Claramente – Gravação Gravação 25 Junho 2025
Episódio 4 - Transtorno do Pânico
Olá, estamos começando o episódio do Claramente aqui no programa Vida e Saúde. Hoje
trago para você mais informações sobre crise de pânico. Bom ter sua presença!
VIRA
No que mais pensamos, nisso a gente se torna, mesmo não sendo verdade o que o
pensamento diz. O que pensamos influi no que sentimos. Crise de pânico é uma reação
repentina forte de ansiedade e medo. É um transbordamento da ansiedade. É inesperada,
e produz sintomas de mal estar físico e emocional, levando a pessoa na hora da crise a
sair daquele local e procurar um pronto socorro médico, ou um ambiente no qual se
sentirá protegida, ou estar com alguém com quem acha que se sentirá segura.
Se você está vivenciando uma situação trágica, como um tiroteio entre bandidos e
policiais, é normal ficar em pânico naquele momento. Mas a pessoa na crise de pânico
sente que vai morrer, geralmente de ataque do coração ou enfarto, ou sente que vai
perder o autocontrole mesmo quando não há nada no ambiente que favoreça isso.
VIRA
Para dizer que uma pessoa tem Transtorno do Pânico, é preciso existir crises repetidas
nas últimas semanas ou meses, preocupação exagerada de ter novas crises e pelo menos
4 dos seguintes sintomas: 1)Taquicardia (aceleração do coração), 2)Tremores finos nas
extremidades ou no corpo todo, 3)Sudorese no corpo todo ou só nas mãos e pés,
4)Sensação de desmaio, 5)Sensação de sufocação ou dificuldade para respirar, 6)Aperto
ou dor no peito geralmente é interpretada como ataque cardíaco, 7)Tonteira ou sensação
de cabeça vazia, 8)Medo de morrer, 9)Medo de enlouquecer, entre outros sintomas.
Cerca de 2% da população sofre deste transtorno, mais comum em mulheres, sendo duas
mulheres para um homem, atinge pessoas em torno dos 30 anos de idade, podendo
ocorrer na juventude e em outras idades.
VIRA
Não se sabe a causa do Transtorno de Pânico, havendo teorias diferentes, dentre elas a
de que no cérebro ocorrem reações fisiológicas, começando no Locus ceruleus,
produzindo reações físicas, já que este centro cerebral tem conexão com o nervo vago
que se estende para a região do tórax e abdomen, daí as sensações de sufocação, aperto
no peito, mal estar gástrico. Alguma coisa ativa este sistema neurofisiológico de forma
exagerada gerando os sintomas da crise de pânico. Quando alguém é movido por fobias
que são medos exagerados, ou ansiedade excessiva, esse nervo vago ou pneumogástrico
é ativado e produz estas sensações.
A pessoa pode se concentrar nestas reações corporais e alimentar pensamentos trágicos,
tipo “Vou morrer! Estou tendo um ataque do coração!”, e o ciclo se faz assim: a pessoa
pensa tragicamente e tem medo de morrer, de perder o controle, isso aumenta a
ansiedade, que produz reações no corpo pela ativação do nervo vago, daí pensa em
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catástrofes, pensa tragicamente, e o ciclo se repete.
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Então, acredita-se que no Transtorno do Pânico as crises podem ser desenvolvidas à
partir de um condicionamento mental que a pessoa vem fazendo com o tempo,
interpretando sintomas normais do corpo ou eventos de maneira trágica imaginária de
modo que desencadeia toda a reação do pânico.
Por exemplo, um dia a pessoa que tem tendência a ser muito ansiosa, ao subir num
elevador sente forte dor no peito, à partir daí fica associando dor no peito com andar em
elevador, e desenvolve então este medo de elevador e pode expandir ou transportar este
medo para medo de outros lugares fechados.
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Uma outra teoria diz que conflitos emocionais da vida infantil e da adolescência, que para
algumas pessoas foram bem difíceis, em indivíduos mais vulneráveis, favorecem o
surgimento de ansiedade exagerada. Traumas na infância como abuso verbal, emocional,
divórcio dos pais, numa criança sensível facilita o aumento da ansiedade a qual pode se
manifestar pela crise de pânico mais tarde.
Como disse, a crise de pânico é um transbordamento da ansiedade que pode ocorrer
porque a pessoa está estressada e reprime sentimentos que precisariam ser
verbalizados. Ou porque se condicionou a fazer uma interpretação trágica dos eventos.
Mas isso pode ser modificado. Você pode aprender a pensar, sentir e agir de maneira
mais saudável. O excesso de ansiedade que desencadeia uma crise de pânico pode
diminuir ou não mais existir se a pessoa desenvolver atitudes sadias em defesa própria.
Isto significa que ela pode aprender a descansar, em vez de estar sempre atarefada, pode
aprender a relaxar, colocar limites, dizer “não”. Muitas pessoas que maltratam a si
mesmas, que se desvalorizam, não se protegem de abusos, sofrem ansiedade alta que
pode se manifestar por crise de pânico. A ansiedade exagerada é a luz vermelha, o alarme
que diz: “Você precisa parar de tratar mal a si mesmo, e começar a respeitar sua pessoa.”
VIRA
O tratamento do Transtorno do Pânico envolve (1)medicação temporária,
(2)psicoterapia, (3)cuidados físicos, (4)orientação familiar para que os parentes
entendam o que é este sofrimento.
