Resumo Helmintos
Resumo Helmintos
COM O PET
HELMINTOS
Prefácio
O projeto “Resumindo com o PET Parasitologia” foi desenvolvido
pelos petianos do grupo PET Parasitologia, com o objetivo principal
de fornecer um material de auxílio e guia para os discentes da
disciplina Parasitologia Humana dos cursos de saúde, a saber:
Biomedicina, Enfermagem, Farmácia, Nutrição, Odontologia e
Medicina.
O Resumindo com o PET Parasitologia traz resumos dos parasitos
estudados nas aulas da graduação. Em cada resumo são abordados
tópicos, como: aspectos epidemiológicos, taxonomia, formas
evolutivas e morfologia, ciclo biológico, patogenia, diagnóstico,
tratamento e medidas profiláticas. Para a confecção dos resumos,
foram utilizadas como principais referências, os livros de parasitologia
humana indicados pelos docentes da disciplina, bem como artigos
científicos coletados de plataformas, como: Pubmed, SciELO, LILACS,
MEDLINE.
Ressaltamos que esse material não substitui, em hipótese alguma,
o estudo através dos livros. Porém, devido ao grande volume de
conteúdo abordado nas aulas, elevada carga horária a ser cumprida
pelos discentes no semestre letivo e atividades extra classe, o
Resumindo com o PET Parasitologia permitirá um estudo mais rápido
e focado, como uma forma de revisão e acompanhamento das aulas
ministradas.
O grupo PET Parasitologia deseja que essa iniciativa possa otimizar
e melhorar o aprendizado e desempenho dos discentes.
Autores
Tutora
Mônica C. P. A. Albuquerque
Albuquerque
Petianos
Arthur Van Lauter
Doralice Paz
Emilly Lins
Ester Santos
Jean Victor
Kaio Freitas
Lucas Oliveira
Luíz Fernando
Mayara Larissa
Pamela Godoy
Pedro José
Raldney Miller
Thais Albuquerque
Wesley Xavier
SUMÁRIO
CAPÍTULO CAPÍTULO
01 02
Taenia solium/saginata Schistosoma
e Cysticercus
cellulosae/bovis mansoni
CAPÍTULO
CAPÍTULO
03 04
Ascaris Toxocara canis e
lumbricoides Toxocara cati
CAPÍTULO
CAPÍTULO
05 06
Trichuris Enterobius
trichiura vermicularis
CAPÍTULO CAPÍTULO
07 08
Ancylostoma Strongyloides
duodenale / Necator
stercoralis
americanus
CAPÍTULO
09
Wuchereria
bancrofti
Teníase
INTRODUÇÃO
Teníase é a doença causada pela forma adulta da tênia, também chamada de solitária,
porque na maioria das vezes o hospedeiro possui apenas um verme no trato gastrointestinal,
isso ocorre porque as tênias são muito competitivas pelo habitat e nutrientes, além disso, por
serem monóicos, não necessitam de parceiros sexuais para reprodução.
A transmissão aos humanos se dá pelo consumo de carnes cruas ou mal cozidas de
boi/vaca (Taenia saginata), ou de porco (Taenia solium), desde que contenham larvas ou
cisticercos. Caso o ser humano consuma os ovos de tênia, haverá o desenvolvimento de
cisticercose.
Não Confunda:
➢ Teníase
○ Consumo de larvas ou cisticercos
➢ Cisticercose
○ Consumo de ovos
Dica:
EPIDEMIOLOGIA
❏ Verme Adulto
A T. saginata (4 a 12 metros)
apresenta um comprimento maior que a T.
solium, que tem de 2 a 4 metros. As 2 espécies
têm corpo achatado dorsoventralmente e
coloração branca.
Podemos dividir, morfologicamente, o
verme adulto em 3 partes: Escólex (cabeça);
Colo (pescoço); Estróbilo (corpo).
❏ Ovos
❏ Cisticerco ou Larva
CICLO BIOLÓGICO
PATOGENIA
Teníase → Contaminação menos grave. Apresenta como sintomas mais frequentes: dores
abdominais, náuseas, perda de peso, diarreia frequente ou constipação, resultado do tamanho
do parasita ou de sua penetração em estruturas do aparelho digestivo. Na maior parte dos casos,
o indivíduo somente toma ciência da infecção quando observa a liberação das proglotes, que só
é notada muito tempo após a infecção. Por conta disso, o doente pode disseminar a doença por
período bastante longo antes da suspeita de sua contaminação.
Cisticercose Humana → Doença mais grave. O cisticerco pode se alojar em diversas partes
do organismo, sendo a região de maior frequência o Sistema Nervoso Central. Além do sistema
nervoso central (neurocisticercose), o cisticerco pode se instalar no olho, pele, tecido celular
subcutâneo, fígado, entre outros locais com bom suprimento de oxigênio. Devido à capacidade
de se alojar em diversas partes do corpo, é considerada uma doença pleomórfica. Vale ressaltar
que a neurocisticercose epiléptica (NCC) é a infecção parasitária mais comum do sistema
nervoso central (SNC) e a principal causa de epilepsia de origem secundária no Brasil, sendo
causada apenas pelo Taenia solium .
DIAGNÓSTICO
★ Parasitológico: Observa-se a existência de segmentos dos vermes ou de ovos em uma
amostra de fezes.
★ Clínico: Em pessoas com cisticercose, os cistos no cérebro, ou em outros tecidos, podem ser
observados através de tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
★ Imunológico: Exames de sangue para detectar anticorpos também são úteis.
