Neurotransmisso Completo 2025
Neurotransmisso Completo 2025
O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, é responsável pela maioria das funções do
controle do organismo. As principais células que compõem todo este sistema, conta-se aos bilhões e
recebem o nome de neurônios. Do corpo de cada neurônio saem prolongamentos que são chamados
dendritos, que são vários, e o axônio. Esses prolongamentos funcionam como se fossem fios que levam os
impulsos nervosos captados pela visão, olfato, audição, tato e pelo paladar. Dessa forma o neurônio ao
receber um determinado impulso pode transmitir um estímulo excitatório ou inibitório a outro neurônio
localizado à distância. Essa comunicação de neurônio a neurônio, não ocorre na base de 1/1, pelo contrário,
muitas vezes um único neurônio pode enviar impulsos nervosos a muitos outros, por meio de ramificações
finais e de seu axônio. Portanto, o cérebro humano vive constantemente uma fantástica ciranda de impulsos
nervosos em todas as direções, um mecanismo da impressionante complexidade que tem como resultado o
pensamento, a ação, locomoção, manifestação de alegria ou de preocupação.
Os impulsos nervosos para passarem de um neurônio para outro, através do axônio, devem vencer
um espaço existente entre eles, o qual é denominado de fenda sináptica. Esta função de passar e receber o
estímulo, recebe o nome de Sinapse. Para que os impulsos nervosos possam vencer esse espaço, o primeiro
neurônio, através dos impulsos que chegam a sua terminação, liberam substâncias químicas que estimulam
ou inibem o neurônio seguinte. Essas sustâncias químicas, sintetizadas e liberadas pelos neurônios, recebem
o nome de neurotransmissores. Os quais têm um papel fundamental no nosso sistema nervoso.
A atuação de neurotransmissores e neuromoduladores reflete a grosso modo o estado emocional
(sensações, pensamentos...), comportamental e de aprendizado e memória do indivíduo.
Os neurotransmissores são moléculas pequenas que na sua maioria são derivados de precursores de
proteínas, eles são encontrados geralmente em vesículas pré-sinápticas neuronais. Os neurotransmissores
são liberados na fenda sináptica podendo ser captados por terminais pós-sinápticos (por meio de receptores
localizados na membrana pós-sináptica) quando da passagem do impulso nervoso de uma célula para outra,
o que chamamos de transmissão sináptica. De acordo com a propriedade funcional do neurotransmissor e do
terminal pós-sináptico, os neurotransmissores são conhecidos por promovem respostas excitatórias ou
inibitórias entre neurônios que se comunicam por sinapses químicas.
A maioria dos neurotransmissores situa-se em três categorias: aminoácidos, aminas e peptídeos. Os
neurotransmissores aminoácidos e aminas são pequenas moléculas orgânicas com pelo menos um átomo de
nitrogênio, armazenadas e liberadas em vesículas sinápticas. Sua síntese ocorre no terminal axonal a partir
de precursores metabólicos ali presentes. As enzimas envolvidas na síntese de tais neurotransmissores são
produzidas no soma (corpo celular do neurônio) e transportadas até o terminal axonal e, neste local,
rapidamente dirigem a síntese desses mediadores químicos. Uma vez sintetizados, os neurotransmissores
aminoácidos e aminas são levados para as vesículas sinápticas que liberam seus conteúdos por exocitose.
Nesse processo, a membrana da vesícula funde-se com a membrana pré-sináptica, permitindo que os
conteúdos sejam liberados. A membrana vesicular é posteriormente recuperada por endocitose e a vesícula
reciclada é recarregada com neurotransmissores.
Os neurotransmissores peptídeos constituem-se de grandes moléculas armazenadas e liberadas em
grânulos secretores. A síntese dos neurotransmissores peptídicos ocorre no retículo endoplasmático rugoso
do soma. Após serem sintetizados, são clivados no complexo de golgi, transformando-se em
neurotransmissores ativos, que são secretados em grânulos secretores e transportados ao terminal axonal
(transporte anterógrado) para serem liberados na fenda sináptica.
Diferentes neurônios no SNC liberam também diferentes neurotransmissores. A transmissão sináptica
rápida na maioria das sinapses do SNC é mediada pelos neurotransmissores aminoácidos glutamato (GLU),
gama-aminobutírico (GABA) e glicina (GLI). A amina acetilcolina medeia a transmissão sináptica rápida em
todas as junções neuromusculares. As formas mais lentas de transmissão sináptica no SNC e na periferia são
mediadas por neurotransmissores das três categorias.
O glutamato e a glicina estão entre os 20 aminoácidos que constituem os blocos construtores das
proteínas. Consequentemente, são abundantes em todas as células do corpo. Em contraste, o GABA e as
aminas são produzidos apenas pelos neurônios que os liberam.
O mediador químico adrenalina, além de servir como neurotransmissor no encéfalo, também é
liberado pela glândula suprarrenal para a circulação sanguínea.
Podemos ainda classificar os neurotransmissores quanto à sua ação rápida ou lenta. Os
neurotransmissores de ação rápida (moléculas pequenas) podem ser classificados em 4 classes:
Classe 1 – Acetilcolina (Ach) que faz parte da família das colinas. Neuromediador envolvido em muitos
comportamentos, bem com atenção, aprendizado e memória:
- Movimento - os movimentos de nossos músculos são promovidos pela liberação da acetilcolina dos
neurônios colinérgicos para as fibras musculares.
- Sono REM - durante a fase de sono profundo (sono REM), a acetilcolina é liberada da ponte.
- Aprendizado e memória . em animais de laboratório, ao bloquear a liberação da acetilcolina, cria-se um
déficit no aprendizagem e memória. Em alguns casos a colina (somente) é sugerida facilitar o processo de
aprendizado e memória.
- Doença de Alzheimer- está associada, em 90% dos casos, com perda de neurônios colinérgicos no
prosencéfalo basal e hipocampo.
Classe 3 – aminoácidos
GABA (ácido gama amino butírico) – principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central
(SNC).
É o principal neurotransmissor inibitório do encéfalo. Na medula espinhal e no tronco cerebral, a glicina
também é importante. O processo inibitório ocorre quando o GABA se liga ao receptor, permitindo dessa
forma a entrada de Cloro para o interior da célula. Responsável pela sintonia fina e coordenação dos
movimentos entre outros.
-Há hipóteses que a deficiência de GABA leva a algumas formas de Esquizofrenia. Nesse sentido a
deficiência da inibição GABAérgica seria o distúrbio primário para a atividade estriatal dopaminérgica
excessiva no transtorno. Droga como o Valium, ressalta o efeito do GABA nas sinapses. Outros
neurotransmissores inibidores são a glicina e a taurina.
Aspartato
Classe 4 – gases
Óxido nítrico (NO) – nervos pélvicos atua promovendo a ereção;
Monóxido de carbono (CO)
Obs.: os gases não são armazenados por serem lipossolúveis; quando o ocorre o estímulo eles são
sintetizados e liberados.
Neurotransmissores de ação lenta – neuropeptídios (moléculas grandes)
Fatores de liberação hipotalâmicos
Encefalinas bloqueiam a dor, agindo naturalmente no corpo como analgésicos.
