UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS –
UNIMONTES
Centro De Ciências Humanas – CCH
Departamento De Métodos e Técnicas Educacionais
Curso: Pedagogia
Marlley Thaira Rocha Silva
ESTRATÉGIAS DE INCLUSÃO E SUPORTE PARA CRIANÇAS COM
TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA EM AMBIENTES
EDUCACIONAIS
Almenara
Setembro/2024
Marlley Thaira Rocha Silva
ESTRATÉGIAS DE INCLUSÃO E SUPORTE PARA CRIANÇAS COM
TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA EM AMBIENTES
EDUCACIONAIS
Projeto de pesquisa apresentado a
Universidade Estadual de Montes Claros –
Unimontes, como requisito para avaliação
da disciplina Pesquisa I, sob orientação da
professora Sandy Aparecida Barbosa
Magalhães.
Almenara
Setembro/2024
RESUMO
Este projeto de pesquisa visa investigar estratégias eficazes de inclusão e suporte para
crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em ambientes educacionais. A
pesquisa busca identificar práticas inclusivas, analisar o impacto no desenvolvimento
social, emocional e cognitivo das crianças e fornecer diretrizes práticas para melhorar a
inclusão. Serão realizadas entrevistas, observações e análises de dados para avaliar a
eficácia das estratégias.
PALAVRAS-CHAVE: Transtorno do Espectro Autista; Inclusão educacional; Suporte
individualizado; Desenvolvimento cognitivo e social; Ambientes educacionais inclusivos.
ABSTRACT
This research project aims to investigate effective inclusion strategies and support for
children with Autism Spectrum Disorder (ASD) in educational settings. The study seeks to
identify inclusive practices, analyze the impact on social, emotional, and cognitive
development, and provide practical guidelines to enhance inclusion. Interviews,
observations, and data analysis will be conducted to assess strategy effectiveness.
KEYWORDS: Autism Spectrum Disorder; Educational inclusion; Individualized support;
Cognitive and social development; Inclusive educational environments.
SUMÁRIO
1 – INTRODUÇÃO ...............................................................................................................5
2 – TEMA ..............................................................................................................................5
3 – PROBLEMA ...................................................................................................................5
4 – HIPÓTESES.....................................................................................................................5
5 – OBJETIVOS.....................................................................................................................6
5.1 – OBJETIVO GERAL......................................................................................................6
5.2 – OBJETIVOS ESPECÍFICOS........................................................................................6
6 – JUSTIFICATIVA ............................................................................................................7
7 – REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................7
7.1 - Definir o transtorno do processamento sensorial das crianças com o Transtorno do
Espectro Autista. ...................................................................................................................7
7.2 - Descrever sobre a sensibilidade auditiva nas crianças com Transtorno do Espectro
Autista..................................................................................................................................10
7.3 - Apresentar, à luz dos teóricos, quais as estratégias de adaptações ambientais para
amenizar comportamento de estresse e desconforto para as crianças com sensibilidade
auditiva e, desta forma promover um ambiente educacional com maior
adaptabilidade.......................................................................................................................13
7.4 - Demonstrar como ambientes educacionais adaptáveis às crianças com sensibilidade
auditiva podem favorecer a equidade educacional as crianças portadoras de
TEA. ........................................................................................................................................
......15
8 – METODOLOGIA .........................................................................................................19
9 – CRONOGRAMA ..........................................................................................................20
10 – REFERENCIAS...........................................................................................................21
1 INTRODUÇÃO
A inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em ambientes
educacionais tem sido um tema de crescente relevância no contexto educacional
contemporâneo. Com o avanço das políticas públicas e das práticas pedagógicas inclusivas,
tornou-se imprescindível desenvolver estratégias que promovam a aprendizagem e o bem-
estar dessas crianças, garantindo-lhes o direito à educação em igualdade de condições.
Este relatório tem como objetivo explorar e apresentar estratégias eficazes de
inclusão e suporte para crianças com TEA, destacando abordagens que valorizam a
individualidade e potencializam as habilidades de cada aluno. Para isso, considera-se a
importância de práticas pedagógicas adaptativas, a capacitação dos educadores, o
envolvimento das famílias e o uso de recursos tecnológicos e metodológicos.
Ao longo deste estudo, serão discutidas as barreiras enfrentadas, bem como as
soluções e inovações que têm demonstrado resultados positivos na promoção de um
ambiente educacional inclusivo e acolhedor. Assim, busca-se contribuir para a construção
de uma educação mais equitativa, capaz de respeitar a diversidade e oferecer oportunidades
significativas de desenvolvimento para todas as crianças.
