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Apostila Volume 1 - FAS

A apostila preparatória para o pré-vestibular de Curitiba/2025 aborda conceitos fundamentais de cinemática escalar na física, incluindo deslocamento, distância, velocidade média e movimentos uniformes. O material é organizado em tópicos com explicações teóricas, exemplos práticos e exercícios para fixação do conteúdo. A coordenação é feita por Elizete Drevinski, com contribuições de diversos professores em diferentes áreas do conhecimento.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Volume 1

Realização: Apoio:

Termo de Fomento: Nº 6854/2024


1

NOS SIGA NO INSTA PARA NÃO PERDER


AS ATUALIZAÇÕES E NOVIDADES!
APOSTILA PREPARATÓRIA - PRÉ-VESTIBULAR
Curitiba/2025

PARCERIA GERAR/INOVARE
1. Preparação para o vestibular / 2. Ensino Médio. / 3. Revisão de conteúdos.
Título: APOSTILA PREPARATÓRIA - PRÉ-VESTIBULAR

Coordenação Geral: Elizete Drevinski

Coordenação Pedagógica: Maristela Barcelos Castro


Karoline Castro de Amorim

Coordenação Editorial: Mateus de Oliveira Fratoni

Revisão Linguística e Ortográfica: Mel

Projeto Gráfico: Mateus de Oliveira Fratoni

Diagramação: Mateus de Oliveira Fratoni


Física, Biologia, História, Filosofia / Revisão

Isabella Rizzardi de Lima


Sociologia, Literatura, Inglês, Redação

Marcos Devoyno
Matemática, Química, Gramática

Carlos Pereira
Pêra Design
2 Geografia

Arte da Capa: Mateus de Oliveira Fratoni

Professores Redatores: Luís Henrique Marucco


Física

Tiago Augusto Skroch de Almeida


Matemática

Rodrigo de Souza Rocha


Química

Gabriela Cecy Hauer


Biologia

Eduarda Moreira Farias


Geografia

Julio Cezar Siqueira


História, Sociologia, Filosofia

Thaís Pallú Souza Berdusco


Literatura, Gramática

Juliane Kelm Ramos


Redação

Mariana Cunha
Inglês

Ilustrações Vetoriais © Freepik


Ilustrações, diagramas técnicos e imagens indicadas
são cedidas e de responsabilidade da GERAR.
FÍSICA
Cinemática Escalar

3
FÍSICA - CINEMÁTICA ESCALAR
AUTOR: Luís Henrique Marucco

SUMÁRIO
ESQUECI MEU CELULAR EM CASA! NÃO SEI SE VOU CHEGAR A TEMPO NO MEU COMPROMISSO!

1. Cinemática Escalar – Conceitos básicos


1.1. Introdução
1.2. Deslocamento escalar, distância percorrida e intervalo de tempo
1.2.1. Deslocamento escalar
1.2.2. Distância percorrida
1.2.3. Intervalo de tempo
1.3. Velocidade escalar média
1.4. Movimento Uniforme
1.4.1. Função horária das posições e diagramas do M.U.
1.4.2. Classificação de movimentos no M.U.

Resumo

Exercícios

MEUS PAIS NÃO ESTÃO DANDO CONTA SOZINHOS, PRECISO AJUDAR NAS DESPESAS DE CASA!
A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO ATRAVÉS DOS APLICATIVOS DE ENTREGA

2. Movimento uniformemente variado


2.1. Aceleração média
2.2. Funções horárias da posição e da velocidade
2.3. A equação de Torricelli
4 2.4. Classificação de movimentos no M.U.V.
2.5. M.U.V. – Casos especiais
2.5.1. Queda livre
2.5.2. Lançamento vertical

Resumo

Exercícios

PRECISO MELHORAR MEUS ARREMESSOS NO BASQUETE!

3. Lançamentos horizontal e oblíquo e Movimento Circular Uniforme


3.1. Lançamento Horizontal
3.1.1. Características do lançamento horizontal
3.1.2. Relação entre a velocidade no eixo x(vx) e a velocidade no eixo y(vy)
3.1.3. Alcance no lançamento horizontal
3.1.4. Tempo de queda
3.2. Lançamento oblíquo
3.2.1 Características do lançamento oblíquo
3.2.2. Alcance no lançamento oblíquo
3.2.3. Tempo total de voo
3.2.4. Altura máxima
3.3. Movimento Circular Uniforme – M.C.U.
3.3.1. Conceitos básicos do M.C.U.
3.3.2. Velocidade angular
3.3.2. Velocidade linear
3.3.3. Transmissão de movimento circular uniforme

Resumo

Exercícios

Gabarito
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Esqueci meu celular em casa! Não sei se vou


chegar a tempo no meu compromisso!
Lucas, um adolescente curioso de 16 anos, estava atrasado para
encontrar seus amigos no parque. Ao correr, percebeu que havia
esquecido o celular em casa. Desesperado, tentou calcular
mentalmente quanto tempo levaria para chegar ao parque se
mantivesse o ritmo de sua corrida. Lembrando das aulas de física, ele
estimou sua velocidade média e a distância restante. Após alguns
cálculos rápidos, concluiu que ainda tinha tempo suficiente para
chegar. Respirando aliviado, Lucas continuou seu caminho, pensando
como a Física poderia ser útil até nos momentos mais simples do dia a
dia.

PARA REFLETIR!

1. Você já esteve em uma situação em que precisava muito se localizar ou estimar algum tempo de
chegada em um compromisso?

2. Como os conceitos de velocidade e tempo podem ajudar a planejar melhor nossos deslocamentos
diários, evitando atrasos?

3. Crie uma roda de conversa com seus colegas e debata como o conhecimento de trajetórias e
movimento pode ser útil para prever a melhor rota ou evitar obstáculos em diferentes situações
cotidianas. Troque ideias e reflita sobre o modo de pensar de cada colega.

No capítulo a seguir, veremos como os conceitos de velocidade média e deslocamento, que Lucas utilizou em
sua corrida, são fundamentais para descrever movimentos no cotidiano. Assim como ele calculou o tempo
necessário para chegar ao parque, entenderemos como aplicar essas fórmulas em diversas situações,
facilitando a resolução de problemas relacionados ao movimento.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. CINEMÁTICA ESCALAR – CONCEITOS BÁSICOS

1.1. Introdução
Cinemática é o ramo da Física que estuda as relações de velocidade dos corpos, desprezando a origem do
movimento. Para iniciar os estudos realizados nessa área da Mecânica, é necessário que sejam estabelecidos
alguns conceitos, conforme listado abaixo:

a. Ponto material – Também conhecido como partícula, é um corpo cujo tamanho e dimensões podem ser
desprezados.
Exemplo: um avião voando distante no céu.

b. Corpo extenso – Corpos cujas dimensões não podem ser desprezadas.


Exemplo: um avião visto de perto taxiando em um aeroporto.

c. Trajetória – Sucessivos pontos que formam o local geométrico onde o corpo desenvolve seu movimento.

d. Posição – Local da trajetória em que se encontra um corpo.

e. Referencial – Corpo qualquer tomado como referência do movimento.

f. Movimento – Variação da posição em relação a um referencial.

Representação de posições em uma trajetória.

Crédito: Imagem produzida pelo autor.

1.2. DESLOCAMENTO ESCALAR, DISTÂNCIA


PERCORRIDA E INTERVALO DE TEMPO

1.2.1. Deslocamento escalar


O deslocamento de um corpo é definido como a variação da posição desse corpo ao longo da trajetória.

∆s = s - s0

Onde:

• ∆s é o deslocamento do corpo;

• s é a posição final do corpo;

• s0 é a posição inicial do corpo.

No S.I. (Sistema Internacional de Unidades) a unidade de deslocamento é o metro, representado pela


letra m.
1.2.2. Distância percorrida Usualmente, no entanto, utiliza-se a unidade km/h.

A distância percorrida é distância total percorrida


pelo móvel no decorrer de seu movimento.

Note a seguinte situação: Um corpo desloca-se de


um ponto A, situado na posição 3 km, até um ponto B na
posição 8 km, e retorna novamente ao ponto A.
Nesse cenário s0=3km e s=3 km.

Assim:
Legenda: Conversão m/s em km/h. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

∆s = 3 - 3

∆s = 0 1.4. Movimento Uniforme


Ou seja, o deslocamento foi nulo. Porém, a distância
total percorrida foi de 10 km, pois o móvel percorre Movimento uniforme, ou simplesmente M.U., é o
5 km pra ir até B e mais 5 km para retornar até A. regime de movimento em que não há variação
de velocidade, ou seja, a velocidade permanece
constante durante toda a trajetória. Para uma
trajetória retilínea (em linha reta) utiliza-se o termo
1.2.3. Intervalo de tempo movimento retilíneo uniforme, ou M.R.U.

1.4.1. Função horária das posições e diagramas


O intervalo de tempo representa a diferença entre do M.U.
os instantes final e inicial nos quais o móvel realiza o
movimento e é matematicamente dado por: A posição de um corpo ao longo do tempo no M.U.
é dada por:

∆t = t- t0
s = s0 + v ∙ t
Onde:
Onde: 7
• ∆t é o intervalo de tempo;
• s é a posição final do móvel;
• t é o instante final;
• s0 é a posição inicial do móvel;
• t0 é o instante inicial.
• t é intervalo de tempo do movimento;

No S.I. a unidade de tempo é o segundo, • v é a velocidade do móvel.


representado pela letra s.
É importante observar que a função horária da
posição é uma função do 1º grau, portanto a
posição em função do tempo é dada por uma reta.
1.3. Velocidade escalar média
É a razão entre o deslocamento escalar e o intervalo
de tempo.

vm = ∆s/∆t

Onde:

• vm é a velocidade escalar média;

• ∆s é o deslocamento do corpo; Legenda: Gráfico da posição por tempo no M.U. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

• ∆t é o intervalo de tempo.

No S.I. a unidade de velocidade é metros por


segundo, representado por m/s.
No gráfico da posição versus tempo, o coeficiente

RESUMO
angular da reta é interpretado como a velocidade
do móvel.

tgθ = v = ∆s/∆t

O gráfico de velocidade por tempo, por outro lado, é Referencial – Corpo qualquer tomado como
uma reta constante, já que a velocidade não muda. referência para o estudo da variação de
A área desse gráfico é numericamente igual ao movimento de outros corpos.
deslocamento do corpo.
Movimento – Variação da posição de um corpo
em relação ao tempo em relação ao referencial
adotado.

Trajetória – Local geométrico no qual o corpo


desenvolve seu movimento.

Posição – Um ponto qualquer ao longo da trajetória.

Velocidade Média – Deslocamento total dividido


pelo tempo total. v=Δs/Δt

Aceleração Média - Variação da velocidade pelo


tempo. a=ΔV/Δt

Movimento Uniforme – M.U.

Movimento no qual a velocidade não muda.

Aceleração: (a) = 0 m/s²


Legenda: Gráfico da velocidade por tempo no M.U. Crédito: Imagem produzida pelo autor.
Equação Horária da Posição: s=s0+vt

8 A área desse gráfico é numericamente igual ao


deslocamento do corpo.

ANOTAÇÕES
v=Área

1.4.2. Classificação de
movimentos no M.U.
A velocidade pode ser positiva ou negativa,
dependendo do sentido de movimento.
Sempre que o móvel se deslocar a favor da
trajetória, dizemos que o movimento é
progressivo. E quando se deslocar contra a
trajetória, o movimento é dito retrógrado.
4. Um objeto se desprende do teto de um trem que

EXERCÍCIOS
desloca com uma certa velocidade. Sobre esta situ-
ação, assinale a opção correta:

a) Para um observador parado numa estação por


Introdução – Cinemática Escalar onde o trem passa, a trajetória do objeto é uma reta.

b) Para um passageiro do trem, a trajetória do ob-


1. Assinale V para verdadeiro ou F para falso:
jeto é uma reta.
( ) Todo corpo pequeno pode ser considerado
c) Nada pode se afirmar sobre a trajetória do ob-
ponto material ou partícula.
jeto.
( ) Um navio jamais pode ser considerado ponto
d) Quem está sentado embaixo da posição inicial
material ou partícula.
do objeto, verá o objeto cair à sua frente.
( ) Corpo extenso é todo corpo que tem dimen-
e) A trajetória do objeto independe do referencial
sões consideráveis.
adotado.
( ) Os conceitos de repouso e movimento são re-
lativos, pois dependem do referencial adotado.
5. (PUC- SP) Leia com atenção a tira da
Turma da Mônica mostrada abaixo e analise as
( ) Se um carro se aproxima de um paredão, para
afirmativas que se seguem, considerando os
o carro o paredão está em movimento.
princípios da Mecânica Clássica.
( ) Um móvel pode estar em movimento em rela-
ção a um referencial e em repouso em relação à
outro.

( ) A trajetória de um corpo não depende do refe-


rencial adotado.

( ) Os marcos quilométricos nas estradas, servem


para indicas a posição de um corpo.

( ) O deslocamento de um corpo é nulo quando 9


ele retorna à posição inicial.

( ) A unidade no S.I. de deslocamento é o quilô-


metro (km).

2. Um móvel encontra-se na posição 20m e I. Cascão encontra-se em movimento em


desloca-se até a posição 80m (primeiro relação ao skate e também em relação ao amigo
percurso). A seguir, retorna até a posição 50m Cebolinha.
(segundo percurso). Determine:
II. Cascão encontra-se em repouso em relação ao
a) O deslocamento no primeiro percurso. skate, mas em movimento em relação ao amigo
Cebolinha.
b) A distância percorrida no primeiro percurso.
III. Em relação a um referencial fixo fora da Terra,
c) O deslocamento no segundo percurso. Cascão jamais pode estar em repouso.
Estão corretas:
d) O deslocamento no percurso total e a distância
percorrida. a) apenas I

b) I e II
3. Uma tartaruga caminha, em linha reta, a 40
metros/hora, por um tempo de 15 minutos. Qual a c) I e III
distância percorrida?
d) II e III
a) 30 m
e) I, II e III
b) 10 km

c) 25 m

d) 1 km

e) 10 m
6. Assinale V para verdadeiro ou F para falso: 9. (FCC) Para manter a saúde física e mental, uma
pessoa faz caminhadas diárias em um parque
( ) A velocidade média é definida como a média público percorrendo três vezes uma pista de 1,5km
aritmética das velocidades de um corpo. de comprimento. O tempo utilizado para cada
volta é de 15 minutos. Utilizando os conceitos da
( )A unidade no S.I.. de velocidade média é o m/s. Física, podemos determinar que a velocidade
média, em km/h, desenvolvida durante essa
( ) Se a velocidade média de um móvel é de 20 caminhada é de:
m/s, isto significa que durante todo o percurso o
móvel possui velocidade de 20 m/s. a) 10

( ) A velocidade instantânea de um móvel é b) 30


obtida quando se faz Δt tendendo a zero.
c) 15
( ) 108 km/h = 30 m/s
d) 12
( ) Velocidade positiva indica movimento
progressivo. e) 6

( ) Velocidade negativa serve para indicar


movimento retrógrado porém não existe na 10. (FGV) A figura a seguir representa, em um
prática. gráfico cartesiano, como a velocidade escalar
de uma partícula em movimento varia em função
do tempo.
7. Um carro percorreu a metade de uma estrada
viajando a 30 km/h e, a outra metade da estrada,
a 60 km/h. Sua velocidade média no percurso total
foi de:

a) 60 km/h

b) 54 km/h

c) 48 km/h
10 d) 40 km/h A velocidade escalar média dessa partícula entre
os instantes t1 e t2 foi de:
e) 30 km/h
a) 27 km/h.

8. (UFPR) Em 1914, o astrônomo americano b) 32 km/h.


Vesto Slipher, analisando o espectro da luz de
várias galáxias, constatou que a grande c) 42 km/h.
maioria delas estava se afastando da Via Láctea.
Em 1931, o astrônomo Edwin Hubble, fazendo um d) 57 km/h.
estudo mais detalhado, comprovou os resultados de
Slipher e ainda chegou a uma relação entre a e) 62 km/h.
distância (x) e a velocidade de afastamento ou
recessão (v) das galáxias em relação à Via Láctea,
isto é, x = H0-1v. Nessa relação, conhecida como a 11. Assinale V para verdadeiro ou F para falso:
Lei de Hubble, H0 é determinado experimentalmen-
te e igual a 75 km/(s.Mpc). Com o auxílio dessas ( ) No MRU a trajetória do móvel é uma reta e a
informações e supondo uma velocidade velocidade vetorial é constante.
constante para a recessão das galáxias, é possível
calcular a idade do Universo, isto é, o tempo ( ) A aceleração vetorial é nula no MRU.
transcorrido desde o Big Bang (Grande Explosão)
até hoje. Considerando 1pc = 3 ∙ 1016m, assinale a ( ) A posição final de um móvel em MRU
alternativa correta para a idade do Universo em independe da posição inicial.
horas.
( ) O gráfico posição versus tempo de um corpo
a) 6,25 ∙ 1017 em MRU é uma reta.

b) 3,75 ∙ 1016 ( ) A velocidade de um móvel pode ser negativa.

c) 2,40 ∙ 1018 ( ) No gráfico velocidade em função do tempo, o


deslocamento é numericamente igual à área.
d) 6,66 ∙ 1015
( ) É impossível calcular a velocidade de um
e) 1,11 ∙ 1014 móvel observando-se o diagrama posição em
função do tempo.
12. Um trem gasta 40s para atravessar completa- Note e adote: O valor obtido, embora da ordem de
mente um túnel de extensão 300m. Sabendo que a magnitude correta, não é o mesmo calculado por
velocidade constante do trem era de 36 km/h, qual estimativas mais precisas.
a extensão do trem?
a) 250.000 anos
a) 100m
b) 2.500.000 anos
b) 500m
c) 25.000.000 anos
c) 600m
d) 250.000.000 anos
d) 1.140m
e) 2.500.000.000 anos
e) 1.440m

15. Dois móveis percorrem a mesma trajetória,


13. (UFPR) A figura abaixo apresenta o sendo suas posições medidas a partir de uma
comportamento gráfico da posição x em função do origem comum. As equações horárias dos dois
tempo t para os objetos A (linha cheia) e B (linha movimentos são, respectivamente:
tracejada), que se movem ao longo de duas pistas
retas, paralelas e de origens coincidentes. s1 = 30 – 80t e s2 = 10 + 20t

Considerando que s_1 e s_2 são expressos em me-


tros e t em segundos, o encontro ocorrerá no ins-
tante:

a) t = 0,1s

b) t = 0,2s

c) t = 0,3s

d) t = 0,4s
Considerando os dados apresentados no
enunciado e no gráfico, considere as seguintes
afirmativas:
16. (VUNESP) A figura representa o líder
11
(corredor A) e o segundo colocado (corredor B)
1. O objeto A tem uma velocidade constante, de
de uma corrida de rua no momento em que A
módulo v = 2m/s.
está a 900m da linha de chegada e B está 300m
atrás de A. Nesse instante, o primeiro e o segundo
2. Os objetos se encontram no instante t = 15s.
colocados têm velocidades de 3,0m/s e 3,5m/s,
respectivamente.
3. O objeto B está parado.

4. O objeto A inicia o movimento em x0 = 0m.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente a afirmativa 2 é verdadeira

b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.


Considerando que eles mantenham suas
d) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. velocidades constantes até o final da prova,
pode-se afirmar que:
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
a) B vence a prova, cruzando a linha de chegada no
instante em que A está 150 m atrás dele.
14. (FUVEST) Em virtude do movimento das
placas tectônicas, a distância entre a América do b) B vence a prova, cruzando a linha de chegada no
Sul e a África aumenta, nos dias atuais, cerca de instante em que A está 50 m atrás dele.
2,0 cm a cada ano. Supondo que essa velocidade
tivesse sido constante ao longo do tempo, e c) A vence a prova, cruzando a linha de chegada no
tomando uma distância atual de cerca de 5.000 km instante em que B está 50 m atrás dele.
entre os limites dessas duas massas continentais,
indique a melhor estimativa para quanto tempo d) A vence a prova, cruzando a linha de chegada no
teria transcorrido desde quando ambas estavam instante em que B está 150 m atrás dele.
unidas em um único supercontinente.
e) A e B cruzam a linha de chegada juntos.
17. (VUNESP) Depois de ter feito uma viagem Pode-se, então, afirmar que o módulo da
entre duas cidades, o motorista calculou sua velocidade do corpo:
velocidade escalar média no percurso
considerando seu deslocamento escalar e a) aumenta no intervalo de 0 s a 10 s.
o intervalo de tempo gasto. Após alguns
cálculos, ele concluiu que se tivesse feito a mesma b) diminui no intervalo de 20 s a 40 s.
viagem, pela mesma trajetória, com uma
velocidade escalar média 25% maior, o intervalo de c) tem o mesmo valor em todos os diferentes
tempo gasto teria sido reduzido em: intervalos de tempo.

a) 25%. d) é constante e diferente de zero no intervalo de 10


s a 20 s.
b) 20%.
e) é maior no intervalo de 0 a 10s.
c) 12%.

d) 15%. 20. (FUVEST) Uma formiga cortadeira,


movendo-se a 8 cm/s, deixa a entrada do
e) 10%. formigueiro em direção a uma folha que está 8
m distante do ponto em que se encontrava. Para
cortar essa folha, a formiga necessita de 40 s. Ao
18. O gráfico mostra a variação da posição de uma retornar à entrada do formigueiro pelo mesmo
partícula em função do tempo. caminho, a formiga desenvolve uma velocidade de
4 cm/s, por causa do peso da folha e de uma brisa
constante contra o seu movimento.

O tempo total gasto pela formiga ao realizar a


sequência de ações descritas foi:

a) 340 s.

b) 420 s.

c) 260 s.
12 d) 240 s.

e) 200 s.
Analisando o gráfico, é correto afirmar:

a) É nulo o deslocamento da partícula de 0 a 15 s. ANOTAÇÕES

b) A velocidade da partícula é negativa entre 0 e 10


segundos.

c) A aceleração da partícula vale 20 m/s².

d) A velocidade da partícula é nula no instante 10 s.

e) A velocidade da partícula é constante e vale 20


m/s.

19. No gráfico, representam-se as posições


ocupadas por um corpo que se desloca numa
trajetória retilínea em função do tempo.
PROBLEMATIZAÇÃO 2

Meus pais não estão dando


conta sozinhos, preciso ajudar
nas despesas de casa!
A precarização do trabalho através dos
aplicativos de entrega

Pedro, um jovem de 17 anos, começou a


trabalhar como entregador para um
aplicativo de comida, tentando ajudar sua
família nas despesas. No início, o trabalho
parecia simples, mas logo ele percebeu que as
taxas por entrega eram baixas e que o aplicativo
pressionava por entregas rápidas, forçando-o a
correr contra o tempo para ganhar mais. Certo
dia, em meio a uma entrega no horário de pico,
para chegar mais rápido ao destino, ele teve
que descer uma ladeira íngreme e, preocupado
com os freios desgastados, pensou em como a
falta de manutenção adequada e a pressa por
ganhos melhores, aumentava os riscos de suas
corridas.

Para piorar, as entregas o obrigavam a acelerar e frear repetidamente, expondo-o a situações perigosas no
trânsito, com a necessidade de manobras rápidas e a variação brusca de velocidade. A precarização do
trabalho o colocava em situações de risco, não apenas pela pressão de tempo, mas também pela falta de
condições adequadas de segurança, que faziam cada entrega uma corrida contra o relógio e contra sua
própria segurança.
13

PARA REFLETIR!

1. Você ou alguém que você conhece já teve que trabalhar em condições precárias para auxiliar na
manutenção das contas em casa?

2. Converse com seus colegas e debatam: como o conhecimento de aceleração e frenagem pode
ajudar os trabalhadores a evitarem acidentes durante deslocamentos em condições precárias de
trabalho, como entregas por aplicativo?

3. Em que outras situações cotidianas, além do trânsito, o entendimento de fenômenos físicos pode
ajudar a melhorar a segurança e as condições de trabalho?

No capítulo 2, através dos conceitos envolvendo o movimento uniformemente


variado, exploraremos como as variações de velocidade, assim como Pedro
experimentou ao acelerar e desacelerar repetidamente no trânsito intenso, são
governadas por leis fundamentais da Física. Através de situações cotidianas, como
ultrapassagens e paradas emsemáforos, veremos como esses conceitos podem ser
aplicados para calcular deslocamentos e prever o comportamento de veículos, além
de compreender os desafios que trabalhadores enfrentam em condições de pressão.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2

2. MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO


O movimento uniformemente variado, também conhecido como M.U.V., é o tipo de movimento no qual a
velocidade muda com o decorrer do tempo.

2.1. Aceleração média


A grandeza física aceleração é a responsável por variar o módulo da velocidade escalar de um determinado
móvel. A aceleração média de um corpo é definida como a razão entre a variação da velocidade desse corpo
pelo intervalo de tempo.

am = ∆v/∆t

Onde:

• ∆v é a variação da velocidade;

• ∆t é intervalo de tempo do movimento;

• am é a aceleração escalar média.

No S.I. a unidade de aceleração é metro por segundo ao quadrado [m/s²].

14
2.2. Funções horárias da posição e da velocidade
Analogamente ao que foi visto no M.U., é preciso prever posições, intervalos de tempo e velocidade dos corpos.
No movimento uniformemente variado, essa análise se dá através da função horária das posições e também
da função horária das velocidades.

Função horária da posição – M.U.V.

s= s0+v0∙t + a∙t²/2

Onde:

• s é a posição final;

• s0 é a posição inicial;

• v0 é a velocidade inicial;

• t é o intervalo de tempo;

• a é a aceleração.

Como a função horária da posição é uma função do 2º grau, a interpretação gráfica, nesse caso, é
uma parábola.

Legenda: Gráfico da posição por Crédito: Imagem produzida pelo autor.


tempo no M.U.V.
No caso de uma aceleração positiva, a parábola possui concavidade voltada para cima, caso contrário, para
aceleração negativa, a parábola apresenta concavidade para baixo.

Função horária da velocidade – M.U.V.

v= v0+a∙t

Onde:

• v é a velocidade final;

• v0 é a velocidade inicial;

• t é o intervalo de tempo;

• a é a aceleração;

Na função horária da velocidade do M.U.V., a função é novamente de primeiro grau e, portanto, uma reta.

Legenda: Gráfico da velocidade por Crédito: Imagem produzida pelo autor.


tempo no M.U.V.

No gráfico da velocidade versus tempo, o coeficiente angular da reta é interpretado como a aceleração do
móvel.
15

tgθ=a=∆v/∆t

Outra informação que pode ser extraída desse gráfico é sua área que representa numericamente o
deslocamento do corpo.

v = Área

2.3. A equação de Torricelli


É a equação utilizada para determinar a velocidade quando não há o tempo.

v2 = v02 + 2∙a∙∆s

Onde:

• v é a velocidade final;

• v0 é a velocidade inicial;

• ∆s é o deslocamento;

• a é a aceleração;
2.4. Classificação de movimentos no M.U.V.
Ao classificar os movimentos no M.U.V., deve ser levada em conta a aceleração. Quando a velocidade e a
aceleração têm o mesmo sentido, o movimento é acelerado (a velocidade aumenta). No caso onde a
velocidade e a aceleração têm sentidos contrários, o movimento é retardado (a velocidade diminui).

Legenda: Classificação de movimento. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

2.5. M.U.V. – Casos especiais


Existem variações específicas do M.U.V. que possuem muitas aplicações no cotidiano e, por consequência,
presença no vestibular. São elas:

a) Queda Livre;
16
b) Lançamento Vertical;

c) Lançamento Horizontal;

d) Lançamento Oblíquo.

2.5.1. Queda livre


O problema da queda dos corpos foi muito estudado por Galileu Galilei, famoso físico italiano. Em suas
experiências, jogando corpos do alto da torre de Pisa, ele descobriu que os corpos caíam sujeitos à uma
aceleração aproximadamente constante nas proximidades da superfície da Terra, que mais tarde foi
chamada de aceleração da gravidade, denotada pela
letra g. O valor aproximado dessa constante é de
10 m/s²

Características da queda livre:

I. Velocidade inicial nula;

II. Despreza-se a resistência do ar;

III. A aceleração da gravidade é constante e vale


aproximadamente 10 m/s²;

IV. São válidas todas as equações do M.U.V;

Cuidado: Repare que as equações do movimento não


apresentam a massa em sua estrutura, e com a queda
livre não é diferente. Isso acontece porque o movimento dos
corpos, como estudados na cinemática, não dependem da
massa.
2.5.2. Lançamento vertical
Semelhante ao caso da queda livre, o lançamento vertical, como o nome sugere, pressupõe movimento com
trajetória na vertical, porém sem o abandono de um objeto, e sim imprimindo uma velocidade inicial sobre
ele. É semelhante ao lançamento de uma bola para cima, por exemplo, no vôlei, ao iniciar um “saque viagem”.

O cuidado que deve ser tomado no lançamento vertical é com o sentido da velocidade e da aceleração.

1. Quando o sentido da trajetória for de baixo para cima:

a=-g

2. Quando o sentido da trajetória for de cima para baixo

a= g

Legenda: : Lançamento vertical. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Características do lançamento vertical: 17


I. Velocidade inicial diferente de zero

II. Despreza-se a resistência do ar.

III. A aceleração da gravidade é constante e vale em módulo aproximadamente 10 m/s².

IV. São válidas todas as equações do M.U.V.

Logo, comparando-se as equações do movimento para as três situações: M.U.V., queda livre e lançamento
vertical, temos:

LANÇAMENTO
M.U.V. QUEDA LIVRE
VERTICAL

s = s0+v0 t + a∙t²/2 H = g ∙ t2/2 h = h0 + v0t ± g∙t²/2

v = v0 + a ∙ t v=g∙t v = v0± g ∙ t

v² = v02 + 2a ∙ ∆s v² = 2gH v² = v02+2g ∙ H


RESUMO EXERCÍCIOS
Movimento uniformemente variado

Movimento Uniformemente Variado – M.U.V. 21. Assinale V para verdadeiro ou F para falso:
Movimento no qual a velocidade varia linearmente.
( ) A aceleração é a grandeza física responsável
Equação Horária da Posição s = s0 + v0t + at²/2 apenas por aumentar a velocidade de um móvel.

Equação Horária da Velocidade v = v0+at ( ) Quando um corpo é lançado para cima nas
proximidades da superfície da Terra, podemos
Equação de Torricelli v² = v0² + 2a∆s afirmar que sua velocidade diminui 10 m/s a cada
segundo.
Queda Livre – Movimento retilíneo de um corpo
quando ele está sujeito apenas à aceleração da ( ) Um corpo que se desloca a favor da trajetória e
gravidade, desconsiderando a resistência do ar. aumentando sua velocidade descreve um
movimento progressivo acelerado.
Lançamento Vertical – É o movimento oposto ao
da queda livre, onde lança-se o corpo para cima. ( ) É impossível existir movimento acelerado com
aceleração negativa.

Atenção – As fórmulas para queda livre e ( ) O MRUV caracteriza-se por variações uniformes
lançamento vertical são as mesmas utilizadas no de velocidade e trajetória retilínea.
M,U,V.! Mudamos apenas a aceleração por g.
( ) No MRUV a aceleração é constante e diferente
de zero.
Atenção - Velocidade no ponto mais alto do
lançamento vertical vale zero! ( ) A função horária das velocidades é uma
função do primeiro grau.

Aceleração da gravidade g = 10 m/s² ( ) O diagrama posição em função do tempo para


18 um MRUV é uma reta.

( ) Quando um móvel inverte o sentido de


movimento sua velocidade é nula.
ANOTAÇÕES

22. O anúncio de um certo tipo de automóvel


proclama que o veículo, partindo do repouso,
atinge a velocidade de 108 km/h em
5 segundos. Qual a aceleração escalar média deste
automóvel?

23. Um móvel parte com velocidade de 4 m/s


de um ponto de uma trajetória retilínea com
aceleração constante de 5 m/s². Ache sua
velocidade no instante 16s.
24. (UFPR) Um veículo está se movendo ao longo 26. (UNEMAT) O gráfico em função do tempo
de uma estrada plana e retilínea. Sua velocidade mostra dois carros A e B em movimento retilíneo.
em função do tempo, para um trecho do percurso, Em t = 0 seg. os carros estão na mesma posição.
foi registrada e está mostrada no gráfico abaixo.
Considerando que em t = 0 a posição do veículo s
é igual a zero, assinale a alternativa correta para a
sua posição ao final dos 45s.

Com base na análise do gráfico, é correto afirmar.


a) 330 m.
a) Os carros vão estar na mesma posição nos
b) 480 m. instantes t = 0 seg. e t = 4,0 seg.

c) 700 m. b) Os carros não vão se encontrar após t = 0,


porque a velocidade de A é maior que a do carro B.
d) 715 m.
c) Os carros vão se encontrar novamente na
e) 804 m. posição S = 10m.

d) Os carros não vão se encontrar, porque estão em


25. (UPE) Na figura a seguir, é informada a variação sentidos contrários.
da velocidade com o tempo de um ponto material
em movimento sobre uma trajetória retilínea. e) Os instantes em que os carros vão estar na
mesma posição é t = 0 seg. e t = 8,0 seg.
19
27. (ACAFE) Para garantir a segurança no
trânsito, deve-se reduzir a velocidade de um veículo
em dias de chuva, senão vejamos: um veículo em
uma pista reta, asfaltada e seca, movendo-se com
velocidade de módulo 36 km/h (10 m/s) é freado e
desloca-se 5,0m até parar. Nas mesmas
circunstâncias, só que com a pista molhada sob
chuva, necessita de 1,0m a mais para parar.
Considerando a mesma situação (pista seca e
molhada) e agora a velocidade do veículo de
Analise as proposições a seguir e conclua módulo 108 km/h (30 m/s), a alternativa
indicando V para verdadeiro e F para falso: correta que indica a distância a mais para parar, em
metros, com a pista molhada em relação a pista
( ) A aceleração escalar média no intervalo de seca é:
tempo de 0s a 5s é 0,4 m/s².
a) 6
( ) Nos instantes 1s e 3s, os valores da velocidade
são respectivamente 2 m/s e 3 m/s. b) 2

( ) A distância percorrida pelo ponto material c) 1,5


entre os instantes 0s e 4s é de 10m.
d) 9
( ) Nos intervalos de tempo de 0s a 2s e de 4s a 5s,
as velocidades são constantes e iguais. e) 10

( ) A aceleração no intervalo de tempo de 2s a 3s


é de 0,4 m/s².
28. (UNICAMP) Logo ao reentrar na atmosfera 31. Um corpo é solto, a partir do repouso, do topo
terrestre, uma cápsula espacial passa a de um edifício de 80m de altura. Despreze a
descrever, durante certo tempo, um movimento resistência do ar e adote g = 10 m/s². O tempo de
retilíneo uniformemente variado em que ela é queda até o solo e o módulo da velocidade com
freada com aceleração a = - 5,0 m/s2. que o corpo atinge o solo são dados por:
Se no início dessa etapa (t = 0) do movimento a
velocidade da cápsula é v0 = 7000 m/s, qual é a a) 4,0s e 72 km/h
distância percorrida até o tempo t = 200s?
b) 2,0s e 72 km/h
a) 1300 km.
c) 2,0s e 144 km/h
b) 1400 km.
d) 4,0s e 144 km/h
c) 1500 km.
e) 4,0s e 40 km/h
d) 4900 km.

32. (FUVEST) Uma torneira mal fechada pinga a


29. (MACKENZIE) Dois automóveis A e B se intervalos de tempo iguais. A figura mostra a
movimentam sobre uma mesma trajetória retilínea, situação no instante em que uma das gotas está
com suas velocidades variando com o tempo de se soltando. Supondo que cada pingo abandone
acordo com o gráfico abaixo. Sabe-se que esses a torneira com velocidade nula e desprezando a
móveis se encontram no instante 10s. A distância resistência do ar, pode-se afirmar que a razão A/B
entre eles, no instante inicial (t = 0s), era de: entre as distâncias A e B mostradas na figura (fora
de escala) vale:

20

a) 2

b) 3

c) 4
a) 575 m
d) 5
b) 425 m
e) 6
c) 375 m

d) 275 m 33. (FUC- MT) Um corpo é lançado verticalmente


para cima, com uma velocidade de 40 m/s, num
e) 200 m lugar onde o módulo da aceleração da
gravidade é 10 m/s². Considerando-se que a única
força atuante sobre o corpo é seu peso, conclui-se
30. Uma pedra, deixada cair do alto de um que o tempo de subida do corpo é
edifício, leva 4,0s para atingir o solo. Desprezando a
resistência do ar e considerando g = 10 m/s², a) 2,0s
escolha a opção que indica a altura do edifício em
metros. b) 4,0s

a) 20 c) 6,0s

b) 40 d) 8,0s

c) 80

d) 120

e) 160
34. (UFES) Um projétil é disparado do solo, 38. Abandona-se uma pedra de uma altura H do
verticalmente para cima, com velocidade inicial solo, num local onde a aceleração da gravidade é
de módulo igual a 2,0 ∙ 10² m/s. Desprezando-se a 10 m/s² e o efeito do ar é desprezível. Verifica-se que,
resistência do ar e adotando-se g = 10 m/s², a no último segundo de queda, a pedra percorre 3/4
altura máxima alcançada pelo projétil e o tempo H.
necessário para alcançá-la são, respectivamente:
Calcule:
a) 4km e 40s
a) o tempo de queda:
b) 4km e 20s

c) 2km e 40s

d) 2km e 20s b) a altura H de queda:

35. (PUCCAMP) Numa prova de atletismo, um


atleta de 70kg consegue saltar por cima de uma
barra colocada paralelamente ao solo, a 3,2m
de altura. Para conseguir esse feito é preciso que,
no momento em que deixa o solo, a componente 39. (ENEM) Um professor lança uma esfera
vertical da velocidade do atleta, em m/s, tenha verticalmente para cima, a qual retorna, depois
módulo de: de alguns segundos, ao ponto de lançamento. Em
seguida, lista em um quadro todas as
a) 9,5 possibilidades para as grandezas cinemáticas.

b) 9,0

c) 8,5

d) 8,0

e) 7,5

36. A partir de um ponto a 105m acima do solo *Grandezas com módulo nulo não têm sentido
atira-se uma bola verticalmente para cima com definido. 21
velocidade v = 20 m/s. Admitindo g = 10 m/s² e
desprezando a resistência do ar, assinale a Ele solicita aos alunos que analisem as grandezas
proposição incorreta. cinemáticas no instante em que a esfera atinge
a altura máxima, escolhendo uma combinação
a) A velocidade do ponto mais alto da trajetória é para os módulos e sentidos da velocidade e da
nula. aceleração.

b) A partir do lançamento até o impacto no solo A escolha que corresponde à combinação correta
decorre um tempo de 5,0s. é:

c) A velocidade de retorno ao solo tem módulo igual a) v = 0 e a ≠ 0 para cima.


a 50 m/s.
b) v ≠0 para cima e a = 0.
d) A máxima elevação a partir do ponto de
lançamento é 20m. c) v = 0 e a ≠ 0 para baixo.

e) A duração da subida é 2,0s d) v ≠ 0 para cima e a ≠ 0 para cima.

e) v ≠ 0 para baixo e a ≠ 0 para baixo.


37. Um disparador de bolinhas está disposto na
vertical. Ao se acionar o disparador, uma bolinha
é lançada e atinge a altura máxima de 22,05m
acima da saída do disparador. Qual é a velocidade
da bolinha ao sair do disparador?

a) 15 m/s

b) 19 m/s

c) 20 m/s

d) 21 m/s

e) 22 m/s
40. (ENEM) Em um dia de calor intenso, dois colegas estão a brincar com a água da mangueira. Um
deles quer saber até que altura o jato de água alcança, a partir da saída de água, quando a mangueira está
posicionada totalmente na direção vertical. O outro colega propõe então o seguinte experimento: eles
posicionarem a saída de água da mangueira na direção horizontal, a 1m de altura em relação ao chão, e
então medirem a distância horizontal entre a mangueira e o local onde a água atinge o chão. A medida dessa
distância foi de 3m, e a partir disso eles calcularam o alcance vertical do jato de água. Considere a aceleração
da gravidade de 10ms-2.

O resultado que eles obtiveram foi de:

a) 1,50m.

b) 2,25m.

c) 4,00m.

d) 4,50m.

e) 5,00m.

PROBLEMATIZAÇÃO 3

Preciso melhorar meus arremessos no


basquete!
Ana sempre amou o basquete. A sensação da bola
nas mãos, o som da rede balançando, a energia da
torcida... Tudo isso a deixava extasiada e por isso ela
jogava no time da escola. Mas havia um problema: ela não
conseguia acertar a cesta com a mesma precisão das
22 outras jogadoras do seu time. Essa dificuldade a deixava
insegura e a afastava das demais meninas.

Com cada arremesso errado, Ana se sentia mais


isolada. Ela queria muito fazer parte do time, mas sua falta
de habilidade a impedia de se conectar com as demais
jogadoras. A cada treino, ela se esforçava cada vez mais,
mas os resultados não eram os esperados.

Determinada a mudar essa situação, Ana decidiu


estudar a física por trás do arremesso perfeito. Ela queria
entender as forças que atuavam sobre a bola, o ângulo ideal para o lançamento e todos os outros fatores que
influenciavam a trajetória. Afinal, se ela conseguisse dominar a técnica, talvez pudesse superar suas
inseguranças e finalmente se sentir parte do grupo.

PARA REFLETIR!

1. Além dos cálculos e equações, liste outras habilidades que Ana poderia desenvolver ao estudar a
física do basquete. Como esses novos conhecimentos podem ajudá-la a construir relacionamentos
mais fortes com seus colegas de equipe?

2. A pressão para se encaixar em um grupo pode ser grande. Como Ana pode lidar com as
expectativas dos outros e, ao mesmo tempo, permanecer fiel a si mesma?

3. A busca pela cesta perfeita é uma metáfora para a busca por objetivos na vida.
Reúna-se com seus colegas e discuta: de que forma a física pode nos ajudar a entender os desafios
que enfrentamos e a encontrar soluções criativas?
Ana, em sua jornada para acertar a cesta perfeita, está, na verdade, explorando um dos conceitos mais importantes da
Física: o lançamento objetos. Cada arremesso de basquete é um exemplo prático de um lançamento oblíquo, onde a bola
descreve uma trajetória curva antes de atingir o alvo.

A Física nos permite entender os fatores que influenciam a trajetória da bola, como a força aplicada no arremesso, o
ângulo de lançamento e a resistência do ar. Ao dominar esses conceitos, Ana não apenas aprimora sua técnica no
basquete, mas também desenvolve uma compreensão mais profunda do mundo ao seu redor.

No capítulo que estudaremos a seguir, vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre o lançamento horizontal e oblíquo.
Veremos como os conceitos de velocidade e aceleração se aplicam a esses movimentos.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3

3. LANÇAMENTOS HORIZONTAL E OBLÍQUO


E MOVIMENTO CIRCULAR UNIFORME

3.1. Lançamento Horizontal


Lançamento horizontal é um movimento em que o corpo se desloca em duas dimensões
simultaneamente, isto é, em duas direções. Para entender o lançamento horizontal, é necessário conhecer o
Princípio da independência de Galileu.

Princípio da independência de Galileu: Em movimentos bidimensionais (um objeto caindo de uma mesa, por
exemplo), pode-se estudar separadamente o movimento que ocorre no eixo x do movimento que ocorre no
eixo y.

No caso do lançamento horizontal, há uma composição dos movimentos uniforme e uniformemente


variado.
23

Legenda: Lançamento horizontal. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

3.1.1. Características do lançamento horizontal


I. Velocidade no eixo x é constante. -> ax = 0

II. Velocidade inicial no eixo y é nula. -> v0y = 0

III. A aceleração da gravidade é constante e vale em módulo aproximadamente g = 10 m/s².

Eixo x: desprezamos a resistência do ar e nesse eixo o movimento é uniforme (M.U.).

Função horária da posição para o lançamento horizontal: s = s0 + v.t

Como estamos tratando o movimento no plano cartesiano, usualmente adotamos s = x e, portanto:

x = x0 + v∙t
Eixo y: Aqui também desprezamos a resistência do ar, e o movimento é uniformemente variado (M.U.V.).
Como o eixo y representa um movimento na vertical, adotamos a mesma notação da queda livre e do lança-
mento vertical.

Função horária da velocidade para o lançamento horizontal:

vy = g ∙ t

Função horária da posição para o lançamento horizontal:

H = g ∙ t²/2

Em que H é a variação de altura.

Equação de Torricelli para o lançamento horizontal:

vy2 = v02y + 2 ∙ g ∙ H

3.1.2. Relação entre a velocidade no eixo x (vx)


e a velocidade no eixo y (vy)

24

Legenda: Decomposição de velocidades. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

v2 = vx2 + v²y

vx = v ∙ cosa vy = v ∙ sena

Em que:

• vx é a velocidade no eixo x;

• vy é a velocidade no eixo y;

• a é o ângulo em relação à horizontal.


3.1.3. Alcance no lançamento horizontal
O alcance máximo de um lançamento horizontal é a maior distância percorrida pelo corpo no eixo x. Para de-
terminarmos o alcance aplicamos da função horária da posição e obtemos:

A = v0 ∙ t

Em que:

• A é alcance;

• v0 é a velocidade inicial;

• t é o intervalo de tempo.

3.1.4. Tempo de queda


O tempo de queda, como o nome sugere, é o tempo que o móvel irá levar para atingir o solo.

t = √2H/g

3.2. Lançamento oblíquo


Lançamento oblíquo ocorre quando o vetor velocidade forma com o eixo horizontal um ângulo maior que
0º e menor que 90°. No estudo do lançamento oblíquo, utiliza-se também o princípio da independência dos
movimentos de Galileu.
25
3.2.1 Características do lançamento oblíquo
I. Velocidade no eixo x é constante. -> ax = 0;

II. Velocidade vy no ponto mais alto da trajetória é nula. -> vy = 0;

III. A aceleração da gravidade é constante e vale em módulo aproximadamente g = 10 m/s²;

IV. O tempo de subida (tempo necessário para atingir o ponto mais alto da trajetória, é igual ao tempo de
descida — tempo necessário para ir do ponto mais alto da trajetória até à altura do ponto inicial).

tsubida = tqueda

Eixo x: despreza-se a resistência do ar e nesse eixo o movimento é uniforme (M.U.).

Função horária da posição x = x0 + v ∙ t

Eixo y: aqui também se despreza a resistência do ar e o movimento é uniformemente variado (M.U.V.).

Função horária da velocidade: vy = v0y ± g ∙ t

Função horária da posição h = h0 + v0y ∙ t ± a ∙ t²/2

Equação de Torricelli vy2 = v02y ± 2 ∙ g ∙ H

Cuidado!

