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Saneamento Basico

O documento aborda a importância do saneamento básico para a saúde pública e a qualidade de vida, destacando sua relevância no controle de doenças e na promoção do bem-estar social. A pesquisa investiga como a falta de serviços adequados de saneamento impacta a saúde, especialmente em relação à prevalência de doenças como a cólera. Além disso, enfatiza a necessidade de políticas públicas que garantam infraestrutura sanitária e melhorem as condições de vida da população.
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Saneamento Basico

O documento aborda a importância do saneamento básico para a saúde pública e a qualidade de vida, destacando sua relevância no controle de doenças e na promoção do bem-estar social. A pesquisa investiga como a falta de serviços adequados de saneamento impacta a saúde, especialmente em relação à prevalência de doenças como a cólera. Além disso, enfatiza a necessidade de políticas públicas que garantam infraestrutura sanitária e melhorem as condições de vida da população.
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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO JEAN PIAGET DE BENGUELA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


LICENCIATURA EM ENFERMAGEM E OBSTETRÍCIA

SANEAMENTO BÁSICO DO MEIO


ELABORADO POR GRUPO Nº 08

DOCENTE
_____________________________________

BENGUELA, 2025
INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO JEAN PIAGET DE BENGUELA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
LICENCIATURA EM ENFERMAGEM E OBSTETRÍCIA

SANEAMENTO BÁSICO DO MEIO

ELEMENTOS DO GRUPO
 AMANÍRCIA PORTÁCIO
 ELACELMA MATEUS
 ESDRA HENRIQUES
 LUZIA DANIEL
 NATÁLIA CELESTINO
 JULIA RAMOS
 ROSÁRIA CAJONGO
 ZENILDA DALAMA
2º ANO
PERÍODO: TARDE 2
TURMA: SP12
DISCIPLINA: DEMOGRAFIA E EPIDEMIOLOGIA
ÍNDICE
INTRODUÇÃO........................................................................................................................4
JUSTIFICATIVA.................................................................................................................5
PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO...................................................................................5
OBJECTIVOS......................................................................................................................5
RELEVÂNCIA DO TEMA..................................................................................................6
METODOLOGIA.................................................................................................................6
Técnicas de investigação......................................................................................................7
SANEAMENTO BÁSICO.......................................................................................................8
TIPOS DE SANEAMENTO BÁSICOS..............................................................................8
SANEAMENTO BÁSICO E MEIO AMBIENTE.............................................................10
SANEAMENTO BÁSICO E SAÚDE PÚBLICA.................................................................11
SANEAMENTO BÁSICO EM ANGOLA............................................................................12
IMPACTO DO SANEAMENTO BÁSICO NA PREVALÊNCIA E MORTALIDADE POR
CÓLERA................................................................................................................................13
A COLÉRÁ EM ANGOLA...............................................................................................15
CONCLUSÃO........................................................................................................................17
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................18
INTRODUÇÃO