TRATAMENTO
★ Niclosamida
★ Praziquantel
○ Não deve ser administrado em pacientes com neurocisticercose por aumentar a
taxa inflamatória nos tecidos neuronais e neurotoxicidade, caso seja utilizado
deve ser associado à Dexametasona, para reduzir a resposta inflamatória.
★ Albendazol
○ Medicamento mais indicado para tratamento da neurocisticercose
PROFILAXIA
★ Educação sanitária e alimentar à população;
★ Fiscalização e inspeção dos produtos de origem animal e vegetal;
★ Fiscalizar abatedouros clandestinos;
★ Saneamento e higiene pessoal básicos;
★ Fazer periodicamente exames de fezes em moradores de área rurais.
Schistosoma mansoni / Esquistossomose
INTRODUÇÃO
Parasitos do gênero Schistosoma são helmintos trematódeos responsáveis por causar a
esquistossomose. Os principais agentes etiológicos, para o ser humano, são as espécies:
Schistosoma mansoni, S. haematobium, S intercalatum, S. japonicum e S. mekongi. S.
mansoni é a espécie responsável pela infecção denominada esquistossomose mansônica,
popularmente conhecida como “Xistose”, “barriga d’água” e “doença do caramujo”.
EPIDEMIOLOGIA
No Brasil, a doença foi descrita em 18 estados e no Distrito Federal, sendo que sua ocorrência
está diretamente ligada à presença dos moluscos transmissores. Os estados das regiões
Nordeste e Sudeste são os mais afetados. Estima-se que cerca de 25 milhões de pessoas vivam
em áreas sob o risco de contrair a doença. As prevalências mais altas concentram-se atualmente
em municípios dos Estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Sergipe.
FORMAS EVOLUTIVAS
❖ Ovo:
❖ Miracídios:
As larvas medem 160 μm de comprimento por 60 μm de largura e estão revestidas por pequeno
número de células epiteliais pavimentosas providas de numerosos cílios. A parede do corpo
completa-se com um folheto mesodérmico que contém fibras musculares. Na extremidade
anterior do miracídio encontra-se o terebratorium, uma papila apical que pode se moldar em
forma de uma ventosa. No terebratorium encontram-se as terminações das glândulas adesivas
e da glândula de penetração. A penetração dos miracídios no hospedeiro adequado deve efetuar-
se dentro das primeiras horas após a sua eclosão, pois o poder invasivo cai em função da idade
do miracídio e se reduz, praticamente a zero, depois de 10 a 12 horas.
❖ Esporocistos:
❖ Cercarias:
A cercaria alcança pouco mais de meio milímetro de comprimento, distinguem-se duas partes:
o corpo, com cerca de 0,2 mm de comprimento, e a cauda, com cerca de 0,3 mm, bifurcada no
extremo distal. O corpo da cercaria apresenta achatamento dorsoventral e contorno piriforme.
O tegumento é coberto de micro espinhos, dirigidos para trás. A extremidade anterior e mais
estreita do corpo constitui glândulas de penetração. A cauda bifurcada, longa e delgada possui
um movimento vibratório que assegura a locomoção da larva, na água.
❖ Esquistossômulo:
❖ Vermes adultos:
Os esquistossômulos que não são destruídos na pele ganham a circulação geral e alcançam o coração,
depois os pulmões (onde também podem ser retidos e destruídos) e, em seguida, o fígado. Somente os
que chegam ao sistema porta intra-hepático podem completar seu desenvolvimento e alcançar a fase
adulta. Os vermes adultos acasalam-se e migram para as vênulas da parede intestinal.
FISIOPATOLOGIA
❖ Forma Aguda:
Nessa fase costuma ocorrer disseminação dos ovos, principalmente na parede do intestino,
apresentando áreas de necrose e levando a uma enterocolite aguda, no fígado e outros órgãos
os ovos provocam formação de granulomas, quando ocorre no pulmão pode simular
tuberculose. Sinais e sintomas comuns nessa fase são: febre acompanhada de sudorese,
calafrios, emagrecimento, diarreia, cólicas, tenesmo, hepatoesplonomegalia discreta,
linfadenia, leucocitose com eosinofilia, aumento das globulinas e alteração discreta das funções
hepáticas (transaminases).
❖ Forma Crônica:
Essa forma pode apresentar importantes variações clínicas, como a forma hepatointestinal que
além dos sintomas da forma intestinal caracteriza-se pelo comprometimento do fígado, sem
ainda haver hipertensão ou esplenomegalia. O fígado apresentará aumento do seu volume e
doloroso a palpitação, podendo se agravar a depender do grau acumulativo das lesões
granulomatosas ao redor dos ovos. A forma mais grave da doença se desenvolve de forma lenta,
chamada de forma hepatoesplênica, o quadro de hipertensão portal com o aumento do baço será
presente, apresentando hematêmese e melena. A forma grave ainda pode ser compensada, com
funções hepáticas normais e apresentando bom prognostico, ou pode ser descompensada
quando a infecção é associada ao alcoolismo ou hepatite, nesses casos as funções hepáticas
estarão comprometidas e o quadro do paciente em geral é precário. Em casos raros pode surgir
a neuroesquistossomose, em que ovos do verme atingem parte do sistema nervoso central.
DIAGNÓSTICO
Os métodos de diagnóstico da esquistossomose podem ser agrupados em duas categorias:
métodos de diagnóstico direto e métodos de diagnóstico indireto. São considerados diretos
os métodos que detectam o parasito ou suas partes, como ovos, substâncias antigênicas ou
fragmentos moleculares. Os métodos indiretos identificam evidências indiretas da presença do
parasito e dependem de marcadores clínicos, bioquímicos ou imunológicos associados à
infecção.
