A IMPORTÂNCIA DA FEB NA SEGUNDA GUERRA
MUNDIAL
Gabriel Guilherme de Almeida Arend
FERRAZ, Francisco César. Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Editora
Zahar, 2005.
Nesta obra, o autor Francisco César Ferraz retrata a participação da Força
Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, desde o que motivou a entrada no
conflito, os problemas logísticos e sociais que os expedicionários enfrentaram para
combaterem na Itália, até a vitoriosa volta para casa e o momentâneo esquecimento dos feitos
dos veteranos e sua participação na história.
O autor destaca o desempenho da FEB em batalhas significativas, como as de Monte
Castelo e Montese, ressaltando que, embora a atuação brasileira não tenha sido decisiva para
a vitória dos Aliados, foi comparável à de outras unidades aliadas na frente italiana . Além disso,
Ferraz aborda o impacto dos ataques de submarinos alemães a navios brasileiros, que
resultaram na morte de mais civis do que soldados em combate, enfatizando que "a guerra
chegou aos brasileiros" antes mesmo do envio de tropas ao exterior .
O livro inicia narrando os fatos que aconteceram em 15 de agosto de 1942, precedentes
a entrada do Brasil na guerra. Navios mercantis brasileiros que navegam na costa foram
atacados repentinamente por submarinos alemães que resultaram em 270 baixas, tanto civis
como militares. Esta ação hostil do eixo gerou dentro da sociedade brasileira uma intensa
revolta, e com os intensos protestos pedindo que a nação entrasse na guerra, o presidente
Getúlio Vargas cedeu a vontade popular e em 22 de Agosto declarou estado de beligerância
ao Eixo.
Durante o conflito, houve uma mobilização nacional no esforço de guerra, com civis
indo aventurar-se na exploração de borracha na região amazônica, intensa procura por
trabalhadores rurais e urbanos aptos ao combate que foram recrutados ao Corpo
Expedicionário. Além de, diversos problemas de logística e falta de experiência em combate
para enviar os praças à Europa, tendo sido necessário navios de transporte americanos para
este último.
Na Itália, o ditado popular “a cobra vai fumar” se popularizou entre os expedicionários,
que responde a frase dita por Adolf Hitler que mencionava que o Brasil só entraria na guerra
se uma cobra fumasse um cachimbo. Embora os expedicionários tiveram curta participação
no rumo da guerra, porém significativa, com a tomada de Monte Castelo sendo um dos
principais feitos do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Após o conflito, muitos veteranos enfrentaram dificuldades para se reintegrar à
sociedade brasileira, lidando com desemprego e falta de reconhecimento. Ferraz aponta que
apenas em 1988, com a nova Constituição, os ex-combatentes conquistaram o direito a uma
pensão especial, embora a maioria já tivesse falecido até então . O autor também critica a
associação equivocada entre os praças da FEB e o regime militar instaurado em 1964, o que
contribuiu para o esquecimento e desvalorização de sua contribuição histórica
Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial é uma leitura essencial para compreender
a complexa participação do Brasil no conflito e suas repercussões internas. Com uma narrativa
envolvente e fundamentada, Francisco César Ferraz oferece uma reflexão crítica sobre um
capítulo muitas vezes negligenciado da história brasileira, desafiando mitos e promovendo
uma compreensão mais profunda da realidade enfrentada pelos soldados brasileiros e pela
sociedade da época.