A arte do negócio
Tudo começa com uma boa ideia. Entenda por uma boa ideia, algo que seja
capaz de satisfazer uma necessidade ou resolver um problema de alguém.
Se essa necessidade ou esse problema é mais comum do que se imagina,
então o “alguém” recebe o nome de foco.
O foco é uma parte do mercado onde se juntam pessoas ou empresas com
problemas e necessidades – nunca iguais, mas, às vezes, semelhantes.
Por isso mesmo, é bom evitar a armadilha de padronizar a demanda,
acreditando na absolutamente improvável pasteurização daqueles
problemas e necessidades. Incorrer nesse erro significa deturpar, aos
poucos, o que a princípio era uma boa ideia.
Muito bem! Para esclarecer onde queremos chegar, vamos mudar o
nome da “ideia” para “negócio”. Então, veremos que um negócio está
sempre relacionado à satisfação de uma necessidade ou à solução de um
problema, por meio de diferenciais.
Portanto, um negócio nunca é um produto ou um serviço, ao contrário do
que muita gente pensa. Costuma-se dizer, também, que um produto ou um
serviço são alternativas encontradas para fazer valer um negócio. Aí existe
uma outra armadilha: acreditar que produtos e serviços são o negócio.
Quando os líderes assim pensam, a oferta tenta se opor à demanda. Ora!
Não há nada mais infeliz no mundo dos negócios do que brigar com a
demanda.
Composta pelo conjunto de desejos de consumo do mercado, a demanda
tem de ser entendida, jamais atacada!
“Um negócio está sempre relacionado à satisfação de uma necessidade ou
à solução de um problema, por meio de diferenciais.”
Todo empreendimento começa bem, quando o negócio, por meio dos
diferenciais, está ajustado ao foco. Infelizmente, muitos líderes só
conseguem uma combinação adequada na época da criação da empresa.
Como o foco é um alvo móvel, eles se esquecem de ajustar os diferenciais
de quando em quando. E aí aquela boa ideia começa a deixar de ser uma
boa ideia.
Continuemos com o nosso raciocínio: a boa ideia, traduzida pelo negócio,
o foco e os diferenciais, é uma parte significativa do que chamamos de
trama do negócio. Mas ainda não é tudo, a outra parte é a competência do
negócio.
Descoberto o alvo e a flecha, é preciso saber usar muito bem o arco, ou
seja, desenvolver a pontaria. E como o mundo dos negócios é pura arte
apoiada na ciência, aqui reside outra armadilha: a de insistir em ter um
bom arco, destreza no disparo e excelente pontaria, quando o alvo não
comporta mais determinado tipo de flecha.
Metáfora à parte, o problema está em insistir na competência, quando o
foco e os diferenciais não são mais congruentes. O inverso também pode
ocorrer: ter um foco e um diferencial ajustados, mas a competência deixar
a desejar.
E não podemos esquecer: foco, diferencial e competências deverão
estar alinhados, em última instância, às intenções, declaradas ou não, na
Dimensão filosófica.
A trama do negócio é a melhor combinação das intenções com o foco, os
diferenciais e as competências. Buscar a melhor combinação é, muito mais
que ciência, uma questão de arte!
Roberto Tranjan