INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE KANGONJO
TEMA:O impacto do estudo do registo de língua no contexto estudantil
Autor: Josafat Carlos Frederico
Orientador: Gizela Quixito
Luanda, Janeiro de 2024
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho acadêmico a todos aqueles que me apoiaram ao
longo desta jornada. Aos meus pais, cujo amor e encorajamento constante
foram a base do meu crescimento acadêmico. Aos meus amigos, que sempre
estiveram ao meu lado, compartilhando tanto as alegrias quanto as
dificuldades. Aos meus professores, cuja orientação e conhecimento moldaram
meu pensamento crítico. Agradeço a todos vocês por serem minha fonte de
inspiração e por me motivarem a alcançar os meus objetivos.
AGRADECIMENTOS
Gostaria de expressar a minha sincera gratidão a todos que contribuíram para
a realização deste trabalho acadêmico. Agradeço imensamente a minha
orientadora, família, amigos, participantes da pesquisa ,e todas as fontes de
apoio financeiro. Seu incentivo, apoio e colaboração foram fundamentais para o
sucesso deste projeto. Este trabalho é dedicado a todos vocês.
EPIGRAFE
``A Educação não tranforma o mundo
A Educação muda as pessoas
Pessoas mudam o mundo´´(Paulo Freire)
ABSTRACT
The sender and the receiver must be in agreement for understanding, so
we use a different language for each situation. Although there is no strict
demarcation between them, the language registers are grouped into three
groups: The current register, the care and the family.
The utterances, oral and written, depend on the situations of
communication and there are many purposes they want to achieve: informing,
expressing feelings, giving orders or making a request, in short, according to a
certain purpose, we build language.
Sumário
DEDICATÓRIA.....................................................................................................
AGRADECIMENTOS...........................................................................................
EPIGRAFE...........................................................................................................
INTRODUÇÃO.....................................................................................................
JUSTIFICATIVA DE ESTUDO.............................................................................
FORMULAÇÃO DE PROBLEMA.......................................................................
4 OBJETIVOS DO ESTUDO:....................................................................................
5. HIPÓTESE DE ESTUDO...............................................................................
6. METODOLOGIA.............................................................................................
7. DELIMITAÇÃO DO ESTUDO.........................................................................
CAPÍTULO I. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................
ORIGEM E EVOLUÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA......................................................
CONTEXTO BIOLÓGICO..........................................................................................
EVOLUÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA....................................................................
FASE DO PORTUGUÊS MODERNO...........................................................................
O PORTUGUÊS NO MUNDO....................................................................................
DEFINIÇÃO DE CONCEITOS....................................................................................
NIVEIS ESPECIAIS.................................................................................................
CAPÍTULO II. ESTUDOS ANTERIORES...........................................................
NÍVEIS PRINCIPAIS DA LINGUAGEM.........................................................................
LINGUA E LINGUAGEM...........................................................................................
LINGUAGEM..........................................................................................................
FUNÇÕES DA LINGUAGEM......................................................................................
VARIEDADE DO PORTUGUÊS..................................................................................
VARIEDADES GEOGRÁFICAS..................................................................................
VARIEDADE EUROPEIA..........................................................................................
VARIEDADES BRASILEIRAS.....................................................................................
VARIEDADES SOCIAIS E VARIEDADES SITUACIONAIS................................................
CAPÍTULO III. A INFLUÊNCIA DAS REDES SOCIAIS PARA O PROCESSO
DE ENSINO E APRENDIZAGEM.......................................................................
A INTERAÇÃO EM SALA DE AULA E ANÁLISE DE DADOS............................................
CONCLUSÃO.....................................................................................................
RESUMO
Emissor e o receptor devem estar em concordância para que haja
entendimento, assim sendo para cada situação utilizamos uma linguagem
diferente. Embora não exista uma demarcação rígida entre eles os registos de
língua são reunidos em três grupos: O registo corrente, o cuidado e o familiar.
Os enunciados, orais e escritos, dependem das situações de
comunicação e são muitas as finalidades que querem atingir: informar, exprimir
sentimentos, dar ordens ou fazer um pedido, em suma de acordo a
determinada finalidade construímos a linguagem.
Palavras chaves: Registo de língua, níveis de língua, comunicação,
variação linguística, língua, linguagem, ensino e aprendizagem.
