Nome: Guilherme Domiciano
Data, hora e local: 7 de Junho, 2004, às 14:05, Franca, Brasil
CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS
O mapa natal consiste na análise das posições dos planetas na hora do nascimento do
indivíduo, e dessas posições, com suas relações internas, o diagnóstico do astrólogo
será delineado visando a integração mais completa das várias partes do mapa. Certos
postulados e axiomas precisam ser dados antes de partimos diretamente para a análise,
para que o querente tenha um maior aproveitamento de seu mapa, pois é habitual e
arqui-sabida a confusão causada pelos astrólogos modernos, tanto na sua prática
técnica na astrologia bem como os conselhos dissonantes que a maioria fornece.
Isso acontece principalmente por conta de um fato infeliz: a astrologia é uma arte
deturpada, pois desde o século XVII essa ciência espiritual foi degenerada por alguns
pseudo-gurus – alguns do oriente, alguns do Ocidente -, que se aproveitaram da
ingenuidade do mundo atual, fruto de uma educação precária e divorciada de Deus,
para extorquir dinheiro ou mesmo exercer controle egocêntrico sobre as almas
ingênuas.
Meus quase dez anos de estudos de astrologia clássica, que englobam a astrologia
helenística, egípcia, chinesa e indiana, não permitem que eu comece qualquer análise
sem deixar bem claro que existe uma diferença abissal entre a astrologia antiga,
praticada por mim e por todos os povos até a Renascença, e a moderna, que adicionou
certos conceitos, todos errados, que não se aplicam ao mundo antigo, e que mais
confundem que elucidam ao paciente. Explicações mais aprofundadas desses
problemas serão fornecidas na chamada individual que ocorrerá após a entrega do
mapa astral.
Além disso, vale salientar os avisos de praxe:
- O mapa NÃO é substituto de terapia, nem de vida espiritual regular, muito menos deve
ser tomada como absoluto o conselho do astrólogo, se assemelhando, pois, a conselhos
médicos, em que se busca mais de um profissional para determinado problema, e que o
livre arbítrio do nativo é imperativo e indiscutível.
- O mapa natal NÃO fala sobre o presente nem sobre o futuro, isso também é mais uma
confusão da astrologia moderna. O mapa deve ser lido com a seguinte idéia na cabeça:
tudo que está nele está acontece neste exato momento, como um organismo, isto é, a
respiração, a digestão, etc. É possível, sim, fazer previsões de certa natureza, mas o grau
de validade delas sempre será aberto a adaptações. Astrólogos que fazem previsão
cometem uma irresponsabilidade ímpar, pois a previsão astrológica, semelhante à
previsão do tempo, é uma ciência precisa, porém sempre aberta a possibilidade de
variações. Pede-se, do nativo, a compreensão que toda previsão astral deve ser vista à
luz desses fatos, e que, se o astrólogo não faz essa distinção, ele não é um profissional
digno de respeito.
- O ponto da astrologia NÃO é mudar o sujeito, pois toda mudança, como dizia
Aristóteles, pressupõe uma outra parte que não muda. Logo, a análise do mapa nada
mais é do que TORNAR O SUJEITO CONSCIENTE de seu funcionamento. Muitas
pessoas vivem sem saber como elas funcionam, e 99% dos problemas da vida são
causados por isso, isto é: a falta de conhecimento sobre si. Somente sabendo como cada
alma funciona é que é possível tomar algumas medidas para que o querente possa ter
uma vida mais plena e integrada, de acordo com a sua necessidade.
- O mapa deve ser lido como um LIVRO DE CONSULTA, e não um livro com começo,
meio e fim. Dificilmente uma pessoa pegará intuitivamente o mapa por inteiro, afinal, a
mecânica interna de cada alma é única, e até o nativo entender sua própria alma inteira
funcionando como um organismo, tal qual o corpo, demora bastante. Pede-se paciência
do nativo, e que ele encare o processo de autoconhecimento semelhante a um estudante
de anatomia e fisiologia do corpo, que vai, órgão por órgão, entendendo seu
funcionamento e, só então, consegue captar o funcionamento completo.
- Tudo que será analisado aqui terá absoluto sigilo terapêutico, e se algo sair desse sigilo,
o querente tem, por lei, o direito de entrar na justiça por injúria e calúnia. Muitos
astrólogos não têm a moral de dar esse aviso, mais uma vez se aproveitando da
ignorância alheia para tirar vantagem própria.
- Partes da análise podem aborrecer ou irritar o querente, pois muito do que será dito
pode ser ofensivo ou soar acusatório, mas este aviso está aqui para isso: NADA
PONTUADO AQUI É CONDENATÓRIO, MAS TAMBÉM NÃO É SUBJETIVO.
TUDO AQUI É ABSOLUTAMENTE CORRETO, MAS NÃO LITERAL. Se no seu
mapa há que você tem uma tendência a ser uma pessoa mentirosa, você tem essa
tendência sim, mesmo que negue. Não quer dizer que você é uma pessoa ruim ou maldosa,
é apenas uma inclinação natural que precisa ser integrada. Defeitos e virtudes, como
dizia Santo Agostinho, são frutos da mesma matéria, e até a capacidade de mentir pode
ser usada virtuosamente, tal qual um romancista escreve um romance, que é todo ficção
e mentira. É pedido do querente uma sinceridade brutal e uma atitude aberta e madura
para receber elogios e críticas, bem como caráter para poder admitir defeitos, mesmo
que não os veja.
PARTE UM: TEMPERAMENTO
O temperamento do nativo é a forma natural como ele se relaciona com todos os seres
e objetos. Baseado na teoria antiga dos quatro elementos, segundo os antigos, todas as
coisas eram compostas de ar, fogo, água e terra. Não é que os antigos não soubessem
da existência dos outros elementos da tabela periódica, mas eles encaixavam todos os
demais elementos dentro da categoria desses quatro modos da matéria. Se todos os
objetos têm esses quatro elementos, se um indivíduo possui uma quantidade maior de
algum dos quatro elementos, é ele que vai determinar a relação ‘’prévia’’ com eles.
Exemplo: pessoas sanguíneas, de predominância do elemento ar, irão se relacionar
com a parte aérea de tudo antes de qualquer relação se aprofundar. O temperamento é
que dará essa ‘’estimativa prévia’’. É uma parte mineral do mapa astral, fixa, isto é:
quaisquer relações que o indivíduo vai ter, antes de se aprofundarem, terão a
característica do elemento que predomina no querente.
Os princípios que regem os quatro temperamentos são os quatro elementos clássicos
descritos por Aristóteles: água, fogo, terra e ar. E esses quatro elementos são regidas
por uma combinação de quatro qualidades: frio, quente, úmido e seco. O significado
disso tudo é muito simples: Quente é aquilo que separa, tem uma característica
dispersora (o fogo queimando o papel ao meio; frio é aquilo que une, tem uma
característica unitiva (a água virando gelo por conta do frio e concentrando todas as
moléculas de H20 juntas); úmido é aquilo que não tem forma, tem uma característica
adaptativa e deformadora (o ar que não assume nenhuma forma); e seco é aquilo que
tem uma forma definida, tem uma característica formadora e imutável (uma pedra seca
que não muda de forma).
O temperamento do nativo é...
COLÉRICO:
O símbolo clássico do colérico é o fogo. É sem dúvida o mais rico dos
temperamentos. É para se pensar em homens de estado,
aventureiros, exploradores, etc. O temperamento colérico oferece
grandes oportunidades de sucesso e de glória. Caim era colérico,
Esaú, Alexandre o Grande, César, etc. É energia pura, impositiva.
Tornam-se normalmente líderes. Não há satisfação com o ‘’comum’’
para o colérico. Sempre quer o melhor. São dominantes, e querem
praticamente escrever a História. Dependendo da inclinação, ou será
dominado pelo ideal e pela glória, ou pelo tirânico e pelo despótico.
As faculdades de percepção num colérico são aguçadíssimas. Um
único olhar dá ao colérico tudo que ele precisa pra entender
qualquer situação. Tem o juízo seguro, embora preconceituoso. É
alguém de princípios firme, indiscutíveis.
Não tem sentimentos, na prática. Gosta de mandar em si, e
geralmente tem mais força sobre as emoções que a maioria das
pessoas. Repressões de sentimentos que causariam verdadeiras
neuroses em outros, no colérico causam força e aumento da
vontade.
Segundo a Bíblia, todos os filhos de Adão são ‘’filhos da Ira’’. O
orgulho habita em todos os temperamentos, mas no colérico o caso
é extremo. A ambição de um colérico é proverbial. Graças à vontade
de ferro, o colérico realiza tudo o que se empreende. Esse dom da
energia faz com que o colérico geralmente despreze os que são
menos dotados. Para alcançar sua vontade, não hesita em passar
em cima dos outros. Vira um déspota.
A Ira é o pecado primordial do colérico. De todos os pecados, a Ira é
o único que tem uma base irracional. Toda ira é derivada de uma
sensação de oposição, isto é: a crença de que a nossa vida está em
contradição com outra. Na natureza, o leão está em direta
contradição com, digamos, um cervo. Mas na vida humana, a missão
de uma pessoa não está em nenhuma contradição com a missão do
outro. Ambos podem prosperar sem se atrapalhar. Porém, o colérico
tem a sensação de que não, de que todos são uma espécie de
‘’empecilho’’. Há a maior quantidade de psicopatas entre os coléricos.
Conselhos práticos:
- Aprenda a se descontrair. Planeje momentos de lazer tanto quanto
suas obrigações.
- Os outros não têm a mesma energia e concentração que você. O
sanguíneo é distraído, o melancólico é lento e o fleumático é calmo.
Ninguém precisa ser igual a você.
- Não despreze quem não está no mesmo nível que você. Dentro de
todo colérico há tanto um Carlos Magno quanto um Stálin. Ambos
líderes fortes, mas o primeiro era um herói e o segundo um
assassino. Sempre existe a possibilidade de você virar um déspota
sem coração na sua vida diária.
- Seja mais delicado.
- Há uma tendência do colérico de manipular os outros para os seus
planos. Não faça mais isso.
- Não fuja dos seus erros. Nada nem ninguém é perfeito, mas sua
psicologia interior quer convencer você que sim. O ponto cego do
colérico é pensar que, porque ele tem a maioria de suas potências a
seu comando, ele se torna uma espécie de ‘’iluminado’’. Você erra
sim, só não consegue ver. Suponha sempre a possibilidade, em todas
as situações, de que você pode SIM ter alguma parcela de erro.
Dieta ideal para um colérico: cerveja artesanal, sidra, ovos, leite,
feijão branco, pepino, ervilhas, abobrinhas, melão, manga, maçãs,
peras, espinafre, tomate, queijos leves (tipo coalho ou brie),
cogumelos, óleo de coco e carne de carneiro.
Atitude psicológica recomendada: processar a assertividade de
maneira positiva; impor-se, mas de maneira correta; praticar
esportes violentos; deliberadamente, de tempos em tempos, deixar-
se liderar por outra pessoa.
