DIREITO DO
TRABALHO E
LEGISLAÇÃO
SOCIAL
Ione de Faria Belo
BELO, Ione de Faria.
Direito do Trabalho e Legislaião Social. 1ª ed. – Cursos de graduaião. 197 p.
Bibliografia
1. Direito 2. Direito do Trabalho 3. Título.
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Direito do Trabalho e Legislaião
MÓDULO 02
Empregador mantendo a personalidade jurídica
própria de cada uma, estiverem sob
Conceito a direção, controle ou
administração de outra,
Traz o artigo 2º da CLT que: constituindo grupo industrial,
“Considera-se empregador a comercial ou de qualquer outra
empresa individual ou coletiva, que atividade econômica, serão, para os
assumindo os riscos da atividade efeitos da relação de emprego,
econômica, admite, assalaria e solidariamente responsáveis a
dirige a prestação de serviços”. empresa principal e cada uma das
Já o parágrafo primeiro do referido subordinadas.
artigo equipara a empregador “os
profissionais liberais, instituições de Empresa
beneficência, associações
recreativas ou outras associações Empresa pode ser considerada uma
sem fins lucrativos, que admitirem unidade econômica, integrada por
trabalhadores como empregados”. elementos humanos, materiais e
Já o parágrafo segundo dispõe que técnicos. E, tem por objetivo obter
“Sempre que uma ou mais utilidade através da sua
empresas, tendo, embora, cada participação no mercado, na
uma delas, personalidade jurídica produção ou distribuição de bens
própria, estiverem sob a direção, ou serviços. Nessa concepção é a
controle ou administração de outra, combinação dos fatores produtivos:
ou ainda quando, mesmo trabalho, terra e capital.
guardando cada uma sua
autonomia, integrem grupo
Tem-se que a empresa nasce
econômico, serão responsáveis
quando se inicia a atividade sob a
solidariamente pelas obrigações
orientação do empresário.
decorrentes da relação de emprego.
Inferindo ser empresa a
Verifica-se que o parágrafo segundo
organização dos fatores de
do artigo supracitado que sempre
produção desempenhada pelo
que uma ou mais empresas,
empresário.
2 UNIDADE
Fique atento!
No dia a dia trata-se de “Empregador” o patrão, o empresário, ou seja, aquele que tem sobre seu comando empregado (trabal
UNIDADE 2
Direito do Trabalho e Legislaião
Não pense que a conceituação de Distinião entre empresa e
empresa é tarefa fácil, ainda hoje estabelecimento
não há consenso entre os
doutrinadores. Mas, ajuda a Cabe destacar que empresa não se
entender o conceito de empregador confunde com estabelecimento. O
na definição legal contida no artigo
segundo da CLT.
Empresa segundo o artigo 2º
da CLT
Obviamente empregador não é
empresa. Também, é difícil
imaginar a figura do
“empregador” sem visualizar a
figura do empregado, sem a
existência de um contrato
bilateral. Existindo a figura do
empregado no vínculo laboral
pactuado com um tomador de
serviços surge aí a figura do
empregador.
Infere-se que o objetivo primordial
do artigo em usar “Empresa” no
lugar de “Empresário” foi o de que
o Contrato de Trabalho é formado
com o empregador e não com o
proprietário da empresa. Assim, ao
destacar a empresa como
empregador a lei indica que não
importa que amanhã ou depois a
empresa vá ser vendida etc. A
mudança da titularidade da
empresa não terá relevância na
continuidade dos contratos, o que
conta é a situação prática da
prestação do trabalho e não o
titular da empresa.
2 UNIDADE
estabelecimento é o lugar onde o associações, entidades
empresário exerce suas atividades. beneficentes etc. Também, são
Ou seja, é o local onde a empresa equiparadas a empregador as
exerce suas atividades. Segundo
Martins (2009) estabelecimento
inclui as coisas corpóreas ou
incorpóreas tais como: instalações,
máquinas, equipamentos, marca,
patentes etc. em um determinado
lugar da empresa. Ainda, segundo
o mesmo autor existe regras
tuteladas pelo direito do trabalho
que levam em consideração o
estabelecimento, tais como:
medicina e segurança do trabalho.
