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PCVS26072023

O trabalho de conclusão de curso de Paula Carolina Viana Santos analisa a planta batibutá (Ouratea fieldingiana) e sua extração de óleo pela comunidade quilombola do Ipiranga, na Paraíba, destacando a importância do conhecimento tradicional e sua relação com a etnogeomorfologia. A pesquisa revela que a planta se desenvolve em solos arenosos e com declividade leve, enquanto documenta a técnica artesanal de extração do óleo, que está em risco de ser perdida. O estudo visa mapear as unidades de paisagem e contribuir para a transmissão intergeracional do conhecimento sobre a espécie e suas propriedades medicinais.
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Tópicos abordados

  • cultura popular,
  • batibutá,
  • plantas medicinais,
  • identidade territorial,
  • história cultural,
  • cultura e identidade,
  • cuidado com a biodiversidade,
  • cultura afro-brasileira,
  • sistemas de produção,
  • patrimônio cultural
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PCVS26072023

O trabalho de conclusão de curso de Paula Carolina Viana Santos analisa a planta batibutá (Ouratea fieldingiana) e sua extração de óleo pela comunidade quilombola do Ipiranga, na Paraíba, destacando a importância do conhecimento tradicional e sua relação com a etnogeomorfologia. A pesquisa revela que a planta se desenvolve em solos arenosos e com declividade leve, enquanto documenta a técnica artesanal de extração do óleo, que está em risco de ser perdida. O estudo visa mapear as unidades de paisagem e contribuir para a transmissão intergeracional do conhecimento sobre a espécie e suas propriedades medicinais.
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  • cultura popular,
  • batibutá,
  • plantas medicinais,
  • identidade territorial,
  • história cultural,
  • cultura e identidade,
  • cuidado com a biodiversidade,
  • cultura afro-brasileira,
  • sistemas de produção,
  • patrimônio cultural

Universidade Federal da Paraíba

Centro de Ciências Exatas e da Natureza


Departamento de Geociências
Curso de Bacharelado em Geografia

Paula Carolina Viana Santos

Caracterização de paisagens com a presença de batibutá (Ouratea


fieldingiana(gardner)engl): Um estudo etnogeomorfologico do
conhecimento tradicional do quilombo do Ipiranga aplicado ao município
do Conde (PB)

João Pessoa
2023
Paula Carolina Viana Santos

Caracterização de paisagens com a presença de batibutá (Ouratea


fieldingiana(gardner)engl): Um estudo etnogeomorfologico do
conhecimento tradicional do quilombo do Ipiranga aplicado ao município do
Conde (PB)

Trabalho de conclusão de curso


apresentado ao Curso de
Bacharelado em Geografia, do
Departamento de Geociências,
do Centro de Ciências Exatas e
da Natureza, da Universidade
Federal da Paraíba, como
requisito para obtenção do
título de bacharel em
Geografia.

Orientador:. Dr. Jonas Otaviano


Praça de Souza

João Pessoa
2023
Catalogação na publicação
Seção de Catalogação e Classificação

S237c Santos, Paula Carolina Viana.


Caracterização de paisagens com a presença de
batibutá (Ouratea fieldingiana(gardner)engl) : Um
estudo etnogeomorfologico do conhecimento tradicional
do quilombo do Ipiranga aplicado ao município do Conde
(PB) / Paula Carolina Viana Santos. - João Pessoa,
2023.
21 p. : il.

TCC na modalidade artigo científico.


Orientação: Jonas Otaviano Praça de Souza.
TCC (Curso de Bacharelado em Geografia) -
UFPB/CCEN.

1. Batibutá. 2. Etnogeomorfologia. 3. Comunidade


quilombola. 4. Índice de Vegetação por Diferença
Normalizada. 5. IVDN. 6. Geografia. I. Souza, Jonas
Otaviano Praça de. II. Título.

Elaborado por Josélia Maria Oliviera da Silva - CRB-15/113


FOLHA DE APROVAÇÃO

Paula Carolina Viana Santos

Caracterização de paisagens com a presença de batibutá (Ouratea


fieldingiana(gardner)engl): Um estudo etnogeomorfologico do
conhecimento tradicional do quilombo do Ipiranga aplicado ao município do
Conde (PB)

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Bacharelado em


Geografia, do Departamento de Geociências, do Centro de Ciências Exatas
e da Natureza, da Universidade Federal da Paraíba, como requisito para
obtenção do título de Bacharel em Geografia

Aprovado em: 12/07/2023

Banca Examinadora

_____________________________________________________
Prof. Doutor Jonas Otaviano Praça de Souza
Orientador
(UFPB/CCEN/Departamento de Geociências)

_____________________________________________________
Prof. Doutor Victor Hugo Rabelo Coelho
Membro Interno
(UFPB/CCEN/Departamento de Geociências )

_____________________________________________________
Profa. Mestra Paula Regina de Oliveira Cordeiro
Membro Externo
(Universidade Estadual da Bahia / Departamento de Ciências Humanas)
"Nossa cultura é o nosso sistema imunológico"
( Marimba Ani)
CARACTERIZAÇÃO DE PAISAGENS COM A
PRESENÇA DE BATIBUTÁ (OURATEA
FIELDINGIANA(GARDNER)ENGL): UM
ESTUDO ETNOGEOMORFOLOGICO DO
CONHECIMENTO TRADICIONAL DO
QUILOMBO DO IPIRANGA APLICADO AO
MUNICÍPIO DO CONDE (PB)

