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Apostila Metalografia

O documento aborda a metalografia, que estuda as estruturas e propriedades dos metais e suas ligas, relacionando composição química com propriedades físicas e mecânicas. Detalha os métodos de exame metalográfico, incluindo macrografia e micrografia, e discute a preparação de amostras, ataque químico e interpretação de resultados. Além disso, orienta sobre a elaboração de relatórios técnicos relacionados aos experimentos realizados.

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Apostila Metalografia

O documento aborda a metalografia, que estuda as estruturas e propriedades dos metais e suas ligas, relacionando composição química com propriedades físicas e mecânicas. Detalha os métodos de exame metalográfico, incluindo macrografia e micrografia, e discute a preparação de amostras, ataque químico e interpretação de resultados. Além disso, orienta sobre a elaboração de relatórios técnicos relacionados aos experimentos realizados.

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ESCOLA TÉCNICA

Metalografia ____________________________________________ Profº Villardo

ESTADUAL
VISCONDE DE MAUÁ

CURSO BÁSICO
De
METALOGRAFIA

Página 1 de 14 Profº. Roberto Villardo


Metalografia ____________________________________________ Profº Villardo

METALOGRAFIA
Introdução
Metalografia é o ramo da metalurgia que estuda as estruturas, as
propriedades dos metais e suas ligas, e relaciona a composição química com
as propriedades físicas e mecânicas.
O exame metalográfico procura relacionar a estrutura do material com
as propriedades físicas e com o processo de fabricação, sendo que este
exame pode ser:
 Macrográfico
 Micrográfico

1- MACROGRAFIA
1.1 Objetivo
Obter uma informação ampla da peça, facilitar a micrografia e
determinar a região crítica para análise detalhada.
A macrografia consiste no exame do aspecto de uma superfície plana
seccionada de uma peça ou amostra metálica, devidamente polida e atacada
por um reagente adequado. Por seu intermédio tem-se uma idéia de
conjunto, referente à homogeneidade do material, à distribuição e natureza
de falhas, impurezas; ao processo de fabricação. Algumas das
heterogeneidades mais comuns nos metais:
 Vazio, causado pelo resfriamento lento;

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 Segregação, causadas pelas impurezas e outros metais;


 Dendritas, formação de grãos de vários tamanhos;

Forma Irregular de segregação

 Trincas, devido às tensões excessivas no resfriamento;


 Regiões alteradas termicamente na soldagem;

 Estrutura colunar devido ao processo de soldagem e solidificação


após fusão;

1.2 Seleção da amostra


1.2.1 Cuidados a observar:
Saber o que realmente o cliente deseja e o fim a que se destina a
peça
Em qualquer hipótese é altamente prudente proceder a um exame
detido da peça sob diversos pontos de vista, como o aspecto da fratura, a
existência de marcas de pancadas, gripamentos, vestígios de soldas,
azulamento por aquecimento, porosidades, rebarbas, trincas, polimentos
locais, enferrujamento, corrosões, desgastes, marcas punçonadas,
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entortamentos, etc., antes de determinar cortes ou extração de amostras ou


de corpos de prova.
Na apreciação dos sinais encontrados, é preciso muita atenção para
não confundir aqueles que possivelmente já existiam na peça, antes do
evento que deu motivo ao estudo, e que podem conduzir a alguma pista para
as investigações, com os que possam ter sidos ocasionados pela aplicação
de ferramentas para retirar a peça de onde estava instalada, ou então,
ocasionados por quedas, ou durante o transporte.