INTRODUÇÃO
No presente trabalho abordaremos sobre o registo de língua e
posteriormente sobre os níveis da linguagem, pertencentes aos níveis que
dizem respeito à fala e a escrita em uma determinada situação comunicativa, a
influência das redes sociais para os registos de língua falados no colégio e
também sobre a comunicação convergente entre alunos e professores.
Os registos de língua ou variações diafásicas resultam da adequação do
uso da língua a cada situação particular da comunicação. Assim, um mesmo
falante pode adoptar diferentes registos no mesmo dia, consoante o grau de
familiaridade que tem com os interlocutores, o tipo de situação em que fala ou
escreve, e até a mensagem que pretende transmitir.
JUSTIFICATIVA DE ESTUDO
Abordaremos sobre graus ou níveis de língua: do mais baixo (popular)
para o mais elevado (Cuidado). Porém, a mudança de registo não se verifica
apenas no léxico, mas também na construção das frases, e até na pronúncia
das palavras há diferença de uns registos para os outros. Tendo em conta que
uma das instituições que mais contribui para a normalização linguística é a
escola primamos por esse ponto, e sendo o nosso colégio a nossa segunda
casa, se procurou realçar a beleza da casa que nos viu a crescer como alunos
pré-universitários. Na fala os níveis da linguagem são utilizados até por aqueles
que nunca sentaram em uma carteira para estudar. O registo de língua é
utilizado por todos e em todas as situações, por exemplo: entrevista de
trabalho, carta de pedido de emprego, relatórios, provas de concurso público,
conversa amigável, etc. Com base a esses fatores decidimos abordar sobre
esse tema que abrange todos os meios e seios (mundo inteiro), trazendo assim
à normalização de cada um e provar através desta pesquisa que é possível a
comunicação interpessoal sem atropelar as regras gramaticais e a
sensibilidade do receptor.
FORMULAÇÃO DE PROBLEMA
Temos visto muitos casos específicos nas nossas pesquisas de campo, em
que um determinado interlocutor usa expressões muito complicadas e que
dificultam a comunicação, por exemplo: Na hora do intervalo um estudante se
dirige a cantina do colégio e pede uma faca à senhora da cantina, "Tia
Domingas, emprestas-me o teu objecto cortante a fim de que possa degustar
uma peça de fruta?". Conseguimos notar a má adequação dos níveis de língua,
essa atitude dificulta a comunicação. Para isso colocamos a seguinte pergunta
de partida: Os registos de língua adoptado pelos alunos e professores têm
facilitado para o processo de ensino e aprendizagem.
4 OBJETIVOS DO ESTUDO:
Objetivos: Com vista a essa pesquisa propusemo-nos a alcançar os
seguintes:
4.1. Objetivo geral:
Solucionar as debilidades de comunicação existentes na instituição.
4.2. Objetivos específicos:
Identificar os níveis de língua utilizados na instituição;
Verificar o Contributo das redes sociais para o molde dos níveis de
língua utilizados na instituição;
Contribuir, através desta pesquisa para a normalização de cada um
dos registos de língua;
Demostrar a importância da utilização correta dos níveis de língua de
acordo a situação.
5. HIPÓTESE DE ESTUDO
Possivelmente um dos factores que influenciam para o molde da
linguagem falada no colégio são as redes sociais. E as mesmas às vezes
podem chegar a ser prejudiciais para a ascensão do vocábulo do aluno.
6. METODOLOGIA
O tipo de pesquisa neste trabalho é a qualitativa que por intermédio de
entrevistas (coleta de dados), visitas de estudo (para o engajamento dos
integrantes), dicionários, internet, livros de língua portuguesa, gramáticas e
observações feitas durante uma aula, para melhor apuramento dos factos.
Quanto aos meios de investigação, a pesquisa de campo foi à escolhida, esta
pesquisa nos levou a chegar a locais onde o tema foi simplificado, com meios
adequados para explicá-lo, e as mesmas entrevistas foram do dia 14 a 16 de
Maio, e a divisão do trabalho foi feita pelas hierarquias instituídas no grupo.
7. DELIMITAÇÃO DO ESTUDO
O nosso estudo é delimitado na nossa instituição, e em especifico na
comunicação com base ao processo de ensino e aprendizagem.
