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TCC Bruna Silva - Final

Este trabalho avalia as concentrações de lactato sérico em Larus dominicanus durante a reabilitação no Sul do Brasil, utilizando dados do Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática. Foram analisadas 66 amostras de aves resgatadas, revelando que os níveis de lactato variam conforme diferentes estressores. Os resultados visam contribuir para o bem-estar e manejo das aves, além de auxiliar na reabilitação e soltura dos animais.
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TCC Bruna Silva - Final

Este trabalho avalia as concentrações de lactato sérico em Larus dominicanus durante a reabilitação no Sul do Brasil, utilizando dados do Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática. Foram analisadas 66 amostras de aves resgatadas, revelando que os níveis de lactato variam conforme diferentes estressores. Os resultados visam contribuir para o bem-estar e manejo das aves, além de auxiliar na reabilitação e soltura dos animais.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS


DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA E ZOOLOGIA
CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - LICENCIATURA

Bruna Silva da Silva

Avaliação das concentrações de lactato sérico na pré e pós-reabilitação de Larus


dominicanus (Lichtenstein, 1823) no Sul do Brasil

Florianópolis/SC

2021
Bruna Silva da Silva

Avaliação das concentrações de lactato sérico na pré e pós-reabilitação de Larus


dominicanus (Lichtenstein, 1823) no Sul do Brasil

Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em


Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa
Catarina como requisito para a obtenção do grau de
Licenciada em Ciências Biológicas.

Orientador: Dr. Guilherme Renzo Rocha Brito


Coorientadora: Dra. Cristiane Kolesnikovas.

Florianópolis/SC

2021
Bruna Silva da Silva

Este de Trabalho Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de
Licenciada em Ciências Biológicas, e aprovado em sua forma final pela Banca Examinadora.

Florianópolis, 10 de setembro de 2021.

_______________________________________________

Prof. Dr. Carlos Roberto Zanetti


Coordenador do Curso

Banca Examinadora:

_______________________________________________

Prof. Guilherme Renzo Rocha Brito, Dr.


Orientador
Universidade Federal de Santa Catarina

_______________________________________________

Cristiane Kolesnikovas, Dra.


Co Orientadora
Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM)
_______________________________________________

Prof.(a) Ana Carolina Rabello de Moraes, Dra.


Membro Titular
Universidade Federal de Santa Catarina

_______________________________________________

Sandro Sandri, Med. Vet.


Membro Titular
Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM)

_______________________________________________

Marzia Antonelli, Med. Vet.


Membro Suplente
Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM)
Este trabalho é dedicado a todos que fizeram parte da
sua feição, sendo com palavras de força e de carinho, ou com
algumas sugestões para melhorá-lo. Saibam que vocês foram
fundamentais para o término deste trabalho com grande êxito.
Dedico também, a todas as mulheres cientistas que além de
serem inspirações, travaram diversas batalhas e abriram o
caminho para que pudéssemos chegar até aqui!
AGRADECIMENTOS

Primeiramente, gostaria de agradecer as pessoas que mais me motivaram a vida


inteira, aos meus pais Mariane e Elizandro, por sempre me apoiarem incondicionalmente, e
ao meu irmão João Miguel, pelo apoio e companheirismo. E a minha avó Maria, que, por
mais distante que esteja, sempre me motivou a continuar estudando.
Ao meu companheiro Daniel, por acreditar que eu conseguiria e por me dar forças em
todos os momentos. Obrigada por todo incentivo, paciência e amor incondicional.
Aos meus amigos de fora da graduação que sempre estiveram presentes e me dando
forças para continuar. Obrigada!!
As minhas amigas, Ana Vitória, Anelize, Vanessa e ao meu amigo Willian, que
tornaram todos esses anos de graduação, um pouco mais leves. Obrigada por toda parceria,
todos os trabalhos e por compartilharmos grandes momentos.
A Universidade Federal de Santa Catarina por me proporcionar um estudo gratuito, de
qualidade e com excelentes profissionais.
Ao meu orientador Prof. Dr. Guilherme Renzo Rocha Brito, por ter encarado esse
desafio e ter me dado a oportunidade de fazer este belo trabalho, além de me acalmar em
quase todas as reuniões que tivemos!
Ao Prof. Dr. Bruno Figueiredo, que não mediu esforços para nos ajudar nos
momentos tenebrosos de mexer na estatística. Obrigada, pois sem você as estatísticas não
teriam ficado tão bonitas e compreensíveis na organização deste trabalho.
À minha co-orientadora, Dr. Cristiane Kolesnikovas, por me proporcionar esse tema
enriquecedor para a saúde e bem-estar dos animais.
A Petrobras e a Associação R3 Animal, a equipe de médicos veterinários, biólogos,
tratadores e a equipe PMP Florianópolis por me proporcionarem o sonho de trabalhar com
animais marinhos e a reabilitação dos mesmos. Obrigada por contribuírem carinhosamente
com a minha formação e a de muitos outros estagiários que irão passar no CePRAM.
À equipe do laboratório CePRAM, que não mediu esforços para me ajudar a produzir
este trabalho, pelo compartilhamento de conhecimentos e pelos momentos vividos. Obrigada,
principalmente ao Rafael, chefe do laboratório, que me deu um grande suporte na
organização e na feição deste trabalho.
Agradeço também à primeira equipe de laboratório que me acolheu e me ensinou
muitas coisas, em especial a Ana Claudia, que além de técnica de laboratório, se tornou uma
grande amiga. Ao pessoal do Banco de Sangue, obrigada por me aceitarem tão nova e por
terem me ajudado nessa conquista!!
Por fim, agradeço a todos que participaram do processo da minha formação, de dentro
e de fora da UFSC, vocês me ajudaram a me tornar uma pessoa melhor e espero que uma
profissional de grandes qualidades!
“Quem abraça a natureza, entende a sabedoria da vida”

Deyvison Souza
RESUMO

A hematologia e a bioquímica das aves são ferramentas fundamentais para diversas pesquisas
de enfermidades, detecção de doenças e fatores de estresse, cada espécie exibe um
comportamento diferente, tanto clinicamente como nos exames que são realizados. Na
medicina veterinária, percebeu-se que o exame de lactato sérico seria de grande importância
nas análises de estresse. Sendo assim, são necessários estudos que descrevam os agentes
estressores das espécies e como se pode fazer a avaliação de estresse por meio do lactato. O
objetivo deste presente trabalho foi avaliar os parâmetros bioquímicos de Larus dominicanus
em processo de reabilitação, no âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias no estado de
Santa Catarina, entre os anos de 2019 e 2020. Para isso, foram utilizados os dados do
SIMBA: Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática, um banco de dados
que abriga diversas informações. Ao total foram 66 amostras de Larus dominicanus, oriundos
de quatro lugares diferentes, sendo três bases de estabilização (Laguna, Penha e Joinville),
além de animais resgatados das praias de Florianópolis-SC todos levados para tratamento no
Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM). A
partir dos dados coletados, conseguimos analisar que os valores de lactato se alteram
conforme alguns agentes estressores, como possíveis viagens mais longas, utilização de
recintos compartilhados, etc. As diferenças que encontramos, servem para auxiliar no
bem-estar das aves, no manejo, entendimento e no diagnóstico de estresse dos mesmos, para
que assim obtenham ainda mais subsídios e sucesso na reabilitação e soltura dessas aves.

