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O documento aborda a Química Analítica Qualitativa e Quantitativa, destacando sua importância em diversas áreas, como medicina e meio ambiente. Ele inclui unidades sobre introdução à química analítica, análise qualitativa e quantitativa, e técnicas instrumentais. O texto também enfatiza a relevância da química analítica na separação, identificação e quantificação de substâncias em amostras.

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O documento aborda a Química Analítica Qualitativa e Quantitativa, destacando sua importância em diversas áreas, como medicina e meio ambiente. Ele inclui unidades sobre introdução à química analítica, análise qualitativa e quantitativa, e técnicas instrumentais. O texto também enfatiza a relevância da química analítica na separação, identificação e quantificação de substâncias em amostras.

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QUÍMICA

ANALÍTICA
QUALITATIVA E
QUANTITATIVA

ANANDA FAGUNDES GUARDA

ORGANIZADOR
RAIANE NEVES
EXPEDIENTE

Coordenador(a) de Conteúdo Revisão Textual


Gislaine Cardoso de Souza Fiaes Carolina Guimaraes Branco
Projeto Gráfico e Capa Ilustração
Arthur Cantareli Silva Eduardo Aparecido Alves e Bruno
Editoração Cesar Pardinho Figueiredo
Caroline Casarotto Andujar Fotos
Nivaldo Vilela de Oliveira Junior Shutterstock e Envato
Design Educacional
Kátia Salvato

FICHA CATALOGRÁFICA

N964 Núcleo de Educação a Distância. GUARDA, Ananda Fagundes; .


Química Analítica Qualitativa e Quantitativa / Ananda Fagundes
Guarda; organizador: Raiane Neves. - Florianópolis, SC: Arqué, 2024.

184 p.

ISBN papel 978-65-6137-669-3


ISBN digital 978-65-6137-667-9

1. Química 2. Analítica 3. Qualitativa 4.Quantitativa 5. EaD. I. Título.

CDD - 543.0072

Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722.

Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).

Impresso por:
03506900
RECURSOS DE IMERSÃO

P E N SA N D O JU NTO S APROFU NDANDO

Este item corresponde a uma proposta Utilizado para temas, assuntos ou con-
de reflexão que pode ser apresentada por ceitos avançados, levando ao aprofun-
meio de uma frase, um trecho breve ou damento do que está sendo trabalhado
uma pergunta. naquele momento do texto.

E U I N D I CO ZOOM NO CONHECIMENTO

Utilizado para agregar um conteúdo


Utilizado para desmistificar pontos
externo.
que possam gerar confusão sobre o
tema. Após o texto trazer a explicação,
essa interlocução pode trazer pontos
adicionais que contribuam para que
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Uma dose extra de


conhecimento é sempre
P L AY N O CO NH E C I M E NTO
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SUMÁRIO

7UNIDADE 1

INTRODUÇÃO À QUÍMICA ANALÍTICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8

EQUILÍBRIO QUÍMICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

REAÇÕES QUÍMICAS RELEVANTES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

67UNIDADE 2

ANÁLISE QUALITATIVA – IDENTIFICAÇÃO E SEPARAÇÃO DE CÁTIONS . . . . . . . . . 68

ANÁLISE QUALITATIVA – IDENTIFICAÇÃO E SEPARAÇÃO DE ÂNIONS . . . . . . . . . . 84

ERROS E TRATAMENTO DE DADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106

121
UNIDADE 3

ANÁLISE QUANTITATIVA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122

TÉCNICAS INSTRUMENTAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146

TÉCNICAS INSTRUMENTAISE MEDIDAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164

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UNIDADE 1
TEMA DE APRENDIZAGEM 1

INTRODUÇÃO À QUÍMICA ANALÍTICA

MINHAS METAS

Entender a termoquímica analítica e quais conceitos estão associados a ela.

Identificar os métodos analíticos.

Compreender o que é estequiometria e cálculo estequiométrico.

Aplicar cálculos estequiométricos.

Definir o que é solução.

Identificar os tipos de solução.

Caracterizar soluções eletrolíticas e não eletrolíticas.

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U N I AS S E LVI

INICIE SUA JORNADA


Em vários momentos de nossa caminhada, nos questionamos por que estamos apren-
dendo determinado conteúdo, e ter um exemplo prático, uma situação real pode nos
motivar. Por isso, vamos imaginar que você esteja vivenciando a seguinte situação:

E XE M P L I FI C A NDO

Uma empresa, a V&R faz uso de cromo (Cr) VI para limpar a ferrugem de suas
máquinas. O Cr é um metal e seu descarte tem destino certo, não sendo correto
despejar rejeitos contendo tal elemento em rios e lagos, contudo, a V&R não está
descartando corretamente seus resíduos químicos e estes estão sendo “jogados”
nos rios e lagos da cidade de Conceição do Monte. Infelizmente, a companhia
tem essa prática há vários anos. A população que vive próxima a esses rios e la-
gos (onde o despejo incorreto de resíduos é feito) está ficando doente. Animais
nascem mortos ou com deficiências, assim como bebês, e você, estudante, é um
desses moradores. Você e sua família vivem nessa área. O que fazer? Uma alter-
nativa é realizar a coleta de amostras dessas águas e realizar uma análise espec-
trofotométrica para identificar a presença de Cr (VI).
O cromo possui dois estados principais de oxidação, Cr (III) e Cr (VI). O Cr (III), em
uma curta faixa de concentração, é essencial para alguns mamíferos, enquanto o
Cr (VI) é extremamente tóxico aos seres humanos, podendo ser precursor para o
câncer, por isso a preocupação em identificar e comprovar a presença de Cr (VI)
em rios e lagos de sua cidade. Com as provas em mãos, será possível punir e exigir
que a empresa V&R dê o destino correto aos seus resíduos químicos.

A história contada anteriormente é apenas um dos milhares de exemplos de aplicação


da química analítica, a qual trabalha com a separação, identificação e determinação de
quantidades relativas dos componentes de uma amostra (SKOOG et al., 2006). Essa
área de conhecimento pode ser aplicada em amostras de sangue para determinar as
concentrações de oxigênio e de dióxido de carbono, quantificar íons cálcio em soro
sanguíneo, análise da qualidade do aço, determinação de íons potássio, cálcio e sódio
em fluidos biológicos, dentre tantas aplicações (SKOOG et al., 2006).
Entendermos os conceitos, métodos e os princípios básicos da química ana-
lítica é de suma importância, visto que sua aplicabilidade é atual e extensa, en-
globando produtos farmacêuticos, alimentos, meio ambiente, petroquímicos,
análises clínicas, dentre outros (HARRIS, 2012).

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 1

P L AY N O CO NHEC I M ENTO

Há diferentes formas de aplicar a química analítica qualitativa e quantitativa, em


breve, vamos entender melhor tais conceitos, mas, agora, que tal ouvir um exem-
plo prático ligado ao nosso cotidiano? Recursos de mídia disponíveis no conteú-
do digital do ambiente virtual de aprendizagem.

VAMOS RECORDAR?
Vamos relembrar o que é massa molar, e, para isso, precisamos do conceito de
massa atômica: que é a massa de um átomo, aquela informada na tabela periódica.
A massa molecular é a soma das massas atômicas dos elementos que formam
uma molécula, levando em consideração o número de átomos de cada elemento.
Agora, considere a seguinte equação química balanceada:

HCl ( aq )  Na (OH )( aq )  NaCl ( s )  H 2O (l )

À esquerda da seta estão descritos os reagentes, aqui, ácido clorídrico e hidróxido


de sódio; enquanto, à direita da seta, são descritos os produtos, cloreto de sódio e
água. Os símbolos (aq), (s) e (l) informam o estado físico dos reagentes e produtos.
Além disso, as quantidades relativas de produtos e reagentes são indicadas por
números (quando não há números descritos na equação significa que há uma
molécula), conhecidos por coeficientes estequiométricos, eles precedem as
fórmulas. Para concluir nosso momento recordação, vamos relembrar o que são
íons: são átomos ou moléculas que possuem carga, positiva ou negativa. Exemplos:
Ca+2, Na+1, Cl-1, F-1, OH-1.

DESENVOLVA SEU POTENCIAL

CONCEITOS E OBJETIVOS DA QUÍMICA ANALÍTICA

A química analítica está presente em diferentes áreas, como já mencionado. Todo


produto que é gerado precisa passar pelo controle de qualidade e este controle é
feito por meio dessa ciência. É praticamente impossível imaginarmos que algum

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U N I AS S E LVI

produto final ou matéria prima não seja submetido à química analítica, seja quali-
tativamente ou quantitativamente.“A química analítica é uma ciência de medição
que consiste em um conjunto de ideias e métodos poderosos que são úteis em
todos os campos da ciência e medicina” (SKOOG et al., 2006, p. 1).
Os analitos de interesse podem ser separados, identificados e quantificados. A
química analítica qualitativa separa e identifica os componentes que estão presen-
tes em uma amostra. Já a química analítica quantitativa determina as quantidades
relativas dos componentes a serem investigados.

ZO O M N O CO NHEC I M ENTO

• Amostra: fração que representa todo material a ser analisado.


• Analito: componentes de interesse a serem determinados na amostra.

Já mencionamos a importância da química analítica e como ela está interligada


a diversas áreas de conhecimento. A Figura 1 ilustra o papel central da química
analítica em diferentes setores, enfatizando a interdisciplinaridade deste campo.

Engenharia Biologia
Civil Botânica
Química Genética
Mecânica Zoologia

Ciências do Meio
Ciências Sociais
Ambiente
Arqueologia
Ecologia
Antropologia
Meteorologia
Forense
Oceanografia

Agricultura Medicina
Ciência dos animais Química Química Clínica
Ciência dos alimentos Analítica Farmácia
Ciência dos solos Toxicologia

Figura 1 – A química analítica relacionada a outras áreas da química e de outras ciências


Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 1

Descrição da Imagem: a imagem apresenta um diagrama que destaca a importância da química analítica e sua
relação com várias disciplinas e campos de estudo. No centro, há um círculo azul com o texto “química analítica”.
Em torno deste círculo, em formato de meia lua, há seis retângulos coloridos com setas saindo deles em direção
ao círculo. Da esquerda para a direita, temos: retângulo azul escuro nomeado “Agricultura”, contém as disciplinas
Ciências dos Animais, Ciência dos Alimentos e Ciência dos Solos; retângulo rosa nomeado “Ciências Sociais”,
contém as disciplinas Arqueologia, Antropologia e Forense; retângulo verde nomeado “Engenharia”, contém
as disciplinas Civil, Química e Mecânica; retângulo laranja nomeado “Biologia”, contém as disciplinas Botânica,
Genética e Zoologia; retângulo amarelo nomeado “Ciências do Meio Ambiente”, contém as disciplinas Ecologia,
Meteorologia e Oceanografia; retângulo rosa claro nomeado “Medicina”, contém as disciplinas Química Clínica,
Farmácia e Toxicologia. O diagrama ilustra como a Química Analítica é fundamental e interdisciplinar, aplicando-se
a uma ampla gama de áreas científicas e práticas.

De forma geral as amostras são compostas por mais de uma substância, daí a
necessidade de definirmos nosso analito. Tendo essa definição, o restante das
substâncias (amostra – analito) é conhecido como matriz. O analito pode estar
presente na amostra em maior quantidade ou menor. Este é um fato importante
para a escolha do método, algo que discutiremos logo mais.

IN D ICAÇÃO DE FI LM E

Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento.


Começamos nossa conversa por meio de um exemplo prático,
no qual é necessário identificar e quantificar o analito Cr (VI)
em amostras de água. O filme, baseado em fatos reais, retrata
exatamente essa situação. Erin é mãe de três filhos e trabalha
em um pequeno escritório de advocacia. Ela descobre que a
água de uma cidade está sendo contaminada e espalhando
doenças entre seus moradores. Erin consegue convencer seu
chefe a deixá-la investigar o assunto.

Quando o analito compõe mais de 1% da amostra, ele é chamado de componen-


te majoritário. Já quando ele responde a faixa de 0,01 a 1% é conhecido como
componente minoritário.

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U N I AS S E LVI

Identificar substâncias é responsabilidade da química qualitativa. A análise


qualitativa é uma importante ferramenta para a análise quantitativa, pois ajuda
na escolha do método analítico a ser aplicado para quantificar o analito de in-
teresse. De forma abrangente, a análise qualitativa é mais rápida que a análise
quantitativa (VASCONCELOS, 2019).
Quando buscamos quantificar um analito, as perdas devem ser as menores
possíveis para não comprometer o resultado final de análise. Falando qualitati-
vamente, as perdas não são tão relevantes.


A análise qualitativa pode basear-se em reações incompletas ou
então envolver reações simultâneas e paralelas que originem di-
ferentes produtos sem que sérias interferências ocorram. Por sua
vez, a análise quantitativa requer que a medida esteja relacionada
reprodutivelmente à concentração e, portanto, as reações devem ser
completas e acompanhadas pela formação de apenas uma restrita
série de produtos (VASCONCELOS, 2019, p. 11).

CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS


ANALÍTICOS

Como já visto, as análises podem ser feitas quali-


tativamente ou quantitativamente, dependendo do
objetivo. Existem diversos métodos e é necessário es-
colher qual o mais adequado para a análise química.
Iremos iniciar com os métodos quantitativos.
Os resultados de uma análise quantitativa típica
podem acontecer partindo de duas medidas. Uma
delas é por meio do volume ou massa da amostra que
está sendo submetida a análise. A outra é a partir de
alguma grandeza que seja proporcional à quantidade
do analito de interesse, como massa, volume, inten-
sidade da luz ou carga elétrica (SKOOG et al., 2006).
Os métodos quantitativos podem ser classificados
como mostrado na Figura 2.

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T E MA DE A PRE
VIRAR
ND IZAGEM

Métodos
Métodos instrumentais
Clássicos
PÁGINA1 PARA VISUALIZAR

Figura 2 – Métodos quantitativos / Fonte: a autora.


Análise
gravimétrica Titulação Separação Espectroscopia Eletroquímica Outras

Precipitação Espectroscopia de
Extração Espectrometria Potenciometria,
Redox, massa, métodos
cromatografia e molecular, atômica voltametria e
complexação e térmicos e análise
eletroforese e RMN coulometria
ácido-base. de superfície
U N I AS S E LVI

Descrição da Imagem: a imagem apresenta, à esquerda, quatro retângulos coloridos indicando uma hierarquia. No
primeiro (na cor rosa) está escrito métodos clássicos e é o início da hierarquia, levando a dois outros retângulos
cinzas um patamar abaixo. O retângulo cinza à esquerda é nomeado análise gravimétrica e o retângulo cinza à
direita é nomeado Titulação, que leva a um terceiro e último patamar da hierarquia contendo precipitação, redox,
complexação e ácido-base. À direita da imagem há um novo esquema de hierarquia, sendo o retângulo azul
nomeado métodos instrumentais o início desta. No segundo nível, temos quatro retângulos verdes nomeados,
da esquerda para a direita: separação; espectroscopia; eletroquímica; e outras. No último nível, há mais quatro
retângulos amarelos nomeados, da esquerda para a direita: extração, cromatografia e eletroforese; espectrosco-
pia molecular, atômica e RMN; potenciometria, voltametria e coulometria; e espectroscopia de massa, métodos
térmicos e análise de superfície. Fim da descrição.

P E N SAN DO J UNTO S

Você se lembra do início da nossa jornada, quando uma situação-problema do Cr


(VI) foi exposta? Sabendo que a espectroscopia é um tipo de método quantitativo,
qual tipo de espectroscopia vocês usariam para quantificar o Cr (VI)?

Os métodos quantitativos clássicos utilizam valores


A análise
de volume ou massa do analito de interesse, jun-
gravimétrica e a
tamente com informações das equações químicas
titulação estão
balanceadas envolvidas nos processos. Além de fa- dentro dos métodos
zerem uso dos valores de massa atômica e molecu- clássicos
lar. A análise gravimétrica e a titulação estão dentro
dos métodos clássicos.
O método gravimétrico busca determinar a massa do analito ou de alguma molé-
cula que esteja quimicamente relacionada ao analito de interesse (SKOOG et al., 2006).

E XE M P L I FI C A NDO

Considere que buscamos quantificar o cálcio (Ca) em certa amostra. Para isso, po-
demos realizar experimentos que visem o surgimento da molécula de CaO (óxido
de cálcio). Assim, por meio da determinação da massa molecular do óxido forma-
do (massa do cálcio + massa do oxigênio) poderemos, indiretamente, determinar a
quantidade de Ca que temos na amostra de CaO pesada. Este é um exemplo de
como o método gravimétrico é aplicado na química analítica quantitativa.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 1

No método volumétrico (ou titulométrico), mede-se o volume de uma solução de


concentração conhecida (presente na bureta) que reagirá com todo o analito pre-
sente na amostra. As reações de precipitação, redox, complexação e ácido-base são
os tipos de reação envolvidas nas análises titulométricas (SKOOG et al., 2006).
Os métodos clássicos possuem como limitação a sensibilidade, quer dizer, a
concentração do analito deve ser alta para que seja possível quantificá-lo.
Os métodos instrumentais fazem uso de diferentes propriedades físicas para
quantificar os analitos de interesse, dentre elas: calor, corrente elétrica, densidade,
tamanho etc. Existem diversos tipos de detectores utilizados nos métodos ins-
trumentais. Quando os analitos interagem com esses detectores, eles produzem
um sinal elétrico. A intensidade desse sinal, que é proporcional à quantidade do
analito, é, então, enviada para um computador para quantificação. Vejamos alguns
destes métodos instrumentais e suas principais características.

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U N I AS S E LVI

MÉTODOS DE SEPARAÇÃO (CROMATOGRAFIA E ELETROFORESE)

A cromatografia e a eletroforese são métodos que permitem separar e identificar espé-


cies químicas contidas em amostras complexas. A cromatografia é baseada na divisão
de compostos presentes na amostra entre duas fases: fase estacionária (FE) e outra que
se move por meio desta, fase móvel (FM). A técnica de eletroforese é fundamentada na
separação de substâncias a partir da aplicação de um campo magnético. O tamanho e a
carga do composto de interesse são fatores que permitem a separação destes.

MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOS (ESPECTROSCOPIA MOLECULAR, ATÔMICA E


RMN)

Este tipo de técnica é baseado na interação (absorção, emissão ou reflexão) de algum tipo
de radiação com o analito. A radiação pode interagir de diferentes formas: se a interação
acontecer com moléculas, a espectroscopia é classificada como molecular, já se a inte-
ração acontecer com átomos isolados, é a espectroscopia atômica, por fim, se acontecer
com o núcleo atômico, é a espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN).

MÉTODOS ELETROQUÍMICOS (POTENCIOMETRIA, VOLTAMETRIA E


COULOMETRIA)

Estes métodos são baseados nas propriedades elétricas das soluções. Na potenciome-
tria, é feita a medida da diferença de potencial na ausência de corrente elétrica. Na vol-
tametria, aplica-se um potencial ou uma sequência deles e se mede a corrente elétrica
do analito. Já a coulometria é baseada na medida da quantidade de corrente elétrica
necessária para provocar a redução (ganho de elétrons) ou oxidação de uma substância.

OUTROS MÉTODOS (ESPECTROSCOPIA DE MASSAS, POR EXEMPLO)

Na espectroscopia de massas a amostra deve ser levada ao estado gasoso e ionizada.


Nesta técnica, é possível separar e quantificar a relação massa/carga do analito de
interesse, pois permite que o analito siga trajetórias distintas ao passar por um campo
magnético ou elétrico.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 1

No método cromatográfico, os com-


Definição do
postos presentes na amostra interagem
problema
diferentemente com a FE e a FM, quanto
maior for a interação com a fase estacio-
nária, maior o tempo que analito leva para
Escolha do método
sair do sistema, o contrário também é ver- analítico adequado
dade. Após a separação dos compostos, es-
tes chegam até o detector, sendo possível
monitorar alguma propriedade física do
Amostragem
analito. Já na eletroforese, a depender do
tamanho da molécula, esta demora mais
ou menos tempo para percorrer uma cer-
ta distância e chegar até o detector. Se a Preparo de
molécula estiver carregada negativamente amostra
(ânion), será atraída pelo polo positivo. Já
se estiver com carga positiva (cátion) será
atraída pelo polo negativo. Calibração e
Anteriormente, mencionamos os mé- medida
todos qualitativos, os quais precedem os
métodos quantitativos e envolvem a reali-
zação de reações químicas, estando presente Avaliação
o analito e outros compostos. Independen-
temente do método escolhido, é necessário
seguir uma série de etapas conhecidas como
sequência analítica. Na Figura 3, estão des- Ação
critas as etapas dessa sequência.
Figura 3 – Descrição das etapas de uma
sequência analítica
Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta etapas de uma sequência analítica, sendo a etapa escrita dentro
de um retângulo, seguido por uma seta direcionando ao próximo retângulo, indicando o próximo passo. Em cada
retângulo temos escrito, de cima para baixo, seguindo as setas: definição do problema, escolha do método analítico
adequado, amostragem, preparo de amostra, calibração e medida, avaliação e ação. Fim da descrição.

Essas etapas devem ser seguidas independente da análise a ser feita. Vejamos mais
detalhes de cada etapa.

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U N I AS S E LVI

DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

Identificar o analito, o qual pode ser um íon, átomo, molécula ou biomolécula. Definir
os possíveis interferentes, o tipo de amostra, qual a quantidade de amostra necessária
e qual a faixa de concentração que, normalmente, o analito é encontrado na amostra.

ESCOLHA DO MÉTODO ANALÍTICO ADEQUADO

Avaliar se o analito é um componente majoritário (métodos clássicos) ou minoritário/traço


(métodos instrumentais). Verificar os componentes presentes na amostra (interferentes).

AMOSTRAGEM

É a etapa capaz de selecionar uma amostra bruta que seja representativa de um lote
ou uma população a ser investigada. Deve refletir de forma correta as propriedades de
interesse.

PREPARO DE AMOSTRA

É a fase que visa converter a amostra bruta em amostra de laboratório homogênea.


Este processo é no qual se dedica mais tempo e se comete mais erros.

CALIBRAÇÃO E MEDIDA

Medir a concentração do analito em alíquotas idênticas (conhecidas como replicatas)


para verificar a incerteza da análise. Pode ser que seja necessário realizar um trata-
mento de dados para obtermos a concentração do analito na amostra em questão.
Um exemplo, seria a construção de uma curva de calibração.

AVALIAÇÃO

Verificar se os valores encontrados estão dentro do esperado. Caso não, pode se fazer ne-
cessária a repetição da análise pelo mesmo método ou até mesmo por um método distinto.

AÇÃO

Emissão de laudo com os resultados da análise.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 1

Para concluirmos, devemos saber interpretar o objetivo da análise que se pretende fa-
zer e, com isso, definir se a análise a ser feita será qualitativa ou quantitativa.Vamos lá?

■ Quais os tipos de analitos que devem ser analisados?

Ao definirmos o analito ou os analitos de interesse podemos prever possí-


veis reações químicas e seu comportamento na amostra. Em seguida, é ne-
cessário avaliar se o interesse é identificar o analito(s) e/ou quantificá-lo(s).

■ Qual a concentração prévia do analito na amostra?

Não sabemos a concentração exata do analito, contudo, é possível ava-


liarmos previamente se este está presente de forma majoritária ou mi-
noritária. Mediante esta conclusão, selecionamos o método de análise.

■ Quais são as propriedades deste analito?

Devemos avaliar qual ou quais propriedades o analito de interesse tem


(se conduz corrente elétrica, se possui carga, se interage com a luz, dentre
outras). A partir dessa informação é possível definir o método de análise
a ser aplicado.

■ Outras substâncias podem interferir no método escolhido?

Alguns compostos podem responder ao método analítico selecionado


como se fosse o analito, contudo, não é, seria um interferente. É importante
minimizar os efeitos de interferentes e uma maneira de garantir a exatidão
do método escolhido seria utilizar de ferramentas analíticas de calibração.
Um exemplo seria o método da adição do padrão.

■ Quantas amostras serão analisadas? O método é rápido o suficiente?

O número de amostras, o número de replicatas deve ser considerado


de acordo com o tipo de análise e equipamentos. Mais de um método

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U N I AS S E LVI

pode se encaixar na determinação de um analito, contudo, os custos e


o tempo de análise devem ser considerados. Além, claro, dos possíveis
interferentes.

■ A quantidade de amostra é suficiente para a análise e suas replicatas?

Deve ser levado em consideração o número de replicatas e o armazena-


mento de contraprova, e se a quantidade de amostra não for suficiente,
outra forma de análise deve ser considerada. Os métodos clássicos pre-
cisam de maior massa que os métodos instrumentais.

ESTEQUIOMETRIA E CÁLCULOS ESTEQUIOMÉTRICOS

Vimos que reações químicas acontecem tanto em análises qualitativas quanto em


quantitativas e alguns conceitos associados a elas são importantes e merecem ser
comentados. Considere a seguinte reação química balanceada:
C 2 H 6O ( aq )   g)  2CO2(g)  3H2O(l)

O número que está a frente de cada molécula é o coeficiente estequiométrico, que


está relacionado ao número de mols ou moléculas. Além dele, podemos citar o
índice inferior, o qual está sempre à direita de cada átomo e indica quantos átomos
de determinado elemento a molécula possui. Esse valor não muda ao balancear
uma equação. A Figura 4 mostra de forma clara esses elementos.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 1

Coeficiente Figura 4 – Coeficiente estequiométrico e índice


inferior / Fonte: a autora.
estequiométrico
Descrição da Imagem: na imagem está repre-
sentada uma molécula de dióxido de carbono

2CO 2 (CO2) dentro de um círculo verde, sendo o número


dois à esquerda da molécula classificado como
coeficiente estequiométrico e o dois na parte
inferior direita classificado como índice inferior.
Índice inferior Fim da descrição.

