DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA
Nomes: Êmili Endress Araújo, Janete Pinheiro França, Júlia
Marques Baldissera, Manuella Eduarda Machado de Deus, Melissa
dos Santos Garcia e Rafaela Pimentel Marques.
Turma: 107- enfermagem
Professora: Thays Prudente
Matéria: PAED
Porto Alegre, 29 de Outubro de 2024.
INTRODUÇÃO:
A doença pulmonar obstru va crônica (DPOC) é caracterizada pela
obstrução crônica das vias aéreas inferiores, afetando especialmente os
brônquios e os alvéolos e ocasionando sintomas como tosse, dispneia aos
mínimos esforços e sibilância. Sua prevalência global é de 5% a 13% e
possui elevados índices de mortalidade e morbidade. O uso de tabaco é o
principal fator que corrobora para o desenvolvimento da patologia.
O diagnós co é feito principalmente com base nos sintomas dos
pacientes, que comumente apresentam tosse crônica com ou sem
expectoração, sibilos e dispneia. Segundo estudos, distúrbios cardíacos e
vasculares crônicos, assim como a tuberculose são comuns na DPOC,
provavelmente devido aos coeficientes de risco em comum.
TRATAMENTOS:
O tratamento da Doença Pulmonar Obstru va Crônica (DPOC) tem
como principais obje vos aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de
vida, reduzir a progressão da doença e prevenir exacerbações. Não existe
cura para a DPOC, mas várias intervenções podem ajudar a controlar a
condição. O tratamento envolve uma combinação de medidas
farmacológicas, mudanças no es lo de vida, terapias respiratórias e, em
alguns casos, intervenções cirúrgicas.
1. Medidas não farmacológicas :
Cessação do tabagismo: A medida mais importante e eficaz para reduzir a
progressão da DPOC. Parar de fumar é crucial para prevenir danos
adicionais aos pulmões.
Educação e autocuidado: Ensinar o paciente a reconhecer os sinais de
agravamento da doença, usar corretamente os medicamentos e os
disposi vos inalatórios, além de gerenciar as exacerbações de forma
adequada.
Reabilitação pulmonar: Um programa abrangente que inclui exercícios
sicos supervisionados, treinamento respiratório e educação. O obje vo é
melhorar a capacidade de exercício, reduzir a falta de ar e promover o
bem-estar geral.
A reabilitação pulmonar pode incluir:
- Exercícios de resistência e fortalecimento muscular.
- Técnicas de respiração, como respiração diafragmá ca e respiração com
lábios semicerrados.
Vacinação: A vacinação contra gripe e pneumonia é recomendada para
prevenir infecções respiratórias que podem agravar a DPOC.
2. Tratamento farmacológico:
O tratamento com medicamentos é usado principalmente para reduzir a
obstrução ao fluxo de ar e prevenir exacerbações. As opções incluem:
Broncodilatadores: Agonistas beta-2 de curta e longa duração (ex.:
salbutamol, formoterol, salmeterol): Relaxam os músculos ao redor das
vias aéreas, facilitando a respiração.
An colinérgicos de curta e longa duração (ex.: ipratrópio, otrópio):
Bloqueiam os receptores colinérgicos, reduzindo a constrição das vias
aéreas.
Cor costeroides inalados: Usados em casos moderados a graves, ajudam
a reduzir a inflamação nas vias aéreas. São indicados em pacientes com
exacerbações frequentes. Exemplos: budesonida, flu casona.
Cor costeroides sistêmicos: U lizados em exacerbações agudas da DPOC
para reduzir rapidamente a inflamação.
Associações de broncodilatadores e cor costeroides: Combinações de
broncodilatadores de longa ação e cor costeroides inalados são
frequentemente usadas para controlar melhor os sintomas e reduzir as
exacerbações.
Inibidores da fosfodiesterase-4 (ex.: roflumilaste): Em casos graves, esse
medicamento ajuda a reduzir a inflamação e prevenir exacerbações,
especialmente em pacientes com bronquite crônica.