1.3 Preparação da amostra


a) Escolha da secção a ser estudada;

b) Preparação da superfície (lixamento);


c) Ataque com reagente químico adequado;
d) Interpretação dos resultados;
e) Documentação;

Escolha da secção:
I- Transversal (Macro)
 Naturezas do material;
 Homogeneidade da secção;
 Intensidade da segregação;
 Forma de disposição das bolhas;
 Existência de restos de vazios;
 Profundidade e uniformidade da carbonetação;
 Profundidade de descarbonetação;
 Profundidade de têmpera;
 Inclusões;
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II- Longitudinal (Macro)


 Processos de fabricação;
 Análise de cordão de solda;
 Caldeamento;

Preparação da superfície
Cuidados:
 Mudança da estrutura;
 Aquecimento não superior a 100ºC;
 Pressão excessiva (encruamento);
 Lixamento;
 Ataque químico.
Obs.: Em função de variações estruturais ou químicas o material será
mais ou menos atacado.

Embutimento
 A quente: As resinas para embutimento a quente, apresentam baixa
viscosidade, contração, boa adesão à amostra e resistência a ação de
agentes químicos, bem como propriedades mecânicas adequadas para
aplicações específicas.
 A frio: São resinas auto-polimerizáveis, com propriedades químicas e
mecânicas para atendimento das mais diversas necessidades de
embutimento, metalográfico, mineralógico, cerâmico e petrográfico.

Precauções:
 Quantidade de material ;
 Temperatura e pressão do trabalho ;
 Tempo de aquecimento e refrigeração do equipamento .
 Lubrificação ;
 Granulometria ;

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Lixamento
Objetivo
Eliminar as imperfeições da superfície da
amostra (ex.: oxidação, rebarbas, arranhados
profundos, etc.).
Pode ser, de acordo com:
- Operação (manual ou mecânico)
- Meio (a seco ou úmido)
Para a preparação de uma superfície plana, isenta de deformações
plásticas e mecânicas é necessário um correto lixamento, deve-se começar
da lixa mais grossa para a mais fina, mudando a direção do lixamento em
90º.

O ataque
Objetivo:
Revelar a microestrutura e os constituintes da amostra, possibilitando
maior entendimento das suas propriedades.
O ataque pode ser por:
 Imersão
 Aplicação
 Impressão direta (Impressão de Baumann)
 Quanto ao tempo:
 Longo ou profundo
 Rápido ou superficial
 Quanto à temperatura:
 A frio
 A quente

Interferências no comportamento do ataque:


 Variação da composição do material (concentração de impurezas);
 Variação de estrutura (deformação a frio);

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 Variação de cristalização (granulometria grosseira, textura acicular,


gradiente térmico);

Principais reagentes para a macrografia:


I. Iodo;
II. Acido Sulfúrico;
III. Heyn (Cloreto Cupro-Amoniacal);
IV. Acido clorídrico;
V. Fry (Acido clorídrico + Água + Cloreto Cúprico)

Principais reagentes para a micrografia

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Nota: Estes reagentes são basicamente soluções diluídas de ácidos


orgânicos ou inorgânicos, álcalis, ou outras soluções de natureza complexa.
Como foi verificado anteriormente, a seleção final de uma solução, para fazer
parecer um desenvolvimento da estrutura, depende da composição e
condições estruturais do metal ou da liga.

1.11 Tempo de Ataque


I. Fator importante para o ataque correto a um corpo de prova é a
seleção do reagente que melhor se adapte à composição química e à
condição física do metal;
II. Controle conveniente do tempo de ataque para que se produza um
grau de contraste apropriado entre os diferentes componentes da
estrutura.
III. Limpeza da superfície atacada.
O tempo de ataque depende da estrutura em questão e da ampliação que
se deseja na fotografia. Conforme o reagente escolhido, o tempo de ataque
variará de poucos segundos até alguns minutos, ou mesmo dias.

1.12 Recomendações:
 Não atacar mais que o necessário para fazer aparecer o detalhe
significativo;
 Um grau de contraste satisfatório para uma micrografia com pequeno
aumento é geralmente excessivo para uma melhor definição da estruturas
em ampliações muito maiores;
 Desejando-se um alto contraste, é preferível obtê-lo por meios
fotográficos a recorrer a um ataque profundo, pois este ocultará os
detalhes mais finos da estrutura;
 Se um corpo de prova for insuficientemente atacado (pouco contraste), é
preferível poli-lo novamente no disco acabador e atacá-lo novamente com
ácido superior, a um ataque já levado a efeito, outro posterior;
 Não tocar com coisa alguma numa superfície já atacada e fotografá-la
logo após o ataque.