Assim, podemos descrever, da seguinte forma, a molécula representada na Figura 4: há


dois mols (ou moléculas) de CO2, em que cada uma possui um carbono e dois átomos
de oxigênio, sendo um total de dois átomos de carbono e quatro átomos de oxigênio.
Existem elementos/substâncias com carga, conhecidos como íons. Os íons
podem ter carga positiva (cátions) ou carga negativa (ânions). Os cátions são
formados quando há perda de elétrons, e os ânions, quando há ganho de elétrons.
Lembre-se: os elétrons possuem carga negativa.
Vamos extrair as informações da Equação 1 para entender e aplicar os con-
ceitos de cálculo estequiométrico.
Equação 1 – reação química para extrair informações e aplicar estequiome-
tria:
Cr(aq3 )  3OH (aq )  Cr (OH )3( s )

1 mol 3 mols 1 mol


Massa Molar MM= 51g/mol MM= 103 g/mol
(MM)= 52 g/mol

Temos a reação do íon cromo (III) com o radical hidroxila, formando o sólido
hidróxido de cromo (III). Também estão descritos o número de mols de cada
composto e sua respectiva massa molar (MM).
Dizemos que, para cada 52 g (valor em gramas para um mol) de Cr (III), são
necessários 51 g de radicais hidroxilas para formar 103 g de hidróxido de cromo
(III), contudo, se não tivermos essas quantidades exatas, a reação aconteceria?
Sim, mas a quantidade de produto formado seria diferente. Vamos verificar tal
fato por meio da Equação 2, na qual iremos considerar que possuímos 10 g de Cr

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U N I AS S E LVI

(III). Para identificar qual a quantidade de íons (OH)- que precisaremos e qual a
quantidade de produto será formado, utilizaremos regra de três simples.
Equação 2 – aplicação de cálculo estequiométrico:
Cr(aq3 )  3OH (aq )  Cr (OH )3( s )

52 g ________ 51g
10 g _________ x
52 x = 51.10
x = 9, 8 g

Realizamos o cálculo estequiométrico para identificar qual a quantidade de ra-


dicais hidroxila é necessária para reagir com 10g de Cr (III), obtendo como re-
sultado o valor de 9,8 g de íons (OH)-.
Concluímos, então, que são necessários 9,8 g de (OH)- para reagir com 10
g de Cr (III). Outra questão que pode ser feita é: qual a quantidade de produto
gerado a partir de 10 g de Cr (III) ou 9,8 g de (OH)-? A Equação 3 mostra como
este cálculo é feito.
Equação 3 – aplicação de cálculo estequiométrico:
Cr(aq3 )  3OH (aq )  Cr (OH )3( s )

52 g ________ 103 g
10 g ________ x
52 x = 103.10
x = 19, 8 g

Realizamos o cálculo estequiométrico para identificarmos qual a quantidade de


hidróxido de cromo (III) é produzido a partir de 10 g de Cr (III). Obtendo como
resultado o valor de 19,8 g de Cr (OH)3.
Se nosso ponto de partida fosse 9,8 g de (OH)-, o cálculo seria feito de forma
similar, portanto, são formados 19,8 g de Cr (OH)3 a partir de 10 g de íons Cr
(III) (ou a partir de 9,8 g de (OH)-).
Até aqui, trabalhamos com substâncias nos estados aquoso, sólido ou líquido.
Quando os compostos estiverem no estado gasoso, os cálculos estequiométricos se
diferem um pouco. Devemos considerar, para substâncias gasosas, que, para cada
mol destas, é produzido cerca de 22,4 L delas. Vejamos uma aplicação na Equação 4.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 1

Equação 4 – cálculo estequiométrico envolvendo substâncias gasosas:


2Ca(aq
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)  O2( g )  2CaO( s )

MM Ca= 40 g/mol MM= 32 g/mol MM= 56 g/mol


2 mols de Ca – 80 g 2 mols de CaO- 112 g
80 g _________ 22, 4 L
20 g _________ x
x = 5, 6 L

Realizamos o cálculo estequiométrico envolvendo o gás oxigênio. Temos os va-


lores de MM de todos os compostos envolvidos na reação química e, em seguida,
calculou-se qual o volume de O2 necessário para que a reação completa aconteça
a partir de 20 g de íons Ca+2. Obtendo como resultado o valor de 5,6 L de O2.
Para iniciar o cálculo estequiométrico, devemos calcular as MM de todas
as substâncias envolvidas. A partir desses valores, podemos executar o cálculo.
A ideia é descobrir qual o volume de O2 necessário para que a reação completa
aconteça, partindo de 20g de Ca+2. Verificamos que são necessários 5,6 L de O2.

SOLUÇÕES ELETROLÍTICAS

Como as soluções são caracterizadas? Solução é uma mistura homogênea de duas


ou mais substâncias. Usualmente, o composto presente em maior quantidade na
solução é denominado solvente, enquanto as outras substâncias são chamadas
de soluto. Em química analítica, há um solvente que é conhecido como solvente
universal: a água. A água possui excelentes propriedades físicas e químicas, as
quais permitem que a água seja um ótimo solvente para um grande número de
substâncias químicas.
No Quadro 1, é possível verificar exemplos de estado físico de solventes e
solutos, a depender do estado físico da solução. A solução pode ser encontrada
no estado sólido, líquido ou gasoso.

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U N I AS S E LVI

ESTADO
ESTADO FÍSICO ESTADO FÍSICO DO
FÍSICO DO EXEMPLO
DA SOLUÇÃO SOLUTO
SOLVENTE

Gás Gás Gás Ar atmosférico

Líquido Líquido Gás Oxigênio na água

Líquido Líquido Líquido Álcool + água

Sólido Sólido Gás Hidrogênio no paládio

Sólido Sólido Sólido Prata no ouro

Quadro 1 – Estado físico da solução, soluto e solvente, exemplos / Fonte: a autora.

ZO O M N O CO NHEC I M ENTO

• Mistura homogênea: apresenta uma única fase, por exemplo: ar atmosférico.


• Mistura heterogênea: apresenta duas ou mais fases (por exemplo: água e
areia).

As soluções possuem uma importante propriedade físico-química, que é a con-


dutividade elétrica: capacidade das soluções em conduzir corrente elétrica devido
à movimentação de íons presentes nestas. As soluções que possuem essa carac-
terística (permitem a passagem de corrente elétrica sem alterar sua composição)
são conhecidas por eletrólitos. Os sólidos iônicos solúveis em água são exemplos
deste tipo de solução, também conhecida como solução eletrolítica.
Existem compostos que, em contato com o solvente, não formam íons, neste
caso, são chamados de não eletrólitos. As soluções com essas características são
conhecidas como não eletrolíticas.
Um resumo, de forma didática, sobre o que acabamos de discutir pode ser visto em:

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 1


[...] solução eletrolítica composta por íons e carga é capaz de con-
duzir corrente elétrica e, portanto, acender uma lâmpada, enquanto
a não eletrolítica, que não possui cargas em solução, não é capaz de
conduzir e, portanto, não é capaz de acender a lâmpada (GUARDA,
2019a, p. 27).

Quando acontece a dissolução de um sólido em um solvente formando uma


solução, por exemplo, dissolução de NaCl em H2O, significa que a atração entre
o solvente e os íons é maior que entre os próprios íons da rede cristalina. Assim,
quando separados da estrutura cristalina original, os íons do sal são rodeados por
moléculas de água. Este processo, em que o solvente cerca o soluto, é conhecido
por solvatação e se o solvente for água, chama-se hidratação.

E M FO CO

Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar a respeito deste
tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

NOVOS DESAFIOS
Finalizamos este tema de aprendizagem. Conversar sobre alguns conceitos abor-
dados pode contribuir com seu percurso rumo à formação profissional.
A química analítica é uma área de conhecimento que possui diversas aplica-
ções em diferentes ramos: Biologia, Medicina, Química, Física, Agricultura, den-
tre outros. Por meio de um método analítico, podemos identificar e quantificar
analitos de interesse.
Essa estratégia permite identificar, por exemplo, contaminantes em amostras de
água e associar possíveis doenças, mortes de animais/plantas, surgimento de deficiên-
cias, a presença dessas substâncias. Como na situação-problema citada, em que foi
possível analisar Cr (VI) em amostras de água por meio da espectrometria atômica.
Você está pronto para aplicar os conhecimentos até aqui adquiridos! Você
está preparado para analisar qual método analítico deve ser aplicado, verificar
as reações envolvidas e ainda falar da condutividade elétrica de algumas solu-
ções. Agora, é se desafiar!

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AUTOATIVIDADE

1. A química analítica está relacionada à separação, identificação e determinação das quan-


tidades relativas dos componentes de uma amostra.

Baseado em seus conhecimentos de análises químicas, verifique as sentenças a seguir:

I - A análise química a ser escolhida está relacionada com o tipo de analito e sua possível
quantidade na amostra.
II - Matriz são todos os constituintes da amostra, incluindo o analito.
III - A análise qualitativa está relacionada à identificação do analito, e não à sua quantificação.
IV - A etapa de pré-tratamento da amostra não possui influência no resultado da análise.

Assinale a alternativa correta:

a) Somente I.
b) I e IV.
c) I, II e III.
d) I e III.
e) II, III e IV.

2. A química analítica pode ser dividida em duas vertentes: química analítica qualitativa e
quantitativa. A qualitativa visa identificar o analito de interesse e não o quantificar (a quan-
titativa quantifica). Existem, por exemplo, os métodos clássicos, capazes de identificar um
analito por meio de reações químicas.

Com relação à química analítica, tipos de análises químicas e estequiometria, assinale a


alternativa correta:

a) Qualquer análise química não deve levar em consideração a pureza dos reagentes uti-
lizados.
b) Quando desejamos descobrir a quantidade de um determinado elemento em uma amos-
tra, devemos realizar uma análise do tipo quantitativa ou qualitativa.
c) Na análise química quantitativa, podemos optar pelos métodos clássicos ou instrumen-
tais, de acordo com a quantidade do analito presente na amostra.
d) Análise química qualitativa envolve medidas instrumentais, e não reações químicas.
e) Deve-se levar em consideração a quantidade de analito somente para métodos instru-
mentais.

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AUTOATIVIDADE

3. As soluções são caracterizadas como um tipo de mistura, contendo apenas uma fase,
podem existir em diferentes estados físicos e podem ou não conduzir corrente elétrica.

Assinale a alternativa correta, baseado em seus conhecimentos de soluções.

a) Solução é classificada como toda e qualquer mistura heterogênea.


b) Soluto é o componente de menor quantidade e solvente é o de maior quantidade em
uma solução.
c) Soluções são somente para substâncias líquidas.
d) Soluções ditas eletrolíticas não conduzem corrente elétrica.
e) Misturas homogêneas apresentam somente duas fases, enquanto as heterogêneas apre-
sentam três ou mais.

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REFERÊNCIAS

GUARDA, A. Química analítica qualitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019a.

GUARDA, A. Química analítica quantitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019b.

HARRIS, D. C. Análise química quantitativa. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012.

SKOOG, A. D. et al. Fundamentos de química analítica. 8. ed. São Paulo: Thomson, 2006.

VASCONCELOS, N. M. S. Fundamentos de química analítica quantitativa. 2. ed. Fortaleza: Edi-


tora UECE, 2019.

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GABARITO

1. Alternativa D.

II. Incorreta. Matriz é caracterizada como amostra – analito.


IV. Incorreta. A etapa de pré-tratamento influencia no resultado da análise, ela pode, por
exemplo, concentrar o analito na amostra.

2. Alternativa C.

Na análise química quantitativa, podemos optar pelos métodos clássicos ou instrumentais,


de acordo com a quantidade do analito presente na amostra.
A. Incorreta. A pureza dos reagentes deve ser considerada em análises químicas.
B. Incorreta. Para descobrir a quantidade de um analito, a análise indicada é a quantitativa.
D. Incorreta. Análises qualitativas podem envolver reações químicas.
E. Incorreta. A concentração do analito deve ser considerada sempre.

3. Alternativa B.

Soluções são somente para substâncias líquidas.


A. Incorreta. Soluções são misturas homogêneas.
C. Incorreta. As soluções podem ser líquidas, gasosas ou sólidas.
D. Incorreta. Soluções eletrolíticas conduzem corrente elétrica.
E. Incorreta. Misturas homogêneas apresentam apenas uma fase e heterogêneas duas ou
mais.

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MINHAS ANOTAÇÕES

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TEMA DE APRENDIZAGEM 2

EQUILÍBRIO QUÍMICO

MINHAS METAS

Definir equilíbrio químico.

Compreender conceitos associados ao equilíbrio químico.

Conhecer teorias envolvendo ácidos e bases.

Entender ácidos e bases no equilíbrio químico.

Explicar e reconhecer uma solução tampão.

Aplicar conceitos de solução tampão.

Definir e aplicar produto de solubilidade.

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U N I AS S E LVI

INICIE SUA JORNADA


Ao explorarmos as complexidades da química analítica quantitativa e qualitativa,
mergulhamos em um mundo onde os elementos, assim como em nossa vida
cotidiana, buscam constantemente um estado de equilíbrio dinâmico.
Analogamente à nossa busca por harmonia pessoal, na química, encontra-
mos o fenômeno conhecido como equilíbrio químico, mas, o que realmente
significa este termo intrigante e como podemos reconhecer suas manifestações
nas reações químicas?
Essas são as questões que nos propomos a desvendar neste tema, abrindo
portas para uma compreensão mais profunda das nuances que regem as trans-
formações químicas e suas manifestações equilibradas. O equilíbrio químico
ocorre quando reações opostas acontecem com velocidade iguais: a velocidade
com que os produtos formados a partir dos reagentes é igual a velocidade com
que os reagentes se formam a partir dos produtos (BROWN et al., 2016).
Em outras palavras, quando uma reação acontece no sentido direto (reagentes
formando produtos) e no sentido inverso (produtos formando reagentes) em
algum momento ela tende para um estado de equilíbrio, o equilíbrio químico.

P L AY N O CO NHEC I M ENTO

O conceito de equilíbrio químico envolve o conhecimento de diversas funções,


dentre elas, ácidos e bases. Neste podcast, você vai ouvir uma rápida experiência
envolvendo uma simples verdura, que é capaz de identificar os tipos de soluções
caracterizadas como ácidas ou como básicas. Vamos ouvir? Recursos de mídia
disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.

VAMOS RECORDAR?
Para darmos continuidade ao nosso estudo, vamos recordar alguns conceitos
importantes. Buscamos entender o equilíbrio químico, contudo, outros conceitos
vão fazer parte desse nosso aprendizado, como os ácidos e bases. Você se lembra
como classificamos e nomeamos esses compostos? O vídeo Teoria Ácido Base, do
canal Toda Matéria, nos traz uma breve revisão destes conceitos. Acesse: https://
www.youtube.com/watch?v=7F06LPKYeKM.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 2

DESENVOLVA SEU POTENCIAL

EQUILÍBRIO QUÍMICO

As reações químicas são, em sua maioria, reversíveis, que podem acontecer em


maior ou menor extensão, a depender da situação. Reações reversíveis são aquelas
que os reagentes se transformam em produtos e os produtos podem reagir entre
si de tal forma a regenerar os reagentes. Esse tipo de reação acontece nos dois
sentidos indicados, buscando atingir o equilíbrio químico. A reação hipotética,
a seguir, representa o descrito anteriormente:
A+ B � C+D

Existem, também, as reações irreversíveis, que são aquelas em que o produto


formado não consegue regenerar os reagentes. Neste caso, as reações são repre-
sentadas apenas com uma seta, como mostrado a seguir:
A B  C  D

Uma vez que o equilíbrio se estabelece, as concentrações de reagentes e produtos


não variam, porém, mesmo que a composição da mistura em equilíbrio permaneça
invariável com o tempo, não significa que a reação para de acontecer. O equilíbrio
é um equilíbrio dinâmico, ou seja, um pouco de reagente é sempre transformado
em produto, e vice-versa. Assim, na medida em que o equilíbrio é atingido, os dois
processos acontecem na mesma velocidade (BROWN et al., 2016).

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U N I AS S E LVI

AP RO F U NDA NDO

Vale salientar algumas lições que foram discutidas até aqui, de forma a deixar claros
os conceitos aprendidos e que vão ser utilizados daqui para a frente. Quando uma
reação atinge o equilíbrio químico, as concentrações de reagentes e produtos são
variadas com o passar do tempo. Além disso, para que o equilíbrio seja atingido, nem
reagentes, nem produtos podem fugir do sistema. Quando a velocidade da transfor-
mação dos reagentes em produtos é igual à velocidade da transformação dos produ-
tos em reagentes, o equilíbrio químico é atingido. Após atingir esse estado, somente
fatores externos podem perturbar o sistema para que ele se afaste desta posição.

Considere a seguinte reação química balanceada:


3 H 2( g ) + N 2( g ) � 2 NH 3( g )

A Figura 1 representa o gráfico da variação da concentração com o tempo dessa


reação.

Figura 1 – Gráfico da variação da concentração / Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rea-


cao_de_equilibrio_(concentracoes).png?uselang=pt-br. Acesso em: 16 abr. 2024.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 2

Descrição da Imagem: a imagem apresenta um gráfico de eixo X e Y, O eixo vertical (Y) representa a concen-
tração das substâncias, enquanto o eixo horizontal (X) indica o tempo decorrido. Nele há três linhas coloridas,
sendo que a linha amarela representa o gás hidrogênio, a linha roxa o gás nitrogênio (ambos reagentes) e a linha
verde o gás amônia (produto). É possível observar que a concentração dos reagentes, H2 e N2, está diminuindo
à medida que a reação acontece, enquanto a do produto, NH3, está aumentando, contudo, ao atingir o equilíbrio
(momento representado pela linha tracejada vertical) a concentração de reagentes e produtos permanece cons-
tante. Fim da descrição.

É possível observar que, a princípio, ocorre aumento na concentração do produto


(NH3) ao mesmo tempo em que acontece o consumo dos reagentes (H2 e N2).
Com o avançar do tempo, podemos visualizar que as quantidades de reagentes
e produtos ficam constantes: a quantidade de produto para de aumentar e os
reagentes param de ser consumidos. Significa que a reação atingiu o seu estado
de equilíbrio, este momento é indicado pela linha vertical tracejada na Figura 1.

As propriedades macroscópicas como, cor, estado físico, volume etc., permanecem


constantes quando a reação atinge o equilíbrio químico. A olho nu não se percebe
nenhuma alteração no sistema. Além disso, as concentrações de todas as
substâncias existentes no equilíbrio permanecem constantes ao longo do tempo.
Sendo possível caracterizar o equilíbrio por meio de um número, a constante de
equilíbrio, a qual indica a relação das concentrações entre reagentes e produtos.

Constante de equilíbrio químico

Como já mencionado, o equilíbrio é um estado dinâmico, no qual as reações


direta e inversa acontecem simultaneamente com a mesma velocidade.
Considere a reação química genérica reversível:
aA + bB � cC + dD

Em que a, b, c e d são os coeficientes estequiométricos referentes aos reagentes


A e B e produtos B e C. A velocidade da reação é proporcional às concentrações
em mol.L-1 dos reagentes elevadas aos seus coeficientes estequiométricos. A ve-
locidade da reação direta, vd, pode ser representada por:
vd   d [ A]a [ B]b

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U N I AS S E LVI

A velocidade da reação inversa, vi, pode ser expressa como:


vi = Ki [C ]c [ D]d

Em ambas as equações descritas anteriormente, Kd e Ki são constantes de


proporcionalidade que dependem de fatores externos. Quando as velocidades
das reações direta e inversa se tornam iguais, o equilíbrio químico é atingido.
Assim, podemos escrever:
vd = vi
K d [ A]a [ B]b = ki [C ]c [ D]d
K d [C ]c [ D]d
K=
eq =
Ki [ A]a [ B]b

A constante de equilíbrio é adimensional, ou seja, não


A constante
possui unidade. Outra importante observação é que
de equilíbrio é
substâncias em estado sólido ou líquido puro não de- adimensional, ou
vem ser representadas na constante de equilíbrio. Vale seja, não possui
ressaltar que, quanto maior for o valor de Keq, mais pro- unidade.
dutos estarão presentes no equilíbrio, e quanto menor,
mais reagentes estarão presentes. Se Keq>>1, os produtos predominam no equilíbrio
e o equilíbrio encontra-se deslocado à direita, o contrário também é verdadeiro.
Quando as concentrações das substâncias envolvidas na reação são expressas
por mol.L-1 (soluções aquosas) a Keq será denominada por Kc. Já quando o estado
físico for gasoso, trabalha-se com os valores de pressão parcial e, neste caso, a Keq
será chamada de Kp. Podemos relacionar Kp e Kc e, para isto, vamos considerar a
seguinte reação hipotética:
aA( g ) + bB( g ) � cC( g ) + dD( g )

A constante de equilíbrio para essa reação pode ser escrita da seguinte forma:
[ PC ]c [ PD ]d
Kc =
[ PA ]a [ PB ]b

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 2

Sendo possível relacionar Kc e Kp da seguinte maneira:


K p = K c .( RT )Dn

Em que R é a constante universal dos gases (R = 0,082 atm.L.mol-1.K-1), T a tem-


peratura em Kelvin e ∆n a diferença entre a soma dos coeficientes estequiomé-
tricos dos produtos com a soma dos coeficientes estequiométricos dos reagentes
(ATKINS; JONES, 2012).

Constante de equilíbrio do produto iônico (Kw)

A água possui caráter anfótero (pode atuar tanto como ácido tanto como base),
é um eletrólito fraco e se ioniza segundo a equação:
H 2O � H 3O    
K w  [ H 3O  ][OH  ]
Na qual Kw é denominada de constante de produto iônico da água e, a 25 °C, tem
o valor de 1,008x10-14. Na relação estequiométrica da equação de autoionização
da água temos:
[ H 3O  ]  [OH  ]  107 mol.L1

P E N SA N D O J UNTO S

Você se lembra como calculamos pH e como podemos classificá-lo?

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U N I AS S E LVI

Constante de equilíbrio de dissociação ácida (Ka) e básica (Kb)

Os ácidos e as bases podem ser classificados como fortes ou fracos, isso depende
da extensão de sua reação com a água. Essa força está associada à capacidade que
um ácido tem em doar ou que uma base tem de receber prótons.

AP RO F U NDA NDO

Quando acontece a dissociação de um ácido ou de uma base, estes dão origem aos
seus pares conjugados, que são: ácido dá origem a uma base conjugada e a base dá
origem a um ácido conjugado. A equação química a seguir demostra esse conceito.

HA  H 2O � H 3O   A 

A  H 2 O � OH   HA

Sendo HA e A- pares conjugados, na primeira representação, temos a dissociação


de um ácido e, na segunda, de uma base. Se um ácido tem grande tendência em
doar prótons, a sua base conjugada tem, necessariamente, pouca tendência em
receber prótons, e vice-versa.

Considere a seguinte dissociação de um ácido hipotético:


HA( aq )  H 2O(l ) � H 3O(aq )  A(aq )
[ H 3O  ][ A ]
Ka 
[ HA]

Sendo Ka a constante de dissociação ácida.


De forma análoga, considere a seguinte dissociação da base:
NH 3( aq )  H 2O(l ) � NH 4( aq )  OH 

[ NH 4 ][OH  ]
Kb 
[ NH 3 ]

Kb é a constante de dissociação básica.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 2

Constante de equilíbrio do produto de solubilidade (Kps)

Quando acontece a precipitação de um sólido em solução, significa que a solução


atingiu a situação de saturação, portanto, as espécies solúveis na solução saturada
estão em equilíbrio com seu sólido.
Considere a seguinte reação química para representar esse conceito:
PbCl2( s ) � Pb(aq
2 
)  2Cl( aq )

K ps  [ Pb 2 ][Cl  ]2

A constante de equilíbrio de solubilidade é representada por Kps.

TEORIAS ÁCIDO-BASE

Apenas a título de curiosidade, as substâncias que são caracterizadas como ácidas,


geralmente, possuem um gosto azedo e causa mudança de cor em pigmentos.
Enquanto aquelas conhecidas por básicas têm gosto amargo e sensação escorre-
gadia. Veremos algumas teorias que definem se um composto é ácido ou básico.

Teoria ácido-base de Arrhenius

Na teoria de Arrhenius, ácidos são substâncias que contêm hidrogênio em sua


fórmula e em solução aquosa se dissociam ou ionizam, formando íons H+. Já as
bases são definidas como sendo substâncias que possuem a hidroxila em sua
fórmula e se dissociam, formando íons OH-. Podemos representar tal teoria es-
quematicamente da seguinte forma:
H 2O
Ácidos : HA  H    

H 2O
Bases : BOH  B   OH 
A teoria de Arrhenius, contudo, possui como limitação que somente se aplica
a soluções aquosas e não considere o papel ativo que o solvente possui quando
alguma substância se dissocia ou ioniza.

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U N I AS S E LVI

Ainda nesta teoria, uma reação de neutra-


lização de um ácido com uma base pro-
duz H2O, visto que combinamos os íons
H+ com OH-, como demostrando a seguir:
H   OH  � H 2O

A fim de suprir as limitações da teoria de


Arrhenius, outras teorias foram propostas.

Teoria ácido-base de
Brönsted-Lowry

Na teoria de Brönsted-Lowry, os ácidos


são espécies químicas capazes de doar
prótons, enquanto as bases são aque-
las capazes de receber prótons em uma
reação química. Neste caso, quando um
composto caracterizado como ácido perde um próton, gera uma espécie química
deficiente de próton, que, por sua vez, se comporta como uma base. O ácido e a
sua base correspondente formam um par ácido-base conjugado.
Nesta teoria, as reações ácido-base não estão limitadas apenas à água, como na
teoria de Arrhenius; aqui, elas podem acontecer com outros solventes de caráter áci-
do ou básico. Para entendermos melhor essa teoria, vejamos as aplicações a seguir:

HCl  C2 H 5OH � C2 H 5OH 2  Cl
Ácido1 Base2 Ácido2 Base1

HCl  H 3CCOOH � H 3CCOOH 2  Cl 


Ácido1 Base2 Ácido2 Base1

Aquelas substâncias conhecidas como anfóteras podem se comportar tanto como


ácido quanto tanto como bases, um exemplo é a água.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 2

Teoria ácido-base de Lewis

A teoria de Lewis é baseada na doação ou recebimento de pares de elétrons, sendo


mais utilizada em química orgânica, visto que alguns compostos orgânicos não
possuem prótons para serem trocados.
Ácidos seriam espécies receptoras de par de elétrons, as bases doadoras de
par de elétrons.

E XE M P L IF I C A NDO

Vamos exemplificar a teoria de Lewis para facilitar nosso entendimento.

  
Fe(3aq )  SCN ( aq ) � Fe( SCN )2( aq )
Ácido Base
de de
Lewis Lewis

O ácido recebe par de elétrons, enquanto a base doa par de elétrons.

SOLUÇÃO TAMPÃO

A solução conhecida por solução tampão é aquela


preparada utilizando um ácido fraco (ou base fraca) Efeito tampão é a
na presença de sais de sua base conjugada (ou ácido resistência que uma
conjugado). O efeito tampão é a resistência que uma solução possui a
solução possui a mudanças em seu pH, ao se adicionar mudanças em seu pH
pequenas quantidades de ácido ou base.
Os tampões ácidos são aqueles preparados com áci-
do fraco/base conjugada que resultam em pHs < 7. Analogamente, tampões básicos
são soluções reparadas com base fraca/ácido conjugado que resultam em pH > 7.
Este tipo de solução é importante, por exemplo, em sistemas biológicos, in-
cluindo o sistema humano, visto que o pH do nosso sangue deve se manter na
faixa de 7,37 a 7,44. Os mamíferos possuem tampões dentro e fora das células
para manter o pH do nosso sangue na fixa indicada.
Vamos aplicar o conceito de solução tampão, assim, fica claro como este tipo
de solução funciona.

