Aldeídos e cetonas
Q2011/Q2018
CAPÍTULO 1 M João Araújo
1. Aldeídos e cetonas
Aldeído
Cetona
2
1. Aldeídos e cetonas
GRUPO CARBONILO
um dos mais importantes em Química Orgânica
R e R’ = grupos alquilo ou arilo
3
1. Aldeídos e cetonas
Natureza - Os nervos sensoriais respondem à presença e estrutura de grupos funcionais polares em
moléculas voláteis. De entre esses grupos funcionais, o grupo carbonilo (C=O) está presente
nos compostos orgânicos que apresentam odores mais fortes e variados.
No processo reprodutivo, o burgeonal, [3-m(terc-butilfenil)pro-
panal], ativa a capacidade do espermatozóide detetar
determinadas moléculas libertadas pelo óvulo para o atrair à
sua superfície (fertilização);
o undecanal [CH3(CH2)9CHO] inativa essa capacidade.
Indústria – Os aldeídos e as cetonas são usados como
reagentes e solventes em síntese. Burgeonal [3-m(terc-butilfenil)propanal]
4
1. Aldeídos e cetonas
•NOMENCLATURA SUBSTITUTIVA - Aldeídos
Nomes sistemáticos
5
1. Aldeídos e cetonas
O grupo principal (-CHO) não faz parte da cadeia parental
6
1. Aldeídos e cetonas
•Nomes triviais
7
1. Aldeídos e cetonas
Oxibenzona – um dos componentes de protetores solares
prejudiciais para os corais
Desafio: Qual é o nome sistemático (nomenclatura substitutiva) da oxibenzona?
8
1. Aldeídos e cetonas
Cetamina – A Cetamina, classificada como um “anestésico dissociativo”, é usada em pó
ou na forma líquida como um anestésico, normalmente em animais. Pode ser injetada,
consumida em bebidas, inalada, ou acrescentada a charros ou cigarros. A Cetamina foi
colocada na lista de substâncias controladas, nos EUA, em 1999.
Os efeitos de curto e longo prazo incluem taquicardia e tensão arterial elevada, náuseas,
vómitos, torpor, depressão, amnésia, alucinações e problemas respiratórios
potencialmente fatais. Os consumidores de Cetamina também podem desenvolver
dependência pela droga. Em doses elevadas, os consumidores experimentam um efeito
chamado “K–Hole”, a experiência de estar “fora do corpo” ou uma experiência “próxima
da morte”.
Devido ao estado onírico e deslocado que cria, em que o consumidor fica com
dificuldades em se mover, a Cetamina foi usada como uma droga de “violação”.
9
1. Aldeídos e cetonas
•NOMENCLATURA SUBSTITUTIVA - Cetonas
10
1. Aldeídos e cetonas
11
1. Aldeídos e cetonas
O grupo carbonilo como substituinte
(Os ácidos carboxílicos têm prioridade sobre os aldeídos)
(Os aldeídos têm prioridade sobre as cetonas)
12
1. Aldeídos e cetonas
TIPOS DE REPRESENTAÇÃO DAS MOLÉCULAS DE ALDEÍDOS E CETONAS
H
O
butanal: CH3CH2CH2CH CH3CH2CH2CHO O
Não é um grupo hidroxilo
O
O
butan-2-ona: CH3CH2CCH3 CH3CH2COCH3
(Condensada) (Zig-zag)
OH
hexan-3-ol: CH3CH2CH2CHOH(CH2CH3)
É um grupo hidroxilo
13
1. Aldeídos e cetonas
ESTRUTURA DO GRUPO CARBONILO
O grupo carbonilo contém uma ligação curta, forte e muito polar
Os átomos de C e de O do grupo carbonilo têm hibridação sp2.
Os átomos de C e de O do grupo carbonilo e os dois átomos ligados ao carbono
encontram-se todos no mesmo plano.
Os ângulos de ligação em torno do grupo carbonilo são de cerca de 120o.
A ligação do grupo carbonilo é feita à custa das orbitais p do carbono e do oxigénio.
