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Manual UFCD 30355

O manual aborda os procedimentos cautelares e o processo de declaração no direito processual civil em Portugal, destacando a importância das providências cautelares para prevenir danos antes da decisão final. Ele detalha as etapas do procedimento cautelar comum e especificado, bem como a tramitação do processo de declaração, incluindo a petição inicial, contestação e audiência final. Além disso, o documento menciona a legislação aplicável e fornece um glossário de termos relevantes.

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Manual UFCD 30355

O manual aborda os procedimentos cautelares e o processo de declaração no direito processual civil em Portugal, destacando a importância das providências cautelares para prevenir danos antes da decisão final. Ele detalha as etapas do procedimento cautelar comum e especificado, bem como a tramitação do processo de declaração, incluindo a petição inicial, contestação e audiência final. Além disso, o documento menciona a legislação aplicável e fornece um glossário de termos relevantes.

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📚 Manual: Procedimentos Cautelares e Processo de Declaração

(Portugal, Atualizado a Abril de 2025)

Introdução

O direito processual civil organiza a forma como os tribunais tratam litígios entre
particulares. Este manual aborda os procedimentos cautelares — que visam prevenir
danos antes da decisão definitiva — e o processo de declaração, que serve para
declarar ou reconhecer direitos.

1. Tutela

1.1 Meios de Tutela

A tutela jurisdicional pode ser:

 Definitiva: através da decisão final num processo declarativo.

 Provisória: através das providências cautelares.

1.2 Providências e Características

 Providências cautelares são decisões urgentes que visam assegurar o efeito útil
da decisão definitiva.

 Características:

o Provisoriedade

o Urgência

o Instrumentalidade (dependem de ação principal)

(Base legal: Código de Processo Civil (CPC) — Artigos 362.º e seguintes)

2. Procedimentos Cautelares

2.1 Procedimento Cautelar Comum

 Aplicável quando não existe um procedimento específico previsto na lei.

 Exige demonstração do fumus boni iuris (aparência de bom direito) e do


periculum in mora (perigo na demora).

2.2 Procedimentos Cautelares Especificados


Exemplos:

 Arresto (Art. 391.º CPC)

 Arrolamento de bens (Art. 403.º CPC)

 Embargo de obra nova (Art. 412.º CPC)

 Suspensão de deliberações sociais (Art. 380.º CPC)

2.3 Consagração Legal dos Procedimentos Cautelares

 Regulados no Livro III, Título II do Código de Processo Civil.

 Cada providência tem tramitação própria, respeitando o princípio do


contraditório sempre que possível.

2.4 Tramitação Processual

Etapas principais:

 Apresentação do requerimento inicial.

 Citação do requerido (salvo situações de urgência que justifiquem decisão sem


prévia audiência).

 Audiência e decisão pelo juiz.

3. Processo de Declaração – Tramitação Processual

3.1 Articulados

Petição Inicial

 Documento em que o autor expõe os factos e fundamentos do pedido (Art.


552.º CPC).

 Requisitos essenciais:

o Identificação das partes

o Exposição dos factos

o Pedido

o Valor da causa

Revelia do Réu

 Quando o réu não contesta, os factos alegados pelo autor presumem-se


verdadeiros (Art. 567.º CPC).
Contestação

 Resposta do réu à petição inicial (Art. 573.º CPC).

 Deve expor a defesa por impugnação ou exceção.

Reconvenção

 O réu pode também apresentar um pedido contra o autor (Art. 266.º CPC).

Réplica

 O autor pode responder à contestação ou à reconvenção (Art. 584.º CPC).

Articulados Supervenientes

 Quando surgem novos factos após a petição ou contestação, as partes podem


apresentar articulados supervenientes (Art. 588.º CPC).

4. Gestão Inicial do Processo e Audiência Prévia

4.1 Instrução do Processo

 Momento em que o juiz organiza o processo, eliminando irregularidades e


determinando provas (Art. 591.º CPC).

4.2 Tipos de Provas

 Prova testemunhal

 Documental

 Pericial

 Inspeção judicial

5. Audiência Final

 Realiza-se a produção das provas perante o juiz.

 As partes apresentam alegações finais orais.

6. Discussão e Julgamento pelo Juiz

 Após a audiência final, o juiz delibera com base nas provas apresentadas,
respeitando o princípio da livre apreciação da prova.
7. Sentença

 Decisão escrita que resolve o litígio (Art. 607.º CPC).

 Deve conter:

o Identificação das partes

o Fundamentação de facto e de direito

o Decisão

8. Custas, Multas e Indemnização

 Custas: despesas do processo suportadas pelas partes (Reguladas no RCP —


Regulamento das Custas Processuais).

 Multas: aplicadas por comportamentos processualmente censuráveis.

 Indemnização: pode ser pedida pela parte prejudicada pela litigância de má-fé.

9. Legislação Aplicável

 Código de Processo Civil (CPC) – aprovado pela Lei n.º 41/2013, de 26 de junho,
com as alterações posteriores.

 Regulamento das Custas Processuais (RCP).

📖 Glossário

Termo Definição

Proteção provisória para evitar danos enquanto decorre o processo


Tutela cautelar
principal.

Petição inicial Documento que inicia o processo declarativo.

Revelia Falta de contestação pelo réu.

Contestação Defesa apresentada pelo réu.

Reconvenção Pedido apresentado pelo réu contra o autor.

Sentença Decisão final do juiz sobre o litígio.

Custas Despesas associadas ao funcionamento do processo.


📝 Fichas de Exercícios

Ficha de Exercícios 1

Valor: 20 valores (6,6 valores por caso + 0,2 pela apresentação)

Caso 1

Maria intentou uma ação para impedir que a sua vizinha construísse um muro que
invadiria a sua propriedade. Pediu uma providência cautelar urgente.

Pergunta:
Que tipo de providência pode ser pedida? Fundamente.

Caso 2

Num processo de dívida, o réu não apresentou contestação. O autor pede que seja
proferida decisão com base na revelia.

Pergunta:
O que acontece ao facto não contestado? Fundamente.

Caso 3

O réu, além de contestar a dívida, pede que o tribunal reconheça um crédito seu sobre
o autor, alegando compensação.

Pergunta:
Como se chama este pedido? Qual o seu fundamento legal?

Proposta de Resolução – Ficha 1

Caso 1

 Providência cautelar: Embargo de obra nova (Art. 412.º CPC).

 Finalidade: suspender obras que possam causar dano.

Caso 2

 O facto não contestado presume-se verdadeiro (Art. 567.º CPC).

Caso 3

 Trata-se de uma reconvenção (Art. 266.º CPC).


Ficha de Exercícios 2

Valor: 20 valores (6,6 valores por caso + 0,2 pela apresentação)

Caso 1

João propôs uma ação declarativa e o réu apresentou contestação. Surgiu depois um
novo facto relevante para a causa.

Pergunta:
Que meio pode João usar para apresentar esse facto?

Caso 2

Após a instrução, o juiz marcou a audiência final. A produção de prova decorrerá em


que momento?

Pergunta:
Explique.

Caso 3

O processo terminou com uma sentença favorável a Pedro, mas este teve custos
elevados durante o processo.

Pergunta:
Que instrumentos legais protegem Pedro para recuperar esses custos?

Proposta de Resolução – Ficha 2

Caso 1

 Deve apresentar articulado superveniente (Art. 588.º CPC).

Caso 2

 A produção da prova ocorre na audiência final, com a realização dos meios de


prova admitidos.

Caso 3

 Pedro pode pedir o reembolso de custas (RCP) e requerer eventual


indemnização se houver litigância de má-fé.

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