AS REFORMAS RELIGIOSAS
Contestações à Igreja Católica
Desde a Baixa Idade Média, organizaram-se movimentos cujos participantes
criticavam os privilégios do clero, contestavam a autoridade do papa e desejavam
retornar àquilo que consideravam a fé autêntica, isto é, a vida simples, que
atribuíam aos primeiros cristãos. No século XIV, John Wycliffe, professor de
teologia da universidade inglesa de Oxford, criticou os abusos da Igreja e trabalhou
na tradução da Bíblia para o inglês. Com base nas ideias de Wycliffe, formou-se na
Boémia (região da atual República Tcheca) a comunidade dos hussitas, liderada
porjan Hus, um pregador que foi queimado vivo após ser condenado como herege
pela Igreja.
A crítica à Igreja também vinha de dentro da própria instituição. Humanistas
católicos, como Erasmo de Rotterdam e Thomas Morus, criticavam o luxo do
papado, os pesados impostos que recaíam sobre os camponeses, os abusos de
poder dos bispos e a falta de preparo intelectual dos padres. No século XV,
realizou-se uma série de concílios cujo objetivo era promover reformas na Igreja.
Tais concílios, porém, não produziram mudanças; apenas reafirmaram a unidade da Igreja sob a autoridade do papa.
As divergências teológicas e de valores culminaram na Reforma Protestante, que deu origem à segunda ruptura na
cristandade. Concílio: assembleia de bispos cujo objetivo é discutir questões de fé, doutrina, costumes e disciplina
religiosa.
As origens da Reforma protestante
Desde sua fundação, a Igreja enfrentou momentos de crise, ora em razão das disputas políticas entre papas e reis, ora
em virtude de divergências internas, promovidas por teólogos cristãos ou mesmo por homens leigos.
Os questionamentos direcionados à Igreja católica receberam novo impulso no século XVI. Como vimos, no capítulo
anterior, os humanistas contestaram o domínio cultural do clero, abrindo caminho para o surgimento de novas ideias.
Em sintonia com essas transformações, o monge alemão Martinho Lutero (1483-1546) formulou críticas incisivas
contra certas práticas da Igreja.
Martinho Lutero e a salvação pela fé
Lutero entrou para a ordem dos agostinianos em 1505, período em que começou a se interrogar a respeito da
natureza humana, da salvação e do papel desempenhado pela Igreja na vida dos fiéis. Em seus estudos, concluiu que a
natureza humana é pecadora, incapaz de alcançar, por si mesma, a salvação. Devido ao pecado original de Adão e Eva,
todas as pessoas já nasciam pecadoras. Assim, o fiel só poderia alcançar a salvação pela fé e pela graça divina. Essa
concepção contrariava a ideia do livre-arbítrio, defendida e ensinada pelo clero, segundo a qual a salvação dependeria
das boas obras dos fiéis.
Martinho Lutero também enfatizou a importância da Bíblia como a única portadora da palavra de Deus e, portanto, de
autoridade. Com isso, Lutero desqualificava a Igreja como a instituição que poderia explicar e esclarecer a Bíblia.
Segundo a perspectiva luterana, cada fiel deveria ler e interpretar as Escrituras sem a mediação do papa ou de
qualquer outro clérigo. A Igreja seria apenas um lugar de reunião, sem poderes políticos ou institucionais sobre os
fiéis.
95 teses em Wittenberg
Em 1517, Lutero divulgou um texto em que expunha 95 teses ou pontos de discordância em relação à Igreja católica. A
versão mais famosa conta que ele afixou as teses na porta da igreja de Wittenberg, cidade da região da Saxônia, no
Sacro Império Romano germânico.
Nas teses (ver Conheça melhor), ele questionava a autoridade da Igreja católica na salvação dos crentes e o comércio
de indulgências, perdões concedidos pela Igreja aos fiéis que oravam, faziam obras de caridade e doavam dinheiro à
instituição. Acreditava-se que a indulgência abreviaria a permanência da alma no purgatório. Lutero combatia essa
relação utilitária entre o pecado, o perdão e as doações.
