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Apostila Guemo Lino

O documento aborda o ambiente biológico do solo, focando na gênese, formação e importância do solo para a vida humana e animal. Discute fatores como material de origem, clima, relevo, organismos e tempo que influenciam a formação do solo, além de processos gerais e específicos que moldam suas características. A obra é parte do Mestrado em Solos e Agricultura Sustentável da Universidade Católica de Moçambique.

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Charles Maier
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O documento aborda o ambiente biológico do solo, focando na gênese, formação e importância do solo para a vida humana e animal. Discute fatores como material de origem, clima, relevo, organismos e tempo que influenciam a formação do solo, além de processos gerais e específicos que moldam suas características. A obra é parte do Mestrado em Solos e Agricultura Sustentável da Universidade Católica de Moçambique.

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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRONÓMICAS

MESTRADO EM SOLOS E AGRICULTURA SUSTENTÁVEL

Módulo: Ambiente Biológico do solo

Apostila de Ambiente Biológico do Solo

Discente: Guemo Lino Domingos

Docente: PhD. Momade Mamudo Ibraimo

Cuamba, Novembro de 2022


Índice
CAPITULO I: INTRODUÇÃO ............................................................................................. 3

CAPITULO II. GÊNESE DO SOLO..................................................................................... 4

2.1.1. Factores de formação do solo ...................................................................................... 4

.2.2.2. Processos de formacao de solos .................................................................................. 7

[Link]. Processos gerais de formação do solo ....................................................................... 7

[Link]. Processos Específicos da formação de solos ............................................................. 8

2.2. Quimica da Acidez do Solo .......................................................................................... 12

2.2.1. Origem da Acidez do solo ......................................................................................... 12

2.2.2. Maneio de Solos Ácidos ............................................................................................ 14

[Link]. Amostragem e Incorporação do corretivo no solo ......Error! Bookmark not defined.

[Link]. Calculo das Necessidades da Calagem .................................................................... 15

[Link].1. Métodos de cálculo das necessidades da calagem....Error! Bookmark not defined.

2.3. Salinização e Maneio de Solos Salinos ......................................................................... 16

2.3.2. Causas da salinização de solos ................................................................................... 16

2.3.3. Lavagem de Sais no Solo ........................................................................................... 17

[Link]. Cálculo de Balanço de Sais no solo......................................................................... 17

2.4. Considerações finais ..................................................................................................... 24

3. Bibliografia ..................................................................................................................... 24
CAPITULO I: INTRODUÇÃO

O solo é a camada superficial da crosta terrestre, formada por partículas minerais de vários
tamanhos e composição química diversa e matéria orgânica em diferentes fases de
decomposição. São misturas complexas de materiais inorgânicos e resíduos orgânicos
parcialmente decompostos.

A formação do solo é um dos mais mportantes produtos do intemperismo. Os agentes de


intemperismo alteram continuamente os solos transformando as partículas em outras cada vez
menores. O solo propriamente dito é a parte superior do manto de intemperismo, assim, as
partículas diminuem de tamanho conforme se aproximam da superfície.

A gênese do solo é o estudo da origem e o desenvolvimento dos solos, trata de aspectos


relacionados com a formação de solos, abrangindo todas as acções que resultam na formação
natural de um solo. O conjunto de processos que leva à degradação e decomposição das
rochas é denominado de intemperismo, que pode ser de natureza física ou química.

Os processos de formação do solo são divididos em gerais (adição, remoção, transformação e


translocação) e específicos, que conduzem à formação de tipos distintos de solos. Os fatores
de formação do solo definem o estado do sistema, no qual atuam os processos. Esses fatores
são o material de origem, o clima, o relevo, os organismos vivos e o tempo.

O solo é um material muito importante tanto no mundo animal como vegetal. O solo serve de
meio natural para o crescimento das plantas”. No entanto, trata-se de uma camada que serve
de suporte às plantas terrestres e dela depende toda a vida à superfície da terra.

O solo está na base da vida humana e animal uma vez que é ele que assegura o
aprovisionamento em alimentos, bioenergia e produção de fibras. O solo é um substrato físico
para o sistema radicular das plantas e, simultaneamente, é um substrato nutritivo que assegura
a utilização de água e outras substâncias necessárias ao crescimento vegetal.

FAO (2004), refere que 99% da produção de alimentos e de biomassa depende do solo, o que
torna evidente que este é, também, um recurso vital para a humanidade, praticamente tanto
como o ar e a água. Alem disso, o solo é também necessário para construção de habitações,
desenvolvimento industrial, circulação e transportes, equipamentos de tempos livres e
desportos, recepção de resíduos, etc.
CAPITULO II. GÊNESE DO SOLO

A gênese do solo é o estudo da origem e o desenvolvimento dos solos, trata de aspectos


relacionados com a formação de solos, abrangindo todas as acções que resultam na formação
natural de um solo. O conjunto de processos que leva à degradação e decomposição das
rochas é denominado de intemperismo, que pode ser de natureza física ou química.

