FISCALIDADE1
UNIVERSIDADE LUSIADA
Prof.Vera Matoca
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CAPÍTULO 2 – O IMPOSTO
Conceito de Imposto
É uma prestação coativa, pecuniária,
unilateral, estabelecida por Lei a favor do
estado ou de outro ente público, sem
carácter de sanção, com vista a
cobertura das despesas públicas e ainda
tendo em conta objectivos de ordem
económica e social.
Coativa – é uma prestação obrigatória.
Pecuniária – porque entrega-se dinheiro.
Unilateral – não existe qualquer contra
prestação directa por parte do credor da
receita ( Estado).
Sanção - não é sanção de acto ilícito
como as multas e coimas.
Os impostos devem incidir sobre: o
rendimento de trabalho; lucros; o
património; e o consumo de bens. Alguns
impostos podem ser: IRT, inposto
industrial/comercial, imposto de selo, taxa
de circulação e imposto predial.
Elementos essenciais do
imposto: Objectivo; Subjectivo
e Teleológico
Elemento Objectivo – o imposto tem
carácter definitivo, não dá ao sujeito
passivo qualquer direito a um reembolso,
retribuição ou indemnização.
Elemento subjectivo – o imposto é uma
prestação a favor de uma pessoa
colectiva de direito público (sujeito activo
é o Estado). O sujeito passivo pode ser
qualquer pessoa singular ou colectiva.
Elemento Teleológico – Tem a ver com o
fim do imposto. O Estado cobra impostos
com o fim de cobrir despesas públicas e
dotar ente públicos de meios para
realização de tarefas
Fases do imposto
Incidência – O imposto incide sobre actos
ou situações sujeitas a imposto e às
pessoas com o dever de o prestar.
Incidência real – o que está sujeito a
imposto; o objecto do cálculo do
imposto.
Incidência pessoal – quem está sujeito ao
imposto.
Lançamento – conjunto de operações
administrativas que visam a identificação do
sujeito passivo do imposto e a determinação
da matéria colectável.
Liquidação – aplicação da taxa à matéria
colectável para determinar o montante da
colecta.
Cobrança – operação administractiva que
corresponde à entrada do imposto aos
cobres do estado
Tributação directa e
tributação indirecta
Impostos directos – aqueles que recaem
sobre rendimentos e património. Ex: IRT;
Imposto industrial; imposto sobre
sucessões e doações; imposto predial;
etc.
Impostos indirectos – aqueles que
recaem sobre o consumo e as despesas.
Ex: IVA; imposto de selo, impostos
aduaneiros,impostos especiais sobre o
consumo, etc.
Classificação dos impostos
Impostos pessoais e impostos
reais
Impostos pessoais – os que têm em conta
as condições pessoais, familiares e
económicas do contribuinte.
impostos reais – não têm em conta as
condições pessoais, familiares e
económicas do contribuinte. São
objectivamente considerados.
Ex: IRT (pessoal); IP (real).
Impostos estaduais e não
estaduais
Impostos estaduais – se o sujeito activo é
o Estado.
Impostos não estaduais – se o sujeito
activo é outro ente público que não o
estado. Estes são estruturados de forma a
serem atribuídos à entidades que não
são o estado. Ex: impostos regionais,
municipais, provinciais, paroquiais, etc.
Impostos periódicos e de
obrigação única
Impostos periódicos – tributam situações
ou actividades que duram no tempo,
dando origem a sucessivas obrigações
tributárias. Ex: IRT
Impostos de obrigação única – recaem
sobre factos isolados, sem carácter de
continuidade, apenas havendo lugar ao
pagamento do imposto quando o facto
que o origina acontece. Ex: IVA
Impostos principais e
acessórios
Impostos principais - gozam de autonomia,
existem por si.
Impostos acessórios - não são autónomos e
acrescem aos impostos principais de que
dependem. São adicionais que incidem
sobre impostos principais, sendo o montante
determinado pela aplicação de uma nova
taxa sobre a colecta desses outros impostos.
Ex: imposto industrial + derrama...
34%
34% / 10% = 3,4% ===» 34% + 3,4% = 37,4%
Impostos gerais e locais
Impostos gerais – abrangem todo o
território nacional.
Impostos locais – destinam-se a uma
determinada zona ou autarquia.
Impostos proporcionais,
progressivos e regressivos
Impostos proporcionais – a taxa é fixa e o
imposto aumenta proporcionamente à
matéria colectável. Ex: imposto industrial.
Impostos progressivos – a taxa eleva-se a
medida que aumenta a matéria colectável.
Ex: IRT
Impostos regressivos – a taxa de imposto
diminui a medida em que aumenta a
matéria colectável. (não existem em Angola)
Finalidades do imposto (fiscais
e extra fiscais)
Finalidades fiscais – obtenção de
receitas. Os impostos são a maior e
melhor fonte de receita de qualquer
Estado, quer pela facilidade de
cobrança, quer pelo elevado volume de
receitas que se consegue arrecadar.
Receitas utilizadas para suprir as várias
necessidades públicas.
Finalidades extra fiscais – ligadas ao
intuito regulador do Estado (regulador da
economia, saúde pública, ambiente,
etc).
Ex: o imposto do tabaco em Portugal é alto,
com o intuito de se diminuir o consumo do
mesmo. Adicionando o imposto especial + o
IVA, o tabaco é capaz de ficar 80% mais
caro, comparado ao seu custo primário.
O imposto sobre os produtos petrolíferos tem
uma vertente ecológica, forçarem as pessoas
a utilisar menos os veículos.
Os impostos alfandegários têm o intuito de
proteger a economia nacional e a produção
interna.
Benefícios fiscais
Se trata de um regime especial de
tributação. Envolve uma vantagem ou
desagravamento fiscal perante o regime
normal.
Assume-se como forma de isenção,
redução de taxas, dedução a matéria
colectável, ou outras medidas de
natureza idêntica.
Podem ser deduzidos dos rendimentos
declarados, ou subtraídos directamente
do montante da colecta.
Exemplos de BF abatidos do montante da
colecta: educação; habitação(juros,
amortizações, rendas); saúde.
Exemplos de BF abatidos ao rendimento:
aplicações á prazo; acções;quotas
sindicais; donativos a instituições.