Os movimentos protestantes empreenderam mudanças com base na reforma das doutrinas e dos costumes religiosos
proposta por Lutero. Entre elas, a diminuição da autoridade da Igreja, a possibilidade de o fiel interpretar a Bíblia por
meio da leitura, a simplificação do culto e dos sacramentos, a condenação do culto aos santos, à Virgem Maria e às
imagens. Indulgência: A venda das indulgências, ou seja, pagamento monetário pelo perdão espiritual dos pecados
concedido pela Igreja Católica foi um mecanismo criado para obter vantagens econômicas e políticas em meados da
Idade Média.
A reforma defendida por Lutero enfatizava três princípios fundamentais:
• justificação pela fé. Lutero considerava abusiva a venda de indulgências, prática destinada a financiar as
grandes obras da Igreja, como a Basílica de São Pedro, em Roma. Ele defendia a ideia de que apenas a fé levava à
salvação; por isso, não era possível obter o perdão de Deus com obras ou com a venda de indulgências.
• Sacerdócio universal. Segundo Lutero, todos os cristãos eram iguais e, portanto, todos eram sacerdotes. Ele
negava a santidade do clero (formado pelo papa, pelos bispos, monges e padres), que era a base de seus privilégios e
de sua posição especial na sociedade.
• Autoridade da palavra revelada. Para Lutero, não
era necessária nenhuma autoridade intermediária
(padres, doutores ou teólogos) para interpretar a palavra
divina contida na Bíblia. Cada fiel tinha consciência e bom
senso suficientes para compreender o texto sagrado e
aplicá-lo na sua vida.
A adoção desses princípios levou ao rompimento
definitivo com a Igreja Católica e inspirou outros
movimentos religiosos. Além disso, provocou mudanças
culturais, sociais e políticas na Europa e nas terras
ultramarinas recém-conquistadas pelos europeus.
Os primeiros impactos das ideias de Lutero
Após a divulgação e a impressão das teses, as criticas de Lutero espalharam-se rapidamente pela Europa. Os cultos
cristãos organizados por Lutero e seus seguidores reuniam cada vez mais fiéis à medida que os embates com a Igreja
cresciam.
Em 1521, Lutero foi convocado pelo imperador do Sacro Império Romano-germânico, Carlos V, a comparecer à Dieta
de Worms. Nessa assembleia, o reformador deveria responder às acusações de heresia e renunciar às suas teses e
ideias. Lutero, no entanto, manteve as críticas. Como
consequência, além de ter sido excomungado, foi condenado
pela assembleia reunida em Worms e, a partir de então,
perseguido.
As ideias de Lutero chegaram também aos camponeses. Em
1524, ocorreu uma série de conflitos com os senhores. As
revoltas camponesas foram inspiradas nas criticas de Lutero às
autoridades religiosas e políticas, radicalizando as propostas de
reforma. Esses reformadores radicais, liderados por Thomas
Múntzer, ficaram conhecidos como anabatistas, pois criticavam o
batismo católico. Para eles, o batismo deveria ser fruto de uma
decisão madura e voluntária de conversão ao cristianismo. Eles
também defendiam uma sociedade sem hierarquia, por isso se revoltaram contra o poder dos nobres. Lutero, que
contava com o apoio de pane da nobreza, condenou a rebelião. Os exércitos do Sacro Império dominaram os
camponeses em 1525.
Em 1530, o imperador Carlos V convocou uma dieta na cidade de Augsburgo para examinar as práticas cristãs
propostas por Lutero. Para tanto, o teólogo Felipe Melanchthon redigiu um documento que expunha os princípios
luteranos, como a justificação pela fé. A versão final desse documento, a Confissão de Augsburgo, tornou-se a base da
doutrina luterana.
A expansão da Reforma
A Reforma foi apoiada por diferentes setores sociais, que tinham em comum o descontentamento com os caminhos
adotados pela Igreja Católica. A adesão ao protestantismo, no entanto, variou conforme as situações locais. Esse
processo combinou a condição social e os vínculos históricos que ligavam a Igreja a cada região da Europa. Nos reinos
mais distantes do papado, onde o controle de Roma era menor, como os do norte da Europa, o protestantismo se
tornou predominante.
Muitos soberanos queriam reforçar seu poder e se livrar do controle da Igreja sobre os assuntos internos de seus
países. Desde a Idade Média, havia um conflito de autoridade entre a Igreja e a monarquia. Os papas pretendiam
controlar e limitar o poder dos soberanos com base na ideia de que a Igreja era a representante de Deus na Terra e,
portanto, todo poder derivava dela. Com a Reforma Protestante, a balança do conflito pendeu para o lado das
monarquias.
