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Grupo Educacional Faveni: TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) E A PSICOLOGIA Baseada em Evidências

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GRUPO EDUCACIONAL FAVENI

JULIANA LAPOLLI

TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) E A PSICOLOGIA


BASEADA EM EVIDÊNCIAS

IPOJUCA
2022
JULIANA LAPOLLI

GRUPO EDUCACIONAL FAVENI

TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) E A PSICOLOGIA


BASEADA EM EVIDÊNCIAS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Faculdade Futura – Grupo
Educacional Faveni, como requisito parcial
para obtenção do título de especialista em
TCC - Terapia Cognitiva Comportamental

Orientador: Prof. DsC. Ana Paula


Rodrigues

IPOJUCA
2022
TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) e a PSICOLOGIA BASEADA EM
EVIDÊNCIAS

LAPOLLI, Juliana

Doutora e Mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento (UFSC) e Psicóloga,


julapolli@[Link]

Declaro que sou autor¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o
mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja
parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e
corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de
investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e
administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação
aos direitos autorais.

RESUMO – As condutas baseadas em evidências em diversas


especialidades na saúde vêm crescendo mundialmente. Esse movimento chega
também às intervenções psicológicas, sendo uma importante alternativa para o
tratamento dos transtornos mentais. O artigo traz uma revisão bibliográfica sobre a
Psicologia Baseada em Evidências e aborda aspectos referentes a importância de
sua utilização, além de fazer um link com a Terapia Cognitiva Comportamental,
apresentando o desenvolvimento histórico do movimento de Prática Baseada em
Evidências em Psicologia. O desenvolvimento da Psicologia como ciência e
profissão depende da aprendizagem de competências que permitam a aplicação da
Psicologia Baseada em Evidencias, tais como o uso efetivo das bases de dados que
indexam artigos, avaliação crítica das pesquisas clínicas e revisões de literatura,
domínio das técnicas terapêuticas, entre outros.

PALAVRAS-CHAVE: TCC. Psicologia baseada em evidência. Ciência.


1 INTRODUÇÃO
As condutas baseadas em evidências em diversas especialidades na saúde
vêm crescendo mundialmente. Esse movimento chega também às intervenções
psicológicas, sendo uma importante alternativa para o tratamento dos transtornos
mentais. Nesse sentido, o mapeamento das fontes de informação disponíveis e o
esclarecimento dos principais fundamentos do que significa psicologia baseada em
evidências se tornam primordiais tanto para estudantes quanto para acadêmicos e
clínicos.
Tradicionalmente, a escolha pelo tipo de intervenção psicoterápica para
diferentes quadros clínicos depende fundamentalmente da experiência profissional
do terapeuta e de sua predileção por determinadas estratégias clínicas (GAUDIANO;
BROWN; MILLER, 2011; MORROW-BRADLEY; ELLIOTT, 1986). Isso tem se
modificado no contexto da prática baseada em evidências, cuja premissa é a de que
a conduta do psicólogo deve ser fundamentada em dados empíricos. Embora tenha
sido desenvolvida originalmente na década de 1990 na medicina (GUYATT et al.,
1992), a prática baseada em evidências vem recebendo um crescente interesse na
Psicologia (GOODHEART; KAZDIN; STERNBERG, 2006 e NORCROSS; BEUTLER;
LEVANT, 2006).
A expressão Psicologia Baseada em Evidências, significa que o trabalho do
psicólogo é baseado em estudos, ensaios randomizados e casos clínicos em que
foram utilizadas técnicas comprovadas cientificamente que funcionam e dão
resultado para aquele transtorno psicológico.
Um psicólogo que trabalha com Práticas Baseadas em Evidências vai pautar
seu trabalho de acordo com três pontos principais: sua expertise, ou seja, sua
experiência na prática clínica; a técnica de determinada abordagem com mais
evidências que funciona naquele determinado aquele caso; a preferência do seu
paciente.
Assim, uma Prática Baseada em Evidências (PBE) é aquela que oferece uma
melhor probabilidade de prognóstico para o transtorno mental do paciente, com as
melhores evidências e resultados.
Atualmente, entre as abordagens com maiores evidências científicas está a
Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), que apresenta os melhores resultados
para depressão, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos

