Protocolo IPV6
Protocolo IPV6
Propósito
Compreender os conceitos básicos de endereçamento IPv6 por se tratar do protocolo que irá substituir o IPv4
nas conexões de redes. Além disso, facilitará o desenvolvimento de projetos, a configuração e a manutenção
de redes de computadores.
Preparação
Antes de iniciar, é recomendado acesso à internet, por meio de um computador com os softwares Packet
Tracer (versão 7.3.0.0838), da Cisco, e Wireshark instalados para realizar as simulações propostas. Além
disso, você deve possuir em mãos lápis e caderno para confeccionar cálculos de rede.
Objetivos
• Descrever as características do payload e endereçamento IPv6.
• Esquematizar o endereçamento de redes e sub-redes IPv6.
• Descrever as soluções de integração entre o IPv4 e o IPv6.
• Identificar as funcionalidades do protocolo ICMPv6.
Introdução
Aprenderemos sobre os conceitos fundamentais do protocolo de internet IPv6. Para isso, faremos inicialmente
a análise dos elementos componentes da estrutura do IPv6 e como deve ser representado.
Visto isso, apresentaremos como devemos realizar o planejamento de redes IPv6 observando as
peculiaridades desse protocolo e realizaremos, de forma prática, a configuração de redes IPv6.
Além disso, identificaremos as principais técnicas de transição e coexistência entre redes IPv4 e redes IPv6,
necessárias à manutenção do funcionamento da internet durante o processo de migração entre esses
protocolos.
Por fim, mostraremos algumas funcionalidades introduzidas no IPv6, facilitadores da administração de redes
que utilizam esse protocolo.
O PROTOCOLO IPv6
Neste vídeo, você entenderá um pouco da importância da criação do protocolo IPv6 em substituição ao
protocolo IPv4, garantindo o crescimento da internet e a criação de novas aplicações de rede.
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1. Payload e endereçamento IPv6
Surgimento do IPv6
Neste vídeo, abordamos o esgotamento dos endereços IPv4 e a transição para o IPv6. Entenda os desafios,
benefícios e os passos práticos rumo a uma era de endereçamento IP mais amplo e sustentável.
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Definido na RFC 791 em 1981, o protocolo de internet versão 4 (IPv4) mostrou-se muito robusto, e de fácil
implantação e interoperabilidade. Entretanto, seu projeto original não previu o grande crescimento das redes
de computadores e um possível esgotamento das faixas de endereçamento IPv4.
Composto por 32 bits, o IPv4 possui a capacidade de endereçar aproximadamente 4,3 bilhões de dispositivos,
que era dado como inalcançável no momento de sua concepção. Porém, o ritmo de crescimento foi
assustador: já em 1992, 38% das faixas de endereços classe A, 43% da classe B e 2% da classe C estavam
alocados.
Diante desse cenário, técnicas para retardar a exaustão do IPv4 foram implantadas. Entre elas, destacam-se:
A imagem a seguir apresenta a evolução de entrega de endereços IPv4 classe A ao longo dos anos, e o efeito
retardante provocado pelas técnicas citadas anteriormente, principalmente o CIDR e o VLSM.
Esgotamento do IPv4
Em dezembro de 1993, a IETF formalizou, por meio da RFC 1550, as pesquisas a respeito da nova versão do
protocolo IP, cujo objetivo consistia na criação de um novo protocolo IP de próxima geração com as seguintes
funcionalidades:
• Escalabilidade
• Segurança
• Configuração e administração de rede
• Suporte a QoS
• Mobilidade
• Políticas de roteamento
• Transição
Em dezembro de 1998, foi concebida a RFC 2460, versando sobre o IPv6, evidenciando-se:
A imagem a seguir mostra a evolução percentual de máquinas com endereço IPv6 que acessam a plataforma
do Google disponível na internet. Por meio dela, podemos observar que cerca de 35% dos pacotes roteados
na internet já operam sob endereçamento IPv6.
Percentual de máquinas com IPv6 no acesso à plataforma do Google.
Cabeçalho IPv6
Neste vídeo, examinamos detalhadamente o cabeçalho do datagrama IPv6. Descubra as informações
essenciais contidas nessa estrutura, compreendendo como o IPv6 aprimora a eficiência na transmissão de
dados.
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O quadro a seguir evidencia que o protocolo IP está situado na camada de rede do modelo OSI (Interconexão
de Sistemas Abertos), sendo o IPv6 e o IPv4 os protocolos mais utilizados no processo de roteamento global.
1 Física
2 Enlace
IPv4
3 Rede
IPv6
4 Transporte
5 Sessão
6 Apresentação
O Protocol Data Unit (PDU) da camada de rede é composto por um cabeçalho IP, e as informações contidas na
camada superior, normalmente a PDU da camada de transporte, aqui chamada de Dados. Esse conjunto
Cabeçalho IP e Dados recebe o nome de Pacote IP, ou Datagrama IP, como podemos observar na imagem a
seguir.
Pacote IPv6.
O cabeçalho IPv6 será examinado por todos os dispositivos de camada 3 durante a execução do processo de
roteamento. É nele que essas máquinas buscarão o endereço de origem e de destino do pacote em análise.
Nesse sentido, vamos observar a próxima imagem, que ilustra os diversos campos existentes no cabeçalho do
protocolo IPv6.
Cabeçalho IPv6.
A seguir, apresentaremos as funções dos campos que compõem o cabeçalho IPv6 ilustrados na imagem.
Versão
Possui 04 bits que indicam a versão do protocolo IP (valor 6 para o IPv6). É por meio desse número
que os roteadores podem definir, por exemplo, qual a tabela de roteamento mais apropriada a se
utilizar.
Classe de tráfego
Possui 08 bits (1 Byte) com a função de identificar e diferenciar os pacotes por classes de serviços ou
prioridade. Ele continua provendo as mesmas funcionalidades e definições do campo Tipo de Serviço
do IPv4.
Identificador de fluxo
Possui 20 bits, com objetivo de identificar e/ou diferenciar pacotes do mesmo fluxo de dados na
camada de rede. Esse campo permite ao roteador identificar o tipo de fluxo de cada pacote, sem a
necessidade de verificar sua aplicação.
Próximo cabeçalho
Possui 16 bits (02 Bytes) e referencia o protocolo de camada superior que o datagrama IPv6
encapsula, por exemplo, TCP, UDP etc. Além disso, indica os valores dos cabeçalhos de extensão,
que veremos mais à frente.
Limite de encaminhamento
Possui 08 bits (1 Byte) e indica o número máximo de roteadores que o pacote IPv6 pode passar antes
de ser descartado, função similar ao campo Time-to-Live do protocolo IPv4.
O IPv6 não permite fragmentação, como ocorria no IPv4. Essas operações são extremamente dispendiosas e
foram deixadas para ser realizadas entre a fonte e o destino dos dados.
Caso exista um pacote muito grande para ser processado por um roteador, ele simplesmente descartará esse
pacote e enviará um ICMP ao remetente informando sobre seu tamanho. O remetente deverá reconstruir o
pacote em tamanho menor até que ele possa ser roteado.
Outro campo suprimido pelo IPv6 foi o Checksum de cabeçalho. Isso ocorre devido ao fato de essa operação
já ser realizada na maioria dos protocolos das camadas de enlace de dados e de transporte, e sua supressão
prover celeridade no processo de roteamento.
Diferentemente do IPv4, o campo Opções não está colocado dentro do cabeçalho base do IPv6. Essas
informações são tratadas nesse protocolo por meio de cabeçalhos de extensão localizados entre o cabeçalho
base do IPv6 e o cabeçalho da camada superior.
A inserção dos cabeçalhos de extensão é realizada por meio do campo Próximo Cabeçalho, que, por meio de
uma série de valores específicos, pode inserir até 06 cabeçalhos desse tipo num mesmo pacote, cuja
operação é ilustrada na imagem a seguir.
Cabeçalhos de extensão.
Conforme informado, 06 cabeçalhos de extensão são definidos pelo IPv6, cujas características são
apresentadas a seguir.
