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Tayani Reis
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INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO PROFESSOR ALDO MUYLAERT

LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

ÉVENY SANTOS, JUREMA PEREIRA, MARIA LUIZA MOTTA, NADILLA TINOCO,


STEPHANY MOÇO, TALITA MIRANDA, TAYANI REIS

NOVAS DISPUTAS POLÍTICAS NO TERRITÓRIO DA DOCÊNCIA

CAMPOS DOS GOYTACAZES

2025
Éveny Santos, Jurema Pereira, Maria Luiza Motta, Nadilla Tinoco, Stephany Moço, Talita
Miranda E Tayani Reis

302

NOVAS DISPUTAS POLÍTICAS NO TERRITÓRIO DA DOCÊNCIA

Trabalho acadêmico apresentado ao Curso de

Licenciatura em Pedagogia do Instituto Superior

de Educação Professor Aldo Muylaert, como parte

dos requisitos avaliativos, sob a orientação da Professora Nágela

CAMPOS DOS GOYTACAZES

2025
INTRODUÇÃO

O debate sobre o currículo como um território em disputa tem ganhado destaque nas reflexões
críticas sobre a educação brasileira. O livro Currículo, território em disputa, de Miguel Gonzáles
Arroyo, é uma das principais referências nesse campo, ao compreender o currículo não apenas como
um conjunto de conteúdos escolares, mas como um espaço simbólico, político e social onde diferentes
sujeitos, saberes e experiências lutam por reconhecimento e legitimidade. Segundo Arroyo, o
currículo é atravessado por disputas concretas que envolvem professores, estudantes, coletivos
populares e movimentos sociais, todos em busca de representação e pertencimento no processo
educativo.

Essa perspectiva é reforçada por autores como Favacho, que destaca como o currículo oficial
tem sido pressionado por coletivos populares que exigem visibilidade para suas histórias, saberes e
memórias. Os movimentos sociais não buscam apenas acesso à escola, mas à possibilidade de se
fazerem presentes na construção do conhecimento escolar. Ao mesmo tempo, essas disputas
provocam reações por parte do Estado e de setores conservadores que tentam manter o currículo preso
a uma lógica tecnicista, excludente e padronizadora, como ilustrado pelas avaliações oficiais e pelas
políticas de controle sobre o trabalho docente.

No mesmo sentido, Pedon e Corrêa (2019) ampliam essa análise ao mostrar como o currículo
é influenciado por ideologias conservadoras que se opõem às transformações educacionais e aos
avanços das lutas sociais. Para os autores, a escola é um território estratégico no embate de classes,
no qual se disputam sentidos, valores e projetos de sociedade. O movimento “Escola Sem Partido”,
por exemplo, representa uma ofensiva contra uma educação plural, crítica e democrática, buscando
silenciar temas ligados à diversidade, à cidadania e à justiça social no currículo escolar.

OBJETIVO

Promover uma reflexão sobre o currículo escolar, compreendido não como um conjunto
neutro e técnico de conteúdos, mas como um território em constante disputa, atravessado por relações
de poder, ideologias e interesses políticos. A partir das contribuições teóricas, busca-se evidenciar
como os sujeitos da ação educativa – professores e alunos – disputam espaço, voz e reconhecimento
dentro dos currículos escolares.

JUSTIFICATIVA
Diante dos crescentes processos de controle sobre a prática docente, das políticas de avaliação
padronizadas e da tentativa de neutralização ideológica do ensino, torna-se urgente repensar o papel
do currículo como instrumento de emancipação. Entender o currículo como campo de lutas
simbólicas e políticas é essencial para garantir o direito à diversidade, à autoria e à construção de uma
educação democrática.

Com esse cenário, é fundamental reconhecer que o currículo não se limita a um conjunto de conteúdos
prescritos, mas expressa intencionalidades, disputas e escolhas que impactam diretamente a formação
dos sujeitos. Ao silenciar determinadas vozes e privilegiar outras, o currículo pode reproduzir
exclusões históricas ou, ao contrário, abrir caminhos para o reconhecimento das múltiplas identidades
presentes na escola. Por isso, defender um currículo crítico e plural é também defender a escola como
espaço de diálogo, escuta e participação – um lugar onde se constrói cidadania e se afirmam direitos.
Reafirmar essa perspectiva é um ato de resistência frente às tentativas de despolitização e
homogeneização do processo educativo.