Palavras chaves: Bioquímica, CePRAM, Gaivotas, Lactato.


ABSTRACT

The hematology and biochemistry of birds are fundamental tools for several pathological
researches, detection of diseases and stress factors; each species exhibits different patterns,
both clinically and in biochemical analysis. In veterinary medicine, the use of the serum
lactate dosage is of great importance in stress analyses. Therefore, studies are needed to
describe the stressors of the species and how the stress measurement can be done using this
biochemical marker. The objective of this study was to evaluate the biochemical parameters
of Larus dominicanus undergoing rehabilitation, within the scope of the Beach Monitoring
Project in the state of Santa Catarina, between 2019 and 2020. Data was gathered from
SIMBA: (Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática), a database that
houses various information. a total of a 66 samples of Larus dominicanus were analysed,
from four different places, three of which were stabilization bases (Laguna, Penha and
Joinville), in addition to animals rescued from the beaches of Florianópolis-SC, all taken to
the Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM).
From the collected data, we were able to analyze that lactate values ​change according to some
stressors, such as longer trips, use of shared enclosures, etc. The differences that we found,
might help in the birds' well-being, in its handling, understanding and in the diagnosis of
stress thereof, so that more subsidies and success in the rehabilitation and release of these
birds are achievable.

Keywords: Biochemistry, CePRAM, Gulls, Lactate.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Gaivota Adulta (A) e Gaivota juvenil (B)..............................................................18

Figura 2 - Recinto móvel telado suspenso pequeno - Udesc..................................................24

Figura 3 - Recinto móvel telado suspenso grande- Udesc......................................................25

Figura 4 - Caixas de contenção - Udesc..................................................................................25

Figura 5 - Sala de estabilização, Univali................................................................................26

Figura 6 - Recinto externo - Univali.......................................................................................26

.Figura 7 - Caixas de contenção - Univali...............................................................................27

Figura 8 - Caixa d’água (A), baia de aço (B) - Univille….....................................................27

Figura 9 - Recinto móvel com tela - Univille…....................................................................28

Figura 10 - Recinto móvel externo com tela - Univille…......................................................28

Figura 11 - Caixa de transporte -Univille…...........................................................................29

Figura 12 - Sala de estabilização R3 Animal..........................................................................30

Figura 13: Baias de aço (A) e recintos móveis telados (B).....................................................30

Figura 14 - Recinto externo das aves voadoras.......................................................................31

Figura 15 - Tubo de fluoreto e teste de Lactato (REF:138)....................................................33


LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS

Tabela 1- Resultados de dosagem de lactato enzimático em Larus dominicanus durante o


processo de reabilitação. R3 Animal 1: primeira coleta; R3 Animal 2: segunda coleta; Udesc
1: primeira coleta; Udesc 2: segunda coleta; Univali 1: primeira coleta; Univali 2: segunda
coleta Univille 1: primeira coleta; Univille 2: segunda coleta……………………………….35

Gráfico 1: Primeira coleta de lactato (mmol/L) de Larus dominicanus das bases analisadas
do PMP-BS em Santa Catarina………………………………………………………………35

Gráfico 2: Média do lactato sanguíneo (mmol/L) da primeira e segunda coleta de Larus


dominicanus………………………………………………………………………………….36

Gráfico 3: Valores de lactato (mmol/L) analisados conforme idade (juvenil/adulto) de Larus


dominicanus………………………………………………………………………………….37
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CePRAM - Centro de (Pesquisa) Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos

CEMAVE - Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres Brasileiras

IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

IPeC -Instituto de Pesquisas Cananéia

LDH - lactato desidrogenase

ONG 's - Organizações Não-Governamentais

PMP – BS - Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos

REMAB - Rede de Encalhes de Animais Marinhos

SIMBA - Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática

UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina

SC - Santa Catarina
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………... 16

1.1 Larus dominicanus………………………………………………………………………. 17

1.2 O ESTRESSE EM AVES………………………………………………………………... 19

1.3 O LACTATO ENZIMÁTICO…………………………………………………………....20

2 OBJETIVOS……………………………………………………………………………....22

2.1 OBJETIVO GERAL…………………………………………………………………….. 22

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS…………………………………………………………….22

3 METODOLOGIA………………………………………………………………………... 23

3. 1 COLETA DE DADOS E ASPECTOS ÉTICOS ………………………………………... 23

3.2 BASES DE ESTABILIZAÇÃO E REABILITAÇÃO DE SANTA CATARINA………. 23

3.3 PROCESSO DE ESTABILIZAÇÃO E REABILITAÇÃO…………………………….. 31

3.4 EXAMES LABORATORIAIS REALIZADOS NO CePRAM………………………….32

3.5 ANÁLISES ESTATÍSTICAS…………………………………………………………….34

4 RESULTADOS……………………………………………………………………….... 35

5 DISCUSSÃO…………………………………………………………………………….... 39

6 CONCLUSÃO……………………………………………………………………………. 43

REFERÊNCIAS ……………….…………………………………………………………... 44
16

1 INTRODUÇÃO

Segundo Sick (1997), as aves marinhas são todas aquelas que dependem de um
ambiente marinho e apresentam adaptações específicas a este tipo de ambiente, como bicos
em formato em gancho para melhor captura do alimento; presença de glândula de sal (um
órgão que faz a eliminação do excesso de sal, vindo da alimentação, localizada acima dos
olhos, que expele solução salina concentrada por um canal na região lacrimal); pés possuindo
membranas entre os dígitos anteriores, com um formato de remo, dando maior facilidade na
hora de nadar, pousar e decolar; por fim, o formato das asas também é importante, pois
guiam o voo desses animais.

Aves marinhas passam longos períodos se deslocando entre mar e terra firme, além
disso, quase todas as espécies se reproduzem em ilhas oceânicas ou regiões costeiras, com
exceção dos pinguins que utilizam lugares costeiros desabitados para a reprodução. Em sua
maior parte, se reproduzem apenas uma vez por ano no período entre primavera e verão,
existindo cuidado parental para que o filhote possa sobreviver no ambiente com diversos
problemas alimentares e de predação (PEREIRA, 2018).

Existem seis ordens de aves marinhas registradas no Brasil, Charadriiformes


(gaivotas, trinta-réis e maçaricos), Sphenisciformes (pinguins), Suliformes (atobás e
fragatas), Pelecaniformes (pelicanos), Procellariiformes (albatrozes e petréis) e
Phaethontiformes (rabos-de-palha). As espécies registradas no Brasil apresentam cerca de
28% de todos os Charadriiformes, Procellariiformes e Pelecaniformes do mundo, o que acaba
evidenciando o Brasil como localidade importante para a conservação dessas espécies.
Apesar disso, existem poucos estudos realizados com espécies de aves oceânicas e costeiras,
levando em consideração a grande extensão litorânea do Brasil, com isso, pouco se sabe o
que pode causar as enfermidades e epidemias nesse grupo seleto de aves (SERAFINI;
LUGARINI, 2014).