Hop-by-Hop
Possui valor 00 no campo Próximo Cabeçalho do cabeçalho base IPv6, e deve ser colocado
imediatamente após esse cabeçalho. Ele deve ser processado por todos os roteadores até o destino
do pacote. Possui apenas dois tipos, o Router Alert e Jumbogram.
Destination Options
Possui valor 60 no campo Próximo Cabeçalho do cabeçalho base IPv6. Possui campos com a mesma
definição do Hop-by-Hop e é utilizado no suporte à mobilidade do IPv6 por meio da opção Home
Address, que contém o Endereço de Origem do dispositivo móvel, quando este está em trânsito.
Routing
Possui valor 43 no campo Próximo Cabeçalho do cabeçalho base IPv6, e foi definido para ser utilizado
como parte do mecanismo de suporte à mobilidade do IPv6, carregando o Endereço de Origem do
dispositivo móvel em pacotes enviados pelo roteador.
Fragmentation
Possui valor 44 no campo Próximo Cabeçalho do cabeçalho base IPv6, e carrega informações sobre
fragmentação do pacote IPv6.
Authentication Heather
Possui valor 51 no campo Próximo Cabeçalho do cabeçalho base IPv6, e faz parte da pilha IPSec para
prover autenticação e garantia de integridade aos pacotes IPv6.
Possui valor 52 no campo Próximo Cabeçalho do cabeçalho base IPv6, e faz parte da pilha IPSec para
garantir integridade e confiabilidade aos pacotes IPv6.
Endereçamento IPv6
Neste vídeo, exploramos a representação única do endereçamento IPv6 e seus diversos tipos. Compreenda as
peculiaridades desse protocolo, fundamental para uma comunicação eficiente e sustentável na era digital.
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A motivação da criação do IPv6, como visto, foi a escassez do IPv4, que conta com aproximadamente 4
bilhões de endereços, dado que ele é composto por 32 bits, e essa quantidade não seria suficiente para
atender à crescente demanda global por conexão.
Dessa forma, a RFC 2460, que especifica o protocolo IPv6, impõe o mesmo espaço de endereçamento de 128
bits, sendo possível endereçar até 2128 (340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768.211.456) dispositivos.
O espaço especificado pelo protocolo IPv6 é entendido como infinito, uma vez que suporta uma
quantidade de dispositivos cerca de 79 octilhões (7,9*1028) de vezes maior que a quantidade de
dispositivos atendidos pelo IPv4.
Como visto, não seria muito fácil trabalhar com um número desse tamanho utilizando a representação
decimal, mesmo que para isso utilizássemos a separação em grupos de 8 bits, como feito no IPv4, pois para
essa representação precisaríamos de 16 octetos.
Dessa forma, optou-se por representar o endereço IPv6 por meio da base de numeração hexadecimal, que
utiliza os símbolos “0”, “1”, “2”, “3”, “4”, “5”, “6”, “7”, “8”, “9”, “A”, “B”, “C”, “D”, “E” e “F”.
Além disso, o IPv6 foi dividido em 8 (oito) grupos de 16 (bits) cada, o que permite até 4 símbolos
hexadecimais por grupo de 16 bits, conhecido extraoficialmente como hexteto, que adotaremos ao longo do
nosso estudo. O símbolo ":" é utilizado para separar esses 8 (oito) grupos. Um exemplo de um endereço IPv6
pode ser observado a seguir.
IPv6: 2001:0DB8:ACAD:25E2:CADE:CAFE:0021:8456
Para facilitar a representação do endereço IPv6, foram estabelecidas duas regras de abreviação, que
apresentaremos em seguida:
1 Regra 1: Omitir zeros à esquerda
Esta regra permite a omissão dos hexadecimais “0”, quando eles estão à esquerda de cada
hexteto.
Exemplo:
IPv6: 2001: 0db8: 0000:1111: 0000: 0000: 0000: 0200
IPv6 (sem zeros à esquerda): 2001:db8:0:1111: 0: 0: 0: 200
2
Regra 2: Dois pontos duplos “::”
Esta regra permite a utilização única do “::” para substituir qualquer sequência de hextetos
preenchidos unicamente por símbolos zero.
Exemplo:
IPv6: 2001: 0db8: 0000:1111: 0000: 0000: 0000: 0200
IPv6 (sem zeros à esquerda): 2001:db8:0:1111:0:0:0:200
IPv6 (sem zeros à esquerda e “::”): 2001:db8:0:1111::200
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Unicast
Anycast
Multicast
Diferentemente do IPv4, o IPv6 não possui um endereço broadcast. Entretanto, há um endereço multicast
capaz de encaminhar pacotes a todos os dispositivos de uma rede, que fornece, basicamente, o mesmo
resultado.
A seguir veremos mais detalhes sobre cada tipo.
Unicast
O IPv6 prevê alguns tipos diferentes de endereços unicast. São eles:
Unicast global
Este tipo de endereço é único, semelhante aos endereços públicos IPv4, e é globalmente roteável e acessível
na internet IPv6.
Atualmente, somente os endereços iniciados pelos bits “001” estão sendo atribuídos a esse tipo de endereço,
o que implica nos endereços compreendidos entre o endereço 2000:: até o
3FFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF.
A formação do endereço por meio do processo IEEE EUI-64 consiste na inserção dos hexadecimais FFFE no
centro do endereço MAC de 48 bits, para criar o identificador de interface de 64 bits. Além disso, o sétimo bit
mais significativo do endereço é invertido. A próxima imagem ilustra o processo de formações do IEEE EUI-64
para o identificador de interface do endereço link local.
Unicast de loopback
Sua finalidade é semelhante à do endereço IPv4 de loopback, 127.0.0.1, pois também referencia a própria
interface de rede por meio do IPv6 0:0:0:0:0:0:0:1, que pode ser representado por ::1.
Unicast IPv4-mapeado
Representa um endereço IPv4 em um endereço IPv6 de 128 bit. Para isso, é utilizado o IPv6 ::
0:0:0:0:FFFF:wxyz ou ::FFFF:wxyz, onde wxyz representa os 32 bits do endereço IPv4 a ser mapeado.
Apresenta grande utilidade em técnicas de transição do IPv4 para o IPv6. Para exemplificar, podemos
observar o mapeamento do IPv4 192.168.100.1 no endereço IPv6 ::FFFF:192.168.100.1.
Endereços anycast
Identifica um grupo de interfaces pertencentes
a diferentes dispositivos. Um pacote IPv6 com
destino a um endereço anycast é remetido para
uma das interfaces identificadas por esse tipo
de endereço. Especificamente, o pacote é
enviado para a interface mais próxima, de
acordo com o protocolo de roteamento.
Cabe ressaltar que existem, ainda, outras faixas de endereços com finalidades especiais:
Endereços multicast
Usado para identificar grupos de dispositivos, sendo que cada dispositivo pode pertencer a mais de um
grupo. Os pacotes enviados para esse endereço são entregues a todas as interfaces que compõem o grupo.
Os endereços multicast não devem ser utilizados como endereço de origem de um pacote. Esses endereços
derivam do bloco FF00::/8, onde o prefixo FF, que identifica um endereço multicast, é sucedido por quatro
bits, que representam quatro flags, e um valor de quatro bits que define o escopo do grupo multicast. Os 112
bits restantes são utilizados para identificar o grupo multicast, conforme ilustrado a seguir.
Datagrama multicast IPv6.
Dentro dos endereços multicast já reservados, podemos identificar alguns endereços especiais utilizados para
funções específicas:
• FF01::1: Indica todas as interfaces de escopo local, isto é, somente as interfaces de um mesmo host.
• FF02::1: Indica todas as interfaces de um escopo de enlace local, isto é, todos os dispositivos de um
mesmo domínio de colisão.
• FF01::2: Indica todos os roteadores dentro de um escopo local, isto é, todas as interfaces de um
mesmo roteador.
• FF02::2: Indica todos os roteadores dentro de um escopo de enlace local, isto é, todos os roteadores
interligados por um mesmo enlace.
