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Apostila Mercado-Financeiro

O documento apresenta a 25ª edição do material educacional da Escola de Negócios e Seguros sobre o mercado financeiro, abordando conceitos básicos, funções do mercado e intermediação financeira. Destaca a importância da educação continuada para profissionais da área e o papel das instituições financeiras na alocação de recursos. O conteúdo inclui tópicos como economia, segmentos do mercado financeiro, instrumentos financeiros e administração de risco.

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Apostila Mercado-Financeiro

O documento apresenta a 25ª edição do material educacional da Escola de Negócios e Seguros sobre o mercado financeiro, abordando conceitos básicos, funções do mercado e intermediação financeira. Destaca a importância da educação continuada para profissionais da área e o papel das instituições financeiras na alocação de recursos. O conteúdo inclui tópicos como economia, segmentos do mercado financeiro, instrumentos financeiros e administração de risco.

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Mercado

Financeiro
2025
25ª EDIÇÃO
RIO DE JANEIRO

REALIZAÇÃO
ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS
DIRETORIA DE ENSINO

SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA


COORDENAÇÃO DE CONTEÚDO E PLANEJAMENTO

ASSESSORIA TÉCNICA
HUGO CÉSAR SAID AMAZONAS – 2025/2024/2023/2022/2021

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO


ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS – COORDENAÇÃO DE CONTEÚDO E PLANEJAMENTO
PICTORAMA DESIGN

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele,


sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Escola de Negócios e Seguros – ENS.

E73m Escola de Negócios e Seguros. Diretoria de Ensino.


Mercado financeiro / Supervisão e coordenação metodológica
da Diretoria de Ensino Técnico; Assessoria técnica de Hugo César
Said Amazonas.– 25.ed. – Rio de Janeiro: ENS, 2025.
7,24 MB; PDF

1. Mercado financeiro. I. Amazonas, Hugo César Said. II. Título.

0025-2785 CDU 335.7(072)


A ENS
promove, desde 1971, diversas iniciativas no âmbito ­educacional, que contri-
buem para um mercado de seguros, previdência complementar, capitalização
e resseguro cada vez mais qualificado.

Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para profis­


sionais que atuam nessa área, a Escola de Negócios e Seguros oferece a
você a oportunidade de compartilhar conhecimento e experiências com uma
equipe formada por especialistas que possuem sólida trajetória acadêmica.

A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho para o


sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes e a competi-
tividade é cada vez maior.

Seja bem-vindo à Escola de Negócios e Seguros.


Sumário
1 Intermediação Financeira: Conceitos Básicos 8

1.1 Conceitos básicos 10


1.1.1 Unidades econômicas 10
1.1.2 Renda, investimento e poupança 11
1.1.3 Crescimento econômico x desenvolvimento econômico 11

1.2 Setor real x setor financeiro 12

1.3 Funções básicas do Mercado Financeiro 13

1.4 O papel da intermediação financeira 14


1.4.1 Classificação das unidades econômicas 15
1.4.2 Formas de financiamento 16
1.4.3 Vantagens dos intermediários financeiros 19

Fixando conceitos 1 21

2 Economia: Funções Básicas 23

2.1 Indicadores econômicos 25


2.1.1 PIB – Produto Interno Bruto 25
2.1.2 Taxa Selic – Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia 26
2.1.3 IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 26
2.1.4 IGP – Índice Geral de Preços 27
2.1.5 INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor 27
2.1.6 Taxa DI – Taxa de Depósito Interbancário 27
2.1.7 TR – Taxa Referencial 28
2.1.8 Boletim Focus 28

2.2 Política monetária 30


2.2.1 Definição e objetivos 30
2.2.2 Instrumentos da política monetária 31

2.3 Política fiscal 34

2.4 Política cambial 38

Fixando conceitos 2 40
Sumário
3 Segmentos do Mercado Financeiro 42

3.1 Mercado monetário 44

3.2 Mercado de crédito 45

3.3 Mercado de capitais 46

3.4 Mercado de câmbio 47

Fixando conceitos 3 49

4 Sistema Financeiro Nacional 51

4.1 O papel do Sistema Financeiro Nacional 53

4.2 Estrutura do Sistema Financeiro Nacional (SFN) 54

4.3 Órgãos normativos 55

4.4 Entidades supervisoras 55

4.5 Operadores do Mercado Financeiro 57


4.5.1 Entidades supervisionadas pelo Banco Central (BC) 57
4.5.2 Entidades supervisionadas pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 60
4.5.3 Entidades supervisionadas pela
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) 60
4.5.4 Entidades supervisionadas pela Superintendência
Nacional de Previdência Complementar (Previc) 60

4.6 Investidores institucionais 61


4.6.1 Investidores institucionais supervisionados pela SUSEP 61

4.7 Sistema Financeiro Nacional e a tecnologia 62


4.7.1 Open finance 63
4.7.2 Fintechs 64
4.7.3 Meios de pagamento 65
4.7.4 Open insurance 69

4.8 Sandbox regulatório do mercado de seguros 71

Fixando conceitos 4 73
Sumário
5 Instrumentos Financeiros 76

5.1 Características dos instrumentos financeiros 78


5.1.1 Risco – Liquidez – Rentabilidade 78
5.1.2 Classificação dos instrumentos de Renda Fixa 79

5.2 Instrumentos de captação emitidos por instituições financeiras 80


5.2.1 Depósitos à vista 80
5.2.2 Depósitos a prazo 80
5.2.3 Depósitos de poupança 80
5.2.4 Letras financeiras 81
5.2.5 Outros tipos de captação bancária 82

5.3 Instrumentos financeiros emitidos


por empresas não financeiras 83
5.3.1 Ações 83
5.3.2 Debêntures 84
5.3.3 Notas promissórias 85

5.4 Fundos de investimento 85


5.4.1 Definições 85
5.4.2 Classificação dos fundos de investimento 87

5.5 Títulos do Tesouro Direto 91

5.6 Derivativos 93
5.6.1 Definição 93

5.7 Criptomoedas 95

5.8 Previdência privada complementar 96

5.9 Estrutura do sistema 97

Fixando conceitos 5 98
Sumário
6 Administração de Risco 101

6.1 Riscos que correm as instituições financeiras 103


6.1.1 Risco de crédito 103
6.1.2 Risco de liquidez 104
6.1.3 Risco de mercado 104
6.1.4 Risco operacional 105
6.1.5 Risco de insolvência 105
6.1.6 Risco legal 106

6.2 Perfil de risco dos investidores individuais 106

Fixando conceitos 6 109

Gabarito 111

Referências bibliográficas 112

Glossário 118
1
Intermediação
Financeira:
Conceitos Básicos
Tópicos da unidade
1.1 Conceitos básicos

1.2 Setor real x setor financeiro Objetivo


1.3 Funções básicas do Ø Conhecer o trabalho dos intermediários
Mercado Financeiro financeiros e suas vantagens para os
participantes do mercado financeiro.
1.4 O papel da intermediação
financeira

Fixando conceitos 1
O processo de intermediação financeira pode ser entendido como a
captação de recursos por instituições financeiras junto às unidades eco-
nômicas superavitárias e o seu subsequente repasse para as unidades
econômicas deficitárias.

Esse tipo de oferta fomenta o consumo e o investimento, impactando os


mais diferentes segmentos. Ao mesmo tempo, serve como uma forma de
rentabilidade para quem conta com uma quantia de dinheiro parado.

As instituições financeiras, que atuam para intermediar e garantir a segu-


rança desse tipo de operação, auxiliam, portanto, no bom funcionamento
do Sistema Financeiro Nacional.

Esta unidade busca descrever o papel desempenhado pelos intermediários


financeiros nas transferências de recursos entre poupadores e tomadores.

9
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

1.1
Conceitos básicos
Somente por meio do conhecimento de alguns conceitos básicos é que se pode
entender, de forma ampla e crítica, o funcionamento do mercado financeiro.

Algumas questões que envolvem renda, investimento e poupança serão abor-


dadas nesta unidade, assim como serão apresentadas as unidades econômi-
cas que compõem o mercado e suas forma de obtenção de financiamento.

Os intermediários financeiros desempenham um papel crucial na interme-


diação entre aqueles que têm excesso de capital (poupadores) e aqueles
que precisam de capital (tomadores), contribuindo para a alocação eficiente
de recursos na economia, o que é essencial para o crescimento econômico.

1.1.1
Unidades econômicas
As unidades econômicas são aquelas que, de alguma forma, influenciam a
economia a partir de suas decisões e ações, tomadas racionalmente. São elas:

Famílias
A família é um conjunto de pessoas físicas que atuam na
economia. A principal função desse grupo é o consumo e
a sua força de trabalho, que é considerado um dos fato-
res de produção.

Empresas (pública e privada)


As empresas são as responsáveis pela produção de bens
e ­circulação de serviços. As responsabilidades desse
agente são fornecer bens e serviços à sociedade, bem
como realizar os pagamentos aos fatores de produção
(mão de obra, terra e capital).

Governo
O governo se mostra como regulador das principais
ações de controle fiscal e de Políticas Monetárias. Além
da função de órgão regulador, o governo é o principal
responsável pela ação social e de benefício público.

10
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

Abordaremos a classificação das unidades econômicas entre superavitárias,


deficitárias e unidades com orçamento equilibrado, mais à frente nesta unidade.

1.1.2
Renda, investimento e poupança
A renda representa a remuneração dos agentes que participam de ­alguma
forma do processo produtivo de uma economia. Por exemplo: salários rece-
bidos, juros sobre capital emprestado ou lucros sobre capital investido.

Já o investimento representa a utilização de capital – próprio ou de terceiros


– em alternativas que promovem o aumento efetivo da capacidade produtiva
de um país.

Atenção
O conceito de investimento em economia vincula-se à geração
de riqueza, e não simplesmente à transferência de propriedade
de um bem. Por exemplo: o investimento pode ocorrer na
compra de bens de capital, como máquinas e equipamentos.
Entretanto, a aquisição de ações na Bolsa de Valores não é
considerada investimento segundo o conceito econômico.

A poupança é a parcela da renda não consumida pelas unidades ­econômicas


na aquisição de bens e serviços. É por intermédio dela que todo o processo
produtivo é realimentado, utilizando diversos instrumentos de intermediação
do mercado financeiro. Ou seja, os intermediários financeiros – bancos, por
exemplo – captam a poupança disponível e a transferem ao sistema produ-
tivo da economia mediante diversas formas de créditos, contribuindo, assim,
para a expansão do nível de ­investimento e para a oferta de bens e serviços.

1.1.3
Crescimento econômico x
desenvolvimento econômico
Embora, muitas vezes, esses dois termos sejam usados como se fossem a
mesma coisa, crescimento econômico ocorre quando há expansão quanti-
tativa da capacidade produtiva ao longo do tempo.

11
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

Desse modo, ao observarmos, por exemplo, que a elevação da quanti­dade


de bens e serviços produzidos por um país é superior à de sua população,
evidenciando sua produtividade, dizemos que o país se encontra em pleno
crescimento econômico.

Por outro lado, o desenvolvimento econômico aborda outras variáveis além


das consideradas na avaliação de crescimento econômico, ressaltando as
condições de vida da população de um país. Seu conceito é considerado
mais complexo porque necessita da análise de indicadores socioeconômicos,
como renda, saúde e educação.

1.2
Setor real x setor financeiro
O setor real da economia diferencia-se do setor financeiro em diversos
aspectos. Todavia, ambos os setores se complementam e são relevantes
para a sociedade.

O setor real abrange a produção e a circulação de bens e de mercadorias, e


a prestação de serviços não financeiros, como comércio, ­telecomunicações,
transporte e outros. Os ativos reais são bens ou direitos que não repre­sentam,
necessariamente, reserva de valor, mas são mantidos em função do proveito
que deles se espera obter. Exemplos: máquinas e equipamentos.

Já o setor financeiro abrange a custódia , a intermediação e a compensa-


ção de ativos e de passivos financeiros.

CUSTÓDIA
Guarda e exercício dos direitos sobre títulos e valores mobiliários.

INTERMEDIAÇÃO
Serviço de movimentação de ativos entre agentes poupadores e tomadores,
prestado por um agente intermediador.

Um ativo financeiro constitui um direito em relação a outra unidade econô-


mica, mantido como reserva de valor em função do retorno financeiro que
dele se espera obter. Inclui moeda e todo título que representa dívida ou
participação patrimonial (ex.: ações, título de dívida, royalties).

12
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

Um passivo financeiro representa a obrigação decorrente de ativo financei-


ro. É, portanto, a contrapartida para aquele que emitiu um ativo financeiro
(ex.: dívidas).

1.3
Funções básicas do
Mercado Financeiro
O mercado financeiro possibilita que as unidades econômicas (também conhe-
cidas como agentes econômicos) estejam em contato, direto ou ­indireto, a
um custo mínimo e com as menores dificuldades possíveis para esse relacio­
namento. Dessa forma, a utilização dos recursos financeiros da economia
pode ser otimizada, possibilitando um aumento geral da produti­vidade, da
eficiência e do bem-estar da sociedade.

Ao viabilizar o contato entre unidades econômicas, o mercado financeiro


também cumpre as seguintes funções:

Ø Estímulo à formação de poupança – as instituições financeiras exis-


tentes no mercado financeiro estimulam a formação de ­poupança
de diferentes formas. Assim, elas captam poupança e, em troca,
emitem ativos com diferentes graus de liquidez . O mercado de
capitais – no qual operam os bancos de investimento e corretoras de
títulos – auxilia as empresas a emitirem títulos próprios, como ações e
debêntures . Os fundos de pensão, os fundos de investimento e as
seguradoras são importantes demandantes desses ­títulos e, por-
tanto, também estimulam a formação de poupança.

13
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

LIQUIDEZ
É um conceito econômico que considera a facilidade com que um ativo pode
ser convertido no meio de troca da economia, ou seja, é a facilidade com
que ele pode ser convertido em dinheiro. O grau de agilidade de conversão
de um investimento sem perda significativa de seu valor mede sua liquidez.

AÇÕES
Representam uma fração do capital social de uma empresa. Ao comprar
uma ação, o investidor se torna sócio da empresa, ou seja, de um negócio.
Passa a correr os riscos deste negócio bem como participa dos lucros e
prejuízos como qualquer empresário.

DEBÊNTURES
São títulos de dívida de empresas privadas. Quem investe em uma
debênture se torna um credor da companhia que emitiu o título, financiando
suas operações em troca do pagamento de juros.

Ø Facilitação da transferência de poupança entre as unidades


econômicas – quando o mercado financeiro coloca em contato
as diferentes unidades econômicas, a troca de recursos entre os
que possuem recursos financeiros excedentes e os que necessitam
de recursos é facilitada. Os bancos são importantes facilitadores
dessa troca, pois repassam os recursos captados de poupadores a
tomadores de empréstimos.

Ø Provimento de liquidez às unidades econômicas – os bancos que


captam recursos com o público e emitem depósitos à vista (depó-
sitos em conta-corrente) devem ser capazes de oferecer liquidez
imediata aos seus clientes. Assim, por meio desse tipo de instituição
financeira, é processada a maior parte dos pagamentos realizados
pelas unidades econômicas.

1.4
O papel da
intermediação financeira
O processo de intermediação financeira pode ser entendido como a capta-
ção de recursos por instituições financeiras junto às unidades econômicas
superavitárias e o seu subsequente repasse para as unidades econômicas

14
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

deficitárias. Esta unidade busca descrever o papel desempenhado pelos


intermediários financeiros nas transferências de recursos entre poupadores
e tomadores.

1.4.1
Classificação das
unidades econômicas
Pode-se dizer que a economia é composta por intermediários financeiros e
agentes ou unidades econômicas.

O conjunto das unidades econômicas pode ser dividido em três categorias:

Unidades Superavitárias (US)


São aquelas unidades que apresentam receitas correntes
maiores do que gastos correntes. O excesso de receitas
não representa necessariamente lucro, podendo signifi-
car tão somente sobra de caixa momentânea.

Unidades Deficitárias (UD)


São aquelas unidades cujos gastos correntes excedem
suas receitas correntes. No caso de uma empresa, o
excesso de gastos em relação às receitas correntes não
significa dizer que ela ­opere com prejuízo. Os gastos em
excesso podem, por exemplo, ser empregados em inves-
timentos que permitirão uma futura expansão de suas
atividades.

Unidades com Orçamento Equilibrado (UOE)


São aquelas unidades que têm seus gastos correntes
iguais às receitas correntes. As UOE, por não terem
sobras de caixa e por serem capazes de financiar seus
gastos correntes e de ­investimento a partir de suas recei-
tas correntes, não precisam, portanto, de qualquer tipo
de financiamento. Se todas as unida­des ­econômicas (UE)
fossem sempre UOE, não faria sentido e ­ xistir interme-
diários financeiros. Na prática, contudo, é difícil conce­
ber uma unidade econômica que, em algum momento,
não ­possua recursos financeiros ociosos, ou mesmo uma
que seja capaz de se ­autofinanciar completamente.

15
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

As unidades econômicas superavitárias tendem a investir o excedente da


receita em ativos financeiros, que são direitos sobre a renda futura de outras
unidades. Portanto, podem ofertar seus excedentes mediante retorno que
compense seus riscos e gere uma remuneração adicional.

As unidades deficitárias podem buscar recursos para atender às suas neces-


sidades de financiamento, aceitando arcar com os custos dessa operação.
Essa é a hipótese que justifica a existência da atividade de intermediação
financeira, e os agentes que desenvolvem tal atividade são chamados de
intermediários financeiros, sendo, geralmente, instituições financeiras.

1.4.2
Formas de financiamento
A atividade de intermediação financeira se justifica por servir de elo entre
as unidades superavitárias (US), ou seja, aquelas que têm sobra de caixa,
e as unidades deficitárias (UD), que necessitam de financiamento. Ou seja,
os intermediários financeiros proporcionam um encontro entre os recursos
financeiros excedentes das US e as necessidades de financiamento das UD.

A atividade de intermediação financeira nasceu da necessidade de aumento


da eficiência das transferências de recursos financeiros entre as unidades
econômicas (UE).

16
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

Uma UD pode financiar seus gastos das formas apresentadas a seguir:

Autofinanciamento
Para se financiar, uma UD pode vender ativos próprios,
inclusive instrumentos financeiros. Por exemplo, se for
pessoa física, um indivíduo pode vender ações em seu
poder para financiar a compra de um bem, ou uma
empresa pode vender um terreno que esteja ocioso para
adquirir, com o dinheiro arrecadado, máquinas novas que
ampliem sua capacidade produtiva.

Financiamento externo
A outra opção de uma UD para financiar seus gastos é obter
recursos de terceiros, o que pode ser feito de duas maneiras:
Ø Financiamento direto: emitir ações e outras formas
de participação em negócios, sem assumir uma dívida,
ou emitir títulos de dívida – como debêntures e notas
promissórias – que sejam adquiridos diretamente por US.
Ø Financiamento indireto: empréstimos tomados de
instituições financeiras. Essa forma de financiamento é
chamada de indireta, porque conta com a intermediação
de uma instituição financeira que adquire títulos emitidos
pelas UD com os recursos captados junto às US.

Nas operações de financiamento indireto, as instituições financeiras captam


recursos junto às US, assumindo a obrigação de honrar a exigibilidade desses
recursos, e os emprestam às UD.

Já nas operações de financiamento direto, a transferência de recursos


ocorre diretamente entre as UE superavitárias e deficitárias, e o papel das
instituições financeiras é simplesmente promover a corretagem de valores.

17
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

O financiamento direto e o papel desempenhado pela intermediação finan-


ceira se encontram resumidos, esquematicamente, na figura a seguir.

Figura 1: Financiamento direto e intermediação financeira

TÍTULO DIRETO

TÍTULO DIRETO

ATIVO FINANCEIRO
UD IF US

O financiamento indireto, mostrado pelas linhas cheias, está representado


no lado esquerdo do esquema pela troca de créditos adiantados pelas ins-
tituições financeiras por títulos diretos (por exemplo, uma nota promissória)
entregues pela UD. Já no lado direito, está representado pela troca feita
entre as instituições financeiras (IF), que oferecem ativos financeiros (por
exemplo, um depósito à vista), e as US, que nelas depositam seus excessos
(ociosos) de caixa. Note-se que esses depósitos das US representam, de fato,
um empréstimo temporário concedido às IF.

O valor da remuneração pelos recursos financeiros emprestados é chamado


de juros ou, em termos percentuais, taxa de juros. Essa taxa é considerada,
por um lado, a remuneração dos poupadores e, por outro, o custo de capital
dos tomadores.