Endorfinas
Substância P
Neuropeptídeo Y
Neuropeptídeo intestinal vasoativo (VIP)
Endorfinas / encefalinas - são neurotransmissores peptídicos opiáceos endógenos capazes de
modular a dor e reduzir o estresse. São encontrados em vários locais no encéfalo (sistema límbico,
mesencéfalo). Eles também são produzidos pela glândula pituitária (hipófise) e liberados como hormônios e
envolvidos na redução da dor, pressão (eles aumentam a produção de dopamina) e hibernação.
Todos os opiáceos (endógenos ou sintéticos) alteram o comportamento, porque agem nos receptores
de encefalina do encéfalo.
- Substância P- é um dos neurotransmissores que medeiam a experiência de dor. É encontrado em toda via
da dor e sua liberação pode ser bloqueada pela encefalina.
- Neuropeptidio Y / Polipeptídio YY: - NPY e PPYY, são neurotransmissores encontrados no hipotálamo,
particularmente no núcleo paraventricular. São correlacionados com distúrbios de apetite, podendo levar a
excessiva ingestão de comida e armazenamento de gordura.
Além dos neurotransmissores, são liberados co-transmissores que potencializam o efeito do
neurotransmissor. Nas sinapses axoaxônicas podemos ter também os neuromoduladores, que atuam
modulando a função do neurotransmissor.
GLUTAMATO
O glutamato está distribuído amplamente e de
forma bastante uniforme no SNC, onde sua
concentração é muito mais elevada que em
outros tecidos. Ele tem importante papel
metabólico, com os compartimentos metabólico e
neurotransmissor sendo ligados pelas enzimas
transaminases, que catalisam a interconversão
de glutamato e -cetoglutarato. O glutamato no
SNC deriva principalmente ou da glicose, por
intermédio do ciclo de Krebs, ou da glutamina,
que é sintetizada pelas células da glia e captada
pelos neurônios; muito pouco vem da periferia. A
interconexão entre as vias para síntese dos
aminoácidos excitatórios (AAE) e dos
aminoácidos inibitórios (GABA e glicina) como
mostrado na figura abaixo, torna difícil o uso de
manipulações experimentais da síntese do
neurotransmissor para estudar o papel funcional
dos aminoácidos individualmente, porque
qualquer alteração de qualquer um dos passos
afetará tanto os mediadores excitatórios quanto
os inibitórios.
Figura: Metabolismo dos aminoácidos transmissores no cérebro. As substâncias transmissoras estão nas
caixas verdes. GABA-T, GABA transaminase; DAG, descarboxilase do ácido glutâmico.
Em comum com outros neurotransmissores rápidos, o glutamato é armazenado em vesículas
sinápticas e liberado por exocitose dependente de Ca2+; proteínas transportadoras específicas respondem por
sua captação pelos neurônios e por outras células, e por seu acúmulo nas vesículas sinápticas. O glutamato
liberado é captado pelas células por transportadores dependentes de Na+/H+/K+ e transportado para as
vesículas sinápticas por um transportador diferente movido pelo gradiente de prótons, através da membrana
da vesícula.
O desenvolvimento de estimuladores e inibidores da captação de glutamato pode sem interessante
para o tratamento de alterações no SNC, nas quais os níveis extracelulares de glutamato possam estar
anormais (neurodegeneração, esquizofrenia e depressão).
A ação do glutamato é encerrada principalmente pela captação mediada por transportador para os
terminais nervosos e para os astrócitos da vizinhança. Esse transporte pode, em algumas circunstâncias
(como por exemplo, no caso de despolarizações causadas por hipercalemia), operar em reverso e constituir
fonte de liberação de glutamato, processo esse que pode ocorrer em situações patológicas, como a isquemia
cerebral. O glutamato captado pelos astrócitos é convertido em glutamina e reciclado, através de
transportadores, de volta aos neurônios, que convertem a glutamina de volta em glutamato, servindo assim
como fonte de transmissor inativo sob o controle regulador dos astrócitos.
A figura acima mostra os mecanismos de potencialização de longo prazo. [A] Na atividade sináptica
infrequente, o glutamato ativa principalmente os receptores AMPA. Há glutamato insuficiente para ativar os
receptores metabotrópicos, e os canais dos receptores NMDA estão bloqueados pelo magnésio.
[B]Depois de uma salva de estímulos condicionados, é liberado glutamato suficiente para ativar os receptores
metabotrópicos, e os canais NMDA são desbloqueados pela despolarização sustentada. Os aumentos
resultantes na concentração de cálcio intracelular ativam várias enzimas, incluindo as seguintes:
*A proteína quinase dependente de cálcio/calmodulina (CaMKII) e a proteína quinase C (PKC) que fosforila
várias proteínas, incluindo os receptores AMPA (levando ao transporte desses para áreas de contato
sináptico nas terminações dendríticas e promovendo facilitação da ação transmissora) e outras moléculas
sinalizadoras da transdução que controlam a transcrição do gene na célula pós-sináptica (não mostrado na
figura).
*Óxido nítrico sintase (NOS). A liberação de óxido nítrico (NO) facilita a liberação de glutamato (sinalização
retrógrada, também conhecida como retorno do NO).
*Fosfolipase A2 (não mostrada na figura) que catalisa a formação do ácido araquidônico, um mensageiro
retrógrado que aumenta a liberação pré-sináptica de glutamato.
*Uma fosfolipase (NAPE-PLD, não mostrada) que catalisa a produção do endocanabinoide, anandamida. A
anandamida parece agir nos terminais nervosos inibitórios GABAérgicos, reforçando a transmissão de
supressão da liberação de GABA.
METABOLIZAÇÃO DO GLUTAMATO
A despeito de seu papel ubíquo como neurotransmissor, o glutamato é altamente tóxico para os
neurônios, fenômeno denominado excitotoxicidade. A intensa estimulação sináptica via glutamato ou
aspartato, medeia processos que levam à morte celular em diversas situações como traumatismo
cranioencefálico, hipóxia cerebral em casos de acidente vascular cerebral (AVC) ou epilepsia.
Excitotoxicidade – lesão neuronal por excesso de glutamato (ou aspartato) que leva a grande influxo
neuronal de cálcio, a nível de receptores NMDA, cujo excesso intracelular, ativa vários processos
potencialmente lesivos sobre o neurônio. Esse fenômeno também ocorre nas doenças degenerativas como o
Parkinson e no envelhecimento, em que a presença de distúrbios no metabolismo energético, tendem a afetar
a capacidade metabólica neuronal, facilitando a entrada de cálcio em excesso no neurônio, via ativação de
receptores NMDA, predispondo à lesão excitotóxica.
O esquema a seguir representa mecanismos de excitoxicidade. Os receptores de membrana, os
canais iônicos e os transportadores, identificados pelos números 1-8. Os possíveis locais de ação dos
fármacos neuroprotetores (ainda sem valor clínico comprovado) estão destacados. Os mecanismos à
esquerda (vilões) são os que favorecem a morte celular, enquanto os da direita (herois) são protetores. AA,
ácido araquidônico; RE, retículo endoplasmático; Glu, captação de glutamato; IP3, trifosfato de inositol;
M,MGluR, receptor metabotrópicos de glutamato; NO, óxido nítrico; ERO, espécies reativas de oxigênio;
SOD, superóxido dismutase; CCDV, canal de cálcio dependente de voltagem.
