em suas explorayOes corporais uma
aproximayao com o animalesco, transformando-se em seres como lagartos e ras, o que gerava
uma reayao muitas vezes de repugnftncia e ate mesmo supertiyao, como animais associados a
priticas de feitiyaria.
0 contorcionista sempre foi vista com olhares preconceituosos, com as pessoas
se perguntando como aqueles acrobatas poderiam ficar daquela maneira, realizar tais exercicios,
se para isso deveriam lubrificar o corpo com algum tipo de Oleo, ou se suas articulacOes eram
duplas, ou seja, tinham a capacidade de se dobrar para ambos os Iadas. Os estudiosos e mesmo
praticantes de contorcao, relatam que o ato de alongar-se epuramente natural, como afinnado por
Ardini (1971) quando diz que todos os animais realizam alongamentos todos os dias, como se
soubessem da importftncia desta pcitica para uma vida saud!lvel.
21
2
Estes trechos sobre as conton;:Oes foram retirados da Internet no site http://en.wikipedia.org/wiki/Contortion, e por
mim traduzidos do ing!Ss para o portugues.
22
Figura4
23
Figura 5
24
o qual foi construido a partir das rela~Oes cotidianas, dos divertimentos e festas popularcs,
dos espet<iculos de rua, do circa, dos exercicios militares, bern como dos passatempos da
Aristocracia. Possui em seu interior principios de ordem e disciplina coletiva que podem
ser potencializados. (SOARES, 1998, pl8)
A gimistica 6, portanto, nesta 6poca, constitutiva de uma l6gica que defende que
as atividades deveriam trazer algum beneficia ao corpo, de forma ordenativa e disciplinadora,
tendo o objetivo de barrar os excesses do corpo vividos par acrobatas e fun3.mbulos. A
cientificidade trazida por esta nova pritica corporal buscava contrapor os usos do corpo como
entretenimento, como simples espetitculo, fazendo com que a arte da rua, onde palhayos,
acrobatas e anOes despertavam sentimentos de admirayao e medo, passasse a ser observada pelas
autoridades.
Tem-se neste momenta uma valorizayao do que Soares (1998) denomina de
gin3.stica "cientifica" como urn contraponto ao usa do corpo como entretenimento, pais esta era
baseada no principia da utilidade dos gestos e economia de energia.
Sabe-se que, contrariamente a gimistica, era na rua que as apresentayOes
circenses aconteciam, fugindo das regras e prisOes criadas pelo saber cientifico, exibindo o que
desejavam exibir, nao importando se aquila era urn ataque a, no caso, burguesia da epoca.
Burguesia, pais e neste momenta que esta classe se depara com urn advers<irio, que buscava
expor tudo aquila que queriam esconder, tudo aquila que ia contra o poder que desejavam
25
instaurar. Para que isso acontecesse era necessaria que se criasse urn novo ser humano, uma nova
pedagogia do gesto, que fosse caracterizada apenas pela utilidade dos gestos.
Como relatado por Soares ( 1998) a gimistica era nesta i:poca portanto uma
forma de educacao do corpo, como realizada por Pestalozzi e reafirmada por Amoros, que
acentuava a necessidade do exercicio fisico na educ~ao das criancas, nao apenas como meio de
formacao fisica mas tambi:m esti:tica e sensorial. Os exercicios criados par Arnoros em seu
gimlsio tinham relacao estrita com a utilidade dos exercicios para a vida cotidiana e com a
educaciio moral, tanto que a definiyllo de ginistica trazida par ele defendia uma pnitica que
deveria tamar o homem mais inteligente, corajoso, forte, sendo capaz de resistir as situayOes de
dificuldade da vida ultrapassando obsticulos e perigos. Portanto para o General Amoros a
ginistica tinha o objetivo principal de ser urn instrumento de utilidade pUblica.