CAPÍTULO I. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Origem e evolução da língua portuguesa
Na região central da actual Itália, no Lácio, vivia um povo que falava latim.
Nessa região, foi posteriormente fundada a cidade de Roma, esse povo foi
crescendo e anexando novas terras ao seu domínio. Os romanos chegaram a
possuir um grande império, e a cada conquista impunham aos vencidos os
seus hábitos, os seus padrões de vida e a sua língua. Existiam duas formas de
expressar o latim:
O latim vulgar
O latim clássico
O latim vulgar era somente falado. Era a língua do quotidiano, usada pelo
povo analfabeto (soldados, marinheiros, artífices, agricultores, barbeiros,
escravos, etc) da região central da actual Itália e das províncias. Era a língua
viva, sujeita a alterações frequentes e por isso apresentava diversas variações.
O latim clássico era a língua falada e escrita, apurada, artificial, rígida, e era o
instrumento literário usado pelos grandes poetas, filósofos e retóricos.
A expressão do latim que os romanos acabavam por impor aos povos
vencidos era a vulgar; estes povos eram muito diversificados e falavam línguas
muito diferentes, por isso em cada região o latim vulgar sofreu alterações
distintas, o que resultou no surgimento dos diferentes romanos (do latim
romanice, que significa "falar à maneira dos romanos"), que deram
posteriormente origem às diferentes línguas neolatinas ou românicas.
CONTEXTO BIOLÓGICO
Português vem do Latim vulgar, sabe-se que o latim era uma língua
corrente de Roma. Com as conquistas vai o latim sendo levado a todos os
rincões pelos soldados romanos, pelos colonos, pelos homens de negócios. As
viagens favoreciam a difusão do latim.
Primeiramente o latim se expande por toda a Itália, depois pela Córsega e
Sardenha, pelas províncias do oeste do domínio colonial, pela Gália, pela
Espanha, pelo norte e nordeste da Grécia, pelo leste da Dácia, surgindo daí as
línguas românicas ou Novi latinas.
São línguas românicas porque tiveram a mesma origem: ao latim vulgar.
Essas línguas são, na verdade, continuação do latim vulgar. Essas línguas
românicas são: português, espanhol, catalão, provençal francês, italiano, rético,
sardo e romeno.
Evolução da Língua Portuguesa
A formação e a própria evolução da língua portuguesa contam com um
elemento decisivo: o domínio romano, sem desprezar por completo a influência
das diversas línguas faladas na região antes do domínio romano sobre o latim
vulgar, o latim passou por diversificações, dando origem a dialetos que se
denominava romano com várias invasões barbaras no século V, e a queda do
império romano no ocidente, surgiram vários destes dialetos, e numa evolução
constituíram-se as línguas modernas conhecidas como: neolatinas.
Na Península Ibérica, várias línguas se formaram entre elas o catalão, o
castelhano, o galego-português, deste último resultou a língua portuguesa.
FASE DO PORTUGUÊS MODERNO
A língua portuguesa uniformizou-se a partir do século XVI e adquiriu as
características do português atual. A rica literatura renascentista portuguesa,
nomeadamente a produzida por Camões, desempenhou papel fundamental
nesse processo de uniformização.
As primeiras gramáticas e os primeiros dicionários da língua portuguesa
também datam do século XVI. Existe um período na evolução da língua
portuguesa a que também se denomina período pseudoetimológico e que se
inicia no século XVI e se prolonga até 1911, ano em que é decretado o novo
acordo ortográfico, fundada nos preceitos da gramática de Gonçalves Viana,
publicada em 1904.
A grande reforma seguinte, em 1945, resultante de um acordo ortográfico
entre Portugal-Brasil, sofrendo algumas alterações em 1971, continua a ser
norma oficial da ortografia por que nos regemos ainda hoje. Hoje o português é
conhecido como "A língua de Camões" (em homenagem a Luís Vaz de
Camões, escritor português, autor de os Lusíadas) e "A última flor do Lácio".
O PORTUGUÊS NO MUNDO
A língua portuguesa tem uma das histórias mais fascinantes entre as
línguas de origem europeia. Em razão das navegações portuguesas nos
séculos XV e XVI, tornou-se um dos poucos idiomas presentes na África,
América, Ásia e Europa, sendo falado por mais de duzentos milhões de
pessoas. Nos demais países africanos de língua oficial portuguesa, o
português é utilizado na administração, no ensino, na imprensa e nas relações
internacionais e nas situações da vida quotidiana.