GABA – ÁCIDO GAMA AMINO BUTÍRICO
O GABA ocorre no tecido cerebral, porém não em outros tecidos dos mamíferos, exceto em
quantidades mínimas. Ele é particularmente abundante no sistema nigroestriado, porém ocorre em
concentrações menores em toda a substância cinzenta.
O GABA é formado a partir do glutamato pela ação da descarboxilase do ácido glutâmico (DAG), uma
enzima encontrada apenas nos neurônios sintetizadores de GABA no cérebro. Os neurônios GABAérgicos e
os astrócitos capturam GABA através de transportadores específicos, removendo, portanto, o GABA após sua
liberação. O GABA pode ser destruído por uma reação de transaminação na qual o grupo amino é transferido
para o ácido -cetoglutarato (para produzir glutamato), com a produção de semialdeído succínico e, em
seguida, de ácido succínico. Essa reação é catalisada pela GABA-transaminase, uma enzima localizada
principalmente nos astrócitos.
O GABA age em dois tipos de receptores: os receptores GABAA (figura a seguir) são canais regulados
por ligante, enquanto os outros, os receptores GABAB, são acoplados à proteína G (metabotrópicos).
Os receptores GABAA estão, sobretudo localizados pós-sinapticamente e medeiam a inibição pós-
sináptica rápida, sendo o canal seletivamente permeável ao Cl-. O aumento da permeabilidade ao cloreto
hiperpolariza a célula, reduzindo dessa forma a sua excitabilidade. Os receptores GABAA estão localizados
tanto nas áreas de contato sináptico quanto extrassinapticamente. O receptor GABA produz inibição por atuar
tanto como transmissor rápido “ponto a ponto”, como neuromodulador por “ação a longa distância”, já que os
receptores GABAA extrassinápticos podem ser tonicamente ativados pelo GABA que se difundiu para longe do
seu sítio de liberação. Os GABAA extrassinápticos são altamente sensíveis aos anestésicos gerais e ao
etanol, apresentam maior afinidade pelo GABA e mostram menor dessensibilização.
Neurosteroides
Benzodiazepínicos
Barbituratos
Picrotoxina
subunidade
Poro do
canal
Os receptores GABAA são semelhantes aos receptores NMDA, porque os fármacos podem agir em diferentes
sítios. Esses sítios incluem:
O sítio de ligação do GABA;
Vários sítios moduladores;
O canal iônico.
Os receptores GABAA são o alvo para vários fármacos com ação central, notavelmente os
benzodiazepínicos, os barbitúricos, os neuroesteroides e vários anestésicos gerais. O muscimol (derivado de
um cogumelo alucinógeno), assemelha-se quimicamente ao GABA e é um poderoso agonista do receptor
GABAA.
A bicuculina, um composto convulsivante que ocorre naturalmente, é um antagonista específico que
bloqueia o potencial sináptico inibitório rápido na maioria das sinapses do SNC.
Os benzodiazepínicos, que possuem potentes efeitos sedativos, ansiolíticos e anticonvulsivantes,
potencializam seletivamente os efeitos do GABA em alguns receptores GABAA, dependendo da composição
da subunidade do receptor. Eles se ligam com alta afinidade a um sítio acessório do receptor GABA A, de
modo que a ligação do GABA facilitada e seu efeito agonista é realçado. Os benzodiazepínicos aumentam a
frequência de abertura do canal.
Os moduladores que também reforçam a ação do GABA, porém cujo sítio de ação está menos bem
definido que o dos benzodiazepínicos, incluem outros depressores do SNC, tais como os barbitúricos,
agentes anestésicos e neuroesteroides. Os barbitúricos aumentam o tempo de duração de abertura dos
canais.
Os neuroesteroides são compostos que se relacionam com os hormônios esteroides, porém agem
(como os benzodiazepínicos) para reforçar a ativação dos receptores GABAA, bem como nos receptores
esteroides intracelulares convencionais. Eles incluem os metabólitos da progesterona e dos andrógenos, que
são formados no SNC, e que supostamente possuem papel fisiológico.
A picrotoxina é um convulsivante que age bloqueando o canal de Cloro associado ao receptor
GABAA, bloqueando, assim, o efeito inibitório pós-sináptico do GABA. Ela não tem uso terapêutico.
Evidências científicas sugerem que o álcool inicialmente potencializa os efeitos do GABA, aumentando os efeitos inibitórios,
porém, com o passar do tempo, o uso crônico do álcool reduz o número de receptores GABA por um processo de down regulation o
que explicaria o efeito de tolerância ao álcool, ou seja, o fato dos indivíduos necessitarem de doses maiores de álcool para obter os
mesmos sintomas anteriormente obtidos com doses menores. A interação entre o etanol e o receptor para o GABA foi melhor
estabelecida a partir de estudos que demonstraram haver redução de sintomas da síndrome de abstinência alcoólica pelo uso de
substâncias que aumentam a atividade do GABA, como os inibidores de sua recaptação e os benzodiazepínicos, mostrando a
possibilidade do sistema GABAérgico ter efeito na fisiopatologia do alcoolismo humano.
O álcool também altera a ação sináptica do glutamato no cérebro, reduzindo a neurotransmissão glutaminérgica excitatória.
Devido aos efeitos inibitórios sobre o glutamato, o consumo crônico do álcool leva a um aumento dos receptores glutamatérgicos no
hipocampo que é uma área importante para a memória e envolvida em crises convulsivas. Durante a abstinência alcoólica*, os
receptores de glutamato, que estavam habituados com a presença contínua do álcool, ficam hiperativos, podendo desencadear de
crises convulsivas à acidentes vasculares cerebrais.
O Álcool estimula diretamente a liberação de outros neurotransmissores como a serotonina e endorfinas que parecem
contribuir para os sintomas de bem-estar presentes na intoxicação alcoólica. Mudanças em outros neurotransmmissores foram menos
observadas.
Extracelular
Intracelular
GLICINA
A glicina é o mais simples dos aminoácidos, consistindo apenas em um grupo amina e um grupo
carboxila ligados ao átomo de carbono. É o principal neurotransmissor de inibição do tronco cerebral e
medula espinhal. Também pode exibir comportamento excitatório: ao se ligar ao receptor NDMA, a glicina
aumenta a sensibilidade do mesmo ao glutamato. A glicina, diferentemente dos outros neurotransmissores
aminoácidos, não é sintetizada no organismo, sendo obtida a partir da dieta.
Célula de Renshaw Quando liberada na sinapse, ela se liga a um
receptor que torna canais da membrana pós
Via sináptica mais permeáveis ao Cl-. Na medula
descendente
espinhal, a glicina é liberada por interneurônios
inibitórios chamados células de Renshaw, que
Interneurônio
limitam a ativação de neurônios motores e
inibitório
possibilitam o relaxamento muscular. A estricnina
(substância utilizada para matar ratos) é um
Neurônio antagonista da glicina, ligando-se a seu receptor sem
motor que o canal de cálcio seja aberto, gerando um estado
de hiperexcitabilidade no neurônio. Esse estado é
precisamente o que caracteriza a ação tóxica da
estricnina, gerando rigidez muscular seguida de
convulsões. A morte ocorre por parada respiratória
Célula de
Renshaw ou exaustão. Os efeitos do tétano também se devem
(interneurônio) a esse neurotransmissor, cuja secreção é inibida por
uma toxina produzida pela bactéria causadora da
Músculo
extensor doença.
