ANÁLISE COMPARATIVA DE DUAS TEORIAS EXPLICATIVAS DO
CONHECIMENTO
APRENDIZAGENS ESSENCIAIS:
Clarificar os conceitos nucleares, as teses e os argumentos das teorias
racionalista (Descartes) e empirista (Hume) enquanto respostas aos
problemas da possibilidade e da origem o conhecimento.
Discutir criticamente estas posições e respetivos argumentos.
Mobilizar os conhecimentos adquiridos para analisar criticamente ou propor
soluções para problemas relativos ao conhecimento que possam surgir a
partir da realidade ou das áreas disciplinares em estudo, cruzando a
perspetiva gnosiológica com a fundamentação do conhecimento em outras
áreas do saber.
Hume, a resposta empirista.
Exames1
1. Apresente uma proposição que, de acordo com Hume, não possa ser refutada por
meio da experiência. Justifique.
Na sua resposta, indique se a proposição apresentada é uma relação de ideias ou
uma questão de facto.
2. Leia o texto seguinte.
O senhor Hume tem defendido que só temos esta noção de causa: algo que é anterior
ao efeito e que, de acordo com a experiência, foi seguido constantemente pelo efeito.
[...]
Seguir-se-ia desta definição de causa que a noite é a causa do dia e o dia a causa da
noite. Pois, desde o começo do mundo, não houve coisas que se tenham sucedido
mais constantemente. [...]
1
2024 - 1ª fase, 9. 2024 - 2ª fase, 8. 2024 – Época Especial, 16. 2022 - 1ª fase, 4. 2022 - 2ª
fase, 10. 2021 - 2ª fase, 9. 2021 - Época Especial, 14.2. 2020 - 2ª fase, Grupo I, 5, 6. 2019 - 2ª
fase, Grupo I, 10, Grupo IV, 2. 2018 - 1ª fase, Grupo I, 8. 2018 - 2ª fase, Grupo IV, 1. 2018 -
Época Especial, Grupo III, 2. 2017 – 2ª fase, Grupo IV. 2017 - Época Especial, Grupo III, 2.
2016 - 1ª fase, Grupo I, 8. 2016 - 2ª fase, Grupo IV, 2. 2016 - Época Especial, Grupo I, 10.
2014 - 1ª fase, Grupo IV, 1.1. 2014 - 2ª fase, Grupo I, 9. 2014 - Época Especial, Grupo I, 10.
2013 - 1ª fase, Grupo IV, 1. 2013 - 2ª fase, Grupo I, 7. 2013 - Teste Intermédio, Grupo I, 8.
2012 - 1ª fase, Grupo IV, 1.1., 1.2. 2012 - Teste Intermédio, Grupo III, 2.1.
2007 - 1ª fase, Grupo I, 10. 2006 - 2ª fase, Grupo III, 2.
Seguir-se-ia [também] desta definição que tudo o que seja singular na sua natureza,
ou que seja a primeira coisa do seu género, não pode ter uma causa.
T. Reid, Essays on the Active Powers of Man, Edinburgh University Press, 2010, pp. 249-250
2.1. Neste texto, apresenta-se e critica-se a noção de causa considerada por Hume.
Explique as falhas apontadas no texto a essa noção de causa.
2.2. De acordo com Hume, a observação de conjunções constantes de
acontecimentos não justifica racionalmente a crença de que há relações causais na
natureza. Porquê?
3. De acordo com Hume, é possível ter conhecimento a priori de questões de facto?
Justifique.
4. Hume considera que
(A) as impressões são cópias das ideias.
(B) as ideias são cópias das impressões.
(C) não há distinção entre impressões e ideias.
(D) não há relação entre impressões e ideias.
5. Leia o texto.
Quando pensamos numa montanha de ouro, estamos apenas a juntar duas ideias
consistentes, a de ouro e a de montanha, as quais já conhecíamos anteriormente.
Podemos conceber um cavalo virtuoso porque, a partir dos nossos próprios
sentimentos, podemos conceber a virtude, e podemos uni-la à forma e à figura de um
cavalo, animal que nos é familiar. […]
A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondoso,
deriva da reflexão sobre as operações da nossa própria mente e de aumentar sem
limites aquelas qualidades de bondade e sabedoria.