A preocupação com a diversidade das espécies, tem se tornado cada vez mais visível
em nossos dias, com isso, vemos a necessidade de existência de organizações
conservacionistas e que através das leis, trabalhem em prol do resgate e reabilitação dos
animais (AGOSTINHO; THOMAZ; GOMES, 2005).
17

No Brasil, existem alguns projetos e centros de reabilitação que trabalham com a


conservação e preservação de animais, geralmente coordenados por Organizações
Não-Governamentais (ONG 's). Podemos citar alguns Centros que têm grande importância,
como o Instituto Gremar, o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) e o Projeto Tamar
(ALVES; MACHADO; QUINDELER, 2019).

Em Florianópolis, o Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais


Marinhos (CePRAM) é coordenado pela Associação R3 Animal desde abril de 2018. Devido
ao seu grande histórico com resgate de animais e atendimento de Rede de Encalhes de
Animais Marinhos (REMAB) do ICMBio, em 2015, a associação foi convidada a participar
do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). O PMP-BS é uma
atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental
federal, conduzido pelo Ibama, das atividades da Petrobras de produção e escoamento de
petróleo e gás natural na Bacia de Santos. O objetivo do PMP-BS é avaliar possíveis
impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e
mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e atendimento veterinário aos
animais vivos e necropsia dos encontrados mortos. É realizado desde Laguna/SC até
Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. Em Florianópolis, o trecho 3 é executado pela
R3 Animal, sob ABIO No. 640/2015.s. A ONG contribui com a conservação da diversidade,
através da reabilitação dos animais, promovendo pesquisas e buscando o melhoramento do
meio ambiente em que vivem, tentando sensibilizar e minimizar os impactos causados por
humanos (R3 ANIMAL, 2021).

1.1 Larus dominicanus

Conhecida popularmente como gaivotão, Larus dominicanus (Lichtenstein, 1823) é


uma ave da ordem Charadriiformes. A família Laridae pertence ao grupo de aves aquáticas
conhecidas como gaivotas, possuem em média 58 centímetros quando adultas, são altamente
adaptadas ao voo, com asas compridas, pés relativamente curtos com membranas interdigitais
que facilitam na hora de nadar, externamente os sexos são semelhantes e às vezes os machos
podendo ser um pouco maiores (SERAFINI; LUGARINI, 2014).

Os adultos de gaivotão possuem o bico amarelo com uma mancha avermelhada na


ponta, suas pálpebras são avermelhadas e sua íris branca, os pés tem um tom de amarelo
18

claro, com tarsos esverdeados e a plumagem é essencialmente branca, com exceção das asas,
baixo dorso e cauda que possuem a coloração mais escura, puxando para o preto (figura 1A).
Os Juvenis possuem o bico e os pés com uma coloração mais escura acinzentada, ou
pardo-enegrecidos, e sua íris é parda escura e plumagem altamente variável com diferentes
níveis de invasão de manchas amarronzadas dependendo da idade (figura 1B) (SICK, 1997).

Figura 1- Gaivotão Adulto (A) e Gaivotão juvenil (B).

Fonte: Nilson Coelho/ R3 ANIMAL (2021).

As gaivotas nidificam (construção do ninho) normalmente no período de inverno, de


junho a setembro, em quase toda a área que estão distribuídas. Normalmente, o ninho é
construído no solo e é encontrado em ilhas rochosas, com vegetação de gramíneas, mais
perto de rios e lagoas salobras. Na sua maior parte, são feitas posturas de em média três ovos,
após a eclosão os filhotes, mesmo sendo nidífugos, são alimentados pelos pais até que
possam voar sozinhos. Costumam se alimentar preferencialmente de diversas presas
marinhas, mas são onívoras e bastante resilientes, também se alimentando de diversos
animais mortos, lixos e rejeitos de pesca (SERAFINI; LUGARINI, 2014).

Os representantes da família Laridae apresentam diferenças nos parâmetros


hematológicos dentro de cada espécie, existindo uma grande variabilidade devido a diversos
fatores internos como a própria fisiologia de cada indivíduo e externos como, por exemplo, os
ambientes em que habitam e as práticas de manejo do local. Podemos abordar a hematologia
das aves da mesma maneira que abordamos a hematologia de mamíferos em geral, porém
existem algumas diferenças celulares em aves, como eritrócitos nucleados, presença de
trombócitos e heterófilos (em mamíferos temos eritrócitos anucleados, plaquetas e
neutrófilos, respectivamente) (CAMPBELL, 2015).
19

Os exames bioquímicos são uma boa ferramenta de análise, porém, deve-se ter em
mente que cada ave possui suas particularidades de estados fisiológicos. A bioquímica é uma
grande ferramenta para ajudar na determinação de diversas alterações fisiológicas que não
são visíveis no comportamento da ave, e para melhor analisar os exames laboratoriais
bioquímicos, deve-se seguir parâmetros clínicos obtidos em literatura (VILA, 2013).

1.2 O ESTRESSE EM AVES

A definição do termo estresse foi traduzida do inglês, e consiste de um efeito a partir


de forças ou de influências que não são muito agradáveis, pressões ou até mesmo tensões que
o indivíduo possa ter. As primeiras pesquisas sobre o estresse foram iniciadas por um médico
hungáro, conhecido como Hans Selye, que partia do princípio que o estresse era um
denominador comum entre várias reações em relação à adaptação de um organismo e
começou a descrever os processos e reações que eram resultantes desse fenômeno (BONDAN
,2014).

O estresse possui uma resposta chamada de síndrome de fuga ou luta, do inglês


"Fight-or-flight”, que como é um processo fisiológico controlado por hormônios, resulta em
um efeito cascata, com uma molécula ativando a outra. Desta forma podem ocorrer várias
alterações fisiológicas quando o organismo está respondendo ao estresse, como por exemplo
o aumento significativo da frequência cardíaca e respiratória, além de tornar os sistemas de
alerta e cognição mais aguçados (GASPAROTTO, 2011).

Existem dois tipos de estresse: o primeiro é quando o animal é exposto a pequenos


períodos de causas estressantes, onde existe a presença de catecolaminas (adrenalina que é
liberada pela medula supra renal e a noradrenalina liberada quando há contatos sinápticos de
divisão simpática no sistema nervoso autônomo); e o segundo é quando o animal é exposto a
grandes momentos de estresse, o que faz ele liberar grandes quantidades de glicocorticóides
(cortisol) e corticosterona. Todas essas alterações demandam grande quantidade de energia
que, nessas situações, é direcionada para a manutenção do funcionamento do cérebro
(GASPAROTTO, 2011).