2 TEMA
Estratégias de inclusão e suporte para crianças com Transtorno do
Espectro Autista (TEA) em ambientes educacionais.
3 PROBLEMA
Como garantir aos alunos com Transtorno do Espectro Autista que
tenham sensibilidades auditivas o seu direito de aprendizagem com equidade, uma vez que
muitos deles dentro de um ambiente com grande número de colegas e havendo excesso de
barulho demonstram comportamento de estresse e desconforto?
4 HIPÓTESES
4.1 - A escola deve garantir uma quantidade de alunos que não gere mudanças de
comportamento como estresse e desconforto para alunos com Transtorno do Espectro
Autista (TEA).
4.2 – As escolas pesquisadas têm ambientes acolhedores, com áreas destinadas a esses
alunos, onde os mesmos possam se retirar quando se sentirem sobrecarregados. Esses
espaços podem ser silenciosos e equipados com materiais que ajudem a acalmar.
4.3 - O ambiente educacional (professor regente, professor de apoio, supervisão) tem
conhecimento de que educandos com Transtorno do Espectro Autista que tenham
sensibilidades auditivas necessitam de ambientes com controle de volume de som
adequado.
5 OBJETIVOS
5.1 Objetivo Geral
Analisar estratégias pedagógicas e adaptativas que assegurem o direito à
aprendizagem com equidade para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que
apresentam sensibilidades auditivas.
5.2 Objetivos Específicos
Definir o transtorno do processamento sensorial das crianças com o Transtorno do
Espectro Autista.
Descrever sobre a sensibilidade auditiva nas crianças com Transtorno do Espectro
Autista.
Apresentar, à luz dos teóricos, quais as estratégias de adaptações ambientais para
amenizar comportamento de estresse e desconforto para as crianças com sensibilidade
auditiva e, desta forma promover um ambiente educacional com maior adaptabilidade.
Demonstrar como ambientes educacionais adaptáveis às crianças com sensibilidade
auditiva podem favorecer a equidade educacional as crianças portadoras de TEA
6 – JUSTIFICATIVA
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta uma parcela significativa
da população infantil, caracterizando-se por desafios no desenvolvimento social, na
comunicação e em comportamentos específicos. No contexto educacional, essas
particularidades demandam práticas inclusivas que garantam a plena participação e o
desenvolvimento das crianças com TEA, respeitando suas necessidades e potencialidades.
Abordar este tema é essencial, pois, apesar dos avanços em políticas
públicas e na conscientização sobre inclusão, muitos desafios ainda persistem. Educadores
frequentemente enfrentam dificuldades na implementação de estratégias eficazes devido à
falta de formação especializada e à escassez de recursos. Além disso, há a necessidade de
envolver as famílias e a comunidade escolar na construção de um ambiente acolhedor e
funcional.
Este estudo justifica-se pela relevância de identificar e divulgar práticas
pedagógicas e estratégias que promovam a inclusão e o suporte adequados, contribuindo
para a formação de cidadãos mais conscientes e para o fortalecimento de uma educação
realmente inclusiva. Além disso, busca-se ampliar a reflexão sobre como superar barreiras
estruturais e atitudinais, garantindo a todas as crianças, independentemente de suas
condições, o direito de aprender e se desenvolver plenamente.
7 REFERENCIAL TEÓRICO
7.1 Definir o transtorno do processamento sensorial das crianças com o Transtorno
do Espectro Autista.
O Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) em crianças com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) refere-se à dificuldade que essas crianças têm em
processar e responder adequadamente aos estímulos sensoriais do ambiente. O sistema
nervoso dessas crianças pode ter dificuldades para integrar informações sensoriais, como
sons, toques, imagens ou movimentos, resultando em respostas inadequadas. Essas
respostas podem variar de hipersensibilidade (quando o estímulo é exageradamente
intenso) a hipossensibilidade (quando o estímulo é pouco percebido ou não é reconhecido
de forma adequada). Essas dificuldades sensoriais afetam diretamente o comportamento e
o desenvolvimento da criança, interferindo em sua capacidade de se relacionar com os
outros e de interagir com o ambiente ao seu redor.