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, IN-CM, 2002, p. 35 (adaptado)
Hume dá uma explicação empirista da origem de todas as ideias.
Partindo do texto, justifique a afirmação anterior.
6. De acordo com Hume, as ideias acerca da natureza só estão adequadamente
justificadas quando se apoiam
(A) no princípio da uniformidade da natureza.
(B) na razão.
(C) na experiência.
(D) em argumentos indutivos fortes.
7. Leia o texto.
Todos os objetos da razão ou da investigação humanas podem ser naturalmente
divididos em dois tipos, a saber, as relações de ideias e as questões de facto. [...] O
contrário de toda e qualquer questão de facto continua a ser possível, porque não
pode jamais implicar contradição, e a mente concebe-o com a mesma facilidade e
nitidez, como se fosse perfeitamente conforme à realidade. Que o Sol não vai nascer
amanhã não é uma proposição menos inteligível nem implica maior contradição do
que a afirmação de que ele vai nascer.
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, IN-CM, 2002, pp. 41-42 (adaptado)
7.1. Distinga as questões de facto das relações de ideias.
7.2. Tendo em conta que «o Sol não vai nascer amanhã não é uma proposição menos
inteligível nem implica maior contradição do que a afirmação de que ele vai nascer»,
como explica Hume que estejamos convencidos de que o Sol vai nascer amanhã?
8. Leia o texto seguinte.
Em suma, todos os materiais do pensamento são derivados do nosso sentimento
externo e interno. Apenas a mistura e a composição destes materiais competem à
mente e à vontade. Ou, para me expressar em linguagem filosófica, todas as nossas
ideias ou perceções mais fracas são cópias das nossas impressões, ou perceções
mais vívidas.
[...] Se acontecer, devido a algum defeito orgânico, que uma pessoa seja incapaz de
experimentar alguma espécie de sensação, verificamos sempre que ela é igualmente
incapaz de conceber as ideias correspondentes. Um cego não pode ter a noção das
cores, nem um surdo dos sons. Restitua-se a qualquer um deles aquele sentido em
que é deficiente e, ao abrir-se essa nova entrada para as suas sensações, abrir-se-á
também uma entrada para as ideias, e ele deixará de ter qualquer dificuldade em
conceber esses objetos.
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda,
2002, pp. 35-36 (adaptado)
Explicite as razões usadas no texto para defender que a origem de todas as nossas
ideias reside nas impressões dos sentidos.
9. Hume defendeu que todas as nossas ideias têm origem em
(A) impressões.
(B) pensamentos.
(C) sentimentos.
(D) hábitos.
10. Considere as afirmações seguintes.
1. Todo o conhecimento acerca de questões de facto é adquirido por meio da
experiência.
2. Há conhecimento acerca de questões de facto adquirido apenas por meio do
pensamento.
3. Todo o conhecimento acerca de relações de ideias é adquirido apenas por meio
do pensamento.
De acordo com Hume, as afirmações
(A) 1 e 3 são falsas e 2 é verdadeira.
(B) 1, 2 e 3 são verdadeiras.
(C) 1 e 3 são verdadeiras e 2 é falsa.
(D) 1, 2 e 3 são falsas.
11. Hume considera que
(A) as impressões são cópias das ideias.
(B) as ideias são cópias das impressões.
(C) não há distinção entre impressões e ideias.
(D) não há relação entre impressões e ideias.
12. Todos os empiristas afirmam que
(A) existem ideias inatas.
(B) o conhecimento verdadeiro deriva da razão.
(C) a metafísica é uma ciência.
(D) não existem ideias anteriores à experiência.
13. Leia o texto seguinte.
[…] Quando analisamos os nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos ou
sublimes que possam ser, sempre constatamos que eles se decompõem em ideias
simples copiadas de alguma sensação ou sentimento precedente. Mesmo quanto
àquelas ideias que, à primeira vista, parecem mais distantes dessa origem, constata-
se, após um exame mais apurado, que dela são derivadas.
A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondoso,
deriva da reflexão sobre as operações da nossa própria mente e de aumentar sem
limites aquelas qualidades de bondade e de sabedoria.