Os sinais nas equações acima são avaliados da mesma maneira que é feita a análise no
lançamento vertical, ou seja, de acordo com o sentido da trajetória.
A relação entre a velocidade v e suas componentes é a mesma que vimos no lançamento horizontal:

v2 = vx2 + vy2 vx = v ∙ cosa vy = v ∙ sena

Legenda: Lançamento oblíquo. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Assim como vimos no lançamento horizontal, o lançamento oblíquo dá a possibilidade de fazermos três
análises importantes: o alcance do objeto, tempo total de voo e altura máxima.

3.2.2. Alcance no lançamento oblíquo

A = v2 ∙ sen2a/g

Em que:

• a é o ângulo em relação à horizontal.

26
3.2.3. Tempo total de voo

t = v0y /g

3.2.4. Altura máxima

hmáx = v0y2/2g

3.3. MOVIMENTO CIRCULAR UNIFORME – M.C.U.


Para finalizar o estudo dos movimentos, resta estudar os movimentos de trajetórias circulares. O que
possui maior importância no contexto do vestibular certamente é o Movimento Circular Uniforme, também
conhecido como M.C.U. Esse movimento é bastante comum no nosso dia a dia. Pode-se observá-lo, por
exemplo, na hélice de helicópteros e aviões, em rodas gigantes, nos movimentos do ponteiro de um relógio,
em bicicletas e satélites.

3.3.1. Conceitos básicos do M.C.U.


Existem duas grandes diferenças entre o M.C.U. e os demais movimentos estudados até então. A primeira
delas, já citada, é a trajetória curvilínea. A outra é que, em virtude da sua trajetória, o M.C.U. é um movimento
periódico, ou seja, que se repete de tempos em tempos.

Em movimentos periódicos é comum a necessidade de introduzir dois conceitos:


Período (T) – É o tempo necessário para que o móvel percorra uma volta completa. Por ser um intervalo de
tempo, sua unidade no S.I. é o segundo.

Frequência (f) – É a grandeza física que fornece o número de ciclos/oscilações por unidade de tempo. No caso
do M.C.U., o número de voltas em um determinado tempo. No S.I. a unidade de frequência é o hertz, simboliza-
do por Hz. Outra unidade bastante usual de frequência é a rpm, que indica o número de rotações por minuto.
A conversão entre essas duas unidades é dada pela relação:

1Hz = 60rpm

O período e a frequência relacionam-se da seguinte maneira:

T = 1/f f = 1/T

Onde:

• T é o período;

• f é a frequência.

3.3.2. Velocidade angular


Velocidade angular é a taxa de variação do deslocamento angular em um determinado intervalo de tempo,
conforme podemos observar na imagem abaixo. No caso do M.C.U. o móvel possui um deslocamento angular
em relação ao centro da circunferência que compõe a trajetória.

27

Legenda: Velocidade angular. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

ω = ∆φ/∆t

Em que:

• ω é a velocidade angular;

• ∆φ é o deslocamento angular;

• ∆t é o intervalo de tempo;

No S.I. a unidade da velocidade angular é radiano por segundo, escrito como rad/s.

Considerando que o móvel dê uma volta completa pela circunferência, o deslocamento angular será 2π rad. E
assim, a velocidade angular será:

ω = 2π/T

O período e a frequência relacionam-se da seguinte maneira:

ω = 2π ∙ f
3.3.2. Velocidade linear
Também conhecida como velocidade tangencial, é a velocidade tradicional da partícula, que vem sendo
apresentada em todo o estudo da cinemática.

A diferença no M.C.U. é que, uma vez que velocidade é sempre tangente à trajetória, ela será perpendicular
ao raio da circunferência.

Cuidado!

Apesar do módulo da velocidade linear não mudar, a direção e o sentido estão sempre mudando.
Portanto, no M.C.U. a velocidade como um todo não é constante, somente seu valor. A velocidade
muda sua direção e sentido graças à aceleração centrípeta.

v = 2πR/T

Ou ainda, em função da frequência:

v = 2πR ∙ f

Em que:

• v é a velocidade linear ou tangencial;

• R é o raio da circunferência.

A relação entre as velocidades angular e linear é:

28
v=ω ∙R

3.3.3. Transmissão de movimento circular uniforme


Os mecanismos da transmissão de movimento do movimento circular uniforme são um dos principais motivos
de se estudar esse movimento. Eles estão presentes nas mais diversas máquinas e dispositivos mecânicos,
além de serem muito vistos em bicicletas.

O movimento pode ser transmitido de duas maneiras distintas:

Acoplamento periférico – Tem como principal exemplo as correias.

Legenda: : Acoplamento periférico. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Nesse caso, as velocidades lineares dos dois objetos ligados pela correia serão iguais, então temos a relação:

va= vb Rafa = Rbfb


Acoplamento coaxial – Discos girando em um mesmo eixo, como ilustra a figura abaixo, são um bom
exemplo.

Legenda: Acoplamento coaxial. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Nesse tipo de acoplamento, são as velocidades angulares dos dois objetos acoplados que serão iguais,
e valerá a relação:

ω a= ω b

RESUMO
Lançamento Oblíquo – Lançamento onde há deslocamento em duas direções simultaneamente. Nesse caso
está sendo desprezado a resistência do ar.

Atenção – No eixo horizontal, o movimento é M.U. No eixo vertical o movimento é M.U.V.

Atenção – No ponto mais alto da trajetória vy = 0.

29
Movimento Circular Uniforme - É o movimento onde a trajetória é caracterizada por uma circunferência.

Equações

Frequência e período: T=1/f ou f=1/T

Velocidade angular: ω = 2π/T ou ω = 2πf

Relação entre a velocidade angular e a velocidade linear: v = ωR


correto dizer que:

EXERCÍCIOS a) os foguetes terão alcances diferentes.

b) o tempo de permanência no ar é o mesmo para


Lançamento Oblíquo os dois foguetes.

c) o foguete com maior ângulo de lançamento


41. (UFF) Após um ataque frustrado do time
possui maior energia cinética na altura máxima.
adversário, o goleiro se prepara para lançar a
bola e armar um contra-ataque. Para dificultar a
d) a soma das alturas máximas atingidas pelos
recuperação da defesa adversária, a bola deve
foguetes independe dos ângulos de lançamento.
chegar aos pés de um atacante no menor
tempo possível. O goleiro vai chutar a bola,
imprimindo sempre a mesma velocidade, e deve
43. (UECE) Considere uma bola de futebol que, após
controlar apenas o ângulo de lançamento. A
o chute, descreve uma trajetória parabólica em
figura mostra as duas trajetórias possíveis da bola
relação à superfície horizontal de lançamento.
num certo momento da partida.
Desprezando todos os atritos e considerando a bola
como um ponto material, é correto afirmar que a
componente:

a) horizontal do seu vetor velocidade não muda ao


longo da trajetória.

b) vertical do seu vetor velocidade não muda ao


longo da trajetória.

c) horizontal do seu vetor aceleração muda ao


Assinale a alternativa que expressa se é longo da trajetória.
possível ou não determinar qual destes dois
jogadores receberia a bola no menor tempo. d) vertical do seu vetor aceleração muda ao longo
Despreze o efeito da resistência do ar. da trajetória.

a) Sim, é possível, e o jogador mais próximo


receberia a bola no menor tempo. 44. (VUNESP) Um helicóptero sobrevoa
30 horizontalmente o solo com velocidade constante
b) Sim, é possível, e o jogador mais distante e, no ponto A, abandona um objeto de dimensões
receberia a bola no menor tempo. desprezíveis que, a partir desse instante, cai sob
ação exclusiva da força peso e toca o solo plano
c) Os dois jogadores receberiam a bola em tempos e horizontal no ponto B. Na figura, o helicóptero e
iguais. o objeto são representados em quatro instantes
diferentes.
d) Não, pois é necessário conhecer os valores da
velocidade inicial e dos ângulos de lançamento.

e) Não, pois é necessário conhecer o valor da


velocidade inicial.

42. (UECE) A Sociedade Astronômica Brasileira


(SAB) promove anualmente dois eventos educacio-
nais: a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) e a
Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG). A MOBFOG
é uma olimpíada inteiramente experimental e tem
como um de seus objetivos a construção e o lan-
çamento, de forma oblíqua, de foguetes a partir de
uma base de lançamento. Os foguetes e suas bases
de lançamento são confeccionados de forma indi- Considerando as informações fornecidas, é
vidual ou em equipes com até três componentes correto afirmar que a altura h de sobrevoo desse
que, em geral, fazem uso de material de baixo cus- helicóptero é igual a:
to. Durante um evento da MOBFOG, duas equipes
resolveram adotar como estratégia de competição a) 200 m.
a utilização, em seus lançamentos, de foguetes de
mesma massa, mesma velocidade de lançamento b) 220 m.
e ângulos de lançamento complementares, ou seja,
uma vez conhecido o ângulo de lançamento de c) 240 m.
uma das equipes, a equipe rival utilizará o comple-
mentar desse ângulo. Desprezando-se a resistência d) 160 m.
do ar e considerando que os foguetes utilizados pe-
las duas equipes tenham dimensões desprezíveis, é e) 180 m.
45. (VUNESP) Da beirada de um penhasco, uma 47. (UFPR) A figura abaixo mostra um modelo de
pessoa joga uma pedra horizontalmente com uma catapulta no instante em que o seu braço tra-
velocidade inicial v0. A figura representa a va e o objeto que ele carrega é arremessado, isto é,
trajetória da pedra, até atingir o solo. esse objeto se solta da catapulta (a figura é mera-
mente ilustrativa e não está desenhada em escala).
No instante do lançamento, o objeto está a uma al-
tura de 1,0 m acima do solo e sua velocidade inicial
V0 forma um ângulo de 45° em relação à horizontal.
Suponha que a resistência do ar e os efeitos do ven-
to sejam desprezíveis. Considere a aceleração da
gravidade como sendo de 10 m/s². No lançamento,
o objeto foi arremessado a uma distância de 19 m,
medidos sobre o solo a partir do ponto em que foi
solto. Assinale a alternativa que contém a estima-
tiva correta para o módulo da velocidade inicial do
objeto.

Desprezando a resistência do ar e adotando g = 10


m/s², o módulo de v0 é:

a) 6 m/s.

b) 5 m/s.

c) 4 m/s. a) Entre 13,4 m/s e 13,6 m/s.

d) 2 m/s. b) Entre 12 m/s e 13 m/s.

e) 3 m/s. c) Menor que 12 m/s.

d) Entre 13,6 m/s e 13,8 m/s.


46. (UFPR) Um canhão efetua um disparo de
um projétil verticalmente para cima, a partir do e) Maior que 13,8 m/s. 31
chão, e o projétil atinge uma altura máxima H
medida a partir do chão, quando então retorna a ele,
caindo no mesmo local de onde partiu. Supondo 48. (UFPR) Na cobrança de uma falta duran-
que, para esse movimento, a superfície da Terra te uma partida de futebol, a bola, antes do chute,
possa ser considerada como sendo um referencial está a uma distância horizontal de 27m da linha do
inercial e que qualquer tipo de resistência do ar seja gol. Após o chute, ao cruzar a linha do gol, a bola
desprezada, considere as seguintes afirmativas: passou a uma altura de 1,35m do chão quando
estava em movimento descendente, e levou 0,9s
1. A aceleração no ponto mais alto da trajetória, que neste movimento. Despreze a resistência do ar e
fica a uma altura H do chão, é nula. considere g = 10 m/s².

2. O deslocamento total do projétil vale 2H. a) Calcule o módulo da velocidade na direção


vertical no instante em que a bola foi chutada.
3. O tempo de subida até a altura H é igual ao
tempo de queda da altura H até o chão.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.


b) Calcule o ângulo, em relação ao chão, da força
b) Somente a afirmativa 2 é verdadeira. que o jogador imprimiu sobre a bola pelo seu chute.

c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.

d) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.

e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.


c) Calcule a altura máxima atingida pela bola em
relação ao solo.
49. (UFPR) Nas Paralimpíadas recentemente rea- d) 12,0 m/s
lizadas no Brasil, uma das modalidades esportivas
disputadas foi o basquetebol. Em um determinado e) 15,0 m/s
jogo, foi observado que um jogador, para fazer a
cesta, arremessou a bola quando o centro de mas-
sa dessa bola estava a uma altura de 1,4m. O tempo 52. Dois pontos A e B situam-se
transcorrido desde o instante em que a bola deixou respectivamente a 10cm e 20cm do eixo de
a mão ao jogador até ter o seu centro de massa rotação da roda de um automóvel em movimento
coincidindo com o centro do aro foi de 1,1s. No mo- uniforme. É possível afirmar que:
mento do lançamento, o centro de massa da bola
estava a uma distância horizontal de 4,4m do cen- a) O período do movimento de A é menor que o de
tro do aro da cesta, estando esse aro a uma altura B.
de 3,05m, conforme pode ser observado na figura
abaixo. Considerando que a massa da bola é igual b) A frequência do movimento de A é maior que a
a 600g, que a resistência do ar é desprezível e que o de B.
valor absoluto da aceleração gravidade é de 10m/
s², determine, utilizando todas as unidades no Siste- c) A velocidade angular do movimento de B é maior
ma Internacional de Unidades: que a de A.

d) As velocidades angulares de A e B são iguais.

e) As velocidades lineares de A e B têm mesma


intensidade.

53. (ENEM) Quando se dá uma pedalada na


bicicleta abaixo (isto é, quando a coroa
acionada pelos pedais dá uma volta completa),
qual é a distância aproximada percorrida pela
bicicleta, sabendo-se que o comprimento de um
a) A velocidade horizontal da bola ao atingir o
círculo de raio R é igual a 2πR, onde π = 3?
centro do aro da cesta de basquete.

32
b) A velocidade inicial vertical da bola.

a) 1,2m

b) 2,4m

50. Uma partícula descreve movimento circular e c) 7,2m


uniforme com período igual a 2,0s, a frequência do
movimento da partícula, em r.p.m., é igual a: d) 14,4m

a) 15,0 e) 48,0m

b) 20,0

c) 30,0

d) 40,0

e) 50,0

51. Uma partícula descreve movimento


circular e uniforme com raio e frequência iguais a,
respectivamente, 2,0m e 0,50Hz. Considerando-se π
= 3, o módulo da velocidade linear desta partícula
é igual a:

a) 6,0 m/s

b) 8,0 m/s

c) 10,0 m/s
54. (ENEM) Um professor utiliza essa história em a) 0,25 rpm.
quadrinhos para discutir com os estudantes o
movimento de satélites. Nesse sentido, pede a b) 2,50 rpm.
eles que analisem o movimento do coelhinho,
considerando o módulo da velocidade constante. c) 5,00 rpm.

d) 25,0 rpm.

e) 50,0 rpm.

56. (FUVEST) Adote duas polias A e B acopladas


de forma que não há escorregamento no contato
entre elas.

Considerando-se os raios das polias A e B,


respectivamente iguais a 2,0cm e 10,0cm, pode-se
afirmar que:

a) as polias possuem iguais velocidades angulares;

b) as polias possuem iguais frequências;

c) se a polia A gira no sentido horário, então a polia


B também girará neste sentido;

d) se a polia B executar uma volta completa, então


a polia A executará 5 voltas completas no mesmo
intervalo de tempo;

e) se a polia A executar uma volta completa, então


Desprezando a existência de forças dissipativas, a polia B executará 5.
o vetor aceleração tangencial do coelhinho, no
terceiro quadrinho, é:
57. (UEL) Analise as figuras a seguir e responda à
a) nulo. questão.
33
b) paralelo à sua velocidade linear e no mesmo Figura 4: Máquina de tear manual
sentido.

c) paralelo à sua velocidade linear e no sentido


oposto.

d) perpendicular à sua velocidade linear e dirigido


para o centro da Terra.

e) perpendicular à sua velocidade linear e dirigido


para fora da superfície da Terra.

55. (UFPR) Um ciclista movimenta-se com sua bi-


Figura 5: Máquina de tear industrial
cicleta em linha reta a uma velocidade constan-
te de 18km/h. O pneu, devidamente montado na
roda, possui diâmetro igual a 70cm. No centro da
roda traseira, presa ao eixo, há uma roda dentada
de diâmetro 7,0cm. Junto ao pedal e preso ao seu
eixo há outra roda dentada de diâmetro 20cm. As
duas rodas dentadas estão unidas por uma corren-
te, conforme mostra a figura. Não há deslizamento
entre a corrente e as rodas dentadas. Supondo que
o ciclista imprima aos pedais um movimento circu-
lar uniforme, assinale a alternativa correta para o
número de voltas por minuto que ele impõe aos pe-
dais durante esse movimento. Nesta questão, con-
sidere π = 3.
Suponha que a máquina de tear industrial a) 30.
(figura 5), seja composta por 3 engrenagens (A, B
e C), conforme a figura a seguir. b) 120.

c) 90.

d) 60.

60. (UERJ) Em um equipamento industrial, duas


engrenagens, A e B, giram 100 vezes por
segundo e 6000 vezes por minuto,
respectivamente. O período da engrenagem
Suponha também que todos os dentes de cada A equivale a TA e o da engrenagem B, a TB.
engrenagem são iguais e que a engrenagem A
possui 200 dentes e gira no sentido anti-horário a A razão TA/TB é igual a:
40rpm. Já as engrenagens B e C possuem 20 e 100
dentes, respectivamente. Com base nos conheci- a) 1/6
mentos sobre movimento circular, assinale a alter-
nativa correta quanto à velocidade e ao sentido. b) 3/5

a) A engrenagem C gira a 800rpm e sentido c) 1


antihorário.
d) 6
b) A engrenagem B gira a 40rpm e sentido horário.

c) A engrenagem B gira a 800rpm e sentido


antihorário. ANOTAÇÕES

d) A engrenagem C gira a 80rpm e sentido


antihorário.

e) A engrenagem C gira a 8rpm e sentido horário.

58. (UFU) Ainda que tenhamos a sensação de que


34 estamos estáticos sobre a Terra, na verdade, se
tomarmos como referência um observador para-
do em relação às estrelas fixas e externo ao nosso
planeta, ele terá mais clareza de que estamos em
movimento, por exemplo, rotacionando junto com a
Terra em torno de seu eixo imaginário. Se conside-
ramos duas pessoas (A e B), uma deles localizada
em Ottawa (A), Canadá, (latitude 45° Norte) e a ou-
tra em Caracas (B), Venezuela, (latitude 10° Norte),
qual a relação entre a velocidade angular média
(ω) e velocidade escalar média (v) dessas duas
pessoas, quando analisadas sob a perspectiva do
referido observador?

a) ωA = ωB e vA = vB

b) ωA <ωB e vA < vB

c) ωA = ωB e vA < vB

d) ωA > ωB e vA = vB

59. (UECE) As lavadoras de roupa compõem um


grupo de eletrodomésticos muito presente nas re-
sidências. O seu funcionamento ocorre de acordo
com uma programação prévia combinando dife-
rentes tipos de movimentos de rotação do cesto. Na
etapa final de lavagem (centrifugação), a máqui-
na gira esse cesto a uma frequência de 1500rpm.
Considerando π ≈ 3 e que o cesto possui um raio de
20cm, a velocidade, em m/s, de um ponto perten-
cente à parede deste cesto corresponde a:
GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
* * E B D * D E E C
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
* A E D B D B E E A
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
* 6 m/s² 84m/s D * A D A A A
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
D C E B D A B * C B
41 42 43 44 45 46 47 48 49 50
D D A E C C A A A *
51 52 53 54 55 56 57 58 59 60
C A B D C A D C B C

35
1. F, F, F, V, V, V, F, V, V, F 25. V, F, V, F, F

2. 38.
• a) 60m; • a) 2s;

• b) 60m; • b) 20m.

• c) -30m;
50.
• d) 30m. • a) 4m/s;

• b) 7 m/s
6. F, V, F, V, V, V, V

57.
11. V, V, F, V, V, V, F • N = 3000;

• b) 2,5Hz
21. F, V, V, F, V, V, V, F, V
36
FÍSICA
Óptica Geométrica

37
FÍSICA - ÓPTICA GEOMÉTRICA
AUTOR: Luís Henrique Marucco

SUMÁRIO
CANSADA DE ME VER ASSIM: MINHA IMAGEM NO ESPELHO NÃO É A REALIDADE!

1. Óptica Geométrica – Parte I


1.1. O que é a luz?
1.2. Fontes de Luz
1.3. Velocidade da luz
1.4. Classificação dos meios materiais quanto à passagem da luz
1.5. Princípios da óptica geométrica
1.6. Aplicações dos princípios da ótica geométrica
1.6.1. Câmara escura
1.7. Fenômenos ópticos e aplicações
1.7.1. Reflexão da luz
1.7.2. Refração da luz
1.7.3. Absorção da luz
1.7.4. Dispersão da luz
1.7.5. Espalhamento da luz
1.8. A cor dos corpos
1.9. As leis da reflexão e os espelhos planos
1.9.1. Leis da reflexão
1.9.2. Espelhos Planos
1.10. Espelhos esféricos
1.10.1. Elementos de um sistema de espelhos
1.10.2. Propriedades geométricas dos raios incidentes
1.10.3. Estudo analítico dos espelhos esféricos
Resumo
38 Exercícios

DIA E NOITE SÃO RELATIVOS: MEU MUNDO ESTÁ INVERTIDO!

2. Óptica Geométrica – Parte II – Refração


2.1. Índice de refração
2.2. Leis da refração
2.3. Casos particulares da refração
2.3.1. Dioptros planos
2.3.2. Lâminas de faces paralelas
Resumo
Exercícios

SEMPRE QUE EU TOMO BANHO O ESPELHO DO BANHEIRO EMBAÇA E MINHA IMAGEM FICA DISTORCIDA!

3. Óptica Geométrica – Parte III


3.1. Reflexão total
3.2. Prismas ópticos
3.3. Lentes Esféricas
3.3.1. Comportamento ótico das lentes esféricas
3.3.2. Principais elementos de um sistema de lentes esféricas
e propriedades geométricas dos raios incidentes
3.3.3. Construção de imagens nas lentes esféricas
3.3.4. Estudo analítico das lentes esféricas
3.3.5. A equação de Halley
3.3.2. Velocidade linear
3.3.3. Transmissão de movimento circular uniforme
Resumo
Exercícios

Gabarito
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Cansada de me ver assim: minha imagem


no espelho não é a realidade!
Sofia sempre se sentiu um pouco à parte. Diante do
espelho, a garota de 16 anos via uma estranha, uma versão
distorcida de si mesma que nunca parecia corresponder à
pessoa que se sentia por dentro. A cada manhã, a batalha
contra a imagem refletida era renovada.

Um dia, enquanto se preparava para a escola, Sofia


notou algo diferente. Ao se aproximar do espelho, seu rosto
parecia mais redondo e com o queixo mais pronunciado.
Já ao se afastar, seus olhos pareciam menores e o nariz
mais fino. Intrigada, começou a experimentar diferentes
ângulos e posições, tentando entender por que sua imagem
mudava tanto.

Começou a pesquisar sobre a percepção e a imagem corporal. Descobriu que a forma como nos vemos é
influenciada por diversos fatores, como a cultura, os padrões de beleza e até mesmo a iluminação do
ambiente. A imagem refletida no espelho, apesar de ser uma representação fiel da nossa forma, pode ser
distorcida pela nossa própria percepção e pelas expectativas que temos de nós mesmas.

Sofia percebeu que o espelho, em vez de ser um inimigo, poderia ser um aliado nessa jornada de
autoconhecimento. A imagem refletida era apenas uma fotografia de um momento específico, e que ela,
como pessoa, era muito mais complexa e multifacetada do que aquela imagem poderia representar.

Com o tempo, Sofia aprendeu a olhar para o espelho com mais gentileza e compaixão. Em vez de buscar a
perfeição, passou a valorizar suas qualidades únicas e a aceitar suas imperfeições. E assim, a garota que antes
se sentia perdida diante do espelho, encontrou a confiança para ser quem realmente era.
39

PARA REFLETIR!

1. Na sua opinião, como os padrões de beleza impostos pela sociedade influenciam nossa autoestima
e como podemos nos libertar dessas expectativas?

2. Você ou alguém que conhece possui problemas de autoimagem? Converse com seus colegas e
debatam: qual importância de questionar a veracidade da imagem que vemos no espelho e como
podemos construir uma autoimagem mais positiva?

3. Converse com seu professor e criem uma roda de discussão sobre os desafios e as recompensas
de buscar uma compreensão mais profunda de si mesmo e como podemos cultivar a autoestima.

A jornada de Sofia em busca da autoaceitação nos leva a refletir sobre a forma como percebemos a nós mesmos e ao
mundo ao nosso redor. A distorção da imagem no espelho, que tanto a incomodava, nos remete aos conceitos de Óptica
Geométrica. Ao estudarmos espelhos planos e esféricos, compreenderemos como a luz se comporta ao incidir em
diferentes superfícies e como isso influencia a formação das imagens. Assim como a imagem de Sofia no espelho era
uma construção complexa, influenciada por diversos fatores, a formação de imagens em espelhos também depende de
variáveis como a distância do objeto ao espelho, a curvatura da superfície e o meio em que a luz se propaga. Ao desvendar
os mistérios da óptica geométrica, poderemos compreender melhor como a luz molda nossa percepção do mundo e de nós
mesmos.

Bons estudos!
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. Óptica Geométrica
corpo recebe luz de outras fontes e refletem de
volta uma fração dessa luz.

Parte I
• Exemplos: Lua, planetas, livro, etc.

• Fonte pontual: São fontes cujas dimensões são


desprezíveis em relação à distância que separa
A óptica é a área da Física que estuda a luz e os
a fonte de outros corpos.
fenômenos que com ela ocorrem. Ela é subdividida
em dois ramos menores, a óptica física e a óptica
• Fonte extensa: São fontes cujas dimensões
geométrica. Enquanto a primeira preocupa-se em
são importantes em relação à distância que
desvendar a natureza da luz e suas propriedades
• separa a fonte de outros corpos. Nesse caso o
mais fundamentais, a segunda a trata como um
corpo em toda sua extensão emite raios de luz.
ente geométrico, independente da sua natureza.

1.1. O que é a luz? 1.3. Velocidade da luz


A velocidade da luz no vácuo é a velocidade
A natureza da luz tem sido discutida há muito
máxima no Universo. É uma constante muito
tempo. Na Antiguidade acreditava-se que os
importante e seu valor aproximado é de:
olhos emitiam luz para ver as imagens (algo
parecido com o Ciclope, dos X-men). Mais tarde, vários
físicos se aventuraram ao tentar explicá-la, como
Galileu, Descartes e até mesmo Isaac Newton, que c = 3,0 ∙ 108m/s
interpretavam a luz como uma constituição de
partículas. Outros, como Christian Huygens,
Leonhard Euler e Thomas Young defendiam que a Onde:
luz possuía natureza ondulatória. E o porquê de se
ter as múltiplas interpretações sobre o que de fato • c é a velocidade da luz no vácuo.
é a luz é derivado da interpretação corpuscular
explicar certos fenômenos, em detrimento de
outros, enquanto o mesmo ocorria na 1.4. Classificação dos meios
perspectiva ondulatória. Atualmente os físicos
40 aceitam os dois comportamentos, e a luz é dita materiais quanto à passagem
como uma “onda-partícula”, ou seja, possui
características de uma onda
da luz
eletromagnética e também de partícula, essas Quanto à passagem ou não de luz, os meios
também conhecidas como fótons um importante materiais podem ser classificados da seguinte
conceito na Física Moderna e Contemporânea. maneira:
Na óptica geométrica a luz é interpretada como • Transparentes: Quando permitem a
um ente geométrico, a reta. Ela é a representação • passagem dos raios luminosos, segundo
geométrica da luz. Um conjunto de raios de luz é • trajetórias regulares.
denominado de feixe luminoso ou pincel de luz. • Exemplos: Vidro de uma janela, fina lâmina de
água límpida, ar, etc.
Raio luminoso
• Translúcidos: Quando permitem a
• passagem dos raios luminosos segundo
• trajetórias irregulares.
• Exemplos: Vidro fosco, papel de seda, etc.

• Opacos: Quando não permitem a passagem


dos raios luminosos.
• Exemplos: Madeira, borracha, etc.
Legenda: Feixe de raios luminosos. Crédito: Imagem produzida pelo autor. •

1.5. Princípios da óptica
1.2. Fontes de Luz geométrica
As fontes de luz são corpos que emitem luz, e são
classificados de quatro maneiras: • Princípio da Propagação retilínea: Nos meios
homogêneos e transparentes a luz se propaga
• Fonte Primária ou corpo luminoso: Todo em linha reta.
• corpo que emite luz própria. • Exemplo: A formação de sombra, câmaras
• Exemplos: Estrelas, Sol, vela acesa, etc. • escuras.

• Fonte Secundária ou corpo iluminado: Todo • Princípio da Reversibilidade dos raios


1.7. Fenômenos ópticos e
• luminosos: A trajetória descrita por um raio
• luminoso independe do seu sentido.

aplicações
• Exemplo: O motorista de um carro que olha no
retrovisor pode ver uma pessoa no banco de trás,
assim como a pessoa no banco de trás pode ver
o motorista olhando para o espelho do retrovisor.
1.7.1. Reflexão da luz
• Princípio da Independência dos raios
• luminosos: Quando dois raios se cruzam,
É o fenômeno óptico que ocorre quando um feixe de
• continuam suas trajetórias como se nada
luz incide sobre uma superfície e retorna ao meio
• tivesse acontecido.
original.
• Exemplo: Num teatro onde os raios
• luminosos provenientes de dois holofotes se
Reflexão regular (ou especular) – Quando os
cruzam.
raios incidentes incidem paralelamente entre si na

superfície e retornam também paralelamente entre

si. Ocorre em superfícies polidas, como os espelhos.
1.6. Aplicações dos prin-
cípios da ótica geomé-
trica
1.6.1. Câmara escura Legenda: Reflexão especular. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

A câmara escura é um dispositivo óptico que Reflexão irregular (ou difusa) – Quando os
consiste em uma caixa escura com um raios incidem paralelamente e são refletidos de
pequeno orifício que permite a entrada de luz. maneira desordenada. Ocorre em superfícies
É constituída por paredes opacas. Numa das rugosas e ásperas, como telas de cinema, por
extremidades há um orifício e, na outra, exemplo:
coloca-se um papel vegetal. Um raio luminoso, ao
incidir no orifício da câmara, irá se propagar,
conforme ilustra a figura e será possível observar a
formação de uma imagem dos objetos na parede 41
onde se encontra o papel vegetal.

Legenda: Reflexão difusa. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

1.7.2. Refração da luz


Refração é o fenômeno de mudança de
Legenda: Esquema de uma câmara escura. Crédito: Imagem produzida pelo autor. velocidade do raio luminoso quando ele
passa de um meio para outro. Ela é responsável por
situações bastante presentes no cotidiano, como as
A geometria da câmara escura permite, miragens e aquela impressão de uma colher
através de uma semelhança de triângulos, “torta” imersa em um copo. Veja a figura a seguir:
chegar à uma equação que relaciona os tamanhos
da imagem e objeto com as distâncias até o orifício.

i/o = p’/p

Em que:

• i = tamanho da imagem;

• o = tamanho do objeto;

• p = distância do objeto ao orifício;


Legenda: Exemplo de refração. Crédito: Pexels

• p´ = distância da imagem ao orifício.


A refração será estudada de modo mais
aprofundado mais para frente, no conteúdo que
abrange as leis da refração e as lentes.

1.7.3. Absorção da luz


Um raio de luz, do ponto de vista da óptica física,
é uma onda eletromagnética que carrega uma
certa quantidade de energia. Quando um raio
luminoso incide em uma superfície, parte da energia
luminosa é convertida em energia térmica, e a
esse fenômeno dá-se o nome de absorção. É

1. Óptica Geométrica
graças a essa absorção que ficamos aquecidos ao
“lagartear” debaixo do Sol. A absorção e a reflexão

Parte I
explicam as cores dos corpos.

A reflexão é o fenômeno óptico no qual o feixe de


1.7.4. Dispersão da luz luz incide numa superfície e retorna para o meio
original.
A luz do Sol que estamos acostumados, também
chamada de luz branca, é uma composição de
várias cores simultaneamente. Quando utilizamos
instrumentos ópticos, como o prisma, podemos 1.9.1. Leis da reflexão
observar que a luz branca irá se decompor em
outras cores. Essa decomposição é chamada de 1ª Lei da reflexão – O raio de luz incidente, a reta
dispersão. normal e o raio refletido são coplanares.

42

Legenda: Prisma dispersando a luz. Crédito: Pink Floyd - Dark Side of the Moon
Legenda: Leis da reflexão. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

2ª Lei da reflexão – O ângulo de reflexão é igual ao


1.7.5. Espalhamento da luz ângulo de incidência.
É um processo muito rápido, onde partículas da
atmosfera absorvem radiação e a emitem para
outra direção. Pode ser considerado um tipo de
1.9.2. Espelhos Planos
refração e ocorre em corpos transparentes ou Os espelhos são classificados de acordo com a
translúcidos, como as moléculas de gases do ar, geometria da superfície. No caso toda
ou em corpos opacos, como partículas de poeira superfície perfeitamente polida, lisa, plana e na
suspensas. qual a reflexão ocorre de forma regular, é
considerada como um espelho plano.

Características das imagens em espelhos


1.8. A cor dos corpos planos
A luz branca incidente nos corpos possui um Espelhos planos são superfícies perfeitamente
espectro de cores com determinados polidas e lisas, onde ocorrem a reflexão regular.
comprimentos de onda as cores do arco-íris.
Virtual – É formada pelo prolongamento dos raios
Ao incidir em um objeto, parte dos feixes que luminosos.
compõe a luz branca são absorvidos e parte
deles são refletidos. Portanto, ao identificarmos um Direita – Não há inversão em relação ao eixo do
corpo amarelo, por exemplo, alguns sistema óptico.
comprimentos de onda são absorvidos, e
outros são refletidos, porém a cor refletida Igual – Possui o mesmo tamanho do objeto.
predominante será o amarelo. O esquema abaixo
ilustra como funciona essa situação. Enantiomorfa – As imagens são invertidas
lateralmente.
Se um espelho plano sofre uma rotação de um
ângulo θ em relação à posição original, o raio
refletido girará 2θ.

β = 2θ

Associação angular de espelhos – Quando um


objeto qualquer é disposto entre dois espelhos
planos que formam entre si um ângulo qualquer β, o
número de imagens formadas irá variar de acordo
com a relação:

Legenda: Espelho plano. Crédito: Imagem produzida pelo autor. N = 360°/β - 1

1.9.3. Translação, rotação e Onde:

associação de espelhos planos N é o número de imagens formadas;

a) Translação de espelhos – Transladar um β é o ângulo formada entre os espelhos;


espelho plano nada mais é do que movê-lo
retilineamente para frente ou para trás em Cuidado! - A fórmula pode ser aplicada de acordo
relação ao objeto. Se uma pessoa aproxima uma com as seguintes condições:
distância d do espelho, sua imagem também
aproxima a mesma distância do espelho. Então, a a) Se a razão 360°/β for um número par, para
distância entre objeto e imagem diminuiu em 2d. qualquer posição dos objetos entre os espelhos.
Assim, caso o espelho aproxime com velocidade
v da pessoa, a imagem aproxima do espelho na b) Se a razão 360°/β for um número ímpar, somente
mesma velocidade e, portanto, a velocidade de se o objeto estiver no plano bissetor do ângulo β.
aproximação entre pessoa e imagem é 2v.
Associação paralela – Quando os espelhos estão
dispostos paralelamente um ao outro. Nesse caso,
D = 2d e vi = 2ve são formadas infinitas imagens.
43
Onde: 1.10. Espelhos esféricos
D é o deslocamento da imagem em relação à Espelhos esféricos são espelhos de geometria
posição inicial; curva e são originados de calotas esféricas com
superfície espelhada. Possuem inúmeras
d é o deslocamento do espelho; aplicações no cotidiano, tais como o
espelho de dentista, espelhos de estacionamento,
Vi é a velocidade da imagem; retrovisores etc. Os espelhos esféricos são
classificados de duas maneiras. Caso a
Ve é a velocidade do espelho. superfície interna for espelhada, então dizemos
que o espelho é côncavo, caso contrário, ou seja,
se a parte externa for refletora, então o espelho é
b) Rotação de espelhos – Ao pensar na rotação de convexo.
um espelho plano, imagine um banheiro no qual,
em cima da pia, há um pequeno armário onde
geralmente guarda-se objetos de higiene
pessoal. É comum nesses armários haver um
espelho plano revestindo a superfície, que pode ser
aberta ou fechada, rotacionando o espelho.

Legenda: Esquema de rotação de um espelho plano. Crédito: Imagem produzida pelo autor.
1.10.1. Elementos de um sistema 2. Raio luminoso que incide passando pelo
centro de curvatura – Todo raio de luz que incide
de espelhos esféricos passando pelo centro de curvatura do sistema
óptico é refletido sobre si.

Legenda: Raio de luz incidindo pelo centro óptico. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

3. Raio luminoso que incide


paralelamente ao eixo principal – Todo raio de
Legenda: Elementos dos espelhos esféricos Crédito: Imagem produzida pelo autor.
luz que incide paralelamente ao eixo principal é
refletido passando pelo foco.
Eixo principal – Linha de referência do sistema
óptico. Ela passa pelo centro de curvatura, raio de
curvatura e pelo vértice do espelho.

Centro de curvatura (C) – Centro do sistema


óptico.

Raio de curvatura (R) – É o raio da superfície


esférica que contém o espelho. Também é a
distância do centro de curvatura até o vértice do
espelho e é o dobro da distância focal.

44 Vértice do espelho (V) – Ponto da superfície do Legenda: Raio de luz incidindo paralelamente ao eixo principal. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

espelho que é cortado pelo eixo principal do


sistema óptico.

Foco (f) – Ponto de intersecção dos raios luminosos


1.10.3. Construção de imagens
(ou seus prolongamentos) que incidem ou refletem
As imagens são formadas através da intersecção
paralelamente ao eixo principal.
dos raios refletidos ou dos prolongamentos dos
raios refletidos; e o tamanho, a forma e a orientação
da imagem formada depende da posição do objeto
1.10.2. Propriedades geométri- ao longo do eixo principal e dos raios notáveis, vis-
tos anteriormente.
cas dos raios incidentes
ESPELHO CÔNCAVO
Para a construção de imagens nos espelhos
esféricos, leva-se em consideração apenas os a) Com o objeto além do centro de curvatura.
raios luminosos que possuem um comportamento
específico quando incidem na superfície Real, invertida e menor.
refletora. Chamamos esses raios de raios notáveis,
que possuem as seguintes propriedades:

1. Raio luminoso que incide no vértice – Todo raio


de luz que incide no vértice do espelho é refletido
com o mesmo ângulo de incidência em relação ao
eixo principal.

Legenda: Espelho côncavo 01. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Legenda: Raio de luz incidindo no vértice. Crédito: Imagem produzida pelo autor.
b) Com o objeto exatamente sobre o centro de e) Com o objeto entre o foco e o vértice.
curvatura.
Virtual, direita, maior.
Real, invertida e igual (mesmo tamanho).

Legenda: Espelho côncavo 02. Crédito: Imagem produzida pelo autor. Legenda: Espelho côncavo 05. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

c) Com o objeto entre o centro de curvatura e o foco. ESPELHO CÔNCAVO

Real, invertida, maior. No espelho convexo, a imagem sempre será:

Virtual, direita, menor.

Legenda: Espelho convexo. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Legenda: Espelho côncavo 03. Crédito: Imagem produzida pelo autor. 45


1.10.4. Estudo analítico dos
d) Com o objeto exatamente sobre o foco.
espelhos esféricos
Imprópria (não haverá formação da imagem).
Através da equação de Gauss é possível
equacionar as relações de tamanho e distância
entre o objeto e a imagem.

Equação de Gauss

1/f = 1/p + 1/p’

Em que:

f é a distância focal – A distância do foco ao vértice


ou do foco ao centro.

p é a distância do objeto ao vértice do espelho.


Legenda: Espelho côncavo 04. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

p´ é distância da imagem ao vértice do espelho.

Observação: a equação de Gauss só é válida para


um ângulo de abertura pequeno, de no máximo
10°, em que os raios chegam de maneira pouco
divergente ao espelho.

Outra relação importante é entre o raio de


curvatura e a distância focal:

f = R/2

Em que: R é o raio de curvatura.


Equação do aumento linear transversal

Deduzida através de semelhança de triângulos, é


a equação que relaciona os tamanhos do objeto e
imagem com as distâncias até o vértice do espelho.
RESUMO
A = i/o = -p’/p
1. Princípios da óptica geométrica
Em que:
Raios de Luz – São interpretados como
A é o aumento linear transversal. linhas ao longo das quais as energias das ondas
eletromagnéticas se propagam. Indicam também
i é o tamanho da imagem. a direção e o sentido da propagação.

o é o tamanho do objeto. Princípio da Propagação Retilínea – Em situações


ideais a luz se propaga em linha reta.
Convenção de sinais
Princípio da Independência – Quando raios de luz
Para um objeto real (p>0), é válida a seguinte con- se cruzam, cada um deles segue seu trajeto como
venção de sinais: se os outros não existissem.

Princípio da Reversibilidade – O caminho seguido


por um raio de luz não se modifica quando o sentido
de propagação for invertido.

2. Cores

Corpo Branco – Corpo que reflete todas as cores


incidentes sobre ele.

Corpo Negro – Corpo que absorve todos os raios


luminosos que nele incidem.

46 Corpo Colorido – Se um objeto absorve todas as


ANOTAÇÕES cores menos a vermelha, que é refletida, diz-se que
a cor do objeto é vermelha.

3. Propriedades da Luz geométrica

Reflexão - É o fenômeno no qual a luz, ao incidir


numa superfície, retorna ao meio em que estava se
propagando.

Leis da Reflexão:

1ª Lei – O raio incidente (i), a normal (N), e o raio


refletido (r) estão no mesmo plano.

2ª Lei – O ângulo de incidência é igual ao ângulo de


reflexão. i = r Consequências da Reflexão
Espelho Plano – É um sistema óptico que conjuga um objeto com uma imagem. A imagem sempre estará a
uma mesma distância do objeto em relação ao espelho, bem como será idêntico em tamanho e proporções.

Espelhos Esféricos – São calotas esféricas onde ocorre a reflexão regular da luz. Podem ser de dois tipos:

Côncavos – Superfície refletora está para dentro da calota.

Convexos – Superfície refletora está para fora da calota.

Formação de imagens em espelhos esféricos – Propriedades.

1ª Um raio incidente paralelamente ao eixo principal reflete-se na direção do foco principal.

2ª Um raio incidente na direção do foco principal reflete-se paralelamente ao eixo principal.

3ª Um raio incidente na direção do centro de curvatura reflete-se paralelamente ao eixo principal.

4ª Um raio incidente no vértice do espelho reflete-se simetricamente em relação ao eixo principal.

Atenção – A imagem produzida pelo espelho esférico convexo é sempre virtual, direita e menor.

Imagens do Espelho Côncavo

Objeto além do centro de curvatura. Objeto no foco.


Imagem: real, invertida e menor. Imagem: Imprópria.

Objeto sobre o centro de curvatura. Objeto entre o foco e o vértice.


Imagem: real, invertida e igual. Imagem: virtual, direita e maior.
47

Objeto entre o centro de


curvatura e o foco.
Imagem: real, invertida e maior.

Equação do Aumento Linear Transversal: A = i/o = -p’/p

Equação de Gauss: 1/f = 1/p + 1/p’


4. Acerca dos princípios da óptica geométrica,

EXERCÍCIOS
julgue os itens a seguir:

I. O princípio da propagação retilínea da luz explica


o porquê dos eclipses.
Óptica Geométrica - Parte I
II. Um dos princípios da óptica geométrica diz que
dois raios luminosos, ao se cruzarem, interagem
1. Assinale V para verdadeiro ou F para falso: entre si, alterando a trajetória um do outro.
( ) A velocidade da luz no vácuo é de 3 ∙108 m/s. III. A câmara escura é uma das aplicações do
princípio da reversibilidade dos raios luminosos.
( ) A luz branca é policromática pois é constituída
por várias cores. É correto o que se encontra em:
( ) Fonte de luz é todo corpo que emite luz. São a) I.
exemplos de fontes de luz as estrelas e os planetas.
b) II.
( ) Nos meios transparentes, translúcidos e opa-
cos a luz se propaga em linha reta. c) III.
( ) Os eclipses são fenômenos naturais que ocor- d) I e II.
rem pois a luz se propaga em linha reta.
e) I e III.
( ) Um corpo azul ao ser iluminado por luz verme-
lha, se apresentará preto.
5. (IFCE) Considere as seguintes afirmativas.
( ) Sempre que um raio luminoso passa de um
meio para outro ocorre reflexão da luz. I. Os meios transparentes são meios em que a luz
os percorre em trajetórias bem definidas, ou seja, a
( ) O ângulo de incidência é igual ao ângulo de luz passa por esses meios regularmente.
reflexão desde que a superfície seja plana.
II. Nos meios translúcidos, a luz não se propaga.
Esses meios absorvem e refletem essa luz, e a luz
2. (UEL) Considere as seguintes afirmativas: absorvida é transformada em outras formas de
48 energia.
I. A água pura é um meio translúcido.
III. Nos meios opacos, a luz não passa por eles com
II. O vidro fosco é um meio opaco. tanta facilidade como nos meios transparentes -
sua trajetória não é regular.
III. O ar é um meio transparente.
É (são) verdadeira(s):
Sobre as afirmativas acima, assinale a alternativa
correta. a) apenas I
a) Apenas a afirmativa I é verdadeira. b) apenas II
b) Apenas a afirmativa II é verdadeira. c) apenas III
c) Apenas a afirmativa III é verdadeira. d) I e III
d) Apenas as afirmativas I e a III são verdadeiras. e) II e II
e) Apenas as afirmativas II e a III são verdadeiras.
6. (FUVEST) Admita que o Sol subitamente
“morresse”, ou seja, sua luz deixasse de ser emitida.
3. (UECE) Um homem de 2,0m de altura Passadas 24h, um eventual sobrevivente, olhando
coloca-se a 50cm de uma câmara escura de para o céu sem nuvens, veria:
orifício de comprimento 30cm. O tamanho da
imagem formada no interior da câmara é igual a: a) a Lua e as estrelas
a) 0,8 m b) somente a Lua
b) 1,0 m c) somente estrelas
c) 1,2 m d) uma completa escuridão
d) 1,4 m e) somente os planetas do sistema solar
e) 2,0 m
7. (UFMG) A figura mostra a bandeira do Brasil de a) Faça um esquema representando a situação
forma esquemática: descrita no enunciado.