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U N I AS S E LVI

Considere as dissociações:
H 2CO3  H 2O � H 3O   HCO3
Ácido
carbônico

HCO3  H 2O � OH   H 2CO3
Íon
bicarbonato

O ácido carbônico perde um próton, em solução aquosa, já o íon bicarbonato


(base) receberá um próton proveniente da água. Mediante essas equações, po-
demos verificar o que acontece quando temos uma solução contendo um ácido
fraco e sua base conjugada – solução tampão.
Se adicionarmos ácido ao sistema anteriormente descrito, o que acontece?
Vejamos:
deslocamento

H 2CO 3  H 2O � H 3O   HCO3

Adição
de
ácido

Ao adicionarmos ácido à solução, estamos aumentando a concentração de íons H+


(ou H3O+). Ao aumentarmos a concentração de um produto da reação, pelo princí-
pio de Le Chatelier, deslocando o equilíbrio no sentido de formação de reagentes.
A adição de um ácido forte, desloca o equilíbrio no sentido de formação de
reagentes, formando, assim, o ácido fraco H2CO3. Dessa forma, a dissociação de
ácido fraco é incompleta, ou seja, poucos íons H+ estão livres em solução, permi-
tindo que o pH não se altere. A adição de uma base funciona de forma análoga.
É possível calcular o pH de uma solução tampão, utilizando a equação de
Henderson-Hasselbach, representada a seguir:
[baseconjudada ]
pH  pK a  log
[ácido fraco ]

pka   log ka

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 2

E U IN D ICO

No trabalho de Antonio Rogério Fiorucci, Márlon Herbert, Flora Barbosa Soares e


Éder Tadeu Gomes Cavalheiro, O Conceito de Solução Tampão, é possível nos apro-
fundarmos ainda mais neste importante tipo de solução. Acesse: http://qnesc.sbq.
org.br/online/qnesc13/v13a04.pdf.

E M FO CO

Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar a respeito deste
tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

NOVOS DESAFIOS
O conceito de equilíbrio químico possui ampla aplicação nas indústrias, seja em
processos de dissolução elementares ou em operações mais complexas. Adicio-
nalmente, a sua aplicabilidade estende-se a cenários diversos, incluindo intera-
ções que envolvem ácidos, bases e água. Nesse contexto, exploramos três teorias
distintas para classificar substâncias como ácidas ou básicas. Essa abordagem
encontra respaldo na utilização da escala de pH, exemplificada pela necessidade
de monitorar o pH ao realizar a limpeza de piscinas.
Concluímos nossa temática com o conceito de solução tampão, cuja impor-
tância é notável e abrangente. Um exemplo elucidativo reside na manutenção do
pH sanguíneo, situado entre 7,37 e 7,44, evidenciando a sua aplicabilidade crítica.
A partir desse ponto, você estará capacitado a aplicar esses conceitos em variados
contextos com destreza.

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AUTOATIVIDADE

1. Equilíbrio químico estuda reações reversíveis, sendo que um sistema em equilíbrio repre-
senta um estado dinâmico. Para que o equilíbrio químico se estabeleça, é necessário que
o sistema esteja fechado e que a temperatura e pressão permaneçam constantes.

Com relação ao equilíbrio químico, assinale a alternativa correta:

a) O equilíbrio químico pode ser definido como a igualdade da velocidade da reação direta
e inversa. Além disso, dizemos que o equilíbrio químico é dinâmico, ou seja, as reações
direta e inversa acontecem simultaneamente na mesma velocidade.
b) Em uma reação em equilíbrio químico, as quantidades de reagentes e produtos devem
ser obrigatoriamente iguais.
c) No cálculo da constante de equilíbrio para substâncias expressas mol.L-1, sua unidade
também será mol.L-1.
d) Independentemente do estado físico da matéria, toda substância deve ser incluída na
constante de equilíbrio químico.
e) Quanto maior o valor da constante de equilíbrio, maior a presença de reagentes na rea-
ção.

2. Há diferentes teorias que definem os ácidos e as bases. Cada teoria utiliza um tipo de
definição que caracteriza as substâncias como ácidas ou básicas. São elas: a teoria de
Arrhenius, Brönsted-Lowry e Lewis.

Baseado nessas teorias e suas definições, analise as afirmativas a seguir:

I - Equilíbrio químico de substâncias ácidas e básicas está relacionado a reações irrever-


síveis.
II - A teoria de Arrhenius, mais conhecida como teoria protônica, leva em consideração a
perda e o ganho de prótons para a classificação de substâncias ácidas e básicas.
III - A teoria de Brönsted-Lowry diz que, ao perder prótons, uma substância é classificada
como ácida e, ao ganhar prótons, é classificada como base.
IV - A teoria de Lewis leva em consideração a doação e o recebimento de pares de elétrons.

É correto o que se afirma em:

a) I, apenas.
b) III e IV, apenas.
c) I e IV, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

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AUTOATIVIDADE

3. A constante de equilíbrio é uma constante obtida a partir das concentrações em mol/L ou


das pressões parciais das substâncias envolvidas no equilíbrio.

Dada a expressão da constante de equilíbrio em termos de concentração de produtos e


reagentes:

[ PNO ]2 [ PO2 ]
Kc =
[ PNO2 ]

A equação química que pode ser representada por essa expressão é:

a) 2 NO2(g) ⇌ 2 NO(g) + O2(g).


b) 2 NO(g) + O2(g) ⇌ 2 NO2(g).
c) NO2(g) ⇌ 2 NO(g) + O2(g).
d) 2 NO2(g) ⇌ NO(g) + O(g).
e) NO(g) + O2(g) ⇌ 2 NO2(g).

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REFERÊNCIAS

ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente.
5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.

BROWN, L. et al. Química a ciência central. 13. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016.

GUARDA, A. Química analítica qualitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019a.

GUARDA, A. Química analítica quantitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019b.

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GABARITO

1. Alternativa A.

O equilíbrio químico pode ser definido como a igualdade da velocidade da reação direta e
inversa. Além disso, dizemos que o equilíbrio químico é dinâmico, ou seja, as reações direta
e inversa acontecem simultaneamente na mesma velocidade.
B. Incorreta. As quantidades de reagentes e produtos não precisam ser iguais.
C. Incorreta. A constante de equilíbrio é adimensional.
D. Incorreta. Substâncias líquidas, as sólidas não entram na constante de equilíbrio.
E. Incorreta. A presença de produtos é maior, e não a de reagentes.

2. Alternativa B.

I. Incorreta. O equilíbrio químico acontece somente em reações reversíveis.


II. Incorreta. Essa teoria é de Brönsted-Lowry.

3. Alternativa A.

A constante de equilíbrio é caracterizada pela pressão parcial dos produtos dividida pela
pressão parcial dos reagentes.

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MINHAS ANOTAÇÕES

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TEMA DE APRENDIZAGEM 3

REAÇÕES QUÍMICAS RELEVANTES

MINHAS METAS

Identificar reações de neutralização.

Classificar as reações de neutralização.

Estabelecer fundamentos teóricos de reações de oxidação e redução.

Entender o que são complexos.

Aplicar o conceito de complexos em reações de complexação.

Compreender a formação de precipitados.

Identificar reações de precipitação.

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U N I AS S E LVI

INICIE SUA JORNADA


As reações químicas estão presentes em tudo, tudo em química envolve reações
químicas. Inclusive, elas estão presentes no nosso cotidiano. Elas podem envolver
compostos orgânicos ou inorgânicos, podem ser simples ou mais complexas,
podem formar precipitado, complexo. Podem, ainda, usar de transferência de
elétrons, elas podem ser neutras. O mundo das reações químicas é imenso, en-
volve diferentes conceitos e aplicações.
Um exemplo simples de reação química presente em nosso cotidiano: quando
o bicarbonato de sódio reage com um ácido, há produção de dióxido de carbono
(CO2). Essas bolhas liberadas são responsáveis pelo crescimento da massa de pães
e bolos (BROWN et al., 2016).
É necessário saber classificar o tipo de reação e entender como e porque elas
ocorrem. Durante uma reação química os átomos são reorganizados, visto que o mes-
mo conjunto de átomos está presente antes e depois da reação (BROWN et al., 2016).

P L AY N O CO NHEC I M ENTO

Quem nunca ouviu falar em corrosão? Este é um processo químico muito comum
em nosso cotidiano. Neste podcast, você pode aprender mais acerca deste assun-
to. Vamos ouvir? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

VAMOS RECORDAR?
Alguns átomos podem ganhar ou perder elétrons. Se acontece a perda de
elétrons, temos a formação de cátion, agora, se há ganho de elétrons, temos a
formação de ânions. Essa transferência de elétrons pode acontecer em uma
reação e, com isso, haverá mudança na carga elétrica das espécies químicas
envolvidas. As cargas elétricas dos átomos envolvidos numa reação química são
denominadas de número de oxidação (NOX). No vídeo NOX – Quer que Desenhe?,
do canal Descomplique, podemos relembrar como se calcula o NOX de diversos
elementos. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=JW89VPpk3Lc.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 3

DESENVOLVA SEU POTENCIAL

REAÇÕES DE NEUTRALIZAÇÃO

Na teoria proposta por Arrhenius, ao se misturar um ácido com uma base acon-
tece a reação de neutralização. De forma geral, quando um ácido reage com
uma base (nas características anteriores) há formação de sal mais água. Vamos
visualizar este conceito:
ácido  base � sal  água

H 2 SO4( aq )   Na (OH )( aq ) � Na2 SO4( s )  H 2O(l )

As reações de neutralização podem ser totais ou parciais. As reações de neutra-


lização total são aquelas em que a quantidade de H+ liberados é a mesma quan-
tidade de OH- liberados, dando origem a um sal neutro. Agora, se tivermos um
número diferente de H+ liberados e OH- liberados, a reação de neutralização é
parcial e pode gerar um sal ácido ou básico.

E XE M P L IF IC A NDO

Considere a seguinte reação:

H 3 PO4( aq )  aOH ( aq ) � NaH 2 PO4( s )  H 2O(l )

Ácido fosfórico tem três hidrogênios ionizáveis, ou seja, ele é capaz de liberar até
três H+, ao mesmo tempo que o hidróxido de sódio só é capaz de liberar um OH-.
Neste caso, acontece uma reação de neutralização parcial e o sal formado é ácido.

A força do ácido e da base, envolvidos na reação, também interfere se o sal for-


mado será neutro, ácido ou básico. Se a reação acontecer entre um ácido forte
e uma base fraca, o sal formado será ácido. Já se tivermos a reação de uma base
forte com um ácido fraco, o sal formado será básico. Analogamente, se a reação
for entre um ácido e uma base fortes, o sal terá caráter neutro.

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U N I AS S E LVI

REAÇÕES DE OXIDAÇÃO E REDUÇÃO (OXIRREDUÇÃO)

A reação de oxirredução acontece quando os reagen-


Quando a reação
tes sofrem variação no número de oxidação (NOX).
envolve a perda de
Quando a reação envolve a perda de elétrons, dizemos
elétrons, dizemos
que a reação é de oxidação e este processo resulta no que a reação é de
aumento do NOX da espécie envolvida. Agora, quan- oxidação
do acontece ganho de elétrons, temos uma reação de
redução e o NOX da espécie envolvida diminui. Uma reação de oxidação tem que
ser sempre acompanhada de uma reação de redução, e vice-versa.
Ainda existem duas importantes nomenclaturas envolvendo reações de oxir-
redução. A espécie que provoca a oxidação é conhecida por agente oxidante,
enquanto a espécie que causa a redução é denominada de agente redutor. É válido
escrever as reações redox em duas etapas, as semirreações, contudo, os dois pro-
cessos sempre acontecem juntos. Vamos considerar as seguintes reações (sentido
direto) para colocar em prática os conceitos discutidos aqui.

2 Fe 3  Sn 2 � 2 Fe 2  Sn 4
agente agente
oxidante redutor

Fe 3  e � Fe 2
semirreação
de
redução

Sn 2 � Sn 4  2e 
semirreação
de
oxidação

Se somarmos as duas semirreações, vamos obter a reação completa representada


anteriormente.
Quando separamos em dois recipientes as espécies doadoras e receptoras de
elétrons e as conectamos por um fio, forçamos a passagem dos elétrons por este
fio. Esse sistema é conhecido como célula galvânica ou pilha galvânica. É assim
que pilhas e baterias funcionam. A Figura 1 mostra a representação esquemática
de uma pilha galvânica.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 3

Figura 1 – Representação esquemática de uma pilha / Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Gal-


vanic_cell_with_no_cation_flow-it.svg. Acesso em: 16 abr. 2024.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta o diagrama de uma célula galvânica (pilha), que é um tipo de célula
eletroquímica que converte energia química em energia elétrica por meio de uma reação redox espontânea. Do
lado esquerdo temos um ânodo de zinco, representado como “Zn(s)”, imerso em uma solução de sulfato de zinco
“ZnSO4 (aq)”. O ânodo libera elétrons e íons de zinco na solução. Do lado direito temos um cátodo de cobre,
representado como “Cu(s)”, imerso em uma solução de sulfato de cobre “CuSO4 (aq)”. O cátodo recebe elétrons e
íons de cobre são depositados nele. No centro da imagem, temos um disco poroso que permite o fluxo de ânions
entre as duas soluções para manter a neutralidade elétrica. As equações químicas indicam as reações de oxidação
no ânodo e redução no cátodo. Fim da descrição.

Na Figura 1, podemos observar a transferência de elétrons pelo fio condutor.


As espécies de zinco (Zn) estão perdendo elétrons, ou seja, estão oxidando, ao
passo que as espécies de cobre (Cu) estão ganhando elétrons, reduzindo. As espé-
cies Zn+2 estão indo para a solução, fazendo com que haja um desgaste da barra
metálica de zinco. Já as espécies Cu+2 estão se acumulando na barra metálica de
magnésio e começam a fazer parte dela. A parte da pilha conhecida como polo,
que recebe elétrons, é chamada de cátodo (polo positivo) e a parte que doa elé-
trons, de ânodo (polo negativo).
Há um tubo que conecta os dois polos da pilha, como representado na Figura
2. Este tubo é conhecido como ponte salina, geralmente possui o formato de U
e contém, em seu interior, uma solução saturada de um sal, tendo como função
a condução de íons.

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U N I AS S E LVI

Figura 2 – Representação da ponte salina


Fonte: https://pl.wikipedia.org/wiki/Plik:Gal-
vanic_Cell.svg. Acesso em: 16 abr. 2024.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta


o diagrama de uma célula galvânica (pilha),
que é um dispositivo que converte energia
química em energia elétrica por meio de
uma reação redox espontânea. Na imagem
há dois recipientes, o recipiente da esquer-
da contém um eletrodo de cobre em uma
solução de sulfato de cobre e o da direita
contém um eletrodo de zinco em uma solu-
ção de sulfato de zinco. Os dois recipientes
estão conectados por uma ponte salina, um
tubo em forma de U que permite o fluxo de
íons e mantém a neutralidade elétrica das
soluções. Um voltímetro está conectado aos
eletrodos para medir a diferença de poten-
cial elétrico entre eles. Fim da descrição.

Quando colocamos os dois polos de uma pilha em contato, cria-se uma diferença
de potencial (DDP), ou seja, a DDP é a diferença entre a energia potencial elétrica
entre os dois polos da pilha. A unidade de medida da DDP é volts (V).

Um questionamento que podemos fazer neste momento é porque os elétrons


saem do polo onde temos zinco e vão para o polo onde temos o cobre (Figura
1)? Para respondermos tal questionamento, avaliamos qual espécie química pos-
sui maior tendência em reduzir e esta avaliação é feita por meio dos potenciais
padrão de redução. O valor do potencial padrão de redução (E°) nos informa a
tendência que aquela espécie tem em reduzir. Esses valores são tabelados e, na
Tabela 1, é possível vermos alguns desses potenciais.

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SEMIRREAÇÃO Eº(V)

Al3+ + 3 e- ⇌ Al(s) -1,677

Zn2+ + 2 e- ⇌ Zn(s) -0,762

Cd2+ + 2 e- ⇌ Cd(s) -0,402

AgI(s) + e- ⇌ Ag(s) + I- -0,152

2 H+ + 2 e- ⇌ H2(g) 0,000

Sn4+ + 2 e- ⇌ Sn2+ 0,141

VO2+ + 2 H+ + e- ⇌ V3+ + H2O 0,337

Fe3+ + e- ⇌ Fe2+ 0,771

O2(g) + 4 H+ + 4 e- ⇌ 2 H2O 1,229

MnO4- + 8 H+ + 5 e- ⇌ Mn2+ + 4 H2O 1,507

Tabela 1 – Lista abreviada dos potenciais padrão de redução / Fonte: adaptada de Harris (2012).

Quanto maior o valor de E°, maior é a tendência em se reduzir.


É possível relacionar o potencial de uma pilha com a concentração dos íons
presentes na solução por meio da equação de Nernst.
0, 0592 [espécieoxidada ]
E  Eº  log
n [espéciereduzida ]

Sendo E o potencial de um polo da pilha (cátodo ou ânodo), E° o potencial pa-


drão de redução e n o número de elétrons envolvidos na equação. A DDP (∆E ou
fem) é dada pela diferença entre os valores do potencial de cada polo da pilha:
DE  Ecátodo  Eânodo

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REAÇÕES DE COMPLEXAÇÃO

As reações de complexação envolvem um tipo de composto denominado complexo.


Complexo é o resultado da associação de duas ou mais espécies, sendo uma ligante
que cede pares de elétrons (base de Lewis) e a outra, normalmente, um íon metálico,
que os aceita para completar sua configuração eletrônica (ácido de Lewis). As espécies
doadoras devem ter pelo menos um par de elétrons livre para formação da ligação.

E XE M P L I FI C A NDO

• Alguns exemplos de complexos:


• água: aquocomplexos [Ni(H2O)6]+;
• amônia: aminocomplexos [Ag(NH3)2]+;
• íons haleto: complexos halogenados [FeCl6]-3.

Os ligantes são classificados de acordo com o número de pares de elétrons dis-


poníveis para a reação. Os ligantes monodentados são aqueles que dispõe de
apenas um par de elétrons (NH3, Cl-, H2O), enquanto os ligantes polidentados
possuem dois ou mais pares de elétrons (etilenodiamina – NH2CH2CH2NH2). Os
ligantes polidentados são conhecidos como agentes quelantes e seus complexos
são denominados de quelatos. A estabilidade desses complexos é maior do que
de complexos obtidos a partir de ligantes monodentados. Os quelatos podem ter
cargas ou não. Os quelatos neutros se caracterizam por sua alta solubilidade em
solventes orgânicos, os que possuem carga positiva ou negativa são solúveis em
água e são utilizados em processo de mascaramento.
O processo de mascaramento, também conhecido como masking, em inglês,
é um conceito importante na química analítica. Ele se refere à técnica de proteger
certas espécies químicas em uma solução para evitar que elas reajam durante uma
reação química. O mascaramento é frequentemente usado para melhorar a seleti-
vidade de reações, permitindo que os químicos controlem quais espécies químicas
participam da reação. Isso é feito adicionando um agente de mascaramento que
se liga à espécie química que se deseja proteger, formando um complexo estável
que não participa da reação. Após a reação, o agente de mascaramento pode ser
removido em um processo chamado “desmascaramento”, permitindo que a espécie
química protegida possa ser analisada ou reaja em etapas subsequentes.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 3

O complexante mais utilizado em química analítica é o etilenodiaminotetracé-


tico (EDTA), o qual é hexadentado. A Figura 3 apresenta a estrutura química
desse complexo.
Figura 3 – Etilenodiaminotetracético (EDTA)
Fonte: https://commons.wikimedia.org/
wiki/File:EDTA.svg. Acesso em: 16 abr.
2024.

Descrição da Imagem: a imagem apre-


senta a estrutura química do comple-
xante EDTA, largamente utilizado em
química analítica. Fim da descrição.

O número de ligação covalentes


que um cátion tende a formar
com doadores de elétrons é co-
nhecido como número de coordenação e tem como valores típicos: 2, 4 e 6.
As reações de complexação acontecem em etapas, cuja quantidade é determi-
nada pelo número de coordenação do íon metálico. Vamos considerar a reação
de um íon metálico M, com um ligante L:

M L� ML
[ ML]
K f1 
[ M ][ L]

ML  L � ML2
[ ML2 ]
Kf2 
[ ML][ L]
.
.
.
MLn1  L � MLn
[ MLn ]
K fn 
[ MLn1 ][ L]

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Sendo Kf a constante de formação ou constante de estabilidade do complexo.


Somando todas as equações anteriores, obtemos a equação global:
M  nL � MLn
[ MLn ]
K fn  bn 
[ M ][ L]n

Na qual βn é a constante global.


No equilíbrio de complexação, é importante levarmos em consideração o
pH do meio, pois este influencia na disponibilidade do ligante. O EDTA, por
exemplo, muda sua forma (protonado ou desprotonado) dependendo do pH do
meio. Existem, nesse complexo, seis possíveis hidrogênios a serem retirados ou
inseridos na molécula: quatro ligados a grupamentos carboxilas e dois ligados aos
nitrogênios. Geralmente, a molécula de EDTA é representada por Y acompanha-
da da carga que o ligante possui dependendo do pH do meio e dos hidrogênios:
H6Y+2, H5Y-, H4Y, H3Y-, H2Y-2, HY-3 e Y-4.
A fração de moléculas disponíveis (α) que estão em uma determinada forma
em um valor de pH é tabelada e deve ser levada em consideração para o cálculo
da constante de equilíbrio. O valor de α deve ser multiplicado por Kf, dando
origem à constante de formação condicional (Kf’). Na Tabela 2, podemos ver os
valores de αY-4 de acordo com o pH.

PH αY-4

1,0 1,3 x 10-23

2,0 2,6 x 10-14

3,0 2,1 x 10-11

4,0 3,0 x 10-9

5,0 2,9 x 10-7

6,0 1,8 x 10-5

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7,0 3,8 x 10-4

8,0 4,2 x 10-3

9,0 4,1 x 10-2

10,0 3,0 x 10-1

Tabela 2 – Valores de α para Y-4 / Fonte: a autora.

EQUILÍBRIO DE PRECIPITAÇÃO

Coeficiente de solubilidade é a quantidade máxima adicionada de soluto a cada


100 g de água. Se continuarmos com a adição de soluto, teremos uma solução
com um corpo de fundo e, neste caso, dizemos que a solução atingiu o equilíbrio,
ou seja, à medida que moléculas do soluto se solubilizam no solvente, outras
retornam ao estado sólido.

E U IN D ICO

Existem diversos conceitos associados as reações de precipitação e para com-


preender melhor tais conceitos, leia o artigo Química Analítica Básica: as reações
de precipitação. Acesse: https://econtents.bc.unicamp.br/inpec/index.php/
chemkeys/article/view/16099/10896.

É fundamental compreender o papel dos complexos na Química Analítica, es-


pecialmente na formação de quelatos e no processo de mascaramento. O mas-
caramento é uma estratégia crucial para garantir a seletividade das reações quí-
micas, permitindo o controle das espécies envolvidas. Por meio da formação de
complexos estáveis, o mascaramento protege determinadas espécies químicas,
evitando que reajam prematuramente durante as análises.

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U N I AS S E LVI

O EDTA destaca-se como um dos complexantes mais utilizados, devido à


sua alta eficácia e versatilidade. Sua estrutura hexadentada permite a formação
de complexos com uma ampla variedade de íons metálicos, contribuindo signi-
ficativamente para diversas aplicações analíticas.
Além disso, o equilíbrio de complexação é influenciado pelo pH do meio,
uma vez que afeta a disponibilidade dos ligantes e a forma molecular do EDTA.
A compreensão dessas nuances é essencial para uma análise precisa e confiável,
garantindo resultados consistentes e representativos.
Em resumo, as reações de complexação desempenham um papel fundamental na
química analítica, proporcionando métodos eficazes para a determinação e quanti-
ficação de diversas espécies químicas em solução. Ao compreender os princípios e as
aplicações dos complexos, os analistas podem realizar análises mais precisas e confiá-
veis, contribuindo para avanços significativos em diversas áreas da ciência e tecnologia.

E M FO CO

Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar a respeito deste
tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

NOVOS DESAFIOS
Existem diferentes tipos de reações químicas, sejam de neutralização, redox,
complexação, precipitação, dentre outras. Agora você já sabe identificar algumas
dessas reações, inclusive identificar quais os compostos mais usados em cada uma
delas. As reações redox fazem parte do nosso cotidiano, por exemplo, na queima
de combustíveis e corrosão de metais.
Indústrias liberam efluentes e estes precisam, muitas vezes, serem neutrali-
zados para um descarte correto e isto é feito por meio do ajuste de pH (reações
de neutralização).
Os desafios de entender as reações químicas são muitos, mas agora você já tem
conhecimento para enfrentar alguns deles. Não deixe de colocá-los em prática!

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AUTOATIVIDADE

1. O hidróxido de sódio [Na(OH)] é considerado uma base forte e o ácido sulfúrico [(H2SO4)]
um ácido forte

2 NaOH + H 2 SO4 � Na2 SO4 + 2 H 2O 2

Com relação à reação equacionada, assinale a alternativa incorreta:

a) Ocorre neutralização das propriedades do ácido e da base.


b) Há a formação de um sal neutro.
c) É chamada de reação de ionização.
d) Um dos reagentes é o hidróxido de sódio.
e) A soma dos coeficientes do balanceamento nesta equação é igual a 6.

2. As reações de neutralização, conforme postuladas pela teoria de Arrhenius, ocorrem quan-


do um ácido reage com uma base. Essas reações podem ser classificadas como parciais
ou totais, resultando na formação de compostos neutros, ácidos ou básicos.

Quando se reage um ácido com uma base, produz-se com a água:

a) Óxido.
b) Sal.
c) Éster.
d) Água oxigenada.
e) Hidrogênio.

3. O permanganato de potássio desempenha um papel importante como agente antimicótico


em diversos tratamentos.

MnO4   8 H   5 e  Mn2  4 H 2O

Observando a equação anterior, o permanganato é:

a) Um agente redutor.
b) Um agente oxidante.
c) Uma forma reduzida.
d) Uma forma oxidada.
e) Um íon positivo.

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REFERÊNCIAS

BROWN, L. et al. Química a ciência central. 13. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016.

GUARDA, A. Química analítica qualitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019a.

GUARDA, A. Química analítica quantitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019b.

HARRIS, D. C. Análise química quantitativa. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012.

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GABARITO

1. Alternativa C. É chamada de reação de neutralização.

2. Alternativa B. A reação de neutralização acontece entre um ácido e uma base, formando


sal mais água.

3. Alternativa B. O íon permanganato, MnO4-, na semirreação equacionada, está sofrendo re-


dução (ganho de elétrons). Ele atua, portanto, como agente oxidante.

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MINHAS ANOTAÇÕES

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UNIDADE 2
TEMA DE APRENDIZAGEM 4

ANÁLISE QUALITATIVA –
IDENTIFICAÇÃO E SEPARAÇÃO
DE CÁTIONS

MINHAS METAS

Aplicar os conceitos de química analítica qualitativa.

Esquematizar etapas de análises.

Determinar o grupo de diferentes espécies químicas.

Avaliar a solubilidade de diversos compostos.

Identificar cátions e ânions de diferentes grupos.

Separar cátions e ânions de diferentes grupos.

Interpretar resultados analíticos qualitativos.

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U N I AS S E LVI

INICIE SUA JORNADA


Há dois segmentos em química analítica: a qualitativa e a quantitativa. A identifi-
cação de diferentes elementos e íons de uma determinada amostra é o objetivo da
química analítica qualitativa. Geralmente, este tipo de análise precede as análises
quantitativas. A aplicabilidade das análises qualitativas é grande, adentrando no
campo da medicina, agronomia, química, biologia, dentre outros.
É possível realizar a identificação e separação de cátions e ânions inorgâni-
cos e isso pode ser feito por meio de uma análise descritiva de quais íons estão
presentes. Esse processo envolve uma série de reações ordenadas e a ordem das
reações é importante no processo de separação.