Paula Carolina Viana Santos


Universidade Federal da Paraíba
RESUMO

Batibutá (Ouratea fieldingiana(Gardner) Engl.) é uma planta arbórea ou arbustiva


encontrada no litoral sul do estado da Paraíba. Do seu fruto é extraído um óleo com
propriedades medicinais de interesse popular e científico. Sabe-se que moradoras da
comunidade remanescente de quilombo Ipiranga dominam a extração deste óleo de forma
artesanal a partir de uma técnica transmitida ao longo das gerações. Partindo da
etnogeomorfologia e do geoprocessamento,o presente artigo pretende se basear na
associação do conhecimento popular com o científico para estudar as características
geomorfológicas das paisagens com a presença do Batibutá e documentar a produção
tradicional do óleo na comunidade. Diante disso, as análises realizadas constataram que a
espécie tem incidência em locais com declividade ondulada ou pouco ondulada,
preferencialmente. O solo mais usual é arenoso ou arenoso pedregoso, também podendo
ocorrer em solos argilosos. Seguindo as análises, foi identificado que o porte das espécies
varia de acordo com o tipo de vegetação e a quantidade de cobertura vegetal. O estudo
traz uma sistematização relevante para o conhecimento sobre a espécie, que não foi
encontrada em pesquisas que antecederam o trabalho.

Palavras-chave: batibutá, etnogeomorfologia, comunidade quilombola, IVDN .

ABSTRACT
Batibutá (Ouratea fieldingiana(Gardner) Engl.) is an arboreal or shrub plant found on the
southern coast of the state of Paraíba. An oil with medicinal properties of popular and
scientific interest is extracted from its fruit. It is known that the community of the
Quilombo Ipiranga has a handmade technique transmitted over generations to extract this
substance. With ethnogeomorphology and geoprocessing as a guide, the study was bases
on the association of popular and scientific knowledge, this article aims to analyze the
geomorphological characteristics of the Batibutá fruit landscapes and to document the
traditional production of the oil in the community. Therefore, it was found that the species
grows and develops better in places with a wavy or slightly wavy slope. The most common
soil for its appearance is the sandy or stony sandy, but there is also an incidence in clayey
soils. The size of the species varies according to the type of vegetation and the amount of
mulch. The study brings a relevant systematization to the knowledge about the species
that has not been found in research prior to the work

Keywords: batibutá; ethnogeomorphology, quilombola community, NDVI.


Santos, Paula Carolina Viana 6

INTRODUÇÃO

As denominadas comunidades remanescentes de quilombos são detentoras de


conhecimentos milenares em diversas áreas, como a culinária, a espiritualidade, a
botânica, a medicina tradicional, o artesanato, a construção, dentre outras. Muitos
destes conhecimentos são tradições que seus antepassados trouxeram de África
(ANJOS; 1999; p.13), outros foram desenvolvidos no contato com os povos
originários do território posteriormente denominado Brasil.
Pela forma de organização cultural e localização, usualmente em zonas rurais e
periurbanas, tais tradições se relacionam diretamente com a natureza e seus
constituintes. Antônio Bispo dos Santos (2015) denomina a relação com a
natureza de forma próxima e ancestral, partindo dos povos quilombolas e
originários do Brasil, de “Biointeração”. Cosmovisão de mundo na qual a natureza
não tem como fim mercadoria de acumulação capitalista, mas é um meio para
realização das necessidades cotidianas e de qualidade sagrada.
Uma relação biointerativa pode ser observada na produção do óleo de Batibutá
pela comunidade de remanescente de quilombo Ipiranga. Localizado no município
do Conde, o Ipiranga é uma das quarenta e quatro (44) comunidades de
remanescentes de quilombos certificadas no estado da Paraíba (Fundação
Palmares, 2023). Certificada no ano de 2006, ainda não possui a titulação
definitiva das terras. Por mulheres da comunidade é extraído o óleo do Batibutá
ou Batiputá (Ouratea fieldingiana(Gardner) Engl.), que é utilizado na medicina
popular tradicional no tratamento de doenças gástricas, inflamações internas e
externas, antioxidante, dentre outros usos.
Com a dinâmica do mundo globalizado, confluência de outros tempos e espaços e
mudanças geracionais, a transmissão do conhecimento tradicional sofre
alterações. Beltreschi (2016) documenta as plantas medicinais e o conhecimento
etnobotânico dos moradores do Ipiranga, demonstrando que estes conhecem
uma variedade significativa de plantas medicinais, suas propriedades e fazem uso
frequente delas. A pesquisa constata em um estudo preliminar uma diferença do
conhecimento etnobotânico entre as gerações do quilombo. As gerações mais
velhas são detentoras de maior conhecimento sobre espécies, indicações e usos
em relação às mais novas. Tal questão, pode ser devido a uma quebra na
transmissão do conhecimento ou ao fato de que o conhecimento etnobotânico é
adquirido ao longo da vida.
A etnogeomorfologia, conceito popularizado no Brasil há muito pouco tempo,
busca associar o conhecimento científico geomorfológico com os saberes locais.
São poucos os estudos realizados no país até então. Ribeiro (2012) tem executado
tal metodologia na região do Cariri cearense. O presente trabalho segue no
sentido da associação do conhecimento popular com ferramentas científicas.
Diante da significância ecológica e cultural da espécie Ouratea
fieldingiana(Gardner) Engl. associado à sua potencialidade farmacológica e ao
risco de perda de transmissão da técnica de feitura do óleo pela comunidade do
CARACTERIZAÇÃO DE PAISAGENS COM A PRESENÇA DE BATIBUTÁ OURATEA
7 FIELDINGIANA(GARDNER) ENGL).- UM ESTUDO ETNOGEOMORFOLOGICO DO
CONHECIMENTO TRADICIONAL DO QUILOMBO DO IPIRANGA APLICADO AO MUNICÍPIO
DO CONDE (PB)