Embora a negayao do circa fosse uma pnltica costumeira neste periodo e
importante observar que o circa foi utilizado para os processos de sistematizayao da gin3stica tal
qual a conhecemos hoje. Na obra de Amoros constata-se o uso de barras fixas, m6veis, paralelas,
cavalos etc, aparelhos que muito antes eram usados por acrobatas e fundmbulos. Acontece que
seu metoda tinha a simples funyao de modificar os movimentos realizados pelos artistas a fim de
dita-los segundo os principios da biomecfinica. No circa a ideia era diferenciada, enquanto a
Gimlstica buscava meios de sistematizar os movimentos corporais, o circo nao pretendia educar
ninguem, apenas encantar, trazendo o corpo como o centro do espetaculo.
Este, era para os circulos cientificos, urn fato que incomodava, pois a partir do
momenta que o circa negava as formas de controle do corpo neste espayo, acabava sendo visto
como meio de culto ao riso, fluidez e criatividade. E importante ressaltar que apesar do circo ser
urn espayo potencialmente de maior liberdade que a gin8.stica, os processes de pratica, de ensaio,
tambem sao sistematizados de acordo com par3.metros pr6prios da cultura circense.
Figura6
Figura 7
27
Figura 8
Apesar das semelhan((as entre estas duas praticas a que mais predominava eram
as concepr;Oes pregadas pelos circulos da gin8.stica cientifica, isto porque estes enxergavarn no
circa uma maneira equivocada de usa do corpo, pais nlio traziam nenhuma contribuir;lio para a
forrnar;ao de urn corpo civilizado.
Estas diferenciar;6es entre circa e ginistica acabaram fomecendo urn carater de
certo e errado, verdadeiro au falso, para as movimentos corporais e os locais onde estes eram
praticados. 0 correto, era considerado apenas aquila que se mostrava como Util, sendo as
movimentos realizados com o minima de risco e o maximo de precisao, trazendo assim somente
conseqiiencias "beneticas" para o corpo. Isso acarreta conseqlientemente uma sistematizavao
rigida das praticas corporais, aquila que antes era livre passa agora a ser controlado, regrado e
apresentado de forma precisa.
Para que a gimlstica cientifica fosse corretamente embasada, pensadores da
Antiguidade foram trazidos para a afirmayao desta como forma de limitar o corpo civilizado,
embora alguns deles tivessem maneiras peculiares de ver o corpo, sempre vinculado a imagens
grotescas, ligadas a bebidas, comidas, necessidades da vida sexual etc, os pensadores da gim\stica
encontraram formas de retirar os vinculos como universo pitoresco e dar-lhes apenas subsidios
para serem a base do pensamento cientifico da gimistica.
Afirma Soares (1998) que a gimlstica tentava com todas suas foryas se inscrever
como protagonista oficial das pniticas corporais, mas apesar disso a concepyao de corpo trazida
pelo realismo grotesco do circa, das feiras, das ruas, sobrevivia. Enquanto urn acrobata brincava
de realizar a parada de maos nas ruas, de diferentes formas, a gin3.stica e o mundo cientifico
realizavam o mesmo movimento, por6m de forma mais t6cnica, buscando o ponto de equilibria
sob os membros superiores, objetivando adquirir forya e coragem para a realizayao de exercicios
nao naturais aos seres humanos.
Esta pratica se encontrava no cemirio de construyao de urn novo mundo, e era
altamente condizente a este, jR que concordava com os objetivos deste novo mundo, ou seja,
preservando as energias existentes no cotidiano e juntamente libertando este potencial energ6tico
para a constrw;ao futura. Foi com Amoros que este projeto de construyao do novo mundo ganha
foryas, pais tem-se na literatura que foi a partir de suas ideias que se deu o projeto cientifico e
est6tico que redefiniu o Iugar do corpo na sociedade.
29
0 aprendizado da Ritmica nada mais e do que uma preparay1io para os estudos artisticos
especializados e n1io consiste em uma arte em si mesma. E neste sentido que os mens
alunos sao educados segundo uma s6rie de exercicios que tern o objetivo de desenvolver e
harmonizar as fum;Oes motrizes e regular os movimentos corporais no tempo e no espayo
(LAN GLADE & LANGLADE, 1970, p.63).
31
• Principia da Totalidade:
E considerado a base dos principios fundamentais e significa que qualquer
movimento que se realize deva dar oportunidade para que a unidade corpo-espirito atue de forma
harmOnica e ritmica.
