Clínica Médica I: Edema Agudo de Pulmão
Clínica Médica I: Edema Agudo de Pulmão
CLÍNICA MÉDICA I
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SUMÁRIO
1. Definição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2. Fisiopatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
3. Etiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
4. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
5. Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
6. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
6.1. Decúbito elevado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
6.2. Oxigênio e ventilação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
6.3. Diuréticos de alça. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
6.4. Vasodilatadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
6.5. Morfina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
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EDEMA AGUDO DE PULMÃO
importância/prevalência
u O edema agudo de pulmão pode ser cardiogênico ou não cardiogênico, fique atento às principais causas
de cada tipo.
u O diagnóstico é clínico e se baseia nos achados clínicos.
u O sintoma mais prevalente é a dispneia súbita e intensa.
u O tratamento se baseia em oxigênio, vasodilatadores, diuréticos de alça, morfina e VNI.
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Edema agudo de pulmão Cardiologia
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Edema agudo de pulmão
3. ETIOLOGIA DICA
Em pacientes com estenose mitral,
a FA de alta resposta ventricular pode in-
duzir EAP.
No EAP cardiogênico, as etiologias vão variar de
acordo com o mecanismo do aumento da pressão
hidrostática capilar, que podem ser:
Quadro 1. Fatores que podem
u Disfunção ventricular sistólica: há contratilida- precipitar EAP cardiogênico.
de prejudicada do VE, resultando em redução do
débito cardíaco (condição mais comum de EAP). Causa Comentário
Estão incluídas todas as causas de cardiomiopa- Crises Causa mais comum – geralmente
tias dilatadas (miocardiopatia isquêmica, hiper- hipertensivas PA > 180 x 110 mmHg
tensiva, valvar, cardiomiopatia dilatada idiopática, Aumento da disfunção
tóxica, miocardite, entre outras). Isquemia sistólica (redução do débito
miocárdica cardíaco) e diastólica (redução
u Disfunção ventricular diastólica: aumento da da complacência)
rigidez ventricular (redução da complacência)
e relaxamento prejudicado, que impedem o en- FA, TV, bradicardia acentuada,
Arritmias
disfunção de marca-passo
chimento ventricular durante a diástole. Pode
ser crônico (hipertrofia ventricular esquerda de Insuficiência Endocardite, ruptura espontânea
aórtica ou ou por isquemia da válvula
qualquer etiologia ou a cardiomiopatia hiper-
mitral aguda ou músculo papilar
trófica ou restritiva) ou agudo (isquemia e crise
hipertensiva). Obstrução aguda Tumores de átrio esquerdo
do átrio esquerdo e trombose de válvula
u Obstrução da via de saída do ventrículo esquer-
do: estenose aórtica (supra e subvalvar), cardio- Toxinas Álcool, cocaína e medicações
cardíacas (inotrópicos negativos, AINEs)
miopatia hipertrófica assimétrica obstrutiva e
HAS severa. Fonte: Zipes et al.¹
u Obstrução ao esvaziamento do átrio esquerdo:
estenose mitral reumática, mixoma atrial (este- As etiologias do EAP não cardiogênico (Quadro 2)
nose funcional) e calcificação anular mitral. são bem variáveis e estão relacionadas ao aumento
u Hipertensão renovascular: ocorre associação da permeabilidade capilar, sendo a causa mais
importante de HAS crônica, disfunção diastólica comum a Síndrome do Desconforto Respiratório
secundária e retenção de água com excesso de Agudo (SRDA).
sódio (ativação de sistema renina-angiotensina Quadro 2. Etiologias do EAP não cardiogênico.
+ disfunção renal), sendo uma das causas de EAP não cardiogênico
EAP em flash. É um edema pulmonar abrupto e
Causa Comentário
dramático, sendo mais comum na estenose da
artéria renal bilateral do que unilateral – 41% x Mais comum
12% dos casos. SDRA Etiologias: sepse, pneumonia,
trauma, pancreatite, transfusão
u Taquiarritmias: reduzem tempo de diástole e po-
dem causar aumento da pressão diastólica final, Grandes Subida rápida para altitudes
altitudes acima de 3600 metros
principalmente em pacientes com estenose mitral.