A questão do saneamento básico vem desde a antiguidade, onde a própria


natureza se encarregava de reciclar os detritos deixados pelo homem.
Hoje com o crescimento das cidades a quantidade de lixo gerado supera a
capacidade da natureza em decompor de uma forma satisfatória, com isso denota
se que o acumulo do lixo, a proliferação de doenças e a poluição das fontes de
abastecimento.
Os resíduos gerados pelo homem têm causado grande impacto ambiental,
seu volume cada vez maior, acaba também gerando um problema quanto aos
locais adequados para uso. O Saneamento Básico, segundo a Organização
Mundial de Saúde (OMS), pauta-se no controle de todos os factores do meio físico
do homem, que executam ou que podem executar efeitos positivos no que diz
respeito ao bem-estar físico, mental e social. O saneamento é permeado por um
conjunto de ações sobre o meio ambiente, que buscam alcançar a salubridade
ambiental, através da implantação de serviços e infraestruturas que possuem a
finalidade de prevenir doenças, melhorar a qualidade de vida dos indivíduos e por
consequência promover a saúde das pessoas.
O saneamento básico é responsável por promover o controle da saúde
pública e por este motivo é de fundamental importância para o bem-estar do ser
humano, uma vez que melhora a qualidade de vida de toda a população de um
determinado local, eliminando factores de risco à saúde pública e, por
consequência, aumentando as condições sócio ambientais, que são favoráveis a
uma boa sobrevivência. A qualidade de vida é possível quando o município
trabalha com políticas públicas de implantação de saneamento básico, como os
serviços de sistema de abastecimento de água, de esgoto, coleta, destino dos
resíduos sólidos, dentre outros serviços que são vitais à vida do ser humano.
Para que a sociedade tenha dignidade humana e condições essenciais à
sobrevida de cada indivíduo, é necessário que a gestão pública garanta os serviços
de saneamento básico, uma vez que a falta desta política tem provocado uma
grande desigualdade social e isto acaba gerando uma grande injustiça social,
retratada pelas desigualdades nos sérvios fornecidos.
Para Philippi Junior (2005) por meio do saneamento básico deve-se ofertar
os seguintes serviços: esgotamento sanitário, abastecimento de água, limpeza
urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem de água pluviais, controle de

4
doenças transmissíveis, e demais serviços e obras especializadas, porém,
atualmente, o saneamento básico está se resumindo apenas às quatro primeiras
atividades.
Estima-se que mais de um bilhão de habitantes do planeta não possuem
acesso à habitação segura e a serviços básicos. É importante destacar que o
abastecimento de água insuficiente, condições ambientais precárias e sistemas de
esgotos precários são os principais responsáveis pelo desenvolvimento de surtos
de doenças e epidemias como a cólera (MACIEL et al., 2015).

JUSTIFICATIVA

O presente trabalho é de extrema relevância, haja vista que o saneamento


público é uma necessidade básica de toda e qualquer sociedade. Para a
comunidade local é sinônimo de mais saúde, bem-estar, qualidade de vida,
cidadãos saudáveis, equilíbrio com o meio ambiente e desenvolvimento
sustentável. É fundamental falar sobre o saneamento básico visto que é importante
para a vida das pessoas, levando em consideração que quando uma população
possui um serviço adequado de tratamento de água, coleta e tratamento de esgoto
sua qualidade de vida melhora consideravelmente, principalmente no que diz
respeito a saúde das crianças, melhorando aproveitamento educacional seu e
reduzindo o índice de mortalidade infantil.

PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO

A presente pesquisa visa responder a seguinte pergunta: Como o


saneamento básico pode contribuir para a diminuição dos agravos de saúde
pública?
Para responder à problemática levantada, colocou-se como objetivo desta
pesquisa estudar a relação dos serviços de saneamento com o meio ambiente e
com a saúde pública.

OBJECTIVOS

Geral
 Analisar de que forma o saneamento básico pode contribuir para a
redução dos agravos à saúde pública.

5
Especifico
 Apresentar fundamentação teórica sobre o saneamento básico;
 Analisar e identificar os principais problemas e doenças pela falta de
saneamento básico;
 Demonstrar o impacto do saneamento básico na prevalência e
mortalidade por cólera

RELEVÂNCIA DO TEMA

A relevância deste estudo se justifica pela necessidade de aprofundar a


compreensão da relação entre saneamento e a saúde pública e o seu impacto na
prevalência de doença endêmica como a cólera, contribuindo com evidências que
fortaleçam a importância do investimento em infraestrutura sanitária como forma de
promoção da saúde coletiva. Estudar a contribuição do saneamento básico para a
redução dos agravos à saúde pública é essencial para compreender como políticas
públicas estruturantes podem impactar positivamente na qualidade de vida da
população. Além disso, a pesquisa pode servir como base para a formulação ou
revisão de estratégias governamentais que visem à promoção da saúde, à
prevenção de doenças e à redução dos custos com tratamentos no sistema de
saúde. O saneamento básico é um dos principais determinantes sociais da saúde.
A ausência ou precariedade dos serviços de abastecimento de água potável, coleta
e tratamento de esgoto, manejo de resíduos sólidos e drenagem urbana está
diretamente relacionada ao aumento de doenças infecciosas, como diarreia,
leptospirose, hepatites virais, entre outras. Em comunidades mais vulneráveis, essa
carência se traduz em elevados índices de morbidade e mortalidade, agravando
ainda mais as desigualdades sociais.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa qualitativas: segundo (GIL, A.C. 2008, p. 45,46)