Ipiranga, tem-se como objetivo mapear as unidades de paisagem onde os frutos


são encontrados a partir o conhecimento popular e analisar estes dentro dos
mapas de geologia, declividade, altitude e índice de vegetação.
Pretende-se também: i) iniciar o estudo para melhor investigação da espécie no
litoral sul do estado da Paraíba; ii) documentar o ofício de feitio do óleo de
batibutá no quilombo do Ipiranga; iii) contribuir para a transmissão do
conhecimento intergeracional.
O BATIBUTÁ E A TÉCNICA ANCESTRAL DE EXTRAÇÃO DO SEU ÓLEO.

O Batibutá ou Batiputá (Ouratea fieldingiana(Gardner) Engl.), nome popular


variável de acordo com a região, é uma planta nativa do Brasil, arbórea ou
arbustiva, pertencente ao gênero Ouratea sp, da família Ochnaceae. A literatura
acerca desse fruto é recente, focado usualmente nas propriedades farmacológicas
do óleo. Ainda não se tem mapeado sua completa distribuição geográfica no Brasil
e até então foram atestadas ocorrências nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará,
Maranhão, Pernambuco, Piauí, Sergipe (Flora e Funga do Brasil, 2023). Zickel et. al
(2021) identificaram o Batibutá na classificação da vegetação lenhosa de tabuleiro
em áreas do estado da Paraíba., o único registro encontrado da espécie no estado
pela literatura disponível. Entre os municípios analisados pelos autores
(Mamanguape, Conde, João Pessoa e Pedras de Fogo), a espécie se mostrou
expressiva na vegetação classificada somente no município de Mamanguape.
Do Nascimento (2018) investigou as propriedades de distintas partes da planta em
formas de extração variadas. Com a análise do preparado do extrato das folhas,
encontrou resultados significativos para cicatrização cutânea. Já em relação aos
resultados provenientes da extração do óleo, encontrou-se atividade
antiinflamatória. De uma forma geral, os extratos apresentaram também ação
antifúngica e antioxidante.
Pinto (2017) apresentou em seus estudos análises farmacológicas do óleo de
Batibutá, comparando as propriedades do óleo extraído artesanalmente e o
extraído laboratorialmente. Como resultado, apresentou-se o potencial de uso do
óleo de Batibutá na dermo cosmética, em aplicação nutracêutica e a viabilidade
da extração artesanal que apresenta resultados semelhantes à extração
laboratorial e viabilidade superior em relação ao índice de acidez.
Já Pinto (2016) traz a análise pela ótica da etnobotânica o uso tradicional do
Batibutá pelos Tremembé da Barra do Mundaú, no estado do Ceará. Estes fazem
dele o uso medicinal, além da alimentação humana e animal. É também
considerado um fruto sagrado, para o qual realizam uma festa unida ao murici,
momento em que a comunidade se reúne para extração do óleo.
A extração do óleo de batibutá no quilombo do Ipiranga é coordenado por Mestra
Ana Rodrigues e Mestra Lenira, assim conhecidas por serem Mestras do coco de
roda, manifestação da cultura popular muito presente no quilombo do Ipiranga e
de referência no estado da Paraíba e em outros estados brasileiros.
Santos, Paula Carolina Viana 8

Lenira e Ana são integrantes da mesma família, tia e sobrinha, respectivamente.


Lenira conta que aprendeu com seus antepassados a extrair o óleo de Batibutá e
que antigamente muitas mulheres do quilombo detinham este conhecimento.
Segundo seu relato, cada família a fazia aproximadamente um litro do óleo e
levavam de presente a outras famílias na sexta-feira santa, recebendo também
outros presentes em troca.
As mestras relatam como a tradição do feitio do óleo de Batibutá vem se
perdendo no quilombo. Algumas mulheres da comunidade, a convite delas, se
envolvem na colheita, debulha e pilagem dos frutos. A Figura 1 demonstra os
frutos após a colheita, sendo preparados para os processos seguintes.
Figura 1: Frutos de Batibutá (Ouratea fieldingiana(Gardner) Engl.).

Fonte: Arquivo da autora


Fevereiro de 2023
Apesar de um evolvimento coletivo, atualmente no quilombo o conhecimento
para realização de todo o processo, desde os pontos de colheita e pontos de
apuração do óleo, somente as mestras detêm, ou seja, são detentoras da técnica.
Milton Santos (2002) define as técnicas como:
“um conjunto de meios instrumentais e sociais, com os quais o
homem realiza sua vida, produz e, ao mesmo tempo, cria espaço.”
(p.16)
Por esse viés, pode-se dizer que a perda dessa tradição pode ser causada por
modificações no espaço, como as novas relações de trabalho e a modernização no
território. E por sua vez, também resulta em modificações outras no mesmo
espaço.
No trabalho de Beltreschi (2016) que realiza o levantamento sobre as plantas
medicinais de conhecimento e o uso na comunidade do Ipiranga, o Batibutá não é
citado, o que pode ser resultado da perda da tradição em relação ao ofício de
CARACTERIZAÇÃO DE PAISAGENS COM A PRESENÇA DE BATIBUTÁ OURATEA
9 FIELDINGIANA(GARDNER) ENGL).- UM ESTUDO ETNOGEOMORFOLOGICO DO
CONHECIMENTO TRADICIONAL DO QUILOMBO DO IPIRANGA APLICADO AO MUNICÍPIO
DO CONDE (PB)