• FF05::2: Indica todos os roteadores dentro de um escopo de site local, isto é, todos os roteadores que
possuem um mesmo site ID.
• FF02::1:FFxx:xxxx: Endereço especial chamado de Solicited-Node Multicast Address, onde xx:xxxx
representam os últimos 24 bits do endereço IPv6 unicast do dispositivo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Após estudarmos sobre o endereçamento IPv6, assinale a alternativa que representa um IPv6
Link Local.
::1
::
FE80::1
2001::1::2
E
2001:acad:23:abdf:aa::
Questão 2
Após estudarmos sobre o endereçamento IPv6, assinale a alternativa que representa um IPv6
válido.
FE80::db8::1
127.0.0.1::db8::0000
FE80:db8:1
2001:db8:1::2
2001:acad:23:cafe::aa::
Numeração IPv6
Neste vídeo, exploramos a notação do endereço IPv6, esclarecendo a divisão entre prefixo de rede e
identidade da interface. Descubra como os órgãos de registro determinam esses prefixos, essenciais para a
eficiência na comunicação on-line.
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A notação adotada para a representação de redes IPv6 é a mesma adotada no processo CIDR IPv4, ou seja, o
comprimento do prefixo é representado na notação de barra e é usado para indicar o prefixo de rede de um
endereço IPv6.
Logicamente, por se tratar de um endereço composto por 128 bits, o prefixo de rede pode variar de 0 até 128.
Entretanto, o comprimento de prefixo de rede IPv6 mais utilizado para definição de redes locais é o /64, pois
normalmente a técnica IEEE EUI-64 é utilizada para compor a identidade de interface do endereço IPv6 de um
dispositivo.
A imagem a seguir apresenta a divisão entre o prefixo de rede IPv6 e a parte inerente à identidade da
interface.
Os endereços unicast global estão distribuídos dentro da rede 2000::/3, ou seja, possuem os bits iniciais “001”
que implicam endereços IPv6 compreendidos entre 2000:: e o 3FFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF:FFFF.
Essa faixa de IPv6, 2000::/3 de endereços é gerenciada pela IANA (Internet Assigned Numbers Authority), que
possui a responsabilidade de distribui-la entre os principais RIR (Registros Regionais de Internet), a saber:
África
Cada RIR recebe da IANA um bloco de endereços unicast global /12, que, por sua vez, distribuem sub-redes
desses blocos aos distribuidores regionais. Como exemplo, podemos citar a LACNIC, que possui a gestão do
bloco 2800::/12 e distribui um bloco /16 dessa faixa para o NIC.Br, responsável pela distribuição de endereços
no Brasil.
E, por fim, de um modo geral, redes /48 são distribuídas a todos os tipos de usuários, sejam usuários
domésticos, sejam pequenas ou grandes empresas.
Essa forma de alocação permite que o endereço IPv6 seja mapeado em três partes diferentes, sendo elas:
Por meio dessa forma de distribuição, fica facultado ao cliente a possibilidade de configurar 2 16 sub-redes
diferentes para compor seu parque de máquinas. Da rede apresentada pela imagem anterior
(2001:AB34:3001::/48), podemos criar as seguintes sub-redes /64:
1. 2001:AB34:3001:0000::/64
2. 2001:AB34:3001:0001::/64
3. 2001:AB34:3001:0002::/64
4. 2001:AB34:3001:0003::/64
5. ....
65.536 - 2001:AB34:3001:FFFF::/64
Outro ponto a importante sobre o endereçamento IPv6 a ser observado é a descoberta do prefixo de rede a
partir do endereço IPv6 e o comprimento do endereço.
A identificação do prefixo de rede é realizada por meio da operação lógica AND bit-a-bit, entre o endereço
IPv6 em questão e o comprimento do prefixo de rede. A seguir, veremos o resultado da operação lógica AND
bit-a-bit.
0 0 0
0 1 0
1 0 0
1 1 1
IPv6 2001:DB8:ACAD:1:46:2FF:FE23
Tamanho
1111.1111.1111.1111 1111.1111.1111.1111 1111.1111.1111.1111 1111.1111.1111.1111 0000.000
do bloco
IPv6 2001:DB8:ACAD:1:46:2FF:FE23:2
IPv6 2001:DB8:ACAD:1:46:2FF:FE23:
Tamanho
1111.1111.1111.1111 1111.1111.1111.1111 1111.1111.1111.1111 1111.1111.1111.1111 1111.111
do bloco
plain-text
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Logicamente, a padronização não é mandatória e podemos projetar redes com prefixos de rede variados,
respeitando o prefixo de roteamento global recebido de seu provedor de internet.
Para projetos de rede IPv6, cabe observar que, diferentemente do IPv4, o IPv6 não possui IP de rede nem de
broadcast, não havendo, então, a necessidade de deixar vago o primeiro IP nem o último IP em uma rede.
Esses IPv6 podem ser normalmente atribuídos a qualquer dispositivo.
Para a determinação da menor rede capaz de atender à demanda desse projeto, é necessário entender qual
será o prefixo de rede capaz de comportar determinado número de dispositivos.
Nesse sentido, para determinar a quantidade máxima de máquinas (Mmax) que uma rede IPv6 pode
comportar, devemos realizar o seguinte cálculo:
Observe que no endereçamento IPv6 não existe limitação do uso do identificador de rede e do broadcast
como acontece no endereçamento IPv4. Inclusive, não existe endereço de broadcast no IPv6.
Exemplo
Vamos determinar a capacidade máxima da rede 2001::/120.Mmax = 2(128-N) = Mmax = 2(128-120) =
Mmax = 2(8) = Mmax = 256 dispositivos.
Assim, para determinar o comprimento do prefixo de rede necessária para suportar determinada quantidade
de máquinas, basta encontrar o menor N que satisfaz a inequação exponencial apresentada a seguir:
No projeto de rede IPv6 apresentado na imagem anterior, onde há necessidade de comportar 02 endereços
IPv6, podemos determinar o menor prefixo possível da seguinte forma:
2(128-N) ≥ 2
2(128-N) ≥ 2 = 21
128 – N ≥ 1
N ≤ 128 -1
N ≤ 127
N = 127
Para endereçar esse projeto, vamos utilizar a faixa de rede 2001:AB34:3001:0000::/127, onde uma das
interfaces receberá o primeiro IPv6 dessa rede, o IPv6 2001:AB34:3001:0000::, e a segunda interface
receberá o IPv6 2001:AB34:3001:0000::1. A próxima imagem ilustra o projeto dessa rede de ligação IPv6
concluído.
Outro projeto interessante para realizarmos é o projeto de uma rede local com capacidade de comportar até
60 dispositivos mais o Default Gateway, apresentado a seguir.
Nesse projeto, vamos inicialmente realizar o cálculo para o menor prefixo possível.
2(128-N) ≥ 61
2(128-N) ≥ 64 = (26)
N ≤ 128 - 6
N ≤ 122
Uma vez determinado o prefixo de rede a ser utilizado, vamos escolher a faixa de rede
2001:AB34:3001:0001::/122, considerando que ainda não temos a obrigação de utilizar uma faixa de rede
predeterminada. Dessa forma, poderemos associar os endereços IPv6 compreendidos entre
2001:AB34:3001:0001:: e 2001:AB34:3001:0001::3F aos dispositivos componentes dessa rede IPv6.
Utilizando para o default gateway o último IPv6 dessa rede, e os endereços em sequência para os PCs, com o
primeiro PC recebendo o IPv6 2001:AB34:3001:0001:: e o sexagésimo PC recebendo o IPv6 o IP
2001:AB34:3001:0001::3B, teremos o projeto dessa rede conforme ilustrado a seguir
Quando há necessidade de inserir um projeto dentro de uma faixa de rede predefinida, podemos proceder de
forma semelhante àquela realizada em projetos VLSM em IPv4.
Como exemplo, vamos projetar uma rede com necessidade de 10 (dez) sub-redes, utilizando a faixa
predefinida de rede 2001:AB34:3001:0002::/112. As primeiras 05 sub-redes possuem necessidade de até 100
dispositivos, e as sub-redes restantes, necessidade de até 50 dispositivos.