Sob luz branca, uma pessoa vê a bandeira do


Brasil com a parte I branca, a parte II azul, a
parte III amarela e a parte IV verde. Se a bandeira b) Calcule o diâmetro da Lua projetada no fundo da
for iluminada por luz monocromática amarela, a câmara. Justifique o procedimento do cálculo com
mesma pessoa verá, provavelmente: base no esquema feito no item (a).

a) a parte I amarela e a II preta.

b) a parte I amarela e a II verde.

c) a parte I branca e a II azul.

d) a parte I branca e a II verde.

8. (ENEM) A figura abaixo mostra um eclipse


solar no instante em que e fotografado em cinco 10. Assinale V para verdadeiro ou F para falso:
diferentes pontos do planeta.
( ) Num espelho plano a imagem de um objeto é
sempre virtual.

( ) Nos espelhos planos as imagens são sempre


direitas.

( ) Numa associação angular de espelhos, para um


ângulo de 600, tem-se a formação de 5 imagens de
49
Três dessas fotografias estão reproduzidas abaixo. um objeto.

( ) O ângulo entre a normal e o raio incidente num


espelho é de 300. Nesse caso, o ângulo entre o raio
refletido e o espelho é de 300.

( ) Se uma pessoa olhando para um espelho plano


vê sua imagem se aproximar com uma velocidade
v, pode-se afirmar que o espelho se aproxima da
As fotos poderiam corresponder, respectivamente, pessoa com velocidade v/2.
aos pontos:

a) III, V e II. 11. (UECE) Um sistema óptico é formado por dois


espelhos planos paralelos com suas faces
b) II, III e V. refletoras voltadas uma para a outra. Quando
dispostos sobre um mesmo eixo horizontal e a uma
c) II, IV e III. distância D um do outro, o sistema é capaz de
formar infinitas imagens de um objeto O situado
d) I, II e III. entre os dois espelhos. Ao colocar-se o objeto O a
uma distância d do primeiro espelho, a distância
e) I, II e V. entre a primeira imagem formada pelo primeiro
espelho e a segunda imagem formada pelo
segundo espelho será:
9. (UFPR) Um estudante munido de uma
pequena câmara escura projeta a imagem da Lua a) 2d
Cheia no fundo dessa câmara. Na parte frontal há
uma abertura, suficiente para a passagem da luz. O b) 2D.
fundo encontra-se a 200 mm dessa abertura e é
feito de papel vegetal, de modo que a imagem da c) 2D + 2d.
Lua projetada possa ser vista do lado de fora da
câmara. Sabe-se que o diâmetro real da Lua é igual d) 4D.
a 3,5x106 m e que a sua distância até a superfície da
Terra é de 3,8x108 m.
12. (VUNESP) Em uma barbearia existem dois b) 80º ou 60º
espelhos planos verticais, paralelos e
distantes 3m um do outro, com a face refletora de c) 50° ou 30°
um voltada para a face refletora do outro. Um
cliente está sentado de frente para um deles, a d) 40° ou 20°
1m de distância dele. Na figura, fora de escala,
pode-se notar a infinitude de imagens geradas e) 30° ou 10°
devido a reflexões sucessivas nesses espelhos.

15. Uma pessoa encontra-se equidistante de duas


paredes verticais espelhadas, perpendiculares
entre si. Nesta situação, o número de imagens da
pessoa que podem ser vistas nas paredes é de:

a) 1

b) 2

c) 3

d) 4

e) 6
Nessa situação, considerando as distâncias
informadas e as características das imagens
formadas por espelhos planos, a distância
16. (CESGRANRIO) Um objeto é colocado entre dois
entre a cabeça do cliente, indicada pela seta azul
espelhos planos cujas superfícies refletoras formam
na figura, e a imagem da sua cabeça, indicada pela
um ângulo a. Sabe-se que a medida de a é um
seta vermelha, é de:
divisor positivo de 24 e que o número total de
imagens que esse objeto produz é maior que 17 e
a) 3 m.
menor que 59. Quantos são os possíveis valores de
a?
b) 4 m.
a) 2
c) 7 m.
50 b) 3
d) 5 m.
c) 4
e) 6 m.
d) 5
13. (UECE) Considerando que, em um espelho plano
e) 6
incide um raio de luz, é correto afirmar que:

a) o ângulo de incidência é sempre suplementar ao


17. (UECE) Um pescador encontra-se em seu
de reflexão.
barco nas águas tranquilas (sem ondas) de um
lago em um dia de sol. Exatamente ao meio-dia, ele
b) o ângulo de reflexão é sempre perpendicular ao
observa a imagem do sol através da
espelho.
superfície do lago. Sabendo que o raio da Terra é R
e considerando a superfície do lago como
c) o ângulo de incidência é igual ao de reflexão
sendo uma superfície refletora esférica em relação
e a direção normal é perpendicular ao plano do
ao sol, pode-se afirmar que a imagem do sol em
espelho.
relação ao centro da Terra encontra-se à distância:
d) o ângulo entre a superfície do espelho e o raio
a) R
incidente é sempre igual ao ângulo entre o raio
refletido e a direção normal.
b) 2R

c) R/2
14. (UDESC) Um raio de luz incide em um
espelho plano segundo um ângulo de 20º com a
d) 2R/3
superfície do espelho. Girando-se o espelho em 10º,
em torno de um eixo perpendicular ao plano de
incidência, então o raio refletido, agora, sairá com
um novo ângulo θ com a normal à superfície do
espelho. Assinale a alternativa que corresponde aos
possíveis valores de θ.

a) 70° ou 50°
18. (VUNESP) Uma das aplicações práticas c) Convexo, com 24 cm de raio, a 2 cm da lâmpada.
mais conhecidas dos espelhos esféricos é o
instrumento utilizado pelos dentistas para d) Côncavo, com 6 cm de raio, a 4 cm da lâmpada.
conseguir observar detalhadamente os dentes de
seus pacientes, como mostra a figura. e) Convexo, com 6 cm de raio, a 4 cm da lâmpada.

ANOTAÇÕES

www.cpt.com.br

Considerando que o espelho da figura


proporciona uma imagem 4 vezes maior que os
dentes do paciente quando posicionado a 1,5cm
de distância desses, conclui-se que o espelho
utilizado é:

a) convexo, com distância focal de 0,5 cm.

b) convexo, com distância focal de 2 cm.

c) côncavo, com distância focal de 2 cm.

d) côncavo, com distância focal de 0,5 cm.

e) côncavo, com distância focal de 6 cm.

19. (VUNESP) Um objeto luminoso encontra-se


a 40cm de uma parede e a 20cm de um espelho
côncavo, que projeta na parede uma imagem
nítida do objeto, como mostra a figura.
51

www.geocities.ws. Adaptado.

Considerando que o espelho obedece às condições


de nitidez de Gauss, a sua distância focal é:

a) 15 cm.

b) 20 cm.

c) 30 cm.

d) 25 cm.

e) 35 cm.

20. (UFPR) Deseja se obter a imagem de uma


lâmpada ampliada 5 vezes, sobre uma parede
situada a 12 cm de distância dessa lâmpada. Quais
as características e a posição do espelho esférico
que se pode utilizar:

a) Convexo, com 5 cm de raio, a 3 cm da lâmpada.

b) Côncavo, com 5 cm de raio, a 3 cm da lâmpada.


PROBLEMATIZAÇÃO 2

Dia e noite são relativos: meu mundo está


invertido!
Camila sempre foi uma notívaga. Enquanto seus amigos se
agitavam com a luz do sol, ela encontrava sua paz e criatividade
nas sombras da lua. A escola, com seus horários fixos, era um
constante desafio. Mas sob a luz prateada da noite, sua mente
florescia. Um dia, durante uma aula de Física, Camila aprendeu
sobre a refração da luz. A ideia de “dobrar” a luz a fascinou. E se
ela pudesse “dobrar” seu dia?

Começou a pesquisar sobre o sono e a luz. Descobriu que a luz


azul, presente em telas de celulares e computadores, inibia a
produção de melatonina, o hormônio do sono. Já a luz vermelha,
mais suave, favorecia o descanso.

Camila criou uma rotina personalizada. Durante o dia, mantinha


seu quarto escuro e utilizava óculos com lentes que bloqueavam a luz azul. À noite, utilizava uma luz vermelha
suave para iluminar seu espaço de estudo. Gradualmente, seu corpo se adaptou. Camila passou a dormir
durante o dia e a estudar à noite, encontrando finalmente a harmonia que tanto buscava.

PARA REFLETIR!

52 1. Como você acha que nossos corpos reagem a mudanças drásticas em nossos horários de sono
e vigília? Quais os desafios e benefícios de adaptar nossos ritmos biológicos a um estilo de vida
invertido?

2. De que forma a sociedade, com seus horários e expectativas, influencia nossos hábitos de sono?
Como podemos conciliar nossas necessidades individuais com as demandas sociais?

3. Como a tecnologia e a Física, especialmente através da luz emitida por telas, interfere em nossos
padrões de sono? Como podemos utilizar a tecnologia a nosso favor para promover um sono mais
saudável? Debata com seus professores e colegas!

A jornada de Camila em busca de um ritmo de vida mais adequado a ela


nos leva a refletir sobre a influência da luz em nossos corpos e mentes. A
decisão de “dobrar” a luz nos remete aos conceitos de óptica geométrica. Ao
estudarmos a refração, compreenderemos como a luz se comporta ao
passar por diferentes meios e como isso pode ser utilizado para manipular
nossa percepção visual. Assim como Camila utilizou lentes para controlar a
quantidade de luz que atingia seus olhos, a óptica nos ensina como podemos
utilizar a luz para moldar nosso ambiente e melhorar nossa qualidade de vida.

Bons estudos!
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2

2. ÓPTICA GEOMÉTRICA – PARTE II: REFRAÇÃO


Refração é o fenômeno de mudança de velocidade da luz quando ela muda de meio.

Devido a ela, é possível a confecção de lentes, microscópios, projetores de slides e também a observação de
fenômenos bastante curiosos, como as miragens e aquela impressão de “colher torta”.

2.1. Índice de refração


A propriedade de um meio que está relacionada com a velocidade da luz nesse ambiente é o índice de
refração. Em função dessa característica, todo corpo que permite a passagem de luz, como os corpos
transparentes e translúcidos, são chamados de meios refringentes.

Em meios homogêneos e isótropos, o índice refração absoluto (n) de um meio é a razão entre a velocidade
da luz no vácuo (c) e a velocidade da luz no meio (v).

n = c/v

Observe que:

a) Como a velocidade da luz num certo meio material é sempre menor que a velocidade da luz no vácuo, não
existe índice de refração menor que 1.

b) Como o índice é a razão entre duas velocidades, este é uma grandeza adimensional.

Há ainda o que se chama de índice de refração relativo, que nada mais é do que a razão entre dois índices de
refração absolutos de duas substâncias: 53

n1,2 = n1 /n2

2.2. Leis da refração

Legenda: Esquema de um raio refratando. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

A refração é um fenômeno regido por duas leis:

I. O raio incidente, o raio refratado e a reta normal são coplanares.

II. Para dois índices de refração n1 e n2, é válida a Lei de Snell – Descartes:

n1 ∙ sen i = n2 ∙ sen r
2.3. CASOS PARTICULARES DA REFRAÇÃO

2.3.1. Dioptros planos


É um sistema constituído de dois meios, ambos com índices de refração diferentes, separados por uma
superfície plana. Confira a representação a seguir:

Legenda: Esquema de dioptro plano. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Olhando-se de fora da água para o fundo da superfície, temos a impressão de que ela é mais rasa do que
realmente é. Essa impressão decorre do desvio que a luz sofre ao mudar de meio. Nos dioptros planos é válida
a seguinte relação:

n1 /n2 = di /do
54
Em que:

n1 é o índice de refração do meio 1;

n2 é o índice de refração do meio 2;

di é a profundidade da imagem;

do é a profundidade do objeto.

2.3.2. Lâminas de faces paralelas


É um meio transparente e homogêneo limitado por duas superfícies planas e paralelas, no qual a luz pode se
propagar, conforme esquematizado a seguir.

Legenda: Esquema de lâminas de faces paralelas. Crédito: Imagem produzida pelo autor.
d = e ∙ sen(i -r)/cos r

Em que:

e é a espessura da lâmina;

i é o ângulo de incidência;

r é o ângulo de refração;

d é o desvio lateral.

RESUMO EXERCÍCIOS
Óptica Geomátrica - Refração

Refração – É o fenômeno no qual a luz, ao 21. Com base nos seus conhecimentos sobre
mudar de um meio para outro, sofre uma variação refração e reflexão total da luz, assinale V para
de velocidade. verdadeiro ou F para falso.

Dioptro – Conjunto de dois meios refringentes ( ) Sempre que ocorre refração, o raio luminoso
separados por uma superfície. sofre um certo desvio.

Índice de refração Absoluto (n) – Quociente entre ( ) Na refração da luz, a velocidade da luz sempre
a velocidade da luz no vácuo (c) e a velocidade da diminui.
luz no meio (v).
( ) O índice de refração de uma substância, é sem-
n=c/v pre maior que 1.

( ) As leis da refração, em nada diferem das leis da 55


Leis da Refração 1ª Lei – O raio incidente (i), a reflexão.
normal (N), e o raio refratado (r) estão no mesmo
plano. ( ) Quando um raio luminoso inice obliquamen-
te em uma superfície e passa de um meio mais
2ª Lei – Lei de Snell-Descartes – Para um raio de luz refringente para um meio menos refringente ele se
monocromática passando de um meio para outro, afasta da normal.
é constante o produto do seno do ângulo, formado
pelo raio e a normal, com o índice de refração em ( ) Sempre ocorre reflexão total da luz na interfa-
que se encontra esse raio. ce entre dois meios, independente dos índices de
refração.
senî ∙ n1 = senr ∙ n2
( ) O ângulo limite é o ângulo de incidência quando
o raio refratado é rasante à superfície.

22. (UNICAMP) Dois fenômenos importantes da


propagação da luz são a reflexão e a refração.
Experimentos mostram que a velocidade da luz é
alterada quando ela se propaga em meios
diferentes. Isso explica a formação do arco-íris ou
a aparência torta de uma caneta quando parte de
seu corpo é colocado dentro de um copo de água. A
figura a seguir mostra fenômenos de reflexão e
refração.
É verdadeiro afirmar que os raios da figura são 26. (UFPR) Um sistema de espelhos,
classificados como esquematizado na figura abaixo, está imerso
num meio 1 cujo índice de refração é 2. Um raio
a) A-raio incidente; B-raio refratado; C-raio luminoso incide sobre o espelho horizontal pela
refletido. trajetória a fazendo um ângulo de 60º em relação
à reta normal deste espelho. Após esta reflexão, o
b) A-raio refletido; B-raio refratado; C-raio raio segue a trajetória b e sofre nova reflexão ao
incidente. atingir outro espelho, que está inclinado de 75° em
relação à horizontal. Em seguida, o raio refletido
c) A-raio refratado; B-raio incidente; C-raio segue a trajetória c e sofre refração ao passar deste
refletido. meio para um meio 2 cujo índice de refração é igual
a 1, passando a seguir a trajetória d. Utilizando estas
d) A-raio incidente; B-raio refletido; C-raio informações, determine o ângulo de refração, em
refratado. relação à reta normal da interface entre os meios
1 e 2.

23. (UFPR) Um feixe de luz se propaga do ar


(n1 = 1), para a água (n2 = 4/3). Logo, em primeira
aproximação, se a velocidade da luz no vácuo vale
300 000km/s, a velocidade da luz na água valerá:

a) 150 000 km/s

b) 200 000 km/s

c) 225 000 km/s

d) 300 000 km/s

e) 400 000 km/s

24. (UECE) Um prisma decompõe luz branca


incidente em luz monocromática dentro do
espectro visível. Este fato ocorre devido ao 27. (ITA) Um pescador deixa cair uma lanterna
56 fenômeno denominado: acesa em um lago a 10,0m de
profundidade. No fundo do lago, a lanterna emite
a) difração. um feixe luminoso formando um pequeno ângulo θ
com a vertical (veja figura).
b) interferência.

c) refração.

d) polarização.

25. (UNESP) A figura a seguir indica a


trajetória de um raio de luz que passa de uma
região semicircular que contém ar para outra de
vidro, ambas de mesmo tamanho e perfeitamente Considere: tg θ ≈ sen θ ≈ θ e o índice de refração
justapostas. Determine, numericamente, o índice de da água n = 1,33. Então, a profundidade aparente h
refração do vidro em relação ao ar. vista pelo pescador é igual a:

a) 2,5 m

b) 5,0 m

c) 7,5 m

d) 8,0 m

e) 9,0 m

28. Um mergulhador que se acha a 2m de


profundidade da água, cujo índice de refração é
4/3, olha para um pássaro que está voando a 12m
de altura. Para esse mergulhador a altura aparente
do pássaro é:
a) 16 m Considere que o raio incidente forma com a normal
à superfície o ângulo de 45º. Nessas condições, o
b) 9 m ângulo de desvio (d), indicado na figura, é igual a:

c) 12 m a) 60°.

d) 6 m b) 30°.

e) 8 m c) 45°.

d) 15°.
29. Um raio luminoso incide obliquamente numa
lâmina, de faces paralelas com índice de refração e) 90°.
1,50, imersa no ar. Considere a velocidade da luz no
ar igual a 3,0 ∙ 108m/s. É correto afirmar:
32. (UEA) A figura representa um feixe de laser
• 01) A velocidade da luz no interior da lâmina é propagando-se pelo ar e passando a propagar-se
• 2,0 ∙ 108 m/s pela água.

• 02) O comprimento de onda da luz no interior da


• lâmina é igual ao seu valor no ar.

• 04) Após atravessar a lâmina, o raio emergente


é paralelo ao raio incidente.

• 08) Ao penetrar na lâmina o raio é refratado,


• afastando-se da normal à superfície da lâmina
que passa pelo ponto de incidência. A respeito desse fenômeno, pode-se afirmar que se
trata da
• 16) Se o raio incidisse perpendicularmente à
• superfície da lâmina, o raio emergente e o a) refração luminosa, em que o comprimento de
• incidente estariam ao longo da mesma reta. onda do laser na água e no ar são iguais.

Soma: b) refração luminosa, em que a frequência do laser


na água e no ar são iguais.
57
30. (ENEM) No Deserto do Saara, ocorrem c) difração luminosa, em que a velocidade de
fenômenos em que paisagens são modificadas propagação do laser na água e no ar são iguais.
pela ação direta da luz solar. Esse fenômeno é
conhecido como miragem. Embora algumas d) difração luminosa, em que a frequência do laser
pessoas acreditem ser alucinações, nada mais são na água e no ar são iguais.
do que um fenômeno físico real. O aquecimento
sofrido pela areia faz com que o ar próximo se e) refração luminosa, em que a velocidade de
aqueça, diminuindo sua densidade, fazendo com propagação do laser na água e no ar são iguais.
que a luz se desvie, dando-nos a impressão de uma
nova paisagem.
33. (UFPR) Um dado meio tem um índice de refra-
Esse fenômeno físico é descrito como: ção n1. Um outro meio tem um índice de refração n2.
Assinale a alternativa que expressa corretamente a
a) interferência. relação entre os módulos das velocidades da luz
nos dois meios, quando n2 = 2n1.
b) refração.
a) v2 = 4v1
c) reflexão.
b) v2 = 2v1
d) difração.
c) v2 = v1

31. (FAMEMA) Um raio de luz monocromático d) v2=v1/2


propaga-se por um meio A, que apresenta índice
de refração absoluto nA = 1, e passa para outro meio e) v2=v1/4
B, de índice de refração nB = √2, conforme a figura:

34. (FGV) Em um laboratório de ótica, é


realizada uma experiência de determinação dos
índices de refração absolutos de diversos materiais.
Dois blocos de mesmas dimensões e em forma
de finos paralelepípedos são feitos de cristal e de
certo polímero, ambos transparentes. Suas faces
de maior área são, então, sobrepostas e um estreito
feixe de luz monocromática incide vindo do ar e no ANOTAÇÕES
ar emergindo após atravessar os dois blocos, como
ilustra a figura.

Chamando de nar , npo e ncr aos índices de


refração absolutos do ar, do polímero e do cristal,
respectivamente, a correta relação de ordem entre
esses índices, de acordo com a figura, é:

a) nar > npo > ncr

b) ncr > npo > nar

c) ncr > nar > npo

d) nar > ncr > npo

e) npo > ncr > nar

35. (FMP) A Figura abaixo ilustra um raio


monocromático que se propaga no ar e incide
sobre uma lâmina de faces paralelas, delgada e de
espessura d com ângulo de incidência igual a 60°. O
raio sofre refração, se propaga no interior da lâmina
e, em seguida, volta a se propagar no ar.
Se o índice de refração do ar é 1, então o índice de
58
refração do material da lâmina é:

a)√6/3

b)√6/2

c)√2/2

d)√6

e)√3
PROBLEMATIZAÇÃO 3

Sempre que eu tomo banho o espelho


do banheiro embaça e minha imagem
fica distorcida!
Camile sempre foi fascinada pela ciência. Um dia,
enquanto se preparava para a escola, notou que o
espelho do banheiro estava embaçado de uma
forma peculiar. Não era o típico vapor do banho, que se
dissipa rapidamente. As imagens se distorciam de
maneira estranha, como se estivessem sendo vistas
através de uma lente de aumento, e se multiplicavam,
criando um efeito quase mágico.

Intrigada, Camile se aproximou mais do espelho. A


cada movimento, as imagens se deformavam de
formas ainda mais bizarras. Era como se o espelho
tivesse se transformado em uma janela para outro mundo, um mundo de reflexos distorcidos e infinitos.

Decidida a desvendar o mistério, Camile mergulhou em seus livros de física e navegou pela internet em
busca de respostas. Quanto mais pesquisava, mais intrigada ficava. A umidade do banheiro, a temperatura
ambiente, a composição do vidro... Todos esses fatores poderiam influenciar o fenômeno, mas nenhuma
explicação parecia completa.

Será que havia alguma força desconhecida atuando sobre o espelho? Ou talvez fosse apenas uma
coincidência peculiar? Camile sabia que precisava investigar mais a fundo. Afinal, o universo é cheio de
mistérios esperando para serem desvendados.

59
PARA REFLETIR!

1. O que essa experiência de Camile nos mostra sobre a importância de observar e questionar os
fenômenos que ocorrem ao nosso redor, mesmo os mais simples? Como podemos transformar o
cotidiano em uma fonte de aprendizado e descobertas?

2. O espelho, além de refletir a nossa imagem, pode ser visto como uma metáfora para o
autoconhecimento. De que forma essa experiência de Camile pode ser relacionada à nossa busca
por compreender a nós mesmos e ao mundo ao nosso redor?

3. A distorção das imagens no espelho pode ter despertado em Camile uma sensação de
magia. Como a ciência e a magia se relacionam? É possível encontrar beleza e maravilhamento na
explicação racional dos fenômenos naturais?

A curiosa descoberta de Camile no banheiro nos leva a um


fascinante mundo de fenômenos ópticos. As distorções que ela
observou no espelho embaçado são um exemplo prático de como
a luz interage com diferentes materiais e superfícies. No próximo
capítulo, vamos explorar em profundidade as lentes esféricas, os
prismas e o fenômeno da reflexão total, conceitos que nos
ajudarão a entender melhor o que aconteceu com o espelho de Camile
e a desvendar outros mistérios da luz.

Bons estudos!
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3

3. ÓPTICA GEOMÉTRICA – PARTE III

3.1. Reflexão total


Ao passar de um meio mais refringente para um meio menos refringente, o raio de luz se afasta da reta
normal. Existe uma situação limite na qual a luz se afasta tanto da normal que a emergência do raio é
rasante e, nesse caso, o ângulo de refração será de 90°. O ângulo de incidência responsável por esse fenômeno
acontecer é chamado de ângulo limite, e é denotado pela letra L.

i=L

Quando o ângulo de incidência é maior do que o ângulo limite, não haverá refração, e teremos o
fenômeno de reflexão total. Nesse contexto, o raio de luz irá ser completamente refletido ao incidir no meio
menos refringente.

60

Legenda: Reflexão total. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Aplicando a relação de Snell – Descartes para o ângulo limite, temos:

sen L = n2 /n1

Em que:

L é ângulo limite;

n1 é índice de refração do meio mais refringente;

n2 é o índice de refração do meio menos refringente.

3.2. Prismas ópticos


O prisma óptico é um sistema formado por um meio homogêneo e transparente, resultando da associação
de dois dioptros planos cujas superfícies não são paralelas. Seu formato é um prisma de base triangular,
conforme ilustra a figura abaixo.
Em que:

i1 = ângulo de incidência na face 1;

i2 = ângulo de emergência na face 2;

r1 = ângulo de refração na face 1;

r2 = ângulo de incidência na face 2;

Ao passar por um prisma imerso no ar, o raio de luz sofre duas refrações: uma ao entrar no prisma e outra ao
sair dele. Ao fazer isso, a luz pode sofrer o fenômeno de dispersão, já citado anteriormente, que nada mais é
do que a decomposição da luz branca em diferentes comprimentos de onda.

Após passar pelo prisma, a luz sofre um desvio na sua trajetória, e a esse desvio dá-se o nome de desvio
angular.

a = i1 + i1 - A
61
Onde:

a é o desvio angular;

A é o ângulo entre as faces do prisma.

O desvio mínimo que o raio de luz sofre ao passar de um meio para outro acontece quando i1 = i2 e, nesse caso,
calcula-se o desvio angular como:

amín = 2i - A

3.3. Lentes Esféricas


Uma lente esférica é um corpo homogêneo, transparente, em que uma ou duas das superfícies são
esféricas. Estuda-se seis tipos de lentes.

Observe que as lentes convexas apresentam bordas menos espessas, e por isso são conhecidas como lentes
de bordas finas ou delgadas. Já as lentes côncavas, que possuem bordas mais espessas, são conhecidas
como lentes de bordas grossas.
3.3.1. Comportamento ótico das lentes esféricas
Quando os raios luminosos que incidem em uma lente convergem para um ponto, dizemos que essa lente é
convergente. Caso contrário, ou seja, se os raios, ao passarem pela lente divergirem, então a lente é divergente.

Legenda: Lentes divergentes. Crédito: Imagem produzida pelo autor.


Legenda: Lentes convergentes. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Nos vestibulares e em exercícios é comum usarmos a representação simplificada das lentes, conforme ilustra
a figura a seguir.

Legenda: Representação simplificada de lentes. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

62
O que irá determinar se uma lente é convergente ou divergente é a geometria da lente e a relação entre os
índices de refração entre a lente e o meio em que ela se encontra. Por exemplo:

Lente de bordas delgadas Lente de bordas espessas

Convergente se: nlente > nmeio Divergente se: nlente > nmeio

Divergente se: nlente < nmeio Convergente se: nlente < nmeio

3.3.2. Principais elementos de um sistema de lentes esféricas


e propriedades geométricas dos raios incidentes

Legenda: Elementos de um sistema de lentes esféricas. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

a) Centros de Curvatura (C1 e C2): Representam os centros das superfícies esféricas que compõe a lente. C1 é
chamado também de ponto antiprincipal objeto, já C2 é o ponto antiprincipal imagem.

b) Vértices (V1 e V2): Pontos de fronteira contidos no eixo principal da superfície esférica que contém a lente.

c) Espessura: Distância entre os vértices.


3.3.3. Construção de imagens LENTE CONVERGENTE

nas lentes esféricas a) Objeto além do centro de curvatura

Com o objeto além de C1 , a imagem será:


As características das imagens formadas pelas
lentes esféricas são regidas pelas propriedades
Real, invertida, menor.
vistas no item anterior, bem como pela posição
relativa do objeto em relação à lente.

a) Raio que incide no centro óptico – Todo raio de


luz que incide no centro óptico da lente não sofre
desvio ao emergir da lente.

Legenda: Lente convergente 01. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

b) Objeto sobre o centro de curvatura

Com o objeto exatamente sobre de C1 , a imagem


será:

Real, invertida, igual (mesmo tamanho).

Legenda: Raio de luz incidindo pelo centro óptico. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

b) Raio (ou seu prolongamento) que incide na


direção do foco de uma lente – É refratado
emergindo paralelamente ao eixo principal.

Legenda: Lente convergente 02. Crédito: Imagem produzida pelo autor. 63


c) Objeto entre o centro de curvatura e o foco

Com o objeto entre C1 e F1 , a imagem será:

Real, invertida, maior.

Legenda: Raio de luz incidindo passando pelo foco. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

c) Raio que incide paralelamente ao eixo


principal – O raio refratado, ou seu prolongamento,
irá emergir na direção do foco.
Legenda: Lente convergente 03. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

d) Objeto no foco

Com o objeto exatamente sobre F1 , a imagem será:

Imprópria (não será formada imagem).

Legenda: Raio de luz incidindo paralelamente ao eixo principal. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Legenda: Lente convergente 04. Crédito: Imagem produzida pelo autor.


e) Objeto entre o foco e o centro óptico Em que:

Com o objeto entre e a lente, a imagem será: C é a vergência;

Virtual, direita, maior. f é a distância focal.

Legenda: Lente convergente 05. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

LENTES DIVERGENTES 3.3.5. A equação de Halley


a) Objeto além do centro de curvatura
Também conhecida como a equação dos
fabricantes de lentes, a equação de Halley
Nas lentes divergentes, a imagem sempre será:
relaciona características físicas e geométricas
permitindo calcular a vergência de qualquer lente
Virtual, direita, menor.
esférica.

C = 1/f = nlente /nmeio ∙ 1/R1 + 1/R2

Face convexa: R>0 | Face côncava: R<0

64
ANOTAÇÕES

Legenda: Lente divergente 01. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

3.3.4. Estudo analítico das


lentes esféricas
As mesmas relações matemáticas que estudamos
nos espelhos esféricos utilizaremos nas lentes.

a) Equação de Gauss

1/f = 1/p + 1/p’

b) Equação do aumento linear transversal

A = i/o = -p’/p

c) Vergência (ou convergência) de uma lente

É a grandeza física que fornece a capacidade de


uma lente em desviar um raio luminoso. No SI, a
unidade da vergência é a dioptria (di).

A vergência é observada no nosso cotidiano como


o “grau” dos óculos.

C = 1/f
RESUMO
Consequências da Refração Desvio mínimo

Ângulo Limite (L) – É o valor do ângulo de a = 2i - A


incidência ao qual corresponde a um raio
emergindo com um ângulo de 90º em relação à Lentes Esféricas – É o sistema óptico
Normal, quando a luz se propaga do meio mais constituído por três meios homogêneos e
refringente para o meio menos refringente. transparentes separadas por duas superfícies
curvas ou por uma superfície curva e uma plana.
sen L = n1 /n2
Lentes Convergentes – Os raios de luz ao
Reflexão Total – Se o ângulo de incidência for maior passarem por essa lente, convergem para o foco.
que o ângulo limite, quando a luz passa de um meio
mais refringente para um menos refringente, ocorre Lentes Divergentes – Os raios de luz, ao passarem
a reflexão total. por essa lente, divergem do foco.

Prismas - É um sistema óptico constituído por três


meios homogêneos e transparentes separados por Formação de imagens em lentes esféricas –
duas superfícies planas não paralelas. Propriedades.

A = r1 + r2 ∆ = i1 + i2 - A 1ª - Um raio incidente paralelamente ao


eixo principal refrata-se na direção do foco
principal.

2ª - Um raio incidente na direção do foco


principal refrata-se paralelamente ao eixo
principal.

3ª - Um raio incidente na direção do centro de 65


curvatura da lente não sofre refração ao atra-
vessá-la.

Atenção – A imagem produzida pela lente esférica


convexa é sempre virtual, direita e menor.

Imagens na lente Côncava:

Objeto além do ponto antiprincipal A. Objeto no foco.


Imagem: real, invertida e menor. Imagem: Imprópria.

Objeto sobre o ponto aintiprincipal A Objeto entre o foco e o centro óptico


Imagem: real, invertida e igual. Imagem: virtual, direita e maior.

Objeto entre o ponto


antiprincial e o foco.
Imagem: real, invertida e maior.

Convergência: C = 1/f. A unidade de vergência é a dioptria (Di)

Fórmula dos Fabricantes de Lentes (Fórmula de Halley): C = 1/f = (nlente/nmeio - 1)(1/R1 + 1/R2)
EXERCÍCIOS
Óptica Geomátrica - Parte III

36. (VUNESP) Um prisma de vidro imerso em água, Considerando as indicações do esquema, é correta
com a face AB perpendicular à face BC, e a face a relação:
AC com uma inclinação de 45° em relação a AB, é
utilizado para desviar um feixe de luz a) r1 – r2 = θ
monocromático. O feixe penetra
perpendicularmente à face AB, incidindo na face b) r1 + r2 = θ
AC com ângulo de incidência de 45°. O ângulo
limite para a ocorrência de reflexão total na face c) r1 + r2 = 90° – θ
AC é 60°. Considerando que o índice de refração do
vidro é maior que o da água, a trajetória que melhor d) r1 – r2 = 90° – θ
representa o raio emergente é:
e) 2 (r1 + r2) = θ

39. (UFRR) As fibras ópticas são fios


extremamente finos, flexíveis e transparentes.
São constituídas geralmente por náilon ou vidro.
Quando um sinal luminoso é lançado nesses
fios, a luz percorrerá a estrutura com velocidade
próxima à que desenvolve no vácuo e, ao se chocar
com a superfície de separação vidro/ar, não sofrerá
refração, pois, o ângulo de incidência do raio de luz
a) I. será sempre superior ao do ângulo limite, devido
à espessura mínima do fio. Como consequência,
b) IV. haverá o fenômeno indicado corretamente na
alternativa:
c) II.
66 d) V.
a) difusão;

b) interferência;
e) III.
c) dispersão;

37. O desvio mínimo que certa radiação d) refração;


monocromática pode sofrer ao atravessar um dado
prisma óptico é de 32°. Sabendo que o ângulo de e) reflexão total.
refringência do prisma vale 46° e que sen 39° = 0,629
e sen 23° = 0,390, podemos afirmar que o índice de
refração do material de que ele foi feito tem valor: 40. Analise as seguintes afirmações a respeito da
reflexão total da luz:
a) igual a 1,41
I – A reflexão total ocorre sempre que o ângulo de
b) igual a 1,51 incidência da luz é maior que o ângulo limite, na
passagem da região de maior para a de menor ín-
c) igual a 1,61 dice de refração;

d) igual a 1,71 II – A reflexão total ocorre sempre que o ângulo de


incidência da luz é maior que o ângulo limite, na
e) diferente de qualquer dos acima especificados. passagem da região de menor para a de maior ín-
dice de refração;

38. (UEL-PR) No esquema adiante considere: III – O ângulo limite sempre é igual a 90°;

I – raio incidente IV – O núcleo de uma fibra óptica é a região de


maior índice de refração.
N1 e N2 – normais às faces do prisma
Está correto o que se afirma em:
r1 – ângulo de refração na primeira face
a) I e III
r2 – ângulo de incidência na segunda face
b) II, III e IV
θ – ângulo do prisma = 60°
c) I, II e IV d) divergente – virtual – convergente – real

d) I e IV e) convergente – virtual – convergente – virtual

e) I e II
43. (UECE) Dentre muitas aplicações, a
energia solar pode ser aproveitada para
41. Assinale V para verdadeiro ou F para falso: aquecimento de água. Suponha que para isso seja
utilizada uma lente delgada para concentrar os raios
( ) As lentes de bordas finas são sempre solares em um dado ponto que se pretende aquecer.
convergentes. Assuma que os raios incidentes sejam paralelos ao
( ) O comportamento óptico de uma lente, eixo principal. Um tipo de lente que pode ser usada
depende do meio onde ela está imersa. para essa finalidade é a lente:

( ) No ar, uma lente de bordas espessas é a) divergente e o ponto de aquecimento fica no


divergente. foco.

( ) Nas lentes convergentes, tanto o foco objeto b) convergente e o ponto de aquecimento fica no
como o foco imagem são reais. vértice.

( ) Para um objeto colocado além do ponto c) convergente e o ponto de aquecimento fica no


antiprincipal objeto de uma lente convergente, a foco.
imagem é menor e invertida.
d) divergente e o ponto de aquecimento fica no
( ) Numa lente divergente, a imagem formada por vértice.
um objeto real, é sempre menor, direita e virtual.

44. (FUVEST) Uma pessoa observa uma vela


42. (FAMERP) Na figura, um texto é visto através de através de uma lente de vidro biconvexa, como
duas lentes esféricas, 1 e 2. A imagem formada pela representado na figura.
lente 1 aparece menor do que o próprio texto e a
imagem formada pela lente 2 aparece maior.

67

Considere que a vela está posicionada entre a len-


te e o seu ponto focal F. Nesta condição, a imagem
observada pela pessoa é:

a) virtual, invertida e maior.

b) virtual, invertida e menor.

c) real, direita e menor.

d) real, invertida e maior.

e) virtual, direita e maior.

45. (FUVEST) Câmeras digitais, como a


esquematizada na figura, possuem mecanismos
(http://pontociencia.org.br. Adaptado.)
automáticos de focalização.

Pela observação da figura, constata-se que a


lente 1 é _______ e a imagem por ela formada é
_______ e que a lente 2 é _______ e a imagem
por ela formada é _______.

Assinale a alternativa que preenche, correta e


respectivamente, as lacunas apresentadas acima.
Em uma câmera digital que utilize uma lente
a) divergente – real – convergente – real convergente com 20mm de distância focal, a
distância, em mm, entre a lente e o sensor da
b) convergente – virtual – convergente – real câmera, quando um objeto a 2m estiver
corretamente focalizado, é, aproximadamente:
c) divergente – virtual – convergente – virtual
a) 1. Assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta, de cima para baixo.
b) 5.
a) V – F – V – F.
c) 10.
b) F – V – F – V.
d) 15.
c) V – F – V – V.
e) 20.
d) F – F – V – V.

46. (UFPR) Uma lente plano-convexa possui e) V – V – F – F.


distância focal de 50 cm quando imersa no ar. O
raio de curvatura da face convexa mede 20 cm,
e o material de que a lente é feita tem índice de 48. (UERJ) Uma pessoa com dificuldade em
refração igual a 1,4. Considere um objeto situado enxergar com nitidez objetos próximos a seu
sobre o eixo principal da lente, a uma distância de rosto consulta uma oftalmologista, que prescreve
60 cm dela. Se o sistema lente-objeto descrito for a utilização de lentes com vergência de 4,0di.
transposto para um meio com índice de refração
igual a 1,5 , é correto afirmar: A distância focal, em centímetros, dessas lentes é:

01) A lente passa a ser do tipo divergente. a) 10,0

02) A distância focal da lente não vai se alterar. b) 15,0

04) A imagem nessa situação será virtual, c) 20,0


direita e menor que o objeto.
d) 25,0
08) A imagem se formará a –50 cm da lente.

16) O aumento linear será de +1,2. 49. (UERJ) Uma lente convergente conjuga uma
imagem cuja altura é três vezes maior que a do
Soma: objeto posicionado entre seu centro óptico e seu
foco principal. Esse objeto se encontra a 12cm de
distância do centro óptico da lente. A distância
68 47. (UFPR) O índice de refração absoluto de focal da lente, em centímetros, corresponde a:
um meio gasoso homogêneo é 1,02. Um raio
luminoso, proveniente do meio gasoso, incide na a) 10
superfície de separação entre o meio gasoso e o
meio líquido, também homogêneo, cujo índice de b) 14
refração absoluto é 1,67, conforme mostrado na
figura abaixo. Posteriormente a isso, uma lente com c) 18
distância focal positiva, construída com material
cujo índice de refração absoluto é 1,54, é colocada, d) 22
completamente imersa, no meio líquido. Com base
nessas informações, identifique como verdadeiras
(V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: 50. (UFTM) Um garoto pretende projetar uma
imagem da tela de sua TV ligada em uma das
paredes brancas de sua sala e, para isso,
utilizará uma lente esférica delgada. A superfície da
parede escolhida e a da tela da TV são paralelas e a
distância entre elas é 4 m. Para conseguir
projetar uma imagem nítida e com dimensões três
vezes menores do que as da tela da TV, o garoto
deverá posicionar a lente, entre a parede e a TV, a
uma distância da TV, em metros, igual a:
( ) Se a lente for colocada no meio gasoso, ela será
denominada “convergente”. a) 2,5.

( ) Quando a lente foi colocada no meio líquido, a b) 1,0.


sua distância focal passou a ser negativa.
c) 2,0.
( ) Em qualquer um dos meios, a distância focal da
lente não se altera. d) 3,0.

( ) O raio luminoso, ao penetrar no meio líquido, e) 3,5.


afasta-se da normal.
GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
* * E B D * D E E C
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
* A E D B D B E E A
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
* 6 m/s² 84m/s D * A D A A A
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
D C E B D A B * C B
41 42 43 44 45 46 47 48 49 50
D D A E C C A A A *
51 52 53 54 55 56 57 58 59 60
C A B D C A D C B C

69
1. F, F, F, V, V, V, F, V, V, F 25. V, F, V, F, F

2. 38.
• a) 60m; • a) 2s;

• b) 60m; • b) 20m.

• c) -30m;
50.
• d) 30m. • a) 4m/s;

• b) 7 m/s
6. F, V, F, V, V, V, V

57.
11. V, V, F, V, V, V, F • N = 3000;

• b) 2,5Hz
21. F, V, V, F, V, V, V, F, V
70
FÍSICA
71
FÍSICA - ELETROSTÁTICA
AUTOR: Luís Henrique Marucco

SUMÁRIO
QUANDO TOCO NA MAÇANETA, LEVO UM CHOQUE!

1. Eletrostática – Parte I
1.1. Cargas Elétricas
1.2. Condutores e isolantes
1.3. Princípios da eletrostática
1.4. Processos de eletrização
1.5. Lei de Coulomb
1.6. Campo elétrico
1.6.1. Campo elétrico gerado por uma ou mais cargas puntiformes
1.6.2. Campo elétrico uniforme (C.E.U.)
Resumo
Exercícios

FAÍSCA NA COZINHA! UM PERIGO QUASE INOFENSIVO!

2. Eletrostática – Parte II
2.1. Energia Potencial Elétrica
2.2. Potencial elétrico (V)
2.2.1. Potencial gerado por uma carga puntiforme
2.2.2. Diferença de potencial (d.d.p.)
2.3. Trabalho de uma força elétrica
2.3.1. Relação entre trabalho da força elétrica e o potencial elétrico
2.3.2. Diferença de potencial em um campo elétrico uniforme
72 2.4. Superfícies equipotenciais
Resumo
Exercícios

O SINAL SEMPRE CAI QUANDO EU ENTRO NO ELEVADOR!

3. Eletrostática – Parte III


3.1. Equilíbrio Eletrostático
3.2. Campo elétrico e Potencial elétrico em um condutor em equilíbrio eletrostático
3.2.1. Campo e Potencial elétricos num condutor esférico
3.3. Gaiola de Faraday
3.4. O poder das pontas
Resumo
Exercícios

Gabarito
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Quando toco na maçaneta, levo um choque!


Alexandre sempre foi um aventureiro, explorando cada
canto de seu mundo. Um dia, ao voltar de uma expedição pela
vizinhança, a porta de casa parecia ter vida própria. Ao tocar na
maçaneta, recebeu um choque que o fez recuar como se tivesse
tocado em um fio desencapado. Um arrepio elétrico percorreu seu
corpo, deixando-o curioso e um pouco assustado.

Começou então a notar que essa dança elétrica se


repetia com frequência, principalmente nos dias mais frios e
secos. A cada toque, um pequeno raio o atingia, como se o universo
estivesse brincando de esconde-esconde com ele. Intrigado,
mergulhou em uma jornada para desvendar o mistério por trás
desses choques inesperados. Descobriu que a causa era a
eletricidade estática, um fenômeno invisível que habitava os
objetos ao seu redor, esperando o momento certo para dar um
pequeno susto.

PARA REFLETIR!

1. Na sua opinião, por que Alexandre sentia mais choques em dias secos e frios?

2. Como a eletricidade estática pode ser útil ou prejudicial em nosso dia a dia?

73
3. Que medidas Alexandre poderia tomar para reduzir os choques que sentia?

Quem nunca levou um choque ao tocar na maçaneta em um dia


seco? A experiência de Alexandre nos leva a explorar o fascinante
mundo da eletricidade estática. Neste capítulo, vamos aprofundar
nossos conhecimentos sobre os processos de eletrização, a lei de
Coulomb e o campo elétrico, desvendando os mistérios por trás desses
fenômenos presentes em nosso dia a dia.

Bons estudos!
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. ELETROSTÁTICA – PARTE I
O estudo da eletrostática teve seu início na antiguidade, ao se observar fenômenos onde objetos leves eram
atraídos por uma resina de algumas árvores que foram atritados com pedaços de tecidos. Esta resina, conhecida
hoje como âmbar, foi estudada pelos gregos, que a chamavam de elektron, dando origem à palavra eletricidade.
A eletrostática é o ramo da Física que estuda as cargas elétricas em repouso.

1.1. Cargas Elétricas


A carga elétrica de um corpo é uma propriedade intrínseca da matéria, originada dos prótons e elétrons. Os
prótons possuem carga elétrica positiva (+) e os elétrons são dotados de carga elétrica negativa (-). Os
nêutrons, como o nome sugerem são neutros, e não possuem carga elétrica. A unidade de carga elétrica no
S.I. é o coulomb (C).

74
Legenda: Estrutura atômica. Crédito: https://br.freepik.com/search?format=search&last_filter=-
query&last_value=atom+structure&query=atom+structure

A carga do elétron é, em módulo, igual à do próton e é a menor quantidade de carga elétrica possível
chamada de carga elementar (e), e vale:

e = 1,6 ∙ 10-19C

Assim:

• Carga elétrica de um próton (p+) = 1,6 ∙ 10-19C

• Carga elétrica de um elétron (e–) = - 1,6 ∙ 10-19C

Um corpo está eletricamente carregado quando ele apresenta excesso ou falta de elétrons. Ao receber
elétrons o átomo neutro é chamado de íon negativo ou ânion. Em contrapartida, ao perder elétrons, o átomo
neutro passa a ser chamado de íon positivo ou cátion.

A carga elétrica de um corpo – naturalmente composto por muitos átomos – é dada por um múltiplo da carga
elementar, e é calculada da seguinte maneira:

Q=±n∙e

Onde:

Q é a quantidade de carga elétrica;

n é o número de elétrons em falta ou em excesso;

e é a carga elétrica elementar.


