0% acharam este documento útil (0 voto)
20 visualizações2 páginas

976 A

O estudo analisa a florística da vegetação arbórea em um fragmento de mata estacional semidecídua em Guaiçara, SP, afetado pelo represamento do Rio Tietê. Foram amostrados 752 indivíduos de 37 espécies, com destaque para a família Rutaceae, e um índice de diversidade de Shannon de 1,69, indicando baixa diversidade. Os resultados sugerem a necessidade de estratégias de restauração para aumentar a riqueza e diversidade biológica da área.

Enviado por

Mardem Affonso
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
20 visualizações2 páginas

976 A

O estudo analisa a florística da vegetação arbórea em um fragmento de mata estacional semidecídua em Guaiçara, SP, afetado pelo represamento do Rio Tietê. Foram amostrados 752 indivíduos de 37 espécies, com destaque para a família Rutaceae, e um índice de diversidade de Shannon de 1,69, indicando baixa diversidade. Os resultados sugerem a necessidade de estratégias de restauração para aumentar a riqueza e diversidade biológica da área.

Enviado por

Mardem Affonso
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Florística da vegetação arbórea de um fragmento de mata estacional semidecídua às margens

de um ambiente encharcado por represamento no município de Guaiçara, SP.


Clélia Maria Mardegan Souza Camargo (mestranda em Botânica/ IB/ Botucatu/UNESP)
(clemardegan@[Link]); Osmar Cavassan (DCB/FC/Bauru/UNESP).

Introdução
Fragmentos de mata estacional semidecídua localizados em ambientes não encharcados, muitas
vezes tem este fator ecológico edáfico modificado pela aproximação da água represada de rios
próxim os. No município de Guaiçara, tem-se um fragmento localizado próximo ao Rio Dourado
que devido ao represamento do Rio Tietê, pela barragem de Promissão em 1967, teve a
aproximação do nível daquele rio até os limites da mata. Naquela região o Programa de Microbacias
Hidrográficas desenvolvido pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), com sede
de sua Regional em Lins, SP, apresenta como prioridade a restauração da vegetação ribeirinha
daquela área represada. Assim, o conhecimento da estrutura vegetacional dos remanescentes
florestais que se tornaram ribeirinhos há 38 anos atrás, servirá de subsídios para a definição de
estratégias de restauração das áreas degradadas em ambientes semelhantes na região. A primeira
etapa, aqui apresentada, teve como objetivo o conhecimento da estrutura florística de um
remanescente de mata estacional semidecídua naquela situação de encharcamento pelo
represamento do rio.

Material e métodos
Para a análise florística e posterior análise fitossociológica, foram utilizadas 54 parcelas com 100m 2
(10m X 10m) cada uma, onde todos os indivíduos com DAP igual ou superior a 10cm foram
amostrados. O material coletado após descrição e identificação foi incorporado ao Herbário UNBA
do Departamento de Ciências Biológicas da Une sp de Bauru. Os resultados foram apresentados em
forma de lista florística de espécies dentro de suas respectivas famílias e calculado o índice de
diversidade de Shannon.

