FICHAMENTO
Biomecânica em prótese parcial removível - Capítulo 2
Discente: Bruna Maria Martins
Docente: Viviane Figueiredo
● A biomecânica leva em consideração a forma como os esforços mecânicos são transmitidos e
recebidos pelos tecidos biológicos (dente e fibromucosa).
SUPORTE
● Refere-se a propriedade da PPR de resistir ao deslocamento vertical no sentido oclusogengival.
● Os apoios oclusais são os principais elementos que conferem suporte necessário para impedir o
deslocamento da PPR durante a mastigação de alimentos consistentes.
Planejamento de uma PPR Dentossuportada
● Muito semelhante ao planejamento de uma prótese fixa, pois são suportadas exclusivamente por
dentes.
● O suporte deficinte pode resultar em esmagamento das papilas e gerar inflamação tecidual (que
pode progredir para uma reabsorção óssea local).
● Em espaços protéticos intercalados, o apoio deverá estar geralmente adjacente ao espaço
protético, minimizando a incidência de forças oblíquas ao periodonto.
● Apoios oclusais devem ter forma e contorno adequados, para garantir a transmissão de forças
paralela ao longo eixo dos dentes pilares.
Obs: nichos / descansos oclusais → evitam o surgimento de planos inclinados ou contatos prematuros.
Planejamento de uma PPR Dentomucossuportada
● Maior complexidade devido ao desequilíbrio biomecânico →
diferença entre a resiliência das fibras do ligamento periodontal e a
compressibilidade da mucosa.
● Quanto maior a reabsorção óssea na região posterior, maior tende
a ser a resiliência da fibromucosa que recobre o rebordo.
● Os apoios determinam uma linha de fulcro, a qual passa pelos
apoios mais distais dos dentes pilares diretos e resulta em um
braço de resistência, voltado para a região dentada, e um braço
de potência, voltado para região edêntula.
Formação da linha de fulcro em uma classe I
com a presença de um braço de resistência e
um braço de potência.
● Quanto maior o braço de resistência e menor o braço de potência, menor será a força
resultante que poderá ser prejudicial ao dente pilar e menor a possibilidade de ocorrer
alterações danosas e irreversíveis.
● Quando as forças prejudiciais ultrapassam o limite fisiológico dos dentes pilares, pode ocorrer um
aumento de mobilidade.
● Quanto mais flácida, menos densa e menos firmemente aderida ao osso subjacente for a
fibromucosa, menor será a sua capacidade de suportar uma PPR e mais evidente será o
movimento de rotação da PPR em torno da linha de fulcro.
A mucosa alveolar não é uma estrutura adequada para suportar as cargas
oclusais em função da sua alta resiliência, em torno de 1,3mm. Ao contrário
dos dentes, que possuem movimento fisiológico dentro do alvéolo em torno de
0,1mm a 0,25mm. Portanto, a deformação da fibromucosa pode ser até 13x
maior que a do dente dentro do alvéolo.
● Os apoios devem ser posicionados distantes do espaço protético, ao contrário das PPRs
dentossuportadas, pois se o apoio estiver localizado próximo ao espaço protético, haverá a
formação de uma alavanca de primeiro gênero, ou interfixa, ou seja, a resistência e a potência
caminham em sentido contrário.
Alavanca de 1º gênero ou interfixa formada pelo apoio oclusodistal em uma
prótese dentomucossuportada: o grampo de retenção caminhará no sentido
contrário, em direção ao equador protético, tornando-se ativo. Na mastigação
de alimentos pegajosos, ele tende a ir no sentido contrário ao equador protético,
tornando-se passivo.
Alavanca de 2º gênero ou inter-resistente formada pelo apoio oclusomesial de uma
prótese dentomucossuportada: é recomendado. A resistência e a potência
caminham no mesmo sentido, ou seja, quando uma força mastigatória incide, o
grampo de retenção caminha no mesmo sentido, torna-se passivo.
RETENÇÃO
● Caracterizados pela resistência da prótese ao deslocamento no sentido gengivo-oclusal.
● Principais fatores que atuam no sentido desse deslocamento: força da gravidade, ação muscular,
mastigação de alimentos pegajosos, deglutição e fonação.
● Próteses confeccionadas dentro de uma zona de neutralidade permitem que a musculatura
paraprotética auxilie na manutenção da prótese em posição, sendo considerada uma retenção
fisiológica.
● A retenção total de uma PPR é a soma de todas as retenções.
Os elementos responsáveis pela retenção podem ser:
● Retentores diretos: próximos do espaço protético;
- Ex: grampos de retenção com a ponta ativa flexível adjacente ao espaço protético.
● Retentores indiretos: distantes do espaço protético.
- Ex: estrutura metálica posicionada no dente mais distante possível da linha de fulcro.
- Pode ser representado por um apoio oclusal, por retentores ou pelos conectores maiores
mandibulares, como a placa lingual.
A reciprocidade deve ser considerada:
1. No sentido horizontal:
- É conferida pelos braços de retenção e oposição e baseia-se no princípio
de que forças iguais de mesma direção e de sentido contrário se anulam.
- Para a estabilização correta do dente pilar e neutralização das forças
laterais que atuam sobre ele, os braços de retenção e oposição devem ser
desenhados ultrapassando a linha dos 180º.
2. No sentido vertical:
- Conferida pelo toque simultâneo dos grampos de retenção e oposição nas superfícies vestibular
e lingual do dente.
- Esse princípio é conseguido quando a distância percorrida pelo braço de oposição, em contato
com a superfície dental, for igual ou maior que a distância percorrida pelo braço de retenção,
desde o momento que este toca na superfície do dente até seu assentamento final.
(A) Toque simultâneo do grampo de retenção e oposição durante a inserção da prótese, garantindo que as forças
sejam recíprocas. (B) O grampo de retenção deforma-se para ultrapassar o equador protético. O grampo de
oposição atua efetivamente para balancear essa força e impedir a aplicação de forças laterais ao dente pilar; e (C)
no assentamento final as forças se anulam.
ESTABILIDADE
● Refere-se à resistência da PPR às forças no sentido horizontal.
● Apresenta total interdependência do sistema de retenção, diferenciando-se na orientação das
forças às quais promovem resistência.
PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS PARA PPR DENTOMUCOSSUPORTADA
1. Prevenção do aparecimento de alavancas de 1º gênero e planos inclinados, por meio do
posicionamento do apoio oclusal distante do espaço protético.
2. A sela deve apresentar contato preciso com o rebordo residual e favorecer o suporte ósseo.
3. Reduzir a extensão da mesa oclusal, diminuindo a largura dos dentes artificiais e montando os
dentes artificiais até o 1º molar, diminuindo o braço de potência.
4. Deve haver o maior recobrimento possível da fibromucosa da área chapeável, para distribuir
melhor os esforços sobre o osso alveolar.
5. O ajuste oclusal deve ser realizado direcionando as forças no longo eixo dos dentes posteriores
de forma simultânea e bilateral.
6. Os retentores indiretos devem ser posicionados o mais distante possível da linha de fulcro para
melhorar a estabilidade, suporte e retenção da PPR.
7. Quando os dentes pilares diretos forem reabilitados através da confecção de próteses fixas,
pode-se lançar mão do uso de encaixes.
8. Sempre que possível, associar dentes de suporte ou retenção na região distal do rebordo, como
a manutenção das raízes residuais ou a instalação de implantes, possibilitando a manutenção do
osso alveolar.
- Favorecer a ampliação da área de estabilidade, posicionando implantes em áreas edêntulas
para transformar, por exemplo, uma classe l em uma classe lll modificação 1.