David Hume, «Investigação sobre o Entendimento Humano», in Tratados Filosóficos I, Lisboa, Imprensa
Nacional-Casa da Moeda, 2002
13.1. Nomeie os tipos de perceção da mente, segundo Hume.
13.2. Explicite, a partir do texto, a origem da ideia de Deus na filosofia de Hume.
14. Leia o texto seguinte.
Quando lanço um pedaço de madeira seca numa lareira, o meu espírito é
imediatamente levado a conceber que ele vai aumentar as chamas, não que as vai
extinguir. Esta transição de pensamento da causa para o efeito não procede da razão
[…]. E como parte inicialmente de um objeto presente aos sentidos, ela torna a ideia
ou conceção da chama mais forte e viva do que o faria qualquer devaneio solto e
flutuante da imaginação.
David Hume, «Investigação sobre o Entendimento Humano», in Tratados Filosóficos I, Lisboa, Imprensa
Nacional-Casa da Moeda, 2002
Explicite, a partir do exemplo do texto, em que se baseia a ideia da relação de causa e
efeito, segundo Hume.
15. Leia o texto seguinte.
Todas as ideias são copiadas de impressões ou de sentimentos precedentes e, onde
não pudermos encontrar impressão alguma, podemos ter a certeza de que não há
qualquer ideia.
Em todos os exemplos singulares das operações de corpos ou mentes, não há nada
que produza qualquer impressão e, consequentemente, nada que possa sugerir
qualquer ideia de poder ou conexão necessária. Mas quando aparecem muitos casos
uniformes, e o mesmo objeto é sempre seguido pelo mesmo evento, começamos a ter
a noção de causa e de conexão.
David Hume, Tratados Filosóficos I, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Imprensa
Nacional – Casa da Moeda, 2002 (texto adaptado)
A partir do texto, exponha a tese empirista de Hume sobre a origem da ideia de
conexão causal.
Na sua resposta, integre, de forma pertinente, informação do texto.
16. Considere os seguintes enunciados relativos à posição de David Hume sobre a
indução.
1. As nossas crenças acerca do mundo dependem, em grande parte, da indução.
2. A crença no valor da indução é justificada pela razão.
3. As inferências indutivas decorrem do hábito ou costume.
4. A indução é o método que permite descobrir a verdade.
Deve afirmar-se que
(A) 1 e 3 são corretos; 2 e 4 são incorretos.
(B) 2 e 3 são corretos; 1 e 4 são incorretos.
(C) 2 é correto; 1, 3 e 4 são incorretos.
(D) 1, 2 e 3 são corretos; 4 é incorreto.
17. O problema da indução consiste em procurar saber...
(A) se a indução é racionalmente justificada.
(B) em que se baseia a ciência.
(C) se a indução é um processo de raciocínio.
(D) o que é a indução.
18. Qual é a posição de David Hume acerca da possibilidade do conhecimento?
Justifique a sua resposta.
19. Hume distinguiu as questões de facto das relações de ideias. De acordo com esta
distinção,
(A) as questões de facto apenas podem ser decididas pela experiência.
(B) as verdades matemáticas são questões de facto.
(C) todos os raciocínios sobre causas e efeitos exprimem relações de ideias.
(D) negar uma questão de facto resulta numa contradição.
20. Leia o texto seguinte.
Da primeira vez que um homem viu a comunicação de movimento por impulso, ou pelo
choque de duas bolas de bilhar, ele não poderia afirmar que um evento estava
conectado, mas apenas que estava conjugado com o outro. Depois de ter observado
vários casos desta natureza, passa a declarar que eles estão conectados.
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, IN–CM, 2002, p. 89.
Como é que Hume explica que tenhamos a ideia de conexão necessária entre
acontecimentos?
Na sua resposta, integre adequadamente a informação do texto.
21. Considere a questão seguinte, levantada por Hume.
Se se dissesse que experimentámos que o mesmo poder continua unido ao mesmo
objeto e que objetos idênticos são dotados de idênticos poderes, renovaria a minha
pergunta: por que razão, a partir desta experiência, tiramos uma conclusão que
ultrapassa os casos passados de que tivemos experiência?