Os processos de formação do solo são divididos em gerais (adição, remoção, transformação e


translocação) e específicos, que conduzem à formação de tipos distintos de solos. Os fatores
de formação do solo definem o estado do sistema, no qual atuam os processos. Esses fatores
são o material de origem, o clima, o relevo, os organismos vivos e o tempo.

2.1.1. Factores de formação do solo

Os fatores de formação de solos são elementos que estabelecem as condições ou estado do


sistema, caracterizam as esferas (litosfera, atmosfera e biosfera) existentes na gênese de
determinado solo. Os principais fatores de formação de solos são o material de origem, o
relevo, o clima, os organismos e o tempo, os quais estão interrelacionados entre si na
natureza.

Material de Origem

O material de origem é o material do qual o solo se forma, podendo ser de natureza mineral
(solos de origem mineral) ou orgânica (solos orgânicos). Os solos orgânicos estão geralmente
associados a ambientes mal drenados ou muito frios. Formam-se pela adição pela superfície,
resultando em material menos transformado próximo à superfície e mais transformado em
profundidade (contrário da tendência dos solos minerais).

A maioria dos solos com aptidão para usos agropecuários e florestais é de natureza mineral.
Os materiais de origem mineral podem ser rochas, materiais retrabalhados ou mesmo outro
solo. A rocha é fonte de minerais herdados no solo e de solutos para fase líquida do solo e, se
a concentração for alta suficiente, para a formação de minerais secundários.

A intensidade da decomposição das rochas depende da condição da rocha e da intensidade e


tipo do intemperismo. As características da rocha que podem influenciar seu intemperismo
são: sua composição mineralógica, organização dos minerais na massa da rocha, cimentação,
dureza, permeabilidade e a maneira como a rocha se desagrega (intemperismo físico).

A alteração também depende da intensidade do intemperismo, ou seja, do clima.


Essencialmente, a temperatura e a umidade são os mais importantes, mas, em certas regiões,
outros fatores, como vento e gelo, podem também ser relevantes.

Mesmo minerais facilmente intemperizáveis podem ser encontrados praticamente inalterados


em ambientes desérticos, por exemplo. A presença de fendas, poros e fraturas, pela maior
infiltração de água, e a cor escura, pela maior absorção de calore maior dilatação, podem
acelerar o intemperismo.

Rochas com grandes quantidades de elementos nutrientes podem originar solos férteis, ao
passo que solos derivados de rochas pobres serão inevitavelmente de baixa fertilidade. Solos
derivados de arenito (rocha geralmente pobre em nutrientes) possuem baixa quantidade de
nutrientes (cálcio, magnésio, potássio), comparativamente aos originados de basalto (rochas
mais ricas em nutrientes).

c) Relevo

O relevo afeta a formação de solos por redistribuir a energia advinda da radiação solar e os
materiais água (movimento na superfície e na subsuperfície) e colúvio (material transportado
por gravidade). A influência do relevo ocorre em duas escalas. Para grandes regiões, o relevo
pode afetar o clima, como foi exemplificado para os Campos de Cima da Serra no Rio
Grande do Sul (efeito orográfico). Para áreas menores, a importância do relevo ocorre através
da redistribuição da água no corpo do solo, a qual é fundamental para a continuidade das
reações químicas que, por sua vez, contribuem para a evolução dos solos.

b) Clima

O clima é muito importante para o processo de desenvolvimento do solo, atuando desde os


processos de decomposição de rochas (como foi visto no capítulo sobre intemperismo). As
variáveis climáticas mais importantes são a temperatura, a precipitação e a evapotranspiração.

Precipitações e temperaturas elevadas favorecem os processos de formação do solo. Climas


úmidos e quentes (regiões tropicais) são fatores favoráveis à formação de solos muito
intemperizados (alterados em relação à rocha), profundos e pobres, o que resulta em acidez e
baixa fertilidade, como é o caso da maioria dos solos brasileiros.

Em regiões de baixa precipitação, os solos são menos intemperizados, mais rasos, de melhor
fertilidade e, geralmente, pedregosos. Graças à vegetação escassa, a quantidade de matéria
orgânica, adicionada em climas secos, é inferior à dos solos de regiões úmidas.

d) Organismos

Os organismos são fundamentais para o processo de formação de solos. O solo não deve ser
considerado apenas um produto de destruição das rochas, porque a ação dos organismos cria
e destrói feições, propriedades e características desses materiais, dependendo de sua ação no
espaço e no tempo.

Os organismos que vivem no solo (vegetais, minhocas, insetos, fungos, bactérias, etc.)
exercem papel muito importante na sua formação, visto que, além de seus corpos serem fonte
de matéria orgânica, atuam também na transformação dos constituintes orgânicos e minerais.

A vegetação exerce marcante influência na formação do solo pelo fornecimento de matéria


orgânica, na proteção contra a erosão pela ação das raízes fixadas no solo, assim como as
folhas evitam o impacto direto da chuva. Ao se decompor, a matéria orgânica libera ácidos
que também participam na transformação dos constituintes minerais do solo.