A Igreja Anglicana
A divisão do cristianismo na Inglaterra mesclou questões pessoais e políticas. O rei Henrique VIII entrou em conflito
com a Igreja Católica porque o papa Clemente VII recusou-se a desfazer o casamento do monarca com a espanhola
Catarina de Aragão. Impaciente com a negativa papal, em 1531 o rei inglês desligou a Inglaterra da Igreja de Roma e
confiscou todas as propriedades da Igreja no reino. Em 1531, fundou a Igreja Anglicana, da qual o rei é o chefe
supremo.
Essa separação teve consequências importantes para a monarquia inglesa. De um lado, marcou a origem de uma nova
igreja e a ruptura definitiva com a Igreja Católica. De outro, Henrique VIII se apropriou dos bens da Igreja, fortaleceu
sua monarquia e estreitou os laços com a nobreza local, com os grandes comerciantes e com os fazendeiros por meio
da venda e distribuição das antigas terras clericais.
O calvinismo
Inspirados nas ideias de Lutero, outros reformadores difundiram o protestantismo
na Europa. Em 1536, João Calvino, teólogo francês convertido ao luteranismo,
refugiou-se em Genebra, na Suíça, e criou uma versão mais radical e austera das
propostas de Lutero. Em sua obra Instituições da religião cristã, Calvino introduziu
novos princípios no movimento protestante, defendendo, por exemplo, a
predestinação absoluta. Segundo essa ideia, as pessoas que seriam salvas e
aquelas que estariam condenadas à perdição já teriam sido escolhidas por Deus
desde o nascimento. Dessa maneira, o destino das pessoas não estava
relacionado à realização de boas obras ou à compra de indulgências, mas já
estaria predestinado por Deus.
Para os calvinistas, a devoção ao trabalho e a riqueza material eram formas de
reconhecer os abençoados por Deus. A prosperidade resultante do trabalho era
sinal da graça divina, e o trabalho duro não era visto como punição, mas como
meio de louvar a Deus. Tal formulação atraiu os setores da burguesia
interessados em uma justificativa religiosa para suas atividades. A visão calvinista
da salvação ajuda a explicar por que, em regiões da Europa economicamente
mais dinâmicas,
ricos comerciantes e artesãos apoiaram a Reforma, A Igreja Católica, por sua vez, condenava o desejo de lucro e o
empréstimo a juros e estigmatizava o trabalho manual como uma forma de punição, indigna de um homem de bem.
A Contrarreforma
Incapaz de conter o movimento de propagação do protestantismo, a Igreja Católica reagiu, promovendo uma reforma
interna. O objetivo da Contrarreforma, ou Reforma Católica, era reafirmar os princípios fundamentais do catolicismo,
coibir os abusos do clero católico e reforçar a disciplina dos padres, exigindo-lhes o cumprimento de votos como o
celibato e o voto de pobreza.
A criação de ordens religiosas foi uma das medidas tomadas para fortalecer a Igreja Católica. Em 1534, o religioso
espanhol Inácio de Loyola fundou a Companhia de Jesus, ordem com base numa disciplina austera. Seus objetivos
eram combater o avanço do protestantismo, converter os povos pagãos e estabelecer uma elite católica culta por
meio de uma rede de instituições de ensino disseminadas pela Europa e pela América Ibérica.
A Contrarreforma foi concluída no Concílio de Trento, que se reuniu entre 1545 e 1563.0 Concílio, realizado por
iniciativa do papa Paulo III, serviu para reafirmar os ritos e dogmas católicos, como devoção aos santos e à Virgem,
salvação pelas obras e pela fé, o latim como língua utilizada nas missas e na Bíblia, a autoridade do papa e o caráter
sagrado do clero católico.
A Reforma Católica restabeleceu os tribunais do Santo Ofício, ou Inquisição, instituídos pelo papa Gregório IX, no ano
de 1229, com a finalidade de investigar os suspeitos de heresia.
Para impedir a difusão de livros considerados heréticos, a Igreja Católica criou o Index Librorum Prohibitorum ("índice
de Livros Proibidos"), um catálogo que indicava os livros que os católicos eram proibidos de ler. As igrejas reformadas
também recorreram à censura de livros, proibindo obras de autores católicos ou de reformistas radicais e até mesmo
promovendo a queima de livros em praça pública.