a pesquisa qualitativa “têm por objectivo analisar mais profundamente determinado
problema, descrevendo sua complexidade, analisando as variáveis envolvidas,
compreendendo e classificando o fenômeno que está sendo estudado”.

Quanto a sua abordagem é uma pesquisa Bibliográfica: segundo (Marconi


e Lakatos, 2006) este consiste na obtenção da informação de obras de autores já

6
publicadas em relação ao tema, para a fundamentação teórica. Este método
possibilitou a comparação das obras publicadas de diferentes autores e obter
informações relacionadas com a problemática em estudo permitindo a realização
de críticas e o estabelecimento de comparações e extração de conclusões em volta
do tema em questão.

Técnicas de investigação

Para esta investigação far-se-á o levantamento de bibliografia existente com


vista à sistematização do conhecimento sobre o tema. Essa pesquisa englobará a
consulta de livros de autores especializados e com diferentes abordagens, artigos
científicos publicados em revistas, jornais ou websites online de carácter científico e
ainda fontes documentais. Estas fontes serão a base de apoio para a investigação,
pois esses documentos serão a principal fonte de informação para este tipo de
estudo, contribuindo assim directa ou indirectamente na recolha de dados para a
realização do objecto de estudo.

7
SANEAMENTO BÁSICO

Segundo a Organização Mundial de Saúde (2015), saneamento é o


controlo de todos os factores do meio físico do homem, que exercem ou podem
exercer efeitos nocivos sobre o bem-estar físico, mental e social. De outra forma,
pode-se dizer que saneamento caracteriza-se pelo conjunto de acções
socioeconómicas que têm por objectivo alcançar salubridade ambiental.
O saneamento básico é definido por Garcia et al. (2017) com um conjunto
de medidas, tem como objectivo modificar ou preservar o meio ambiente e suas
condições com o intuito de prevenir doenças e promover a saúde, melhorando a
qualidade de vida de toda a sociedade, além de incentivar que o indivíduo seja
mais produtivo, facilitando, assim, a actividade econômica. O saneamento básico
inclui serviços como: coleta e tratamento de esgoto, distribuição de água potável,
coleta de resíduos sólidos e drenagem urbana.

TIPOS DE SANEAMENTO BÁSICOS

 Água potável:
A água é um elemento fundamental para a vida, de modo que as primeiras
civilizações, das quais se tem relato, fixaram-se próximas aos corpos hídricos. Para
FREISLEBEN (2010) “a água é um recurso indispensável, não somente para a
manutenção da vida de todos os seres vivos, como também para o
desenvolvimento social e económico.
Segundo a ONU (2010) o acesso a água de boa qualidade varia fortemente
de acordo com o local em que uma população vive. Os países africanos e muitos
países asiáticos possuem as piores condições, variando entre 40 e 50% a parcela
da população total em cada país sem possibilidade de obter água potável. Outros
locais com uma percentagem considerável de pessoas vivendo em stress hídrico
incluem partes da América Latina nos quais as pessoas vivem em áreas secas e
quentes, como é o caso de uma parte do nordeste Brasileiro.
As fontes de água potável mais comuns são nascentes de rios, lagos e
represas de abastecimento de água, sistemas de cisternas e poços ou ainda a
extracção de água subterrânea de aquíferos. Em muitos locais também é feita a
captação de água da chuva para consumo ou uso doméstico.