A primeira ação a ser realizada é a determinação do prefixo de rede de cada tipo de sub-rede.
2(128-N) ≥ 100
N ≤ 128 - 7
N ≤ 121
2(128-N) ≥ 64 = (26)
N ≤ 128 - 6
N ≤ 122
Como resultado, verificamos que para as redes com necessidade de até 100 dispositivos devemos trabalhar,
minimamente, com redes /121. E para as redes com necessidade de até 50 dispositivos, com sub-redes /122.
A seguir veremos a capacidade de segmentação da rede original 2001:AB34:3001:0002::/112 nesses dois
tipos de sub-redes.
/121 512
/112
/122 1024
Dessa forma, vamos inicialmente decompor a rede 2001:AB34:3001:0002::/112 em redes /121, para
atendermos à necessidade de sub-redes com capacidade de até 100 dispositivos. A seguir, veremos essa
decomposição, evidenciando como ficam os bits do último hexteto e o endereço de rede de cada sub-rede /
121.
Nº
Último hexteto Decomposição em sub-redes / Rede
Rede original sub-
(binário) 121 atendida
rede
2001:AB34:3001:0002::/112 Rede 1
1 000.0000.0000.0000 2001:AB34:3001:0002::0000/121 (Até 100
Disp)
Rede 2
2 000.0000.1000.0000 2001:AB34:3001:0002::0080/121 (Até 100
Disp)
Rede 3
3 0000.0001.0000.0000 2001:AB34:3001:0002::0100/121 (Até 100
Disp)
Rede 4
4 000.0001.1000.0000 2001:AB34:3001:0002::0180/121 (Até 100
Disp)
Rede 5
5 000.0010.0000.0000 2001:AB34:3001:0002::0200/121 (Até 100
Disp)
Sub-redes /121.
Elaborado por Isaac Newton Ferreira Santa Rita.
Como cada rede /121 é capaz de se decompor em 02 sub-redes /122, vamos utilizar as sub-redes 6, 7 e 8
apresentadas anteriormente para encontrar as 05 sub-redes com necessidades de até 50 dispositivos. A
seguir veremos o projeto solicitado consolidado, evidenciando cada uma das 10 sub-redes demandadas nessa
divisão.
Nº
Último hexteto Rede
Rede regional sub- Decomposição /121 & /122
(binário) atendida
rede
2001:AB34:3001:0002::/112 Rede 1
1 000.0000.0000.0000 2001:AB34:3001:0002::0000/121 (Até 100
Disp)
Rede 2
2 000.0000.1000.0000 2001:AB34:3001:0002::0080/121 (Até 100
Disp)
Rede 3
3 0000.0001.0000.0000 2001:AB34:3001:0002::0100/121 (Até 100
Disp)
Rede 4
4 000.0001.1000.0000 2001:AB34:3001:0002::0180/121 (Até 100
Disp)
Rede 5
5 000.0010.0000.0000 2001:AB34:3001:0002::0200/121 (Até 100
Disp)
Rede 1
6 000.0010.1000.0000 2001:AB34:3001:0002::0280/122 (Até 50
Disp)
Rede 2
6 000.0010.1100.0000 2001:AB34:3001:0002::02C0/122 (Até 50
Disp)
Rede 3
7 0000.0011.0000.0000 2001:AB34:3001:0002::0300/122 (Até 50
Disp)
Rede 4
7 0000.0011.0100.0000 2001:AB34:3001:0002::0340/122 (Até 50
Disp)
Rede 5
8 000.0011.1000.0000 2001:AB34:3001:0002::0380/122 (Até 50
Disp)
Sub-redes /122.
Elaborado por Isaac Newton Ferreira Santa Rita.
Vamos efetuar o projeto de rede apresentado anteriormente, mas utilizando somente redes /64 em sua
composição.
Atenção
Redes /64 têm a capacidade de suportar até 264 endereços, cujo limite não será alcançado por
nenhuma rede local conhecida.
Vamos supor que o provedor de internet entregou ao administrador de rede a faixa 2001:AB34:3001::/48 para
que ele possa compor o projeto para as 10 redes já mencionadas anteriormente, ou seja: 05 redes com
capacidade de até 100 dispositivos e 05 redes com capacidade de até 50 dispositivos. A seguir, veremos a
composição do projeto de rede em questão, utilizando prefixos de sub-rede /64.
Rede Nº sub-rede Rede /64 Rede atendida
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Para compreendermos a configuração de redes IPv6, vamos realizar a configuração da rede apresentada por
meio do diagrama a seguir.
Para poder realizar o exercício, você pode montar a topologia no Packet Tracer ou baixar o arquivo pré-
configurado.
Inicialmente, devemos configurar cada um dos PCs, observando o IPv6 do respectivo Default Gateway, o
prefixo /64, e o IPv6 do PC. A próxima imagem ilustra a configuração do PC1.
Configuração de rede IPv6(PC)
Cabe observar que o PC1 já possui um IPv6 link local configurado que permite a comunicação desse PC com
outros dispositivos em sua rede local, antes mesmo de receber o IPv6 unique global.
O IPv6 link local utiliza o prefixo de rede FE80::/64 e compõe seu endereço pelo processo IEEE EUI-64, o que
nos permite, observando o IPv6 apresentado, concluir que o endereço MAC do PC1 é o 00D0.D36A.E6C7.
Atenção
O processo IPv6 não é habilitado por padrão no roteador Cisco, modelo 2911, escolhido para esse
laboratório. Dessa forma, é necessário habilitar o processo IPv6 no roteador.
R1#
R1# conf t (Entrar no modo de configuração)
R1(config)#
R1(config)# ipv6 unicast-routing (Habilitar o processo IPv6 no roteador)
R1(config)# interface gigabitEthernet 0/0 (Entrar na interface Gigabitethernet 0/0)
R1(config-if)# ipv6 address 2001:db8:acad:5::/64 (Configuração do IPv6 na interface 0/0)
R1(config-if)# no shutdown (Ligar a interface)
R1(config-if)#
R1(config-if)# interface gigabitEthernet 0/1 (Entrar na interface Gigabitethernet 0/0)
R1(config-if)# no shutdown (Ligar a interface)
R1(config-if)# ipv6 address 2001:db8:acad:1::/64 (Configuração do IPv6 na interface 0/0)
R1(config-if)# no shutdown (Ligar a interface)
R1(config-if)#
R1(config-if)# interface gigabitEthernet 0/2 (Entrar na interface Gigabitethernet 0/0)
R1(config-if)# ipv6 address 2001:db8:acad:2::/64 (Configuração do IPv6 na interface 0/0)
R1(config-if)# no shutdown (Ligar a interface)
R1(config-if)#
R1(config-if)# exit
R1(config)#
R1(config)# end
R1#
Agora, configure os PC2, PC3, PC4 e o roteador R2 do projeto de rede apresentado no diagrama anterior.
Após essa configuração, teste a conexão entre os PCs do laboratório, por meio da ferramenta de teste de
rede ping.
Atenção
Não se esqueça de verificar as rotas e criar as que forem necessárias. Para criar rotas IPv6 no Packet
Tracer, você deve utilizar o comando ipv6 route acompanhado do prefixo de rede a ser alcançado.
Verificando o aprendizado
Questão 1
2001:DB8:ACAD:1:FCD:1:4E66::
2001:DB8:ACAD:1::
C
2001:DB8:ACAD:1:FCD:1::
2001:DB8:ACAD:1:FCD::
2001:DB8:ACAD::
2001:DB8:ACAD:1:FCD:1:4E66:1
Questão 2
Após estudarmos sobre projetos de rede IPv6, considere que um provedor recebeu o bloco de
endereços 2001:CAFE:ABA::/32 e que precisa distribuir blocos de endereços para os seus
clientes com tamanho /64. Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma sub-rede /
64.