As instituições financeiras cobram regularmente taxas de juros dos tomadores


superiores às taxas contratadas nas captações de recursos, a fim de cobrir
despesas e riscos, bem como para obter remuneração pela atividade de inter-
mediação. À diferença entre a remuneração cobrada nas operações ativas e
o custo do dinheiro captado nas operações passivas, dá-se o nome de spread.
O spread pode também ser definido como a diferença entre a taxa média de
juros cobrada pelos empréstimos e a taxa média paga aos depositantes.

Tradicionalmente, o spread bancário é elevado no Brasil. Entretanto, nas


duas últimas décadas, ele vem decrescendo basicamente em função da maior
concorrência gerada pelo desenvolvimento e pela expansão dos mecanismos
de financiamento direto disponíveis no mercado de capitais. Nesse mercado,
as empresas conseguem realizar captação de recursos diretamente com o
investidor interessado, sem a necessidade de intermediação financeira.

18
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

A transformação dos departamentos financeiros das grandes empresas em


autênticas instituições financeiras, somada ao crescimento dos investidores
institucionais e ao crescente papel desempenhado pelas empresas de classifi-
cação de risco, significou uma quebra da posição hegemônica das instituições
bancárias e a perda de parte importante de sua clientela, particularmente
as empresas de maior porte.

A existência do spread significa que, pelo menos em tese, os financia­mentos


indiretos seriam mais caros do que os financiamentos diretos, enquanto o
retorno para os depositantes seria menos atraente do que se investissem
diretamente na compra de um título direto emitido por uma unidade defici-
tária. No entanto, algumas vantagens dos intermediários ­financeiros levam
ainda grande parte das unidades deficitárias a se endividar com eles, e das
unidades superavitárias a depositar neles seus recursos.

1.4.3
Vantagens dos
intermediários financeiros
Os intermediários financeiros justificam sua existência por serem mais capazes
de reduzir os custos de transação e os problemas gerados pela assimetria
de informações entre as partes do que as unidades econômicas em geral.

Porém, você pode estar se perguntando: o que são esses custos de transação?
Simples: os custos de transação se referem aos gastos envolvidos em cada
transação financeira, como o processo de reuniões entre as partes e o paga-
mento de honorários advocatícios para redação dos contratos de empréstimo.

Já a assimetria de informação ocorre quando uma das partes de uma


transação está mais bem informada do que a outra em relação a questões
perti­nentes à negociação. Quando há assimetria de informação, conflitos
de interesse entre as partes tendem a ocorrer.

Assim, a redução dos custos de transação e da assimetria de informação


presentes nas transações é possibilitada, principalmente, por duas van­
tagens apresentadas pelos intermediários financeiros: ganhos de escala e
diversificação das operações.

19
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 1

Ganhos de escala
Em função da especialização (expertise) desenvolvida na
coleta de dados e no processamento das informações, os
intermediários financeiros apresentam vantagens rela-
tivas a ganhos de escala, possibilitando a redução do
custo por transação à medida que se aumenta o número
de transações. Todo intermediário financeiro possui um
departamento de análise de crédito, sendo os custos de
manutenção de tal estrutura divididos entre milhares de
contratos. O mesmo se aplica aos custos legais de elabo-
ração de contratos de empréstimo, entre outros custos
operacionais.

Diversificação das operações


A possibilidade de diversificação das operações ativas e
passivas reduz fortemente, por um lado, a probabilidade
esperada de perdas com inadimplência nos empréstimos
e, por outro lado, os riscos de liquidez provenientes de
saques dos depositantes.

Portanto, os intermediários são capazes de produzir tal resultado em função


dos ganhos de escala, da especialização em intermediação financeira, bem
como de seus ativos e passivos diversificados. Além disso, outra vantagem
que apresentam é a diversificada oferta de alternativas de captação e de
aplicação de recursos, já que dificilmente as unidades econômicas consegui-
riam dispor por conta própria e com a mesma agilidade.

20
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 1

Fixando conceitos 1
Marque a alternativa correta.

1. As unidades econômicas são aquelas que, de alguma forma, influenciam a


economia a partir de suas decisões e ações, tomadas racionalmente. Uma
dessas unidades econômicas tem como principal função o consumo e sua
força de trabalho, que é considerado um dos fatores de produção. Nesse
caso, estamo-nos referindo:

(a) Ao governo.
(b) À empresa pública.
(c) Às autarquias.
(d) À família.
(e) À empresa privada.

2. Os gastos correntes de uma unidade econômica que excedem as suas


receitas correntes necessitam, de alguma forma, ser financiados. Caso
uma unidade econômica deficitária decida recorrer a um financiamento
externo indireto, podemos citar como opção o(a):

(a) Venda de imóvel.


(b) Emissão de debentures.
(c) Empréstimo em banco múltiplo.
(d) Emissão de ações.
(e) Emissão de notas promissórias.

3. A economia é composta por intermediários financeiros e unidades econô-


micas – as unidades econômicas que apresentam receitas correntes maiores
do que gastos correntes e as unidades econômicas cujos gastos correntes
excedem as receitas correntes. Esses dois tipos de unidades econômicas
são conhecidas, respectivamente, como:

(a) Unidades superavitárias e unidades equilibradas.


(b) Unidades equilibradas e unidades deficitárias.
(c) Unidades poupadoras e unidades deficitárias.
(d) Unidades superavitárias e unidades deficitárias.
(e) Unidades deficitárias e unidades gastadoras.

21
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 1

4. Em alguns momentos, confundimos crescimento econômico e desenvolvimento


econômico. O primeiro ocorre quando há expansão quantitativa da capacida-
de produtiva ao longo do tempo. O que visa ao desenvolvimento econômico?

(a) Aumentar a taxa de inflação.


(b) Reduzir o acesso à educação e saúde.
(c) Ampliar a desigualdade social.
(d) Melhorar a qualidade de vida e o bem-estar da população.
(e) Aumentar exclusivamente a produção de bens e serviços.

5. O mercado financeiro possibilita que as unidades econômicas estejam


em contato, direto ou indireto, estimulando a formação de poupança, que
é uma das funções básicas do mercado. De que forma as unidades econô-
micas participam da formação de poupança?

(a) Oferecendo serviços de transporte.


(b) Produzindo alimentos.
(c) Fornecendo serviços de saúde.
(d) Construindo imóveis.
(e) Emitindo ativos com diferentes graus de liquidez.

Consulte o gabarito clicando aqui.

22
2
Economia:
Funções Básicas
Tópicos da unidade
2.1 Indicadores econômicos

2.2 Política monetária Objetivo


2.3 Política fiscal Ø Conhecer as funções da economia e seus efeitos
na sociedade, bem como a sua influência no
2.4 Política cambial mercado de seguros, considerando a realidade
mercadológica vigente.
Fixando conceitos 2
Reflita sobre uma questão importante: qual o objetivo da gestão da econo-
mia em uma sociedade? A resposta é ampla, certo?

Um bom começo é compreender que a gestão da economia visa atender às


necessidades de bens e serviços da sociedade e atingir determinados objetivos
sociais e macroeconômicos, como pleno emprego, distribuição de riqueza,
estabilidade de preços e estímulo ao crescimento econômico.

Os principais meios para atingir esses objetivos são as políticas monetária,


fiscal e cambial. Essas políticas devem ser implementadas de maneira coor-
denada, na medida em que, por exemplo, uma mudança na taxa de juros
(política monetária) influencia tanto a arrecadação de impostos e os gastos
públicos (política fiscal) quanto a taxa de câmbio (política cambial).

24
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

2.1
Indicadores econômicos
Indicadores são medidas ou métricas utilizadas para avaliar ou quantifi-
car determinada situação, um fenômeno, processo ou desempenho. Eles
oferecem uma maneira objetiva de compreender e monitorar variáveis
específicas, permitindo que sejam feitas análises e comparações ao longo
do tempo ou entre diferentes entidades. Os indicadores podem ser aplica-
dos em uma ampla variedade de contextos, incluindo negócios, economia,
saúde, educação, meio ambiente, desenvolvimento social e muito mais. Eles
ajudam a fornecer insights valiosos para auxiliar na tomada de decisões, na
identificação de tendências, no acompanhamento de metas e objetivos, na
medição de desempenho e no monitoramento de resultados.

Os indicadores econômicos, especificamente, monitoram a saúde econômi-


ca de um país ou região, incluindo indicadores como Produto Interno Bruto
(PIB), taxa de inflação, taxa Selic, entre outros.

Para o Mercado Financeiro, é importante conhecer os principais indicadores


e entender como eles influenciam a dinâmica do mercado. Assim, é possível
analisar melhor os produtos disponíveis e acompanhar seu desempenho com
mais segurança.

2.1.1
PIB – Produto Interno Bruto
O PIB é uma medida que representa o valor total de todos os bens e servi-
ços finais produzidos em uma economia durante um determinado período.
É calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e é um
dos indicadores econômicos mais importantes e amplamente utilizados para
avaliar o tamanho e a saúde de uma economia.

O PIB é geralmente calculado em termos monetários, ou seja, é expresso


em moeda local, como dólares, euros, reais etc. Ele engloba todas as ativi-
dades econômicas de um país, desde a produção de bens de consumo até
investimentos, gastos do governo e exportações líquidas (diferença entre
exportações e importações).

A arrecadação do mercado de seguros do Brasil no ano de 2023 repre-


sentou cerca de 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O objetivo de
mercado segurador é alcançar a participação de 10,1% do PIB em 2030,

25
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

segundo o PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO MERCADO DE SEGUROS,


PREVIDÊNCIA ABERTA, SAÚDE SUPLEMENTAR E CAPITALIZAÇÃO de 2023
da Confederação Nacional das Seguradoras – CNSEG.

O PIB é frequentemente usado como uma medida da atividade econômica


e do crescimento econômico de um país. Quando o PIB aumenta ao longo
do tempo, isso geralmente indica um crescimento econômico saudável. No
entanto, o PIB sozinho não oferece uma imagem completa da situação eco-
nômica de um país, pois não leva em consideração fatores como distribuição
de renda, qualidade de vida, desigualdade social e impactos ambientais.

2.1.2
Taxa Selic – Taxa do Sistema
Especial de Liquidação e de Custódia
A taxa Selic representa a taxa média dos empréstimos diários entre institui-
ções financeiras por meio de títulos públicos apurados no Sistema Especial
de Liquidação e de Custódia (Selic), sendo, portanto a taxa básica de juros
utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação. Ou seja, quando os
preços sobem no país, elevando o valor dos índices de inflação, o governo
sobe o valor da meta da Selic para conter o aumento dos preços. Da mes-
ma forma, quando os índices de inflação mostram queda, o que significa
que os preços caíram, o governo pode baixar o valor da meta da Selic para
estimular a economia.

2.1.3
IPCA – Índice Nacional de
Preços ao Consumidor Amplo
Este índice mede a variação dos preços de produtos e serviços vendidos para
os consumidores finais. É considerado o índice oficial de inflação do Brasil.
Ele é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O
Banco Central utiliza o IPCA para traçar o sistema de metas para a inflação
do País. O IPCA mede o custo de vida de famílias com renda entre 1 a 40
salários mínimos nas regiões metropolitanas de algumas capitais brasileiras
e é medido entre os dias 1º e 30 de cada mês.

26
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

2.1.4
IGP – Índice Geral de Preços
Este índice é calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e registra a inflação
de preços desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços
finais. Ele abrange toda a população, sem distinção por faixa de renda. São
apresentados em três versões: IGP-DI (Disponibilidade Interna), IGP-10 e IGP-M
(Mercado). A diferença entre eles é o período de coleta: IGP-DI, de 1 a 30 ou
31 de cada mês, IGP-10, do dia 11 de um mês ao dia 10 do mês seguintes, e o
IGP-M, do dia 21 de um mês ao dia 20 do mês seguinte. O IGP-M é voltado
predominantemente à comunidade financeira e também é muito usado para
reajustes de contratos, aluguéis e tarifas de serviços públicos.

2.1.5
INPC – Índice Nacional
de Preços ao Consumidor
Este índice também é um indicador econômico que mede a inflação, mas
utiliza um terceiro critério, diferenciando-se tanto do IPCA quanto do IGP-M.
Ele é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e
mede a variação de preços dos produtos e serviços mais consumidos pelas
famílias com rendimento médio mensal de um a cinco salários mínimos. Além
disso, esse indicador costuma ser usado pelo governo federal para corrigir
o salário mínimo e o valor da aposentadoria e, no caso de negociações tra-
balhistas, para reajustar os salários de maneira geral.

2.1.6
Taxa DI – Taxa de
Depósito Interbancário
Calculada pela B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), esta taxa é calculada com base na
média ponderada dos juros utilizados em operações de empréstimos, com
prazo de um dia, realizadas entre instituições financeiras, conhecidas como
Depósitos Interbancários (DI). A taxa DI normalmente segue um valor muito
próximo da taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia.

27
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

2.1.7
TR – Taxa Referencial
É utilizada como indexador da remuneração da poupança, do FGTS (Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço) e de boa parte dos contratos de finan-
ciamento imobiliários. O Banco Central é o responsável pelo cálculo, que é
realizado utilizando a média ponderada das taxas de juros pagas no mercado
secundário pelas Letras do Tesouro Nacional (LTNs) mais um redutor aplica-
do pelo Bacen no final do processo. Não é raro que a TR seja zero ou tenha
algum valor muito próximo disso, no entanto, ela nunca poderá ser negativa.

2.1.8
Boletim Focus
É o relatório semanal do Banco Central, divulgado toda segunda-feira, com
as principais projeções de indicadores do mercado.

Esses indicadores são calculados considerando as expectativas de merca-


do coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. O relatório traz a
evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de
preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores.

O processo de elaboração envolve a participação de dezenas de organiza-


ções, tais como bancos, gestoras de recursos e consultorias, que se dedicam
semanalmente à realização de análises referentes ao mercado financeiro.
As projeções feitas por essas instituições são compiladas pelo Banco Central
e publicadas semanalmente no site institucional.

28
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

Dados informados:

O relatório apresenta as medianas (valor que divide um conjunto de valores


ordenados em partes iguais) das expectativas de mercado para:

a. o IPCA, o crescimento do PIB, a taxa de câmbio média de


dezembro, a meta da taxa Selic de fim de ano, o IGP-M, os
preços administrados, a conta-corrente, a balança comercial, o
investimento direto no País, a dívida líquida do setor público, os
resultados primário e nominal – todos para o ano corrente e os três
anos subsequentes;

b. a inflação suavizada dos próximos 12 meses para o IPCA e para o


IGP-M;

c. o IPCA, a taxa de câmbio média do mês, a meta da taxa Selic do


fim do mês e o IGP-M – todos para o mês corrente e os dois meses
subsequentes.

Para cada ano ou mês, são apresentados os seguintes valores:

Ø Coluna “Há 4 semanas” – mostra quais eram as expectativas de


cada índice no período de 4 semanas anteriores à divulgação atual;

Ø Coluna “Há 1 semana” – apresenta as expectativas de cada índice


no período de 1 semanas anteriores à divulgação atual;

Ø Coluna “Hoje” – indica qual a expectativa de fechamento no dia da


divulgação do relatório para cada índice.

Ø Coluna “Comportamento semanal” – mostra, basicamente, de


uma forma mais amigável, o comparativo entre a semana atual e
a semana anterior. A informação é dada pelos sinais de = (igual),
uma seta azul para cima ou seta vermelha para baixo, seguida do
número de semanas que esse comportamento vem sendo observado.

Para incentivar o aprimoramento da capacidade preditiva dos participan-


tes da pesquisa e reconhecer seu esforço analítico, o BC elabora o ranking
Top 5, sistema de classificação das instituições baseado no índice de acerto
de suas projeções de curto, médio e longo prazos. Esse ranking é divulgado
mensalmente, trimestralmente e anualmente.

29
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

2.2
Política monetária

2.2.1
Definição e objetivos
A política monetária enfatiza sua atuação sobre os meios de pagamento,
títulos públicos e taxas de juros. O Banco Central do Brasil – também conhe-
cido como BC, BCB ou Bacen – é a instituição responsável pela administração
da política monetária do País e tem sob seu controle a oferta de moeda, as
taxas de juros e as condições de crédito para atingir alguma meta desejada,
como reduzir a taxa de inflação.

BC, BCB ou Bacen


O Banco Central do Brasil é o responsável pelo controle da inflação no País.
Ele atua para regular a quantidade de moeda na economia que permita
a estabilidade de preços. Suas atividades também incluem a regulação
e supervisão das instituições financeiras para garantir que o mercado
brasileiro fique financeiramente estável.

METAS DO BACEN
Ø Manter a balança de p
­ agamentos equilibrada.
Ø Elevar o nível de emprego.
Ø Elevar o produto nacional bruto.

A política monetária pode ser restritiva e expansionista. A política restritiva


apresenta ação e consequência (redução dos meios de pagamentos com o
objetivo de restringir a oferta de crédito e consumo). Na política expansio-
nista, foi incluído um texto que apresenta a consequência da ação tomada.

Restritiva
Uma política monetária é considerada restritiva quando as autori-
dades monetárias promovem reduções dos meios de pagamento
da ­economia, retraindo o consumo, o investimento e a atividade
econômica. As medidas restritivas são tomadas quando o cres-
cimento da demanda e dos investimentos empresariais se situam

30
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

acima da capacidade da oferta de moeda da economia, visando


anular os efeitos da inflação. A adoção ­dessa política tem como
objetivo restringir a oferta de crédito e elevar seu custo, de forma
a adequar o consumo e o investimento agregados à oferta mone-
tária da economia.

Expansionista
Uma política monetária, por sua vez, é considerada expansionista
quando eleva a liquidez da economia, injetando maior volume de
recursos nos mercados e elevando os meios de pagamentos. Tem
como objetivo reduzir a taxa de juros e, com isso, aumentar o po-
der de compra incentivando o consumo. Geralmente, essa situa-
ção é adotada em momentos de retração do nível da economia em
que se produz uma deflação.

2.2.2
Instrumentos da política monetária
O Banco Central administra a política monetária usando os três instrumentos
clássicos de controle monetário, que são:

Ø Depósitos compulsórios.

Ø Redesconto bancário.

Ø Operações de mercado aberto.

Depósitos compulsórios
Todo banco é obrigado a manter depositada, em sua conta de reserva ban-
cária no Bacen, uma quantia que representa um percentual sobre o saldo
dos depósitos à vista de seus clientes.

Alterações na alíquota do depósito compulsório, ou seja, no percentual sobre


os depósitos, representam o papel do compulsório como instrumento de
política monetária. Os bancos têm restringida sua capacidade de ­conceder
empréstimos – e, portanto, de criar depósitos à vista – ­quando esse percentual
é aumentado, e vice-versa. Assim, se o percentual de depósito compulsório é
aumentado, os bancos terão menos reservas livres para emprestar, pois terão
que direcionar uma parcela maior dessas ­reservas para sua conta no Bacen.

31
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

Atenção
Quanto maior a alíquota do depósito compulsório, menor a
capacidade de o sistema bancário multiplicar empréstimos
e, consequentemente, menor a sua capacidade de criar
meios de pagamento na forma de depósitos à vista.

Redesconto bancário
O redesconto bancário é um empréstimo concedido pelo Bacen a um ban-
co comercial que enfrenta um problema temporário de liquidez, ou seja,
um banco que não possui reservas bancárias suficientes para cumprir seus
compromissos de curto prazo.

O Bacen utiliza o redesconto como instrumento de política monetária,


ampliando ou restringindo o acesso dos bancos a esse tipo de recurso, prin-
cipalmente por meio de alterações na taxa de juros cobrada deles nessas
operações, isto é, a taxa de redesconto.

Uma elevação da taxa de redesconto desestimula os bancos a recorrerem


ao redesconto, obrigando-os a manter um nível mais elevado de reser-
vas, reduzindo, desse modo, os empréstimos e sua capacidade de criar
depósitos à vista.

Operações de mercado aberto


Por meio das operações de mercado aberto, o Bacen compra ou vende títu-
los do Tesouro Nacional dos bancos, visando controlar o saldo das reservas
bancárias e, dessa forma, exercer influência sobre a taxa de juros praticada
no mercado interbancário.

32
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

Atenção
A Secretaria do Tesouro Nacional é um órgão do Ministério
da Fazenda do Brasil.
Ela trata da administração financeira e da contabilidade
federal, além de exercer atividades relacionadas à emissão
e à implementação de operações envolvendo os títulos da
dívida pública do País.
Também é responsável por realizar o recolhimento de
impostos e contribuições para a Receita Federal do Brasil
(RFB), além do recolhimento de quaisquer outros recursos que
venham a ingressar na conta única do Tesouro Nacional.

Ao comprar títulos, o Bacen aumenta o saldo de suas reservas bancárias,


provocando uma redução na taxa de juros.

Já quando o Bacen vende títulos, os bancos pagam por meio da redução


de suas contas de reservas bancárias. A diminuição do volume de reservas
bancárias disponíveis tende a elevar a taxa de juros.