Associada com traumatismo
Existem também fatores que podem precipitar EAP Neurogênica craniano, AVC hemorrágico
e convulsões
cardiogênico em pacientes com disfunção ventri-
cular sistólica e/ou diastólica de base (Quadro 1). Reperfusão
Após cirurgia de trombectomia
pulmonar proximal
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Edema agudo de pulmão Cardiologia
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Edema agudo de pulmão
Normal ou invertida
Distribuição vascular Normal
(cefalização da trama)
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Edema agudo de pulmão Cardiologia
u Ultrassom pulmonar: é um exame rápido, que pressão capilar elevada, o que não exclui a pos-
pode ser realizado à beira-leito e tem se mos- sibilidade de edema pulmonar não cardiogênico
trado mais sensível e específico para avaliação (20% dos casos de SDRA apresentam disfunção
de congestão pulmonar que o exame físico e a concomitante do VE).
radiografia de tórax. u Laboratório: gasometria arterial (avaliar a venti-
lação e distúrbio ácido-base), função renal (sín-
Os achados do US pulmonar no edema pulmonar drome cardiorrenal), eletrólitos (espoliação por
são mais de 3 linhas B (linhas verticais, em rabo diuréticos) e hemograma completo (infecções
de cometa) por campo avaliado, que interrompem e anemia).
as linhas A (horizontais) presentes no parênquima
u Troponina: avaliar isquemia miocárdica. Pode
normal e a presença de derrame pleural (Figura 3).
apresentar elevação e curva durante quadro de
u Ecocardiograma: avaliar doença cardíaca estru- EAP, sem obstrução coronariana aguda (IAM
tural. Pode ser realizado também para excluir tipo II por desbalanço entre oferta e demanda).
complicações secundárias ao infarto (comuni- u Peptídeo natriurético tipo B (BNP) e NT-proBNP:
cação interventricular, insuficiência mitral agu-
W Pode ajudar a diferenciar causas cardíacas das
da) e doenças valvares (ruptura e trombose de
pulmonares em pacientes com insuficiência
próteses).
respiratória aguda.
u Cateter de Swan-Ganz: o uso rotineiro não é reco-
W É um hormônio fisiologicamente produzido
mendado. Apesar de a pressão capilar pulmonar
pelos miócitos ventriculares em situações de
poder ajudar na diferenciação do EAP (cardiogê-
aumento de pressão parietal (sobrecargas).
nico ou não cardiogênico), existem alterações que
podem confundir o diagnóstico, como isquemia W Valores elevados indicam IC. No caso do NT-
miocárdica intermitente (quando realizada a men- -proBNP, os valores de corte variam com a
suração, o quadro já pode ter sido resolvido) e a idade (Tabela 1).
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Edema agudo de pulmão
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Edema agudo de pulmão Cardiologia
u Nitroglicerina (Tridil®):
DIA A DIA MÉDICO
W Apresenta mais vasodilatação venosa do que
arterial.
Após a instalação da VNI, o paciente deve ser reavaliado
constantemente. Dados clínicos como frequência car-
W Dose inicial de 5 a 10 mcg/min, com incremen-
díaca e pressão arterial, além da frequência respiratória, tos de 5 a 10 mcg/min a cada 3 a 5 minutos,
padrão ventilatório e saturação de oxigênio, devem ser conforme necessário e tolerado (faixa de dose
monitorizados. Sugere-se reavaliação com gasometria de 10 a 200 mcg/min).
arterial dentro de 1 a 2 horas após a instalação da VNI.
Hipoxemia mantida e aumento do valor de pCO 2 são
W Boa opção nos casos de isquemia miocárdica
considerados parâmetros que indicam falência da tera- (efeito vasodilatador coronariano).
pia, devendo considerar-se a intubação orotraqueal para W Potenciais efeitos adversos são hipotensão e
iniciar ventilação invasiva.
dor de cabeça.
W Contraindicações: hipotensão, infarto de ven-
6.3. DIURÉTICOS DE ALÇA trículo direito, o uso de inibidores de PDE-5
(como o sildenafil) nas últimas 24 a 48 horas.