2001:CAFE:ABA:ACAD:1::/64
2001:CAFE:ABA:CAFE:1::/64
2001:CAFE:ABA::1::/64
2001:CAFE:ABA:1:1::/64
2001:CAFE:ABA:CAFE::/64
Visão geral
Integração IPv4 e IPv6 e a pilha dupla
Neste vídeo, abordaremos os mecanismos práticos de integração entre os protocolos IPv4 e IPv6, destacando
as técnicas de pilha dupla. Compreenda como essas estratégias possibilitam uma transição fluida e eficiente
na evolução das redes.
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A introdução do IPv6 na rede mundial de computadores não poderia ser realizada simplesmente apertando um
botão e informando aos usuários que a partir de uma data todos deveriam migrar seus dispositivos e sistemas
do IPv4 para o IPv6.
Essa transição deveria ser gradual e com o mínimo de impactos aos usuários da rede IPv4. Por isso, surgiu a
necessidade da coexistência entre as duas versões do protocolo de internet para viabilizar a
interoperabilidade entre as redes IPv4 já implantadas e aquelas com a nova versão do protocolo de internet.
Dessa necessidade, surgiram diversas técnicas de transição entre o IPv4 e o IPv6, baseadas principalmente
em:
Pilha dupla
Tunelamento
Tradução
Permite a comunicação entre dispositivos com suporte apenas ao IPv6 com dispositivos que
suportam apenas IPv4.
Pilha dupla
Na fase inicial de implantação do IPv6, não é aconselhado que os dispositivos trabalhem somente com o novo
protocolo, mas que exista a capacidade de operar sob as duas plataformas, tanto a IPv4 quanto a IPv6, pois
existirá a necessidade de esse equipamento se comunicar tanto com equipamentos IPv4 como com
equipamentos IPv6.
A essa possibilidade de trabalhar sobre os dois protocolos damos o nome de pilha dupla, o que
permite aos dispositivos processar tanto pacotes IPv4, numa comunicação dessa natureza, quanto
IPv6, quando existir a possibilidade de trocar informação sob o novo protocolo.
Pilha dupla.
Para que exista a possibilidade de operar sobre esses dois protocolos, cada dispositivo deve ser configurado
tanto com endereço IPv4 quanto com endereço IPv6. Logicamente, isso deve estar atrelado a uma série de
aspectos que possibilitem esse funcionamento, tais como o ajuste do Domain Name Server (DNS),
configuração do Firewall de borda da rede e a possibilidade de encaminhamento dos pacotes ao seu destino.
A próxima imagem ilustra um PC com a configuração de pilha dupla, cabendo observar a coexistência de
endereço IPv4 e IPv6.
Agora você vai verificar em seu PC a existência de pilha dupla e realizar teste de conexão com os endereços
de gateway IPv4 e IPv6. Abra um prompt de comando se for uma máquina Windows ou um terminal Linux e
veja se aparece tanto um endereço IPv4 quanto IPv6. Caso exista, você já estará habilitado a trabalhar com a
pilha dupla.
Técnicas de tunelamento
Técnicas de tunelamento para integração IPv4 e IPv6
Descubra os detalhes práticos dos mecanismos de integração entre os protocolos IPv4 e IPv6, focando
especialmente nas técnicas baseadas em tunelamento. Aprenda como essa abordagem eficaz viabiliza a
coexistência e a transição harmoniosa entre os protocolos IPv4 e IPv6.
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As técnicas de tunelamento, também conhecidas como encapsulamento, permitem o trânsito de pacotes IPv6
sob redes IPv4 já existentes, sem a necessidade de realizar qualquer alteração nos processos de roteamento
já implantados, efetuando simplesmente o encapsulamento de pacotes IPv6 em pacotes IPv4.
Essas técnicas estão documentadas na RFC 4213 e são as mais utilizadas no processo de transição
do IPv4 para o IPv6.
Existem diversas técnicas que utilizam esse modelo de transição. Entre elas, podemos destacar:
Tunnel Broker
A técnica Tunnel Broker está documentada na RFC 3053. Permite que dispositivos numa rede IPv4 acessem
redes IPv6. Isso é possível por meio de um provedor de acesso IPv6 Tunnel Broker: um equipamento IPv4
pode iniciar o download de um software, e por meio dele, realizar uma conexão túnel IPv4 com esse provedor,
que, após autenticação, atribui um endereço IPv6 ao solicitante. A partir desse momento, o dispositivo na rede
IPv4 pode acessar qualquer dispositivo sob o protocolo IPv6.
Observe, a seguir, a ilustração da conexão tunelada entre um PC e o servidor Tunnel Broker, que permite o
acesso do PC à rede IPv6.
Tunnel Broker.
6to4
A técnica de tunelamento 6to4 está documentada na RFC 3056. Permite a conexão entre roteadores e sub-
redes IPv6 por meio de redes IPv4. Essa técnica está baseada na configuração de endereços IPv6 únicos a
partir de endereços IPv4 públicos.
Para isso, a técnica 6to4 utiliza o prefixo de endereçamento global 2002:wwxx:yyzz/48, onde wwxx:yyzz são
os 32 bits do endereço IPv4 público a ser utilizado para atravessar redes IPv4, convertido em seu
correspondente hexadecimal. O processo dentro do endereçamento 6to4 acontece como ilustrado a seguir.
Endereçamento 6to4.
PC1
PC1 envia um pacote com destino ao PC2 (IPv6 de destino 2002:0102:0305:1::2), que é encaminhado
inicialmente até o seu default gateway, roteador R1.
IPv6
O pacote IPv6 é recebido por R1, que o processa e observa que deve enviá-lo por meio de sua
interface virtual 6to4 (rota para rede2002::/16). Nessa interface, o pacote IPv6 é encapsulado em um
pacote IPv4 (protocolo 41), que é endereçado ao roteador IPv4 de R2 (endereço extraído do endereço
IPv6 do destinatário do pacote original).
IPv4
O pacote IPv6 encapsulado em IPv4 é recebido por R2. Como o pacote é do protocolo 41, ele é
encaminhado à interface virtual 6to4. Assim, o roteador R2 pode encaminhar o pacote IPv6 ao seu
destino, o IPv6 2002:0102:0305:1::2.
Atenção
Os passos 4, 5 e 6 discriminam o processo de retorno do pacote ao PC1, sob a mesma lógica descrita
nos passos 1, 2 e 3.
ISATAP
A técnica de Intra-Site Automatic Tunnel Addressing Protocol (ISATAP) está documentada na RFC 5214 e é
utilizada para conectar infraestruturas de rede IPv4 já implantadas em redes IPv6 como a internet.
Utiliza túneis IPv6 criados automaticamente dentro de redes IPv4 para conectar dispositivos em redes IPv4
aos seus gateways, que possuem contato com a rede IPv6, para encaminhar pacotes IPv6. A troca de
informação entre o dispositivo e seu gateway é semelhante ao processo 6to4 visto anteriormente e está
definida na RFC 4213, em sua seção 3, que trata do protocolo 41.
O processo ISATAP de encaminhamento de pacotes IPv6 pela rede IPv4 está ilustrado a seguir.
Nessa técnica, o endereço dos dispositivos IPv4 estão inseridos como parte do endereço ISATAP IPv6. Isso
permite que os dispositivos ISATAP identifiquem os equipamentos IPv4 sem a necessidade de protocolos
adicionais.
Endereço ISATAP.
Prefixo unicast
É qualquer prefixo unicast válido em IPv6, que pode ser link local ou global.
ID IPv4 público ou privado
Se o endereço IPv4 for público, recebe valor 200; se for privado, recebe o valor 0.
ID ISATAP
Endereço IPv4
Protocolo GRE
O GRE (Generic Routing Encapsulation) é um protocolo de tunelamento com a finalidade de encapsular vários
tipos diferentes de protocolos, como IPv6 sobre o protocolo IPv4. Devido à sua simplicidade, ele é suportado
pela maioria dos dispositivos. Sua principal desvantagem consiste na necessidade de configuração manual,
que demanda grande esforço de manutenção e gerenciamento com o crescimento no número de túneis.
A forma de operação do GRE é bem simples: ele simplesmente mantém o formato original do pacote a ser
transportado, adiciona o cabeçalho GRE e encaminha até a outra ponta do túnel, utilizando o protocolo de
transporte viável.