Equiparados ao empregador:
parágrafo primeiro do artigo
2º da CLT
Na esteira do parágrafo primeiro
do artigo 2º da Consolidação das
Leis do Trabalho verifica-se que
empregador também é aquele
que exerce atividade organizada
ou não com fins lucrativos ou não.
Osqueexploramasatividadeseconô
micas civis, que exercem a profissão
intelectual, de natureza científica,
literária ou artística ao contratar
empregados para auxiliá-los em
seus trabalhos são equiparados a
empregador, tais como: os
profissionais liberais - advogado,
médico, contador, dentista etc.-; os
escritores; e, artistas em geral -,
músicos, atores, escultores etc.-.
As sociedades organizadas que não
tem fins lucrativos, tais como:
UNIDADE 2
Direito do Trabalho e Legislaião
sociedades de fato, sociedade pelas normas do Código de Processo
irregular, condomínios de Civil. Trata-se de uma prática há muito
apartamentos, empresa individual, tempo verificada na justiça trabalhista
micro empresa etc. e que então conta
Além dos citados também são
empregadores: a União, os
Estados, os Municípios, as
autarquias, empresa pública, as
fundações, a sociedade de
economia mista e de suas
subsidiárias que explorem atividade
econômica de produção ou
comercialização de bens ou de
prestação de serviços (art. 173, §
1º, CF/88), a massa falida, o espólio
etc.
Desconsideraião da
personalidade
jurídica
O artigo 50 do Código Civil prevê
que quando existe abuso por parte
da pessoa jurídica ou pela confusão
patrimonial e, sendo requerido pela
parte ou Ministério Público pode o
juiz decidir que as obri- gações
sejam estendidas aos bens parti-
culares dos administradores ou
sócios da pessoa jurídica.
É importante ressaltar que, com o
advento da Lei 13.467/17,
conhecida como Reforma
Trabalhista, o incidente de
desconsideração da personalidade
jurí- dica passou a ser formalmente
previsto para aplicação no direito
do trabalho, sendo regulamentado
2 UNIDADE
com previsão legal expressa no O risco do empreendimento cabe
âmbito do direito do trabalho. exclusivamente ao
empregador em contraponto aos
Valendo esclarecer a interesses dos trabalhadores em
diferenciação dos termos razão do contrato pactuado. O
“Despersonalização da pessoa contrato de trabalho é
jurí- dica” que se trata da personalíssimo e relação ao
extinção da pessoa jurídica, empregado,
portanto, deixa de ter persona-
lidade jurídica para prática de
qualquer ato civil e,
“Desconsideração da pessoa
jurídica” que se refere apenas
quando se tratar de
responsabilidade patrimonial
dos sócios, haja vista que
nestes casos a sociedade
continua a existir, tão somente é
deixada de lado em razão do
abuso da personalidade jurídica,
exemplificando quando ocorre a
“fraude”; ou confusão
patrimonial como no caso da
Empresa Individual em que os
bens da empresa se confundem
com os do sócio.
Risco atividade
Uma das características do
empregador é o risco do
negócio. Isto significa que tanto
faz obter lucro ou prejuízo. Os
riscos do empreendimento não
permite ao empregador
distribuir os prejuízos ou
perdas aos seus empregados.
Cabe ao empregador, em razão
do poder de comando.
UNIDADE 2
Direito do Trabalho e Legislaião
mas, no que se refere ao vem a ser sucessão. Segundo
empregador o requisito da Martins (2009) sucessão é a
pessoalidade não é exigido. Isto modificação do sujeito em uma
significa que o empregador pode determinada relação jurídica. Verifica
ser substituído, mas, o empregado que neste caso permanece a
não. mesma
Alteraiões na empresa
Prevê o artigo 10, da
Consolidação das Leis do Trabalho
que: “Qualquer alteração na
estrutura jurídica da empresa não
afetará os direitos adquiridos por
seus empregados”. Já o artigo 448
do mesmo diploma celetizado
dispõe que: “A mudança na
propriedade ou na estrutura jurídica
da empresa não afetará os contratos
de trabalho dos respectivos
empregados”. Verifica-se que o
artigo 10 versa sobre os direitos
do trabalhador, enquanto, o artigo
448 aborda os contratos.