SEGUNDA PARTE: PLANETAS,
LOTES HERMÉTICOS, CASAS E
PONTOS CARDEAIS
É a parte principal do mapa astral. Existem sete planetas principais na astrologia
clássica (a moderna inclui Netuno, Urano e Plutão). É errado incluir esses três
planetas, pois, como a astrologia é uma ciência simbólica, os planetas que afetam o
nosso plano de existência têm de ser VISÍVEIS no céu. Os únicos planetas que são
possíveis de observação a olho nu, ou com luneta, são o Sol, a Lua, o Mercúrio, o
Vênus, o Marte, o Júpiter e o Saturno.
Poucos sabem disso, mas na realidade cada pessoa não tem apenas um mapa astral,
mas um conjunto de três mapas, isto é, o mapa principal, a antiscia e a dodecatemoria.
Esses dois últimos nomes significam o seguinte: antiscia vem do latim, antiscium, que
significa ‘’o contrário, o inverso’’. É como se fosse um reflexo no espelho de cada um
dos sete planetas. E a dodecatemoria é um termo grego para ‘’as doze partes da
morada’’, que significa os doze signos, também da mesma forma como se fosse um
espelho. Junto a isso, explico aqui como que os sete planetas são, na verdade, as sete
partes da alma. Para entender mais claramente o que isso significa, é crucial entender
a anatomia do ser humano inteiro, e o esquema a seguir ilustrará mais claramente.
Os pontos angulares são quatro: ascendente, baixo-céu (Imum Coeli em latim),
descendente e alto-céu (Medi Coeli). Os significados básicos desses quatro pontos são
os mesmo que as casas I, IV, VII e X no mapa astral, mas são posições mais importantes
e ganham um significado por si só. O ascendente significa a natureza corpórea e
sensível do nativo, que significa como será sua reação perante os acontecimentos do
mundo, isto é, como o fluxo dos dados e acontecimentos ‘’entram’’ no sujeito (se
natural, se reativa, se calma, se bruta, etc...); o baixo-céu refere-se às partes
inconscientes da alma e que o nativo tem mais dificuldade de ver e perceber, e mostram
a principal fonte de insegurança espiritual; o descendente é justamente o contrário do
ascendente, dita como o nativo naturalmente ‘’expele’’ as coisas de si, seja falando,
agindo, comunicando, etc.; e o alto-céu diz respeito às possibilidades de ação do nativo,
suas profissões mais adequadas e atividades necessárias para o indivíduo cumprir sua
essência.
Os nódulos lunares, Sul e Norte, dizem respeito a duas coisas: o nódulo sul representa,
junto com a casa II, sua herança cultural/genética/hereditária. Essa herança não pode
ser mudada, apenas aceita e integrada. Nenhuma herança, por pior que seja, é ruim
em si mesma. Um histórico de uma família raivosa pode ser bem integrado em algum
esporte de alta intensidade, por exemplo. O nódulo norte representa justamente a parte
aberta da sua vida, aquilo que você é obrigada a mudar.
Os lotes herméticos são significados mais aprofundados de cada um dos sete planetas,
então eles atuam como um ‘’planeta extra’’. Se há um lote de Marte agindo em alguma
casa, é como se houvesse um ‘’mini-Marte’’ naquela casa.
As casas são doze áreas de atuação de toda alma humana. Por mais que o nativo só
tenha sete planetas espalhados diferentemente pelas doze casas, o nativo possui as doze
casas agindo sobre ele durante a vida inteira. São elas:
Casa I: o eu em relação a si mesmo, o corpo físico, o indivíduo, tudo que diz respeito à
individualidade do nativo
Casa II: o eu em relação aos objetos físicos, ao mundo externo; também significa
dinheiro, posses, riqueza.
Casa III: o eu em relação com os outros espíritos vivos (pessoas, animais) e com o
próprio aparato cognitivo-consciente-espiritual (pensamentos e ideias próprias);
também significa pequenas viagens, mensagens e afins, e é a casa de molda a linguagem
do nativo.
Casa IV: o eu em relação aos afetos e à segurança, à família, àquilo que dá o senso de
permanência; também significa origens e família do nativo; também diz como o indivíduo
quer ser querido, a necessidade específica de seu afeto.
Casa V: o eu em relação às suas capacidades, às suas habilidades; também significa a
casa dos filhos, dos lazeres, do sexo e das capacidades do nativo.
Casa VI: o eu em relação às instituições (escola, estado, universidades, polícia), aos
organismos a que ele pertence, sejam públicos ou privados.
Casa VII: o eu em relação à sociedade e com relação ao outro, o próximo; também
significa como o nativo se relaciona com a cultura em que foi inserido.
Casa VIII: o eu em relação à validade de sua vida, é a casa que resume as sete anteriores
e responde à pergunta: ‘’vale a pena?’’. É a casa que justifica, na alma particular, a
validade de sua existência.
Casa IX: o eu em relação ao fundamento supremo, que é Deus, isto é, aquilo que é a
origem e a fundação de todas as coisas que cada alma faz. Cada alma tem uma idéia de
Deus, e esta casa se refere à esta idéia, não a Deus explicitamente. Mostra a relação que
o nativo tem com Deus e com a religião em geral. Também significa viagens longas.
Casa X: o eu em relação ao dever perante o universo (não mais em relação à sociedade,
como na casa VII). Um exemplo para ilustrar a diferença: um médico pode ser
competente na realização de sua profissão num hospital cumprindo todos os requisitos
necessários, mas a casa X dita nesse médico a capacidade REAL que ele tem, e a
responsabilidade pessoal que o nativo assume perante essa função.
Casa XI: o eu em relação aos modelos universais (seus heróis, seus ídolos, suas
referências de pessoas); também é a casa das relações sociais (não mais como na casa
VII) mas o social individual, as pessoas individuais que habitam numa sociedade
Casa XII: o eu em relação ao Absoluto, ao Indeterminado, com Deus propriamente dito.
Qualquer ente nesse universo pode ser dividido, em maior ou menor grau, nessas três
partes: Uma unidade, um intelecto, e uma alma (e se for um ser vivo, um corpo). Nós
previamente já somos uma unidade, pois qualquer coisa existente pode ser reduzida a
uma unidade, e de acordo com Santo Tomás, ‘’somos uma unidade desmembrada; só
nos tornamos um realmente com a integração e nos integramos por causa de Deus’’.
Para sermos uma unidade, temos que pegar as várias partes do nosso ser e unificá-las
de algum modo. Esse é o trabalho do intelecto: integrar o que está disperso. Ele é
universal, impessoal, e embora existam os intelectos individuais, eles estão integrados
no universal. O intelecto precisa estudar e discorrer sobre essas partes dispersas (os
planetas, os signos, os ângulos, as casas), para saber como integrá-las. Essas partes
dispersas são as partes da alma, que são os sete planetas e suas configurações. É o
trabalho da astrologia trazer à consciência a dinâmica interna dessas sete partes da
alma, explicar seu funcionamento, e ensinar como o indivíduo pode, o tempo todo,
analisar-se a si mesmo, pois tal qual o sistema fisiológico do corpo humano, a alma
também tem um funcionamento automático – e o papel do autoconhecimento, seja por
astrologia ou outros meios, é justamente fazer o nativo saber como esse organismo
espiritual funciona, de maneira que ele saiba manipular a si mesmo.
A maioria das pessoas não conhece suas próprias partes, e como a alma é uma entidade
viva per se, elas acabam seguindo os impulsos que os sete planetas dão. Infelizmente,
a maioria faz de maneira inconsciente, quase reativa. Os sete planetas devem ser
interpretados como ‘’sete movimentos’’ que a alma faz, como se fossem ‘’sete pessoas’’
dentro da própria pessoa. Cada pessoa/planeta age de um jeito (a natureza do planeta
e o signo é que vai definir como é essa ação) e age dentro de uma ‘’casa’’, que seria
uma área da vida da pessoa.
Agora farei a descrição individual das posições do nativo.
PONTOS CARDEIAS
Ascendente em Libra e
Descendente em Áries:
Enquanto Áries ascendente apela para a ação deliberada, decisiva e
auto-afirmativa, Libra no Ascendente requer deliberação e ação
cuidadosamente escolhidas, baseadas numa constatação objetiva e
justa de qualquer situação. Em outras palavras, tudo o que os outros
precisam ou querem, tem de ser levado em consideração. Um
julgamento reflexivo é a tônica deste Ascendente: várias alternativas
são pesadas na balança e a maneira mais apropriada de ser ou agir
será selecionada. No entanto, essa capacidade de perceber o ponto
de vista dos outros, bem como a habilidade de analisar uma situação
por todos os seus lados, pode invalidar a ação. Daí a reputação de
Libra ascendente de vacilante, indeciso e de estar sempre "em cima
do muro".
Escolhas são bem mais fáceis de serem feitas quando se tem um
sistema de valores no qual basear-se. A responsabilidade de
estabelecer um conjunto de valores, padrões e idéias, sobre os quais
se possa fundamentar uma ação, pesa demais nos ombros deste
Ascendente. Seria tão fácil deixar outra pessoa decidir por eles! E
mesmo quando Libra ascendente baseia suas ações naquilo que
parece ser verdadeiro e justo, será que existe uma garantia de que
a coisa vai dar certo até o fim? Um amigo meu é um ávido adorador
do sol. Nos raros dias em que o sol brilha claro e forte na Inglaterra,
em vez de ficar em casa em seu jardim ele age de uma forma
heróica: pega o carro e vai direto para o escritório. Como
recompensa, deveríamos imaginar que os deuses devem sorrir para
ele por tão honrosa decisão. Mas por que será que sempre chove no
seu dia de folga? Libra ascendente precisa aprender a fazer suas
escolhas e sofrer suas conseqüências.
Libra ascendente também significa tentar equilibrar o lado
masculino e o feminino da vida, as necessidades místicas e as
noções práticas entre cabeça e coração, intuição e lógica e, o mais
importante entre o que queremos e precisamos e o que os outros
precisam e querem. Libra no Ascendente busca o relacionamento
perfeito, a filosofia ideal e por isso tudo o que é harmonioso e
agradável. Muitas vezes existe um interesse em artes e uma atração
por sistemas abstratos, como a política ou a matemática, que lhe
oferecem simetria e conceitos perfeitos. Alguns dos ideais e das
crenças de Libra ascendente podem estar muito além das relações
mais básicas das realidades da vida. No entanto, ao mesmo tempo,
este Ascendente pode ser bastante crítico quando alguma coisa não
acontece como desejado ou esperado. Todos que têm este
posicionamento podem ser assim: "Em nome da harmonia é melhor
que as coisas sejam do meu jeito, tá!" (Será que é Áries aparecendo?)
Os relacionamentos são importantes para Libra ascendente e
também necessários para sua evolução e crescimento pessoais. Se
Libra está no
Ascendente, então Áries está no Descendente. De certo modo, Áries
na esfera da vida associada com um parceiro faz surgirem as
qualidades librianas. Se um parceiro é terrivelmente egocêntrico e
dogmático (um tipo ariano), o ascendente
Libra vai ter que aprender a se ajustar e a fazer concessões. No
entanto, se a outra pessoa se torna injusta demais, enérgica e
exigente, o Libra ascendente aprende a intervir em favor de seu self
e a exigir os traços librianos de igualdade e equilíbrio. Os opostos
têm uma maneira toda sua de entrar uns nos outros. Se o
ascendente Libra não gosta da maneira como você conduz as
situações, logo você vai ficar sabendo.