Observe os quadros a seguir. Eles sintetizam os impactos desejados pelo Bacen


ao utilizar cada um dos três instrumentos clássicos de política monetária.

Quadro 1: Bacen e impactos esperados

Depósito compulsório

Ação do Banco Central Impacto Impacto

Aumento da alíquota Redução do multiplicador Aumento da taxa de juros

Redução da alíquota Aumento do multiplicador Redução da taxa de juros

Taxa de redesconto

Ação do Banco Central Impacto Impacto

Redução dos
Aumento da taxa Aumento da taxa de juros
empréstimos bancários

Aumento dos
Redução da taxa Redução da taxa de juros
empréstimos bancários

33
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

Operações de mercado aberto

Ação do Banco Central Impacto Impacto

Aumento das
Compra de títulos Redução da taxa de juros
reservas bancárias

Redução das
Venda de títulos Aumento da taxa de juros
reservas bancárias

Atenção
Quando uma pessoa deposita certa quantia de dinheiro em
um banco comercial, essa quantia fica disponível para que o
banco a empreste a outro cliente. Esse cliente, por sua vez,
não gasta imediatamente todo o dinheiro tomado como
empréstimo, mas deposita o valor tomado em um segundo
banco. Nesse ponto, temos uma multiplicação da moeda, já
que o primeiro depositante tem a totalidade de seu dinheiro
disponível em moeda escritural (pode emitir um cheque nesse
valor ou fazer compras com cartão de débito, por exemplo)
e o segundo depositante também tem a mesma quantidade
disponível. Entretanto, a quantidade de moeda“real” é apenas
a quantidade que foi depositada pelo primeiro depositante.
Os instrumentos de política monetária buscam, também,
evitar a multiplicação descontrolada da moeda escritural.

2.3
Política fiscal
A política fiscal centraliza suas preocupações com relação aos gastos do setor
público e aos impostos cobrados da sociedade. Assim, ela deve se mostrar
eficaz para que haja equilíbrio entre a arrecadação tributária e as despesas
governamentais, garantindo que sejam alcançados determinados objetivos
macroeconômicos e sociais.

O Governo pode financiar seus gastos por intermédio da cobrança de impos-


tos e tarifas, bem como por meio de empréstimos. Os empréstimos tomados
pelo Governo, geralmente, são feitos via lançamento de títulos, cujo saldo
corresponde ao total da sua dívida pública.

34
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

A política fiscal pode ser:

Expansionista
A política fiscal expansionista acontece quando há uma ação do
Governo para estimular a economia a partir da adoção de políti-
cas de redução de impostos e aumento de suas despesas, que in-
centivam o crescimento econômico pelo lado da demanda.

Os resultados dessas medidas oneram o orçamento da União, pro-


movendo déficit orçamentário — isto é, o resultado negativo é
coberto pelo Governo, geralmente mediante a emissão de ­moedas
ou de títulos públicos, aumentando, assim, a dívida pública.

DÉFICIT ORÇAMENTÁRIO
É a diferença entre os impostos arrecadados e os gastos do Governo. O
déficit orçamentário ocorre quando o Governo aumenta seus gastos ou
reduz os impostos para estimular o crescimento da economia.

Figura 2: Política expansionista

POLÍTICA
EXPANSIONISTA

Pagamento de
juros da dívida

Investimentos
em infraestrutura

Pagamento
de funcionários

35
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

Contracionista
Uma política fiscal contracionista ocorre quando o Governo ob-
tém superávit orçamentário com o objetivo de conter eventuais
elevações da demanda que sejam interpretadas como inflacionárias.

SUPERÁVIT ORÇAMENTÁRIO
Ocorre quando as receitas arrecadadas são superiores às despesas,
significando, portanto, que o governo agiu de forma prudente e
responsável, não se comprometendo acima de sua efetiva arrecadação.

Figura 3: Política contracionista

Congelamento de
concursos públicos

Controle da
dívida pública

Pouca ênfase em
projetos de
infraestrutura

POLÍTICA
CONTRACIONISTA

36
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

O déficit (ou o superávit) orçamentário pode ser classificado como primário


ou nominal. Veja as características de cada um a seguir:

Primário
É o resultado da arrecadação do governo (receitas)
menos as despesas, exceto juros da dívida. De forma
simplificada, é a geração de caixa do governo; é a eco-
nomia para reduzir o endividamento. Mostra se as contas
estão em ordem ou não. Um resultado ­primário positivo
(superávit) apresenta contas sob controle e mostra que a
dívida não seguirá uma trajetória explosiva.

Nominal
O resultado nominal do governo equivale à arrecada-
ção de impostos (receitas) menos as despesas, incluindo
os juros da dívida. É a medida mais completa, já que o
número representa a total necessidade de financiamen-
to do setor público. Ao apresentar um déficit nominal, o
governo terá que se financiar, por exemplo, com a colo-
cação de títulos públicos.

TÍTULOS PÚBLICOS
São papéis emitidos pelo Tesouro Nacional, que representam uma forma
de financiar a dívida pública e permitem que os investidores “emprestem”
dinheiro para o governo, recebendo uma rentabilidade em troca.

37
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

2.4
Política cambial
O comércio internacional lida com diferentes moedas representativas das
economias envolvidas nas operações. Para se estabelecer a conversão entre
as moedas, o mercado instituiu a taxa de câmbio.

A taxa de câmbio representa o valor com que a autoridade monetária de um


país aceita negociar sua moeda, ou seja, vender a moeda de sua emissão
(compra de moeda estrangeira) ou adquiri-la (vender moeda estrangeira).

A política cambial está baseada na administração das taxas de câmbio —


promovendo alterações das cotações cambiais — e, de forma mais abran-
gente, no controle das transações internacionais executadas por um país. Ela
é fixada de maneira a viabilizar as necessidades de expansão da ­economia
e promover seu desenvolvimento econômico.

Os regimes cambiais podem ser de:

Taxa de câmbio flutuante


Permite maior liberdade às economias na execução de
suas ­políticas monetárias. Em momentos de eventuais
desequilíbrios econômicos, é possível ter mais agilidade
nas variações de oferta e procura da moeda no mercado.
Nesse modelo, as taxas acompanham livremente as osci-
lações da economia, ajustando-se mediante as altera-
ções em seus valores.

Taxa de câmbio fixa


Nesse caso, a taxa de câmbio tem o seu valor atrelado a
um referencial fixo, como ouro ou dólar. As taxas de câm-
bio fixas permitem maior nível de certeza ao comércio
internacional, por revelarem, previamente, o valor futu-
ro da moeda. No entanto, a manutenção desse padrão
é de maior risco para os governos, obrigando-os, em
momentos de desequilíbrio, a gastar elevadas somas de
suas reservas cambiais para manter a cotação da moeda
nacional.

38
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 2

Os objetivos da adoção de um ou outro regime cambial podem ser, entre


outros: equilibrar o balanço de pagamentos (caso típico do regime de taxa
de câmbio flutuante) ou mesmo combater a inflação (caso típico do regime
de taxa de câmbio fixa adotado por muitos países emergentes nas décadas
de 1980 e 1990).

BALANÇO DE PAGAMENTOS
É um instrumento da contabilidade nacional referente à descrição das relações
comerciais de um país com o resto do mundo. Registra o total de dinheiro que
entra e sai de um país, na forma de importações e exportações de produtos,
serviços, capital financeiro, bem como transferências comerciais.

39
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 2

Fixando conceitos 2
Marque a alternativa correta.

1. O comércio internacional lida com diferentes moedas representativas


das economias envolvidas nas operações. Para se estabelecer a conversão
entre as moedas, o mercado instituiu a taxa de câmbio. Quando tratamos
de política de câmbio, podemos afirmar que:

(a) A política cambial e fixada de maneira a viabilizar as necessidades de


expansão da economia e promover seu desenvolvimento econômico.
(b) A taxa de câmbio flutuante restringe a liberdade das economias na exe-
cução de suas políticas monetárias.
(c) Na taxa de cambio fixa, as taxas acompanham livremente as oscilações
da economia, ajustando-se mediante as alterações em seus valores.
(d) A adoção da taxa de cambio fixa e utilizada para equilibrar o balanço
de pagamentos.
(e) As taxas de câmbio flutuante permitem maior nível de certeza ao comer-
cio internacional por revelarem, previamente, o valor futuro da moeda.

2. O Banco Central administra a politica monetária por meio de três instru-


mentos clássicos de controle monetário: depósitos compulsórios, redesconto
bancário e operações de mercado aberto. Considerando que o uso desses
instrumentos influencia a taxa de juros do mercado, podemos afirmar que:

(a) O aumento da alíquota do deposito compulsório reduz o multiplicador e


aumenta a taxa de juros.
(b) A redução da taxa de redesconto reduz os empréstimos bancários e
aumenta a taxa de juros.
(c) A compra de títulos no mercado aberto aumenta as reservas bancárias
e aumenta a taxa de juros.
(d) O aumento da taxa de redesconto aumenta os empréstimos bancários
e reduz a taxa de juros.
(e) A venda de títulos no mercado aberto reduz as reservas bancárias e
reduz a taxa de juros.

40
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 2

3. A política baseada na administração das taxas de câmbio, que promo-


ve alterações das cotações e, de forma mais abrangente, no controle das
transações internacionais executadas por um país, é a:

(a) Política fiscal.


(b) Política monetária.
(c) Política governamental.
(d) Política internacional.
(e) Política cambial.

4. A política fiscal centraliza suas preocupações com relação aos gastos


e às receitas do setor público. Qual o objetivo da política fiscal em uma
sociedade?

(a) Demonstrar habilidade no controle dos meios de pagamentos.


(b) Ser eficaz para que haja equilíbrio entre a arrecadação tributária e as
despesas governamentais.
(c) Controlar a taxa de juros do mercado financeiro.
(d) Reduzir a taxa de câmbio.
(e) Aumentar a dívida pública.

5. Os instrumentos de política monetária são fundamentais para o Mercado


Financeiro nacional uma vez que auxiliam no controle monetário. O instru-
mento de política monetária pelo qual um determinado percentual sobre
o saldo dos depósitos à vista das instituições financeiras deve ser mantido
na conta da autoridade monetária é o:

(a) Depósito compulsório.


(b) Depósito a prazo.
(c) Depósito à vista.
(d) Open market.
(e) Redesconto.

Consulte o gabarito clicando aqui.

41
3
Segmentos
do Mercado
Financeiro
Tópicos da unidade
3.1 Mercado monetário

3.2 Mercado de crédito Objetivo


3.3 Mercado de capitais Ø Conhecer os segmentos do mercado financeiro,
suas operações e seus prazos, e as modalidades
3.4 Mercado de câmbio usadas no dia a dia do Mercado Financeiro.

Fixando conceitos 3
O Mercado Financeiro pode ser subdividido em quatro segmentos específicos:

Mercado monetário
Envolve as operações de curtíssimo e curto prazos.

Mercado de crédito
Engloba as operações de financiamento de curto
e médio prazos.

Mercado de capitais
Contempla as operações financeiras de médio
e longo prazos.

Mercado de câmbio
Corresponde às operações de compra e de venda
de moeda estrangeira.

Embora, para fins de análise, seja importante fazer a distinção entre esses
diferentes segmentos do Mercado Financeiro, você deve saber que, na prá-
tica, eles estão interligados.

43
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 3

Os conglomerados financeiros atuam nos quatro segmentos. Em ­particular,


a taxa de juros de curtíssimo prazo, praticada no mercado monetário,
é fator determinante do comportamento dos outros três segmentos do
­Mercado Financeiro.

3.1
Mercado monetário
O mercado monetário está estruturado visando ao controle da liquidez
monetária da economia. Os papéis são negociados nesse mercado tendo
como parâmetro de referência a taxa de juros, que se constitui como sua
mais importante moeda de transação.

O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) é uma infraestru­tura do


mercado financeiro brasileiro (IMF), administrada pelo Banco ­Central do Brasil
(BCB), que se destina à custódia de títulos escriturais de emissão do Tesouro
Nacional (TN), bem como ao registro e à liquidação de operações com esses títulos.
A administração do Selic e de seus módulos complementares é de competência
exclusiva do Departamento de ­Operações do Mercado Aberto (Demab) do Banco
Central do Brasil (BCB), e o sistema é operado em parceria com a Associação
Brasileira das E
­ ntidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Atenção
Associação Brasileira das Entidades
dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima)
Em 2009, a Anbid (Associação Nacional dos Bancos
de Investimento) e a Andima (Associação Nacional
das Instituições do Mercado Financeiro) aprovaram a
integração de suas atividades, passando a constituir a
Anbima – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados
Financeiro e de Capitais.
A Anbima fala em nome de instituições como bancos,
gestoras, corretoras, distribuidoras e administradoras,
passando a exercer todas as atividades das duas associações,
representando, promovendo as atividades de autorregulação,
elaborando e supervisionando o cumprimento de Códigos
de Regulação e Melhores Práticas, produzindo informações,
dados, estatísticas, estudos e pesquisas para os mercados
financeiro e de capitais, bem como investindo na educação e
certificação dos profissionais de mercado.

44
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 3

A partir das taxas praticadas nas negociações diárias realizadas, obtém-se


a taxa Selic – taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos
federais –, que representa importante referencial para a formação das taxas
de juros no mercado, uma vez que é aceita, no Brasil, como a taxa de juros
livre de risco, por envolver títulos públicos.

A central de custódia e de liquidação financeira de títulos privados (Cetip) é


um sistema semelhante ao Selic, só que abriga títulos privados.

O principal título da Cetip é o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que


permite transferência de recursos entre as instituições financeiras. A Cetip
opera também com CDB, debêntures, notas promissórias, letras financeiras
(LCI, LCA), entre outros.

A cada reunião ordinária, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem por


objetivo principal estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a
meta da taxa de juros a ser praticada pelo Bacen. A meta da taxa de juros,
que servirá de referência para o Mercado Financeiro, é definida no Brasil
pela taxa Selic. Essa meta vigora por todo o período entre reuniões ordiná-
rias do Comitê. Se for o caso, o Copom também pode definir um viés, que é
o poder concedido ao presidente do Banco Central para modificar a meta
para a taxa Selic a qualquer momento antes da próxima reunião.

3.2
Mercado de crédito
O mercado de crédito visa suprir as necessidades de caixa de curto e médio
prazos das várias unidades econômicas, seja por meio de concessões de cré-
dito às pessoas físicas ou por empréstimos e financiamentos às empresas.

As operações desse mercado são realizadas pelas instituições financeiras


bancárias (bancos comerciais e múltiplos). Muitas vezes, as operações de
financiamento de bens de consumo duráveis praticadas pelas sociedades
financeiras são também incluídas no âmbito do mercado de crédito.

No Brasil, da mesma maneira que na Europa Continental e no Japão, as


empresas utilizam o crédito bancário como principal fonte de financiamen-
to, enquanto em países como os Estados Unidos e a Inglaterra, as ­empresas
obtêm financiamento principalmente a partir da colocação de títulos de
dívida e de ações no mercado de capitais.

45
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 3

Os financiamentos concedidos no Mercado de Crédito são tipicamente


­operações intermediadas. Os bancos múltiplos são os maiores participantes
do mercado de crédito brasileiro, respondendo por mais de 80% do total de
empréstimos do sistema financeiro.

A seguir, vejamos algumas modalidades de crédito disponíveis no mercado:

Ø Crédito rotativo.

Ø Contas garantidas.

Ø Desconto bancário de títulos.

Ø Crédito Direto ao Consumidor (CDC).

Ø Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC).

Ø Empréstimo para capital de giro.

3.3
Mercado de capitais
O objetivo do mercado de capitais é suprir as necessidades de investimentos
das unidades econômicas por meio de diversas ­modalidades de financiamen-
tos de médio e longo prazos, tanto para capital fixo ­quanto para capital de
giro. Também é possível encontrar, no mercado de ­capitais, financiamen-
tos com prazo indeterminado, como as operações que ­envolvem emissão e
subscrição de ações.

O mercado de capitais é o grande municiador de recursos perma­nentes para


a economia, em virtude da ligação que efetua entre os que têm capacidade
de poupança, os investidores, e aqueles que dependem de ­recursos de longo
prazo, ou seja, possuem déficit de investimento.

Atenção
Os países capitalistas mais desenvolvidos possuem mercados
de capitais fortes e dinâmicos.
A fraqueza desse mercado nos países subdesenvolvidos
dificulta a formação de poupança, constitui um sério
obstáculo ao desenvolvimento e ainda obriga esses países a
recorrerem aos mercados de capitais internacionais.

46
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 3

A seguir, você encontra listadas as principais modalidades de financia­mento


negociadas no mercado de capitais:

Ø Oferta pública de ações e debêntures.

Ø Securitização de recebíveis.

Ø Emissão de nota promissória.

Saiba mais
Índice Bovespa (Ibovespa)
É o índice que espelha o desempenho médio do preço
das ações mais negociadas na B3 – Brasil, Bolsa, Balcão.
­Representa o valor atual, em moeda corrente, de uma carteira
hipotética de ações constituída no primeiro dia útil de 1968.
Supõe-se que, desde então, nenhum investimento adicional
tenha sido efetuado, embora sejam incluídos os ajustes
efetuados em decorrência da distribuição de proventos –
dividendos, bonificações – pelas empresas emissoras.
A carteira teórica é integrada pelas ações que, em
conjunto, representam 80% do volume transacionado à
vista nos 12 meses anteriores à formação da carteira. A
representatividade dessa carteira hipotética é reforçada
pelo fato de as empresas emissoras das ações componentes
do índice serem responsáveis por cerca de 70% da
capitalização – isto é, pelo valor de mercado das ações –
do total das empresas registradas na bolsa. Para que tal
representatividade seja mantida, é feita uma reavaliação
quadrimestral, alterando-se a composição e o peso da
carteira. A B3 calcula e divulga seu índice em tempo real,
considerando os preços dos últimos negócios efetuados no
mercado à vista com as ações componentes de sua carteira.

3.4
Mercado de câmbio
No mercado de câmbio, são realizadas as operações de compra e venda de
moedas estrangeiras. Esse mercado reúne todas as unidades ­econômicas
que têm motivos para realizar transações com o exterior, via operadores

47
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 3

de comércio internacional, instituições financeiras, investidores ou bancos


centrais, ou, ainda, que tenham que realizar exportações e importações,
pagamentos de dividendos ou recebimento de capitais ou outros valores.

O Bacen atua nesse mercado visando, principalmente, ao controle das reser-


vas cambiais da economia e à manutenção do valor da moeda nacional em
relação a outras moedas internacionais.

O mercado cambial, no Brasil, encontra-se segmentado em:

Mercado de câmbio de taxas livres (câmbio comercial)

O câmbio comercial envolve as operações de importações e ex-


portações, pagamentos internacionais de juros e dividendos, em-
préstimos externos, investimentos de capital etc.

Mercado de câmbio de taxas flutuantes (câmbio turismo)

O câmbio de taxas flutuantes inclui negociações de moeda estran-


geira para operações de turismo e demais despesas relacionadas.

48
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 3

Fixando conceitos 3
Marque a alternativa correta.

1. Para fins de análise, o Mercado Financeiro pode ser dividido em quatro


segmentos: mercado monetário, mercado de crédito, mercado de capitais
e mercado de câmbio. Em relação a esses quatro segmentos do Mercado
Financeiro e às operações financeiras neles realizadas, podemos afirmar que:

(a) O mercado monetário visa suprir as necessidades de caixa de curto e


médio prazo das unidades econômicas.
(b) No mercado de capitais, as operações de captação de recursos são pre-
dominantemente intermediadas e de curto prazo.
(c) Os quatro segmentos do mercado financeiro trabalham de forma inde-
pendente, de modo que não há nenhuma ligação entre eles.
(d) O mercado de câmbio trabalha exclusivamente com instituições que
tenham de realizar exportações e importações.
(e) No mercado de crédito, os financiamentos se dão a partir de operações
tipicamente intermediadas.

2. O mercado de câmbio reúne todas as unidades econômicas que têm motivos


para realizar transações com o exterior, via operadores de comércio inter-
nacional, instituições financeiras, investidores ou bancos centrais. Podemos
afirmar que, no mercado de câmbio, são realizadas as operações de:

(a) Compra e venda de moedas estrangeiras.


(b) Emissão e subscrição de ações.
(c) Financiamento de bens de consumo duráveis praticados pelas socieda-
des financeiras.
(d) Controle da liquidez monetária da economia.
(e) Definição da meta da taxa de juros a ser praticada pelo Bacen.

3. O acompanhamento da inflação pode ser uma das principais funções da auto-


ridade monetária em qualquer país. No Brasil, o nome do comitê responsável
pela determinação da taxa básica de juros no regime de metas de inflação é:

(a) Comitê de Política Monetária.


