Aula 5 - Processo de Conhecimento
Aula 5 - Processo de Conhecimento
melhor doutrina como peça escrita no vernáculo e assinada por patrono devidamente constituído em que o autor formula
demanda que virá a ser apreciada pelo juiz, na busca de um provimento final que lhe conceda a tutela jurisdicional pretendida. A petição inicial visa: instaurar o processo; indicar os limites objetivos e subjetivos da sentença; permitir a verificação de eventual litispendência, coisa julgada ou
conexão; fornecer elementos para a fixação de competência; indicar ao juiz a ausência de alguma das condições da ação. Nos termos do artigo 319 do CPC, são requisitos da petição inicial: “Art. 319. A petição inicial indicará: I - o juízo a que é dirigida; II - os nomes, os prenomes, o estado civil,
a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; § 1º Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na
petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção. § 2º A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu. § 3º A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II
deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça. III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; IV - o pedido com as suas especificações; V - o valor da causa; VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos
fatos alegados; VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação” . Também o art. 106, I, do CPC indica outro requisito estrutural essencial para a regularidade da petição inicial, quando o advogado postular em causa própria: “Art. 106. Quando postular
em causa própria, incumbe ao advogado: I - declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço, seu número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual participa, para o recebimento de intimações ”. O art. 320 do CPC
determina que a petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da demanda. Indispensáveis à propositura da ação ou fundamentais/essenciais à defesa são os documentos que dizem respeito às condições da ação ou a pressupostos processuais, bem como os
que se vinculam diretamente ao próprio objeto da demanda, como é o caso do contrato para as ações que visam discutir exatamente a existência ou extensão da relação jurídica estabelecida entre as partes. Além dos fatos que fundamentam a pretensão, a petição inicial deve deduzir, também,
seus fundamentos jurídicos. Estes não integram a causa de pedir, mas ainda assim precisam ser descritos na petição inicial. É que incumbe ao demandante indicar, na sua petição inicial, o raciocínio jurídico desenvolvido para afirmar que, dos fatos narrados, chegou à conclusão por ele
apresentada. Tais fundamentos jurídicos não vinculam o juiz (ao contrário da causa de pedir, a que o juiz fica vinculado e só com base nela poderá proferir sentença de mérito) - PRINCIPIO DA CONGRUÊNCIA (a decisão judicial fica limitada ao pedido formulado pela parte autora, de
modo que o julgador que decide fora dos limites da lide poderá incorrer em julgamento extra, citra/infra ou ultra petita), que pode trazer outros fundamentos jurídicos para a causa (iura novit curia, máxima que indica que o juiz conhece o Direito e, por isso, não fica vinculado aos
fundamentos jurídicos deduzidos pelas partes), os quais deverão, porém, ser submetidos ao contraditório substancial e efetivo para que possam ser invocados na fundamentação da decisão. A causa de pedir é composta pelos fundamentos de FATO - o que causou o dano ( que formam a
causa de pedir remota), e pelos fundamentos de DIREITO - dano jurídico ( que formam a causa de pedir próxima, e que dão origem ao pedido formulado perante o juízo ) - ambos são elementos da ação . É importante ressaltar que a causa de pedir também pode ser classificada em
ativa, que é o fato constitutivo do direito do autor, e passiva, que é o fato que impulsiona o interesse de agir. Fundamento jurídico: é o motivo que justifica a existência da ação e integra a causa de pedir. Fundamento legal: são as normas legais que fundamentam o direito material discutido em
juízo, e que não são requisitos da petição inicial. Convém, ainda, distinguir 'fundamento jurídico', que integra a causa petendi - e cuja indicação é indispensável - de 'fundamento legal', que é a norma legal que se apoia a pretensão, cuja referência não é exigida pelo Código. Teoria da
Substanciação da Causa de Pedir: a causa de pedir é formada pelo conjunto dos fatos e dos fundamentos jurídicos. É a teoria adotada pelo CPC. Acerca da causa de pedir, o nosso ordenamento jurídico processual adotou a teoria da substanciação ao exigir que o autor, na petição inicial,
indique os fatos (causa de pedir remota) e os fundamentos jurídicos (causa de pedir próxima) do seu pedido. Pedido é a providência que a parte requer do judiciário, formado por dois objetos: um imediato, que é a tutela jurisdicional pretendida pelo demandante, tendo por destinatário o Poder
Judiciário, e outro mediato, que é o bem jurídico que será protegido pela tutela jurisdicional, tendo por destinatário o réu. Ademais, deve-se levar em conta, na interpretação do pedido, o princípio da boa-fé (arts. 5° e 322, § 2°). É que, com a dedução de uma demanda em juízo, o autor gera – no
órgão jurisdicional e no demandado – expectativas que devem ser levadas em consideração no momento da interpretação do pedido. O pedido deve ser certo (é o pedido expresso, em contraposição ao implícito. Exceções à certeza do pedido - consideram-se incluídos no objeto do processo
os juros legais, a correção monetária e as verbas de sucumbência, art. 322, §1º, do CPC. Também se consideram incluídas no objeto do processo, independentemente de pedido expresso, as prestações sucessivas que resultem da obrigação cujo cumprimento se postula, art. 323 do CPC) . O
pedido deve ser determinado (delimitado em relação à qualidade e à quantidade do bem jurídico pretendido, contrapondo-se ao pedido genérico. Exceções à determinação do pedido, art. 324 do CPC: I - nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados; II- quando
não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato; III- quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu). Requisitos para cumulação de pedidos (compatibilidade: dispensada para pedidos subsidiários e
alternativos; II - A competência do juízo para o conhecimento de todos. III- A adequação do procedimento adotado). São espécies de cumulação de pedidos: I - Cumulação Própria (são formulados vários pedidos, que podem ser acolhidos simultaneamente, podendo ser simples ou sucessiva. a)
Cumulação Própria Simples: os pedidos não têm entre si relação de precedência lógica, podendo ser analisados de forma independente, exp.: dano moral e material, podem se cumular, mas um não depende do outro. b) Cumulação Própria Sucessiva: há vínculo de precedência lógica entre os
pedidos, de modo que o acolhimento de um pressupõe o acolhimento do anterior, em razão da prejudicialidade ou da preliminariedade, exp.: reconhecimento de paternidade cumulado com fixação de alimentos, um depende do outro). II - Cumulação Imprópria (são formulados vários pedidos, de
modo que apenas um poderá ser atendido, podendo ser subsidiária ou alternativa. a) Cumulação Imprópria Subsidiária ou Eventual: o juiz só poderá acolher o pedido posterior caso o anterior tenha sido rejeitado, exp.: valor de volta do dano ou conserto do bem. b) Cumulação Imprópria
Alternativa: o juiz só poderá acolher um dos pedidos, rejeitando os demais, alternativo é o modo como a obrigação pode ser cumprida).