8
 Esgoto
Sabemos que, caso não seja dada uma adequada destinação aos esgotos,
esses passam a escoar a céu aberto, poluindo o solo, contaminando as águas
superficiais e subterrâneas e constituindo-se em perigosos focos de disseminação
de doenças. Desta forma, os dejectos gerados pelas actividades humanas,
comerciais e industriais necessitam ser colectados, transportados, tratados e
dispostos adequadamente de forma que não gerem ameaça à saúde e ao meio
ambiente. Os sistemas de esgotamento sanitário são um conjunto de obras e
instalações que tem como objectivo a colecta, o transporte, o tratamento e a
disposição final das águas residuais da comunidade. A implantação de sistemas de
esgotamento sanitário tem como objectivos:
a) Colecta dos esgotos de maneira individual ou colectiva.
b) Afastamento rápido e seguro dos esgotos.
c) Tratamento e disposição sanitariamente adequada dos esgotos tratados.

E como consequências:
a) Melhoria das condições sanitárias locais.
b) Conservação dos recursos naturais.
c) Eliminação de focos de poluição e contaminação.
d) Eliminação de problemas estéticos desagradáveis.
e) Redução das doenças ocasionadas pela água contaminada por
dejectos.
f) Redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças, uma vez que
grande parte delas está relacionada com a falta de uma solução adequada de
esgotamento sanitário.
g) Diminuição dos custos no tratamento de água para abastecimento (que
seriam ocasionados pela poluição dos mananciais).(MINISTÉRIO DAS CIDADES,
2008).

 Resíduos sólidos
O lixo é o conjunto de resíduos sólidos resultantes da actividade humana.
Ele é constituído de substâncias putrescíveis, combustíveis e incombustíveis. O lixo
precisa ser bem acondicionado para facilitar sua remoção, pois, quando é disposto
de forma inadequada, em lixos a céu aberto, por exemplo, os problemas sanitários
e ambientais são inevitáveis. Isso porque estes locais tornam-se propícios para a

9
atracção de animais que acabam por se constituírem em vectores de diversas
doenças, especialmente para as populações que vivem da captação, uma prática
comum nestes locais. Além do mais, são responsáveis pela poluição do ar, quando
ocorre a queima dos resíduos, do solo e das águas superficiais e subterrâneas
(APETRES 2009).

 Drenagem de águas pluviais


Quando não são considerados desde o início da formação do planeamento
urbano, existe grande probabilidade que esse sistema, ao ser projectado,
apresente-se de alto custo e deficiente. É de suma importância para a comunidade,
que a área urbana seja planeada de forma integrada.
Sempre que houver um planeamento para expansão urbana, deve-se
concomitantemente ter um plano de drenagem urbana onde serão delimitadas as
zonas mais baixas possíveis de inundações com a finalidade de verificar se é viável
a ocupação dessas áreas na referida expansão.
Um sistema de drenagem urbana clássico tem como prioridade afastar a
água de toda cidade o mais rápido possível evitando assim uma série de doenças
decorrentes da falta de saneamento e da água parada das enchentes. Essa ideia
surgiu no século XIX, e foi considerada funcional pois diminuiu muito o número de
doenças veiculadas pela água. (SOUZA, 2012).

SANEAMENTO BÁSICO E MEIO AMBIENTE

Entende-se por meio ambiente tudo aquilo que é formado pelo ar, luz,
temperatura, humidade, solo, água e sais minerais, sendo estes, factores
denominados de abióticos ou bióticos. Sabe-se que todos têm direito a um meio
ambiente equilibrado, o que é essencial a uma boa qualidade de vida, e que é
dever da coletividade e do poder público preservá-lo e defendê-lo, uma vez que o
meio ambiente não é uma fonte inesgotável de recursos e por este motivo não se
pode depredá-la incontrolavelmente para alavancar o consumismo. É necessário
que exista uma relação harmoniosa e equilibrada entre homem e meio ambiente
para evitar a sua degradação (FOLLADOR et al., 2015).
As cidades e a urbanização têm produzido um ambiente altamente
degradado e segregado, o que acaba afetando a qualidade de vida de toda uma
população. A degradação ambiental é provocada através da devolução dos
resíduos provenientes da urbanização para a natureza; poluição, tanto do ar,