P L AY N O CO NHEC I M ENTO

A marcha analítica permite a identificação e separação de cátions em diferentes


tipos de amostra. Neste podcast, poderemos entender um pouco mais deste im-
portante assunto e ouvir algumas aplicações. Vamos lá? Recursos de mídia dispo-
níveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.

VAMOS RECORDAR?
Para que possamos iniciar a jornada de identificação e separação de cátions e
ânions, algumas regras de solubilidade em água precisam ser lembradas.
Os sais derivados de ânions de ácidos fracos (HCN, H2CO3, H2S, H3BO3, H3PO4,
CH3COOH), de forma geral, são insolúveis. Em contrapartida, todos os nitratos
(compostos que possuem o íon NO3- em sua composição) são solúveis.
A maioria dos sulfatos (compostos que possuem o íon SO4-2 em sua composição)
são insolúveis (Ba+2 e Sr+2) ou pouco solúveis (Pb+2, Ca+2, Ag+, Hg2+2). Em geral, os sais
dos ânions Cl-, Br- e I- são solúveis, mas há exceções: para Cl- e Br-: Pb+2, Ag+, Hg2+2;
e para I-: Pb+2, Ag+, Hg2+2, Hg+2, Cu+.
Os sais de metais alcalinos (Grupo I da tabela periódica), na sua maioria, são
solúveis. Já os hidróxidos são insolúveis, em geral. Os fosfatos (compostos que
possuem o íon PO4-3 em sua composição) são insolúveis, exceto NH4+ e dos metais
alcalinos.
Para encerrar este momento recordação, os sais de ClO4- são solúveis, exceto K+ e
NH4+, e os fluoretos (F-) são insolúveis, exceto: Ag+, NH4+ e metais alcalinos.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 4

DESENVOLVA SEU POTENCIAL

IDENTIFICAÇÃO E SEPARAÇÃO DE CÁTIONS

A forma mais comum de identificar cátions é por meio da solubilidade de seus


compostos, e, para que seja possível realizar essa identificação, é necessário clas-
sificar os íons de interesse em grupos, baseando-se em algumas propriedades
comuns a todos os íons de determinado grupo em relação ao que chamamos de
reagentes de grupo. Os reagentes de grupo devem ter algumas características,
como: precipitar os cátions do grupo quase que quantitativamente, não podem
precipitar cátions de grupos posteriores, os precipitados formados devem ser
solúveis em ácidos e o excesso de reagente adicionado não deve impedir a iden-
tificação do íon (OLIVEIRA et al., 2006).

GRUPO I

• Reagente do grupo: ácido clorídrico diluído.


• Características: os cátions formam precipitados com o reagente do grupo.
• Cátions do grupo: Pb(II), Hg(I) e Ag(I).

GRUPO II

• Reagente do grupo: sulfeto de hidrogênio, em meio ácido mineral diluído.


• Características: os cátions não reagem com o reagente do grupo anterior, mas
formam precipitados com o reagente deste grupo.
• Cátions do grupo: Hg(II), Pb(II), Cu(II), Bi(II), Cd(II), As(II), As(V), Sb(III), Sb(V), Sn (II) e Sn(IV).

GRUPO III

• Reagente do grupo: sulfeto de hidrogênio, em meio amoniacal.


• Características: os cátions não reagem com os reagentes dos grupos I e II, mas
formam precipitados com o reagente deste grupo.
• Cátions do grupo: Fe(II), Fe(III), Cr(III), Al(III), Co(II), Ni(II), Mn(II) e Zn(II).

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U N I AS S E LVI

GRUPO IV

• Reagente do grupo: carbonato de sódio, em meio amoniacal.


• Características: os cátions não reagem com os reagentes dos grupos anteriores,
mas formam precipitados com o carbonato de amônio, em meio neutro ou leve-
mente básico, ou com carbonato de sódio, em meio amoniacal.
• Cátions do grupo: Ba(II), Ca(II) e Sr(II).

GRUPO V

• Reagente do grupo: não tem reagente específico.


• Características: os cátions têm algumas reações em comum e não reagem com
nenhum dos reagentes de grupo dos grupos anteriores.
• Cátions do grupo: Na(I), K(I), NH4+ e Mg(II).

Reações do grupo I

Os cátions do grupo I formam cloretos insolúveis, de coloração branca. As reações


dos cátions com o agente precipitante estão representadas a seguir:

Ag   Cl   AgCl( s )

Pb 2  2Cl   PbCl2( s )

Hg22  2Cl   Hg2Cl2( s )

Veja a marcha analítica (esquema de análise) para o grupo I.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 4

Figura 1 – Esquema de separação do grupo I / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta o esquema de análise para a separação dos cátions do grupo I. Está
representado um esquema em estilo hierarquia, no qual as setas indicam qual a próxima etapa. Fim da descrição.

Para que seja possível identificar os cátions do grupo I, as etapas descritas na


Figura 1 devem ser seguidas.

Reações do grupo II

Os cátions do grupo II formam sulfetos insolúveis. As reações de alguns cátions


do grupo II com o agente precipitante estão representadas a seguir:

Cu 2  H 2 S  CuS( s )  2 H 

Pb 2  H 2 S  PbS( s )  2 H 

Cd 2  H 2 S  CdS( s )  2 H 

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U N I AS S E LVI

Os cátions deste grupo ainda podem ser divididos em dois subgrupos:


■ Grupo IIA: os cátions (Cu2+, Pb2+, Cd2+, Hg2+ e Bi3+) deste subgrupo for-
mam sulfetos insolúveis na presença de polissulfetos de amônio e hidró-
xido de potássio (KOH).
■ Grupo IIB: os cátions (Sn2+, Sn4+, Sb3+, Sb5+, As3+ e As5+) formam sulfetos solú-
veis na presença de polissulfetos de amônio e hidróxido de potássio (KOH).

O esquema de análise do grupo IIA está representado na Figura 2.

Figura 2 – Esquema de separação do grupo IIA / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta o esquema de análise para a separação dos cátions do grupo IIA. Está
representado um esquema em estilo hierarquia, no qual as setas indicam qual a próxima etapa. Fim da descrição.

Já a marcha analítica para o grupo IIB está representada na Figura 3.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 4

Figura 3 – Esquema de separação do grupo IIB / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta o esquema de análise para a separação dos cátions do grupo IIB. Está
representado um esquema em estilo hierarquia, no qual as setas indicam qual a próxima etapa. Fim da descrição.

Reações do grupo III

Os cátions do grupo III formam sulfetos insolúveis. Este grupo também pode ser
dividido em dois subgrupos:

■ Grupo IIIA: os cátions (Al3+, Cr3+ e Fe3+) deste subgrupo formam hidró-
xidos insolúveis na presença de hidróxido de amônio (NH4OH) e cloreto
de amônio (NH4Cl).
■ Grupo IIIB: os cátions (Mn2+, Co2+, Ni2+ e Zn2+) formam sulfetos solúveis
na presença de Na2S em meio de hidróxido de amônio (NH4OH) e cloreto
de amônio (NH4Cl).

As reações de alguns cátions do grupo III com o agente precipitante estão repre-
sentadas a seguir:
Al 3  3 NH 3  3 H 2O  Al (OH )3( s )  3 NH 4

Co 2  S 2  CoS( s )

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U N I AS S E LVI

O esquema de análise do grupo IIIA está representado na Figura 4.

Figura 4 – Esquema de separação do grupo IIIA / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta o esquema de análise para a separação dos cátions do grupo IIIA. Está
representado um esquema em estilo hierarquia, no qual as setas indicam qual a próxima etapa. Fim da descrição.

Para completar o grupo III, a marcha analítica para o grupo IIIB está representada
na Figura 5.

Figura 5 – Esquema de separação do grupo IIIB / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta o esquema de análise para a separação dos cátions do grupo IIIB. Está
representado um esquema em estilo hierarquia, no qual as setas indicam qual a próxima etapa. Fim da descrição.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 4

Reações dos grupos IV e V

Os cátions do grupo IV formam carbonatos insolúveis em solução, enquanto aque-


les do grupo V não formam cloretos, sulfetos ou carbonatos insolúveis, permane-
cendo no sobrenadante dos outros grupos discutidos até aqui. As reações de alguns
cátions do grupo IV com o agente precipitante estão representadas a seguir:
Ca 2  CO32  CaCO3( s )

Ba 2  CO32  BaCO3( s )

A marcha analítica para o grupo IV está representada na Figura 6.

Figura 6 – Esquema de separação do grupo IV / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta o esquema de análise para a separação dos cátions do grupo IV. Está
representado um esquema em estilo hierarquia, no qual as setas indicam qual a próxima etapa. Fim da descrição.

Dando continuidade, o esquema analítico para o grupo V está representado


na Figura 7.

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U N I AS S E LVI

Figura 7 – Esquema de separação do grupo V / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta o esquema de análise para a separação dos cátions do grupo V. Está
representado um esquema em estilo hierarquia, no qual as setas indicam qual a próxima etapa. Fim da descrição.

A identificação e a separação de cátions são etapas cruciais na análise química.


Por meio da aplicação de reagentes específicos e da observação das reações de
precipitação, é possível agrupar e diferenciar os íons, permitindo uma análise
precisa e sistemática. Ao seguir os procedimentos adequados para cada grupo
de cátions, pode-se obter resultados confiáveis ​​e consistentes, contribuindo para
avanços significativos no campo da química analítica.

E M FO CO

Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar a respeito deste
tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 4

NOVOS DESAFIOS
Ao realizarmos algum tipo de experimentação, a sensação que sentimos é única,
pois estamos fazendo a ciência acontecer. A identificação de cátions utilizando
a marcha analítica nos dá uma sensação ainda melhor, visto que, a olho nu, não
sabemos quais elementos estão presentes em determinada amostra. Agora, quan-
do adicionamos os reagentes corretos, na ordem certa, utilizamos centrífuga,
coletamos sobrenadante, e por aí vai, é possível visualizarmos os resultados. Há
formação de precipitado colorido, mudança de cor da solução, liberação de gás
com cor, odor característico – enfim, é uma verdadeira aventura.
Identificar cátions não é uma tarefa simples, mas isso não significa que não
seja prazerosa. É um desafio que devemos encarar, pois sentir a sensação de que
esse tipo de análise proporciona é única. Então, não deixe de encarar este desafio,
você não vai se arrepender!

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AUTOATIVIDADE

1. Por meio da marcha analítica, podemos identificar cátions. Estes cátions são divididos em
cinco grupos e cada um deles tem um reagente do grupo, com exceção do Grupo V. O
reagente do Grupo IV, por exemplo, é o carbonato de sódio em meio amoniacal.

Qual dos cátions, a seguir, forma carbonatos insolúveis em solução na presença de carbonato
de amônio ((NH4)CO3)?

a) Prata.
b) Cálcio.
c) Mercúrio.
d) Selênio.
e) Amônio.

2. A química qualitativa envolve a aplicação de métodos clássicos de análise e métodos


instrumentais. O objetivo desse tipo de análise é diferente do da química quantitativa, que
visa quantificar o analito de interesse.

A partir dos seus conhecimentos de análise química, avalie as sentenças a seguir:

I - Análise química clássica envolve o uso de propriedades físicas dos analitos e equipa-
mentos sofisticados.
II - Análise química qualitativa busca conhecer somente a presença ou ausência de um
determinado analito, sem se preocupar com a quantidade presente.
III - Análise química instrumental envolve o uso de reações químicas, nas quais, por meio de
resultados visuais, o analista consegue prever a quantia de analito na amostra.
IV - A análise de cátions envolve a separação do cátion por meio do uso de precipitação,
com posterior análise para a identificação do cátion.

É correto o que se afirma em:

a) I, apenas.
b) I e IV.
c) I, II e III.
d) II e III, apenas.
e) II e IV.

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AUTOATIVIDADE

3. Dentre os cinco grupos de cátions, há um grupo que possui como reagente o ácido clorí-
drico diluído.

Qual dos cátions, a seguir, forma cloretos insolúveis em solução na presença de ácido clo-
rídrico (HCl)?

a) Alumínio.
b) Magnésio.
c) Estanho.
d) Prata.
e) Cádmio.

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REFERÊNCIAS

GUARDA, A. Química analítica qualitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019a.

GUARDA, A. Química analítica quantitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019b.

OLIVEIRA, I. M. F. et al. Análise qualitativa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

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GABARITO

1. Alternativa B. Os cátions do grupo IV, isto é, grupo que tem como reagente carbonato de
sódio em meio amoniacal, são: Ba (II), Ca (II) e Sr (II).

2. Alternativa E.

I. Incorreta. A química qualitativa clássica não envolve o uso de equipamentos.


III. Incorreta. A química qualitativa não quantifica, apenas identifica.

3. Alternativa D. Regente do grupo I: ácido clorídrico diluído e os cátions: Pb (II), Hg (I) e Ag (I).

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MINHAS ANOTAÇÕES

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TEMA DE APRENDIZAGEM 5

ANÁLISE QUALITATIVA –
IDENTIFICAÇÃO E SEPARAÇÃO
DE ÂNIONS

MINHAS METAS

Reconhecer os ânions.

Aplicar os conceitos de química analítica qualitativa.

Compreender como os ânions são classificados.

Descrever as etapas de análise para a identificação e separação de ânions.

Escrever as reações químicas envolvidas no processo de separação de ânions.

Identificar características dos produtos formados em cada etapa/reação.

Entender os reagentes seletivos a cada ânion avaliado.

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U N I AS S E LVI

INICIE SUA JORNADA


A detecção de ânions não segue um procedimento sistemático tão definido como
no caso dos cátions. Em vez disso, são realizados testes preliminares que po-
dem oferecer indícios da presença de determinados íons. Esses testes incluem
observações como mudanças de cor, solubilidade em água e ácidos, e o pH da
solução, dentre outros. Você já parou para pensar como esses pequenos detalhes
podem ser cruciais na análise de uma amostra real? Imagine-se, agora, em um
laboratório profissional, onde a precisão e a atenção aos detalhes são essenciais.
Nesse contexto, cada teste preliminar ganha uma significação ainda maior, pois
pode determinar o rumo da análise. Que tal experimentar esse processo na prá-
tica, realizando os testes e observando como cada resultado pode influenciar
nas conclusões finais? Essa experiência não apenas aprimorará suas habilidades
práticas, mas também o fará refletir sobre a importância da metodologia e da
precisão na análise química.

P L AY N O CO NHEC I M ENTO

Os cátions podem ser identificados de forma sistemática, mas com os ânions a


identificação não acontece desta forma. A formação de precipitado é uma das ma-
neiras de identificar determinados ânions. Vamos ouvir uma aplicação desta temá-
tica? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de
aprendizagem.

VAMOS RECORDAR?
Alguns conceitos são ditos como básicos, mas não deixam de ser essenciais para
entendermos diversos fundamentos. Existem substâncias com carga, denominadas
íons. Dependendo da carga do íon, positiva ou negativa, ele é caracterizado como
ânion ou cátion. Vamos recordar esses conceitos e alguns outros no vídeo Íons
– Átomos Perdendo e Ganhando Elétrons. Acesse: https://www.youtube.com/
watch?v=jO49A04Maq4.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 5

DESENVOLVA SEU POTENCIAL

SOLUBILIDADE E PRODUTO DE SOLUBILIDADE

A constante de solubilidade (Kps), ou produto de solubilidade, é uma constante


numérica que descreve o equilíbrio de sais pouco solúveis em soluções saturadas.
Essa constante também representa o produto das concentrações dos íons em
equilíbrio na solução, que resultam da dissolução do sólido.
Quando uma solução aquosa está em contato com um excesso de sólido, o
sólido se dissolve até que a condição de Kps seja satisfeita. Após esse ponto, a
quantidade de sólido não dissolvido permanece constante, indicando que o equi-
líbrio foi atingido. Matematicamente, o Kps é igual ao produto da concentração
dos íons em equilíbrio, sendo cada um elevado à potência do seu coeficiente na
equação de equilíbrio.
Os valores de Kps podem ser utilizados para prever a ordem de precipitação,
quanto menor for, menor será a solubilidade, consequentemente o íon menos
solúvel precipita primeiro. Vale ressaltar que essa comparação só pode ser feita
entre substâncias que apresentam a mesma quantidade de íon, ou seja, mesmo
coeficiente estequiométrico na equação de equilíbrio. Esses valores são tabelados.

EXEMPLIFICANDO

O valor da constante do produto de solubilidade do iodato de chumbo (II),


Pb(IO3)2(s), é igual a 2,45.10-13 a 25 °C. Nesse contexto, qual a solubilidade desse
composto a 25 °C?
A equação química e as quantidades de reagentes e produtos antes e depois do
equilíbrio estão descritas a seguir:

Pb( IO3 )2( s ) � Pb 2  2 IO3


Início c - -
No equilíbrio c-x x 2x
Aplicando os valores no equilíbrio em Kps, tem-se:

Kps  [ Pb(aq
2  2 2
) ].[ IO3( aq ) ]  [ x ][2 x ]  4 x
3

2, 45.1013  4 x3
x  3, 944.105 mol / L

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U N I AS S E LVI

Há maneiras de perturbar o estado de equilíbrio e uma delas é conhecida como


efeito do íon comum. Essa perturbação é caracterizada pela adição de algum íon
comum a uma determinada reação. Este íon pode ser um cátion ou um ânion.
Considere uma solução de AgCl(s), como representada a seguir:

AgCl( s ) � Ag(aq )  Cl(aq )

Se adicionarmos solução de AgBr(s) a solução de AgCl(s) estamos aumentando a


quantidade de íons prata, fazendo com que a solução saia do estado de equilíbrio.
Para que ela retorne ao equilíbrio é necessário consumir a prata adicionada, ou
seja, o equilíbrio é deslocado no sentido de consumir íons Ag+. Em outras pala-
vras, o equilíbrio será deslocado para a esquerda, sentido de formação do AgCl(s).

ANÁLISE GRAVIMÉTRICA

Os métodos gravimétricos são do tipo quantitativos e são baseados na determi-


nação da massa de uma substância pura, à qual o analito de interesse está quimi-
camente relacionado. O analito é separado da amostra na forma de precipitado, o
qual é convertido em uma espécie de composição conhecida que possa ser pesada.
Na gravimetria por precipitação, o analito é convertido a um precipitado
pouco solúvel, em seguida, esse precipitado é filtrado, lavado a fim de remover
impurezas, é convertido a um produto de composição conhecida por meio de
tratamento térmico adequado e, por fim, pesado (SKOOG et al., 2006).
Visando bons resultados, o precipitado deve conter algumas características,
como: baixa solubilidade, fácil recuperação por filtração, não ser reativo com
constituintes da atmosfera, ter composição química conhecida após secagem ou
calcinação e ser produto de uma reação completa.
Os resultados obtidos por análise gravimétrica são comumente calculados
a partir de medidas experimentais: massa da amostra e a massa do produto de
composição conhecida. Matematicamente, a porcentagem em peso do analito é
dada por:
massaconstitu int e
%m / m =
massaamostra

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 5

Este tipo de análise possui como vantagens: é um tipo de método que não depen-
de de padrões, elevada exatidão e instrumentação simples e barata, entretanto,
possui como desvantagens: não é aplicável para analito em concentração traço;
possui procedimentos laboratoriais demorados; e apresenta perda de precipitado
nas etapas de transferência, filtração, lavagem e secagem.

IDENTIFICAÇÃO E SEPARAÇÃO DE ÂNIONS

Os ânions podem ser classificados em grupos e podem ser separados e identifi-


cados experimentalmente. A separação dos ânions em grupos é feita por meio do
coeficiente de solubilidade das substâncias formadas com tais ânions.
Como previamente mencionado, os ânions não possuem um esquema ana-
lítico de separação e identificação bem definido conforme os cátions, porém os
dois grupos, em que os ânions são divididos, são baseados na solubilidade dos
sais, formados quando adiciona-se prata, cálcio, bário ou zinco. Vamos relatar a
solubilidade dos compostos de alguns ânions (OLIVEIRA et al., 2006).

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U N I AS S E LVI

CARBONATOS (CO3-2)

São solúveis em água. Exceção: carbonatos dos metais alcalinos e carbonato de amônio.

BICARBONATOS (HCO3-)

São insolúveis em água. Exceção: bicarbonatos de metais alcalinos, bicarbonato de


cálcio, bicarbonato de bário, de estrôncio, de magnésio e, possivelmente, de ferro.

CLORETOS (CL-)

São solúveis em água. Exceção: cloreto de mercúrio (I), de prata, cobre (I) e oxicloreto
de bismuto, de antimônio e de mercúrio (I).

BROMETOS (BR-)

São solúveis em água. Exceção: brometo de mercúrio (I), de prata e de cobre.

IODETOS (I-)

São solúveis em água. Exceção: iodeto de mercúrio (I), de mercúrio (II), de prata, de
chumbo e de cobre (I).

FLUORETOS (F-)

São solúveis em água: fluoretos de metais alcalinos e fluoreto de prata, de mercúrio


(II), de alumínio e de níquel. Ligeiramente solúveis: fluoreto de chumbo, de cobre (II),
de ferro (III), de bário e de lítio. Insolúveis: fluoretos de metais alcalinos terrosos.

NITRATOS (NO3-)

São todos solúveis.

SULFATOS (SO4-2)

A maioria dos sulfatos metálicos é solúvel. Insolúveis: sulfato de bário, de estrôncio e de


chumbo. Ligeiramente solúveis: sulfato de cálcio e de mercúrio (II). Solúveis em ácido
nítrico ou clorídrico diluídos: sulfatos básicos de mercúrio (II), de bismuto e de crômio.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 5

A classificação de ânions em grupos envolve a identificação de produtos voláteis


obtidos por meio do tratamento por ácidos.
Grupo I: são ânions que, quando em contato com ácidos derivados de um ou
mais compostos inorgânicos, dão origem a substâncias gasosas. Este grupo ainda
pode ser subdividido em subgrupo A e subgrupo B, dependendo do ácido utilizado.

■ Subgrupo A: são os carbonatos (CO32-), bicarbonatos (HCO3-), sulfitos


(SO32-), tiossulfato (S2O32-), sulfeto (S2-), nitrito (NO2-), hipoclorito (OCl-),
cianeto (CN-) e cianato (OCN-). Esses ânions reagem com ácido clorídri-
co (HCl) ou sulfúrico (H2SO4) diluídos.
■ Subgrupo B: todos os ânions do subgrupo anterior, mais fluoreto (F-),
hexafluorsilicato ([SiF6]2-), cloreto (Cl-), brometo (Br-), iodeto (I-), nitra-
to (NO3-), clorato (ClO3-), perclorato (ClO4-), permanganato (MnO4-),
bromato (BrO33-), borato (BO33-), hexacianoferrato II e III ([Fe(CN)6]4-),
([Fe(CN)6]3-), tiocianato (SCN-), formiato (HCOO−), acetato (CH3COO-),
oxalato (C2O42-), tartarato (C4H4O62-) e citrato (C6H5O73-). Reagem com
ácido sulfúrico concentrado (H2SO4).

Grupo II: são ânions que formam compostos em solução, sendo a identificação
feita por meio da formação de precipitado ou de reações de oxirredução. Assim
como no grupo I, são subdivididos em subgrupos A e B.

■ Subgrupo A: sulfato (SO42-), persulfato (S2O82-), fosfato (PO43-), fosfito


(HPO32-), hipofosfito (H2PO2-), arseniato (AsO43-), arsenito (AsO33-),
cromato (CrO42-), dicromato (Cr2O72-), silicato (SiO32-), hexafluorsilicato
([SiF6]2-), salicilato (C6H4(OH)COO-), benzoato (C6H5COO-) e succinato
(C4H4O4-). Envolve reações de precipitação.
■ Subgrupo B: manganato (MnO42-), permanganato (MnO4-), cromato
(CrO42-) e dicromato (Cr2O72-). Envolve reações de oxirredução em solução.

Diferentes ânions, podem reagir e causar mudanças no sistema avaliado. A fim


de minimizar interferências, testes prévios são indicados. Aqui, discutiremos
três testes prévios:

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U N I AS S E LVI

■ na presença de ácido sulfúrico concentrado;


■ na presença de substâncias redutoras;
■ na presença de substâncias oxidantes.

Teste prévio I: ácido sulfúrico concentrado

A presença de ânions do grupo I, especificamente subgrupo B, pode ser detectada


por meio da adição de ácido sulfúrico concentrado (H2SO4). Em caso positivo (pre-
sença de ânions do grupo I, subgrupo B), haverá desprendimento de gás da mistura
sob aquecimento. O Quadro 1 exibe os reagentes de identificação, o ânion corres-
pondente e as características distintas que facilitam a detecção de sua presença.

NÚMERO ÂNION CARACTERÍSTICAS

CO3-2 Desprendimento do gás incolor CO2, o qual pode


1 e ser identificado pela capacidade de turvar a água
HCO3- de cal [Ca(OH)2].

Desprendimento do gás incolor dióxido de enxofre


2 SO3-2 (SO2), o qual pode ser identificado por seu odor
sufocante.

Desprendimento do gás incolor SO2 e a formação


3 S2O32- de enxofre sólido, turvando a solução e emitindo
odor característico de enxofre.

Desprendimento de gás incolor de ácido sulfídrico


4 S2-
(H2S).

Ocorre a efervescência e a liberação de um gás


5 NO2-
marrom amarelado de óxido nitroso (NO).

Ocorre a efervescência e a liberação de um gás


6 OCl-
verde amarelado de gás cloro (Cl2).

Ocorre a liberação de monóxido de carbono (CO)


7 CN-
incolor.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 5

Ocorre efervescência devido à liberação de dióxi-


8 OCN-
do de carbono.

Ocorre o desprendimento de gás incolor e corro-


sivo. Pode-se confirmar a presença do íon umede-
9 F- cendo o tubo de ensaio, quando o gás adquire a
aparência oleosa devido ao desgaste do vidro do
tubo de ensaio.

Ocorre o desprendimento de gás incolor, de odor


10 Cl- picante. Pode-se confirmar colocando papel de
tornassol na boca do tubo.

Ocorre o desprendimento de gás marrom averme-


11 Br-
lhado de HBr(g).

Ocorre o desprendimento de gás violeta. Para con-


firmação da identidade, coloca-se sobre a boca
do tubo de ensaio um papel filtro umedecido com
12 I-
amido. Caso ocorra a liberação de gás I2, ocorrerá
a formação de um complexo de coloração azul
escura sobre o papel filtro.

Desprendimento de gás de coloração marrom de


13 NO3-
dióxido de nitrogênio (NO2).

Desprendimento de gás de coloração amarelo


14 ClO3-
esverdeado de dióxido de cloro (ClO2).

Desprendimento de gás de coloração branca


15 ClO4- de dióxido de ácido perclórico monoidratado
(HClO4,H2O).

Formação de heptóxido de manganês (VII) Mn2O7


16 MnO4- que torna a solução verde, com elevado risco de
explosão.

Formação de gás bromo (Br2) de coloração casta-


17 BrO33-
nha e gás oxigênio (O2).

9
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U N I AS S E LVI

Adicionando H2SO4 e metanol na amostra a quente


e inflamar a mistura, a chama ganha coloração
18 BO33-
verde devido à formação de borato de metila
(B(OCH3)3).