A imagem a seguir ilustra um pacote IPv6 sendo transportado por um túnel GRE numa rede IPv4.
Tunelamento GRE.
Tradução
Técnicas de tradução para integração IPv4 e IPv6
Explore os detalhes dos mecanismos de integração entre os protocolos IPv4 e IPv6, concentrando-se nas
técnicas baseadas em tradução. Descubra como essa abordagem simplifica a coexistência e promove uma
transição suave nas redes modernas.
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A técnica de tradução, como o próprio nome sugere, consiste em realizar traduções de endereços IPv6 em
endereços IPv4 e vice-versa. Dessa forma, possibilitam o simples roteamento entre dispositivos com suporte
ao cabeçalho IP, seja ele IPv4, IPv6 ou pilha dupla.
NAT64
Está definida na RFC 6146 e possibilita o acesso de dispositivos configurados unicamente com IPv6 a
dispositivos em redes IPv4. Para que isso ocorra, há necessidade de um DNS com capacidade de realizar o
mapeamento de endereços IPv4 e endereços IPv6. A esse tipo damos o nome de DNS64.
O prefixo de rede utilizado para realizar esse tipo de tradução é o 64:ff9::/32, ao qual um endereço IPv4 pode
ser transportado nos últimos 32 bits desse prefixo.
Dessa forma, quando uma máquina IPv6 deseja acessar um serviço hospedado em um servidor IPv4 sob o
IPv4 1.2.3.4, o dispositivo IPv6 deve realizar encaminhamento dos pacotes ao destino 64:ff9::102:304, que
nada mais é que o prefixo de rede reservado ao NAT64 com os últimos 32 bits compostos pelos 32 bits do
IPv4 a ser acessado.
NAT64.
• Inicialmente, o PC realiza uma consulta ao DNS64 para receber o mapeamento realizado por esse
servidor de nomes, que converte endereços de rede IPv4 em endereços IPv6 mapeados.
• O servidor DNS64 informa ao PC o endereço do serviço já mapeado pela técnica NAT64,
64:ff9::102:304.
• O PC encaminha a solicitação de acesso ao destino IPv6 informado. O pacote é encaminhado ao
default gateway da rede IPv6, que opera a tradução do tipo NAT64.
• O roteador identifica, por meio do prefixo de rede 64:ff9::/32, que o destino do pacote é um endereço
reservado ao NAT64, realiza a tradução do IPv6 de destino para o IPv4 1.2.3.4 do servidor e encaminha
o pacote.
• O servidor sob o IPv4 1.2.3.4 responde a solicitação ao roteador R1 que, além da tradução NAT64,
também realizou a tradução do IPv6 de origem do PC, para um IPv4 válido na internet.
• O roteador R1 realiza a operação de tradução inversa e encaminha o pacote de resposta ao PC.
Esse processo ocorre por meio de um mapeamento de um endereço IPv4 em um endereço IPv6 por meio do
endereço 0::FFFF:a.b.c.d, onde a.b.c.d identifica o destino IPv4, e outro endereço traduzido no formato
0::FFFF:0:a.b.c.d identifica o endereço de origem.
Quando esse pacote chega à máquina que opera o SIIT, ela é capaz de identificar os endereços IPv4
transportados de origem e de destino.
• Módulo tradutor: Traduz os cabeçalhos IPv4 enviados em cabeçalhos IPv6, e os cabeçalhos IPv6
recebidos em cabeçalhos IPv4.
• Extension Name Resolver: Atua nos questionamentos IPv4 do Domain Name Server (DNS) de forma
que, quando o servidor de nomes retorna uma resposta IPv6, o Extension Name Resolver realiza uma
tradução para o IPv4 correspondente.
• Address Mapper: Consiste na associação de endereços IPv4 mapeados a endereços IPv6 recebidos.
A técnica permite somente a comunicação de aplicações IPv4 com dispositivos IPv6, mas não permite que o
caminho inverso seja realizado, além de não funcionar em comunicações multicast.
A imagem a seguir ilustra a pilha de funcionamento do processo BIA, que, assim como o BIS, não possui a
capacidade de processar pacotes multicast.
Pilha de funcionamento BIA.
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Para sintetizar o conhecimento das técnicas de convivência entre o IPv6 e o IPv4, vamos realizar a
configuração de um túnel GRE, que realizará o transporte de informação IPv6 por meio de uma rede IPv4.
Para esse trabalho, vamos configurar a rede apresentada por meio da imagem a seguir, onde devemos
evidenciar que o roteador R2 não possui qualquer configuração nem roteamento IPv6. Você pode montar a
topologia no Packet Tracer ou baixar o arquivo pré-configurado.
Agora, vamos realizar as configurações necessárias em cada um dos equipamentos. Em R1, você deve
configurar as interfaces de rede IPv4, a rota padrão IPv4 e ativar o roteamento IPv6.
plain-text
R1#
R1# conf t
R1(config)# interface gigabitEthernet 0/0
R1(config-if)# ip address 192.168.12.1 255.255.255.0
R1(config-if)# no shutdown
R1(config-if)# interface gigabitEthernet 0/1
R1(config-if)# ipv6 address 2001:db8:acad:1::1/64
R1(config-if)# no shutdown
R1(config)# ipv6 unicast-routing
R1(config)# ip route 0.0.0.0 0.0.0.0 192.168.12.2
R1(config)# exit
R1#
plain-text
R2#
R2# conf t
R2(config)# interface gigabitEthernet 0/0
R2(config-if)# ip address 192.168.12.2 255.255.255.0
R2(config-if)# no shutdown
R2(config-if)# interface gigabitEthernet 0/1
R2(config-if)# ip address 192.168.23.2 255.255.255.0
R2(config-if)# no shutdown
R2(config-if)# exit
R2#
De forma semelhante à R1, você deve configurar as interfaces de rede IPv4, a rota padrão IPv4 e ativar o
roteamento IPv6 em R3.
plain-text
R3#
R3# conf t
R3(config)# interface gigabitEthernet 0/0
R3(config-if)# ip address 192.168.23.1 255.255.255.0
R3(config-if)# no shutdown
R3(config-if)# interface gigabitEthernet 0/1
R3(config-if)# ipv6 address 2001:db8:acad:3::1/64
R3(config-if)# no shutdown
R3(config-if)# exit
R3(config)# ipv6 unicast-routing
R3(config)# ip route 0.0.0.0 0.0.0.0 192.168.23.2
R3(config)# end
R3#
Agora, vamos configurar os túneis e a habilitação do processo de roteamento dinâmico RIPng nos roteadores
R1 e R3.
RIPng
Versão do protocolo RIP para funcionar com o protocolo IPv6.
plain-text
R1# conf t
R1(config)# interface tunnel 0
R1(config-if)# ip address 192.168.23.1 255.255.255.0
R1(config-if)# ipv6 2001:db8:acad:2::1/64
R1(config-if)# ipv6 add 2001:db8:acad:2::1/64
R1(config-if)# tunnel source gigabitEthernet 0/0
R1(config-if)# tunnel destination 192.168.23.1
R1(config-if)# tunnel mode ipv6ip
R1(config-if)# ipv6 rip RIPNG enable
R1(config-if)# ipv6 enable
R1(config-if)# exit
R1(config)# ipv6 router rip RIPNG
R1(config-rtr)# exit
R1(config)# interface gigabitEthernet 0/1
R1(config-if)# ipv6 rip RIPNG enable
R1(config-if)# end
R1#
R3# conf t
R3(config)# interface tunnel 0
R3(config-if)# ip address 192.168.13.2 255.255.255.0
R3(config-if)# ipv6 address 2001:db8:acad:2::2/64
R3(config-if)# tunnel source gigabitEthernet 0/0
R3(config-if)# tunnel destination 192.168.12.1
R3(config-if)# tunnel mode ipv6ip
R3(config-if)# ipv6 rip RIPNG enable
R3(config-if)# ipv6 enable
R3(config-if)# exit
R3(config)# ipv6 router rip RIPNG
R3(config-rtr)# exit
R3(config)# interface gigabitEthernet 0/1
R3(config-if)# ipv6 rip RIPNG enable
R3(config-if)# end
R3#
Após essas configurações, é possível verificar que o PC1 é capaz de estabelecer contato com a rede
2001:db8:acad:3::/64, sem que haja qualquer configuração IPv6 no roteador R2.