fabricação do óleo. Como a mesma autora aponta, pode existir no quilombo do


Ipiranga, assim como em outras comunidades tradicionais, uma quebra na
transmissão do conhecimento etnobotânico.
A extração do óleo na comunidade é uma atividade essencialmente coletiva, além
de envolver muitos processos e ser demasiadamente trabalhoso, foi desta forma
que o conhecimento foi transmitido. Realizada desde o surgimento do quilombo
na região, Mestra Ana conta que este conhecimento foi adquirido no contato com
os povos originários da terra. Santos (2002) levanta a possibilidade da técnica
datar a idade de um lugar, ressaltando que a datação se inicia quando esta é
incorporada a vida da sociedade. Continuando, o geógrafo afirma que é o lugar
que atribui a técnica o princípio da realidade histórica. A técnica de extração do
Batibutá no Ipiranga é uma ligação temporal com um outro momento histórico, o
momento de estabelecimento do território. Tal momento histórico está interligado
à constituição da identidade e da territorialidade da comunidade. Ou seja, neste
caso a técnica não se relaciona somente com lugar, mas também com o território
e identidade.

ÁREA DE ESTUDO E PONTOS ANALISADOS


A área de estudo é o município do Conde, escolhido por ser o município de
localização do quilombo do Ipiranga e ponto de colheita do fruto do Batibutá para
extração no quilombo (Figura 2). O Conde está localizado na microrregião de João
Pessoa e na mesorregião da Mata Paraibana, é um município com 171,267 km²
(IBGE,2022) , 19,81 km² de área urbanizada (IBGE,2019) e população estimada de
27.605 pessoas (IBGE,2022).
Figura 2: Mapa de localização da área do estudo com os 12 pontos analisados.

Elaboração da autora
Santos, Paula Carolina Viana 10

Geomorfologicamente, o município está localizado nos baixos planaltos costeiros


da Formação Barreiras. É constituído também por áreas de planícies intermareais;
planícies fluviais; terraço e planície marinha; colúvio, terraço e planície fluvial
(Barbosa et. al 2019).

MATERIAIS E MÉTODOS
Utilizou-se como métodos para essa pesquisa, trabalhos de campo, revisão
bibliográfica e elaboração de mapas temáticos. Os trabalhos de campo foram
divididos em duas etapas: A primeira para acompanhamento da extração do óleo
de batibutá, a segunda para caracterização dos pontos de estudo.
Vale salientar que a primeira etapa de trabalhos de campos foi de extrema
importância na concepção da pesquisa, esta não estava fechada, foi construído
durante a vivência. Nessa etapa, o objetivo foi participar da fabricação do óleo e
observar os processos e as relações comunitárias. Desta forma, os campos foram
definidos buscando acompanhar todas as etapas do processo: a colheita, a
debulha e a extração final.
A segunda etapa de trabalhos de campo, buscou a caracterização dos pontos de
estudo. Em um primeiro momento, Mestra Ana apontou e identificou os locais
onde usualmente ocorrem as colheitas, utilizou-se para isso um mapa de
localização impresso com pontos de referência locais. Posteriormente, os locais
foram visitados. Utilizou-se o GPS para definição exata das coordenadas e foram
feitas análises descritivas das paisagens encontradas em cada ponto de acordo
com os critérios de classificação.
As informações coletadas na segunda etapa dos trabalhos de campo foram
classificadas utilizando critérios visíveis nos pontos de colheita. A quantidade de
cobertura vegetal foi analisada pela presença de serrapilheira na superfície do
solo, sendo definida como muita quando cobre a extensão superficial e pouca
quando esta fica exposta. O solo foi classificado pela sua granulometria aparente.
Argilosos são os que apresentam a maioria de grãos menores em comparação aos
grãos de areias, arenosos que apresentam a maioria de grãos na espessura de
areias e pedregosos os que apresentam pedregulhos.

A vegetação foi classificada a partir da observação do local em que se encontram


os indivíduos, salientando se existir modificação da vegetação na paisagem ao
redor, como por exemplo, descampados próximos de matas. Adensadas são
vegetações em que existem variedade de espécies e indivíduos próximos,
descampados são áreas onde as espécies e indivíduos estão distantes e o solo com
pouca cobertura vegetal, rasteiras áreas onde as espécies têm porte baixo e existe
variedade e quantidade de indivíduos. O mosaico da Figura 5 demonstra a
comparação da classificação dos solos, da vegetação e da cobertura vegetal nos
pontos do estudo.
CARACTERIZAÇÃO DE PAISAGENS COM A PRESENÇA DE BATIBUTÁ OURATEA
11 FIELDINGIANA(GARDNER) ENGL).- UM ESTUDO ETNOGEOMORFOLOGICO DO
CONHECIMENTO TRADICIONAL DO QUILOMBO DO IPIRANGA APLICADO AO MUNICÍPIO
DO CONDE (PB)

Figura 5: Mosaico de imagens exemplificando os parâmetros de classificação de


solo, vegetação e cobertura vegetal respectivamente.