Hexaciano-
Desprendimento de gás incolor de CO que, se
ferrato II e III
19 levado à chama, produz uma chama de coloração
([Fe(CN)6]4-)
azul.
([Fe(CN)6]3-)

Ocorre uma reação violenta, com o desprendi-


mento de gás incolor de sulfeto de carbonila (COS)
20 SCN-
que, se levado à chama, produz uma chama de
coloração azul.

Desprendimento de gás incolor de ácido acético


21 CH3COO-
(CH3COOH) com odor característico de vinagre.

Desprendimento de gás incolor de dióxido de


C2O42-, C4H4O62- e
22 carbono e monóxido de carbono que, se levado a
C6H5O73-
chama, produz uma chama de coloração azul.

Quadro 1 – Reações e características de ânions frente a adição de H2SO4 concentrado / Fonte: a autora.

No Quadro 2, são apresentadas as reações dos ânions identificados no Quadro


1, frente a adição de H2SO4 e sob aquecimento.

NÚMERO EQUAÇÃO QUÍMICA

Carbonato :
CO32  H 2 SO4  CO2( g )  SO42  H 2O
1
Bicarbonato :
2 HCO3  H 2 SO4  2CO2( g )  SO42  2 H 2 O

2 SO32  H 2 SO4  SO2( g )  SO42  H 2O

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3 S2O32  H 2 SO4  S( s )  SO2( g )  SO42  H 2O

4 S 2  H 2 SO4  H 2 S( g )  SO42

5 NO2  H 2 SO4  NO( g )  SO42  H 2O

6 2OCl   2 H 2 SO4  Cl2( g )  2 SO42  2 H 2O

7 2CN   2 H 2 SO4  2 H 2O  CO( g )  SO42  ( NH 4 )2 SO4

8 2OCN   2 H 2 SO4  2 H 2O  CO2( g )  SO42  NH 4

9 F   H 2 SO4  H 2 F2( g )  SO42

10 Cl   H 2 SO4  HCl( g )  HSO4

11 Br   H 2 SO4  HBr( g )  HSO4

12 2 I   2 H 2 SO4  I 2( s )  SO42  2 H 2O

13 4 NO3  2 H 2 SO4  4 NO2( g )  O2  2 SO42  2 H 2O

14 3ClO3  3 H 2 SO4  2ClO2( g )  ClO42  3SO42  4 H   H 2O

15 3ClO4  3 H 2 SO4  H 2O  HClO4 .H 2O( g )  3 HSO4

16 2 MnO4  H 2 SO4  Mn2O7  SO42  H 2O

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17 4 BrO33  H 2 SO4  2 Br2( g )  5O2  SO42  2 H 2O

18 2 BO33  6CH 3OH  3 H 2 SO4  2 B (OCH 3 )3( g )  3SO42  6 H 2O

19 [ Fe(CN )6 ]4  6 H 2 SO4  H 2O  Fe2  6 NH 4  6CO( g )  6 SO42

20 SCN   H 2 SO4  H 2O  COS( g )  NH 4  SO42

21 CH 3COO   H 2 SO4  CH 3COOH  HSO4

Oxalato :
C2O42  H 2 SO4  CO( g )  CO2( g )  SO42  H 2O
Tartarato :

22 C2 H 4O62  H 2 SO4  CO( g )  CO2( g )  SO42  3 H 2O


Citrato :
C6 H 5O72  H 2 SO4  CO( g )  HSO42  C5 H 6O6

Quadro 2 – Equações químicas dos ânions descritos no Quadro 1 / Fonte: a autora.

Teste prévio II: presença de redutores

No teste prévio II, a identificação dos ânions acontece por meio de reações de
oxirredução. Nesse tipo de reação, ocorre a transferência de elétrons, ou seja,
alguma substância ganha elétrons, enquanto outra perde. O reagente adicionado
é o íon permanganato (MnO4-), o qual sofre redução.

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O agente redutor é aquele que sofre oxidação, ou seja, se ele sofre oxidação,
obrigatoriamente outra substância sofre redução. Então, ele faz com que outro
composto reduza. Do mesmo modo, o agente oxidante sofre redução, provocando
a oxidação de outra substância. Além desses conceitos, ressalta-se: quem ganha
elétrons sofre redução, quem perde, oxidação.

De forma simples, no teste prévio II, teremos permanganato de potássio em meio


ácido. Se, na solução, tivermos soluções que promovam a redução do perman-
ganato, este irá reduzir a Mn+2. Esta reação faz com que a cor violeta da solução
desapareça, permitindo que a presença do redutor seja percebida. A seguir, vamos
discutir a marcha analítica para o teste prévio da presença de redutores. Ela será
descrita em etapas numeradas.

Marcha analítica:

■ Etapa 1: adicionar em três tubos de ensaios a seguinte mistura: uma gota


de H2SO4 concentrado (6 mol.L-1) + três gotas de KMnO4 (1 mol.L-1).
Assim, os íons MnO4- estarão na forma livre em solução.
■ Etapa 2: adicionar em cada tubo 1 mL da amostra. Se houver a presença
de ânions redutores, a coloração violeta característica irá desaparecer.

A fim de exemplificar a etapa 2, considere que, na amostra adicionada, há presen-


ça de íons I-. A equação que representa o processo é a seguinte:

2 MnO4  10 I   16 H 3O   5 I 2  2 Mn 2  24 H 2O

Na equação, é possível observar a redução do manganês, que vai de +7 nos rea-


gentes para +2 nos produtos.

Teste prévio III: presença de oxidantes

Assim como no teste prévio II, no teste prévio III acontece uma reação de oxir-
redução. Íons presentes na amostra vão sofrer redução, para que ânions, como o
I-, sofram oxidação. Para deixar clara a diferença entre os testes: no teste anterior,
o íon I- era analito, aqui ele é reagente.

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O teste III consiste em solução de iodeto de potássio (KI) em meio ácido. Se


houver espécies que sofram redução na amostra, o íon I- sofre oxidação, tendo
seu NOX variando de -1 para 0. A oxidação do íon iodeto faz com que a solução
mude de cor, desaparecendo o castanho característico de KI. A seguir, está a des-
crição da marcha analítica, descrita em etapas numeradas, para o teste prévio III.

Marcha analítica:

■ Etapa 1: adicionar a três tubos de ensaio: uma gota de HCl concentrado


(6 mol.L-1); mais três gotas de KI (2%). Assim, há, no tubo de ensaio, íons
iodeto (I-) na forma livre em solução.
■ Etapa 2: adicionar 1 mL de amostra em cada tubo de ensaio. Se houver a
presença de ânion de caráter oxidante, a solução irá mudar de cor, como
descrito anteriormente.

Na equação a seguir, há um exemplo desse comportamento para o íon cromato


(CrO4-):

2CrO42  6 I   16 H 3O   3 I 2  2Cr 2  24 H 2O

É possível observar a variação do NOX das espécies de iodo e cromo, as quais


saem de -1 e +6, respectivamente, nos reagentes, para 0 e +2, nos produtos.

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Reações de identificação

A separação e a identificação de ânions pode ser feita por meio da precipitação


seletiva com nitrato de prata (AgNO3) ou cloreto de bário (BaCl2). Vejamos a
marcha analítica utilizando AgNO3 na Figura 1.

Figura 1 – Marcha analítica de ânions utilizando AgNO3 / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta as etapas de separação/identificação de alguns ânions utilizando


nitrato de prata como agente precipitante, tais como: Cl-, I-, Br-, NO2-, SO4-2, CH3COO- e CO3-2. Cada seta indica uma
etapa a ser seguida em ordem, na qual cada ânion será separado conforme adição de reagentes, coleta ou não de
sobrenadante. O tratameto com AgNO3 2,0 mol/L resulta na formação de precipitados como AgCl(s), AgBr(s), AgI(s),
Ag2CO3(s) e Ag3PO4(s), e íons sobrenadantes como NO2-, CH3COO-, SO4-2. O tratamento dos precipitados anteriores
com HNO3 3,0 mol/L, leva à formação de mais substâncias precipitadas (AgCl(s), AgBr(s), AgI(s)), sobrenadante
(PO4-3(aq)) ou liberação do gás (CO2(g)). O diagrama indica a formação do produto final Ag3PO4(s) como produto final
após tratamento do sobrenadante PO4-3(aq) com CH3COOH 2 mol/L + NH4OH 6 mol/L + gotas de AgNO3 0,2 mol/L.
Fim da descrição.

A Figura 2 apresenta a marcha analítica utilizando cloreto de bário.

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Figura 2 – Marcha analítica de ânions utilizando BaCl2 / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta as etapas de separação/identificação de alguns ânions utilizando


cloreto de bário como agente precipitante, tais como: Cl-, I-, Br-, NO2-, SO4-2, CH3COO- e CO3-2. Cada seta indica uma
etapa a ser seguida em ordem, na qual cada ânion será separado conforme adição de reagentes, coleta ou não de
sobrenadante. A reação com NH4OH 5 mol/L gera um precipitado (cátions na forma de hidróxido) e uma solução
sobrenadante (CI-, I-, Br-, PO4-3, NO2-, SO4-2, CH3COO-, CO3-2). A reação desta solução sobrenadante com BaCl2 0,2
mol/L resulta em outro sobrenadante CO2(g) e outro precipitado (BaSO4(s), Ba3(PO4)2(s), e BaCO3(s)), que resulta em
um precipitado (BaSO4(s)), um sobrenadante (PO4-2(aq)) e na liberação do gás CO2(g). Fim da descrição.

Ao compreendermos a complexidade das interações químicas envolvendo a solu-


bilidade e o produto de solubilidade, assim como os métodos analíticos de iden-
tificação e separação de ânions, adentramos em um universo de experimentação
e dedicação. A jornada pela análise química nos leva a refletir não apenas sobre
as reações em si, mas também sobre a importância da precisão, metodologia e
compreensão dos fenômenos envolvidos. Cada teste prévio, cada reação química
desempenhada em laboratório proporciona uma oportunidade única de apren-
dizado e crescimento. Assim, ao explorarmos os intricados meandros da química
analítica, nos tornamos não apenas estudantes, mas verdadeiros cientistas em
busca do conhecimento. Que essa jornada nos inspire a continuar desvendando
os mistérios da matéria e contribuindo para o avanço da ciência.

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E M FO CO

Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar a respeito deste
tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

NOVOS DESAFIOS
As reações de precipitação desempenham um papel significativo na separação e
purificação de compostos, além de serem aplicáveis para a análise gravimétrica.
A gravimetria, uma técnica de análise quantitativa clássica, destaca-se pela sua
aplicação na determinação de diversos íons em amostras complexas.
A utilidade da gravimetria por precipitação é exemplificada na determinação
de Fe (III) em minérios, na análise de íons Ca (II) em águas naturais e na quan-
tificação de íons Cl- em água do mar.
A execução da marcha analítica revela-se como uma valiosa ferramenta, exi-
gindo cuidado e atenção em cada etapa do processo. Durante esse procedimento,
observam-se efeitos macroscópicos distintos, como mudanças de cor, formação de
precipitado e liberação de gás, fenômenos facilmente perceptíveis pelos sentidos,
incluindo a visão e o olfato. A compreensão desses eventos é crucial para a inter-
pretação precisa dos resultados obtidos na análise gravimétrica por precipitação.

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AUTOATIVIDADE

1. Os ânions não possuem um esquema de separação e identificação bem definido conforme


os cátions, porém é possível dividi-los em grupos baseando-se no coeficiente de solubi-
lidade.

Assinale a alternativa que representa adequadamente o produto formado da seguinte equa-


ção: KI+AgCl→?

a) AgK+ClI.
b) AgI+KCl.
c) AgI+ClK.
d) KI+Ag.
e) ClI+K.

2. Os ânions são divididos em grupos para facilitar sua identificação e separação. Além disso,
testes preliminares podem fornecer informações adicionais, como minimizar interferências.

Baseado em seus conhecimentos de identificação e separação de ânions, analise as sen-


tenças a seguir:

I - Ânions são substâncias que doam elétrons por conta de sua elevada eletronegatividade.
II - Ânions podem ser facilmente separados e identificados, de forma semelhante ao modo
de análise dos cátions.
III - A separação utilizando BaCl2 e AgCl está baseada em reações de precipitação de de-
terminados ânions.

É correto o que se afirma em:

a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

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AUTOATIVIDADE

3. O equilíbrio químico representa um estado dinâmico, no qual dois ou mais processos acon-
tecem ao mesmo tempo na mesma velocidade. Esse estado de equilíbrio pode sofrer
perturbações e se alterar. Na análise gravimétrica, o analito é separado na amostra como
um precipitado e é convertido em uma espécie de composição conhecida que pode ser
pesada.

Com relação ao equilíbrio de precipitação e análise gravimétrica, análise as seguintes afir-


mações:

I - A adição de um íon comum diminui a solubilidade do precipitado por deslocar o equilíbrio


no sentido da formação dos reagentes.
II - A análise gravimétrica ou gravimetria está baseada na retirada do analito da solução
para posterior pesagem dele.
III - O reagente precipitante utilizado na análise gravimétrica deve ser específico, e na au-
sência da especificidade, deve ser pelo menos seletivo.

É correto o que se afirma em:

a) I e III, apenas.
b) II e I, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III.
e) I, apenas.

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REFERÊNCIAS

GUARDA, A. Química analítica qualitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019a.

GUARDA, A. Química analítica quantitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019b.

OLIVEIRA, I. M. F. et al. Análise qualitativa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

SKOOG, A. D. et al. Fundamentos de química analítica. 8. ed. São Paulo: Thomson, 2006.

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REFERÊNCIAS

1. Alternativa B.Todas as outras alternativas não formam substâncias reais, por exemplo: ClI, ClK.

2. Alternativa C.

II. Incorreta. A separação e identificação de ânions não acontece de forma sistemática como
nos cátions.

3. Alternativa C. I. Incorreta. Depende do íon adicionado, não necessariamente o equilíbrio será


deslocado no sentido de formação dos reagentes.

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MINHAS ANOTAÇÕES

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TEMA DE APRENDIZAGEM 6

ERROS E TRATAMENTO DE DADOS

MINHAS METAS

Compreender conceitos numéricos e aplicações de operações matemáticas, aprimorando


as habilidades necessárias para análises precisas.

Identificar e minimizar os diversos tipos de erros que podem ocorrer em procedimentos


analíticos.

Compreender o conceito de incerteza, visando garantir a confiabilidade dos resultados


obtidos.

Inter-relacionar os conceitos de erro e incerteza e entender como estes influenciam a


validade dos resultados analíticos.

Implementar técnicas de tratamento de dados e análise estatística.

Compreender os conceitos de exatidão e precisão em análises.

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INICIE SUA JORNADA


Quando conduzimos uma análise química, os dados resultantes estão invaria-
velmente sujeitos a incertezas. A minimização dessas incertezas é essencial para
garantir a validade dos resultados obtidos. A avaliação da validade desses resul-
tados requer o emprego do tratamento estatístico dos dados, uma ferramenta
crucial na interpretação e validação de resultados analíticos.
A aplicação de métodos estatísticos possibilita a interpretação de resultados
com margens de correção e a rejeição de dados que não atendem a critérios es-
tatísticos. Essa abordagem não apenas aprimora a precisão dos resultados, mas
também contribui para uma análise mais confiável.
Os resultados analíticos desempenham um papel vital na tomada de decisões,
destacando a importância de compreender os erros associados a essas medições.
A avaliação cuidadosa desses erros é crucial para determinar se uma medida
específica é aceitável ou se requer ajustes. O entendimento e a gestão eficiente
dessas incertezas são fundamentais para assegurar que as conclusões derivadas
de análises químicas sejam sólidas e confiáveis.

P L AY N O CO NHEC I M ENTO

Há diferentes tipos de erros e tratamentos estatísticos e ambos possuem grande


importância na validação de um resultado analítico, por exemplo. Vamos ouvir um
pouco mais dessa temática? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital
do ambiente virtual de aprendizagem.

VAMOS RECORDAR?
Ao abordar o erro durante o tratamento de dados, devemos empregar a notação
científica para expressar corretamente os resultados. Essa forma de representação
numérica desempenha um papel significativo na compreensão das ideias
estudadas. Vale a pena revisitar brevemente como escrevemos em notação
científica assistindo ao vídeo Notação Científica. Acesse: https://www.youtube.
com/watch?v=0z-Ic1SqACw.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 6

DESENVOLVA SEU POTENCIAL

TRATAMENTO ESTATÍSTICO DOS DADOS

As medidas experimentais possuem como uma de suas limitações a incerteza,


que é sempre associada a elas. A magnitude do erro pode ser expressa por meio
do uso de algarismos significativos. O número de algarismos significativos de
uma medida é o número de dígitos que expressam o resultado experimental,
sendo o último algarismo duvidoso. Esse tipo de análise representa a precisão
de uma medida.

É frequente surgirem dúvidas em relação ao número zero, pois ele é considerado


significativo em duas situações específicas: quando posicionado entre dois
algarismos significativos e quando está localizado após a vírgula e à direita de outro
dígito significativo. Nesse contexto, o zero desempenha um papel importante na
precisão das representações numéricas, influenciando diretamente a interpretação
e a exatidão dos dados. É essencial compreender as regras relacionadas ao uso do
zero para garantir a correta representação e interpretação dos valores numéricos
em diversas situações.

Quando se realiza operações de soma ou subtração, o resultado deve conter tantas


casas decimais quantas existirem no componente com menor número delas. Já
quando são realizadas operações de multiplicação ou divisão, a resposta deverá
conter tantos algarismos significativos quantos estiverem expressos no compo-
nente com menor número de significativos.

A P RO F UNDA NDO

• Soma/subtração: 35,987 cm + 168,8 cm + 48,56 cm = 253,3 cm.


• Multiplicação/divisão: 4,069 m x 0,735 m = 2,99 m2.

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Erros

Como previamente mencionado, toda medida experimental possui uma incer-


teza associada a ela, e esta incerteza é chamada de erro experimental. A ideia é
que a incerteza seja a menor possível, contudo, ela sempre vai existir. Para me-
lhor compreender os resultados obtidos, é necessário entender a diferença entre
precisão e exatidão.
A precisão está relacionada com a reprodutibilidade da medida, ou seja,
refere-se ao grau de concordância mútua entre medidas individuais. Em ou-
tras palavras: os resultados obtidos por meio de repetidas análises devem ser
próximos. Já a exatidão refere-se à concordância entre a medida realizada
e um valor de referência. A Figura 1 representa os resultados considerados
precisos e exatos.

Figura 1 – Resultados considerados precisos e exatos


Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:High_
accuracy,_high_precision.jpg. Acesso em: 17 abr. 2024.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta um alvo


com três círculos concêntricos e uma cruz que os
divide, com um pequeno círculo no centro contendo
pequenas bolas pretas representando os resultados,
os quais estão em concordância uns com os outros,
ou seja, mostram a precisão da medida. Além disso, as
bolinhas (os resultados) estão no centro do alvo, indi-
cando a proximidade com um valor de referência, sen-
do, portanto, um resultado exato. Fim da descrição.

Existem diferentes tipos de erros e estes podem ser classificados em sistemáticos


e aleatórios. Os erros conhecidos por sistemáticos (ou determinados) são aqueles
que podem ser determinados, evitados ou corrigidos. Nesse caso, se for calculada
a média dos resultados, o valor vai ser diferente do valor de referência. Assim, esse
tipo de erro afeta a exatidão dos resultados.
O erro determinado pode ter três origens:

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 6

ERROS DO MÉTODO

Está relacionado à solubilidade de precipitados, instabilidade do analito, lentidão de


reações, indicadores e seletividade.

ERROS OPERACIONAIS E PESSOAIS

Escolha da técnica correta, leitura de escalas e detecção de mudança de cor.

ERROS INSTRUMENTAIS

Associados a calibração de materiais volumétricos e equipamentos utilizados nas aná-


lises, uso de equipamentos em condições inadequadas e impurezas de reagentes.

Os erros aleatórios (ou indeterminados) estão relacionados a efeitos de variáveis


descontroladas nas medidas, ou seja, não podem ser corrigidos. As variações são
inerentes à medida, irregulares e resultam em variabilidade. Afetam a precisão da
medida e o aumento no número de réplicas tende a diminuir o erro.
Após esses conceitos, podemos questionar como sabemos se estamos nos
distanciando do valor verdadeiro e, para isso, devemos entender o que é erro
absoluto e erro relativo. O erro absoluto é a diferença entre o valor medido e o
verdadeiro, ou seja, é a medida de quando o valor encontrado está distante do
valor de referência. Quanto mais próximo de zero for esse erro, melhor.
Se o valor do erro absoluto for expresso em porcentagem, ele é chamado de
erro relativo. Veja, a seguir, o erro relativo representado matematicamente:

erroabsoluto
errorelativo = .100%
valorreferência

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Valor médio e desvio padrão

A média (ou valor médio) é dada pela soma dos valores individuais, dividido pelo to-
tal de repetições. Quando se faz replicatas das análises, ou seja, faz várias medidas da
amostra (em química analítica é indicado, no mínimo, triplicata), ao final, pode ser
calculada a média dos valores encontrados. Matematicamente, a média é dada por:

x1  x2  ...  xn
X
n

Faz-se necessário avaliar quanto os valores individuais estão próximo à média e


esta avaliação é feita por meio do desvio padrão. Quanto menor o desvio padrão,
mais próximo da média estão os valores das replicatas e mais precisa é a medida.
O oposto também é verdadeiro. Matematicamente, o desvio padrão é calculado
por meio da fórmula:

s
 ( x  x)
i i
2

n 1

Sendo:
xi = valor individual da medida.
x = valor da média.
n = número de replicatas.
∑i = somatório.

Vale ressaltar que o denominador ( n -1) é chamado de grau de liberdade e o


desvio padrão ao quadrado ( s 2 ) é conhecido como variância.

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Teste t de student

O teste t de student, basicamente, é a comparação de um resultado com um valor


de referência. Este cálculo estatístico é muito utilizado em química analítica. Para
aplicar o teste t de student, deve-se calcular o tcalculado:

| x1  x2 |
tcalculado 
s12 s2
 2
n1  1 n2  1

Sendo | x1 − x 2 | a diferença entre as médias dos dois métodos, em módulo (valor


sempre positivo), s1 é o desvio para a Técnica 1 e s2 para a Técnica 2. O valor de
n é em relação ao número de replicatas.
Após obter o valor para tcalculado, este deve ser comparado com o ttabelado do teste
t de student. A Tabela 1 apresenta os valores de ttabelado.

GRAU DE LIBERDADE 80% 90% 95% 99% 99,9%

1 3,08 6,31 12,7 63,7 637

2 1,89 2,92 4,30 9,92 31,6

3 1,64 2,35 3,18 5,84 12,9

4 1,53 2,13 2,78 4,60 8,61

Tabela 1 – Alguns valores de ttabelado do teste t de student


Fonte: a autora.

Para encontrar o valor do ttabelado, precisamos calcular o grau de liberadade (n-1)


e saber qual é o intervalo de confiança trabalhado, sendo este a probabilidade de
a média estar dentro de um determinado intervalo.
Com ambos os valores, tcalculado e ttabelado, estes devem ser comparados. Se tcalculado
> ttabelado, os valores são considerados distintos. Já se tcalculado < ttabelado, os valores são
ditos semelhantes (SKOOG et al., 2006).

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Rejeição de valores e teste Q

Dentro das replicatas, pode haver valores distintos e, visualmente, não se pode
decidir se tal valor deve ou não ser descartado. Para realizar essa avaliação, o teste
Q é indicado. Para compreendermos esse teste, vamos fazer uso de um exemplo.

E XE M P L IF I C A NDO

Considere os valores para as replicatas:


Replicata 1: 12,56.
Replicata 2: 12,53.
Replicata 3: 12,67.
O valor da Replicata 3 deve ser descartado?
Primeiro, organiza-se os valores em ordem crescente: 12,53; 12,56; 12,67. O valor de
Qcalculado é dado por:

Variação
Qcalculado =
Intervalo

Sendo a variação a diferença entre o valor duvidoso e o valor mais próximo, en-
quanto o intervalo é a diferença entre o valor mais alto e o valor mais baixo. Apli-
cando com os valores aqui exemplificados:

12, 67  12, 56 0,11


Qcalculado    0, 78
12, 67  12, 53 0,14

Analogamente ao teste t de student, há valores de Qtabelado e deve-se realizar a com-


paração entre o Qcalculado e o Qtabelado da mesma forma. Se Qcalculado > Qtabelado, os valores
são considerados distintos. Já se Qcalculado < Qtabelado, os valores são ditos semelhantes
Ao realizar, portanto, tratamento estatístico dos dados experimentais,
é crucial compreender a natureza das incertezas associadas às medidas. O
uso adequado dos algarismos significativos, a compreensão das regras rela-
cionadas ao número zero e a distinção entre erros sistemáticos e aleatórios
são fundamentais para garantir a precisão e a exatidão dos resultados. Além

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disso, o cálculo do valor médio e do desvio padrão, com a aplicação de testes


estatísticos como o teste t de student e o teste Q, proporciona ferramentas
essenciais para a análise e a interpretação dos dados experimentais. Assim, ao
seguir corretamente os procedimentos estatísticos, é possível obter conclusões
confiáveis e embasadas a partir dos resultados obtidos.

E M FO CO

Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar a respeito deste
tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

NOVOS DESAFIOS
Na área da química analítica, a condução do tratamento estatístico dos dados é
crucial, uma vez que as análises realizadas têm implicações diretas na tomada de
decisões, portanto, é imperativo determinar se uma medida específica deve ser
considerada, compreendendo detalhes de sua exatidão e precisão.
A avaliação dos algarismos significativos desempenha um papel fundamen-
tal na análise da exatidão da medida. A realização de replicatas é essencial, pois
fornece insights acerca da precisão da medida, destacando a consistência dos
resultados obtidos. Embora existam erros que estejam além do nosso controle, a
distinção entre aqueles que podem e não podem ser controlados é crucial. Esse
discernimento não apenas permite a minimização de erros evitáveis, mas também
contribui significativamente para aumentar a confiabilidade global dos resultados
obtidos nas análises químicas.

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AUTOATIVIDADE

1. Uma vez que uma única análise não fornece informações acerca da variabilidade dos re-
sultados, geralmente os químicos utilizam entre duas e cinco porções (réplicas) de uma
amostra para realizar um procedimento analítico completo. A reprodutibilidade das medi-
das é descrita pela precisão. Já a exatidão é a proximidade de um valor medido em relação
a um valor verdadeiro ou aceito.

A figura a seguir ilustra a exatidão e precisão utilizando a distribuição de dardos.

I II III IV
Fonte: Guarda (2019b, p. 34).

Após a análise das ilustrações, identifique os dardos que indicam baixa exatidão e alta precisão:

a) I.
b) II.
c) III.
d) IV.
e) I e III.

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AUTOATIVIDADE

2. Há diferentes tipos de erros, dentre eles, o erro aleatório e o erro sistemático. Erro sistemático
é aquele que pode ser determinado e controlado, enquanto o erro aleatório está relacio-
nado a variáveis que não podem ser controladas.