D. Hume, Tratado da Natureza Humana, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2012, p.127.
Identifique o problema filosófico que é formulado.
22. De acordo com a perspetiva de Hume,
(A) há crenças verdadeiras justificadas apenas pelo pensamento.
(B) nenhuma crença pode ser justificada apenas pelo pensamento.
(C) as crenças justificadas pela experiência são todas verdadeiras.
(D) todas as crenças falsas são justificadas por impressões.
23. De acordo com Hume, a suposição de que a natureza é uniforme está
implicitamente contida nas inferências indutivas. Porquê?
24. Considere as afirmações seguintes.
1. Num triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos
quadrados dos catetos.
2. Pitágoras estudou as propriedades do triângulo retângulo.
De acordo com Hume,
(A) 1 exprime uma relação de ideias; 2 exprime uma questão de facto.
(B) 1 exprime uma questão de facto; 2 exprime uma relação de ideias.
(C) 1 e 2 exprimem questões de facto.
(D) 1 e 2 exprimem relações de ideias.
25. De acordo com Hume, as nossas expectativas acerca de regularidades futuras
devem-se
(A) ao intelecto ou razão.
(B) ao hábito ou costume.
(C) à uniformidade da natureza.
(D) à ideia inata de causalidade.
26. De acordo com Hume, a sensação de frescura ao comer um gelado é uma
(A) ideia simples.
(B) relação de ideias.
(C) impressão.
(D) ilusão.
27. Considere a proposição «os três ângulos de um triângulo são iguais a dois ângulos
retos».
Hume diria que esta proposição diz respeito a uma relação de ideias ou antes a uma
questão de facto? Justifique.
28. No texto seguinte de Hume, foi deixado um espaço em branco.
Os animais […] familiarizam-se com as propriedades mais óbvias dos objetos externos
e, gradualmente, a partir do seu nascimento, acumulam conhecimento acerca da
natureza do fogo, da água, da terra, das pedras, das alturas e profundidades, etc., e
dos efeitos que resultam da sua operação. […] Um velho galgo deixará aos mais
jovens a parte mais fatigante da caçada e colocar-se-á de maneira a enfrentar a lebre
nas suas voltas rápidas; as conjeturas que ele faz nesta ocasião não se fundam senão
____ .
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Edições 70, 1985, p. 102. (Texto
adaptado)
Selecione a opção que, tendo em consideração a teoria do conhecimento de Hume,
permite completar adequadamente o texto.
(A) no seu conhecimento das causas
(B) na sua observação e experiência
(C) nas questões de facto e nas relações de ideias
(D) no princípio da uniformidade da natureza
29. Selecione a opção que permite completar corretamente a frase seguinte.
Ao classificar os objetos da investigação humana, Hume distingue as proposições que
dizem respeito a __________ das proposições que dizem respeito a __________.
(A) questões de facto ... relações de ideias
(B) impressões ... ideias
(C) perceções ... conteúdos da mente
(D) conjunções constantes ... conexões necessárias
30. Leia o texto seguinte.
Todos os acontecimentos parecem inteiramente soltos e separados. Um evento
segue-se a outro, mas nunca nos é dado observar qualquer laço entre eles. Eles
parecem conjugados, mas nunca conectados.
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Imprensa Nacional–Casa da
Moeda, 2002, p. 87.
No texto anterior, Hume parte de uma posição empirista para apoiar uma perspetiva
sobre
(A) a causalidade.
(B) a indução.
(C) as relações de ideias.
(D) as perceções.
31. Leia o texto seguinte.
Há um absurdo evidente em pretender demonstrar uma questão de facto, ou em
prová-la por qualquer argumento a priori. Nada é demonstrável a não ser que o
contrário implique uma contradição. […]
Pretende-se que a Divindade é um ser necessariamente existente e espera-se que
esta necessidade da sua existência seja explicada declarando que, se se conhecesse
toda a sua essência e natureza, compreenderíamos ser impossível ela não existir, tal
como é impossível dois vezes dois não serem quatro. […] A mente [não] poderia
alguma vez permanecer sob a necessidade de supor qualquer objeto sempre
continuamente existente, do mesmo modo que permanecemos sob a necessidade de
conceber sempre dois vezes dois serem quatro.