10
quanto da água e do solo; além de problemas provenientes da constante
artificialização da natureza, o que acaba deixando a vegetação, os espaços verdes
e as áreas permeáveis como elementos secundários na paisagem urbana. Outro
problema é a grande desigualdade social no que diz respeito a distribuição de
renda, o que torna a periferia um local carente de serviços urbanos básicos, como
é o caso da falta de rede de esgoto, provocando o lançamento do esgoto a céu
aberto e até mesmo em conexões clandestinas no sistema de águas pluviais e
lançamento direto nos rios. A falta de disposição adequada e tratamento dos
resíduos sólidos provocam sérios problemas ambientais (LIMA, 2013).

SANEAMENTO BÁSICO E A SAÚDE PÚBLICA

Um dos factores mais importantes da saúde, segundo o conceito de


promoção de saúde proposto pela Organização Mundial de Saúde – OMS, na
Conferência de Ottawa, são as condições ambientais, ou seja, quando se vive em
um meio insalubre o mesmo pode transmitir diversas doenças. Porém esse
problema pode ser minimizado, e até mesmo eliminado quando se usa,
apropriadamente, os serviços de saneamento básico (MACIEL et al., 2015).
Os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário,
gerenciamento de resíduos sólidos, manejo de águas pluviais e controle de
vetores, constituem fatores importantes para provisão de serviços adequados de
saneamento, para a proteção da saúde da população, assim como para a melhoria
da qualidade de vida. Mas para que tais propostas sejam atingidas, esforços de
diversas naturezas mostram-se necessários, como observar a importância da
adequada abordagem tecnológica, que incluam o desenvolvimento de técnicas e
sua adaptação e manejo com resíduos. Por outra parte, o saneamento corresponde
a uma área de atuação do Estado, que demanda formulação, avaliação,
organização institucional e participação da população e usuários (Heller & Castro,
2007).
A saúde pública, por sua vez, deve ser pensada como uma resultante das
relações entre as variáveis ambientais, sociais e econômicas que interferem nas
condições e qualidade de vida de determinado povo. Consequentemente, em toda
análise da situação da saúde pública, os indicadores básicos de desenvolvimento
humano assumem certa relevância, pois ilustram a qualidade de vida da população
e delineia o espaço social no qual ocorrem as mudanças em seu estado (Opas,
2007).

11
Na esteira dessas relações, estudos constatam que investimentos em
saneamento reduzem a mortalidade infantil por diarreia, desnutrição, parasitoses
intestinais, doenças de pele, entre outras. O saneamento orientado para a
promoção da saúde, portanto, envolve a implantação de uma estrutura física
composta por diversos sistemas, o que o caracteriza como uma intervenção no
meio físico, que pode também incluir um conjunto de ações voltadas para a
educação e participação dos usuários desses sistemas nas atividades relacionadas
aos atores envolvidos e sua avaliação; um conjunto de políticas que definam
direitos e deveres dos usuários e dos prestadores dos serviços; e uma estrutura
institucional capaz de gerenciar o setor de forma integrada aos outros setores
também ligados à saúde e ao ambiente (Souza & Freitas, 2010).
Para Prado et al. (2014) a falta de acesso aos serviços de saneamento
básico prejudica a saúde pública, especialmente nas populações de baixa renda ou
vulneráveis que vivem em periferias. Saucha et al. (2015) destacam que em todo o
mundo, a falta de acesso a água potável e a falta de saneamento e higiene são
responsáveis por aproximadamente 1,9 milhões de mortes por ano e por 4,2% da
carga global de doenças, o que provoca um alto índice de internações.
Além disso, em uma concepção marcada pela prevenção de doenças, os
serviços de saneamento constituem uma intervenção que ocorre no ambiente,
voltada para criar empecilhos à transmissão de doenças, e assegurar a salubridade
ambiental. Logo, a articulação do Estado tem como objetivo garantir que os
sistemas de saneamento se mantenham em operação com a implantação e
adaptação de tecnologias para atender as características físicas da área alvo
(Souza & Freitas, 2010).