4
alimentares, disfunções sexuais, transtorno do pânico, transtornos de personalidade,
TDAH, entre outros transtornos mentais. Além da TCC, a Terapia Comportamental
Dialética (DBT) tem os seus melhores resultados para casos de transtorno de
personalidade borderline, transtorno bipolar e casos de intensa desregulação
emocional. A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) também tem fortes
evidências para casos de dor crônica.
Apesar de ainda recente, a Psicologia Baseada em Evidências já possui
grandes desafios como a conscientização de que, antes de tudo, é fundamental
entender que não se trata da superioridade de uma determinada abordagem ou
técnicas psicoterapêuticas, mas da urgência em se fazer ciência embasada em
evidências robustas, que possam nortear a prática de seus profissionais.
Dessa forma esse artigo pretende trazer uma revisão bibliográfica sobre a
Psicologia Baseada em Evidências e abordar aspectos referentes a importância de
sua utilização, além de fazer um link com a Terapia Cognitiva Comportamental como
psicologia baseada em evidência.

2 DESENVOLVIMENTO
2.1 TCC
A TCC é usada como um termo mais amplo que inclui tanto a terapia
cognitiva (TC) padrão quanto combinações ateóricas de estratégias cognitivas e
comportamentais (BECK, 2005). Aaron Beck, o fundador da terapia cognitiva,
formulou uma base teórica coerente antes do desenvolvimento de estratégias
terapêuticas. As diretrizes para desenvolver e avaliar o novo sistema de
psicopatologia e psicoterapia foram (BECK , 2005): construir uma teoria abrangente
de psicopatologia que dialogasse bem com a abordagem psicoterápica; pesquisar as
bases empíricas para a teoria; e conduzir estudos empíricos para testar a eficácia da
terapia.
Os primeiros estudos importantes e as primeiras abordagens cognitivo-
comportamentais para o tratamento dos transtornos emocionais começaram a surgir
na década de 60 com autores como Aaron Beck, Albert Ellis, Lazarus, Meichenbaum
e Mahoney (GONÇALVES, 2014). As abordagens em TCC compartilham bases
comuns, embora haja diferenças consideráveis em princípios e procedimentos entre
elas devido ao fato de que os pioneiros no desenvolvimento de intervenções
cognitivo-comportamentais terem vindo de diferentes fundamentos teóricos: Aaron
5
Beck e Albert Ellis tinham bases psicanalíticas, já Meichenbaum, Goldfried e
Mahoney, foram originalmente treinados em modificação do comportamento.
De acordo com Dobson; Dozois (2001) as abordagens atuais em TCC
compartilham três proposições fundamentais:
- o papel mediacional da cognição: há sempre um processamento cognitivo e
avaliação de eventos internos e externos que podem afetar a resposta a esses
eventos;
- a atividade cognitiva pode ser monitorada, avaliada e medida;
- a mudança de comportamento pode ser mediada por essas avaliações
cognitivas e ser uma evidência indireta de mudança cognitiva.
Para os autores a TCC pode ser contrastada dos tratamentos puramente
comportamentais, nos quais a cognição não é uma variável explicativa importante e
não é primariamente o foco da intervenção (DOBSON; DOZOIS, 2001). Assim, não
são cognitivo-comportamentais as abordagens voltadas estritamente para a
mudança de comportamento, como o modelo estímulo-resposta, nem qualquer
terapia unicamente baseada em mudança cognitiva.
Uma importante característica definidora da TCC é o conceito de que os
sintomas e os comportamentos disfuncionais são cognitivamente mediados e, logo,
a melhora pode ser produzida pela modificação do pensamento e de crenças
disfuncionais.
O modelo cognitivo foi originalmente construído de acordo com pesquisas
conduzidas por Aaron Beck para explicar os processos psicológicos na depressão.
Na pesquisa, Beck (1976) apontou que os sonhos poderiam ser simplesmente um
reflexo dos pensamentos do indivíduo. Baseado em pesquisa sistemática e
observações clínicas, Beck propôs que os sintomas de depressão poderiam ser
explicados em termos cognitivos como interpretações tendenciosas das situações,
atribuídas à ativação de representações negativas de si mesmo, do mundo pessoal
e do futuro (a tríade cognitiva).
A abordagem científica adotada pela terapia comportamental contribuiu com
diversos procedimentos e estratégias terapêuticos, como a estrutura da sessão, a
maior atividade do terapeuta, o estabelecimento de objetivos do tratamento para
toda a terapia e de uma pauta para cada sessão, a formulação e teste de hipóteses,
a obtenção de feedback, o uso de técnicas de solução de problemas e treinamento