DEFINIÇÃO DE CONCEITOS
Emissor e o receptor devem estar em concordância para que haja
entendimento, assim sendo para cada situação utilizamos uma linguagem
diferente. Para transmitir a mesma informação, o indivíduo utilizará registos de
língua diferentes em função do seu interlocutor, do local e das circunstâncias
em que se encontra e da natureza da mensagem. Embora não havendo uma
demarcação rígida entre eles, os registos de língua podem ser reunidos em
três grupos: o registo corrente, registo familiar e registo cuidado.
Registo corrente: o registo corrente corresponde à norma (o uso correto
da língua que funciona como modelo dentro de uma comunidade linguística) e
é utilizado pela maioria dos membros da comunidade linguística. É
caracterizado pelo emprego de palavras, expressões e construções gramaticais
simples.
Ex: Figura 1: Exemplo de registo corrente.
Registo familiar: é utilizado em situações caracterizadas pela
informalidade, em família, entre amigos. Emprega um vocabulário muito
simples e pouco variado, a frase é muito simplificada gramaticalmente, é o
registo usado nas cartas para amigos ou familiares.
Ex: Nada de telelês por hoje. Registo cuidado: é pouco utilizado na
oralidade, excepto em ocasiões solenes (discursos políticos, conferências
científicas, sermões) ou quando uma grande distância social separa os
interlocutores.
Este registo caracteriza-se por um vocabulário rebuscado, por uma
construção gramatical complexa. Registos formais e registos informais De
acordo com as situações em que se encontram, os falantes usam a língua com
um grau de formalidade variável.
Em situações formais (cerimônias, reuniões de trabalho, entrevistas de
emprego, apresentações orais, etc), usam-se registos mais formais, enquanto
em situações informais (conversas entre amigos, almoços familiares, etc), se
usam registos mais informais. Quanto mais formal for a situação, mais formal
será o uso da língua.
Registos formais: estes registos são utilizados em situações formais,
orais (discursos políticos, sermões, conferências, etc) ou escritas (documentos
oficiais, textos científicos, textos profissionais, prefácios, etc).
A nível linguístico, são, marcados por um léxico cuidado e rigoroso e por
construções gramaticais complexas e bem estruturadas.
Registos informais: os registos informais são utilizados em situações
informais, orais (por exemplo, conversas espontâneas) ou escritos (como é o
caso dos recados, das cartas, e dos e-mails destinados a amigos ou
familiares). Os registos tradicionalmente conhecidos como o registo familiar e
registo popular são registos informais.
NIVEIS ESPECIAIS
Registo de língua popular: utiliza-se este registo as camadas menos
alfabetizadas da população. Ex: mamawe, o tio Antonho ja veio. Gíria: é um
conjunto de vocábulos e expressões adoptadas em certas profissões ou
atividades.
Existe a gíria dos jornalistas, dos pescadores, dos estudantes, etc.
Regionalismos: São registos de língua próprios da população de diferentes
povoações ou regiões. Distinguem-se pela pronúncia, pelos diferentes
significados e diferente construção de palavras e frases.
Calão: é um registo de língua que abrange dois tipos de palavras: as
que são usadas por quase todos os falantes da língua portuguesa: sangra
buba, por outro lado, as que são usadas por um número restritivo de falantes,
os marginais: mamoite (mãe), tô gato (sem dinheiro).Ex: Essa festa está a
sangrar wy!
CAPÍTULO II. ESTUDOS ANTERIORES
Contributos de Mateus, Brito, Duarte e Faria sobre o registo
linguístico.
Mateus ,Brito, Duarte e Faria aferiram que a expressão "registo
linguístico" designa o modo de um falante usar a língua, de acordo com a
situação comunicativa em que participa. No decorrer da pesquisa sobre registo
de língua na língua portuguesa, foram encontradas várias referências
gramaticais, o que nos levantou algumas questões a nível devolução da língua.
