DOUTO JUÍZO DA 4ª VARA CÍVEL ESPECIALIZADA EM FAMÍLIA DA
COMARCA DE RIO GRANDE, ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
URGENTE – ALIENAÇÃO PARENTAL
Dependência processo nº5016384-53.2022.8.21.0023 (ação de alimentos)
MAYLON RENATO RITTA GONÇALVES, brasileiro, solteiro,
inspetor de qualidade, portador do CPF n° 030.211.910-88, residente e domiciliado à Rua
Coronel Sampaio, 260, apto. 101, bairro Centro, Rio Grande/RS – 96200-180, vem,
respeitosamente, perante V. Ex.ª, por intermédio de seu procurador constituído, propor a
presente AÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO DE GUARDA C/C DECLARAÇÃO DE
ALIENAÇÃO PARENTAL na forma do artigo 1.584 e seguintes do Código de Processo
Civil, contra YASKARA OLEIRO SOLANO, brasileira, solteira, residente e domiciliada
à Avenida Brasil, 1901, Atlântico Sul/Cassino, Rio Grande/RS – 96210-010, pelas razões
expostas a seguir, requerendo seja ela recebida e regularmenteprocessada para todos os
fins de direito.
1. DAS PRELIMINARES
1.1. DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA
Inicialmente, sob as penas da Lei, e de acordo com o disposto no art. 4º,
§ 1º, da Lei 1.060/50, com a redação introduzida pela Lei 7.510/86, o autor afirma que
não tem condições financeiras de arcar com as custas processuais e honorários
advocatícios sem prejuízo do próprio sustento e de sua família, razão pela qual faz jus ao
benefício da Gratuidade de Justiça.
2. DO MÉRITO
2.1. DO BREVE ARRAZOADO DOS FATOS
O autor está seperado da genitora do menor desde meados de agosto do
corrente ano. Alega que, desde a ruptura fática da união, a genitora vem obstaculizando seu
contato com o filho Kay, fruto da relação havida entre as partes.
Conforme pode ser verificado nos emails trocados pelo autor e pela genitora
do menor, anexados ao feito, esta tem uma postura instável em relação a divisão dos
cuidados do filho. Em alguns períodos solicita que o pai exerça o encargo integralmente e
em outros nega fornecer informações básicas do filho. Atualmente, por exemplo, o autor
está há mais de dez dias sem vê-lo e sem obter qualquer informação do filho e, ressalta-se,
sem que haja qualquer justificativa plausível.
Não há nada que desabone a conduta do autor ou qualquer tipo de situação
que ampare essa grave e unilateral restrição de convivio imposta pela genitora.
Válido esclarecer que o genitor reside com a criança desde o seu nascimento,
sempre foi um pai presente, não restando qualquer dúvida de que possuem um forte vínculo
afetivo. Do mesmo modo, Kay também está habituado ao convivio paterno, inclusive,
possui uma ótima relação com os avós paternos – pessoas que também foram retiradas do
convivio do menor de forma abrupta e arbitrária.
Conforme se extrai dos relatos aqui trazidos e que são suficientemente
sustentados com as provas anexadas, a privação de contato e as regras criadas e alteradas de
forma constante, irresponsável e de acordo com o “humor do dia” da genitora, prejudicam
e causam confusão e frustração para a criança, que deveria ter seus direitos e melhor
interesse resguardados.
Como se não bastasse privar o contato de pai e filho e negar informações a
respeito do menor, nos últimos dias a genitora da criança ameaçou resgistrar um falso
boletim de ocorrência e solicitar medida protetiva caso o autor tentasse visitar seu próprio
filho. Note-se que a genitora age como se o menor fosse sua propriedade e utiliza disso para
atingir o genitor.
O genitor foi incansável em tentar estabelecer o minimo de diálogo e ajustar
o convivio com o filho, mas diante das graves ameaças e da prática de alienação parental
narradas até aqui, não restou outra alternativa ao autor, senão o ajuizamento da presente
ação, a fim de fixar a guarda.
2.2. DO PEDIDO DE FIXAÇÃO DE GUARDA UNILATERAL – PEDIDO DE
TUTELA DE URGÊNCIA
Atualmente, o menor faz acompanhamento psicológico e possui uma série
de cuidados que não podem ser supridos pela genitora.
A prática da alienação parental e a mudança de residência repentinas ao
que menor é exposto, são fatores totalmente prejudiciais ao desenvolvimento do menor,
sobretudo, diante do fato de que o menor apresenta traços do Transtorno do Espectro
Autista, sendo que aguarda acompanhamentos com psicopedagoga, terapeuta ocupacional
e demais exames, para retornar ao neurologista e realizar diagnóstico de nível para
complemento do CID.
Além disso, faz acompanhamento com fonoaudiólogo e psicólogo..
Cabe referir que um dos motivos das desavenças e até mesmo do término
da relação, se deve ao fato de que a genitora – que é portadora de transtornos psicológicos
e compotamentais, não realizar o seu tratamento médico adequado com remédios
controlados. Válido referir que genitor deixou o lar conjugal após a genitora ter ameaçado
atentar contra sua integridade fisica enquanto ele dormia.
Desse modo, o autor reafirma sua preocupação com o filho e reitera que
possui melhores condições de prestar os cuidados de que a criança necessita.