(b) Comitê de Política Nacional.
(c) Comitê de Política Cambial.
(d) Comitê da Comissão de Valores Mobiliários.
(e) Comitê do Meio Circulante.
49
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 3

4. O mercado monetário visa suprir as necessidades de caixa de curtíssimo


e curto prazo das unidades econômicas. É correto afirmar que estrutura
do mercado monetário visa:

(a) Fiscalizar o mercado de ações e debêntures, tendo como parâmetro o


índice Bovespa.
(b) Controlar a liquidez monetária da economia, tendo como parâmetro de
referência a taxa de juros.
(c) Realizar a intermediação de compra e venda de moedas estrangeiras,
fazendo cumprir as orientações do CMN.
(d) Supervisionar as operações do mercado de seguro, fazendo cumprir as
determinações da SUSEP.
(e) Operar as transações do mercado de derivativos, analisando os riscos
de insolvência e de crédito.

5. O Mercado Financeiro é dividido em alguns segmentos específicos. O


segmento que contempla as operações financeiras de médio e longo pra-
zos é denominado:

(a) Mercado de capitais.


(b) Mercado monetário.
(c) Mercado de crédito.
(d) Mercado de câmbio.
(e) Mercado rotativo.

6. O Mercado Financeiro pode ser subdividido em quatro segmentos especí-


ficos. Qual segmento visa suprir as necessidades de caixa de curto e médio
prazos das várias unidades econômicas, seja por meio de concessões de cré-
dito às pessoas físicas ou por empréstimos e financiamentos às empresas?

(a) Mercado monetário.


(b) Mercado de crédito.
(c) Mercado de capitais.
(d) Mercado de câmbio.
(e) Comitê de Política Monetária (COPOM).

Consulte o gabarito clicando aqui.

50
4
Sistema
Financeiro
Nacional
Tópicos da unidade
4.1 O papel do Sistema
Financeiro Nacional
Objetivo
4.2 Estrutura do Sistema
Financeiro Nacional (SFN) Ø Compreender a formação e as funções do
Sistema Financeiro Nacional, bem como
4.3 Órgãos normativos a participação do mercado de seguros na
sua composição.
4.4 Entidades supervisoras

4.5 Operadores do
Mercado Financeiro

4.6 Investidores institucionais

4.7 Sistema Financeiro


Nacional e a tecnologia

4.8 Sandbox regulatório do


mercado de seguros

Fixando conceitos 4
O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é formado por diferentes tipos de ins-
tituições financeiras e seus respectivos agentes reguladores e fiscalizadores.
O SFN foi estruturado de forma a dar destaque aos órgãos normativos e
supervisores e à delimitação das áreas de competência de cada um deles.

O SFN reproduz a estrutura financeira segmentada dos Estados Unidos na


época em que as instituições financeiras eram especializadas em determinado
tipo de operação. Desde então, ocorreram mudanças, como: a possibilidade
de formação de conglomerados financeiros (com atuação em diversas áreas),
a criação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da ­Superintendência
de Previdência Complementar (Previc), entre outras, mas a estrutura bási-
ca montada em meados da década de 1960 prevalece até os dias de hoje.

52
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

4.1
O papel do Sistema
Financeiro Nacional
O SFN pode ser definido como o conjunto de instituições financeiras (públicas
e privadas) e instrumentos financeiros destinados a oferecer alternativas de
aplicação e de captação de recursos financeiros entre as unidades econô-
micas (famílias, empresas e Governo). Ele engloba não só o mercado finan-
ceiro, mas também o de seguros privados e de previdência complementar.

O mercado financeiro é o ambiente em que se realiza o fluxo financeiro entre


poupadores e tomadores a partir dos mais diversos instrumentos financeiros
existentes. Nesse mercado, busca-se otimizar a utilização dos recursos finan-
ceiros e criar condições adequadas de liquidez e de administração de riscos.

Instituições
Compõem o mercado financeiro diferentes tipos de
instituições financeiras, como bancos, corretoras, distri-
buidoras e ­seguradoras. Cada tipo de instituição exerce
funções específicas, de acordo com o que determinam
suas respectivas legislações.

Instrumentos financeiros
Podem ser divididos em duas classes:
Ø Instrumentos de dívida, como depósitos bancários,
debêntures e títulos públicos.
Ø Instrumentos de participação patrimonial ou
propriedade, entre os quais se destacam as ações.

Atenção
O Sistema Financeiro Nacional (SFN) foi originalmente
estruturado como o conjunto de instituições que integram
o mercado financeiro, com funções de intermediação
financeira, regulação e fiscalização.
O mercado financeiro é o ambiente em que se realiza o fluxo
financeiro entre poupadores e tomadores a partir dos mais
diversos instrumentos financeiros existentes. Nesse mercado,
busca-se otimizar a utilização dos recursos financeiros e criar
condições adequadas de liquidez e de administração de riscos.

53
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

4.2
Estrutura do Sistema
Financeiro Nacional (SFN)
Figura 4: Estrutura do SFN

Moeda, crédito, capitais e câmbio Seguros privados Previdência fechada


Órgãos normativos

CMN CNSP CNPC


Conselho Monetário Nacional Conselho Nacional Conselho Nacional de
de Seguros Privados Previdência Complementar
Supervisores

BCB CVM SUSEP Previc


Banco Central do Brasil Comissão de Superintendência Superintendência
Valores Mobiliários de Seguros Privados Nacional de Previdência
Complementar

Administradoras Entidades fechadas de


Bancos e caixas Bolsa de valores Seguradoras e
de consórcios previdência complementar
econômicas Resseguradores
(fundos de pensão)
Operadores

Cooperativas Bolsa de Entidades abertas


Corretoras e
de crédito mercadorias e de previdência
distribuidoras
futuros

Instituições de Demais
Sociedades
pagamento instituições
de capitalização
não bancárias

54
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

4.3
Órgãos normativos
Os órgãos normativos são responsáveis pela regulamentação do sistema
financeiro. São três os órgãos normativos do Sistema Financeiro Nacional,
cada um sendo responsável por determinado segmento do sistema.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) normatiza as atividades das ins-


tituições, bem como dos mercados supervisionados pelo Banco Central
(Bacen) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de ­regular as
aplicações das reservas dos investidores institucionais. É o órgão ­deliberativo
máximo do sistema e estabelece as diretrizes gerais das políticas mone­
tária, cambial e creditícia.

O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) é o órgão ­regulador do


mercado de seguros – que inclui as atividades das companhias de seguro, de
resseguro, das empresas de capitalização e das entidades de previdência aber-
ta – cujo órgão supervisor é a Superintendência de ­Seguros Privados (SUSEP).

O terceiro órgão normativo do Sistema Financeiro Nacional é o Conselho


Nacional de Previdência Complementar (CNPC), que normatiza as ativi­
dades dos fundos de pensão, supervisionadas pela Superintendência de
­Previdência Complementar (Previc).

4.4
Entidades supervisoras
As entidades supervisoras são responsáveis por supervisionar o bom fun-
cionamento do Sistema Financeiro Nacional. Elas possuem o ­objetivo de
supervisionar o segmento pelo qual são responsáveis, juntamente com o
órgão normativo a que estão subordinadas.

O Banco Central do Brasil (Bacen) executa e assegura a implementação


das orientações do Conselho Monetário Nacional. Suas principais respon-
sabilidades são garantir o poder de compra da moeda nacional e manter
a estabilidade do sistema financeiro e do sistema de pagamentos. Entre os
exemplos de atividades sob responsabilidade do Bacen, estão a emissão
de ­papel-moeda e de reservas bancárias, os recolhimentos compulsórios e
voluntários de ­instituições financeiras, a realização de operações de redes-
conto e de c­ ompra e a venda de títulos públicos federais.

55
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

Exercendo o seu papel de supervisão e fiscalização das instituições financeiras,


o Bacen também é responsável pela autorização do ­funcionamento dessas
instituições, estabelece condições para o exercício de cargos de direção nas
mesmas, vigia a interferência de outras empresas nos ­mercados financeiros
e de capitais, além de monitorar o fluxo de capital estrangeiro no País.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é responsável por disciplinar, fis-


calizar e desenvolver o mercado de valores mobiliários, ou seja, o mercado
de capitais, entendendo-se como tal aquele em que são negociados títulos e
ações emitidos por empresas que buscam captar, junto ao público, recursos
destinados ao financiamento de suas atividades. A CVM, portanto, asse-
gura o funcionamento eficiente e a regulação dos mercados de bolsa e de
balcão, protege titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares
e atos ilegais, coíbe fraudes, assegura acesso público às informações sobre
os valores negociados no mercado, entre outras atividades.

A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), por sua vez, fiscaliza a cons-


tituição, a organização, o funcionamento e a operação das socie­dades segu-
radoras, resseguradoras, de capitalização e entidades abertas de ­Previdência
Complementar, sempre zelando pela proteção dos interesses dos consumidores,
pela estabilidade, liquidez e solvência das sociedades que integram o mercado.

São competências da SUSEP:

1. Fixar diretrizes e normas da política de seguros privados,


capitalização, previdência complementar aberta e resseguros;

2. Regular a constituição, organização, funcionamento e fiscalização


dos que exercem atividades subordinadas ao Sistema Nacional de
Seguros Privados, bem como a aplicação das penalidades previstas;

3. Fixar as características gerais dos contratos de seguro, previdência


privada aberta, capitalização e resseguro;

4. Estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro;

5. Prescrever os critérios de constituição das Sociedades


Seguradoras, de Capitalização, Entidades Abertas de Previdência
Privada e Resseguradores, com fixação dos limites legais e técnicos
das respectivas operações;

6. Disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor;

7. Fixar as condições de constituição e extinção de entidades


autorreguladoras do mercado de corretagem, sua forma jurídica,
seus órgãos de administração e a forma de preenchimento de
cargos administrativos.

56
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) é a


autarquia supervisora das atividades das entidades fechadas de ­Previdência
Complementar e de execução das políticas para o regime de Previdência
Complementar operado por essas referidas entidades.

São competências da Previc:

1. Fiscalizar e supervisionar as atividades das Entidades Fechadas de


Previdência Complementar (EFPC);

2. Apurar e julgar infrações, aplicando as penalidades cabíveis;

3. Harmonizar as atividades das EFPC com as normas e políticas


estabelecidas para o segmento;

4. Decretar intervenção e liquidação extrajudicial das EFPC;

5. Promover a mediação e a conciliação entre EFPC e entre estas e


seus participantes, e

6. Executar políticas relacionadas aos planos de benefícios operados


pelas EFPC.

4.5
Operadores do
Mercado Financeiro
Agora, vejamos as entidades que operam no mercado financeiro, no dia a
dia, realizando a ligação entre as unidades econômicas do mercado.

4.5.1
Entidades supervisionadas
pelo Banco Central (BC)
Ø Bancos comerciais e múltiplos;

Ø Caixa Econômica Federal;

Ø Cooperativas de crédito;

Ø BNDES;

57
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

Ø Bancos de desenvolvimento e investimento;

Ø Instituições de câmbio;

Ø Sociedades financeiras;

Ø Sociedades de crédito imobiliário;

Ø Corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários e de câmbio;

Ø Sociedades de arrendamento mercantil;

Ø Administradoras de consórcios ;

Ø Outras.

ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS LIGADAS A BANCOS


Entre as administradoras de consórcios estão as administradoras dos
principais bancos, que também oferecem esse serviço para seus clientes.

Entre as entidades supervisionadas pelo Banco Central, vale destacar as


administradoras de consórcios, que são entidades que constituem e adminis-
tram consórcios. Os consórcios podem ser utilizados pelas corretoras como
mais um produto comercializado para seus clientes.

O que são os consórcios


e como funcionam:
Consórcio é um grupo fechado de pessoas, denominadas cotistas, que se unem
com a finalidade de formarem uma poupança comum visando à aquisição de
bens (móveis e imóveis) e serviços, conforme definidos e estabelecidos em con-
trato. As contribuições pagas geram créditos a todos os integrantes do grupo,
e esses valores são utilizados para a aquisição dos bens e serviços previstos.

Esses grupos são geridos por uma empresa denominada administradora de


consórcio, que é uma instituição autorizada a operar pelo Banco Central do
Brasil, e têm como objetivo social constituir e administrar consórcios, repre-
sentando os direitos e interesses dos membros dos grupos formados. Essas
empresas não realizam intermediação financeira. Apenas realizam gestão
de recursos de terceiros, e o seu ganho está na taxa de administração que
os consorciados pagam.

58
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

Funcionamento dos consórcios:


A contemplação, que é a atribuição de crédito ao consorciado para a aquisição
de bem ou serviço, acontece mensalmente e pode ocorrer de duas maneiras:

Ø Por meio de sorteios – que ocorrem mensalmente em data


­predeterminada;

Ø Por meio de lances – na prática, funciona como uma antecipação


das futuras parcelas do consórcio. O consorciado que fizer o maior
lance será o contemplado.

Na prática, o consórcio beneficia o consumidor que tem o perfil de poupar e


beneficia aqueles que conseguem se organizar financeiramente para fazer
as suas aquisições, pois se trata de um investimento de médio e longo pra-
zos. Normalmente, a adesão ao consórcio aumenta quando as taxas de juros
utilizadas nos financiamentos estão mais altas.

De acordo com o Banco Central do Brasil – instituição responsável pela regu-


lamentação e fiscalização dos consórcios – não existe empréstimo bancário
envolvido no processo, uma vez que o dinheiro vem das contribuições de todos
os consorciados. Ou seja, é um processo de autofinanciamento. Portanto, como
o dinheiro vem do próprio grupo de integrantes, não há cobrança de juros.

Então, além da taxa de administração, as administradoras de consórcios


podem cobrar:

Ø Contribuição para formação de fundo de reserva para o caso de


inadimplência ou outras situações; porém, quando o grupo for
encerrado, eventuais valores do fundo de reserva são devolvidos
proporcionalmente aos participantes;

Ø Valor de seguros contratados pela administradora como garantia


para o consorciado e seus herdeiros.

Para garantir o poder de compra de todos os consorciados, as parcelas do


grupo sofrerão atualização sempre que o preço do bem, objeto do grupo,
for reajustado no mercado. O reajuste das parcelas acontecerá mesmo
para os consorciados que já foram contemplados, pois assim é garantido
que todos os consorciados terão seus créditos atualizados no momento que
forem contemplados.

59
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

4.5.2
Entidades supervisionadas
pela Comissão de Valores
Mobiliários (CVM)
Ø Companhias abertas com ações negociadas em bolsas de valores;

Ø Bolsas de valores, mercadorias e futuros;

Ø Operações com valores mobiliários realizadas por sociedades cor-


retoras e distribuidoras;

Ø Fundos de investimento;

Ø Outras.

4.5.3
Entidades supervisionadas
pela Superintendência de
Seguros Privados (SUSEP)
Ø Sociedades seguradoras;

Ø Sociedades que atuam no resseguro;

Ø Entidades abertas de previdência complementar;

Ø Outras.

4.5.4
Entidades supervisionadas pela
Superintendência Nacional de
Previdência Complementar (Previc)
Ø Entidades fechadas de previdência comple­mentar
(Fundos de Pensão).

60
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

4.6
Investidores institucionais
As instituições financeiras supervisionadas pela SUSEP, CVM e Previc podem
ser classificadas como investidores institucionais.

O investidor institucional é uma entidade ou empresa que administra o capi-


tal de terceiros — que, por sua vez, podem ser pessoas ou outras empresas,
e suas aplicações seguem estratégias e diretrizes bem-definidas, buscando
sempre a maximização das rentabilidades.

Os investidores institucionais são responsáveis pela maior parte das opera-


ções realizadas no mercado de ações. Na maioria dos países, os investidores
institucionais são os maiores administradores de recursos de terceiros de
todo o sistema financeiro. Seu crescimento no Brasil estimula o desenvolvi-
mento do mercado de capitais, na medida em que se tornam importantes
participantes nos mercados acionários e de títulos privados.

4.6.1
Investidores institucionais
supervisionados pela SUSEP
As instituições supervisionadas pela SUSEP, como investidores institucionais,
aplicam, por legislação, suas reservas técnicas, ou provisões ­técnicas, no
mercado financeiro.

As reservas técnicas – também chamadas de provisões técnicas – são, sim-


plificadamente, o quanto de dinheiro a seguradora precisa manter (reservar)
em seu balanço de modo a arcar com os compromissos que deverá assumir
com seus segurados.

O correto dimensionamento das provisões técnicas é de fundamental impor-


tância para a saúde financeira da seguradora. Se forem superdimensionadas,
prejudicam a distribuição de lucros aos acionistas; se forem subdimensionadas,
ameaçam a solvência das empresas. O atuário é o profissional responsável
por seu cálculo.

61
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

As provisões se dividem em dois tipos:

Provisões com base em eventos ocorridos


Destinam-se ao atendimento de eventos já consumados, avisados
ou não à seguradora e ainda não pagos (“liquidados”, no jargão do
mercado). Há, portanto, a obrigação da companhia de indenizar
os respectivos segurados. São chamadas de reservas de sinistros.

Provisões com base em eventos futuros


Destinam-se a garantir o atendimento de eventos nos quais ainda
não existe o compromisso ou a obrigação da seguradora de inde-
nizar o segurado. São chamadas de reservas de prêmios.

Os valores devem ser aplicados conforme Resolução do Conselho ­Monetário


Nacional Nº 4.993 de 24/02/2022. As sociedades ­seguradoras, as sociedades
de capitalização, as entidades abertas de previdência complemen­tar e os
resseguradores devem observar os princípios de segurança, rentabilidade,
solvência, liquidez, diversificação, adequação à ­natureza de suas obrigações e
transparência. Observar, sempre que possível, os aspectos relacionados à sus-
tentabilidade econômica, ambiental, social e de governança dos investimentos.

As aplicações podem ser em ativos de renda fixa, renda variável, imóveis,


investimentos sujeitos à variação cambial e outros, seguindo os limites e as
restrições contidas na Resolução do CMN.

Os valores das reservas técnicas aplicados garantem o pagamento de sinis-


tros que venham a acontecer e também aumentam a formação de poupança
do Mercado Financeiro, possibilitando um aumento geral da produtividade,
da eficiência e do bem-estar da sociedade.

4.7
Sistema Financeiro Nacional
e a tecnologia
O setor financeiro se integra cada vez mais às mudanças tecnológicas, a ponto
de não podermos mais dissociá-los. Processos são digitalizados para mais
eficiência, e operações são descentralizadas. Todas essas novas experiên-
cias trazem um salto na inclusão da população, novas ofertas de produtos e
serviços e um cliente cada vez mais participativo.

62
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

A seguir, veremos as mudanças no mercado financeiro associadas ao uso


da tecnologia.

4.7.1
Open finance
Open finance, ou sistema financeiro aberto, é o compartilhamento padro-
nizado de dados e serviços financeiros por meio da integração de sistemas
entre instituições participantes e autorizadas pelo Banco Central do Brasil.

O open finance é uma evolução do open banking. O projeto open banking era
restrito a dados e serviços bancários tradicionais, enquanto o open finance
oferece o compartilhamento de dados relacionados a outros produtos e ser-
viços financeiros, por exemplo, câmbio, previdência, seguro e investimentos.

Na prática, clientes pessoa física ou jurídica de produtos e serviços financeiros


terão a liberdade de compartilhar o histórico financeiro. Informações como:
contas que foram pagas, o tipo de cartão, limites disponíveis, empréstimos
emprestados, produtos contratuais e muito mais. Este compartilhamento
será feito de forma voluntária, segura e gratuita.

Com esses dados, a instituição financeira poderá oferecer recomendações


mais convincentes, como serviços extras, isenções de cartão de crédito, taxas
de crédito mais baixas ou melhores condições de renovação.

Vantagens e benefícios:

Ø Com o open finance o cliente que escolhe como, quando e com quem
compartilhar os seus dados através do consentimento à instituição
detentora dos dados;

Ø O compartilhamento dos dados só pode ser feito com o consenti-


mento do cliente. O processo é 100% digital e realizado dentro de
um ambiente seguro, sob supervisão do Banco Central e seguindo
etapas e regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD);

Ø Sempre que desejar, a qualquer hora e em qualquer lugar, o cliente


poderá compartilhar os dados com a instituição escolhida de um
jeito prático e acessível;

Ø O cliente poderá dar acesso aos seus dados à instituição creden-


ciada que desejar. Os dados são seus e o sistema financeiro aberto
proporciona a você o direito de compartilhamento gratuito deles.

63
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)


A Lei Geral de Proteção de Dados, ou LGPD, Lei 13.709/2018, é a lei que
protege as operações de tratamentos de dados considerados pessoais. A
LGPD Estabelece regras sobre coleta, armazenamento, tratamento e com-
partilhamento desses dados pessoais, de forma a criar uma proteção aos
titulares de dados e também impor penalidades para quem não cumprir as
obrigações previstas na LGPD.