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INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS( Macro)

Quando a estrutura ataca mais:


 Regiões encruadas;
 Regiões temperadas ou temperadas e revenidas;
 Granulação grosseira;
Quando a composição química ataca mais:
 Regiões com maior teor de carbono;
 Regiões com maior teor de fósforo;
 Regiões com maior quantidade de inclusões não metálicas,
principalmente enxofre e fósforo;

1.1.1. IDENTIFICAÇÃO

Técnica de polimento, repolimento e ataque, servem para definir o


defeito:
 Regiões ricas em carbono, desaparecem com um leve repolimento;
 Regiões ricas em impurezas, principalmente inclusões de S e P,
sofrem um ataque profundo escurecendo mais, permanecendo assim
mesmo após um leve polimento;
 Regiões com granulação grosseira, aparecem como mosaicos de lado
escuro (parte clara e parte escura);
 Regiões com têmpera branda ou temperadas e revenidas, ficam mais
brilhantes que o resto da amostra após um repolimento;
 Região encruada retira-se todo o ataque, com o polimento;

11.2 Interpretação das Micrografias


A correta interpretação das texturas que ocorre nos materiais é
matéria que requer larga experiência do operador. Dentre as inúmeras
estruturas, citamos:

11.2.1. Inclusões
a) Fósforo
Localiza-se na ferrita e somente pode ser observada ao microscópio
quando o seu teor estiver acima de 1%. Forma estrias claras pois
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expulsa o carbono dessas regiões. A presença de fósforo causa


fragilidade aos aços e também melhora a usinabilidade;

b) Enxofre
Forma sulfeto de manganês a 1100oC, apresentando-se sob a forma
de polígonos, glóbulos ou formas arborescentes de coloração
cinzenta. O sulfeto de ferro geralmente não aparece nos aços comuns;
caso aconteça, terá coloração amarelada. A presença de enxofre nos
aços facilita a usinabilidade.

c) Manganês
Semelhante ao enxofre

d) Silício
O silício não é detectado ao microscópio.

e) Alumínio
Usado como desoxidante nos aços. Forma com o oxigênio
Al2O3 (alumina) que se apresenta ao microscópio sob a forma de
partículas negras esparsas ou agrupadas.

11.2.2. Microconstituintes
a) Ferrita
Apresenta-se ao microscópio em grãos claros com finos contornos
pretos.

b) Cementita
Apresenta-se clara com contornos pretos.

c) Perlita
Corresponde a lamelas de ferrita e cementita. As lamelas podem ser
planas, curvas ou ondeadas. A perlita se apresenta escura ao
microscópio.
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d) Martensita
Apresenta ao microscópio aspecto acicular e escuro.

11.3 Procedimento de Exame ao Microscópio


Observar os seguintes cuidados ao trabalhar com o microscópio:
iniciar a observação com a objetiva de menor ampliação;
o foco para o microscópio monoscópico é conseguido aproximando-se a
objetiva o mais possível da amostra, tomando-se o máximo de cuidado para
que não haja colisão entre esses elementos e em seguida, com um dos
olhos na ocular, afastar lentamente o canhão. Quando o objeto estiver com
em foco, utilizar o parafuso de ajuste fino.
se o microscópio utilizado é estereoscópico, ajustar primeiro o foco com o
olho direito, conforme o procedimento anterior e posteriormente ajustar a
dioptria do olho esquerdo utilizando-se do ajuste colocado na própria ocular
esquerda;
ao mudar-se de objetiva, afastar o canhão do microscópio da amostra
para evitar colisão das lentes das objetivas com a amostra;