SANEAMENTO BÁSICO EM ANGOLA

Em Angola, o acesso ao saneamento básico é limitado. Segundo dados da


UNICEF e OMS (2019), cerca de 51% da população não tem acesso ao
saneamento adequado, o que significa que milhões de pessoas não têm acesso ás
instalações sanitárias seguras e adequadas, e muitas praticam a defecação a céu
aberto.
O acesso à água potável também é um desafio significativo em muitas
áreas do país. De acordo com a OMS (2015), cerca de 38% da população
angolana não tem acesso a fontes melhoradas de água potável.

12
Angola ainda enfrenta um problema histórico em termos de distribuição e
acesso aos serviços básicos de saneamento e a falta de acesso a estes serviços
causa impactos negativos à saúde pública, principalmente nas comunidades de
baixa renda. Os índices de saneamento actuais são baixíssimos. De acordo com o
censo populacional de 2014, na questão do esgotamento sanitário, somente 8%
dos esgotos são recolhidos pela rede pública e não existem dados sobre o
tratamento dos 8% que são recolhidos. Quase 60% dos resíduos sólidos ainda são
depositados ao ar livre e também não existem dados sobre drenagem urbana (INE,
2016).

IMPACTO DO SANEAMENTO BÁSICO NA PREVALÊNCIA E


MORTALIDADE POR CÓLERA

O saneamento, segundo a Organização Mundial da Saúde, é o controle de


todos os factores do meio físico do homem que exercem ou podem exercer efeitos
contratados sobre o bem-estar físico, mental e social - ou seja, é um conjunto de
ações sobre o ambiente que visa a salubridade ambiental na prevenção e controle
de doenças, promoção de saúde e qualidade de vida. (OMS, 2004; Brasil, 2007)
O saneamento envolve ações primordiais e básicas de esgotamento
sanitário, limpeza pública, drenagem urbana, controle de vetores e tratamento e
abastecimento de água. Estima-se que 25% da população mundial não possui
acesso a habitação segura e serviços básicos, vivendo em condições ambientais e
sanitárias precárias, criando um cenário negativo para o controle de surtos e
epidemias. (Brasil, 2007; Neri, 2008)
Aproximadamente 83% dos agravos à saúde e 23% das mortes prematuras
são ocasionadas pela exposição a ambientes insalubres e saneamento
deficientes5. Destes, as doenças diarreicas causam, em todo o mundo, quase 2,5
milhões de mortes anuais, principalmente entre crianças com menos de cinco anos
de vida em países em desenvolvimento. (OMS; 2006)
Doenças relacionadas ao sistema de água, por desespero de esgoto
inadequado, geram milhões de mortes anualmente em países de baixa renda, com
ênfase em regiões de clima quente que experimentam situações tanto de
inundações quanto de secas. (Neri, 2008)
Segundo Feachem et al. 2006, uma única grama de fezes de indivíduos
infectados pode conter cerca de 10 vírus, 10 bactérias, 10 protozoários e 10 ovos