O setor de seguros será, entre os setores econômicos, um dos que sentirá


mais rapidamente os efeitos da LGPD, por se tratar de segmento que utiliza
dados como insumo de sua atividade, razão pela qual deverá promover as
alterações necessárias para o tratamento de dados em conformidade com a
lei e, com isso, reafirmar seu compromisso de atuação nas melhores práticas
na relação com o consumidor.

4.7.2
Fintechs
​F intechs são empresas que introduzem inovações nos mercados financei-
ros por meio do uso intenso de tecnologia, com potencial para criar novos
modelos de negócios. Atuam por meio de plataformas on-line e oferecem
serviços digitais inovadores relacionados ao setor.

No Brasil, há várias categorias de fintechs de: crédito, pagamento, gestão


financeira, empréstimo, investimento, financiamento, seguro, negociação
de dívidas, câmbio e multisserviços.

Estão regulamentadas desde abril de 2018 pelo Conselho Monetário Nacional


(CMN) – Resoluções 4.656 e 4.657 – e, para entrar em operação, devem
solicitar autorização ao Banco Central.

Benefícios das fintechs:

Ø Aumento da eficiência e concorrência no mercado de crédito;

Ø Rapidez e celeridade nas transações;

Ø Diminuição da burocracia no acesso ao crédito;

Ø Criação de condições para redução do custo do crédito;

Ø Inovação;

Ø Acesso ao Sistema Financeiro Nacional.


64
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

4.7.3
Meios de pagamento
Com o avanço da tecnologia da informação e, como consequência, a digitali-
zação dos sistemas financeiros, os meios de pagamentos vêm acompanhan-
do essa modernização, apesar de o dinheiro vivo ainda ser bastante usado.

Alternativas como o boleto bancário, as carteiras eletrônicas e o Pix são


importantes para atender as demandas do público. Elas atingem uma parcela
da população que, às vezes, nem tem conta em banco. Além disso, algumas
pessoas consideram essas soluções mais seguras do que a moeda em espécie.

São utilizados como meios de pagamentos:

1. Dinheiro
O pagamento em espécie ainda é o método preferido dos consu-
midores brasileiros em lojas físicas. Porém, um grande volume de
cédulas em circulação requer um espaço seguro para o armaze-
namento, incluindo uso de cofre.

2. Cartão de crédito
O cartão de crédito é o segundo meio mais utilizado no comércio físi-
co; já no e-commerce, ele é o campeão. A praticidade e a segurança
são algumas das razões para aderir a essa opção de pagamento.

3. Cartão de débito
Esse cartão é ótimo para pagamentos no ato da compra. O valor
é descontado da conta-corrente na mesma hora, de modo que o
cliente não corre risco de contrair dívidas. Tanto o cartão de crédi-
to quanto o de débito geram custos ao empreendimento, já que as
operadoras das maquininhas cobram taxas sobre cada transação.
Ainda assim, esses são meios de pagamento muito populares.

4. Boleto bancário
O boleto segue popular porque dispensa conta em banco. Com isso,
quem não tem cartão consegue efetuar compras parceladas, pa-
gando prestações como se fossem uma fatura de luz ou água. No
entanto, talvez devido à presença cada vez maior de soluções digitais
no comércio, essa alternativa vem perdendo destaque. No cenário
global, esse método de pagamento é praticamente inexistente.

65
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

5. Carteira digital
As e-wallets superaram o boleto bancário nas compras on-li-
ne, pois são práticas e possuem mecanismos digitais para evitar
fraudes. Elas atuam como um meio eletrônico para pagamentos
e transferências. Não é necessário ter um cartão físico, muito me-
nos dinheiro em espécie. Basta um aplicativo de smartphone para
realizar as operações.

6. Contactless
O pagamento por aproximação, ou contactless, é uma tendên-
cia de mercado. Nas interações presenciais, basta aproximar o
cartão, o celular ou outro dispositivo com tecnologia Near Field
­Communication (NFC). A maquininha registra a compra sem ne-
cessidade de digitar senha – algo mais higiênico em tempos de
­pandemia. O valor pode ser descontado do cartão de crédito ou da
e-wallet. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de ­Cartões
de Crédito e Serviços (Abecs), esse hábito está em expansão.

7. Pix
Pix é o pagamento instantâneo brasileiro. É o meio de pagamento
criado pelo Banco Central do Brasil em que os recursos são trans-
feridos entre contas em poucos segundos, qualquer hora do dia e
qualquer dia da semana, mesmo feriado. É prático, rápido e segu-
ro. O Pix pode ser realizado a partir de uma conta-corrente, conta
poupança ou conta de pagamento pré-paga. Além de aumentar a
velocidade em que pagamentos ou transferências são feitos e re-
cebidos, o Pix tem o potencial de alavancar a competitividade e a
eficiência do mercado, baixar o custo, aprimorar a experiência dos
clientes, incentivar a digitalização do mercado de pagamentos de
varejo, promover a inclusão financeira e preencher uma série de la-
cunas existentes na cesta de instrumentos de pagamentos disponí-
veis atualmente a população.

66
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

As principais características do Pix são:

Rápido
Transações concluídas em poucos segundos, recursos disponí-
veis para o recebedor em tempo real.

Disponível
24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive feriados.

Fácil
Experiência facilitada para o usuário.

Barato
Gratuito para pessoa física pagadora e custo baixo para os de-
mais casos.

Seguro
Robustez de mecanismos e medidas para garantir a segurança
das transações.

Aberto
Estrutura ampla de participação, possibilitando pagamentos
entre instituições distintas.

Versátil
Instrumento multiproposta, que pode ser usado para paga-
mentos independentemente do tipo e valor da transação, entre
pessoas, empresas e governo.

Integrado
Informações importantes para conciliação poderão cursar jun-
to com a ordem de pagamento, facilitando a automação de
processos e a conciliação dos pagamentos.

O Pix foi criado para ser um meio de pagamento bastante amplo.


Qualquer pagamento ou transferência que hoje é feito usando dife-
rentes meios (TED, cartão, boleto etc.), poderá ser feito com o Pix, sim-
plesmente com o uso do aparelho celular. Com o Pix, não é necessário
saber onde a outra pessoa tem conta. Você realiza a transferência a
partir, por exemplo, de um telefone na sua lista de contatos, usando a
chave Pix. Além de pagamentos e transferências, o consumidor terá
a opção de obtenção de dinheiro em espécie diretamente do lojista,
pagamento em data futura (podendo incluir juros, multas, acréscimos,
descontos e outros abatimentos) e pagamento em débito automático.

67
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

8.Drex
O drex será a moeda virtual oficial do Brasil. Trata-se, em suma,
de uma extensão das tradicionais cédulas físicas de dinheiro, mas
será transacionada exclusivamente no ambiente digital.

Entre as principais características, o drex:

• É classificado como Central Bank Digital Currency (CBDC, Moeda


Digital de Banco Central, na sigla em inglês);

• Será emitido e ficará sob custódia do Banco Central;


• A cotação frente a outras moedas será a mesma do real;
• A distribuição para o público será intermediada pelos bancos;
• Promete maior segurança jurídica e mais privacidade no com-
partilhamento de dados pessoais.

Utilizará uma rede blockchain permissionada, isto é, só terão


acesso instituições cadastradas, sejam bancos, fintechs ou institui-
ções de pagamento.

BLOCKCHAIN
Blockchain, em português “cadeia de blocos”, é uma tecnologia DLT
(Distributed Ledger Technology), que permite o registro público, seguro
e descentralizado de transações. Facilita o processo de gravação de
transações e rastreamento de ativos (tangíveis e intangíveis) em uma rede
de negócios. A principal característica da blockchain é sua descentralização.
Em vez de um único servidor ou autoridade central controlando o registro
das transações, a blockchain é mantida por uma rede de participantes.
Além das moedas digitais, o blockchain já é utilizado por diferentes setores
como mercado financeiro, energia, mídias e entretenimentos e o varejo.

Mais do que moeda digital, o drex pretende ser uma infraestrutura


que deverá integrar, pela primeira vez em um só lugar, tanto dinhei-
ro quanto ativos financeiros, a exemplo de ações, debêntures, títulos
públicos e até certificados de propriedade de imóveis e automóveis.

Entre os efeitos esperados, estão produtos financeiros melhores e


mais rentáveis para todos os participantes da cadeia (de emisso-
res a investidores), maior agilidade e disponibilidade para investir,
sem precisar necessariamente obedecer aos horários bancários,
além da possibilidade de surgimento de novos instrumentos.

68
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

Por esses motivos, há grande expectativa de que a novidade repre-


sente para o mercado financeiro um salto similar – ou até mais alto –
ao que foi dado pelo Pix na cultura de pagamentos do brasileiro.

4.7.4
Open insurance
O open insurance, ou sistema de seguros aberto, é a possibilidade de con-
sumidores de produtos e serviços de seguros, previdência complementar
aberta e capitalização permitirem o compartilhamento de suas informações
entre diferentes sociedades autorizadas/ credenciadas pela SUSEP, de forma
segura, ágil, precisa e conveniente.

O compartilhamento dos dados pessoais de clientes ou de serviços do escopo


do open insurance depende de prévio consentimento por parte dos respecti-
vos clientes. O consentimento deve-se caracterizar como manifestação livre,
informada, prévia e inequívoca de vontade, feita por meio eletrônico, pela
qual o cliente concorda com o compartilhamento de dados ou de serviços
para finalidades determinadas.

O compartilhamento dos dados por parte dos segurados impulsionará a concor-


rência e resultará em uma precificação mais precisa dos produtos de seguros,
o que pode se traduzir em preços mais competitivos para os consumidores.

69
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

Prós:
Mais poder nas mãos dos segurados: o novo modelo dá
mais poder ao cliente, uma vez que os segurados decidem
quais empresas terão acesso aos seus dados. Isso pode
estimular a competição e potencialmente levar a preços
mais competitivos.
Maior Concorrência e Escolha: o open insurance amplia
a concorrência ao permitir que os segurados compar-
tilhem seus dados com várias seguradoras. Isso dá aos
segurados a capacidade de escolher entre uma varie-
dade de opções e encontrar seguros que se adequem
melhor às suas necessidades.
Precificação Mais Precisa: com acesso a uma gama mais
ampla de informações sobre os clientes, as seguradoras
podem precificar produtos com mais precisão, o que pode
resultar em preços mais justos para os segurados.

Contras:
Desafios de Segurança de Dados: com o compartilha-
mento expandido de dados, a segurança das informações
dos clientes torna-se um desafio crítico. O risco de viola­
ções de dados e ataques cibernéticos pode aumentar,
exigindo investimentos significativos em cibersegurança.
Complexidade Regulatória: a regulamentação do open
insurance deve ser cuidadosamente elaborada para
garantir a proteção dos consumidores e a integridade do
mercado. A conformidade com a Lei Geral de Proteção
de Dados (LGPD) é essencial e pode ser complexa.

Sociedade Processadora
de Ordem do Cliente (SPOC)
As Sociedades Processadoras de Ordem do Cliente, SPOC, são as institui-
ções que servirão de meio para transmissão da ordem dada pelo cliente e,
com isso, é inserida a participação do corretor no âmbito do open insurance.

As SPOCs devem requerer aprovação na SUSEP e renovar esse credencia-


mento a cada cinco anos. Não podem reter riscos de seguros, operar pla-
nos de previdência complementar aberta ou emitir títulos de capitalização.

70
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

Outros requisitos incluem transparência, governança, segurança cibernéti-


ca e prevenção à lavagem de dinheiro. São proibidas de armazenar dados
dos clientes por tempo excessivo, exigindo apenas informações necessárias
para os serviços.

A SPOC deve promover uma entrega de valor mais concreta ao usuário final,
que, na palma da mão, terá o controle sobre a contratação dos seguros e
mais autonomia para fazer mudanças, como pedir endosso, portabilidade
e realizar novas contratações, além de possibilitar a interoperabilidade com
outros ecossistemas digitais no âmbito do open finance.

Resumo
O Open Insurance tem o potencial de transformar o setor de seguros no
Brasil, tornando-o mais competitivo, acessível e centrado no consumidor. No
entanto, também apresenta desafios significativos, como a segurança dos
dados e a necessidade de regulamentação eficaz. O sucesso dessa iniciativa
dependerá da colaboração entre o governo, as seguradoras, corretores e
os consumidores.

4.8
Sandbox regulatório
do mercado de seguros
O sandbox regulatório é uma iniciativa que permite que instituições já autori-
zadas e ainda não autorizadas a funcionar pela SUSEP possam testar projetos
inovadores e sustentáveis (produtos ou serviços experimentais) com clientes
reais, sujeitos a requisitos regulatórios específicos.

A SUSEP estabelece as condições para autorização e funcionamento, por


tempo determinado, de sociedades seguradoras participantes exclusiva-
mente de ambiente regulatório experimental (sandbox regulatório) que
desenvolvam projeto inovador mediante o cumprimento de critérios e limites
previamente estabelecidos.

O ambiente regulatório experimental (sandbox regulatório) visa selecionar


projetos inovadores, sustentável, focados em tecnologia, redução de custos
para o consumidor, escalável, diferente do que é oferecido no mercado, e
processo de contratação e cancelamento simplificado.

71
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 4

Entre os critérios de análise, está a apresentação de produtos e serviços


que possam ser comercializados em escala e que estejam prontos para
entrar no mercado.

O foco do sandbox regulatório está em produtos massificados de curto prazo


e, com isso, estão excluídos os segmentos de previdência, resseguros, grandes
riscos e responsabilidade civil, por exemplo.

72
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 4

Fixando conceitos 4
Marque a alternativa correta.

1. Por meio do Sistema Financeiro Nacional, viabiliza-se a relação entre as


unidades econômicas e, consequentemente, o crescimento da economia.
Pode-se definir o Sistema Financeiro Nacional como o conjunto de:

(a) Instrumentos destinados à captação e à aplicação de recursos financeiros.


(b) Instituições destinadas à captação e à aplicação de recursos financeiros.
(c) Instrumentos que facilitam a transferência de recursos entre poupadores
e tomadores.
(d) Instituições e instrumentos destinados a oferecer alternativas de aplica-
ção e captação de recursos financeiros.
(e) Instituições que fiscalizam e regulamentam o setor financeiro.

2. As entidades supervisoras do Sistema Financeiro Nacional possuem o


objetivo de supervisionar o segmento pelo qual são responsáveis, junta-
mente com o órgão normativo a que estão subordinadas. A SUSEP – uma
das entidades supervisoras do Sistema Financeiro Nacional – tem, entre
as suas atribuições:

(a) Fiscalizar as operações das sociedades de capitalização, seguro, resse-


guro e previdência complementar fechada.
(b) Zelar pela liquidez e solvência dos fundos de pensão.
(c) Zelar pela estabilidade, liquidez e solvência das sociedades que integram
o mercado de seguros, resseguros, capitalização e entidades abertas de
previdência complementar.
(d) Receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições finan-
ceiras supervisionadas.
(e) Disciplinar os investimentos de todas as instituições financeiras classifi-
cadas como investidores institucionais.

73
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 4

3. É relevante para o investidor ter noção do comportamento das institui-


ções presentes no País. O órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro
Nacional, o qual estabelece as diretrizes gerais das políticas monetária,
cambial e creditícia, é o:

(a) Conselho Monetário Nacional.


(b) Comitê de Política Monetária.
(c) Comissão de Valores Mobiliários.
(d) Conselho de Atividades Financeiras.
(e) Conselho da Moeda.

4. O sandbox regulatório é uma iniciativa que permite que as instituições


já autorizadas e aquelas ainda não autorizadas a funcionar possam testar
projetos inovadores (produtos ou serviços experimentais). O objetivo do
sandbox regulatório é:

(a) Permitir que as instituições não autorizadas possam funcionar sem restrições.
(b) Testar projetos inovadores com clientes reais, sem a necessidade de
cumprir requisitos regulatórios.
(c) Selecionar projetos inovadores, focados em tecnologia e redução de
custos para o consumidor.
(d) Desenvolver produtos massificados de longo prazo, como previdência
e resseguros.
(e) Desenvolver produtos de grandes riscos e responsabilidade civil.

5. O Sistema Financeiro se integrou às mudanças tecnológicas, em que


processos foram digitalizados para conferir mais eficiência e descentra-
lizar as operações. Uma dessas mudanças foi a entrada de empresas que
introduziram inovações nos mercados financeiros por meio do uso intensivo
de tecnologia com potencial para criar novos modelos de negócios. Essas
empresas são conhecidas como:

(a) Pix.
(b) Fintechs.
(c) Carteira digital.
(d) Criptomoedas.
(e) Cartão de débito.

74
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 4

6. O Sistema Financeiro Nacional é constituído por diversos tipos de institui-


ções financeiras e seus respectivos agentes reguladores e fiscalizadores que
atuam em diferentes ramos. A entidade que é responsável por assegurar o
funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão é o(a):

(a) Superintendência Nacional de Previdência Complementar.


(b) Banco Central do Brasil.
(c) Banco do Brasil.
(d) Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
(e) Comissão de Valores Mobiliários.

Consulte o gabarito clicando aqui.

75
5
Instrumentos
Financeiros
Tópicos da unidade
5.1 Características dos 5.5 Títulos do Tesouro Direto
instrumentos financeiros
5.6 Derivativos
5.2 Instrumentos de
captação emitidos por 5.7 Criptomoedas
instituições financeiras
5.8 Previdência privada
5.3 Instrumentos financeiros complementar
emitidos por empresas
não financeiras
5.9 Estrutura do sistema
5.4 Fundos de investimento
Fixando conceitos 5
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

Objetivos da Unidade
Ø Compreender as características dos instrumentos financeiros, seus
emissores e as especificidades de cada instrumento, reconhecendo
a aplicação desses instrumentos em situações práticas de negócios
de seguros.

Ø Aprender sobre os instrumentos financeiros utilizados pelas instituições


financeiras para captação de recursos no mercado financeiro,
reconhecendo seus emissores e suas características.

Ø Conhecer os fundos de investimentos do mercado financeiro, classificando-


os de acordo com o principal fator de risco associado à carteira do fundo.

Ø Conhecer os instrumentos financeiros de captação de recursos


emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar as dívidas do Governo.

Ø Entender as operações de captação e proteção realizadas no


mercado futuro.

77
Os instrumentos financeiros são emitidos por instituições financeiras, por
empresas e pelo Governo. Cada instrumento possui características próprias
de risco, liquidez e rentabilidade.

A seguir, vamos falar detalhadamente sobre cada um deles.

5.1
Características dos
instrumentos financeiros

5.1.1
Risco – Liquidez – Rentabilidade
É difícil estabelecer uma relação precisa e universal entre risco, liquidez e
rentabilidade, uma vez que esses fatores variam dependendo do tipo de
investimento e do contexto. No entanto, é possível criar uma representação
conceitual que destaque a interação entre esses elementos:

78
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

À medida que o nível de risco de um investimento aumenta, a liquidez pode


diminuir, tornando-o mais difícil de comprar ou vender rapidamente. No entan-
to, o potencial de rentabilidade tende a aumentar, uma vez que investimentos
mais arriscados normalmente têm a possibilidade de gerar maiores retornos.

Risco ↑ → Liquidez ↓ → Rentabilidade ↑

Por outro lado, investimentos mais seguros e líquidos tendem a oferecer


menor potencial de rentabilidade, mas são mais fáceis de comprar e vender
no mercado. Portanto, há uma relação inversa entre risco e liquidez.

Risco ↓ → Liquidez ↑ → Rentabilidade ↓

A rentabilidade está relacionada ao risco e à liquidez, mas não é necessaria-


mente diretamente proporcional. Alguns investimentos podem ter níveis de
risco similares, mas com diferentes graus de liquidez e rentabilidade.

Tenha em mente que essa relação é simplificada e não se aplica a todos os


investimentos. A gestão de portfólio e a seleção de ativos requerem uma
análise mais detalhada, levando em consideração o contexto específico,
objetivos de investimento, prazos e tolerância ao risco do investidor. Além
disso, diferentes ativos financeiros e classes de ativos têm suas próprias
características e seus comportamentos em relação a esses fatores.

5.1.2
Classificação dos
instrumentos de Renda Fixa
Ø Prefixados: quando os juros são conhecidos no momento em que o
instrumento é negociado.

Ø Pós-fixados: quando a remuneração ao investidor é estabelecida


de acordo com a variação do indexador.

79
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

5.2
Instrumentos de
captação emitidos por
instituições financeiras
O objetivo desta parte do material é dar uma noção geral dos principais
instru­mentos de captação existentes no Mercado Financeiro. Por essa razão,
trataremos os que julgamos importantes por serem os mais falados em nosso
dia a dia, seja na mídia impressa ou falada, seja no cotidiano de um profis-
sional como um corretor de seguros.