A maioria dos livros de astrologia atribuem a Libra muito charme
pessoal e um corpo bem-proporcionado, porém com tendência a
engordar devido à preguiça e à auto-indulgência. Signos de Ar no
Ascendente têm, em geral, uma visão bastante primitiva a respeito
delas. De acordo com os registros de batismo, Adolf Hitler nasceu
com Libra ascendendo, enfatizando a ferocidade com a qual Libra
luta pela sua filosofia e por seus ideais políticos, destruindo tudo que
não se ajusta à visão de harmonia e perfeição. Para o bem do
equilíbrio, eu citaria alguns bons exemplos do temperamento de
Libra ascendente, como o sensível poeta Carl Sandburg, com Vênus
em Peixes na 5ª Casa, a da expressão criativa, e Winston Churchill,
com o regente Vênus, na 3ª, a casa da comunicação.
Imum Coeli em Capricórnio e
Medium Coeli em Câncer:
Baixo-céu em Capricórnio dá uma estrutura afetiva bastante firme,
mas como o Saturno está em Câncer, toda a estrutura emocional
desse nativo em relação às instituições é a de medo. Esse nativo tem
problemas com qual posição ocupar na hierarquia de poder na sua
profissão.
Sol em Gêmeos na IX:
Quem tem este posicionamento deveria empenhar-se em aumentar
sua compreensão e perspectiva da vida. Isso pode ser conseguido
através de viagens, boas leituras, vôos de imaginação ou através da
pesquisa filosófica nos "por quês" e "cornos" da existência. A
capacidade de perceber significados e padrões mais profundos que
acontecem nas esferas coletiva e pessoal da vida, vitaliza e
potencializa o Sol nesta casa.
Com qualquer ênfase sagitariana, a vida é bem melhor vista como
uma jornada ou uma peregrinação. É verdade que alguns podem
acreditar, como o escritor espanhol Cervantes, que "a estrada é
melhor que a pousada". Em vez de engolir sem mastigar qualquer
crença, a compreensão obtida pelo descobrimento de diferentes
grupos, filosofias ou religiões pode ser destilado numa visão pessoal
da verdade. Compartilhar e trocar suas descobertas com os outros
os ajuda a se distinguirem.
Existe o perigo de se tornar tão preocupado com "o grande quadro e
os aspectos abstratos da vida" que eles perdem contato com a
realidade do dia-a-dia.
Obsessivos a respeito do que o futuro lhes poderá trazer, a imediata
participação na vida "aqui-e-agora" é de alguma maneira
desordenada. Eles podem estar tão preocupados planejando a vida
e projetando o futuro que esquecem de vivê-lo. Às vezes estão
cheios de bons conselhos para os outros, mas nunca se lembram de
aplicá-los em seus próprios compromissos.
Esta posição enquadra uma série de vocações. Eles podem ser
ótimos num trabalho de relações públicas, onde promovem um
conceito ou uma visão que inspira aos outros. São bons em vender
viagens - enaltecendo as virtudes de férias na África (mesmo que
nunca tenham estado lá). Dão excelentes gerentes e instrutores,
dirigindo e organizando os outros a alcançarem alguma meta
comum.
Incendeiam os outros com seu entusiasmo e visão, e muitas vezes
espalham conhecimento ensinando, escrevendo ou publicando.
O filósofo e escritor alemão Thomas Mann nasceu com o Sol na 9ª
Casa. Ele acreditava que os seres humanos "eram uma grande
experiência... e seu fracasso seria o fracasso da própria criação". E
dizia ainda que mesmo que este ponto de vista não fosse verdadeiro,
seria melhor "para o homem que se comportasse como se o fora". 1
O Sol na 9ª Casa precisa de algo em que acreditar.
O indivíduo enxerga naturalmente nas coisas uma verdade, extrai
delas uma crença, e isto de uma maneira mais ou menos direta,
reduzindo ao mínimo indispensável a intermediação do
questionamento dialético. Apreender intuitivamete, crer e
generalizar são compactados numa só operação instantânea. Toda a
mediação dubitativa é rejeitada como mera perda de tempo ou como
um adiamento covarde. Há uma grande propensão de saltar
diretamente para as conclusões, evitando a investigação de aspectos
problemáticos ou ambíguos. Daí uma espécie de contraste direto e
bruto entre a verdade e o erro: ou capta diretamente a verdade num
ato intuitivo, ou adere instantaneamente a uma falsidade. Daí
também a dificuldade inicial de rever criticamente suas opiniões,
sendo a operação de revisão substituída por mudanças em bloco: a
crença querida é rejeitada no todo e sem mediações, em favor de
uma outra. Tem, por isso, dificuldade em aprender a perspectiva de
um outro indivíduo. Suas crenças são auto-referidas.
As verdades intuídas vão sendo empilhadas num sistema de crenças
e confirmam umas às outras. Busca a firmeza, a convicção. A certeza
lhe é vitamínica. E, por isto, prefere à dúvida a negação pura e
simples.
Tende, portanto, a perseverar no seu próprio discurso, pois
mudanças contínuas e parciais na direção do pensamento - como as
que são normais e habituais com o indivíduo com Sol na III - criam
uma incerteza na qual sua intuição apaga. A parte fundamental do
seu pensamento é a parte afirmativa; quer a conclusão, a verdade, a
consolidação de um juízo. Se fizer polêmica é para impor a posição
que já tem. Para poder intuir, precisa dar a si mesmo e aos outros
uma impressão de certeza, embora isto não queira dizer que tenha
realmente certeza. A certeza real só pode ser verificada através da
segurança dos seus atos. Enquanto para o Sol na III o movimento do
pensar, falar, narrar é tudo, para o Sol na IX este movimento é
incômodo, pois é só um meio.
Lua em Aquário na V:
Valoriza as situações de desafio porque acha que é nelas que vai
encontrar felicidade. Deseja a vitória e sente prazer no ato de
conquistar as coisas. O estado emocional determina sua capacidade
de enfrentar os desafios e vice-versa. Está feliz ou infeliz conforme
o próprio desempenho, e ao mesmo tempo o desempenho depende
de o indivíduo estar feliz ou infeliz.
Alternadamente pode se sentir muito capaz ou muito incapaz,
independentemente dos motivos objetivos, de modo que a
demonstração efetiva da capacidade depende de haver uma
coincidência entre a oportunidade externa, a capacidade real e a
motivação subjetiva.
O Sol na 5ª Casa força e reforça sua individualidade com hobbies,
romances e expressões criativas; quem tem a Lua nesta casa, no
entanto, fixa-se nessas mesmas saídas em busca por conforto,
segurança e tranqüilidade. Enquanto o Sol de 5ª Casa briga para ser
criativo, uma Lua de 5ª Casa se sente mais "em casa" criando. A
expressão artística é inata e natural.
Um senso inerente de importância e de ser especial permite que
essas pessoas se divirtam; elas não têm de provar nada. É claro que
os aspectos da Lua devem ser examinados para ver com que grau
de facilidade ou dificuldade esse princípio opera.
A menos que a Lua receba aspectos difíceis de Saturno ou dos
planetas exteriores, normalmente existe o desejo de gerar filhos.
Nós sempre encontramos a mãe, não importando em que casa a Lua
se encontre. Neste caso, o relacionamento estabelecido com a mãe
durante os anos de crescimento pode ser revivido através de seus
próprios filhos. Como exemplo, pode-se dizer que se esta pessoa
acha que a mãe não gostava dela quando era pequena, ela pode
temer que seus filhos não gostem dela ou que eles não vão gostar
de seus filhos. A Lua em qualquer casa evoca velhas lembranças e
faz associações. Do mesmo modo, tudo que se refere à mãe poderia
ser revivido em românticas confusões.
Muitas vezes quem tem a Lua na 5ª Casa chama bastante a atenção
do público. A maneira como se apresenta é agradável, envolvente e,
na maioria das vezes, não ameaça as pessoas, como se houvesse
algo vagamente conhecido a seu respeito. Sir Laurence Olivier,
conhecido por sua habilidade em retratar impecavelmente um
grande número de caracteres, nasceu com a inerentemente
perspicaz e habilidosa Lua em Virgem, na 5ª Casa.
Mercúrio em Gêmeos na IX:
Quando Mercúrio entra na 9ª Casa leva suas asas junto consigo, pois
este é um território grande para cobrir. Um Mercúrio de 8ª Casa
esconde-se profundamente e espreita tudo; na 9ª Casa, Mercúrio
ganha percepção e sabedoria "subindo" ou ficando ao longe, olhando
tudo à distância e com maior perspectiva.
Acreditando que a vida e o cosmos podem ser "retratados
intelectualmente", quem tem Mercúrio nesta casa tenta (ou deveria
tentar) descobrir ou entender as leis e os princípios que governam a
existência pesquisando as leis maiores. Uma ânsia natural para
expandir e aumentar a mente através do estudo, da leitura e de
viagens deixam pessoas com este posicionamento mais ocupadas
do que nunca neste campo.
Normalmente existe o desejo de ensinar e compartilhar aquilo que
percebem e descobrem bem como inspirar outros com aquilo que os
inspirou. Este posicionamento dá filósofos, cléricos, escritores,
editores, educadores e relações públicas.
Aderir com fanatismo às suas próprias crenças ou versões da
verdade é o perigo de um Mercúrio mal aspectado nesta casa. Os
fatos que sustentam a crença adotada são normalmente aceitos mas
as outras crenças também são bem vistas.
Em alguns casos, parentes que moram longe podem ser importantes
na vida, ou uma grande viagem pode ter uma influência significativa
em como a pessoa pensa. Problemas com Mercúrio na 9ª também
podem significar fofocas e desavenças com genros, sogras, noras,
sogros, tios, primos etc.
Gêmeos na 9ª pode ter que explorar diferentes filosofias e culturas
a fim de satisfazer sua sede de conhecimento e experiência. Virgem
aqui inclina a pessoa a explorar determinadas filosofias e culturas
com maior profundidade. Com Virgem, a lei estabelecida pode ser
tomada demais ao pé da letra numa tentativa de viver a vida diária
de acordo com uma rígida interpretação das escrituras.
Virgem acredita naquilo que pode ser visto ou testado e pode ter
problemas ao tentar catalogar os inexplicáveis mistérios da vida.
Vênus em Gêmeos na IX:
Para muitos de nós, sentar e contemplar o significado e o propósito
da existência propicia uma grande dor de cabeça. Mas, em vez de
ficar brigando eternamente com problemas filosóficos e religiosos,
quem tem Vênus na 9ª Casa consegue em geral mais felicidade, paz
e bem-estar de seus sistemas religiosos. De algum modo, não seria
certo para um Vênus na 9ª projetar algo ruim em Deus: aos olhos de
Vênus, somente o que é correto, justo e eqüitativo merece ser
adorado. Se o Deus das pessoas com esta posição consegue
corresponder a expectativas tão elevadas é mostrado pelos
aspectos que Vênus recebe e por outros posicionamentos na 9ª Casa.