-An bió cos: Indicados durante as exacerbações causadas por infecções
bacterianas, para tratar ou prevenir complicações.
Mucolí cos: Ajuda a reduzir a viscosidade do muco, facilitando sua
eliminação.
3. Terapias respiratórias:
Oxigenoterapia: Indicada para pacientes com hipoxemia crônica (baixo
nível de oxigênio no sangue). O uso prolongado de oxigênio domiciliar
pode melhorar a sobrevivência e a qualidade de vida em pacientes com
DPOC avançada e saturação de oxigênio em repouso menor que 88%.
Ven lação não invasiva: Pode ser u lizada em pacientes com insuficiência
respiratória, especialmente durante exacerbações agudas ou em casos
avançados da doença.
4. Tratamento cirúrgico:
Cirurgia de redução de volume pulmonar: Remove áreas do pulmão que
estão gravemente danificadas pelo enfisema, permi ndo que as partes
pulmonares mais saudáveis funcionem melhor. É indicada apenas para
casos selecionados.
Transplante pulmonar: Em pacientes com DPOC muito avançada e que
não respondem ao tratamento convencional, o transplante de pulmão
pode ser uma opção para melhorar a qualidade de vida e prolongar a
sobrevida.
5. Manejo das exacerbações:
As exacerbações são episódios de agravamento dos sintomas da DPOC
(como aumento da falta de ar, tosse e produção de muco), geralmente
desencadeadas por infecções respiratórias ou fatores ambientais.
Cor costeroides sistêmicos e an bió cos são usados para controlar
exacerbações.
- O paciente deve ser monitorado de perto durante as exacerbações, e
ajustes no tratamento podem ser necessários.
6. Suporte psicossocial:
Apoio psicológico e gestão da ansiedade e depressão são importantes,
pois a DPOC pode impactar a saúde mental devido às limitações
respiratórias e à perda de autonomia.
Grupos de apoio e programas de reabilitação podem ajudar os pacientes a
lidar com o impacto emocional da doença.
TRATAMENTO:
Os tratamentos con nuam focados em melhorar a qualidade de vida,
controlar sintomas e reduzir exacerbações. Entre as novidades estão o uso
de biomarcadores, como a contagem de eosinófilos, que ajuda a prever
quais pacientes se beneficiam mais de tratamentos com cor costeroides
inalatórios (CI). Pacientes com níveis elevados de eosinófilos tendem a
responder melhor ao CI, especialmente aqueles com histórico de
exacerbações graves.
FISIOPATOLÓGIA DA DPOC:
Envolve uma série de alterações estruturais e funcionais nos pulmões,
principalmente causadas por inflamação crônica da via aérea devido à
exposição a agentes irritantes, como o fumo de cigarro. As principais
mudanças fisiopatológicas ocorrem nos brônquios, bronquíolos e nos
alvéolos.
1. Inflamação crônica da via aérea:
A exposição a substâncias nocivas, como fumaça de cigarro e poluentes,
provoca inflamação persistente da via aérea. Essa inflamação crônica é
mediada por células inflamatórias, como macrófagos, neutrófilos e
linfócitos, que liberam enzimas destru vas (proteases) e mediadores
inflamatórios.
2. Bronquite crônica:
- Ocorre na grande via aéreas (brônquios).
- A inflamação causa hipersecreção de muco pelas glândulas mucosas,
que leva à obstrução da via aérea.
- O espessamento das paredes brônquicas e a perda de função dos cílios
(estruturas que ajudam a limpar a via aérea) contribuem para a retenção
de muco, favorecendo infecções e exacerbações.
- O paciente apresenta tosse crônica e produção excessiva de
expectoração.
3. Enfisema:
- O enfisema ocorre na pequena via aérea (bronquíolos) e alvéolos,
resultando na destruição progressiva dos alvéolos.
- O tecido elás co que envolve os alvéolos é destruído, o que reduz a
capacidade dos pulmões de manter a via aérea aberta durante a
expiração.