• Principia da economia
Apenas os movimentos totais dos homens sao econ6micos, ou seja, aqueles
movimentos realizados na Ginastica de Ling, tido como construidos ou analiticos sao
completamente dispendiosos pais nao silo considerados como formas naturais de movirnento.
3
Movimento orglirrico, como era denominado na Alemanha, era nada mais do que o movimento natural de to do o
oorpo, desprovido da estetica e do utilitarismo associado aos movimentos ginmicos realizados na Cpooa.
34
Figura 9
Aqui a expressividade já faz parte da coreografia, os arcos são utilizados para ampliar os
movimentos.
Figura 10
Sabe-se que a GR, como está sendo discutido, é uma prática nascida na Europa
em meados do século XX, baseada sobretudo no ritmo e na expressão corporal com traços
essencialmente femininos. Esta é uma característica que foi conservada até os dias atuais,
35
4
Nos llltimos anos, constata-se a pnitica da gimistica ritmica por homens, principalmente no Japiio, onde j3 ocorrcm
compctiy5cs de GR com a utilizayilo de aparelhos como o arco e as mayas, alem de milos livres, cordas e bastOes.
5
Neste momenta estou me referindo a outra modalidade, que tam bern teve diferentes denominay5es ao Iongo de sua
hist6ria tais como: gimistica olimpica e, mais recentemente, gimistica artfstica.
36
6
Como jli explanado anteriormente, esta foi a giniistica que na RUssia era utilizadas na educa~;ao fisica escolar das
mulheres, e que ap6s diferentes sistematiza~Oes acabou se diferenciando da atual gimistica artistica ou ollmpica, para
se tomar ginilstica ritmica.
37
( ... ) tern que comparar e valorar a atua'riio das ginastas, segundo alguns critCrios pr6-
fixados, aplicando urn regulamento e penalizando quando niio forern curnpridos os
rcquisitos especificados no mesmo. Portanto, neste esporte as aprecia(,:Oes dos juizes siio
decisivas i hora de assinar urna pontuayiio ou determinar uma classificayiio.
pontos para coreografia, sendo 2,00 pontos para a composi~ao de base, ou seja, uma ideia
que gUia a ginasta do come~o ao fim da coreografia, e 6,00 pontos para as caracteristicas
artishcas particulares, ou seja, a utilizacao dos aparelhos, maestria e originahdade.
• Os arbitros da execur;iio: avaliam as faltas tecnicas, qualificando a tecnica corporal e com
o aparelho das ginastas. As faltas de execu~ao sao penalizadas a cada vez e por cada
elemento em falta. Para que isso fosse mais facil e mais dinamico a Federacao
Intemacional de Ginastica providenciou uma especie de ficha tecn1 ca, em que a tecnica
devera apresentar para as arbitras os exercicios que a ginasta ira realizar, isso possibilita
uma maior especificidade do treinamento, ja que a impro visa~ao para os elementos
corporais nao sera mais aceita. Segue em anexo urn exemplo de ficha tecnica para valor
artistico e para valor tecnico.
A GR e urn esporte realizado, oficialmente, num tablado especifico com espa~o
de 13xl3 metros para as composicoes individuais e 14xl4 metros para as composicoes de
conjunto. Na categoria conjunto, o grupo e forrnado por cinco ginastas, nos d1as atuais, pois em
anos anteriores o conjunto era composto por seis ginastas na area de competicao. Como existe
uma dtferenca numenca entre essas duas classifica~oes e necessario que a dura~ao da coreografia
tambem seJa maior para o conjunto. Com isso se tern as series indivaduais sendo realizadas entre
1'15" no minimo e 1'30" no maximo, enquanto o conjunto tern entre 2' 15" a 2'3 0" para a
execucao de suas series.
Os aparelhos utilizados nas competi~oes sao revezados a cada ci clo olimpico,
ou seja, de quatro em quatro anos ocorre urn revezamento dos cinco aparelhos (arco, bola, corda,
ma~as e fita), Ja que apenas quatro desses aparelhos podem ser utilizados nas competir;oes,
ficando o quinto restante reservado para a modalidade conjunto. No conJunto sao realizadas duas
coreografias, sendo uma com os aparelhos iguais para todas as ginastas, e a segunda coreografia
com dois aparelhos si multaneos, como acontece no ciclo atual de 2005 a 2009, por exemplo, as
cmco fitas e as duas macas e os tres arcos.
