AO JUÍZO DA … ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ... ESTADO ...
ELIETE, já devidamente qualificada nos autos do processo que lhe
move o Ministério Público, através de seu procurador que a esta subscreve, vem
respeitosamente perante Vossa Excelência, interpor,
RECURSO DE APELAÇÃO
com fundamento no artigo 593, inciso I, do Código de Processo Penal.
Requer que, após o recebimento destas, com as razões inclusas,
ouvida a parte contrária, sejam os autos encaminhados ao Egrégio Tribunal, onde
serão processados e provido o presente recurso.
Nestes termos,
Pede e,
Espera deferimento.
Local, Data.
ADVOGADO
OAB/XX nº XXX
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...
Egrégio Tribunal,
Colenda Câmara,
Ínclitos julgadores,
RAZÕES DO RECURSO DE APELAÇÃO
PROCESSO DE ORIGEM: ...
APELANTE: Eliete
APELADO: Ministério Público
I - DA TEMPESTIVIDADE
A sentença foi publicada em 16 de fevereiro de 2011. O prazo recursal
teve início em 17 de fevereiro de 2011 e finda em 23 de fevereiro de 2011, conforme
artigo 593 do Código de Processo Penal. Portanto, a presente Apelação é tempestiva.
II – DOS FATOS
A apelante foi condenada à pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de
reclusão, pela suposta prática do crime de furto qualificado (art. 155, §4º, II, do Código
Penal), supostamente praticado no terceiro dia de trabalho como empregada
doméstica, com base na qualificadora do abuso de confiança. Inconformada, apresenta
o presente recurso.
III – DAS TESES DEFENSIVAS
A – Aplicação do Princípio da Insignificância
O bem jurídico supostamente subtraído corresponde a R$ 50,00
(cinquenta reais), quantia absolutamente irrelevante frente ao conceito de lesividade
penal.
O STF entende que se deve aplicar o princípio da insignificância
quando presentes os vetores: mínima ofensividade da conduta, nenhuma
periculosidade social da ação, reduzido grau de reprovabilidade do comportamento
e inexpressividade da lesão jurídica. Portanto, impõe-se o reconhecimento da
atipicidade material da conduta.
B – Inaplicabilidade da Qualificadora do Abuso de Confiança
A qualificadora do abuso de confiança (art. 155, §4º, II, do CP)
pressupõe relação consolidada, construída no tempo, com efetivo vínculo de
confiança.
No caso concreto, trata-se do terceiro dia de trabalho da apelante,
não havendo como se afirmar a existência de relação de confiança robusta e estável.
Assim, a manutenção da qualificadora é manifestamente ilegal.
C – Violação ao Princípio do Non Bis In Idem
O Juízo utilizou a mesma circunstância – suposta condição de
empregada doméstica – tanto para aplicar a qualificadora do abuso de confiança como
para exasperar a pena na primeira fase da dosimetria.
Tal prática viola o princípio do non bis in idem, consagrado no art.
5º, XXXIX, da Constituição Federal, e no art. 59 do Código Penal, vedando-se a dupla
valoração de um mesmo fato.
D – Violação ao Princípio da Non Reformatio In Pejus
Após a sentença anulada anteriormente por vício processual,
sobreveio nova sentença com pena mais gravosa (2 anos e 6 meses de reclusão), sem
recurso do Ministério Público.
Ocorre que, nos termos do art. 617 do CPP e do princípio da non
reformatio in pejus, é vedado ao juiz ou tribunal, em recurso exclusivo da defesa,
agravar a pena ou a situação do réu.
E – Prescrição da Pretensão Punitiva
Nos termos do art. 109, VI, do Código Penal, combinado com o art.
115 do mesmo diploma, considerando que a pena aplicada é de 2 anos e 6 meses, o
prazo prescricional é de 4 anos (reduzido pela metade).
Entre o recebimento da denúncia (2007) e a publicação da sentença
(2011), já se operou o prazo prescricional.
Assim, impõe-se o reconhecimento da prescrição da pretensão
punitiva, com a extinção da punibilidade.
F – Restrição Indevida: Jornada de Serviços Comunitários
A sentença fixou a pena restritiva de direitos em 8 horas semanais de
prestação de serviços, quando o limite legal é de até 7 horas semanais, conforme
estabelece o art. 46, §3º, do Código Penal:
“A prestação de serviços à comunidade não poderá ser superior a sete
horas semanais.”
Portanto, necessária a devida correção.
III – DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer-se:
a) O reconhecimento da atipicidade da conduta pela aplicação do princípio da
insignificância, com a consequente absolvição (art. 386, III, do CPP);
b) Subsidiariamente, o afastamento da qualificadora do abuso de confiança, com a
desclassificação do crime para furto simples (art. 155, caput, do CP);
c) O reconhecimento da violação ao princípio do non bis in idem, com o devido ajuste
na dosimetria da pena;
d) O reconhecimento da nulidade por afronta ao princípio da non reformatio in
pejus, com a redução da pena aos parâmetros anteriores;
e) O reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva, nos termos dos arts. 109,
VI e 115 do Código Penal;
f) A correção da pena restritiva de direitos, com a fixação máxima de 7 horas
semanais, conforme art. 46, §3º, do CP;
g) Por fim, o provimento integral do presente recurso, com a reforma total da sentença,
nos termos expostos.
Termos em que,
Pede deferimento.
Local, Data.
ADVOGADO
OAB/XX nº XXX