Em cálculos envolvendo cargas elétricas é comum serão idênticas.
o uso dos seguintes múltiplos:
c) Eletrização por indução – Na eletrização por
• 1 micro coulomb = 1μC = 10-6C; indução, aproxima-se um corpo eletrizado,
denominado indutor, de um corpo
• 1 nano coulomb = 1nC = 10-9C; eletricamente neutro, que será chamado induzido.
Neste processo, ocorre uma separação de cargas
• 1 pico coulomb = 1pC = 10-12C. no corpo induzido. Para eletrizar o corpo induzido,
é necessário que este esteja ligado a um terceiro
corpo que será denominado terra.
1.2. Condutores e isolantes
Com relação à facilidade de passagem de elétrons
1.5. Lei de Coulomb
por um corpo, temos duas classificações:
As interações entre os corpos acontecem
a) Condutores – As cargas elétricas se através de forças e seus campos mediadores. A
movimentam com relativa facilidade no força elétrica é caracterizada por ser uma força de
corpo. Exemplo: Metais, grafite, água salgada campo, isto é, atua sem a necessidade de contato
e soluções iônicas. entre os dois corpos.

b) Isolantes – Constituem corpos em que A intensidade da força elétrica pode ser calculada
praticamente não há liberdade para a pela conhecida Lei de Coulomb, que relaciona a
movimentação das cargas. Exemplo: Borracha, intensidade das cargas de dois corpos com a
madeira e vidro. força de atração e repulsão e a distância entre eles.
A força atua na direção da linha que une as duas
cargas, podendo ser repulsiva, caso as cargas
tenham sinais iguais, ou atrativa, em situações
1.3. Princípios da eletrostática de sinais opostos. No S.I., a unidade de força é o
newton (N).
• Princípio da atração e repulsão (Lei de du Fay)
– Cargas elétricas de mesmo sinal se repelem e
cargas elétricas de sinais contrários se atraem.
F = k ∙ | Q1 | ∙ | Q2 | |d2

• Princípio da conservação das cargas Onde:


elétricas – Num sistema isolado, a carga 75
elétrica total é constante. F é o módulo da força elétrica, que pode ser atrativa
ou repulsiva.
Qinicial = Qfinal
k é a constante eletrostática e depende do meio
onde as cargas se encontram.
1.4. Processos de eletrização No vácuo: k = 9,0 109 Nm²/C.

Q1 e Q2 são os módulos das cargas elétricas.


Eletrizar um corpo é deixá-lo com um excesso ou
falta de elétrons. d é a distância entre as cargas.

a) Eletrização por atrito – Consiste em O gráfico da força elétrica em função do


esfregar dois corpos um no outro. Dessa maneira tempo é dado por uma hipérbole, conforme pode
um dos corpos recebe elétrons e outro perde, ficando ser observado abaixo:
eletrizados com sinais contrários. Nesse
processo há como saber qual corpo irá
receber e qual irá perder os elétrons. A série
triboelétrica é uma lista de materiais que fornece
essa informação. O vidro, por exemplo é um
material que tem a tendência a ceder elétrons
durante o processo. O plástico, em contrapartida,
tende a receber os elétrons.

b) Eletrização por contato – Nesse processo de


eletrização corpos condutores idênticos, porém
com cargas elétricas diferentes, são colocados
em contato. Ao se encostarem, os elétrons irão
fluir de modo que ambos os corpos fiquem com a
mesma quantidade de carga. É importante
Legenda: Gráfico de força versus distância. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

ressaltar que no final do processo os corpos


estarão com cargas de mesmo sinal e a soma das
cargas, de acordo com o princípio da conservação
de cargas, deve ser igual à quantidade inicial. No
caso de objetos idênticos, as cargas finais também
1.6. Campo elétrico 1.6.1. Campo elétrico
gerado por uma ou mais cargas
Uma carga elétrica pode atrair ou repelir outras puntiformes
cargas próximas graças à uma região de influência
ao seu redor que chamaremos campo elétrico.
Sabendo-se que o campo elétrico gerado por uma
Considerando uma carga geradora Q, positiva, carga é dado pela equação:
essa carga irá gerar ao seu redor uma região de
influência. Ao colocarmos nas proximidades desta E = F/q
carga uma carga de prova q, também positiva, essa
segunda carga estará sujeita à uma força repulsiva.
A representação do campo elétrico é feita através Podemos escrever usando a Lei de Coulomb:
de linhas de força, também chamadas de linhas de
campo. Um campo elétrico de uma carga positiva
é representado por linhas saindo da carga, a carga E = k ∙ Q/d2
negativa, por sua vez, possui as linhas de força
entrando. Em um cenário onde há várias cargas puntiformes
geradoras de campos elétricos, o campo elétrico
resultando é dado pela soma vetorial de todos os
campos.

ER = E1 + E2 + ... + En

Legenda: Linhas de campo elétrico. Crédito: Imagem produzida pelo autor.


1.6.2. Campo elétrico uniforme
A densidade de linhas de campo aumenta (C.E.U.)
conforme o módulo do campo elétrico também
aumenta, o que ocorre nas proximidades da carga.
O campo elétrico uniforme é caracterizado por
Outro aspecto importante a se ressaltar é que as
possuir módulo, direção e sentido constantes em
linhas de campo nunca se cruzam.
toda região do espaço em que atua.

76 A equação que representa a intensidade do campo


elétrico num ponto em função da força sobre ele é:

E = F/q

Ou, isolando F, obtém-se:

F=q∙E

Em que:

F é o módulo da força elétrica;

E é o módulo do campo elétrico;

q é a carga elétrica da carga de prova.

No S.I., a unidade de campo elétrico é N/C.

Cuidado: O campo elétrico, assim como a força


elétrica, é um vetor e, portanto, só são Legenda: Linhas de campo elétrico uniforme. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

completamente caracterizados quando se


obtém, além do módulo, a direção e o sentido.
Nesse contexto, a direção e o sentido de
atuação do campo elétrico são dados pela
direção e sentido das linhas de força,
coincidentes com a direção e sentido da força
elétrica.
RESUMO
Carga Elétrica – É uma propriedade intrínseca da matéria. As cargas elétricas podem ser positivas ou
negativas. A unidade de carga elétrica é o coulomb (C).

Cargas de mesmo sinal se repelem, cargas de sinais opostos se atraem.

Princípio da Conservação da Carga – A carga total de um sistema isolado não varia para qualquer
processo realizado dentro dele.

Quantização da Carga Elétrica – Todas as cargas da natureza são múltiplas da carga elementar do elétron,
que é a menor quantidade de carga elétrica possível.

e = 1,6 ∙ 10-19C

Quantidade de Carga Elétrica (Q) – A quantidade de carga elétrica que um corpo possui é igual ao excesso
de cargas elementares vezes o valor da carga elementar.

Q=n∙e

Processos de Eletrização

Corpos Eletrizados – São corpos que possuem diferente quantidade de prótons e elétrons. A
eletrização sempre ocorre através de perdas ou ganho de elétrons. Corpos eletricamente neutros
possuem mesmo número de elétrons e prótons. Corpos negativamente carregados possuem maior
número de elétrons do que prótons. Corpos positivamente carregados possuem menor número de elétrons.
77
Existem três tipos de eletrização:

Por Atrito – Corpos atritados ficam carregados com sinais opostos.

Por Contato – Corpos terminam o contato com sinais iguais.

Por Indução – Corpos que sofreram indução ficam com sinais contrários.

Lei de Coulomb: F = k ∙ Q1 ∙ Q2/d²

Campo Elétrico

É a região do espaço onde uma carga de prova fica sujeita à ação de uma força de origem elétrica: E = F/q
Onde: E = Campo Elétrico; F = Força elétrica; q = carga de prova.

Outra maneira de se calcular o vetor campo elétrico é por meio da fórmula: E = k ∙ Q/d²

Campo Elétrico Uniforme (C.E.U.)

É um caso particular de campo elétrico que possui mesmo módulo, direção e sentido em todos os pontos.
a) Marina e Rodrigo

EXERCÍCIOS b) Bruna

c) Bruna, Marina e Rodrigo


Eletrostática - Parte I
d) Bruna e Rodrigo
1. Assinale V para verdadeiro ou F para falso:
e) Mariana e Bruna
( ) Os processos de eletrização ocorrem por
transferência de elétrons.
4. (UFMT) No século XVIII, Charles-François du
Fay, superintendente dos jardins do rei da França,
( ) Em qualquer processo de eletrização a carga
descobriu que, ao colocar um pedaço de metal na
total inicial é igual à carga total final.
forma de fio, em que estavam penduradas duas
pequenas lâminas de ouro (eletroscópio), em
( ) A unidade de carga elétrica no S.I. é o Joule.
contato com um corpo carregado eletricamente,
as folhas de ouro se afastavam uma da outra. Em
( ) Num corpo que possui carga de módulo 1 C o
relação a esse fenômeno, pode-se afirmar:
número de elétrons é igual a 6,25.
a) A carga líquida adquirida por ambas as
( ) Os metais são bons condutores de eletricidade
lâminas será negativa, pois o ouro somente pode
pois os elétrons da camada de valência se
ser carregado negativamente.
deslocam com facilidade.
b) Se as lâminas de ouro podem se mover de
( ) Na eletrização por atrito os corpos apresentam
modo a formar um ângulo entre elas, o co-seno do
cargas de mesmo sinal ao final do processo.
ângulo será proporcional à quantidade de cargas
adquiridas pelas lâminas.
( ) Na eletrização por contato, os corpos apresen-
tam cargas de mesmo sinal ao final do processo.
c) Se o corpo eletrificado tiver carga oposta à do
corpo utilizado por du Fay, a força entre as lâminas
( ) Ao final do processo de eletrização por indução
será atrativa.
um dos corpos ficará neutro.
d) Uma vez que o número total de cargas deve se
conservar, a carga elétrica adquirida pelas lâminas
78 2. (UEL) Uma partícula está eletrizada
é oposta à do corpo.
positivamente com uma carga elétrica de
4,0 ∙ 10-8C. Como o módulo da carga do elétron é
e) Ambas as lâminas adquirem cargas do
1,6 ∙ 10-19C, essa partícula:
mesmo sinal que o da carga do corpo carregado
eletricamente.
a) Ganhou 2,5 ∙ 1011 elétrons

b) Perdeu 2,5 ∙ 10 11 elétrons


5. (FUVEST) Dois balões negativamente
carregados são utilizados para induzir cargas em latas
c) Ganhou 4,0 ∙ 1011 elétrons
metálicas, alinhadas e em contato, que,
inicialmente, estavam eletricamente neutras.
d) Perdeu 6,4 ∙ 1011 elétrons

e) Ganhou 6,4 ∙ 1011 elétrons

3. (ACAFE) Numa aula de laboratório, um


professor de Física mostra a uma turma de alunos
uma montagem em que duas esferas metálicas
idênticas estão presas ao teto por fios isolantes. As
esferas aproximam-se uma da outra sem se tocar.
Indagando sobre o fenômeno, o professor recebe a Conforme mostrado na figura, os balões
resposta de três alunos: estão próximos, mas jamais chegam a tocar as
latas. Nessa configuração, as latas 1, 2 e 3 terão,
• Marina afirma que uma esfera tem carga respectivamente, carga total:
positiva, e a outra está neutra.
Note e adote: O contato entre dois objetos metálicos
• Bruna afirma que uma esfera tem carga permite a passagem de cargas elétricas entre um
negativa, e a outra tem carga positiva. e outro.

• Rodrigo afirma que uma esfera tem carga Suponha que o ar no entorno seja um isolante
negativa, e a outra está neutra. perfeito.

A alternativa, contendo o nome do(s) aluno(s) a) 1: zero; 2: negativa; 3: zero.


cujas(s) resposta(s) é(são) correta(s), é:
b) 1: positiva; 2: zero; 3: positiva.
c) 1: zero; 2: positiva; 3: zero. d) 36

d) 1: positiva; 2: negativa; 3: positiva. e) 3/2

e) 1: zero; 2: zero; 3: zero.


8. (UECE) Uma casca esférica metálica de raio R ,
carregada eletricamente, dá origem a um campo
6. (UFPR) Dois corpos metálicos são elétrico de intensidade E em uma distância 3R do
aproximados entre si. Um deles (A) tem forma de seu centro. Logo, o campo elétrico:
paralelepípedo e é neutro. O outro (B) é
esférico e está carregado eletricamente com carga a) a uma distância R/2 do seu centro é igual a E/2.
de módulo Q. Após atingido o equilíbrio, os
corpos ficam posicionados conforme ilustrado na b) a uma distância R/3 do seu centro é igual a zero.
figura abaixo. Despreze as interações elétricas com
os demais componentes do sistema. c) a uma distância R/2 do seu centro é igual a 4E.

d) no seu centro é igual a E.

9. (FUVEST) Um objeto metálico, X, eletricamente


isolado, tem carga negativa 5,0 x 10-12C. Um segundo
objeto metálico, Y, neutro, mantido em contato com
a Terra, é aproximado do primeiro e ocorre uma
faísca entre ambos, sem que eles se toquem. A
duração da faísca é 0,5 s e sua intensidade é 10-11A.
Assinale a alternativa correta: No final desse processo, as cargas elétricas totais
dos objetos X e Y são, respectivamente:
a) O ângulo independe das massas de A e de B.
a) zero e zero.
b) A única força que atua na esfera é a força
elétrica. b) zero e – 5,0 x 10-12C.

c) As faces a e b do corpo A adquirem c) – 2,5 x 10-12C e – 2,5 x 10-12C.


concentrações de cargas de sinais contrários.
d) – 2,5 x 10-12C e + 2,5 x 10-12C.
d) É possível identificar o sinal da carga elétrica em
79
excesso na esfera. e) + 5,0 x 10 C e zero.
-12

e) O ângulo θ independe da carga em excesso


contida na esfera. 10. (UFTM) Uma carga elétrica puntiforme q é
transportada pelo caminho ACB, contido no
plano da figura, do ponto A ao ponto B do campo
7. (UEA) O gráfico mostra como varia a elétrico gerado por uma carga fixa Q, conforme
intensidade da força eletrostática (F) entre duas representado na figura:
partículaseletrizadas e m função da distância (d)
entre elas.

Considerando que Q e q estejam isoladas de


Baseando-se nas informações do gráfico, pode-se quaisquer outras cargas elétricas, pode-se afirmar
afirmar que a razão F2/F1 é igual a: corretamente que:

a) 18 a) no trajeto de A para B, q fica sujeita a forças


elétricas de módulos sempre decrescentes.
b) 9/4
b) só existe um par de pontos do segmento AB nos
c) 6 quais a carga q fica sujeita a forças elétricas de
mesmo módulo.
c) ao longo do segmento AB, o módulo do Sabendo que na região do campo elétrico a
campo elétrico criado por Q tem valor máximo em velocidade do elétron aumentou com aceleração
A e mínimo em B. constante, o campo elétrico entre os pontos X e Y
tem sentido:
d) no segmento AB existe apenas mais um ponto
em que o campo elétrico gerado por Q tem módulo a) de Y para X, com intensidade maior em Y.
igual ao gerado por ela no ponto A.
b) de Y para X, com intensidade maior em X.
e) do ponto A até o ponto C, o módulo da força elé-
trica sofrida por q diminui, depois passa a aumentar c) de Y para X, com intensidade constante.
até atingir o ponto B.
d) de X para Y, com intensidade constante.

11. (UEA) Duas partículas idênticas eletrizadas e) de X para Y, com intensidade maior em X.
positivamente com carga q estão fixas sobre
uma circunferência, distantes 5d uma da outra.
A linha que liga uma partícula a outra passa pelo 13. (FAMERP) Quatro cargas elétricas
centro C da circunferência. Considere um ponto P puntiformes, Q1 , Q2 , Q3 e Q4 , estão fixas nos vértices
pertencente à mesma circunferência, distante 4d de um quadrado, de modo que |Q1| = |Q2| = |Q3| =
de uma das partículas, como representa a figura. |Q4|. As posições das cargas e seus respectivos
sinais estão indicados na figura.

Sendo k a constante eletrostática do meio e des-


prezando a ação de quaisquer outras cargas, o po- Se E for o módulo do campo elétrico no ponto P,
tencial elétrico gerado no ponto P por essas duas centro do quadrado, devido à carga Q1 , o campo
80 partículas eletrizadas tem intensidade: elétrico resultante no ponto P, devido à presença
das quatro cargas, terá módulo:
a) 9 ∙ k ∙ q/20 ∙ d
a) zero
b) 7 ∙ k ∙ q/d
b) 4 ∙ E
c) 7 ∙ k ∙ q/12 ∙ d
c) √2 ∙ E
d) 9 ∙ k ∙ q/d
d) 2√2 ∙ E
e) k ∙ q/5 ∙ d
e) √2 ∙ E

12. (FAMERP) A figura representa um elétron


atravessando uma região onde existe um campo 14. (IFRR) Três esferas metálicas, X, Y e Z,
elétrico. O elétron entrou nessa região pelo ponto X idênticas e condutoras, estão isoladas entre si. A
e saiu pelo ponto Y, em trajetória retilínea. esfera X está carregada com carga elétrica igual
a 24 µC e as esferas Y e Z encontram-se neutras.
Coloca-se a esfera X em contato simultâneo com Y e Z,
separando-as em seguida. Determine a carga
elétrica da esfera X após o contato,
admitindo que as esferas encontram-se em um
sistema eletricamente isolado.

a) 6 µC

b) 4 µC

c) 2 µC

d) 12 µC

e) 8 µC
15. (UNIVESP) A força de interação elétrica entre A figura a seguir foi obtida pelo PhET, sendo que
duas cargas de intensidades Q e 2Q, mantidas a duas partículas A e B, eletricamente carregadas,
uma distância d uma da outra, é igual a 1 N. Se a foram colocadas em uma determinada região do
distância entre essas cargas elétricas for reduzida espaço. As setas indicam a direção e o sentido das
à metade, a relação entre a intensidade da força linhas de força do vetor campo elétrico do sistema.
elétrica entre as cargas quando a distância era d
e da força elétrica entre as mesmas cargas após a
distância ter sido reduzida à metade é:

a) 4:1.

b) 2:1.

c) 1:1.

d) 1:2.

e) 1:4. A respeito das cargas elétricas A e B, é CORRETO


afirmar que:

16. (UNESP) Uma carga elétrica q > 0 de a) Ambas são eletricamente positivas.
massa m penetra em uma região entre duas
grandes placas planas, paralelas e horizontais, b) Ambas são eletricamente negativas.
eletrizadas com cargas de sinais opostos. Nessa
região, a carga percorre a trajetória c) B é eletricamente positiva e A é negativa.
representada na figura, sujeita apenas ao campo
elétrico uniforme E, representado por suas linhas de d) A é eletricamente positiva e B é negativa.
campo, e ao campo gravitacional terrestre g.

18. (FUVEST) Três pequenas esferas carregadas


com carga positiva Q ocupam os vértices de um
triângulo, como mostra a figura. Na parte interna do
triângulo, está afixada outra pequena esfera, com
carga negativa q. As distâncias dessa carga às
outras três podem ser obtidas a partir da figura.
81

É correto afirmar que, enquanto se move na região


indicada entre as placas, a carga fica sujeita a uma
força resultante de módulo:

a) q · E + m · g.

b) q · (E – g).

c) q · E – m · g.
Sendo Q = 2 x 10-4C, q = -2 x 10-5C e d = 6 m, a força
d) m · q · (E – g). elétrica resultante sobre a carga q:

e) m · (E – g). Note e adote: A constante ko da lei de Coulomb vale


9 x 109 N · m2 /C2.

17. (UEMG) “Fundado em 2002 pelo Prêmio a) é nula.


Nobel Carl Wieman, o projeto PhET Simulações
Interativas da Universidade de Colorado b) tem direção do eixo y, sentido para baixo e
Boulder (EUA) cria simulações interativas gratuitas módulo 1,8 N.
de matemática e ciências. As simulações PhET
baseiam-se em extensa pesquisa em educação c) tem direção do eixo y, sentido para cima e
e envolvem os alunos através de um ambiente módulo 1,0 N.
intuitivo, estilo jogo, onde os alunos aprendem
através da exploração e da descoberta”. d) tem direção do eixo y, sentido para baixo e
Disponível em: https://phet.colorado.edu/pt_BR/. Acesso: 11 dez. 2018.
módulo 1,0 N.

e) tem direção do eixo y, sentido para cima e


módulo 0,3 N.
19. (UFPR) Considere duas partículas, 1 e 2, imóveis ANOTAÇÕES
e carregadas eletricamente, que se encontram
separadas por uma distância inicial D. É correto
afirmar que:

01) À distância D, o módulo da força eletrostática


entre as partículas é o mesmo, independentemente
do sinal de suas cargas.

02) Se a carga da partícula 1 dobrar e a carga da


partícula 2 for reduzida à metade, o módulo da
força eletrostática entre elas diminuirá quatro
vezes.

04) Quando a distância entre as partículas é


reduzida à metade, o módulo da força eletrostática
entre elas aumenta para quatro vezes.

08) Quando a distância entre as partículas é


aumentada três vezes, o módulo da força
eletrostática entre elas diminui três vezes.

16) Se as partículas tiverem cargas de sinais


opostos, a força eletrostática entre elas será
atrativa.

Soma:

20. (VUNESP) Suponha uma pequeníssima


esfera contendo 12 nêutrons, 11 prótons e 10 elétrons,
ao redor da qual gira um elétron a 1,6 × 10–10m
de seu centro, no vácuo. Considerando a carga
elementar e = 1,6 × 10–19C e a constante
eletrostática do vácuo k0 = 9 × 109N · m2 / C2 , a
82 intensidade da força elétrica entre a esfera e o
elétron é:

a) 5,6 × 10–10 N.

b) 9,0 × 10–9 N.

c) 1,4 × 10–9 N.

d) 1,4 × 10–12 N.

e) 9,0 × 10–12 N.
PROBLEMATIZAÇÃO 2

Faísca na cozinha! Um perigo quase


inofensivo!
Maria Clara adorava ajudar sua mãe na cozinha. Um
dia, enquanto tirava um bolo do forno, sentiu uma
pequena faísca ao tocar na forma de metal.
Assustada, afastou a mão rapidamente. Intrigada,
começou a pensar sobre o que havia causado aquela
faísca. Será que era apenas uma coincidência ou havia
alguma explicação científica por trás disso?

PARA REFLETIR!

1. O problema enfrentado por Maria Clara se assemelha muito com o choque enfrentado por
Alexandre, personagem da história do capítulo 1. Qual a relação entre os dois fenômenos, na sua
opinião?

2. Você já viu uma faísca como a que Maria Clara observou? Em que situações você acha que elas
são mais comuns?

83
3. Liste quais semelhanças entre a situação vivencia por Maria Clara e o funcionamento de uma pilha.
Debata com seu professor as suas ideias e tentem chegar a um ponto em comum entre os dois
fenômenos.

A física está presente em todos os lugares, até


mesmo nos momentos mais simples do nosso
dia a dia. A história de Maria Clara e a faísca nos
mostra isso de forma clara. Ao estudarmos
potencial elétrico, conectaremos a teoria
com a prática, entendendo como os conceitos
aprendidos em sala de aula explicam os
fenômenos que observamos ao nosso redor.

Bons estudos!
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2

2. ELETROSTÁTICA – PARTE II

2.1. Energia Potencial Elétrica


Assim como um objeto a uma certa altura adquire uma energia potencial gravitacional, uma carga elétrica
imersa em um campo elétrico adquire uma emergia potencial elétrica.

Considere uma carga puntiforme Q, e um ponto P nas suas proximidades. Ao colocar em P uma carga q a uma
certa distância d da carga Q, o sistema fica dotado de energia potencial elétrica (Ep) dada por:

Ep= k ∙ Q ∙ q/d

2.2. Potencial elétrico (V)


A grandeza potencial elétrico (V) em um determinado ponto, é definida como a razão entre a energia
potencial elétrica (EP) por unidade de carga de prova (q) colocada nesse ponto.

V = Ep/q

A unidade de potencial elétrico no S.I. é o volt (V).

Observação: O potencial elétrico é uma grandeza física escalar. Portanto para se determinar o potencial elé-
trico gerado por várias cargas, basta calcular o potencial resultante através de uma simples soma.

VR = V1 + V2 + ... + Vn
84
2.2.1. Potencial gerado por uma carga puntiforme
Conforme visto anteriormente Ep = q ∙ V, assim:

VP = k∙Q/d

2.2.2. Diferença de potencial (d.d.p.)


A diferença de potencial (d.d.p.) ou tensão entre dois pontos A e B, é dada por:

UAB=VA - VB

A d.d.p. é também chamada de tensão elétrica.

2.3. Trabalho de uma força elétrica


Uma carga elétrica presente em um campo elétrico fica sujeita a uma força elétrica. Esta força tende a
movimentar a carga em uma distância d dentro do campo e, assim, dizemos que a força elétrica realiza um
certo trabalho, chamado de trabalho de trabalho da força elétrica. A unidade de trabalho no S.I. é o Joule (J).

t=F∙d
Onde:

t é o trabalho da força elétrica;

F é a força elétrica;

d é a distância.

Observações:

• Quando a força elétrica é perpendicular ao deslocamento da carga elétrica, o trabalho da força é nulo;

• O trabalho da força elétrica não depende da trajetória;

• Trabalho positivo caracteriza um movimento espontâneo e a energia potencial elétrica diminui;

• Trabalho negativo caracteriza movimento forçado e a EP aumenta.

2.3.1. Relação entre trabalho da força elétrica e o potencial elétrico


Quando uma força elétrica realiza trabalho, ocorre variação da energia potencial elétrica
tAB = ∆EP tAB = q ∙ VA - q ∙ Vv tAB = q ∙ (VA - VB)

Logo:

tAB = q ∙ UAB
Onde:

t é o trabalho da força elétrica;

q é a carga elétrica;
85
U é a diferença de potencial entre A e B.

2.3.2. Diferença de potencial em um campo elétrico uniforme


Em um campo elétrico uniforme, a força elétrica que atua sobre uma carga colocada nessa região é
constante. Logo, uma vez que: F = q ∙ E e tAB = q ∙ UAB isolando q em ambas as equações e igualando-as,
obtemos a equação que relaciona o campo elétrico com a diferença de potencial entre duas placas
carregadas:

U=E∙d
Onde:

d é a distância;

E é o módulo do campo elétrico;

U é a diferença de potencial entre A e B.

2.4. Superfícies equipotenciais


Superfícies equipotenciais são superfícies formadas por pontos que apresentam o mesmo potencial
elétrico. Como o trabalho elétrico depende da d.d.p. entre dois pontos, o trabalho realizado pela força elétrica
ao movimentar uma carga sobre uma superfície equipotencial é nulo.

Importante também destacar que as superfícies equipotenciais são sempre perpendiculares às linhas de
força e o valor do potencial elétrico diminui seguindo o sentido das linhas de força.
RESUMO EXERCÍCIOS
Eletrostática - Parte II

Potencial Elétrico (V) 21. (FUVEST) Uma esfera metálica de massa m


e carga elétrica + q descansa sobre um piso
O potencial elétrico é a grandeza física que horizontal isolante, em uma região em que
representa o quociente entre o trabalho realizado há um campo elétrico uniforme e também
pela força elétrica e a carga elétrica: V = Ep /q horizontal, de intensidade E, conforme mostrado na
figura. Em certo instante, com auxílio de uma barra
Ou também: V = k ∙ Q/d isolante, a esfera é erguida ao longo de uma linha
vertical, com velocidade constante e contra a ação
da gravidade, a uma altura total h, sem nunca
Diferença de Potencial abandonar a região de campo elétrico uniforme.

A diferença de potencial é a subtração entre o


potencial elétrico de dois pontos:
VA - VB = UAB = d.d.p.

Ou também: U = E ∙ d

Energia Potencial Elétrica: Ep = q ∙ V

Trabalho da Força Elétrica: tab = q ∙ (Va - Vb)

ANOTAÇÕES Ao longo do movimento descrito, os trabalhos


realizados pela força gravitacional e pela força
86 elétrica sobre a esfera são, respectivamente:

a) mgh e qEh

b) -mgh e 0

c) 0 e -qEh

d) -mgh e -qEh

e) mgh e 0

22. (FUVEST) Na figura, A e B representam duas


placas metálicas; a diferença de potencial
entre elas é VB – VA = 2,0 x 104V. As linhas tracejadas
1 e 2 representam duas possíveis trajetórias de um
elétron, no plano da figura.
Considere a carga do elétron igual a -1,6 x 10-19C e 24. (UEA) figura representa um campo elétrico
as seguintes afirmações com relação à energia uniforme, de intensidade 150V/m, estabelecido na
cinética de um elétron que sai do ponto X na placa região entre duas placas planas e paralelas, em
A e atinge a placa B: que as linhas vermelhas representam as linhas de
força desse campo.
I. Se o elétron tiver velocidade inicial nula, sua
energia cinética, ao atingir a placa B, será 3,2 x 10-15 J.

II. A variação da energia cinética do elétron é a


mesma, independentemente de ele ter percorrido
as trajetórias 1 ou 2.

III. O trabalho realizado pela força elétrica sobre o


elétron na trajetória 2 é maior do que o realizado
sobre o elétron na trajetória 1.

Apenas é correto o que se afirma em:

a) I. Sendo VA e VB os potenciais elétricos dos pontos A


e B, a diferença de potencial UAB = VA – VB é igual a:
b) II.
a) 180V.
c) III.
b) –120V.
d) I e II.
c) 120V.
e) I e III.
d) –150V.

23.(FAMEMA) Raios cósmicos constantemente e) 150V.


arrancam elétrons das moléculas do ar da
atmosfera terrestre. Esses elétrons se
movimentam livremente, ficando sujeitos às 25. (UERJ) Na ilustração, estão representados os
forças eletrostáticas associadas ao campo elétrico pontos I, II, III e IV em um campo elétrico uniforme.
existente na região que envolve a Terra. Considere
que, em determinada região da atmosfera, atue um
87
campo elétrico uniforme de intensidade E = 100 N/C,
conforme representado na figura.

Uma partícula de massa desprezível e carga


positiva adquire a maior energia potencial elétrica
possível se for colocada no ponto:

a) I
Se um elétron de carga 1,6 × 10–19C e de massa
desprezível, sujeito a uma força constante, se b) II
movimenta verticalmente para cima nessa região,
percorrendo uma distância d = 500m, a variação c) III
de energia potencial elétrica sofrida por ele, nesse
trajeto, será de: d) IV

a) –1,5 × 10–14J
26. (PUC-PR) Um sistema de cargas pontuais é
b) –8,0 × 10–15J formado por duas cargas positivas +q e uma
negativa –q, todas de mesma intensidade, cada
c) –1,6 × 10–15J qual fixa em um dos vértices de um triângulo
equilátero de lado r. Se substituirmos a carga
d) –9,0 × 10–15J negativa por uma positiva de mesma intensidade,
qual será a variação da energia potencial elétrica
e) –1,2 × 10–14J do sistema? A constante de Coulomb é denotada
por k.

a) 2kq²/r
b) -2kq²/r 29. (UFPR) Três prótons estão fixos nos
vértices de um triângulo equilátero. Considerando
c) -4kq²/r a representação e a adição de vetores,
construa, qualitativamente, o campo elétrico
d) 4kq²/r resultante nos pontos A e B indicados na figura. O
ponto que está dentro do triângulo encontra-se no
e) kq²/r seu baricentro. Estabeleça uma escala de
modo que o comprimento de cada vetor seja
proporcional ao seu módulo (intensidade do
27. (UEM) O campo elétrico entre duas placas campo elétrico).
condutoras vale E = 2,0 x 104N/C e a distância
entre elas é d = 7,0mm. Suponha que um elétron
(qe = 1,6.10-19C e me = 9,1.10-31 kg) seja liberado em
repouso nas proximidades da placa negativa. B
Com base na situação descrita, assinale o que for
correto:

01) A força F que atuará sobre o elétron terá a


mesma direção e sentido do campo elétrico.
A
02) O módulo da força F que atuará sobre o elé-
tron é igual a 3,2 x 10-15N.

04) Sabendo-se que o peso do elétron é


desprezível em comparação com a força
elétrica que atuará sobre ele, pode-se afirmar que 30. (UFPR) Uma partícula com carga elétrica
o movimento do elétron será retilíneo positiva qA e massa mA aproxima-se de uma
uniformemente variado e que o módulo da outra partícula com carga positiva qB e massa
aceleração adquirida por ele é 3,5 x 1015m/s². mB , escrevendo a trajetória mostrada na figura
abaixo em linha tracejada. A partícula B tem
08) O tempo que o elétron gastará para ir de massa muito maior que a partícula A e permanece
uma placa a outra será 4,0 . 10-9s. em repouso, em relação a um referencial inercial,
durante a passagem da partícula A. Na posição
16) A velocidade do elétron ao chegar à placa inicial r⃗i , a partícula A possui velocidade
positiva é 14,0 x 106m/s. instantânea de módulo vi , e na posição final r⃗f
88 sua velocidade tem módulo vf . A única força
32) A diferença de potencial entre as placas é relevante nesse sistema é a força elétrica entre as
140V. partículas A e B, de modo que as demais forças
podem ser desprezadas.
64) O trabalho que o campo elétrico realiza so-
bre o elétron, ao deslocá-lo da placa negativa
para a placa positiva, é 2,24 x 10-18N.m.

Soma:

28. (UFPR) Um dipolo elétrico é formado por duas


cargas puntiformes +q e –q separadas por uma
distância d. Em relação a esse sistema de duas
cargas, é correto afirmar:

01) O módulo do campo elétrico no ponto Considerando que k = 1/4πε0 = 8,988 x 109N.m²/
médio que separa as duas cargas é nulo. C², assinale a alternativa que fornece a expressão
correta para a massa da partícula A em termos de
02) O potencial elétrico no ponto médio que todas as grandezas conhecidas.
separa as duas cargas é nulo.
a)
04) O plano perpendicular à linha que une as
cargas e que passa pelo seu ponto médio é
uma superfície equipotencial. b)

08) Se uma pequena carga-teste positiva for


colocada no ponto médio do dipolo, ela ficará c)
sujeita a uma aceleração.

16) As linhas de força do campo elétrico saem d)


da carga negativa e entram na carga positiva.

Soma: e)
PROBLEMATIZAÇÃO 3

O sinal sempre cai quando eu entro


no elevador!
Laura estava super animada para contar à mãe sobre a nova
série que estava assistindo. Ao entrar no elevador, ela tirou o
celular do bolso e ligou para ela. Mas, para sua surpresa, não
havia sinal! Frustrada, ela tentou ligar de novo, e de novo, mas
nada.

Começou a pensar em todas as vezes que tinha ouvido falar


sobre a importância de não usar o celular perto de aparelhos
eletrônicos. Será que a estrutura metálica do elevador estava
interferindo no sinal? Ela se lembrou de ter visto um vídeo na
internet onde um celular não funcionava dentro de um forno de
micro-ondas. Será que era algo parecido?

Com a cabeça cheia de perguntas, Laura desistiu de tentar ligar


e saiu do elevador, decidida a pesquisar mais sobre o assunto
quando chegasse em casa.

PARA REFLETIR!

1. Por que o celular de Laura parou de funcionar dentro do elevador? 89

2. Qual a relação entre o elevador de metal e o objeto que Laura viu no vídeo (forno de micro-ondas)?

3. Quais outras situações do dia a dia podem causar problemas de sinal no celular?

4. Quais problemas podem surgir devido à falta de sinal de celular? Debata com seus professores e
colegas sobre a situação vivenciada por Laura!

A experiência de Laura no elevador nos leva a uma jornada fascinante pelo mundo da
eletricidade. Ao compreender o porquê do sinal do celular ter sido bloqueado,
vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre a gaiola de Faraday e outros conceitos
relacionados. Prepare-se para descobrir como a teoria se aplica a situações do nosso
cotidiano!

Bons estudos!
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3

3. ELETROSTÁTICA – PARTE III

3.1. Equilíbrio Eletrostático


Um condutor se encontra em equilíbrio eletrostático quando nele não há movimentação de cargas
elétricas.Sabemos que cargas elétricas de mesmo sinal se repelem, portanto, num condutor em equilíbrio
eletrostático, elas distribuem-se pela superfície pois tendem a se afastar o máximo possível. Observe o
esquema representado abaixo:
+ -
+ -

-
+

-
+

-
+

+
-
+ -

Legenda: Condutores em equilíbrio. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

3.2. Campo elétrico e Potencial elétrico em um


condutor em equilíbrio eletrostático
O fato das cargas se distribuírem pela superfície do condutor em equilíbrio eletrostático resulta que em seu
interior o campo elétrico é nulo. Este fenômeno é conhecido como blindagem eletrostática e ele pode ser
90 facilmente compreendido quando entramos em um elevador e o celular perde o sinal com a antena, ou
quando os passageiros dentro de um carro ou avião nada sofrem ao serem atingidos por uma descarga
atmosférica. No interior e na superfície de condutores em equilíbrio eletrostático, o potencial elétrico é
constante.

3.2.1. Campo e Potencial elétricos num condutor esférico


O campo elétrico e o potencial num condutor esférico dependem da proximidade em relação ao condutor. A
seguir, R é o raio do condutor e r a distância em que uma carga se encontra desse condutor:

Pontos no interior da esfera Pontos na superfície Pontos distantes da superfície


(r < R) (r = R) (R > r)

Campo elétrico: nulo Campo elétrico: E = kQ/R² Campo elétrico: E = kQ/r²

Potencial elétrico: V = kQ/R Potencial elétrico: V = kQ/R Potencial elétrico: V = kQ/r


3.3. Gaiola de Faraday ANOTAÇÕES

A gaiola de Faraday é um experimento que foi


concebido e realizado primeiramente por Michael
Faraday, que visava provar que no interior de uma
superfície eletrizada, o campo elétrico é nulo. O
experimento basicamente consistia em uma
gaiola metálica com uma cadeira de madeira em
seu interior. Faraday entrou nessa gaiola e
pediu para que seus assistentes realizassem uma
descarga elétrica sobre ela. Isso foi feito e Faraday
permaneceu intacto no interior.

A gaiola de Faraday possui inúmeras


aplicações tecnológicas, principalmente
relacionadas à segurança contra descargas
elétricas. Dentre elas, vale mencionar as placas
controladoras de eletrônicos (como computadores,
televisores, smartphones, etc), que são envoltas por
carcaças feitas de materiais condutores.

A tela que existe nas portas dos fornos de


micro-ondas também são exemplos de uma
Gaiola de Faraday, uma vez que funcionam como
redes metálicas que impedem que a radiação
eletromagnética gerada dentro do forno passe pela
porta, protegendo quem está fora vendo o alimento
dentro.

3.4. O poder das pontas


Nos condutores esféricos em equilíbrio, as cargas
91
se distribuem uniformemente pela superfície.
Quando o condutor possui uma outra forma, a
distribuição de cargas é maior nas pontas. Este
fenômeno é conhecido como poder das pontas.
RESUMO
Equilíbrio Eletrostático

O campo elétrico no interior de um condutor eletrizado é nulo. As cargas em excesso, positivas ou negativas,
distribuem-se na superfície, gerando a blindagem eletroestática. O equipamento que faz isso é a gaiola de
Faraday.

Pontos no interior da esfera Pontos na superfície Pontos distantes da superfície


(r < R) (r = R) (R > r)

Campo elétrico: nulo Campo elétrico: E = kQ/R² Campo elétrico: E = kQ/r²

Potencial elétrico: V = kQ/R Potencial elétrico: V = kQ/R Potencial elétrico: V = kQ/r

92

EXERCÍCIOS
Eletrostática - Parte III
O que é Literatura?

31. (UNIMEP) Uma esfera condutora de 0,03 m de III. Na superfície de um condutor, eletrizado e em
raio apresenta uma carga elétrica de 2 . 10-11C. O equilíbrio eletrostático, a densidade superficial de
potencial elétrico dessa esfera em um ponto cargas é maior em pontos de menor raio de cur-
situado a 0,02 m do seu centro vale: vatura.

Dado: k = 9 . 109 (SI) Podemos afirmar que:

a) zero a) Somente a I está correta

b) 0,06 V b) Somente a II está correta

c) 600 V c) Somente a III está correta

d) 6 V d) Todas estão corretas

e) 1200 V e) Nenhuma delas está correta

32. (UNIFOR) Dadas as afirmativas: 33. (UFMS) Considere uma esfera maciça
metálica eletrizada com uma carga elétrica
I. Na superfície de um condutor, eletrizado e em positiva. É correto afirmar:
equilíbrio eletrostático, o campo elétrico é normal à
superfície. 01) A esfera ficará com carga elétrica nula se perder
elétrons.
II. Na superfície de um condutor eletrizado e em
equilíbrio eletrostático, o potencial é constante. 02) O campo elétrico é nulo no interior da esfera.
04) O campo elétrico é nulo apenas no canto da 37. O potencial elétrico a 8,0 cm do centro da esfera
esfera. vale:

08) A diferença de potencial elétrico entre dois a) 3,60 . 107V


pontos no interior da esfera é nula.
b) 9,00 . 106V
16) A intensidade do campo elétrico em um
ponto qualquer no interior da esfera é diretamente c) 1,44 . 106V
proporcional à distância do ponto ao centro da
esfera. d) 7,2 . 105V

Soma: e) zero

34. (UNIFOR) Uma esfera, condutora e eletrizada 38. O potencial elétrico a 2,0cm do centro da esfera
de raio 20 cm gera, num ponto a 40cm do centro, vale:
um potencial de 600V. Para essa esfera, o campo
elétrico num ponto externo bem próximo da a) 3,60 . 107V
superfície é:
b) 9,00 . 106V
a) 2,0 . 10 V/m
4

c) 1,44 . 106V
b) 6,0 . 103 V/m
d) 7,2 . 105V
c) 5,0 . 10 V/m
3

e) zero
d) 4,0 . 103 V/m

e) 2,0 . 103 V/m 39. (INEP)

Raios caem duas vezes em um mesmo lugar


(UFPE) A informação seguinte refere-se às
questões 35, 36, 37 e 38: Um dos maiores mitos culturais propagados é
o de que dois raios não caem no mesmo lugar.
Uma esfera metálica de 4,0cm de raio está Pesquisas científicas registram que em áreas de
carregada com 6,40 . 10-6 coulombs. grande incidência podem cair não somente dois,
93
mas diversos raios.
O meio é o vácuo (k0 = 9 . 109 N . m2/C2). PRONIN, T. Disponível em: http://noticias.uol.com.br. Acesso em: 1 ago. 2015 (adaptado).

35. A intensidade do vetor campo elétrico a 8,0cm Esse mito ignora o fato de que os raios se
do centro da esfera vale: direcionam, preferencialmente, para objetos de:

a) 3,60 . 107 N/C a) concreto em áreas descampadas.

b) 9,00 . 106 N/C b) plástico em ambientes aquáticos.

c) 1,44 . 106 N/C c) vidro temperado em janelas.

d) 7,2 . 105 N/C d) metal em pontos mais altos.

e) zero
40. (VUNESP) Entre 2011 e 2017, caíram, no
Brasil, quase 78 milhões de raios, segundo
36. A intensidade do vetor campo elétrico a 2,0cm levantamento do INPE. Muitos desses, infelizmente,
do centro da esfera vale: foram fatais - para se ter ideia, a cada 50 mortes
por raio no mundo, uma ocorre no país.
a) 3,60 . 107 N/C (“9 coisas que você precisa saber sobre raios”. https://super.abril.com.br, 15.08.2018. Adaptado.)

b) 9,00 . 106 N/C Os para-raios são essenciais para proteger


pessoas e equipamentos elétricos de raios. Essa
c) 1,44 . 106 N/C proteção é baseada

d) 7,2 . 105 N/C a) no princípio da blindagem eletrostática,


que aprisiona as cargas elétricas dos raios nos
e) zero para-raios, protegendo o seu entorno.

b) no fato de os para-raios serem bons isolantes, o


que impede a propagação das descargas elétricas
dos raios.
c) no fato de a resistência elétrica dos para-raios
ser muito alta, o que impede a propagação dos
raios até o solo.

d) no fenômeno do poder das pontas de um


condutor, que gera um campo elétrico intenso
nas proximidades da extremidade dos para-raios,
atraindo os raios para eles.

e) no forte campo magnético produzido no entorno


dos para-raios, o que faz com que os raios sejam
atraídos para eles.

GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
* B C E D C D B A D
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
C C E E E C E E 21 B

94 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
B D B C A D 06 14 * A
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
D D 10 B B E D C D D

1. V, V, F, F, V, F, V, F.

29.
FÍSICA
Termologia

95
FÍSICA - TERMOLOGIA
AUTOR: Luís Henrique Marucco

SUMÁRIO
AQUECIMENTO GLOBAL E TEMPERATURAS EXTREMAS: A ENERGIA ESTÁ FALTANDO PARA JULIA!

1. Termologia
1.1. Calor e temperatura
1.2. Equilíbrio Térmico
1.3. Termômetros e escalas termométricas
1.4. Conversão de escalas e escalas arbitrárias
1.5. Conversão das escalas Celsius, Fahrenheit e Kelvin
1.6. Dilatação térmica
1.6.1. Dilatação Linear
1.6.2. Dilatação Superficial
1.6.3. Dilatação volumétrica
1.6.4. Dilatação dos líquidos
1.6.5. Dilatação anômala da água.

Resumo

Exercícios

A COMIDA TÁ ESFRIANDO MUITO RÁPIDO!

2. Calorimetria – Parte I
2.1. Unidade de quantidade de calor
2.2. Calor sensível e calor latente
96 2.3. Capacidade térmica e calor específico
2.4. Equação Fundamental da Calorimetria
2.5. Trocas de calor

Resumo

Exercícios

A CASA QUE NUNCA FICA NA TEMPERATURA IDEAL

3. Calorimetria – Parte II
3.1. Calor latente
3.2. Propagação de calor
3.2.1. Condução térmica
3.2.2. Convecção térmica
3.2.3. Irradiação térmica

Resumo

Exercícios

Gabarito
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Aquecimento global e temperaturas


extremas: a energia está faltando para
Julia!
Julia, uma adolescente de 16 anos, sempre amou os verões
quentes. Mas nos últimos tempos, o calor intenso havia se
tornado insuportável. As noites, antes frescas, agora eram
abafadas e úmidas, dificultando seu sono. A conta de luz em
casa vinha aumentando mês a mês, e a geladeira velha já não
conseguia mais manter os alimentos frescos por muito tempo.

Além do calor e da conta de luz, Julia começou a notar outros


problemas. As aulas na escola estavam mais cansativas, e ela
sentia mais dificuldade para se concentrar. As árvores da rua,
antes frondosas, agora estavam secas e com menos folhas. As
fortes chuvas, cada vez mais frequentes, causavam inundações
no bairro, deixando tudo alagado.