•
I A vareta, tambem ehamada de estilete, que segura a
fita e usualmente feita de madeira, bambu, plastico ou fibra de vidro e mede I em de
diametro e entre 50 e 60 em de comprimento. A fita pode ser de cettm ou de seda e seu
peso nao deve ultrapassar 35mg. Alem disso, e impreseindivel que tenhano maximo entre
4 e 6 em de largura e 6 metros de comprimento.
trabalho que deveria ser desenvolvido pela ginasta relacionado atecnica corporal. Para isso foram
introduzidas no c6digo quatro niveis de dificuldades corporais:
Na ediciio do cOdigo de 1997, nlio houve grandes mudan<;as estruturais em seu contelldo,
porCm foram revistos alguns aspectos referentes ao valor das dificuldadcs e, portanto, dos
elementos corporais, aos capftulos destinados as t6cnicas com o aparelho e por Ultimo
com os crit6rios relacionados as faltas de composir;iio e ao componente artistico da
expressividade. (YORGES apudREYNO & ALARC6N, 2001, p23).
Em 2001) foi publicado urn novo cOdigo de pontuayao que acrescentava mais
uma letra para especificar o nivel ti:cnico da modalidade, a letra E proporcionou, portanto,
modificayOes nas composiyOes nos aspectos ti:cnico e artistico.
0 cOdigo atualmente em vigSncia sofreu diversas mudanyas que sao essenciais
para a discussl'io trazida por esse trabalho. Este apresenta exercicios de extrema dificuldade e que
exigem carla vez mais uma tecnica corporal e de aparelho da atleta. Neste esUio presentes
exercicios isolados e as combinay6es: os primeiros podem ser executados com exercicios
retirados diretamente do cOdigo de pontuayao, ou seja, dentre a tabela descrita na brochura, as
ti:cnicas poderfto retirar o movimento desejado, as combinay6es significam a realizayao de 2 ou 3
exercicios realizados consecutivamente (como prop6e o cOdigo); estas valem diretamente por
uma dificuldade. Portanto, uma ginasta podeni realizar, por exemplo, urn exercicio isolado, de
dificuldade E (0,50 pontos) como o salto espacato (abertura antero-posterior) com extensl'io da
co luna, sendo que a saida erealizada como impulse dos dois pes juntamente.
"'tl4/
• I+ _12_ =pivot de 1080' nivel E seguido de equilibrio nivel D .
Neste c6digo de 2005, as atletas individuais dever1io realizar no maximo dez
dificuldades por s6rie, podendo haver mais, mas que nlio ser1'io contabilizadas na somat6ria das
notas, pais niio constaram na ficha t6cnica fomecida a arbitra.
Existe nos Ultimos c6digos de pontua~ao a defini9iio por nome dos elementos
t6cnicos da GR, s1io eles:
• Saltos ( ............. ): que para serem considerados dever1io obter uma boa altura (elevayao ),
forma fixa e definida durante o vOo e boa amplitude.
• Equilibrios (T): que deverao ser realizados na meia ponta (flexao plantar e dos dedos),
nitidamente e por Iongo tempo mantidos, com forma fixa, ampla e bern definida e alf:rn
disso coordenados com movimentos dos aparelhos.
• Pivots ( b): que tarnbem deveriio ser executados sobre a maia ponta, tendo-se uma fom1a
bern definida, fixa e ampla durante rotayiio.
• Flexibilidade e Ondas (I.): que deveriio ser executadas sabre urn ou dois p6s ou sabre
7
uma parte do corpo, mantendo sempre uma forma arnpla, fix a e definida.
7
Todos os excrcicios estarao em anexo para serem melhor demonstrados por figuras.
42
Mana Petrova em
sua apresental;iio com a
serie de fita durante 0
campeonato europeu.
Thessaloniki (GRE). 1994.
Figura 11
43
Ainda
Maria PetroJ•a,
muito expressiva
nas 0/impiadas de
Atlanta (EUA),
1996
Figura 12
44
figura 13
Figura 14
45
Na((i/ia Upkovskaya,
Atlanta(EUA)/ 1996 micio
com expressividade e
beleza.