14
1. Aldeídos e cetonas
ESTRUTURA DO GRUPO CARBONILO
Diferenças eletrónicas principais entre um grupo carbonilo e uma ligação dupla C-C:
O oxigénio contém dois pares de eletrões não compartilhados em duas orbitais sp2.
O oxigénio é mais eletronegativo do que o carbono. A ligação C=O está polarizada: o
carbono possui uma carga parcial positiva e o oxigénio uma carga parcial negativa.
A carga parcial positiva do carbono do grupo carbonilo é responsável pelos grupos
alcanoílo serem aceitadores de eletrões.
15
1. Aldeídos e cetonas
Grupo pentanoílo Grupo octanoílo
Grupo alcanoílo
Cadeia parental
Grupo etanoílo
Grupo benzoílo
16
1. Aldeídos e cetonas
A polarização do grupo carbonilo influencia as constantes físicas dos aldeídos e das cetonas (os
pontos de ebulição dos aldeídos e das cetonas são superiores aos dos hidrocarbonetos com
pesos moleculares semelhantes).
17
1. Aldeídos e cetonas
SOLUBILIDADE
O acetaldeído (etanal) e a acetona (propanona) são completamente miscíveis em
água. À medida que o comprimento da cadeia hidrocarbonada aumenta, a
solubilidade diminui.
Os compostos carbonílicos que têm mais de seis átomos de carbono são
relativamente insolúveis em água.
[Link]
18
1. Aldeídos e cetonas
MÉTODOS DE SÍNTESE LABORATORIAL DOS ALDEÍDOS E CETONAS:
*PCC = CrO + Piridina + HCl
3
19
1. Aldeídos e cetonas
O Cr(VI) é seletivo – não oxida as ligações duplas e triplas.
[Link]
20
1. Aldeídos e cetonas
PCC = CrO3 + Piridina + HCl =
Clorocromato de piridínio
21
1. Aldeídos e cetonas
22
1. Aldeídos e cetonas
OZONÓLISE
[Link]
23
1. Aldeídos e cetonas
Alcinos terminais Cetonas R-metílicas
[Link]
24
1. Aldeídos e cetonas
Alcinos internos simétricos
Alcinos internos não simétricos Mistura de cetonas
25
1. Aldeídos e cetonas
p-metoxifeniletanona
Aditivo usado na indústria dos perfumes
26
1. Aldeídos e cetonas
REATIVIDADE DO GRUPO CARBONILO: MECANISMOS DE ADIÇÃO
[Link]
27
1. Aldeídos e cetonas
Os reagentes polares ligam-se ao grupo carbonilo dipolar de acordo com a lei de Coulomb e
com os fundamentos das interações ácido-base de Lewis.
Os nucleófilos ligam-se ao carbono do grupo carbonilo e os eletrófilos ligam-se ao oxigénio do
grupo carbonilo.
28
1. Aldeídos e cetonas
A adição de nucleófilos fortemente básicos efetua-se através de um percurso típico de adição
nucleofílica irreversível seguida de protonação.
29
1. Aldeídos e cetonas
H+ Protão Núcleo de hidrogénio, não tem eletrões; 1s0
Tem um protão no núcleo e
H Átomo de hidrogénio um eletrão na orbital 1s; 1s1
Tem um protão no núcleo e dois
H- Hidreto eletrões na orbital 1s; 1s2
30
1. Aldeídos e cetonas
NaBH4 – tetra-hidretoborato de sódio
31
1. Aldeídos e cetonas
[Link]
32
1. Aldeídos e cetonas
LiAlH4 – tetra-hidretoaluminato de lítio
33
1. Aldeídos e cetonas
34
1. Aldeídos e cetonas
Os agentes redutores, NaBH4 e LiAlH4, reduzem os grupos carbonilo, sem reduzirem as ligações
duplas carbono-carbono (redução seletiva).
