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Resumo Filosofia (Arte)

O documento discute a complexidade da definição de arte, abordando teorias essencialistas e não-essencialistas que tentam estabelecer critérios claros para distinguir arte de não-arte. Exemplos como o urinol de Duchamp e a música de John Cage desafiam definições tradicionais, enquanto teorias como a representacionista, expressivista e formalista oferecem diferentes perspectivas sobre o que constitui uma obra de arte. A teoria institucional propõe que algo é arte se reconhecido pelo 'mundo da arte', mas enfrenta críticas por sua circularidade e falta de clareza.

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Resumo Filosofia (Arte)

O documento discute a complexidade da definição de arte, abordando teorias essencialistas e não-essencialistas que tentam estabelecer critérios claros para distinguir arte de não-arte. Exemplos como o urinol de Duchamp e a música de John Cage desafiam definições tradicionais, enquanto teorias como a representacionista, expressivista e formalista oferecem diferentes perspectivas sobre o que constitui uma obra de arte. A teoria institucional propõe que algo é arte se reconhecido pelo 'mundo da arte', mas enfrenta críticas por sua circularidade e falta de clareza.

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O Problema da Definição de Arte

1.O problema da definição de arte


A filosofia da arte procura responder à pergunta “O que é a arte?”, não apenas
listando exemplos, mas encontrando critérios claros que permitam distinguir arte de
não-arte.

2. A dificuldade de definir arte


A definição tradicional é insuficiente, pois há obras que hoje são consideradas arte e
antes não eram (como a banda desenhada), e outras que provocam dúvidas, como
certas músicas ou objetos comuns usados como arte.

3. Exemplos que desafiam a noção tradicional de arte


Obras como o urinol de Duchamp, a peça silenciosa de John Cage ou objetos
banais em exposições questionam o que faz de algo uma obra de arte. Esses
exemplos mostram que a aparência ou função comum não são suficientes para
definir arte.

4. A importância de uma definição clara


Sem critérios definidos, instituições como museus, ministérios e colecionadores não
sabem o que apoiar, exibir ou comprar. Por isso, é essencial uma definição sólida
de arte.

5. Dois sentidos da palavra “arte”:


Classificativo: dizer que algo pertence à categoria arte.

Valorativo: dizer que algo é uma boa obra de arte.


Uma boa teoria da arte deve explicar ambos os sentidos.

6. A busca por uma definição explícita


A definição deve identificar propriedades necessárias e suficientes para algo ser
arte, ou seja, o que todas as obras de arte (e só elas) têm em comum.

7. Teorias essencialistas da arte


Acreditam que a arte tem características intrínsecas (como representação,
expressão ou forma estética). São também chamadas teorias tradicionais. Serão
estudadas três: Representacionista, Expressivista e Formalista.

8. Teorias não-essencialistas da arte


Rejeitam características internas comuns. Focam-se em características extrínsecas
(contexto histórico, validação institucional, intenções do artista). São também
chamadas teorias convencionalistas. Serão estudadas duas: Institucional e
Histórica.
Algumas obras de arte são pinturas, outras esculturas, outras performances ou instalações...

Algumas expressam emoções, outras apenas brincam com formas ou conceitos...

9. O antiessencialismo e os conceitos abertos


Defende que “arte” é um conceito aberto, como “jogo”: não há uma única
característica comum a todas as obras de arte. Reconhecemos arte por
semelhanças de família (relações indiretas entre obras), mesmo sem uma definição
rígida.