Fonte: Arquivo da autora


Data: Maio de 2023

O porte dos indivíduos foi classificado em alto e baixo tendo como base a
comparação de todos os indivíduos encontrados. As plantas que mediam abaixo
de 1,7m foram consideradas baixas e a acima de 1,7m altas. A classe uso da terra
descreve o que foi encontrado na paisagem ao redor do ponto de estudo,
apresentando o nível de urbanização e a presença ou ausência de agricultura.
Para maior embasamento do trabalho, realizou-se uma revisão bibliográfica com
foco na espécie (Ouratea fieldingiana(Gardner) Engl.), buscando análise de
Santos, Paula Carolina Viana 12

pesquisas de áreas distintas do conhecimento científico, sendo estas da área


farmacológica, etnobotânica e vegetativa.
Foram elaborados mapas para espacialização e extração de dados. Para o mapa
de localização e de índice de vegetação, foi utilizado a imagem de satélite
Landsat 8, sensor Operational Land Imager (OLI), órbita circular, heliosíncrone,
descendente, 98,2º de inclinação, período de 99 minutos, altitude de 705 Km.
Estas foram coletadas no site USGS – (United States Geological Survey). O critério
de seleção buscou a qualidade, visibilidade (ausência de nuvens), abrangência da
área de interesse e maior proximidade temporal com a data de realização deste
trabalho, sendo as imagens escolhidas da data de 12 de março de 2021.
O índice de vegetação utilizado foi o Índice de Vegetação por Diferença
Normalizada (IVDN). O cálculo foi realizado seguindo a equação:

IVDN = (IVP – V) / (IVP+V)

Sendo: IVP (infravermelho próximo) correspondente a banda 5, V (vermelho)


corresponde a banda 4.
Foi realizado também uma composição de bandas do tipo verdadeira (RGB), a da
qual foi possível uma melhor análise da área e identificação dos alvos pelos
padrões perceptivos na imagem que associados a informações extraídas na
segunda etapa de trabalho de campo, resultou na seguinte classificação: o
intervalo de -0,15 até 0 corresponde a pequenos corpos d’água; 0,01 a 0,25
corresponde a áreas urbanas e áreas construídas, a areia de praia e as nuvens
presentes na imagem também constituem esta classe; de 0,25 a 0,36 corresponde
a áreas degradadas; de 0,36 a 0,44 a agricultura; de 0,45 até o maior valor de pixel
encontrado, 0,62 , corresponde a área preservada.
Os mapas de declividade e Modelo Digital de Elevação foram elaborados com base
em arquivo decorrente da Missão Topográfica Radar Shuttle, disponibilizados pela
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). A declividade foi
classificada de acordo com o padrão definido pela Empresa e o MDE em intervalos
de 20 em 20 metros. O mapa geológico foi elaborado a partir das informações
disponibilizadas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

RESULTADOS
Os mapas temáticos (Figura 3) possibilitaram a extração de algumas informações
acerca do município do Conde e dos pontos de estudos.
Santos, Paula Carolina Viana 13

Figura 3: Mapas temáticas do município do Conde - PB : Geológico, Modelo Digital de Elevação e Declividade respectivamente

Elaboração da autora
Santos, Paula Carolina Viana 14

No mapa geológico, podemos identificar duas principais formações no município:


os depósitos flúvio-marinhos, formados principalmente por areia, argila e silte, a
Formação Barreiras constituída por siltito e diferentes tipos de arenito e argilito.
O mapa de Modelo Digital de Elevação demonstra que a altitude do município do
Conde varia do nível do mar a 126 metros. A noroeste e sul apresentam altitudes
maiores, assim como a sudeste, onde após a costa marinha a altitude sobe
abruptamente. A porção norte e nordeste apresentam menores altitudes
concentradas. A variação da declividade em porcentagem no município vai de zero
a 30,25%, variando de plano a forte ondulado, sendo a maior parte do terreno
ondulado.
De uma forma geral, é possível perceber que os processos erosivos nas encostas
da Formação Barreiras modelam as áreas de tabuleiro. A Formação apresenta
altitudes maiores, quando erodidas expandem os fundos de vale, possibilitando
assim a criação de espaços para os depósitos flúvio-marinhos se depositarem nas
porções mais baixas do município aos arredores da Formação.
O mapa do IVDN (Figura 4) foi elaborado através das ferramentas de
geoprocessamento já anteriormente citadas e classificadas com dados dos
trabalhos de campo realizados.

Figura 4: Mapa do IVDN no município do Conde

Elaboração da autora
CARACTERIZAÇÃO DE PAISAGENS COM A PRESENÇA DE BATIBUTÁ OURATEA
15 FIELDINGIANA(GARDNER) ENGL).- UM ESTUDO ETNOGEOMORFOLOGICO DO
CONHECIMENTO TRADICIONAL DO QUILOMBO DO IPIRANGA APLICADO AO MUNICÍPIO
DO CONDE (PB)

As diferentes cores na numeração dos pontos de estudo não representam


diferenciações específicas, foram alternadas para melhor visibilidade . Calculando
a área de cada uma das classes, através da álgebra de mapas, apresentaram-se os
seguintes resultados: 0,12% da área total corresponde a pequenos corpos d’água;
18,34% da área total corresponde a áreas urbanas e áreas construídas incluindo
também a areia de praia e as nuvens; 32,21% da área total corresponde a áreas
degradadas; 25,95% da área total corresponde a agricultura; 23% da área total
corresponde a área preservada .