6
de habilidades sociais, a prescrição de tarefas de casa e experimentos entre as
sessões, e a medição de variáveis.
De acordo com Beck; Newman (2005) a TC assinala que há pensamentos
automáticos, nas fronteiras da consciência que ocorrem espontânea e rapidamente
e são uma interpretação imediata de qualquer situação. A maioria das pessoas não
está imediatamente consciente da presença de pensamentos automáticos, a não ser
que estejam treinadas para monitorá-los e identificá-los.
As crenças nucleares (pensamentos disfuncionais mais profundos) estão na
raiz dessas interpretações automáticas distorcidas. Elas são estruturas cognitivas
internas relativamente duradouras de armazenamento. Dessa forma, uma vez que
uma determinada crença básica se forma, ela pode influenciar a formação de novas
crenças relacionadas e, se persistirem, são incorporadas na estrutura cognitiva
duradoura. Para Beck (1971) crenças nucleares embutidas nessas estruturas
cognitivas modelam o estilo de pensamento de um indivíduo e promovem erros
cognitivos encontrados na psicopatologia.
A primeira etapa do tratamento em TC estabelecer uma boa relação de
trabalho com o paciente, um procedimento terapêutico chamado de empirismo
colaborativo.
Ao longo de todo tratamento em TC, utiliza-se a abordagem colaborativa e
psicoeducativa, com experiências específicas de aprendizagem desenhadas com o
intuito de ensinar os pacientes a monitorar e identificar pensamentos automáticos;
reconhecer as relações entre pensamento, emoções e comportamento; testar a
validade de pensamentos automáticos e crenças nucleares; corrigir
conceitualizações tendenciosas, substituindo pensamentos distorcidos por
cognições mais realistas; e identificar e alterar crenças, pressupostos ou esquemas
subjacentes a padrões disfuncionais de pensamento (BECK, 1976).
As sessões de TC têm uma estrutura na qual o terapeuta cognitivo
desempenha um papel ativo para auxiliar o paciente a identificar e focar em áreas
importantes, propondo e ensaiando técnicas cognitivas e comportamentais
específicas, e planejando tarefas entre as sessões. Além disso, um plano de
tratamento para toda a terapia e a pauta para cada sessão são discutidos com o
paciente.

7
A conceitualização de caso contém uma avaliação histórica e prospectiva de
padrões e estilos de pensamento. Procurando e agrupando denominadores
cognitivos comuns em diversas situações de vida e a avaliação delas pelo paciente,
pode-se identificar um padrão cognitivo. Ele incluirá um entendimento do conjunto
particular de crenças disfuncionais, vulnerabilidades específicas individuais e
estratégias comportamentais que os pacientes usam para lidar com suas crenças
nucleares (BECK; NEWMAN, 2005).