5.2.1
Depósitos à vista
São também denominados depósitos em conta-corrente. Não são remunerados,
mas são os mais líquidos e, como já vimos, são livres de risco até um certo limite.

5.2.2
Depósitos a prazo
É a denominação oficial dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), sendo
atualmente a mais importante fonte de captação de recursos dos bancos.
Os CDBs têm prazos mínimos que, geralmente, variam de 30 a 120 dias. São
títulos nominativos, de renda fixa (rentabilidade prefixada ou ­pós-fixada),
emitidos por bancos na modalidade de depósitos a prazo, ­sendo o prazo
definido no momento da negociação.

5.2.3
Depósitos de poupança
Mais conhecidos como caderneta de poupança. Desde 2012, a caderneta
de poupança possui uma nova forma de cálculo de remuneração. Por essa
regra, o dinheiro depositado na poupança será corrigido mensalmente pelo
equivalente a 70% da taxa básica de juros (taxa Selic) mais a variação da

80
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

Taxa Referencial (TR). Isso valerá sempre que a meta Selic estiver em 8,50%
ao ano ou em patamar menor. Se a taxa estiver acima disso, o rendimento
­continuará sendo o tradicional: 0,5% ao mês mais a variação da TR.

Esse investimento pode ser resgatado a qualquer momento, mas, caso o res-
gate ocorra fora da “data de aniversário”, o investidor perde a remuneração
equivalente aos dias decorridos após a data de aniversário (mensal) anterior.

Atenção
Os rendimentos da caderneta de poupança são isentos de
Imposto de Renda (IR) para as pessoas físicas.
Já para as aplicações realizadas por pessoas jurídicas, a
cobrança de IR será influenciada pelo tipo de instituição:
para as empresas sem fins lucrativos, os rendimentos serão
isentos, mas, para as demais organizações, serão tributados.

5.2.4
Letras financeiras
Oferecidas no mercado brasileiro desde 2010, as letras financeiras são títulos
de dívida privados emitidos por instituições financeiras para a captação de
recursos. São instrumentos de renda fixa que garantem mais flexibilidade às
instituições financeiras na captação de recursos, na medida em que podem
ser ajustadas às suas necessidades. As letras financeiras estão livres do reco-
lhimento do depósito compulsório; dessa forma, apresentam rentabilidades
superiores às dos CDBs.

Entretanto, as letras financeiras apresentam algumas desvantagens em rela-


ção aos CDBs. Em primeiro lugar, porque o valor mínimo para ­aplicação é de
R$ 150 mil, o que restringe o rol de investidores pessoa física. Em ­segundo lugar,
porque só podem ser resgatadas após 24 meses; portanto, são ­instrumentos
menos líquidos do que os CDBs. Além disso, a letra financeira não possui a
garantia do FGC .

81
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

FGC – FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO


O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – entidade privada e sem fins
lucrativos – administra um mecanismo de proteção aos correntistas,
poupadores e investidores, que permite recuperar os depósitos ou créditos
mantidos em instituições financeiras, em caso de intervenção, liquidação ou
falência. O valor máximo por conglomerado financeiro e de R$ 250.000,00
por depositante ou aplicador, independentemente do valor total e da
distribuição em diferentes formas de deposito e aplicação.

5.2.5
Outros tipos de captação bancária
Veja alguns outros exemplos:

Ø LCI – Letra de Crédito Imobiliário: recursos aplicados são direcio-


nados para financiamentos habitacionais.

Ø LCA – Letra de Crédito do Agronegócio: título emitido por instituições


garantido por empréstimos concedidos ao setor de agronegócio.
Esses títulos foram criados pelo Governo com objetivo de ampliar os
recursos disponíveis ao financiamento agropecuário.

Ø CDI – Certificados de Depósito Interfinanceiro: instrumento financeiro


utilizado para a captação de recursos entre ­instituições financeiras,
que serve como lastro para as operações do mercado interbancário.

82
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

5.3
Instrumentos financeiros
emitidos por empresas
não financeiras

5.3.1
Ações
As ações são títulos de propriedade, isto é, representam a propriedade de uma
fração da empresa emissora. Sua valorização depende do comporta­mento
do mercado acionário e, portanto, são consideradas títulos de ­renda variável.

Existem duas espécies de ações: ordinárias e preferenciais.

As ações ordinárias dão direito a voto nas Assembleias dos Acionistas,


enquanto os portadores de ações preferenciais têm predileção pela distri-
buição de dividendos e estão na frente dos detentores de ações ordinárias,
como credores, no caso de falência da empresa.

O investidor, além de poder se beneficiar de um ganho de capital representado


por uma eventual valorização da cotação da ação da empresa, pode receber:

Dividendos
Parcela do lucro líquido distribuído aos acionistas.

Bonificações
Quando a empresa aumenta seu capital, pode haver dis-
tribuição gratuita de ações aos acionistas, em proporção
ao número de ações já possuídas.

Direito de subscrição
No caso de emissão de novas ações da empresa, os acio-
nistas têm o direito de adquirir as novas ações da empre-
sa antes que sejam oferecidas ao público. Se esse direito
não for exercido, as novas ações podem ser vendidas na
bolsa.

83
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

5.3.2
Debêntures
São títulos de dívida emitidos por sociedades por meio de ações, de ­capital
aberto ou fechado. São nominativos, negociáveis e de médio e longo prazos.
Rendem juros fixos ou variáveis e podem possuir cláusulas de correção monetária.

É comum que as empresas ofereçam garantias reais para esses papéis, cujas
características podem ser renegociadas ao longo do contrato. Os contratos
de emissão de uma debênture podem prever sua conversão em ações ao
término do contrato.

Debêntures são instrumentos de captação de recursos que oferecem uma


significativa flexibilidade às companhias emissoras. As companhias podem
determinar as formas de remuneração, os fluxos de amortização dos títulos e
as garantias oferecidas como melhor lhes convier. Essa flexibilidade permite
que as parcelas de amortização e as condições de remuneração se ajustem
ao fluxo de caixa da companhia, a algum projeto que a emissão porventura
possa estar financiando e às condições de mercado no momento da emissão.

Observação
Mercado primário
É quando o título é lançado pela primeira vez no mercado,
ou seja, quando é feita a emissão primária do título, e, nesse
momento, ocorre aporte de recursos para a empresa emissora.

Mercado secundário
Negociação de títulos após a emissão primária. Nesse
caso, os títulos trocam de mãos, sem que a empresa receba
qualquer recurso. A existência de um mercado secundário
é de fundamental importância para estimular a emissão
primária ao conferir liquidez para os títulos.

Empresas de capital aberto estão autorizadas a fazer oferta pública de


debêntures, que, então, podem ser negociadas na bolsa. Seus maiores
demandantes são os investidores institucionais, que geralmente carregam
esses títulos até seu vencimento. Isso ajuda a explicar o fato de não haver
ainda um mercado secundário tão amplo para esses papéis como os verifi­
cados em outros países.

84
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

5.3.3
Notas promissórias
As notas promissórias, que são também chamadas de commercial papers,
são títulos cujo prazo de vencimento varia de 30 a 180 dias, quando emiti-
das por companhia de capital fechado, ou de 30 a 360 dias, na hipótese de
emissão por companhia de capital aberto. Seu rendimento é, na maioria
dos casos, prefixado e, ao contrário do que ocorre com as debêntures, as
empresas emissoras não oferecem garantias reais.

5.4
Fundos de investimento

5.4.1
Definições
Fundo de investimento é um conjunto de recursos monetários formado por
depósitos de grande número de investidores que se destinam à aplicação
coletiva em carteira de títulos e valores mobiliários.

Observação
Os fundos de investimento têm crescido em muitos países,
em detrimento da base tradicional de depósitos dos bancos,
apesar de não haver qualquer tipo de seguro para os
cotistas em caso de quebra de um fundo mútuo.

Os fundos de investimento são representados por grupos de investidores que


reúnem, em fundo comum, os recursos monetários de muitos investi­dores,
vendendo-lhes cotas de participação e podendo obter condições mais favo-
ráveis de negociação.

Os fundos são regidos por um regulamento a partir do qual são estabele­


cida­s todas as regras de seu funcionamento e demais informações ­relevantes,
como: tipos de ativos que irão compor a sua carteira, limites ­máximos e míni-
mos para cada um dos ativos, estratégias de investimento, perfil de risco etc.

85
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

As principais decisões que envolvem o patrimônio dos fundos de investimento


são tomadas em assembleia geral de cotistas. Nelas, são ­deliberadas as polí-
ticas de investimento, a prestação de contas do administrador, as alterações
do regulamento do fundo, a definição da taxa de administração, entre outras.

A gestão do fundo de investimento e exercida por um administrador eleito por


seu cotistas e por um gestor. A responsabilidade dos dois é ampla, cobrindo
desde a gestão da carteira de títulos e valores mobiliários até a execução das
atividades operacionais e legais relacionadas com o fundo e seus cotistas.

A taxa de administração é cobrada pela instituição financeira para remunerar


os serviços prestados de administração do fundo e de gestão da ­carteira. O
percentual dessa taxa é fixado pela própria administradora do fundo, sendo
cobrada sobre o valor total da aplicação de cada cotista, independentemente
do resultado alcançado.

A taxa de performance é cobrada com base no desempenho apresentado


pela carteira do fundo de investimento em relação a um índice de mercado.

Todo participante de um fundo de investimento detém determinada quanti­


dade de cotas que, por sua vez, corresponde a uma fração ideal de seu
patrimônio e é determinada pela relação entre o capital aplicado e o valor
do patrimônio do fundo.

O valor da carteira de um fundo de investimento varia diariamente devido


às entradas e saídas de cotistas e comportamento dos valores de seus ativos
no mercado financeiro.

É importante destacar que os fundos de previdência se diferenciam dos


demais fundos de investimento por não ocorrer a cobrança do Imposto de
Renda (IR) na fonte, que acontece duas vezes ao ano, ao final de maio e de
novembro. Nos fundos de previdência privada, a tributação ocorre somente
no resgate.

Atenção
Uma importante vantagem dos fundos de previdência é
a possibilidade de pagar uma alíquota de IR menor sobre
os lucros na hora do resgate e ainda ter a possibilidade de
aumentar a sua restituição de IR no ano seguinte à aplicação
no fundo.

86
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

A estrutura dos fundos, a partir de abril de 2024, em razão das modificações


implementadas pela Resolução CVM 175 de 23/12/2022, entra em vigor a
estrutura de multiclasses. Nesse novo modelo, os fundos podem ser subdi-
vididos em classes e subclasses com diferentes estratégias de investimento,
ativos e critérios de elegibilidade para investidores. Isso permite que um úni-
co fundo acomode diferentes tipos de ativos e estratégias de investimento.

Para que um fundo de investimento chegue ao mercado é necessário que


seja feito um registro junto a CVM. Além disso, periodicamente a CVM rece-
be informações sobre a composição das carteiras dos fundos registrados
e também disponibiliza as informações ao público. O objetivo dessa divul-
gação é dar transparência aos investidores e ao público em geral sobre os
fundos de investimento.

É aconselhável ler cuidadosamente os documentos de divulgação ou mate-


riais informativos fornecidos aos investidores por fundos de investimento.
Esses documentos contêm informações importantes sobre o fundo, sua
estratégia de investimento, histórico de desempenho, custos, riscos e outros
detalhes relevantes.

5.4.2
Classificação dos
fundos de investimento
As classificações são definidas a partir do principal fator de risco associado
à carteira do fundo, que pode ser o índice de preço, a taxa de juros, o índice
de ações ou o preço do ativo, cuja variação pode produzir maiores efeitos
sobre o valor da sua aplicação no fundo. São elas:

Fundos de Curto Prazo


Devem investir seus recursos, exclusivamente, em títulos públicos
federais ou privados de baixo risco de crédito com prazo máximo
a decorrer de 375 dias e prazo médio da carteira de, no máximo,
60 dias.

Estes fundos têm a rentabilidade geralmente associada às taxas Selic


ou CDI e considerados mais conservadores quanto ao risco, sendo
compatíveis com objetivos de investimento de curto prazo, pois suas
cotas são menos sensíveis às oscilações das taxas de juros.

87
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

Fundos Referenciados
Devem acompanhar a variação do indicador de desempenho
(benchmark) definido em seu objetivo. Entre os referenciados, o
fundo mais popular é o DI, cujo objetivo de investimento é acom-
panhar a variação diária das taxas de juros no mercado inter-
bancário (CDI). Como este tipo de fundo procura acompanhar a
variação das taxas de juros, pode se beneficiar de um cenário de
alta dessas taxas.

Fundos de Renda Fixa


Os Fundos de Renda Fixa devem ter como principal fator de risco a
variação da taxa de juros e/ou de índice de preços A rentabilidade
pode ser beneficiada pela inclusão, em carteira, de títulos que apre-
sentem maior risco de crédito, como os títulos privados.

Fundos de Ações
São também chamados de fundos de renda variável e devem in-
vestir seu patrimônio em ações negociadas em bolsa ou mercado
de balcão organizado e em outros valores mobiliários relacionados
a ações. Alguns fundos deste tipo têm como objetivo de investi-
mento acompanhar ou superar a variação de um índice do merca-
do acionário, tal como o Ibovespa.

Como seu principal fator de risco é a variação nos preços das


ações que compõem sua carteira, podem ser compatíveis com ob-
jetivos de investimento de longo prazo e que suportem uma maior
exposição a riscos em troca de uma expectativa de rentabilidade
mais elevada.

Fundos Cambiais
Devem manter seu patrimônio investido em ativos que sejam re-
lacionados, direta ou indiretamente, à variação de preços de uma
moeda estrangeira, ou a uma taxa de juros denominada cupom
cambial.

Os mais conhecidos são os chamados fundos cambiais dólar, que


buscam acompanhar a variação de cotação da moeda americana.
Geralmente, o crédito do resgate se dá no dia seguinte ao da solicitação.

88
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

Fundos de Dívida Externa


Devem aplicar seu patrimônio em títulos representativos da dívida
externa de responsabilidade da União e podem utilizar derivativos,
negociados no Brasil ou não, com o objetivo exclusivo de proteção.
Os títulos componentes de sua carteira são mantidos fora do País.
Para o investidor no Brasil, este fundo é uma forma ágil e de bai-
xo custo operacional para aplicar em papéis do governo brasileiro
negociados no exterior.

Fundos Multimercado
Devem apresentar política de investimento que envolva vários fato-
res de risco, sem o compromisso de concentração em nenhum fator
em especial, podendo investir em ativos de diferentes mercados –
como renda fixa, câmbio e ações – e utilizar derivativos tanto para
alavancagem quanto para proteção da carteira.

Considerados os fundos com maior liberdade de gestão, buscam


rendimento mais elevado em relação aos demais, mas também
apresentam maior risco, sendo, portanto, compatíveis com objeti-
vos de investimento que, além de procurar diversificação, tolerem
uma grande exposição a riscos na expectativa de obter uma ren-
tabilidade mais elevada.

Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC)


Também conhecido como fundos de recebíveis, destina-se exclu-
sivamente a investidores qualificados e pode ser constituído sob
a forma de condomínio aberto ou fechado. Destina parcela pre-
ponderante de seu patrimônio líquido para aplicação em direitos
creditórios, que são direitos e títulos representativos de crédito, ori-
ginários de operações realizadas nos segmentos financeiro, comer-
cial, industrial, imobiliário, de hipotecas, de arrendamento mercantil
e de prestação de serviços.

INVESTIDORES QUALIFICADOS
São considerados investidores qualificados as instituições financeiras,
as entidades de previdência, os fundos de investimento destinados a
investidores qualificados e as pessoas físicas e jurídicas que possuam
investimentos financeiros acima de 300 mil reais e atestem por escrito sua
condição de investidor qualificado.

89
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

Fundo de Investimento Imobiliário (FII)


Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) são veículos de inves-
timento que reúnem recursos de diversos investidores com o pro-
pósito de aplicá-los em empreendimentos imobiliários. Eles podem
investir em diversos tipos de ativos imobiliários, como imóveis, tí-
tulos relacionados a empreendimentos imobiliários e até mesmo
empreendimentos em construção. Os cotistas dos FIIs detêm cotas
que representam uma participação no fundo, e seus rendimentos
são gerados principalmente a partir de aluguéis, juros de títulos e
ganhos de capital na venda de ativos.

Uma característica importante dos FIIs é a sua liquidez, pois as co-


tas geralmente são negociadas em bolsas de valores ou mercados
de balcão organizado, permitindo que os investidores comprem e
vendam suas cotas de forma semelhante às ações. Os rendimen-
tos gerados pelos FIIs são frequentemente distribuídos aos cotistas
periodicamente, muitas vezes mensalmente, seguindo a legislação
tributária. É importante notar que os cotistas não têm direitos
reais sobre os imóveis do fundo e não respondem pessoalmente
por obrigações legais ou contratuais relacionadas aos ativos do
fundo. Os FIIs representam uma maneira acessível e diversificada
de investir no mercado imobiliário, oferecendo potencial para ren-
dimentos e ganhos de capital.

Fundo de Índices (ETF)


Conhecidos também como ETFs (Exchange Traded Funds), são
fundos de investimento que visam refletir as variações e a rentabi-
lidade de um índice de referência (índice subjacente). É constituído
sob a forma de condomínio aberto e suas cotas são negociáveis
em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado. É um tipo
de investimento relativamente novo no Brasil, mas que vem regis-
trando um crescimento constante no volume de ativos.

Ao adquirir cotas de um determinado Fundo, o investidor passa


a deter todas as ações componentes do índice a ele relacionado,
sem ter de comprar separadamente os papéis de cada empresa.
Desta forma, os Fundos de Índices podem proporcionar maior
praticidade, rapidez e eficiência no momento de investir, além de
facilidade para acompanhar seu desempenho, que está associado
ao do respectivo índice.

Fundo de Investimento em Participações (FIP)


Também conhecido como Private Equity, é destinado exclusiva-
mente a investidores qualificados e deve ser constituído sob a for-
ma de condomínio fechado.
90
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

Seus recursos são destinados à aquisição de ações, debêntures,


bônus de subscrição e outros títulos e valores mobiliários conversí-
veis ou permutáveis em ações de emissão de companhias abertas
ou fechadas. Tais aquisições devem propiciar ao fundo participação
no processo decisório da companhia investida, com efetiva influên-
cia na definição de sua política estratégica e na sua gestão.

Fundos de Investimento em Cotas


Os fundos que contém em seu nome a expressão “Fundo de
Investimento em Cotas de Fundos de Investimento”, também co-
nhecidos como FIC ou FICFI, são fundos que em vez de investir
diretamente nos ativos objetos de seu regulamento, optam por
adquirir cotas de outros fundos de investimento.

Fundos ESG
Os fundos ESG investem em empresas ou ativos que atendem a cri-
térios favoráveis em relação aos pilares Environmental (Ambiental)
– Social – Governança, buscando não apenas retornos financeiros,
mas também impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. Os
investidores que desejam apoiar causas sustentáveis e éticas podem
optar por fundos ESG como uma maneira de canalizar seus recursos
para empresas que compartilham esses valores.

5.5
Títulos do Tesouro Direto
Assim como fazem muitas empresas, o Governo financia seu déficit por meio
da venda de títulos, conhecidos genericamente como títulos públicos. Esses
títulos compõem a dívida pública mobiliaria ou, simplesmente, dívida pública.

O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em par-


ceria com a B3 para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas,
de forma 100% online. O Programa surgiu com o objetivo de democratizar
o acesso aos títulos públicos, permitindo aplicações a partir de R$ 30,00.

O Tesouro Direto oferece títulos com diferentes tipos de rentabilidade


(prefixada, ligada à variação da inflação ou à variação da taxa de juros
básica da economia – Selic), diferentes prazos de vencimento e diferentes
fluxos de remuneração.

91
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

Os principais títulos públicos são os seguintes:

Prefixados
Os títulos prefixados são aqueles que têm taxa de juros fixa, ou
seja, você já conhece no momento do investimento. É o investimen-
to ideal para quem quer saber exatamente o valor que receberá
ao final da aplicação, no vencimento do título.

Tesouro Selic
Os títulos tesouro Selic são títulos pós-fixados que possuem
rentabilidade atrelada à taxa Selic mais uma taxa prefixada de
juros.

Tesouro IPCA
A rentabilidade desse título está atrelada à inflação, medida pela
variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo –
IPCA. Ou seja, esses títulos oferecem rendimento igual à variação
da inflação mais uma taxa prefixada de juros.

Tesouro RendA+
Título do Tesouro Direto pensado para ajudar a planejar a apo-
sentadoria complementar. Oferece rendimento igual à variação
da inflação (IPCA) mais uma taxa prefixada de juros. Diferente dos
demais títulos, o resgate do investimento RendA+ é realizado em
240 parcelas mensais, ou seja, o valor é pago durante 20 anos.