Responda às questões a seguir sobre a Reforma Protestante.
1. Quais foram as principais divergências religiosas de Lutero em relação à doutrina católica que levaram ao
movimento reformista?
R: podemos afirmar que a doutrina humanista foi uma das ideias que foram de suma importância para a construção
da ideia de Lutero com relação a reforma protestante.
nesse quesito, podemos afirmar que a ideia do protestantismo se deu quando Lutero tentou reformar a igreja tendo
em vista s muitas arbitrariedade que a igreja católica cometia, a exemplo da venda de indulgências e cargos dentro
da igreja.
a reforma deu origem a várias religiões cristãs que hoje são tida como os evangélicos.
2. Explique a importância da Dieta de Worms (1521).
R: Na Dieta de Worms (1521), o imperador católico Carlos V, do Sacro Império Romano Germânico condenou
publicamente as ideias de Lutero, o resultado foi a divisão da nobreza alemã entre os partidários do Imperador
(católicos) e os que apoiavam Lutero, que passou a ser perseguido mais ferozmente.
3. Que setores sociais estavam descontentes com as práticas da Igreja Católica? Qual foi a importância desses setores
para o sucesso da Reforma?
R:A burguesia,a igreja católica condenava usura(lucros)e era uma pratica proibida o
que prejudicava os interesses da burguesia que representavam os comerciantes da
época
4. Qual é a diferença principal entre a Igreja Anglicana e as demais igrejas protestantes?
R: Tanto a igreja anglicana quanto a protestante seguem os valores católicos. A diferença básica é que na igreja
anglicana, o rei/rainha é a autoridade religiosa máxima. A igreja protestante surgiu porque um cara chamado Lutero
não concordava com os ideias católicos da época (1517) como a venda do perdão dos pecados. Então ele criou uma
nova igreja (protestante/luterana). A diferença básica da luterana pra católica é que ela permiti a livre interpretação
da biblia, permite que os padres se casem e não considera a autoridade papal.
5. Explique em que consistiu a Contrarreforma e cite três medidas tomadas pela Igreja durante esse movimento.
R: A Contrarreforma, de modo geral, consistiu em um conjunto de medidas tomadas pela Igreja Católica com o
surgimento das religiões protestantes. Houve varias medidas mas vamos citar apenas algumas,
1-a criação da Companhia de Jesus. Designados como um braço da Igreja, os jesuítas deveriam expandir o catolicismo
ao redor do mundo.
2-Houve a criação dos seminários, onde os padres tinham que comparecer para se aprofundarem no estudo do
catolicismo.
3-Criou o Índex (lista de livros proibidos pela Igreja)
4-Restabeleceu um período de Inquisição, com o objetivo de punir quem não seguisse a doutrina católica.
Leia o texto a seguir e faça a atividade.
6. "No princípio do século XV, um manual utilizado nas faculdades das artes podia assim ser encomendado aos 400
exemplares de cada vez por um livreiro a uma ou mais oficinas especializadas. Mas essa produção em série era
dispendiosa e não cobria as necessidades. Daí a procura de um processo que permitisse maior difusão dos escritos:
esse processo foi a imprensa. [...]
A imprensa - que suscitou, por tabela, um considerável avanço da indústria do papel - foi considerada, na época de sua
invenção, uma 'arte divina', o símbolo de uma nova 'idade de ouro'. De fato, a imprensa correspondia a um poderoso
apelo ao conhecimento [...]. Ao 'livro-joia' de outros tempos, ricamente iluminado, mas reservado a uma camada
restrita da sociedade, sucedeu o 'livro utilidade', menos nobre pela matéria prima e pela apresentação, mas
incalculavelmente mais barato, que passou a ser um meio poderoso - e verdadeiramente revolucionário - de difusão
da cultura. I...] No final do século XV, pelo menos 35 mil edições tinham já saído dos prelos europeus, o que equivale a
15 ou 20 milhões de exemplares. Rara todo o século XVI, atingir-se-ia já mais de 150 mil edições diferentes talvez
mesmo 200 mil." DELUMEAU, Jean. A civilização do Renascimento. Lisboa: Estampa, 1994. p. 190-193.