Categoria Métodos Detecção de
Diretos Exame de fezes ou biópsia de mucosa retal Ovos eliminados pelas fêmeas
INTRODUÇÃO
Existem duas principais espécies pertencentes à família Ascarididae com impacto na
saúde, Ascaris lumbricoides, parasitando humanos e Ascaris suum, parasito de porcos, ambos
habitam o intestino delgado, principalmente jejuno e íleo. A parasitose humana causada pelo A.
lumbricoides, popularmente conhecido como lombriga, é denominada de Ascaridíase ou
Ascaridiose e a gravidade dos casos, em sua maioria, depende da carga parasitária. Esse verme
é um geohelminto, ou seja, necessita do solo para completar seu ciclo de vida, além disso,
possui dimorfismo sexual, com reprodução sexuada.
EPIDEMIOLOGIA
O parasito possui grande distribuição global, podendo ser encontrado em praticamente
todos os países, sendo o helminto mais detectado nas regiões pobres. Com prevalência de
aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas em todo o planeta, varia de acordo com as condições
climáticas e ambientais, onde as regiões áridas têm uma menor prevalência, aumentando em
locais de clima úmido e quente, condição perfeita para sobrevivência do verme. Apesar de
poder atingir qualquer faixa etária, as crianças são o grupo mais afetado, uma vez que ficam
em maior contato com o ambiente e não apresentam tantos cuidados com a higiene pessoal,
além de hábitos alimentares que facilitam o desenvolvimento da parasitose. A ascaridíase é
cosmopolita, e a Ásia detém a maior parte das infecções (73% de prevalência), seguida pela
África e depois América Latina. Vale salientar, que locais que não possuem saneamento básico
adequado, e que detém uma alta densidade populacional,
favorecem o aumento da ascaridíase.
CLASSIFICAÇÃO
❖ Reino: Animalia
❖ Filo: Nemathelminthes
❖ Classe: Nematoda
❖ Ordem: Ascaridida
❖ Família: Ascarididae
❖ Gênero: Ascaris
❖ Espécie: Ascaris lumbricoides
CICLO BIOLÓGICO
O ciclo é monoxênico. Uma fêmea, pode
pôr até 200 mil ovos não embrionados por dia,
que chegam ao ambiente junto às fezes. Os ovos
férteis, tornam-se embrionados em 15 dias, mas
necessitam de temperatura adequada (25° a
30°C), umidade mínima de 70% e oxigênio em
abundância. A primeira larva (L1) formada
dentro do ovo é do tipo rabditóide, e com uma
semana, transforma-se em L2 e posteriormente
em L3, com esôfago filarióide ainda dentro do
ovo e pode permanecer infectante dentro do ovo
durante meses até ser ingerida pelo hospedeiro.
Após a ingestão, os ovos passam por todo o trato
digestório e as larvas (L3) eclodem no intestino
delgado.
Vários fatores fornecidos pelo próprio
ser humano como a presença de agentes
redutores, o pH, temperatura e o mais
importante, a concentração de CO2, são cruciais
para eclosão. As larvas então atravessam a mucosa intestinal, e através dos vasos linfáticos e
da veia mesentérica vão para o fígado, aproximadamente um dia após a infecção. Após 2 a 3
dias chegam ao coração, e após 4 a 5 dias alcançam os pulmões (Ciclo de Loss). Com cerca de
uma semana de infecção, as larvas transformam-se em L4, rompem os capilares e atingem os
alvéolos, onde se diferenciam em L5. Através da árvore brônquica, chegam à faringe, e então
podem ser expulsas através da expectoração ou são deglutidas, passando ilesas pelo estômago,
se fixando posteriormente no intestino delgado.
Após um mês de infecção tornam-se adultos, e com 60 dias atingem a maturidade
sexual, podendo copular e começar ovipostura, reiniciando o ciclo. Os vermes adultos podem
viver até dois anos.
❖ Transmissão
Ocorre por meio da ingestão dos ovos contendo L3, através da água ou alimentos
contaminados. Além disso, os ovos podem ser veiculados mecanicamente por aves, insetos e
poeira. Vale ressaltar, que os ovos de A. lumbricoides possuem grande resistência e aderência,
assim, não são removidos facilmente durante a lavagem.
FISIOPATOLOGIA
As principais alterações patológicas são produzidas pelas larvas e adultos e a
gravidade da doença está diretamente relacionada com a quantidade de vermes presentes no
hospedeiro.
❖ Larvas
Quando há poucos vermes, a fase larvar geralmente é assintomática, no entanto, o
contrário pode levar a lesões pulmonares e hepáticas, como pequenos focos hemorrágicos e de
necrose que formam pontos de fibrose no fígado. Nos pulmões, esses focos hemorrágicos
também ocorrem devido ao rompimento dos capilares na passagem das larvas para os alvéolos,
levando a presença de infiltrado inflamatório por polimorfonucleares, neutrófilos e eosinófilos
com edemaciação alveolar. A migração das larvas pelo sistema respiratório culmina num
quadro pneumônico marcado por febre, tosse, dispneia, manifestações alérgicas, bronquite e
eosinofilia, e esse conjunto de sintomas é chamado de síndrome de Lõeffler. Pode ocorrer
tosse produtiva, sanguinolenta, e na expectoração apresentar larvas, esse tipo de quadro é mais
comum em crianças devido a condição nutricional e imune.
❖ Vermes Adultos
Em infecções brandas não há muitas alterações ou são inespecíficas. Porém, nas
infecções com 30 a 40 vermes, ou nas graves, 100 ou mais vermes, pode ocorrer:
➢ Ação espoliativa: O parasita consome grande quantidade de proteínas, carboidratos,
lipídios e vitaminas A e C, levando o paciente a um quadro de subnutrição e enfraquecimento
físico e mental.