Tesouro EDUCA+
Título pensado em possibilitar o investimento para menores de
18 anos financiarem seus estudos. Oferece rendimento igual à
variação da inflação (IPCA) mais uma taxa prefixada de juros.
Diferente dos demais títulos, o resgate do investimento EDUCA+
é realizado em 60 parcelas mensais, ou seja, o valor é pago du-
rante 5 anos.

92
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

5.6
Derivativos

5.6.1
Definição
Derivativos é o nome dado à família de mercados em que operações com
liquidação futura são realizadas, tornando possível a gestão do risco de
preço de diversos ativos.

Quatro modalidades de contratos são negociadas nesses mercados:

Ø Termo;

Ø Futuro;

Ø Opções;

Ø Swaps.

A origem do termo “derivativos” está associada à ideia de que os preços


desses contratos possuem estreita ligação, ou seja, derivam dos preços do
ativo subjacente ao contrato.

Os derivativos, em geral, são negociados sob a forma de contratos padro-


nizados, previamente especificados (quantidade, qualidade, prazo de liqui-
dação e forma de cotação do ativo-objeto sobre os quais se efetuam as
negociações), em mercados organizados, com o fim de proporcionar, aos
agentes econômicos, oportunidades para a realização de operações que
viabilizem a transferência de risco das flutuações de preços de ativos e de
variáveis macroeconômicas.

É importante mencionar que as negociações com derivativos podem ocorrer


no mercado de balcão ou em bolsas organizadas.

93
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

Veja a seguir, as definições de cada um deles:

Mercado a Termo
Como comprador ou vendedor do contrato a termo, você se compro-
mete a comprar ou vender certa quantidade de um bem (mercadoria
ou ativo financeiro) por um preço fixado, ainda na data de realização
do negócio, para liquidação em data futura. Os contratos a termo so-
mente são liquidados integralmente no vencimento. Podem ser nego-
ciados em bolsa e no mercado de balcão.

Mercado Futuro
Deve-se entender o mercado futuro como uma evolução do mer-
cado a termo. Você se compromete a comprar ou vender certa
quantidade de um bem (mercadoria ou ativo financeiro) por um
preço estipulado para a liquidação em data futura. A definição é
semelhante, tendo como principal diferença a liquidação de seus
compromissos somente na data de vencimento, no caso do mer-
cado a termo. Já no mercado futuro, os compromissos são ajus-
tados financeiramente às expectativas do mercado referentes ao
preço futuro daquele bem, por meio do ajuste diário (mecanismo
que apura perdas e ganhos). Além disso, os contratos futuros são
negociados somente em bolsas.

Mercado de Opções
No mercado de opções, negocia-se o direito de comprar ou de
vender um bem por um preço fixo numa data futura. Quem adqui-
rir o direito deve pagar um prêmio ao vendedor. Este prêmio não
é o preço do bem, mas apenas um valor pago para ter a opção
(possibilidade) de comprar ou vender o referido bem em uma data
futura por um preço previamente acordado.

O objeto de negociação pode ser um ativo financeiro ou uma mer-


cadoria, negociados em pregão, com ampla transparência. O
comprador da opção, também chamado titular, sempre terá o di-
reito do exercício, mas não obrigação de exercê-lo. O vendedor da
opção, também chamado lançador, terá a obrigação do exercício
caso o titular opte por exercer seu direito.

Mercado de swap
No mercado de swap, negocia-se a troca de rentabilidade entre
dois bens (mercadorias ou ativos financeiros). Pode-se definir o
contrato de swap como um acordo, entre duas partes, que esta-
belecem a troca de fluxo de caixa tendo como base a comparação
da rentabilidade entre dois bens.

94
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

Exemplo
Swap de ouro x taxa prefixada
Se, no vencimento do contrato, a valorização do ouro
for inferior à taxa prefixada negociada entre as partes,
receberá a diferença a parte que comprou taxa prefixada e
vendeu ouro. Se a rentabilidade do ouro for superior à taxa
prefixada, receberá a diferença a parte que comprou ouro e
vendeu taxa prefixada.
A operação de swap é muito semelhante à operação a termo,
uma vez que sua liquidação ocorre integralmente no vencimento.

5.7
Criptomoedas
As criptomoedas – conhecidas como "moedas virtuais" ou "moedas crip-
tográficas" – são moedas digitais que existem exclusivamente na internet.
Diferentemente do real, do dólar e de outras moedas físicas, elas não podem
ser tocadas. Ou seja, você sabe que elas são verdadeiras, mas não consegue
pegá-las com as mãos – ou guardá-las na carteira, no cofre ou embaixo do
colchão, mas podem ser usadas com as mesmas finalidades do dinheiro físico.
As suas três principais funções são servir como: meio de troca, facilitando as
transações comerciais; reserva de valor, para a preservação do poder de
compra no futuro; unidade de conta, quando os produtos são precificados
e o cálculo econômico e realizado em função dela.

Uma criptomoeda é uma forma digital de dinheiro que utiliza criptografia


para garantir transações seguras, controlar a criação de novas unidades e
verificar a transferência de ativos. Elas são baseadas em tecnologias como
a blockchain, que é um registro público e descentralizado de todas as tran-
sações realizadas.

A moeda digital mais conhecida é o bitcoin, criado em 2009. Desde o seu


lançamento, várias outras criptomoedas surgiram como ethereum, ripple,
litecoin, bitcoin cash e outras. Cada criptomoeda possui sua própria rede
blockchain e pode ter diferentes recursos e funcionalidades.

95
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

As criptomoedas têm despertado interesse como um investimento devido à


sua volatilidade e possibilidade de valorização, mas, como ressaltado pelo
Bacen, as moedas virtuais não são emitidas nem garantidas pelo Banco
Central. Não têm garantia de conversão para moedas oficiais, como real,
e não são lastreadas em ativo real de qualquer espécie. Seu valor decorre
exclusivamente da confiança entre quem adquire e quem emite, e o risco
pelas transações com moedas virtuais é exclusivo dessas pessoas.

A implantação, em junho/2023, do Marco Legal das Criptomoedas, em vigor


no Brasil pela lei 14.478/22 e do decreto 11.563/23, é um passo importante
para trazer mais segurança ao mercado de ativos virtuais. A lei estabelece
conceitos, princípios e diretrizes que orientam o mercado, além de aplicar
o Código de Defesa do Consumidor (CDC) para proteger os investidores.

Para os investidores de criptomoedas, as principais mudanças são o aumen-


to da segurança e da tranquilidade ao utilizar plataformas direcionadas
aos brasileiros. As empresas do setor devem seguir leis específicas e serão
supervisionadas pelo Banco Central do Brasil.

A regulamentação oficial do mercado cripto era esperada pelos partici-


pantes do setor, embora existam controvérsias, já que a intervenção de
uma entidade governamental centralizada vai contra a proposta original
das criptomoedas de serem uma alternativa independente e autogerida ao
mercado tradicional.

5.8
Previdência privada
complementar
A previdência complementar – também conhecida como previdência priva-
da – é um sistema que permite ao cidadão guardar uma parcela de recursos
ao longo do tempo, para garantir uma renda futura melhor para si mesmo
e sua família. Em outras palavras, representa uma alternativa de poupan-
ça, de caráter exclusiva­mente ­privado, destinada à manutenção do poder
aquisitivo, caso haja perda da capaci­dade laborativa ou, simplesmente, uma
forma alternativa de investimento.

Em linhas gerais, aquele que contrata um plano de previdência complementar


deseja garantir, principalmente na aposentadoria, uma renda próxima àquela
que recebia quando ativo, ou seja, quando inserido no mercado de trabalho.

96
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 5

5.9
Estrutura do sistema
A previdência complementar no Brasil é operada por entidades de ­Previdência
Complementar, que têm por objetivo principal instituir e executar planos de
benefícios de caráter previdenciário.

Essas entidades são classificadas em Entidades Abertas de ­Previdência


Complementar (EAPC) e Entidades Fechadas de Previdência C
­ omplementar
(EFPC). As entidades fechadas de previdência complementar são também
conhecidas por Fundos de Pensão.

O assunto previdência privada será abordado com mais detalhes na discipli-


na Previdência Complementar, que faz parte do cronograma deste curso.

97
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 5

Fixando conceitos 5
Marque a alternativa correta.

1. Cada instrumento financeiro possui características próprias de risco, de


liquidez e de rentabilidade. Em relação aos diferentes instrumentos finan-
ceiros e suas respectivas características, podemos afirmar que:

(a) Instrumentos de baixo risco tendem a apresentar maior rentabilidade do


que instrumentos de alto risco.
(b) Instrumentos de renda variável podem ser classificados como prefixados
e pós-fixados.
(c) Certificados de Depósito Bancário (CDBs) podem também ser denomi-
nados depósitos a prazo.
(d) Depósitos à vista, geralmente, apresentam baixa rentabilidade.
(e) Debêntures são considerados títulos de propriedade.

2. No mercado de derivativos, temos o contrato de opção, que é um instru-


mento financeiro que garante ao investidor o direito futuro de uma ope-
ração por um preço predeterminado. Em relação aos contratos de opção,
podemos afirmar que:

(a) O contrato de opção não apresenta custo para o investidor.


(b) O prêmio pago para se adquirir o direito é o preço total do bem.
(c) Os titulares ou investidores de uma opção são sempre obrigados a com-
prar ou vender um ativo no período de tempo determinado ou na data
futura acordada.
(d) São considerados derivativos de primeira geração.
(e) Em contratos de opção, não existe remuneração para o vendedor.

98
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 5

3. As instituições financeiras se utilizam de diversos instrumentos finan-


ceiros para captar recursos no mercado financeiro. Em relação a esses
instrumentos de captação emitidos por instituições financeiras, podemos
afirmar que:

(a) Os depósitos à vista ou depósitos em conta-corrente são remunerados


e têm baixa liquidez.
(b) Os depósitos a prazo – denominação oficial de Certificados de Depósitos
Bancários (CDB) – são as mais importantes fontes de captação de recur-
sos dos bancos atualmente.
(c) Os depósitos de poupança – mais conhecidos como cadernetas de poupança
– podem ser resgatados a qualquer momento, sem perder a remuneração.
(d) O Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) é um instrumento utilizado
pelas instituições não financeiras para captação de recursos.
(e) As Letras Financeiras (LFs) são instrumentos de renda variável que garan-
tem mais flexibilidade às instituições financeiras na captação de recursos.

4. Derivativos são instrumentos financeiros que se originam do valor de


outro ativo, como preço de uma mercadoria, de um instrumento financeiro,
de uma moeda, índices de preços ou de Bolsa, ou taxas referenciadas. Os
derivativos mais usados são:

(a) Futuros, opções, ações e debêntures.


(b) Termo, futuros, opções e swap.
(c) Termo, ações, opções e seguros.
(d) Futuros, opções, notas promissórias e swap.
(e) Termo, seguros, opções e letras de câmbio.

5. Qual derivativo é um contrato que prevê a troca de fluxos de caixa deri-


vados de dois instrumentos financeiros diferentes?

(a) Futuro.
(b) Opção de compra.
(c) Opção de venda.
(d) Swap.
(e) Letra Financeira do Tesouro (LFT).

99
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 5

6. O governo financia suas dívidas vendendo títulos públicos que representam


a dívida pública do País. Indique o programa que corresponde a esses títulos:

(a) Caderneta de poupança.


(b) Leasing.
(c) Tesouro Direto.
(d) Fundos de ação.
(e) Notas promissórias.

Consulte o gabarito clicando aqui.

100
6
Administração
de Risco
Tópicos da unidade
6.1 Riscos que correm as
instituições financeiras
Objetivo
6.2 Perfil de risco dos
investidores individuais Ø Conhecer os riscos que correm as instituições
financeiras, os investidores individuais e seus
Fixando conceitos 6 perfis quanto à propensão e tolerância ao risco.
O mundo dos negócios é caracterizado pela incerteza. Um empresário
industrial não sabe, ao certo, se a demanda pelos produtos de sua empresa
aumentará ou cairá no futuro, tampouco sabe, com certeza, o que aconte-
cerá com os preços dos insumos necessários à produção. O investidor que
aplica em ações acredita que o preço de suas ações aumentará, mas não
tem certeza. Se a sua expectativa é de que o preço cairá, ele poderá vender
as ações. Entretanto, esse mesmo investidor não pode ter certeza de que,
logo após a venda das ações, o seu preço continuará a cair ou aumentará.

Quanto mais longo o período que utiliza para suas estimativas em relação
ao comportamento futuro de certas variáveis – demanda, preços, taxa de
juros –, menores são suas chances de acerto e maior é a incerteza.

O risco difere da incerteza porque pode, dentro de certos limites, ser mensu­
rado. Entretanto, medir com precisão o grau de risco é uma tarefa quase
impossível. O cálculo do risco de um ativo é baseado em análise probabi­lística.
Esse cálculo é feito a partir de estatísticas históricas, ou seja, com base no
comportamento passado desse ativo. Se ocorrerem fatos de natureza diversa
daqueles verificados no passado, esse cálculo é prejudicado.

Então, pode-se entender risco como uma situação em que, partindo-se de


determinado conjunto de ações, vários resultados são possíveis, e as probabi­
lidades de cada um acontecer são conhecidas. Incerteza caracteriza, em
contrapartida, uma situação em que tais probabilidades são desconhecidas.

102
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 6

Uma noção fundamental em finanças é que: quanto maior o risco de uma


transação, maior terá que ser a taxa de retorno esperada. Ou seja, a rentabi­
lidade esperada do investimento está positivamente relacionada ao nível de
risco do investimento.

Para que fique claro, pense no seguinte exemplo: dois ativos financeiros que
tenham o mesmo prazo de maturação e rendam a mesma taxa de ­retorno –
um deles é considerado mais arriscado do que o outro. ­Obviamente, o ativo
de menor risco sempre será escolhido. Por outro lado, para que o ativo de
maior risco seja preferido, é necessário que ofereça rentabilidade superior
à do ativo de menor risco.

6.1
Riscos que correm as
instituições financeiras
A seguir, vamos falar de cada um dos riscos que correm as instituições finan-
ceiras, que são: risco de crédito, risco de liquidez, risco de mercado, risco
operacional, risco de insolvência e risco legal.

6.1.1
Risco de crédito
É a possibilidade de que a contraparte de um empréstimo (tomador) ou ope-
ração financeira não queira ou não possa cumprir suas obrigações contra-
tuais, gerando, assim, perdas para a instituição financeira.

Esse risco pode surgir em operações de empréstimos, aquisição de títulos


ou operações com derivativos em mercados de balcão não organizados,
operações de resseguro e retrocessão.

O risco pode ser diminuído por meio de uma cuidadosa diversificação das
operações entre diferentes setores ou áreas geográficas e também a partir
da análise financeira das contrapartes envolvidas.

103
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 6

6.1.2
Risco de liquidez
As instituições financeiras sofrem com a dificuldade de encontrar o balanço
correto entre seus ativos e passivos. O risco de liquidez se relaciona com a
possibilidade de descasamento entre os fluxos financeiros de ativos e passivos
de uma instituição financeira e seus reflexos sobre a capacidade financeira
da instituição de honrar suas obrigações.

O risco de liquidez é particularmente relevante para instituições bancárias,


pois elas geralmente apresentam ativos menos líquidos do que passivos.
Então, o risco de liquidez de um banco decorre da possibilidade de que seus
depositantes realizem saques em papel-moeda ou transfiram suas contas
para outros bancos em volume muito superior ao de suas reservas. Um banco
pode, inicialmente, recorrer ao mercado ­interbancário de reservas ou mes-
mo ao redesconto do Bacen. Se nem assim conseguir atender à demanda de
seus clientes, o banco tem que se desfazer ­imediatamente de seus ativos, a
começar pelos ativos com maior liquidez, e podem ocorrer perdas.

Uma crise de liquidez atinge o banco quando a fuga de depósito se prolonga


– isto é, quando ocorre uma “corrida” ao banco. Crises de liquidez refletem
a desconfiança, fundada ou infundada, da solidez de um banco e têm sido
uma das razões da quebra de instituições depositárias (bancos comerciais
e de poupança).

Os bancos podem reduzir esse tipo de risco mantendo reservas ­elevadas ou


mesmo mantendo outros ativos de grande liquidez e de prazos de maturação
reduzidos. A dificuldade dos bancos de gerenciar a liquidez de seus ativos
está relacionada ao fato de que os ativos mais líquidos são os que oferecem
taxas de retorno mais baixas. No caso específico das reservas bancárias
depositadas no Bacen, a taxa de retorno é zero.

6.1.3
Risco de mercado
O risco de mercado está associado à possibilidade de perdas decorrentes
de mudança nos preços dos ativos retidos pelas instituições financeiras. Os
preços dos ativos podem variar em virtude de modificações na taxa de juros,
na taxa de câmbio, no preço de ações e de commodities etc.

104
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 6

Commodities são produtos que funcionam como matéria-prima, são


produzidos em escala e podem ser estocados sem perda de qualidade,
como petróleo, suco de laranja congelado, boi gordo, café, soja e ouro.
Commodity vem do inglês e originalmente significa “mercadoria”.

O risco de mercado é particularmente relevante em operações nos mer-


cados de futuros e opções. Nesses tipos de operação, pequenas alterações
nas taxas praticadas pelo mercado ou nos preços dos ativos podem levar a
fortes perdas para os aplicadores, dado o elevado grau de alavancagem,
ou seja, os valores em jogo – possibilidade de ganho ou perda – podem ser
muitas vezes superiores ao capital aplicado.

6.1.4
Risco operacional
O risco operacional se refere à possibilidade de perda originada por falhas
na estrutura organizacional da instituição financeira, seja relativa a falhas
humanas, gerenciais, de controle ou dos sistemas operacionais, ou, ainda,
pela perda dos valores éticos e corporativos que unem os diferentes elemen-
tos dessa estrutura.

As autoridades supervisoras têm dedicado significativa atenção a esse tipo


de risco. Como exemplos de risco operacional, podem ser citadas: fraudes
de funcionários da própria instituição financeira ou de seus clientes; falhas no
sistema de informática; falhas nas rotinas de controles internos, entre outras.

6.1.5
Risco de insolvência
O risco de insolvência se refere à possibilidade de uma instituição financeira
se tornar insolvente. Uma instituição financeira se torna insolvente quando
seu patrimônio líquido estiver abaixo do mínimo exigido pelas autoridades
supervisoras. Tal possibilidade pode ser resultado de diversas situações de
risco, como perdas em negociação com títulos, aplicações em derivativos,
diminuição do valor contábil dos empréstimos resultante da inadimplência,
parcial ou total, dos tomadores de empréstimo, e variações na taxa de câmbio.

105
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 6

A manutenção de patrimônio líquido suficiente para absorver choques dessa


natureza pode reduzir esse risco, mas a estratégia mais eficiente para evitar
uma crise de solvência é não assumir riscos excessivos nas operações ativas.

6.1.6
Risco legal
Corresponde à possibilidade de que contratos não sejam executados porque
as leis ou regulações não dão suporte às regras ­estabelecidas entre uma ins-
tituição financeira e seus clientes, outras ­instituições financeiras ou o Governo.

No Brasil, um exemplo de risco legal verificado no setor bancário é a dificul­


dade enfrentada em reaver ativos oferecidos como garantia no caso de
falência do tomador de um empréstimo.

6.2
Perfil de risco dos
investidores individuais
Os investidores podem ser classificados de acordo com sua propensão ou
tolerância ao risco.

Com base nisso, foram traçados cinco perfis diferentes: conservador, mode-
rado, balanceado, arrojado e agressivo.

Perfil conservador
É aquele que prioriza a segurança e a liquidez nos investimentos
em lugar de buscar alta rentabilidade. Esse tipo de cliente prefere
investimentos com retornos previsíveis, normalmente buscando in-
vestimentos de renda fixa. Em alguns casos, pode ser incluída uma
parcela muito pequena de renda variável, normalmente represen­
tada por ações ou câmbio.

106
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 6

Perfil moderado
É o tipo de investidor que gosta da segurança de investimentos de
renda fixa, mas quer ou pode dar uma “apimentada” na carteira
de investimentos. Geralmente, esse investidor quer ter um retorno
sem correr riscos expressivos. Por isso, participa, em parte, tam-
bém em fundos multimercado ou de ações.

Perfil balanceado
Esse é o investidor que tem condições e apetite para buscar ga-
nhos mais expressivos, mas ainda tem algumas limitações para
correr grandes riscos. A diversificação é um pouco maior e a ex-
posição à renda fixa é menor.

Perfil arrojado
Esse perfil caracteriza quem não tem problema em correr ris-
cos no curto e médio prazo e tem conhecimento de que o retorno
normal­mente está ligado ao risco assumido. Seus objetivos são de
­longo prazo, portanto, sua carteira pode estar sujeita à volatili-
dade durante o período de acumulação.