35
1. Aldeídos e cetonas
36
1. Aldeídos e cetonas
37
1. Aldeídos e cetonas
38
1. Aldeídos e cetonas
[Link]
39
1. Aldeídos e cetonas
As reações de adição de nucleófilos menos básicos, como a água, alcoóis, tióis e aminas, não
são fortemente exotérmicas, estabelecendo-se equilíbrios que podem ser deslocados em ambos
os sentidos, dependendo das condições reacionais.
Usam-se solventes próticos (ex: água ou álcoois)
40
1. Aldeídos e cetonas
O mecanismo mais usual para a adição de nucleófilos (:Nu-) que são bases relativamente
fracas consiste na protonação eletrofílica seguida de adição nucleofílica.
41
1. Aldeídos e cetonas
FORMAÇÃO DE HIDRATOS POR ADIÇÃO DE ÁGUA
A adição de água a aldeídos e a cetonas é catalisada tanto por ácidos como
por bases.
42
1. Aldeídos e cetonas
43
1. Aldeídos e cetonas
44
1. Aldeídos e cetonas
A hidratação de aldeídos e cetonas é reversível
O equilíbrio para a hidratação de cetonas
encontra-se deslocado para a esquerda,
enquanto que o equilíbrio para a hidratação do
formaldeído/metanal e de aldeídos que
possuam substituintes aceitadores de eletrões se
encontra deslocado para a direita.
Para os aldeídos comuns, a constante de
equilíbrio é próxima da unidade.
45
1. Aldeídos e cetonas
Estes resultados podem ser explicados se se examinar as estruturas de
ressonância do grupo carbonilo:
O átomo de carbono do grupo carbonilo é estabilizado por grupos alquilo e
desestabilizado por grupos aceitadores de eletrões como CCl3 e CF3.
A estabilidade dos produtos (dióis) é afetada numa menor extensão.
46
1. Aldeídos e cetonas
Relativamente ao formaldeído, a hidratação de aldeídos e cetonas é
progressivamente mais endotérmica, enquanto que a hidratação de compostos
carbonílicos que contêm grupos aceitadores de eletrões é mais exotérmica.
Os efeitos termodinâmicos são paralelos à reatividade cinética:
47
1. Aldeídos e cetonas
ADIÇÃO DE ÁLCOOIS:
FORMAÇÃO DE HEMIACETAIS E DE ACETAIS
• Formação de um hemiacetal a partir de um aldeído
Geralmente, o equilíbrio encontra-se deslocado no sentido dos reagentes.
Reação catalisada por ácido ou por base.
48
1. Aldeídos e cetonas
ADIÇÃO DE ÁLCOOIS:
FORMAÇÃO DE HEMIACETAIS E DE ACETAIS
• Formação de um hemiacetal a partir de uma cetona
Geralmente, o equilíbrio encontra-se deslocado no sentido dos reagentes.
Reação catalisada por ácido ou por base.
49
1. Aldeídos e cetonas
Formam-se hemiacetais estáveis a partir de compostos carbonílicos reativos (formaldeído/metanal ou 2,2,2-tricloroacetaldeído/2,2,2-
tricloroetanal) e quando se estabelecem anéis de cinco e seis lados (relativamente livres de tensão angular).
[Link] 50
1. Aldeídos e cetonas
OS ÁCIDOS CATALISAM A FORMAÇÃO DE ACETAIS
Na presença de excesso de álcool, são adicionadas duas moléculas de álcool a
uma molécula de aldeído ou de cetona, numa reação que é catalisada
exclusivamente por ácido. Os compostos resultantes denominam-se acetais.
51
1. Aldeídos e cetonas
Na presença de ácido, cada passo é reversível:
consegue-se deslocar o equilíbrio no sentido do acetal, usando
excesso de álcool ou removendo a água.
consegue-se deslocar o equilíbrio no sentido do aldeído ou da
cetona, adicionando excesso de água (hidrólise do acetal).
52
1. Aldeídos e cetonas
PROTEÇÃO DO GRUPO CARBONILO POR FORMAÇÃO DE ACETAIS
2-metil-1,3-dioxaciclopentano
53
1. Aldeídos e cetonas
Mecanismo da formação
de um acetal cíclico
54
1. Aldeídos e cetonas
Os acetais cíclicos são prontamente hidrolisados na presença de soluções aquosas de ácidos,
mas não são atacados pela maioria de reagentes básicos, organometálicos ou por hidretos.