➢ Ação tóxica: Pode ocorrer reação entre antígenos do parasita e anticorpos alergizantes
do hospedeiro, ocasionando edema, urticária e até convulsões.
➢ Ação mecânica: Devido a irritação na parede intestinal, os vermes podem enovelar-se,
levando à obstrução, sendo a complicação aguda mais comum na ascaridíase. As
crianças são as mais afetadas, porque possuem um intestino delgado menor e geralmente
maior carga parasitária.
➢ Localização ectópica: Em casos de elevada carga parasitária ou em que o verme sofra
irritação, seja por febre, uso impróprio de medicamento e consumo de alimentos muito
condimentados, o parasita pode migrar do seu hábitat natural para outros locais, esses
vermes são chamados de “áscaris errático”.
DIAGNÓSTICO
❖ Clínico
O diagnóstico clínico geralmente é difícil de ser realizado, uma vez que a infecção por
ascaris é pouco sintomática, e sua gravidade depende diretamente da carga parasitária.
❖ Laboratorial
É realizado através da detecção de ovos nas fezes. Nas fases iniciais da infecção, como
só há larvas, o resultado será negativo. Os ovos só poderão ser evidenciados nesse exame, cerca
de 40 dias após a infecção. Como a liberação de ovos é intensa, o método de sedimentação
espontânea é suficiente para detectá-los.
O Kato Katz é útil para inquéritos epidemiológicos, pois permite a quantificação dos
ovos. Um ponto de destaque, é que nas infecções que só possuem vermes fêmeas, todos os ovos
serão inférteis, enquanto as que tiverem só machos, o exame será negativo.
TRATAMENTO
Os medicamentos para ascaridíase, só são eficientes para os vermes adultos. O
tratamento recomendado é baseado na utilização de:
❖ Albendazol (dose única)
❖ Mebendazol (dose única)
Ambos atuam inibindo a tubulina-polimerase, afetando a divisão celular ou também podem
atuar inibindo a captação da glicose, afetando a produção de ATP.
❖ Ivermectina
Atua na indução de íons-cloro que ultrapassam a membrana, afetando a transmissão de sinais,
paralisando o parasito.
❖ Hexa-hidrato de piperazina
Usada nos casos de oclusão por vermes adultos, pode ser usada em conjunto com óleo
mineral, essa droga causa paralisia flácida nos vermes e quando o quadro não for revertido, é
recomendada a intervenção cirúrgica.
PROFILAXIA
❖ Tratamentos em massa nos habitantes das áreas endêmicas.
❖ Controle da transmissão de ovos.
❖ Saneamento básico.
❖ Educação para saúde, principalmente no grupo das crianças.
Toxocara spp /
Toxocaríase
INTRODUÇÃO:
A toxocaríase é uma antropozoonose causada pelo nematódeo do gênero Toxocara, que em
seres humanos desenvolve duas síndromes: a LMV (Larva Migrans Visceral) e LMO (Larva
Migrans Ocular). Várias espécies agem como agente etiológico da doença, porém as principais
são a Toxocara catis e T.canis.
EPIDEMIOLOGIA:
A infecção por Toxocara é predominante em países em desenvolvimento. Principais fatores
que estão associados com a infecção humana pelo Toxocara, incluem: a presença de cães e
gatos em ambientes como parques públicos, a não coleta de suas fezes e ingestão de alimentos
contaminados pelos ovos do parasito. Vermes adultos vivem em média, 4 meses. Os ovos nas
fezes não são embrionados e, portanto, não são infectantes. Para que haja o embrionamento,
são necessárias condições adequadas de temperatura (15 a 35 °C) e umidade, sendo que, nessas
condições, 85% dos ovos tornam-se infectantes no período de 2 a 5 semanas A defecação pelos
cães e gatos em praças públicas contribui para a transmissão zoonótica. As crianças geralmente
são as mais acometidas pela toxocaríase, isso se deve ao fato de brincarem com terra e areia. A
síndrome LMV, atinge crianças com idade média de 2 anos, enquanto a LMO atingem
crianças mais velhas e adultos.
CLASSIFICAÇÃO/ TAXONOMIA
Reino: Metazoa
Filo: Nematoda
Classe: Chromadorera
Ordem: Ascaridida
Família: Toxocaridae
Gênero: Toxocara
Os vermes (macho e fêmea) de Toxocara são cilíndricos de cor creme. O verme macho mede
cerca de 4 a 10 cm, já as fêmeas medem de 9 a 18 cm de comprimento.
Toxocara canis: macho e fêmea possuem lábios e asas cervicais. Na parte inferior do verme
macho se encontra o apêndice terminal e na fêmea o ânus.
Toxocara catis: Macho: asas cervicais e cauda com curvatura (processo digitiforme). Fêmeas:
asas cervicais, não possuem a curvatura e são mais grossas e maiores que os machos.
Principais diferenças entre T.canis e T.catis: o formato da cabeça, as asas do T.catis é maior
que a do T.canis. As larvas do T.canis é maior que a do T.catis. O T.canis macho possui
apêndice terminal e o T.catis possui processo digitiforme.
HOSPEDEIROS
Cães e gatos são os hospedeiros definitivos desse parasita, enquanto os seres humanos são
hospedeiros acidentais do Toxocara.
CICLO BIOLÓGICO
Cães e gatos infectados excretam os
ovos de Toxocara em suas fezes no
ambiente que pode ser caixa de areia,
praças públicas, praias, onde irão se
desenvolver e em torno de 28 dias a
larva atingirá o estágio infectante
(L3), dentro do ovo. Por serem muito
resistentes aos fatores ambientais,
permanecem viáveis por até meses.