No mapa conseguimos observar que não são expressos todos os corpos d’água no
intervalo de -0,15 até zero, provavelmente pela resolução do pixel ser
correspondente a 30 metros e estas formações não atingem este tamanho.
Estabelecendo comparação com o mapa de altitude e declividade é possível
constatar índices altos de vegetação nas áreas mais baixas onde existem cursos de
rios, indicando a presença de mata ciliar.

Como pudemos observar em campo e o mapa de IVDN espacializa, o Conde é um


município litorâneo e turístico, possui sua sede urbana na porção noroeste e
outras aglomerações urbanas ao leste próximo à costa onde se localiza o distrito
de Jacumã. A zona rural e a produção agrícola no município também são
expressivas, se distribuindo por toda sua extensão. As áreas degradadas estão
associadas às construções urbanas e à agricultura.

A porcentagem de áreas degradadas ser superior à de áreas preservadas


apresenta um problema ambiental. Grande parte dessas áreas são resultados de
ações antrópicas que se inicia com desmatamento potencializando os processos
erosivos. O desmatamento sistemático contrasta com a biointeração, como
Antônio Bispo dos Santos (2015) coloca, o que se entende enquanto recurso
natural nas sociedades ocidentalizadas, é entendido em uma relação biointerativa
como parte de uma energia orgânica que precisa ser reintegrada a ela da mesma
maneira. Existe dessa forma um significante afetivo nas matas, sagrado, a
preservação tem neste contexto um sentido orgânico.

Para sistematização dos dados, as informações extraídas dos mapas e coletadas


nos trabalhos de campo resultaram na elaboração da Tabela 1 que demonstra as
características dos pontos de estudo. Os valores de declividade, altitude, e IVDN
foram extraídos dos valores de pixels correspondentes aos respectivos pontos nos
mapas matriciais. A classe de geologia foi extraída da localização espacial
correspondente a cada ponto, no mapa vetorial. A cobertura vegetal, solo, porte
dos indivíduos, vegetação e uso foram classificadas a partir dos trabalhos de
campo com os critérios anteriormente expostos.
Santos, Paula Carolina Viana
16
)

Tabela 1: Características geográficas dos pontos de estudo


DECLIVIDADE COBERTURA
PONTO ALTITUDE GEOLOGIA IDVN SOLO PORTE VEGETAÇÃO USO DA TERRA
(%) VEGETAL

pouco urbanizada; as margens da


1,911 Formação muita arenoso
1 68 0,297 altas adensada rodovia; agricultura nas
(Plano) Barreiras cobertura pedregoso
proximidades

4,895
depósitos flúvio- muita adensada,
2 (Suave 53 0,4684 arenoso altas área de proteção ambiental
marinhos cobertura preservada
Ondulado)

7,315
Formação pouca descampado com pouco urbanizada, as margens da
3 (Suave 48 0,5029 argiloso altas
Barreiras cobertura mata próxima rodovia
Ondulado)

8,483 Formação pouca arenoso descampado com


4 26 0,5033 baixas zona urbana
(Ondulado) Barreiras cobertura pedregoso mata próxima

5,516
Formação pouca
5 (Suave 79 0,3605 arenoso baixas descampado zona urbana
Barreiras cobertura
Ondulado)

7,801
depósitos flúvio- pouca arenoso pouco urbanizada; agricultura nas
6 (Suave 12 0,4511 baixas, rasteira
marinhos cobertura pedregoso proximidades
Ondulado)

7,857
12 Formação pouca arenoso descampado com
7 (Suave 0,3574 baixas zona urbana
Barreiras cobertura pedregoso mata próxima
Ondulado)
CARACTERIZAÇÃO DE PAISAGENS COM A PRESENÇA DE BATIBUTÁ OURATEA FIELDINGIANA(GARDNER) ENGL).-
17 UM ESTUDO ETNOGEOMORFOLOGICO DO CONHECIMENTO TRADICIONAL DO
QUILOMBO DO IPIRANGA APLICADO AO MUNICÍPIO DO CONDE (PB)
)

0,27 depósitos flúvio-


8 7 0,4812 NÃO ACESSÍVEL
(Plano) marinhos

pouco urbanizado,
10,988 Formação pouca
9 11 0,4853 arenoso altas descampado agricultura nas
(Ondulado) Barreiras cobertura
proximidades