A fauna (representada por inúmeras espécies de minhocas, besouros, formigas, cupins, etc.)
age na trituração e transporte dos resíduos vegetais no perfil do solo. Os fungos e as bactérias
realizam o ataque microbiano, transformando a matéria orgânica fresca em húmus, o qual
apresenta grande capacidade de retenção de água e nutrientes, o que é muito importante para
o desenvolvimento das plantas que habitam o solo. Maiores detalhes são encontrados nos
capítulos sobre biologia e composição do solo.

e) Tempo

Na formação do solo, a idade absoluta tem pouco significado, pois um solo velho em idade
pode ser muito ou pouco desenvolvido, dependendo da intensidade do intemperismo. Assim,
o tempo como fator de formação de solos se refere ao período em que os fatores ativos (clima
e organismos) atuaram sobre o material de origem, condicionados pelo relevo. Em pedologia,
é comum se comparar solos usando termos como imaturo ou jovem, maduro e velho ou senil.
Um solo é chamado de senil quando está bastante intemperizado e de imaturo quando está
pouco intemperizado. Assim, podemos ter solos jovens onde o intemperismo e os processos
de formação de solos ocorrem com uma taxa pequena, e solos velhos em locais onde a
pedogênese é mais acelerada, ainda que os dois solos tenham a mesma idade.

.2.2.2. Processos de formacao de solos

[Link]. Processos gerais de formação do solo

Os processos pedogenéticos indicam a direção e a intensidade das transformações e são


condicionados pela combinação dos fatores de formação do solo. Esses processos podem
imprimir determinadas feições aos solos, observáveis em um perfil ou corte e descritas na
morfologia do solo. Com base nas feições morfológicas e os processos que as geraram, é
possível fazer uma reconstituição da história do solo, de como ele se formou, e sua
classificação. Todo o solo sofre, em maior ou menor intensidade, adição, remoção ou perda,
transformação e translocação de materiais.

a) Adição

Refere-se ao aporte de material do exterior do perfil ou horizonte do solo. Incluem se material


orgânico, água da chuva, sedimentos, cinzas vulcânicas ou material antropogênico (adubos,
biocidas, resíduos, aterros, etc.), os quais são depositados sobre a superfície do solo em
formação;

b) Remoção ou perda

É o contrário da adição, ou seja, o material é removido para fora do perfil, seja naturalmente
(lixiviação, erosão, fluxo lateral e percolação profunda) ou aceleradamente pela ação
antrópica (erosão acelerada, colheita, queima, empréstimo de material para construção e
nivelamento ou sistematização do solo);

c) Transformação

Ocorre quando o material existente no perfil ou horizonte muda sua natureza química ou
mineralógica. Nesse sentido, há a transformação do material orgânico em matéria orgânica e
dos minerais primários em secundários e outras transformações químicas, como a
precipitação e a dissolução química;
d) Translocação

Refere-se ao processo no qual o material passa de um horizonte para outro, sem abandonar o
perfil. São exemplos a eluviação/ iluviação de colóides orgânicos e inorgânicos, o movimento
vertical de íons para baixo e para cima (com possibilidade de formação de crostas salinas,
pela ação da capilaridade e posterior evaporação) e a ação transportadora de pequenos
(minhocas, cupins, formigas, etc) e grandes (tatus, lebres, etc.) animais que habitam o solo.

[Link]. Processos Específicos da formação de solos

A combinação dos diferentes processos gerais, em intensidades variadas, resulta na formação


de solos com características típicas de cada combinação. Com base nesse princípio, alguns
processos serão descritos, mas deve-se sempre ter em mente que sua ocorrência pode se dar
de forma associada.

São vários os processos específicos, incluindo-se a latolização, podzolização, gleização,


laterização, salinização, sodificação ou solonização e outros processos de formação de solos
de ocorrência mais localizada (paludização, carbonatação, turbação, ferrólise, etc.).

a) laterização

Consiste na acumulação de óxidos de ferro que promovem a cimentação da massa do solo,


dando origem à laterita ou ferricrete ou petroplintita. Os solos que apresentam esta
cimentação por ferro são identificados como Plintossolos Pétricos.

b) Lessivagem

também chamado de eluviação-iluviação, consiste na translocação de minerais,


principalmente da fração argila fina (<0,2 μm), da parte superior do solo para uma maior
profundidade. Em decorrência, os horizontes superfíciais são empobrecidos em argila (isto é,
tornam-se mais arenosos) e os horizontes subsuperficiais são enriquecidos em argila (isto é,
tornam-se mais argilosos).

O horizonte que perde argila é chamado de eluvial, enquanto que o horizonte que acumula
argila é chamado de iluvial. Os solos submetidos à lessivagem apresentam, portanto, um
gradiente textural. Os principais solos que apresentam estas feições são os Argissolos
(anteriormente Podzólicos) e os Planossolos, podendo ocorrer também nos Alissolos
(anteriormente Podzólicos), Luvissolos (anteriormente Podzólicos), Plintossolos e outros.