O ser humano, como hospedeiros acidentais, são infectados quando ocorre a ingestão de ovos
larvados contendo larvas de terceiro estadio ao entrarem em contato durante brincadeiras em
caixas de areias e parques contaminados com ovos de Toxocara, e tambem por meio do
consumo de carnes e vísceras de hospedeiros paratênicos que venham a ser consumidas cruas
ou mal cozidas. Após isso, as larvas penetram a parede intestinal e migram para vários tecidos
(fígado, coração, cérebro, pulmão e olhos).
FISIOPATOLOGIA/PATOGENIA
Quando ocorre a infecção no ser humano, devido a ingestão de alimentos ou água contaminados
com ovos contendo L3, no intestino delgado irá ocorrer a eclosão das larvas (L3), as quais
penetram na parede do intestino, atinge a circulação e se distribui por todo o organismo. Em
órgãos como, olhos, coração, pulmões, fígado, rins, medula óssea, e músculos estriados vai
ocorrer migração das larvas, a maioria será destruída formando uma lesão típica, chamada
granuloma alérgico. Nessa lesão, o parasito morto se encontra cercado por infiltrados ricos em
eosinófilos e monócitos.
INTRODUÇÃO
O gênero Trichuris apresenta dezenas de espécies que parasitam o sistema
digestivo, em grande parte, dos mamíferos. Dentre as espécies temos Trichuris ovis,
Trichuris suis, Trichuris vulpis, Trichuris muris e Trichuris trichiura, esta ultima tem o
ser humano como principal hospedeiro. T. trichiura é um verme nematóide que se
hospeda no intestino grosso humano e é responsável por causar uma parasitose chamada
Tricuríase, na qual é muito comum em países em desenvolvimento.
EPIDEMIOLOGIA
Trichuris trichiura é considerado um helminto transmitido pelo solo (STH) e a 3ª
infecção parasitária mais comum em humanos. Se apresenta como uma doença com
distribuição geográfica cosmopolita, com alta prevalência em regiões de clima tropical e
subtropical, variando de acordo o contexto socioeconômico da população, especialmente
na Ásia, América do sul e África, podendo ser encontrada também no Sul dos EUA, sendo
a população infantil a mais atingida. No Brasil, o parasito tem maior incidência nos
estados do Norte, Nordeste e região litorânea, isso devido às condições sanitárias e os
hábitos de poluição fecal do ambiente, resultando na intensidade da transmissão local.
CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA
❖ FILO: Nematoda
❖ CLASSE: Adenophorea
❖ ORDEM: Trichocephalida
❖ FAMÍLIA: Trichuridae
❖ GÊNERO: Trichuris
❖ ESPÉCIE: T. trichiura
❖ Adultos
Os adultos de Trichuris trichiura apresentam forma semelhante a um “chicote”.
A região anterior é fina e alongada e a posterior é curta e mais dilatada. Medem de 3-5
cm de comprimento, são dioicos e com dimorfismo sexual.
Na extremidade anterior está localizada a boca, uma abertura simples onde têm
um pequeno estilete, seguida por um esôfago longo e delgado. Em relação a parte
posterior do corpo de T. trichiura, ou seja, a porção alargada, se localiza o sistema
reprodutor simples e o intestino, que termina no ânus, localizado próximo a extremidade
da cauda.
Os machos são menores do que as fêmeas (3 a 4,5 cm e 4 a 5 cm, respectivamente)
e possuem testículo único seguido por canal deferente, canal ejaculador e por fim um
espículo na região posterior. As fêmeas possuem um ovário seguido do útero que contém
muitos ovos não embrionados e a vulva.
❖ Ovos
Têm comprimento de 50 a 54 µm e largura de 22 a 23 µm, apresentam formato
oval típico, com poros salientes e transparentes em ambas as extremidades, além disso
são preenchidos por substâncias lipídicas. A casca externa dos ovos de Trichuris é
composta por três camadas diferentes: camada lipídica externa, camada média de quitina
e camada vitelínica interna, que favorece a resistência desses ovos a fatores ambientais.
CICLO BIOLÓGICO
FISIOPATOLOGIA
O parasitismo por T. trichiura é geralmente assintomático. As manifestações mais
frequentes nos casos sintomáticos são: cólicas intestinais, náuseas, vômitos, dor
abdominal, diarréia, insônia e perda de peso. Nas infecções severas podem ocorrer
tenesmo retal, acompanhada por anemia.
Em crianças menores de cinco anos, desnutridas e com elevada carga parasitária
pode ocorrer o prolapso retal devido a irritabilidade nas terminações nervosas do reto e
ceco.
Manifestações de acordo com a carga parasitária:
❖ Infecções leves (<1.000 opg): Assintomáticos
❖ Infecção moderada (> 1.000 e < 10.000 opg): Cefaléia, dor epigástrica e no
baixo abdômen, diarréia, náuseas e vômitos;
❖ Infecção intensa (>10.000 opg): Síndrome disentérica crônica (Diarréia
intermitente, presença abundante de muco, melena, Prolapso retal, dor abdominal
com anemia, desnutrição e tenesmo retal)
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da tricuríase pode ser feito através do exame clínico que é
presuntivo e pelo diagnóstico laboratorial através do exame parasitológico de fezes.
Como a maioria dos pacientes infectados por T. trichiura são assintomáticos ou
apresentam sintomatologia pouco característica, é essencial ser confirmado com o
diagnóstico laboratorial. O diagnóstico específico da presença de infecção por T. trichiura
é geralmente realizado pela demonstração dos ovos do parasito nas fezes do paciente.