55
1. Aldeídos e cetonas
Produto pretendido Produto secundário Produto secundário
Ataque no C 3 Ataque no C 1 Ataque nos Cs 1 e 3
A B C
Exemplo de uma reação em que é necessário a proteção prévia do grupo carbonilo para evitar a
formação de produtos secundários (B e C) que irão diminuir o rendimento da síntese do produto
pretendido (A).
56
1. Aldeídos e cetonas
ADIÇÃO NUCLEOFÍLICA DO AMONÍACO E SEUS DERIVADOS
O amoníaco e as aminas primárias adicionam aos aldeídos e às
cetonas de um modo análogo ao da água e dos álcoois.
Os produtos formados denominam-se iminas.
Amoníaco Amina primária
57
1. Aldeídos e cetonas
58
1. Aldeídos e cetonas
As reações entre uma amina primária e um aldeído ou cetona, em que duas
moléculas se unem e, simultaneamente, é eliminada uma molécula de água,
denominam-se reações de condensação.
59
1. Aldeídos e cetonas
As iminas podem ser isoladas, normalmente com rendimentos elevados, se a água que se forma
no processo de condensação for removida (destilação contínua).
60
1. Aldeídos e cetonas
A reação com aminas secundárias dá origem a enaminas
Os aldeídos e as cetonas reagem com aminas secundárias produzindo-se enaminas.
Nesta reação, a água é formada e eliminada a partir do grupo hidroxilo e do protão proveniente do carbono
adjacente ao carbono ligado ao OH e não do protão ligado ao azoto.
A formação da enamina é reversível, ocorrendo prontamente hidrólise, em solução aquosa ácida.
61
1. Aldeídos e cetonas
Mecanismo de formação de uma enamina
enamina
62
1. Aldeídos e cetonas
As aminas terciárias não reagem com aldeídos e cetonas porque não contêm
hidrogénios ligados ao átomo de azoto e, por isso, não conseguem protonar o alcóxido
que se forma no primeiro passo da reação da amina com o aldeído ou a cetona.
[Link]
63
1. Aldeídos e cetonas
ADIÇÃO DE CIANETO DE HIDROGÉNIO COM FORMAÇÃO DE CIANOIDRINAS
Esta reação requer a presença tanto de CN- como de HCN não dissociado (o que se
consegue mantendo o pH moderadamente básico). Geralmente, procede-se à adição lenta
de HCl a um excesso de NaCN, numa mistura moderadamente alcalina, para gerar HCN.
64
1. Aldeídos e cetonas
65
1. Aldeídos e cetonas
TESTES OXIDATIVOS PARA A DETEÇÃO DE ALDEÍDOS
Existem dois testes simples (teste do licor de Fehling e teste de Tollens) que podem indicar a
presença da função aldeído. Em ambos os testes, o aldeído é oxidado a ácido carboxílico.
Tartarato de potássio e sódio
66
1. Aldeídos e cetonas
67
1. Aldeídos e cetonas
A reação de Tollens é usada industrialmente na produção de superfícies espelhadas
brilhantes sobre superfícies de vidro, tal como o interior das garrafas termos.
[Link]
68
1. Aldeídos e cetonas
69
1. Aldeídos e cetonas
Bibliografia
Vollhardt, K.P.C., Schore, N.E., “Organic Chemistry – Structure and
Function”, W. H. Freeman and Company, NewYork, 8ª edição, 2018
70
Soluções desafios
slide 8
OH O
H3CO
fenil(2-hidroxi-4-metoxifenil)metanona
slide 35
O
* H
n.o.C*= 4 eletrões de valência - 3 eletrões = + 1
O
n.o.C*= 4 eletrões de valência - 2 eletrões = + 2
*
OH
R n.o.C*= 4 eletrões de valência - 5 eletrões = - 1
H H
OH
R
n.o.C*= 4 eletrões de valência - 4 eletrões = 0
R H
71