Assim, se uma sociedade anônima
venha a se transformar em uma
sociedade limitada ou vice versa,
esta alteração não afeta os direitos
adquiridos do trabalhador ou o
contrato de trabalho. O mesmo
ocorre com a fusão, incorporação
etc. a nova sociedade sucede a
anterior em todos os direitos e
obrigações (Lei 6.404/76).
Sucessão de Empregadores
Inicialmente cumpre esclarecer o que
3 UNIDADE
relação jurídica, porém os sujeitos um funda- mento de ordem
são outros. Assim, a sucessão doutrinária. No caso do
ocorre quando a titularidade do empregador doméstico diferente
negócio é transferida de um titular dos demais empregadores não se
para o outro, transmitindo-se todos admite a
os créditos e débitos trabalhistas
do sucedido para o sucessor.
Na sucessão não existe
responsabilidade solidária do
sucessor e do sucedido, mas,
apenas responsabilidade do
sucessor, que é o empregador.
Restriiões à sucessão
Verifica-se a existência de algumas
situa- ções atípicas na sucessão: o
empregador doméstico, a empresa
individual quando do falecimento
do proprietário, desmem-
bramentos de estado ou município,
que dá origem a uma nova
entidade pública e a falência
segundo a nova legislação.
O trabalho doméstico é regido por
lei especial e não pela CLT, assim,
não há o que falar em sucessão
trabalhista na esfera domestica
em conformidade com disposto no
artigo 7º, “a”, da Consolidação das
Leis do Trabalho excluiu
expressamente o empregado
doméstico da proteção celetista.
De outro, a CLT utiliza designação
empresa ao fixar as normas
sucessórias, tal denominação é
incompatível com empregador
domés- tico. Vale ressaltar, ainda,
UNIDADE 3
Direito do Trabalho e Legislaião
impessoalidade do empregador. devedor contratados pelo
arrematante serão admitidos
Outra atipicidade é o caso da mediante novos contratos de trabalho e
empresa individual em que o o arrematante não responde por
artigo 483, § 2º, da CLT faculta ao obrigações
empregado no caso de morte do
empregador constituído em
empresa individual rescindir o
contrato de trabalho.
Também, o desmembramento de
estado ou município dando origem
a outra unidade estadual ou
municipal em face do princípio da
autonomia político-administrativa
dos novos entes consagrado no
Caput do artigo 18, da Carta
Magna de 88.
A nova Lei 11.101/05 regulatória da
falência e recuperação empresarial
traz que na falência não incidirá a
sucessão de empregador no caso
de alienação conjunta ou separada
de ativos, inclusive da empresa ou
de suas filiais. Já o item II, do artigo
141 da referida Lei traz que: “o
objeto da alienação estará livre de
qualquer ônus e não haverá
sucessão do arrematante nas
obrigações do devedor, inclusive as
de natureza tributária, as derivadas
da legislação do trabalho e as
decorrentes de acidentes de
trabalho”.
Vale um comentário sobre o § 2º,
do artigo 141, da Lei 11.101/05
que dispõe: “Empregados do
3 UNIDADE
decorrentes do contrato cappo-grupo, na Inglaterra de
anterior”. Ocorre que, apesar do holdings e outros países
disposto no parágrafo acima sociedades-mães.
reverenciado, a jurisprudência
tem decidido diferente em A Lei 6.404/76 que dispõe sobre as
alguns casos, em especial ao Sociedades por Ações menciona em
decidir sobre a reestrutu- ração seu artigo 265 que sociedade
do sistema financeiro. controladora e suas controladas
Decretada a “falência” de podem constituir grupo
determinada instituição
financeira os julgadores tem
dado ampli- tude aos artigos 10
e 448 da CLT, ou seja, um tipo
legal mais amplo do que o até
então dado pela doutrina e
jurisprudência.
Inferindo que a alienação de
parte dos bens saudáveis
(direitos e obrigações) e a
manutenção do restante dos
bens (direitos e obrigações)
sucateados afeta os contratos
de trabalho, operando neste
caso a sucessão trabalhista,
respondendo o novo titular em
conformidade com os artigos 10
e 448 da CLT.