Devido ao acúmulo de argila, o horizonte subsuperficial tende a apresentar uma densidade do


solo mais elevada com menor proporção de macroporos, com uma menor condutividade
hidráulica saturada, ou seja, menor permeabilidade. Conseqüentemente, a água infiltrada no
solo pode acumular-se acima do horizonte Bt, originando um lençol freático suspenso.

c) Ferralitização

É a acumulação de Fe e Al no resíduo final (solo) que ocorre principalmente em regiões


tropicais e subtropicais úmidas, sob abundância de chuvas e altas temperaturas que
favorecem um intemperismo químico intenso e rápido, ocorrendo reações de hidrólise e
oxidação. Com a disponibilidade de água e boa drenagem há intensa lixiviação dos cátions
básicos (Ca, Mg, K, Na) e do silício (dessilicação) liberados na alteração dos minerais. O
ambiente oxidante favorece a formação de óxidos de ferro (goethita e hematita) e de alumínio
(gibbsita), que tendem a acumular. O silício remanescente no sistema pode combinar-se com
alumínio formando caulinita. Os principais solos formados nestas condições são os
Latossolos e os Nitossolos (antigamente Terra Roxa Estruturada).

Os solos resultantes do processo de ferralitização são, geralmente, muito lixiviados e ácidos,


tem baixa CTC e são pobres em nutrientes. Devido a sua constituição mineralógica
apresentam boa porosidade e permeabilidade, proporcionada pela floculação das partículas de
caulinita e óxidos, formando agregados estáveis. Pelo fato das partículas estarem floculadas,
não há dispersão de argila e, conseqüentemente, a iluviação-eluviação é pouco significativa.

d) Paludização

A paludização consiste na acumulação de materiais orgânicos em áreas alagadiças,


originando turfeiras e Organossolos (solos orgânicos). Restos de plantas aquáticas
acumulados em alagadiços podem alcançar até vários metros de espessura, pois a oxidação do
material orgânico é inibida pela ausência de oxigênio (ambiente anaeróbico). Os solos
apresentam horizontes hísticos (H). Áreas extensas de Organossolos são encontradas na
Planície Costeira do RS, nas proximidades de lagoas.
e) Gleização

Desenvolve-se em ambiente com excesso de água e deficiência de oxigênio, onde as


condições anaeróbicas favorecem as reações de redução, que são promovidas por
microorganismos anaeróbicos utilizando como receptores de elétrons principalmente óxidos
de Fe3+ (goethita, hematita, ferrihidrita, lepidocrocita), mas também óxidos de Mn4+.

No processo, os óxidos de Fe3+ (ou Mn4+) são reduzidos e dissolvidos, liberando íons Fe2+
(ou Mn2+) que migram na solução até alcançarem sítios oxidados onde precipitam
novamente como óxidos de Fe3+ (ou Mn4+). Conseqüentemente, no solo formam-se zonas
desbotadas (de coloração cinzenta) devido a perda de óxidos de Fe3+ e zonas de acumulação
destes óxidos na forma de mosqueados (vermelhos, amarelos), nódulos e concreções
(plintita).

As zonas de acumulação dos óxidos de Mn apresentam cor preta na forma de revestimentos


em agregados ou nódulos. Os horizontes que apresentam feições de gleização são
identificados como Ag, Bg ou Cg. Os principais solos resultantes do processo de gleização
são os Gleissolos, mas também pode ocorrer gleização com menor intensidade nos
Planossolos, Plintossolos e outros.

f) Carbonatação

Consiste na formação e enriquecimento de minerais carbonato secundários (CaCO3) no solo.


Estes carbonatos podem estar finamente distribuídos na massa do solo ou na forma de
nódulos e crostas. A formação de CaCO3 secundário ocorre quando aumenta a concentração
de CaHCO3 (bicarbonato de cálcio) na solução do solo devido a retirada de água pela
vegetação, ou quando a pressão parcial de CO2 (pCO2) do ar do solo diminui pela sua
difusão para os macroporos ou a atmosfera.

A profundidade de ocorrência do CaCO3 secundário no solo aumenta com o crescimento da


pluviosidade, até ser totalmente removido por lixiviação. Por isso, o processo de
carbonatação é mais comum em regiões semiáridas (onde a EVT>P), ou em solos com baixa
permeabilidade que contenham argilominerais esmectíticos. No RGS, efeitos do processo de
carbonatação são observados na forma de nódulos de CaCO3 em alguns Chernossolos
(antigamente Brunizens), Vertissolos, Planossolos e Gleissolos.
g) Salinização

Consiste na acumulação de sais solúveis no perfil ou na superfície do solo, podendo ser


natural ou induzida pela irrigação mal conduzida (ação humana). A salinização tende a
ocorrer em regiões semiáridas e áridas, onde houve acumulação de sais (fundo de mar) em
épocas geológicas passadas, ou a acumulação é atual devido a migração de sais dissolvidos
provenientes de áreas situadas em cotas mais altas.

Nos perídos secos os sais ascendem com a água capilar, acumulando-se na parte superior ou
na superfície do solo na forma de crostas Salinas (eflorescências). A cada chuva os sais são
solubilizados e transferidos para o subsolo, para ascender novamente nos períodos secos. A
salinidade é determinada através da condutividade elétrica (CE), onde valores acima de 4
dS/m podem ser prejudiciais para o desenvolvimento das plantas sensíveis. Este processo
origina os Gleissolos Salinos.