Músculo O efeito inibitório da glicina é bastante diferente de
flexor seu papel de facilitadora da ativação dos receptores
NMDA. O receptor da glicina assemelha-se ao
receptor GABAA no fato de ser um canal de cloro
operado por ligante. Não existem receptores
metabotrópicos específicos para a glicina.
A toxina tetânica, toxina bacteriana semelhante à toxina botulínica, age seletivamente para impedir a
liberação de glicina dos interneurônios inibidores na medula espinal, causando hiperexcitabilidade reflexa
excessiva e violentos espasmos musculares (contratura da mandíbula).
A glicina é removida do espaço extracelular por dois transportadores, GlyT1 e GlyT2. GlyT1 está
primariamente localizado nos astrócitos e é expresso pela maior parte das regiões no SNC. Por outro lado,
GlyT2 é expresso nos neurônios glicinérgicos na medula espinhal, córtex cerebral e cerebelo. Como descrito,
além de sua função como transmissor inibitório, a glicina também funciona como coagonista junto com o
glutamato nos receptores NMDA. A inibição da captação da glicina por GlyT1 leva ao aumento dos níveis
extracelulares de glicina no cérebro e, através da potencialização da resposta mediada pelo receptor NMDA,
pode ser benéfica no tratamento da esquizofrenia. Outro uso em potencial dos inibidores do transporte da
glicina pode ser como analgésico.
SEROTONINA (5-HT)
O triptofano é convertido a 5-hidroxitriptofano (nas células cromafins e neurônios, mas não nas
plaquetas) por ação da enzima triptofano hidroxilase, uma enzima própria de células produtoras de 5-HT. O 5-
hidroxitriptofano é então descarboxilado a 5-HT por uma aminoácido descarboxilase ubíqua que também
participa da síntese de catecolaminas. As plaquetas (e os neurônios) contam com um mecanismo de
captação de 5-HT de alta afinidade; as plaquetas preenchem-se com 5-HT à medida que passam pela
circulação intestinal, onde a concentração local é relativamente alta.
Os mecanismos de síntese, armazenamento, liberação e captação de 5-HT são muito similares
àqueles associados à norepinefrina. Diversos fármacos afetam ambos os processos de forma indiscriminada,
contudo foram desenvolvidos inibidores seletivos a recaptação de serotonina (ISRSS) que têm importância
terapêutica como ansiolíticos e antidepressivos. A 5-HT com frequência é armazenada nos neurônios e
células cromafins na forma de cotransmissor, acompanhada de vários hormônios peptídicos, como a
somatostatina, substância P ou polipeptídeo intestinal vasoativo.
A degradação da 5-HT ocorre principalmente via desaminação oxidativa, catalisada pela monoamino-
oxidase A, seguida de oxidação para ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA), a mesma via catabólica da
noradrenalina. O 5-HIAA é eliminado na urina e constitui indicador da produção de 5-HT no organismo. Esse
recurso é utilizado, por exemplo, no diagnóstico da síndrome carcinoide.
Sistema nervoso central. A 5-HT estimula alguns neurônios e inibe outros. Também pode atuar em nível
pré-sináptico, inibindo a liberação de transmissores em terminações nervosas. Tais efeitos são mediados por
diferentes subtipos de receptores e diferentes mecanismos de membrana.
*Receptores 5-HT2. Estão presentes no SNC, mas também são particularmente importantes na periferia. Os
efeitos da 5-HT sobre a musculatura lisa e as plaquetas, já conhecidos há muitos anos, são mediados pelo
receptor 5-HT2A. Os receptores 5-HT2A estão ligados à fosfolipase C e, assim, estimulam a formação de
inositol trifosfato. O subtipo 5-HT2A é funcionalmente o mais importante, sendo que os demais apresentam
distribuição e papel funcional bem mais restritos. Os receptores 5-HT2 exercem um papel provavelmente
menor em processos fisiológicos normais, porém tornam-se mais importantes em condições patológicas,
como na asma e na trombose vascular. Os receptores 5-HT2A e 5-HT2C são abundantes no córtex e no
sistema límbico, no qual estão localizados nos sítios pré e pós-sinápticos. Eles podem exercer efeitos
excitatórios e inibitórios ao aumentar a liberação de glutamato e GABA. Acredita-se que sejam o alvo de
alguns antidepressivos e vários fármacos alucinógenos.
*Receptores 5-HT3. São canais iônicos de membrana, promovendo estimulação direta, sem envolvimento de
segundos mensageiros. Esses receptores ocorrem principalmente no sistema nervoso periférico, em
particular nos neurônios sensoriais nociceptivos, em como em neurônios autonômicos e neurônios entéricos,
onde a 5-HT exerce um potente efeito excitatório. A 5-HT evoca dor quando injetada localmente; quando
administrada por via intravenosa desencadeia um delicado quadro de reflexos autônomos, resultantes da
estimulação de diversos tipos de fibras nervosas sensitivas vasculares, pulmonares e cardíacas. Os
receptores 5-HT3 também são encontrados no cérebro, especialmente na área postrema, uma região do
bulbo envolvida no reflexo do vômito, propiciando o uso de antagonistas seletivos de 5-HT3 como fármacos
antieméticos.
*Receptores 5-HT4. Atuam via proteína G (GS) aumentando AMPc. Estão presentes no cérebro, bem como
em órgãos periféricos como trato gastrintestinal, bexiga e coração. Seu principal papel fisiológico parece estar
associado ao trato gastrintestinal, onde produzem estimulação neuronal e medeiam o efeito da 5-HT na
estimulação do peristaltismo. Também são expressos no cérebro, particularmente no sistema límbico,
gânglios basais, hipocampo e substância negra. Estão localizados tanto nos sítios pré como pós-sinápticos.
Eles exercem efeito facilitador pré-sináptico, particularmente na liberação de Ach, reforçando, assim, o
desempenho cognitivo. A ativação dos receptores 5-HT4 medulares se opõem às ações depressivas
respiratórias dos opioides.
*Receptores 5-HT5, 5-HT6 e 5-HT7. Atuam via proteína G (GS) aumentando AMPc. Pouco se conhece a
respeito desses receptores. Todos estão presentes no SNC e também em outros tecidos. Os receptores 5-
HT6 ocorrem no SNC no hipocampo, no córtex e no sistema límbico. Eles são considerados como alvos
potenciais para fármacos que melhorem a cognição ou aliviem os sintomas de esquizofrenia, embora esses
fármacos ainda não estejam disponíveis. Os receptores HT7 ocorrem no hipocampo, no córtex, na amígdala,
no tálamo e no hipocampo. São encontrados no soma e nos terminais dos axônios dos neurônios
GABAérgicos. As funções prováveis no SNC incluem a termorregulação e a regulação endócrina, bem como
se suspeita de seu envolvimento no humor, na função cognitiva e no sono.
Algumas funções da serotonina incluem o estímulo dos batimentos cardíacos, o início do sono e a luta
contra a depressão (as drogas que tratam de depressão preocupam-se em elevar os níveis de serotonina no
cérebro). A serotonina também regula a luz durante o nosso sono, visto que é a precursora do hormônio
melatonina (regulador do nosso relógio natural).