- Isso leva à dilatação anormal e destruição dos espaços aéreos nos
pulmões, resultando na perda de elas cidade pulmonar e aprisionamento
de ar (hiperinsuflação pulmonar), dificultando a expiração.
- A destruição dos alvéolos também prejudica a troca gasosa (oxigênio e
dióxido de carbono), o que pode causar hipoxemia (baixos níveis de
oxigênio no sangue) e hipercapnia (acúmulo de dióxido de carbono no
sangue).
4. Obstrução da pequena via aérea:
- As pequena via aérea (bronquíolos) são afetadas pelo estreitamento e
colapso durante a expiração.
- A inflamação crônica e a destruição do tecido elás co ao redor dos
bronquíolos dificultam a manutenção da permeabilidade da via aérea,
agravando a obstrução ao fluxo de ar.
5. Alterações vasculares pulmonares:
- A inflamação também afeta os vasos sanguíneos pulmonares, resultando
em hipertrofia da camada muscular das artérias pulmonares.
- Isso leva à hipertensão pulmonar uma complicação grave da DPOC, que
pode evoluir para insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale),
caracterizada por dilatação e falência do ventrículo direito do coração
devido à sobrecarga de pressão.
6. Aprisionamento de ar e hiperinsuflação pulmonar:
- Devido à destruição da elas cidade do tecido pulmonar e à obstrução da
via aérea, o ar é re do nos pulmões durante a expiração, causando
hiperinsuflação.
- Esse aprisionamento de ar leva ao aumento do esforço respiratório,
principalmente durante a expiração, contribuindo para a sensação de
dispneia (falta de ar).
7. Desequilíbrio entre proteases e an proteases:
- Nos pulmões saudáveis, há um equilíbrio entre enzimas proteolí cas
(proteases) e seus inibidores naturais (an proteases).
- Na DPOC, principalmente devido ao tabagismo, há um aumento na
a vidade das proteases (como elastases), que destroem o tecido
pulmonar, e uma redução na ação das an proteases (como a alfa-1
an tripsina), o que contribui para a destruição dos alvéolos.
8. Impacto na troca gasosa:
- Com a destruição dos alvéolos e a redução da área disponível para trocas
gasosas, a difusão de oxigênio para o sangue é prejudicada, resultando em
hipoxemia.
- Além disso, a eliminação de dióxido de carbono torna-se ineficiente,
levando à retenção de CO2 e à hipercapnia.
9. Exacerbações:
- Pacientes com DPOC estão mais susce veis a exacerbações agudas,
muitas vezes causadas por infecções respiratórias.
- Essas exacerbações levam a um aumento temporário da inflamação e da
obstrução das vias aéreas, piorando os sintomas e acelerando a
progressão da doença.
Resumo das Alterações Fisiopatológicas na DPOC:
Inflamação crônica da via aérea.
Aumento da produção de muco e obstrução.
Destruição dos alvéolos (enfisema) e perda da elas cidade pulmonar.
Aprisionamento de ar nos pulmões, levando à hiperinsuflação.
Redução da área de troca gasosa, levando à hipoxemia e hipercapnia.
Alterações vasculares pulmonares, resultando em hipertensão pulmonar e
possível cor pulmonale.
Essas alterações levam ao principal sintoma da DPOC, a dispneia, além de
tosse crônical, produção de muco e redução da capacidade funcional. A
condição é progressiva e sem cura, mas o manejo adequado pode retardar
sua evolução e melhorar a qualidade de vida do paciente.
CUIDADOS DE ENFERMAGEM:
Conhecer as necessidades de cuidados para pacientes com obstrução
crônica é de extrema importância. Os pacientes estão vulneráveis, além da
sua doença, aquele paciente está sofrendo por depressão, estado de
humor alterado, isolamento social e estado funcional alterado. Nosso
papel como enfermagem é promover cuidados necessários para o melhor
desempenho sico, estabilidade psicológica e emocional e suporte social.
Precisamos pensar num todo, precisamos olhar aquele paciente e
proporcionar um cuidado, uma forma de aliviar a dor, ajudar e promover
formas que aquele paciente consiga ter uma qualidade de vida melhor.