Diversos Tipos de
Empregador flrupo
Econômico
Os grupos societários podem
ser entendidos como o que
resulta na concentração de
empresas sob uma única
direção. Na Alemanha são
chamados konzerns, na Itália
UNIDADE 3
Direito do Trabalho e Legislaião
de sociedades ou participar de autonomia, integrem grupo
atividades ou empreendimentos econômico ou financeiro rural, serão
comuns. Em seu artigo 266 traz que responsáveis solidariamente nas
a administração, coordenação etc. obrigações decorrentes da relação
serão estabelecidas na convenção de emprego”. Verifica-se a
do grupo, mas cada sociedade possibilidade
conservará personalidade e
patrimônios distintos. Sendo, ainda,
que o artigo 267 determina que o
grupo de sociedades terá
designação de que constarão as
palavras “grupo de sociedades” ou
“grupo”.
Já os consórcios estão disciplinados
pelos artigos 278 e 279 da referida
Lei 6.404/76. O artigo 278 e seu
parágrafo 1º traz que as
companhias e quaisquer outras
sociedades, sob o mesmo controle
ou não, podem constituir consórcio
para executar determinado
empreendimento, não tem
personalidade jurídica e as
consorciadas somente se
obrigam nas condições previstas no
respectivo contrato, respondendo
cada uma por suas obrigações, sem
presunção de solidariedade.
Vale trazer à baila o artigo 3º, § 2º
da Lei 5.889/73 que dispõe sobre o
Trabalho Rural: “Sempre que uma
ou mais empresas, embora tendo
cada uma delas personalidade
jurídica própria, estiverem sob
direção, controle ou administração
de outra, ou ainda quando, mesmo
guardando cada uma sua
3 UNIDADE
de formar o grupo por diversas sociedades que
coordenação e não somente por componham o grupo econômico,
subordinação como previsto na recebendo único salário e todos os
CLT. direitos dele decor- rentes, desde
que na mesma jornada de
O grupo econômico, para o
Direito do Trabalho, difere do
enfoque dado pelo Código
Comercial/Empresarial e Direito
Econômico.
Infere que o objetivo primordial do
Direito do trabalho ao instituir a
figura do “Grupo Econômico” foi
estender a garantia do crédito
trabalhista, responsabilizando as
distintas empresas componentes
do mesmo grupo econômico pelos
referidos créditos. A
responsabilidade do grupo
econômico é solidária.
O grupo econômico é
solidariamente responsável,
podendo o empregado ter a
carteira profissional assinada por
uma sociedade no momento da
admissão e a baixa ser dada por
outra sociedade do mesmo grupo.
No que se refere ao vínculo
empregatício poderá ser com uma
empresa, duas ou mais, depende,
portanto, do contrato assinado com
uma empresa, ou dos contratos
assinados pelo empregado com
duas ou mais sociedades.
Concomitante, um mesmo
trabalhador pode celebrar único
contrato e prestar serviços às
UNIDADE 3
Direito do Trabalho e Legislaião
trabalho. (Súmula 129 do TST). 5.889/76 dispõe que: “Equipara-se ao
empregador rural, a pessoa física ou
Destaca-se também que, de acordo jurídica que, habitualmente, em caráter
com artigo 2º, parágrafo 3º da CLT, profissional, e
para que se configure um grupo
econômico, é necessário interesse
compartilhado entre as empresas e
atuação conjunta para atingir
objetivos determinados, sendo que
a simples identidade comum de
sócios entre as empresas não
caracteriza o grupo econômico.
Empregador rural
A Lei 5.889/73 em seu artigo 3º
considera empregador rural a
pessoa física ou jurídica, proprietária
ou não, que explore atividade agro
econômica, em caráter permanente
ou temporário, diretamente ou
através de prepostos e com
auxílio de empregados. Inclui-se
também neste caso a exploração
industrial em estabelecimento
agrário.
Sendo oportuno mencionar que
o que caracteriza o empregador
rural é a atividade desempenhada,
tal como: agricultura, pecuária ou
agro economia e, não o local em
que está sendo exercida a
atividade. É possível encontrar
propriedades com atividades
nitidamente rurais no perímetro
urbano.
