PROCESSO E PROCEDIMENTO
O que se entende por processo???
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Processo diz respeito ao método através do qual se opera a jurisdição, com vistas à
resolução da lide. É um instrumento de realização da justiça; é a relação jurídica, portanto, é
abstrato e finalístico.
O Doutrinador Humberto Theodoro Júnior explica que:
“o processo, outrossim, não se submete à única forma. Exterioriza-se de várias maneiras
diferentes, conforme as particularidades da pretensão do autor e da defesa do réu. Uma
ação de cobrança não se desenvolve, obviamente, como uma possessória e muito menos
como um inventário. O modo próprio de desenvolver-se o processo, conforme as exigências
de cada caso, é exatamente o procedimento do feito, isto é, o seu rito.”
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O que se entende por procedimento???
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Diz respeito ao rito, ou seja, o caminho a ser trilhado pelos sujeitos do processo. É o
aspecto formal dele, que se dará por meio de uma sucessão ordenada de atos,
razão pela qual podemos afirmar que temos um procedimento em primeira instância
e procedimentos em Tribunais.
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Direito Constitucional x Processo Civil
Neoconstitucionalismo: manteve a natureza publicística do processo. O processo
não era mais visto como área isolada, passando, então, a ocorrer a intervinculação
com o direito material, considerando que a função básica do processo não era
outra a não ser a de dar efetividade à tutela dos direitos subjetivos substanciais
lesados ou ameaçados (CF, art. 5º, XXXV:
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito.
*Garantia do devido processo legal para o processo justo
*O contraditório deixa de ser um diálogo entre as partes para sujeitar também o juiz
*Estado como agente pacificador pelo regime cooperativo
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Da possibilidade de flexibilização procedimental no NCPC
Desde que respeitados os princípios constitucionais, em razão da adoção da teoria
dos negócios jurídicos processuais, o NCPC conferiu certa flexibilização
procedimental ao processo:
Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às
partes plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às
especificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e
deveres processuais, antes ou durante o processo.
Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das
convenções previstas neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos casos de
nulidade ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou em que alguma parte
se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade.
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Requisitos em espécie
a)A causa deve versar sobre direitos que admitam autocomposição
b) As partes devem ser capazes
Obs. enunciado n. 9 do I Fórum Nacional do Poder Público: “A cláusula geral de
negócio processual é aplicável à execução fiscal “.
c) A convenção deve limitar-se aos ônus, poderes, faculdades e deveres processuais
das partes
Obs. Não poderá, então, a convenção afetar direitos e interesses de terceiros, tal
como eventual recurso de terceiro prejudicado.
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d) Possibilidade de o ajuste ocorrer antes ou durante a marcha processual
Obs. Dispositivo baseado nos movimentos do contratualismo processual, que
permitem uma adequação do instrumento estatal de solução de litígios aos
interesses das partes e ao direito material que os consubstanciam.
e) Realização do controle por parte do juiz
Obs. Tal controle ocorrerá depois de realizado o negócio processual, para fins de
confirmar a sua legalidade. Não há necessidade de homologação judicial, a não ser
m casos excepcionais previstos em lei. Exemplo:
Art. 313. Suspende-se o processo:
I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu
representante legal ou de seu procurador;
II - pela convenção das partes; 9
Negócios jurídicos processuais típicos x atípicos
Exemplos de negócios jurídicos típicos
a) calendário processual
b) renúncia ao prazo
c) acordo para a suspensão do processo
d) acordo de escolha do arbitramento como técnica de liquidação
e) desistência do recurso
f) distribuição sobre ônus da prova
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Exemplos de negócios jurídicos atípicos
a) substituição de bem penhorado
b) rateio de despesas processuais
c) possibilidade de escolha consensual de assistente técnico
d) limitação do número de testemunhas;
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Da cooperação processual
Estímulo ao diálogo e a autocomposição, notadamente pela criação de um
procedimento em que o réu é citado para comparecer a uma audiência de
conciliação:
Art. 334. Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de
improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação
com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20
(vinte) dias de antecedência.
Necessidade de atendimento a boa-fé processual:
Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo
com a boa-fé.
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Das funções do magistrado na cooperação processual
a) Dever de prestar esclarecimento: quanto a eventuais dúvidas que possam ter em
relação as alegações, posições ou pedidos realizados em juízo (“embargos de
declaração invertido”), dando conhecimento à outra parte sobre a diligência;
b) dever de consulta: ouvi-las previamente a respeito de questões de fato ou de
direito que influenciarão o julgamento da causa;
c) dever de prevenção: no sentido de apontar eventuais deficiências postulatórias
das partes, para que possam ser supridas (ex.: emenda da inicial)
d) dever de prestar auxílio: quando da dificuldade que possa impedir a parte de
exercer seus ônus ou deveres processuais (ex.: distribuição dinâmica do ônus da
prova)
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Pressupostos Processuais
Conceito: são elementos indispensáveis para a existência e validade da relação
jurídica processual. Será o elemento que estará presente antes da existência de
alguma coisa.
Os pressupostos processuais são elementos necessários para a existência e validade
da relação jurídica processual.
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Investidura na jurisdição
Deve existir um juiz investido na jurisdição, ou seja, constitucionalmente investido na
função jurisdicional, seja mediante concurso público de provas e títulos ou por
indicação do Presidente ou do Governador, no caso de acesso aos Tribunais.
Se não houver juiz, o que se poderá ter será nada mais do que um procedimento
instaurado para solucionar uma questão administrativa. Ex: comissão de sindicância.
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Partes
Para que a relação jurídica processual possa existir, basta que alguém postule
perante um órgão que esteja investido de jurisdição.
Demanda
Deve haver regularidade formal da demanda, tal como uma petição inicial apta,
comunicação dos atos processuais, respeito ao contraditório e ampla defesa.
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Capacidade
Se divide em capacidade de ser parte, capacidade de estar em juízo (legitimidade
ad processum) e a capacidade postulatória.
Capacidade de ser parte: todos que têm personalidade civil (pessoa física e
jurídica), tem capacidade de ser parte em um processo.
Capacidade de estar em juízo: a pessoa deve estar em pleno exercício de seus
direitos. A capacidade de estar em juízo é a aptidão para praticar atos processuais
independentemente de assistência ou de representação.
Exemplo: incapaz x representante, revel x curador especial
Dispositivos legais:
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rt. 70. Toda pessoa que se encontre no exercício de seus direitos tem capacidade
para estar em juízo.
Art. 71. O incapaz será representado ou assistido por seus pais, por tutor ou por
curador, na forma da lei.
Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao:
I – incapaz, se não tiver representante legal ou se os interesses deste colidirem com
os daquele, enquanto durar a incapacidade;
II – réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora certa,
enquanto não for constituído advogado.
Parágrafo único. A curatela especial será exercida pela Defensoria Pública, nos
termos da lei.
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Capacidade postulatória: é atributo para que a pessoa possa realizar validamente
atos processuais, conferido, via de regra, ao advogado que esteja inscrito na OAB.
Quando a parte não possuir capacidade postulatória, deverá outorgar uma
procuração a um advogado, que a representará em Juízo.
Exceções: juizados especiais e HC.
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Pressupostos Processuais Negativos
Conceito: diz respeito aos requisitos processuais que não podem estar presentes para
que o procedimento seja instaurado de forma válida.
Em tese são vícios insanáveis e, que uma vez reconhecidos, irão ocasionar a
extinção do processo sem resolução de mérito, salvo se disserem respeito a apenas
parcela da demanda, tal como a litispendência parcial.
a) Litispendência e coisa julgada:
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