Cuidados de Enfermagem para Pacientes com DPOC:
Avaliação e Monitoramento
Monitoramento dos sinais vitais: verificar frequência respiratória,
saturação de oxigênio (SpO2), frequência cardíaca e pressão arterial.
Hipoxemia e sinais de esforço respiratório são indicadores importantes.
Ausculta pulmonar: observar a presença de sibilos, roncos ou estertores,
que indicam obstrução das vias aéreas ou secreções.
Avaliação da dispneia: perguntar ao paciente sobre a intensidade da falta
de ar e o impacto dela nas a vidades diárias.
Monitoramento da oxigenação: manter o uso do oxímetro de pulso para
garan r que a saturação de oxigênio esteja dentro da faixa segura
(geralmente acima de 88%).
Administração de Terapias
Oxigenoterapia: pode ser necessária em pacientes com hipoxemia crônica.
A administração deve ser controlada para evitar a supressão do es mulo
respiratório em pacientes com retenção de CO2.
Broncodilatadores e cor costeróides: garan r a administração adequada
e orientar o uso correto de inaladores.
Terapia com mucolí cos e expectorantes: para ajudar na eliminação de
secreções.
Educação do Paciente
Orientar sobre a importância do uso correto de medicamentos: muitos
pacientes com DPOC u lizam disposi vos como inaladores ou
nebulizadores, que precisam ser usados de forma adequada para eficácia
máxima.
Incen var a cessação do tabagismo: o tabagismo é a principal causa de
DPOC e parar de fumar pode retardar a progressão da doença.
Ensinar técnicas de conservação de energia: pacientes com DPOC tendem
a sen r fadiga rapidamente. Técnicas como dividir tarefas, respirar de
forma controlada e descansar entre as a vidades são importantes.
Educar sobre sinais de exacerbação: os pacientes e cuidadores devem ser
capazes de reconhecer os sinais de agravamento da DPOC, como aumento
da tosse, dispneia e mudanças na cor ou quan dade de escarro.
Terapias Respiratórias
Exercícios de respiração: exercícios como a respiração diafragmá ca e a
respiração com lábios franzidos ajudam a melhorar a troca gasosa e
reduzir a sensação de dispneia.
Fisioterapia respiratória: auxilia na remoção de secreções e no
fortalecimento dos músculos respiratórios.
Posicionamento: o paciente deve ser man do em posição semifowler ou
fowler (cabeceira elevada) para facilitar a respiração.
Prevenção de Complicações:
Prevenção de infecções respiratórias: garan r a vacinação contra gripe e
pneumonia, além de incen var a higiene das mãos e a proteção em
ambientes com poluentes.
Monitorar sinais de insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale):
observar sinais como edema periférico, aumento da pressão venosa
jugular, entre outros.
Suporte emocional e psicológico
A DPOC é uma doença crônica que pode causar ansiedade e depressão
devido à limitação das a vidades diárias e à sensação constante de falta de
ar. O suporte psicológico, bem como o encaminhamento para grupos de
apoio, pode ser necessário.
Esses cuidados de enfermagem, alinhados com o plano de tratamento
médico, são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos
pacientes com DPOC e reduzir o risco de complicações.
CONCLUSÃO:
Por meio desse estudo abrangente sobre a DPOC, concluímos que ela é
uma doença progressiva e crônica grave, além de não ter cura. Existem
medidas para melhorar a qualidade de vida das pessoas portadoras dessa
doença, sendo elas farmacológicas (através do uso de medicamentos) ou
não farmacológicas, como simples mudanças no es lo de vida. É
importante que o paciente não abandone o tratamento, para evitar
exacerbações da doença e controlar os sintomas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
h ps://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/1
23456789/119934/269300.pdf?sequence=1
h ps://acervomais.com.br/index.php/medico/
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h ps://portal.afya.com.br/pneumologia/atual
izacao-nos-aspectos-clinicos-da-doenca-
pulmonar-obstru va-cronica-dpoc
h ps://revistajrg.com/index.php/jrg