D. Hume, Diálogos sobre a Religião Natural, in Obras sobre Religião, Lisboa,
Fundação Calouste Gulbenkian, 2005, pp. 89-90. (Texto adaptado)
No texto, defende-se que a existência de Deus é uma questão de facto
(A) necessária.
(B) cuja negação implica contradição.
(C) indemonstrável.
(D) cuja certeza se obtém a posteriori.
32. Leia o texto seguinte.
A fim de plenamente nos familiarizarmos com a ideia de poder ou conexão necessária,
examinemos a sua impressão; e, de modo a encontrar a impressão com maior
certeza, procuremo-la em todas as fontes de onde possivelmente se pode derivar.
Ao olharmos, à nossa volta, para os objetos externos e ao considerarmos a operação
das causas, nunca conseguimos, num único caso, descobrir qualquer poder ou
conexão necessária nem qualquer qualidade que liga o efeito à causa e transforma um
em consequência infalível da outra. Descobrimos apenas que um, de facto, se segue
realmente à outra. […] Eis tudo o que aparece aos sentidos externos. […] Não existe,
em qualquer caso singular e particular de causa e efeito, coisa alguma que possa
sugerir a ideia de poder ou conexão necessária.
[…] Pela experiência, aprendemos apenas a frequente conjunção dos objetos, sem
alguma vez conseguirmos compreender algo como a conexão entre eles.
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Edições 70, 1985, pp. 65, 71.
Que razões tem Hume para defender que a ideia de conexão necessária não é
derivada de impressões externas?
Na sua resposta, integre adequadamente a informação do texto.
Critérios de correção:
1. Apresentação de uma proposição:
– O triângulo tem três lados.
Justificação da resposta apresentada:
– a proposição apresentada é uma relação de ideias;
– uma relação de ideias (é uma verdade necessária que) resulta da mera análise das
ideias envolvidas (é a priori), e é verdadeira ou falsa dependendo apenas dessas
ideias, e não dos factos (do mundo);
– assim, a proposição «o triângulo tem três lados» é verdadeira apenas em virtude das
ideias envolvidas, quer existam triângulos no mundo quer não; logo, como a verdade
de uma relação de ideias não depende de factos, aos quais teríamos acesso por meio
da experiência, a proposição não pode ser refutada pela experiência.
2.1. Explicação das falhas apontadas no texto à noção de causa considerada por
Hume:
– no texto defende-se que a noção de causa de Hume é a de algo ser seguido
constantemente pelo efeito (em que tomamos como causa o primeiro acontecimento e
como efeito o acontecimento que lhe sucede);
– ora, é falso que essa noção de causa seja aquela que de facto temos:
- há acontecimentos que se sucedem constantemente (que constantemente são
seguidos um do outro), mas que ninguém considera serem a causa ou o efeito um do
outro; por exemplo, o dia e a noite sucedem-se constantemente, mas ninguém pensa
que são causa ou efeito um do outro;
- há acontecimentos singulares, que geralmente aceitamos serem causados,
relativamente aos quais não temos experiência de qualquer conjunção constante; é o
caso, por exemplo, do acontecimento em que o mundo começou a existir, que ocorreu
uma única vez, mas que, ainda assim, julgamos ser causado.
2.2. Explicação de que a observação de conjunções constantes não justifica
racionalmente a crença de que há relações causais na natureza:
– para haver relações causais na natureza, teria de haver conexão necessária entre os
acontecimentos;
– a observação de conjunções constantes de acontecimentos não mostra que um
acontecimento tenha de acontecer caso outro também aconteça (a observação / a
experiência não mostra que existem conexões necessárias entre os acontecimentos);
– a ideia de conexão necessária é apenas um hábito, que consiste numa mera
disposição mental, não estando racionalmente justificada.
3. Não, de acordo com Hume, não é possível ter conhecimento a priori de questões de
facto.