As condições de estresse acabam se tornando um importante desafio ecológico e


comportamental que acarreta na modulação da força evolutiva e das respostas adaptativas das
populações e espécies (ROMERO, 2004).
20

1.3 O LACTATO ENZIMÁTICO

Por muito tempo, acreditou-se que o lactato era apenas um resultado do metabolismo
glicolítico, mas estudos recentes demonstram que na verdade tal substância é um importante
componente do metabolismo energético. A produção do lactato é feita no citosol das células,
não utilizando oxigênio, em um ramo da via glicolítica onde o piruvato junto com a oxidação
concomitante do NADH para NAD+, gera uma reação de catalização resultando em lactato
desidrogenase (LDH), quando isso acontece pode haver um aumento na produção de lactato e
esse pode exceder níveis normais, acarretando hiperlactemia. (BOTTEON, 2012;
CICARELLI, et al., 2007).

O termo hiperlactemia refere-se a um aumento do lactato sanguíneo, que acaba


gerando uma acidose láctica caracterizada pelo aumento de lactato e a diminuição do pH no
sangue. Essa acidose láctica pode surgir a partir de diversas situações como anemia grave,
exposição a fármacos e ao estresse (PANG; BOYSEN, 2007).

Existem diversas células que participam do metabolismo do lactato, como os


eritrócitos, as células germinativas, musculares, cardíacas, hepáticas, renais e alguns
neurônios. Nestas, o lactato é convertido em piruvato através do LDH, posteriormente o
piruvato é convertido em glicose no fígado ou em outros tecidos, gerando CO2, o que fornece
à célula, um mecanismo no qual o NADH regenerando a NAD+ , que é essencial, pois esse
substrato é essencial para a síntese da glicose (GLADDEN, 2004; PANG; BOYSEN, 2007).

Em rotinas médicas o lactato sérico pode ser utilizado como marcador de prognóstico.
A interpretação deste exame pode ser feita de forma única como também utilizando os outros
parâmetros bioquímicos e clínicos existentes, pois o valor sofre diversas interferências
dependendo do estado do animal. A concentração de lactato sérico se relaciona com a
produção e o metabolismo do mesmo, que ocorre principalmente nos rins e no fígado.
Quando ocorre um desequilíbrio por qualquer situação, pode haver uma elevação de lactato
sérico, tornando a concentração desse composto orgânico de grande importância em animais,
inclusive como marcador de estresse (LIMA; FRANCO, 2010; FRANCO, 2015).

Para avaliar o lactato sérico, são utilizados métodos específicos com ação enzimática,
medidos em analisadores automáticos.O lactato na amostra de plasma, sofre uma ação
21

oxidante, o que faz ele produzir peróxido de hidrogênio e alantoína, quando se encontra com
o reagente fenólico e de 4-aminoantipirina, sua coloração se altera (quinonimina) tornando-se
violeta/roxo, devido a ação da peroxidase, tendo seu máximo de absorção em 540 nm. A
finalidade deste exame, é a determinação quantitativa do lactato no plasma dos indivíduos,
sendo um teste exclusivo para diagnósticos “in vitro” (LABTEST, 2021).

O presente trabalho justifica-se, pois existe a necessidade de se avaliar diferentes


agentes estressores, como os protocolos de manipulação e o meio de transporte de animais
em reabilitação. Para isso, optou-se utilizar a dosagem de lactato sérico nos períodos de
chegada e soltura de Larus dominicanus encontrados debilitados nas praias de Santa Catarina
e levados para reabilitação no CePRAM a partir de diferentes bases de estabilização, visando
o auxílio a equipes envolvidas em processos de reabilitação, os tornando menos estressantes
para os animais.
22

2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

● Avaliar a dosagem do lactato sérico em indivíduos de Larus dominicanus submetidos


a processo de reabilitação, no âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia
de Santos no estado de Santa Catarina, entre os anos de 2019 e 2020.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

● Analisar resultados da dosagem de lactato sérico durante diferentes etapas do


processo de reabilitação;
● Verificar se existe diferença entre lactato sérico após o período de estabilização e após
transporte dos animais oriundos das diferentes bases de estabilização;
● Comparar o lactato sérico na entrada do animal no CePRAM com os níveis
pré-soltura.
23

3 METODOLOGIA

3. 1 COLETA DE DADOS E ASPECTOS ÉTICOS

Os exames foram realizados no Laboratório de Análises Clínicas do CePRAM, no


qual a Associação R3 Animal executa o projeto do PMP-BS em Florianópolis-SC. Desta
forma, este trabalho não foi submetido à comissão de Ética e Uso de Animais - CEUA, da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), seguindo a Resolução Normativa Nº 40 do
Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, por ser um estudo que utiliza
apenas os dados existentes em um banco de dados SIMBA
(https://simba.petrobras.com.br/simba/web/sistema/), não havendo contato direto com os
animais.

A Associação R3 Animal, assim como as demais instituições que integram o


PMP-BS, possui autorização de coleta e transporte de amostras biológicas (Abio 640/2015).
Os indivíduos de Larus dominicanus utilizados neste estudo foram encontrados debilitados
nas praias de Santa Catarina, passaram por centros de estabilizações do PMP-BS antes de
serem encaminhados para reabilitação no CePRAM, em Florianópolis no período de outubro
de 2019 a dezembro de 2020.

3.2 BASES DE ESTABILIZAÇÃO E REABILITAÇÃO DE SANTA CATARINA

As bases de estabilização tem como intuito, fazer o primeiro atendimento dos animais
que são resgatados durante o monitoramento de praias. São locais que foram equipados para
verificar o estado em que os animais se encontram, sendo alocados em um ambiente
adequado, onde possam ficar em segurança e tratamento até que passem a ficar estáveis.
Quando há uma melhora do quadro clínico desses animais, eles são transportados para a base
de reabilitação mais próxima (no caso do presente estudo o CePRAM), para continuar seu
tratamento até a soltura (UDESC, 2017).

A base de estabilização Udesc, localizada em Laguna-SC, não possui recintos


externos, todos os animais que são resgatados ficam em salas fechadas. Os mesmos são
colocados em recintos móveis com lonas azuis nas laterais e quando não conseguem ficar em
pé, são colocados em recintos móveis menores (figura 2).
24

Figura 2: Recinto móvel telado suspenso pequeno - Udesc.

Fonte: UDESC, (2021).

Posteriormente, quando se tem uma melhora desses animais, são passados para
recintos móveis maiores, que possuem também uma bandeja de água, onde podem se banhar
e se hidratar (figura 3). Os animais são transportados para o CePRAM em caixas de
transporte (figura 4). A base de estabilização da Udesc está a 147 km de distância e o
deslocamento leva mais ou menos duas horas e trinta minutos até o centro de reabilitação em
Florianópolis-SC. O modo de transporte é feito por automóvel fechado com caixas de
transporte possuindo 68 cm de comprimento, 45 cm de largura e 42 cm de altura (figura 4) .