- Desordens de humor - a diminuição da liberação de serotonina no sistema nervoso central está associada a
desordens de humor e depressão. Costuma-se tratar esses pacientes com medicamento que bloqueiam a
recaptação da serotonina para o terminal pré-sináptico (ex. fluoxetina, o Prozac).
- Desordem obsessiva compulsiva - associada à redução nos níveis de serotonina no sistema nervoso
central, é geralmente tratada por meio da inibição da recaptação da serotonina.
- Apetite: é reduzido por drogas que elevam a serotonina no encéfalo (geralmente amina)
- Comportamento agressivo e suicídio - tem sido associado a reduzidos níveis de serotonina no encéfalo
- Latência de sono: a latência de sono (tempo que a pessoa levar para dormir) é diminuída com .triptofano,
um aminoácido necessário para a síntese de serotonina. Esse dado sugere que a serotonina pode ter um
papel importante na indução do sono.
Obs.: O leite é rico em triptofano, o que sugere que um copo de leite antes de dormir pode
facilitar o sono.
Então podemos dizer que nos vertebrados, certas funções fisiológicas e comportamentais relacionam-
se particularmente com as vias 5-HT, tais como: alucinações e alterações comportamentais, sono-despertar-
humor, comportamento alimentar, controle da transmissão sensitiva.
Efeitos alucinatórios – muitos fármacos alucinógenos (como o LSD), são agonistas de receptores 5-HT2A.
Sugere-se que a perda da inibição cortical seja subjacente ao efeito alucinógeno, bem como a certos efeitos
comportamentais nos animais de experimentação, como o “agitar do cachorro molhado” que ocorre nos ratos
quando se administra o 5-hidroxitriptofano, precursor da 5-HT. Muitos fármacos antipsicóticos são
antagonistas dos receptores 5-HT2A, além de bloqueadores dos receptores D2 da dopamina. As propriedades
psicoestimulantes do MDMA (ecstasy) são causadas principalmente pela sua capacidade de liberar 5-HT. O
MDMA é captado pelo transportador de serotonina, fazendo com que ocorra o deslocamento de 5-HT das
vesículas de armazenamento – mecanismo análogo à ação da anfetamina sobre os terminais nervosos
adrenérgicos.
Sono, despertar e humor – As lesões dos núcleos da rafe ou a depleção de 5-HT pela administração de
PCPA abolem o sono nos animais experimentais, enquanto a microinjeção de 5-HT em pontos específicos no
tronco cerebral provoca sono. Os antagonistas dos receptores 5-HT7 inibem o movimento ocular rápido (REM)
do sono e aumentam a latência do início do sono REM. As tentativas de curar a insônia nos seres humanos,
administrando-se precursores da 5-HT (triptofano ou 5-hidroxitriptofano), foram, entretanto, malsucedidas. Há
evidências fortes de que a 5-HT, bem como a noradrenalina possam estar envolvidas no controle do humor e
o uso de triptofano para reforçar a síntese de 5-HT foi tentado na depressão, com resultados variados.
Alimentação e apetite. Nos animais experimentais, os agonistas da 5-HT1A, causam hiperfagia, levando à
obesidade. Os antagonistas atuam nos receptores 5-HT2, incluindo vários fármacos antipsicóticos usados
clinicamente, também aumentam o apetite e causam ganho ponderal. Por outro lado, os fármacos
antidepressivos que inibem a captação de 5-HT causam perda de apetite.
Transmissão sensorial. Depois de lesões dos núcleos da rafe ou da administração de PCPA, os animais
mostram respostas exageradas a muitas formas de estímulos sensitivos. Eles se assustam muito mais
facilmente e, também, rapidamente desenvolvem respostas de afastamento a estímulos que normalmente
não os incomodariam. Parece que a capacidade normal de desconsiderar formas irrelevantes de estímulos
sensitivos exige vias 5-HT intactas. O “reforço sensitivo” produzido pelos fármacos alucinógenos pode ser
parcialmente causado pela perda dessa função de guarda do portão da 5-HT. A 5-HT também exerce efeito
inibitório na transmissão na via da dor, tanto na medula quanto no cérebro, e há efeito sinérgico entre a 5-HT
e analgésicos, como a morfina. Assim, a depleção da 5-HT pelo PCPA, ou as lesões seletivas dos neurônios
descendentes contendo 5-HT que se dirigem para o corno dorsal, antagonizam o efeito analgésico da
morfina, enquanto os inibidores da captação de 5-HT têm o efeito oposto.
SINAPSE ADRENÉRGICA
FENILALANINA
TIR Hidroxilase
OSI
NA
(2)
Tirosina
Hidroxilase
L-DOPA
(3) Descarboxilase dos
L-aminoácidos
aromáticos
DOPAMINA
(4) Dopamina -
hidroxilase
Três das enzimas da via de síntese das catecolaminas (figura abaixo), tirosina hidroxilase (TH),
dopamina -hidroxilase (DH) e feniletanolamina N-metiltransferase (PNMT), são específicas das células
secretoras de catecolaminas. Os neurônios dopaminérgicos só expressam TH, os neurônios noradrenérgicos
expressam tanto TH quanto DH, e as células secretoras de adrenalina expressam todas as três. As células
secretoras de adrenalina incluem pequena população de neurônios do SNC, que são, também, as células
hormonais da medula suprarrenal, as células cromafins, secretoras de adrenalina, durante as reações de
luta e fuga.
A enzima limitante da biossíntese das catecolaminas é a tirosina hidroxilase, que converte a tirosina
em L-Dopa. Uma enzima citoplasmática a descarboxilase de L-aminoácidos aromáticos, catalisa a conversão
da L-Dopa em dopamina. A dopamina é captada por vesículas de armazenamento e fica protegida dos
ataques enzimáticos. Nos neurônios sintetizadores de noradrenalina, e de adrenalina, a DH, conversora da
DA em NA, é encontrada no interior das vesículas, diferindo das outras enzimas sintetizadoras, só presentes
no citosol. Nas células secretoras de adrenalina a PNMT fica localizada no citosol. A PNMT adicional um
radical metil à amina da NA, para formar adrenalina.
Duas enzimas participam na degradação das catecolaminas após exocitose vesicular. A monoamino-
oxidase (MAO) remove o radical amina, e a catecol-O-metiltransferase (COMT) metila o radical 3-OH no anel
catecólico.
A MAO (a qual existem duas isoformas distintas, MAO-A e MAO-B) ocorre no interior das células,
ligada à membrana externa das mitocôndrias, presente nas células pré- e pós-sinápticas. Ela é abundante
nas terminações nervosas noradrenérgicas, mas também é encontrada em muitos outros locais, tais como
fígado e epitélio intestinal. A MAO converte catecolaminas em seus aldeídos correspondentes, que, na
periferia, são rapidamente metabolizados pela aldeído desidrogenase ao ácido carboxílico correspondente
(noradrenalina dá origem ao 3,4-di-hidroxifenilglicol). A MAO pode também oxidar outras monoaminas, entre
as quais dopamina e 5-HT. Ela é inibida por vários fármacos, que são usados principalmente por seus efeitos
no SNC, onde essas três aminas têm funções transmissoras. No interior dos neurônios simpáticos, a MAO
controla o conteúdo de dopamina e noradrenalina, e o estoque liberável de noradrenalina aumenta caso a
enzima seja inibida.