E, se em regra as alterações de guarda são prejudiciais para o menor, certo
que ele deve ser mantido onde se encontra melhor atendido, pois o seu interesse é que
deve ser protegido e privilegiado. Ainda, é de considerar que é curto o período que está
sob os DEScuidados da genitora, vez que a separação ocorreu no final de agosto e,
somado ao ótimo convívio que sempre teve com o pai, não irá gerar prejuízo algum ao
menor, diferentemente do que acontecerá caso ele permaneça com a genitora.
Diante dos elementos de prova até aqui produzidos, sopesando que existe
previsão legal a possibilitar que, em casos extremos, possa ocorrer
a fixação da guarda para que cessem os atos de alienação parental, tem-se que a medida
que melhor assegura a proteção e desenvolvimento psíquico e emocional do menor é sua
permanência com o pai.
Assim, havendo fortes indícios de que a genitora negligencia os cuidados
da criança e pratica alienação parental e diante da relação de conflito existente, pugna seja
concedida em sede de tutela de urgência à guarda unilateral do menor ao pai, devendo
ser oportunizado a convivência materna de forma livre, mediante prévio contato.
Contudo, caso não seja o entendimento Deste Juízo, pugna seja designada avalição
psicossocial com a devida urgência que o caso merece.
2.3. DA PRÁTICA DA ALIENAÇÃO PARENTAL – LEI 12.318
A alienação parental foi regulamentada pela Lei nº 12.318/2010, que
estabeleceu, de forma exemplificativa, atos caracterizadores da prática de alienação
parental, bem como instrumentos para cessar a prática dos atos alienadores, inclusive a
possibilidade da modificação do genitor guardião.
O art. 3° da referida Lei estabelece que “a prática de ato
de alienação parental fere direito fundamental da criança ou do adolescente de
convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações com
genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente
e descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou
guarda”.
Da análise do contexto probatório, a postura inadequada da autora foi
retratada em diversos momentos. Um exemplo disso, é quando a genitora nega o contato
do filho com genitor e seus familiares, nega informações médicas a respeito do seu
tratamento, inclusive orientando a clínica a não passar informações ao pai – mais uma
vez aqui se enfatiza, SEM qualquer jutificativa plausível.
Importa referir que desde a separação a genitora vem prejudicando
sistematicamento a relação entre o genitor e seu filho, utilizando-se ainda de ameaça de
imputação de falso crime, como o exemplo da solicitação de medida protetiva,
desconsiderando a tenra idade e a necesidade de contato entre ambos.
Não satisfeita com o balo psicológico gerado a todos envolvidos e mesmo
tendo ciência da insistência do genitor em conviver com o filho, porque, sim, o genitor
chega ao ponto de IMPLORAR para ver o filho, a genitora usa a conta do menor na rede
social instagram (criada para compartilhar com os familiares e amigos o crescimento do
filho), para fazer postagens dizendo que o filho foi abandonado pelo pai e que este não o
procura, expondo a criança e todos seus familiares a uma situação humilhante.
Dito isto, imperioso mencionar o artigo 2º da lei 12.318, que dispõe que
são praticas de alienação parental:
I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da
paternidade ou maternidade;
II - dificultar o exercício da autoridade parental;
III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;
IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar;
V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a
criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;
Exemplo concreto:
VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra
avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou
adolescente;
Exemplo concreto:
VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a
dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com
familiares deste ou com avós.
No caso em comento, fica evidente que os atos praticados para
achincalhar a figura paterna são intensos e são prejudiciais ao desenvolvimento da criança.
Desde a rupta fática, a genitora está dedica em criar um distanciamento entre o menor e
seu genitor, colocando seus interesses pessoais acima do melhor interesse do filho.
Desse modo, caracterizados os diversos elementos da prática da alienação
parental pela genitora, pugna que seja determinada a fixação cautelar do domicilio da
criança, na forma do artigo 6º, iniciso IV e VI da Lei de Alienação Parental.
3. DOS PEDIDOS
Posto isso, requer:
a) PRELIMINARMENTE,
a.1- A tramitação prioritária da demanda nos termos do artigo 152, §
único, da lei 8.069/90, e artigo 4º da Lei 12.318 de 2010;
a.2- Seja concedido o benefício da assistência judiciária gratuita, na forma
do art. 2º, § único, da lei 1060/50, uma vez que a requerente é pessoa
pobre, o que desde já se declara, incapaz, portanto, de custear o processo
sem prejuízo da própria existência;
a.3- Seja concedida LIMINARMENTE à guarda unileteral do menor ao
genitor, devendo, ainda, ser tomadas todas as medidas para assegurar a
segurança do menor, na forma do artigo 6º e inicisos da Lei de Alienação
Parental;
a.4- ALTERNATIVAMENTE, caso entenda pela não fixação da guarda
provisória, mesmo diante de todas as provas apresentadas, pugna seja
fixada a convivência paterna em todas as folgas do autor, bem como aos
finais de semanas;
b) NO MÉRITO, a procedência dos pedidos formulados pela parte autora a
fim de que seja fixada a guarda unilateral do menor em favor do genitor,
devendo ser oportunizada a convivência materna de forma livre, mediante
prévio contato;
c) A produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive na avaliação
psicossocial;
d) A condenação da parte autora ao pagamento dos honorários advocatícios
nos parâmetros previstos no art.85,§2º do CPC;
e) Por fim, manifesta DESINTERESSE na audiência conciliatória, nos
termos do art.319, VII, do CPC.
Nestes termos, pede deferimento.
Rio Grande, 14 de outubro de 2022.
Gustavo André Zogbi Fialho Beatriz Alves Coloni
OAB/RS 116.347 OAB/RS 116.085