❖ Mebendazol
❖ Albendazol .
❖ Nitazoxanida
OBS: Deve-se evitar o uso de albendazol ou mebendazol nas grávidas. Em geral, nas
gestantes infectadas, o tratamento é adiado até depois do parto, para diminuir o risco de
toxicidade para o feto.
PROFILAXIA
INTRODUÇÃO
Enterobius vermicularis é um parasito responsável por causar a enterobiose, também
conhecida como oxiuríase. Esse parasito é um helminto de distribuição mundial
(cosmopolita), tem ocorrência em países de clima temperado, isto é, regiões frias, tais
quais os indivíduos não têm costume de tomar banho todos os dias. Também é uma
doença bastante comum no território nacional, acometendo principalmente crianças entre
5 a 15 anos.
EPIDEMIOLOGIA
É uma das doenças parasitárias mais comuns do mundo, sendo frequente em países
desenvolvidos de regiões frias. Além disso, é bastante comum em áreas rurais e periferia
das grandes cidades sem saneamento básico adequado.
CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA
❖ Reino - Animalia
❖ Filo- Nematoda
❖ Classe- Secernentea
❖ Ordem- Oxyurida
❖ Família- Enterobius
❖ Gênero- Enterobius
❖ Espécie- Vermicularis
FORMAS EVOLUTIVAS (MORFOLOGIA E ASPECTOS BIOLÓGICOS)
Em relação aos vermes adultos, a fêmea é maior que o macho. O verme macho
apresenta um tamanho de entre 0,3 a 0,5 cm por 0,3 mm de diâmetro e, no caso da fêmea,
entre 0,8 a 1,2 cm por 0,4 mm de diâmetro. Os vermes apresentam esôfago claviforme,
terminando em um bulbo cardíaco, três lábios na boca, asas cefálicas e um nítido
dismorfismo sexual. Normalmente de cor branca e são filiformes.
Ovo: Aspecto de “D”. Possui uma membrana dupla, lisa e transparente. É eliminado
com larva formada, pronto pra infectar.
HABITAT
Os vermes machos e fêmeas vivem no ceco e apendice. As fêmeas com ovos são
encontradas na região perianal. Em mulheres podem está na vagina, útero e bexiga.
CICLO BIOLÓGICO
Ciclo monoxênico. Após a cópula, os
machos são eliminados com as fezes e
morrem. As fêmeas dirigem-se para o ânus,
principalmente a noite. Os ovos eliminados,
já embrionados, se tornam infectantes em
poucas horas e, por higienização inadequada,
podem ser ingeridos pelo hospedeiro. Se os
ovos forem ingeridos, no intestino delgado,
as larvas rabditoides eclodem e sofrem duas
mudas no trajeto intestinal até o ceco. Dessa
forma, transformam-se em vermes adultos.
Um a dois meses depois as fêmeas são
encontradas na região perianal. Não havendo
reinfecção o parasitismo extingue-se nesse
momento.
TRANSMISSÃO
Mecanismos de transmissão:
Laboratorial: É utilizado o método de Grahan. Este método utiliza a fita adesiva gomada,
a qual é colocada em contato com a região anal. O exame deve ser feito pela manhã, ao
acordar. Como os ovos são leves, esse método permite sua adesão na fita, a qual é
analisada pelo microscopio óptico.
TRATAMENTO
❖ Pomada mercurial antes de dormir;
❖ Palmoato de pirantel;
❖ Albendazol;
❖ Ivermectina;
❖ Mebendazol.
PROFILAXIA
❖ Não sacudir a roupa de cama e de dormir. Deve-se lavar em água fervente todos
os dias para não infectar outras pessoas que residem a casa;
❖ Tratar todas as pessoas da família/coletividade;
❖ Corte das unhas, banho de chuveiro ao levantar-se e limpeza doméstica constante.
Ancylostoma duodenale /Necator americanus
(Ancilostomíase)
INTRODUÇÃO
EPIDEMIOLOGIA
TAXONOMIA
❖ Reino: Animalia
❖ Filo: Nematoda
❖ Classe: Secernentea
❖Ordem: Strongylida
❖ Família: Ancylostomatidae
❖ Gêneros: Ancylostoma e Necator
❖ Espécies: A. duodenale e N. americanus
CLASSIFICAÇÃO E MORFOLOGIA
CICLO BIOLÓGICO
As larvas filarióides penetram ativamente através da pele (quando ingeridas, podem penetrar
através da mucosa). As larvas têm origem nos ovos eliminados pelo homem.
PATOGENIA, PATOLOGIA E SINTOMATOLOGIA
➤ Fase de penetração da pele – ao atingir os capilares, a larva filarióide pode provocar reação
textrina com morte de elevados números delas. Se ocorre penetração de bactérias piogênicas,
pode ocorrer uma lesão aberta e designa-se coceira da terra.
➤ Fase pulmonar – as larvas, ao atingirem os capilares pulmonares, forçam sua passagem para
os alvéolos, cursando com lesões microscópicas e hemorragia local. Diferente do que se observa
na estrongiloidíase e ascaridíase, raros são os casos de pneumonite.
➤ Fase dos vermes adultos no intestino delgado – através de suas placas cortantes (N.
americanus) ou de seus dentes (A. duodenale), estes vermes sugam a porção distal da vilosidade,
determinando erosão e ulceração, havendo novas lesões para abocanhadura de novos sítios.