A parte interessante é que à medida que foi feita pesquisa foram surgindo
novas definições e novos conceitos, o que foi uma cereja no topo do bolo. Foi
feita uma análise das diferenças encontradas na edição de uma gramática de
1983 e numa de 2006, e nas quais se nota um aumento da complexidade e
especificidade, da definição de registo Edição de 1983- Gramática da língua
Portuguesa de Mateus, Brito, Duarte, & Faria (1983). Outra curiosidade é sobre
a evolução da palavra "você" , no princípio era dita "vossa mercê", depois
evolui-o para "vos mercê" e hoje falado "você", isso para dizer que a língua não
é uniforme, mas está sujeita a evolução.
Para além da questão geográfica existe a questão da diversidade
sociocultural. Em apenas uma região podemos ter diferentes dialetos, registos
próprios de cada grupo sociocultural o que está em relevância é a adequação à
situação em que se encontra o falante, como em uma conversa informal, exige
um registo mais informal (corrente, familiar, calão). No entanto, se estivermos a
falar com um superior hierárquico, esse fator exige um registo mais formal
(cuidado). De acordo com Mateus (2005) "Hoje é facto assente que todos os
falantes usam um determinado sociólogo correspondente ao contexto
sociocultural em que estão integrados" (Mateus, 2005, p. 10). Por último,
existem também variações linguísticas entre o registo escrito e oral, não só no
domínio da fonética, mas também nos domínios morfológicos e sintáticos.
Todos estes pormenores que dizem respeito ao registo e a evolução da língua
portuguesa são estudados e discutidos em Mateus (2005) e Cintra
(1972).Edição de 2006- Gramática da língua portuguesa.
A visão de Mateus para a gramática subdivide a relação social em dois
níveis: nível macrossocial- onde os sujeitos intervenientes são classificados
segundo a sua posição hierárquica na sociedade e respetiva profissão e nível
micro social onde os sujeitos são classificados segundo os papéis sociais
distribuídos nas situações de interação.
Subdivide também a relação social em cenários: Cenários pessoais-
decorrentes de situações de diálogo e de discussão com pessoas, mais
próximas como, por exemplo, uma discussão entre amigos.
Cenários impessoais- situações mais formais, como é o caso de um
professor a dar uma aula, uma lição em que não há uma relação
próxima entre os falantes.
Cenários institucionais- situações em que embora os intervenientes
pareçam ter uma conversação ao informal existe um sujeito que exerce
controlo sobre a situação. No caso da sala da aula quem exerce o
controlo é o professor.
Cenários normativos- estes constituem um subgrupo dos cenários
anteriores, surgem quando há um ensaio do discurso que será proferido,
ou seja, é seguido um guião.
Cenários ficcionais- são todos os discursos em que existem imitações
de outras pessoas ou personagens e cujo locutor imita.
Cenários mediatizados: estão de certo modo relacionados com os
senários ficcionais, baseiam-se num falante que reproduz, anuncia ou
descreve eventos que aconteceram a terceiros.
Cenários privados o locutor fala para si próprio sem ter de ter em
consideração o tipo de discurso e os outros; o locutor tem liberdade de
se exprimir porque não se tem de conformar aos padrões sociais, está a
falar para si próprio.
É evidente que, destes cenários, só os institucionais e normativos têm maior
interesse para esta dissertação.
Níveis principais da linguagem.
Nível culto
O nível culto, chamado de norma culta, linguagem formal e registro
formal, é usado na linguagem escrita, na escola e no trabalho, na comunicação
social, em situações que requerem uma maior seriedade, quando não há
familiaridade entre os interlocutores da comunicação.
O nível coloquial, também chamado de linguagem coloquial, linguagem
informal e linguagem popular, é a linguagem falada em situações quotidianas
de comunicação e em conversas descontraídas entre familiares, amigos,
conhecidos, vizinhos.
Lingua e linguagem
A língua é um tipo de linguagem; é a única modalidade de linguagem
baseado em palavras, Língua é a linguagem verbal utilizada por um grupo de
indivíduos que constitui uma comunidade. A língua é um sistema abstrato de
regras, não só gramaticais, mas também semântico e fonológico através da
qual a linguagem se revela.
A fala é a realização concreta da língua, feita por um indivíduo da
comunidade num determinado momento. É um ato individual que cada membro
pode efetuar com o uso da linguagem.
As características da língua são:
Sua função de comunicação social;
Seus componentes semânticos;
Seus componentes fonológicos;
Produtos das articulações;
Martineth (1971)
Martineth (1971) teria sido o primeiro linguista a apresentar uma
distinção clara entre língua e linguagem, segundo ele a linguagem é
propriamente a faculdade que os homens têm ou dispõem para
compreenderem por meio de signos E a língua é um instrumento de
comunicação por força da qual, de modo variável de comunidade para
comunidade.