1. Posturas do juiz: Emenda da petição inicial, segundo o STJ, a emenda consiste em um direito do autor, não podendo o juiz indeferir a petição inicial antes de oportunizar a emenda ao autor, se for possível ao caso concreto (15 dias, mas pode ampliar se entender necessário). Segundo o art.
321 do CPC, o juiz concederá o prazo de 15 dias ao autor para que emende ou complete a inicial, mas pode o juiz ampliá-lo quando entender que o prazo é exíguo para cumprimento. O indeferimento da petição inicial, quer por força do não-preenchimento dos requisitos exigidos nos arts. 319 e
320 do CPC/2015, quer pela verificação de defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, reclama a concessão de prévia oportunidade de emenda pelo autor, nos termos do art. 321 do CPC/2015. A decisão do juiz que determina a emenda da petição inicial deve ser,
como de resto toda e qualquer decisão judicial, devidamente motivada. Significa dizer que o juiz deve indicar precisamente qual o vício que entende presente na petição inicial, justificando seu entendimento (motivação). A omissão em indicar qual o vício da petição inicial deve ser afastada com a
interposição de embargos de declaração. O art. 1.015 do CPC não prevê entre as decisões interlocutórias recorríveis por agravo de instrumento o pronunciamento que determina a emenda da petição inicial. Doutrina e jurisprudência entendem pela possibilidade de emendas sucessivas, sendo o
limite apreciado no caso concreto. Se o juiz determinar a emenda e a parte autora ficar inerte, resta o indeferimento da inicial (ou no caso de vícios insanáveis - art. 330). Indeferimento da petição inicial: ocorre nas hipóteses em que o juiz se depara com vícios insanáveis na petição inicial, se
o autor não tiver conseguido sanar eventuais irregularidades, conforme previsto no art. 330: “A petição inicial será indeferida quando: I - for inepta; II - a parte for manifestamente ilegítima; III - o autor carecer de interesse processual; IV - não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321” . Os §§
1º a 3º do art. 330 do CPC dispõem acerca das hipóteses em que a petição inicial será inepta: “§1º Considera-se inepta a petição inicial quando: I - lhe faltar pedido ou causa de pedir; II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido
genérico; III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão. IV - contiver pedidos incompatíveis entre si . § 2º Nas ações que tenham por objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo, de financiamento ou de alienação de bens, o autor terá de, sob pena de
inépcia, discriminar na petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do débito ”. O art. 331 do CPC prevê a possibilidade retratação, pelo magistrado, em caso de apelação: “Art. 331 - Acaso indeferida a petição
inicial, o autor pode apelar, facultado ao juiz retratar-se no prazo de 5 dias” . Se não houver retratação, o juiz mandará citar o réu para responder ao recurso. Sendo a sentença reformada pelo Tribunal, o prazo para a contestação começará a partir do retorno dos autos; se não for interposta a
apelação, o réu será intimado tão somente do trânsito em julgado da sentença. A intempestividade da apelação desautoriza o órgão a quo a proferir juízo positivo de retratação . Julgamento de improcedência liminar: é a possibilidade de julgamento de improcedência do pedido do autor antes
da citação do réu (inaudita altera partes), nas hipóteses do art. 332, CPC: “Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: I - enunciado de súmula do Supremo
Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça; II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência; IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local. § 1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição” . Só é cabível em causas que dispensem a
fase instrutória e havendo enunciado de súmula, acórdão proferido em julgamento de recursos repetitivos e entendimento firmado em IRDR ou de IAC. O objetivo do dispositivo legal é o encerramento de demandas repetitivas. A economia processual e a celeridade do processo são os
fundamentos principais que levaram o legislador a prever esse instituto processual. Não havendo retratação da sentença, a apelação recebida pelo juízo de primeiro grau deverá ser encaminhada ao Tribunal de segundo grau competente para o seu julgamento. Antes disso, o réu deve ser citado
para responder ao recurso. A doutrina majoritária entende que essa resposta do réu tem natureza de contestação, devendo o réu alegar em sua defesa todas as matérias que alegaria se tivesse sido regularmente citado.
2. Audiência de mediação e conciliação: recebida a petição inicial, se não for causa de improcedência liminar do pedido ou de indeferimento da inicial, o juiz designará audiência de conciliação ou mediação, com antecedência mínima de 30 dias, devendo o réu ser citado com antecedência
mínima de 20 dias (sob pena de violação ao princípio do contraditório e consequente nulidade). A regra, portanto, é a citação e no mesmo ato a intimação do réu para comparecer à audiência de conciliação ou de mediação. O art. 334, §2º, do CPC, prevê que poderá haver mais de uma sessão
de conciliação e mediação, desde que necessária para a composição das partes, num período máximo de 02 meses, embora esse prazo possa ser extrapolado pela vontade das partes. O autor será intimado na pessoa do seu advogado acerca da realização da audiência . O fato de o autor ter
manifestado na petição inicial que não deseja a realização da audiência não é suficiente para que ela não seja realizada, pois dependerá de manifestação no mesmo sentido pelo réu. No entanto, se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse, o juiz dispensará a realização da
audiência. Para o réu, o desinteresse na audiência deve ser indicado em petição, apresentada com 10 dias de antecedência. Essa declaração de desinteresse na realização da audiência não depende de qualquer justificativa, bastante a vontade das partes, ainda que imotivada,
para que a audiência não se realize. Se o direito material não admitir autocomposição, não será realizada audiência de conciliação e mediação. En. 717, FPPC. A indisponibilidade do direito material, por si só, não impede a celebração de autocomposição. En. 673, FPPC. A
presença do ente público em juízo não impede, por si, a designação da audiência do art. 334 . En. 573, FPPC. As Fazendas Públicas devem dar publicidade às hipóteses em que seus órgãos de Advocacia Pública estão autorizados a aceitar autocomposição . Se existirem
litisconsórcios, todos devem manifestar o desinteresse na realização da audiência. O art. 165 do CPC prevê que os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e de mediação. O art. 334, § 8º, do
CPC prevê que a ausência injustificada do autor ou réu na audiência é ato atentatório à dignidade da justiça, passível de sanção processual, representada por multa de até 2% do valor da causa ou da vantagem econômica pretendida, tendo como credor a União ou o Estado. A decisão que
aplica a multa do art. 334, §8º, do CPC, à parte que deixa de comparecer à audiência de conciliação, sem apresentar justificativa adequada, não pode ser impugnada por agravo de instrumento, não se inserindo na hipótese prevista no art. 1.015, II, do CPC. Tal decisão poderá, no futuro, ser
objeto de recurso de apelação, na forma do art. 1.009, §1º, do CPC. As partes devem estar acompanhadas por seus advogados ou defensores públicos, e não cabe a aplicação de multa pelo não comparecimento pessoal à audiência de conciliação, por ato atentatório à dignidade da
Justiça, quando a parte estiver representada por advogado com poderes específicos para transigir . A audiência de mediação ou de conciliação, ao menos em regra, será realizada por conciliador ou mediador vinculado ao centro judiciário de solução consensual de conflitos, que
naturalmente não está investido na jurisdição. Dessa forma, deverá se limitar a reduzir a termo a autocomposição e encaminhar os autos para o JUIZO do processo, a quem caberá homologar a autocomposição por meio de sentença de mérito, nos termos do art. 487, III, "b", do Novo CPC.