A salinização artificial pode ocorrer pelo uso de água dı irrigação com alto teor de sódio, ou
quando a área sob irrigação não tem um sistema de drenagem eficiente. Neste último caso, a
água de irrigação entra em contato coım os sais acumulados naturalmente em profundidade,
que ascendem com a água capilar quando a irrigação é interrompida.

h) Sulfurização

Consiste na oxidação de sulfetos (pirita FeS2) presentes em certos sedimentos de alagadiços


litorâneos, quando são drenados. No processo forma-se ácido sulfúrico (H2SO4) que
promove a acidificação do solo (pH <3,5) e a dissolução de minerais, dificultando ou
inviabilizando o desenvolvimento da vegetação.

Os solos desenvolvidos sob este processo são chamados de solos tiomórficos, que apresentam
um horizonte sulfúrico. Nesta situação, a correção da acidez pela aplicação de calcário pode
ser muito onerosa; em certos casos, um manejo da drenagem, impedindo a oxidação dos
sulfetos, pode ser adequado para controlar a acidificação.

Este processo origina os Gleissolos Tiomórficos e os Organossolos Tiomórficos. O processo


de sulfurização também ocorre quando materiais contendo sulfetos são expostos ao ar nas
áreas de mineração (carvão, ouro, cobre, etc.). Após a mineração, na recuperação destas áreas
deve ser evitado o uso de materiais com sulfetos na composição do solo.
i) Turbação

Consiste na mistura dos materiais do solo pela atividade da fauna do solo (bioturbação) ou
pela alternância de regimes úmidos e secos (hidroturbação). Pequenos mamíferos, formigas,
térmitas e minhocas transportam materiais, promovendo a mistura de horizontes. Na
hidroturbação, as alternâncias de períodos úmidos e secos promovem a expansão e contração
do solo, contribuindo para a homogeneização dos horizontes.

2.2. Quimica da Acidez do Solo

Acidez do solo é a remoção decatiões básicos (Ca, Mg, K, Na) e substituição destes pelo ião
H+ ou Al+ na solução. A acidez do solo é um dos principais fatores capazes de reduzir o
potencial produtivo dos solos tropicais, resultando em uma preocupação constante para os
agricultores. A acidez divide-se em ativa e acidez potencial.

Acidez ativa: refere-se à atividade de íons hidrogênio (H+) que se encontram livres ou
dissociados na solução do solo, sendo medida diretamente pelo potenciômetro e expressa em
valores de pH. Acidez potencial: é constituída pelos íons H+ e Al3+ adsorvidos aos coloides
do solo e que podem ser extraídos com soluções de sais tamponantes ou misturas de sais
neutros com solução-tampão.

O pH é o logarítmo negativo da concentração do ião H+ no solo. A concentração do ião H+


no solo é dada em moles/litro ou em gramas/litro. O potencial hidrogênico é expresso por:

O significado prático desta relação é que cada unidade de mudança no pH do solo significa
uma mudança de dez vezes no grau de acidez ou basicidade. Um solo com pH = 6.0 tem
acidez 10 vezes maior que pH = 7.0, ou seja 10 vezes H+ mais ativo, significando ainda que
as necessidades do calcário aumentam rapidamente a medida que o pH diminui (a acidez
aumenta).

2.2.1. Origem da Acidez do solo

A acidez do solo tem sua origem fundamentada no íão H+ ou H₃O+ que deslocando os
cations metálicos para a solução do solo, favorece a sua lavagem ou lixiviação através da
água das chuvas. A origem primária da acidez do solo está ligada ao CO₂, o que significa que
durante as transformações iniciais das rochas (m. silicatadas), o CO₂ desempenha um papel
relevante como gerador de protons, segundo a equação:

Na dissolução do CO₂ na água são originados os iões CO−2 −


3 e HCO3 iniciando com processo

de transformação por carbonatação, onde os ioes CO−2 −


3 e HCO3 se combinam com Ca, Mg e

Fe da rocha alterando-os. No entanto, os HCO−


3 se solubilizam e removem os cations

combinados anteriormente.

O valor da constante de ionização do H₂CO₂ (Kac) é 4,5.10‾⁷ (pkac = 6,35) o que permite
visualizar um fornecimento intermitente de protons a H₂O em regiões de precipitação
razoável. Nos estágios iniciais de formação da argila as soluções dos minerais silicatados
continham Ca, Mg, K e Na liberados pelo íntemperismo, Todos estes iõns são retidos com
igual firrmeza aos coloiles.

No solo já fomado (horizontes definidos) e·com o acúrnulo gradual da matéria orgânica e


consequente incorporaçao de orgarüsmos, há grande produção de CO2 e outros ácidos. A
(CO2) agora é bem mais elevada, bem como a (Protões) do que no início do material
originário, portanto a ação dos a protões ou H+ na alteração de seus constituintes é bastante
evidente.