Linguagem
Linguagem é todo sistema de sinais convencionais que nos permite
realizar atos de comunicação. Ela pode ser verbal (palavras) e não verbal
(Sinais). Quando falamos dos níveis de linguagem, é importante citarmos a
norma padrão da escrita, que estabelece diretrizes gramaticais cujas normas
devem ser seguidas.A linguagem pode ser em: sentido lacto sentido restrito.
Sentido lacto: é o meio de comunicação entre os seres vivos .Ex: a
dança das ovelhas, o ruído dos golfinhos, o voo das aves etc.
Sentido restrito: é o meio de expressão entre os seres humanos. Ex: A
mímica, a pintura a música, a fotografia, cinema, o código rodoviário, marítimo
e aéreo, os códigos sociais e até científicos.
A linguagem tem normas, princípios que precisam ser obedecidos.
Geralmente, achamos que essas regras dizem respeito apenas à gramática
normativa. Para a grande maioria das pessoas, expressar-se corretamente em
língua portuguesa significa não cometer erros de ortografia, concordância
verbal, acentuação etc. Há, no entanto, outro erro, mais comprometedor do que
o gramatical, que é o de inadequação de linguagem ao contexto.
A linguagem é a realização linguística da comunicação e é através desta
que surgem as formas de interação social, coisas tão simples como agradecer,
elogiar, etc... A linguística é o meio pelo qual se estuda cientificamente o
discurso em que ela se concretiza. Com a evolução dos tempos, a linguística
interessou-se cada vez mais pelo discurso em contexto profissional e
institucional.
Funções da linguagem
Quando falamos, queremos sempre comunicar, mas as nossas
intenções são diferentes conforme o assunto que queremos, por vezes
queremos informar ao nosso interlocutor, outras vezes necessitamos dar-lhe
conta dos nossos sentimentos ou fazendo perguntas.
A linguagem serve a manifestação de finalidade comunicativa muito
variável.
Podemos assim falar de funções da linguagem e elas classificam-se em:
funções informativas ou referencial, apelativa, poéticas fáticas, emotivas ou
expressivas, imperativas e metalinguística
• Função informativa ou referencial: o emissor neste tipo de função
preocupa informar ao receptor sobre certos acontecimentos e de aspectos mais
importante. Predomina em formas, livros didáticos e científicos. Ex: as notícias
difundidas pela rádio, televisão, jornal etc.
• Função apelativa: nesta, o emissor age sobre o receptor, quer move-
lo a uma determinação, ação, atitude, comportamento, etc. Ex: cuidado com as
minas elas mutilam e matam!;pedido de auxílio.
• Função poética ou fática: Serve para constatar, se for estabelecido um
contato entre o emissor e o receptor. Ex: Conversa telefónica.
• Função emotiva ou expressiva: revela a atitude do emissor perante a
mensagem que produz caracterizando-se pela expressão de sentimentos
afetivos e centra-se na análise do estudo emotivo ou da própria. Ex: o meu
grande estudo emotivo e estudar e aprovar.
• Função imperativa: são descritas como algoritmos que especificam
como processar um intervalo de valores, a partir de um valor de domínio, com
uma série de passos descritos.
• Função metalinguística: A função que dá ênfase ao código, ou seja,
quando o objetivo da mensagem é falar sobre a própria linguagem. Elas estão
relacionadas com os elementos da comunicação: emissor, receptor, contexto,
mensagem, canal e o código.
Variedade do português
A língua portuguesa inclui diferentes variedades, dependendo do
contexto histórico, geográfico, social e situacional. O português que se usa
atualmente é diferente do português, que se falava na idade médio ou na
época dos descobrimentos (variação histórica).
Por outro lado, a forma como se usa o português numa mesma época
(por exemplo época atual) também varia, dependendo do espaço geográfico e
do contexto social e situacional: em diferentes contextos geográficos, entre
diferentes grupos sociais (culturais, etários, profissionais, etc.). E em diferentes
situações usam-se variedades distintas do português (variedades geográficas,
sociais e situacionais).