Outrossim, artigo 4º da Lei º
3 UNIDADE
por conta de terceiros, execute consorcio do Direito Comercial, haja
serviços de natureza agrária, vista sua formação ser por pessoas
mediante utilização do trabalho físicas e não jurídicas. Não há
de outrem”. formação de uma empresa, mas,
tão somente a união de pessoas
Vale distinguir o empregador físicas para um fim comum.
rural e o empregador urbano. O
rural exerce suas atividades no
campo com fins lucrativos e o
urbano exerce suas atividades
na cidade.
Consórcio de empregadores
rurais
A Portaria 1.964/99 do
Ministério do Trabalho e
posteriormente da Lei
10.256/2001 que alterou a
legislação previdenciária
tratando do consórcio
direcionado especificamente
para o empregador rural. Tem
por objetivo regular as relações
dos trabalhadores rurais que
prestam serviços para diversos
produtores rurais.
Tem-se que consórcio de
empregadores rurais é a união
de produtores rurais, pessoas
físicas, com a única finalidade
de contratar diretamente,
empregados rurais, sendo
concedido a um dos produtores
poderes para contratar e
administrar a mão de obra
utilizada em suas propriedades.
São diversos proprietários de
área rural, com empregados
comuns. Difere, contudo, do
UNIDADE 3
Direito do Trabalho e Legislaião
O consorcio de empregadores O artigo 16 da referida Lei 6.019/74
rurais é uma forma de contratação traz: “No caso de falência da
de empregados para atender empresa de trabalho temporário, a
necessidade variável de mão de empresa tomadora ou cliente é
obra para um grupo de solidariamente responsável pelo
empregadores. Devem-se reunir recolhimento das contribuições
os proprietários rurais previdenciárias, no tocante ao
interessados que farão a tempo em que o trabalhador esteve
celebração de um “Pacto de sob suas ordens, assim como em
Solidariedade” entre si, deixando referência ao mesmo período, pela
claro que todos são remuneração e indenização
responsáveis pelo cumprimento das previstas nesta Lei”. Assim, verifica-
obrigações trabalhistas. Este pacto se que a solidariedade da empresa
tem que ser por escrito, contendo a tomadora de serviço é apenas
qualificação completa de todos os parcial, somente no caso de
participantes, ou seja: nome falência da empresa de trabalho
completo, estado civil, CPF, temporário.
documento de identidade, matricula
Cadastro Especifico do INSS-CEI Empregador doméstico
(individual), inscrição no INCRA,
endereço domiciliar e endereço da Não há uma definição expressa de
propriedade vinculada ao grupo. quem é o empregador doméstico.
Lembrando, ainda que este “Pacto Entretanto, observando a definição
de Solidariedade” deverá ser do empregado doméstico, podemos
registrado em Cartório de Título e inferir que empregador doméstico é
Documento. toda pessoa física ou família que
admite trabalhador doméstico, para
Empresa de trabalho temporário
exercer serviços de natureza não
lucrativa e contínua, em seu âmbito
Empresas de Trabalho Temporário residencial.
segundo o disposto no artigo 4º da
Lei n. 6019/74 é a pessoa física ou Assim, não é possível um
jurídica urbana, cuja atividade consiste empregador doméstico pessoa
em colocar à disposição de outras jurídica. Sendo vedada, também, a
empresas, tempo- rariamente, natureza lucrativa da atividade.
trabalhadores, devidamente Podemos citar como exemplo o
qualificados, por elas remunerados e empregador perdendo seu
assistidos. emprego, resolve fornecer
“marmita” a terceiros com a ajuda
3 UNIDADE
de sua empregada no âmbito de sua
residência. Verifica-se neste caso que a
natureza da atividade é lucrativa,
assim, a empregada poderá
UNIDADE 3
Direito do Trabalho e Legislaião
ser considerada trabalhadora pode perder de vista o princípio
comum admitida pela CLT. assegurado pela Carta Magna de 88 do
trabalho como um fator
Dono de obra
Inicialmente é necessário distinguir
dono de obra comum, que se
entende como um cidadão
comum que vai construir ou
reformar sua casa e contrata um
empreiteiro. Neste caso o dono da
obra não exerce a atividade de
construção civil. A construção ou
reforma da casa própria não
implica em assumir os riscos de
atividade econômica. Neste caso
o empreiteiro não é subordinado
ao dono da obra.