Durante as aulas de Física, Julia aprendeu sobre calor,


temperatura e transferência de calor. Intrigada com os
problemas que estavam acontecendo ao seu redor, ela
começou a pesquisar sobre o assunto. Logo, compreendeu que
o aquecimento global estava afetando diretamente sua vida e a de sua comunidade.

A falta de energia, as temperaturas extremas, a escassez de água e os eventos climáticos extremos eram
todos sinais de que algo precisava mudar. Julia sabia que precisava agir, mas por onde começar?

97
PARA REFLETIR!

1. Na sua opinião, como o calor excessivo influencia o uso de aparelhos como ar-condicionado
e geladeira, e como isso impacta o bolso da família?

2. Você conhece alguém que sofre com o calor excessivo, a falta de sono e a ansiedade? Como você
acha que esses fatores podem ser potencializados pelas mudanças climáticas e podem impactar
sua vida cotidiana?

3. Levante a discussão com seus colegas e familiares: quais são as possíveis soluções individuais e
coletivas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e combater o aquecimento global?

A história de Julia nos mostra como os conceitos da Termologia, que


estudaremos neste capítulo, estão presentes em nosso dia a dia e podem
ter um impacto significativo em nossas vidas. Ao compreendermos os
processos de transferência de calor, a expansão térmica e os efeitos do
aumento da temperatura no planeta, poderemos entender as mudanças
climáticas e buscar soluções para os desafios que elas nos apresentam.

Bons estudos!
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. Termologia
intervalo entre esses dois pontos fixos é dividido em
180 partes iguais, e cada parte corresponde a 1°F.

Escala Kelvin – A escala Kelvin é conhecida como


Termologia é a parte da Física que estuda o calor, a
escala absoluta de temperatura, pois o zero
temperatura e suas interações com a matéria.
Kelvin equivale à temperatura em que cessa a
agitação das partículas de um corpo. Na escala
Kelvin atribui-se para o ponto de fusão da água a
1.1. Calor e temperatura temperatura de 273 K e para o ponto de ebulição a
temperatura de 373. Cuidado: Na escala Kelvin não
Calor – É definido como energia térmica em trânsito se lê “grau kelvin”, basta falar o número e a unidade.
fluindo do corpo de maior temperatura para o de Exemplo: “373 kelvin”.
menor temperatura

Temperatura – É a medida do grau de agitação


média de átomos ou moléculas de um sistema.
1.4. Conversão de escalas e
escalas arbitrárias
1.2. Equilíbrio Térmico Devido à grande quantidade de escalas
termométricas existentes, faz-se necessário a
conversão dessas escalas entre si. Para a
O equilíbrio térmico é um estado atingido por
conversão entre duas escalas arbitrárias, utiliza-se
um sistema onde todos os corpos apresentam a
a seguinte relação:
mesma temperatura. Uma consequência desse
fenômeno pode ser interpretada ainda pelo
seguinte enunciado: “Se dois corpos estão em
equilíbrio térmico com um terceiro corpo, então
esses corpos estão em equilíbrio entre si”, que é
conhecido como a Lei zero da Termodinâmica.

Importante: No equilíbrio térmico não há mais fluxo


de calor.
98

1.3. Termômetros e escalas


termométricas
Os termômetros são dispositivos
construídos com base em alguma propriedade
termométrica da matéria como o
comprimento de uma barra metálica ou o Legenda: Escalas termométricas. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

volume de um líquido, e que servem para medir


a temperatura de um corpo. Cada termômetro
funciona baseado em uma escala de (x - x0 )/(xf - x0 ) = (y - y0 )/(yf -y0 )
temperatura. Cada escala fornece uma
determinada temperatura associada a um
valor numérico. Existem incontáveis escalas Em que:
termométricas, porém as mais comuns são as
escalas Celsius, Fahrenheit e Kelvin. x é a temperatura numa escala x;

Escala Celsius – Essa é a escala mais utilizada y é a temperatura numa escala y;


pela maioria dos países ao redor do mundo. Foi
idealizada pelo cientista Anders Celsius. Nessa x0 é a temperatura de fusão da escala x;
escala o valor adotado para o ponto de fusão
da água é zero. E para o ponto de ebulição, sob y0 é a temperatura de fusão da escala y;
condições normais de pressão, o valor é de 100. O
intervalo obtido entre os pontos de fusão e de xf é a temperatura de ebulição da escala x;
ebulição é dividido em cem partes e cada
parte corresponde à unidade da escala, chamada yf é a temperatura de ebulição da escala y.
de grau Celsius (°C).

Escala Fahrenheit – Construída por Daniel G.


Fahrenheit, ela atribui para os mesmos pontos
fixos da escala Celsius, os valores de
32°F (ponto de fusão), e 212°F (ponto de
ebulição). Pode-se observar, então, que o
1.5. Conversão das escalas 1.6.1. Dilatação Linear
Celsius, Fahrenheit e Kelvin É a análise da dilatação em apenas uma
dimensão, nesse caso, o comprimento. É comum
observar esse fenômeno em trilhos de trem, por
exemplo. O cálculo de dilatação linear é dado pela
equação:

∆L = L0 ∙ a ∙ ∆T

Em que:

∆L é a variação do comprimento do objeto;

L0 é o comprimento inicial;

a é o coeficiente de dilatação linear;

Legenda: Escalas termométricas Crédito: Imagem produzida pelo autor.


∆T é a variação de temperatura.
Celsius, Fahrenheit e Kelvin.

O coeficiente de dilatação linear (a)


A conversão entre as escalas Celsius, Fahrenheit e representa uma característica do material, e
Kelvin segue a equação de conversão para escalas basicamente indica o quão permissivo é o material
arbitrárias e fica da seguinte maneira: à dilatação.

TC /5 = (TF - 32)/9 = (TK - 273)/5

Em que:

T°C é a temperatura na escala Celsius;

T°F é a temperatura na escala Fahrenheit;


99
K é a temperatura na escala Kelvin.

Além da conversão, é importante ressaltar o


comportamento das escalas quando se fala em Legenda: Esquema da dilatação Crédito: Imagem produzida pelo autor.
variação de temperatura. Nesse caso, temos: linear de um corpo.

∆TC /5 = (∆TF )/9 = (∆TK )/5 1.6.2. Dilatação Superficial


Quando levamos em conta duas dimensões de
Note que a variação da temperatura na escala um determinado corpo, estamos tratando da
Celsius é numericamente igual à da escala dilatação superficial. Considere por exemplo, uma
Kelvin, logo quando há uma variação de 50°C, por placa metálica, de área inicial A0 submetida a um
exemplo, pode-se afirmar que houve uma aumento de temperatura ∆T.
variação de 50K.
∆A = A0 ∙ β ∙ ∆T

1.6. Dilatação térmica Em que:

∆A é a variação da área superficial do corpo;


A dilatação dos corpos é consequência direta
da mudança de temperatura deles, sendo esta A0 é área inicial;
ocasionada pela troca de calor. A temperatura é
a grandeza física que mede o estado de agitação β é o coeficiente de dilatação superficial;
das partículas de um corpo, caracterizando o seu
estado térmi¬co. Podemos imaginar, então, que ∆T é a variação de temperatura.
quando um corpo é aquecido, a agitação das
partículas aumenta e, consequentemente, elas O coeficiente de dilatação superficial para cada
tendem a se afastar fazendo com que o corpo substância é igual ao dobro do coeficiente de dila-
aumente de tamanho. tação linear, ou seja:

β = 2a
1.6.3. Dilatação volumétrica se contrai e ao ser resfriada de 4°C a 0 °C, ela se
dilata, contrariando o que se observa nos demais
compostos. Em outras faixas de temperatura, ela se
É a dilatação em que se leva em conta as três
comporta normalmente.
dimensões de um corpo.

∆V = V0∙ γ ∙ ∆T

Em que:

∆V é a variação do volume do corpo;

V0 é o volume inicial;
Legenda: Dilatação anômala Crédito: Wikimedia Commons.

γ é o coeficiente de dilatação volumétrico;


da água.

Esse fato ocorre devido ao tipo de ligação que


∆T é a variação de temperatura. há entre as moléculas de água: as pontes de
hidrogênio.
γ = 3a
A dilatação anômala da água é
importantíssima para a manutenção da vida
1.6.4. Dilatação dos líquidos subaquática em regiões de inverno rigoroso.
Devido à expansão da água em baixas
Os líquidos normalmente possuem coeficiente de temperaturas e à menor densidade em relação a
dilatação maior que os sólidos. Por este motivo, água líquida, o gelo acaba ficando na superfície.
um certo volume de líquido vai dilatar mais que o Por ser também um bom isolante térmico, o gelo
mesmo volume de um sólido, na mesma irá contribuir para manter a temperatura da água
variação de temperatura. Portanto, para o estudo em condições favoráveis para a vida. Em outras
da dilatação dos líquidos, iremos considerar palavras: se a água não expandisse abaixo dos 4 °C,
também a dilatação do recipiente que contém o rios e lagos congelariam de baixo para cima, e tudo
líquido. viraria gelo. Já imaginou os peixinhos congelando?

Considere um recipiente completamente cheio de


um determinado líquido. Ao aquecer o recipiente,
ANOTAÇÕES
100 ele irá se dilatar, assim como o líquido, porém parte
do líquido poderá vazar, uma vez que se expande
mais do que o recipiente.

Na situação descrita acima, o volume que vaza


(dilatação aparente) representa parte da
dilatação do líquido, pois o recipiente também
aumentou de volume. Nesse contexto, a dilatação
real do líquido é dada pela equação:

∆V = ∆Vap + ∆Vrec

Em que:

∆V é a variação real do volume do corpo;

∆Vap é a dilatação aparente do líquido;

∆Vrec é a dilatação do recipiente.

Fazendo-se as substituições necessárias de


acordo com a lei da dilatação volumétrica,
podemos escrever:

γ = γap + γrec

1.6.5. Dilatação anômala da


água
A água, assim como algumas outras
substâncias, apresenta um comportamento
diferenciado em uma determinada faixa de
temperatura. Ao ser aquecida de 0°C a 4 °C, ela
RESUMO EXERCÍCIOS
Termologia

Temperatura – Grandeza física utilizada para 1. (UNEMAT) Ao medir a temperatura


noções de senso de quente e frio. Permite avaliar o ambiente em uma das regiões mais frias do
grau de agitação das moléculas. mundo, num determinado dia, um
cientista com seu termômetro registrou –78 °F. Se
Escalas arbitrárias: (x - x0)/(xf - x0)=(y - y0)/(yf-y0) o seu termômetro fosse graduado na escala
Celsius, esse registro seria aproximadamente de:
Conversão Celsius, Fahrenheit, Kelvin:
T°C/5 = (T°F - 32)/9 = (K - 273)/5 a) 35 °C

b) -75,2 °C
Princípio Zero da Termodinâmica – Se dois
corpos, A e B estiverem em equilíbrio térmico com c) -61,11 °C
um terceiro corpo, C, então A e B também estão em
equilíbrio. d) -71,11 °C

e) 69,9 °C
Dilatação térmica

A dilatação térmica diz respeito ao aumento e 2. (UERJ) A temperatura de ebulição dos líquidos
diminuição do tamanho dos objetos frente uma está associada à altitude. Admita que, na altitude
variação de temperatura. de 9000 m, a água entre em ebulição a 70 °C. Com
um termômetro graduado na escala Fahrenheit, o
Essa variação de tamanho pode ser linear, valor obtido da temperatura de ebulição da água
superficial ou volumétrica. será igual a:

∆L= L0 ∙ a ∙ ∆T a) 86

∆A= A0 ∙ β ∙ ∆T b) 94 101
∆V= V0 ∙ γ ∙ ∆T c) 112

Relação entre os coeficientes de dilatação: d) 158


a = β/2 = γ/3

3. (UECE) A febre caracteriza-se por um


Atenção – Na dilatação de líquidos em recipientes, aumento da temperatura corporal, podendo ser
temos: ∆VLíquido = ∆VAparente + ∆Vfrasco uma sinalização da presença de agentes
infecciosos no organismo. Para o ser
humano, uma temperatura acima de 37,8°C pode
ser considerada um quadro febril. Devido à
indisponibilidade de um termômetro
graduado na escala Celsius, aferiu-se a
temperatura de uma pessoa, verificando-se o
valor de 102,2°F. A partir dessas informações, é
correto afirmar que a temperatura corporal dessa
pessoa, em °C, é

a) 39,2.

b) 38.

c) 39.

d) 38,6.
4. (VUNESP) O gráfico mostra a relação entre mais corpos. O calor flui do corpo com menor
as temperaturas de um mesmo corpo, lidas nas temperatura para o corpo que apresenta maior
escalas Fahrenheit (θF) e Celsius (θC). temperatura. Os termômetros no Brasil utilizam a
escala Celsius, que é dividida por 180;

IV. A temperatura absoluta do corpo, dada na


escala Kelvin, é obtida através de um
termômetro a gás que mede o calor propagado
pelo corpo. Ou seja, apenas o termômetro a gás
mede o calor absoluto do corpo.

Assinale a alternativa que apresenta o(s) resumo(s)


com conceitos CORRETOS.

a) Apenas I;
Assim, sabendo que a temperatura média na
superfície de Titã é de aproximadamente –180ºC, b) Apenas II e IV;
essa temperatura, expressa na escala Fahrenheit,
corresponde a: c) Apenas I, III e IV;

a) –102ºF. d) Apenas IV;

b) –68ºF. e) Todos os resumos estão corretos.

c) –292ºF.
7. (UFPR) Vários turistas frequentemente têm
d) –324ºF. tido a oportunidade de viajar para países que
utilizam a escala Fahrenheit como referência
e) –412ºF. para medidas da temperatura.
Considerando-se que quando um termômetro
graduado na escala Fahrenheit assinala 32ºF,
5. (UERJ) Com o aumento do efeito estufa, a chuva essa temperatura corresponde ao ponto de gelo,
ácida pode atingir a temperatura de 250ºC. e quando assinala 212ºF, trata-se do ponto de
vapor. Em um desses países, um turista
Na escala Kelvin, esse valor de temperatura observou que um termômetro assinalava
102 corresponde a: temperatura de 74,3ºF. Assinale a alternativa
que apresenta a temperatura, na escala Celsius,
a) 212 correspondente à temperatura observada pelo
turista.
b) 346
a) 12,2ºC.
c) 482
b) 18,7ºC.
d) 523
c) 23,5ºC.

6. (UNESPAR) Depois de ministrar o conteúdo d) 30ºC.


sobre calor e temperatura, o professor divide
os alunos em 4 grupos para que elaborem um e) 33,5ºC.
resumo sobre suas principais conclusões a respeito
dos fundamentos desses conceitos.
8. (UNESPAR) Sabemos que a temperatura do
I. Sabemos que calor é uma das formas de corpo humano pode ser considerada normal se
energia que se propaga na forma de ondas estiver entre 36°C e 37,5°C.
eletromagnéticas. Num meio material, o calor
pode se propagar por condução ou convecção. Imagine que você esteja viajando ao exterior,
Os termômetros medem o grau de agitação das num país onde a temperatura utilizada é o °F
moléculas, grandeza que caracteriza a (Fahrenheit), e utiliza um termômetro nesta
temperatura do corpo; escala para medir sua temperatura corporal.
Analise as afirmativas a seguir:
II. O termômetro é um instrumento que
quantifica o calor contido num corpo. Quanto (2) Se sua temperatura for 104°F, você está com
maior a temperatura do corpo, mais calor ele uma temperatura considerada normal.
tem armazenado. Quando o corpo com mais
calor entra em contato com outro com quantidade (4) Se sua temperatura for 104°F, você está com
menor de calor, observa-se uma troca de calor uma temperatura de 40°C (elevada).
entre eles;
(8) Se sua temperatura for 97°F, você está com uma
III. O calor é uma energia em trânsito em temperatura considerada normal.
função da diferença de temperatura entre 2 ou
(16) Se sua temperatura for 97°F, você está com b) a espessura da lâmina feita com o metal A seja
uma temperatura muito elevada. maior que a espessura da lâmina feita com o metal
B.
(32) Se sua temperatura for 98,6°F, você está com
uma temperatura de 37°C (normal). c) a espessura da lâmina feita com o metal A seja
menor que a espessura da lâmina feita com o
Assinale a alternativa que contém o somatório das metal B.
afirmativas INCORRETAS.
d) o coeficiente de dilatação linear do metal A
a) 44; seja maior que o coeficiente de dilatação linear do
metal B.
b) 42;
e) os coeficientes de dilatação linear dos metais A
c) 32; e B sejam iguais.

d) 18;
11. (UFTM) Uma garrafa aberta está quase cheia
e) 20. de um determinado líquido. Sabe-se que se esse
líquido sofrer uma dilatação térmica
correspondente a 3% de seu volume inicial, a
9. (UECE) Em um laboratório industrial, existe garrafa ficará completamente cheia, sem que
um recipiente de vidro que está completamen- tenha havido transbordamento do líquido.
te cheio com um volume V de mercúrio a 20°C.
Determine, aproximadamente, o percentual do vo-
lume de mercúrio que extravasa, em função de V,
quando o conjunto é aquecido a 140°C.

Dados: Coeficiente de dilatação linear do


mercúrio = 61,0 x 10-6 °C-1 Coeficiente de dilatação
linear do vidro = 9,0 x 10-6 °C-1.

a) 3%V Desconsiderando a dilatação térmica da


garrafa e a vaporização do líquido, e sabendo que
b) 2%V o coeficiente de dilatação volumétrica do
líquido é igual a 6 × 10–4 °C–1, a maior 103
c) 2,5%V variação de temperatura, em °C, que o líquido
pode sofrer, sem que haja transbordamento, é
d) 3,5%V igual a:

a) 35.
10. (VUNESP) Leia o texto para responder à questão.
b) 45.
O termostato bimetálico de encosto é muito
utilizado para controlar a temperatura em alguns c) 50.
aquecedores elétricos de uso comercial e pode
apresentar, em alguns modelos, uma corrente d) 30.
elétrica de 10A para uma tensão de 250V. Seu
funcionamento baseia-se na dilatação e) 40.
térmica e pode ser representado pelo esquema
a seguir, em que a lâmina bimetálica, formada
pelos metais A e B, é fixa no suporte de apoio 12. (FAMERP) Na ponte Rio-Niterói há
e se curva quando aquecida a uma temperatura aberturas, chamadas juntas de dilatação, que
T > T0, afastando-se da superfície de contato têm a função de acomodar a movimentação das
e interrompendo a passagem de corrente elétrica estruturas devido às variações de temperatura.
por eles.

De acordo com as informações, para que o


termostato funcione corretamente, é necessário
que:
De acordo com a empresa que administra a
ponte, no trecho sobre a Baía de Guanabara as
a) o coeficiente de dilatação linear do metal A seja
juntas de dilatação existem a cada 400m,
menor que o coeficiente de dilatação linear do
com cerca de 12cm de abertura quando a
metal B.
temperatura está a 25ºC. Sabendo que o
coeficiente de dilatação linear do material que 15. (UFPR) Um pesquisador, investigando
compõe a estrutura da ponte é 1,2 × 10–5 ºC–1 , a propriedades ligadas à dilatação de
máxima temperatura que o trecho da ponte sobre materiais, fez experimentos envolvendo dois
a Baía de Guanabara pode atingir, sem que suas materiais (X e Y), que foram aquecidos numa dada
partes se comprimam umas contra as outras, é: faixa de temperatura enquanto seus volumes foram
medidos. Sabe-se que ele usou a mesma
a) 70ºC. quantidade de massa para os materiais,
sendo que o material X é líquido e o Y é sólido.
b) 65ºC. O pesquisador construiu, então, o gráfico abaixo,
no qual são apresentadas as curvas de volume (V)
c) 55ºC. em função da temperatura (T) para os materiais
X (linha cheia) e Y (linha pontilhada).
d) 50ºC.

e) 45ºC.

13. (UECE) Um varal de roupas é construído com um


cabo de aço longo, muito fino e flexível. Em dias de
calor intenso, há dilatação térmica do cabo. Assim,
é correto afirmar que, para uma dada massa presa
ao centro do varal, a tensão no cabo de aço:

a) é maior em um dia quente comparada a um dia Com relação ao assunto, identifique como
frio. verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes
afirmativas:
b) é menor em um dia quente comparada a um dia
frio. I. ( ) Os dois materiais têm mesma densidade em
T = 0ºC.
c) não depende do efeito de dilatação térmica.
II. ( ) À medida que a temperatura aumenta, o
d) depende do efeito de dilatação térmica, mas não material Y se contrai até T = 10ºC, e somente a
depende do valor da massa pendurada. partir dessa temperatura passa a dilatar-se.

104 III.( ) Em T = 5ºC, um objeto maciço feito do


14. (UFRGS) Uma barra metálica de 1m de material Y, se for colocado dentro de um
comprimento é submetida a um processo de recipiente contendo o material X, afunda
aquecimento e sofre uma variação de temperatura. quando sujeito apenas a forças gravitacionais
O gráfico abaixo representa a variação Δl, em mm, e a forças exercidas pelo material X.
no comprimento da barra, em função da variação
de temperatura ΔT, em °C. Assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta, de cima para baixo.

a) V – F – V.

b) F – V – F.

c) V – V – F.

d) F – F – V.

e) V – V – V.

Qual é o valor do coeficiente de dilatação


térmica linear do material de que é feita a barra,
em unidades 10-6/°C?

a) 0,2.

b) 2,0.

c) 5,0.

d) 20.

e) 50.
PROBLEMATIZAÇÃO 2

A comida tá esfriando muito rápido!


Lucas estava ansioso para o almoço. Sua mãe havia preparado uma
deliciosa sopa de legumes, quentinha e reconfortante. Mas ao sentar
à mesa, percebeu que a sopa já estava morna. Intrigado, começou
a pensar: por que a sopa esfriava tão rápido? Afinal, havia acabado
de sair do fogão! Lembrou-se de ter visto sua mãe colocando a sopa
em um prato raso. Seria esse o motivo?

Decidido a manter sua sopa quentinha por mais tempo, Lucas


começou a observar sua família. Seu pai, por exemplo, sempre
colocava café em uma caneca com tampa. Será que a
tampa ajudava a manter o café quente por mais tempo? Com essas
perguntas em mente, Lucas decidiu fazer alguns experimentos para
descobrir o que acontecia com a temperatura dos líquidos e como
ele poderia mantê-los quentes por mais tempo.

PARA REFLETIR!

1. Por que a sopa de Lucas esfria tão rapidamente? Quais fatores podem influenciar a perda de calor
dos alimentos?

2. Quais materiais ou recipientes podem ajudar a manter os alimentos quentes por mais tempo?
Como as propriedades dos materiais podem influenciar a troca de calor? 105

3. Como a temperatura ambiente pode afetar a velocidade com que um alimento esfria? Qual a rela-
ção entre a temperatura do ambiente e a taxa de transferência de calor?

4. Quais outras situações do dia a dia envolvem a troca de calor? Como podemos aplicar os conheci-
mentos sobre calorimetria para resolver problemas do cotidiano?

A história de Lucas nos leva a refletir sobre um


fenômeno do nosso dia a dia: a perda de calor
dos alimentos. Ao tentar entender por que sua
sopa esfria tão rápido, Lucas está, na verdade,
investigando os princípios da calorimetria.
Neste capítulo, vamos estudar a quantidade de
calor sensível e latente, além da equação
fundamental da calorimetria, ferramentas
essenciais para compreendermos as trocas de
calor que ocorrem em nosso cotidiano, como
no caso da sopa de Lucas.

Bons estudos!
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2

2. CALORIMETRIA
Em que:

PARTE I
C é a capacidade térmica;

Q é a quantidade de calor;

Conforme visto anteriormente, calor é a transferên- ∆T é a variação de temperatura.


cia de energia térmica entre corpos que se encon-
tram A unidade usual de capacidade térmica é cal/°C,
inicialmente com temperaturas diferentes. Nesse e no SI é J/K.
tópico, serão estudadas as trocas de calor entre os
corpos e seus efeitos, como mudança de estado fí- b) Calor específico (c) – É a quantidade de calor
sico e variações de temperatura. necessária para elevar em 1°C a temperatura de
uma unidade de massa desse material.

2.1. Unidade de quantidade de


calor 2.4. Equação Fundamental da
Calorimetria
Uma unidade bastante usual para quantidade de
calor é a caloria (cal). A caloria é definida como a A principal equação da calorimetria é a que
quantidade de calor necessária para aumentar a relaciona a quantidade de calor (Q), com
temperatura de 1g de água de 14,5°C para 15,5°C. massa (m), calor específico (c) e variação de
No SI, no entanto, a unidade de quantidade de temperatura (∆T). O calor específico é uma
calor é o Joule (J), em homenagem à James característica da substância e sua unidade no SI é
Prescott Joule, que foi o primeiro a provar a dada por J × K-1 × kg-1.
equivalência entre o calor e a energia mecânica.

A relação de conversão entre caloria e joule é: Q = m ∙ c ∙∆T

106 1cal = 4,186J


2.5. Trocas de calor
2.2. Calor sensível e calor
latente Considere dois corpos com temperaturas
diferentes, num sistema termicamente isolado.
Sabe-se que entre os corpos ocorre uma troca
Quando um corpo recebe calor, duas situações são de calor até que cheguem ao equilíbrio térmico.
possíveis: A quantidade de calor recebida por um é igual à
quantidade de calor cedida pelo outro.
a) Mudança na sua temperatura;
Lembre-se que: Qrecebido>0 e Qcedido<0
b) Mudança no seu estado físico.
Em um sistema de muitos corpos
No primeiro caso, quando há apenas a mudança termicamente isolados, podemos dizer que a
na temperatura, o calor que produz a variação é somatória das quantidades de calor trocadas por
chamado de calor sensível. No segundo caso, o eles é igual a zero.
calor é denominado calor latente.

∑Q = 0
T

2.3. Capacidade térmica e calor Ou ainda:


específico
Q1 + Q2 + Q3 + ... + Qn = 0
a) Capacidade térmica – Capacidade térmica é a
quantidade de calor necessária para elevar em 1°C
a temperatura de um corpo.

C = Q/∆T
RESUMO EXERCÍCIOS
Calorimetria - Parte I

Calor – Energia térmica em trânsito. 16. (FUVEST)

a) Quantas calorias são necessárias para se


Atenção – O calor está sempre fluindo do aquecer 200 L de água, de 15 °C a 70 °C?
corpo de maior temperatura para o de menor
temperatura, o que implica em um processo
contínuo de transferência de energia, por isso não
podemos dizer que um corpo ou sistema possui
calor.

O calor sempre flui do corpo com maior b) Qual a potência média necessária para realizar
energia para o de menor temperatura, em busca essa operação em 3 horas?
do equilíbrio térmico e, quando o atinge, o fluxo de
calor termina.

Calor sensível – É o calor cedido ou recebido quan-


do um corpo sofre variação de temperatura.
17. (UFPR) A uma caneca contendo 50ml de café,
inicialmente a 70ºC, adicionam-se 5g de um
Capacidade Térmica (C) – É o resultado da divisão adoçante, inicialmente a 28ºC. Considere o
entre a quantidade de calor (Q), e a variação de calor específico do café igual a 1 cal/(g.ºC), o do
temperatura (∆T). C = Q/∆T adoçante igual a 2cal/(g.ºC) e a
densidade do café igual a 1 g/ml. Despreze as
trocas de calor com a caneca e com o
Calor Específico (c) – É a capacidade térmica por ambiente. Determine a temperatura final da
unidade de massa de um corpo. Fisicamente pode mistura, expressando-a em graus Celsius.
ser interpretada como a dificuldade de um corpo 107
de elevar sua temperatura em uma unidade de
temperatura.

Q = m ∙ c ∙ ∆T

18. Assinale V para verdadeiro e F para falso.


Princípio da Troca de Calor - Em um sistema
isolado, a somatória da quantidade de calor ( ) A caloria, embora seja uma unidade bastante
trocada corpo deve ser nula. usual na calorimetria, não é a unidade de calor no
Sistema Internacional.
Q1 + Q2 + ... + Qn = 0
( ) A kcal é uma unidade múltipla da caloria.

( ) O calor sensível é responsável por variar a fase


ANOTAÇÕES de uma substância e sua expressão é dada por:
Q = m ∙ c ∙ ∆T

( ) A capacidade térmica é a razão entre a


quantidade de calor fornecida a um corpo e sua
variação de temperatura.

( ) Num sistema termicamente isolado, a


quantidade de calor recebida por um corpo nem
sempre é igual à quantidade de calor cedida por
outro.

( ) Durante uma mudança de fase, a temperatura


de uma substância permanece constante.

19. (UFPR) Duas xícaras idênticas foram


preenchidas com volumes iguais de água. Elas
foram mantidas isoladas uma da outra e,
após um certo tempo, atingiram diferentes
temperaturas de equilíbrio com seus respectivos energia fornecida pelo aquecedor foi transferida
volumes de água. Em seguida, as xícaras com água sem perdas para o gelo. Os calores específicos
foram colocadas dentro de uma caixa forrada de gelo e água líquida são cgelo = 0,5cal/gºC e
por um isolante térmico, sendo cágua = 1,0cal/gºC, e podem ser supostos
posicionadas de forma a não se tocarem. constantes na faixa de temperatura considerada.
Inicialmente, a temperatura do ar no interior da Além disso, os calores de fusão do gelo e ebulição
caixa era menor que a temperatura da xícara mais da água são lfusão = 80cal/g e lebulição = 540cal/g.
fria. Depois de ocorrido o equilíbrio térmico do Sabe-se que o aquecedor forneceu uma
sistema no interior da caixa, tendo-se verificado energia total de valor Q = 84kJ. Se necessário, use
que nenhum dos dois volumes de água manteve a conversão 1 cal = 4,2J. O sistema está ao nível do
sua temperatura original, é correto afirmar: mar, sujeito à pressão atmosférica usual de 1 atm,
e onde a água evapora a 100°C e solidifica a 0°C.
a) Todo o calor fornecido pela água mais quente foi
transferido para a água mais fria. a) Determine a temperatura final Tf da massa de
água após a transferência de energia.
b) Houve diminuição da pressão do ar no interior da
caixa térmica.

c) As temperaturas de ambas as xícaras


diminuíram.

d) As temperaturas das xícaras ficaram iguais à b) Determine o intervalo de tempo ∆t em que o


temperatura do ar no interior da caixa térmica. aquecedor ficou ligado.

e) Não houve variação da temperatura do ar no


interior da caixa térmica.

20. (UFPR) Numa garrafa térmica há 100g de 23. (UECE) A garrafa térmica foi inventada por
leite à temperatura de 90ºC. Nessa garrafa são Sir James Dewar em 1892 e tornou-se uma
adicionados 20g de café solúvel à temperatura de ferramenta de uso fundamental em
20°C. O calor específico do café vale 0,5 cal/(gºC) e laboratório. Após seu aprimoramento pelos
o do leite vale 0,6 cal/(g°C). A temperatura final do fabricantes de vidro alemães Reinhold Burger e
café com leite é de: Albert Aschenbrenner, seu uso doméstico se
tornou essencial na manutenção de bebidas
108 a) 42ºC. quentes ou frias. Um cozinheiro tem à sua
disposição duas garrafas térmicas idênticas de
b) 50ºC. capacidade térmica desconhecida e mantidas
a uma temperatura ambiente de 20°C. Uma das
c) 60ºC. garrafas térmicas recebe 180g de água a uma
temperatura de 60°C. Antes do preparo de um chá
d) 67ºC. com água dessa garrafa, o cozinheiro verifica que
a água está a 56°C, temperatura de equilíbrio. A
e) 80ºC. segunda garrafa recebe 180g de água a 2°C,
que será utilizada no preparo de um suco. Após
equilíbrio térmico, a água na segunda garrafa
21. (UFPR) Um ferreiro aquece uma ferradu- estará a uma temperatura, em °C, de:
ra de ferro (calor sensível igual a 0,12cal/g°C)
com massa de 0,2kg e, em seguida, a resfria num a) 5,4.
recipiente com 1 litro de água
(densidade da água igual a 1g/cm³), inicialmente b) 7,6.
com temperatura igual a 30°C. Após a
ferradura entrar em equilíbrio térmico com a c) 3,8.
água, verifica-se que o conjunto atinge 36°C.
Desprezando-se as perdas de calor, qual era a d) 4,2.
temperatura da ferradura imediatamente antes de
o ferreiro a colocar na água?
24. (UECE) Uma certa quantidade de água
contida em um recipiente é aquecida a
partir da chama de um fogão a gás liquefeito
de petróleo (GLP), popularmente conhecido como
gás de cozinha. Quando queimado em fogo
baixo, em um fogão convencional, esse gás
22. (UFPR) Um aquecedor elétrico de apresenta um consumo de 0,2kg por hora, com
potência constante P = 2100W foi utilizado uma capacidade de transferência de
para transferir energia para uma massa de 11.000Kcal/Kg. Considerando o calor específico da
água na forma de gelo de valor m = 200g, cuja água igual a 1 cal/gºC e que 80% da energia da
temperatura inicial era T0 = 0°C. Essa massa de chama é transferida para esse líquido, a massa de
gelo está colocada num recipiente de capacidade água aquecida em 50ºC, após 30min de exposição
térmica desprezível e, por hipótese, toda a à chama, corresponde, em kg, a:
a) 17,6. c) 330 g.

b) 22. d) 520 g.

c) 35,2. e) 280 g.

d) 44.
28. (UEA) Em um recipiente termicamente isolado,
foram misturados o conteúdo total de dois copos, A
25. (FUVEST) Um bom café deve ser preparado e B, com água. As águas contidas nos copos A e B
a uma temperatura pouco acima de 80ºC. Para estavam, inicialmente, às temperaturas de 20 ºC e
evitar queimaduras na boca, deve ser consumido a de 90 ºC, respectivamente. Sabendo que, depois de
uma temperatura mais baixa. Uma xícara contém atingido o equilíbrio térmico, a mistura estava a 40
60 mL de café a uma temperatura de 80ºC. Qual a ºC e considerando que tenha havido troca de calor
quantidade de leite gelado (a uma apenas entre essas duas massas de água, a razão
temperatura de 5ºC) deve ser misturada ao café m_A/m_B entre as massas de água contidas ini-
para que a temperatura final do café com leite seja cialmente nos copos A e B é:
de 65ºC?
a) 2,5.
Note e adote: Considere que o calor específico e a
densidade do café e do leite sejam idênticos. b) 3,0.

a) 5 mL c) 2,0.

b) 10 mL d) 3,5.

c) 15 mL e) 4,0.

d) 20 mL
29. (FAMEMA) Considere que um fogão forneça
e) 25 mL um fluxo constante de calor e que esse calor seja
inteiramente transferido da chama ao que se
deseja aquecer. O calor específico da água é
26. (FAMEMA) Em uma bolsa térmica foram 1,00cal/(g ∙ ºC) e o calor específico de
despejados 800mL de água à determinado óleo é 0,45cal/(g ∙ ºC). Para que 1000g
temperatura de 90ºC. Passadas algumas de água, inicialmente a 20 ºC, atinja a temperatura
109
horas, a água se encontrava a 15 ºC. Sabendo que de 100ºC, é necessário aquecê-la por cinco minutos
o calor específico da água é 1,0cal/(g ∙ ºC), que a sobre a chama desse fogão. Se 200 g desse óleo for
densidade da água é 1,0g/mL e admitindo que 1 cal aquecido nesse fogão durante um minuto, a
equivale a 4,2J, o valor absoluto da energia térmica temperatura desse óleo será elevada em,
dissipada pela água contida nessa bolsa térmica aproximadamente:
foi, aproximadamente:
a) 120 ºC.
a) 50 kJ.
b) 180 ºC.
b) 300 kJ.
c) 140 ºC.
c) 140 kJ.
d) 160 ºC.
d) 220 kJ.
e) 100 ºC.
e) 250 kJ.

30. (UNICAMP) Na depilação, o laser age no interior


27. (FAMERP) Colocou-se certa massa de água da pele, produzindo uma lesão térmica que queima
a 80ºC em um recipiente de alumínio de massa a raiz do pelo. Considere uma raiz de pelo de massa
420g que estava à temperatura de 20ºC. Após certo m = 2, 0 x 10−10kg inicialmente a uma temperatura
tempo, a temperatura do conjunto atingiu o T = 36oC que é aquecida pelo laser a uma
equilíbrio em 70ºC. Considerando que a temperatura final Tf = 46°C. Se o calor específico da
troca de calor ocorreu apenas entre a água e o raiz é igual a c = 3000J/(kgoC), o calor absorvido
recipiente, que não houve perda de calor para pela raiz do pelo durante o aquecimento é igual a:
o ambiente e que os calores específicos do
alumínio e da água sejam, respectivamente, a) 6,0 x 10-6J.
iguais a 9,0 × 102J/(kg ∙ ºC) e 4,2 × 103 J/(kg ∙ ºC), a
quantidade de água colocada no recipiente foi: b) 6,0 x 10-8J.

a) 220 g. c) 1,3 x 10-12J.

b) 450 g. d) 6,0 x 10-13J.


PROBLEMATIZAÇÃO 3

A Casa que Nunca Fica na Temperatura


Ideal
Felipe adorava o conforto de sua casa, mas
estava sempre ajustando o termostato. No inverno, a casa
demorava para esquentar, e no verão, era
difícil manter o ambiente fresco. Ele já havia verificado o
isolamento das paredes e trocado os filtros do ar
condicionado, mas o problema persistia. Intrigado,
Felipe começou a pensar: o que poderia estar causando
essa instabilidade na temperatura da casa? Será que o
sistema de aquecimento e ar-condicionado não
estava dimensionado corretamente? Ou talvez houvesse
algum vazamento de ar em algum lugar da casa.
Felipe, então, começou a pesquisar sobre os
sistemas de climatização e os fatores que influenciam
a eficiência energética de uma casa.

PARA REFLETIR!

1. Quais os fatores que podem influenciar a temperatura interna de uma casa além do sistema de
aquecimento e ar-condicionado?

110
2. Como a umidade do ar pode afetar a percepção térmica de um ambiente?

3. Como a localização geográfica pode influenciar a necessidade de aquecimento e resfriamento de


um ambiente?

4. Você já sofreu com climas muito quentes ou muito secos? Conhece alguém que já sofreu com
esses problemas? Que tipos de sintomas aparecem nesses casos? Como lidar com eles? Debata
com seus colegas!

Já se perguntou por que o suor nos refresca ou como funciona uma geladeira?
Neste capítulo, desvendaremos os mistérios por trás desses fenômenos, explorando
as mudanças de estado físico da matéria e os processos de transmissão de calor.
A partir da experiência de Felipe em busca do conforto térmico em sua casa,
vamos investigar como esses conceitos estão presentes em nosso cotidiano e como
podemos aplicá-los para resolver problemas práticos e, é claro, do vestibular!

Bons estudos!
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3

3. CALORIMETRIA
PARTE II

3.1. Calor latente


A matéria, de acordo com o estado de agregação das moléculas, apresenta-se em três fases: sólido,
líquido e gasoso. Há ainda outros estados da matéria, o plasma e o condensado de Bose-Einstein, porém
não estudamos esses estados no ensino médio. Quando um corpo cede ou recebe calor, poderá sofrer
mudança de fase.

A imagem a seguir, representa as possíveis


mudanças de fase.

Legenda: Mudanças de estado Crédito: Imagem produzida pelo autor.


físico da matéria.
111
Quando há mudanças de estado, a quantidade de calor de um corpo é o calor latente e representa a quanti-
dade de calor necessária para mudar a fase de determinada substância. Experimentalmente, pode-se verifi-
car que Q é proporcional à massa m, então:

QL = m ∙ L

Em que:

QL é a quantidade de calor latente;

m é a massa;

L é o calor latente, cuja unidade no SI é J/kg.

Considerando-se um cubo de gelo que se encontra a uma temperatura de -10°C, e recebe calor de uma
fonte térmica até que atinja a temperatura de 20°C, é possível construir um esquema o qual mostra como a
situação deve ser interpretada, veja a seguir como funciona:

Legenda: Mudança de fase. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

1. O gelo recebe calor e sua temperatura muda (-10°C – 0°C – calor sensível);

2. O gelo se funde (temperatura constante – calor latente);

3. A água, recebe calor e sua temperatura aumenta. (0 °C – 20 °C – calor sensível).


É importante ressaltar que quando há mudança de estado físico de substâncias simples, não há variação de
temperatura.

O gráfico de t0emperatura versus tempo abaixo ilustra como os corpos sem comportam na mudança de fase.

Legenda: Diagrama de mudança de estado Crédito: Imagem produzida pelo autor.


físico de uma substância simples.

3.2. Propagação de calor


Sabe-se que o calor é a energia térmica que se propaga de um corpo de maior para um corpo de menor
temperatura.

O calor é capaz de se propagar de três maneiras: por condução, por convecção e por irradiação.

112
3.2.1. Condução térmica
É o processo de propagação do calor que ocorre quando a energia é transportada de partícula em partícula
através de vibrações sem que nenhuma delas seja deslocada.

Quando seguramos uma colher nas proximidades de uma chama, passado algum tempo, o cabo esquenta e
não podemos mais segurá-la. Dizemos então que nessa situação o calor se propagou através da condução
térmica. É graças ao processo de condução térmica que podemos cozinhar com panelas.

3.2.2. Convecção térmica


A convecção é o processo de transferência de
calor através do transporte de matéria devido a
uma diferença de densidade ocasionada por
distintas temperaturas. É importante salientar que a
convecção térmica não pode ocorrer nos sólidos,
apenas nos líquidos e nos gases.

3.2.3. Irradiação térmica


É o processo de propagação do calor por meio de
ondas eletromagnéticas.
RESUMO EXERCÍCIOS
Calorimetria - Parte I

Calor Latente – Quantidade de calor fornecida 31. Assinale V para verdadeiro ou F para falso:
ou retirada de um corpo para que ocorra a
mudança de fase. ( ) A condução térmica é o único processo de
transmissão de calor que não ocorre no vácuo.
Atenção – Durante a mudança de fase não há
variação de temperatura. Q = m ∙ L ( ) Os aparelhos de ar-condicionado devem ser
colocados em lugares altos em regiões quentes.

Meios de propagação do calor ( ) Nos refrigeradores, o congelador localiza-se na


parte superior do equipamento para facilitar
Condução – Na condução de calor, a energia a convecção térmica.
térmica é transmitida de partícula para
partícula (átomos, moléculas ou elétrons) pela ( ) A inversão térmica é consequência da falta de
colisão direta das mesmas. No vácuo o calor não correntes de convecção que ajudam a dispersar
pode se propagar por condução. os gases poluentes da atmosfera.

( ) A irradiação pode explicar o funcionamento de


Convecção - Convecção é o movimento de fluidos uma estufa de plantas.
fora de equilíbrio térmico, por causa das diferentes
densidades do fluido. ( ) Na garrafa térmica, as paredes espelhadas
servem para evitar a transmissão de calor por
irradiação.
Irradiação – A radiação de calor é o
processo de transmissão de energia através de
ondas eletromagnéticas. Este tipo de transferência 32. (UNICAMP) Num laboratório de
de energia pode ocorrer no vácuo. Todos os objetos termodinâmica foi feito um experimento de
acima do zero absoluto irradiam energia. calorimetria no qual 30g de gelo foram
transformadas em água, obedecendo a curva de 113
aquecimento fornecida no gráfico a seguir. De
ANOTAÇÕES acordo com o experimento, assinale a alternativa
correta.

a) O calor específico do gelo é 1,0 cal/g .°C.

b) O calor latente de fusão do gelo é 80,0 cal/g.

c) O calor específico da água é 0,5 cal/g .°C.

d) Para transformar gelo em água sem alterar a


temperatura, é preciso uma quantidade de calor
igual a 2700cal.

33. (UFPR) Com relação aos processos de


transferência de calor, considere as seguintes
afirmativas:

1. A condução e a convecção são


processos que dependem das propriedades do
meio material no qual ocorrem.

2. A convecção é um processo de transmissão


de calor que ocorre somente em metais.
3. O processo de radiação está relacionado 36. (UFTM) Leia a tirinha.
com a propagação de ondas eletromagnéticas.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.

b) Somente a afirmativa 2 é verdadeira.

c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.

d) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.

e) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.

34. (UFV) Os sistemas podem ser classificados


Considere que o menino tenha passado alguns
em dois tipos principais: sistemas heterogêneos e
minutos do lado de fora da casa e que, ao
homogêneos. Em recipiente contendo água e
retornar, ela lhe tenha parecido quente e agradável.
álcool deseja-se utilizar o aquecimento solar para
A explicação física para esse fato é a de que o corpo
a evaporação do álcool. O procedimento consiste
do menino, ao entrar em casa:
em colocar o recipiente em exposição ao sol e
aguardar.
a) passa a perder frio numa taxa menor para o
meio externo do que quando estava do lado de fora
Assinale o tipo de sistema produzido pelos
da casa.
componentes água e álcool e a forma de
transmissão do calor do sol para esse sistema:
b) passa a perder calor numa taxa menor para o
meio externo do que quando estava do lado de fora
a) Homogêneo e Radiação
da casa.
b) Homogêneo e Condução
c) deixa de perder calor e passa a perder frio para
o meio externo.
c) Heterogêneo e Convecção
d) deixa de receber frio, como acontecia do lado de
d) Heterogêneo e Sublimação
114 fora da casa, e passa a receber calor do meio ex-
terno.
35. (IFRS) Um copo com 300g de água foi
e) deixa de receber calor do meio externo e passa a
colocado sobre a mesa da cozinha no início da
perder frio para o meio externo.
manhã e ali permaneceu até ao meio dia, horário
em que a temperatura estava 30°C. Para tomar
essa água gelada, um estudante colocou a água
37. (UEA) A seguir estão descritos três processos de
do copo e dois cubos de gelo em um recipiente
transmissão de calor, I, II e III:
termicamente isolado e aguardou o sistema
entrar em equilíbrio térmico. Sabe-se que esse
• I. transferência de calor por meio de ondas
conjunto estava submetido à pressão de 1atm , que
• eletromagnéticas viajando com a velocidade
o Calor Latente de Fusão do gelo é LF = 80cal/g , que
da luz, podendo ocorrer mesmo no vácuo.
o Calor Específico do Gelo é
cgelo = 0,5cal / g . ºC , que o Calor Específico da água
• II. transferência de calor dentro de um fluido
é cágua = 1cal / g . ºC , que os dois cubos de gelo
por meio do movimento do próprio fluido.
estava inicialmente a 0°C e que cada um possuía
massa de 50g.
• III. transferência da energia cinética dos
• átomos e moléculas por colisões entre átomos
No final do processo, a temperatura da água
e moléculas vizinhas.
resultante do equilíbrio térmico foi igual a:
Na figura, estão representados os três processos
a) 0,00°C.
descritos, identificados pelas letras A, B e C.
b) 2,50°C.

c) 20,5°C.

d) 22,5°C.
Assinale a alternativa que apresenta a relação b) 60,0.
entre os números que descrevem os processos e as
letras que os representam na figura. c) 54,8.

a) I-B; II-C; III-A d) 50,0.

b) I-C; II-A; III-B e) 37,7.

c) I-C; II-B; III-A

d) I-A; II-B; III-C ANOTAÇÕES


e) I-A; II-C; III-B

38. (FASM) Uma máquina produz 2,0kg de gelo em


uma hora quando a temperatura inicial da água
é 25oC. Sendo o calor específico da água igual a
1,0cal/goC e o calor latente de fusão do gelo igual
a 80cal/g, a taxa média, em cal/min, com que a
máquina retira calor da massa de água, desde a
temperatura inicial até convertê-la toda em gelo a
0oC, é igual a:

a) 2,7 × 10³.

b) 8,3 × 104.

c) 8,3 × 102.

d) 3,5 ×101.

e) 3,5 × 103.