Normalmente, existe gosto por viagens e aventuras, e a promessa
de experiências benéficas e agradáveis a serem vividas através
delas. Possuindo uma maneira natural de apreciar e uma fascinação
pela diversidade da vida expressa pelos costumes das diferentes
culturas, podem se apaixonar por um país que não seja o seu,
adotando seus gostos e modos. Alguns possivelmente venham a se
casar com um estrangeiro ou com uma pessoa conhecida durante
as férias ou em outro lugar. Este também é um bom posicionamento
para professores e educadores, que conseguirão comunicar o amor
que têm pelas matérias a seus alunos. Vênus na 9ª Casa entusiasma-
se fácil e graciosamente por coisas que acham que valem a pena.
Escritores e artistas com este posicionamento partilham
invariavelmente desta filosofia de vida através de suas criações.
Dentre os nascidos com Vênus na 9ª está o escritor de aventuras
Jack London, o controvertido autor Norman Mailer, e o
profundamente lírico Thomas Mann.
Os relacionamentos entre sogros (as), genros e noras costumam ser
favorecidos se Vênus está bem aspectada na 9ª Casa. Se
entendemos um planeta numa casa como indicando a maneira como
deveríamos encarar os assuntos dessa casa, então Vênus nesta
posição sugere que essas pessoas podem ser tratadas com tato e
diplomacia.
Touro na 9ª Casa provavelmente procura alguma justificativa prática
para as crenças filosóficas e necessita de uma filosofia que atue na
vida do dia-a-dia. Por causa do desconforto muitas vezes advindo de
estar longe do lar familiar vai haver uma boa razão para viagens.
Libra na 9ª Casa tem um forte senso de justiça e lealdade, e pode
querer uma filosofia que tenha como premissa maior o amor ao
próximo ou que queira tornar a vida da humanidade igual a seus altos
ideais. Quem tem Libra na 9ª também pode ser fatalmente atraído
por pessoas com sotaque estrangeiro.
Guarda na memória imagens e exemplos que confirmam a
verossimilhança de seus juízos, apagando sistematicamente as
recordações que assinalem perplexidades e contradições, ou então
integrando harmoniosamente estas últimas numa síntese
imaginativa que, novamente, confirma suas crenças. Completa
imaginativamente de forma plástica e agradável suas convicções,
crenças e ideais morais, idealizando-as. Imagina-se no certo, se
auto-satisfazendo com isso. Considera irrelevante tudo o que não
confirma sua crença. Imaginação harmônica da credibilidade de suas
crenças.
Em caso de depressão profunda, produz, com a mesma facilidade,
imagens que dão verossimilhança às crenças adversas. A
capacidade de persuadir-se a si mesmo é grande em ambos os
casos, apenas operando no sentido do desejo ou contra ele.
Marte em Câncer na X:
Marte na 10ª Casa é um dos mais ambiciosos de todos os
posicionamentos encontrados. Ele tem uma necessidade de ser visto
como poderoso, forte e pretensioso, e é possível que seja escolhida
uma carreira que realce essas qualidades. Quem tem este
posicionamento quer ser lembrado como alguém digno de atenção
— honrado, se possível, mas só se não houver outro jeito. Exemplos
de Marte na 10ª Casa incluem Tracy Austin, a jogadora americana de
tênis com Marte em Leão na 10ª Casa regendo Áries na cúspide da
6ª, claro posicionamento para alguém estimado por suas proezas
atléticas; e Roman Polansky, com Marte em Libra na 10ª, mais
conhecido por seus malfadados relacionamentos do que por seu
talento criativo. Em alguns casos, a ambição de Marte transforma-
se numa subida para o alto ou numa situação em que os meios
justificam os fins: John Mitchell, do gabinete de Nixon, um dos
indiciados no caso Watergate, tem Marte em Gêmeos (o signo da
comunicação) nesta casa.
Se a 10ª Casa é tomada pela mãe (ou pelo parente responsável), os
princípios arquetípicos simbolizados por Marte deverão passar de
alguma maneira entre ela e o rebento que tem esse posicionamento.
Visto sob um ângulo positivo, a mãe poderia ter sido vivida como
dominadora e poderosa, moldando desse modo o filho como um ser
forte no mundo. Posicionamentos difíceis a Marte, no entanto,
sugerem uma relação mais turbulenta. A mãe pode ter sido vista
como eficiente e controvertida e, por isso, a criança pode ter
crescido repugnando seu poder e temendo sua fúria. Mais tarde na
vida, a maneira pela qual a pessoa se relaciona com o mundo vai ser
influenciada pelas primeiras experiências que teve com a mãe. O
mundo é visto como um lugar no qual é preciso lutar para ficar, ou
uma posição de autonomia é procurada para não se limitar mais a
esse papel subserviente. Em algum estágio da vida, as crianças com
este posicionamento poderão ter que brigar com a mãe para se
livrarem de seu controle. Alguns chegam ao ponto de inverter os
papéis e acabam mandando na vida de suas mães. Problemas com
superiores e autoridades em geral são patentes com Marte na 10ª
Casa. Áries no Meio-do-Céu ou na 10ª Casa é semelhante a Marte
nesta posição. Nesse caso, a casa em que Marte se encontra
revelará mais a respeito dos tipos de qualidades que a pessoa
mostra ao público. Recomenda-se um trabalho que permita ter
iniciativa, liderança e um bom grau de autonomia.
O indivíduo com esta posição é sensível a situações onde sinta sua
posição, dentro de determinada hierarquia social, ameaçada, seja de
cima (por uma autoridade coatora), ou de baixo (por um subordinado
rebelde).
Reage querendo derrubar aquele que exerce poder sobre ele, porque
é extremamente incômodo obedecer, e mais incômodo ainda refletir
para definir com precisão os deveres que sua posição determina.
Sendo hipersensível em questões de mando e obediência, enerva-se
facilmente quando essas questões se tornam complexas, e
procurará resolvê-las de maneira sumária, o que pode significar
tanto o exercício de um comando autoritário, quanto uma explosão
de rebeldia, ou ainda a retirada brusca e sem explicações: em todos
os casos há uma recusa espontânea da reflexão e uma necessidade
de simplificar, mesmo que em prejuízo próprio. A rapidez da reação
parece mais importante do que o conteúdo da intenção.
Júpiter em Virgem na XII:
O indivíduo com esta posição quer permanecer livre de tudo, sem se
comprometer com o mundo. É o desejo de liberdade num sistema
aberto, sem limites, sem direções definidas.
Não teme o desconhecido, pelo contrário, sente-se à vontade, livre,
quando se encontra perdido, solto no mundo, e se abandona cheio de
confiança às mãos da Providência, da sorte.
Sente que algo lhe dirá qual é a melhor direção. Confia no invisível.
Identifica a liberdade com ausência de determinações, e, como toda
decisão sempre implica o reconhecimento de uma situação
determinada, isto é, ao menos parcialmente fechada, este indivíduo
poderá se esforçar para não ter de decidir, pois a necessidade de
decisão já representa para ele, um constrangimento e uma
decepção. Tem a impressão de que o ato de decidir rompe a
harmonia do todo e não constitui um exercício da liberdade: o homem
livre não é só livre para decidir, mas é livre da necessidade de
decidir. Há aqui, portanto, uma certa recusa de reconhecer a
realidade dos constrangimentos, isto é, uma negação da fatalidade e
uma consequente afirmação da Providência. Isto tanto pode evoluir
no sentido de um absenteísmo perfeitamente irresponsável, quanto
no de um progressivo afinamento com a ordem invisível das coisas.
Às demais pessoas, poderá parecer sutil e escorregadio, ao ponto
de jamais ninguém saber por onde cobrá-lo, e nem sequer se
alguma cobrança tem cabimento.
O poeta Hölderlin escreveu que "onde existe a escuridão, o poder
salvador também nasce". Esta é uma das mais importantes
ramificações de Júpiter na 12ª Casa: justamente quando as coisas
parecem mais negras e sem esperança, Júpiter aparece não se sabe
de onde e salva a situação. Quem tem este posicionamento pode
sentir como se tivesse um anjo da guarda que aparece de relance
com uma linda surpresa.
Mas será que poderíamos dizer que isso se deve à boa sorte ou às
fadas-madrinhas? O que realmente sustenta e salva as pessoas com
Júpiter na 12ª é uma profunda fé na benevolência e no significado da
vida, e uma abertura e uma disposição para receber qualquer coisa
que lhes é trazida. Em qualquer casa em que se encontre, Júpiter
está procurando um significado na vida; porém, na 12ª Casa este
significado não é encontrado a não ser em algum evento ou realidade
externos, mas existe em estado nascente dentro do self. Através do
sentido e do significado que eles escolhem para dar a um
acontecimento, quem tem Júpiter na 12ª Casa pode transformar
experiências negativas em positivas e obstáculos em bênçãos.
A casa de Júpiter é onde procuramos a verdade. Na 2ª Casa isso pode
ser pensado em termos de valores, de dinheiro e posses, e na 7ª
Casa através de relacionamentos; mas na 12ª Casa a verdade é
encontrada dentro do self em nível de mente inconsciente. Uma
espontaneidade para virar a atenção 180 graus e explorar o reino da
imaginação interior de sonhos e símbolos vai ajudar aos que têm
Júpiter na 12ª Casa a encontrar o tipo de verdade que estão buscando
e contactar a "pessoa sábia" interior que existe em cada um e em
todos eles. A liberalidade e o raio de ação do infinito, aquele quadro
maior que Júpiter deseja ver ardentemente, pode ser encontrado no
interior do vasto âmago da psique — um mundo além do tempo, do
espaço e de qualquer limitação. Meditação, tranqüilidade, preces,
retiros, música ou artes podem ser a passagem para esse mundo.
Imaginem a alegria de Júpiter quando finalmente chega lá.
Correndo desesperadamente atrás de sua alegria em todas as
outras direções, muitas pessoas com este posicionamento buscam
em qualquer outro lugar, menos dentro de si, a realização. Um
comportamento temerário, auto-indulgência em álcool e drogas,
teatralidade maníaca, hipocrisia, imprudência em geral e outros
traços negativos como esses podem resultar no "auto-
esfacelamento" de um Júpiter de 12ª Casa.
Júpiter na 12ª Casa tende a ser o canal através do qual passam a
inspiração e o dom da cura; por isso, quem tem esse posicionamento
tem muito a oferecer trabalhando em hospitais, prisões e
instituições de caridade. A visão ampliada que assoma em tempos
de dificuldade não só traz esperança e inspiração para si mesmos
como também guia outros através das suas dificuldades. Eu vi este
posicionamento nos mapas de um bom número de advogados,
médicos e curadores bem-dotados.
Aspectos dinâmicos de Júpiter na 12ª Casa também são bons
presságios para os que são internados por alguma razão.
Beneficiados pelos cuidados e pela proteção que recebem, eles
podem transformar esta experiência em algo positivo, ou então não
precisarão ficar confinados mais tempo do que o necessário.
Saturno em Câncer na X:
A estrutura hierárquica gera estranheza no indivíduo, as relações de
poder aparecem-lhe como inverossímeis, contraditórios ou
problemáticas. Pergunta-se se é o indivíduo quem exerce poder
sobre a sociedade ou se é a sociedade que faz dele um mero
fantoche a seu serviço. De cada experiência que vive, tenta abstrair
uma regra ou lei sociológica sobre as relações de poder.