A segunda mais importante via para o metabolismo de catecolaminas envolve a metilação, pela
COMT. Essa enzima está ausente nos neurônios noradrenérgicos, mas é encontrada na medula da
suprarrenal e em muitas outras células e tecidos. O produto final formado pela ação sequencial da MAO e
COMT é 3-metoxi-4-hidroxifenilglicol (MHPG). Esse composto é parcialmente conjugado a derivados sulfato
ou glicuronídeo, que são eliminados na urina, mas a sua maioria é convertida a ácido vanilmandélico (VMA)
e eliminado na urina nessa forma.
A COMT fica localizada no citosol e apenas das células pós-sinápticas. Nas sinapses noradrenérgicas
do sistema nervoso periférico (SNP) (isto é, nos neurônios pós-ganglionares simpáticos do SNA), as células
pós-sinápticas, contendo COMT, são as células musculares e glandulares, além de outros tecidos não-
neurais que recebem inervação simpática. No SNC, por outro lado, a maior parte da COMT fica localizada
nas células da glia (em especial, os astrócitos) em vez de nos neurônios pós-sinápticos-alvo.
No SNC a MAO é mais importante como mecanismo de término da ação do neurotransmissor do que
na periferia.
Na periferia, nem MAO nem COMT são primariamente responsáveis pelo término da ação do
transmissor, sendo que a maior parte da noradrenalina liberada é rapidamente recaptada pelo NET
(transportador de noradrenalina). As catecolaminas circulantes são sequestradas e inativadas por uma
combinação de NET, EMT (transportador extraneuronal de monoaminas) e COMT, e a importância relativa de
cada processo varia de acordo com o agente envolvido. Assim, a noradrenalina circulante é removida
principalmente pelo NET, enquanto a adrenalina é mais dependente do EMT.
Grande parte (até 80%) da catecolamina liberada na sinapse é rapidamente removida por recaptação
pelo neurônio pré-sináptico (figura abaixo). Uma vez no interior do neurônio pré-sináptico, o transmissor entra
nas vesículas sinápticas, passando a ficar disponível para reciclagem. Nas sinapses noradrenérgicas
periféricas (o SN simpático), o processo de captação neuronal, é dividido em captação 1 (NET –
transportador neuronal de noradrenalina), para distingui-lo de um segundo mecanismo de captação, a
captação 2 (EMT – captador de monoaminas extraneuronal), localizado nas células-alvo (no músculo liso
e nas células glandulares). Contrastando com a captação 1, um transporte ativo, a captação 2 é mecanismo
de difusão facilitada, capaz de captar o transmissor simpático NA, bem como o hormônio circulante ADR, e de
degradá-los enzimaticamente pela MAO e pela COMT, situada nas células-alvo. No SNC, é muito pouco
evidente a existência da captação 2 da NA, mas as células da glia desempenham papel semelhante,
captando as catecolaminas e as degradando enzimaticamente pelas MAO e COMT da glia. Diferentemente
da captação 2, no SNP, a captação glial das catecolaminas tem muitas características da captação 1.
As catecolaminas diferem, substancialmente, em suas interações com receptores. A DA interage com
os receptores de DA, e a NA e a ADR interagem com os receptores adrenérgicos.
DOPAMINA
Até cinco tipos de receptores de DA foram descritos no SNC. Desses cinco, dois já estão bem
caracterizados. Os receptores D1 estão acoplados a proteínas G estimulatórias (GS), ativando a adenilato
ciclase. Os receptores D2, D3 e D4 estão acoplados a proteínas G inibitórias (Gi), inibindo a adenilato ciclase
ou inibindo canais de cálcio. A ativação da D2 hiperpolariza a membrana pós-sináptica, por aumentar a
condutância ao potássio.
2.As vias mesolímbicas, cujos corpos celulares dirigem-se para a área tegmental ventral (VTA) adjacente à
substância negra, no mesencéfalo e cujas fibras projetam-se por intermédio do feixe prosencefálico medial,
para partes do sistema límbico, especialmente o nucleus accumbens e o núcleo amigdaloide.
3.As vias mesocorticais, cujos corpos celulares também encontram-se na VTA e que se projetam, através
do feixe prosencefálico medial para o córtex frontal.
4.O sistema túbero-hipofisário (ou tuberofundibular) é um grupo de neurônios curtos que se dirigem da
parte ventral do hipotálamo para a eminência mediana e para a hipófise, cujas secreções ele regula.
Efeitos comportamentais
A administração de anfetamina aos ratos, que libera tanto a dopamina quanto a noradrenalina,
provoca interrupção no comportamento normal do “rato” (exploração e experimentação), e o aparecimento de
comportamento “estereotipado” repetido (levantar-se, roer, etc.), sem relação com estímulo externo. Essas
alterações motoras induzidas pela anfetamina nos ratos, provavelmente, refletem hiperatividade no sistema
dopaminérgico nigroestriado, e são antagonizadas pelos antagonistas da dopamina e pela destruição dos
corpos celulares contendo dopamina no mesencéfalo, porém não pelos fármacos que inibem o sistema
noradrenérgico.
A cocaína e a anfetamina (que agem inibindo o transportador de dopamina) e também outros
fármacos de abuso, ativam vias de “recompensa” dopaminérgicas mesolímbicas para produzir sensação de
euforia em seres humanos. O principal receptor envolvido parece ser o D1, e o rato transgênico sem
receptores D1 comporta-se como se estivesse geralmente desmotivado, com redução na ingestão de alimento
e insensibilidade à anfetamina e à cocaína.
Função neuroendócrina
A via dopaminérgica túbero-hipofisária está envolvida no controle da secreção de prolactina. O
hipotálamo secreta vários mediadores que controlam a secreção de diferentes hormônios pela hipófise. Um
desses mediadores, que tem efeito inibidor na liberação de prolactina é a dopamina. Esse sistema é de
importância clínica, uma vez que muitos fármacos antipsicóticos, pelo bloqueio dos receptores D2, aumentam
a secreção de prolactina e podem causar o desenvolvimento das mamas e lactação, até mesmo no sexo
masculino. A produção do hormônio do crescimento é aumentada, nos indivíduos normais, pela dopamina.
ADRENALINA E NORADRENALINA
Os receptores adrenérgicos, estimulados pela ADR e pela NA, ficam nas células de todo o corpo,
inclusive no SNC e dos órgãos-alvo periféricos do sistema nervoso simpático. Os receptores adrenérgicos
são classificados em dois tipos, e , com base na ordem de potência das catecolaminas e de análogos
relacionados para estimular cada tipo. Os análogos usados originalmente, para a distinção entre os
receptores e , foram as catecolaminas NA e ADR, e dois compostos sintéticos, isoproterenol (ISO) e
fenilefrina (FE). Ahlquist, em 1948, designou como os receptores, nos quais a ADR tinha a maior potência e
ISO, a menor (ADR > NA >> ISO). Os receptores , apresentavam ordem de potência diferente: ISO era o
mais potente, com a ADR tendo potência igual ou superior a NA. Estudos com a FE permitiram distinção
adicional entre essas duas classes de receptores: os receptores eram estimulados pela FE, ao passo que
os não o eram.