2.2 PSICOLOGIA BASEADA EM EVIDÊNCIAS: CONTEXTUALIZAÇÃO


Apesar do movimento que sugere que os profissionais da Psicologia devam,
entre outras recomendações, pautar sua prática psicoterápica em evidências
produzidas por estudos com alto rigor metodológico ser relativamente, as discussões
acerca da efetividade em psicoterapia iniciaram em meados dos anos 1950.
O psicólogo alemão Hans Eysenck, em 1952, publicou uma revisão de 19
estudos empíricos de psicoterapia da época, nos quais a única medida de resultado
disponível era o registro do terapeuta em termos de cura ou muita
melhora, melhora, pouca melhora e nenhuma melhora, e concluiu que nenhuma
modalidade de intervenção psicoterápica era mais efetiva para a melhora do cliente
do que a simples passagem do tempo. De acordo com Eysenck as psicoterapias
utilizadas falharam quanto à recuperação dos pacientes, já que aproximadamente
dois terços dos pacientes avaliados teriam uma evolução significativa após dois anos
do início da doença, independentemente de serem tratados por meio de
psicoterapia.
As conclusões de Eysenck foram preocupantes e levaram a diferentes tipos
de reação. Alguns ignoraram a publicação, defendendo que a prática da psicoterapia
era importante e argumentaram que todos sabem que terapia funciona (BARLOW;
BOSWELL; THOMPSON-HOLLANDS, 2013). Apesar disso o principal efeito do
trabalho foi estimular a produção de pesquisas empíricas que demonstrassem os
resultados das psicoterapias praticadas nas décadas seguintes.
Nos anos subsequentes à publicação do referido texto, diversos debates
ocorreram na literatura. Rosenzweig (1954) qualificou o estudo de Eysenck como
tendencioso, criticando a conceituação de neurose utilizada no estudo, as
diferenciações do autor acerca das psicoterapias psicanalíticas, ecléticas e clínicas

8
gerais, além da dificuldade de se avaliar a recuperação de pacientes cujos métodos
de tratamento se diferem entre si.
Luborsky, Singer e Luborsky (1975) analisaram 105 pesquisas que
compararam o efeito de diferentes modalidades de psicoterapia entre si, além de
comparações com tratamentos medicamentosos e com grupos-controle. Os autores
concluíram que a maioria dos estudos comparativos das diferentes formas de
psicoterapia revelaram diferenças insignificantes nas proporções de pacientes que
melhoraram ao final da psicoterapia. Essa conclusão de que todas as formas de
terapia funcionam igualmente, ficou conhecida na literatura como o “veredito do
pássaro Dodô”.
Pesquisadores, em sua maioria de orientação cognitivo-comportamental,
suspeitavam da veracidade do veredito do pássaro Dodô. De acordo com Beutler
(1979) e Kazdin; Bass (1989) os principais responsáveis pela mudança terapêutica
seriam os fatores específicos presentes em cada modalidade de terapia
(procedimentos, técnicas e estratégias). Os cinco componentes dos fatores
específicos são:
- há um comportamento-alvo, queixa ou transtorno a ser tratado;
- há uma explicação teórica sobre a origem do problema;
- há mecanismos de mudança consistentes com determinada abordagem
teórica;
- esses mecanismos de mudança indicam uma terapêutica a ser empregada;
- os resultados são atribuídos à terapêutica empregada, ou seja, a um fator
específico da intervenção.
Em 1977 Smith e Glass forneceram evidências de que os pacientes tratados
por meio de psicoterapia tinham probabilidade de melhora de 75% maior do que
pacientes não tratados. Tal resultado foi produto de uma revisão de cerca de 400
estudos compostos por diferentes modalidades psicoterapêuticas.
As discussões e conflitos acerca dos atributos responsáveis pelos resultados
das psicoterapias se estenderam pelos anos e na década de 1990 iniciaram-se
alguns movimentos da American Psychological Association (APA): as forças-tarefa.
A primeira foi realizada no ano de 1993 pela Divisão 12 da APA, que correspondia à
área de Psicologia Clínica. Seus objetivos eram definir e identificar tratamentos
empiricamente sustentados, propor diretrizes de formação para futuros terapeutas e