Justificação da resposta:
– ter conhecimento a priori de questões de facto seria ter conhecimento de factos,
recorrendo apenas ao pensamento;
– Hume afirma que, se recorrermos apenas ao pensamento, conseguiremos
apreender relações de ideias, mas não factos;
– assim, recorrendo apenas ao pensamento, podemos saber, por exemplo, que um
corpo completamente preto não pode ser completamente vermelho, pois estaremos
simplesmente a relacionar as ideias de corpo preto e de corpo vermelho, mas o facto
de os corvos serem pretos só pode ser conhecido por meio da experiência de observar
corvos.
4. B
5. Justificação, a partir do texto, da afirmação segundo a qual Hume dá uma
explicação empirista da origem de todas as ideias:
− Hume defende a perspetiva empirista segundo a qual todos os materiais do
pensamento são fornecidos pela experiência (seja a experiência externa, seja a
interna);
− as ideias, mesmo as mais fantasiosas ou distantes da experiência, são produzidas
pelo pensamento a partir de materiais fornecidos pela experiência (externa ou interna);
− por exemplo, a ideia de Deus – de «um Ser infinitamente inteligente, sábio e
bondoso» – deriva das impressões internas das «operações da nossa própria mente»,
nomeadamente, da ampliação das nossas «qualidades de bondade e sabedoria».
6. C
7.1. Distinção entre as questões de facto e as relações de ideias:
– as verdades acerca das relações de ideias são verdades intuitiva ou
demonstrativamente certas (OU que podem ser descobertas pela razão); (em
contrapartida,) as questões de facto apenas podem ser decididas recorrendo à
experiência;
– o contrário de uma verdade acerca de relações de ideias implica uma contradição e,
portanto, é logicamente impossível; (ao invés,) o contrário de uma verdade acerca de
questões de facto não implica uma contradição e, portanto, é logicamente possível.
7.2. Apresentação da explicação de Hume:
– a propensão da mente para acreditar que o Sol nascerá amanhã é um efeito do
«hábito» ou do «costume»;
– essa propensão é formada a partir da experiência da conjunção constante de dois
objetos (ou acontecimentos) distintos: o fim do período noturno e o nascimento do Sol;
– o «hábito» inevitavelmente leva a que, na presença de um objeto (ou
acontecimento), esperemos que o outro ocorra.
8. Explicitação das razões usadas no texto:
– se as ideias não derivassem das impressões dos sentidos, os cegos e os surdos
seriam capazes de formar ideias das cores e dos sons, respetivamente;
– os cegos e os surdos são incapazes de formar ideias das cores e dos sons,
respetivamente.
OU
– se as ideias não derivassem das impressões dos sentidos, as pessoas com uma
incapacidade que as priva de um certo tipo de sensações poderiam, ainda assim, ter
as ideias correspondentes;
– as pessoas com uma incapacidade que as priva de um certo tipo de sensações não
podem ter as ideias correspondentes.
9. A
10. C
11. B
12. D
13.1. Os dois tipos de perceções da mente, segundo Hume, são as impressões e as
ideias.
13.2. – relação entre as impressões e as ideias e entre as ideias simples e as ideias
complexas;
– identificação da ideia de Deus como ideia complexa que tem por base ideias simples
que a mente e a vontade compõem e potenciam.
14. Afirmação de que a relação de causalidade em Hume se baseia unicamente na
expectativa e no hábito ou costume, como inferência a partir da experiência;
– Caracterização da relação de causa e efeito segundo Hume como ligação entre
fenómenos que se sucedem temporalmente, de forma regular e constante, e não como
conexão necessária;
– Aplicação da ideia de relação causa e efeito ao exemplo, explicando que a relação
entre a madeira seca (considerada causa) e o atear das chamas na lareira
(considerado efeito) não pode ser logicamente deduzida (não é necessária), mas
procede unicamente da experiência anterior repetida, que gera a expectativa.
15. – Apresentação da perspetiva empirista de David Hume: o conhecimento do
mundo está limitado àquilo de que temos experiência.
– Esclarecimento da ideia de conexão causal: perante dois acontecimentos
sucessivos, o primeiro dá origem ao segundo, ou o segundo ocorre porque o primeiro
existiu anteriormente.