3. Respostas do réu: I. Contestação: é a resposta defensiva do réu, representando a forma processual pela qual o réu se insurge contra a pretensão do autor. O prazo de contestação é de 15 dias, sendo o termo inicial definido conforme art. 335 do CPC. O termo inicial será a data da audiência
de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição (conta-se a partir do 1° dia útil seguinte à realização da audiência). Enunciado 122, CJF: O prazo de contestação é contado a partir do
primeiro dia útil seguinte à realização da audiência de conciliação ou mediação, ou da última sessão de conciliação ou mediação, na hipótese de incidência do art. 335, inc. I, do CPC. A data começa a correr também, a partir do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação
ou de mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º, inciso I . Por fim, começará a contar de acordo com o modo como foi feita a citação, nos demais casos). São princípios que regem a contestação: Impugnação específica dos fatos (segundo o art. 341, do CPC,
serão presumidos verdadeiros os fatos que não sejam impugnados especificamente pelo réu em sua contestação. É o ônus do réu em rebater pontualmente os fatos narrados pelo autor com os quais discorda, sob pena de preclusão. O ônus da impugnação específica NÃO se aplica ao
advogado dativo, curador especial e defensor público, que podem elaborar contestação com base em negativa geral). Eventualidade (o réu deve expor todas as matérias de defesa de forma cumulada e alternativa na contestação. No entanto, há algumas matérias que podem ser alegadas após
a contestação - art. 342, CPC, por exemplo: 1. Matérias relativas a direito ou fato superveniente; 2. Matérias que o juiz pode reconhecer de ofício; 3. Matérias que por expressa previsão legal podem ser alegadas a qualquer momento e grau de jurisdição). Não há como formular, na
contestação, pedido de rescisão ou revisão contratual. Isso porque, sem reconvenção, o Juiz não pode julgar pedidos do réu quanto ao mérito e, por consequência, não pode decretar a rescisão do contrato e reconstituir o status quo ante ou revisar o contrato para alterar os
direitos e as obrigações nele previstos. Em outras palavras, o direito do autor só seria extinto ou modificado após a decretação da rescisão ou da revisão por sentença e, para tanto, seria necessária a realização de um pedido em reconvenção ou em ação autônoma. No entanto, o réu pode
alegar, na contestação, que já ocorreu o desfazimento do contrato, como na hipótese de cláusula resolutiva expressa (art. 474 do CC/2002) ou de distrato (art. 472 do CC/2002). Ademais, a diferença é que nessa situação o desfazimento já se operou, extinguindo o direito do autor no plano do
direito material, sem a necessidade de decisão judicial. Se a pretensão de cobrança deduzida na inicial é fundada em cláusula contratual, a alegação de nulidade dessa cláusula ou da própria cobrança pode ser manejada em contestação, por caracterizar fato extintivo do direito do autor.
II. Defesas Processuais/indiretas: não dizem respeito propriamente ao direito material alegado pelo autor, mas à regularidade formal do processo. Podem ser DILATÓRIAS/IMPRÓPRIA - não representam o fim do processo, apenas dilatam o julgamento final (podem decorrer da exceção
de incompetência do juízo, ou da inexistência ou nulidade de citação; bem como nos casos de incompetência do juízo, lembrando que com o NCPC, a alegação de incompetência relativa passa a ser preliminar de contestação, e não mais em exceção, por fim são dilatórias a conexão e
continência, eis que o seu efeito principal, acaso reconhecida, será a reunião de processos com ações não conexas, perante o juízo prevento . No caso da continência, a defesa apresentada pelo réu poderá ter natureza peremptória, porque nem sempre o reconhecimento da
continência levará á reunião dos processos. Conforme art. 57 do NCPC, quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, o processo relativo à ação contida será extinto por sentença, sem resolução de mérito; caso contrário, as ações serão necessariamente
reunidas. Sobre a preliminar de incompetência, lembrar que o art. 340 do CPC prevê que a contestação poderá ser protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será imediatamente comunicado ao juiz da causa, preferencialmente por meio eletrônico. Reconhecida a competência do foro
indicado pelo réu, o juízo para o qual for distribuída a contestação ou a carta precatória será considerado prevento e será designada nova data para a audiência de conciliação ou de mediação). PEREMPTÓRIAS/PRÓPRIA - uma vez acolhidas encerram o processo (acolhidas, extinguem o
processo sem resolução do mérito. Podem decorrer: inépcia da petição inicial; litispendência; coisa julgada; convenção de arbitragem; carência da ação por falta de interesse de agir e ilegitimidade; Perempção - quando o autor da causa dá extinção do processo, por 3 vezes, à extinção do
processo, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, embora possa alegar em defesa o seu direito). DILATÓRIAS POTENCIALMENTE PEREMPTÓRIAS (não sanado o vício, o processo poderá ser extinto. Podem decorrer: incapacidade da parte, defeito de
representação ou falta de autorização; falta de caução ou outra prestação que a lei exige como preliminar, nos casos em que a lei exige a prestação de caução, cabe ao autor comprovar o cumprimento do requisito, exp.: art. 83 CPC. Caso não cumpra, o juiz deve determinar que o autor emende
a petição inicial no prazo de 15 dias, sob pena de indeferimento da petição inicial; incorreção no valor da causa; carência da ação por ilegitimidade da parte - incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as
despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação. Enunciado 42 do II FPPC: O art. 339 do NCPC aplica-se mesmo a procedimentos especiais que não admitem intervenção de terceiros e aos juizados especiais cíveis). DEFESAS DE MÉRITO (é a
impugnação do conteúdo jurídico da pretensão autoral: Defesa de mérito direta - o réu enfrenta frontalmente os fatos e fundamentos jurídicos narrados pelo autor na petição inicial, para demonstrar que os fatos não ocorreram ou as consequências jurídicas não ocorreram ou que as
consequências jurídicas pretendidas pelo autor não são as mais adequadas ao caso concreto. Defesa de mérito indireta - aqui o réu, sem negar as afirmações lançadas pelo autor na petição inicial, alega fato novo que tenha natureza impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor).