Com relação ao erro aleatório e sistemático, analise as seguintes afirmações:

I - O erro aleatório ou indeterminado está relacionado a erros cometidos pelo analista, pela
calibração, preparo de soluções ou ainda a inexperiência.
II - O erro aleatório faz com que a precisão seja afetada, uma vez que os valores encon-
trados serão diferentes a cada medida realizada, uma vez que não são provenientes de
problemas analíticos do operador.
III - O erro sistemático é proveniente de uma falha instrumental ou na realização do expe-
rimento pelo analista, podendo ter três origens: instrumental, do método ou pessoal.
IV - O erro sistemático faz com que todas as medidas sejam distantes uma das outras, afe-
tando a precisão da medida.

É correto o que se afirma em:

a) I e III.
b) II, III e IV.
c) II e III.
d) I, II e IV.
e) III e IV.

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AUTOATIVIDADE

3. O erro absoluto está relacionado a quanto o valor encontrado está distante do valor de
referência. Quanto mais próximo de zero for este erro, melhor. Se o valor do erro absoluto
for expresso em porcentagem, ele é chamado de erro relativo.

Suponha que você tenha a tarefa de medir os comprimentos de uma ponte e de um parafuso
e obteve as medidas 9.999 cm e 9 cm, respectivamente. Se os valores verdadeiros forem
10.000 cm e 10 cm, respectivamente, o valor do erro absoluto e do erro absoluto relativo,
em módulo, está corretamente representado na alternativa:

a) Erro absoluto: 0,001000 para ponte e 1 para o parafuso. Erro absoluto relativo: 0,01000
para ponte e 10 para o parafuso.
b) Erro absoluto: 1 para ponte e 0,1 para o parafuso. Erro absoluto relativo: 0,0001 para ponte
e 100 para o parafuso.
c) Erro absoluto: 10 para ponte e 1 para o parafuso. Erro absoluto relativo: 0,1 para ponte e
10 para o parafuso.
d) Erro absoluto: 1 para ponte e para o parafuso. Erro absoluto relativo: 1 para ponte e 10
para o parafuso.
e) Erro absoluto: 1 para ponte e 10 para o parafuso. Erro absoluto relativo: 0,1 para ponte e
1 para o parafuso.

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REFERÊNCIAS

GUARDA, A. Química analítica qualitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019a.

GUARDA, A. Química analítica quantitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019b.

SKOOG, A. D. et al. Fundamentos de química analítica. 8. ed. São Paulo: Thomson, 2006.

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GABARITO

1. Alternativa D.

A. Incorreta. Baixa precisão.


B. Incorreta. Alta exatidão e alta precisão.
C. Incorreta. Baixa exatidão e baixa precisão.

2. Alternativa C.

I. Incorreta. O erro sistemático está relacionado a erros cometidos pelo analista, pela cali-
bração, preparo de soluções ou ainda a inexperiência.
IV. Incorreta. Afeta a exatidão das medidas.

3. Alternativa A.

Erro absoluto ponte: 9,999-10,000=0,001000.


Erro relativo ponte: (0,001000/10,000)*100=0,01000%.
Erro absoluto parafuso: 9-10=1.
Erro relativo parafuso: (9/10)*100=10%.

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UNIDADE 3
TEMA DE APRENDIZAGEM 7

ANÁLISE QUANTITATIVA

MINHAS METAS

Recordar os conceitos de química analítica quantitativa.

Entender o que é calibração.

Aplicar métodos de calibração.

Construir curvas de calibração.

Compreender o que são métodos titulométricos.

Classificar os métodos titulométricos.

Compreender os indicadores usados em titulações.

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U N I AS S E LVI

INICIE SUA JORNADA


Por meio da química analítica quantitativa, somos capacitados a não apenas
identificar, mas também a quantificar o analito de interesse, utilizando métodos
clássicos ou instrumentais. Essa habilidade é essencial não apenas em laboratórios
de pesquisa, mas também em indústrias farmacêuticas, alimentícias e ambientais,
mas, qual é a verdadeira importância dessa precisão na prática profissional?
Imagine-se em um laboratório farmacêutico, responsável pela análise da con-
centração de princípios ativos em medicamentos. Qualquer desvio na dosagem
pode afetar diretamente a eficácia e a segurança do tratamento para milhares de
pacientes. Da mesma forma, em uma indústria alimentícia, a exatidão na deter-
minação de ingredientes e contaminantes é crucial para garantir a qualidade e
segurança dos produtos que chegam à mesa dos consumidores.
A escolha, portanto, entre métodos clássicos e instrumentais não é apenas
uma questão técnica, mas também uma decisão estratégica que pode impactar
diretamente na confiabilidade e credibilidade da empresa, e é por meio de uma
calibração cuidadosa, aliada ao domínio das técnicas analíticas, que os profissio-
nais conseguem assegurar a precisão e consistência dos resultados, promovendo,
assim, a excelência em suas áreas de atuação.

P L AY N O CO NHEC I M ENTO

Em química analítica quantitativa, determina-se a quantidade do analito em uma amos-


tra, contudo, como podemos relacionar essa quantidade, ou seja, a concentração da
espécie analisada com o valor fornecido pelo equipamento utilizado na análise? Vamos
ouvir este podcast e entendermos como podemos responder a essa questão. Recursos
de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.

VAMOS RECORDAR?
Os métodos instrumentais e clássicos são tipos de métodos que a química
analítica quantitativa abrange. Vamos recordar alguns conceitos envolvendo
estes métodos? Assista ao vídeo Diferença entre Métodos Analíticos Clássicos e
Instrumentais. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=gR4RItWvuVo.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 7

DESENVOLVA SEU POTENCIAL

MÉTODOS DE CALIBRAÇÃO

Calibração é o conjunto de operações que estabelece, sob condições específicas,


a relação entre valores fornecidos por um instrumento de medida e os valores
correspondentes das grandezas estabelecida por padrões (BRASIL, 1995).
Em diferentes tipos de análises químicas, utilizam-se os conhecidos padrões
(amostra de referência que contém o analito de interesse, podendo ser padrão
externo ou interno) de tal forma que a resposta para a quantidade desconhecida
possa ser interpretada. Para que se tenha tal resposta, é possível fazer uso de três
diferentes tipos de método de calibração: curva de calibração externa ou curva
analítica, curva de adição de padrão e padrão interno.
Existem alguns termos que são comuns quando se fala em métodos de calibra-
ção, um deles é conhecida como branco. Por meio dos brancos, é possível verificar a
interferência de outras espécies na amostra e traços do analito de interesse que po-
dem ser encontrados nos reagentes utilizados na preservação, preparação e análise.

A P RO F UNDA NDO

Há três tipos de branco: branco do método, branco para reagentes e branco de


campo. O branco do método contém todos os constituintes menos o analito e deve
ser utilizado em todas as etapas do procedimento analítico. Já o branco para rea-
gente é semelhante ao branco do método, contudo não é submetido a todos os
procedimentos de preparo de amostra. Por fim, o branco de campo é aquele com
as características semelhantes ao branco do método, porém, foi exposto ao local de
amostragem. Vale salientar que a resposta do branco do método deve ser subtraída
da resposta da amostra real antes de calcular a quantidade de analito na amostra.

Para verificar se há uma correlação linear entre duas variáveis (x1 e y1), comu-
mente, utiliza-se o coeficiente de correlação de Pearson (r):

n x1 y1   x1  y1
r
{[n x  ( x1 ) 2 ][n y12  ( y1 ) 2
2
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Sendo n o número de pontos experimentais. O valor de r deve estar entre -1 e


+1 e, quanto mais próximo de ±1, maior a probabilidade de existir uma relação
linear entre x e y.
Para determinar qual a melhor reta que passa pelos pontos experimentais,
se faz uso da regressão linear ou método do mínimos quadrados. A equação de
uma reta é dada por:

y  a  bx

y= variável dependente.
x= variável independente.
b= inclinação da reta.
a= intersecção no eixo y.

A inclinação da reta e a intersecção no eixo y são dados por:

n x1 y1   x1  y1
b
n x12  ( x1 ) 2
a  y  bx

Sendo y média de todos os valores de y1 e x média de todos os valores de


x1. Utilizando os valores descritos na Tabela 1, é possível aplicar os conceitos
até aqui aprendidos.

CONCENTRAÇÃO 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40

SINAL 0,00 5,20 9,90 15,30 19,10

Tabela 1 – Valores para a verificação da correlação linear / Fonte: a autora.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 7

Figura 1 – Regressão linear com os dados da Tabela 1 / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta a relação linear entre os va-


lores de concentração e do sinal obtido por meio de uma análise química,
conhecida como curva de calibração. No eixo x, estão representados os
valores de concentração, enquanto, no eixo y, os valores fornecidos pelo
equipamento (podendo ser uma medida de corrente, por exemplo). Por
meio da equação da reta obtida com a curva de calibração, é possível
encontrar o valor de concentração do analito, sendo este valor o x da
equação da reta. Fim da descrição.

O método descrito na Figura 1 é conhecido como curva


analítica ou padrão externo. Um outro método também
utilizado para determinar a concentração do analito de
interesse é o método da adição de padrão. Neste méto-
do, quantidades conhecidas do analito são adicionadas
à amostra e a matriz permanece quase inalterada após
cada adição, variando apenas a concentração do analito.
No método da adição de padrão, a determinação é
feita por meio da extrapolação. A Figura 2 mostra uma
curva genérica deste tipo de método.

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Figura 2 – Representação genérica da curva de adição de padrão / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta uma curva de adição de padrão, na qual os pontos são valores de concentração
conhecidos do analito adicionados à amostra. Para determinar a concentração do analito na amostra, é feita a extrapolação,
ou seja, é realizada a continuidade da reta no sentido negativo do eixo x. Neste ponto, o valor de y (da equação da reta)
é zero, sendo possível determinar o valor de x, o qual se refere à concentração do analito na amostra. Fim da descrição.

O primeiro ponto do gráfico é o resultado da análise da amostra, enquanto os


outros pontos são a amostra mais o analito inserido por meio da solução padrão.
Para determinar o valor da concentração na amostra, utilizando a equação da reta
y= bx + a, considera-se o valor de y igual a zero (extrapolação).

MÉTODOS TITULOMÉTRICOS

Os métodos titulométricos podem ser caracterizados como procedimentos quantita-


tivos que utilizam a quantidade de um reagente de concentração conhecida, a qual é
consumida pelo analito. Em uma titulação, adiciona-se solução padrão à solução que
contém o analito, até que a reação se complete. A quantidade de solução padrão ne-
cessária para completar a reação indica a quantidade do analito presente na amostra.

ZO O M N O CO NHEC I M ENTO

Em uma titulação, há o titulante e o titulado.


O titulante é a solução reagente, aquela adicionada.
O titulado é a solução constituinte, em que o titulante é adicionado.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 7

Há alguns requisitos para que uma reação seja adequada para a titulação, dentre eles:
■ Ser uma reação rápida, se for lenta, é necessário utilizar catalisador.
■ A reação entre o analito e o reagente titulante deve ser bem definida.
■ Boa sinalização do ponto final da reação.

Figura 3 – Titulação na prática

Descrição da Imagem: a imagem apresenta a titulação na prática. O titulante está presente na bureta e o titulado
no Erlenmeyer. Para que a titulação aconteça, o analista deve abrir a torneira da bureta com uma mão e segurar o
Erlenmeyer com a outra. Observa-se também a presença do indicador fenolftaleína, o qual mostra que o ponto de
viragem, ou seja, evidencia a mudança de cor (indo do incolor para o rosa) quando o volume do titulante adicionado
é equivalente a quantidade de analito na amostra. Fim da descrição.

É necessário saber quando a reação chega ao final e, para tal, avalia-se o ponto de
equivalência ou ponto final teórico e o ponto final, mas, afinal, o que significa tais
termos? O ponto de equivalência é o ponto da titulação em que a quantidade de
reagente padrão adicionado é equivalente à quantidade do analito. É calculado utili-
zando a estequiometria da reação e não pode ser determinado experimentalmente.

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O ponto final da titulação é atingido quando acontece uma alteração física


associada à condição de equivalência. Ocorre uma mudança rápida de alguma
propriedade física da solução. É determinado experimentalmente.
Há, também, um erro associado a titulação (Et), e este é calculado da
seguinte forma:

Et  V f  Veq

Sendo Veq o volume do ponto de equivalência e Vf o volume do ponto final.


A determinação do ponto final da titulação pode ser alcançada utilizando
indicadores visuais ou métodos instrumentais. Os indicadores visuais causam
mudança de cor próximo ao ponto de equivalência, geralmente. Já os métodos
instrumentais estão relacionados às mudanças de certas propriedades da solução
durante a titulação, como medida de pH, condutividade, corrente etc. No Quadro
1, é possível verificar os tipos de indicadores utilizados, bem como a faixa de pH,
os quais são aplicáveis e a mudança de cor observada.

INDICADOR PKA ZONA DE TRANSIÇÃO COLORAÇÃO

Timolftaleína 10,0 9,4 a 10,6 Incolor para azul

Fenolftaleína 9,3 8,0 a 10,0 Incolor para rosa

Azul de timol 8,9 8,0 a 9,6 Amarelo para azul

Azul de bromotimol 7,1 6,2 a 7,6 Amarelo para azul

Vermelho de metila 5,0 4,4 a 6,2 Vermelho para amarelo

Alaranjado de metila 3,4 3,1 a 4,4 Vermelho para amarelo

Azul de timol 1,65 1,2 a 2,8 Vermelho para amarelo

Quadro 1 – Indicadores ácido-base / Fonte: a autora.

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Existe uma representação gráfica para a titulação, conhecida por curva de titula-
ção. A Figura 4 representa uma dessas curvas. Ela mostra a variação logarítmica
de determinada propriedade, em função do volume do titulante.

Descrição da Imagem: a
imagem apresenta uma
curva de titulação áci-
do-base, sendo o eixo y
composto por valores de
pH e o eixo x por volume
do titulante. Há um pon-
to vermelho no meio do
gráfico, indicando o pon-
to de equivalência. Na
inflexão do gráfico, ou
seja, na parte em que o
volume de titulante adi-
cionado permanece qua-
se constante, é quando
se verifica a faixa de pH
do indicador a ser utili-
zado. Fim da descrição.

Figura 4 – Representação gráfica da titulação – curva de titulação


Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Curva_Titulacao_Acido_For-
te_Base_Forte.svg. Acesso em: 17 abr. 2024.

Na Figura 4, mais ou menos no meio da parte em que o volume do titulante é


constante, está o ponto de equivalência representado pelo ponto vermelho.

Titulação ácido-base para espécies fortes

A titulação de neutralização ou ácido-base são utilizadas para determinar a con-


centração de ácidos e bases. A alcalimetria envolve titular substâncias ácidas uti-
lizando solução padrão alcalina. Já a acidimetria envolve solução padrão ácida,
titulando espécies básicas. É importante comentar que a solução padrão nesse
tipo de titulação será, sempre, uma base ou um ácido forte, pois este tipo de subs-
tâncias causa mudanças pronunciadas no pH próximo ao ponto de equivalência.
Para visualizar o ponto final, faz-se uso de indicadores ácido-base. Para es-
colher o indicador adequado, é necessário verificar a maneira como o pH varia

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próximo ao ponto de equivalência, visto que cada indicador possui uma zona de
transição, onde acontece a variação de coloração. Explicando de outra forma: o
indicador ácido-base é um tipo de substância cuja a cor depende do pH do meio.
A curva de titulação é uma ferramenta importante para verificar o compor-
tamento do sistema estudado e determinar o pH nas proximidades do ponto de
equivalência. De forma resumida, em uma titulação de:
■ Ácido forte com base forte → pHponto de equivalência = 7,00.
■ Ácido fraco com base forte → pHponto de equivalência > 7,00.
■ Ácido forte com base fraca → pHponto de equivalência < 7,00.

Quando é feita a titulação de um ácido forte com uma base forte, a curva de titula-
ção pode ser dividida em três regiões: antes do ponto de equivalência (PE), no PE
e após o PE. De forma a calcular a curva de titulação, quatro etapas são analisadas.

ETAPA 1 (ANTES DE INICIAR A TITULAÇÃO)

Não há adição de titulante ao titulado, há somente solução aquosa de ácido forte. O


pH da solução será dado pela dissociação do ácido forte.

ETAPA 2 (APÓS O INÍCIO DA TITULAÇÃO)

A solução contém uma mistura de ácido forte que ainda não reagiu com a base forte e
o sal formado pela reação ácido-base. O pH da solução será dado pelo ácido forte que
está em solução.

ETAPA 3 (NO PE)

A quantidade de base adicionada reagiu com todo ácido presente na solução, forman-
do água. O pH será determinado pelo equilíbrio da água.

ETAPA 4 (APÓS O PE)

Há excesso de base forte. O pH da solução será dado pela dissociação da base forte.

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Para melhor compreender tais conceitos, considere a titulação de 100,0 mL de


HCl 0,100 mol/L com solução padrão de NaOH na mesma concentração.

HCl( aq )  NaOH ( aq )  NaCl( s )  H 2O(l )

O volume de titulante necessário para atingir o PE é dado por:


nº de mol de NaOH = nº de mol de HCl
CNaOH x VNaOH adicionado = CHCl x VHCl
0,100 x VNaOH adicionado = 0,100 x 100
VNaOH adicionado = 100,0 mL

Etapa 1:

pH   log  H 3O     log  0,100   1, 00

Etapa 2:
Supondo a adição de 10,0 mL de NaOH.
nº de mol de NaOH adcionado = CNaOH x VNaOH adicionado = 0,100 x 0,01 = 0,00100

HCl( aq )  NaOH ( aq )  NaCl( s )  H 2O(l )

Início 0,0100 - - -
Adição - 0,00100 - -
Equilíbrio 0,00900 - 0,00100 0,00100

Assim, a concentração de HCl é dada por:

nmolHCl nmolHCl 0, 00900


CHCl     0, 0818mol / L
Vtotalda VHCl  VNaOH 0,100  0, 0100
solução

pH   log  H 3O     log  0, 0818   1, 09

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Etapa 3:
VNaOH adicionado = 100,0 mL
nº de mol de NaOH = CNaOH x VNaOH adicionado = 0,100 x 0,1 = 0,0100

HCl( aq )  NaOH ( aq )  NaCl( s )  H 2O(l )

Início 0,0100 - - -
Adição - 0,0100 - -
Equilíbrio - - 0,0100 0,0100

Sais de ácido forte e base forte não sofrem hidrólise. Neste caso:

 H 3O    1, 00 x 107 mol / L
pH  7, 00

Etapa 4:
Supondo a adição de 102,0 mL de NaOH.
VNaOH adicionado = 100,0 mL
nº de mol de NaOH = CNaOH x VNaOH adicionado = 0,100 x 0,102 = 0,0102

HCl( aq )  NaOH ( aq )  NaCl( s )  H 2O(l )

Início 0,0100 - - -
Adição - 0,0102 - -
Equilíbrio - 0,000200 0,0100 0,0100

nmolNaOH nmolNaOH 0, 0002


CNaOH     9, 90 x104 mol / L
Vtotalda VHCl  VNaOH (00,100  0,102)
solução

pOH   log OH     log  9, 90 x104   3, 00


pH  14, 00  3, 00  11, 00

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A Figura 5 representa, graficamente, a titulação de um ácido forte com uma base forte.

Figura 5 – Gráfico da titulação de um ácido forte com uma base forte / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem destaca a curva de titulação do HCl. No eixo vertical, marcado de zero a doze,
denota o “pH do titulado”, enquanto o eixo horizontal, de zero a trinta e cinco, representa o “volume do titulante
(NaOH) em mL”. A curva inicia próxima ao zero, atinge 25 e finaliza com uma pequena curva no 30. O gráfico exibe
oito pontos ao longo da curva. À esquerda, um retângulo identificado como “ponto de equivalência” tem uma seta
apontando o ponto cinco. Fim da descrição.

Titulação ácido-base para espécies fracas

De forma análoga à titulação de ácido forte e base forte, a titulação de um ácido


fraco e uma base forte também pode ser feita. O ácido fraco reage completamente
com a base forte e, neste caso, haverá a formação de um sistema tampão. Anali-
sando as etapas de forma similar, a titulação descrita anteriormente.

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ETAPA 1 (ANTES DE INICIAR A TITULAÇÃO)

Não há adição de titulante ao titulado, há somente solução aquosa de ácido fraco. O


pH da solução será dado pela dissociação do ácido fraco.

ETAPA 2 (APÓS O INÍCIO DA TITULAÇÃO)

A solução contém uma mistura de ácido fraco que ainda não reagiu com a base forte
e o sal formado pela reação ácido fraco com a base forte. O pH da solução será dado
pelo sistema tampão formado.

ETAPA 3 (NO PE)

A quantidade de base adicionada reagiu com todo ácido presente na solução, forman-
do água e um sal de ácido fraco com base forte. O pH será determinado pela hidrólise
do sal.

ETAPA 4 (APÓS O PE)

Há excesso de base forte. O pH da solução será dado pela dissociação da base forte.

Para melhor compreender tais conceitos, considere a titulação de 100,0 mL de


CH3COOH 0,100 mol/L com solução padrão de NaOH na mesma concentração.
KaCH COOH = 1,80 x 10-5
3

CH 3COOH ( aq )  NaOH ( aq )  CH 3COONa( aq )  H 2O(l )

O volume de titulante necessário para atingir o PE é dado por:


nº de mol de NaOH = n° de mol de CH3COOH
CNaOH x VNaOH adicionado = CCH COOH x VCH COOH
3 3
0,100 x VNaOH adicionado = 0,100 x 100
VNaOH adicionado = 100,0 mL

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Etapa 1:

CH 3COOH  H 2O � CH 3COO   H 3O 

Início 0,0100 - - -
Equilíbrio 0,0100-x - x x

Sendo,

[CH 3COO  ][ H 3O  ] x.x x2


Ka     1, 8 x105
[CH 3COOH ] (0, 0100  x) 0, 0100
x  1, 32 x102

pH   log  H 3O     log 1, 32 x102   2, 88

Observação: considerando [CH3COOH] = Ca, deve-se avaliar as seguintes con-


dições para realizar o cálculo simplificado, ou seja, (Ca-x) = Ca:
■ Se Ca/Ka>102 → Efetuar o cálculo simplificado (Ca-x = Ca).
■ Se Ca/Ka≤102 → Efetuar o cálculo sistemático, não considerar (Ca-x = Ca).

Etapa 2:
Supondo a adição de 20,0 mL de NaOH.
nº de mol CH3COOH inicial = CCH COOH x VCH COOH = 0,100 x 0,100 = 0,0100 mol
3 3
n° de mol NaOH adicionado = CNaOH x VNaOH = 0,100 x 0,0200 = 0,00200 mol
Vfinal da solução = 100 mL + 20 mL = 120 mL= 0,120 L

CH 3COOH ( aq )  NaOH ( aq )  CH 3COONa( aq )  H 2O(l )

Início 0,0100 - - -
Adição - 0,00200 - -
Equilíbrio 0,00800 - 0,00200 0,00200

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No equilíbrio:

0, 00800
[CH 3COOH ]   0, 0667 mol / L
0,120
0, 00200
[CH 3COO  ]   0, 0167 mol / L
0,120
[CH 3COO  ][ H 3O  ] 0, 0167[ H 3O  ]
Ka   1, 80 x105   [ H 3O  ]  7, 20 x105 mol / L
[CH 3COOH ] 0, 0667
pH  4,14

Etapa 3:
VNaOH adicionado = 100,0 mL
nº de mol de NaOH = CNaOH x VNaOH adicionado = 0,100 x 0,1 = 0,0100

CH 3COOH ( aq )  NaOH ( aq )  CH 3COONa( aq )  H 2O(l )

Início 0,0100 - - -
Adição - 0,0100 - -
Equilíbrio - - 0,0100 0,0100

0, 0100
[CH 3COONa
= ] = 0, 0500mol / L
0, 200

Hidrólise do acetato:

CH 3COO(aq )  H 2O(l )  CH 3COOH ( aq )  OH (aq )

Início 0,0500 - - -
Equilíbrio 0,0500-x - x x

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No equilíbrio:

Kw [CH 3COOH ][OH  ]


Kh  
Ka [CH 3COO  ]
1, 00 x1014 x.x x2
Kh   
1, 80 x105 0,, 0500  x 0, 0500
x  [OH  ]  5, 27 x106 mol / L

pOH   log[OH  ]  5, 28
pH  14  pOH  8, 72

Observação: considerando [CH3COOH] = Ca, deve-se avaliar as seguintes con-


dições para realizar o cálculo simplificado, ou seja, (Ca-x) = Ca:

Ca
■ Se ≤102 → Efetuar o cálculo simplificado (Ca-x = Ca).
Kh

Ca
■ Se ≥102 → Efetuar o cálculo sistemático, não considerar (Ca-x = Ca).
Kh

Etapa 4:
Supondo a adição de 100,10 mL de NaOH.
VNaOH adicionado = 100,10 mL
nº de mol de NaOH = CNaOH x VNaOH adicionado = 0,100 x 0,10010 = 0,010010

CH 3COOH ( aq )  NaOH ( aq )  CH 3COONa( aq )  H 2O(l )

Início 0,0100 - - -
Adição - 0,01001 - -
Equilíbrio - 0,01001 0,0100 0,0100

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U N I AS S E LVI

nmolNaOH excedente (nmoladdapós )


CNaOH excedente   PE

Vtotalda (VCH3COOH  VNaOH )


solução

1, 00 x105
  4, 998 x105 mol / L
(0,100  0,1001)

pOH   log[OH  ]  4, 998 x105 mol / L


pH  14, 00  4, 30  9, 70

A Figura 6 representa, graficamente, a titulação de um ácido fraco com uma


base forte.

Figura 6 – Gráfico da titulação de um ácido fraco com uma base forte / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem destaca a curva de titulação do CH3COOH. No eixo vertical, marcado de zero a
14, denota o “pH do titulado”, enquanto o eixo horizontal, de zero a 70, representa o “volume do titulante (NaOH)
em mL”. A curva inicia próxima ao zero, atinge 50 e finaliza após uma pequena curva no 70. O gráfico exibe 11
pontos ao longo da curva. À esquerda, um retângulo identificado como “Ponto de equivalência” tem uma seta
apontando entre os pontos seis e sete. Fim da descrição.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 7

Ao explorar os métodos de calibração e titulometria na química analítica, mer-


gulhamos em um mundo onde precisão e confiabilidade são imperativos. Me-
diante uma análise cuidadosa de diferentes métodos, desde a curva analítica até
a titulação ácido-base, entendemos como escolher a abordagem correta pode
influenciar diretamente a qualidade dos resultados obtidos, mas o que torna esses
conceitos tão cruciais? Ao adentrar o ambiente profissional, seja em laboratórios
farmacêuticos, indústrias alimentícias ou em estudos ambientais, nos deparamos
com desafios que demandam não apenas conhecimento teórico, mas, também,
habilidades práticas. Cada gota de solução, cada ponto na curva de titulação re-
presenta não apenas uma medida, mas a confiança de que estamos contribuindo
para a segurança e eficácia de produtos e processos essenciais para a sociedade.
Ao contemplarmos gráficos, equações e procedimentos, somos levados a
refletir sobre o papel essencial que a química analítica desempenha em nosso
mundo. Desde a determinação precisa de concentrações até a identificação de
contaminantes, cada análise nos aproxima um passo mais perto de um futuro
mais seguro e sustentável.
Assim, cada experimento conduzido e cada curva delineada devem ser vis-
tos não apenas como uma obrigação a ser cumprida, mas como uma viagem de
exploração e responsabilidade, pois é por meio do domínio desses conceitos que
moldamos nossa carreira e também o mundo ao nosso redor.