6,626 depósitos flúvio-


10 10 0,4258 NÃO VISITADO
(Suave Ondulado) marinhos

9,086 Formação muita arenoso altas adensada pouco urbanizada


11 56 0,4600
(Ondulado) Barreiras cobertura

10,014 depósitos flúvio-


12 26 0,4705 NÃO ACESSÍVEL
(Ondulado) marinhos

MÉDIA 6,735 34 - 0,439

Elaboração da autora
Santos, Paula Carolina Viana 18

Como demonstra a tabela nos pontos de estudo, a altitude máxima registrada é


de 79m (Ponto 5) e a mínima de 7m (Ponto 8), sendo a média de 34m. A variação
da declividade é de 0,27 (Ponto 8) a 10,98 (Ponto 9), sendo a média 6,73 em
porcentagem. O IVDN médio é de 0,439 sendo o mínimo de 0,297 (Ponto 1) e o
máximo de 0,503 (Ponto 4). Os pontos de 2, 6, 8, 10 e 12 se localizam nos
depósitos flúvio marinhos. Já os pontos 1, 3,4,5, 7, 9 e 11 na Formação Barreiras.
Três pontos não foram visitados, 8, 10 e 12. O ponto 10 pela dinâmica do campo e
incompatibilidade na rota, o ponto 8 pelo trajeto disponível não dar acesso ao
local em si e o ponto 12 por estar dentro de uma propriedade privada onde não
foi permitida a passagem.
Diante dos dados levantados, pode-se dizer que nos pontos estudados o Batibutá
demonstra ter incidência em locais com declividade ondulada ou pouco ondulada
preferencialmente. O solo mais frequente é arenoso ou arenoso pedregoso, o que
é popularmente denominado na região de carrasco, mas também apresentou
incidência em solo argiloso. Sobre o porte das espécies, observa-se que em locais
de vegetação adensada, onde também existe mais cobertura vegetal, a planta
atinge maiores portes com aparência arbórea e onde existe menor quantidade de
matéria orgânica, apresenta porte arbustivo. A Figura 6 exemplifica a constatação
comparando o Ponto 1 e o ponto 7. A esquerda um indivíduo de porte alto em
um local de vegetação adensada e com muita cobertura vegetal, a direita um
indivíduo de porte baixo em um local descampado com mata próxima e pouca
cobertura vegetal.
Figura 6: Comparação do porte de indivíduos da espécie Ouratea
fieldingiana(Gardner) Engl .

Fonte: Arquivo da autora

Data: Maio de 2023

O IVDN variado associado aos distintos usos e ocupação do solo e diversidade da


vegetação nas paisagens próximas dos pontos estudados, demonstra a
diversidade de adaptação da espécie. Esta é encontrada tanto em vegetações
adensadas (Ponto 2) quanto em terrenos descampados (Ponto 5). Como
demonstra a comparação estabelecida na Figura 7 .
CARACTERIZAÇÃO DE PAISAGENS COM A PRESENÇA DE BATIBUTÁ OURATEA
19 FIELDINGIANA(GARDNER) ENGL).- UM ESTUDO ETNOGEOMORFOLOGICO DO
CONHECIMENTO TRADICIONAL DO QUILOMBO DO IPIRANGA APLICADO AO MUNICÍPIO
DO CONDE (PB)

Figura 7: Comparação das paisagens de incidência

Fonte: Arquivo da autora


Data: Maio de 2023

O ponto 2 esta localizado na Área de Proteção Ambiental de Tambaba, sendo


esta uma mata preservada , o Ponto 5 é uma área de deposição de lixos, erodida
e sem preservação. Quanto à produtividade nas diferentes circunstâncias, não foi
possível analisar neste estudo, visto que os trabalhos de reconhecimento dos
pontos foram realizados no mês de maio, período improdutivo da espécie.
Não foram encontrados na literatura trabalhos que se propusessem ao
mapeamento da diversidade das paisagens em que se encontra o Batibutá. Zickel
et. al (2021) não identificaram no mapeamento das espécies lenhosas de
tabuleiro na Paraíba o Batibutá como uma espécie expressiva no município do
Conde. Pinto (2016) em seu estudo acerca dos conhecimentos etnobotânico
indígenas Tremembé, cita a preferência da espécie por tabuleiros arenosos do
litoral, mas não se aprofunda em caracterização de paisagens O acervo da Flora e
Funga do Brasil (2023) atesta a ocorrência em todos os estados do Nordeste,
exceto a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
O Batibutá é um fruto com relevantes propriedades medicinais, o que lhe confere
interesse social. Anjos (2011) aponta a autonomia econômica como uma das
questões estruturais dos quilombos atualmente, e traz a importância de
reconhecer as potencialidades locais como uma alternativa à problemática.
Diante desse contexto, a comercialização do óleo de Batibutá é uma possibilidade
de geração de renda para as moradoras e fomento da autonomia econômica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A sistematização realizada pelo presente trabalho, contribui com a


documentação sobre a extração do óleo de Batibutá na comunidade
remanescente de quilombo Ipiranga. Em associação a outras ações como o
acesso a editais de financiamento de produção, o intuito é de preservação do
conhecimento através da transmissão geracional desta técnica. É importante
considerar a riqueza cultural que o ofício de extração do óleo de batibutá
representa no quilombo do Ipiranga e no município do Conde como um todo. A
Santos, Paula Carolina Viana 20

realização de uma atividade de ancestral que mantém uma relação extrativista


equilibrada, biointerativa, é cada vez mais escasso na atualidade.
A diversidade de condições em que a espécie Ouratea fieldingiana(Gardner) Engl.
é presente abre possibilidade para pensar sua inclusão em planos de manejo de
reflorestamento dos tabuleiros costeiros e na arborização urbana. Segundo dados
do IBGE (2010) o município do Conde tem 29,9% de arborização de vias públicas,
o segundo menor índice do estado.
O artigo primeiro da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos povos
e comunidades tradicionais define como princípio a preservação de direitos
culturais, práticas comunitárias, memória cultural e identidade racial e étnica
(BRASIL, 2007). Desta forma existe previsão legislativa para continuidade da
fabricação do óleo de batibutá, sendo então de dever do Estado considerar a
presença dessa espécie no plano de gestão do município e dar assistência ao
diante da ameaça de extinção do ofício.
Ainda não se tinha mapeado características sobre as paisagens com a presença de
Batibutá no município do Conde, ou da extração do ofício no quilombo do
Ipiranga. Desta forma, a presente pesquisa traz uma sistematização relevante
acerca do ofício de extração no Ipiranga e para o aprofundamento sobre a
espécie.