Figura 15
~ J3usco aqu1 relatar a posiyiio que a gmasta sc encontrava. Esta rcabzava urn afastamento antero-postcnor das pcrnas
(espacato) com uma das pcrnas apoiadas na parte mais alta da cadcira, ou s~ja, ondc nos rccostamos quando
sentamos lsso chamou a minha atcnyl!o assim como a das outras ginastas da scleyao brastlcira, pots nao era uma
sttua9i'io com a qual estavamos acostumas. Rcalizavamos sirn excrcicios de llextbilidade em plano clcvado, mas niio
ncsta propon,:ao
46
Alma Kabaeva
demonstrando a
sua grande
f/exibilidade, nas
0/imp iadas de
Atenas(GM ),
2004
Figura 16
48
Ainda Kabaeva,
Atenas(GRE)/2004,
executando um de seus
saltos caracteristicos.
Como atentar a tecnica
per:feita com tal
demonstrat;iio?
Figura 17
49
Figura 18
Figura 20
Irina Tchatchina Atenas(GRE)/ 2004, ao meu ver uma das mais be/as ginastas da "era da
contor<;iio ''. Como Batrichina e graciosa e tambem muito jlexivel, mas niio o su.ficiente para que
seus erros passem despercebidos perante os a/hares "criticos" das arbitras, que muilas vezes.
desconsideram os erros de outras ginaslas que demonstram maior contorf(iio.
ARDINI, Jean; ARDINI Ted.. The Art of Contortion- The Doorway to Physical Fitness. In:
Acrobatics Magazine., v.l8, n.3, dec/jan 1971. Disponivel em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov
>Acesso em 08 ago 2005.
AYOUB, Eliana. Gimistica Geral e educa~ao fisica escolar. Campinas: Editora da Unicamp,
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PEUKER. Ilona. Gin3stica moderna sem aparelhos. 2" ed. Rio de Janeiro: FOrum Editora ltda,
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SOARES, Carmen LUcia. Imagens da educa~ao do corpo: estudo a partir da gin<lstica francesa
no seculo XIX. Campinas: Autores Associados, 1998.
AN EXOS
55
ANEXOA
SUmula das dificuldades corporais realizadas par uma ginasta durante a serie. Aqui deverilo
constar o valor da dificuldade (value), o que sera executado como aparelho (App.) e os
elementos corporais escolhidos dentre as que aparecem no c6digo de pontuayiio (body)
Com~ition in (J':ed.):
Com. Gr. other Gr. J~ Com. Gr. Other Gr. Judge Com. Gr. other Gr. Jud e
Value
'"'
Value
A~
'"'
Value
'"'
Value
-
Value
iA~.
Body
Value
""'
TOTAL
TOTAL GENERAL
Body=
FINALE
SCORE
56
ANEXOB:
Slirnula do Valor Artistico, avaliado pela clrbitra de composic;ao. Sendo que aqui devenl contar a
nota dada pela t6cnica e pela B.rbitra.
JUDGE ARTISTIC
"•'" o...
Fed. Name or GYmnast
Basie composition = I
Mus. Basic comp. Var.
ANEXOC:
Exemplo do elemento corporal salta e seus diferentes tipos e valores, segundo o c6digo de
pontuayao atual.
A 0,10 B 0,20 c 0,30 00,40 E 0,50 F 0,60 G 0,70 H 0,80 I 0,90 J 1,00
l ~ ~
2. C......o .6.._.E
~ ~~
3.
lfc ""t"n TE T.
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58
ANEXOD
Exemplo do elemento corporal equilibria e suas diferentes validayOes.
11.
12.
13.
2.4. Jam be llbre en arriitre fhichie (suite) 12.4. Free leg bent back {con!' d)
15.
17.
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18.
19.
59
ANEXOE
Exemplo do elemento corporal pivots au giros e suas diferentes validay6es.
5.
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2.1. & 2.2. Jam be libra l&ndue avant ou lat6ralement suite II 2.1. & 2.2. Free leg stretched front or sld1t (cont'd)
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