E M FO CO

Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar a respeito deste
tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

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U N I AS S E LVI

NOVOS DESAFIOS
Por intermédio da análise quantitativa, é pos-
sível quantificar determinada espécie. Essa
quantificação pode ser feita por meio dos mé-
todos clássicos ou instrumentais, sendo ne-
cessário verificar as condições de análise para
definir qual o tipo de método mais adequado.
Os métodos instrumentais possuem maior
aplicabilidade no âmbito industrial.
Quando uma medida instrumental é feita,
faz-se necessário realizar a calibração para a ob-
tenção do resultado final, sendo possível fazer,
por exemplo, a calibração externa ou o método
da adição de padrão. Ambos são amplamente
empregados.
Outra maneira de quantificar um anali-
to é por meio da titulação, sendo que, neste
procedimento, a quantificação da espécie de
interesse acontece mediante uma reação com-
pleta com o titulante adicionado. Na titulação,
o analista deve estar bem atento para o “ponto
de viragem”, quando há mudança de alguma
propriedade física da solução, por exemplo,
mudança de cor.

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AUTOATIVIDADE

1. É possível realizar a titulação de um ácido forte com uma base forte (vice-versa) ou de um
ácido fraco com uma base forte (vice-versa), desde que o titulante seja uma base ou um
ácido forte.

Levando em consideração uma montagem correta de titulação, um técnico em química quer


fazer uma titulação ácido-base utilizando H2SO4 e NaOH para determinar a concentração do
ácido. Sobre o contexto apresentado, assinale a alternativa correta:

a) A solução de NaOH se encontra no Erlenmeyer.


b) Não é necessário o uso do indicador.
c) A agitação do Erlenmeyer não é indicada.
d) O H2SO4 é o analito.
e) No ponto de equivalência ou estequiométrico, a concentração dos íons H3O+ é maior
que os íons OH-.

2. A titulação é um método quantitativo, que permite quantificar o analito de interesse por


meio de uma reação completa entre o titulado e o titulante.

Assinale a opção que apresenta os instrumentos de medição de volume mais indicados para
a realização de uma titulação:

a) Bureta e Erlenmeyer.
b) Proveta e Erlenmeyer.
c) Pipeta volumétrica e Erlenmeyer.
d) Proveta e béquer.
e) Pipeta volumétrica e béquer.

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AUTOATIVIDADE

3. Na titulação de um ácido forte e uma base forte, o ponto de equivalência está bem definido,
graficamente, enquanto, quando a titulação é de um ácido fraco com uma base forte, o
gráfico não é tão claro.

O gráfico, a seguir, foi obtido com os dados da titulação de uma amostra de determinada
substância presente em um produto comercial.

Fonte: a autora.

Nesse caso, o produto comercial e o titulante, usados no procedimento experimental, cor-


respondem, respectivamente, à(ao):

a) Ureia e solução de ácido fosfórico.


b) Ácido nítrico e hidróxido de sódio.
c) Vinagre e solução de hidróxido de sódio.
d) Soda cáustica e solução de ácido sulfúrico.
e) Ácido muriático e solução de hidróxido de potássio.

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REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. Instituto Nacional de Metrologia,


Normalização e Qualidade Industrial. Portaria INMETRO nº 29, de 10 de março de 1995. Nova
versão do Vocabulário de Termos Fundamentais e Gerais de Metrologia. Brasília, DF: INMETRO,
1995. Disponível em: http://sistema-sil.inmetro.gov.br/rtac/RTAC000182.pdf. Acesso em: 17 abr.
2024.

GUARDA, A. Química analítica qualitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019a.

GUARDA, A. Química analítica quantitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019b.

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GABARITO

1. Alternativa D.

O H2SO4 é o analito.

2. Alternativa A.

Bureta e Erlenmeyer.

3. Alternativa C.

O gráfico corresponde a uma titulação entre um ácido fraco (ácido acético presente no vina-
gre) e uma base forte (hidróxido de sódio; NaOH). Verifica-se, neste caso, um valor elevado
para o pH ao final da reação.

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TEMA DE APRENDIZAGEM 8

TÉCNICAS INSTRUMENTAIS

MINHAS METAS

Relembrar o que é espectro magnético.

Conhecer diferentes tipos de métodos espectrométricos.

Compreender os conceitos de absorção e emissão atômica.

Estudar a instrumentação envolvendo métodos espectrométricos.

Entender os resultados obtidos em análises utilizando métodos espectrométricos.

Aplicar a quantificação de um determinado analito.

Compreender a aplicabilidade de cada método estudado.

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U N I AS S E LVI

INICIE SUA JORNADA


Em química analítica, destacam-se os métodos instrumentais que se valem de tecno-
logia avançada para decifrar as propriedades físicas de substâncias específicas, per-
mitindo, assim, a quantificação precisa de analitos, mas como podemos aplicar essa
tecnologia para desvendar os segredos escondidos nas amostras que estudamos?
Dentre esses métodos, a espectroscopia emerge como uma disciplina funda-
mental, dedicada ao estudo minucioso das interações entre diferentes formas de ra-
diação e a matéria. Imagine-se diante de um espectrômetro, observando os padrões
de absorção ou emissão que revelam a composição química de uma substância des-
conhecida. Como essas informações podem ser traduzidas em dados significativos?
Por meio da espectrometria e seus variados métodos, é possível não apenas
detectar, mas também quantificar a quantidade de radiação emitida ou absorvi-
da por compostos ou espécies atômicas de interesse, mas quais são os desafios e
limitações que enfrentamos ao utilizar essas técnicas sofisticadas? Experimente
ajustar os parâmetros do espectrômetro e observe como isso influencia os resul-
tados obtidos. O que podemos aprender com essas variações?
Os métodos espectroscópicos, delineados pelas diversas regiões do espectro
eletromagnético, constituem uma ferramenta indispensável na caixa de instrumen-
tos do analista químico. Desde a espectroscopia de radiações ultravioleta e visível
(UV-Vis) até a ressonância magnética nuclear (RMN), cada faixa espectral oferece
insights únicos acerca da composição e estrutura das substâncias em análise. Como
podemos aproveitar, ao máximo, essa diversidade de técnicas para resolver pro-
blemas analíticos complexos e desvendar os mistérios que a química nos reserva?

P L AY N O CO NHEC I M ENTO

A luz solar pode ser decomposta nas cores do arco íris e o experimento feito para
comprovar tal fato foi peça chave na descoberta de algumas radiações. Vamos ou-
vir a história da descoberta das radiações ultravioleta e infravermelha? Recursos
de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 8

VAMOS RECORDAR?
Existem alguns princípios básicos que vão ajudar a compreender os métodos
espectrométricos, dentre eles, o espectro eletromagnético. Vamos recordar
o que é o espectro eletromagnético e quais os conceitos associados a ele?
Assista ao vídeo O Espectro Eletromagnético. Acesse: https://www.youtube.com/
watch?v=28JVQrLCFtM.

DESENVOLVA SEU POTENCIAL

MÉTODOS ESPECTROMÉTRICOS

Para entender os métodos espectrométricos, faz-se necessário compreender con-


ceitos envolvendo a radiação eletromagnética. A radiação eletromagnética pode
ser definida como um tipo de energia que é transmitida por meio do espaço a
velocidades elevadas. Ela pode ser descrita como uma onda e pode ser tratada
como pacotes discretos de energia ou partículas, conhecidas por fótons (SKOOG
et al., 2006). Esse comportamento é chamado de dualidade partícula-onda.
Existem alguns parâmetros associados ao conceito de onda, como: compri-
mento de onda (λ), frequência (f), amplitude (A) e período (p). Na Figura 1, po-
dem-se observar dois desses parâmetros.

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Comprimento da onda, λ
+

Amplitude
Campo elétrico

A
0

-
Tempo ou distância

Figura 1 – Parâmetros de uma onda / Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta um gráfico com os parâmetros de uma onda associados a esse con-
ceito descrito nela. Estão apresentados o comprimento de onda (λ) e a amplitude (A). Fim da descrição.

O comprimento de onda (λ) é a distância entre duas cristas de onda, medida


em direção à progressão da onda. A amplitude (A) é uma quantidade vetorial
que indica a medida da intensidade do campo elétrico ou magnético na altura
máxima da onda (SKOOG et al., 2006). A frequência está relacionada ao número
de oscilações completas que uma onda faz a cada segundo, sendo sua unidade
s-1. Vale destacar que uma oscilação por segundo também é chamada de 1 Hertz
(Hz). Por fim, o período é o tempo, em segundos, requerido para a passagem de
sucessivos máximos ou mínimos por meio de um ponto fixo. Possui a mesma
unidade da frequência.
Átomos, moléculas e íons existem em estados discretos, os quais possuem
quantidades de energia definidas, chamadas de estados eletrônicos. Se uma
magnitude de energia for aplicada ao átomo, este irá absorver essa energia e
os elétrons vão ser promovidos para uma camada de maior energia. A Figura 2
mostra como esse processo acontece.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 8

Estado excitado

Excitação (absorção de
energia)

Estado fundamental

Figura 2 – Estado de excitação de um átomo / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta a excitação de um átomo, ou seja, quando este recebe uma certa
magnitude de energia ele a absorve, saindo do estado fundamental (de menor energia) e indo para o estado
excitado (de maior energia). Fim da descrição.

Além de estados eletrônicos, as moléculas também apresentam estados vibra-


cionais, os quais estão relacionados à energia das vibrações interatômicas, e es-
tados rotacionais, que provêm da rotação das moléculas em torno de si mesmas.

A radiação eletromagnética é produzida quando átomos/moléculas/íons que


estão no estado excitado relaxam e retornam a um nível de energia mais bai-
xo, fornecendo o excesso de energia como fótons. Utilizando a Figura 1, seria o
processo contrário ao representado. As radiações UV-Vis possuem energia para
provocar transições somente de elétrons da camada mais externa. Já as frequên-
cias de raios X são mais energéticas, sendo capazes de interagir com elétrons que
estão mais próximos ao núcleo dos átomos.
Há diferença de estado de energia de átomos e moléculas, pois o número de
estados de energia das moléculas é, geralmente, maior, quando comparado com o
número de estados de energia para átomos isolados. A Figura 3 mostra tal diferença.

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A 5p B IR VIS UV
4
3
4,0 2
1
4p E2 0
Energia, elétrons-volts

3,0 4
3
2
1

Energia
E1 0
2,0 3p

1,0
4
330 nm

590 nm
285 nm

3
2
1
3s E0 0
0 λ1 λ4 λ’1 λ’5 λ’1 λ’5

Figura 3 – Demonstração da absorção de energia por um átomo (A) e por uma molécula (B)
Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta a absorção de energia por um átomo isolado (em A) e por uma mo-
lécula (em B). É notável a diferença do número de níveis energéticos quando se compara a absorção de energia
por um átomo e por uma molécula. A absorção de energia de uma molécula acontece em vários níveis de energia
e dentro de cada nível (em B: E0, E1 e E2) há subníveis energéticos, fato não observado quando se trata de um
átomo. Fim da descrição.

Espectrofotometria UV/Vis

A espectrofotometria UV/Vis é um dos métodos analíticos mais empregados


e possui ampla aplicabilidade em diferentes áreas. É baseada nas medidas de
absorção da radiação eletromagnética, nas regiões visível e ultravioleta do
espectro. Pode ser aplicada tanto para compostos orgânicos como inorgânicos e
a sensibilidade do método está entre 10-4 a 10-5 mol/L.
A energia de um feixe de radiação que incide em uma determinada área por
segundo é conhecida como potência radiante (P). Assim, quando a radiação emi-
tida atinge a amostra, parte dessa radiação é utilizada para excitar as moléculas
ou átomos presentes na amostra. A radiação que atinge a amostra, conhecida

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 8

por potência radiante incidente (P0) é maior que a radiação que não é absorvi-
da pela amostra, chamada de potência radiante transmitida (P). Para facilitar a
compreensão de tais conceitos, a Figura 4 representa P0 e P.
Há uma relação quantitativa entre a absorção da radiação, a concentração
das espécies que absorvem radiação e o caminho ótico (meio em que a radiação
passa), relação que é conhecida como Lei de Beer (ou Lei de Beer-Lambert) e
está representada matematicamente:

A   .b.c

Em que: A= absorbância (adimensional); ε= absortividade molar (L/mol/cm);


b= comprimento do caminho óptico (cm); c= concentração do analito (mol/L).

Solução
absorvente de
concentração c

P0
P

Figura 4 – Atenuação do feixe de radiação pelo processo de absorção


Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta a potência radiante incidente (P0) e a potência radiante transmitida
(P). É possível observar a diferença de magnitude entre elas, sendo P0 maior que P. Fim da descrição.

As grandezas P e P0 ainda podem ser relacionadas por meio da transmitância (T),


a qual é a fração da radiação transmitida pelo meio. Matematicamente:

P
T=
P0

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A absorbância (A) está relacionada com a transmitância por meio da equação:

A   log10 T

A Lei de Beer possui algumas limitações, tais como: descreve o comportamento


da absorção apenas de soluções diluídas; em concentrações elevadas, haverá
desvios da relação linear entre a absorbância e a concentração; há desvios quando
o soluto colorido sofre ionização, dissociação ou se associa em solução; e ocorrem
discrepâncias quando a luz usada não é monocromática.

Para que uma análise espectrofotométrica possa ser feita, faz-se necessário utilizar
um espectrofotômetro, sendo este constituído das seguintes partes:

Fonte de luz Monocromador Amostra Detector de luz

Figura 5 – Partes de um espectrofotômetro / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta as partes de um espectrofotômetro, sendo estas nomeadas, da


esquerda para a direita: fonte de luz; monocromador; amostra; e detector de luz. Fim da descrição.

■ Fonte: é necessária uma fonte contínua, sendo que a potência não deve ter
alta variabilidade em uma faixa considerável de comprimento de onda.
Um exemplo desse tipo de fonte seria lâmpadas de deutério e hidrogênio.
■ Monocromador: dispersa a radiação nos comprimentos de onda que as
compõem e seleciona uma pequena faixa de comprimento de onda para
passar pela amostra ou detector.
■ Recipiente de amostra: a amostra é adicionada a uma célula ou cubeta
para ser analisada.
■ Detector: realiza a conversão da radiação que atravessa a cubeta em uma
quantidade capaz de ser medida por um equipamento. Podem ser de dois
tipos (além do olho humano, forma pouco usada atualmente): que res-
ponde a fótons e outro a calor. Basicamente, eles convertem a energia
radiante em sinais elétricos.

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Os espectrofotômetros podem ser de feixe simples ou feixe duplo. No de feixe


simples, a leitura do branco (célula de referência) e da célula da amostra é feita
de forma individual, enquanto no feixe duplo pode ser feita de forma conjunta,
ao mesmo tempo.

Espectrometria de absorção e emissão atômica

As espectrometrias de absorção ou emissão atômica estão embasadas na medi-


da da luz absorvida ou emitida, respectivamente, pelos componentes da amos-
tra. Mediante essa técnica analítica, é possível identificar e quantificar espécies
presentes na amostra. Em ambos os métodos, há necessidade de atomização da
amostra, etapa esta de suma importância para a qualidade do método, tendo
influência sob sua sensibilidade, precisão e exatidão.
A atomização é uma etapa em que a amostra é volatilizada e decomposta,
gerando uma amostra no estado gasoso de átomos e íons. Diferentes tipos de
métodos podem ser empregados para que a atomização da amostra seja realizada,
como plasmas indutivamente acoplados, chamas e atomizadores eletrotérmicos
(SKOOG et al., 2006).

A P RO F UNDA NDO

A espectrometria de absorção atômica (EA) está associada à quantificação da


energia absorvida de uma fonte de radiação incidente na amostra para que acon-
teça a excitação dos elétrons de espécies no estado fundamental. A espectros-
copia de emissão atômica (EEA) está fundamentada na emissão de luz, com o
retorno dos elétrons elementares do estado excitado.

Vale relembrar que os átomos não possuem energias vibracional e rotacio-


nal, diferentemente das moléculas. Assim, na espectroscopia atômica, haverá
energia somente referente a transições eletrônicas, sendo gerados picos como
resultado. Na Figura 6, é possível compreender esse processo e observar o sinal
gerado nesse tipo de análise.

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a) 5p b)
5p
4,0
4,0
4p 4p
3,0 3,0
Energia, eV

Energia, eV
2,0 3p 2,0 3p

Energia térmica
ou elétrica

285 nm
285 nm

330 nm
590 nm
330 nm

1,0 590 nm 1,0

0 3s 0 3s
Excitação Emissão
atômica
c)
Absorbância

200 300 400 500 600


Comprimento de onda, nm

Figura 6 – Linhas de absorção (a) e emissão (b) de radiação do sódio e o espectro de linhas gerado
Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta: a) as linhas de absorção de energia de um átomo, onde acontece
sua excitação, saindo do estado fundamental (de menor energia) para estados excitados (de maior energia),
representando a espectroscopia de absorção atômica; b) as linhas de emissão de energia de um átomo, com a
relaxação de elétrons elementares dos estados excitados, representando a espectroscopia de emissão atômica;
c) um espectro de absorção ou emissão, sendo o eixo composto por valores do comprimento de onda e o eixo y
contém a absorbância (valor fornecido pelo instrumento de análise). Em c) há três picos estreitos, sendo possível
afirmar a boa resolução do método empregado. Fim da descrição.

Existem alguns componentes principais que compõem a instrumentação ne-


cessária para realizar análises por espectroscopia de absorção atômica, são eles:

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Fonte de
Introdução Atomizador radiação Detector de Computador
de amostra (lâmpada de radiação
cátodo oco)

Figura 7 – Instrumentação necessária para análises por espectroscopia / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta os componentes principais da instrumentação necessária para a


realização de uma análise por espectroscopia, sendo esses nomeados, da esquerda para a direita: introdução
de amostra; atomizador; fontes de radiação (lâmpada de cátodo oco); detector de radiação; e computador.
Fim da descrição.

■ Introdução de amostra: basicamente, consiste na presença do nebulizador,


o qual produz uma névoa ou aerossol. Além disso, introduz constante-
mente a amostra no atomizador.
■ Atomizador: nesta etapa, as moléculas são transformadas em átomos, seja
pelo calor de uma chama ou por meio de uma corrente elétrica.

Na Figura 8, é possível observar as fases que compõem este processo:

Moléculas Íons

Nebulização Dessolvatação Volatilização


Solução
Átomos
da amostra livres
∆ ∆
Jato gasoso Aerossol
spray seco

Figura 8 – Atomização da amostra / Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta as etapas do processo de atomização da amostra, ou seja, a amostra
líquida é transformada em aerossol. Quando a amostra chega no atomizador acontece o aquecimento desta e
gotículas finas vão para o estado gasoso. O aquecimento continua e sofre um aumento, com isso, o solvente
evapora e o analito permanece sólido. O aumento de temperatura provoca a quebra de ligações químicas, formando
átomos gasosos no estado fundamental. Fim da descrição.

O atomizador pode ser de diferentes tipos: chama, eletrotérmico ou plasma. O


de chama realiza a quantificação de mais de 60 elementos, é adequado para ro-
tinas laboratoriais, a mais utilizada é a chama da mistura de ar/acetileno. Neste

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tipo de atomizador, a amostra passa continuamente pela chama. No atomizador


eletrotérmico, um pequeno volume de amostra é confinado e por passagem
de corrente elétrica, ocorre o aquecimento e a atomização do analito. Por fim, o
atomizador de plasma, que precisa transformar um gás em íons, o que pode ser
feito por meio do fornecimento de elevada energia, com uma grande descarga
elétrica. Assim, os elétrons e os íons recebem aceleração pelo campo magnético
oscilante, fazendo com que a temperatura do plasma chegue a 10.000 K.
■ Lâmpada de cátodo oco: são lâmpadas de descarga gasosa que fazem
uso da emissão característica de cada elemento a ser determinado, ou
seja, emite comprimentos de onda dentro de uma pequena faixa de
comprimentos de onda.
■ Detector de radiação: são classificados como detectores de fótons e térmi-
cos, sendo os detectores de fótons ou fotelétricos mais utilizados.
■ Computador: amplifica o sinal que sai do detector.

A instrumentação para a espectroscopia de emissão atômica está apresentada


na Figura 9.

Dispositivo Transdutor(es)
de isolamento de Processador
Plasma comprimento de ondas
de sinal

Para a fonte de
potência de rf

Sistema
computacional

Nebulizador

Amostra

Figura 9 – Componentes de um espectrômetro de emissão atômica


Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta, esquematicamente, a sequência instrumental, com algumas dife-
renças para a espectrometria de absorção atômica, da espectrometria de emissão atômica. Fim da descrição.

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A primeira diferença observada entre a instrumentação da absorção para a emissão


atômica é que nesta, a lâmpada de cátodo oco não se faz presente, visto que o plas-
ma (atomizador) fornece a energia necessária para levar os elétrons de valência do
analito para o estado excitado. Ao retornarem para o estado fundamental, tais elé-
trons emitem a energia absorvida na forma de luz. Aqui, diversos átomos vão emitir
radiação ao mesmo tempo, portanto, após o plasma, se faz necessário realizar um
isolamento do comprimento de onda, para que a emissão do analito seja identificada.
Concluindo nossa exploração dos métodos espectrométricos, mergulhamos
nas profundezas da interação entre a matéria e a radiação eletromagnética. Desde
os conceitos fundamentais da dualidade partícula-onda até a prática intricada
da análise espectral, cada etapa desvenda um novo mistério da química analítica.
Ao observarmos as ondas que compõem o espectro eletromagnético, refletimos
sobre a complexidade dos estados de energia de átomos e moléculas, nos quais cada
transição eletrônica ou vibracional revela uma história única, e, ao mergulharmos
na instrumentação dos espectrofotômetros e espectrômetros, somos lembrados da
precisão necessária para decifrar os segredos contidos em cada amostra.
Nesse contexto, torna-se evidente que a compreensão dos métodos espec-
trométricos vai além da simples análise de dados. É uma jornada de descoberta
e questionamento, na qual cada pico de absorção ou emissão nos conduz a
novos desafios e possibilidades.
Assim, ao nos despedirmos desse universo fascinante, levamos não apenas
o conhecimento adquirido, mas também o desejo contínuo de explorar as
fronteiras da ciência, desvendando os segredos mais profundos da matéria
que nos rodeia.

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Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar a respeito deste
tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

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NOVOS DESAFIOS
A espectroscopia atômica faz uso da radiação eletromagnética para determinar
a composição da amostra analisada. Cada átomo absorve ou emite energia em
um comprimento de onda característico, fato que permite a identificação e a
quantificação de diferentes espécies.
Nesse contexto, técnicas analíticas baseadas na espectroscopia atômica (de
absorção ou emissão, por exemplo) são amplamente empregadas em análises
clínicas, forenses, ambientais, metalúrgicas e de alimentos naturais e/ou proces-
sados, por exemplo. É um tipo de método que pode ser aplicado em diferentes
áreas, podendo ser empregado em seu âmbito profissional.

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AUTOATIVIDADE

1. A relação quantitativa entre a absorção da radiação, a concentração das espécies que


absorvem radiação e o caminho óptico é conhecida como Lei de Beer.

A partir do estudo com espectrofotometria UV-Visível, quatro amostras de soluções com dife-
rentes concentrações conhecidas de aspirina foram analisadas, utilizando-se uma cubeta com
caminho óptico de 1 cm. A curva analítica é de: y = 7,6.10².x + 1,0.10-4. Considerando que o sistema
estudado atende aos pressupostos da Lei de Lambert-Beer, avalie as afirmações a seguir:

I - O caminho óptico, apesar de importante, não influencia no valor da absorbância.


II - Amostra de uma solução que contém aspirina com absorbância de 0,2 apresentará con-
centração de 2,6.10-4 mol.L-1.
III - As concentrações de aspirina puderam ser determinadas devido à absorção se dar na
região do infravermelho.
IV - Variação da absorbância em função da concentração de analito tem relação direta com
o coeficiente de absortividade molar (εε) da aspirina e com o comprimento do caminho
óptico da cubeta.

É correto o que se afirma em:

a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.

2. A espectrometria de absorção ou emissão atômica está embasada na medida da luz absor-


vida ou emitida, respectivamente, pelos componentes da amostra. Em ambos os métodos
há necessidade de atomização da amostra, etapa esta de suma importância para a quali-
dade do método, tendo influência sob sua sensibilidade, precisão e exatidão.

A etapa de atomização consiste em:

a) Volatilizar e decompor a amostra.


b) Ionizar a amostra.
c) Ionizar e liquefazer a amostra.
d) Solidificar a amostra.
e) Liquefazer e volatilizar a amostra.

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AUTOATIVIDADE

3. As espectroscopias de absorção e emissão atômica possuem componentes semelhantes


que compõem a instrumentação necessária para realizar a análise – por exemplo, em am-
bos os métodos, há a presença do atomizador.

Com base na instrumentação utilizada para análises em espectroscopia de absorção e emis-


são atômica, é correto afirmar:

a) A lâmpada de cátodo oco está presente em ambas as técnicas.


b) Na espectroscopia de emissão atômica, há um dispositivo de isolamento de compri-
mento de ondas.
c) Na espectroscopia de absorção atômica, não há a presença do atomizador.
d) É utilizada a cubeta como recipiente de amostra.
e) O atomizador é a lâmpada de cátodo oco.

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REFERÊNCIAS

GUARDA, A. Química analítica qualitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019a.

GUARDA, A. Química analítica quantitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019b.

SKOOG, A. D. et al. Fundamentos de química analítica. 8. ed. São Paulo: Thomson, 2006.

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GABARITO

1. Alternativa B.

I. Incorreta. Possui influência, sim.


III. Incorreta. Não, região do ultravioleta-visível.

2. Alternativa A.

Volatilizar e decompor a amostra.

3. Alternativa B.

A. Incorreta. Somente na espectroscopia de absorção atômica.


C. Incorreta. Sim, ele está presente.
D. Incorreta. Este é um recipiente utilizado em espectroscopia UV-Vis.
E. Incorreta. Não, a lâmpada de cátodo oco emite comprimentos de onda dentro de uma
pequena faixa de comprimentos de onda.

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TEMA DE APRENDIZAGEM 9

TÉCNICAS INSTRUMENTAIS
E MEDIDAS

MINHAS METAS

Identificar técnicas de separação.

Compreender os conceitos associados à cromatografia líquida de alta eficiência.

Estudar os parâmetros da cromatografia gasosa.

Aplicar os métodos de calibração associados à separação cromatográfica.

Compreender a técnica de separação eletroforese.

Identificar técnicas eletroquímicas.

Abranger conceitos de condutimetria, potenciometria e voltametria.