III. Reconvenção: é o exercício do direito de ação do réu dentro do processo em que primitivamente o autor originário tenha exercido o seu direito de ação (aqui ele pode apresentar fatos novos, diferente do pedido contraposto). Com a reconvenção, há a ampliação objetiva ulterior do
processo, que passa a contar com duas ações: a originária e a reconvencional. Não se trata da pluralidade de processos, pois o processo continua sendo um só, mas com o pedido feito pelo réu, passa o processo a contar com mais uma ação, de natureza reconvencional .
Como a reconvenção tem natureza de ação, devem estar presentes as condições da ação. A doutrina admite a diminuição subjetiva na reconvenção. Logo, existindo litisconsórcio na ação originária, o mesmo litisconsórcio não será necessariamente formado na reconvenção, admitindo-se que
somente um dos autores da ação originária figure como réu na reconvenção, por exemplo. Pressupostos processuais específicos da reconvenção: Litispendência (é imprescindível que exista demanda originária para haver a reconvenção); Competência (o juízo da ação originária é
absolutamente competente para a ação reconvencional); Conexão (com a ação originária ou com os fundamentos da defesa), exp.: cabe pedido de majoração de alimentos em reconvenção contra o autor que ajuizou ação de exoneração de alimentos. Pelo NCPC, a reconvenção deve ser
apresentada na própria contestação. Segundo o Enunciado 45, do FPPC, não há necessidade de utilizar o nome “reconvenção”, mas o réu deve manifestar, inequivocamente, o pedido de tutela jurisdicional qualitativa ou quantitativamente maior do que a simples improcedência da demanda
inicial. Se o réu não contestar, pode apresentar reconvenção de forma autônoma. « Ainda que não ofertada contestação em peça autônoma, a apresentação de reconvenção na qual o réu efetivamente impugne o pedido do autor pode afastar a presunção de veracidade
decorrente da revelia (STJ, Info 546). Apresentada a reconvenção, ela passa a ser autônoma em relação à ação originária, e se a ação originária for extinta sem resolução de mérito, tal extinção NÃO afetará a reconvenção, que prosseguirá normalmente (diverso do pedido
contraposto, que está vinculado, não tem, autonomia - art. 31 Lei 9.099/95). E se a reconvenção for extinta, a ação ordinária também prossegue normalmente. Não sendo o caso de indeferimento liminar da reconvenção, o autor/ reconvindo será intimado, na pessoa do seu advogado, para
responder ao processo em 15 dias. É cabível reconvenção de reconvenção, embora parcela da doutrina entende que o seu cabimento está condicionado às hipóteses de reconvenção com fundamento na conexão com os fundamentos de defesa . “Art. 85. § 1º São devidos honorários
advocatícios na reconvenção, no cumprimento de sentença, provisório ou definitivo, na execução, resistida ou não, e nos recursos interpostos, cumulativamente”. “Art. 292. O valor da causa constará da petição inicial ou da reconvenção e será: […]”. “Art. 286, parágrafo único. Havendo
intervenção de terceiro, reconvenção ou outra hipótese de ampliação objetiva do processo, o juiz, de ofício, mandará proceder à respectiva anotação pelo distribuidor” . TEMA 622 STJ: “A aplicação da sanção civil do pagamento em dobro por cobrança judicial de dívida já adimplida (cominação
encartada no artigo 1.531 do Código Civil de 1916, reproduzida no artigo 940 do Código Civil de 2002) pode ser postulada pelo réu na própria defesa, independendo da propositura de ação autônoma ou do manejo de reconvenção, sendo imprescindível a demonstração de má-fé do credor”.
4. Revelia: é estado de fato gerado pela ausência jurídica de contestação (art. 344, CPC). A ausência deve ser necessariamente jurídica porque ocorre revelia mesmo nos casos em que o réu apresenta contestação, em algumas hipóteses, a exemplo do protocolo de contestação intempestiva: a
contestação existirá, mas juridicamente não produzirá efeitos. O réu revel pode intervir no processo em qualquer fase, recebendo o processo no estado em que se encontrar. O réu revel poderá produzir provas, contrapostas às alegações do autor, desde que se faça representar nos autos a
tempo de praticar os atos processuais indispensáveis a essa produção (antes de encerrada a fase instrutória). Todavia, não está sendo admitida a produção irrestrita de provas e tornando inócua a regra estabelecida no art. 319 do CPC. Está sendo apenas facultado que o réu revel traga
contraprovas aos fatos narrados pelo autor, na tentativa de elidir a presunção relativa de veracidade, desde que compareça nos autos em tempo oportuno [antes de encerrada a fase instrutória]. Um dos seus efeitos é que os fatos alegados pelo autor são reputados verdadeiros (EFEITO
MATERIAL) - porém essa presunção é relativa, pois pode ser afastada no caso concreto, nas hipóteses do art. 345, do CPC. Outro efeito é a desnecessidade de intimação do réu revel (EFEITO FORMAL) - para que não ocorra a intimação do réu revel, é indispensável que não esteja
representado por patrono nos autos. Assim, se eventualmente foi protocolada a contestação intempestiva, o patrono deve ser intimado. Nesse caso, lembrar do que dispõe o art. 346, segundo o qual os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da data de publicação do ato
decisório no órgão oficial. Ainda, outro efeito da revelia é o julgamento antecipado do mérito (art. 355, II, CPC): “Art. 355. O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo sentença com resolução de mérito, quando: [...] II - o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e não houver
requerimento de prova, na forma do art. 349”. Nos casos em que a revelia (...) gere a presunção de veracidade, o autor fica livre de seu ônus probatório, já que – por força do disposto no art. 374, IV – não dependem de prova os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de
veracidade. Pode, porém, ocorrer de o revel ingressar no processo ainda em tempo de provocar a instauração de uma fase de instrução probatória (art. 346, parágrafo único). Pois neste caso, sobre o réu revel que tardiamente comparece ao processo incidirá o ônus da contraprova,
sendo por isso admissível que ele produza provas destinadas a afastar a presunção que beneficia o demandante. Deverá, então, o juiz permitir que o revel que tenha comparecido produza provas que se contraponham às alegações do autor (art. 349).