Figura 3: Recinto móvel telado suspenso grande- Udesc.

Fonte: UDESC, (2021).


25

Figura 4: Caixas de transporte - Udesc.

Fonte: UDESC, (2021).

A base de estabilização da Univali, está localizada em Penha-SC, dispõe de sala de


estabilização onde os animais ficam quando estão muito debilitados. Ficam em caixas com
toalhas para o melhor conforto (figura 5). Posteriormente, quando apresentam melhora, são
deslocados para o recinto externo com piscina (figura 6), os animais só são deslocados para
este recinto quando conseguem ficar de pé, pois permanecerão nele até o momento do
deslocamento onde são utilizadas caixas de transporte com uma toalha para confortá-las
(figura 7) até a chegada na base de reabilitação em Florianópolis-SC .

Figura 5: Sala de estabilização - Univali.

Fonte: UNIVALI, (2021).


26

Figura 6: Recinto externo - Univali..

Fonte: UNIVALI, (2021).

Figura 7:Caixas de transporte - Univali.

Fonte: UNIVALI, (2021).

São 142 km de distância da base de estabilização da Univali até o CePRAM, a viagem


dura em média duas horas e trinta minutos (dependendo do trânsito) até Florianópolis, e o
transporte é de automóvel fechado. As aves são acondicionadas em caixas de transporte de 58
cm de comprimento, 47 cm de largura e 38 cm de altura (figura 7).

A base de estabilização da Univille, localizada em Joinville-SC atualmente está em


manutenção visando melhorar o atendimento dos animais e por enquanto funcionando em
uma edificação temporária. Neste local, existe uma sala de estabilização, onde os animais
podem ficar tanto em caixas d’água, recintos móveis e telados, quanto em baias de metal.
27

Para a escolha do tipo de recinto, avalia-se o estado de debilitação em que o animal se


encontra. Quando muito debilitados, ficam em caixas d’água de 150 L, (figura 8A) ou em
baias de aço (figura 8B) forradas com toalhas .

Figura 8: Caixa d’água (A), baia de aço (B) -Univille.

Fonte: UNIVILLE, (2021).

Quando o animal já consegue se manter em pé, é transferido para um recinto móvel


feito com cano PVC e tela nas laterais reforçado por um revestimento de tela mais lona e o
piso normalmente é deixado com tapetes de borracha ou toalhas (figura 9).

Figura 9: Recinto móvel com tela - Univille..

Fonte: UNIVILLE, (2021).

Quando a melhora é mais evidente, os animais são transferidos para um recinto


externo móvel (figura 10), feito de cano PVC e telas e piso de estrado de plástico forrado com
grama sintética, ou tapetes de borracha vazados. Os animais que estão reativos, passam a
28

maior parte do dia nesse recinto e no período noturno, são realocados para a parte interna de
estabilização novamente.

Figura 10: Recinto móvel externo com tela - UNIVILLE.

Fonte: UNIVILLE, (2021).

Para o transporte, são utilizadas caixas com 61 cm de comprimento, 36 cm de largura


e 42 cm de altura (figura 11). A base de estabilização da UNIVILLE é a que possui a maior
distância e tempo de deslocamento. São 223 km, com tempo estimado de quatro horas até o
centro de reabilitação em Florianópolis.

Figura 11: Caixa de transporte -UNIVILLE.

Fonte: UNIVILLE, (2021).

Animais que chegam diretamente ao centro de reabilitação, que está localizado em


Florianópolis, possuem tempos de deslocamento variados, pois existem diferenças na
distância das praias que são monitoradas em Florianópolis-SC até o centro de reabilitação. A
praia do Moçambique por exemplo, é uma das praias monitoradas pelo PMP-BS e está
29

localizada a 5,6 km do centro de reabilitação tendo um tempo médio de deslocamento de


apenas quatorze minutos. Outro exemplo é a praia da Solidão, uma das praias mais distantes e
localizada a 39,2 km e tempo médio de uma hora de deslocamento até o centro de
reabilitação, podendo haver alterações no tempo de transporte entre inverno e verão devido
ao tráfego mais ou menos intenso na cidade. Para o transporte das aves, as caminhonetes
possuem tamanhos diferentes de caixas de transporte de cães, que variam entre os tamanhos P
(38,1 cm de altura, 40,6 cm de largura e 53,3 cm de comprimento), M (54,6 cm de altura, 52
cm de largura e 71 cm de comprimento) e G ( 68,5 cm de altura, 63,5 cm de largura e 91,4 cm
de comprimento), para o transporte de Larus dominicanus, são utilizadas mais
frequentemente os tamanhos P e M.

Os animais que chegam no centro de reabilitação, passam por uma avaliação e depois
são realocados para a sala de estabilização, internação ou isolamento dependendo de cada
caso. Os animais oriundos de outras bases após passarem por avaliação médica, também são
levados para a sala de estabilização até que sejam feitos os primeiros exames, e análise de seu
estado de debilitação. Este local tem um tamanho de 10 m de comprimento por 5,92 m de
largura (figura 12).

Figura 12: Sala de estabilização R3 Animal.

Fonte: Associação R3 Animal, 2021.

Nessa sala, existem diferentes tipos de baias onde os animais podem ser
acondicionados. A baia de aço, possui dois tamanhos diferentes, a menor, tem 35 cm de
comprimento, 51 cm de altura e 59 cm de profundidade. Enquanto a baia de aço maior, possui
30

55 cm de comprimento, 71 cm de altura e 60 cm de profundidade (figura 13 A). Além disso,


existem recintos móveis telados, seu tamanho médio é de 1,2 m de comprimento, 63 cm de
largura e 64 cm de altura (figura 13 B).

Figura 13: Baias de aço (A) e recintos móveis telados (B).

Fonte: Associação R3 Animal, 2021.

Depois que os animais passam pelo processo de estabilização e seus exames exibem
resultados melhores, são transferidos para um recinto externo grande, com 14,5 m de
comprimento, 6,25 m de largura e mais ou menos 4 m de altura. A piscina deste recinto tem
em média 27 mil litros de água (figura 14).

Figura 14: Recinto externo das aves voadoras.

Fonte: Associação R3 Animal, 2019.


31

3.3 PROCESSO DE ESTABILIZAÇÃO E REABILITAÇÃO

Todos os animais marinhos encontrados nas praias, são avaliados por uma equipe de
campo e, se existe a necessidade de um atendimento médico veterinário, os mesmos são
resgatados e levados para a base de estabilização ou reabilitação mais próxima
(PETROBRAS, 2020).

Das 66 aves que obtivemos amostras, 18 foram resgatadas pela base de estabilização
da Udesc, 20 pela base de estabilização da Univali, e 13 pela base de estabilização da
Univille. O centro de reabilitação administrado pela R3 Animal, resgatou 15 aves da espécie
de Larus dominicanus.