10. Conclusão e próximos passos


A definição de arte é complexa. Este capítulo introduz os principais problemas e
abordagens filosóficas. Nos próximos, serão estudadas em detalhe as teorias
essencialistas e não-essencialistas
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Teorias essencialistas: a arte como representação, a arte como
expressão e a arte como forma Imitação- tenta copiar a aparência
(realismo, escultura, etc.).
Representação- algo que tem um
A arte como representação significado além de si mesmo, com
O que defende esta teoria intenção comunicativa- sem imitar
A teoria da arte como representação (também chamada teoria mimética) defende
que algo só é arte se for uma representação — ou seja, se mostrar, simbolizar ou
tomar o lugar de outra coisa de forma intencional.
A obra não é só parecida por acaso — ela foi feita para remeter a outra coisa.
Origem da teoria
É uma das teorias mais antigas, defendida por Platão e Aristóteles no século V a.C.,
que observaram que as artes do seu tempo (como a poesia, a tragédia ou a pintura)
eram todas formas de imitação da realidade.

Representação vs. Imitação


Representar é fazer algo tomar o lugar de outra coisa com intenção comunicativa.
A imitação é um tipo de representação que tenta copiar a aparência (ex: um quadro
realista ou uma escultura humana).
Nem toda a representação é imitativa. Por exemplo, sinais de trânsito representam
sem imitar.

Exemplo do argumento de Aristóteles (argumento indutivo)


A epopeia, a tragédia, a música e outras artes são imitações.
Logo, toda a arte é imitação.

Limites da teoria mimética imitar é necessário, mas não suficiente


Ela diz que toda a arte tem de ser imitação, mas nem toda a imitação é arte.
Valoriza as obras mais realistas — quanto mais se parecerem com o real, melhor.

Críticas à teoria mimética


Exclui muitas obras modernas, como a pintura abstrata, que não imita nada.
Muitos não consideram arte aquilo que não "parece com algo", mas isso pode ser
demasiado restritivo.

Versão mais ampla: teoria representacionista


Em vez de exigir imitação, basta haver representação, mesmo que simbólica ou
abstrata.

Por exemplo, a bandeira representa um país sem imitá-lo, tal como uma obra de
Mark Rothko pode representar emoções ou ideias, mesmo sem imitar nada
visualmente reconhecível.

Conclusão
A teoria mimética (imitativa) é uma versão antiga e mais limitada.
A teoria representacionista (mais geral) adapta-se melhor à arte moderna.
Ambas tentam explicar o que faz de algo uma obra de arte, com base na ideia de
representação.
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Crítica à Teoria Representacionista RESTRITA


Mesmo numa versão mais abrangente, a teoria representacionista é considerada
demasiado limitada, pois há muitas obras de arte que não representam nada, como
a música instrumental, a arte decorativa, a arquitetura ou a found art. Assim, a
representação não pode ser uma condição necessária para algo ser arte.
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A arte como expressão


Segundo o filósofo R. G. Collingwood, a arte não deve ser entendida como imitação
da realidade (como dizia a teoria representacionista), mas sim como expressão
imaginativa de emoções.

Ideia principal:
Algo é arte se, e só se, for expressão imaginativa de emoções onde o artista tenta compreender
os próprios sentimentos e
expressá-los na obra de arte
Expressar vs. Estimular Emoções
Collingwood começa por distinguir dois modos de relação entre a arte e as
emoções:

Estimular emoções: provocar certas emoções no público (ex: alegria, medo,


tristeza).

Expressar emoções: o artista tenta compreender e dar forma ao que sente, tornando
clara uma emoção que antes era vaga ou confusa.
Para ele, a verdadeira arte não é estimular emoções, porque isso seria como um
produto planeado para provocar um efeito – como um ofício. Ao contrário, a arte
exprime: é um processo de descoberta emocional por parte do artista.

A Arte como Exploração da Emoção


Collingwood descreve o processo artístico como algo que começa com uma emoção
indefinida. O artista sente algo, mas ainda não sabe o quê. Ao criar a obra, explora
e compreende essa emoção – é ao exprimir que percebe o que sente.

Exemplo: Tal como quando desabafamos com alguém e, ao tentar explicar o que
sentimos, passamos a compreender melhor esses sentimentos.