Estranha o poder, a autoridade e sua própria posição social, o lugar
que ocupa em relação aos outros. O poder que tem parece-lhe
emprestado e não real. Toma para si o peso da responsabilidade
sobre as questões sociais, e, se dispõe de algum poder, este não lhe
parece totalmente adequado (na quantidade ou na forma) às
responsabilidades que lhe incumbem.
Pode ter uma certa facilidade de captar a estrutura social como um
todo, contanto que a olhe abstrativamente e sem tentar enxergar, ao
mesmo tempo, seu lugar dentro dela; inversamente, a consciência
que tem de suas obrigações imediatas, definidas por sua função
pessoal, não lhe parece encaixar-se harmonicamente na estrutura
global. A busca de uma definição precisa de sua função pessoal -
busca que visa a aliviar a angústia da incerteza quanto às suas
obrigações - pode colocá-lo numa camisa-de-força, que ele sentirá,
depois, como imposta desde fora; a tentativa de escapar dessa
camisa-de-força o levará a confundir a luta contra si mesmo com a
luta contra a imposição externa, e a desorientação daí resultante o
fará buscar uma definição ainda mais estrita de sua função e
deveres; e assim por diante indefinidamente.
Num desenvolvimento ideal este indivíduo colocaria a questão da
realidade do seu poder pessoal num âmbito não pessoal, filosófico
ou científico, utilizando sua preocupação como instrumento para o
conhecimento da sociedade humana ou incorporando os valores de
seu grupo, tornando-se um servidor do grupo ou da nação.
Seu esquema adaptativo seria: agarrar-se com firmeza a alguns
valores da sua comunidade, baseando seu poder na imitação de tais
valores (anulação da própria personalidade); tentar "subir na vida"
para enxergar a sociedade desde cima, procurando assim
compreendê-la; colocar-se fora da sociedade, em posição marginal;
ocupar uma posição manifestamente abaixo de sua capacidade.
Em sua própria casa e elevado pela posição, Saturno opera
poderosamente na 10ª Casa. Quer tomem conhecimento quer não,
essas pessoas são extremamente sensíveis a respeito de como os
outros as vêem. Saturno na 10ª Casa, como o próprio ego pessoal,
quer ser visto como forte, sólido e duradouro. O sucesso é
normalmente julgado em termos de valores e papéis tradicionais —
a carreira, tipo de casa em que se mora, a respeitabilidade do
casamento etc. Normalmente (e há exceções), existe a necessidade
de se alcançar uma posição e o reconhecimento através de algum
tipo de trabalho socialmente aceitável. Podem arvorar-se em juízes
e condenar os que se aventuram a viver fora daquilo que seriam os
"estritos" valores sociais. Se eles têm de limitar suas ambições, por
que os outros também não deveriam fazê-lo? Tendem a ficar
zangados e com inveja dos que não o fazem.
Terão de trabalhar duro para conseguir o respeito e o status que
querem. Se bem aspectado, é possível que realizem seus anseios de
carreira com dedicação e progredindo logicamente passo a passo,
ladeira acima. No entanto, se Saturno está mal aspectado, pode
haver muitos atrasos e obstáculos no caminho. Alguns tenderão a
achar que quaisquer meios justificam seus fins, contanto que
vençam — com isso comprometendo-se ou usando os outros em seu
próprio proveito. É possível que atinjam um certo nível e daí em
diante se sintam vacilantes e frustrados em seus esforços para
continuar. Outros podem progredir bem rapidamente, usar mal seus
poderes e então cair tão depressa quanto subiram. Costumamos
aterrissar sobre nossos pés na casa de Júpiter, mas no domínio de
Saturno poderemos cair de joelhos se não tomarmos cuidado. Um
exemplo contemporâneo de Saturno na 10ª é John Mitchell, um dos
assessores de Nixon, indiciado e condenado à prisão por sua
participação no caso Watergate. Exemplos históricos famosos deste
posicionamento de Saturno incluem Hitler e Napoleão.
Algumas pessoas com Saturno na 10ª Casa tendem a se rebelar
contra sua própria supersensibilidade aos códigos e aos valores da
sociedade, tentando quebrar as regras. (Não devemos nos esquecer
de que Cronos começou a vida desobedecendo à autoridade
existente, ou seja, ao pai.) O caso em questão pode ser visto no mapa
de Nathan Leopold, nascido com Saturno em Aquário na 10ª Casa,
cuja história foi contada em livro e filme sob o título de Compulsion.
Embora de família abastada e respeitada, sua compulsão era
cometer o crime perfeito e, junto com o amigo Richard Loeb, planejou
cuidadosamente o assassinato sádico de um menino inocente. Como
o herói de Crime e Castigo de Dostoiévski, Leopold desafiou as
restrições de Saturno e da sociedade para provar que estava acima
da lei. Por sentirem demais a pressão da sociedade, os que têm
Saturno na 10ª Casa podem fazer tudo o que pensam para investir
contra ela. Bob Dylan resumiu muito bem este posicionamento numa
canção que diz o seguinte: "Para viver fora da lei, você precisa ser
honesto", ou, como diz o ditado: "A liberdade é a luxúria da disciplina."
E, é claro, aí está a mãe; com Saturno nesta casa ela muitas vezes é
sentida como uma força estritamente socializante, o fazedor da lei,
aquele que decide o que é aceitável e certo. Crianças com esse
posicionamento interiorizam suas regras e mais tarde acreditam
que o tipo de obediência que a Mãe queria é a mesma que deveria
ser dada à sociedade. A mãe pode ser sentida como crítica, fria,
mandona e pouco amorosa. Qualquer coisa que a criança faça nunca
está suficientemente bom. Ou a mãe pode parecer mais um fardo e
uma responsabilidade — alguém de quem o filho precisa cuidar, em
vez de ser o contrário. Vendo sob um ângulo de maior esperança, a
mãe poderia servir como um modelo de qualidades saturninas
positivas, exemplificando a paciência, a disciplina, a durabilidade, o
pragmatismo e a determinação.
Saturno na 10ª assemelha-se a Capricórnio no Meio-do-Céu. Os que
têm esse planeta ou signo ali são muitas vezes excelentes
organizadores, administradores, executivos, gerentes, cientistas,
construtores e professores.
TERCEIRA PARTE: NAVIS VITAE
O Navis Vitae é latim para o ‘’dono do barco’’. Essa técnica era usada na astrologia
helenística e usa uma metáfora de um navio para orientar a vida do sujeito. Na Grécia
antiga era comum uma pessoa alugar um barco para entregar algo em outra ilha, visto
que a Grécia é um país com muitas ilhas. Cada posição do Navis Vitae corresponde a
um planeta no mapa.
Dependendo da relação entre essa ‘’tripulação’’, o querente pode saber e entender
melhor seu funcionamento interno, e ter consciência de sua função cósmica, bem como
maneiras de melhorar sua passada nesse universo. Farei uma listagem do barco do
querente e uma análise profunda dele.
O barco da vida é uma técnica antiga dos astrólogos helenísticos, usando uma metáfora
de um barco, e cada tripulante do barco tendo uma função. E existem seis elementos
num navio:
- Oikodespotes (Dono do Barco): é quem contratou o navio, e diz para onde ele tem que
ir. É a função cósmica do sujeito, o que ele tem que fazer, a direção de vida do sujeito.
Na Grécia antiga os barcos eram espécies de carro dos Correios privado: você
contratava um por um tempo para fazer um serviço para você. Seria análogo, no
catolicismo, à sua cruz.
-Kurios (Capitão do barco): é o capitão do barco, aquele que obedece às ordens do dono
do barco. Ele pode auxiliar ou atrapalhar a navegação ao destino que o oikodespotes
quer, dependo de sua natureza, mas é com ele que deve ser lidado as direções, e é
entendendo como o capitão funciona e o que ele precisa que ele pode funcionar
adequadamente e obedecer às ordens do dono do barco. Na analogia cristã, seria quem
a carrega no mapa.
- Timoneiro: é quem cuida do leme do barco. Ele recebe as ordens que o Kurios e o
Oikodespotes decidiram (ou não) e dirige. Seria análogo à ‘’motivação’’, aquilo que
direciona o sujeito a algum lugar. Pode ser a favor do kurios e do oikodespotes, pode ser
contra. Pode ser que o capitão mande para a esquerda, mas o timoneiro mande para a
direita, dependendo de sua natureza. Seria também análogo aos impulsos naturais, as
inclinações naturais, pois o timoneiro de um barco trabalha com o que ele está vendo na
sua frente, e dependendo da visão, pode ser que ele escolha um caminho não tão bom,
mesmo que, por exemplo, o capitão e o dono do barco saibam que aquele é o melhor
caminho. Descreve o modo de carregar sua cruz.
-Vigia: é quem fica na proa do navio avistando os obstáculos que se apresentam. É
equivalente à intuição do indivíduo. Ele é que comunica para o timoneiro e o kurios o
que está acontecendo. Ele é como uma extensão do timoneiro, pois o timoneiro vê o que
está na frente imediata; já o vigia vê além do que o timoneiro consegue, então seria
também análogo à intuição, aquilo que se vê e se decide sem chegar à consciência do
timoneiro. Dita os obstáculos inevitáveis que estão na frente enquanto se carrega a cruz.
-Ventos: os acontecimentos dos ventos ditam se o ambiente está ou não favorável ao
indivíduo, e dependendo do planeta que simboliza esses ventos, também, pode ou não
estar à favor. Na religião católica, quando Jesus foi crucificado, houve um eclipse, isto
é, algo totalmente fora do controle da pessoa. Os dois planetas que ditam o eclipse da
pessoa significam as duas coisas principais que acontecerá com o nativo
necessariamente, sem possibilidade de mudança, isto é, são duas coisas que o nativo
terá que aprender a conviver e criar estratégias para contornar ou favorecer a influência
desses dois.
-Remos: os remadores ditam aquilo que move o sujeito. O timoneiro e os remos estão em
contato direto, portanto aquilo que faz o nativo ‘’produzir’’, realmente AGIR em algo,
são os remos, alinhados com as ordens e direções do timoneiro, mais as diretrizes do
kurios e o destino determinado pelo Oikodespotes. Quando Jesus rasgou o véu do templo,
todos os segredos foram revelados. Essa posição é análogo a isso: revela o segredo final
do que faz a pessoa realmente funcionar, não apenas motivar ou ajudar.
O NAVIS VITAE DO NATIVO É...
Oikodespotes: Saturno
Kurios: Júpiter
Timoneiro: Vênus
Ventos: Vênus e Lua
Remos: Marte
Vigia: Júpiter
COMENTÁRIO:
Saturno é o mandante nesse mapa. Há aqui uma predominância
desse planeta pelo fato de que Saturno na X está em júblico. Porém,
ele está em Câncer, junto com outro maléfico, Marte, também em
queda. Esse nativo muito provavelmente se sentirá obrigado a
permanecer num emprego que não gosta. É-se recomendada muita
autoanálise para entender o porquê disso, mas Saturno é o único
planeta que não tem discussão.
E não ter discussão significa o seguinte: Saturno é o único planeta
que o nativo necessita seguir à risca, literalmente. O William Lily fala
que todo o mapa é um esforço gigantesco para cumprir o Saturno.