No contexto do Transtorno do Espectro Autista, o TPS é uma
característica comum, embora nem todas as crianças com TEA apresentem problemas de
processamento sensorial. As respostas sensoriais podem ser altamente individualizadas,
com algumas crianças demonstrando aversão a certos estímulos, como luzes fortes ou sons
altos, enquanto outras podem buscar intensamente esses mesmos estímulos, como forma de
autorregulação. Essa desorganização sensorial pode resultar em comportamentos
desafiadores, como meltdowns (explosões emocionais), isolamento social ou movimentos
repetitivos, que são formas que a criança encontra para lidar com o excesso de informações
sensoriais ou para buscar estímulos que ajudem a regular suas respostas emocionais e
físicas.
As crianças com dificuldades de integração sensorial podem experienciar
uma sobrecarga emocional, resultando em explosões de comportamento,
frequentemente chamadas de 'meltdowns', que são reações a estímulos
sensoriais intensos ou difíceis de processar. (AYRES. 1972)
O tratamento do TPS em crianças com TEA exige uma abordagem
multidisciplinar, envolvendo terapias ocupacionais, adaptações ambientais e suporte
psicossocial. A Terapia de Integração Sensorial, proposta por Ayres, é uma das abordagens
mais utilizadas, ajudando a criança a melhorar sua capacidade de processar e responder aos
estímulos sensoriais de forma mais adaptativa. Além disso, modificações no ambiente
escolar e familiar podem ser necessárias para reduzir ou controlar estímulos sensoriais
excessivos, criando espaços seguros e previsíveis onde a criança possa se sentir mais
confortável e conseguir se adaptar ao ambiente de forma mais eficaz. O diagnóstico
precoce e a intervenção apropriada são cruciais para apoiar o desenvolvimento e a
qualidade de vida dessas crianças.
A teoria da Integração Sensorial sugere que as dificuldades de
aprendizagem e comportamento em crianças são muitas vezes causadas
por disfunções na forma como o cérebro organiza e interpreta os
estímulos sensoriais. (AYRES, A. J. - 1972)
As dificuldades no processamento sensorial em crianças com TEA
podem afetar diferentes aspectos do desenvolvimento e das interações sociais. Por
exemplo, crianças com hipersensibilidade auditiva podem reagir de maneira exagerada a
sons do cotidiano, como uma sirene ou uma conversa animada, o que pode causar
desconforto extremo e levar ao isolamento ou comportamentos agressivos. Da mesma
forma, a hipossensibilidade, em que a criança busca mais estímulos sensoriais, pode
resultar em comportamentos de risco, como o ato de se bater ou se atirar no chão em busca
de estímulos táteis ou proprioceptivos. Essas manifestações tornam-se obstáculos para o
aprendizado, o desenvolvimento de habilidades motoras e a adaptação ao ambiente escolar,
social e familiar.
O processamento sensorial adequado é essencial para o desenvolvimento
da criança, pois permite que ela organize, interprete e responda de
maneira apropriada aos estímulos do ambiente, facilitando sua
aprendizagem e adaptação. (Ayres, AJ 1972)
Além disso, o impacto do TPS em crianças com TEA vai além das
dificuldades sensoriais diretas e pode influenciar as habilidades sociais e a regulação
emocional. A incapacidade de processar adequadamente os estímulos pode gerar um
sentimento de sobrecarga ou confusão, afetando a capacidade de a criança se comunicar
efetivamente com os outros. Em muitos casos, a criança pode ter dificuldade em interpretar
sinais sociais e expressões faciais devido ao excesso de informações sensoriais, o que
prejudica ainda mais a interação social e pode levar ao isolamento. A falta de estratégias
para lidar com os estímulos sensoriais também pode aumentar a ansiedade e a frustração,
resultando em comportamentos desafiadores que dificultam a inclusão social.
O tratamento do TPS em crianças com TEA deve ser personalizado e
adaptado às necessidades específicas de cada criança, uma vez que as manifestações
sensoriais podem variar amplamente entre os indivíduos. Além da Terapia de Integração
Sensorial, outras abordagens, como a modulação sensorial no contexto escolar e em casa,
também são fundamentais. Isso pode incluir o uso de fones de ouvido para bloquear sons, a
criação de áreas sensoriais de acolhimento, a modificação da iluminação ou a introdução
de atividades estruturadas que ajudem a criança a se regular. A colaboração entre
terapeutas ocupacionais, psicólogos, educadores e famílias é essencial para garantir que a
criança receba o suporte adequado, maximizando seu potencial de adaptação e de
desenvolvimento em um ambiente mais inclusivo e compreensivo.