Diuréticos promovem vasodilatação venosa, redu- u Nitroprussiato (Nipride®):
zindo a pré-carga (venodilatação em 5 minutos), W Causa tanto dilatação arterial quanto venosa.
antes de determinar diurese, que ocorre cerca de 20 W Realizar monitorização da PA invasivamente
a 30 minutos após a dose inicial, sendo importante por cateter intra-arterial (efeito é potente).
no controle da dispneia e outros sintomas relacio- W A dose inicial de 0,5 mcg/kg/min é aumentada
nados à congestão. Recomenda-se administração
a cada cinco minutos conforme tolerado, até
intravenosa em vez de oral, devido à maior e mais
dose máxima de 10 mcg/kg/min.
consistente biodisponibilidade da droga.
W O principal efeito colateral é a intoxicação por
A dose deve ser individualizada e titulada de acordo cianeto e tiocianato com altas doses ou infu-
com o estado e a resposta do paciente. sões prolongadas, principalmente em pacien-
u Sem uso prévio de diurético: furosemida 0,5 a tes com insuficiência renal.
1 mg/kg EV. W Não utilizar em casos de síndrome coronariana
u Com uso de diurético prévio: furosemida EV na aguda, pelo risco de roubo de fluxo coronário.
mesma dose VO prévia ou até 2,5 vezes a dose u Nesiritide (análogo de BNP): em pacientes cui-
VO prévia (dose VO equivalente à metade da EV dadosamente selecionados (sem hipotensão ou
em relação à biodisponibilidade). choque cardiogênico) que permanecem sinto-
máticos apesar da terapia de rotina, um teste de
Se não responder adequadamente, aumentar a nesiritide pode ser útil como alternativa a outra
dose e individualizá-la de acordo com o estado do terapia vasodilatadora (nitroglicerina ou nitropru-
paciente. ssiato). Apresenta vasodilatação tanto arterial
quanto venosa (similar ao nitroprussiato), com
6.4. VASODILATADORES menos toxicidade (apesar de apresentar meia-
-vida mais longa; portanto, a hipotensão pode
Os vasodilatadores proporcionam melhora por pro- persistir mais tempo). Porém, ainda não há da-
moverem vasodilatação arterial e venosa, reduzindo dos confiáveis sobre a alteração de função renal
a pré e pós-carga. Pode ser inicialmente usado o e a mortalidade nos pacientes. O uso em classes
nitrato sublingual 5 mg, repetido a cada 5 a 10 minu- funcionais avançadas de IC foi associado a uma
tos (máximo de 15 mg, dividido em 3 doses), seguido melhora da sintomatologia do quadro; porém, a
ou não por nitratos parenterais. Há preferência pelas mortalidade aumentou.
drogas parenterais tituláveis, de meia-vida curta e
pico rápido de ação.
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Edema agudo de pulmão
Paciente com EAP hipertensivo deve ser tratado como O Quadro 4 resume as principais condutas no EAP
emergência hipertensiva. Ou seja, deve-se reduzir o valor cardiogênico, que podem ser memorizadas pelo
da pressão arterial em 25% na primeira hora. Após, obje- mnemônico MONDD; Morfina, Oxigênio, Nitrato,
tivar manter a PA em valores próximos de 160x100, de Diurético e Decúbito elevado.
maneira gradual nas 2 a 6 horas iniciais do quadro clínico.
Progressivamente, um valor de 135x85mmHg é o alvo a Não esqueça de buscar e tratar a causa do EAP
ser atingido dentro das 24 a 48h iniciais. (Quadro 5).