13
de helmintos patogênicos que, caindo em um sistema de saneamento deficiente,
podem dar origem a processos de agravos à saúde local. (Carvalho, 2013)
A prevalência dessas enfermidades representa um forte indicativo de
fragilidade de políticas e de infraestrutura de saneamento. Segundo Waddington e
Snilstveit, investimentos em saneamento poderiam reduzir em até 37% a
ocorrência dessas enfermidades. (Daniel, 2001)
O processo epidemiológico de doenças transmissíveis envolve uma série
de processos complexos, com vários determinantes sociais e econômicos. Na
grande maioria das ocorrências, alterações de recursos hídricos causadas por
problemas de saneamento e por poluição têm papel relevante na evolução dessas
enfermidades.
As situações econômicas e sociais exercem influência direta sobre a
vulnerabilidade e a situação de saúde de um determinado extrato populacional
cujas condições de vida acarretam intrinsecamente grande parte da carga de
doenças. Assim sendo, a saúde deve ser comprovada como resultado de todas as
variáveis ambientais, ou seja, os factores naturais, sociais e econômicos que
afetam as condições de vida, aumentando ou diminuindo a vulnerabilidade da
população exposta, associando assim importância fundamental aos indicadores
sociais de desenvolvimento nesta análise. (Carvalho, 2013)
Entre todas as doenças desencadeadas neste cenário, destacamos a
cólera - doença entérica causada pelas cepas patogênicas do Vibrio cholerae O1
ou O139, encontrados em ambientes aquáticos tanto em vida livre como
parasitando organismos quitinosos, visto que apresentam função ecológica de
manipulação de quitina. (Campos, 2008)
Podem sobreviver em condições ambientais desfavoráveis por um período
de tempo: o estado VNC (Viável, mas Não Cultivável), sendo esse processo como
uma adaptação ambiental em regiões como altos níveis de salinidade, temperatura
e pH. De acordo com Mai et al.2015, em estudos laboratoriais, as células no estado
VNC podem permanecer viáveis por anos, e geralmente são encontradas em
superfícies de copépodos. Em contato com o intestino humano, no entanto,
passam para o estado Viável (VC). (Altug, 2012)
A patogenicidade do microrganismo depende principalmente da expressão
da toxina colérica e do comprimido de colonização celular, pois a virulência em
humanos só é possível com a ingestão de no mínimo 10 células, devido à acidez
da região estomacal.

14
De acordo com Figueiredo et al. 2005, a flexibilidade da aquisição da
expressão gênica para a produção de toxina da cólera foi percebida pelo processo
de transferência horizontal (conjugação), que é o processo de troca genética entre
procariotas. Contribuindo mais para esta discussão, Rivera et al. 2010demonstrou
um grande potencial de aquisição patogênica em indivíduos dos sorogrupos não
O1 e não O139.
A infecção em humanos ocorre quando o vibrio é transmitido à boca, por
mão suja ou pela ingestão de água ou alimentos lavados com água contaminada,
ocasionando um quadro de intensa diarreia. Assim, a reposição de eletrólitos deve
ocorrer rapidamente, a fim de impedir a evolução do estado grave da doença, que
pode ocasionar a morte do indivíduo. (Silva, 2015)
No caso das doenças infectocontagiosas entéricas, entre elas a cólera, o
indicador mais relevante é o saneamento. Em países em desenvolvimento que
apresentam infraestrutura sanitária precária, esta situação acaba por ocasionar
altas taxas de morbidade e mortalidade oriundas dessas doenças, revelando
vulnerabilidade dos sistemas e políticas públicas de saneamento e saúde.
Assim sendo, conhecer regiões onde determinadas condições de risco
ocorrem pode contribuir de maneira significativa para ações de prevenção e
controle de doenças, quantificando e medindo a frequência com que os problemas
de saúde ocorrem em situações humanas, e contribuindo para a construção de um
arcabouço de ações de vigilância epidemiológica em saúde. (Silva, 2015)

A COLÉRÁ EM ANGOLA

Segundo o Jornal (O PAIS), em 2025, Angola enfrenta mais um surto


alarmante e lamentável de cólera, com mais de 8.500 casos confirmados e 329
óbitos reportados até abril do presente ano.
As províncias de Luanda e Bengo concentram a maior parte das
ocorrências, sendo a faixa etária entre 6 e 14 anos a mais afectada, responsável
por 23,1% dos casos. Esses números escancaram uma verdade incômoda: a
cólera é menos um problema médico e mais um reflexo directo da ausência de
infraestrutura de saneamento básico.
Neste cenário, serviços como arquitectura, urbanismo e ambiente ganham
protagonismo no debate sobre saúde pública. Os bairros e assentamentos urbanos
sem planejamento e a negligência com os serviços de base tornam as cidades