As aves resgatadas pelas bases de estabilização, ficam um breve período de tempo


nesses locais, até que estejam aptas para o transporte até a base de reabilitação. O tempo de
transporte varia de acordo com a quilometragem de cada base até o centro de reabilitação.
Todos os animais que passam por tratamento nas bases de estabilização, são encaminhadas
para o CePRAM onde todos são reabilitados.

O tratamento que já foi iniciado na base de estabilização é continuado, são realizados


diversos exames para acompanhar a evolução clínica dos animais. Durante esse período, são
acondicionados de maneira que fiquem confortáveis em uma baia ou recinto móvel, com
toalhas e tapetes de borracha, além de visar a diminuição de estímulos sonoros e visuais. São
monitorados constantemente, hidratados e alimentados com papa de peixe ou peixes inteiros
dependendo do seu estado. Todos esses passos são anotados em quadro para que os
veterinários, tratadores e estagiários tenham acesso aos horários de alimentação e hidratação
de todos os indivíduos.

Todos os dias, os recintos, salas e baias são limpos pelos tratadores e estagiários, para
que os animais não fiquem em locais sujos, visando uma melhor qualidade de vida durante a
reabilitação destes. No recinto externo, quando necessária a contenção para a realização de
procedimentos, duas pessoas com auxílio de puçá fazem a contenção das aves da forma mais
rápida possível, para que não haja estresse nos demais indivíduos que compartilham o
recinto. Posteriormente à captura, o indivíduo é imobilizado por uma das pessoas, enquanto a
outra executa o procedimento de forma rápida.
32

Quando os animais estão próximos de serem soltos, são anilhados, com uma anilha
de metal padrão CEMAVE (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres
Brasileiras) que contém numeração padronizada e são encaminhados para a soltura. A anilha
serve como forma de monitoramento, para que se o animal seja recapturado ou apareça em
outra região, sejam identificados individualmente e tenham seus históricos clínicos
recuperados (PETROBRAS, 2020).

3.4 EXAMES LABORATORIAIS REALIZADOS NO CePRAM

As amostras que chegam no laboratório após a colheita de sangue, devem estar


identificadas corretamente, e processadas o quanto antes, para que não haja modificações na
leitura dos exames (BÚRIGO, 2021).

No laboratório do CePRAM, são analisados diversos exames sanguíneos, como:


hemograma, pesquisa de hemoparasitas e bioquímica sérica. A bioquímica sérica sanguínea é
uma ferramenta essencial para a avaliação na função orgânica dos animais, como: estado de
desidratação, performance e perfil inflamatório, e estresse. Estas análises são importantes,
salientando que as mesmas são apenas um complemento para o histórico clínico de cada
animal, buscando atentar-se aos exames físicos e ao hemograma conjuntamente, para que seja
determinado o estado geral de saúde de cada indivíduo (THRALL et al., 2015).

Uma das análises que fazem parte da rotina da bioquímica sérica, é o lactato, onde são
utilizados tubos de tampas cinza (figura 15A) contendo fluoreto. A centrifugação deve
ocorrer em até 15 minutos após a colheita, para que não haja interferência nos valores no
momento da análise do teste de lactato (Lactato enzimático, Ref: 138). O tubo que contém
fluoreto deve ser centrifugado em 3.600 rpm por 5 minutos e posteriormente o plasma
transferido para um microtubo previamente identificado (figura 15B), (LABTEST, 2021).

Para se aferir o lactato é feita a proporção de 4:1 dos reagentes indicados na bula e
transferidos 1 mL do reagente de trabalho para os tubos identificados, em seguida, colocados
10 µl de amostra em cada tubo e depois de homogeneizadas as amostras, os tubos ficam em
banho maria a 37 ºC, por 5 minutos. Durante o tempo de banho maria, as amostras sofrem
uma reação oxidante, o que faz com que sua coloração passe de amarelo para violeta/roxo
(figura 15 C e D), e por fim, é feita a leitura no espectrofotômetro (Lactato enzimático, Ref:
138) (LABTEST, 2021).
33

O espectrofotômetro (BIO-2000 IL - Bioplus) faz as medições de energias radiantes


transmitidas, refletidas, dispersas ou absorvidas na amostra, em condições controladas. A
leitura é feita através do comprimento de onda do espectro, utilizando filtros de interferência.
Os valores são anotados em uma planilha em papel, onde é informado o padrão bem como os
resultados das amostras geradas no espectrofotômetro. Quando todos os exames são
concluídos, os dados são incluídos para uma planilha no computador, que possuem fórmulas
simples que o próprio fabricante produz, para que sejam obtidos os resultados finais.

Figura 15: Tubo de fluoreto e teste de Lactato (REF:138).

Fonte: Bruna Silva / Laboratório R3 Animal (2019).


34

3.5 ANÁLISES ESTATÍSTICAS

Foram obtidos valores de estatística descritiva (média e desvio padrão de ambas as


coletas [coleta 1: pós-estabilização e transporte e coleta 2: pré-soltura]). Foram realizados o
teste Anova One-Way para verificar se havia diferença significativa das médias de lactato das
primeiras coletas (variável resposta) de acordo com as bases de estabilização e reabilitação
(variável preditora). E um Modelo Linear Misto para verificar se havia variações
significativas nos valores de lactato durante a reabilitação (coleta 1 vs coleta 2). Também foi
realizada uma Anova One-Way para verificar se haveria diferença significativa nos valores
das médias de lactato em indivíduos com diferentes idades (juvenil/adulto). Em todas as
análises foi considerado significativo um valor de P < 0,05. Para as análises estatísticas foram
utilizados os softwares Statistica® 9.2 e R (R CORE TEAM, 2014).
35

4 RESULTADOS

No presente estudo foram analisados os resultados do lactato sérico de 66 Larus


dominicanus, originados de quatro lugares diferentes, sendo três bases de estabilização e uma
base de reabilitação do PMP-BS. Na tabela 1, é apresentada a estatística descritiva (média do
valor de lactato da primeira e da segunda coletas nas diferentes bases, seus desvios padrão, o
máximo e o mínimo de valores encontrados e a quantidade de animais amostrados).

Tabela 1- Resultados de dosagem de lactato enzimático em Larus dominicanus durante o


processo de reabilitação. R3 Animal 1: primeira coleta; R3 Animal 2: segunda coleta; Udesc
1: primeira coleta; Udesc 2: segunda coleta; Univali 1: primeira coleta; Univali 2: segunda
coleta; Univille 1: primeira coleta; Univille 2: segunda coleta.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2021.

Gráfico 1: Primeira coleta de lactato (mmol/L) de Larus dominicanus das bases analisadas
do PMP-BS em Santa Catarina.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2021.


36

Foram testados se as médias dos valores de lactato apresentaram diferenças


significativas entre as diferentes bases de estabilização e reabilitação. No gráfico 1, pode-se
observar que os resultados foram significativamente diferentes entre os indivíduos que
chegaram diretamente à base de reabilitação da R3 Animal comparadas às bases de
estabilização (F(3, 62)=7.4321, p= 0.00025).