PATOLOGIA
O quadro clínico pode variar desde forma assintomática até situações extremas, podendo
chegar ao óbito. A variedade depende da combinação dos seguintes fatores: espécie do agente
etiológico e carga parasitária; intensidade da anemia; idade do paciente; e estado nutricional do
hospedeiro. Em nosso meio, e em quase toda América Latina, o Necator americanus constitui o
agente de maior prevalência. As crianças mais freqüentemente evoluem com formas mais
graves, mesmo com cargas parasitárias leves.
SINTOMATOLOGIA
❖ Entrada do parasito -
Dermatites: sensação de "picada", hiperemia, prurido e edema - processo inflamatório.
❖ Intestinal
• Dor epigástrica
• Diminuição de apetite
• Indigestão
• Náuseas
• Flatulência
DIAGNÓSTICO
Detecção de ovos:
❖ Hoffman, Pons e Janner - sedimentação espontânea.
❖ Willis - flutuação em solução de NaCl.
❖ Stoll - exame quantitativo.
TRATAMENTO
Albendazol Mebendazol
Após tratamento com antiparasitários, exame parasitológico de fezes pode ser solicitado após 3
semanas para confirmação da cura.
PROFILAXIA
❖ Instalações sanitárias adequadas, evitando assim que os ovos dos vermes contaminem o solo;
❖ Uso de calçados, impedindo a penetração das larvas pelos pés;
❖ Tratamento dos portadores, é necessária uma ampla campanha de educação sanitária.
Strongyloides stercoralis / Estrongiloidíase
INTRODUÇÃO
O geohelminto Strongyloides stercoralis é o agente etiológico da estrongiloidíase, doença
parasitária intestinal, caracterizada por quadros clínicos variáveis, desde casos assintomáticos,
passando por sintomas leves até casos graves (hiperinfecção). Além disso, é uma infecção que afeta
cães, gatos e primatas, sendo o homem o principal reservatório do parasita.
EPIDEMIOLOGIA
Strongyloides stercoralis é um dos geohelmintos mais comuns distribuídos mundialmente e
com grande importância clínica, que infecta cerca de 30 a 100 milhões de pessoas em todo o mundo.
A estrongiloidíase é uma infecção global emergente que é subestimada em muitos países. Esta doença
é considerada endêmica (infecção de 1 - 5%), especialmente na Europa Central, Sudeste da Ásia,
América Latina e na África subsaariana. No Brasil é encontrada nas regiões tropicais e subtropicais
como Minas Gerais, Amapá, Goiás e Rondônia.
CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA
❖ Filo: Nematoda
❖ Classe: Secernentea
❖ Família: Strongyloididae
❖ Gênero: Strongyloides
❖ Espécie: S. stercoralis
MORFOLOGIA
Apresenta seis formas evolutivas, sendo elas: Fêmea partenogenética; fêmea de vida livre; macho
de vida livre; ovos; larvas filarióides e rabditóides.
❖ Fêmea Partenogenética
Apenas a fêmea partenogenética habita no intestino e não tem a
capacidade de acasalar.
Apresenta aspecto filiforme longo, com extremidade anterior
arredondada e posterior afilada. Mede 1,7 a 2,5mm de comprimento
por 0,03 a 0,04mm de largura. Possui uma cutícula fina levemente
estriada no sentido transversal em toda extensão do corpo. É
ovovivípara e produz 3 ovos diferentes, sendo
eles:
• Ovo triplóide (larva rabditóide que se diferencia em larva
Filarióide)
• Ovo diplóide (larva rabditóide que origina fêmea de vida livre)
• Ovo haplóide (larva rabditóide que origina macho de vida livre).
❖Larvas rabditóides
❖ Larvas filarióides
CICLO BIOLÓGICO
O ciclo de vida do Strongyloides
stercoralis é do tipo Monoxênico,
sendo considerado um dos mais
complexo dentre os ciclos biológicos
de nematódeos. Esse parasita
apresenta ciclo de vida distintos: o
ciclo direto, ou partenogenético, e o
indireto, sexuado ou de vida livre.
As fêmeas partenogenéticas
podem produzir simultaneamente, 3
tipos de ovos, dando origem a três
tipos de larvas rabditóides: 1)larvas
rabditóides que se diferenciam em
larvas filarióides infectantes,
completando o ciclo direto; 2) larvas
rabditóides que originam as fêmeas
de vida livre; 3)larvas rabditóides que
evoluem para macho de vida livre, em
que nas duas últimas completam o ciclo indireto.
A fase do ciclo que ocorre no solo precisa de condições adequadas para o desenvolvimento da larva,
como: solo arenoso, umidade alta, temperatura entre 25 e 30° C e ausência de luz solar direta. No ciclo direto
as larvas rabditóides no solo transformam-se em larvas filarióides infectantes. No ciclo indireto as larvas
rabditóides produzem fêmeas ou machos de vida livre.
Os ciclos direto e indireto se completam pela penetração ativa das larvas filarióides (L3) na pele ou
mucosa oral, esofágica ou gástrica do hospedeiro. Essas larvas secretam metaloproteases, que as auxiliam,
tanto na penetração quanto na migração através dos tecidos. Logo após, as larvas alcançam as circulações
venosa e linfática e através desses vasos seguem para o coração e os pulmões.
Nos capilares pulmonares se transformam em L4, atravessam a membrana alveolar e, por meio da migração
pela árvore brônquica, chegam à faringe. Nesse momento as larvas podem ser expelidas pela expectoração
ou deglutidas, chegando no intestino delgado, onde se transformam em fêmeas partenogenéticas que
depositam os ovos na mucosa intestinal.