***OBS.: REVELIA DA FAZENDA PÚBLICA - o art. 345 prevê hipóteses em que a revelia não produzirá seu efeito MATERIAL (fatos não contestados são reputados como verdadeiros), dentre elas, a de o litígio versar sobre direitos indisponíveis (art. 345, II, do CPC). Como é cediço, a
Administração Pública tem por principal escopo a defesa do interesse público, que é indisponível. Além disso, os atos administrativos gozam de presunção relativa de legitimidade. Portanto, via de regra, o efeito material da revelia não terá incidência em face da Fazenda Pública . Não se
aplica à Fazenda Pública o efeito material da revelia, nem é admissível, quanto aos fatos que lhe dizem respeito, a confissão, pois os bens e direitos são considerados indisponíveis . (AgRg no REsp 1170170). Porém incidem os efeitos materiais da revelia contra o Poder Público na
hipótese em que, devidamente citado, deixa de contestar o pedido do autor, sempre que estiver em litígio uma obrigação de direito privado firmada pela Administração Pública, e não um contrato genuinamente administrativo (STJ, Info 508, REsp 1.084.745/2012).
5. Providências preliminares conforme o estado do processo : segundo o art. 347, findo o prazo para a contestação, o juiz tomará, conforme o caso, as providências preliminares previstas em lei. NÃO constituem fase obrigatória do procedimento, dependendo as circunstâncias do caso concreto -
Se o réu for revel (sendo presumidos verdadeiros os fatos alegados pelo autor: julgamento antecipado do mérito; NÃO sendo presumidos verdadeiros os fatos alegados pelo autor: aplica-se o art. 348, do CPC, com determinação do autor para especificar as provas a serem produzidas). Se o
réu apresenta contestação e alega as matérias do art. 337 ou defesa indireta de mérito, o Juiz determinará a oitiva do autor para apresentar réplica. Ultrapassada a fase das providências preliminares, abre-se a fase do julgamento conforme o Estado do processo, ocasião em que pode haver
algumas situações: I. Extinção do processo sem resolução do mérito (o juiz, ao perceber a inutilidade da continuação do processo, em razão de vício insanável, deve determinar a extinção do processo sem resolução do mérito). II. Extinção do processo com resolução do mérito, fundada
no art. 487, II e III, do CPC (OBS.: essa decisão pode dizer respeito a apenas parcela do processo, caso em que será impugnável por agravo de instrumento. Nesse sentido, a exclusão de um dos litisconsortes do polo passivo, por ilegitimidade, prosseguindo-se o feito perante os demais, não
configura extinção da totalidade do feito, caracterizando decisão interlocutória, pelo que é recorrível mediante recurso de agravo de instrumento e não de apelação , cuja interposição, nesse caso, é considerada erro grosseiro (STJ, AgInt no AREsp 1.555.814/2020). III. Julgamento antecipado
do mérito (é a possibilidade de julgamento do processo, quando for desnecessária a produção de provas ou quando o réu for revel e não houver requerimento para a produção de provas - art. 355, CPC) . IV. Julgamento antecipado parcial do mérito (“art. 356. O juiz decidirá parcialmente o
mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles: I - mostrar-se incontroverso; II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355. § 1º A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de obrigação líquida ou ilíquida. § 2º A
parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar parcialmente o mérito, independentemente de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto. § 3º Na hipótese do § 2º, se houver trânsito em julgado da decisão, a execução será definitiva. § 4º
A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser processados em autos suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz. § 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento ”. O capítulo decidido ao transitar
em julgado produzirá coisa julgada material, não sendo possível o juiz posteriormente modificar a decisão ao resolver a parcela do mérito que demandou a continuidade, ainda que parcial, do processo. Enunciado 125, CJF: A decisão parcial de mérito não pode ser modificada senão em
decorrência do recurso que a impugna. Enunciado 5, CJF – Ao proferir decisão parcial de mérito ou decisão parcial fundada no art. 485 do CPC, condenar-se-á proporcionalmente o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor, nos termos do art. 85 do CPC).
OBS.: Saneamento e organização do processo: “Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo: I - resolver as questões processuais pendentes, se houver; II - delimitar as questões de fato sobre as
quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de prova admitidos; (no saneamento, as partes podem apresentar ao juiz, para homologação, delimitação consensual das questões de fato e de direito, a qual, se homologada, vincula as partes e o juiz); III - definir a distribuição do
ônus da prova, observado o art. 373; IV - delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito ; (as partes podem apresentar ao juiz, para homologação, delimitação consensual das questões de fato e de direito, a qual, se homologada, vincula as partes e o juiz) ; V - designar, se
necessário, audiência de instrução e julgamento”. O número de testemunhas arroladas NÃO pode ser superior a 10, sendo 03, no máximo, para a prova de cada fato. Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo comum
de 5 dias, findo o qual a decisão se torna estável . OBS: “Art. 357, § 3º Se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito, deverá o juiz designar audiência para que o saneamento seja feito em cooperação com as partes, oportunidade em que o juiz, se for o caso,
convidará as partes a integrar ou esclarecer suas alegações. § 5º Na hipótese do § 3º, as partes devem levar, para a audiência prevista, o respectivo rol de testemunhas”.