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Edema agudo de pulmão Cardiologia
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Edema agudo de pulmão
Aumento da
Acúmulo permeabilidade pulmonar
de líquido
Monitorização Intensa dispneia no espaço alveolar PCP > 18 mmHg
Fursomida IV
40 MG Tratamento Classificação
Swan – Ganz:
Quadro Clínico Cardiogênico Não cardiogênico
Não é rotina
DX de etiologia
cardiologica BPN Intensa dispneia
Disfunção VE sistólica
Disfunção VE diastólica SDRA ou SARA
EAP + derrame pleural Ecocardiograma Obstrução via Edema pulmonar:
Aumento: FC, FR, PA
de saída VE • de grandes altitudes
Estenose mitral • neurogênico
Hipertensão • Re-expansão
Aumento da área
RX Tórax Crepitações Renovascular • Reperfusão
cardíaca
progressivas: Intoxicação opioides
Base --> Terço e salicilatos
Médio --> Ápice
ECG
SCA, arritmia,
sobrecarga de VE
Sibilos expiratórios
Nivel de Consciência:
extrema gravidade!
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Edema agudo de pulmão Cardiologia
1. Zipes DP, Libby P, Bonow RO, Mann DL, Tomaselli GF. Picano E, Pellikka PA. Ultrasound of extravascular lung water:
Braunwald’s heart disease: a textbook of cardio-vascular a new standard for pulmonary congestion. Eur Heart J.
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2. Ware LB, Matthay MA. Clinical Practice. Acute pulmonary Powell J, Graham D, O’Reilly S, Punton G. Acute pulmonary
edema. N Engl J Med. 2005; 353(26): 2788-96. oedema. Nurs Stand. 2016; 30(23): 51-9; quiz 60.
3. Bass CM, Sajed DR, Adedipe AA, West TE. Pulmonary Sureka B, Bansal K, Arora A. Pulmonary edema − cardiogenic
ultrasound and pulse oximetry versus chest radiography or noncardiogenic. J Family Med Prim Care. 2015; 4(2): 290.
and arterial blood gas analysis for the diagnosis of acute
respiratory distress syndrome: a pilot study. Crit Care.
2015 Jul 21;19(1):282. doi: 10.1186/s13054-015-0995-5.
PMID: 26325623; PMCID: PMC4511255.
4. Comitê Coordenador da Diretriz de Insuficiência Cardíaca.
Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e
Aguda. Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3): 436-539.
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Edema agudo de pulmão
QUESTÕES COMENTADAS
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Edema agudo de pulmão Cardiologia
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Edema agudo de pulmão
AR: Creptos bilaterais até ápices pulmonares. ACV: Ventilação não invasiva.
Bulhas rítmicas e hipofonéticas, em 2 tempos, sem Amiodarona.
sopros. AB: plano, indolor, sem visceromegalias.
Extremidades frias, sem edemas. Diante do caso
clínico, qual o diagnóstico e qual fármaco NÃO é Questão 9
considerado um tratamento redutor da pré-carga?
(UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA – SP – 2020) Mulher de
Embolia Pulmonar. Furosemida. 62 anos apresenta insuficiência respiratória aguda.
Edema Agudo de Pulmão. Digoxina. Durante avaliação, realizado US pleuro-pulmonar.
O principal mecanismo que justifica o sintoma da
Pneumotórax hipertensivo. Nitrato
paciente é:
Tamponamento cardíaco. Morfina.
Edema agudo de pulmão. Nitrato.
Questão 7
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Edema agudo de pulmão Cardiologia
I e II apenas.
I e III apenas.
II e IV apenas.
I, II e III apenas.
I, III e IV apenas.
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Edema agudo de pulmão
GABARITO E COMENTÁRIOS
Questão 1 dificuldade: estar presentes em até 3 por campo sem que isto
signifique uma patologia, pois podem representar
Y Dica do professor: Paciente com miocardite pré-
os septos interlobulares. Todavia, quando mais do
via, evoluindo com dispneia, crepitação pulmonar
que 3, correspondem a um espessamento dos sep-
difusa até ápice e raio X com congestão pulmonar
tos geralmente por congestão pulmonar.
intensa, velamento de seios costofrênicos e car-
diomegalia, portanto estamos diante de um Edema Alternativa B: INCORRETA. As linhas A são paralelas
Agudo de Pulmão. à linha da pleura e sempre estão presentes em pa-
cientes sem alteração.
Alternativa A: INCORRETA. Não há sinais de broncop-
neumonia no raio X, mas sim de congestão difusa. Alternativa C: INCORRETA. As linhas C são de con-
solidações e não estão presentes nesse paciente.