– Apresentação das razões pelas quais a ideia de conexão causal não pode ser
adequadamente justificada pela experiência: a experiência apenas pode revelar a
sucessão e a conjunção constante de acontecimentos, mas não nos dá a ideia de
conexão necessária entre acontecimentos.
– Explicitação do fundamento da ideia de conexão causal: é o peso do hábito que nos
leva a crer que dois acontecimentos que se sucedem ou que acontecem
conjuntamente têm uma relação causal entre si.
16. A
17. A
18 - David Hume defende uma forma de ceticismo moderado.
- Por um lado, argumenta que a vivacidade das impressões sensíveis (as quais são
anteriores ao uso da Razão) nos impede de rejeitar a nossa crença natural no mundo
exterior, demarcando-se de um tipo de ceticismo extremo.
- Por outro lado, argumenta que a análise racional das nossas crenças mostra que
muitas delas são injustificadas (por exemplo, a crença de que as impressões dos
sentidos são causadas por objetos exteriores não está justificada, pois a nossa mente
não tem maneira de conseguir qualquer experiência da conexão das perceções com
os objetos), pelo que o nosso conhecimento é muito mais limitado do que
habitualmente supomos.
- Assim, Hume é cético quanto à possibilidade de encontrarmos um fundamento para o
conhecimento que esteja ao abrigo de toda a dúvida, mas o seu ceticismo não é
universal.
19. A
20. Explicação de Hume para o facto de termos a ideia de conexão necessária entre
acontecimentos:
– a observação (pela «primeira vez») não mostra que há uma conexão necessária
entre o choque (de uma bola com a outra) e o movimento (adquirido pela bola que se
encontrava imóvel), mas apenas que esses dois acontecimentos se seguiram um ao
outro / ocorreram conjugados;
– a observação repetida da sucessão/conjunção/conjugação desses dois
acontecimentos (ainda que não mostre que há uma conexão necessária entre esses
dois acontecimentos) leva-nos a «declarar que eles estão conectados», porque,
irresistivelmente, associamos a ideia de colisão (de bolas) à ideia de início do
movimento (da bola imóvel);
– esta transição (costumeira/habitual) de uma ideia para a outra leva-nos a formar a
ideia de que os dois acontecimentos estão conectados / de que há uma conexão
necessária entre os dois acontecimentos OU é no hábito que reside a explicação para
o facto de termos a ideia de conexão necessária entre acontecimentos que,
repetidamente, se seguiram um ao outro / ocorreram conjugados.
21. Identificação do problema formulado:
‒ problema da indução OU problema da justificação da indução OU problema de
haver ou não bons argumentos que justifiquem a indução.
22. A
23. Justificação de que a suposição de que a natureza é uniforme está implicitamente
contida nas inferências indutivas:
‒ quando fazemos inferências indutivas, chegamos a conclusões acerca de factos não
observados a partir de premissas que descrevem factos observados;
‒ a nossa confiança nas conclusões obtidas indutivamente pressupõe que a natureza
funciona do mesmo modo tanto nos casos observados como nos casos ainda não
observados (e isso significa que as inferências indutivas assentam na suposição de
que a natureza é uniforme).
24. A
25. B
26. C
27. Classificação da proposição, de acordo com Hume:
− relação de ideias.
Justificação:
− a negação da proposição implica contradição;
− a verdade da proposição pode ser descoberta apenas pelo pensamento.
28. B
29. A
30. A
31. C
32. Apresentação das razões pelas quais Hume defende que a ideia de conexão
necessária não é derivada de impressões externas:
– não temos impressões de um «poder ou conexão necessária» entre acontecimentos
(isto é, de um poder ou conexão que os ligue causalmente);
– apenas temos impressões de sequências ou conjunções de acontecimentos, pois
apenas isso «aparece aos sentidos externos»;
– mas de uma única sequência ou conjunção nada inferimos (ou seja, uma única
sequência ou conjunção de quaisquer dois acontecimentos não tem significado);
– apenas a repetição da conjunção nos leva, na presença de um, a esperar o outro (ou
seja, nos leva a associá-los);
– contudo, embora nos leve a associá-los, a experiência repetida de uma conjunção
continua a não apresentar aos sentidos algo que constitua uma conexão necessária.