REFERÊNCIAS
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antigos A599 Quilombos no Brasil: primeira configuração espacial. 1999.
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CONHECIMENTO TRADICIONAL DO QUILOMBO DO IPIRANGA APLICADO AO MUNICÍPIO
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Ochnaceae in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de
[Link]ível em: <[Link] Acesso em: 03
abr. 2023.

Common questions

Com tecnologia de IA

The extraction practices of Batibutá oil in Quilombo Ipiranga showcase themes of sustainability and community resilience by highlighting the integration of traditional knowledge with ecological practices that promote biodiversity and sustainable land use. This local practice is not only a method of utilizing natural resources prudently but also a manifestation of environmental stewardship, as it encourages community-wide participation and generational knowledge sharing. Such practices contribute to the socio-economic resilience of the community, providing economic benefits and fostering a robust cultural identity that can withstand external pressures and globalization influences .

The geographical and environmental characteristics of Conde, PB, significantly impact the growth and distribution of Batibutá. Its presence is noted in areas with varying declivity and types of soil, indicating adaptability to different environmental conditions. The altitude in Conde ranges from sea level up to 126 meters, with higher altitudes found in southern and southwestern areas. The different geologies, such as fluvio-marine deposits and the Barreiras Formation, influence where Batibutá thrives, preferring areas with sandy or sandy-stony soils. High declivity points are associated with higher vegetation density, suggesting that Batibutá adapts well in such conditions .

The loss of traditional Batibutá oil extraction practices in Quilombo Ipiranga could have profound cultural and social implications. This traditional knowledge is vital for maintaining community identity and cohesion, as well as cultural heritage. Losing these practices might mean losing a part of the community's unique cultural fabric, which could weaken communal ties and diminish the sense of belonging among members. Additionally, the community may lose potential health benefits provided by the medicinal uses of Batibutá oil, potentially increasing dependency on external pharmaceutical solutions. Moreover, it could result in the depletion of sustainable land use methods, negatively impacting local biodiversity conservation efforts .

Maintaining cultural practices like Batibutá oil extraction in contemporary settings presents several environmental and social challenges. Environmentally, increasing anthropogenic activities and urban development contribute to habitat degradation, potentially threatening the ecosystems where Batibutá thrives. Socially, globalization, intergenerational shifts, and migration patterns can disrupt traditional knowledge transfer and reduce the interest in local cultural practices among younger members. These challenges necessitate careful balancing between conservation efforts and the modernization aspirations of a community. Strategies must be developed to support the ecological integrity and cultural richness of traditional practices amidst changing socio-economic landscapes .

The medicinal use of Batibutá has been validated by scientific studies, which have demonstrated its anti-inflammatory, antifungal, and antioxidant properties. Such validation reinforces the traditional beliefs held by indigenous communities about its medicinal efficacy, potentially increasing its perceived value and legitimacy both within the community and externally. This scientific endorsement helps maintain and even bolster the use of traditional remedies, providing indigenous communities with a sense of pride and facilitating cultural continuity. Simultaneously, it opens up pathways for these communities to engage with broader socio-economic opportunities in health and wellness industries .

Globalizing influences might weaken the transmission of traditional ecological knowledge (TEK) and practices in communities like Quilombo Ipiranga by introducing alternative lifestyles and economic systems that do not prioritize traditional practices. As younger generations are drawn to global trends, there might be less interest in sustaining traditional knowledge. This can lead to an erosion of intergenerational knowledge transfer, making TEK vulnerable to being disregarded. Additionally, globalization often encourages land use changes and modernization that conflict with traditional practices and ecological stewardship, potentially leading to cultural disintegration and loss of sustainable ecological practices .

Batibutá (Ouratea fieldingiana) holds ecological and cultural significance in the Quilombo Ipiranga. Ecologically, it is part of a biointeractive relationship where nature is seen not as a capitalist commodity but as fulfilling everyday sacred needs. Culturally, the Batibutá oil extraction is a traditional practice, integral in medical treatments for various ailments and is an aspect that the community sees as sacred. The practice also serves as a means to reinforce community bonds and sustain cultural identity through collective activities and storytelling across generations .

Batibutá oil is used pharmacologically for its anti-inflammatory, antifungal, antioxidant, and dermocosmetic properties, which are paralleled in Quilombo Ipiranga's traditional uses. Traditionally, the oil is used in treating gastric diseases, internal and external inflammations, which corresponds with its pharmacological activity. This alignment highlights the empirical understanding within the community of its therapeutic benefits, further validating traditional knowledge with scientific confirmation. This also emphasizes the importance of preserving such traditional knowledge, which has practical health implications .

'Etnogeomorfologia' plays a critical role in understanding the spatial distribution of Batibutá by integrating local cultural knowledge with scientific geomorphological analysis. This approach identifies the landscapes where Batibutá is present and helps in analyzing these landscapes in terms of geology, elevation, and vegetation index. By mapping the environmental conditions favorable to Batibutá, it associates scientific data with community knowledge, offering a deeper insight into its ecological requirements and adaptation strategies. This interdisciplinary fusion aids in both documenting valuable traditional practices and informing conservation strategies in the region of Quilombo Ipiranga .

The Quilombo Ipiranga community faces challenges in intergenerational knowledge transmission due to generational shifts and global influences, which impact the continuity of traditional practices like Batibutá oil extraction. The older generations possess more extensive knowledge about the medicinal plants, which includes species identification and usage, compared to the younger generations. This knowledge discrepancy could arise from disruptions in knowledge transmission or the gradual acquiring of ethnobotanical knowledge over a lifetime .

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