Entretanto, se o dono da obra for
uma construtora, incorporadora,
imobiliária etc. que com o termino
da obra pretende comercializá-la, aí
sim, está presente a relação de
emprego, haja vista que exercem
atividade econômica, assumindo os
riscos do empreendimento, mas,
desde que exista subordinação.
Consórcio de empregadores
urbanos
Fatores como a globalização e
avanço tecnológico acarretam
transformações impactantes em
todos os setores da economia.
Assim, faz-se necessário procurar
novas alternativas com
perspectivas mais próximas da
realidade atual. Contudo, não se
4 UNIDADE
imprescindível para uma vida consórcio de empregadores, dado o
digna. Em decorrência dessa princípio da igualdade.
nova concepção jurídica o
Direito do Trabalho, está Concomitante, a formação do
passando por amplas consorcio de empregadores urbano
modificações que certamente, atende ao princípio da livre
originarão em novas formas de iniciativa conforme disposto no
integração da força de trabalho item IV, do artigo 1º, da
no mercado.
Deste modo, a contratação de
empregados para atender
necessidade variável de mão de
obra para um grupo de
empregadores, é realidade
fática como ocorre com o
empregador rural.
Também, inexiste razão para
considerar que o consorcio de
empregadores seja
exclusivamente rural, haja vista
necessidade diversificada da
força de trabalho tanto no
campo como na cidade.
De outro, embora ausente de
regulamentação o consórcio
urbano, tem-se que na
realidade nada obsta sua
formação. Ao contrário,
verifica-se que o artigo 5º,
caput, da Carta Magna de 1988,
está esboçado o fundamento
legal que resguarda o princípio
da igualdade. Assim, é
assegurada a igualdade de
tratamento entre o empregador
rural e o urbano, na
possibilidade de criação de
UNIDADE 4
Direito do Trabalho e Legislaião
Poder de Direião do
Constituição vigente que traz: “os Empregador e
valores sociais do trabalho e da Regulamento
livre iniciativa”. Verifica-se ainda,
que o artigo 170 do mesmo diploma Poder de organizaião
Constitucional, que trata da ordem
econômica. Vejamos o contido no O poder de organização consiste na
referido artigo: “A ordem ordenação das atividades do
econômica, fundada na valorização empregado, implantando-as no
do trabalho humano e na livre conjunto das atividades de
iniciativa, tem por fim assegurar a produção, determinando o número
todos existência digna, conforme os de empregados necessários, a
ditames da justiça social, função de cada um, local e horário
observados os seguintes princípios: para a realização do trabalho etc.
(...)”. Propiciando, assim, a obtenção dos
objetivos econômicos e sociais da
Assim, embora não exista uma empresa. Neste sentido, os
regulamentação específica para o empregadores podem desenvolver
Consórcio de Empregadores regulamentos e políticas internas às
Urbano, também, inexiste lei que quais os trabalhadores deverão
o proíba. Ao contrário, existem aderir, de sorte a que, todos
fundamentos constitucionais e caminhem na mesma direção e em
preceitos trabalhistas que justificam busca dos já referidos melhores
a aplicação analógica e equitativa resultados.
da legislação rural.
Poder de controle
Contudo, vale lembrar que o
O poder de controle é o direito
consorcio de Empregador Urbano,
de o empregador de fiscalizar as
assim como o rural difere do
atividades profissionais dos seus
consorcio do Direito Comercial, haja
empregados. Verifica-se
vista sua formação ser por pessoas
claramente tal poder na marcação
físicas e não jurídicas. Não há
do cartão ponto, pois decorre do
formação de uma empresa, mas,
poder de fiscalizar o horário de
tão somente a união de pessoas
seus empregados. O artigo 74, §
físicas para um fim comum.
2º, da CLT prevê inclusive a
obrigatoriedade para os
estabelecimentos de mais de
vinte trabalhadores a anotação
da hora de entrada e de saída, em
registro manual, mecânico ou
4 UNIDADE
eletrônico, devendo, ainda, a
marcação do período de repouso.
