Atividade Patologia clínica II
Introdução
A trombose venosa profunda (TVP) é a terceira doença vascular mais
incidente no mundo, a qual decorre da obstrução, parcial ou completa, de uma
veia profunda por um trombo, normalmente, os vasos mais acometidos são
dos membros inferiores. Estima-se que 90% dos casos ocorram nos membros
inferiores; além disso, cerca de 50% dos casos são assintomáticos, sendo
descobertos apenas depois de terem sido embolizados para os pulmões. A
hipercoagulabilidade, a estase venosa e a lesão endotelial – Tríade de
Virchow – são elementos diretamente associados à formação dos trombos,
portanto, são fatores de risco para a TVP.
Identificação do paciente e história clínica
B.S.A, 44 anos, sexo feminino, brasileira, heterossexual, negra, ateia. É natural
de Juazeiro do Norte-CE, mas atualmente reside em Sobral-CE, ocupa o cargo
de Diretora de Marketing da Grendene. A paciente procurou o serviço médico,
relatando inchaço, dor e vermelhidão na perna direita alguns dias após uma
viagem de ônibus de Juazeiro a Sobral. O médico plantonista percebeu o
aumento da rigidez da musculatura da panturrilha direita e a manifestação de
dor quando realizada a dorsiflexão do pé.
Queixa principal
Membro inferior direito apresentava
edema, eritema e calor nos últimos cinco dias, além de dor na panturrilha
durante a dorsiflexão do pé ipsilateral há dois dias.
História da doença Atual (HDA)
Há seis dias, a paciente viajou de Juazeiro do Norte para Sobral de ônibus,
trajeto que dura cerca de nove horas. Após o fim da viagem, notou que sua
perna direita se encontrava levemente edemaciada e avermelhada, porém
optou por não tomar medicações para reverter a situação. Nos três dias
seguintes, a presença de calor se uniu aos sintomas anteriores, os quais se
intensificaram. Então, para amenizar o desconforto, a paciente repousou o
membroem uma cadeira e aplicou gelo durante duas horas. Dois dias antes
de procurar o serviço médico, manifestou dor na panturrilha ao realizar a
dorsiflexão do pé direito, por isso decidiu tomar Dorflex (dipirona
monohidratada + citrato de orfenadrina + cafeína anidra). Contudo o uso do
medicamento não surtiu êxito, uma vez que a dor persistiu.
História de vida
● A paciente nega praticar atividades físicas regularmente.
● Apresenta IMC na faixa desejável.
● Afirma possuir uma alimentação não balanceada (consumo excessivo de
carboidratos e gorduras) e ingerir bebidas alcoólicas com frequência
(aos fins de semana).
● Não pratica o tabagismo e nem faz uso de drogas ilícitas.
● A paciente afirma ter administrado apenas o Dorflex e o anticoncepcional
oral no último mês. Toma anticoncepcional desde os 22 anos de idade.
● Nega ter apresentado patologias graves durante a infância.
● Não apresenta histórico de Tromboembolismo Pulmonar e de
Tromboembolismo Venoso Profundo.
● Histórico familiar: A avó materna já foi vítima de Tromboembolismo
Pulmonar.
Exame físico
Inspeção:
Perna esquerda aparentava estar normal. Perna direita apresentava rubor e
inchaço (o diâmetro da perna estava com aproximadamente 3 centímetros
maior que o da perna esquerda).
Palpação:
Perna esquerda não apresentava
alterações. Perna direita apresentava calor, empastamento da panturrilha e
rigidez muscular. Também manifestou sinal de cacifo/Godet positivo e dor à
palpação da panturrilha (sinal de Bancroft).
● Frequência cardíaca: 120 bpm.
● Pressão arterial: 140 x 90 mmHg.
● Sinal de Homans positivo no membro inferior direito (desconforto na
panturrilha após a dorsiflexão passiva do pé direito).
● Sinal da Bandeira positivo no membro inferior direito (menor mobilidade
da perna direita em relação à esquerda).
● Qual o diagnóstico mais provável?
● Quais fatores predispõem a paciente à
Trombose Venosa Profunda?
● Algum medicamento utilizado pela paciente
pode ter interferido no caso? Como?
● Quais complicações são possíveis?
● Qual o tratamento de escolha para enfermidade
descrita?
● Quais exames complementares poderiam ser
realizados para investigar possíveis trombofilias hereditárias na paciente?