1. Cada estudante examinará duas amostras preparadas:


por ele próprio
por um dos componentes do seu grupo de trabalho
Examinar inicialmente a amostra no microscópio estereoscópico, em
que se tem uma imagem tridimensional da superfície, podendo-se diferenciar
os grãos e as partículas de impurezas;

2. Utilizando microscópio monoscópico, observar nas ampliações


disponíveis, os vários aspectos estruturais do material;

3. Determinar o tamanho de grão ASTM e o tamanho do grão médio para


cada uma das amostras;

4. Caso haja disponibilidade de câmera fotográfica, registrar cada uma das


amostras na ampliação mais significativa, identificando por comparação com
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as fotomicrografias disponíveis, o material em observação. Caso não haja


disponibilidade da câmera, desenhar cada uma das amostras observadas
nas mesmas condições anteriores;

5. Caso haja disponibilidade do microdurômetro, efetuar a medida da dureza


Vickers em pelo menos dois pontos em cada uma das amostras.

12 Relatório
Preparar e apresentar um relatório não é tarefa das mais simples; é
porém a síntese de um trabalho realizado. A forma de demonstrar o quê e
como determinada tarefa foi desenvolvida.
Ao longo do curso, e também da carreira, os técnicos, tecnólogos e
engenheiros (sem falar nas outras áreas não tecnológicas), preparam um
sem número de relatórios descrevendo tarefas, trabalhos, projetos.

12.1 Preparação
Antes de iniciar o relatório, deve-se ter certeza que se sabe, entre
outras:
a) o propósito do relatório
b) quem lerá o relatório
c) por quê o relatório será lido d) qual o nível de conhecimento do leitor sobre
a matéria
e) quais as informações devem ser incluídas Quanto maior o conhecimento
desses quesitos, as chances de se ter sucesso na comunicação escrita.
Os dados devem ser coletados à medida que o experimento é
realizado, tomando-se notas sobre cada uma das fases realizadas quanto ao
cumprimento correto e completo das mesmas. Recomenda-se a leitura do
texto na página da internet:

12.2 Requisitos
Os relatórios devem ser apresentados impressos (caso seja
manuscrito, caligrafia técnica será sempre exigida) em papel formato A4
recortado (210mm x 297mm), em somente uma das faces de cada folha,
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numerada. O relatório será escrito no formato mostrado nos anexos 1 e 2,


sendo apresentados nas datas marcadas, impreterivelmente.

Figura 20 - Aço com 0,5% de carbono. Ataque: nítrico, 1.250x. Ferrita primária (parte branca) em rede
preenchida com ferrita acicular e perlita.

12.3 Conteúdo Mínimo


Cada experimento realizado corresponderá um relatório
individualizado para cada estudante, cujo conteúdo deverá ser composto por,
pelo menos:
1. Título do experimento;
2. Objetivo;
3. Introdução teórica;
4. Equipamentos, instrumentos e materiais utilizados;
5. Norma(s) aplicável(eis);
6. Descrição do corpo de prova;
7. Descrição do procedimento de ensaio;
8. Dados obtidos;
9. Memória de cálculo;
10. Resultados;
11. Comentários e conclusões.
Figuras, fotografias e outros elementos gráficos devem ser utilizados
sempre que possível para melhor descrição de cada um dos tópicos
abordados. Um índice sumário deve constar do relatório e todas as folhas
devem estar numeradas. Complementos como anexos e apêndices devem
constar do índice sumário. O relatório deverá estar assinado pelo
responsável pela sua elaboração, caso contrário, não terá validade.
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Referências
1. COLPAERT, H. Metalografia dos produtos siderúrgicos comuns. São
Paulo, SP. Ed. da Universidade de São Paulo, 1974

2. COSTA E SILVA, A. L. e MEI, P. R. Aços e ligas especiais. Sumaré, SP.


ELETROMETAL Metais Especiais, 1988.

3. CHIAVERINE, Vicente

4. Novo Telecurso 2000

5. Apostila do SENAI

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