Volatilidade é aquilo que muda de preço em pequenos intervalos de tempo.

Apesar do apetite ao risco, esse tipo de investidor tem total cons-


ciência e corre apenas riscos calculados que estejam de acordo
com seu planejamento de longo prazo.

Perfil agressivo
É aquele investidor que busca obter o máximo de retorno possí-
vel, não levando em conta os riscos assumidos. Normalmente, esse
investidor toma decisões por conta própria, muitas vezes levado
pela emoção, e não segue regras ou parâmetros para investir.

As categorias de riscos que correm as instituições financeiras são seme­lhantes


às utilizadas para o investidor individual. Assim, as formas de diminuir cada
risco também são similares.

No entanto, como as instituições financeiras administram elevada soma de


recursos, podem diversificar mais amplamente suas carteiras de aplicações.
Por isso, podemos dizer que as instituições financeiras são ­especialistas em
análise e administração de riscos.

107
Sumário Mercado Financeiro | Unidade 6

De modo geral, a maneira mais eficiente de reduzir riscos de aplicações finan-


ceiras é diversificar a carteira, isto é, investir em diferentes tipos de ­títulos.
Por exemplo, manter certa parte do capital aplicado em ações, outra par-
te em títulos do Governo, outra em dólar. A possibilidade de ­diversificação
depende, é claro, do montante disponível, já que cada operação de compra
e venda implica custos.

Os benefícios da diversificação crescem à medida que as aplicações estejam


inversamente correlacionadas: investir em ações de cinco companhias de
petróleo é menos eficaz do que investir em ações de cinco companhias que
operem em cinco setores diferentes da economia.

108
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 6

Fixando conceitos 6
Marque a alternativa correta.

1. O mundo dos negócios é caracterizado pela incerteza. Um empresário


industrial não sabe, ao certo, se a demanda pelos produtos de sua empresa
aumentará ou cairá no futuro, tampouco sabe, com certeza, o que acontece-
rá com os preços dos insumos necessários à produção. Isso também ocorre
com as instituições financeiras. Em relação aos riscos que as instituições
financeiras correm, podemos afirmar que:

(a) O risco de crédito representa a possibilidade de uma instituição financeira


perder a confiabilidade perante o público.
(b) O risco de mercado é a probabilidade de que o preço dos ativos financei-
ros que compõem a carteira de uma instituição financeira venha a subir.
(c) O risco de liquidez se relaciona com a possibilidade de que a contraparte
de um empréstimo (tomador) ou operação financeira não queira ou não
possa cumprir suas obrigações contratuais.
(d) Não assumir riscos excessivos em seus ativos pode ser considerada uma
das melhores estratégias para combater o risco de insolvência.
(e) Risco operacional de uma instituição financeira é a probabilidade de que
contratos não sejam executados porque as leis ou regulações não dão
suporte às regras preestabelecidas.

2. Os investidores podem ser classificados de acordo com sua propensão


ou tolerância ao risco. O investidor que prioriza a segurança e a liquidez
nos investimentos é conhecido como:

(a) Perfil conservador.


(b) Perfil moderado.
(c) Perfil balanceado.
(d) Perfil arrojado.
(e) Perfil agressivo.

109
Sumário Mercado Financeiro | Fixando conceitos 6

3. Os investidores individuais podem ser classificados de acordo com sua


propensão ou tolerância ao risco. O investidor classificado com perfil
agressivo se caracteriza por:

(a) Buscar ganhos mais expressivos, mas com algumas limitações para cor-
rer risco.
(b) Querer obter o máximo de retorno possível, não levando em conta os
riscos assumidos.
(c) Focar em investimentos de renda fixa, mas quer ou pode dar uma “api-
mentada” na carteira de investimentos.
(d) Não ter problema em correr riscos no curto e médio prazo.
(e) Preferir investimentos com retornos previsíveis, normalmente buscando
investimentos de renda fixa.

4. O monitoramento e o gerenciamento dos riscos presentes no mercado


financeiro são relevantes para qualquer investidor. O tipo de risco que pos-
sui como característica a possibilidade de perdas decorrentes de mudança
nos preços dos ativos retidos pelas instituições financeiras é o:

(a) Risco de mercado.


(b) Risco de crédito.
(c) Risco moral.
(d) Risco de liquidez.
(e) Risco legal.

5. Entre os riscos que correm as instituições financeiras, aquele que está


associado à possibilidade de perda originada por falhas na estrutura orga-
nizacional da instituição financeira é o:

(a) Risco de mercado.


(b) Risco de crédito.
(c) Risco legal.
(d) Risco de insolvência.
(e) Risco operacional.

Consulte o gabarito clicando aqui.

110
Sumário Mercado Financeiro | Gabarito

Gabarito
Fixando conceitos

Unidade 1 Unidade 2 Unidade 3 Unidade 4 Unidade 5 Unidade 6

1–D 1–A 1–E 1–D 1–C 1–D

2–C 2–A 2–A 2–C 2–D 2–A

3–D 3–E 3–A 3–A 3–B 3–B

4–D 4–B 4–B 4–C 4–B 4–A

5–E 5–A 5–A 5–B 5–D 5–E

6–B 6–E 6–C

111
Sumário Mercado Financeiro | Referências bibliográficas

Referências
bibliográficas
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ESCOLA DE NEGOCIOS E SEGUROS. Diretoria de Ensino Técnico. Mercado


financeiro. Assessoria técnica de Antonio Carlos Magalhães da Silva. 15. ed. Rio
de Janeiro: Funenseg, 2016.

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Mercado Financeiro. Supervisão e coordenação metodológica da
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Amazonas. 22. ed. Rio de Janeiro: ENS, 2022.

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Mercado Financeiro. Supervisão e coordenação metodológica da
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que%20especifica.&text=ALTERADA%20pelas%20Resolu%C3%A-
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Sumário Mercado Financeiro | Referências bibliográficas

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Fundo Garantidor de Créditos (FGC)


www.fgc.org.br

Open Finance Brasil


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Previc
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117
Sumário Mercado Financeiro | Glossário

Glossário
A
AÇÃO: é o título de renda variável que representa a menor fração do capi-
tal de uma sociedade anônima. As empresas que são sociedades anônimas
de capital aberto são negociadas nas Bolsas de Valores.

AÇÃO EX-DIREITOS: a ação cujos direitos (dividendo, bonificação e/ou


subscrição) já foram exercidos e o investidor não possui direito nesse ins-
tante ao comprar o ativo. Dessa forma, ao comprar a ação com ex-direitos,
o novo detentor não fará jus a eles.

AÇÃO NOMINATIVA: a ação que identifica o proprietário. Essa propriedade


somente ocorre após o lançamento do nome do acionista no Livro de Regis-
tro das Ações Nominativas. Até 1990, as ações eram ao portador no Brasil.

AÇÃO ORDINÁRIA (ON): é o tipo de ação que confere ao acionista o direito


ao voto nas Assembleias dos Acionistas, podendo, dessa forma, participar das
decisões tomadas nessas assembleias. Cada ação ordinária equivale a um voto.

AÇÃO PREFERENCIAL (PN): é o tipo de ação que confere ao acionista a


priori­dade no recebimento de dividendos e no reembolso de capital, no caso
de dissolução da sociedade. Essa ação não dá direito ao voto nas assembleias.

ALÍQUOTA: é o percentual que será aplicado para o cálculo do valor de


uma determinada variável.

ALM (ASSET LIABILITY MANAGEMENT): é a gestão integrada de ativos


e passivos que busca a melhor alocação dos investimentos dos recursos
garantidores dos planos de benefícios, considerando os retornos espera-
dos e os riscos de cada segmento das aplicações.

APE (ASSOCIAÇÃO DE POUPANÇA E EMPRÉSTIMO): é uma instituição


criada para facilitar aos associados a aquisição da casa própria e a cap-
tação, incentivo e disseminação da poupança. Os depositantes se tornam
associados da instituição.

118
Sumário Mercado Financeiro | Glossário

B
BACEN OU BCB (BANCO CENTRAL DO BRASIL): autarquia Pública ­Federal
responsável pela regulamentação e supervisão do Sistema Financeiro Nacional.

BANCO COMERCIAL: instituição financeira privada ou pública. Tem como


objetivo principal proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos
recursos necessários para financiar, em curto e médio prazos, o comércio,
a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e ter-
ceiros em geral.

BASILEIA: acordo com recomendações de melhores práticas relativas à


estrutura de capital de instituições financeiras.

BENCHMARK: indicador utilizado para comparar a rentabilidade entre


investimentos, produtos, serviços e taxas.

BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social):


é uma empresa pública federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, que tem como objetivo financiar a longo pra-
zo os empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do País.

C
CALL: é o significado de uma opção de compra. Confere ao seu titular o
direito de comprar um determinado ativo (ativo-objeto) pelo preço esta-
belecido no contrato da opção, durante determinado período de tempo, ou
em uma data predeterminada.

CDB (Certificado de Depósito Bancário): é o título representativo de depó-


sito a prazo fixo emitido por bancos comerciais, bancos de investimento e
bancos de desenvolvimento. A taxa paga nos CDBs pode ser prefixada,
pós-fixada ou flutuante, sendo essa última atrelada a um percentual da
variação de um índice, que pode ser a TR, TJLP, CDI, ou um índice de infla-
ção, como o IGP-DI ou IGP-M.

CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro): é uma modalidade de


investimento pelo prazo de um dia útil, que os bancos usam para aplicar os
seus recursos excedentes ou para captar dinheiro de outros bancos com o
intuito de melhorar sua posição de liquidez.

119
Sumário Mercado Financeiro | Glossário

CEF (Caixa Econômica Federal): criada em 1861, é uma empresa pública


federal que exerce a função bancária e atua em programas sociais por meio
do pagamento do FGTS, PIS, seguro-desemprego, Bolsa Família e loterias.

CETIP: foi criada em 1986 pelas instituições financeiras e pelo Banco Central
com o intuito de realizar a custódia, o registro e a liquidação financeira das ope-
rações feitas com todos os papéis privados e os títulos estaduais e municipais.

CMN (Conselho Monetário Nacional): é o Conselho deliberativo do Sistema


Financeiro Nacional cujas atribuições incluem, entre outras, a coordenação
de política monetária, de crédito e orçamentária.

CNPC (CONSELHO NACIONAL DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR):


oCNPC é o órgão que normatiza as atividades dos fundos de pensão, super-
visionadas pela Superintendência de Previdência Complementar (Previc).

CNSP (CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS): é o órgão


regulador do mercado de seguros, que inclui as atividades das companhias
de seguro, de resseguro, das empresas de capitalização e das entidades de
previdência aberta.

COMERCIAL PAPER: também conhecida como nota promissória. É um


título de emissão de sociedades anônimas, de capital aberto ou fechado,
como forma de captação de recursos junto a investidores que possuem o
direito de crédito contra ela.

COMMODITIES: é um termo proveniente da língua inglesa que, original-


mente, significava qualquer mercadoria, mas hoje é utilizado nas transações
comerciais de produtos de origem primária na Bolsa de Valores para se
referir a produtos de qualidade e características uniformes, que não são
diferenciados de acordo com quem os produziu ou de sua origem, sendo
seu preço uniformemente determinado pela oferta e procura internacional.

COPOM (COMITÊ DE POLÍTICA MONETÁRIA): é o comitê instituído em


junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política mone-
tária e definir a taxa básica de juros da economia brasileira.

CTVM (CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS): as corre-


toras são instituições financeiras autorizadas a operar em Bolsas de Valores
e de Mercadorias e Futuros.

CVM (Comissão de Valores Mobiliários): autarquia pública federal que


disciplina e fiscaliza o mercado de valores mobiliários.

120
Sumário Mercado Financeiro | Glossário

D
DEBÊNTURE: é o título de dívida de médio e longo prazos emitido por empre-
sas de capital aberto não financeiras ou fechado, com o intuito de arrecadar
recursos para serem utilizados no financiamento de projetos, na reestrutura-
ção de passivos ou no aumento de capital de giro da empresa emissora.

DÉFICIT: saldo negativo entre receitas e despesas.

DERIVATIVOS: são contratos de ativos financeiros cujos valores e característi-


cas de negociação derivam de outros ativos que lhes servem como referência.

DI-OVER: é a taxa média das operações de depósito interfinanceiro com


prazo de um dia útil realizado pelas instituições financeiras.

DIVIDENDO: é o valor distribuído aos acionistas, em dinheiro, na propor-


ção da quantidade de ações possuídas. Normalmente, é resultado dos lucros
obtidos por uma empresa, no exercício corrente ou em exercícios passados.

DTVM (DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS):


as distribuidoras são instituições financeiras autorizadas a operar em Bol-
sas de Valores e de Mercadorias e futuros.

E
EAPC (ENTIDADE ABERTA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR): as
EAPCs têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter
previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento
único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas.

EFPC (ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR): as


­EFPCs também são conhecidos como fundos de pensão. Elas possuem
como objetivo fundamental acumular fundos, por meio de um sistema
de capitalização, que garantam o pagamento de aposentadoria e outros
benefícios para seus associados.

121
Sumário Mercado Financeiro | Glossário

F
FGC (FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO): associação civil sem fins lucra-
tivos, com personalidade jurídica de direito privado, criada em 1995, com o
objetivo de administrar mecanismos de proteção aos correntistas, poupa-
dores e investidores para permitir recuperação de depósitos ou créditos
mantidos em instituição financeira, em caso de intervenção, de liquidação
ou de falência. O total de créditos de cada pessoa contra a mesma ins-
tituição associada, ou contra todas as instituições associadas do mesmo
conglomerado financeiro, é garantido até o valor de R$ 250 mil. Vale infor-
mar que, a partir de 21 de dezembro de 2017, o FGC estabeleceu um teto
de R$ 1.000.000,00, a cada período de 4 (quatro) anos, por CPF ou CNPJ
no seu uso, sendo que, após 4 (quatro) anos, o teto é restabelecido. Ou seja,
existe um valor máximo de restituição (R$ 1.000.000,00) para cada período
de 4 (quatro) anos, por CPF ou CNPJ, permanecendo inalterado o limite de
R$ 250 mil por CPF ou CNPJ na instituição financeira. Vale destacar que o
período de 4 (quatro) anos se inicia na data da liquidação ou intervenção em
instituição financeira onde o investidor detenha valor garantido pelo FGC.

FMI (FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL): organismo financeiro da


ONU (Organização das Nações Unidas), criado em 1944 pelo Acordo de
Bretton Woods, com o intuito de promover a cooperação monetária inter-
nacional e estimular o crescimento econômico dos países-membros.

G
GOVERNANÇA CORPORATIVA: sistema pelo qual as sociedades são diri-
gidas e monitoradas, envolvendo os acionistas e os cotistas, conselho de
administração, diretoria, auditoria independente e conselho fiscal.

H
HEDGE: é o instrumento que visa proteger operações financeiras contra o
risco de grandes variações de preço de um determinado ativo.

HOME BROKER: sistema de operações que permite a compra e a venda


de ações pela internet, com acesso direto ao pregão eletrônico da Bovespa
(Bolsa de Valores de São Paulo).

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Sumário Mercado Financeiro | Glossário

I
IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA): é uma
autarquia do Governo Federal que divulga diversos indicadores de ativi-
dade da economia (ex.: taxa de desemprego, pesquisa do comércio), assim
como índices de inflação (IPCA, INPC).

IBOVESPA: é o indicador de desempenho mais utilizado no mercado de


ações brasileiro, pois retrata o comportamento das ações com mais liqui-
dez negociadas na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

IGP-M (ÍNDICE GERAL DE PREÇOS DO MERCADO): o IGP-M é formado


pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC – peso de 30%), Índice de Preços
no Atacado (IPA – peso de 60%) e Índice Nacional de Construção Civil (INCC
– peso de 10%).

INFLAÇÃO: termo que reflete o aumento do nível geral dos preços da


economia.

INSOLVÊNCIA: impossibilidade por parte de uma pessoa singular ou


empresa de pagar as suas dívidas.

INVESTIMENTO: é usado para o emprego da poupança em atividade pro-


dutiva, objetivando ganhos a médio ou longo prazo, ou para significar a
aplicação de recursos em algum tipo de ativo financeiro.

IPCA (ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLIADO): ­calculado pelo


IBGE, tem como objetivo refletir a evolução do custo de vida de famílias que
recebem entre 1 (um) e 40 (quarenta) salários mínimos em determi­nadas
capitais do País.

L
LCA (LETRA DO CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO): são títulos emitidos por
instituições garantidos por empréstimos concedidos ao setor de agronegócio.

LCI (LETRA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO): a LCI é um título de renda fixa


emitido por um banco e lastreado por empréstimos imobiliários.

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Sumário Mercado Financeiro | Glossário

LEASING/ARRENDAMENTO MERCANTIL: o leasing e o arrendamento


mercantil representam o mesmo conceito na economia brasileira, que pode
ser compreendido como uma forma especial de se comprar um bem a pra-
zo, diferentemente de um financiamento comum. No leasing, o cliente fica
com o bem comprado, mas quem tem a propriedade real desse bem é o
banco que viabilizou a aquisição. Isto é, o cliente não se torna o dono efetivo
do bem enquanto não terminar de pagar as prestações devidas ao banco.

O
OPEN MARKET: em mercado financeiro, é pertinente ao mercado aberto.
Refere-se ao mercado de títulos no qual atuam um banco central e os ban-
cos comerciais de um país e no qual são comprados e vendidos os títulos da
dívida pública na administração da política monetária.

OVER THE COUNTER: é o sinônimo do mercado de balcão no Brasil. Este


mercado é mais um segmento do mercado de capitais, no qual são nego-
ciados títulos autorregulados sob fiscalização da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM). Neste segmento, não existe um local físico determinado
para as operações de compra e venda de ativos, que costumam acontecer
por telefone ou por meio de sistemas eletrônicos.

OVERNIGHT: são aplicações financeiras feitas no mercado aberto (open


market) com prazo de um dia de resgate.

P
PERFIL DE RISCO: é o termo utilizado para determinar a disposição de um
investidor em correr riscos na hora de investir seu dinheiro. Geralmente, ele
é dividido no perfil conservador, moderado e agressivo.

PREVIC (SUPERINTENDÊNCIA NACIONAL DE PREVIDÊNCIA COM-


PLEMENTAR): autarquia de natureza especial vinculada ao Ministério da
Fazenda. É a entidade supervisora das atividades das entidades fechadas
de previdência complementar e de execução das políticas para o regime de
previdência complementar.

PUT: é o significado de uma opção de venda. Confere ao seu titular o direi-


to de vender um determinado ativo (ativo-objeto) pelo preço estabelecido
no contrato da opção durante determinado período de tempo ou em uma
data predeterminada.

124
Sumário Mercado Financeiro | Glossário

R
RDB (RECIBO DE DEPÓSITO BANCÁRIO): é o título de renda fixa cujo ren-
dimento é uma taxa de juros previamente acordada entre a instituição e o
investidor. Este tipo de investimento não permite a retirada antecipada dos
recursos aplicados, nem a negociação em mercado secundário.

S
SCM (SOCIEDADE DE CRÉDITO AO MICROEMPREENDEDOR): as SCMs
foram criadas em 2001 como entidades cujo objeto social exclusivo é a con-
cessão de financiamentos e a prestação de garantias às pessoas físicas,
bem como a pessoas jurídicas classificadas como microempresas.

SFN (SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL): pode ser definido como o con-


junto de instituições e instrumentos destinados a oferecer alternativas de
aplicação e de captação de recursos financeiros.

SUPERÁVIT PRIMÁRIO: é o termo utilizado para determinar o quanto


o Governo arrecada a mais do que gasta, sendo que, nesse cálculo, são
excluídas as despesas com juros.

SUSEP (SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS): é o órgão


respon­sável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro, previ­
dência aberta, capitalização e resseguro.

SWAP: é uma operação em que há troca de posições quanto ao risco e à


rentabilidade entre investidores. O contrato de troca pode ter como objeto
moedas, commodities ou ativos financeiros.

T
TAXA SELIC: a taxa de juros básica da economia no Brasil definida pelo
Copom (Comitê de Política Monetária).

TÍTULO PÚBLICO FEDERAL: são papéis emitidos pelo Tesouro Nacional


e vendidos no mercado para captar recursos e financiar a dívida pública
federal do Brasil.

TR (TAXA REFERENCIAL): é uma taxa calculada pelo Banco Central do


Brasil e utilizada para determinar o rendimento de investimentos, como a
caderneta de poupança e a correção de financiamentos imobiliários.

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U
UNDERWRITTING: no mercado financeiro, o underwriting ou subscrição
ocorre quando uma companhia seleciona e contrata um intermediário
financeiro, que será responsável pela colocação de uma subscrição pública
de ações ou obrigações no mercado.

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