39. (FUVEST) Em uma garrafa térmica, são


115
colocados 200g de água à temperatura de 30° C e
uma pedra de gelo de 50 g, à temperatura de –10°C.
Após o equilíbrio térmico,

Note e adote: calor latente de fusão do gelo 80cal/g;


calor específico do gelo = 0,5 cal/g °C; calor
específico da água = 1,0 cal/g °C.

a) todo o gelo derreteu e a temperatura de


equilíbrio é 7°C.

b) todo o gelo derreteu e a temperatura de


equilíbrio é 0,4°C.

c) todo o gelo derreteu e a temperatura de


equilíbrio é 20°C.

d) nem todo o gelo derreteu e a temperatura de


equilíbrio é 0°C.

e) o gelo não derreteu e a temperatura de equilíbrio


é –2°C.

40. (UFRGS) Uma quantidade de calor Q = 56.100,0J


é fornecida a 100g de gelo que se encontra
inicialmente a -10°C.

Sendo o calor específico do gelo cg = 2,1 J/(g°C), o


calor específico da água ca = 4,2 J/(g°C) e o calor
latente de fusão CL = 330,0J/g, a temperatura final
da água em °C é, aproximadamente,

a) 83,8.
GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
C 24 A C C * 108°C D B A
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
B D C D * C B E C *
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
* * 63°C * D E E C 286°C *
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
* 24 D * B B B E A D

6.
• a) 12,5°M

• b) 50°M

15.
• a) 104,5L
116
• b) R$291,55

20. a =3 ∙ 10-6 °C-1

21. 3 ∙ 10-5 °C-1

22.
• a) 4.62 ∙ 107J

• b) P = 4300W

24. V, V, F, V, F, V

30.
• a) Tf = 20°C

• b) ∆T = 40s

31. F, V, V, V, V, V

34. O carro fica mais aquecido devido ao micro


efeito estufa ocorrido ali. O calor entra no carro
através de irradiação, com as ondas
eletromagnéticas, e apenas uma parcela dessas
ondas saem, fazendo com que o calor seja maior
dentro do veículo.
Introdução às Funções

117
MATEMÁTICA - FUNÇÕES
AUTOR: Tiago Augusto Skroch de Almeida

SUMÁRIO
CRESCIMENTO URBANO: BUSCANDO SOLUÇÕES PARA UM BAIRRO SUSTENTÁVEL

1. Introdução às funções
1.1. Relações e funções
1.1.1. Domínio, Contradomínio e Imagem de uma Relação e Funções
1.1.2. Introdução as Funções
1.1.3. Gráficos de Funções

Resumo

Exercícios

1.2. Função Linear


1.2.1. Gráfico da função linear
1.2.2. Estudo do sinal da função linear

Resumo

Exercícios

1.3. Função Quadrática


1.3.1. Gráfico de uma função quadrática
1.3.2 Estudo do sinal da função quadrática
118
Resumo

Exercícios

1.4. Tipos de Funções


1.4.1. Função Sobrejetora
1.4.2. Função Injetora
1.4.3. Função Bijetora
1.4.4. Função Inversa

Resumo

Exercícios

1.5. Inequações
1.5.1. Encontrando as raízes

Resumo

Exercícios

Gabarito
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Crescimento Urbano: Buscando Soluções para um Bairro Sustentável


Na cidade de Nova Esperança, o bairro Verde estava crescendo rapidamente. Com novas construções e o au-
mento da população, começaram a surgir problemas como alagamentos frequentes, falta de áreas verdes e
um trânsito cada vez mais caótico. Preocupados com a situação, os moradores começaram a exigir soluções
da prefeitura. Para resolver esses problemas, a prefeitura contratou um grupo de engenheiros e matemáticos
para encontrar a melhor forma de planejar o bairro de maneira eficiente.

PARA REFLETIR!

Assim como os moradores do bairro Verde enfrentam as consequências da falta de planejamento ur-
bano, vocês, como pré-vestibulandos, também se deparam com os desafios de escolhas e caminhos
que impactarão seu futuro. A pressão do trânsito caótico do dia a dia pode ser comparada à correria
dos estudos, enquanto os alagamentos inesperados refletem os obstáculos que surgem no caminho. A
organização e o planejamento são essenciais, tanto na cidade quanto na sua preparação para o vesti-
bular, para garantir um futuro mais tranquilo e promissor.
1. Como você se sente em relação a tantas novidades, mudanças e desafios na vida?
2. Crie um desenho que demonstre suas maiores alegrias desse momento de vida, contrabalançando
com os maiores medos que possa ter do futuro. Compartilhe os desenhos com seus colegas, expli-
cando para eles o significado.

Quando você estuda Função Afim ou Função Quadrática, não está apenas resolvendo equações; está aprendendo a mo-
delar situações da vida real. Por exemplo, ao entender como a quantidade de chuva pode ser relacionada ao acúmulo de
água nas ruas, você pode ver como os problemas urbanos não são apenas números, mas desafios que requerem soluções
práticas e inteligentes. Da mesma forma, as inequações podem ajudar a modelar e resolver problemas com restrições. Se
você precisa saber quantos materiais pode comprar com um orçamento limitado, a inequação 15x≤200 pode ser usada
119
para determinar o número máximo de itens que você pode adquirir.
Além disso, Classificar Funções e trabalhar com Funções Compostas e Inversas não é apenas um exercício matemático.
Isso ensina você a pensar criticamente, a entender como diferentes fatores se inter-relacionam e como encontrar ca-
minhos alternativos para soluções. Por exemplo, para resolver o problema do trânsito em um bairro, pode-se usar ine-
quações para determinar as capacidades máximas das vias e planejar adequadamente. Em um sentido mais amplo, essas
habilidades são fundamentais para qualquer desafio que você enfrentará, seja na escolha de uma carreira, na resolução de
problemas cotidianos ou na construção do futuro.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. INTRODUÇÃO ÀS FUNÇÕES

1.1. Relações e funções


As funções matemáticas são fundamentais para entender como diferentes elementos do nosso mundo se
conectam. Elas descrevem relações entre variáveis, permitindo prever comportamentos e resultados. No dia a
dia, encontramos funções em diversas situações: no cálculo da conta de luz, que varia conforme o consumo
de energia; no planejamento de uma viagem, onde a distância e o tempo se relacionam; ou até mesmo na
economia, ao entender como a variação de preços impacta o consumo. As funções estão presentes em prati-
camente tudo, ajudando a transformar dados em informações valiosas para a tomada de decisões.

1.1.1. Domínio, Contradomínio e Imagem de uma Relação e Funções


O domínio de uma função é o conjunto de todos os valores possíveis que a variável independente, geralmente
representada por x, pode assumir. Em outras palavras, são as "entradas" válidas para a função. Já o contra-
domínio é o conjunto de todos os valores possíveis que a função pode produzir, conhecido como as "saídas"
teóricas, englobando todos os possíveis resultados, mesmo que nem todos sejam utilizados.
A imagem é o subconjunto do contradomínio que realmente contém os valores que a função atinge. São os
resultados efetivos gerados pela função ao se aplicar o domínio.

Exemplo:
Considere uma relação que associa a cada aluno de uma turma a nota obtida em uma prova. Nesse caso, o
domínio é o conjunto dos alunos dessa turma. O contradomínio é o conjunto de todas as possíveis notas, que
pode ir de 0 a 10. A imagem será formada pelas notas efetivamente obtidas pelos alunos, que são apenas al-
guns elementos dentro do contradomínio.
• Domínio: {Ana, Bruno, Carlos, Diana}
120 • Contradomínio: {0, 1, 2, ..., 10}
• Imagem: {7, 8, 9} (notas obtidas pelos alunos)
Neste exemplo, cada aluno (elemento do domínio) está associado a uma nota (elemento do contradomínio),
e as notas reais geradas pela relação formam a imagem.
Devemos a partir de agora pensar da seguinte forma, se f é uma função, então precisamos de um conjunto
que tomaremos os elementos, esse que chamamos de domínio da função, para que possamos comparar
com outros elementos pela regra da função num outro conjunto que chamamos de contradomínio da função.

1.1.2. Introdução as Funções


Exemplo 1:

Seja f a função que associa cada elemento x do conjunto


N(domínio de f) em um elemento do conjunto R (contradomínio de f) pelo seu triplo. Denotaremos sempre da
seguinte forma:

f ( x ) = 3x
Colocamos x na equação acima para representar que x é um elemento qualquer do domínio da função f.
Pergunta: mas o que f (x) representa?
Lembrando, que uma função nada mais é do que um modo de associar elementos de conjuntos diferentes (ou
às vezes iguais). Nesse caso, elementos do conjunto com elementos do conjunto R .
Nessa função, para cada elemento x do conjunto vamos relacioná-lo com algum elemento de multiplicando
x por 3.
Com qual elemento de , x=1 se relaciona?
f (1) = 3.1
f (1) = 3
Ou seja, no lugar de x na nossa função, simplesmente substituiremos o valor 1.
Encontramos que o número 1, elemento do domínio de f se relacionou com o elemento 3 do contradomínio de
f.
Exemplo 2:
Relacione x = 1, x = 2 e x = -3 com elementos no contradomínio B da função (no qual o B é um conjunto de nú-
meros reais):

f( x ) = 2x + 4

Solução:
Para x=1 teremos:
f (1) = 2.1 + 4 = 6

Para x=2 teremos:


f (2) = 2.2 + 4 = 8

Para x= (-3) teremos:


(−3) = 2.(−3)+4= −6+4= −2

Relacionamos os valores 1,2,-3 do domínio de f com os elementos 6,8,-2 do contradomínio de f, respectiva-


mente.
Significa que os elementos 6,8 e -2 são alguns dos elementos do conjunto imagem de f.
Em outras palavras, quando quisermos associar um valor x do domínio de uma função com um outro valor y
do contradomínio da função, basta substituir o valor corresponde de x na função dada.

Exemplo 3:
Relacione (calcule) os valores

x = 0 ; x = −3 ;

Na função
121
( x ) = x 2 + 3 x −1

Solução:
Primeiro, analisando o domínio da função, veja que podemos tomar valores x apenas números inteiros, logo
não podemos relacionar, por exemplo, com algum elemento do contradomínio da função, pois
Entretanto, podemos relacionar, por exemplo, x=0 e x=(-3) com elementos de , pois ambos os valores são
inteiros.
(0) = 02 +3.0−1= −1

(−3) = (−3)2 + 3.(−3) −1 = 9 − 9 −1 = −1

Veja que ambos os valores x=0 e x=-3 relacionam o mesmo elemento -1 no contradomínio da função.

Exemplo 4:

Seja

Encontre o domínio de f.

Solução:
Quando não especificamos o domínio de uma função, fica subentendido que é o maior conjunto possível que
podemos trabalhar na função.
Veja que no nosso exemplo, podemos calcular os valores da função em qualquer valor x exceto quando x=0.
Veja:

Nesse caso, teríamos uma divisão pelo número 0. Essa divisão não está bem definida, ou seja, não podemos
atribuir um valor a essa divisão. Esse é o único número que dá problema na expressão de f. Então, o domínio da
função será o conjunto de todos os números reais, com exceção do número 0. Usando a notação de conjuntos:
Que significa que o domínio da função f contém todos os valores de x reais, sendo que x deve ser diferente de
0.

Exemplo 5:

Encontre o domínio da função.

Solução:

Como vimos no caso anterior, não faz sentido dividir por 0, então temos que o denominador da fração deve
ser sempre diferente de 0.

Em outras palavras:
x − 3 ≠ 0, então x ≠ 3.

Ou seja, podemos atribuir qualquer valor de x para a função, com exceção do número x=3.

O domínio fica:

Exemplo 6:
Determine o conjunto imagem da função:

h ( x ) = x +1

Solução:
Vemos, primeiramente, que podemos substituir apenas números naturais na função, o menor deles, o número
1. Vemos que a cada número x iremos somar 1 a esse número, nessa função. Veja que o conjunto imagem será:
122 Ih = {2, 3, 4,...}

Ou ainda, na notação de conjuntos:


Ih = {y ∈ |R | y > 1}

Importante lembrar que todo elemento do domínio deve ter imagem no contradomínio de uma função, o que
significa que “não sobram” elementos no domínio.

1.1.3. Gráficos de Funções


Assim como podemos visualizar algebricamente uma função, podemos também na maioria das vezes visua-
lizá-la geometricamente. Essa visualização é chamada de gráfico da função.
O gráfico de uma função é geralmente uma reta, uma parábola, entre outros tipos de “traços”. Esses “traços”
representam todos os valores de y, sendo as imagens em seus respectivos x no domínio da função.

Exemplo 1:

O gráfico da função definida por f ( x)= y= x + 1 é:


A reta indicada com um x se chama eixo das abscissas e a reta indicada com um y se chama eixo das orde-
nadas. Ambas são chamadas Retas Reais, pois elas contêm todos os números reais.
O domínio da função é um subconjunto do eixo x (eventualmente pode ser a reta toda), e o contradomínio da
função é um subconjunto do eixo y (também podendo ser a reta toda).
Veja que o gráfico dessa função é uma reta ilimitada que toca o eixo y em y=1 e toca o eixo x quando x=-1.
Note também que o conjunto imagem da função é um subconjunto do eixo y.
Um ponto sobre essa reta tem sempre a ordenada como sendo um elemento da imagem da função.

Exemplo 2:

O gráfico da função definida por f ( x)= y= x é:

y f ( x) = x

4 (16,4)

2 (4,2)

0 4 16 x

Repare que indicamos pontos nesse gráfico, chamamos um ponto no Plano de par ordenado. Assim, é o local
em que cada par ordenado possui as coordenadas, a abscissa e a ordenada do ponto. Tomando os dois pon- 123
tos indicados no Plano, denotamos os pontos da seguinte forma: temos o ponto (4,2) e o ponto (16,4).
Dessa forma, nesse exemplo não existe gráfico a esquerda do eixo y, isso porque temos valores de x negativos.

Como a função f ( x ) = x tem domínio apenas com valores positivos, então valores negativos não fazem
parte do domínio desta função. Logo, não possuem imagem e nem gráfico nesse lado do eixo x.
Ao conjunto de todos os pares (x, y) chamamos de Plano ou simplesmente de Plano.
Note que o gráfico dessa função cresce à medida que x cresce. Ou seja, quanto maiores os valores de x, maio-
res os valores das imagens da função, e como x pode crescer infinitamente, as imagens também cresceram
infinitamente.
Em outras palavras, o valor das imagens y tendem para infinito quando x tende para infinito.

Exemplo 3:

O gráfico da velocidade (em m/s) de um carro num movimento retilíneo e uniforme em relação ao tempo (em
segundos).

v(t)

t
0 1 2 3 4 5 6
Observe que a velocidade v(t) é sempre uma mesma constante k, pois o movimento é retilíneo e uniforme.
Também repare que não importa a abscissa no eixo t, a ordenada no eixo v(t) é sempre a mesma, chamare-
mos esse tipo de função de função constante.

Exemplo 4:
Esse gráfico abaixo relaciona a altura de uma maré conforme passa o tempo em uma praia. Tomando como
0 a hora inicial do início da observação da variação da altura da maré, 7m como a altura máxima da maré e
3m a altura mínima, teremos um esboço do gráfico, como o abaixo:

A altura da maré varia de forma repetitiva. Chamaremos uma função com um gráfico repetitivo de função
oscilatória ou função periódica.

Exemplo 5:
124
Vamos fazer agora uma análise do gráfico de uma função f :A→ B
Suponha que o gráfico dessa função está indicado pelo tracejado vermelho na figura abaixo:

y
f (x)
5
4
3
2
1
x
-4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6
-1
-2

Vamos identificar alguns pontos que estão no gráfico. Por exemplo, os pontos , (4,0), e (5,1) estão sobre o grá-
fico de f.
Lembremos, que quando escrevemos um par ordenado, a primeira coordenada é um número do eixo x e a
segunda coordenada é um número do eixo y.
Se (1,4) está sobre o gráfico, significa que quando x=1, teremos pela função f que seu y correspondente será 4.

Em outras palavras, f (1) = 4 . Da mesma forma, (4,0) está sobre o gráfico, então f (4) = 0 .
O ponto (2,5) não está sobre o gráfico de f, isso significa que quando x=2, seu corresponde y pela função f não

pode ser 5. Pelo gráfico, vemos que na verdade f (2) = 4 .


Veja então que dado qualquer ponto (x,y) sobre o gráfico, vale então que f ( x ) = y . É importante lembrar
que, como f é uma função, para cada x que tomamos no domínio de f, podemos ter apenas um único y cor-
respondente e é claro que esse ponto (x,y) estará sobre o gráfico. Observe como isso acontece no gráfico de f.
Pelo gráfico observamos também que para qualquer x menor que -4, vemos uma reta decrescente.

A bola fechada em (-4,-2) significa que esse ponto pertence ao gráfico, isto é f (−4) =−2 .
Para x entre -4 e -2 não existe gráfico para a função. Isto significa que a função não está definida para qual-

quer x entre -4 e -2. Em outras palavras, o intervalo ( −4, −2] não está contido no domínio de f. A bola aberta
no ponto (-2,1) significa que esse ponto não está sobre o gráfico. Por isso, no intervalo (-4,2] fechamos em 2,
pois ele também não está no domínio de f, mas x=-4 está.
Com x entre -2 e 1 a função cresce de forma linear e fica constante no intervalo de x=1 até x=3. Em x=3 temos

f (3) = 4 , pois a bola fechada está em (3,4) e não em (3,1). Para qualquer x maior que 3 a função varia de
forma aproximadamente parabólica.
Temos então que:

Dom f = (−∞, −4] ∪ ( −2, +∞ )

Podemos imaginar que o contradomínio de f seja o conjunto de todos os números reais. Mas observe que o
conjunto imagem de f não é o conjunto de todos os reais.
Temos que o gráfico de f não atinge nenhum y menor que -2. Qualquer outro y acima deste possui um x do
domínio de f que é levado nesse y. Deste modo:

Im f = [−2, +∞) .

RESUMO 125

Domínio, Contradomínio e Imagem

• Domínio: Conjunto de todos os possíveis valores de entrada (x) que podem ser usados na função.

• Contradomínio: Conjunto de todos os possíveis valores de saída (y) que podem ser obtidos a partir da função.

• Imagem: Subconjunto do contradomínio, representando os valores efetivamente obtidos a partir do domínio.


6. (UEL) Seja f(n) uma função definida para todo n

EXERCÍCIOS
inteiro tal que f(2) = 2, f(p + q) = f(p). f(q) onde p e q
são inteiros. O valor de f(0) é:

a) -1. c) 1. e) 2.
Introdução às Funções
b) 0. d) 3.

7. (UNESP- SP) Considere um quadrado de lado L,


4 2
x +x diagonal d e perímetro p. A função que define a
1. (CESGRANRIO- RJ) Se f ( x) = , então diagonal em termos do perímetro do quadrado
x +1 é dada pela expressão:
f (−1/ 2) é:

a) 5/24 c) -5/8 e) 5/8


2p p 2
a) d ( p ) = d) d ( p ) =
b) -5/32 d) 5/32 4 2

2. (PUC- MG) A função f, de em, é definida por


p p2 2
b) d ( p) = e) d ( p ) =
2 4

22 1 p 2
f ( x) = . O valor de é: c) d ( p ) =
x 2 + 3x + 5 f 3 ( ) 4
8. (UNIFOR- CE) Certo economista supõe que, em
1 3 uma população de f famílias, o número N de famí-
2 lias cuja renda excede x reais é uma função da va-
a) c) 2
2f
1 3 riável x dada por N= . De acordo com essa fun-
d) x
b) 3
e) 2 ção, quantas são as famílias brasileiras cuja renda
126 excede 2500 reais? (Suponha que há 30000000 fa-
mílias no país)

3. (FUVEST-SP) A função que representa o valor a ser a) 5000000 famílias.


pago após um desconto de 3% sobre o valor x de
uma mercadoria é: b) Entre 5% e 9% das famílias.

a) f ( x)= x − 3 d) f ( x) = −3 x c) Entre 1% e 5% das famílias.

b) f ( x) = 0,97 x e) f ( x) = 1,03x d) Menos que 1% das famílias.

e) 6000 famílias.
c) f ( x) = 1,3 x
9. (UEPG) Em relação à função representada pelo
4. (UEL) Seja a função x) ax 3 + b . Se f (−1) =
f (= 2 gráfico abaixo, assinale o que for correto:

e f (1) = 4 então a e b valem respectivamente:

a) -1 e -3. d) 3 e -1.

b) -1 e 3. e) 3 e 1.

c) 1 e 3.

01) É decrescente no intervalo [3,5].


5. (EMPO- PR) Considere a função definida por
02) É crescente para todo x>2.
) x3 − 1 . O ponto ( 2, k ) pertence ao gráfico
f ( x=
da função, se: 04) É uma função par.
a) k = 1 d) k = 7
08) Assume um ponto máximo em x = 2.
b) k = 0 e) k = -3
16) Não está definida em x = 2.
c) k = -2 Soma:_____
10. (UFPR 2004) Um estudo feito com certo tipo de De acordo com o gráfico, quanto ao pagamento
bactéria detectou que, no decorrer de uma infec- relativo ao consumo mensal de água de uma resi-
ção, quantidade dessas bactérias no corpo de um dência, é correto afirmar que se o consumo:
paciente varia aproximadamente segundo uma
função q(t) que fornece o número de bactérias em a) for nulo, a residência estará isenta do pagamento.
milhares por mm3 de sangue no instante t. O gráfi-
co da função q(t) encontra-se esboçado abaixo. O b) for igual a 5m³, o valor pago será menor do que
tempo é medido em horas, e o instante t = 0 corres- se o consumo for igual a 10m³.
ponde ao momento do contágio.
c) for igual a 20 m³, o valor pago será o dobro do
que se o consumo for igual a 10 m³.

d) exceder 25 m³, o valor pago será R$16,70 acresci-


do de R$3,60 por m³ excedente.

e) for igual a 22 m³, o valor pago será R$15,00.

12. (ENEM 2020) Um processo de aeração, que con-


siste na introdução de ar num líquido, acontece do
seguinte modo: uma bomba B retira o líquido de um
tanque T1 e o faz passar pelo aerador A1, que au-
menta o volume do líquido em 15%, e em seguida
pelo aerador A2, ganhando novo aumento de volu-
Com base nessas afirmações, considere as seguin- me de 10%. Ao final, ele fica armazenado num tan-
tes afirmativas: que T2, de acordo com a figura.
I) A função q(t) é crescente no intervalo [0,48].

II) A quantidade máxima de bactérias é atingida 24


horas após o contágio, aproximadamente.

III) 60 horas após o contágio, a quantidade de bac-


térias está abaixo de 1500 por mm3.

127
Assinale a alternativa correta:
Reprodução Enem/Inep

a) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. Os tanques T1 e T2 são prismas retos de bases re-
tangulares, sendo que a base de T1 tem compri-
b) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. mento c e largura L, e a base de T2 tem comprimen-
to  e largura 2L.
c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. Para finalizar o processo de aeração sem derrama-
mento do líquido em T2, o responsável deve saber
d) Somente a afirmativa I é verdadeira. a relação entre a altura da coluna de líquido em T2,
o responsável deve saber a relação entre a altura
e) Somente a afirmativa III é verdadeira. da coluna de líquido que já saiu de T1, denotada por
x, e a altura da coluna de líquido que chegou a T2,
denotada por y.
11. (UFJF) Para desencorajar o consumo excessivo
Disponível em: www.dec.ufcg.edu.br. Acesso em 21 abr. 2015.
de água, o Departamento de Água de certo municí-
pio aumentou o preço deste líquido. O valor mensal A equação que relaciona as medidas das alturas y
pago em reais por uma residência, em função da e x é adaptada por
quantidade de metros cúbicos consumida, é uma
a) y = 1,265x d) y = 1,125x
função cujo gráfico é a poligonal representada
abaixo.
b) y = 1,250x e) y = x

c) y = 1,150x

13. (ENEM 2017) Viveiros de lagostas são construídos,


por cooperativas locais de pescadores, em forma-
to de prismas reto-retangulares, fixados ao solo e
com telas flexíveis de mesma altura, capazes de su-
portar a corrosão marinha. Para cada viveiro a ser
construído, a cooperativa utiliza integralmente 100
metros lineares dessa tela, que é usada apenas nas
laterais.
A pessoa escolherá um desses depósitos para re-
Quais devem ser os valores de X e de Y em metro, alizar sua compra, considerando os preços do ci-
para que a área da base do viveiro seja máxima? mento e do frete oferecidos em cada opção.
Se a pessoa decidir pela opção mais econômica, o
a) 1 e 49. d) 25 e 25. depósito escolhido para a realização dessa compra
será o
b) 1 e 99. e) 50 e 50.
a) A d) D
c) 10 e 10.
b) B e) E

14. (ENEM 2020) A exposição a barulhos excessivos, c) C


como os que percebemos em geral em trânsitos
intensos, casas noturnas e espetáculos musicais,
podem provocar insônia, estresse, infarto, perda de
audição, entre outras enfermidades. De acordo com
a Organização Mundial da Saúde, todo e qualquer ANOTAÇÕES
som que ultrapasse os 55 decibéis (unidade de in-
tensidade do som) já pode ser considerado noci-
vo para a saúde. O gráfico foi elaborado a partir da
medição do ruído produzido, durante um dia, em
um canteiro de obras.

128

Nesse dia, durante quantas horas o ruído esteve


acima de 55 decibéis?

a) 5 d) 11

b) 8 e) 13

c) 10

15. (ENEM 2020) Uma pessoa precisa comprar 15 sa-


cos de cimento para uma reforma em sua casa. Faz
pesquisa de preço em cinco depósitos que vendem
o cimento de sua preferência e cobram frete para
entrega do material, conforme a distância do de-
pósito à sua casa. As informações sobre preço do
cimento, valor do frete e distância do depósito até a
casa dessa pessoa estão apresentadas no quadro.
1.2. Função Linear
Funções lineares são equações matemáticas onde
a relação entre a variável independente e a variável
dependente é constante, formando uma linha reta
quando representadas graficamente. Cada incre-
mento na variável independente resulta em um au-
mento constante na variável dependente.
No cotidiano, as funções lineares são úteis em di-
versas situações, como ao calcular o custo de um
item com preço fixo, onde o custo total aumenta
de maneira proporcional ao número de itens com-
prados.
Funções afins são um tipo especial de funções li-
neares que incluem um termo constante além do
termo linear. Elas são expressas na forma
f ( x)= y= ax + b
A reta toca o eixo y quando x = 0, assim:
Onde 𝑎 é o coeficiente angular, que determina a inclinação
da linha, e 𝑏 é o coeficiente linear, que representa o ponto f (0)= 2.0 + 1= 1
onde a linha cruza o eixo vertical. Em outras palavras, a
função afim é uma linha reta, mas pode não passar pela Isso verifica que b = 1.
origem (zero no eixo vertical). Conforme vamos escolhendo alguns valores de
Imagine um estudante que decide vender camisetas para x para aplicar nessa função, esses são cada vez
arrecadar dinheiro para um projeto escolar. Se o custo de maiores. Assim, vamos obter valores de y cada vez
cada camiseta é R$20 e há um custo inicial fixo de R$50 maiores (verifique tanto numericamente quando
para materiais, o total arrecadado é representado por uma graficamente), dizemos então nesse caso que a
função afim, C(x)=20x+50. Aqui, o custo inicial (R$50) é o função é crescente.
termo constante 𝑏, e o custo adicional por camiseta (R$20)
é o coeficiente angular a. Essa função afim ajuda o es- f é crescente se:
tudante a planejar e prever o valor total arrecadado com
base no número de camisetas vendidas, mostrando como
as funções afins são aplicadas em situações reais onde há x1 > x2 ⇒ f ( x1 ) > f ( x2 ) 129
um custo fixo adicional.
∀x1 , x2 ∈ Dom( f )

1.2.1. Gráfico da função linear O símbolo ∀ significa “para todo”, ou “para qual-
quer/quaisquer”.
Exemplo 1: Sugerimos ao leitor que descubra qual o valor de x
tal que qualquer outro x a direita dele nos fornece
Seja f : IR → IR dada por:
valores de y positivos.
f ( x=
) 2x + 1 Chamamos um número x de raiz de uma função f
quando a imagem de x é 0, ou seja:
Note que aqui a = 2 e b = 1. Temos aqui uma fun-
ção que está com a “forma de uma função linear” x é raiz de f ⇒ f ( x) =
0
definida em todos os números reais, portanto, seu
gráfico será uma reta. Mas como será essa reta? É claro que uma função pode ter mais de uma raiz.
No exemplo acima, a função f só tem uma raiz, que
Para sabermos como é o gráfico de uma função
linear basta escolher dois valores diferentes de x,
aplicá-los na função: 1
é x= − , pois se f ( x ) = 0 temos:
2
Por exemplo:
f (−2) =2.(−2) + 1 =−3 f ( x) = 0
f (2)= 2.2 + 1= 5 2x + 1 = 0
Em seguida, colocamos esses valores na forma de 2 x = −1
par ordenado:
1
Quando x = -2 temos y = -3, assim o par fica x= −
2
( −2, −3) . Quando x = 2 temos y = 5, assim o par Note que geometricamente, procurar a raiz/raízes
de f significa encontrar o/os ponto/pontos onde o
fica ( 2,5 ) . Da forma que esses pontos pertencem gráfico da função f passa pelo eixo x (eixo das abs-
ao gráfico da função e que o gráfico é uma reta, cissas).
então basta ligar esses pontos, obtendo algo como
ocorre abaixo:
Verifique isso no exemplo acima. Exemplo 3:
Seja f: IR → IR dada por:
Exemplo 2: f ( x) =−3 x + 2
Siga o mesmo processo que antes. Aqui colocamos
Seja f: IR → IR dada por:
o gráfico de f na mesma escala que os anteriores:
f ( x) = x
Aqui temos que a = 1 e b = 0 . Novamente, a fun-
ção está na forma de função linear, cujo domínio
é o conjunto de todos os números reais, então seu
gráfico será uma reta.
Como antes, calculamos o valor da função em dois
pontos, e assim são colocados em forma de par or-
denado e esses pontos serão ligados no plano :
f (−1) = −1
f (1) = 1
Os pontos ficam (-1,-1) e (1,1). Quando x=0 temos
y=0, então esta reta passa pelo ponto (0,0) (a ori-
gem).

Note que aqui quando tomamos valores de x,


cada vez maiores, os valores de y vão diminuindo,
chamamos este tipo de função de função decres-
cente.

f é decrescente se:
x1 > x2 ⇒ f ( x1 ) < f ( x2 )
130
∀x1 , x2 ∈ Dom( f )
Nos dois primeiros exemplos, o valor de a era positi-
vo e o gráfico da função era uma função crescente.
Aqui o valor de a é negativo e o gráfico da função é
de uma função decrescente.

Aqui a função também é crescente. 1.2.2. Estudo do sinal da função


Neste exemplo, a única raiz de f é x = 0 (verifique). linear
Faça o mesmo que no caso anterior, encontre qual
é o valor de x tal que qualquer outro a direita forne- Os fatos que são citados abaixo são muito impor-
ce valores positivos para a função. Qual a relação tam, pois nos ajudam a intuir como é o gráfico de
desse x com a raiz de f ? uma função linear só olhando para o sinal de a:
Nesse e no exemplo anterior colocamos o gráfico 1. Se a >0 o gráfico da função é uma reta cres-
na mesma escala. cente.
Compare a inclinação da reta nesses dois exem-
2. Se a < 0 o gráfico da função é uma reta decres-
plos. Com isso, observe que o valor de a no primeiro
cente.
exemplo era maior e isso ocasionou a reta do pri-
meiro exemplo ter uma inclinação maior que a do Veja o que acontece se a = 0.
exemplo 2. Com isso, temos os seguintes fatos:
Esta função do exemplo 2 associa a cada valor de Seja f: IR → IR uma função linear, ou seja, da forma:
x o próprio x, chamamos essa de função de função
identidade. Tal função tem propriedades importan- f ( x=
) ax + b . E seja x0 a raiz de f.
tes, as quais veremos mais adiante.

1. Se a > 0 , para valores de x a direita de x0 , te-


mos valores de y positivos (acima do eixo x), e para

valores de x a esquerda de x0 temos valores de y


negativos (abaixo do eixo de x):
y T (=
c)
1
c+
35
f (x)
7 7
a >0 1 35
6
= c+
++++++ x 7 7
---------- x0 1 35
c= 6 −
b 7 7
 42 − 35 
c = 7 
 7 
c=7
2. Analogamente, se a < 0 , para valores de x a di- Ou seja, o número de Cri-Cris que a cigarra emite
reita de x0 , temos valores de y negativos, e para quando T=6 é 7.
Agora, usando o mesmo raciocínio, podemos des-
valores de x a esquerda de x0 , temos valores de y cobrir quantos Cri-Cris a cigarra emite quando a
positivos:
temperatura é de 55ºC. Obteremos c = 350 .
Ou seja, podemos definir agora o domínio da nos-
y sa função. Pois sabemos que o número de Cri-Cris
possíveis está entre 7 e 350. Então:
b
f (x) DT = [ 7, 350]
++++++ ---------- x CdT = [ 6, 55]
x0
a<0 O gráfico fica:

T (c ) 1 35
T (c ) = c +
7 7
55

APLICAÇÕES
131
Exemplo 4:
Um modo antigo de calcular a temperatura am-
biente em ºC é analisando o número de Cri-Cris que
6
c
uma cigarra emite por segundo.
7 350
A temperatura em ºC é dada em função do núme-
ro de Cri-Cris que uma cigarra emite pela seguinte
relação:
Exemplo 5:
1 35 Depois fazer uma limpeza na piscina vazia, o seu
T (=
c) c+ dono vai enchê-la novamente usando uma torneira
7 7 de vazão de água constante. Sabendo que a pisci-
Estude a função e construa seu gráfico. na tem o formato de um paralelepípedo retângulo
e uma altura de 4m, encontre uma função que des-
creve a altura h da água na piscina em função do
Solução: seu volume V.
Veja que aqui T é uma função que depende do Dado que a altura da coluna de água estava na
número de Cri-Cris c que a cigarra emite. metade da altura da piscina quando havia 100L de
água na mesma.
Repare também que a função é da forma

f ( x=
) ax + b , ou seja, é uma função linear. Solução:
Usando o bom senso podemos definir o contrado- Veja que, como a vazão de água da torneira é cons-
mínio dessa função. tante e a base da piscina é um retângulo, conforme
O conjunto do contradomínio será todos os valores o volume de água na piscina aumenta, a sua altura
possíveis para a temperatura ambiente. vai aumentar constantemente.
Podemos estimar que a cigarra emita certo número Então a função que relaciona a altura da água na
de Cri-Cris a partir de uma temperatura mínima de piscina e seu volume é uma função linear.
6ºC, por exemplo, e no máximo até 55ºC.
h(V=
) aV + b
Mas quantos Cri-Cris a cigarra emite quando esta-
mos numa temperatura de 6ºC? Resta-nos encontrar a e b. Veja que quando a pis-
Note que estamos procurando um valor para c cina está vazia seu volume de água é 0 e assim
não teremos altura da água na piscina, ou seja, 0
quando T (c) = 6 . Ou seja: também.
Então:
h(V=
) aV + b SAIBA MAIS!
h(0) = 0
Motivados por um problema apresentamos
h(0)
= a.0 + b a noção de função afim. Apresentamos tam-
bém uma caracterização de função afim
b=0 em crescente, decrescente ou constante de
E ainda, quando há 100L de água na piscina a sua acordo com a taxa de variação.
altura é de 2m, então:
h(V=
) aV + b
h(100) = 2
h(100)
= a.100 + b
Como b=0, teremos:
100a = 2
1
a=
500
Logo, a nossa função fica:
1
h(V ) = V
500

RESUMO
132
Função Afim

A função afim tem a forma f(x)=ax+b, onde:

a é o coeficiente angular (indica a inclinação da reta);

b é o coeficiente linear (indica onde a reta intercepta o eixo y).

É uma função de 1º grau e seu gráfico é uma reta.

EXERCÍCIOS
Função Linear

16. (UEL) Uma papelaria faz cópias xerográficas e cobra de acordo com a seguinte tabela de preços:

Segundo essa tabela, uma pessoa ao fotocopiar, por exemplo, 28 cópias, pagará R$ 0,08 a cópia. Se y for o
preço total e x a quantidade de cópias, a função preço pode ser representada pelo gráfico:
a) d)

b)
e)

c)

133

17. (ENEM 2021) Por muitos anos, o Brasil tem figurado no cenário mundial entre os maiores produtores e expor-
tadores de soja. Entre os anos de 2010 e 2014, houve uma forte tendência de aumento da produtividade, porém,
um aspecto dificultou esse avanço: o alto custo do imposto ao produtor associado ao baixo preço de venda do
produto. Em média, um produtor gastava R$ 1 200,00 por hectare plantado, e vendia por R$ 50,00 cada saca de
60 kg. Ciente desses valores, um produtor pode, em certo ano, determinar uma relação do lucro L que obteve
em função das sacas de 60 kg vendidas. Suponha que ele plantou 10 hectares de soja em sua propriedade, na
qual colheu x sacas de 60 kg e todas as sacas foram vendidas.
Disponível em: www.cnpso.embrapa.br. Acesso em: 27 fev. 2012 (adaptado).

Qual é a expressão que determinou o lucro L em função de x obtido por esse produtor nesse ano?

a) L(x) = 50x – 1 200

b) L(x) = 50x – 12 000

c) L(x) = 50x + 12 000

d) L(x) = 500x – 1 200

e) L(x) = 1 200x – 500


18. (ENEM 2018) Uma indústria automobilística está testando um novo modelo de carro. Cinquenta litros de
combustível são colocados no tanque desse carro, que é dirigido em uma pista de testes até que todo o
combustível tenha sido consumido. O segmento de reta no gráfico mostra o resultado desse teste, no qual a
quantidade de combustível no tanque é indicada no eixo y (vertical), e a distância percorrida pelo automóvel
é indicada no eixo x (horizontal).

A expressão algébrica que relaciona a quantidade de combustível no tanque e a distância percorrida pelo
automóvel é

a) y = -10x + 500
d)

b)
e)

c)

19. (ENEM) Após realizar uma pesquisa de mercado, uma operadora de telefonia celular ofereceu aos clientes
que utilizavam até 500 ligações ao mês o seguinte plano mensal: um valor fixo de R$ 12,00 para os clientes que
fazem até 100 ligações ao mês. Caso o cliente faça mais de 100 ligações, será cobrado um valor adicional de R$
0,10 por ligação, a partir da 100ª até a 300ª; e caso realize entre 300 e 500 ligações, será cobrado um valor fixo
mensal de R$ 32,00. Com base nos elementos apresentados, o gráfico que melhor representa a relação entre
134 o valor mensal pago nesse plano e o número de ligações feitas é:

20. (ENEM) O Salto Triplo é uma modalidade do atletismo em que o atleta dá um salto em um só pé, uma pas-
sada e um salto, nessa ordem. Sendo que o salto com impulsão em um só pé será feito de modo que o atleta
caia primeiro sobre o mesmo pé que deu a impulsão; na passada ele cairá com o outro pé, do qual o salto é
realizado.
Disponível em: www.cbat.org.br (adaptado).
Um atleta da modalidade Salto Triplo, depois de es- Suponha que, em uma residência, todo mês o
tudar seus movimentos, percebeu que, do segundo consumo seja de 150 kWh, e o valor do kWh
para o primeiro salto, o alcance diminuía em 1,2 m, (com tributos) seja de R$ 0,50. O morador dessa
e, do terceiro para o segundo salto, o alcance dimi-
nuía 1,5 m. Querendo atingir a meta de 17,4 m nessa
residência pretende diminuir seu consumo
prova e considerando os seus estudos, a distância mensal de energia elétrica com o objetivo de
alcançada no primeiro salto teria de estar entre reduzir o custo total da conta em pelo menos
10%.
a) 4,0 m e 5,0 m.
Qual deve ser o consumo máximo, em kWh,
b) 5,0 m e 6,0 m.
dessa residência para produzir a redução
c) 6,0 m e 7,0 m. pretendida pelo morador?

d) 7,0 m e 8,0 m. a) 134,1

e) 8,0 m e 9,0 m. b) 135,0

c) 137,1
21. (ENEM) Uma escola recebeu do governo uma
verba de R$ 1000,00 para enviar dois tipos de folhe- d) 138,6
tos pelo correio. O diretor da escola pesquisou que
tipos de selos deveriam ser utilizados. Concluiu que, e) 143,1
para o primeiro tipo de folheto, bastava um selo de
R$ 0,65 enquanto para folhetos do segundo tipo se-
riam necessários três selos, um de R$ 0,65, um de 23. (ENEM) No Brasil há várias operadoras e planos
R$ 0,60 e um de R$ 0,20. O diretor solicitou que se de telefonia celular.
comprassem selos de modo que fossem postados
exatamente 500 folhetos do segundo tipo e uma Uma pessoa recebeu 5 propostas (A, B, C, D
quantidade restante de selos que permitisse o en-
vio do máximo possível de folhetos do primeiro tipo.
e E) de planos telefônicos. O valor mensal de
cada plano está em função do tempo mensal
Quantos selos de R$ 0,65 foram comprados? das chamadas, conforme o gráfico.
a) 476
135
b) 675

c) 923

d) 965

e) 1 538

22. (ENEM) Em uma cidade, o valor total da conta de


energia elétrica é obtido pelo produto entre o con-
sumo (em kWh) e o valor da tarifa do kWh (com tri-
butos), adicionado à Cosip (contribuição para cus-
teio da iluminação pública), conforme a expressão: Essa pessoa pretende gastar exatamente
R$30,00 por mês com telefone.
Valor do kWh (com tributos) u consumo (em
kWh) +Cosip Dos planos telefônicos apresentados, qual é o
mais vantajoso, em tempo de chamada, para o
gasto previsto para essa pessoa?
O valor da Cosip é fixo em cada figura de consumo.
O quadro mostra o valor cobrado para algumas fai- a) A
xas.
b) B

c) C

d) D

e) E
24. (ENEM) O prefeito de uma cidade deseja cons- b)
truir uma rodovia para dar acesso a outro muni-
cípio. Para isso, foi aberta uma licitação na qual
concorreram duas empresas. A primeira cobrou
R$ 100.000,00 por km construído (n), acrescidos
de um valor fixo de R$ 350.000,00 , enquanto a se-
gunda cobrou R$ 120.000,00 por km construído
(n), acrescidos de um valor fixo de R$ 150.000,00
. As duas empresas apresentam o mesmo padrão
de qualidade dos serviços prestados, mas apenas c)
uma delas poderá ser contratada. Do ponto de vis-
ta econômico, qual equação possibilitaria encon-
trar a extensão da rodovia que tornaria indiferente
para a prefeitura escolher qualquer uma das pro-
postas apresentadas?

a) 100n + 350 = 120n + 150

b) 100n + 150 = 120n + 350 d)

c) 100(n + 350) = 120(n + 150)

d) 100(n + 350.000) =
120(n + 150.000)

e) 350(n + 100.000) =
150(n + 120.000)
e)
25. (ENEM) Uma indústria fabrica um único tipo de
produto e sempre vende tudo o que produz. O custo
total para fabricar uma quantidade q de produtos
136 é dado por uma função, simbolizada por CT , en-
quanto o faturamento que a empresa obtém com
a venda da quantidade q também é uma função,
simbolizada por FT . O lucro total (LT) obtido pela
venda da quantidade q de produtos é dado pela
27. (ENEM) Na aferição de um novo semáforo, os
expressão LT(q)
= FT(q) − CT(q) . Considerando-se tempos são ajustados de modo que, em cada ciclo
as funções FT(q) = 5q e CT(q)= 2q + 12 como fa- completo (verde-amarelo-vermelho), a luz amare-
turamento e custo, qual a quantidade mínima de la permaneça acesa por 5 segundos, e o tempo em
produtos que a indústria terá de fabricar para não
ter prejuízo? 2
que a luz verde permaneça acesa igual a do
3
a) 0 c) 3 e) 5

b) 1 d) 4 tempo em que a luz vermelha fique acesa. A luz ver-


de fica acesa, em cada ciclo, durante X segundos e
cada ciclo dura Y segundos.
26. (ENEM) As frutas que antes se compravam por Qual a expressão que representa a relação
dúzias, hoje em dia, podem ser compradas por qui-
logramas, existindo também a variação dos preços entre X e Y?
de acordo com a época de produção. Considere
que, independente da época ou variação de preço, a) 5X – 3Y + 15 = 0
certa fruta custa R$ 1,75 o quilograma. Dos gráfi-
b) 5X – 2Y + 10 = 0
cos a seguir, o que representa o preço m pago em
reais pela compra de n quilogramas desse produto é
c) 3X – 3Y + 15 = 0
a)
d) 3X – 2Y + 15 = 0

e) 3X – 2Y + 10 = 0

28. (ENEM) O saldo de contratações no mercado


formal no setor varejista da região metropolitana
de São Paulo registrou alta. Comparando as con-
tratações deste setor no mês de fevereiro com as
de janeiro deste ano, houve incremento de 4.300 c)
vagas no setor, totalizando 880.605 trabalhadores
com carteira assinada.
Disponível em: http://www.folha.uol.com.br. Acesso em: 26 abr.
2010 (adaptado).
Suponha que o incremento de trabalhadores no
setor varejista seja sempre o mesmo nos seis pri-
meiros meses do ano. Considerando-se que y e x
representam, respectivamente, as quantidades de
trabalhadores no setor varejista e os meses, janeiro
sendo o primeiro, fevereiro, o segundo, e assim por d)
diante, a expressão algébrica que relaciona essas
quantidades nesses meses é

a) y = 4300x

b) y = 884 905x

c) y 872 005 + 4300x


=
e)
d) y 876 305 + 4300x
=

e) y 880 605 + 4300x


=

29. (ENEM) Uma empresa de telefonia fixa oferece


dois planos aos seus clientes: no plano K, o cliente
paga R$ 29,90 por 200 minutos mensais e R$ 0,20
por cada minuto excedente; no plano Z, paga
R$ 49,90 por 300 minutos mensais e R$ 0,10 por 30. (ENEM) As curvas de oferta e de demanda de
cada minuto excedente. um produto representam, respectivamente, as 137
quantidades que vendedores e consumidores estão
O gráfico que representa o valor pago, em dispostos a comercializar em função do preço do
reais, nos dois planos em função dos minutos produto. Em alguns casos, essas curvas podem ser
utilizados é representadas por retas. Suponha que as quantida-
des de oferta e de demanda de um produto sejam,
a) respectivamente, representadas pelas equações:
QO = –20 + 4P
QD = 46 – 2P
em que QO é quantidade de oferta, QD é a quanti-
dade de demanda e P é o preço do produto.
A partir dessas equações, de oferta e de demanda,
os economistas encontram o preço de equilíbrio de
mercado, ou seja, quando QO e QD se igualam.
Para a situação descrita, qual o valor do preço de
equilíbrio?
b)
a) 5

b) 11

c) 13

d) 23

e) 33
1.3. Função Quadrática y
f ( x) = x 2

As funções quadráticas são equações que des-


crevem relações em que a variável independente 4
é elevada ao quadrado, formando uma parábola
quando representada graficamente.
No dia a dia, essas funções aparecem em diversas
situações, como na física, ao calcular a trajetória 1
de um objeto lançado ao ar, onde a altura depende x
do tempo. Elas também são encontradas na eco- -2 -1 1 2
0
nomia, ao analisar o custo de produção, que pode
variar de forma quadrática com o número de itens
produzidos. As funções quadráticas ajudam a en-
tender e prever fenômenos que seguem um pa-
drão curvo, em vez de linear. Vale observar que nesse caso é impossível obter al-
Toda função quadrática terá a seguinte fórmula: gum valor de y negativo, pois estaremos tomando
um número x do domínio da função e elevando ao
f ( x) = y =ax 2 + bx + c quadrado, tornando seu sinal positivo.