Arte vs. Ofício


Para distinguir melhor o que é arte, Collingwood contrasta:

Arte em sentido próprio: expressão emocional sincera e imaginativa, sem plano fixo.

Arte em sentido impróprio (ofício): atividade com um fim já definido, feita com
técnica e planeamento (ex: fazer sapatos, construir uma mesa, compor música para
provocar medo).

"Arte de Entretenimento" e "Arte Mágica"


Segundo Collingwood, há dois tipos de “arte” que não são verdadeiramente arte:

Arte de entretenimento: feita para divertir ou provocar emoções passageiras. É


planeada como um produto, com um efeito pré-definido, como um medicamento.

Arte mágica: feita para provocar emoções ligadas à vida social e orientar
comportamentos (ex: arte religiosa, política ou patriótica). Tem um impacto
emocional mais duradouro, mas ainda assim, é feita com um objetivo exterior, logo,
não é expressão verdadeira.

Expressão vs. Manifestação


Outra distinção importante:

Manifestar uma emoção: reação automática, sem consciência (ex: chorar, corar).

Exprimir uma emoção: processo consciente, feito com linguagem ou imaginação –


como acontece na arte.

A Obra de Arte na Mente


Por fim, Collingwood defende que a verdadeira obra de arte existe principalmente na
mente do artista e do público. Um poema, por exemplo, não deixa de ser arte
mesmo que nunca seja escrito, desde que seja imaginado e compreendido
internamente.
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Críticas à teoria expressivista

É demasiado inclusiva
A teoria expressivista considera que toda a expressão imaginativa de emoções é
arte. No entanto, isso levaria a incluir a psicoterapia como arte, já que também
envolve expressar emoções confusas através da linguagem e da imaginação. Como
a maioria das pessoas não considera que a psicoterapia seja arte, parece que a
teoria inclui demasiado e perde precisão.

É demasiado restrita
Ao excluir tudo o que é planeado com um objetivo (como estimular emoções
específicas), a teoria de Collingwood acaba por deixar de fora várias obras artísticas
reconhecidas, como:

Arte religiosa encomendada com um propósito claro (ex: promover devoção);

Correntes artísticas sem conteúdo emocional, como a arte conceptual, a arte


aleatória ou a arte percetiva.

Ou seja, a teoria exclui exemplos importantes e válidos de arte, tornando-se


também demasiado limitadora.

Incorre na “falácia intencional”


A teoria baseia-se na intenção do artista para definir o que é arte. Se a intenção for
expressar emoções, a obra é arte; se for apenas provocar emoções, já não é.

O problema é que:

Nem sempre sabemos ao certo quais eram as intenções do artista (às vezes nem
ele sabe bem);

Avaliar a obra com base nas intenções é especulativo e pouco fiável;

Muitos filósofos argumentam que a obra deve ser avaliada por si mesma, e não pelo
que o artista queria fazer.

Essa crítica ficou conhecida como “falácia intencional”: acreditar que o sentido ou
valor da obra depende exclusivamente das intenções do seu criador.
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A Arte como Forma
A teoria formalista da arte, ao contrário das teorias representacionista e
expressivista, centra-se exclusivamente na obra de arte em si mesma e nas suas
qualidades formais, sem recorrer a elementos exteriores, como a realidade
representada ou as emoções do artista.

A versão mais conhecida desta teoria é a de Clive Bell, apresentada no seu livro
Arte (1914). A sua ideia principal é:

Algo é obra de arte se, e só se, tem “forma significante”.

Bell não diz apenas “forma”, porque tudo tem forma — uma cadeira, uma mesa, um
sapato — mas sim “forma significante”, que é uma forma capaz de provocar um tipo
especial de emoção que ele chama de emoção estética.

O que é a “forma significante”?


Bell explica que quando vemos uma obra de arte, sentimos uma emoção particular,
diferente das emoções do quotidiano. Essa emoção é causada por certas
combinações específicas de: linhas, cores, formas e espaços.