6. Audiência de Instrução e Julgamento : é ato processual complexo, no qual várias atividades são praticadas pelo juiz, serventuário das partes, partes, membros do MP. São realizadas atividades preparatórias, conciliadoras, saneadoras, instrutórias, de discussão da causa e decisórias. Trata-se
de sessão pública. Audiência sem publicidade, fora dos casos ressalvados, é nula (STF, Pleno, ADI 2.970/2006). No exercício do poder de polícia, poderá o juiz limitar o número de pessoas e determinar a retirada daquelas que se portarem de forma inconveniente. Na audiência de instrução
e julgamento, deve-se observar a seguinte ordem: Abertura; Pregão; Tentativa de conciliação (autocomposição); Esclarecimento dos peritos e assistentes técnicos; Depoimento pessoal; Oitiva de testemunhas; Debates orais; Prolação de sentença (se for o caso de apresentação de alegações
finais orais). Segundo o art. 365, CPC, a audiência é una e contínua, mas pode ser cindida de forma excepcional, desde que haja ausência do perito ou de testemunha, ou que haja concordância das partes. Outrossim, a audiência pode ser adiada pela vontade das partes. Interrompida a
audiência, não se designará uma nova, apenas de prosseguirá em data próxima à audiência interrompida. O art. 362 prevê as hipóteses de adiamento da audiência. Como todo ato processual, em regra é público, havendo, entretanto, publicidade mitigada (limitada às partes e aos patronos) nos
casos de que trata o art. 189 do CPC. A Lei nº 14.508/2022 incluiu dispositivo no Estatuto da OAB para estabelecer normas sobre a posição topográfica dos advogados durante audiências de instrução e julgamento. Assim, no §2º do art. 6º passou a prever que durante as audiências de instrução
e julgamento realizadas no Poder Judiciário, nos procedimentos de jurisdição contenciosa ou voluntária, os advogados do autor e do requerido devem permanecer no mesmo plano topográfico e em posição equidistante em relação ao magistrado que as presidir.
7. Provas: não há consenso na doutrina sobre a conceituação de prova, mas pode-se definir que “prova é todo elemento trazido ao processo para contribuir com a formação do convencimento do juiz a respeito da veracidade das alegações concernentes aos fatos da causa” . Pode-
se afirmar que a prova é a alma do processo de conhecimento. É que só através das provas o juiz poderá reconstruir os fatos da causa e, com isso, produzir uma decisão que – construída através da participação em contraditório de todos os atores do processo – seja a correta para o caso
deduzido. I- Do ponto de vista subjetivo, a prova é o convencimento de alguém a respeito da veracidade de uma alegação . II- De outro lado, em seu sentido objetivo, prova é qualquer elemento trazido ao processo para tentar demonstrar que uma afirmação é verdadeira . A prova tem por objeto
demonstrar a veracidade de alegações sobre fatos que sejam controvertidos ou relevantes. A alegação que constitui objeto da prova deve ser a alegação de um fato. Alegações sobre o direito (como a afirmação de que certa lei está em vigor, ou de que determinado ato normativo é
inconstitucional) não são objeto de atividade probatória. Há, porém, uma exceção. Nos termos do art. 376 CPC, a parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar. As provas podem ser: I. Direta
(destinada a comprovar a alegação de fato que se procura demonstrar como verdadeira); II. Indireta (destinada a demonstrar as alegações de fato ou circunstanciais. São conhecidas como indícios); III. Pessoal (decorre de declaração feita por uma pessoa); IV. Real (constituída por meio de
objetos e coisas); V. Testemunhal (toda prova produzida sob a forma oral); VI. Documental (toda afirmação de um fato escrita ou gravada, como um contrato ou uma fotografia); VII. Material (qualquer outra forma material, que, não sendo testemunhal nem documental, comprove um fato, como
a perícia e a inspeção judicial). VIII. Causal (produzida dentro do próprio processo, como ocorre com o depoimento pessoal e a perícia); IX. Pré-constituída (formada fora do processo, geralmente antes mesmo da instauração da demanda, como ocorre com a prova documental). Princípio da
comunhão da prova (uma vez sendo a prova produzida, ela passa a ser do processo, e não de quem a produziu ). Exclusão do objeto de prova, segundo o art. 374, do CPC, não dependem de prova os fatos (Impertinentes e irrelevantes à solução da demanda; Notórios - o fato não precisa
ser de conhecimento do juiz, o fato não precisa ter sido testemunhado; A notoriedade pode ser objeto de prova, se existir dúvida do juiz sobre essa característica do fato. Confessados; Alegações de fato não controvertidas; Questões de fato em cujo favor milite presunção legal de existência ou
veracidade, exp.: Código Civil, art. 1.209. A posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem). Provas em espécie:
I. Ata notarial: é prova híbrida, pois tem uma forma documental, que será uma ata lavrada pelo tabelião, mas seu conteúdo é de prova testemunhal, já que o teor da ata será as impressões do tabelião a respeito do fato que presenciou. É cabível sempre que for possível ao tabelião atestar a
existência ou modo de ser, independente da natureza ou espécie de natureza jurídica de direito material derivada de tais fatos. A ata notarial não se confunde com a escritura pública. Enquanto na escritura o tabelião recebe a manifestação das partes (negócio jurídico), dando-lhe suporte formal
e qualificando-a juridicamente, a ata notarial se presta apenas à narração de um fato presenciado e apreendido pelos sentidos, sem qualificação jurídica desse fato ou juízo de valor.
II. Depoimento pessoal (arts. 385-388 CPC): é o testemunho das partes em juízo sempre que requerido expressamente pela parte contrária ou juiz. Tanto autor quanto réu podem prestar depoimento pessoal, assim como terceiros intervenientes na demanda. O assistente simples, por não
ser parte na demanda, mas mera parte no processo, não presta depoimento pessoal, sendo ouvido como testemunha . Se a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida da pena de confissão, não comparecer ou, comparecendo, se recusar a depor, será
aplicada a pena de confissão. “Art. 385, § 2º É vedado a quem ainda não depôs assistir ao interrogatório da outra parte” . “Art. 388. A parte não é obrigada a depor sobre fatos: I - criminosos ou torpes que lhe forem imputados; II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo; III -
acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu companheiro ou de parente em grau sucessível; IV - que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas no inciso III. § único. Esta disposição não se aplica às ações de estado e de família”.
III. Confissão (arts. 389-395 CPC): ocorre quando a parte admite a verdade de um fato contrário ao seu interesse e favorável ao adversário. Para a confissão ser eficaz, deve preencher os seguintes requisitos: o confitente deve ter capacidade plena; Inexigibilidade de forma especial para
a validade do ato jurídico; Disponibilidade do direito relativo ao fato confessado, não se admitindo confissão de fatos que digam respeito a direitos indisponíveis. São espécies de confissão: Confissão judicial (realizada pela própria parte ou representante com poderes para confessar);
Confissão provocada (resulta do depoimento pessoal); Confissão espontânea (realizada fora do depoimento pessoal, podendo ser oral ou escrita); Confissão extrajudicial (realizada fora do processo). Nas ações que versarem sobre bens imóveis ou direitos reais sobre imóveis alheios, a
confissão de um cônjuge ou companheiro não valerá sem a do outro, salvo se o regime de casamento for o de separação absoluta de bens.