Alternativa B: INCORRETA. No TEP não há congestão
pulmonar. Alternativa D: INCORRETA. O deslizamento pleural
estará presente a não ser que algo esteja afastan-
Alternativa C: INCORRETA. O quadro clínico é de EAP.
do a pleura visceral da parietal, com pneumotórax.
A covid-19 habitualmente não leva esses achados
Além disso, como o nome diz, é um deslizamento,
radiográficos com cardiomegalia tão significativa.
não é possível avaliar numa imagem estática, ape-
Alternativa D: CORRETA. No EAP, a conduta deve ser nas na dinâmica.
prescrever diuréticos e vasodiltadores (como ni-
Alternativa E: INCORRETA. O paciente do caso não
troglicerina ou nitroprussiato), além de ventilação
apresenta clínica compatível com líquido livre pleural.
positiva (CPAP ou BiPAP).
✔ resposta:
Alternativa E: INCORRETA. A intubação estaria indicada
se paciente rebaixado (GCS < 9) ou se não houver
resposta à VNI. Sobre vasodilatadores, não devem Questão 3 dificuldade:
ser usados, já que pacientes com IC descompen-
sada apresentam elevada resistência vascular pe- Y Dica do professor: Estamos diante de um paciente
riférica. Além disso, o paciente não está hipotenso. com insuficiência cardíaca descompensada perfil
B (congesto e bem perfundido), cuja imagem de
✔ resposta:
ultrassonografia de pulmão demonstra a presença
de múltiplas “linhas B”, que nos indicam a presen-
Questão 2 dificuldade: ça do edema pulmonar de origem cardiogênica. O
tratamento para este tipo de descompensação ba-
Y Dica do professor: Questão sobre análise de USG seia-se em uso de diuréticos de alça endovenosos
de tórax. Pelo caso descrito a nossa principal sus- como a furosemida, pois a absorção oral pode estar
peita é congestão pulmonar, mas vamos analisar comprometida por edema de alças intestinais. Além
as alternativas. da furosemida, é indicado o uso de vasodilatadores
Alternativa A: CORRETA. As linhas B são brancas, visando a redução da resistência vascular periférica
verticais e são perpendiculares às linhas A, apa- e da pós-carga, o que faz com que o paciente possa
gando-as ao se encontrarem. As linhas B podem
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Edema agudo de pulmão Cardiologia
se recuperar mais rápido, sendo uma boa opção o respiratório. No tratamento do EAP a utilização de
nitrato sublingual. CPAP ou da ventilação não invasiva em 2 níveis de
pressão (BiPAP) também se mostrou efetiva em
Alternativa A: CORRETA. Conforme a dica.
reduzir o número de intubações e apresentou for-
Alternativa B: INCORRETA. É interessante a associação te tendência de redução da mortalidade, podendo
de um vasodilatador, para redução da pós-carga. ser utilizada como medida terapêutica adjuvante.
Alternativa C: INCORRETA. Não há necessidade da Alternativa A: INCORRETA. Trata-se de um perfil B de
introdução de uma droga inotrópica, visto que ele Brasil (quente e úmido).
se encontra bem perfundido. Seria indicada caso
Alternativa B: INCORRETA. Inotrópicos estão indica-
ele se encontrasse no perfil C (congesto e com
dos apenas em caso de baixo débito. Essa classe
baixo débito).
tem vários efeitos colaterais deletérios, principal-
Alternativa D: INCORRETA. Como já mencionado, mente taquiarritmias e aumento do consumo de
nosso paciente não tem indicação de drogas ino- O2 pelo miocárdio.
trópicas. Devemos resolver sua congestão, o que
Alternativa C: INCORRETA. O EAP é uma emergên-
é realizado com a furosemida.
cia hipertensiva, são necessários vasodilatadores
Alternativa E: INCORRETA. O diurético e o vasodilata- intravenosos.
dor devem ser usados, entretanto o inotrópico, não.
Alternativa D: CORRETA. Vide a dica.