9
de treinamento contínuo para os profissionais em exercício, disseminar os
tratamentos empiricamente sustentados para os planos de saúde e informar a
população sobre a eficácia da psicoterapia (CHAMBLESS, 1993).
Em 1995 o relatório da força-tarefa da Divisão 12 da APA foi publicado no
boletim The Clinical Psychologist, no qual foram listados 18 tratamentos
empiricamente sustentados e 7 provavelmente eficazes, com a observação de que
os tratamentos que não haviam sido incluídos nessas duas categorias deveriam ser
considerados experimentais. Uma nova atualização da lista foi publicada pela
Divisão 12 em 1998, na qual foram relacionados 16 tratamentos empiricamente
sustentados e 55 tratamentos provavelmente eficazes, além de uma lista atualizada
dos manuais que descrevem as etapas e os procedimentos dos tratamentos
empiricamente sustentados e de um conjunto de informações sobre oportunidades
de formação e treinamento nessas psicoterapias (CHAMBLESS et al.,
1998; WOODY; SANDERSON, 1998).
Segundo o relatório (Task Force on Promotion and Dissemination of
Psychological Procedures, 1995), para um tratamento ser considerado como
empiricamente sustentado e provavelmente eficaz, seria necessário:
- existir dois ou mais ensaios clínicos randomizados conduzidos por
diferentes pesquisadores (que demonstrassem que aquele tratamento era superior a
placebo ou a outras intervenções psicoterápicas ou que era equivalente a um
tratamento já estabelecido em estudos estatisticamente significantes)
- nove ou mais pesquisas com delineamento experimental de caso único com
alta qualidade metodológica (que demonstrassem que aquele tratamento era
superior a placebo ou a outros tratamentos já estabelecidos).
- dois estudos de grupo (que demonstrassem que aquele tratamento era
superior a um grupo sem tratamento) ou três ou mais pesquisas com delineamento
experimental de caso único com boa qualidade metodológica (que demonstrassem
que aquele tratamento era superior a placebo ou a outras intervenções).
Do mesmo modo, a sustentação empírica dos tratamentos foi avaliada de
acordo com problemas clínicos específicos, tais como transtorno do pânico,
transtorno obsessivo-compulsivo, fobias, depressão, estresse, disfunções sexuais,
problemas de saúde, entre outros. Assim, uma modalidade de terapia não seria

10
simplesmente classificada como um tratamento empiricamente sustentado, mas sim
como um tratamento empiricamente sustentado para um transtorno especifico.
Segundo Sanderson (2003) a Divisão 12 formou em 1999 um comitê
permanente que publica atualizações constantes sobre a eficácia de intervenções
psicológicas, com o objetivo de dar continuidade à identificação, formação e
disseminação de tratamentos empiricamente sustentados,
O resultado da força-tarefa da Divisão 12 foi contestado por diversos
pesquisadores e terapeutas por diversas razões:
- inclusão somente de pesquisas cujos participantes preenchiam os
critérios diagnósticos para alguma psicopatologia descrita no Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (REED; KIHLSTROM;
MESSER, 2006; BOHART; O’HARA; LEITNER, 1998). Fava; Mangelli (2001) e
Stirman et al. (2003) esclarecem que muitos clientes costumam apresentar
sintomas de ansiedade, depressão, uso de drogas, alterações de personalidade,
etc., mas que não fecham um diagnóstico completo, e que outros buscam a
terapia para resolver questões que não estão relacionadas a um diagnóstico
como insatisfação com o trabalho, dificuldade no relacionamento ou em se
envolver em relações afetivos, etc.
- inclusão somente de tratamentos com manuais, sendo que a Divisão 12
entende que a descrição do tratamento na forma de manual é necessária para
haver uma definição clara da intervenção. Para Addis, Wade e Hatgis (1999)
seguir o manual atrapalharia o desenvolvimento de uma boa relação terapêutica,
ignoraria as diferenças individuais, não atenderia às necessidades de clientes
com múltiplos problemas e/ou diagnósticos, ameaçaria a independência,
espontaneidade e criatividade do clínico e retardaria o desenvolvimento de
novas teorias e de intervenções alternativas.
- avaliação dos tratamentos por meio de pesquisas cujo método
empregado foi o ensaio clínico randomizado. Para Chambless; Ollendick (2001)
os estudos de grupo, essencialmente quantitativos, seriam pobres para o campo
da psicoterapia, sendo a pesquisa qualitativa a mais apropriada; a abordagem
cognitivo-comportamental teria levado vantagem na avaliação porque foram
muito mais pesquisadas com esse tipo de método do que todas as outras
abordagens; o fato de um tratamento ser eficaz não garantiria que ele seja