IV. Exibição de documento ou coisa (arts. 396-404 CPC): é meio de prova para a parte provar alegação de fato por meio de coisa ou documento que não esteja em seu poder. O pedido deve conter: descrição do documento ou da coisa, ou das categorias de documentos ou de coisas
buscados; finalidade da prova; circunstância em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou coisa existe, ainda que a referência seja a categoria de documentos ou de coisas, e se acha em poder da parte contrária. Recusa da exibição é possível nas seguintes hipóteses (se
concernente a negócios da própria vida da família; sua apresentação puder violar dever de honra; sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus parentes consanguíneos ou afins até o 3° grau, ou lhes representar perigo de ação penal; sua exibição acarretar a
divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou profissão, devam guardar segredo; subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem a recusa da exibição; houver disposição legal que justifique a recusa da exibição). Hipóteses em que não pode haver
recusa (o requerido não efetuar a exibição nem fizer nenhuma declaração no prazo do art. 398; a recusa for havida por ilegítima).
V. Prova documental (arts. 405-429 CPC): pelo conceito amplo de documento, é qualquer coisa capaz de representar um fato, não havendo necessidade de a coisa ser materializada em papel ou conter informações escritas. A prova documental deve ser produzida pelo autor na instrução da
petição inicial e pelo réu na instrução da contestação. No entanto, é possível juntar documentos a qualquer tempo: para provar fatos supervenientes; para contrapor prova documental produzida nos autos. Produzida a prova documental, a parte contrária será intimada para se manifestar no
prazo de 15 dias, cabendo ao réu falar em contestação sobre os documentos juntados pelo autor com a petição inicial, e ao autor falar em réplica sobre os documentos juntados com a contestação. ARGUIÇÃO DE FALSIDADE DOCUMENTAL (uma vez arguida a falsidade documental, será
resolvida como questão incidental, SALVO se a parte requerer que o juiz decida como questão principal. O objeto pode ser tanto documento público quanto particular. A falsidade deve ser suscitada na contestação, em réplica ou no prazo de 15 dias, contado da intimação da juntada aos autos do
documento. Arguida a falsidade, a parte contrária será intimada para se manifestar em 15 dias. Após esse prazo, será realizada prova pericial, que só será dispensada se a parte que apresentou o documento concordar em retirá-lo).
VI. Prova testemunhal (arts. 442-463 CPC): é a declaração de terceiro em juízo que de alguma forma tenha presenciado os fatos discutidos na demanda. Podem ser: Testemunhas presenciais (testemunhas que presenciaram o fato); Testemunhas de referência (não presenciaram o fato, mas
tomaram conhecimento por meio de informações de alguém que supostamente o fez). Via de regra, é cabível a prova testemunhal, mas pode ser indeferida a inquirição de testemunhas se os fatos já estão provados por documentos ou confissão da parte; bem como se só por documento ou
exame pericial puderem ser provados. São incapazes de testemunhar (interdito por enfermidade ou deficiência mental; o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está
habilitado a transmitir as percepções; o que tiver menos de 16 anos; o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam). São impedidos de testemunhar (cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral, até o terceiro grau,
de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse público ou, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, não se puder obter de outro modo a prova que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito; quem é parte na causa; quem intervém em
nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes). São suspeitos de testemunhar (inimigo da parte ou o seu amigo íntimo; quem tiver interesse no litígio). O CPC prevê que cada parte pode
oferecer até 10 testemunhas e, quando oferecida mais de 3 para provar o mesmo fato, poderá o juiz dispensar o testemunho. STJ já decidiu que o juiz poderá ouvir um número maior de testemunhas, se necessário . Em caso de precatória inquiritória, a gravação dos depoimentos colhidos em
audiência pelo método audiovisual é suficiente para a devolução da carta adequadamente cumprida. Na hipótese excepcional de se mostrar necessária a degravação (transcrição literal em texto de um conteúdo em áudio /vídeo), deve ser realizada pelo juízo deprecante ou pela parte
interessada.
VII. Prova pericial (arts. 464-480 CPC): objetiva esclarecer fatos que exijam conhecimento técnico específico para a sua exata compreensão. E possui as seguintes espécies: Exame (perícia que tem como objeto bens móveis, pessoas, coisas e semoventes, como obra de arte, documentos,
livros, etc); Vistoria (perícia que tem por objeto bem imóveis); Avaliação (perícia que tem por objeto a aferição do valor de determinado bem, direito ou obrigação); Arbitramento (embora não conste no CPC expressamente, consiste numa estimativa do valor do serviço ou indenização). Quando
a prova do fato depender do auxílio de um expert. Assim, a perícia poderá ser indeferida ou dispensada quando: a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; for desnecessária em vista de outras provas produzidas; a verificação for impraticável. as partes, na inicial e na
contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes. Em relação ao procedimento, o juiz deve escolher o perito. No entanto, podem as partes escolher o perito de comum acordo, indicando-o por requerimento, desde
que as partes sejam plenamente capazes e a causa possa ser resolvida por autocomposição. Nomeado o perito, será fixado o prazo para a entrega do laudo. Em seguida, as partes são intimadas para apresentar quesitos, indicar assistente técnico e alegar eventual impedimento ou suspeição
do perito. Ciente da nomeação, o perito deverá, em 5 dias, apresentar a proposta de honorários, currículo e indicar seu contato profissional para onde serão dirigidas as intimações. Intimação das partes para se manifestar sobre a proposta de honorários, no prazo de 5 dias e manifestação do
juiz sobre o valor dos honorários; Realização da prova pericial; Entrega do laudo, que deverá conter (exposição do objeto da perícia; Análise técnica ou científica realizada pelo perito; Indicação do método utilizado; Resposta conclusiva a todos os quesitos). Na sequência, ocorre a intimação das
partes para se manifestar sobre o laudo do perito no prazo comum de 15 dias. A perícia complexa é aquela que abrange mais de uma área de conhecimento. Nesse caso, o juiz pode nomear mais de um perito, e a parte indicar mais de um assistente técnico. Se não há consenso entre as partes
a respeito da escolha do perito, o profissional indicado por uma das partes, mas rejeitado pela outra, não pode realizar a produção da prova como perito do juízo. Diante da ausência de consenso entre as partes, é nula a decisão que acolheu a indicação do perito feita pelo autor, cabendo ao
magistrado, na origem, nomear profissional devidamente inscrito em sistema mantido pelo tribunal ao qual está vinculado. (REsp 1.924.452-SP, Info 755 STJ).