Os a, ons H+ ou H₃ O+ são mais f'orternente adsorvidos do que os de Ca+2 (há grande


predominância do catião Ca+2 sobre os demais), ficando assim os iões metálicos em solução,
prevalecendo os iões H+ ou H₃O+ nos coloides.

A precipitação pluviométrica via lixiviação afeta bastante a acidez do solo como se pode
observar através do seguinte esquema:
A reação se dá de maneira equivalente, e se por aIguma razão a concentração do H+ for
reduzida ou aumentada a concentração de Ca+2 (por exemplo pela calagem) a reação seria
orientada para a esquerda, de acordo com a "lei da acção das massas". Esse fato nos mostra o
comportamento dinâmico do solo.

2.2.2. Maneio de Solos Ácidos

O maneio de solos ácidos consiste na adoção de tcnicas na correção de solos com altos teores
de acidez tóxicos ao solo e prejudiciais a saúde das plantas. Dentre as principais técnicas
aplicadas na correccao de solos acidos descata-se o uso de calcário.

Sousa et al. (2007), refere que a correção da acidez do solo é feita com a aplicação de calcário
tem um efeito sistêmico sobre diversos atributos do solo, elevando o pH, os teores de cálcio e
magnésio e diminuindo os teores de alumínio trocável e hidrogênio titulável. Como
conseqüência, há elevação do volume de saturação por bases trocáveis na CTC a pH 7,0,
redução da saturação por alumínio na CTC efetiva, podendo haver ou não alteração nos
teores disponíveis de nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre e micronutrientes.

para saber a necessidade de calcário no solo, o agricultor deve retirar amostras de solos em
diferentes pontos da propriedade e enviá-las para um laboratório de análises de solos. As
amostras de solos devem ser enviadas ao laboratório, de preferência, uns seis meses antes da
semeadura. Isto é importante para que o agricultor, após receber os resultados das análises,
tenha tempo de providenciar os trâmites referentes a financiamento bancário, escolha e
compra do corretivo e também aplicar o corretivo no solo alguns meses antes da semeadura.

Na aplicação, o corretivo deve ser incorporado no solo através de lavração a 15-20 cm de


profundidade, a qual deve ser seguida de gradeação. Para quantidades de corretivos
superiores a 5 t/ha, deve-se distribuir a metade do corretivo antes da lavração e a outra
metade após a lavração e antes da gradeação. Se este processo não é possível pode se
distribuir todo o corretivo, a seguir gradear, lavrar e gradear novamente.
[Link]. Calculo das Necessidades da Calagem

São diversos os metodos utilizados para o calculo das necessidades da calagem, podem, o
método mais utilizado é o da saturação por bases que é calculada a partir das seguintes
fórmulas:

(𝑉2 − 𝑉1)(𝐶𝑇𝐶𝐸)
Ton CaCO₃/ha = ×f
100

Onde:
V2- Saturacao por base desejada;
V1- Saturacao por base actual;
CTCE- Capacidade de troca cationica efetiva;
f- factor de correção.
a) Capacidade de troca cationica efectiva
t = SB + Al

b) Factor de correcao

100
f=
PRNT

c) Poder reativo da neutralização total

%EG × EQ
PRNT =
100

d) Porcentagem de saturação de bases

SB × 100
V(%) =
CTC

6) Soma de base

SB = Ca2+ + Mg2+ + K+ + (Na+)

7) Capacidade de troca cationica (CTC ou T) (cmolc dm-3):

CTC = SB + (H + Al)
2.3. Salinização e Maneio de Solos Salinos

Segundo Richards (1954), Salinização compreende um processo que induz a concentração de


sais solúveis na solução do solo e resulta na formação dos solos salinos, que resulta da
acumulação de sais solúveis de Na+, Ca2+, Mg2+ e K+ nos horizontes do solo, sendo
prejudiciais as plantas.

A salinização ocorre em duas fases, a primaria e secundária. A salinização primária ocorre


naturalmente pela meteorização das rochas e pela deposição de sais provenientes dos oceanos
pela ação das chuvas e dos ventos. Salinização secundária, ocorre quando a elevação na
concentração de sais no solo é resultante de alguma atividade antrópica (humana), geralmente
associada ao desmatamento, excesso de água de irrigação, padrão de qualidade da água de
irrigação abaixo do recomendado, uso de adubos químicos e sitemas de drenagem
ineficientes.

A origem da salinidade está relacionada com a própria formação dos solos. Os sais
resultantes dos minerais primários, encontrados nos solos e nas rochas, são transportados
pelas águas e armazenados nos solos acumulando-se à medida que a água é evaporada ou
consumida pelas culturas, originando o processo de salinização Daker (1988).

No processo de intemperização dos minerais primários, que compõem a rocha ou o material


de origem do solo, através de processos físicos, químicos e biológicos mediados pela ação de
fatores como clima, relevo, organismos vivos e o tempo, os sais solúveis que constituem as
rochas são liberados dando início à formação do solo (Richards, 1954).