Para testar, vamos realizar o ping no PC1 para ping 2001:db8:acad:3::1. O resultado deve ser semelhante ao
que veremos a seguir.
plain-text
C:\>ping 2001:db8:acad:3::1
C:\>
Verificando o aprendizado
Questão 1
Após estudarmos sobre as técnicas de coexistência entre o IPv4 e o IPv6, apresente o prefixo
de endereçamento da técnica de tunelamento 6to4, definido na RFC 3056, para o IPv4
192.168.1.1.
2002:c8:c1::/48
2002:a101::/48
2002:c0a8:101::/48
FE80::/16
2002:192:168::/48
192.168.1.1 = c0a8:0101
2002:c0a8:101::/48
Questão 2
Após estudarmos sobre as técnicas de coexistência entre o IPv4 e o IPv6, identifique a faixa
de IPv6 reservada ao processo de tradução NAT64.
2002::/48
B
64:ff9::/32
2002::/32
FE80::/16
2001::/32
64:ff9::/32
4. Funcionalidades do protocolo ICMPv6
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O protocolo IPv6 insere uma série de funcionalidades e moderniza outras já existentes no protocolo IPv4.
A base dessas funcionalidades está nas mudanças ocorridas no protocolo ICMP para IPv6, Internet Control
Message Protocol version 6 — ICMPv6 —, que permite a execução de ferramentas de descoberta de
vizinhança e a configuração parcial das informações de IPv6 nos dispositivos.
O protocolo DHCPv6 também fornece uma série de funcionalidades que modernizam o funcionamento de
redes IPv6 em relação às redes IPv4.
ICMPv6
O Internet Control Message Protocol version 6 (ICMPv6) está definido pela RFC 4443 como protocolo 58, que
além de efetuar as funções já executadas pelo seu antecessor (o ICMP para o IPv4, tais como reportar erros
no processamento de pacotes, enviar mensagens sobre o status e características da rede), insere as
seguintes novas funcionalidades:
A estrutura base do ICMPv6 é apresentada pela imagem a seguir, onde podemos observar o cabeçalho base
do IPv6, o campo Cabeçalho de Extensão, quando existe, e a parte inerente às informações do ICMPv6,
evidenciando os campos que o compõem.
Como observado, o ICMPv6 possui um cabeçalho de estrutura simples, baseado em quatro campos básicos
descritos a seguir.
Type (8 bits)
Especifica o tipo da mensagem e, assim, determina o formato do corpo da mensagem (Campo
dados).
Code (8 bits)
Apresenta algumas informações adicionais sobre o motivo da mensagem.
Data
Mostra as informações relativas ao tipo da mensagem, podendo ser desde diagnósticos de rede até
erros. Seu tamanho é variável de acordo com a mensagem, desde que não exceda o tamanho de MTU
mínimo do IPv6 (1.280 bits).
Devido ao amplo conjunto de informações que podem ser transmitidas por meio dos pacotes ICMPv6, foram
designadas duas classes para categorizar as mensagens, as mensagens de Erro e as mensagens de
Informação.
Veremos, a seguir, as principais mensagens de erro, onde podemos evidenciar as mensagens de Destino
Inalcançável, Pacotes Grandes, Tempo Excedido e Problemas.
A seguir, temos as principais mensagens de informação, onde podemos evidenciar as mensagens utilizadas na
Descoberta de Vizinhança, no gerenciamento de grupos Multicast e no teste de conexão ping.
Multicast Listener
Query
130
132
Multicast Listener
Done
Router Solicitation
133
Router
134 Advertisement
136 Neighbor
Advertisement
137
Redirect Message
Inverse ND
141 Solicitation Message
Utilizadas em uma extensão do protocolo de Descoberta
de Vizinhanca.
Inverse ND
142 Advertisement
Message
Version 2 Multicast
143 Utilizada no gerenciamento de grupos multicast.
Listener Report
HA Address
Discovery Req.
Message
144
HA Address
145 Discovery Reply
Utilizadas no mecanismo de mobilidade IPV6.
Message
146
Mobile Prefix
147 Solicitation
Mobile Prefix
Advertisement
Certification Path
Solicitation Message
148
Utilizadas pelo protocolo SEND.
Cert. Path
149
Advertisement
Message
Multicast Router
Advertisement
151
Multicast Router Utilizadas pelo mecanismo Multicast Router Discovery.
152
Solicitation
153
Multicast Router
Termination
Descoberta de vizinhança
Protocolo de descoberta de vizinhança para o IPv6
Descubra como o protocolo de descoberta de vizinhança para o IPv6 simplifica e otimiza a identificação de
dispositivos na rede. O vídeo a seguir abrange a funcionalidade dessa ferramenta essencial para uma
comunicação eficiente em ambientes IPv6.
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A descoberta de vizinhança está discriminada na RFC 4861, e é utilizada por dispositivos IPv6 para:
Para efetuar essas atividades, o processo de descoberta de vizinhança utiliza cinco mensagens descritas no
protocolo ICMPv6, a saber:
Router Solicitation (RS)
Definida no ICMPv6 por meio do tipo 133, é utilizada pelos dispositivos para requisitar aos roteadores
mensagens Router Advertisements. Normalmente é enviada para o endereço multicast FF02::2 (all-
routers on link).
Redirect
Definida no ICMPv6 por meio do tipo 137, é utilizada por roteadores para informar aos dispositivos o
melhor roteador para encaminhar o pacote ao destino.
A descoberta de um dispositivo vizinho é um processo semelhante ao efetuado pelo protocolo ARP em redes
IPv4, realizada por meio do envio de uma mensagem multicast NS (Neighbor Solicitation) com a solicitação do
MAC de um vizinho que, por sua vez, responde à solicitação com uma mensagem NA (Neighbor
Advertisement), informando seu MAC.
Anúncio de roteadores
Realizado por equipamentos com capacidade de roteamento, normalmente o default gateway da rede, muito
útil em processos de autoconfiguração de endereços IPv6.
Isso é possível por meio da mensagem RA (Router Advertisement), enviada periodicamente pelos roteadores,
ou em resposta a uma mensagem RS (Router Solicitation), enviada por um dispositivo da rede. Além de
anunciar a existência do roteador como alternativa de saída da rede, essas mensagens também podem
transmitir dados, como prefixos de rede, MTU, DNS e outros, para que os dispositivos realizem
autoconfiguração.
Informações de rede.
Para isso, os dispositivos componentes de uma rede IPv6 realizam uma solicitação por meio da mensagem
Router Solicitation (RS), para obter o prefixo de rede de um roteador IPv6 presente nessa rede. Essa
mensagem é remetida em multicast aos roteadores da rede, que por sua vez respondem por meio de
mensagens Router Advertisement (RA), informando o prefixo de rede e seu endereço. Após isso, a
composição completa do IPv6 desses dispositivos é concluída com a utilização do processo IEEE EUI-64.
Atenção
Além das informações de prefixo de rede e de default gateway, essa troca de mensagens pode informar
ao dispositivo solicitante um valor predefinido para o campo Limite de Encaminhamento e o MTU da
rede. Caso não haja equipamento roteador presente na rede IPv6, o dispositivo ficará somente com seu
endereço link local para comunicação local.
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DHCPv6
O Dynamic Host Configuration Protocol (DHCPv6) está definido na RFC 3315 e permite a autoconfiguração de
endereços statefull para dispositivos e IPV6, realizando a configuração de informações necessárias ao
funcionamento de redes, como o endereço de:
No DHCPv6, a troca de mensagens entre cliente e servidor é realizada utilizando-se o protocolo UDP. Os
clientes utilizam um endereço link local para transmitir ou receber mensagens DHCPv6, enquanto os
servidores utilizam um endereço multicast reservado (FF02::1:2 ou FF05::1:3) para receber mensagens dos
clientes.