15
ambientes propícios à propagação de doenças de veiculação hídrica, como a
cólera.
De acordo com dados da UNICEF, apenas cerca de 53% dos agregados
familiares em Angola têm acesso a fontes seguras de água, e esse índice cai ainda
mais quando se trata de sistemas de esgoto adequados. A urbanização acelerada,
somada à precariedade dos serviços públicos, cria um ambiente onde a cólera
encontra terreno fértil para se disseminar.
A Lei n.º 11/96, de 5 de Abril, que estabelece as bases do saneamento
básico em Angola, define o saneamento como um direito universal, essencial à
saúde e à dignidade humana. No entanto, a distância entre a teoria da lei e a
realidade actual urbana continua gritante.
A Lei n.º 21/91, de 15 de Junho, conhecida como Lei de Bases do
Ambiente, também reforça o direito ao meio ambiente equilibrado e saudável,
estabelecendo o saneamento básico como parte fundamental da proteção
ambiental.
Cabe às autoridades e à administração pública actuar conforme esse
marco legal para garantir que políticas de prevenção à cólera sejam tratadas como
investimentos estruturantes, e não como respostas emergenciais a cada novo
surto.
Algumas iniciativas já mostraram caminhos viáveis: projectos comunitários
em Luanda desenvolvidos por ONGs e estudantes utilizaram filtros de areia,
tanques de armazenamento e unidades de compostagem como alternativas
seguras em bairros sem esgoto.
Países como Senegal e Moçambique também aplicaram tecnologias de
baixo custo, como banheiros ecológicos e sistemas de biogás comunitário, para
reduzir a exposição a águas contaminadas.
O combate à cólera não é apenas uma responsabilidade dos profissionais
da saúde, mas também dos gestores urbanos. É imperativo que as políticas
públicas priorizem investimentos em saneamento nas zonas mais vulneráveis e
que envolvam as comunidades locais no processo de decisão e manutenção das
infraestruturas.
A participação popular, aliada à atuação técnica, é fundamental para
garantir que as soluções sejam apropriadas, sustentáveis e duradouras.
A cólera é um sintoma de uma doença mais profunda: o descaso histórico
com o saneamento urbano. A solução passa por políticas públicas sérias,

16
investimentos consistentes e um olhar técnico-sensível que entenda a
infraestrutura não apenas como engenharia, mas como um direito urbano e
ambiental.
Cabe aos ministérios reunir profissionais como arquitectos, urbanistas,
engenheiros sanitários e gestores comprometidos em projectar e edificar
localidades que não apenas abriguem pessoas, mas que promovam saúde,
dignidade e vida. E, para isso, a infraestrutura de saneamento básico deve ser o
alicerce.

CONCLUSÃO

A presente pesquisa teve como objetivo analisar de que forma o


saneamento básico pode contribuir para a diminuição dos agravos à saúde pública.
A partir da revisão bibliográfica, da análise de dados secundários, foi possível
constatar que há uma relação direta e significativa entre a qualidade do
saneamento básico e a incidência de doenças evitáveis.
Os dados evidenciam que a ausência de serviços adequados de água
potável, esgotamento sanitário e manejo de resíduos sólidos está associada ao
aumento de enfermidades como diarreia, leptospirose, hepatites virais, entre
outras. Tais agravos afetam principalmente populações em situação de
vulnerabilidade, contribuindo para a perpetuação das desigualdades sociais e
pressionando o sistema público de saúde.
Por outro lado, regiões com maior cobertura e qualidade nos serviços de
saneamento apresentam melhores indicadores de saúde, menor número de
internações hospitalares e significativa redução nos gastos com tratamentos de
doenças de veiculação hídrica. Assim, o saneamento básico se revela não apenas
como uma questão de infraestrutura, mas como uma ferramenta estratégica de
promoção da saúde coletiva e de desenvolvimento social.
Dessa forma, conclui-se que investir em saneamento básico é investir em
saúde, dignidade e qualidade de vida. Reforça-se, portanto, a necessidade de
políticas públicas integradas, intersetoriais e contínuas, que priorizem o acesso
universal e equitativo ao saneamento como direito fundamental da população.

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