11
efetivo (apresenta resultados satisfatórios no contexto da oferta real de serviços
de psicoterapia).
De acordo com Norcross (2002), as críticas direcionadas ao trabalho da
Divisão 12 iniciaram novas forças-tarefas de outras divisões da APA. Em 1999, uma
força-tarefa foi formada pela Divisão 29 da APA com o objetivo de identificar,
operacionalizar e disseminar informações sobre relações terapêuticas
empiricamente sustentadas. A equipe conduziu 24 meta-análises de um corpo vasto
de pesquisas quantitativas e qualitativas. O produto final desse trabalho foi publicado
no livro Psychotherapy Relationships That Work: Therapist Contributions and
Responsiveness to Patient Needs.
Em 2005 APA instaurou uma força-tarefa composta por psicólogos de
diferentes abordagens com o objetivo de desenvolver uma concepção de prática
baseada em evidências que fosse representativo de diversas perspectivas teóricas,
metodológicas, conceituais e práticas - American Psychological Association, 2006.
Assim, a APA definiu o conceito de Prática Baseada em Evidências em Psicologia
(PBEP) como um processo de tomada de decisão clínica, que ocorre por meio da
integração da melhor evidência disponível com a perícia clínica do psicoterapeuta,
no contexto das características, cultura e preferências do paciente, sendo que os
três componentes da definição possuem o mesmo grau de importância na decisão
clínica.
Para o American Psychological Association (2006) os três componentes da
definição possuem o mesmo grau de importância na determinação da melhor
conduta para cada cliente e são:
- melhor pesquisa disponível, refere-se às evidências empíricas que
demonstram quais procedimentos terapêuticos produzem resultados positivos e
minimizam resultados negativos (REED; KIHLSTROM; MESSER, 2006).
- repertório do clínico, o qual diz respeito ao repertório especializado do
terapeuta, construído em sua formação acadêmica, supervisão, experiência clínica e
estudo da literatura teórica e empírica (WAMPOLD; GOODHEART; LEVANT, 2007).
- idiossincrasias do cliente, são relacionadas ao contexto das características,
cultura e preferências do cliente, levando em consideração suas particularidades.
Assim, a Psicologia Baseada em Evidencias é caracterizada como um
processo individualizado de tomada de decisão clínica que ocorre por meio da

12
integração da melhor evidência científica com a perícia clínica e as peculiaridades do
cliente.
De acordo com Frueh et al. (2012) o modelo da Psicologia Baseada em
Evidencias deve ser operacionalizado em cinco etapas: levantamento de questões
clínicas; busca pelas melhores evidências empíricas (principalmente em bancos de
dados que são voltados para profissionais atuantes e não para pesquisadores e que,
por isso, reúnem apenas revisões sistemáticas da literatura empírica, como
o Turning Research Into Practice, o SUMSearch e a Cochrane Library); apreciação
crítica das evidências encontradas; intervenção, embasada nas evidências e
regulada pelo repertório do terapeuta e pelas características do cliente; e avaliação
dos resultados da intervenção.