O tratamento do Transtorno do Processamento Sensorial envolve a terapia
de integração sensorial, onde as crianças participam de atividades
cuidadosamente estruturadas para ajudar a reorganizar e integrar suas
respostas sensoriais, promovendo uma adaptação mais eficiente aos
estímulos do ambiente. (Ayres, A. J. 1972)
7.2 Descrever sobre a sensibilidade auditiva nas crianças com Transtorno do
Espectro Autista.
A sensibilidade auditiva é uma das manifestações sensoriais mais comuns
em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), afetando significativamente a
maneira como elas percebem e reagem aos sons ao seu redor. Em muitos casos, as crianças
com TEA apresentam hipersensibilidade auditiva, o que significa que elas têm uma
percepção exagerada de sons, reagindo de forma intensa a estímulos que seriam
considerados normais para crianças com desenvolvimento típico. Isso pode incluir ruídos
do ambiente, como conversas em voz alta, sons de aparelhos eletrônicos, sirenes ou até
mesmo sons de fundo, como o zumbido de um ventilador. Esses sons podem causar
desconforto, ansiedade e até dor, resultando em comportamentos de fuga ou irritabilidade.
A hipersensibilidade auditiva é uma manifestação comum em crianças
com dificuldades de integração sensorial, levando-as a reagir de forma
exagerada a sons do ambiente, o que pode causar grande desconforto e
dificultar a adaptação às demandas do cotidiano. (Ayres. 1972)
Por outro lado, algumas crianças com TEA podem apresentar
hipossensibilidade auditiva, o que significa que não conseguem perceber sons de maneira
eficiente, necessitando de estímulos mais intensos para chamar sua atenção. Nesse caso,
elas podem não responder a chamadas, sons ou instruções verbais, o que pode ser
interpretado erroneamente como desobediência ou falta de interesse. Essa dificuldade em
perceber sons pode afetar a comunicação, já que muitas vezes as crianças não conseguem
distinguir sons importantes para a interação social, como o tom de voz dos outros ou os
sinais auditivos em ambientes educacionais e sociais.
O impacto da sensibilidade auditiva no cotidiano das crianças com TEA é
significativo, afetando tanto a sua capacidade de aprender quanto suas interações sociais. A
sobrecarga sensorial provocada por sons intensos pode desencadear comportamentos como
o isolamento, agressividade, choro ou mesmo autolesão, à medida que a criança tenta lidar
com a dor ou o estresse causado pelos estímulos auditivos. Para ajudar essas crianças, é
essencial realizar uma avaliação sensorial detalhada, a fim de identificar os tipos
específicos de respostas auditivas que a criança apresenta. A partir disso, podem ser
adotadas estratégias de intervenção, como o uso de fones de ouvido com cancelamento de
ruído, a criação de ambientes mais silenciosos ou a adaptação de atividades e materiais
didáticos para minimizar o impacto da sensibilidade auditiva na aprendizagem e no bem-
estar emocional da criança.
A hipersensibilidade auditiva em crianças com Transtorno do Espectro
Autista pode interferir significativamente no seu cotidiano, causando
desconforto extremo com sons comuns, como o de um aspirador ou a
campainha, o que pode levar a comportamentos de fuga e dificuldades nas
interações sociais. (BARANEK, G. T. 2002)
A sensibilidade auditiva em crianças com Transtorno do Espectro Autista
(TEA) pode afetar diretamente o comportamento e a interação social da criança. Por
exemplo, em ambientes como escolas ou festas, os sons constantes e muitas vezes
inesperados podem ser avassaladores, levando a crises de ansiedade ou agressividade. A
sobrecarga auditiva pode resultar em "meltdowns", que são explosões emocionais
intensas, ou em comportamentos de fuga, como cobrir os ouvidos ou procurar um local
isolado e tranquilo. Esses episódios podem dificultar a participação da criança em
atividades cotidianas, prejudicando seu aprendizado e sua capacidade de socialização com
os colegas. Além disso, a hipersensibilidade auditiva pode afetar a capacidade da criança
de se concentrar, já que ela se vê distraída por ruídos que outros não percebem ou não
consideram perturbadores.
Em muitas situações, a dificuldade em processar estímulos auditivos
também interfere na comunicação. A criança com TEA pode não reagir a comandos
verbais ou às interações sociais devido à dificuldade em filtrar sons irrelevantes ou de
identificar a origem do som. Por exemplo, em uma sala de aula barulhenta, a criança pode
não conseguir distinguir a fala do professor dos outros ruídos ao seu redor, o que dificulta a
compreensão da tarefa ou a resposta a perguntas. Isso não deve ser interpretado como
desinteresse ou falta de vontade de se comunicar, mas como uma resposta sensorial que
afeta a percepção auditiva e a capacidade de processar informações de forma eficiente.