✔ resposta:
✔ resposta:
Questão 4 dificuldade:
Questão 5 dificuldade:
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Edema agudo de pulmão
Y Dica do professor: Paciente idoso com importante Y Dica do professor: O tratamento do edema agu-
antecedente patológico com má adesão medica- do de pulmão é um tema recorrente nas provas de
mentosa, que apresenta dispneia súbita sem sinais residência. É fundamental reduzir pré e pós-carga,
associados na história e com exame físico com e as condutas podem ser resumidas no mnemôni-
presença de taquipneia, dificuldade respiratória, co MONDD: Morfina, O2 (preferência VNI), Nitrato,
hipertensão e creptos bilaterais até ápices pulmo- Diurético e Decúbito elevado.
nares, sendo assim nós inferimos estar diante de Alternativa A: CORRETA. Nitroprussiato de sódio é um
um quadro de edema agudo de pulmão hiperten- potente vasodilatador arterial e venoso, reduzindo
sivo. Se liga, ninja, o manejo do edema agudo de pré e pós-carga.
pulmão se baseia no uso de diurético terapia com
Alternativa B: CORRETA. Morfina tem ação vasodi-
furosemida quando paciente apresenta diurese,
latadora, reduzindo pré-carga, além de melhorar a
realização de ventilação não invasiva, vasodilata-
sensação de dispneia.
ção perícia parenteral e podendo ainda ser utilizada
morfina em baixas doses para melhora de padrão Alternativa C: CORRETA. Diurético de alça (Furosemi-
de desconforto respiratório. da) é fundamental para reduzir pré-carga
Alternativa A: INCORRETA. Paciente com escore de Alternativa D: CORRETA. VNI (CPAP ou BiPAP) está
Wells de baixa probabilidade para TEP indicada pois aumenta a pressão intratorácica, re-
duzindo retorno venoso e pré-carga assim como
Alternativa B: CORRETA.
reduz a força necessária para contração ventricular,
Alternativa C: INCORRETA. Outros comemorativos agindo na pós-carga.
estriam presente como abolição da ausculta e tim-
Alternativa E: INCORRETA. Paciente encontra-se com
panismo pulmonar.
FC discretamente elevada (112 bpm) em ritmo irre-
Alternativa D: INCORRETO. EM geral cursamos com a gular (provável FA), não há indicação de controle de
tríade de Beck onde temos abafamento de bulhas, FC ou mesmo reversão de ritmo neste momento,
turgência de jugular e hipotensão arterial. essa discreta elevação é consequência e não causa
Alternativa E: INCORRETO. O nitrato pode reduzir tanto do quadro de edema agudo de pulmão hipertensivo.
a pré como a pós-carga. ✔ resposta:
✔ resposta:
Questão 9 dificuldade:
Questão 7 dificuldade:
Y Dica do professor: Questão objetiva e simples,
Y Dica do professor: Dentre todas as alternativas porém exige conhecimento prévio de achados na
apresentadas, o mais frequente no setor de emer- ultrassonografia pulmonar. Esse método vem ga-
gências é que os pacientes com estenose mitral nhando espaço na prática médica, principalmente
moderada/ grave apresentem-se com edema agudo na terapia intensiva, já que consiste num exame de
de pulmão associado à taquiarritmias (como, por imagem de fácil execução, sem radiação ionizan-
exemplo, fibrilação atrial de alta resposta ventricu- te, com resultados imediatos. A questão nos apre-
lar). Fisiologicamente o fluxo transvalvar mitral de- senta um paciente com insuficiência respiratória e
pende do tempo diastólico. O aumento exagerado que ao USG pulmonar nós conseguimos identificar
da frequência cardíaca na FA de alta resposta ven- artefatos verticais, hiperecogênicos, que se origi-
tricular resulta em redução do tempo de diástole, nam a partir da linha pleural e que se estendem ao
resultando em aumento súbito da pressão atrial fim da tela, apagando as linhas A. Esses artefatos
que pode levar a aumento da pressão pulmonar são conhecidos como linhas B e o seu número e
com edema agudo de pulmão.
✔ resposta:
21
Edema agudo de pulmão Cardiologia
Questão 10 dificuldade:
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