A divisão simpática exerce influência contínua sobre os órgãos que inerva. Esse nível contínuo de
controle é chamado tônus simpático, e é efetuado por persistente frequência baixa de descarga dos nervos
simpáticos. Quando a situação exige, a frequência da descarga, para um órgão determinado, pode ser
aumentada, ou diminuída, como, por exemplo, o aumento da frequência de descarga dos neurônios
simpáticos que inervam a íris, para produzir aumento do diâmetro da pupila, sob luz fraca, ou a diminuição da
frequência dessa descarga e a diminuição do diâmetro da pupila, durante a sonolência.
A divisão simpática tem um mecanismo hormonal para ativar os tecidos-alvo, dotados de receptores
adrenérgicos, incluindo os inervados por nervos simpáticos. Esse hormônio é a catecolamina adrenalina, que
é secretada, junto com quantidades menores de noradrenalina, pela medula da suprarrenal, durante a
resposta generalizada ao estresse.
A ADR circulante imita os efeitos da estimulação dos nervos simpáticos, com maior eficácia, pois a
ADR é, em geral, mais potente do que a NA, na estimulação dos receptores adrenérgicos e . A ADR
também pode estimular os receptores adrenérgicos em células que recebem pouca ou nenhuma inervação
simpática, como as do fígado e as células adiposas, para mobilizar glicose e ácidos graxo, além das células
sanguíneas, participantes das respostas de coagulação e das respostas imunes.
Essa resposta é o exemplo clássico da capacidade do sistema nervosos simpático de produzir
ativação disseminada de seus efetores; é ativada quando a sobrevida do organismo está em risco e o animal
pode ter que lutar ou fugir. Alguns componentes dessa resposta resultam dos efeitos diretos da ativação
simpática, embora a secreção de ADR, pela medula da suprarrenal, também contribua.
A estimulação simpática do coração e dos vasos sanguíneos produz elevação da pressão arterial,
devido ao aumento do débito cardíaco e ao aumento da resistência vascular periférica. Ocorre, também,
redistribuição do fluxo sanguíneo, de modo que os músculos e o coração recebam mais sangue, ao passo
que o território esplâncnico e a pele recebam menos. A necessidade por troca mais intensa de gases
sanguíneos é resolvida por aceleração da frequência respiratória e por dilatação da árvore bronquiolar. O
volume da secreção salivar é reduzido, mas a proporção relativa de muco aumenta, permitindo lubrificação da
boca, apesar da maior ventilação. A demanda potencial por suprimento aumentado de substratos metabólicos
como a glicose e ácidos graxos, é atendida pelas ações dos nervos simpáticos, e pela ADR circulante, sobre
os hepatócitos e sobre as células adiposas. A gliconególise mobiliza o glicogênio armazenado no fígado
aumentando os níveis sanguíneos de glicose. A lipólise, nas células adiposas, converte os triglicerídeos em
ácidos graxos livres, que entram na corrente sanguínea.
(5)
NORADR
ENALINA
A anfetamina têm importante efeito no SNC que está relacionado à sua capacidade de liberar não
apenas noradrenalina, mas também 5-HT e dopamina das terminações nervosas no cérebro. Uma importante
característica dos efeitos das aminas simpatomiméticas de ação indireta consiste no desenvolvimento de
acentuada tolerância. Doses repetidas de anfetamina ou tiramina, produzem respostas pressoras
progressivamente menores. Isso provavelmente é causado por depleção das reservas liberáveis de
noradrenalina. Verifica-se também desenvolvimento de tolerância similar aos efeitos centrais com a
administração repetida, explicando, em parte, a tendência da anfetamina e de fármacos relacionados a
causarem dependência.
HISTAMINA
É uma amina básica formada a partir da histidina pela histidina descarboxilase. Ela é encontrada na
maioria dos tecidos, porém está em altas concentrações no pulmão e na pele e em concentrações
particularmente elevadas no trato gastrintestinal. Além de ser encontrada em mastócitos e basófilos, ela
também é encontrada nos histaminócitos no estômago e em neurônios histaminérgicos no cérebro, onde
desempenha papel de neurotransmissor. Os corpos celulares de neurônios histaminérgicos, que também
sintetizam e liberam uma variedade de outros transmissores, estão restritos a uma pequena parte do
hipotálamo, e seus axônios dirigem-se para todas as partes do cérebro. De forma não usual, não está
presente um mecanismo de captação de histamina, sendo sua ação terminada, então, por metilação
enzimática.
A histamina age em pelo menos três tipos de receptores (H1-3) no cérebro. Eles ocorrem na maioria
das regiões cerebrais e todos são receptores acoplados à proteína G – os receptores H1 para Gq; H2 para Gs
e os receptores H3 para Gi/G0. Os receptores H3 são autorreceptores inibidores dos neurônios liberadores de
histamina.
Assim como as outras monoaminas transmissoras, a histamina está envolvida em muitas e diferentes
funções do SNC. A liberação de histamina segue padrão circadiano distinto, sendo os neurônios ativos
durante o dia e silentes à noite. Os receptores H1 no córtex e no sistema ativador reticular contribuem para o
despertar e para o alerta, e os antagonistas do receptor H1 produzem sedação. Outras funções atribuídas à
histamina incluem o controle da ingestão de alimento e de água e a termorregulação, porém estas estão
menos bem caracterizadas. Os anti-histamínicos são amplamente utilizados para controlar náuseas e
vômitos, por exemplo, no enjoo de movimento e nos distúrbios da orelha média, como também para induzir o
sono.
ÓXIDO NÍTRICO
O óxido nítrico (NO) no sistema nervoso é produzido, principalmente, pela forma neuronal constitutiva
da óxido nítrico sintase (nNOS); essa enzima está presente em 2% dos neurônios, tanto inteneurônios curtos
quanto neurônios dos tratos longos, em quase todas as áreas cerebrais, como concentrações particulares no
cerebelo e no hipocampo. Ela ocorre nos corpos celulares e nos dendritos, bem como nos terminais axônicos,
sugerindo que o NO pode ser produzido pré e pós-sinapticamente A nNOS é dependente de calmodulina e é
ativada por aumento do cálcio intracelular, o que pode ocorrer por muitos mecanismos, incluindo a condução
do potencial de ação e a ação do neurotransmissor, especialmente pela ativação do glutamato dos receptores
de NMDA permeáveis a cálcio. O NO não é armazenado, mas liberado assim que produzido. Muitos estudos
mostraram que a produção de NO é aumentada pela ativação de vias sinápticas, ou por outros eventos, como
a isquemia cerebral.
O NO exerce ações pré e pós-sinápticas sobre os neurônios, assim como atua sobre as células da
glia. Produz seus efeitos de duas maneiras principais:
1.Pela ativação da guanilil ciclase solúvel, levando à produção de GMPc, que ativa várias cascatas de
fosforilação. Esse mecanismo de controle “fisiológico” opera em baixas concentrações de NO;
2.Reagindo como o radical livre superóxido para gerar peroxinitrito, ânion altamente tóxico, que age pela
oxidação de várias proteínas intracelulares. Isso exige concentrações maiores e que são atingidas na
isquemia cerebral.