Variedades geográficas
As variedades geográficas constituem os diferentes níveis de uma língua
em diferentes espaços geográficos.
No caso do português, distinguem-se a variedade europeia (português
de Portugal), a variedade brasileira (português de Brasil), e as variedades
africanas (diferentes consoantes às regiões/ países africanos).
Variedade europeia
Dá-se o nome de variedade europeia do português a forma como a
língua portuguesa é falada em Portugal continental e nos arquipélagos da
Madeira e nos Açores. A variedade europeia de português divide-se em dois
grandes grupos de dialetos: Os dialetos setentrionais (norte) e os dialetos
centro-meridionais (centro e sul). Para além destes, anda os dialetos das ilhas
atlânticas (Madeira e Açores).
Dialeto é uma variante linguística constituída por características
fonológicas, sintáticas, semânticas e morfológicas próprias.
Os dialetos setentrionais e centro-meridionais distinguem-se, por
exemplo, ao nível da pronúncia:
• Nos dialetos setentrionais o V tende a ser pronunciado como B (a
palavra escrita "vaca" é pronunciada com B inicial.
• Nos dialetos centro meridionais, o ditongo ou tende a ser pronunciado
como ô (Apalavra escrita "louça" é pronunciada como "loça").
Variedades brasileiras
Entre as variedades europeias e as variedades brasileiras, verificam-se
várias diferenças ao nível da pronúncia, da construção frásica e do léxico. Eis
alguma das especificidades da variedade brasileira do português:
Variedades africanas
Existem diferentes variedades africanas do português faladas em
alguns países de África. Entre as variedades africanas e a variedade europeia
verificam-se diferenças ao nível da pronúncia, da construção frásica e do
léxico.
Variedades sociais e variedades situacionais
Como qualquer língua, o português é usado de formas diferentes, que
se relacionam com aspectos como: a classe social, o nível de escolaridade, a
idade, e o sexo dos falantes. Essas diferentes formas de usar a língua dá-se o
nome de variedades sociais.
Independentemente dos aspectos referidos, os falantes tendem a
adaptar a forma como usam a língua às diferentes situações de comunicação
com que se deparam (por exemplos, um pedido de informações a uma pessoa
desconhecida, uma consulta médica, um diálogo com colegas de trabalho
sobre assuntos profissionais), fala-se, neste caso, em variedades situacionais.
Independentemente dos aspectos referidos, os falantes tendem a
adaptar a forma como usam a língua às diferentes situações de comunicação
com que se deparam (por exemplo, um peido de informações a uma pessoa
desconhecida, uma consulta médica, um diálogo com colegas de trabalho
sobre assuntos profissionais). Fala-se, neste caso, em variedades
situacionais.
Língua padrão ou norma
De entre as variedades sociais de uma língua, há uma em que é
socialmente mais valorizada pela comunidade e que, por isso mesmo, se
converte em língua padrão. É esta a variedade da língua que é usada como
meio público de comunicação, sendo ensinada na escola e difundida nos meios
de comunicação social (televisão, rádio, jornais, revistas).
A língua padrão atua como modelo/ norma, devendo permitir que os
falantes comuniquem de modo eficaz entre si, independentemente das suas
diferenças socioculturais. Assim, são as características dessa variedade, ao
nível da oralidade e, sobretudo, da escrita, que passam a ser encaradas como
corretas.
CAPÍTULO III. A INFLUÊNCIA DAS REDES SOCIAIS PARA O
PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
As redes sociais, meios de comunicação mais populares da atualidade,
são consideradas como uma das grandes responsáveis pelas distrações dos
alunos. Há quem questione a eficácia do ambiente virtual enquanto ferramenta
para incentivo intelectual. Assim, seria possível adequar esse agente
comunicador ao processo de ensino e aprendizagem?
Como a escola, de modo geral, poderia se apropriar desse meio para
envolver seus alunos em situações que contribuíssem efetivamente para o
avanço acadêmico deles?
As redes sócias têm sim grande influência na vida dos alunos e na
comunicação a nível estudantil. E: Pé (por que), Tb (tudo bem), 9dades
(novidades), p.f.v. (por favor).