A dificuldade em processar estímulos auditivos em crianças com
Transtorno do Espectro Autista pode resultar em respostas inadequadas a
sons do ambiente, como aumento de ansiedade ou comportamentos de
fuga, afetando sua interação com o mundo ao redor (Baranek, G. T.
2002).
Para melhorar a qualidade de vida dessas crianças, é crucial implementar
estratégias que minimizem o impacto da sensibilidade auditiva em seu cotidiano. Isso pode
envolver o uso de fones de ouvido com cancelamento de ruído, especialmente em
ambientes públicos ou escolas, onde a sobrecarga sensorial é mais frequente. Além disso,
intervenções terapêuticas, como a Terapia de Integração Sensorial, podem ser eficazes
para ajudar a criança a aprender a lidar com os estímulos auditivos de forma mais
adaptativa. Também é importante que os ambientes, como a escola, sejam adaptados, com
o uso de materiais didáticos que reduzam distrações sonoras e a criação de áreas sensoriais
mais calmas onde a criança possa se refugiar quando necessário. Essas medidas,
juntamente com uma abordagem compreensiva e empática, podem ajudar a criança com
TEA a lidar melhor com sua sensibilidade auditiva e a melhorar seu desenvolvimento
social, emocional e educacional.
Ao proporcionar experiências sensoriais adequadas e estruturadas,
podemos ajudar as crianças a reorganizar suas respostas sensoriais,
permitindo-lhes participar mais plenamente nas atividades do cotidiano e
melhorando sua adaptação ao ambiente (Ayres - 1972).
7.3 Apresentar, à luz dos teóricos, quais as estratégias de adaptações ambientais
para amenizar comportamento de estresse e desconforto para as crianças com
sensibilidade auditiva e, desta forma promover um ambiente educacional com maior
adaptabilidade.
As crianças com sensibilidade auditiva, especialmente aquelas com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Transtorno do Processamento Sensorial (TPS),
enfrentam desafios significativos em ambientes educacionais devido à sua dificuldade em
processar estímulos auditivos. Sons comuns, como o barulho de uma campainha, conversas
em grupo ou até sons do ambiente escolar, podem causar estresse, desconforto e até
comportamentos de fuga ou irritabilidade. Para amenizar esses problemas e criar um
ambiente educacional mais adaptável, diversas estratégias de adaptação ambiental
podem ser implementadas, conforme sugerido por teóricos da área, como Ayres (1972),
Dunn (2007) e Baranek (2002).
Uma das estratégias mais eficazes é o uso de equipamentos de
atenuação sonora, como fones de ouvido com cancelamento de ruído ou protetores
auditivos. Ayres (1972) enfatiza que reduzir a sobrecarga sensorial, incluindo a auditiva,
pode ajudar as crianças a se concentrarem melhor e a reduzir reações de estresse. Essas
ferramentas podem proporcionar alívio imediato e criar um ambiente mais controlado,
onde a criança se sinta mais segura.
Outra abordagem importante é a criação de espaços sensoriais calmos
ou salas de descanso dentro da escola. Esses ambientes devem ser silenciosos, com
iluminação suave e sem estímulos auditivos excessivos. Dunn (2007) sugere que um
ambiente regulado, com menos estímulos, ajuda as crianças a se autorregularem,
promovendo a redução do estresse e a melhoria do foco. Tais espaços podem oferecer à
criança uma oportunidade de se retirar quando sentir-se sobrecarregada, sem ser forçada a
enfrentar estímulos excessivos.
Além disso, a previsibilidade das rotinas também é uma estratégia
valiosa. Estabelecer uma rotina clara e previsível no ambiente escolar pode ajudar a reduzir
a ansiedade da criança. O uso de sinalizações visuais ou aviso antecipado sobre
atividades que envolvem sons (como o início de uma música ou o toque de uma
campainha) permite que a criança se prepare mentalmente, evitando reações inesperadas
aos estímulos auditivos. Ayres (1972) afirma que a previsibilidade é fundamental para a
adaptação das crianças, oferecendo-lhes segurança em suas atividades diárias.
A redução de sons ambientais também é uma medida importante. Isso
pode ser feito através de isolamento acústico de determinadas áreas da sala de aula ou pelo
uso de sons suaves de fundo, como música calma ou ruído branco, para mascarar sons
indesejados. Baranek (2002) observou que a hipersensibilidade auditiva pode gerar uma
sobrecarga sensorial, tornando difícil para a criança se concentrar. Reduzir os sons
excessivos pode proporcionar um ambiente mais favorável para o aprendizado.