Há boa evidência que o NO desempenha papel na plasticidade sináptica, pois a potencialização e a
depressão de longo prazo são reduzidas ou evitadas pelos inibidores da nNOS. Com base no mesmo tipo de
evidência, acredita-se que o NO também desempenhe papel importante nos mecanismos pelos quais a
isquemia causa morte neuronal. Há também evidência de que ele possa estar envolvido em outros processos,
incluindo a neurodegeneração na doença de Parkinson, na demência senil e na esclerose lateral amiotrófica.
MONÓXIDO DE CARBONO
O monóxido de carbono (CO) é bem mais conhecido como gás venenoso presente na combustão dos
veículos, que se liga fortemente à hemoglobina, causando anóxia tecidual. Entretanto, ele também é formado
endogenamente e tem muitas características em comum com o NO. Os neurônios e outras células contêm
uma enzima geradora de CO, a hemoxigenase, e o CO, assim como o NO, ativa a guanilil ciclase.
O papel do CO como mediador no SNC não está bem estabelecido, porém há algumas evidências de
que ele desempenhe algum papel nos mecanismo de memória no hipocampo.
ACETILCOLINA (Ach)
Em se tratando da síntese de acetilcolina, a acetil CoA é produzida pelos neurônios , assim como
acontece na maioria das células, porém a colina é obtida por captação ativa do fluido extracelular através de
transporte ativo secundário, acoplado ao Na+, que pode acumular colina contra um gradiente de potencial
eletroquímico.
A Ach não é liberada continuamente por terminais nervosos, ela é liberada em pacotes, cada pacote
correspondendo à liberação de uma vesícula sináptica. A quantidade de Ach contida em uma vesícula é
chamada de um quantum de Ach.
A acetilcolinesterase (ACHE) está concentrada na superfície externa da membrana pós-juncional e na
lâmina externa. Drogas que inibem esta enzima são chamadas anticolinesterásicas. Na presença de um
anticolinesterásico o potencial excitatório pós-sináptico (PEPS) é maior e dramaticamente prolongado.
A acetilcolina é rapidamente hidrolisada pela enzima acetilcolinesterase (ACHE). Esta última, também
conhecida como colinesterase específica ou verdadeira, é encontrada em neurônios colinérgicos, nas
adjacências das sinapses colinérgicas e em outros tecidos. É altamente concentrada na junção
neuromuscular. A hidrólise da acetilcolina ocorre também ao redor das terminações nervosas.
O sítio ativo de ACHE consiste em um sítio aniônico, que interage com um grupo nitrogênio
quaternário da molécula de ACHE, e um sítio esterásico, que interage com o grupo éster da Ach e o hidrolisa.
A butirilcolinesterase, também conhecida como pseudocolinesterase ou esterase sérica, está presente
em diversos tipos de células gliais. É especialmente encontrada no plasma sanguíneo e no fígado.
Embora ambos os tipos de enzima sejam capazes de hidrolisar a acetilcolina, eles podem ser
diferenciados por suas taxas de hidrólise da pseudocolinesterase.
Nas placas terminais motoras da musculatura esquelética, a maior parte das ACHE encontra-se na
superfície e nas invaginações da membrana pós-juncional.
A ação da ACHE é imediata, sendo que aproximadamente 90% da Ach liberada podem ser
hidrolisadas antes de chegar na membrana pós-sináptica. Os produtos de degradação são ácido acético e
colina. O primeiro é rapidamente recaptado para as diferentes vias bioquímicas no interior do citoplasma,
enquanto que a segunda é ativamente transportada de volta para a terminação nervosa, local onde será
novamente reutilizada na síntese de Ach.
As ações farmacológicas da Ach podem ser muscarínicas ou nicotínicas, porque mimetizam o princípio
ativo do cogumelo venenoso Amanita muscaria, e da injeção de nicotina. As ações muscarínicas
assemelham-se muito aos efeitos da estimulação parassimpática. Após bloqueio dos efeitos muscarínicos
pela atropina, doses maiores de Ach produzem efeitos da nicotina, que incluem:
A estimulação de todos os gânglios autônomos;
A estimulação da musculatura voluntária;
A secreção de adrenalina pela medula das suprarrenais.
Os receptores nicotínicos da Ach podem ser divididos em três classes: musculares, ganglionares e do
SNC. Os receptores musculares estão confinados à junção neuromuscular esquelética; os receptores
ganglionares são responsáveis pela transmissão nos gânglios simpáticos e parassimpáticos; e os receptores
do tipo SNC estão espalhados por todo o cérebro e são heterogêneos com respeito á sua composição
molecular e à localização.
Receptores na junção neuromuscular – localização pós-sináptica. Resposta excitatória da membrana,
devido ao aumento da permeabilidade a cátions (principalmente Na+ e K+).
Receptores ganglionares – localização nos gânglios autônomos, principalmente pós-sinápticos. Resposta
excitatória da membrana, devido ao aumento da permeabilidade a cátions (principalmente Na+ e K+).
Receptores no SNC – localizado em muitas regiões no cérebro. Podem apresentar localização pré- ou pós-
sináptica. Resposta excitatória da membrana pré- ou pós-sináptica, devido ao aumento da permeabilidade a
cátions (principalmente Na+ e K+).
Os receptores muscarínicos são acoplados à proteína G.
Receptores muscarínicos tipo 1 (M1) – “neuronais”. Encontrados em neurônios centrais, neurônios
periféricos e nas células parietais do estômago. Atuam como mediadores dos efeitos excitatórios como, por
exemplo, a excitação muscarínica lenta pela Ach nos gânglios simpáticos e em neurônios centrais. Essa
excitação é produzida por diminuição na condutância ao K+, que provoca despolarização da membrana. A
deficiência desse tipo de efeito mediado pela Ach no cérebro, possivelmente está associada à demência. Os
receptores M1 também estão envolvidos no aumento da secreção ácida no estômago que ocorre por
estimulação vagal.
Receptores muscarínicos tipo 2 (M2) – “cardíacos”. Estão presentes no coração e também nas terminações
pré-sinápticas de neurônios centrais e periféricos. Exercem efeito inibitório, principalmente por aumento da
condutância ao K+ e da inibição dos canais de cálcio. A ativação desses receptores é responsável pela
inibição colinérgica do coração, bem como pela inibição pré-sináptica no SNC e na periferia. Os receptores M2
também são expressos juntamente com os receptores M3 no músculo liso das vísceras e contribuem para o
efeito estimulante da musculatura lisa, próprio dos agonistas muscarínicos em vários órgãos.
Receptores muscarínicos tipo 3 (M3) – “glandulares/ do músculo liso” produzem principalmente efeitos
excitatórios, ou seja, estimulação das secreções glandulares (salivares, brônquicas, sudoríparas, etc.) e
contração do músculo liso das vísceras. Aumentam a formação de IP3 e consequentemente levam ao
aumento de cálcio intracelular. Os receptores M3 também atuam como mediadores do relaxamento da
musculatura lisa (principalmente vascular), que resulta da liberação de óxido nítrico das células endoteliais
vizinhas. Os receptores M1, M2 e M3 também estão presentes em locais específicos no SNC.
Receptores muscarínicos tipo 4 e 5 (M4 e M5) estão em grande parte restritos ao SNC, e seu papel
funcional não está bem esclarecido, embora camundongos desprovidos desses receptores mostrem
alterações comportamentais.