As profissões Saturninas são essas, também de acordo com Lily:
Curtidores de couros, coletores noturnos, mineiros subterrâneos,
latoeiros, oleiros, varredores, canalizadores, fabricantes de tijolos,
fabricantes de malte, limpa-chaminés, acólitos das igrejas,
carregadores dos mortos, trabalhadores do lixo, estalajadeiros,
carvoeiros, carroceiros, jardineiros, cavadores de trincheiras,
merceeiros, tintureiros de panos pretos, guardadores de gado,
pastores ou vaqueiros.
QUARTA PARTE: HEPTAGRAMA DA
ALMA
O filósofo Proclus, em seu comentário sobre o Timeu de Platão, descreve que a alma,
que tem um mapa astral com sete planetas, por definição também tem sete movimentos
naturais. Esses movimentos seriam análogos a um organismo, como, por exemplo, o
movimento peristáltico do sistema digestivo, ou o movimento respiratório do sistema
pulmonar. Deixados em si mesmos, esses movimentos são automáticos. Porém, pela
vontade, podemos ou atrapalhá-los ou usá-los para o bem. Se eu respiro naturalmente,
mas fumo, estou indo contra minha respiração. Se eu, ao contrário, corro na esteira,
estimulando meu sistema cardiovascular, estou indo à favor desse movimento. Temos
uma boa respiração quando nos exercitamos, não quando fumamos. Somos virtuosos
quando vamos em favor das virtudes, não dos vícios. Igualmente, para a nossa alma,
podemos conhecer como funciona nossos mecanismos internos e usá-los de maneira
adequada, ou podemos abusar dos sistemas internos que Deus colocou em nós.
Se são sete movimentos, cada um corresponde a um dos sete planetas e, dependendo do
nível de consciência e de bondade do indivíduo, ele ou fará o movimento corretamente,
ou o fará erroneamente. Quando o faz direito, ele está sendo virtuoso; quando o faz
errado, ele está sendo vicioso. À luz do nosso mapa podemos compreender como que
podemos fazer os movimentos adequados, de acordo com a nossa natureza e nossa alma
individual. Deus dispôs cada alma com um mecanismo particular e, ao mesmo tempo,
universal. Deus deu um coração para todos, e cada coração, embora funcione igual ao
de todos, também, ao mesmo tempo, funciona diferente. É no mapa astral que vemos
essa particularidade. Não é nada estranho que vício e virtude possam estar juntas num
mesmo movimento, afinal, Santo Agostinho já dizia que virtudes e vícios são feitos da
mesma matéria. Mas para nos tornarmos mais virtuosos e bondosos, precisamos, antes
de tudo, entender quais são os movimentos naturais que cada alma faz, e que objeto ela
procura quando faz o movimento. Abaixo o esquema ilustra adequadamente esses
movimentos.
A alma, quando faz o movimento para cima, procura as idéias primordiais, os esquemas
universais que já foram aplicadas para todas as vidas anteriores, afinal, temos mais de
dez mil anos de humanidade e a maioria dos nossos problemas já foi, de alguma
maneira, experimentada por outros. Quando fazemos este Movimento direito, temos
esperança; quando o fazemos errado, temos soberba. Esperança é ter o hábito De
sempre lembrar que, por mais absurda e louca que seja a situação, não há um único
contexto, na história da humanidade, em que os problemas não tiveram solução. E a
alma fica mais esperançosa quando ela, justamente, procura exemplos E idéias que
elucidem os problemas presentes. Perder essa visão de que há sempre uma saída nos
torna soberbos, pois, já que não há solução, o que sobra é apenas a sua vontade
individual, justificada pelo pensamento de que ''se não há solução, eu posso fazer o
que quiser''. Corresponde ao Sol do nativo.
E quando ela faz o movimento para baixo, ela procura o mundo sensível: tato, olfato,
gosto, visão, audição. Precisamos nos nutrir e experimentar o mundo dos sentidos,
portanto este movimento é quando a alma quer fazer Uso do corpo para se orientar e
agir no mundo. Quando fazemos este movimento corretamente, temos temperança;
quando o fazemos errado, Temos Luxúria. Temperança é nada mais do que deixar os
sentidos sob controle, usando-os pelo o que eles são: ferramentas para nutrir o corpo.
Quando nós deixamos os sentidos tomarem conta e criarem uma vida própria, somos
luxuosos, e vai-se atrás de todas as sensações para nos sentirmos bem (Álcool, comida,
sexo, etc). Corresponde ao Vênus do nativo.
Já o movimento para a direita busca esquemas e experiências semelhante à nossa alma.
Amamos o nosso semelhante justamente por isso: ele é igual a nós, por mais
particularizado que seja. Quando fazemos o movimento corretamente, somos
caridosos; quando o fazemos errado, somos invejosos. Aquilo que é semelhante a mim
é caro, valioso. Se vemos no nosso semelhante algo igual a nós, automaticamente
esquecemos de nós mesmos, e damos valor ao outro por ele ser próximo, e então
viramos caridosos. Já se não vemos nada em comum com o próximo, por fim acabamos
ou desprezando-o ou procurando algo que ele tem e que não temos, e viramos invejosos
(inveja e soberba andam juntos). Corresponde ao Júpiter do nativo.
O movimento para a esquerda é o da diferença. Todos nós somos semalhantes, mas há
um momento em que as diferenças começam a surgir, e em alguns movimentos, essas
diferenças são grandes os suficientes para criar uma oposição, a qual temos que
assumir, como Arjuna aceitou sua posição na batalha, depois de conversar Com
Khrishna. Quando fazemos o movimento corretamente, somos corajosos; quando o
fazemos errado, somos irados. Coragem implica um medo prévio, porque, já que somos
semelhantes, é muito difícil crer que temos que nos opor a algo ou a alguém. Por isso
precisamos, apesar do medo, enfrentar as oposições. Porém, se nos esquecemos que
devemos amar até nossos inimigos (isto é, as oposições), ficamos irados, e pensamos
que aquela oposição, ou aquela pessoa, é um elemento a ser eliminado da existência,
E então ficamos irados. Corresponde ao Marte do Nativo.
O movimento para frente corresponde ao intelecto ativo. O mundo é uma massa de
dados esparsos, às vezes ordenados, mas na maioria das vezes bagunçado. O intelecto
ativo é o movimento da alma que faz a separação e a união dos vários componentes dos
dados da vida. Quando tentamos estudar, por exemplo, algum assunto, nós o separamos
nos mínimos Componentes e depois reunimos tudo de volta. Esse movimento é o que
separa o joio do trigo, como diz na Bíblia. Se fazemos o movimento certo, somos
prudentes; se o fazemos errado, somos avarentos. Já que o movimento do intelecto ativo
é separar e unir os objetos e os dados em seus menores componentes, depois remontálo,
como uma espécie de lego, A ação mais correta é não excluir nada de antemão até que
o entendimento tenha sido alcançado da situação, e não excluir nenhuma
possibilidade: cogitar todas, inclusive as mais improváveis, só assim podemos ser
prudentes. Já quando fazemos errado, somos avarentos, pois a avareza é uma recusa
de se doar e de dar o braço a torcer para fazer todas as distinções necessários para
entender qualquer situação, por mais insignificantes e chatas que elas sejam.
Corresponde ao Mercúrio do nativo.
O movimento para trás é o da natureza. Somos indivíduos dotados de uma essência, e
essa essência demanda necessidades. Precisamos comer, dormir, estudar, rezar, etc.
Todas essas necessidades devem ser supridas de maneira correta, nem mais nem menos.
Quando um bebê pede leite, a mãe o amamenta. Se ela toma na medida, pensamos que
ele está bem alimentado, nem mais nem menos. Quando fazemos o movimento correto,
somos justos; quando o erramos, somos gulosos. É necessário que comamos,
durmamos, estudemos, etc., mas quando essa necessidade é suprida além do necessário,
estamos sendo gulosos e dando a nós mesmos mais do que precisamos. Corresponde à
lua do nativo.
O movimento circular é do intelecto vivificante. Todos nós precisamos ser verdadeiros
e bondosos. O problema é que existe um hiato entre uma verdade entendida e uma
verdade obedecida. Quando entendemos o certo, o nosso entendimento tende a
repousar nessa compreensão, e alma começa a descansar. Só que não basta entender
uma verdade, é preciso vivê-la. Quando fazemos o movimento correto, temos fé;
quando o fazemos errado, temos preguiça. A preguiça nada mais é do que o descanso
apenas na verdade entendida. A fé aqui tem o sentido corrente que damos atualmente
(como se fosse algo que acreditamos sem provas). A fé também é comparada a um grão
de mostarda Por Jesus. Ora, se nós plantamos uma semente, nós SABEMOS que ela
vai brotar. Então a fé nada mais é do que a faculdade da alma que movimenta o
indivíduo a persistir, circularmente, ritualisticamente, nas ações diárias, para que
aquela verdade não seja apenas um conceito na mente, mas seja algo que a pessoa
VIVE. Nós já sabemos qual é a verdade (que devemos estudar, rezar, nos alimentar
bem, amar o próximo, sermos justos), mas ela precisa ser cultivada, circularmente tal
qual o movimento o intelecto vivificante, e tal qual um grão de mostarda, que, quando
regado, Ele cresce e brota. Nós já sabemos que o grão irá brotar, mas precisamos ficar
firme nesse ''fundamento das coisas que se esperam''. Por isso a prece diz: ''Senhor,
eu creio, mas aumentai a minha fé''. Podemos até dizer, igualmente, ''Senhor, eu sei
que o grão de mostarda vai brotar, apenas me dê forças para regar todo dia'', e daí
poderemos dizer como o Evangelista: ''Pois em verdade vos digo que se tiverdes fé como
um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada
vos será impossível.'' Corresponde ao Saturno do nativo.
Há também sete centros de energia que regulam sete faculdades da alma que cada ser
humano tem, e que também correspondem aos sete planetas explicados até então: são
os ‘’chakras’’ da Grécia antiga. Uma nota de explicação deve ser dada aqui: por várias
razões que não cabem explicar aqui, basicamente todo ‘’especialista’’ em
espiritualidade dirá que os chakras devem ser ‘’abertos’’, e daí certos ‘’bloqueios’’
espirituais seriam removidos, mas isso é fruto de charlatões espirituais como Alan Leo,
Chico Xavier, Madame Blavatski, etc. Os chakras não são abertos ou fechados, eles são
preenchidos ou esvaziados, tal qual os pulmões, o estômago, o intestino, e até mesmo o
coração é esvaziado ou preenchido. O ponto de integrar ‘’os chakras’’ nada mais é que
do oferecer àquele planeta em questão o objeto faltante, e não apenas uma vez, mas
todos os dias, tal qual a alimentação. A alma se comporta praticamente como um
organismo, que requer manutenção tal qual a saúde. Sabendo quais elementos
introduzir, tem-se o equilíbrio espiritual do nativo.
Os chakras gregos, descritos por Platão, são esses: 1 – Koruphe, que regula as idéias
do indivíduo, quais as que ele necessita, correspondente ao Sol do nativo; 2 –
Enkephalos, que regula a intelecção e o raciocínio do nativo, correspondente à lua do
nativo; 3 – Trachelos, que regula o que o nativo precisa expurgar e purificar dentro de
si, correspondente ao mercúrio do nativo; 4 – Phrenes, que regula o afeto do nativo,
correspondente ao Vênus; 5 – Gaster, correspondente ao apetite do nativo,
correspondente ao Marte; 6 – Gonades, que regula a forma e a necessidade de
procriação do nativo, correspondente ao Júpiter; 7 – Hieron Osteon, que regula a força
básica do nativo, correspondente ao Saturno.