No decorrer da pesquisa nos deparamos com muitos colegas sugerindo
a exclusão de alguns níveis de língua e o mais votado foi o calão, porque reduz
a capacidade intelectual dos alunos e até certo ponto relaxados, atropelando
assim as normas e regras gramaticais. Em muitas situações de assalto, ou
zonas perigosas de Luanda, creio que já ouvimos relatos de pessoas que
tiveram que se adequar a situção, para não serem assaltados, utilizando o
calão, gestos (cole), e modificar até o andamento, se um indivíduo nessa
situação utilizar o nível cuidado ou até mesmo o técnico-científico não facilitaria
a comunicação, e esse ponto nos remete a importância do tipo de linguagem
não verbal que se cinge na utilização de sinais.
Muito mais do que despertar a curiosidade e ampliar a interação entre
professores e alunos, as redes sociais, quando utilizadas de maneira correta,
oferecem um melhor aproveitamento do tempo e permitem aos alunos uma
vivência prática daquilo que é trabalhado em sala de aula. O maior desafio é
termos coragem de adentrar ao mundo conhecido por nossos alunos.
Descortinar o conhecimento é necessário e requer investimento de nosso
tempo, assim como a transposição de obstáculos. Os registos falados nas
redes sociais são considerados um desvio da norma, apesar de seu grande
valor próprio e identidade.
"A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode
temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora,
sob pena de ser uma farsa".
A interação em sala de aula e análise de dados
O que foi observado, prioritariamente foi a prática pedagógica do
professor em sala de aula com intuito, de fazer perceber sobre a aula
ministrada com a variação linguísticas nas aulas de língua portuguesa.
Para chegar a esse objetivo, procuramos as diferentes concepções de
linguagem e registo de língua presentes na aula, a metodologia utilizada pelo
professor e o caderno de uma aluna primeiramente neste capítulo pretendemos
analisar situações que ilustram a metodologia de ensino e aprendizagem e a
relação de aluno-professor-conteúdo.
O professor começava a aula com uma conversa informal e em seguida
fazia uma ligação com conteúdo a ser ensinado, mantendo essa dinâmica em
quase todas as aulas.
Em seguida ele escrevia frases exercícios ou textos no quadro enquanto
continuava a explicar o conteúdo, como pode ser ilustrado abaixo
Na interação entre professor e aluno pude observar que a
sistematização da aula se pautava no modelo iniciação, resposta e avaliação,
nesse sistema ou problematização é feita pelo professor, seguida por uma
resposta dos alunos e por último da correção do professor como pode ser visto
na situação em seguida:
Interação:
1 p- Alguém sabe a diferença entre agente junto e a gente separado?
2 a- (Os alunos ficam agitados e todos falam ao mesmo tempo)
3 p- olhem, prestem atenção aqui!
4 P- alguém pode me dizer o nome daquele espião, que usa um terno
preto e luta contra vários vilões?
5 a- (todos falam ao mesmo tempo).
6 p- gente, vamos levantar a mão. Se todos falarem ao mesmo tempo
eu não entendo.
7 ao Pedro levantou a mão, achou que ele sabe, fala Pedro.
8 p- É o James Bond! 9 p- isso o nome dele é James Bond, eu adoro os filmes
dele. Assisto todos!
EX:Enquanto aos amigos podemos dizer bué, aos professores já diremos
muito, e num trabalho escrito ainda poderemos optar por deveras ou
extremamente. Vamos passar uma frase para os diferentes níveis e estilos de
língua.
Faremos uma pequena encenação de como devemos adequar os
registos
Corrente: "Essa festa está muito boa"
Cuidado: Este convívio agrada-me.~
Calão: Esse boda tá a sangrar.
De língua:
1° (cuidada)
2° (familiar)
3° (Calão).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluímos que as redes sociais têm sim grande influência sobre os
níveis de língua utilizados no colégio, porque a sociedade hoje é bastante
virtual e todos os níveis de língua são importantes. Alguns intervenientes
excluiriam o calão, porque segundo eles reduz a capacidade de abrangência
do vocabulário dos alunos, mas queremos esclarecer que a função principal da
língua e dos níveis é unificar a comunicação e fazer com que todos se
entendam, para a ascensão do processo de ensino e aprendizagem, portanto
nenhum nível de língua é baixo o suficiente para ser excluído da sociedade,
nem elevado demais para permanecer, para aqueles que querem ver o calão
distante cumpre-nos informar que ele vai continuar no nosso meio em função
dos aspectos da comunicação.
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