Resultado e discussão
Foram amostrados 752 indivíduos pertencentes a 37 espécies, 31 gêneros e 22 famílias. As famílias
com maior riqueza em espécie foram Rutaceae (4) e Bignoniaceae (3), sendo que sete famílias
apresentaram duas espécies e 11 apenas uma. A família Rutaceae também tem elevada riqueza em
espécies em matas estacionais semidecíduas sem influência aluvial tais como em Piracicaba
(Tabanez et al, 1997) e em Botucatu (Fonseca & Rodrigues, 2000). Das espécies amostradas, 14
(37%) encontram-se relacionadas no trabalho de Rodrigues & Nave (2000) como sendo aquelas
presentes em 24% dos 43 levantamentos florísticos em floresta ciliar do Brasil extra amazônico,
sendo Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glasmam e Casearia sylvestris Sw., também presentes na
lista correspondente a 48% dos levantamentos realizados naquele tipo de vegetação. O ín dice de
diversidade de Shannon (H´) encontrado foi de 1,69. Este valor mostrou-se baixo comparado aos
limites observados para florestas ripárias da região sudeste do Brasil, entre 2,45 e 4,33 (Panichi da
Veiga et al, 2003) assim como em relação a trabalhos realizados em mata estacional semidecídua
sem influência fluvial no estado de São Paulo tais como Pinto (1989), Rozza (1997) e Assis
Camargo (1999), que encontraram valores 3,05, 3,0, e 2,51 em Matão, Jaboticabal, e Agudos
respectivamente. Tem-se que destacar que este índice pode ter sido influenciado pela baixa
eqüabilidade, uma vez que a espécie Myracrodruon urundeuva Allemao sozinha, foi responsável
por 56% (422) das plantas amostradas. De acordo com Lorenzi (1992) a distribuição contagiosa é
uma característica desta espécie e pode superestimar o cálculo deste índice de diversidade. Esta
baixa diversidade pode ser decorrente do impacto do encharcamento decorrente da inundação ou de
outras ações antrópicas. Assim, para tais ambientes, recomenda-se a implantação de estratégias que
visem aumentar a riqueza e conseqüente diversidade biológica daqueles ecossistemas. Os resultados
até então obtidos, sugerem que existem espécies típicas de matas estacionais semidecíduas sem
influência fluvial, talvez remanescente de uma situação pretérita de solo mais seco e espécies bem
adaptadas à ambiente ripário. O estudo fitossociológico daquela comunidade, com indicadores da
evolução temporal, poderá demonstrar o estágio e direção da sucessão existente. Assim, a relação
de espécies lá identificadas servirá de indicador de espécies que deverão conviver em ambientes
destinados à recuperação da vegetação nativa às margens do Rio Dourado.

Referências Bibliográficas
ASSIS CAMARGO, P.F. Composição florística e estrutura fitossociológica de um
remanescente de Floresta Estacional Semidecidual Submontana na Fazenda Santa Rita, no
município de Agudos, SP. 1999.118f. Dissertação ( Mestrado em Ciências Biológicas, área de
concentração: Botânica)- Instituto de Biociências, Universidade Estadual paulista, Botucatu.
FONSECA, R. C. B.; RODRÍGUES, R. R. Análise estrutural e aspectos do mosaico sucessional de
uma floresta semidecídua em Botucatu, SP. Scientia forestalis. n. 57, p. 27-43, 2000.
LORENZI, H. Árvores brasileiras : manual de ident ificação e cultivo de plantas arbóreas nativas
do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1992. 352p.
PANICHI da VEIGA, M. et al. Avaliação dos aspectos florísticos de uma mata ciliar no Norte do
Estado do Paraná. Acta [Link]. v. 25, n.2, p.519-525, 2003.
PINTO, M.M. Levantamento fitossociológico de uma mata residual situada no campus de
Jaboticabal da UNESP. 1989. 114f. Dissertação (Mestrado em Agronomia)- Faculdade de
Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal.
RODRIGUES, R. R.; NAVE, A. Heterogeneidade nomenclatural das formações ciliares. In:
RODRIGUES, R. R.; LEITÃO FILHO, H. de F. (Org.). Matas ciliares : conservação e recuperação.
São Paulo: EDUSP: FAPESP, 2001. cap. 4, p. 45-71.
ROZZA, A. de F. Florística, fitossociologia e caracterização sucessional de uma Floresta
Estacional Semidecidual: Mata de Virgínia, Matão, SP.1997.177p. Dissertação(Mestrado em
Ciências Biológicas, área de concentração: Biologia Vegetal)-Instituto de Biologia, Universidade
Estadual de Campinas, Campinas.
TABANEZ, A. A. J. et al. Conseqüências da fragmentação e do efeito de borda sobre a estrutura,
diversidade e sustentabilidade de um fragmento de floresta de planalto de Piracicaba, SP. Rev.
Bras. Biol.,Rio de Janeiro, n. 1, p. 47-60, 1997.

Você também pode gostar