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U N I AS S E LVI

INICIE SUA JORNADA


Quando se deseja identificar e/ou quantificar uma determinada espécie em uma
amostra, esta se encontra misturada a outros componentes. Para elucidar esse
conceito, vamos considerar o ar ambiente como amostra. Existem milhares de
substâncias no ar que respiramos e é possível identificar apenas o dióxido de
carbono (CO2)? A resposta é sim, utilizando técnicas de separação, como, por
exemplo, as técnicas cromatográficas.
As técnicas cromatográficas são amplamente utilizadas e elas possuem como
objetivo separar substâncias de interesse presentes na amostra. Vale ressaltar que
esse tipo de método separa e não quantifica. Existem diferentes tipos de técnicas
cromatográficas e, a depender do tipo de amostra, por exemplo, uma técnica será
mais indicada que outra.

P L AY N O CO NHEC I M ENTO

As separações cromatográficas são amplamente utilizadas e entender os concei-


tos associados a tais métodos é muito importante. Um simples experimento pode
ser feito e, por meio dele, alguns conceitos de cromatografia são aplicados. Vamos
ouvir como podemos realizar este experimento? Recursos de mídia disponíveis
no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.

VAMOS RECORDAR?
Para realizar a análise de uma determinada amostra, faz-se necessário avaliar
o estado físico em que ela se encontra, pois, a depender da técnica, a amostra
deve estar em um estado físico específico. Você se lembra dos três estados
físicos e das suas principais características? Assista ao vídeo As Principais
Características dos Estados Sólido, Líquido e Gasoso, para ajudar a relembrar os
conceitos associados ao estado físico da matéria. Acesse: https://www.youtube.
com/watch?v=tub_WyELtCM.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 9

DESENVOLVA SEU POTENCIAL

SEPARAÇÕES CROMATOGRÁFICAS

Existem espécies que não são analitos, mas estão presentes na amostra e estas po-
dem interferir no resultado analítico. Quando a substância afeta o sinal analítico
do analito, esta é conhecida como interferente, portanto, há necessidade de lidar
com os interferentes e isso pode ser feito por meio dos métodos de separação. As
separações isolam o analito dos outros componentes (possíveis interferentes) da
amostra. A separação pode ser completa ou parcial (SKOOG et al., 2006). Para
elucidar isso, a Figura 1 representa ambos os tipos de separação.

B
A

Separação completa

D
Mistura (a)
ABCD C
A

Separação parcial

Mistura (b)
ABCD
Mistura
BCD

Figura 1 – Representação da separação completa (a) e parcial (b) / Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta dois tipos de separação, sendo em: (a) a separação completa, a qual
separa todas as espécies presentes na amostra e em (b) a separação parcial, a qual separa somente o analito do
restante da amostra. Fim da descrição.

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U N I AS S E LVI

A cromatografia é uma técnica empregada para analisar, identificar ou separar


os componentes de uma mistura, além de possuir ampla aplicabilidade e ser o
método de separação mais utilizado. A separação dos compostos acontece pela
distribuição entre fases, uma das quais é estacionária e a outra móvel.
A separação das substâncias é definida pela interação destas com a fase estacio-
nária (FE) e com a fase móvel (FM). Quando a FM passa sobre a FE, os componentes
da amostra se distribuem entre as duas fases, sendo que cada componente é sele-
tivamente retido pela fase estacionária, resultando em migrações diferentes destes
componentes. A Figura 2 elucida a interação dos componentes com a FE e FM, ou
seja, aquela espécie que possui maior interação com a FE fica retida por mais tempo,
assim, a espécie que interage menos elui primeiro (é levada primeiro pela FM).

Suporte da Sentido da eluição


Fase estacionária fase estacionária

Analitos com
Maior quantidade pouca afinidade
de interações com a pela FE são
FE. Maior retenção eluídos primeiro
dos analitos

Analito 1 Analito 2

Figura 2 – Interação dos componentes com a fase estacionária e fase móvel


Fonte: adaptada de Nascimento et al. (2018).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta a interação do Analito 1 (representado por bolinhas) e Analito 2 (repre-
sentado por triângulos) com a fase estacionária. O Analito 1 fica para trás, ou seja, ele interage mais com a FE, ficando
retido por mais tempo. Assim, o Analito 2, que interage menos com a FE, é eluido pela FM primeiro. Fim da descrição.

Após a separação dos componentes, ou seja, após cada componente interagir


de uma forma com a FE, estes são eluídos pela FM até chegarem ao sistema
de detecção (detector), o qual pode ser, por exemplo, detector de ionização em
chama, detector ultravioleta (UV), detector de captura de elétrons, dentre outros.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 9

Quando as espécies chegam ao detector, um sinal analítico é registrado em função


do tempo, gerando uma série de picos. Esse gráfico gerado é conhecido como
cromatograma e a Figura 3 mostra um exemplo hipotético deste tipo de gráfico.
detector

A
Sinal do

t0 t1 t2 t3 t4

Tempo

Figura 3 – Cromatograma hipotético / Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta um cromatograma, ou seja, um gráfico gerado quando os componentes de
uma mistura são separados, por meio de técnicas cromatográficas, e chegam ao detector. O eixo x representa o tempo
que cada componente demorou para chegar ao detector e o eixo y o sinal de resposta deste. Estão representados
dois picos, A e B, sendo que a espécie B atingiu o detector após a espécie A, pois t4 é maior que t3. Fim da descrição.

Existem diferentes tipos de cromatografia, tais como: coluna, camada fina, papel,
cromatografia líquida de alta eficiência e cromatografia gasosa.

Cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE)

Do inglês High Performace Liquid Cromatography (HPLC), a CLAE é am-


plamente utilizada. Neste tipo de cromatografia, a fase móvel empregada
é um tipo de solvente líquido. Para Skoog et al. (2006, p. 925), a CLAE é
definida como:


[...] um tipo de cromatografia que emprega uma fase móvel líquida
e uma fase estacionária muito finamente dividida. Para se obter va-
zões satisfatórias, o líquido deve ser pressurizado a muitas centenas
de libras por polegada quadrada.

A cromatografia líquida de alta eficiência, portanto, faz uso de FM líquida e a FE


deve ser finamente dividida em colunas fechadas (de diâmetro interno pequeno,
menor que 5 mm). O líquido deve ser pressurizado a altas pressões, para que a

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vazão seja adequada. De acordo com o mecanismo de separação, esse tipo de


cromatografia pode ser classificado como: cromatografia líquido-sólido ou de
adsorção, cromatografia de partição, cromatografia de troca iônica, cromatografia
em gel ou de exclusão por tamanho, cromatografia por afinidade e cromatografia
quiral. As aplicações desses tipos de CLAE para diferentes analitos estão apre-
sentadas na Figura 4.

Aumento da polaridade

Insolúvel em água Solúvel em água


Não polar Iônico
Polar não iônico

Partição
102
Adsorção Troca
(Partição iônica
em fase (Partição
reversa) normal)

103
Peso molecular

104

Exclusão

(Permeação em gel) (Filtração em gel)


105

106

Figura 4 – Aplicações de cromatografia líquida / Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta os tipos mais comuns de cromatografia líquida. Os tipos à direita da
figura são mais adequados para compostos polares e as técnicas descritas na parte de baixo da imagem são mais
adequadas para substâncias de alta massa molecular. Fim da descrição.

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A depender da polaridade relativa à FM e à FE, pode haver a seguinte


distinção:
■ Fase normal: FE polar e FM apolar. Neste caso, a substância menos polar
é eluída primeiro.
■ Fase reversa: FE apolar e FM polar. Aqui, o componente mais polar é
eluído primeiro.

As análises de cromatografia líquida são realizadas em um equipamento


conhecido como cromatógrafo líquido e este se caracteriza pelos seguintes
componentes instrumentais:

Sistema de
Reservatório Sistema de Coluna Registro de
bombeamento Detector
de FM injeção cromatográfica dados
da FM

Figura 5 – Componentes do cromatógrafo líquido / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta os componentes do cromatógrafo líquido, sendo estes nomeados,
da esquerda para a direita: reservatório de FM; sistema de bombeamento da FM; sistema de injeção; coluna
cromatográfica; detector; e registro de dados. Fim da descrição.

■ Reservatório de FM e sistema de solventes: constituído por um frasco


de vidro com filtros para remoção de partículas e gases dissolvidos pre-
sentes nos líquidos.

A P RO F UNDA NDO

A eluição dos compostos pode acontecer de duas maneiras: por gradiente e iso-
crática. A eluição por gradiente é caracterizada por sistemas de solventes signifi-
cativamente diferentes em relação a polaridade. Neste tipo de eluição, o tempo de
retenção (quanto tempo o analito fica em contato com a FE) melhora a eficiência e
a resolução da separação. A eluição isocrática acontece com apenas um solvente
ou por meio de uma mistura de solvente de composição fixa.

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A escolha da FM é uma etapa importantíssima na análise cromatográfica.


Alguns critérios auxiliam nessa escolha, tais como: elevado grau de pureza,
deve dissolver a amostra sem afetar seus componentes, não interagir com
a FE, ter baixa viscosidade, ser compatível com o sistema de detecção e ter
polaridade adequada.
■ Sistema de bombeamento: tem a função de enviar um fluxo constante e
reprodutível da FM para a coluna. Deve possuir alguns requisitos, como:
pressão máxima de operação de 6.000 psi; vazão contínua; vazões va-
riando de 0,1 a 10 mL para aplicações analíticas e resistência a corrosão.
■ Sistema de injeção (injeção de amostras): o tipo mais empregado é a
válvula com alça de amostragem. O volume deste tipo de sistema varia
de 5 a 500 µL.
■ Coluna: usualmente, são tubos de aço inoxidável com 10 a 30 cm de
comprimento, o diâmetro interno na faixa de 2 a 5 mm e partículas de 3
a 10 µm. Na entrada principal, há uma pré-coluna, a qual tem a funcio-
nalidade de proteger a coluna principal. A pré-coluna contém a mesma
FE da coluna principal. A FE fica alocada dentro da coluna.
■ Detectores: podem ser de diferentes tipos, mas devem ter as seguintes ca-
racterísticas: baixo volume morto; ser pequeno e compatível com a vazão
trabalhada. O detector será selecionado de acordo com as propriedades
da amostra. Exemplos de detectores: ultravioleta, eletroquímico, fluores-
cência, espectrometria de massa.

Cromatografia gasosa (CG)

A cromatografia gasosa (CG, do inglês gas chromatograph – GC) é uma téc-


nica baseada na separação de gases ou de substâncias voláteis. Similar à cro-
matografia líquida, em CG, a separação também é baseada na diferença de
interação das espécies que compõem a amostra com a FE (sólida ou líquida)
e FM (gasosa). É uma técnica empregada na análise de compostos voláteis e
termicamente estáveis.

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A depender do detector selecionado, é possível ter elevada sensibilidade nesta


técnica, na ordem de 10-12 g, além disso, são necessárias pequenas quantidades de
amostra, possui elevada resolução e possibilita a análise de dezenas de substâncias
de uma mesma amostra.
O cromatógrafo a gás é composto, basicamente, pelos seguintes componentes:

Gás de Controlador Sistema de Registro de


Coluna Forno Detector
arraste de fluxo injeção dados

Figura 6 – Componentes do cromatógrafo a gás composto / Fonte: a autora.

Descrição da Imagem: a imagem apresenta os componentes do cromatógrafo a gás composto, sendo estes
nomeados, da esquerda para a direita: gás de arraste; controlador de fluxo; sistema de injeção; coluna; forno;
detector; e registro de dados. Fim da descrição.

■ Gás de arraste: sua principal função é levar a amostra por meio da FE sem
alterar sua estrutura e conduzi-la ao detector com o mínimo de interferên-
cia possível. Como principais características, deve ser de alta pureza, inerte
e adequado ao detector. Os principais são: hélio, nitrogênio e hidrogênio.
■ Sistema de injeção: deve acontecer de forma rápida e com pequeno volu-
me. A temperatura deve ser mantida a um valor de tal forma que a amos-
tra se vaporize imediatamente, mas sem acontecer sua decomposição.
■ Coluna: deve ser selecionada de acordo com as propriedades do analito,
tais como: polaridade, peso molecular, volatilidade e quantidade de anali-
to na amostra. Há dois tipos de coluna: recheada ou empacotada e capilar.
É um tubo longo que contém a FE.
■ Forno: a coluna fica localizada no forno. Um bom controle de temperatu-
ra é crucial para a separação dos compostos desejados. Deve ser robusto
e sensível para que a temperatura programada seja mantida. Além de
permitir um rápido aquecimento e resfriamento.
■ Detectores: podem ser de diferentes tipos, assim como na cromatogra-
fia líquida. Alguns exemplos: detector de ionização em chama, detector
de captura de elétrons, detector de condutividade térmica, detector de
espectrometria de massa.

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Eletroforese capilar

A eletroforese é um método baseado na diferença de velocidade de migração de


espécies com carga em uma solução tampão sob a influência de um campo elétri-
co (SKOOG et al., 2006). Possui ampla aplicabilidade, em especial, na separação
de analitos difíceis, como: ânions e cátions inorgânicos, aminoácidos, catecola-
minas, drogas, vitaminas, carboidratos, peptídeos, proteínas, ácidos nucléicos,
nucleotídeos e diversas outras espécies (SKOOG et al., 2006).
A velocidade de migração de determinado íon está relacionada com sua car-
ga e seu tamanho, ou seja, as separações são embasadas na diferença da relação
carga-tamanho de diferentes analitos em uma amostra. Quanto maior for essa
razão, mais rápido o íon migra no campo elétrico. Na eletroforese capilar, há uma
importante característica, o fluxo eletroosmótico, que consiste na aplicação de
uma elevada voltagem, aplicada por meio de um capilar de sílica fundida, o qual
contém uma solução tampão, produzindo uma migração do solvente em direção
ao cátodo (SKOOG et al., 2006). A Figura 7 elucida o fluxo eletrosmótico.

Fluxo eletrosmótico

+ -

Superfície do capilar

Figura 7 – Distribuição de cargas na interface da sílica e o fluxo eletrosmótico


Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta o fluxo eletroosmótico, bem como a distribuição de cargas na interface
capilar. O fluxo é causado pela dupla camada elétrica que se forma na interface sílica/solução. Fim da descrição.

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A velocidade do fluxo eletroosmótico depende da densidade de carga na super-


fície interna do capilar, espessura da dupla camada elétrica, viscosidade da região
da dupla camada elétrica e do campo elétrico.

Potenciometria

Existem métodos analíticos que são baseados nas propriedades elétricas do


analito em solução e estes métodos compreendem a eletroanalítica. Algumas
propriedades elétricas são monitoradas, como: corrente, resistência, diferença
de potencial e carga. Ainda possuem como vantagens, elevada sensibilidade, es-
peciação química e instrumentação barata.
Dentre os métodos eletroanalíticos há a potenciometria, a qual é fundamenta-
da na medida de diferença de potencial de uma célula eletroquímica na ausência
de corrente. A célula galvânica (ou eletroquímica) é constituída por dois eletro-
dos: um indicador e outro o de referência. Na Figura 8, é apresentada uma célula
típica para análise potenciométrica.

Medidor digital

Eletrodo de
referência,
Eref Figura 8 – Célula utilizada em
análises potenciométricas
Fonte: adaptada de Skoog et al.
(2006).
Eletrodo
indicador Descrição da Imagem: a
metálico, Eind imagem apresenta uma tí-
pica célula potenciométrica,
Ponte salina,
a qual contém: eletrodo de
Ej
Solução do analito referência, ponte salina, so-
Membrana lução do analito e eletrodo
porosa indicador. Fim da descrição.
Ecélula = Eind - Eref + Ej

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Eletrodos de referência devem apresentar um potencial conhecido, o qual deve


permanecer constante durante a medida, ser indiferente à composição da solução
estudada, ser reversível, ter baixa sensibilidade às variações de temperatura e obe-
decer à equação de Nernst. Exemplos: eletrodo padrão de hidrogênio, eletrodo
de prata e eletrodo de calomelano.
Eletrodos indicadores correspondem à atividade do analito na solução, devem
responder rapidamente e de forma reprodutível, ser sensíveis à espécie iônica
de interesse. Assumem o potencial, o qual está em função do analito na solução
estudada. Podem ser eletrodos metálicos e eletrodos de membranas.
A seguir, resumimos um pouco mais acerca dos tipos de eletrodos de referência.
Eletrodo de calomelano: é um tipo de eletrodo formado por mercúrio em
contato com solução saturada de cloreto de mercúrio (calomelano, Hg2Cl2) e que
possui uma quantidade conhecida de cloreto de potássio (KCl). Esquematica-
mente tem a seguinte representação:

Hg Hg 2Cl2 ( saturado), KCl ( xmol / L )

O potencial desse tipo de eletrodo a 25 °C é 0,2444 V. A reação do eletrodo na


meia-célula de calomelano é:
Hg 2Cl2( s ) + 2 ⇌ 2 Hg (l )  2Cl(aq )

O diagrama completo do eletrodo de calomelano está apresentado na Figura 9.


Fio condutor
elétrico

Figura 9 – Esquema do eletrodo de calomelano


Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Tubo interno contendo a


pasta de Hg, Hg2Cl2, Descrição da Imagem: a imagem apresenta o eletrodo
e KCl saturado de calomelano saturado comercial típico. Uma pasta de
mercúrio/cloreto de mercúrio(I) em cloreto de potássio
KCl saturado saturado é colocada em um tubo interno e é conec-
tada a uma solução de cloreto de potássio saturado
presente um tubo externo por meio de uma pequena
abertura. Um eletrodo de metal inerte é imerso na
Pequeno pasta. Fim da descrição.
orifício Vidro sintetizado

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Eletrodo de prata/cloreto de prata: consiste em um eletrodo de prata imerso


em uma solução de KCl saturada com AgCl (cloreto de prata). Esquematicamente
é representado:

Ag AgCl ( saturado), KCl ( saturado)|

O potencial deste tipo de eletrodo a 25 °C é 0,199 V. A sua semirreação é:

AgCl( s ) + ⇌ Ag ( s )  Cl 

Para uma melhor compreensão dos eletrodos indicadores:

Eletrodos indicadores metálicos: funciona como receptor ou doador de elé-


trons. O tipo mais comum deste eletrodo é o de platina.

Eletrodos de membrana: possuem uma determinação rápida e seletiva de di-


versos cátions e ânions por meio da medida potenciométrica direta. Um eletrodo
deste tipo é o eletrodo de vidro para medida de pH, a qual acontece pela medida
da diferença de potencial por meio de uma membrana de vidro que separa a
solução desconhecida de uma solução de referência cuja concentração de íons
H+ é conhecida.

Condutometria e voltametria

A condutometria é um método eletroanalítico baseado em fenômenos que acon-


tecem no seio da solução e mede a condutância de soluções iônicas. A condutân-
cia está relacionada ao número de íons presentes e com as cargas e mobilidade
dos íons. A condução da eletricidade das soluções acontece devido à migração
de íons positivo e negativos por meio da aplicação de um campo elétrico.
A análise condutométrica pode ser direta, quando a concentração do eletró-
lito é feita por meio de uma única medida de condutância da solução, ou relativa,
quando acontecem medições das variações da condutância no decorrer de uma
titulação e com isso estabelecer o ponto final da titulação.

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U N I AS S E LVI

Os métodos voltamétricos são fundamentados na aplicação de uma rampa de


potencial sob o eletrodo de trabalho (o qual possui seu potencial controlado), em
relação a um eletrodo de referência, e no monitoramento da corrente resultante
desse processo. A célula eletroquímica é composta por três eletrodos: eletrodo de
trabalho (ET), no qual acontece a eletrólise que se investiga, eletrodo de referência
(ER) e um eletrodo auxiliar (ou contra eletrodo).
Há diferentes tipos de voltametria, os quais possuem diferentes sinais de ex-
citação. Os principais tipos de voltametria estão apresentados na Figura 10.

Tipo de Tipo de
Nome Forma de onda voltametria Nome Forma de onda voltametria

Polarografia Polarografia
(a) Varredura E (b) Pulso E de pulso
linear Voltametria diferencial diferencial
hidrodinâmica

Tempo Tempo

(c) Onda Voltametria de Voltametria


E (d) Triangular
quadrada onda quadrada E cíclica

Tempo
Tempo

Figura 10 – Sinais de excitação empregados na voltametria / Fonte: adaptada de Skoog et al. (2006).

Descrição da Imagem: a imagem apresenta os diferentes tipos de sinais de excitação da voltametria versus o
tempo: (a) o tipo de varredura é linear; (b) por pulso diferencial; (c) onda quadrada; e (d) triangular. Fim da descrição.

A voltametria de varredura linear (polarografia), incialmente, se utiliza de uma


célula com apenas dois eletrodos, um indicador e outro referência. Nesse caso,
o potencial era variado linearmente entre o potencial inicial e final e a corrente
que fluía entre os dois eletrodos era monitorada.
Na voltametria de pulso diferencial, a aplicação de potencial acontece na
forma de pulso diferencial. Está baseada no aumento do potencial na forma
de pulso com amplitude fixa e por meio da sobreposição a uma rampa de
potencial crescente.

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T E MA DE A PRE ND IZAGEM 9

A voltametria de onda quadrada é a mais rápida e sensível quando comparada


aos outros métodos voltamétricos elucidados na Figura 10. Aplica-se uma onda
quadrada simétrica de potencial, sobreposta a uma rampa de potencial na forma
de escada e a corrente é medida por meio desse processo. A corrente é medida
duas vezes: uma ao final do pulso direto e outra ao final do pulso reverso.
Para concluir este momento de estudos voltamétricos, a voltametria cíclica ou
triangular faz uso de uma varredura triangular, ou seja, o potencial vai aumentan-
do de forma linear, ocorrendo uma alternância entre o aumento e a diminuição
em relação a uma referência.
Com isso, concluímos que as técnicas de separação cromatográfica, como a
cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), a cromatografia gasosa (CG),
a eletroforese capilar, a potenciometria, a condutometria e a voltametria, são
ferramentas poderosas e versáteis na análise e separação de componentes de
uma amostra. Cada uma dessas técnicas apresenta suas características distintas
e aplicações específicas, proporcionando aos cientistas uma gama de opções para
abordar desafios analíticos diversos.
Por meio da interação entre as fases estacionária e móvel, as cromatografias
CLAE e CG permitem a separação eficiente de componentes com base em suas
características de interação com essas fases. Enquanto isso, a eletroforese capilar
utiliza um campo elétrico para separar os analitos com base em suas cargas e
tamanhos. Já a potenciometria, condutometria e voltametria exploram as proprie-
dades elétricas dos analitos em solução, oferecendo métodos sensíveis e versáteis
para análise e determinação de concentração.
Essas técnicas desempenham um papel fundamental em diversas áreas, incluin-
do química analítica, bioquímica, farmacologia, meio ambiente e muitas outras.
Com sua capacidade de separar, identificar e quantificar uma ampla gama de com-
postos, as técnicas de separação cromatográfica e eletroanalítica continuam a im-
pulsionar avanços significativos em pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo.

E M FO CO

Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar a respeito deste
tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente
virtual de aprendizagem.

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U N I AS S E LVI

NOVOS DESAFIOS
Os métodos de separação são amplamente empregados, visto que não é comum
técnicas que respondem somente a uma espécie em específico, ou seja, método
responsivo a apenas um elemento ou analito. Por meio dos métodos de sepa-
ração, faz-se possível separar e identificar diferentes compostos em amostras
complexas. O ar ambiente seria um exemplo, pois existem milhares de subs-
tâncias que o compõem e, se desejamos, para elucidar, quantificar alguns gases
de efeito estufa, como o dióxido de nitrogênio e o metano, devemos primeiro
separar tais analitos do restante das espécies presentes na amostra. Essa separa-
ção pode ser feita por meio da cromatografia gasosa e a quantificação poderia
acontecer utilizando um detector de ionização de chama e o detector de captura
de elétrons, respectivamente.
Os métodos eletroanalíticos são seletivos, porém pode haver interferentes
presentes na amostra e estes, possivelmente, vão mascarar ou afetar o sinal ana-
lítico gerado pelo analito de interesse. Nesse contexto, é comum que primeiro
se realize a separação dos componentes da amostra, por meio de técnicas cro-
matográficas, por exemplo, ou um preparo de amostra (constitui em realizar
procedimentos químicos a fim de eliminar possíveis interferentes). A potencio-
metria, a condutometria e a voltametria podem ser aplicadas na determinação
quantitativa de diferentes espécies, em diversos tipos de amostra e meios, além
de serem utilizadas em processos de oxidação/redução e adsorção, processos
enzimáticos, dentre outros.

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AUTOATIVIDADE

1. A cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) é um tipo de técnica de separação que


utiliza como fase móvel um solvente líquido. O gráfico gerado por meio dessa técnica é
conhecido como cromatograma. A figura, a seguir, mostra o cromatograma de uma amostra
em cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE). Para atender à faixa de sensibilidade do
método, a amostra, após tratamento adequado, foi diluída duas vezes. A coluna empregada
é apolar (C18), e empregou-se a fase móvel aquosa.

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Fonte: a autora.

Com relação à figura e ao exposto, assinale a alternativa correta:

a) A substância 1 é a mais apolar.


b) A substância 5 é a mais polar.
c) A substância 1 é a mais polar.
d) As substâncias não apresentam boa separação.
e) Método, apesar de demorado, apresenta relativa separação.

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AUTOATIVIDADE

2. A cromatografia gasosa é uma técnica de separação que, desde os anos 1970, vem sendo
cada vez mais utilizada na área da toxicologia forense; entretanto, como toda técnica, ela
tem limitações quanto ao seu emprego na fase de triagem.

A princípio, para ser passível de análise por cromatografia gasosa, uma substância precisa:

a) Se degradar nas temperaturas do injetor.


b) Se volatilizar nas temperaturas operacionais.
c) Não conter nitrogênio na estrutura química.
d) Não interagir com a fase estacionária.
e) Ser volátil e estável à temperatura ambiente.

3. A voltametria estuda a relação entre: voltagem, corrente e tempo, sendo feita durante a
eletrólise de uma célula eletroquímica.

Com relação à técnica de voltametria, assinale a opção correta:

a) A polarografia é um ramo da voltametria.


b) As medições são obtidas pela determinação dos potenciais.
c) Faz uso de uma célula com dois eletrodos.
d) As medidas são feitas em correntes que se aproximam de zero.
e) O consumo de analito é alto, porém é possível recuperá-lo.

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REFERÊNCIAS

GUARDA, A. Química analítica qualitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019a.

GUARDA, A. Química analítica quantitativa. Indaial: UNIASSELVI, 2019b.

NASCIMENTO, R. F. Cromatografia gasosa. Fortaleza: Imprensa Universitária UFC, 2018.

SKOOG, A. D. et al. Fundamentos de química analítica. 8. ed. São Paulo: Thomson, 2006.

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GABARITO

1. Alternativa C.

A. Incorreta. A Substância 1 é a mais polar.


B. Incorreta. A Substância 5 é a mais apolar.
D. Incorreta. Possui boa resolução.
E. Incorreta. Não é um método demorado e a separação foi eficiente.

2. Alternativa B.

A. Incorreta. Não se deve degradar a amostra.


C. Incorreta. Não faz sentido a afirmação.
D. Incorreta. Deve interagir com a FE
E. Incorreta. Não faz sentido a afirmação.

3. Alternativa A.

B. Incorreta. Pela determinação de voltagem, corrente e tempo.


C. Incorreta. Não, com três.
D. Incorreta. Sem sentido a afirmação.
E. Incorreta. Não é alto.

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MINHAS ANOTAÇÕES

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