Também foi verificada se a média dos valores entre a primeira e segunda coletas do
lactato, teriam diferenças significativas mostrando uma possível relação ao novo local para
que as aves foram translocadas. Nesta análise (gráfico 2), verificou-se que existem sim
diferenças significativas entre as coletas, com isso podemos pensar em diversos fatores que
podem interferir no aumento ou diminuição nos valores obtidos de lactato.

Gráfico 2: Média do lactato sanguíneo (mmol/L) da primeira e segunda coleta de Larus


dominicanus.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2021.

O valor do lactato de animais da base de reabilitação R3 Animal na última coleta,


exibiu uma média de 10,33±3,98 mmol/L, enquanto na primeira coleta sua média era de
4,45±2,07 mmol/L, com isso foi possível verificar que houve um aumento dos valores
obtidos entre a primeira e segunda coleta do centro de reabilitação. Para a base de
37

estabilização da Univali foi observado que houve um aumento na sua segunda coleta, com
média de 10,37±3,72 mmol/L, enquanto na primeira a média nos valores de lactato foi de
7.72±2,43 mmol/L. Em animais oriundos da base da Udesc, também se observou um
aumento na média da segunda coleta de 10.81±4,29 mmol/L vs. 8.25±3,23 mmol/L da
primeira coleta. Ainda no gráfico 2 conseguimos observar que ao contrário do padrão
observado nas demais bases, a média dos níveis de lactato dos animais oriundos da base de
estabilização da Univille teve uma redução na segunda coleta com uma média de 6.71±2,25
mmol/L vs.8.45±3,01 mmol/L. A partir dessas análises, conseguimos perceber que a maioria
das bases de estabilização e reabilitação, obtiveram o lactato sanguíneo significativamente
menor na primeira coleta, do que na segunda (χ2 = 18,26; p <0,001), obtivemos diferenças
apenas na base de estabilização da Univille onde a primeira coleta teve um valor maior que a
segunda coleta.

Também foi avaliado se o estágio de desenvolvimento de Larus dominicanus poderia


ter alguma diferença significativa nos valores de média do lactato enzimático,
independentemente da base de origem. De todos os espécimes amostrados, 24 eram juvenis e
42 adultos.

Gráfico 3- Valores de lactato (mmol/L) analisados conforme idade (juvenil/adulto) de Larus


dominicanus.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2021.


38

Para formulação do gráfico 3, foi feita a diferença entre os valores das médias da
primeira e segunda coleta de acordo com a idade dos indivíduos e seus valores considerados
em módulo, evitando que os dados ficassem com valores negativos.

No gráfico 3, conseguimos observar os valores de lactato entre os juvenis e os adultos,


mas com grande sobreposição das barras de erro, o que pode indicar diferença não
significativa dos valores, Anova One-Way (F(1, 64)=.33781, p= 0.56314). Além disso, o
número de juvenis amostrados foi menor que o número de adultos (24 juvenis vs 42 adultos).
A partir deste gráfico conseguimos observar que os juvenis exibem um desvio maior de
valores de lactato que vão de 2 mmol/L a mais de 4.5 mmol/L, enquanto nos adultos é
observado que seu intervalo de desvios é menor, entre 2.8 mmol/L, podendo chegar até 5
mmol/L.
39

5 DISCUSSÃO

A reabilitação exige diversos cuidados e processos que são essenciais para que haja
um melhor atendimento aos animais. As bases de estabilização e reabilitação do PMP-BS,
possuem protocolos a serem seguidos para que não haja interferência no bem-estar e na
homeostasia dos animais que estão sendo resgatados e posteriormente reabilitados. Cubas,
Silva e Catão-Dias (2014), comentam que o tema de reabilitação de aves, ainda é pouco
conhecido nos países sul-americanos e alguns locais agem sem preceitos básicos na hora de
realocar os animais. Todos os casos devem ser avaliados de forma única, e o profissional que
está avaliando, deve visar o bem-estar animal do indivíduo e da população.

Um fator que gerou algumas dificuldades nas análises foi a escassez de parâmetros
bioquímicos na literatura para uma comparação mais específica. Campbell (2015) atesta que
há uma grande variabilidade nos valores de referência dos componentes sanguíneos e
bioquímicos das aves, então é indicado que cada laboratório utilize sua própria metodologia
de análise, utilizando todos os parâmetros bioquímicos ou protocolos já existentes para
definir um valor de referência para cada exame.

Alguns fatores externos, como o próprio manejo das aves nos diferentes locais em que
foram estabilizadas e posteriormente reabilitadas, e a forma como a coleta do lactato
sanguíneo foi realizada, podem interferir nos resultados finais. Obtivemos resultados variados
com a análise bioquímica de lactato dos diferentes indivíduos que tiveram amostras colhidas.
Segundo Campbell (2015), os parâmetros bioquímicos podem variar de acordo com a
espécie, sua fisiologia, diferenças anatômicas, além de outros fatores.

No presente estudo, inicialmente foram analisados os valores de lactato de 66 Larus


dominicanus de diferentes centros de estabilização ou reabilitação do PMP-BS em Santa
Catarina, sem distinção de idade. A localização de todas as bases de estabilização, foram
comparadas de acordo com a distância (km) e tempo de deslocamento (horas), até a base de
reabilitação localizada em Florianópolis. De acordo com os resultados obtidos, a base que
necessita de um tempo menor de deslocamento (CePRAM), teve os menores valores de
média lactato na primeira coleta, com isso podemos ter a influência do tempo de
deslocamento em veículo fechado, pois, segundo Vieira (2011), às diferenças físicas, as
vibrações do carro, os diferentes ruídos, entre outros fatores, podem influenciar o estresse.
40

Também foi verificada a possível diferença entre os níveis de média de lactato pré e
pós-reabilitação (coleta 1 vs coleta 2). Nessa análise (gráfico 2), verificou-se que existe uma
diferença significativa entre os valores. Segundo Cubas, Silva e Catão-Dias (2014), alguns
animais exibem comportamentos mais aptos para se adaptarem aos locais de cativeiro no
momento da reabilitação. E outros animais, podem sofrer diretamente com o longo período
de reabilitação, podendo provocar diversas alterações fisiológicas.

Harms & Harms (2012), fizeram uma pesquisa com os valores de lactato sanguíneo de
diferentes espécies de aves, Zenaida macroura, Quiscalus major e Passer domesticus, todas
foram colhidas posteriormente à captura nos recintos e valores analisados de média foram de
7,72, 5,74 e 4,77 mmol/L respectivamente. Comparando com a segunda coleta das aves que
foram analisadas neste estudo, as mesmas obtiveram médias variadas de 6,71 mmol/L
(Univille), 10,37 mmol/L (Univali), 10,60 mmol/L (R3 Animal) e 10,81 mmol/L (Udesc). O
recinto externo onde as aves ficam para esperar o momento da soltura, possui um tamanho
grande, o que nos leva a pensar que tempo de captura e contenção dessas aves neste recinto
pode influenciar no aumento do lactato, além disso, o fato de poder haver apenas Larus
dominicanus ou outras espécies de aves compartilhando esse recinto pode ser um efeito não
investigado que poderia alterar os níveis desse marcador.