Além dessas adaptações, o uso de métodos de ensino visuais e táteis pode
ajudar as crianças a compreender melhor as instruções e se engajar nas atividades sem
depender excessivamente dos estímulos auditivos. Isso pode incluir materiais visuais
(como cartazes e diagramas) e atividades práticas, que fornecem uma forma alternativa de
aprendizado. Dunn (2007) sugere que a diversificação das formas de estímulo é crucial
para atender às necessidades sensoriais das crianças, oferecendo uma experiência
educacional mais equilibrada.
Outro aspecto relevante é o treinamento e suporte aos educadores.
Preparar os professores para reconhecer os sinais de estresse auditivo e implementar
estratégias de adaptação, como permitir pausas para evitar sobrecarga sensorial, é
essencial. Ayres (1972) destaca que, com o suporte adequado, os educadores podem criar
um ambiente mais inclusivo e sensível às necessidades sensoriais das crianças,
promovendo uma aprendizagem mais eficaz.
Finalmente, adaptação do conteúdo curricular é outra forma de melhorar
a qualidade de vida escolar dessas crianças. Isso pode envolver a modificação de atividades
para reduzir a dependência de estímulos auditivos intensos, utilizando mais atividades
baseadas em movimento ou relaxamento. Dunn (2007) propõe que adaptar o currículo para
reduzir a sobrecarga sensorial permite que as crianças se envolvam de maneira mais eficaz
e confortável no processo de aprendizagem.
Por fim, o uso de tecnologias assistivas, como aplicativos que permitem
ajustar o volume ou dispositivos de modulação auditiva, pode ser útil para dar às crianças
um maior controle sobre o ambiente sensorial. Ayres (1972) sugere que a adaptação
ambiental, por meio de tecnologias que permitem o controle sensorial, pode ser uma
ferramenta poderosa para ajudar a criança a se sentir mais confortável e, assim, melhorar
seu desempenho educacional.
Essas estratégias de adaptação ambiental, baseadas nas teorias de Ayres,
Dunn e Baranek, oferecem um caminho para criar um ambiente educacional que reduz o
estresse auditivo e melhora a capacidade de adaptação das crianças com sensibilidade
auditiva. A implementação dessas adaptações pode promover um ambiente mais inclusivo,
no qual as crianças possam aprender de forma mais eficaz, com mais conforto e maior
participação nas atividades diárias.
7.4 Demonstrar como ambientes educacionais adaptáveis às crianças com
sensibilidade auditiva podem favorecer a equidade educacional as crianças
portadoras de TEA.
Ambientes educacionais adaptáveis às necessidades sensoriais das
crianças com sensibilidade auditiva são fundamentais para promover a equidade
educacional para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). As crianças com
TEA muitas vezes apresentam dificuldades em processar estímulos sensoriais, e a
sensibilidade auditiva excessiva é uma das mais comuns. Sons intensos ou inesperados,
como conversas em grupo, barulho de objetos ou sons ambientais, podem causar
desconforto significativo e até comportamentos de estresse, como meltdowns. Em um
ambiente educacional sem adaptações, essas dificuldades sensoriais podem resultar em
exclusão ou em um desempenho acadêmico abaixo do potencial da criança. No entanto, ao
oferecer um ambiente que reconhece e se adapta às necessidades sensoriais dessas crianças,
é possível criar um espaço mais inclusivo, onde elas podem participar plenamente do
processo de aprendizagem.
Redução da Sobrecarga Sensorial
Uma das adaptações mais importantes é a redução da sobrecarga
sensorial, especialmente no que diz respeito aos estímulos auditivos. Para isso, podem ser
usadas estratégias como o uso de fones de ouvido com cancelamento de ruído, que ajudam
a bloquear sons indesejados e permitem que a criança se concentre melhor em suas
atividades. Além disso, pode-se aplicar técnicas de isolamento acústico nas salas de aula,
como cortinas e tapetes, para reduzir os reflexos sonoros e minimizar os ruídos que possam
causar desconforto. Essas adaptações favorecem a participação ativa das crianças no
ambiente escolar, permitindo que elas possam aprender sem serem sobrecarregadas pelos
estímulos auditivos intensos. A redução desses estímulos sensoriais excessivos contribui
para a equidade educacional, pois proporciona um ambiente no qual todas as crianças,
independentemente de suas necessidades sensoriais, podem se concentrar e aprender da
melhor forma possível.