Durante o processo de salinização, o ião Na+ pode ganhar preponderância no complexo de


troca do solo, podendo causar a perda de uma ou mais funções do solo, esse processo é
denominado por sodização. O Sódio tem um efeito negativo nas propriedades do solo e no
crescimento das plantas.

2.3.2. Causas da salinização de solos

A salinização pode ser causada naturalmente (salinização primária) ou pela intervenção


humana (salinização secundária). Dentre as causas naturais da salinização primária se
destacam a presença de toalhas de água de origem marinha ou acção directa das marés em
regiões costeiras e presença de toalhas freáticas ricas em sais provenientes da meteorização
das rochas.

As causas da salinização Secundária: Uso de solos impróprios ou mal adaptados para a


prática do regadio (com cinética lenta e sem sistema de drenagem); Rega com água rica em
sais; Má condução da rega (dotações de rega desadequadas, distribuição desigual da água);
Subida da toalha freática (redução da evapotranspiração por modificação da vegetação,
excesso de rega ou infiltração de água a partir de reservatórios/canais de rega); Uso intensivo
de fertilizantes ou correctivos, particularmente em condições de limitada lixiviação;
Contaminação do solo com águas residuais ou produtos salinos de origem industrial.

2.3.3. Lavagem de Sais no Solo

[Link]. Cálculo de Balanço de Sais no solo

Onde:
ΔS - variação da quantidade de sais armazenados no solo ((dS/m)*m)
S1 - quantidade de sais armazenados no solo no estágio inicial ((dS/m)*mm)
Wcc - humidade na zona radicular à capacidade de campo (mm)
f - fracção de lavagem de sais (mm/mm)
Ge - contribuição do lençol freático por ascensão capilar (mm)
Ir- quantidade da água de rega (mm)
Dr - quantidade de água drenada (mm)
CEir - condutividade eléctrica da agua de rega (dS/m)
CEg - condutividade eléctrica da água freática (dS/m)

No entanto, para o cálculo do Balanço de Sais no solo é necessário primeiramente deterninar


a quantidade da água no solo, que é dada pela equação seguinte:

1) Pr + Ir + Ge + ETC + Dr + ΔR + ΔW
Onde:
Pr- precipitação (mm);
Ir- quantidade da água de rega (mm);
Ge- contribuição do lençol;
freático por ascensão capilar (mm);
ETC- evapotranspiração da cultura (mm);
Dr- quantidade da água drenada (mm);
ΔR- variação do escoamento superficial (mm);
ΔW- variação da humidade no solo (mm).

Assumindo que o escoamento superficial que entra é igual ao que sai, portanto anulam-se, a
expressão (1) transforma-se em:

2) Pr + Ir + Ge = ETC + Dr + ΔW

O Ge é considerado no balanço de água quando Dr ≤ 0, isto é, ETC + ΔW ≥ Pr + Ir. No


entanto, a partir da expressão (2) pode se expressar o balanço de sais, pela multiplicação dos
termos do balanço de água pelas respectivas concentrações de sais.

3)

Onde:
Pr- precipitação (mm);
Ir- quantidade de água de rega (mm);
Ge- contribuição do lençol freático por ascensão capilar (mm);
ETC- evapotranspiração da cultura (mm);
Dr- quantidade de água drenada (mm);
Cpr- concentração de sais na água da chuva (meq/l);
Cir- concentração de sais na água de rega (meq/l);
Cg- concentração de sais na água freática (meq/l);
Cetc- concentração de sais na água evaporada (meq/l);
Cdr- concentração de sais na água de drenagem (meq/l);
Δ Z- expressa a mudança na quantidade de sais na zona radicular (meq/m²).
O teor de sais na água da chuva é despresível, considerado nulo (Cpr =0) e a concentração de
sais na água evaporada também é igual a zero (Cetc=0). A expressão (3) simplifica-se para:

4)

O teor de sais na água de drenagem que percola no solo é dada pela seguinte relação:

Onde:
f- fracção de lavagem de sais (mm/mm)
Ccc- concentração de sais na solução do solo à capacidade de campo (meq/l).
Cdr- concentração de sais na água de drenagem (meq/l)
Cir- concentração de sais na água de rega (meq/l)

Combinando as duas áltimas equações anteriores ( 4 e 5) teremos:

6)

Expressando a equação (6) em função de ΔZ, teremos:

7)

Assumindo que a quantidade de sais (Z) varia de Z1 para Z2, a mudança na quantidade de
sais na zona radicular será dada pela seguinte expressão:

8)

Onde:
Z1- quantidade de sais armazenados no solo no inicio do balanço (meq/m²)
Z2- quantidade de sais armazenados no solo no final do balanço (meq/m²)
ΔZ- expressa a mudança na quantidade de sais na zona radicular (meq/m²)

Considerando que o movimento de sais na zona radicular ocorre à capacidade de campo


(CC), a humidade na zona radicular será dada pela seguinte equação:
9)

Onde:
Θcc - teor de humidade à capacidade de campo (%)
Draiz- profundidade radicular (mm)
Wcc- humidade da zona radicular à capacidade de campo (mm)

Com isso, a concentração de sais na zona radicular à capacidade de campo será dada pela
seguinte equação:

10)

Onde:
Ccc- concentração de sais na zona radicular à capacidade de campo (meq/l)
Z- quantidade de sais armazenados na zona radicular (meq/m²)
Wcc- humidade da zona radicular à capacidade de campo (mm)

Uma vez que (Z) muda, de Z1 para Z2, a concentração media de sais na zona radicular a
capacidade de campo será dada pela seguinte expressão:

11)

Combinado as equações (8) e (11), teremos:

12)

O teor de sais no solo varia em função da quantidade e qualidade da água de rega e clima.
Esta variação pode ser obtida pela combinação das equações (7) e (12).
13)
Segundo Van der Mollen (1983), existe uma relação entre a condutividade eléctrica expressa
em dS/m e a concentração de sais em meq/l à capacidade de campo, que pode ser expressa
por:

14)

Onde:
CE- condutividade eléctrica a 25oC (dS/m)
12 - factor de conversão (meq/l para dS/m)
C- concentração da solução respectiva (meq/l)

A condutividade eléctrica do solo é determinada no extracto da pasta de saturação, então:

15)

Onde:
θcc - teor de humidade à capacidade de campo (%)
θs - teor de humidade à saturação (%)
CEe - condutividade eléctrica do solo no extracto da pasta de saturação (dS/m)
CEcc- condutividade eléctrica do solo à capacidade de campo (dS/m)

Combinando as equações (14) e (15) teremos:

16)

Uma vez que a condutividade eléctrica é expressa por uma unidade comum e de fácil
medição, os valores da concentração de sais (C) serão substituídos pelos valores da
condutividade eléctrica (CE), tendo em conta a relação linear existente entre as duas
componentes acima referidas, definindo que:

17)

Onde:
Z- quantidade de sais armazenados na zona radicular (meq/m²)
12 - factor de conversão (meq/l para dS/m)
S- quantidade de sais armazenados no solo((dS/m)*mm)

Por conseguinte:

18)

Onde:
12 - factor de conversão (meq/l para dS/m)
ΔZ- expressa a mudança na quantidade de sais na zona radicular (meq/m²)
ΔS- variação da quantidade de sais armazenados no solo ((dS/m)*mm)

Assim a equação (13) do modelo de balanço de sais será dada por:

Onde:
ΔS - variação da quantidade de sais armazenados no solo ((dS/m)*m)
S1 - quantidade de sais armazenados no solo no estágio inicial ((dS/m)*mm)
Wcc - humidade na zona radicular à capacidade de campo (mm)
f - fracção de lavagem de sais (mm/mm)
Ge - contribuição do lençol freático por ascensão capilar (mm)
Ir- quantidade da água de rega (mm)
Dr - quantidade de água drenada (mm)
CEir - condutividade eléctrica da agua de rega (dS/m)
CEg - condutividade eléctrica da água freática (dS/m)
A condutividade eléctrica do solo à capacidade de campo será dada pela seguinte expressão:

19)

Onde:
S- quantidade de sais armazenados no solo ((dS/m)*mm)
Wcc- humidade na zona radicular à capacidade de campo (mm)

Combinando as equações (15) e (20), a condutividade eléctrica do solo será dada pela
seguinte expressão:

20)

Onde:
CEe- condutividade eléctrica do solo no extracto da pasta saturada (dS/m).
θcc- teor de humidade a capacidade de campo (%).
θs- teor de humidade a saturação (%).
Wcc- humidade do solo na zona radicular a capacidade de campo (mm).

A fracção de lavagem de sais (LR) em áreas irrigadas é dada por:

Onde:
CEir- condutividade eléctrica da água de rega (dS/m)
CEe- condutividade eléctrica do extracto saturado do solo (dS/m)
2.4. Considerações finais

A gênese do solo é o estudo da origem e o desenvolvimento dos solos, trata de aspectos


relacionados com a formação de solos, abrangindo todas as acções que resultam na formação
natural de um solo. O conjunto de processos que leva à degradação e decomposição das
rochas é denominado de intemperismo, que pode ser de natureza física ou química.

Os processos de formação do solo são divididos em gerais (adição, remoção, transformação e


translocação) e específicos, que conduzem à formação de tipos distintos de solos. Os fatores
de formação do solo definem o estado do sistema, no qual atuam os processos. Esses fatores
são o material de origem, o clima, o relevo, os organismos vivos e o tempo.

Acidez do solo é a remoção decatiões básicos (Ca, Mg, K, Na) e substituição destes pelo ião
H+ ou Al+ na solução. A acidez do solo é um dos principais fatores capazes de reduzir o
potencial produtivo dos solos tropicais, resultando em uma preocupação constante para os
agricultores. Salinização compreende um processo que induz a concentração de sais solúveis
na solução do solo e resulta na formação dos solos salinos, que resulta da acumulação de sais
solúveis de Na+, Ca2+, Mg2+ e K+ nos horizontes do solo, sendo prejudiciais as plantas.
3. Bibliografia

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solos construídos em áreas de mineração na bacia carbonífera do baixo Jacuí (RS).
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