É esta combinação que Bell chama de forma significante — a característica comum


e essencial a todas as obras de arte. Ou seja, uma obra de arte existe quando
essas qualidades formais provocam a emoção estética nos seus espectadores.

Bell enfatiza que esta emoção estética não é a mesma que sentimos perante a
beleza da natureza; a emoção estética só pode surgir através de produções
humanas, de objetos criados pela arte.

Por que Bell rejeita representação e expressão?


Bell considera que:
Representação e expressão de emoções são propriedades acidentais de algumas
obras de arte, não essenciais.

Muitas obras com conteúdo representativo ou expressivo não têm necessariamente


forma significante e, portanto, nem sempre são obras de arte.

Além disso, existem obras de arte, como a arte primitiva, que não se preocupam
com representação realista nem expressão emocional, mas são reconhecidas como
arte.

Logo, nem a representação nem a expressão são condições necessárias ou


suficientes para a arte.
Vantagens da teoria formalista
A teoria formalista não depende das intenções do artista para definir o que é arte.

Basta que a obra provoque a emoção estética pelo seu arranjo formal.

Por isso, evita algumas das dificuldades das teorias anteriores (representacionista e
expressivista), como a necessidade de interpretar intenções ou conteúdos externos
à obra.

Limitações da teoria formalista


Embora não detalhadas aqui, a teoria formalista também enfrenta críticas e
desafios, como a exclusão de alguns tipos de arte que não se baseiam apenas na
forma, e a dificuldade em definir e medir a “emoção estética” de forma objetiva. Mas
isso fica para a continuação da discussão.
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Críticas à teoria formalista

Assenta num falso dilema


Bell assume que ou há uma propriedade comum a todas as obras de arte, ou o
conceito de arte não faz sentido. No entanto, o conceito de arte pode ser aberto,
como o de “jogo”, e fazer sentido mesmo sem uma característica comum.

É viciosamente circular
A definição de “forma significante” depende da “emoção estética”, que por sua vez é
definida como a emoção provocada por formas significantes. Isto torna a teoria
circular e pouco esclarecedora.

Há obras de arte com formas de objetos comuns


Ready-mades e falsificações mostram que objetos com as mesmas formas podem
ter estatutos diferentes: arte ou não-arte. Logo, a forma por si só não é suficiente
para definir arte.

O conteúdo pode ser relevante


Muitas vezes, o valor de uma obra depende da relação entre forma e conteúdo.
Ignorar o conteúdo expressivo ou representativo empobrece a apreciação da obra.
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A emoção estética é aquilo que sentimos quando vemos uma forma significante.
E uma forma significante é definida como uma forma que provoca emoção estética.

Nem só a forma, nem só o Algumas obras de arte possuem a forma de objetos comuns, como no
conteúdo definem a arte. Muitas caso dos ready-mades de Marcel Duchamp, que transformou itens do
vezes, o que torna uma obra dia a dia, como um mictório, em arte ao colocá-los em um contexto
valiosa é a relação entre forma e artístico. Além disso, existem falsificações que reproduzem exatamente
conteúdo — como ela mostra algo a forma de obras famosas, mas que não são reconhecidas como arte
importante (conteúdo) de uma autêntica. Esses exemplos mostram que a forma, por si só, não é
maneira impactante ou bonita suficiente para definir o que é arte.
(forma)
Teorias não essencialistas: a teoria institucional e a teoria
história

A teoria institucional da arte


Contexto:
Inspirada por Arthur Danto e formulada por George Dickie nos anos 1970 como
resposta ao fracasso das teorias essencialistas (como a formalista). Defende uma
visão relacional e social do que é arte.

Definição Central:
Algo é arte se, e só se, for um artefacto ao qual foi atribuído o estatuto de "candidato
à apreciação" por alguém pertencente ao “mundo da arte”.

Condições necessárias:
Artefactualidade: O objeto deve ser um artefacto – algo usado ou tratado como
criação humana, mesmo que não tenha sido modificado (ex: um galho de árvore
usado como escultura).