A ordem básica dos pecados e
virtudes a serem transcendidos
para este nativo é:
Ira - Coragem
Soberba – Esperança
Inveja – Caridade
Preguiça – Fé
Avareza – Prudência
Gula – Justiça
Luxúria – Temperança
COMENTÁRIO:
A ira é o maior pecado da nossa era. Todos os outros pecados têm
alguma base lógica para serem cometidos. Por exemplo, a soberba
se justifica porque, de direito, toda alma herdou de Deus a
justificação para vencer na vida. Ninguém pode retirar isso, isto é, o
desejo da alma de dar certo. A gula tem como base a necessidade
de nutrição. A inveja tem como base o talento do outro, e por aí vai.
A Ira é um pouco diferente. A base da ira deriva de uma ilusão, que
é puramente causada pela natureza do mundo terrestre, isto é: este
plano não é o plano mais real. Por conta disso, os seres humanos,
na convivência diária, ficam com uma idéia lá no fundo da cabeça,
bem sutil e quase invisível, de que ‘’em algum momento, minha
vontade irá entrar em contradição com a do outro’’. Existe, quase
que sem querer, a percepção de que alguns seres humanos têm
sua vontade e sua missão em contradição com os outros, e por isso
devemos ‘’lutar’’, ‘’brigar’’.
Tudo isso é uma ilusão. Basta olhar para um canteiro de rosas e
ver que cada uma tem seu espaço para florescer com bastante
folga. Só que essa sensação, que deve ser vencida à medida que o
tempo passa, geralmente move o ser humano a assimilar a vida e o
universo como se ‘’cada um tivesse que lutar pela sua vida’’.
Quiçá esse nativo não veja sua Ira pelo fato de que ele tem um
controle adequado de sua personalidade, e novamente, por causa
do Saturno, esse nativo não consiga enxergar. Mas Ira não precisa
explodir necessariamente um destemperado. Há a ira reprimida, ou
melhor, a ira disfarçada.
Para tratar da Ira, nesse caso, o nativo terá que entender, e ver
com os próprios olhos, que nada nem ninguém está em real
contradição com sua vontade. Porém, esse nativo identifica sua
vontade com seu ego. Ele pensa que ele e o ego são uma coisa só.
Será discutido na sessão formas de lidar com isso. A ira é um
pecado extremamente pessoal, por isso terá que ser lidado na
chamada.
QUINTA PARTE: PROFECÇÃO
ANUAL
A profecção anual mostra qual é a área de foco que o nativo tem que prestar atenção
de acordo com a visão do ano derivado do ano do aniversário do nativo. Aonde estiver
o planeta em questão, é a área que o nativo tem que focar durante aquele ano.
Profecção anual, começando do
dia 07 de Junho de 2004:
COMENTÁRIO:
A mudança crucial que esse nativo deve fazer na vida, neste
momento, é a escolha de profissão. Lily cita as seguintes
profissões marciais:
Generais de exércitos, coronéis, capitães, ou quaisquer soldados
que detenham o comando dos exércitos, todo o tipo de soldados,
médicos, farmacêuticos, cirurgiões, alquimistas, bombardeiros,
carniceiros, marechais, sargentos, polícias, carrascos, ladrões,
ferreiros, padeiros, vendedores de armas, relojoeiros, alfaiates,
fabricantes de espadas e facas, barbeiros, tintureiros, cozinheiros,
carpinteiros, guardas florestais, guardas de ursos, jogadores,
curtidores de peles, carregadores.
Todas essas profissões são de natureza de acordo com esse nativo.
Elas não são ‘’obrigatórias’’; são um leque, o qual a vocação girará
em torno dessas várias profissões.
SEXTA PARTE: LIBERAÇÃO
ZODIACAL
A liberação zodiacal é uma técnica da astrologia helenística, que consiste basicamente
em usar certos pontos do mapa como referência para calcular, com um grau bem
preciso de acuidade, épocas chaves da vida do nativo. Existem vários tipos de liberação
zodiacal, porém as duas mais usadas tomam o Lote da Fortuna e o Lote do Espírito
como referência. O Lote da Fortuna diz para nós o que está acontecendo conosco ‘’de
fora para dentro’’, isto é: o que tal etapa da vida está ‘’cobrando’’ neste momento. E o
lote do Espírito dita o que acontece ‘’de dentro pra fora’’, isto é: qual deve ser nossa
atitude interior diante dessa cobrança exterior.
Lote da Fortuna em Câncer,
Período Lunar, Subperíodo Lunar
Este nativo está em período lunar. Significa que os assuntos a serem
tratados aqui serão em relação às suas capacidades. Há uma
insegurança crônica desse nativo ao testar-se; sua capacidade
pessoal, para o bem ou para o mal, precisa ser levada em conta até
o fim desse período, que só ocorrerá em 2042.
Lote do Espírito em Aquário,
Período Saturnino, Subperíodo
Venusiano
O foco interior desse nativo atualmente são as escolhas
institucionais.
SEXTA PARTE: ANTISCIA E
DODECATEMORIA
A antiscia e a dodecatemoria são ‘’mapas extras’’, que são derivados de subangulações
provenientes da eclíptica, isto é: na geometria analítica, quando um plano
tridimensional vai ser ‘’chapado’’ num plano bidimensional, há um desencaixe de
milímetros entre o zodíaco real e o plano. Isso é ilustrado pelo problema de ‘’quadrar
o círculo’’. A lenda diz que Anaxágoras, quando foi preso por razões políticas, foi
ajudado por vários amigos para escapar, mas eles ficaram impressionados pelo fato de
que sua única preocupação, inclusive na prisão, era a quadratura do círculo. O
problema é: tentar construir um quadrado de mesma área de um círculo só com uma
régua e compasso. Por mais que sente, o quadrado NUNCA terá exatamente a mesma
área do círculo, sempre tendo espaço para alguns milímetros de erro. Igualmente, é
impossível calcular a posição dos astros sem deixar algum grau mínimo de desvio
padrão, razão a qual esses ‘’milímetros’’ pequenos podem gerar outras angulações
inteiras. É essa a origem da antiscia e da dodecatemoria.
Os dois mapas extras devem ser lidos à luz do mapa principal, como se fossem
‘’coadjuvantes’’.
Sol na casa X e Sol na casa III
Mapeia de imediato a situação social. Enxerga os indivíduos em
termos de sua localização na topografia das relações, isto é, percebe
rapidamente quem manda e quem obedece – a hierarquia - e o que
convém para que ele próprio possa se situar com clareza nessa
hierarquia, e buscar nela o lugar que julga conveniente. Olha as
coisas de cima, como se já estivesse no topo do sistema de poder.
Vendo a sociedade de maneira topográfica, como se já a conhecesse
desde cima, o indivíduo tende a se impor sobre a sociedade,
querendo moldá-la por si.
Entretanto, se ficar isolado do meio social, o indivíduo não
compreende mais nada, sua inteligência se apaga, pois perde a sua
referência natural. Percebe a dosagem e o equilíbrio dos poderes
coercitivos em jogo e se adapta provisoriamente à situações de
poder. Não olha os indivíduos isolados, e nem mesmo nas relações
bilaterais, mas procura quase que instintivamente encaixá-los no
sistema total das relações, para poder enxergá-los melhor.
Intui enquanto pode pensar, isto é, representar uma coisa por outra,
comparar, ter alternativas, não aceita o dado tal e qual, tem de
pensar em outras possibilidades. Nada tem sentido em si, mas pela
relação de signo-significado.
Pensa sem concluir, o que se impõe como verdade inquestionável sai
do foco de sua atenção. Se conclui algo, tem de pensar noutra
questão, pois só intui onde há possibilidade de erro. O fundamental
para o indivíduo é a crítica, e não a afirmação. A dúvida o ajuda, lhe
é vitamínica, por isso, funciona melhor com atitude dialética: tem de
afirmar e negar.
Tende a discutir as idéias alheias, é aberto a por em risco suas
próprias crenças e opiniões. Se possui crenças, tem de fingir para si
próprio que não as tem, para continuar entendendo.
Conserva uma infinidade de cenas e histórias que são importantes
não pelo seu conteúdo, mas por reconhecer nelas exemplos típicos
(signos). Poder evocativo e de inspiração nas experiências de
aprendizado juvenil. Aprende com a experiência.
A inteligência do indivíduo crescerá na proporção que domine a
linguagem. O Sol na III busca um nome (conceito) em contraste com
o Sol na IX que busca a sentença (juízo). Sente-se seguro na hora
que pode denominar, referir, encontrar uma suplência (no sentido
lingüístico).
Procura situações em que a inteligência possa se manter ativa,
deslizando de uma coisa para outra, de um signo para outro. Requer
o movimento da linguagem.
Lua na casa I e Lua na casa II
O comportamento exterior é continuamente alterado por mudanças
na auto-imagem, as quais, por sua vez, derivam de estímulos
fortuitos, como por exemplo os altos e baixos do tônus corporal, as
mudanças da atmosfera, o decréscimo acidental do calor humano
nesta ou naquela relação humana, etc. O componente emocional da
conduta do indivíduo salta aos olhos: é evidente e atua sobre os
outros como um ímã, mobilizando-os. Sua sensibilidade e abertura
a estímulos externos é visível na sua aparência física. A alteração
de sua auto-imagem muda o seu sentimento e sua motivação. Avalia
e julga valorativamente sua imagem a todo instante, mas não sob a
forma de juízos explícitos (como Saturno na I) e sim sob a forma de
um bem-estar ou mal-estar frequentemente vagos e indefiníveis. A
mudança da auto-imagem transforma o valor sentimental de toda a
vida. Auto-imagem instável, porém irradiante. O desejo de sentir-se
bem consigo mesmo alimenta, por contraste, um mal estar
intermitente, que se reflete numa conduta ciclóide.
É hipersensível aos objetos físicos encarando-os como extensões
de si mesmo: tem apego ou rejeição sentimental aos objetos.
Extremamente sensível à vida física, que lhe parece feita de
contrastes e alternâncias. A imagem de felicidade e infelicidade que
tem é material: conforto, bem estar físico, ou vice-versa. Suas
necessidades e carências também estão colocadas neste ponto. Seu
bem estar depende que estas necessidades sejam atendidas pelas
circunstâncias; tem a expectativa de gratificação passiva (por
exemplo, ganhar presentes). É muito afetado emocionalmente pelo
que comeu, como dormiu, etc. O bem estar físico é uma condição
para o bem estar psicológico. A realidade, as necessidades básicas
criam uma segurança emocional.
Relação instável com o mundo real percebido. É feliz quando o
mundo lhe supre as necessidades do momento. A relação com o
mundo material é subjetiva. Não sabe o que o satisfaz, embora
sempre saiba, a cada momento, se está satisfeito ou insatisfeito.
Marte na IX e Marte na V
O indivíduo com esta posição sente-se ameaçado por qualquer coisa
que possa abalar seus valores e crenças; por qualquer expressão de
dúvida alheia em relação às coisas em que acredita. Enxerga em
tudo um desafio às suas crenças e valores, e reage quer pela fuga à
discussão, quer pela argumentação inflamada, quer por uma súbita
mudança de opinião.