VIII. Inspeção judicial (arts. 481-484 CPC): prova produzida a qualquer tempo diretamente pelo juiz, quando inspeciona coisas, pessoas e lugares sem qualquer intermediário entre a fonte de prova e o juiz. Podem ser objeto de inspeção judicial: bens móveis, imóveis e semoventes; partes e
terceiros. Pode ser determinada de ofício ou a requerimento das partes. Ao realizar a inspeção, o juiz poderá ser assistido por um ou mais peritos. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo observações que considerem de interesse para a causa.
Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa.
OBS.: ÔNUS DA PROVA - é regra de julgamento para hipóteses em que, ao final da demanda, persistirem fatos controvertidos não devidamente comprovados durante a instrução probatória. É ônus imperfeito (trata-se de ônus imperfeito porque nem sempre a parte que tinha o ônus da prova
e não a produziu será colocada num estado de desvantagem processual). Regras de distribuição do ônus da prova (distribuição estática) : “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito do autor”. O NCPC prevê o sistema de distribuição dinâmica do ônus da prova, ao prever ser possível ao juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, conforme art. 373, §1º, CPC : “§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa
relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à
parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído”. Existem três espécies de inversão do ônus da prova: I. Convencional (art. 373, §§ 3° e 4° - decorre de acordo de vontade das partes, antes ou durante o processo, e possui as seguintes limitações: 1. Quando recair sobre
direito indisponível da parte; 2. Tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito). II. Legal (aplicável diante da alegação de fato negativo indeterminado - prova diabólica, não exigindo o preenchimento dos requisitos da inversão convencional); III. Judicial (quando o juiz determina a
inversão do ônus da prova de forma dinâmica e não estática, de modo diversos – art. 373, § 1°, diante de peculiaridades da causa, ou em relações de consumo, exp.: art. 6°, inciso VIII CDC). Entende que, sendo o ônus da prova uma regra de instrução, sua inversão deve preceder a fase
probatória, sendo realizada de preferência no saneamento do processo ou, quando excepcionalmente realizada após esse momento procedimental, deverá ser reaberta a instrução para a parte que recebe o ônus da prova caso pretenda produzir provas – a parte deve ter o direito de se
desincumbir do ônus que lhe foi atribuído, ocorrendo isso no saneamento do processo. Súmula 618 STJ: A inversão do ônus da prova aplica-se às ações de degradação ambiental . Produção de prova de ofício (o art. 370, ‘’caput’’, do CPC permite que o juiz determine, de ofício, a
realização de provas necessárias ao julgamento do mérito. O STJ já se manifestou no sentido de que a iniciativa probatória do magistrado, em busca da veracidade dos fatos alegados, com realização de provas de ofício, não se sujeita à preclusão temporal, porque é feita no interesse público de
efetividade da Justiça). Prova emprestada (é a utilização de prova já produzida em outro processo. STJ: Admite o empréstimo de prova mesmo diante da diferença das partes no processo de origem e de destino da prova, afirmando que é essencial o respeito ao contraditório e não a identidade
subjetiva das duas demandas). É admissível, assegurado o contraditório, prova emprestada de processo do qual não participaram as partes do processo para o qual a prova será trasladada . [...] a prova emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes idênticas, sob pena
de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade sem justificativa razoável para isso. Assegurado às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutá-la adequadamente, o empréstimo será válido. En. 30, CJF – É admissível a prova emprestada, ainda
que não haja identidade de partes, nos termos do art. 372 do CPC . É possível o empréstimo entre processos em trâmite em diferentes Justiças, entre provas colhidas no processo criminal para o cível, por exemplo. Desde que observado o devido processo legal, é possível a utilização de provas
colhidas em processo criminal como fundamento para reconhecer, no âmbito de ação de conhecimento no juízo cível, a obrigação de reparação dos danos causados, ainda que a sentença penal condenatória não tenha transitado em julgado. A prova ilegal (é toda prova produzida com ofensa à
norma legal, podendo ser dividida em: prova ilegítima - quando violar a norma de direito processual, verificável no momento da produção da prova no processo. Refere-se à admissibilidade dos meios de prova; Prova ilícita - quando violar norma de direito substancial, verificável no momento da
colheita da prova. O art. 5º, LVI, da CF/88 prevê que são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. Porém existem algumas correntes doutrinárias em relação a obtenção de provas ilícitas. A CORRENTE RESTRITIVA - não se admitem prova ilícitas ou provas produzidas
que sejam o desdobramento de provas ilícitas, adotando a teoria dos frutos podres da árvore envenenada - provas ilícitas por derivação. CORRENTE LIBERAL - a parte que produz prova ilícita deve responder pela ilicitude do ato, mas tal circunstância não pode sacrificar a boa qualidade da
prestação jurisdicional. Essa corrente é minoritária. CORRENTE INTERMEDIÁRIA - é a corrente da doutrina majoritária, adotada no CPC, e entende ser possível utilizar a prova ilícita, desde que preenchidas as seguintes condições: Gravidade do caso; Espécie da relação jurídica
controvertida; Dificuldade de demonstrar a veracidade de forma lícita; Prevalência do direito protegido com a utilização da prova ilícita comparada com o direito violado; Imprescritibilidade da prova na formação do convencimento judicial ). Provas atípicas (os meios de prova
previstos no CPC são exemplificativos, sendo admitidas as provas atípicas, a exemplo: a) Prova emprestada; b) Constatações realizadas pelo oficial de justiça; c) Inquirição de testemunhas técnicas; d) Declaração escrita de terceiros). Ação probatória autônoma (a ação de produção
antecipada de provas, prevista no CPC/73, perdeu a sua natureza cautelar, tornando-se uma ação probatória autônoma, pela qual se produz uma prova antes do processo principal sem a necessidade de ser comprovado o periculum in mora. “Art. 381. A produção antecipada da prova será
admitida nos casos em que: I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação; II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de solução de
conflito; III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação”. Segundo o art. 381, §2º, CPC, é do Juízo do foro onde esta deva ser produzida ou o foro de domicílio do réu. A produção antecipada de provas NÃO previne a competência do Juízo para a
ação que venha a ser proposta. O procedimento para a antecipação de provas está previsto no artigo 382 do CPC. É cabível a condenação do réu, em ação cautelar de produção antecipada de provas, se vencido, ao pagamento dos ônus sucumbenciais quando caracterizada a resistência à
pretensão autoral. En. 118, CJF: É cabível a fixação de honorários advocatícios na ação de produção antecipada de provas na hipótese de resistência da parte requerida na produção da prova).