Na fórmula, a, b e c são quaisquer números reais.


Exemplo 2:
Todo gráfico de uma função quadrática é determi-
Seja uma função f : IR → IR definida por:
nado pelo que chamamos de parábola.
f ( x) =− x2 + 1
Exemplo 1:
Seja uma função f : IR → IR definida por: Aqui a = −1 , b = 0 e c = 1 .
Assim ficam as imagens para alguns valores do do-
f ( x) = x 2 . mínio:
Aqui criamos uma relação entre um número real e
seu quadrado. Note que aqui não há nenhuma res-
f (−2) =−(−2) 2 + 1 =−4 + 1 =−3
trição para os valores de x.
f (−1) =−(−1) 2 + 1 =−1 + 1 =0
Veja que nesse exemplo a=1, b=0 e c=0.
138 Vejamos o valor das imagens dessa função em al- f (0) =−(0) 2 + 1 =0 + 1 =1
guns pontos:
f (1) =−(1) 2 + 1 =−1 + 1 =0
2
f (0)
= 0= 0 f (2) =−(2) 2 + 1 =−4 + 1 =−3
f (−1) =(−1) 2 =1
Esboçando o gráfico temos:
( 2) 2 =4
f (−2) =−
y
2
f (1)= 1= 1
2 f ( x) = - x 2 + 1
f (2)
= 2= 4 1
x
Veja que a função vai ter a mesma imagem nos -2 -1 0 1 2
pontos x que têm sinais contrários. Como f (0) = 0
, o gráfico da função vai passar pelo ponto (0,0) do
Plano.
-3
Conforme os valores de x aumentam, as suas ima-
gens aumentam rapidamente. Mas não de forma
constante. Ou seja, o gráfico não pode conter retas,
mas sim curvas acentuadas. Esboçando o gráfico, Nesse caso, a curva está voltada para baixo. Dife-
temos: rente do exemplo 1, que estava voltada para cima.
1.3.1. Gráfico de uma função 3. Sendo assim, se ∆ < 0 , a função não tem raízes
reais, implicando que o seu gráfico não toca o eixo x.
quadrática Para resolver uma equação do segundo grau do
tipo ax²+bx+c=0, siga os três passos abaixo:
Saberemos sempre qual a concavidade da pará-
bola olhando para o sinal de a na função. 1. Identifique os coeficientes a, b e c: Eles são os va-
lores numéricos que acompanham as incógnitas e
1. Se a > 0 , a concavidade da parábola é voltada o termo constante na equação.
para cima. Por exemplo, em 2x²+5x−3=, a=2, b=5 e c=−3.
2. Se a < 0 , a concavidade da parábola é voltada 2. Calcule o discriminante Δ: A fórmula para o dis-
para baixo. 2
criminante é ∆= b − 4ac . Esse valor será utiliza-
O que acontece se a = 0? do para determinar as raízes da equação.
No exemplo 1: a = 1 . Ou seja, maior que 0. Portanto,
a concavidade da parábola é voltada para cima. 3. Encontre as raízes da equação: Utilize a fórmula
de Bhaskara:
No exemplo 2: a = −1 . Ou seja, maior que 0. Por-
tanto, a concavidade da parábola é voltada para −b ± ∆
baixo. x=
2a
No exemplo 1 acima, x=0 e é uma raiz da função.
Aqui, você terá duas soluções para x, uma conside-
No exemplo 2 acima, ambos os valores x ' = −1 e rando o sinal de “+” e outra o sinal de “-”.
x '' = 1 são raízes da função. Em toda a parábola existe um ponto no qual a fun-
ção muda de decrescente para crescente ou de
crescente para decrescente. Esse ponto se chama
Mas como encontrar raízes de uma função qua- vértice da parábola. Para encontrar o vértice faze-
mos a seguinte conta:
drática da fórmula f ( x) = ax 2 + bx + c ?
b ∆
Veja que estamos procurando uma expressão em xv =
− yv =

f ( x) = 0 . Ou seja, ax 2 + bx + c = 2a 4a
que 0.
Assim, se a > 0 , a concavidade da parábola é vol-
Porém, já temos uma expressão que resolve esse tada para cima. Portanto, o vértice da parábola é
tipo de equação, que é a fórmula de Bhaskara: o ponto de mínimo da função, pois qualquer outra 139
imagem que a função determina está acima do
vértice da parábola.
−b ± ∆ Analogamente, se a < 0 , a concavidade da pará-
x=
2a bola é voltada para baixo. Portanto, o vértice da pa-
rábola é o ponto de máximo da função, pois qual-
Na qual quer outra imagem que a função determina está
abaixo do vértice da parábola.
∆= b 2 − 4ac .

Vamos a fórmula de Bhaskara para encontrar as 1.3.2. Estudo do sinal da função


raízes de uma função quadrática. quadrática
Note que precisamos apenas dos valores de a, b e c. Quanto ao sinal que a função quadrática pode as-
Lembre-se que só podemos extrair raiz quadrada sumir, podemos considerar os seguintes casos:
de números positivos. Ou seja, só teremos raízes re-
1º a>0 e ∆ > 0.
ais em uma função quadrática se ∆ ≥ 0. O gráfico da função f é uma parábola voltada para
Olhando para a raiz quadrada que está na equação
cima e cruza o eixo x duas vezes (pois ∆ > 0 ). Isso
acima, temos alguns casos:
mostra que f tem duas raízes diferentes. O gráfico
1. Se∆ > 0 : perceba que na expressão da fórmu- fica parecido com o seguinte:
la de Bhaskara temos um ± na frente da raiz. Isso
mostra que teremos duas raízes para a função e y
seu gráfico tocará o eixo x duas vezes. Como no f (x)
exemplo 2.

2. Se ∆ =0 : o sinal ± não vai influenciar, pois

± 0= 0 , e, portanto, a função terá apenas uma


raiz real. Seu gráfico tocará o eixo x apenas uma ++++++ xv ++++++ x
vez. Como no exemplo 1. x1 - ------ x2

yv
Veja que: Exemplo 3:
x > x2 ⇒ f ( x) > 0 Um homem comprou um terreno para construir
duas casas, sendo que ele vai dividir o terreno em
x < x1 ⇒ f ( x) > 0 duas partes. Sabe-se que o terreno tem a forma
de um retângulo. No fundo do terreno já existe um
muro, que será aproveitado. O homem pretende
x1 < x < x2 ⇒ f ( x) < 0 cercar o terreno e sua divisória, mas quer gastar no
máximo 60m de cerca.
Aqui colocamos x1 < 0 e x2 >0 apenas como
exemplo, isso não é necessário. y

2º a > 0 e ∆ =0
Aqui, o gráfico de f é, mais uma vez, uma parábola casa 1 casa 2 x
voltada para cima. Mas neste caso, esta parábola
vai cruzar o eixo x só uma vez, pois f só tem uma raiz.
O gráfico fica como o abaixo:

y a) Escreva uma expressão que fornece a área do


terreno em função da variável x apenas.
f (x) Solução:
A área de um retângulo é dada por:
A
=r .h yx
b=

++++++ ++++++ x Mas precisamos escrever essa área em função de x


x0 apenas, então é necessário ter em conta a quanti-
dade de cerca a ser usada:

y + 3x =
60
Aqui:
y 60 − 3 x
=
140 x ≠ x0 ⇒ f ( x) > 0
Nesse caso, o vértice da parábola coincide com a
Ou seja, escrevemos y em função de x. Agora vol-
única raiz de f.
tando à expressão da área, temos a seguinte área
do retângulo em função de x:
3º a>0e ∆<0
Como nos outros casos, o gráfico de f também é ( 60 − 3x ) x =
A( x) = −3 x 2 + 60 x
uma parábola voltada para cima. Mas aqui, como
∆ < 0 , f não possui nenhuma raiz real. Portanto,
esta parábola não toca o eixo x. Um exemplo de b) Encontre a área máxima que este terreno pode
gráfico desse caso é o seguinte: ter.
Solução
Conforme x varia, a área também varia, pois a área
y depende de x. A expressão obtida na letra a é uma
f (x)
função quadrática. Sendo assim, seu gráfico é uma
parábola. Como o gráfico dessa parábola é voltado
para baixo, já que a < 0 , existe um ponto no qual
encontramos a área máxima possível: esse ponto é
no seu vértice. Como queremos a área máxima, es-
tamos interessados em yv , então temos a seguinte
conta:
yv x
xv

Aqui temos: yv =


=

(
602 − 4.(−3).0
300
=
)
4a 4.(−3)
f ( x) > 0 ∀x ∈ Dom( f )
Ou seja, a área máxima é de 300m².
Os casos em que a<0 ficam para você estudar.
c) Supondo que o terreno já tenha a área máxima.
Qual o perímetro da casa 1 sendo que suas medi-
das são a metade do valor que torna a área máxi- SAIBA MAIS!
ma e a raiz da função:
Função Afim
h( z ) = z 2 − 4 z + 4 . Explicação Completa - Prof. Ferretto: https://
www.youtube.com/watch?v=5kS1lV__2A8
Solução Explicação clara sobre conceito, gráfico e
exemplos de função afim.
Aqui precisamos do valor de x que tornou a área do
retângulo máxima. Mas sabemos que:
Função Quadrática
b 60 Aula Prática com Exercícios - Ma-
xv =
− =
− 10
= temática Rio: https://www.youtu-
2a 2.(−3) be.com/watch?v=HxWleq8PBKA
Resumo objetivo da função quadrática com
exemplos resolvidos.
A outra medida importante é a raiz da função h.
Aplicando Bháskara em h teremos:

RESUMO
−(−4) ± (−4) 2 − 4.1.4 4
z= = = 2
2.1 2

Ou seja, o perímetro será:

Função Quadrática
P = 2.10 + 2.2 = 24
A função quadrática tem a forma f(x)=ax²+bx+c,
onde:
Então o perímetro é de 24 m.
a, b e c são constantes;
a determina a concavidade da parábola (para
cima se a>0, para baixo se a<0;
O gráfico é uma parábola, e suas características 141
principais são o vértice, o eixo de simetria e as ra-
ízes.

EXERCÍCIOS
Função Quadrática

31. (ENEM 2022) Considere que o modelo matemá- zembro (mês 12). A curva que modela esses gastos
tico utilizado no estudo da velocidade V, de uma é a parábola y = T(x), com x sendo o número corres-
partícula de um fluido escoando em um tubo, seja pondente ao mês e T(x), em milhar de real.
diretamente proporcional à diferença dos quadra- A expressão da função cujo gráfico é o da parábola
dos do raio R da secção transversal do tubo e da descrita é
distância x da partícula ao centro da secção que a
contém. Isto é, V(x) = K2 (R2 - x2 ), em que K é uma a) T(x) = -x2 + 16x + 57
constante positiva.
O valor de x, em função de R, para que a velocidade b) T(x) = -11/16 x2 + 11x + 72
de escoamento de uma partícula seja máxima é de
c) T(x) = 3/5 x2 - 24/5 x + 381/5
a) 0. c) 2R. e) K2R2.
d) T(x) = - x2 - 16x + 87
b) R. d) KR.
e) T(x) = 11/6 x2 - 11/2x + 72

32. (ENEM 2021) Em um ano, uma prefeitura apre-


sentou o relatório de gastos públicos realizados pelo 33. (ENEM 2021) Uma empresa de chocolates con-
município. O documento mostra que foram gastos sultou o gerente de produção e verificou que exis-
72 mil reais no mês de janeiro (mês 1), que o maior tem cinco tipos diferentes de barras de chocolate
gasto mensal ocorreu no mês de agosto (mês 8) e que podem ser produzidas, com os seguintes pre-
que a prefeitura gastou 105 mil reais no mês de de- ços no mercado:
Barra I: R$ 2,00;
Barra II: R$ 3,50;
Barra III: R$ 4,00;
Barra IV: R$ 7,00;
Barra V: R$ 8,00.
Analisando as tendências do mercado, que
incluem a quantidade vendida e a procura pelos
consumidores, o gerente de vendas da empresa
verificou que o lucro L com a venda de barras de
chocolate é expresso pela função L(x) = – x2 + B.1) A área do retângulo cuja base x mede 30 m.
14x – 45, em que x representa o preço da barra de
B.2) A expressão que fornece a área do retângulo
chocolate.
em função da medida variável x.
A empresa decide investir na fabricação da barra
B.3) O valor de x para o qual se tem o retângulo de
de chocolate cujo preço praticado no mercado
maior área.
renderá o maior lucro.
Nessas condições, a empresa deverá investir na
produção da barra 37. (ENEM 2018) Um projétil é lançado por um ca-
nhão e atinge o solo a uma distância de 150 metros
a) I. c) III. e) V. do ponto de partida. Ele percorre uma trajetória pa-
rabólica, e a altura máxima que atinge em relação
b) II. d) IV. ao solo é de 25 metros.

34. (ENEM 2019) No desenvolvimento de um


novo remédio, pesquisadores monitoram a
quantidade Q de uma substância circulando na
corrente sanguínea de um paciente, ao longo do
tempo t. Esses pesquisadores controlam o processo,
observando que Q é uma função quadrática de t. Os
Admita um sistema de coordenadas xy em que no
dados coletados nas duas primeiras horas foram:
eixo vertical y está representada a altura e no eixo
horizontal x está representada a distância, ambas
em metro. Considere que o canhão está no ponto
(150; 0) e que o projétil atinge o solo no ponto (0; 0)
142 do plano xy.
A equação da parábola que representa a trajetória
descrita pelo projétil é
Para decidir se devem interromper o processo,
evitando riscos ao paciente, os pesquisadores a) y = 150x – x²
querem saber, antecipadamente, a quantidade
da substância que estará circulando b) y = 3 750x - 25x²
na corrente sanguínea desse paciente
após uma hora do último dado coletado c) 75y = 300x - 2x²
Nas condições expostas, essa quantidade (em mili-
grama) será igual a d) 125y = 450x - 3x²
a) 4. c) 8. e) 10. e) 225y = 150x – x²
b) 7. d) 9.
38. (ENEM) Um professor, depois de corrigir as pro-
vas de sua turma, percebeu que várias questões
35. (UFPR) Um dado é lançado duas vezes. No pri- estavam muito difíceis. Para compensar, decidiu
meiro lançamento obtém-se um número b, e no se-
gundo lançamento obtém-se um número c. Qual é utilizar uma função polinomial f, de grau menor

a probabilidade de o polinômio x 2 + bx + c =0 não que 3, para alterar as notas x da prova para notas
ter raiz real? y = f(x), da seguinte maneira:
a) 17/36. c) 11/36. e) 1/3. - A nota zero permanece zero.
- A nota 10 permanece 10.
b) 1/4. d) 1/2. - A nota 5 passa a ser 6.
A expressão da função y = f(x) a ser utilizada pelo
36. (UFPR) Um terreno possui o formato de um triân- professor é
gulo retângulo cujos catetos medem 60 m e 30 m.
O proprietário pretende construir nesse terreno uma
casa de planta retangular, de modo que dois lados 1 7
do retângulo fiquem sobre os catetos, e um vértice
a) y =
− x2 + x.
25 5
do retângulo pertença à hipotenusa, como na figu-
ra abaixo. Nessas condições, obtenha:
c) 20,0
1
− x 2 + 2x.
b) y = d) 38,0
10
e) 39,0
1 2 7
c) y
= x + x.
24 12
41. (ENEM) Uma padaria vende, em média, 100 pães
especiais por dia e arrecada com essas vendas, em
4 média, R$ 300,00. Constatou-se que a quantidade
y
d)= x + 2.
5 de pães especiais vendidos diariamente aumenta,
caso o preço seja reduzido, de acordo com a equa-
e) y = x. ção
q = 400 – 100p,
39. (ENEM) A parte interior de uma taça foi gerada na qual q representa a quantidade de pães
pela rotação de uma parábola em torno de um eixo especiais vendidos diariamente e p, o seu preço em
z, conforme mostra a figura. reais.
A fim de aumentar o fluxo de clientes, o gerente da
padaria decidiu fazer uma promoção. Para tanto,
modificará o preço do pão especial de modo que a
quantidade a ser vendida diariamente seja a maior
possível, sem diminuir a média de arrecadação di-
ária na venda desse produto.
O preço p, em reais, do pão especial nessa promo-
ção deverá estar no intervalo

a) R$ 0,50 ≤ p < R$ 1,50

b) R$ 1,50 ≤ p < R$ 2,50

c) R$ 2,50 ≤ p < R$ 3,50

d) R$ 3,50 ≤ p < R$ 4,50

e) R$ 4,50 ≤ p < R$ 5,50 143


A função real que expressa a parábola, no plano
cartesiano da figura, é dada pela lei 42. (ENEM) Um estudante está pesquisando o de-
3 2 senvolvimento de certo tipo de bactéria. Para essa
f(x)= x − 6x + C, onde C é a medida da altura do
2 pesquisa, ele utiliza uma estufa para armazenar as
líquido contido na taça, em centímetros. Sabe-se bactérias. A temperatura no interior dessa estufa,
que o ponto V, na figura, representa o vértice da pa- em graus Celsius, é dada pela expressão T(h) = –
rábola, localizado sobre o eixo x. h2+ 22h – 85, em que h representa as horas do dia.
Sabe-se que o número de bactérias é o maior pos-
Nessas condições, a altura do líquido contido na sível quando a estufa atinge sua temperatura máxi-
taça, em centímetros, é ma e, nesse momento, ele deve retirá-las da estufa.
a) 1. c) 4. e) 6.

b) 2. d) 5.

40. (ENEM) A temperatura T de um forno (em graus


centígrados) é reduzida por um sistema a partir do
instante de seu desligamento (t = 0) e varia de
t2
acordo com a expressão T(t) =
− + 400, com t A tabela associa intervalos de temperatura, em graus
4
Celsius, com as classificações: muito baixa, baixa,
em minutos. Por motivos de segurança, a trava do
forno só é liberada para abertura quando o forno
média, alta e muito alta.
atinge a temperatura de 39°. Quando o estudante obtém o maior número possí-
Qual o tempo mínimo de espera, em minutos, após vel de bactérias, a temperatura no interior da estufa
se desligar o forno, para que a porta possa ser está classificada como
aberta?
a) muito baixa. d) alta.
a) 19,0
b) baixa. e) muito alta.
b) 19,8
c) média.
43. (ENEM) Um meio de transporte coletivo que vem temperatura for 48ºC e retirada quando a tempe-
ganhando espaço no Brasil é a van, pois realiza, ratura for 200ºC.
com relativo conforto e preço acessível, quase to- O tempo de permanência dessa peça no forno é,
dos os tipos de transportes: escolar e urbano, inter- em minutos, igual a:
municipal e excursões em geral.
O dono de uma van, cuja capacidade máxima é a) 100 d) 130
de 15 passageiros, cobra para uma excursão até a
capital de seu estado R$ 60,00 de cada passageiro. b) 108 e) 150
Se não atingir a capacidade máxima da van, cada
passageiro pagará mais R$ 2,00 por lugar vago. c) 128
Sendo x o número de lugares vagos, a expressão
que representa o valor arrecadado V(x), em reais,
pelo dono da van, para uma viagem até a capital é
1.4. Tipos de Funções
a) V(x) = 902x
As funções injetoras, sobrejetoras e bijetoras estão
b) V(x) = 930x presentes no dia a dia dos estudantes porque fa-
zem parte do estudo de funções matemáticas, sen-
c) V(x) = 900 + 30x do essenciais para compreender relações entre
conjuntos. Elas não aparecem de forma isolada,
d) V(x) = 60x + 2x² mas estão integradas no conceito geral de função,
que é amplamente aplicado em diversos contex-
e) V(x) = 900 – 30x – 2x tos, como em cálculos de probabilidade, otimiza-
ção de recursos e no entendimento de gráficos.

44. (ENEM) Um posto de combustível vende 10.000


litros de álcool por dia a R$1,50 cada litro. Seu pro- 1.4.1. Função Sobrejetora
prietário percebeu que, para cada centavo de des-
conto que concedia por litro, eram vendidos 100 li-
Uma função ƒ: A em B é sobrejetora quando, para
tros a mais por dia. Por exemplo, no dia em que o
todo y pertencente a B, existe um x pertencente a A
preço do álcool foi R$1,48, foram vendidos 10.200
tal que ƒ(x) = y.
litros.
Obs: Quando ƒ: A em B é sobrejetora, ocorre Im(ƒ) = B.
Considerando x o valor, em centavos, do desconto
dado no preço de cada litro, e V o valor, em R$, ar-
144 recadado por dia com a venda do álcool, então a Exemplo:
expressão que relaciona V e x é:

a) 0 x − x2
V = 10000 + 5

0 x + x2
b) V = 10000 + 5

c) 0 x − x2
V = 15000 − 5

d) 0 x − x2
V = 15000 + 5

e) V = 15000 − 50 x + x 2
1.4.2. Função Injetora
45. (ENEM) Nos processos industriais, como na in-
dústria de cerâmica, é necessário o uso de fornos Uma função ƒ: A em B é injetora quando, para todo x1
capazes de produzir elevadas temperaturas e, em e x2 pertencentes a A, x1 ≠ x2. Então, ƒ(x1) ≠ ƒ(x2).
muitas situações, o tempo de elevação dessa tem-
peratura deve ser controlado, para garantir a qua- Exemplo:
lidade do produto final e a economia do processo.
Em uma indústria de cerâmica, o forno é programa-
do para elevar a temperatura ao longo do tempo de
acordo com a função:

7
 t+2
0 , para 0 ≤ t < 100
5
T( t ) = 
 2 t2 − 1
6
t + 320, para t ≥ 100

125 5
, em que T é o valor da temperatura atingida pelo
forno, em graus Celsius, e t é o tempo, em minutos,
decorrido desde o instante em que o forno é ligado.
Uma peça deve ser colocada nesse forno quando a
1.4.3. Função Bijetora Obtém-se no momento uma relação R aplicada de
B em A. Essa relação não é uma função, pois não se
relaciona todos os valores de B em A.
Uma função ƒ: A em B é bijetora quando ƒ é sobreje-
Caso a função f fosse sobrejetora, a relação R seria
tora e injetora.
uma função.
Com as devidas alterações, observe a função re-
Exemplo: presentada pelo diagrama:

A relação não é uma função, pois, para um mesmo,


existe mais de um .
Se a função fosse injetora, a relação seria uma fun-
ção.
1.4.4. Função Inversa
OBS.:
Dada a função ƒ: A em B, chama-se função inver- 1. Apenas as funções bijetoras admitem Função In-
sa de ƒ, indicada por ƒ -1(x), a função ƒ-1: B em A que versa.
associa cada y de B ao elemento x de A, tal que y =
2. Regra Prática para obtenção de uma Função In-
ƒ(x).
versa:
• Trocar ƒ(x) ou a função que está representada
f: IR → IR está representada pelo diagrama a seguir. por y.
• Trocar x por y e y por x.
• Isolar y para representá-lo como função de x.
• Trocar y por ƒ -1 (x).
145

RESUMO
Agora vamos inverter a situação apresentada pela
figura anterior, observe:
Tipos de Funções

Função injetora: Cada elemento do domínio cor-


responde a um único elemento da imagem.

Função sobrejetora: Todos os elementos do contra-


domínio são atingidos pela função.

Função bijetora: É simultaneamente injetora e so-


brejetora.
EXERCÍCIOS
Tipos de Funções

46. (VUNESP) Se f −1 é a função inversa da função f, d) f é bijetora, pois dois meninos quaisquer per-
tencentes ao conjunto B formam par com uma
com R em R, definida por f(x) = 3x - 2, então f −1 (-1) mesma menina pertencente ao conjunto A.
é igual a:
e) f é sobrejetora, pois basta que uma menina do
a) -1 d) 1/5 conjunto A forme par com dois meninos perten-
centes ao conjunto B, assim nenhum menino fi-
b) -1/3 e) 1/3 cará sem par.

c) -1/5
50. (UECE) Seja f: R → R, uma função bijetora tal que
47. (VUNESP) Seja f uma função de R em R, definida f(5) = 2. Se g: R → R é a função inversa de f, então
−1
por f(x) = 2x + 1. Se f é a função inversa de f, então g −1 (5) é igual a:
−1
f(f(1/2)) - f (5) é igual a :
a) 2 d) 7
a) f(1) d)3.f(-1/2)
b) 3 e) 9
b) f(-2) e)1/2.f(-1)
c) 5
c) 2.f(1/2)
51. (VUNESP) Determine a função inversa de f(x) =
48. (VUNESP) Seja a função f : R em R definida por
f(x) = ax - 2 e g a função inversa de f. Se f(-2) = 10, x −1
então g será definida por : x
146 a) g(x) = -x + 1/3 d) g(x) = 6x - 1/2
1 1+ x
a) d)
b) g(x) = -1/6x -1/3 e) g(x) = -12x + ½ 1− x 1− x
e) x + 1
1
6 b)
c) g(x) = 1+ x
x−2
1− x
49. (ENEM 2017) No primeiro ano do ensino médio c)
de uma escola, é hábito os alunos dançarem qua- 1+ x
drilha na festa junina. Neste ano, há 12 meninas e 13
meninos na turma, e para a quadrilha foram forma- 52. (PUC-SP) Seja D = {1,2,3,4,5} e f: D → R a função
dos 12 pares distintos, compostos por uma menina definida por f(x) = (x - 2).(x - 4). Então :
e um menino. Considere que as meninas sejam os
elementos que compõem o conjunto A e os meni- a) f é sobrejetora
nos, o conjunto B, de modo que os pares formados
representem uma função f de A em B. b) f é injetora
Com base nessas informações, a classificação do
tipo de função que está presente nessa relação é c) f é bijetora

a) f é injetora, pois para cada menina pertencente d) o conjunto imagem de f possui 3 elementos so-
ao conjunto A está associado um menino dife- mente
rente pertencente ao conjunto B.
e) Im (f)= {-1,0,1}
b) f é sobrejetora, pois para cada par formado por
uma menina pertencente ao conjunto A e um 53. (ALFENAS) A função abaixo que é ímpar é :
menino pertencente ao conjunto B, sobrando um
menino sem formar par. 6 d) f(x) 5x-8
a) f(x) = 3x
c) f é injetora, pois duas meninas quaisquer per- 3
4 2 e) f(x) = x - 2x
tencentes ao conjunto A formam par com um b) f(x) = x + x − 3
mesmo menino pertencente ao conjunto B, para
envolver a totalidade de alunos da turma. c) f(x) =125
54. (PUCCAMP) Sejam f e g funções de R em R, defini-
−1
das por f(x) = 2x + 1 e g(x) = x² + 3. É correto afirmar que 58. Seja f(x) = ax + b uma função bijetora e f (x)
a função fog, composta de g em f , é : a sua inversa. Se o gráfico de f(x) passa pelo ponto
−1
a) bijetora (2,5) e o de f (x) pelo ponto (1,0), então o valor
de a é:
b) ímpar
a) 1 d) –2
c) par
b) –1 e) 4
d) decrescente para todo x∈ R
c) 2
e) injetora e não sobrejetora
59. (UNIFESP) Há funções y = f(x) que possuem a
55. (MACK) O gráfico da função f é o segmento seguinte propriedade: “a valores distintos de x cor-
respondem valores distintos de y”. Tais funções são
de reta que une os pontos (-3,4) e (3,0). Se f −1 é a chamadas injetoras. Qual, dentre as funções cujos
inversa de f, então f −1 (2) é: gráficos aparecem abaixo, é injetora?

a) 2

b) 0

c) 3/2

d) -3/2

e) não definida

56. (UNIRIO) A função inversa da função bijetora f:R


- {4} → R-{2} definida por
é:
-1
a) f (x) = ( x + 4 )/( 2x +3 ) 147
-1
b) f (x) = ( x - 4 )/( 2x - 3 )

-1
c) f (x) = ( 4x + 3 )/( 2 - x )

-1 60. (UNIFESP) Seja a função f: R →R, dada por f(x) =


d) f (x) = ( 4x + 3 )/( x - 2 ) sen x. Considere as afirmações seguintes.

-1 1. A função f(x) é uma função par, isto é, f(x) = f(–x),


e) f (x) = ( 4x + 3 )/( x + 2)
para todo x real.

2. A função f(x) é periódica de período 2π, isto é, f(x


57. (UFRJ) Seja f : R → R uma função definida por
+ 2π) = f(x), para todo x real.
f ( x ) = ax + b. Se o gráfico da função f passa pelos

pontos A ( 1 , 2 ) e B ( 2 , 3 ), a função f −1
( inversa 3. A função f(x) é sobrejetora.
de f ) é :
4.
a) f(x) = x + 1

b) f(x) = -x + 1 São verdadeiras as afirmações

a) 1 e 3, apenas.
c) f(x) = x + 1
b) 3 e 4, apenas.
d) f(x) = x + 2
c) 2 e 4, apenas.

e) f(x)= –x + 2 d) 1, 2 e 3, apenas.

e) 1, 2, 3 e 4.
2
1.5. Inequações 4x + 3 ≠ x + 12
3
Inequações são expressões matemáticas que en- 2
volvem uma relação de desigualdade entre duas 4 x − x ≠ 12 − 3
expressões, em vez de uma igualdade. Elas são 3
usadas para mostrar que uma quantidade é maior,
menor, maior ou igual, ou menor ou igual a outra.  2 
As inequações podem ser representadas por sinais
3  4 x − x  ≠ 3.9
 3 
como <, >, ≤ e ≥. Graficamente, elas correspondem a
regiões específicas do plano cartesiano onde a de- 12 x − 2 x ≠ 27
sigualdade é satisfeita.
Inequações são úteis para resolver problemas que 27
envolvem restrições ou condições. Por exemplo,
x≠
10
imagine que deseja comprar materiais para um
projeto, com um orçamento máximo de R$200.
Se cada material custa R$15, a inequação 15x≤200
pode ser usada para determinar o número máximo
c) f ( x) ≥ 1 e g ( x) < 16
de materiais que podem ser comprados. Resolver Precisamos satisfazer as duas condições ao mes-
essa inequação ajuda a planejar as compras den- mo tempo. Com isso, resolvemos cada uma das
tro do orçamento disponível, mostrando como as condições separadamente e teremos, consequen-
inequações são ferramentas práticas para tomar temente:
decisões baseadas em condições e restrições do
mundo real. 1. 2.

4x + 3 ≥ 1 2
Exemplo 1: Encontre o conjunto solução das seguin- x + 12 < 16
tes inequações, sendo:
4x ≥ 1 − 3 3
f ( x) > 0 2
a) 1 x<4
Aqui, queremos todos os valores do domínio da fun- x≥− 3
ção f que tornam as imagens sendo positivas, ou 2
seja, maiores que 0. Assim, queremos que:
x<6
Ou seja, para atender as duas condições ao mes-
4x + 3 > 0
148 mo tempo, os valores de x têm que ser maiores ou
iguais que -1/2 e ainda menores que 6. Muito cuida-
Resolveremos essa equação normalmente como se do com a diferença entre maior ou igual e somente
fosse uma igualdade normal: maior, o mesmo para o menor, o conjunto solução
fica:

4x + 3 > 0
Exemplo 2: Encontre o conjunto solução das ine-
4 x > −3 quações, sendo:

3 f ( x) = x 2 − 3x + 2
x>−
4 ) x2 − 1
g ( x=
Para qualquer x do domínio de f sendo, x maior que
-3/4 teremos imagens positivas. Podemos escrever
o conjunto solução da seguinte forma: a) f ( x) > 0
O processo será o seguinte, encontramos as raízes
b) f ( x) ≠ g ( x) da função, em seguida esboçamos seu gráfico
Aqui estamos procurando valor/valores de x para
o/os qual/quais a/as imagem/imagens de f e de g e olhamos para quais valores de x a condição é
é/são diferente/diferentes. Mais uma vez resolve- satisfeita.
mos como uma igualdade normal:
1.5.1. Encontrando as raízes Note que quando não temos b na função quadráti-
ca podemos resolver a equação diretamente para
encontrar suas raízes.
Como a função é quadrática, podemos aplicar a y
fórmula de Bhaskara, e teremos:

−(−3) ± (−3) 2 − 4.1.2


x=
2.1
x' =1
x '' = 2
x
Esboçando o gráfico de f: -1 1
y
Esboçando o gráfico de g.

Neste gráfico os valores de x, que tornam as ima-


gens da função positivas, estão à esquerda de -1 e
a direita de 1, pois o gráfico de g está acima do eixo
x nestes intervalos.

Assim, nesse caso queremos os valores de x que


x tornem as imagens positivas e, além do mais, que
1 2 inclua as raízes.

Então, o conjunto solução será:


Observe no gráfico que para valores de x entre 1 e 2
o gráfico está abaixo do eixo x e, portanto, as ima- Mas temos que satisfazer as duas condições ao
gens ali são todas negativas. mesmo tempo. Por isso, veja o diagrama abaixo:
Já para qualquer valor de x a direita de 2, o gráfico
Sf
x 149
está acima do eixo x, e, portanto, as imagens são
todas positivas.
-1 0 1 2
O mesmo acontece a esquerda de 1, pois todas as Sg
imagens estão acima do eixo x, e, portanto, são po-
-1 0 1 2
sitivas. Sf e Sg
Como queremos os valores de x para os quais a
-1 0 1 2
função tem imagens positivas, então nosso conjun-
to solução fica: O traço vermelho indica a solução de f, o traço verde
indica a solução de g e o traço azul indica o inter-
Observe que “ou” foi colocado, pois temos dois in- valo que coincide com as duas soluções ao mesmo
tervalos que satisfazem a condição imposta. Logo, tempo. As bolinhas transparentes indicam quando
podemos tomar valores de x em qualquer um des- o ponto não está incluído na solução e as bolinhas
ses intervalos que então teremos imagens positivas escuras indicam que o ponto está incluído no inter-
para a função. valo. Logo, nossa solução é:
É importante notar também que os valores 1 e 2 não
foram incluídos na solução, porque sua imagem em
cada um deles é 0, e não maior que 0. , podemos escrever também x ∈ (1, 2 ) .

b) f ( x) < 0 e g ( x) ≥ 0 Exemplo 3

Para f já temos o intervalo no qual as imagens são


(UFPR 2005) Uma empresa possui uma máquina
negativas, que é o intervalo 1 < x < 2 . Para g en- que produz discos de metal a partir da especifica-
contraremos suas raízes e esboçamos seu gráfico. ção do raio r. O controle de qualidade dessa em-
x 2 − 1 =0 presa detectou que essa máquina esta produzindo
discos de raio maior do que o especificado, ocasio-
nando um desperdício de material acima do espe-
x2 = 1 rado. Para quantificar o erro E cometido na fabrica-
x ' = −1 ção de um disco de raio r+x, o controle de qualidade
usa a seguinte expressão:
x '' = 1
E = A(r + x) − A(r )
A(r ) a área do disco de raio r e A(r + x)

RESUMO
Sendo a
área do disco de raio r+x, com x > 0 .

Fixando
r = 10 cm , resolva os itens abaixo:

a) Qual é o erro E cometido na fabricação de um


Inequações
disco de raio 10,5 cm?
As inequações envolvem expressões algébricas
onde, em vez de igualdade, usa-se símbolos como
A área de um círculo é dada por A = π r2 onde r
>, <, ≥, ou ≤. Para resolvê-las, o processo é semelhan-
te ao de equações, mas com cuidado ao multiplicar
é seu raio. ou dividir ambos os lados por números negativos, o
que inverte o sinal da desigualdade.
Calculando o erro teremos:
=E A(10,5) − A(10) Dicas
• Pratique identificando domínio e imagem em
=E π (10,5) 2 − π (10) 2 funções reais e aplicando conceitos de inequa-
ções.
=E 110, 25π − 100π • Para função quadrática, sempre foque em cal-
E = 10, 25π cular o vértice e raízes.
• Familiarize-se com os tipos de função, pois elas
frequentemente aparecem em questões de
Portanto, o erro cometido na fabricação deste disco múltipla escolha

é
10, 25π .

b) O controle de qualidade dessa empresa estipu-


lou que o erro máximo aceitável na fabricação des-
ses discos é de 1% do valor da área A(r). Para aten-
EXERCÍCIOS
der essa exigência, qual o valor máximo permitido Inequações
para x?
150 61. (UEL-PR) Quantos números inteiros satisfazem a
Queremos que
E ≤ 1% A(r ) . Então:
4− x
1 inequação ≥0?
A(10 + x) − A(10) ≤ A(10) 1+ x
100 a) 2. d) 5.
1
π (10 + x) 2 ≤ π (10) 2 + π (10) 2 b) 3. e) 6.
100
2 c) 4.
π (10 + x) ≤ 101π
x 2 + 20 x − 1 ≤ 0 62. (UFS- SE) O conjunto solução da inequação

Usando Bhaskara, teremos: x+3


≤ 0 , em , é:
2x + 5
−20 ± 202 − 4.1.(−1)
x=
2.1  5 d) ]−∞, −3]
x'=−10 + 101
a)
 −3, − 2 
5
x '' =−10 − 101(excluímos pois x > 0)
 5 e) ]−∞, −3] ∪  
, +∞ 
2 
b)
 −3, 2 
Entre x’ e x’’ as soluções são negativas, pois as ima-
gens da função estão abaixo do eixo x.
Temos que tomar o maior valor de x nesse intervalo.  5
c)
 −3,
2 
Logo esse valor é: −10 + 101 cm .
3x − 2 3
63. (MACKENZIE- SP) – Se f ( x) = , x ≠ , tem-se f ( x ) ≥ f (1) para:
4x − 3 4
a) −2 < x < −1 d) x > 1

b) −3 ≤ x < −2
3
e) < x ≤1
4
3
c) −1 ≤ x <
4

64. (UNIFENAS- MG) Para que valor de m a equação 4 x 2 − 4mx + (4m − 3) =


0 não admite raízes reais?
a) . d) a) .

b) para todo m , com. e) Nenhum valor real de m.

c) a) .

65. (UFPA) Uma locadora de veículos apresenta, para aluguel de certo tipo de carro, a seguinte tabela:

1° Opção 2° Opção
Diária mais quilometragem Diária com o máximo de 100 km por dia
R$ 70,00 por dia + R$ 0,50 por quilômetro R$ 100,00.
Em uma diária, com o percurso não superior a 100 km, para que a 2° opção seja menor em reais, é necessário
que o número de quilômetros percorridos pelo locatário pertença ao intervalo:

a) [60,100] c) ]60,100] e) [0, 60[ 151

b) ]60,100[ d) [0, 60]

66. Suponha que o faturamento F, em reais, obtido na venda de n artigos seja dado por F (n) = 2,5n e que o

custo C, em reais, da produção dos mesmos n artigos seja C=(n) 0, 7 n + 360 . Nessas condições, para evitar
prejuízo, o número mínimo de artigos que devem ser produzidos e vendidos está compreendido entre:

a) 194 e 197. c) 207 e 217. e) 230 e 233.

b) 198 e 203. d) 220 e 224.

67. (UFRN- RN) No loteamento Mar Azul, cada lote tem 360 m2 de área. Todos os lotes são retangulares, mas,
devido à irregularidade do terreno, a medida da largura dos lotes varia de 10 a 20 metros. Assim, a medida y
do comprimento dos lotes varia segundo a desigualdade:

a) 20 ≤ y ≤ 30 c) 18 ≤ y ≤ 36

b) 20 ≤ y ≤ 28 d) 10 ≤ y ≤ 36 .

2x + 2
68. (UFMG- MG) Considere a função f ( x) = . O conjunto dos valores de x para os quais é:
x −3
a) . c) .

b) . d) .
69. (UFMG) Seja M o conjunto dos números naturais n tais que 2n 2 − 75n + 700 ≤ 0 . Assim sendo, é correto
afirmar que:

a) Apenas um dos elementos de M é múltiplo de 4.

b) Apenas dois elementos de M são primos.

c) A soma de todos os elementos de M é igual a 79.

d) M possui exatamente 6 elementos.

70. (PUC-PR) Sendo x e y números reais, quais das afirmações são sempre verdadeiras?
I) Se x > y então − x > − y .

II) Se | x | = − x então x < 0 .

1 1
III) Se 0 < x < y então > .
x y
IV) Se x 2 ≥ 9 então x ≥ 3 .

V) x 2 − 2 x + y 2 > 0 .
a) Somente I e II.

b) Somente II e IV.

c) Somente III.

d) Todas.
152
e) Somente I e III.

71. (UERJ-RJ) Um comerciante gastou R$ 250,00, adquirindo as mercadorias A e B para revender. Observando
a tabela abaixo, calculou e comprou o número de unidades de A e B para obter o lucro máximo.

Preço por Unidade R$ Máximo de


Mercadorias unidades liberado
De custo De venda para o comerciante
A 1,00 2,50 200
B 2,00 3,00 100
Com a venda de todas as unidades compradas, o lucro máximo, em reais, foi:

a) 225 c) 275

b) 250 d) 325.

72. (ENEM) Duas empresas do mercado de pequenos reparos domésticos determinam o valor de seus
serviços a partir de um valor fixo acrescido de um valor cobrado por hora. A empresa X cobra R$60,00 de
valor fixo mais R$ 18,00 por hora de serviço prestado. A empresa Y cobra R$ 24,00 de valor fixo e está de-
finindo um novo valor a ser cobrado por hora. Sua estratégia de mercado prevê que, em relação à em-
presa X, o custo total do serviço deve ser menor ou igual para trabalhos de até duas horas de duração.

Qual é o valor máximo, em real, que a empresa Y poderá cobrar por hora de serviço prestado a fim de atender
à sua estratégia de mercado?

a) 18 d) 54

b) 36 e) 78

c) 48
73. (ENEM) Ao analisar os dados de uma epidemia em uma cidade, peritos obtiveram um modelo que avalia
a quantidade de pessoas infectadas a cada mês, ao longo de um ano. O modelo é dado por p(t) = -t² + 10t +
24, sendo t um número natural, variando de 1 a 12, que representa os meses do ano, e p(t) a quantidade de
pessoas infectadas no mês t do ano. Para tentar diminuir o número de infectados no próximo ano, a Secretaria
Municipal de Saúde decidiu intensificar a propaganda oficial sobre os cuidados com a epidemia. Foram
apresentadas cinco propostas (I, II, IIl, IV e V), com diferentes períodos de intensificação das propagandas:
• I: 1 ≤ t ≤ 2;
• II: 3 ≤ t ≤ 4;
• III: 5 ≤ t ≤ 6;
• IV: 7 ≤ t ≤ 9;
• V: 10 ≤ t ≤ 12;
A sugestão dos peritos é que seja escolhida a proposta cujo período de intensificação da propaganda englobe
o mês em que, segundo o modelo, há a maior quantidade de infectados. A sugestão foi aceita.
A proposta escolhida foi a

a) I. d) IV.

b) II. e) V.

c) III.

GABARITO
153
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
E A B C D C C C 17 A
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
D A D E C C B B B D
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
C C C A D E B C D B
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
A A D B A * E A E D
41 42 43 44 45 46 47 48 49 50
D D E D D E A B A A
51 52 53 54 55 56 57 58 59 60
A D E C B C C C E C
61 62 63 64 65 66 67 68 69 70
D A E C C B C B A C
71 72 73
D B C

36) B.1) , B.2) , B.3) .