Atribuição de estatuto: Alguém ligado ao "mundo da arte" (artistas, curadores,


críticos, etc.) precisa reconhecer o objeto como candidato à apreciação artística.

O que é o “mundo da arte”?


Uma instituição social informal, composta por todos os que participam da prática
artística: artistas, críticos, curadores, teóricos, público, etc.
Não é uma organização formal com regras fixas, mas sim um sistema cultural com
tradições e normas implícitas.

Pontos fortes da teoria:


Valoriza a inovação e a contextualização social da arte.

Permite que objetos não convencionais (como os ready-made) sejam considerados


arte.

Define arte de forma aberta e dinâmica, sem limitar a criatividade.

Obras de arte (dois sentidos):


Classificativo: É arte se foi reconhecida como tal dentro do mundo da arte.

Valorativo: É uma boa obra de arte se for de facto apreciada pelo público da
comunidade artística.
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Críticas à teoria institucional da arte

Oferece uma definição viciosamente circular de arte


A teoria é acusada de ser circular, pois:
A teoria é considerada circular
porque não explica realmente o
Define arte como aquilo que é reconhecido pelo “mundo da arte”; que é arte. Ela diz que arte é
aquilo que o "mundo da arte"
reconhece como arte. Mas, ao
E define o “mundo da arte” como quem reconhece o que é arte. mesmo tempo, define o "mundo
da arte" como o grupo de
pessoas que decide o que é arte.
Assim, nenhum dos dois conceitos é verdadeiramente esclarecido, e a definição
parece girar em torno de si mesma sem realmente explicar o que é arte.

Torna a definição de arte inútil


Se qualquer coisa pode ser arte desde que receba o estatuto do “mundo da arte”,
então:

A definição torna-se pouco informativa ou até inútil;

Parece relativista ou arbitrária, perdendo a capacidade de distinguir arte de não-


arte.

O teórico institucional fica diante de um dilema:


-Ou aceita que tudo pode ser arte (o que esvazia o conceito);

-Ou exige critérios objetivos para justificar o estatuto, o que levaria a uma definição
independente da teoria institucional.

Impossibilita a existência de arte primitiva e de arte solitária


Segundo Jerrold Levinson:
A teoria institucional ignora formas de arte que surgem fora de qualquer instituição,
como:

A arte de um índio isolado na Amazónia;

A criação artística de alguém sem ligação com o mundo da arte (ex: arte popular ou
privada).

Conclusão: a teoria falha ao excluir:


Arte primitiva (anterior à existência de instituições artísticas);

Arte solitária (criada sem intenção de ser inserida no mundo da arte);


Arte espontânea (feita fora de qualquer reconhecimento formal).
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A teoria histórica da arte


Motivação da teoria
Surge como alternativa à Teoria Institucional da Arte, criticando:
-A circularidade da teoria institucional;
-A inviabilidade da arte solitária ou primitiva dentro dessa teoria.

Definição proposta
Algo é uma obra de arte se, e só se, alguém o criou com a intenção de que fosse
encarado como as obras de arte anteriores foram corretamente encaradas.

A definição apoia-se em propriedades extrínsecas e contextuais.

A obra não precisa ser inserida no “mundo da arte” — basta ter a intenção histórica
correta.

A arte é definida por sua ligação histórica com a tradição artística passada.

Fundamentos do argumento
Levinson argumenta que a ligação entre uma nova obra e obras de arte passadas
pode assumir três formas:

1. Semelhança exterior — rejeitada por ser superficial e irrelevante (ex.: uma


sinfonia e uma pintura não se assemelham).

2. Tipo de prazer/experiência gerada — rejeitada por ser vaga e comum a outras


coisas não artísticas.

3. Intenção de ser encarada como obras de arte anteriores foram corretamente


encaradas — aceita como a única explicação viável.