Como, no entanto, suas crenças só se definem mais claramente
diante da oposição, é normal que este indivíduo busque essa
oposição que no entanto o aborrece. A oposição ajuda-o a afiar seus
argumentos (expressos ou ocultos), mas arrisca-se também a
derrubá-los: daí a possível alternância entre a persistência teimosa
e as mudanças súbitas de opinião.
Reatividade em relação aos desafios. Ser jogador, provar que é
capaz. O indivíduo reage às provocações ou desafios à demonstração
de suas habilidades, sua performance numa situação presente. Isso
pode incluir situações de jogo ou qualquer mostra de destreza.
Qualquer situação que apele à sua auto-afirmação através de
capacidades que possua.
O modo como reage pode ser aceitando rapidamente qualquer
desafio e livrando-se logo de tal situação, para que a sua
autoconfiança não seja abalada; provocando os outros para afastar
de si próprio tais provocações; fugindo das situações onde tenha que
demonstrar alguma habilidade específica; criando ele mesmo
situações desafiadoras porque a ausência de oportunidade para
mostrar-se capaz o torna inseguro.
Vênus na IV e Vênus na X
Guarda na memória os estados emocionais agradáveis para poder
otimizar suas alterações emocionais do dia-a-dia, e projetar uma
felicidade futura. Não sente muita necessidade de agir em resposta
aos estados emocionais, porque tem a facilidade de trabalhá-los
imaginativamente, criando uma versão mais otimista. Completa na
imaginação o que lhe falta para ser feliz. Dá um fundo de felicidade
passiva que serve de apoio para o indivíduo em todas as situações.
Imaginação harmônica dos estados emocionais.
Em casos de profunda depressão as imagens de felicidade
desapareceriam e a tristeza tomaria a forma de uma espécie de
conformidade fechada em si mesma, por ausência de objeto de
desejo.
Guarda na memória o conjunto dos papéis, funções e relações
sociais que observou nas diferentes pessoas e situações durante a
vida e que, a cada momento, constelam para este indivíduo um
sistema mais ou menos completo e coerente, no qual ele se orienta
segundo códigos facilmente operáveis. Concebe harmoniosamente o
conjunto social e nele se integra, idealizando sua posição social e
utilizando esta idealização como uma forma de progressivamente
dar realidade ao papel que deseja desempenhar. A sociedade em que
vive aparece para este indivíduo como um leque de cartas de baralho
no qual se pode sempre escolher o mais conveniente. Como em
todas as posições de Vênus, aqui o wishfulthinkin g se torna uma
arma na luta pela vida, conservando o indivíduo mais ou menos
defendido dos aspectos de sua posição social que ele não deseja
conscientizar, por senti-los como deprimentes ou desmotivantes. Se
auto-satisfaz imaginando que sua posição na hierarquia de poder é
melhor do que realmente é: mas o que é falso com relação à
atualidade pode ser verdadeiro na potencialidade. Imaginação
harmônica do seu lugar no conjunto social.
Júpiter na VII e Júpiter na IV
A vontade e o livre-arbítrio do indivíduo exercem-se no
relacionamento com o outro. Sente-se tranquilo e confiante em
relação à sua capacidade de moldar os relacionamentos à vontade,
estabelecendo padrões de julgamento bilateral aceitáveis por ambas
as partes e no entanto favoráveis, no fim, aos seus intuitos pessoais.
Dito de outro modo, sente poder harmonizar interesse e direito. Por
isto, pode transmitir como imagem de pessoa confiável e bom
conselheiro, do mesmo modo que acredita, e não sem fundamento,
poder ter confiança nos outros e encontrar entre eles bons
conselheiros. Tem uma arte peculiar de ser fiel aos compromissos e
manter-se livre deles ao mesmo tempo.
Possui uma extrema plasticidade nas situações ambíguas, sentindo-
se à vontade para se posicionar de um lado ou de outro, conforme a
sua decisão, sem se dobrar a pressões externas, ou para mudar
livremente o quadro das alternativas propostas. Quer sempre
colocar-se acima das circunstâncias interpessoais e simplesmente
confiar no seu julgamento a respeito das relações e na lealdade dos
amigos. Provavelmente terá poder de persuasão, impondo sua
vontade sobre a do outro de uma forma que parecerá atender
exatamente às solicitações do outro.
Tende a confiar imensamente na sua capacidade de atingir a
felicidade, de obter o que deseja, de criar em si mesmo seu próprio
objeto de satisfação. Acredita que a Providência o ajudará a realizar
seus mais íntimos desejos, que ele conseguirá se impor às
circunstâncias externas que poderiam causar-lhe infelicidade. Por
isso, não se deixa abater por frustrações emocionais, por desejos
não realizados. Sente-se livre em relação aos próprios desejos, em
decidir realizá-los ou não, mantê-los ou fazê-los cessar, num
esforço de vontade. Confia na felicidade final.
Saturno na III e Saturno na IX
Quando criança aprende a falar muito cedo ou demasiadamente
tarde, sabe muitas palavras e de repente percebe que não sabe as
coisas correspondentes. Rompe então com o hábito da linguagem e
a passagem do significante para o significado é obstruida pela
pergunta “por quê?”. O processo interpretativo fica detido, porque é
questionado. Ele deixa de ser uma janela transparente para o mundo
das coisas e torna-se um vidro opaco; a atenção volta-se para o
vidro em si mesmo e não chega mais às coisas. A linguagem é
coisificada.
O signo não tem uma relação intrínseca com a coisa significada, no
máximo pode ter uma analogia. Pode, portanto, ser olhado como
signo ou como coisa. Para o indivíduo com Saturno na III a palavra
enquanto realidade sonora tem mais atração magnética do que a
palavra enquanto canal neutro para as coisas significadas.
A consciência da palavra enquanto coisa se interpõe entre o
indivíduo e o seu interlocutor. Tudo o que ele fala não tem garantia
de que o outro vai entender. A experiência que ele consolida é que é
“impossível dizer a verdade”. Vai ter uma consciência crítica
prematura e excessiva da relação problemática entre a linguagem e
a experiência. Contesta a validade do conhecimento do mundo, na
linguagem que o exprime. Na realidade, todo o processo de
interpretação se baseia em códigos, palavras que se apoiam num elo
voluntário com o real. Este elo é decorrente de um acordo entre
vontades, portanto, tal elo é arbitrário. A consciência dessa
arbitrariedade é particularmente aguda no indivíduo com Saturno na
III e ela funciona, nele, como um bloqueio à comunicação, só pode
ser superado mediante um desenvolvimento lingüístico superior ao
do seu ambiente. A aporia vem da arbitrariedade do signo.
Num desenvolvimento ideal, o indivíduo colocaria a questão do
fundamento do significado das palavras num plano genérico, como
dúvida filosófica, podendo respondê-la até certo ponto através do
estudo etimológico das palavras e da lingüística, compreendendo
que as palavras não são coisas, mas são diferenças entre coisas.
Seu esquema lógico pode ser: não pensar em nada, apegando-se ao
mundo das coisas sensíveis (concretismo, poesia concreta - as
palavras tratadas como coisas) ou desconectar as coisas que fala
daquilo que percebe na realidade (pode entender que aí tem
liberdade para mentir, já que as palavras não precisam ligar-se a
coisas reais - abstracionismo).
O indivíduo tenta encontrar verdades definitivas mas esbarra
sempre na distância que há entre a verdade lógica, atemporal, e a
busca da verdade pelo indivíduo, através do pensamento. Por isso,
qualquer coisa que lhe proporcione um sentimento de certeza é
imediatamente questionada, o que cria uma ambiguidade intolerável:
quanto mais crê, mais duvida. Sente-se inseguro quando crê e duvida
das próprias crenças, porque tudo submete a uma crítica racional,
ao mesmo tempo que a própria exigência de crítica racional lhe
aparece como uma incomodidade dolorosa, que desejaria evitar mas
não pode. Necessita de uma crença racional que possa resistir a
qualquer crítica, mas não há outro meio de fortalecer a crença senão
submetê-la continuamente ao teste da crítica, o que resulta, com
desagradável frequência, em constatar sua irracionalidade.
Sente-se impelido a ter certezas, a sentenciar sobre qualquer coisa,
pois só quer acreditar em coisas definitivas. Entretanto, se crê em
algo como definitivo, não pode pensar sobre isso, questionar. Se
questiona, fica repleto de contradições que não lhe permitem mais
acreditar. Fica com medo de perder suas convicções, de submetê-
las a uma prova dialética, discutindo-as com alguém ou pensando
sobre elas, mas ao mesmo tempo a incerteza íntima o faz questioná-
las o tempo todo. As contradições o paralisam cognitivamente, mas
também são irresistíveis. Toda a crença fica relativizada pela razão,
pois qualquer conclusão ou generalização lhe aparece como limitada
em relação ao real. Ao mesmo tempo, quer a solução, a conclusão
final para todas as questões.
Num desenvolvimento ideal este indivíduo colocaria a questão como
um problema filosófico humano e não como um problema existencial
seu, compreendendo que existem verdades absolutas imutáveis,
atemporais, que podem ser intuídas e talvez até provadas, mas que,
para poderem ser alcançadas pelo indivíduo têm de ser buscadas
através de um processo de pensamento que é cheio de dúvidas e
contradições, do processo psicológico que é frágil e contraditório e
não é a verdade em si mesma. Só existe verdade na esfera do
conteúdo eidético, não na da sua representação ocasional por este
ou aquele indivíduo neste ou naquele momento em particular, a qual,
sendo um fato psicológico, é instável e passageira.
Seu esquema adaptativo pode ser: agarrar-se a uma verdade
provisória ou a um sistema de crenças que lhe permita repetir as
mesmas verdades, sem pensar nelas (mas a dúvida aí é chutada
para a esfera do inconsciente e vai se exteriorizar através de atos
ambiguos que desmentem a univocidade aparente do discurso);
permanecer inconclusivo, concordando com tudo o que aparece;
ceticismo - não crer em nada (e neste caso é a necessidade de uma
crença que é repelida para o inconsciente); pobreza filosófica,
depressão intelectual: decréscimo patológico da tensão intelectual,
para evitar conflitos intoleráveis.
REFERÊNCIAS:
- Firmicus Maternus – Ancient Astrology: Theory and Practice
- Marsilio Ficino – De Sole et De Lumine
- William Lily – Astrologia Cristã
- Pe. John Brucciani – Os Quatro Temperamentos
- Chris Brennan – Hellenistic Astrology
- Lipot Szondi – Introdução à Psicologia do Destino
- Proclus – Commentary of Plato’s Parmenides
- Damascius – Problems and Solutions Concerning First Principles
- Proclus – Elementos da Teologia
- Pe. Juan Gonzalez Arintero – Cuestiones Misticas
- São João Clímico – A Escada da Ascenção Divina
- The Body and Desire – Gregory of Nyssa’s Ascetical Theology
- Of Being and Unity – Giovanni Pico della Mirandola
- Hanna Moog – I Ching – The Oracle of the Cosmic Way
- Psychic Retreats, Pathological Organizations of Psychotics – John Steiner
- Melanie Klein - Die Psychoanalyse des Kindes