6A) Indique a inovação técnica que possibilitou a invenção mencionada no texto.
R: a imprensa
6B) Selecione o trecho do texto que caracteriza uma mudança na transmissão do conhecimento.
R: “ Ao livro jóia de outros tempos, ricamente iluminado, mas reservado para uma camada restrita da sociedade,
sucedeu o livro utilidade, menos nobre pela matéria prima e pela apresentação, mas incalculavelmente mais barato.”
6C) Como a invenção descrita pelo autor do texto possibilitou a difusão dos ideais renascentistas no Europa?
R: A produção em massa dos livros através da imprensa tornava os mesmos mais baratos e logicamente mais
acessíveis a todo tipo de público, sendo assim, as idéias foram se espalhando rapidamente por toda Europa.
Leia o texto a seguir e faça a atividade.
Quando a Revolução Camponesa estourou na Alemanha, em 1524, os temores de Lutero, no sentido de que os radicais
viessem a distorcer suas lições políticas, alcançaram o nível da histeria, induzindo-o a reagir à revolta com chocante
brutalidade. Antes de começar a luta mais séria, sua primeira reação consistiu em viajar até a Turíngia, um dos centros
de maior descontentamento, e em publicar nessa região sua [...] Advertência pela paz. Nesse texto, ele simplesmente
exortava os príncipes a tentar a conciliação, e recordava aos camponeses que "o fato de serem os governantes ímpios
e injustos não desculpa a desordem e a revolta" Em maio de 1525, porém, os camponeses já haviam conseguido
vitórias notáveis na Turíngia, e pilhavam propriedades em todo o Sul da Alemanha. Lutero então reagiu com uma
explosão que ficou célebre, Contra as hordas camponesas, que pilham e assassinam. Essa breve, mas, devastadora
tirada se fundamenta diretamente na ordem de São Paulo: que "todo homem se submeta às autoridades
constituídas". SKINNER, Quentin. Fundações do pensamento político moderno. 5. reimp. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. P. 300.
7. Identifique e analise os argumentos de Lutero para contestar a revolta dos camponeses.
R: “O fato de serem os governadores ímpios e injustos não desculpa a desordem e a recolta.”
Os dois textos a seguir se referem ao tema da predestinação. Leia-os com atenção e responda as questões abaixo.
Texto 1
Ninguém que queira ser chamado religioso ousa negar diretamente a predestinação pela qual Deus escolhe alguns
para a esperança da vida e condena outros à morte eterna. [...] Nós de nosso lado atribuímos a Deus tanto a
predestinação como a presciência [conhecimento do futuro], mas julgamos absurdo subordinar uma à outra. [...]
Por predestinação entendemos o eterno decreto de Deus pelo qual decidiu em seu próprio espírito o que deseja que
aconteça a cada indivíduo em particular, pois nenhum homem é criado nas mesmas condições, mas para alguns é
preordenada a vida eterna, para outros a eterna condenação [...] Calvino. João. instituições da religião cristã. Livro III, cap. XXI. In:
BÍTTÍNSOS. Henry (Org). Documentos da Igreja cristã. São Paulo: As», 1967. p. 265.
Texto 2
É preciso também ter em mente que, embora seja verdade que ninguém é salvo a não ser aquele que é predestinado,
devemos falar circunspectamente [com cuidado] deste assunto, pois do contrário - se acentuarmos por demais a graça
da predestinação de Deus - poderia parecer que fechamos a porta à vontade livre e aos méritos das boas obras; [...]
Pela mesma razão não devemos falar com frequência a respeito da predestinação; se por acaso dela falarmos,
devemos moderar-nos de tal modo no que dizemos a fim de não darmos ao povo que nos ouve ocasião de errar e
dizer: "Se minha salvação ou condenação já está decretada, minhas ações boas ou más estão predestinadas"; assim
muitos são levados a negligenciar [descuidar de] as boas obras e os meios de salvação. LOYOLA, Inádo de. Exercidos
espirituais. Pane II. In: BETTENSON, Henty (Org.). Documentos da Igreja crista. São Paulo: Aste, 1967. p. 295-296.
8A) Identifique, no Texto 1, o principal argumento utilizado por Calvino para defender a predestinação.