Exemplos ilustrativos
Um homem do Neolítico que organiza pedras com intenção estética pode ter criado
arte, mesmo sem conhecer a tradição institucional.

Uma dona de casa rural que cria uma peça visualmente interessante para mostrar
na feira pode também estar produzindo arte.

Painéis de São Vicente: se tivessem sido encarados como tapumes, isso seria uma
interpretação errada. A forma correta de os encarar — como retrato histórico — é a
que importa.
Condições adicionais
Para que a intenção seja válida, devem ser satisfeitos dois critérios:

Intenção séria: não pode ser uma brincadeira, ilustração ou ação efêmera.

Exemplo: um professor que pede que a caneta seja encarada como arte, só para
ilustrar a teoria, não cria arte.

Direito de propriedade: o criador precisa ter controle legítimo sobre o objeto.

Exemplo: Duchamp não conseguiu transformar o Edifício Woolworth em ready-made


porque não tinha posse legal sobre ele.

Vantagens da teoria
Permite a existência de arte solitária e primitiva.

Evita a circularidade institucional.

Explica por que na arte “vale tudo, mas nem tudo resulta”:

Vale tudo: não há limite fixo para o que pode ser pretendido como arte.

Nem tudo resulta: a intenção precisa ter precedente histórico válido.


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Críticas à teoria histórica da arte

Não explica por que razão a primeira obra de arte é considerada


arte
Crítica: A teoria exige ligação com obras anteriores — mas a primeira obra de arte
não tinha antecedentes.

Consequência: A teoria não consegue explicar como essa obra foi arte, o que
compromete a definição.

Resumo: Sem arte anterior, não há arte atual — e isso é um problema lógico e
histórico.

É demasiado inclusiva
a) Não prevê o esgotamento de formas históricas de encarar arte
Exemplo: Retratos do passado buscavam realismo. Hoje, fotografias tipo-passe ou
retratos-robô compartilham essa intenção.

Problema: Pela teoria, isso bastaria para torná-los arte, o que é contraintuitivo.

Conclusão: A teoria não filtra bem o que deve ou não ser arte.

b) Inclui falsificações como se fossem obras de arte genuínas

Exemplo: Um falsificador pode ter a intenção séria de replicar a experiência do


original.

Problema: A teoria validaria essa cópia como arte, mesmo sendo uma fraude.

Conclusão: A teoria falha ao distinguir autenticidade artística de imitação


fraudulenta.

É demasiado restrita
a) Exclui obras feitas sem direitos legais sobre o suporte ou local

Exemplo: Graffitis feitos em espaços públicos ou privados sem autorização.

Problema: Pela teoria, a falta de propriedade ou permissão invalida a obra como


arte.

Contraexemplo: Se Picasso pintasse a Guernica num muro ilegalmente, ela deixaria


de ser arte?

Conclusão: A teoria restringe artificialmente o conceito de arte, desconsiderando o


valor artístico independente da legalidade ou posse.

Representação imitativa (tenta copiar a aparência da coisa real):


Exemplo 1: Quadro realista
Um retrato pintado de uma pessoa, como os de Leonardo da Vinci.
Representa a pessoa imitando sua aparência.

Exemplo 2: Escultura de mármore de um corpo humano


Como as esculturas gregas ou de Michelangelo.
Representa o corpo copiando formas reais.

Exemplo 3: Filme que simula um acontecimento real


Representa eventos reais imitando como eles aconteceram.

Representação não imitativa (representa sem copiar a aparência):


sinal de trânsito vermelho Representa a ideia de “parar”, mas não imita um carro parando.

Amuleto contra mau-olhado Representa proteção, mas não tem forma de proteção ou escudo.

Pintura abstrata com cores que expressam tristeza Pode representar uma emoção (como tristeza), sem imitar
nenhum rosto ou cena triste.

Ícone de lixeira no computador Representa a função de “apagar arquivos”, mas não é uma lixeira real.

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