Renumeração de redes
O endereçamento de redes IPv6 está, normalmente, baseado nos prefixos atribuídos por provedores de
internet, que em uma eventual alteração demandam a renumeração de todos os endereços de dispositivos
naquela rede.
O mecanismo router renumbering, definido na RFC 2894, utiliza mensagens ICMPv6 do tipo 138,
enviadas aos roteadores, por meio do endereço multicast all-routers, contendo as instruções de
como atualizar seus prefixos automaticamente, desonerando os administradores de rede dessa
tarefa.
As mensagens router renumbering são formadas por sequências de operações dos tipos:
Match-prefix Use-prefix
Indica qual prefixo deve ser modificado. Indica o novo prefixo, o que permite aos
roteadores alterar a numeração dos dispositivos
de rede.
Para isso, é utilizado, no início do processo de fragmentação, o protocolo PMTUD (Path MTU Discovery),
descrito na RFC 1981, que descobre, de forma dinâmica, qual o tamanho máximo permitido ao pacote,
identificando previamente os MTU da referida rede.
Mobilidade IPv6
O suporte à mobilidade foi mais uma funcionalidade incorporada ao IPv6. Permite que o dispositivo em trânsito
entre redes IPv6, muito comum em redes celulares, desloque-se sem a necessidade de alterar seu endereço
IPv6 de origem, tornando a movimentação entre redes invisível ao destino de suas comunicações.
A mobilidade IPv6 permite que todos os pacotes enviados para esse dispositivo móvel continuem
sendo encaminhados a ele, sem necessidade de alteração de endereço.
Para que isso ocorra, quando um dispositivo está em trânsito, ou seja, saindo de uma rede para uma nova
rede, deve enviar uma mensagem Binding Updates para o roteador de sua rede antiga, informando sobre as
novas configurações de IPv6 na rede nova. O roteador confirma a atualização de dados por meio do envio de
um Binding Acknowledgement ao dispositivo móvel.
A imagem a seguir ilustra esse processo de associação dos endereços IPv6 de um dispositivo em trânsito.
Mobilidade IPv6.
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Roteadores Cisco possuem duas importantes flags com essa finalidade, a Flag O e a Flag M, capazes de
ajustar a configuração de entrega de endereços IPv6. A combinação entre elas permite que roteadores
entreguem informações de endereçamento aos dispositivos de formas diferentes, conforme apresentado a
seguir.
Flag Flag
Estado OBS
O M
Atenção
A Flag O pode ser alterada pelo comando ipv6 nd other-config-flag e a Flag M pelo comando ipv6 nd
managed-config-flag.
Para facilitar a compreensão, faremos juntos uma atividade na qual será necessário atribuir endereços IPv6
em três cenários diferentes:
Cenário 1 Cenário 2
Cenário 3
plain-text
R1# conf t
R1(config)# ipv6 unicast-routing (habilita processo IPv6)
R1(config)# interface gigabitEthernet 0/0
R1(config-if)# ipv6 address 2001:db8:acad:1::1/64 (configure IPv6 na interface)
R1(config-if)# no shutdown
R1#
Uma vez realizadas as configurações básicas no roteador, o processo stateless já é estabelecido e o PC1 já
recebe endereço IPv6, composto pelo prefixo de rede do roteador e o processo EUI-64. A imagem a seguir
apresenta as configurações de IPv6 do PC1.
R1# conf t
R1(config)# interface gigabitEthernet 0/0
R1(config-if)# ipv6 dhcp server DHCPv6(Informa quem é o servidor DHCPv6)
R1(config-if)# ipv6 nd other-config-flag (Define que informações adicionais serão obtidas
pelo servidor DHCPv6)
R1(config-if)#
R1(config-if)# exit
R1(config)# ipv6 dhcp pool DHCPv6 (Define o servidor local DHCPv6)
R1(config-dhcpv6)# dns-server 2001::1 (Define o servidor DNS)
R1(config-dhcpv6)# end
R1#
A próxima imagem mostra que o PC1 recebeu, além das informações do cenário 1, pelo processo stateless, o
endereço do servidor DNS por meio do servidor DHCPv6 definido no roteador R1.
R1# conf t
R1(config)# ipv6 dhcp pool DHCPv6 (configura o servidor DHCPv6)
R1(config-dhcpv6)# dns-server 2001::2 (DNS)
R1(config-dhcpv6)# domain-name cisco.com(Dominio)
R1(config-dhcpv6)# address prefix 2001:aaaa:bbbb:cccc::/64 (indica o conjunto de
endereços a serem alocados pelo servidor)
R1(config-dhcpv6)# exit
R1(config)# interface gigabitEthernet 0/0
R1(config-if)# ipv6 dhcp server DHCPv6(Define o servidor local DHCPv6)
R1(config-if)# ipv6 nd managed-config-flag(Define que informações serão obtidas
exclusivamente pelo servidor DHCPv6)
A imagem seguinte mostra que o PC recebeu todas as configurações do servidor DHCPv6 definido no
roteador R1.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O protocolo ICMPv6 apresenta uma importância maior do que o seu correlato ICMPv4,
assumindo funções que antes eram executadas por outros protocolos, por exemplo, o ARP.
Entre as funcionalidades que foram implementadas no ICMPv6, podemos dizer que
o NDP (Neighbor Discovery Protocol) é responsável por realizar a descoberta do menor MTU na comunicação
entre dispositivos.
a autoconfiguração statefull permite a aquisição de endereços globais sem o emprego de servidores DHCP.
C
o Mobility Support é responsável pelo suporte à utilização do IPv6 nas redes celulares.
o Path MTU Discovery é responsável pela definição, na origem, do caminho a ser seguido pelos datagramas
IPv6.
Questão 2
A descoberta de vizinhança é utilizada pelos dispositivos que funcionam com o protocolo IPv6
para realizar diversas atividades, como determinar o endereço MAC dos dispositivos de rede.
Para que essas funcionalidades sejam atendidas, são utilizadas 5 mensagens ICMPv6.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente a funcionalidade da mensagem ICMPv6.
A mensagem Neighbor Solicitation (NS) é utilizada para anunciar a mudança de algum endereço utilizado
dentro do enlace.
A mensagem Router Advertisement (RA) pode ser enviada periodicamente e tem como objetivo anunciar a
existência de roteadores na rede.
A mensagem Router Solicitation (RS) é utilizada para que a estação de origem obtenha um caminho prévio até
o destino.
A mensagem Redirect tem por objetivo redirecionar as mensagens ICMPv6 entre os roteadores quando for
necessária a fragmentação.
A mensagem Neighbor Advertisement (NA) é enviada para as estações clientes IPv6 informando a lista de
servidores DHCPv6.
A alternativa B está correta.
O protocolo IPv6 apresentou novas funcionalidades para facilitar a operação da rede por meio das
mensagens ICMPv6 Router Solicitation (RS), Router Advertisement (RA), Neighbor Solicitation (NS),
Neighbor Advertisement (NA) e Redirect. Entre essas novas funcionalidades, as mensagens RS são
utilizadas para que sejam solicitadas aos roteadores mensagens RA com o objetivo de anunciar a presença
dos roteadores dentro de determinada rede.
5. Conclusão
Considerações finais
Vimos os conceitos básicos do protocolo de rede IPv6 e como agrega funcionalidades em relação ao IPv4.
Mostramos que possui uma capacidade gigantesca de endereçamento e como esses endereços são
organizados globalmente. Além disso, vimos as principais técnicas de transição que viabilizam a coexistência
entre as versões 4 e 6 do protocolo de internet.
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• Para saber mais sobre os assuntos tratados neste conteúdo, pesquise na internet as RFC do protocolo
IPv6 comentadas neste curso.
Referências
KUROSE, J. F.; ROSS, K. Redes de computadores e a internet. 6. ed. São Paulo: Pearson, 2014.
TANENBAUM, A. S.; WETHERALL, D. Redes de computadores. 5. ed. São Paulo: Pearson Universidades, 2011.