R: “pois homem nenhum é criado nas mesma condições mas para alguns é preordenada a vida eterna e para outros a
eterna condenação. “
8B) No Texto 2, o jesuíta Inácio de Loyola impõe ressalvas à predestinação? Justifique.
R: Sim. Ele adiciona mais coisas afim de alertar o povo a respeito de falar sobre um assunto tão delicado e facilmente
moldável de forma descontrolada.
8C) Os dois autores estão de acordo em relação ao tema da "predestinação"? Justifique sua resposta.
R: Sim. Ambos crêem que a predestinação é algo imutável, sendo o texto dois apenas um complementos e algumas ressalvas a respeito da ideia
do texto um.
O fragmento a seguir foi extraído da obra de Martinho Lutero chamada Da liberdade do
cristão (1520). Leia-o com atenção.
Examinando o homem espiritual e interior veremos, então, o que é preciso
para ser um cristão justo e livre e assim ser chamado. Desse modo evidencia-se
que nenhuma coisa exterior, seja qual for o seu nome, pode torná-lo justo ou
livre, pois sua justiça e sua liberdade, e inversamente sua maldade e sua prisão,
não são corporais nem externas. [...].
Portanto, de nada serve à alma se o corpo se cobre de vestes sagradas como
fazem os sacerdotes e religiosos, nem tampouco se ela permanece nas igrejas
e lugares sagrados, tampouco se ela lida com coisas sagradas, nem tampouco
se fisicamente faz orações, jejua, faz peregrinações e pratica todas as boas
ações que eternamente poderiam ocorrer no e através do corpo.
Nem no céu, nem na terra resta à alma outra coisa a não ser viver e ser justa,
livre e cristã, segundo o Sagrado Evangelho [...]. Assim, passamos a ter certeza
de que a alma pode prescindir [dispensar] de todas as coisas, menos da Palavra
de Deus, e fora a Palavra de Deus nada mais pode auxiliá-la. LUTERO, Martinho. Da
liberdade do cristão (1520). Sâo Paulo: Ed. da Unesp, 1998, p. 25-27.
9A) Nesse trecho, Lutero faz uma crítica indireta aos sacerdotes e à Igreja católica. Identifique-a.
R: Ele crítica seus costumes de se cobrirem com vestes muitas vezes luxuosas, orarem o tempo todo, jejuar, mas ao
mesmo tempo estão se desviando do caminho dado por Deus. A crítica dele tem a finalidade de nos mostrar que a
palavra de Deus se encontra nas pequenas coisas e não na abundância.
9B) Segundo Lutero, o que é essencial à alma?
R: A justiça e a palavra de Deus.
Com base no que você aprendeu no capítulo, observe a xilogravura e faça os exercícios a seguir.
10A) Qual é o culto católico e qual é o protestante?
R: O católico é o que se encontra na esquerda e o protestante na direita.
10B) Com base no que você estudou no capítulo, compare os dois cultos.
R:
10C) Quais são as semelhanças entre os dois cultos?
R: 1° As duas acreditam em Deus
2° As duas acreditam nas palavras bíblicas
3° As duas acreditam que Jesus é o salvador
Pesquisa
A religião protestante é a que mais tem crescido no Brasil nos últimos anos. Faça uma pesquisa sobre o tema
contemplando os seguintes itens.
a) Qual é a composição religiosa do Brasil de acordo com o último Censo?
R: De acordo com o Censo de 2010 o Brasil ainda é um país majoritariamente cristão, com 64,6% do total de
brasileiros se caracterizando como católicos (não necessariamente praticantes), 22,2% como membros de alguma
denominação protestante(ou seja, como fiéis de uma das centenas de igrejas evangélicas e assemelhadas), 8% sem
religião, entre ateus e agnósticos, 2% espíritas e 3,2% adeptos de outra religião.
No grupo de "outra religião" estão, em sua maioria, adeptos de religiões relacionadas aos movimentos migratórios
específicos ocorridos no Brasil, como adeptos do budismo, islamistas e judeus.
b) Dual é o número aproximado de protestantes?
R:Conforme uma pesquisa feita pelo (IBGE) EM 2010 os protestantes representavam
22,2% da população brasileira .
c) Em que regiões do país há mais adeptos do protestantismo?
R: Norte/Nordeste.
Nome: Felipe Gabriel dos Santos Fontes
Série: 2°B
Data de Entrega: 23/05/2020