3 MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho foi realizado através de uma pesquisa bibliográfica, que
consiste na revisão da literatura relacionada à temática abordada.
Para tanto, foram utilizados livros, periódicos, artigos entre outras fontes.
Para Boccato (2006), a pesquisa bibliográfica busca a resolução de um
problema (hipótese) por meio de referenciais teóricos publicados, analisando e
discutindo as várias contribuições científicas. Esse tipo de pesquisa trará subsídios
para o conhecimento sobre o que foi pesquisado, como e sob que enfoque e/ou
perspectivas foi tratado o assunto apresentado na literatura científica.

4 CONCLUSÃO
Tendo como ponto de partida a invalidação da utilidade da psicoterapia por
Eysenck na década de 1950, o presente artigo apresentou o desenvolvimento
histórico do conceito de Psicologia Baseada em Evidencias, descrevendo o trabalho
das diferentes forças-tarefa e o esforço da APA em elaborar um modelo
representativo das diversas perspectivas teóricas, metodológicas e práticas.
Apesar de suas limitações, a Psicologia Baseada em Evidencias está no
centro das atenções do cenário internacional da Psicologia e constantes esforços
têm sido feitos nessa direção por pesquisadores e profissionais com o intuito de
preencher a lacuna entre ciência e prática ainda existente na Psicologia Clínica.

13
Diversas pesquisas e a prática clínica demonstraram que a TC é efetiva na
redução de sintomas e taxas de recorrência, com ou sem medicação, em uma ampla
variedade de transtornos psiquiátricos. Beck aplicou sistematicamente o conjunto de
princípios teóricos e terapêuticos da TC a uma série de transtornos, começando por
depressão, suicídio, transtornos de ansiedade e fobias, síndrome do pânico,
transtornos da personalidade e abuso de substâncias. Problemas interpessoais e
raiva, hostilidade e violência também foram estudados. Além disso, trabalhos mais
recentes usando esta abordagem mostraram um efeito adicional sobre o tratamento
medicamentoso de doenças psiquiátricas graves, como esquizofrenia e transtorno
bipolar.
Ainda que as tomadas de decisão de programas de intervenção e políticas de
saúde mental venham a ser baseadas em evidências, elas devem ser um alvo
permanente de processos de monitoramento e avaliação sistemáticos. A prática da
psicologia baseada em evidências demanda do psicólogo constante atualização e
conhecimento dos princípios metodológicos envolvidos na pesquisa.
Embora o modelo de Psicologia Baseada em Evidencias represente um
importante avanço para o desenvolvimento da Psicologia como ciência e profissão,
seu status atual apresenta limitações importantes. A maioria das publicações,
incluindo os livros da APA focam-se quase que exclusivamente no modelo conceitual
e nas diversas controvérsias que circundam o tema, ao invés do ensino das
habilidades necessárias para sua aplicação.
O desenvolvimento da Psicologia como ciência e profissão depende da
aprendizagem de competências que permitam a aplicação da Psicologia Baseada
em Evidencias, tais como o uso efetivo das bases de dados que indexam artigos,
avaliação crítica das pesquisas clínicas e revisões de literatura, domínio das técnicas
terapêuticas, etc.
O presente artigo teve por objetivo trazer uma revisão bibliográfica sobre a
Psicologia Baseada em Evidências e abordar aspectos referentes a importância de
sua utilização, além de fazer um link com a Terapia Cognitiva Comportamental como
psicologia baseada em evidência. Foi apresentado o desenvolvimento histórico do
movimento de Prática Baseada em Evidências em Psicologia, bem como a
integração deste modelo com a TCC.

14
Este artigo limita-se a uma discussão teórica acerca dos temas abordados.
Dessa forma, o desenvolvimento futuro da Psicologia como profissão depende da
aproximação da prática profissional à ciência psicológica.

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