METODOLOGIA

Este trabalho foi desenvolvido com base em uma abordagem qualitativa de natureza teórica e
bibliográfica. Foram analisadas as obras de Miguel Arroyo (2011), o artigo de Pedon e Corrêa (2019),
além de outros textos complementares. A pesquisa adotou uma leitura crítica e reflexiva dos materiais,
com ênfase nas seguintes categorias: currículo, disputa, autoria e diversidade.

DESENVOLVIMENTO

A concepção de currículo como campo de disputa não é nova, pois veio à tona,
internacionalmente, nos anos de 1970 e, no Brasil, nos anos de 1980, revelando-se uma importante
sustentação para análise das relações de poder que envolvem os currículos. O próprio Miguel Arroyo
contribuiu fortemente para o debate, destacando que o currículo não é apenas território de disputas
teóricas. Quem disputa vez nos currículos são os sujeitos da ação educativa: os docentes-educadores
e os alunos-educandos, ambos exigindo serem reconhecidos como sujeitos portadores de saberes,
tendo voz e espaço no território do currículo. Há uma citação no material que foi destinado para o
nosso grupo que reforça essa ideia:

“As disputas no território dos currículos e da docência estão postas com nova radicalidade.
Passam pelas disputas das últimas décadas do direito à autoria, à criatividade, à própria capacidade
de criticar o que contradiz opções políticas, éticas.”
Na citação ele destaca a intensificação dos conflitos no campo educacional e o papel
fundamental dos professores como agentes críticos, criativos e atuantes frente aos modelos
engessados. O autor faz várias críticas super importantes sobre o controle da criatividade e autonomia
docente, ritualização e tecnificação de prática docente, ameaça ao direito de estudar com liberdade e
perceber crítico.

No campo educacional, observa-se um embate entre diferentes concepções sobre o papel da


escola na sociedade. De um lado, há aqueles que defendem uma suposta neutralidade ideológica da
instituição escolar, argumentando que sua função seria apenas transmitir conhecimentos universais e
objetivos. Por outro lado, uma perspectiva crítica compreende a educação como uma prática social e
política, inevitavelmente atravessada por valores, interesses e disputas de poder.

Autores como Pierre Bourdieu contribuem de forma significativa para essa reflexão ao
demonstrar que a escola, longe de ser um espaço neutro, exerce um papel ativo na reprodução das
desigualdades sociais. Isso ocorre, segundo o autor, por meio da seleção e legitimação de
determinados saberes, que refletem a cultura das classes dominantes, em detrimento de outras formas
de conhecimento. Assim, a escola contribui para a perpetuação de estruturas sociais excludentes, ao
reforçar o capital cultural daqueles que já ocupam posições privilegiadas na sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise do texto de Miguel G. Arroyo evidencia a urgência de reafirmar a autonomia docente


como direito e princípio orientador de uma prática pedagógica comprometida com a transformação
social. A crítica à rigidez curricular e às avaliações padronizadas reforça a importância de valorizar a
autoria, a criatividade e a capacidade de adaptação dos professores às realidades dos alunos. Nesse
contexto, ampliar o currículo para incluir diferentes saberes e experiências é essencial para promover
uma educação que respeite as identidades e combata desigualdades históricas.

Além disso, o compromisso ético dos educadores, aliado à ação coletiva do movimento
docente, aparece como força vital na resistência às imposições que fragilizam a escola pública e
desvalorizam a profissão. Por fim, mesmo diante dos desafios persistentes, o texto convoca os
profissionais da educação à luta por uma escola mais justa, plural e democrática. A construção desse
caminho exige coragem, reflexão crítica e o fortalecimento da autoria docente como eixo central de
uma educação verdadeiramente emancipadora.

REFERÊNCIAS
AGUIAR, Alessandra Aparecida Dias. Currículo, território em disputa, de Miguel Gonzáles
Arroyo – Resenha. Dialogia, São Paulo, n. 15, p. 166-168, 2012.

ARROYO, Miguel G. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011.

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. A reprodução: elementos para uma teoria do


sistema de ensino. 2. Ed. Petrópolis: Vozes, 2014.

FAVACHO, André Picanço. O que há de novo nas disputas curriculares? Educ. Soc., Campinas,
v. 33, n. 120, p. 929-932, jul.-set. 2012.

PEDON, Nelson Rodrigo; CORRÊA, Rubens Arantes. Escola e currículo: um ensaio sobre
territórios em disputa. Revista NERA, Presidente Prudente, v. 22, n. 48, pp. 85-97, 2019.

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