Na mucosa intestinal, as larvas rabditóides maturam, alcançam a luz intestinal e são eliminadas com as
fezes do paciente. O tempo decorrido desde a penetração da larva filarióide na pele até que ela se torne adulta
e comece a eliminar ovos larvados e eclosão das larvas no intestino é de aproximadamente 15 a 25 dias.
TRANSMISSÃO
A transmissão do geohelminto S. stercoralis pode ocorrer através de 3 formas descritas a seguir:
DIAGNÓSTICO
❖ Clínico: Em geral, o paciente apresenta-se assintomático, entretanto pode apresentar a
tríade clássica dos sintomas sendo diarreia, dor abdominal e urticária.
❖ Laboratorial: Os métodos parasitológicos diretos, como Baermann-Moraes e de Rugai visam
a identificação de larvas de S. stercoralis nas fezes do hospedeiro. Esses métodos se baseiam
em hidro e termotropismo das larvas, sendo necessário a coleta de 3 a 5 amostras de fezes,
em dias alternados para confirmação das larvas rabditoides. É válido frisar que o diagnostico
laboratorial visa a obtenção das larvas e não dos ovos.
Os métodos indiretos, com destaque para os imunológicos se baseiam na detecção de
anticorpos, de antígenos e também de imunocomplexos, sendo válido para infecções
assintomáticas e no esclarecimento do diagnóstico clínico.
TRATAMENTO
❖ Albendazol (atua nas Fêmeas partenogenéticas)
❖ Cambendazol (atua nas fêmeas partenogenéticas e larvas)
❖ Ivermectina (atua nas formas graves e disseminadas, principalmente
em pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS)
❖ Tiabendazol (atua nas Fêmea partenogenéticas)
PROFILAXIA
❖ Lavagem adequada dos alimentos
❖ Não andar com os pés descalços
❖ Educação sanitária
❖ Saneamento básico
Wuchereria bancrofti / Filariose Linfática
INTRODUÇÃO
A Wuchereria bancrofti é o helminto causador da antroponose filariose linfática,
causada também por helmintos das espécies Brugia malayi e B. timori. Os seres humanos
são as fontes de infecção para os mosquitos vetores. A filariose é também conhecida por
elefantíase, em uma de suas manifestações na fase crônica da doença.
EPIDEMIOLOGIA:
É uma das doenças transmitidas por vetores mais importante no mundo devido
aos efeitos desfigurantes que pode acometer os indivíduos infectados em estágios
avançados, ocasionando incapacidade permanente, perdas socioeconômicas e preconceito
social.
No continente americano e na África a filariose linfática é causada exclusivamente
pela W. bancrofti, representando a maioria das infecções. Na Ásia, a doença também pode
ser causada por Brugia malayi e Brugia timori. Estima-se que 199 milhões de pessoas em
todo o mundo foram infectadas com filariose linfática em 2000. Em 2018, cerca de 51
milhões de indivíduos foram infectados. Nas Américas, quatro países são conhecidos
como endêmicos: Haiti, República Dominicana, Guiana e Brasil. No Brasil, a filariose
está no caminho para eliminação total, os últimos locais com focos de transmissão estão
localizados na Região Metropolitana do Recife, nas cidades de Recife, Olinda, Jaboatão
dos Guararapes e em Paulista.
CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA
Reino: Metazooa
Filo: Nematoda
Ordem: Spirurida
Família: Onchocercidae
Subfamília: Onchocercinae
Gênero: Wuchereria
Espécie: W. bancrofti
TRANSMISSÃO
O parasito é transmitido por mosquitos de acordo com a área geográfica. A
transmissão ocorre unicamente pela picada do inseto vetor infectado. O ciclo biológico
do parasito no inseto ocorre entre 15 e 20 dias, e o mosquito Culex vive por volta de 1
mês, dessa maneira é curto o período de tempo no qual o vetor é capaz de transmitir o
parasito ao ser humano. Na África o vetor mais comum é o Anopheles, nas Américas é o
Culex quinquefasciatus (muriçoca) e no Pacífico e na Ásia é o Aedes e Mansonia.
FISIOPATOLOGIA/PATOGENIA
As reações inflamatórias locais iniciam com a maturação das larvas em jovens
adultos nos vasos linfáticos causando dilatação nos locais. A evolução é lenta. Com a
morte dos parasitos, o paciente pode ser assintomático ou pode iniciar a fase inflamatória
da doença. Inicia com a forma aguda e se não tratada evolui gradualmente para quadros
causados pela ruptura dos vasos linfáticos dilatados e acúmulo de linfa na região afetada
(hidrocele, quilocele, quiluria, linfedema). A evolução para elefantíase leva cerca de 10 a
15 anos.
MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
O indivíduo microfilarêmico pode não ter sintomas aparentes. Quando há
sintomas, aparecem após alguns meses até anos, devido a:
TRATAMENTO
O medicamento utilizado é o citrato de dietilcarbamazina (DEC). Outro
medicamento empregado é a Ivermectina. Ela reduz a microfilaremia, porém não atua
sobre os vermes adultos, não eliminando completamente a infecção.
PREVENÇÃO E CONTROLE
❖ Evitar picadas de mosquito (usar mosquiteiros, camisa de manga compridas e
calças, usar repelente na pele exposta)
❖ O Programa Global para Eliminar a Filariose Linfática (GPELF) implementou a
administração em massa de medicamentos (combinado de ivermectina, citrato de
dietilcarbamazina e albendazol (IDA)) nas populações em risco da doença. A meta
de eliminação da filariose foi ampliada e pretende-se que até 2030, 80% dos países
endêmicos cumpram os critérios para validação da eliminação como um problema
de saúde pública, com os 20% restantes sob vigilância pós-tratamento.
referências