A redução da sobrecarga sensorial é fundamental para permitir que o
cérebro de uma criança com dificuldades de processamento sensorial
organize, integre e utilize adequadamente as informações recebidas do
ambiente, promovendo uma experiência de aprendizagem mais eficaz e
confortável (AYRES, A. J., 1972).
Criação de Espaços Sensoriais
Outra estratégia importante é a criação de espaços sensoriais, que são
áreas dentro da escola projetadas para oferecer um ambiente calmo, sem os estímulos
auditivos e visuais intensos que podem ser prejudiciais para crianças com TEA e
sensibilidade auditiva. Esses espaços oferecem à criança a oportunidade de se retirar
quando se sentir sobrecarregada, permitindo que ela se recupere emocional e fisicamente
para voltar às atividades escolares. O acesso a esses espaços garante que a criança não seja
forçada a enfrentar um ambiente estressante e, assim, favorece sua permanência na escola,
o que é um passo importante para garantir a equidade educacional. Tais espaços funcionam
como uma ferramenta de autorregulação, essencial para que as crianças possam lidar com a
sobrecarga sensorial de maneira eficaz e retornar à sala de aula de forma mais tranquila e
preparada para o aprendizado.
A criação de ambientes sensoriais adaptados permite que crianças com
TEA se retirarem para um espaço calmo, onde podem se autorregular e
recuperar-se da sobrecarga sensorial, promovendo seu bem-estar e a
participação plena no ambiente educacional (BARANEK, G. T., 2002).
Adaptação do Currículo e Métodos de Ensino
A adaptação do currículo e a utilização de métodos de ensino
diversificados também são essenciais para garantir um ambiente educacional inclusivo e
equitativo. O uso de materiais visuais, como cartazes, gráficos, vídeos e recursos digitais,
pode reduzir a dependência das crianças com TEA de estímulos auditivos, oferecendo uma
alternativa mais acessível para o aprendizado. Além disso, o uso de atividades táteis e de
movimento também pode ser incorporado, pois essas abordagens permitem que as crianças
se envolvam no processo de aprendizagem sem depender excessivamente dos estímulos
auditivos. Essa diversidade nas metodologias de ensino favorece o aprendizado de todas as
crianças, respeitando suas diferentes formas de processar informações e garantindo que
nenhuma delas seja excluída do processo educacional devido a dificuldades sensoriais.
A adaptação do currículo e dos métodos de ensino, levando em
consideração as necessidades sensoriais individuais, é essencial para
garantir que todos os alunos, especialmente aqueles com dificuldades no
processamento sensorial, possam aprender de forma eficaz e engajada
(DUNN, W., 2001).
Previsibilidade das Rotinas
Ambientes estruturados e com rotinas previsíveis são outra adaptação
importante. Crianças com TEA frequentemente se beneficiam de uma rotina clara, que
minimize surpresas e permita que elas se preparem para mudanças de atividades. A
utilização de sinalizações visuais ou gráficos de atividades pode ser útil para informar a
criança sobre o que está por vir e quais sons podem ocorrer durante as atividades. Essa
previsibilidade reduz a ansiedade e o estresse, criando um ambiente onde as crianças com
TEA se sentem mais seguras e dispostas a participar das atividades, o que é essencial para
garantir uma equidade no acesso ao aprendizado. Segundo Ayres (1972) “A previsibilidade
das rotinas é crucial para crianças com dificuldades no processamento sensorial, pois
proporciona segurança e estrutura, permitindo-lhes lidar melhor com os estímulos do
ambiente e, assim, facilitar sua participação nas atividades diárias."
Treinamento e Sensibilização dos Educadores
Para que essas adaptações sejam implementadas de forma eficaz, é
fundamental que os educadores sejam adequadamente treinados para reconhecer as
necessidades sensoriais das crianças com TEA e para aplicar as estratégias apropriadas. O
treinamento contínuo dos professores é crucial, pois eles devem ser capazes de identificar
sinais de sobrecarga sensorial e modificar suas práticas pedagógicas quando necessário.
Professores bem preparados podem proporcionar um ambiente de aprendizado mais
inclusivo e equitativo, ajustando sua abordagem para garantir que todas as crianças,
independentemente de suas necessidades sensoriais, possam participar do processo
educacional de maneira eficaz.