Barroso (2021), atesta que vários estudos estão sendo realizados para tentar relacionar
se os altos valores de lactato encontrado em aves podem ser resposta a estímulos estressantes,
até mesmo se o estresse não está diretamente ligado à contenção e ao transporte dos animais.

Os animais podem demonstrar que estão estressados através de várias alterações, tanto
corporais como nos exames analisados em laboratório. Cubas, Silva e Catão-Dias (2014),
afirmam que uma das formas de resposta ao ambiente estressor pode se dar através do
estímulo nervoso autônomo, que faz com que o animal tenha diversas alterações corporais e
bioquímicas. Quando se tem um estresse prolongado nesses animais, isso pode interferir no
bem-estar dos mesmos, com isso devemos pensar ainda mais nos aspectos éticos e técnicos
que existem quando se trata de animais em cativeiro e em reabilitação.

No entanto, existem outras problemáticas para considerarmos, os animais vieram de


diferentes locais e cada um deles possui uma estruturação específica, como diferentes salas de
estabilização, diferentes modelos de recintos móveis ou baias em que eles ficam para serem
41

estabilizados, diferentes recintos para as diferentes respostas iniciais dos indivíduos, se os


mesmos possuíam contato com outros animais durante o período de estabilização, etc.

A base de estabilização da Univali, possui um recinto externo e quando as aves


chegam, são colocadas dentro de caixas (figura 5), onde ficam até se estabilizarem e
conseguirem se manter em pé, posteriormente, é passado para um recinto externo, onde os
mesmos possuem acesso a piscina (figura 6), ali as aves permanecem até o momento de
serem transportadas para a base de reabilitação em Florianópolis.

Na base de estabilização da Udesc, as aves ficam em recintos móveis telados (figura


2) de tamanho pequeno, quando conseguem se manter em pé, as aves são transferidas para
recintos móveis maiores e com uma bacia de água. Esta base, não possui recinto externo.

Durante o período que os animais da Univille foram amostrados, estavam passando


por um processo de reforma. Esta base de estabilização, possui três tipos diferentes de recinto
de acordo com o estado de debilitação do animal. Aves que chegavam muito debilitadas
poderiam ir para a caixa d'água ou para os recintos de aço, ambos forrados com toalhas
(figura 8). Se a ave conseguisse se manter em pé, ela poderia ficar em um recinto móvel
interno que também era forrado com toalhas ou tapetes (figura 9). A ave que exibisse um
sinal mais ativo, poderia ficar no recinto externo móvel durante o dia (figura 10). Vale
lembrar que todos os animais que chegam nas bases de estabilização são recebidos e cuidados
por uma equipe especializada, com médicos veterinários e biólogos.

Na base de reabilitação (R3 Animal), todos os animais que chegam, independente se


estão vindo das bases de estabilização ou diretamente da praia, passam por exame clínico
para avaliação. Todos os animais que chegam são direcionados para a sala de estabilização,
até que todos os seus exames sejam feitos, e tenham bons resultados e o animal deve estar
com a condição adequada para ser transferido para um recinto externo. A base de reabilitação
possui 12 recintos com piscinas nos quais os animais em reabilitação são distribuídos, os
cetáceos, grandes pinípedes e aves possuem seus próprios recintos e os outros 9 recintos são
utilizados conforme a demanda dos animais (Associação R3 Animal, 2019). No recinto
externo das aves, existe uma rotatividade de animais, pois o recinto além de gaivotas (Larus
dominicanus), pode ser utilizado para fragatas (Fregata magnificens), atobás (Sula
leucogaster), entre outros.
42

Apesar de todas as diferenças apontadas, como: salas de estabilização, diferentes


modelos de baias, algumas possuírem recintos externos com piscinas e outras não. Não
conseguimos observar padrões nas diferenças das médias obtidas que pudessem ser
relacionadas com estas especificidades dos locais. Para que o estudo fosse completo, o lactato
das aves deveria ser colhido anteriormente ao seu deslocamento para a base de reabilitação.
Barroso (2021), indica que para a obtenção de melhores resultados nas análises de lactato,
precisam-se de mais estudos relacionados a utilização do lactato sanguíneo, com objetivo de
diagnósticos de doenças para as espécies de aves.

Verificamos também se haveria diferença nos níveis de lactato entre jovens e adultos e
aparentemente não há diferença significativa. Segundo Cubas, Silva e Catão-Dias (2014),
existem poucos estudos relacionados à fisiologia e a avaliações laboratoriais, com isso,
podemos obter diversas diferenças nos valores sanguíneos das aves, devido aos diferentes
fatores, como idade, sexo, estado nutricional, estações do ano, entre outros, são fatores que
podem influenciar nas nossas analises de lactato.

Considera-se que os resultados obtidos foram satisfatórios, porém com algumas


divergências devido ao estudo ser com organismos, considerando que variações podem ser
normais dentro de cada espécie. Apesar da diferença de valores dos lactatos entre a primeira e
a segunda coleta, não devemos afirmar que os programas de reabilitação não estejam
funcionando, mas sim, que podem haver diversas interferências nos resultados analisados. É
importante reforçar a necessidade do cuidado e do bem-estar dos animais, e quão essencial é
a existência de centros de reabilitação em nosso país.
43

6 CONCLUSÃO

No presente estudo, foram relatados e investigados alguns fatores que podem alterar
os níveis de lactato e, muito provavelmente, o estresse de aves juvenis e adultas de Larus
dominicanus (gaivotão), resgatados em Santa Catarina. Após a análise de todos os dados,
pode-se concluir:

● Os animais transportados das bases de estabilização de Santa Catarina para o centro


de reabilitação, tiveram a dosagem de lactato aumentada em comparação com os
animais resgatados em Florianópolis e isso pode ter influência com o tempo de
deslocamento;
● O centro de reabilitação, que resgatada os animais da grande Florianópolis, teve a
dosagem de lactato sérico menor na primeira coleta;
● Houve diferença significativa entre os valores da coleta 1 e 2 das 66 aves amostradas;
● Não houve diferença significativa entre as dosagens de lactato entre juvenis e adultos;

Os resultados obtidos no presente estudo podem auxiliar novas formas de diminuir o


estresse dessas aves, durante o transporte, manejo e até mesmo no diagnóstico de estresse
desses animais. Trazendo subsídios para melhorar ainda mais os centros de estabilização e
reabilitação, visando um maior sucesso na soltura dessas aves.

Sugere-se dosar o lactato na entrada do animal nas bases de estabilização e no


momento da saída para o transporte até o centro de reabilitação. A fim de verificar os níveis
séricos e discussão de possíveis melhorias visando o bem-estar animal.
44

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45

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