A medicação, se for necessária, deve ser prescrita por médico psiquiatra, que fará a
psicoterapia também, se for treinado para isto, ou encaminhará a pessoa para um
psicólogo clínico. Psicoterapia é o uso de técnicas psicológicas que visam o aumento do
autoconhecimento e aprendizado no lidar com as emoções, assim como aprender a
checar o conteúdo dos pensamentos e procurar entender se eles são habitualmente
negativos, distorcidos e substitui-los por pensamentos positivos, de esperança, de
aceitação, de autoproteção, de perdão por si mesmo e por outras pessoas.
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A psicoterapia ou terapia psicológica também auxilia a pessoa a falar e experimentar
sentimentos reprimidos que causam tensão mental, ajuda a fazer conexões entre o
sofrimento atual e problemas vividos no passado na família de origem.
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Dentre os cuidados físicos que contribuem para a melhora do Transtorno do Pânico
estão: (1)repouso, (2)alimentação o mais natural possível, (3)prática de atividade física
ao ar livre de preferência, como caminhadas, (4)cultivo de uma horta e jardim,
(5)respiração apropriada. Respirar com calma e profundamente, inspirando e expirando
lentamente, pensando na respiração, ajuda a evitar a crise.
Ansiedade todo mundo tem, mas não ansiedade excessiva. Como disse, a crise de pânico
surge quando a ansiedade fica excessiva gerando os sintomas desagradáveis.
VIRA
Um exemplo pode ser o de uma jovem adulta que tinha crises de pânico e procurou
tratamento. Os pontos trabalhados com ela na psicoterapia foram: 1)Ela aprendeu a
pensar que situação acumulava tensão e estresse aumentando a ansiedade. Sendo
preocupada demais, viu que eram preocupações exageradas. E estar preocupada demais
era uma tendência antiga dela, um modo crônico de viver tensa. Excesso de preocupação
aumenta a ansiedade e ansiedade aumentada pode provocar crises de pânico.
Ela foi aprendendo a refletir se precisava mesmo ficar tão preocupada com coisas
demais. Começou a questionar a si mesma no sentido de entender se a preocupação
mudava alguma coisa para melhor, se a preocupação modifica a realidade. Ela começou a
questionar sua própria mente ansiosa demais e foi aprendendo a viver um dia de cada
vez, uma hora de cada vez e a aceitar a impotência para mudar a realidade.
VIRA
2)A ajudou também falar com um familiar e amigo compreensivo sobre seus medos, para
desabafar. Alguém empático, não crítico e ético. Desabafar alivia a ansiedade. 3)Ela
entendeu que a crise de pânico não vai além de 10 minutos. 4)Aprendeu a relembrar que
os sintomas físicos não são manifestações graves de problemas de saúde, como enfartar,
ter um derrame, desmaiar, sair da realidade, porque ao se submeter a exames clínicos e
laboratoriais os resultados afastaram a existência de doença física. Se você tem crise de
pânico é importante procurar um cardiologista e um clínico geral para exames.
5)Ela aprendeu também que o medo no pânico é desproporcional à realidade. Na crise a
ideia é que irá morrer de ataque do coração, ou perderá o juízo. O que não é real. 6)Ela
treinou a olhar a taquicardia, a respiração ofegante e pensar que é a ansiedade forte que
produz isso e não uma real falência física do coração, dos pulmões ou do cérebro.
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Quando a crise parece vir, ela agora relembra isto para si mesma. Daí luta para mudar o
foco da atenção, tirando-o de sinais no seu corpo e observando os objetos ao redor, ou
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fazendo esforço para pensar em outra coisa. E tenta relembrar que o cardiologista disse
que não existe doença física, que os exames cardíacos estavam normais.
7)Ela agora entende que mesmo quando um familiar com quem ela vive e que não tem
crise de pânico, acha que o que ela sofre é bobagem, ela não precisa se sentir inferior por
ter as crises, aceitando que não é de menos valor por ter crises. 8)Ela vem aprendendo a
abrir mão do controle sobre o comportamento dos outros, descobrindo que queria
controlar o incontrolável, e que isto aumentava sua ansiedade, estressava e contribuía
para a crise de pânico.
VIRA
9)Agora ela consegue falar sobre coisas que incomodam sem reprimi-las, como se fosse
proibido comentá-las. 10)Agora consegue colocar limites e se proteger do excesso
responsabilidades. Se protege de pessoas abusivas, reconhecendo melhor as pessoas sem
desconfiômetro que abusam da boa vontade dos outros. 11)Agora ela pede ajuda. Delega
tarefas. Não assume tudo, se respeita melhor.
12)Aprendeu que ao ter crises de pânico, havia ficado com muito medo de ter de novo.
Mas agora consegue lembrar que ela não é sua ansiedade, seu medo. Ela é maior que isso.
Aprendeu que o medo é algo nela, não ela. Agora ela pode começar a encarar a ansiedade
excessiva não mais como algo que dominará a mente ela.
VIRA
A pessoa portadora de Transtorno do Pânico precisa controlar pensamentos
perturbadores usando a razão, a informação de que não tem doença cardíaca, que crise
de pânico é passageira, que não leva à loucura. A verdade pode libertar e curar.
Ela treina substituir pensamentos trágicos por saudáveis. Pode não ser fácil inicialmente.
Mas com o treino fica menos difícil. Pode não ser possível evitar que pensamentos de
medo ou trágicos surjam da mente, mas é possível evitar que eles continuem na mente.
A Bíblia recomenda sobre o que devemos pensar com frequências. Ela diz assim: “Quanto
ao mais, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é
puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum
louvor, seja isso que ocupe o seu pensamento.” Isso está na carta de Paulo aos Filipenses
capítulo 4 e versículo 8.
Até semana que vem, se Deus quiser!