É fundamental que os educadores recebam treinamento adequado para
reconhecer e responder às necessidades sensoriais das crianças com TEA,
garantindo que o ambiente educacional seja adaptado para apoiar o seu
aprendizado e bem-estar (BARANEK, G. T., 2002).
Tecnologias Assistivas
O uso de tecnologias assistivas também é uma ferramenta valiosa para garantir a equidade
educacional. Aplicativos de controle de volume, dispositivos de modulação auditiva e
recursos de transcrição de áudio podem ser usados para ajudar as crianças com
sensibilidade auditiva a ajustar o ambiente de acordo com suas necessidades. Esses
dispositivos permitem que a criança tenha mais controle sobre o nível de estímulos
auditivos ao seu redor, proporcionando uma experiência educacional mais personalizada e
acessível. Ao integrar essas tecnologias, as escolas podem garantir que as crianças com
TEA possam se envolver ativamente no processo de aprendizado, sem que os desafios
sensoriais se tornem barreiras ao seu sucesso educacional.
As tecnologias assistivas desempenham um papel fundamental ao
proporcionar ajustes sensoriais personalizados, permitindo que as crianças
com dificuldades no processamento sensorial participem mais ativamente
no ambiente educacional e melhorem suas habilidades de aprendizagem
(DUNN, W., 2001).
Em resumo, ambientes educacionais adaptáveis às crianças com sensibilidade auditiva
favorecem a equidade educacional ao criar um espaço mais inclusivo e acessível para as
crianças com TEA. A implementação de estratégias como a redução de sobrecarga
sensorial, a criação de espaços sensoriais, a adaptação do currículo e a sensibilização dos
educadores garantem que essas crianças tenham as mesmas oportunidades de
aprendizagem que as demais, promovendo uma educação mais justa e igualitária para
todos.
8 - METODOLOGIA
A pesquisa será conduzida utilizando uma abordagem qualitativa, com o
objetivo de compreender as práticas e desafios relacionados à inclusão de crianças com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) em ambientes educacionais. Inicialmente, será
realizada uma revisão bibliográfica abrangente em fontes acadêmicas, como artigos
científicos, livros e documentos oficiais, com a finalidade de embasar teoricamente o
estudo e contextualizar o tema.
Na sequência, será desenvolvido um estudo de campo, envolvendo
entrevistas semiestruturadas com professores, coordenadores pedagógicos e familiares de
crianças com TEA. Essas entrevistas visam captar percepções, experiências e estratégias
empregadas no processo de inclusão. Complementarmente, quando viável, serão realizadas
observações em sala de aula para analisar diretamente as práticas inclusivas, as interações
sociais e as adaptações pedagógicas implementadas.
Além disso, a análise documental será utilizada para examinar materiais
institucionais, como Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs), planos de aula e relatórios
pedagógicos, permitindo identificar como as escolas organizam e estruturam a inclusão. Os
dados coletados serão analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, buscando
identificar padrões e categorias que revelem práticas eficazes e os principais desafios
enfrentados.
Para assegurar a validade dos resultados, será adotada a triangulação dos
dados, comparando informações provenientes das entrevistas, observações e documentos
com a literatura revisada. Essa metodologia permitirá um entendimento aprofundado do
tema, possibilitando a proposição de estratégias que contribuam para a construção de
ambientes educacionais mais inclusivos e eficazes para crianças com TEA.
9 - CRONOGRAMA
Cronograma 2024
MES/ETAPAS Ago. Set. Out. Nov. Dez.
Levantamento X
bibliográfico
Aprofundamento X
teórico
Construção do X
referencial teórico
Escrita do primeiro X
capítulo
10 - REFERÊNCIAS
1. Integração Sensorial de Ayres® - [Link]
sensorial-de-ayres/
2. Baranek, G. T. (2002). Eficácia das Intervenções Sensoriais e Motoras para Crianças com
Autismo. Jornal de Autismo e Distúrbios do Desenvolvimento, 32, 397-422.
[Link]
3. Dunn, W. (2001). The sensations of everyday life: empirical, theoretical, and pragmatic
considerations. The American Occupational Therapy Association, 55(6), 608-620.
[Link]
4. Integração Sensorial e Diagnósticos - [Link]
sensorial-e-diagnosticos/
5. A tecnologia como aliada das crianças com deficiência - [Link]
como-aliada-das-criancas-com-deficiencia/
6. Alterações sensoriais no Transtorno do Espectro Autista (TEA): implicações no
desenvolvimento e na aprendizagem - [Link]
script=sci_arttext&pid=S0103-84862019000100009