Outro controle diz respeito às
revistas
UNIDADE 4
Direito do Trabalho e Legislaião
dos funcionários. Haja vista ser a
revista uma forma de salvaguarda Portanto, o poder de controle dá ao
do patrimônio da empresa ou até empregador o direito de fiscalizar o
mesmo sua segurança e de trabalho, a forma de sua realização,
terceiros no caso de empresas que
trabalhem com produtos perigosos.
Sendo oportuno lembrar que as
revistas não podem violar a
intimidade do empregado e não
pode ser vexatória segundo dispõe
o artigo 5º, III e X, da Constituição
Federal.
Doutro, um controle bem
polêmico na atualidade é o
monitoramento do empregado no
computador. Lembrando que o
equipamento é de propriedade do
empregador e que o empregado
durante o horário de trabalho está à
disposição do empregador. Assim, o
entendimento tem sido no sentido
de que o empregador pode sim
fiscalizar o envio de e-mails de seus
funcionários para certificar-se de
que os mesmos não estão
fazendo uso do computador ou
telefone no horário de serviço para
assuntos pessoais, especialmente,
quando há proibição do uso pessoal
do equipamento, previstas em
clausula contratual.
Também, considera lícito o controle
exercido pelo empregador através
da instalação de câmeras e
microfones, vedado o uso destes
equipamentos em locais de
intimidade do empregado.
4 UNIDADE
assim como a utilização de
material e as ferramentas de Regulamento
trabalho.
Inicialmente cumpre dizer que no
Poder disciplinar Brasil não temos Leis específicas
que cuidam do regulamento das
O poder disciplinar é o direito empresas, apenas
de o empregador impor sanções
disciplinares ao empregado, ou
seja, é a prerrogativa da qual o
empregador pode lançar mão
para impor sanções
disciplinares aos seus
empregados diante da prática
de atos faltosos. Tais sanções
podem ser tanto previstas nas
convenções ou acordos
coletivos de trabalho ou nos
regulamentos da empresa.
Na verdade o poder disciplinar
decorre do poder diretivo do
empregador. Trata-se do poder
do empregador determinar
ordens na empresa e acaso não
sejam cumpridas podem gerar
pena- lidade para o empregado
descumpridor. Oportuno
esclarecer que no poder disci-
plinar pode o empregador
normalmente adverte
verbalmente o funcionário, caso
o funcionário reincida na falta
será adver- tido por escrito e na
próxima falta será suspenso.
Entretanto, não é necessária
essa sequência nas punições do
empre- gado, exceção feita
quando prevista em norma
coletiva ou regulamentar.
UNIDADE 4
Direito do Trabalho e Legislaião
a menção em alguns artigos ou uso de crachás; uniformes; prêmios;
súmulas do TST. Entretanto, como uso dos equipamentos para fins
vimos no item anterior ao falar particulares; vestiários; proibições;
sobre o “poder disci- plinar” gratificações etc. Assim, o
percebemos que o regulamento da regulamento pode contemplar
empresa é algo importante, pois, melhores condições de trabalho do
esta- belece normas que deverão que as asseguradas por lei ou
ser seguidas pelo empregador e normas cole- tivas, aderindo, assim,
empregado. ao contrato de trabalho.
Os regulamentos podem ser Assim, as cláusulas regulamentares
elaborados unilateralmente pelo da empresa integram o contrato de
empregador ou bilateralmente com trabalho. Encontrando óbice na
a participação dos empregados, de alteração ainda que bilateralmente
uma comissão repre- sentativa quando prejudiciais ao empregado.
destes ou com a participação do O empregador pode alterar
sindicato. A modernidade pede unilateralmente o regulamento no
que os regulamentos sejam que diz respeito a questões técnicas
elaborados bilateralmente. e as cláusulas que modifiquem ou
suprimam direitos só é válida para
Valendo observar o conteúdo dos os funcionários que forem admitidos
regulamentos, haja vista que irão após a alteração ou revogação do
esta- belecer direitos e deveres regulamento. Para os funcionários
tanto para o empregado como para contratados antes das alterações ou
o empregador, dentre outros revogação ainda que haja a
podemos citar: regras que concordância do empregado, mas
complementam o contrato de prejudicial aos seus direitos não
trabalho; regras disciplinares e será considerada lícita.
penalidades; horários de
funcionamento da empresa;
Assista à videoaula com este conteúdo.
4 UNIDADE