Estudo da Estatística

154
MATEMÁTICA - ESTATÍSTICA
AUTOR: Tiago Augusto Skroch de Almeida

SUMÁRIO
A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO NOS APLICATIVOS DE ENTREGA

1. Estudo da Estatística

1.1. Tipos e tratamentos

1.1.1. Organizando os dados para o Tratamento da Informação.

1.1.2. Representações gráficas.

1.1.3. Medidas de tendência central.

1.2. Medidas de dispersão.

Resumo

Exercícios

Gabarito

155
PROBLEMATIZAÇÃO 1

A Precarização do Trabalho nos Aplicativos de Entrega


Nos últimos anos, os aplicativos de entrega, como iFood, Rappi e Uber Eats, tornaram-se parte essencial do
cotidiano, oferecendo conveniência tanto para consumidores quanto para trabalhadores que buscam flexibilida-
de de horário. No entanto, a realidade desses entregadores vai além da flexibilidade. Muitos enfrentam longas
jornadas, baixos ganhos por entrega e a falta de direitos trabalhistas, como férias remuneradas, décimo terceiro
salário e previdência social. Esses desafios apontam para um fenômeno chamado “precarização do trabalho”,
que afeta diretamente a vida financeira e a saúde desses profissionais.
No contexto dos entregadores, ao se analisar os ganhos diários ou semanais, é possível observar uma grande
variação de rendimentos entre os trabalhadores. Alguns relatam dias de ganhos altos, enquanto outros enfren-
tam jornadas cansativas para conseguir um mínimo aceitável. Como entender essa variação de rendimentos
entre os trabalhadores? Como os dados sobre essas variações podem nos ajudar a ter uma visão mais clara da
situação enfrentada por eles?
Agora, imagine que temos um conjunto de dados com os ganhos diários de 30 entregadores ao longo de uma
semana. Nosso desafio será analisar esses dados e responder a questões importantes sobre a realidade dos en-
tregadores, utilizando conceitos de estatística, como medidas de tendência central e dispersão. Esses conceitos
nos permitirão entender o que é típico entre os rendimentos, identificar a distribuição dos ganhos e refletir sobre
como os resultados podem evidenciar a precarização desse trabalho.

PARA REFLETIR!

A análise estatística dos ganhos dos entregadores pode nos revelar muito sobre a realidade do trabalho
nos aplicativos de entrega. Ao compreender como os rendimentos são distribuídos e a variação entre
eles, podemos identificar padrões de desigualdade e discutir formas de melhorar as condições desses
156 trabalhadores.
1. Como a média dos ganhos pode distorcer a percepção sobre a real situação dos entregadores? Por
que a mediana pode ser mais adequada nesse caso?
2. O que um desvio padrão alto nos diz sobre as condições de trabalho dos entregadores de aplicati-
vos?

A análise das medidas de tendência central, como a média e a mediana, pode ajudar a entender os rendimentos dos en-
tregadores de aplicativos. Enquanto a média oferece uma visão geral, a mediana é mais útil em cenários de desigualdade,
pois os valores extremos podem distorcer a percepção da média. As medidas de dispersão, como o desvio padrão, indicam
a variação dos rendimentos. Um desvio padrão alto sugere diferenças significativas nas condições de trabalho entre os
entregadores. Essa análise pode evidenciar a precarização, destacando a necessidade de políticas públicas para melhorar
as condições de trabalho no setor.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. ESTUDO DA ESTATÍSTICA
O estudo da Estatística é essencial para a compreensão e análise de dados, ajudando a tomar decisões in-
formadas. Ela está presente no dia a dia em situações como a análise de resultados de provas, pesquisas de
opinião, acompanhamento de dados econômicos e na interpretação de informações nas redes sociais e no-
tícias. A Estatística permite entender tendências, probabilidades e padrões, habilidades fundamentais em um
mundo cada vez mais orientado por dados.

1.1. Tipos e tratamentos

1.1.1 Organizando os dados para o Tratamento da Informação

Algumas considerações sobre os tipos de dados encontrados na estatística:


• Qualitativa: se os valores tomados não são numéricos, como: raça, área de estudos, meio de transporte
etc.
• Quantitativa: se os valores tomados são numéricos, como altura, peso, preço de um produto.

As variáveis estatísticas podem ser:


• Contínuas: quando podem assumir qualquer valor do intervalo de variação.
• Discretas: quando só podem assumir valores inteiros.

Para representar essas variáveis, usamos o conceito de frequência, que pode ser:
• Frequência absoluta: é o número de vezes que o valor da variável aparece.
• Frequência relativa: é a razão entre a frequência absoluta e o total de variáveis que compõe a amostra.
157
A população que é feita a pesquisa pode ser:
• Pesquisa Amostral: Coleta dados de uma parte da população (amostra) para representar o todo. É usada
quando não é viável analisar todos os indivíduos.
• Pesquisa Censitária: Coleta dados de todos os indivíduos da população. É mais completa, mas pode ser
mais cara e demorada.

1.1.2. REPRESENTAÇÕES GRÁFICAS


Em estatística é muito comum representarmos os dados em gráficos, pois permitem uma fácil interpretação
das informações. Os tipos de gráficos mais comuns são:

• Gráfico de Colunas: barras Verticais.


• Gráfico de Barras: barras Horizontais

• Gráfico de Setores: os dados são dispostos em círculo, no qual a frequência é proporcional ao ângulo
central.

158

• Histograma: os valores estão representados em classes (intervalos) e dispostos em barras justapostas


verticais.

Exemplo: uma empresa tem 30 funcionários e são distribuídos com relação as suas idades.

Idade Frequência Absoluta


20 – 30 7
(20 |-- 30)
30 – 40 10

(30 |-- 40)


40 – 50 9

(40 |-- 50)


50 – 60 4

(50 |-- 60)


Graficamente:
É comum a utilização de representantes de classes pelos valores médios. Exemplo: 35 representa a classe 30
├ 40.

1.1.3. Medidas de tendência central.

Considere uma amostra com n valores naturais { x1, x 2 , x 3 ,..., x n }. Quando queremos escolher um valor para
representar toda a amostra, utilizamos as medidas de tendência central.

Média aritmética

Média aritmética ( x ) dos valores x1, x 2 , x 3 ,..., x n é o quociente entre a soma desses valores e o número total
de valores.

x1 + x2 + x3 + ... + xn 159
x=
n
• Média aritmética ponderada
É utilizada quando há valores repetidos. Nesse caso multiplicamos os valores pelo número de repetições (peso).

x1f1 + x 2 f2 + ...x n fn
x=
f1 + f2 + ... + fn
• Moda
É o valor que aparece um maior número de vezes, ou seja, é o valor de maior frequência absoluta.

• Mediana
É o valor que ocupa a posição central de um conjunto de dados quando eles estão organizados em ordem
crescente ou decrescente. Para encontrar a mediana, usamos as seguintes fórmulas:

M d = xn
+ 0,5 Para n ímpar
2

xn + xn
+1
Md = 2 2
Para n par.
2
1.2. Medidas de dispersão
Na estatística existem casos em que as medidas
de tendência central (média aritmética, mediana
RESUMO
e moda) são insuficientes para caracterizar uma
amostra. Por isso, outros métodos podem ser ado-
tados, como os que estão a seguir:
A estatística trata da coleta, organização, análise e
interpretação de dados. Os dados podem ser quan-
• Desvio: é o módulo da diferença entre cada
titativos (números) ou qualitativos (categorias). O
valor da amostra e a média x . tratamento da informação envolve organizar esses
dados de maneira que se possa extrair conclusões
significativas, como em tabelas ou gráficos.
d=
n xn − x
1. Representação Gráfica
A representação de dados por meio de gráficos fa-
cilita a interpretação das informações. Os principais
• Variância: é a média aritmética dos desvios ao tipos de gráficos são:
quadrado.
• Gráfico de barras: Comparação de categorias;
• Gráfico de setores (pizza): Proporções em rela-
( ) ( ) ( )
2 2 2
x1 − x + x2 − x + ... + xn − x ção a um todo;
V= • Histograma: Distribuição de frequências de da-
n dos contínuos;
• Desvio padrão: é a raiz quadrada da variância, • Gráfico de linhas: Evolução de dados ao longo do
tempo.
σ= V.
2. Medidas de Tendência Central

( x − x) + ( x ) ( )
2 2 2 As medidas de tendência central resumem um
1 2 − x + ... + xn − x conjunto de dados em um valor representativo. As
σ= principais são:
n • Média aritmética: Soma dos valores dividida pelo
160 Na prática, utilizamos o desvio padrão. Mas para número de elementos.
que que serve o desvio padrão? • Mediana: Valor central de um conjunto ordenado
Ele é usado para caracterizar qual é a distribuição de dados.
mais homogênea, ou seja, qual distribuição tem • Moda: Valor que mais aparece em um conjunto
comportamento mais regular. Quanto mais próxi- de dados.
mo de zero, mais homogênea é a distribuição.
3. Medidas de Dispersão
As medidas de dispersão indicam o quanto os da-
dos se espalham em relação à tendência central.
As principais são:
SAIBA MAIS! • Amplitude: Diferença entre o maior e o menor
valor.
O que é Inferência Estatística? • Variância: Média dos quadrados dos desvios em
relação à média.
A Inferência Estatística é uma ferramenta po- • Desvio padrão: Raiz quadrada da variância, re-
derosa que permite tirar conclusões sobre presenta a dispersão em termos absolutos.
uma população inteira com base em dados
coletados de uma amostra representativa.
Nesta aula, você aprenderá como, por meio Dicas
de métodos estatísticos, é possível analisar, • Entenda a aplicação prática de cada tipo de
interpretar e generalizar informações obtidas gráfico e escolha o mais adequado para dife-
de uma parte dos dados (amostra) para o rentes situações.
todo (população). • Treine o cálculo das medidas de tendência cen-
tral e dispersão, pois são frequentes nas provas
Entender a inferência estatística é funda- de vestibular.
mental para resolver problemas práticos,
como prever tendências, estimar valores • Em questões de interpretação de gráficos e da-
desconhecidos e tomar decisões baseadas dos, preste atenção aos detalhes numéricos e
em evidências. Ao longo desta aula, explora- contextuais para evitar erros.
remos os principais conceitos e técnicas que
tornam essa abordagem confiável e ampla-
mente utilizada em diversas áreas, como ci-
ências, economia e pesquisa..
3. (UFPR) Em levantamento feito numa sala de aula

EXERCÍCIOS
de um curso da UFPR, verificou-se que a média das
idades dos 42 alunos matriculados era de 20,5 anos.
Nesse levantamento foram considerados apenas
os anos completos e desconsideradas todas as fra-
Estudo da Estatística ções (meses, dias etc.). Passadas algumas sema-
nas, a coordenação do curso verificou que um aluno
1. (ENEM) Nos cinco jogos finais da última tempora- havia desistido, e que a média das idades caiu para
da, com uma média de 18 pontos por jogo, um joga- 20 anos. Como nesse período nenhum dos alunos
dor foi eleito o melhor do campeonato de basquete. da turma fez aniversário, qual a idade do aluno que
Na atual temporada, cinco jogadores têm a chance desistiu?
de igualar ou melhorar essa média. No quadro estão
registradas as pontuações desses cinco jogadores a) 25 anos
nos quatro primeiros jogos das finais deste ano.
b) 29 anos

c) 41 anos

d) 33 anos

e) 37 anos

O quinto e último jogo será realizado para decidir a


4. (ENEM) O gráfico apresenta os totais de receitas
equipe campeã e qual o melhor jogador da tem-
e despesas de uma empresa, expressos em milhão
porada.
de reais, no decorrer dos meses de um determina-
O jogador que precisa fazer a menor quantidade do ano. A empresa obtém lucro quando a diferen-
de pontos no quinto jogo, para igualar a média de ça entre receita e despesa é positiva e tem prejuízo
pontos do melhor jogador da temporada passada, quando essa diferença é negativa.
éo

a) I.

b) II.

c) III. 161

d) IV.

e) V.

2. (ENEM) A participação dos estudantes na Olimpí-


Qual é a mediana, em milhão de reais, dos valores
ada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas
dos lucros apurados pela empresa nesse ano?
(OBMEP) aumenta a cada ano. O quadro indica o
percentual de medalhistas de ouro, por região, nas a) 1,5
edições da OBMEP de 2005 a 2009:
b) 2,0
Região 2005 2006 2007 2008 2009

Norte 2% 2% 1% 2% 1% c) 2,9
Nordeste 18% 19% 21% 15% 19%
d) 3,0
Centro-Oeste 5% 6% 7% 8% 9%
e) 5,5
Sudeste 55% 61% 58% 66% 60%

Sul 21% 12% 13% 9% 11%


5. (ENEM) Uma pessoa realizou uma pesquisa com
Em relação às edições de 2005 a 2009 da OBMEP, alguns alunos de uma escola, coletando suas ida-
qual o percentual médio de medalhistas de ouro da des, e organizou esses dados no gráfico.
região Nordeste?

a) 14,6%

b) 18,2%

c) 18,4%

d) 19%

e) 21%
Qual é a média das idades, em ano, desses alunos? As informações do gráfico indicam que:

a) 9 d) 19 a) o maior desmatamento ocorreu em 2004.

b) 12 e) 27 b) a área desmatada foi menor em 1997 que em


2007.
c) 18
c) a área desmatada a cada ano manteve-se
constante entre 1998 e 2001.
6. (ENEM) Um investidor inicia um dia com x ações de
uma empresa. No decorrer desse dia, ele efetua ape- d) a área desmatada por ano foi maior entre 1994 e
nas dois tipos de operações, comprar ou vender ações. 1995 que entre 1997 e 1998.
Para realizar essas operações, ele segue estes cri-
térios: e) o total de área desmatada em 1992, 1993 e 1994 é
I. vende metade das ações que possui, assim que maior que 60.000 km².
seu valor fica acima do valor ideal (Vi);
II. compra a mesma quantidade de ações que pos-
8. (ENEM) Suponha que a etapa final de uma ginca-
sui, assim que seu valor fica abaixo do valor mínimo
na escolar consista em um desafio de conhecimen-
(Vm);
tos. Cada equipe escolheria 10 alunos para realizar
III. vende todas as ações que possui, quando seu uma prova objetiva, e a pontuação da equipe seria
valor fica acima do valor ótimo (Vo). dada pela mediana das notas obtidas pelos alunos.
As provas valiam, no máximo, 10 pontos cada. Ao fi-
nal, a vencedora foi a equipe Ômega, com 7,8 pon-
tos, seguida pela equipe Delta, com 7,6 pontos. Um
dos alunos da equipe Gama, a qual ficou na tercei-
ra e última colocação, não pôde comparecer, tendo
recebido nota zero na prova. As notas obtidas pelos
10 alunos da equipe Gama foram 10; 6,5; 8; 10; 7; 6,5;
7;8; 6; 0.
Se o aluno da equipe Gama que faltou tivesse com-
parecido, essa equipe:

a) teria a pontuação igual a 6,5 se ele obtivesse


nota 0.
162
O gráfico apresenta o período de operações e a va- b) seria a vencedora se ele obtivesse nota 10.
riação do valor de cada ação, em reais, no decorrer
daquele dia e a indicação dos valores ideal, mínimo c) seria a segunda colocada se ele obtivesse nota 8.
e ótimo.
d) permaneceria na terceira posição, independen-
Quantas operações o investidor fez naquele dia?
temente da nota obtida pelo aluno.
a) 3 d) 6
e) empataria com a equipe Ômega na primeira co-
b) 4 e) 7 locação se o aluno obtivesse nota 9.

c) 5

7. (ENEM) O gráfico abaixo mostra a área desma-


tada da Amazônia, em km², a cada ano, no período
de 1988 a 2008.

9. (ENEM) Na tabela, são apresentados dados da


cotação mensal do ovo extra branco vendido no
atacado, em Brasília, em reais, por caixa de 30 dú-
zias de ovos, em alguns meses dos anos 2007 e
2008. De acordo com esses dados, o valor da me-
diana das cotações mensais do ovo extra branco
nesse período era igual a:

a) R$ 73,10

b) R$ 81,50
c) R$ 82,00 d) Sabor bem brasileiro: Brasil inunda o mercado
mundial com a produção de 15 mil toneladas de
d) R$ 83,00 mel em 2005.

e) R$ 85,30 e) Sabor de mel: China é o gigante na produção de


mel no mundo e o Brasil está em 15º lugar no ranking.

12. (ENEM) Nos últimos anos, ocorreu redução gra-


dativa da taxa de crescimento populacional em
quase todos os continentes. A seguir, são apresen-
tados dados relativos aos países mais populosos
em 2000 e também as projeções para 2050.

10. (ENEM) O quadro apresenta informações da


área aproximada de cada bioma brasileiro.
É comum em conversas informais, ou mesmo
em noticiários, o uso de múltiplos da área de um
campo de futebol (com as medidas de 120m x 90m)
para auxiliar a visualização de áreas consideradas
extensas. Nesse caso, qual é o número de campos
de futebol correspondente à área aproximada do
bioma Pantanal?

a) 1.400

b) 14.000
163
c) 140.000

d) 1.400.000

e) 14.000.000

Com base nas informações acima, e correto afir-


mar que, no período de 2000 a 2050,

a) a taxa de crescimento populacional da China


será negativa.

b) a população do Brasil duplicará.

c) a taxa de crescimento da população da Indoné-


sia será menor que a dos EUA.

d) a população do Paquistão crescerá mais de 100%.

11. (ENEM) É título adequado para a matéria jornalís- e) a China será o país com a maior taxa de cresci-
tica em que o gráfico seja apresentado: mento populacional do mundo.

a) Apicultura: Brasil ocupa a 33ª posição no ranking


mundial de produção de mel — as abelhas estão
desaparecendo no país.

b) O milagre do mel: a apicultura se expande e co-


loca o país entre os seis primeiros no ranking mun-
dial de produção.

c) Pescadores do mel: Brasil explora regiões de


mangue para produção do mel e ultrapassa a Ar-
gentina no ranking mundial.
13. (ENEM) Uma pesquisa da ONU estima que, já em po Cetáceos, outra do grupo Primatas e a terceira
2008, pela primeira vez na história das civilizações, a do grupo Roedores. O número de conjuntos distintos
maioria das pessoas viverá na zona urbana. O grá- que podem ser formados com essas espécies para
fico a seguir mostra o crescimento da população esse estudo é igual a:
urbana desde 1950, quando essa população era de
700 milhões de pessoas, e apresenta uma previsão a) 1.320.
para 2030, baseada em crescimento linear no perí-
odo de 2008 a 2030. b) 2.090.

c) 5.845.

d) 6.600.

e) 7.245.

15. (ENEM) O tabagismo (vício do fumo) é respon-


sável por uma grande quantidade de doenças e
mortes prematuras na atualidade. O Instituto Na-
cional do Câncer divulgou que 90% dos casos diag-
nosticados de câncer de pulmão e 80% dos casos
diagnosticados de enfisema pulmonar estão asso-
ciados ao consumo de tabaco. Paralelamente, fo-
ram mostrados os resultados de uma pesquisa rea-
lizada em um grupo de 2000 pessoas com doenças
de pulmão, das quais 1500 são casos diagnostica-
De acordo com o gráfico, a população urbana mun- dos de câncer, e 500 são casos diagnosticados de
dial em 2020 corresponderá, aproximadamente, a enfisema. Com base nessas informações, pode-se
quantos bilhões de pessoas? estimar que o número de fumantes desse grupo de
2000 pessoas é aproximadamente:

a) 4,00 a) 740

b) 4,10 b) 1100
164
c) 4,15 c) 1310

d) 4,25 d) 1620

e) 4,50 e) 1750

14. (ENEM) Estima-se que haja, no Acre, 209 espé- 16. (UFPR) Na tabela abaixo, encontra-se a distri-
cies de mamíferos, distribuídas conforme a tabela buição de frequência dos salários das três funções
abaixo. existentes em uma empresa de médio porte.

Grupos taxonômicos Número de espécies Função Salário (R$) Número de


funcionários
Artiodáctilos 4
Operário 500,00 40
Carnívoros 18
Inspetor 2 500,00 8
Cetáceos 2
Diretor 5 000,00 2
Quirópteros 103

Lagomorfos 1 Com base nesses dados, assinale a alternativa cor-


Marsupiais 16 reta.

Perissodáctilos 1 a) O salário médio dessa empresa é obtido soman-


do os salários das três funções e dividindo esse re-
Primatas 20
sultado por três.
Roedores 33
b) A mediana é o salário de R$ 2.500,00 recebido
Sirênios 1
pelo inspetor dessa empresa.
Edentados 10
c) O desvio padrão é zero, pois 80% dos funcionários
Total 209
recebem o mesmo valor.
T&C Amazônia, ano 1, nº 3, dez./2003.
Deseja-se realizar um estudo comparativo entre d) O salário médio dessa empresa é de R$ 1.000,00.
três dessas espécies de mamíferos — uma do gru-
e) Existe uma grande homogeneidade de salários, d) Somente a afirmativa I é verdadeira.
pois a maioria dos funcionários recebe o mesmo
valor de R$ 500,00. e) As afirmativas I, II e III são verdadeiras.

17. (UFPR) É de conhecimento público a recusa da 19. (UFPR) Os dados abaixo representam o tempo
China em receber alguns carregamentos de soja (em segundos) para carga de um determinado
brasileira por julgar que a qualidade do produto aplicativo, em um sistema compartilhado.
não estava de acordo com o padrão que ela espe-
rava. Isso demonstra que, na época atual de globa-
lização e competitividade, é muito importante que Tempo(s) Nº de observações
as empresas mantenham um Controle Estatístico
de Processo rigoroso, para que não ocorra produ- 4,5 |-- 5,5 03
ção de bens que não atendam à expectativa dos 5,5 |-- 6,5 06
consumidores e, consequentemente, venham a
provocar a perda de mercados. Diante disso, con- 6,5 |-- 7,5 13
sidere que, em uma linha de produção de peças, a 7,5 |-- 8,5 05
cada período de duas horas são tomadas, ao aca-
so, quatro peças e medidos os seus comprimentos. 8,5 |-- 9,5 02
Na primeira amostra obteve-se: 33 mm, 36 mm, 37 9,5 |-- 10,5 01
mm e 34 mm. Nessa amostra, o desvio padrão das
peças é, aproximadamente: Total 30

a) 0,41
Com base nesses dados, considere as afirmativas
b) 0,53 a seguir:

1. O tempo médio para carga do aplicativo é de 7,0


c) 0,86 segundos.

d) 1,58 2. A variância da distribuição é aproximadamente


1,33 segundos ao quadrado.
e) 0,68
3. O desvio padrão é a raiz quadrada da variância.
18. (UFPR) O serviço de atendimento ao consumi-
4. Cinquenta por cento dos dados observados es- 165
dor de uma concessionária de veículos recebe as
tão abaixo de 6,5 segundos.
reclamações dos clientes via telefone. Tendo em
vista a melhoria nesse serviço, foram anotados os Assinale a alternativa correta.
números de chamadas durante um período de sete
dias consecutivos. Os resultados obtidos foram os a) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
seguintes:
b) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras.
domingo

segunda

sábado
quarta

quinta

sexta
terça

Dia c) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.


Número de 3 4 6 8 5 7 8
chamadas e) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.

Sobre as informações contidas nesse quadro, consi- 20. Um provedor mediu o tempo (em minutos) de
dere as seguintes afirmativas: uso diário da Internet por seus assinantes. Com os
dados obtidos construiu-se o seguinte histograma.
I. O número médio de chamadas dos últimos sete
dias foi 6.

II. A variância dos dados é 4.

III. O desvio padrão dos dados é 2.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.


Com base nesses dados, considere as afirmativas 23. (FGV) Dois atiradores, X e Y, obtiveram uma sé-
a seguir: rie de vinte tiros em um alvo da forma indicada na
1. 50% do total de assinantes fica conectado entre figura. Os resultados foram os seguintes:
meia hora e uma hora e meia na rede.
ATIRADOR 50 30 20 10 0
2. A mediana do tempo de uso é de 120 minutos.
X 4 6 5 4 1
3. A média do tempo de uso é superior a 90 minutos.
4. O desvio padrão do tempo de uso é inferior a 50 Y 6 3 5 3 3
minutos.
a) Qual é a média de pontos por tiro de cada um
Assinale a alternativa correta. dos atiradores?
a) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
b) Qual atirador teve desempenho mais regular?
b) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras.
24. (UFPR) Dado um conjunto X = {x1, x2, x3, ..., xn} com
c) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras. n elementos, definimos a média x e o desvio padrão
d de X por:
d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.

e) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. x1 + x2 + ... + xn


x= e
n
21. O gráfico apresenta o comportamento de em-
( x − x) + ( x ) ( )
2 2 2
prego formal surgido, segundo o CAGED, no período 1 2 − x + ... + xn − x
de janeiro de 2010 a outubro de 2010. d=
n
Uma informação útil para quem analisa um conjun-
to de dados como X é que a maioria desses dados

pertence ao intervalo C= x − 2d , x + 2d 


 

5 7 
Sendo X =  , 4, ,3 um conjunto de dados:
166 2 2 
a) Calcule a média x e o desvio padrão d.
Com base no gráfico, o valor da parte inteira da me-
diana dos empregos formais surgidos no período é b) Verifique quais dados do conjunto X acima per-
tencem ao intervalo C.
a) 212.952

b) 229.913 25. (ENEM) O índice de massa corpórea (IMC) é uma


medida que permite aos médicos fazer uma avalia-
c) 240.621 ção preliminar das condições físicas e do risco de
uma pessoa desenvolver certas doenças, conforme
d) 255.496 mostra a tabela abaixo.

e) 298.041

22. O quadro mostra o número de defeitos por carro


de uma determinada marca, em uma frota de 40
carros.

DEFEITO POR FREQUÊNCIA


CARRO

0 6

1 9

2 7

3 4

4 9 Considere as seguintes informações a respeito de


5 5 João, Maria, Cristina, Antônio e Sérgio.

a) Cristina está dentro dos padrões de normalidade.


Nessas condições, calcule a média aritmética e o
desvio padrão: b) Maria está magra, mas não corre risco de desen-
volver doenças.
c) João está obeso e o risco de desenvolver doen-
ças é muito elevado.

d) Antônio está com sobrepeso e o risco de desen-


volver doenças é muito elevado.

e) Sérgio está com sobrepeso, mas não corre risco


de desenvolver doenças.

GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
B C C D D B D D D E
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
E D D A E D D B E C
21 22 23 24 25
B * * * D
167
22) x = 2,4 e σ = 1,67

23)
• a) ambos com média 26.

• b) x é o mais regular, porque apresenta o menor desvio-padrão.

24)

5~
• a) x = 3,25 e d = = 0,56
4
• b) Todos os valores de X pertencem a C, pois X ⊂ C.
Estudo da Estatística

168
MATEMÁTICA - TRIGONOMETRIA

AUTOR: Tiago Augusto Skroch de Almeida


SUMÁRIO
COMPRANDO CONSCIENTE: QUANDO O CONSUMO EXCEDE OS LIMITES

1. Trigonometria: relações entre as razões trigonométricas


2. Trigonometria no Ciclo

2.1. Ângulos na circunferência

2.2. Comprimento de um arco

2.3. Ciclo trigonométrico

2.4. Arcos côngruos e expressão geral dos arcos

3. Redução ao 1° Quadrante

3.1. Redução do 2° para o 1° quadrante.

3.2. Redução do 3° para o 1° quadrante.

3.3. Redução do 4° para o 1° quadrante.

Resumo

Exercícios
169

Gabarito
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Comprando Consciente: Quando o Consumo


Excede os Limites
Em uma cidade, o aumento das compras por parte da popula-

ção jovem chamou a atenção das autoridades e educadores,


que perceberam que o consumismo estava se tornando um
problema. Para entender esse comportamento, um grupo usou
trigonometria para modelar os hábitos de compra ao longo do
mês. Eles representaram a frequência de compras no círculo tri-
gonométrico, onde os ângulos indicavam os dias e as funções
seno e cosseno mostravam os picos de gasto. Assim, buscavam
identificar padrões de consumo exagerado e discutir maneiras
de promover um consumo mais consciente.

PARA REFLETIR!

Com o aumento das compras por impulso e a facilidade de acesso a promoções irresistíveis, muitas
pessoas acabam gastando mais do que planejado, impactando suas economias e bem-estar financei-
ro. Esse comportamento de consumo, muitas vezes influenciado por publicidade e redes sociais, pode
levar a uma sensação constante de insatisfação e a uma gestão financeira desbalanceada.
170
1. Como suas compras impulsivas afetam suas finanças pessoais e seu bem-estar geral?

2. O que pode ser feito para tomar decisões de compra mais informadas e equilibradas no dia a dia?
Como você identificaria seu comportamento de consumo?

O comportamento de compra pode ser analisado usan-


do conceitos de trigonometria para entender melhor os
padrões de consumo. Imagine que cada compra impul-
siva é representada por um arco em um ciclo trigono-
métrico, onde a largura do arco simboliza a intensidade
do gasto. Os ângulos na circunferência refletem os mo-
mentos específicos em que os gastos ocorrem, e o com-
primento do arco representa a magnitude do consumo
em diferentes períodos. Ao aplicar relações entre ra-
zões trigonométricas e expressões gerais dos arcos, é
possível identificar padrões e ciclos nos hábitos de com-
pra, ajudando a visualizar como os picos de consumo se
distribuem ao longo do tempo e a planejar estratégias
para um consumo mais consciente e equilibrado.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. TRIGONOMETRIA: RELA-
Os triângulos ABC e AC1B1 têm um par de ângulos
agudos correspondentes congruentes – pois o ân-

ÇÕES ENTRE AS RAZÕES


gulo α é comum aos dois triângulos – e cada um
deles possui um ângulo reto. Ou seja, eles têm dois

TRIGONOMÉTRICAS
pares de ângulos correspondentes congruentes.
Logo, pelo critério AA de semelhança se conclui que
esses triângulos são semelhantes.
Então, os lados correspondentes desses triângulos
São duas as ideias essenciais para o estudo das ra- são proporcionais:
zões trigonométricas:
• a semelhança de triângulos; (1).
• a vinculação entre cada razão e o ângulo ao
qual se refere. Analogamente, os triângulos ABC e AC2B2 são semelhan-
tes e os lados correspondentes são proporcionais:
Abordaremos a seguir as definições das razões tri-
(2).
gonométricas com uma sequência de figuras e re-
lações algébricas, para assim concluir que existe
uma razão constante associada a um determinado De (1):
ângulo e, portanto, é compreensível que essa razão , aplicando a propriedade de proporções,
tenha um nome específico associado ao ângulo.
É suficiente aplicar o argumento seguinte a dois tri-
ângulos apenas. Para isso, considera-se um ângulo tem-se:
agudo e constroem-se vários triângulos retângulos
que têm em comum entre eles aquele ângulo agu-
do. (3).
Para começar, desenhe um ângulo PAR.
De (2):

, aplicando a propriedade de proporções,

tem-se: 171
(4).

De (3) e (4):

Em seguida, escolha um ponto B no lado AP e tra-


Conclui-se que não só essas razões têm o mesmo valor.
ce a partir de B um segmento perpendicular a esse Qualquer outro triângulo retângulo construído do mesmo
lado; designe por C o ponto de interseção do seg- modo, como foram os triângulos ABC, AC1B1 e AC2B2,
mento com o outro lado do ângulo. Dessa forma, fi- será semelhante a esses, e terá a mesma razão entre a
cou formado o triângulo retângulo ABC. medida do cateto oposto ao ângulo α e a hipotenusa. Des-
sa forma, justifica-se dar um nome a essa razão.
A partir disso, escolha um ponto C1 no lado A R e
trace um segmento C1B1 perpendicular a esse lado, Definição 1. Em qualquer triângulo retângulo, sendo α um
sendo B1 a interseção do segmento com o lado dos seus ângulos agudos, denomina-se seno de α à razão
AP. Com isso, ficou formado o triângulo retângulo entre o cateto oposto a α e a hipotenusa. Esquematica-
AC1B1. De modo análogo, constrói-se outro triângulo mente, escreve-se:
AB2C2, conforme a figura.

De modo análogo, considerando outras igualdades conti-


das na expressão (3), conclui-se que:
Definição 2. Em qualquer triângulo retângulo, sendo α um
dos seus ângulos agudos, denomina-se cosseno de α à
razão entre o cateto adjacente a α e a hipotenusa. Esque-
maticamente, escreve-se:

De maneira análoga à utilizada para obter o seno do ângu-


lo α, têm-se das igualdades da expressão (1):
Definição 3. Em qualquer triângulo retângulo, sendo α um
dos seus ângulos agudos, denomina-se tangente de α à 2. Trigonometria no
razão entre o cateto oposto a α e o cateto adjacente. Es-
quematicamente, escreve-se: Ciclo
2.1. Ângulos na circunferência
As três definições são denominadas razões trigonométri- Vamos definir alguns elementos na circunferência
cas do ângulo α. Mas a tangente de um ângulo pode ser abaixo:
expressa em função do seno e o cosseno do mesmo ân-
gulo.
Das definições 1 e 2, têm-se as seguintes relações:
Da definição 1:

(5).

Da definição 2:

(6).

Aplicando (5) e (6) na definição 3, temos:

Elementos:
Logo,
• R → Raio.
• O → Centro.

• α → Ângulo.
• (AB) ̂ → Arco de circunferência.
SAIBA MAIS! • → Comprimento de arco.
172
Veja no link a seguir como medir o ângulo Observe que:
além das principais funções trigonométricas • A medida do ângulo é feita no sentido anti-ho-
com as quais se trabalha em matemática, rário.
tais como: seno, cosseno, tangente e entre
outras. Você poderá ver também as relações • Que a medida do arco é a mesma do ângulo α
entre as funções trigonométricas, não fican- (que é central), ou seja:
do apenas nas ideias para resolver proble-
Arco = ângulo central.
mas de geometria e álgebra envolvendo os
conceitos aqui apresentados.
Geralmente para medir ângulos usamos como uni-
dade o grau (°). No entanto, como estamos traba-
lhando com ângulos na circunferência usaremos
uma outra unidade, o radiano.
O radiano (rad) é o arco com comprimento igual
ao raio.

A relação entre o radiano e o grau é a seguinte:

π rad
= 180° 1 rad ≅ 57, 6°
Para conversão de unidades, faremos uma regra de Comprimento Medida do
três simples.
Exemplos: de arco arco ( em rad )
r 1
1. Transforme em radianos.
Solução:
 α
30° → rad. Portanto:  = α .R
Usando a relação: π rad → 180° Exemplos:
1. Determine o comprimento de um arco correspon-
π rad 180° dente a um ângulo de 60°, contido em uma circun-
x 30° ferência de 2 cm de raio.

180/ x = 30/ π Solução: Vamos converter 60° em rad.


3/ π π 180° → π
x= → x = rad .
18 6 60 π π
60° → x ⇒ x = → x = rad
45° → rad. 180 3
π
Usando a relação: π rad → 180° Aplicando a fórmula, dados α= rad e r = 2 cm,
temos: 3
180 x = 45π
π 2π
45 π π  = α .r →  = 2 ⋅ →= cm.
x= → x = rad . 3 3
180 4
2. O ponteiro dos minutos de um relógio mede 10 cm.
π Qual é a distância que na extremidade o ponteiro
2. Transforme rad em graus: percorre em 20 minutos? (Considere π = 3,14 ).
Solução: 2

Vamos utilizar a regra de três: 173


π rad 180°
π
rad x
2
180 π/ 180°
πx= →x= → x = 90°
2 2

2.2. Comprimento de um arco Solução: na figura, observamos que o ângulo for-


mado pelos ponteiros é 120°, pois a cada intervalo
Considere o ângulo central α (em radianos) e o
de hora, temos um ângulo de 30°.
Convertendo 120° em rad.
arco �
AB de comprimento  .
Note que 120° = 2.60°
π
Como 60 = rad ; temos:
3

120° = rad
3
 2π
α = rad
Aplicando a fórmula:  3
A relação entre arco, raio e ângulo é: r = 10 cm
 = α .R
2π 20π
Demonstração: Vamos estabelecer a seguinte re- = α .r → = ⋅10 → = →
gra de três: 3 3
20.3,14 62,8
=
 = →  ≅ 20,93 cm
3 3
2.3. Ciclo trigonométrico Solução: se o arco é negativo, significa que o arco
foi medido no sentido anti-horário.
Como – 90° < – 120° < – 180° e qualquer valor entre
Considere uma circunferência de raio unitário (r =
– 90° e – 180° pertence ao 3° quadrante.
1). Vimos que os ângulos na circunferência são me-
didos no sentido anti-horário. Então −120 ∈ 3°Q
Chamaremos de ciclo trigonométrico a circunfe-
rência de raio unitário e orientada pelos eixos car-
(c) 5π rad
tesianos x e y.
3

Vamos usar a comparação de frações:


5π 3π 10π 9π , pois 10 > 9.
> → >
3 2 6 6
5π 10π 12π , pois 10 < 12.
< 2π → <
3 6 6
Assim: 3π 5π 5π
< < 2π ; ou seja, ∈ 4º Q .
2 3 3
Os eixos cartesianos dividem a circunferência em
quatro partes, que chamaremos de quadrantes.
A tabela abaixo fornece os extremos dos quadran- 2.4. Arcos côngruos e expres-
tes em graus e em radianos.
são geral dos arcos
Graus Radianos
Observe as figuras abaixo, representando arcos no
ciclo trigonométrico.
1° Quadrante  π
0; 2 
0°,90 

174 2° Quadrante π 
 2 ; π 
90°,180 
O ponto B corres- Após 1 volta comple- Após 2 voltas
ponde ao número ta (360°), o ponto B completas (720° =
60°. também correspon- 2 . 360°), o ponto B
3° Quadrante  3π  de ao número 420° também correspon-

 π ; 2 
180 , 270  (60° + 360°) de ao número 780°
(720° + 60°)

Observe que um extremo de arco pode estar as-


4° Quadrante  270 ,360   3π  sociado a vários números reais, cuja diferença de
 2 ; 2π  valores é um múltiplo de 360°. Nesse caso, determi-
namos arcos côngruos.
60 ≡ 420 e 60 ≡ 780 .
 
Observe que
Exemplo:
Dizemos que dois arcos são côngruos (ou con-
Determine a que quadrante pertence os seguintes gruentes) quando suas medidas diferem de um
arcos:
múltiplo de 360° (ou 2π rad).
(a) 135°
Chamamos de menor determinação positiva
(M.D.P), ou de primeira determinação positiva,
Solução: note que 135° é um valor entre 90° e 180°, qualquer arco com medida em entre 0° e 360°.
ou seja, 90°< 135°< 180°. Logo, o arco pertence ao 2°
quadrante. Assim: x é MDP ⇒ 0 < x < 360
(b) –120°
Conhecendo a M.D.P do arco descobrimos outros
arcos côngruos ( α
) pela expressão geral dos ar-
cos.
Considere:
 x → M.D.P

k → Número inteiro de voltas completas
Assim: O numerador será obtido da seguinte maneira:
(em graus) • A 1° parcela deve ser um número próximo de
19, divisível por 4, que dê um número par como
ou
quociente (que indicará as voltas completas).
(em radianos) Nesse caso é 16;
• A 2° parcela vai ser quanto falta para completar
Exemplo: o numerador do arco. Nesse caso é 3.
Encontre a M.D.P, o quadrante e a E.G dos arcos.
(a) 1320° Assim:

19π 16π 3π
Solução: como 1320° > 360°, vamos encontrar a = +
M.D.P, efetuando a divisão desse arco por 360° (que 4 4
  4
representa uma volta completa). 4π M . D. P
2 voltas
1320 
360 

(c) – 750°
− 1080 
3→k
Solução: note que agora temos um arco negativo.
240 → M .D.P Vamos fazer as contas como se o arco fosse posi-
tivo.
Observe que o resto é igual a M.D.P.
Assim: 240 360
• M.D.P = 240°
30 2
• 240 ∈ 3º Q .

• E.G. dos arcos: ↓


M .D.P
Repare que se k = 3, temos:
Assim: – 750° = – 30° – 2. 360°
α 240 + 360.3
=
Mas
−30 ∈ 4º Q e –30° = 330° (devemos conside-
α= 240 + 1080 → α= 1320
  
rar um valor positivo)
(b) 19π rad • M.D.P = 330°
175
4
• 330 ∈ 4º Q

Temos duas maneiras de resolver essa situação. • E.G dos arcos:
19π
1° modo: vamos diminuir 2π de até obter um
4 OBS: basta analisar o k < 0 para obter o valor dado.
arco x, tal que x < 2π .
Considere k = – 3 (3 voltas no sentido horário). As-
sim:

19π 19π 8π 11π 8π α =330 + 360. ( −3)


− 2π → − → > ( 2π )
4 4 4 4 4 α= 330 − 1080º → α= 750º
11π 11π 8π 3π 8π
− 2π → − → < ( 2π )
4 4 4 4 4 3. Redução ao 1° Quadrante
M . D. P
Você já ouviu falar em simetria?
3π Uma definição conveniente para simetria fala de
• M.D.P = rad. pontos de um círculo que estão à mesma distância
4
3π de algum eixo, como ocorre no ciclo trigonométrico.
• ∈ 2º Q Observe a figura:
4
π 3π 2π 3π 4π
< <π → < <
2 4 4 4 4

• E.G dos arcos:

2° modo: vamos escrever o arco como uma soma


de frações com denominador igual ao do arco
dado.
19π ? π ? π
= +
4 4 4
• B é simétrico de A pelo eixo y.
3.3. Redução do 4° para o 1°
• C é simétrico de A pelo diâmetro AC . quadrante
• D é simétrico de A pelo eixo x.

Note que os quadrantes são partes simétricas do


ciclo. Por conta disso, podemos relacionar qualquer
arco com um arco do 1° quadrante, aplicando o
processo da redução ao 1° quadrante.

3.1. Redução do 2° para o 1° qua-


drante

Note que os arcos e são iguais. Assim, o arco é o


quanto falta para completar 360°.
Logo, concluímos que um arco do 4° quadrante é
=
da forma α 360 − x ou =

α 2π − x , em que x
representa um arco do 1° quadrante.

Exemplo: 300° corresponde a 60°, pois faltam 60°


para 300° completar 1 volta (360°)

Note que os arcos e s são iguais. Assim, o arco ∈2º


Q é o quanto falta para completar 180°. Logo, con-
cluímos que um arco do 2° quadrante é da forma

176
α 180 − x ou
= α= π − x , em que x representa
um arco do 1° quadrante.

Exemplo: 120° corresponde a 60°, pois 60° é o quan-


to falta para 120° completar 180°

3.2. Redução do 3° para o 1°


quadrante.
RESUMO
Trigonometria no Triângulo Retângulo:
A trigonometria no triângulo retângulo envolve o es-
tudo das relações entre os ângulos e os lados desse
triângulo. As principais funções trigonométricas são
o seno, cosseno e tangente. Para um ângulo θ em
um triângulo retângulo:
• Seno (senθ) é a razão entre o cateto oposto e a
hipotenusa;
• Cosseno (cosθ) é a razão entre o cateto adja-
cente e a hipotenusa;
Note que a diferença entre os arcos é de meia-volta
e que = . Assim, o arco ∈3º Q é quanto passa de • Tangente (tanθ) é a razão entre o cateto oposto
180°. e o cateto adjacente.

Logo, concluímos que um arco do 3° quadrante é da Essas relações ajudam a calcular ângulos ou lados
desconhecidos.
forma= α 180 + x ou

α= π + x , em que x repre-
senta um arco do 1° quadrante.
Trigonometria no Círculo Trigonomé-
Exemplo: 210° corresponde a 30°, pois 210° = 180°+ trico - Redução ao Primeiro Quadrante:
30° No ciclo trigonométrico, o círculo tem raio 1 e é usa-
do para definir as funções trigonométricas para 3. (UFRGS) Se o ponteiro menor de um relógio per-
qualquer ângulo θ. Os ângulos podem ser classi-
ficados em diferentes quadrantes, mas é possível
corre um arco de π 12 rad, o ponteiro maior per-
corre um arco de:
reduzir qualquer ângulo ao primeiro quadrante
(valores de 0° a 90°) para facilitar os cálculos, utili-
zando as simetrias do círculo. Para isso, usamos as a) π 6 rad
identidades de redução de quadrantes, que ajus-
tam os sinais das funções seno e cosseno conforme b) π 4 rad
o ângulo esteja nos quadrantes II, III ou IV.

c) π 2 rad
Dica:
Podemos encontrar o arco do 1° quadrante através
da seguinte relação: d) π 3 rad
2° Quadrante: Quanto falta pra 180°
3° Quadrante: Quanto passa de 180° e) π rad .
4° Quadrante: Quanto falta pra 360°
4. (UFPR) Maria e seus colegas trabalham em uma
empresa localizada em uma praça circular. Essa
praça é circundada por uma calçada e dividida em
partes iguais por 12 caminhos retos que vão da bor-

EXERCÍCIOS
da ao centro da praça, conforme o esquema abai-
xo. A empresa fica no ponto E, há um restaurante no
ponto R, uma agência de correio no ponto C e uma
lanchonete no ponto L. Quando saem para almoçar,
as pessoas fazem caminhos diferentes: Maria sem-
Trigonometria pre se desloca pela calçada que circunda a praça;
Carmen sempre passa pelo centro da praça, vai
1. (UEL-PR) Se um arco mede 75°, sua medida em olhar o cardápio do restaurante e, se este não esti-
radianos é: ver do seu agrado, vai almoçar na lanchonete, ca-
minhando pela calçada; Sérgio sempre passa pelo
centro da praça e pelo correio, daí seguindo pela
π calçada para a lanchonete ou para o restaurante.
a) Sabendo que as pessoas sempre percorrem o me-
12 nor arco possível quando caminham na calçada
que circunda a praça, avalie as afirmativas a seguir:
177

b)
12

12π
c)
5

π
d)
5


e)
6 I. Quando Carmen e Sérgio vão almoçar na lancho-
nete, ambos percorrem a mesma distância.
II. Quando Maria e Sérgio vão almoçar na lancho-
nete, quem percorre a menor

2. (UEPG-PR) O arco de medida rad tem sua distância é Maria.
extremidade pertencente ao: 4 III. Quando todos os três vão almoçar no restauran-
te, Carmen percorre a menor
a) 4° quadrante.
distância.
b) 3° quadrante. Assinale a alternativa correta.

c) 2° quadrante. a) Somente a afirmativa I é verdadeira.

d) 1° quadrante. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.

e) eixo das ordenadas. c) As afirmativas I, II e III são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.

e) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.


5. (VUNESP) Uma pessoa, no nível do solo, observa 8. (ENEM) Um balão atmosférico, lançado em Bau-
o ponto mais alto de uma torre vertical, à sua frente, ru (343 quilômetros a Noroeste de São Paulo), na
sob o ângulo de 30º. Aproximando-se 40 metros da noite do último domingo, caiu nesta segunda-feira
torre, ela passa a ver esse ponto sob o ângulo de em Cuiabá Paulista, na região de Presidente Pru-
45º. A altura aproximada da torre, em metros, é dente, assustando agricultores da região. O artefato
faz parte do programa Projeto Hibiscus, desenvol-
a) 44,7 vido por Brasil, Franca, Argentina, Inglaterra e Itália,
para a medição do comportamento da camada de
b) 48,8 ozônio, e sua descida se deu após o cumprimento
do tempo previsto de medição.
c) 54,6 Disponível em: http://www.correiodobrasil.com.br. Acesso em: 02 maio 2010.

d) 60,0

e) 65,3

6. (FATEC) A figura a seguir é um prisma reto, cuja


base é um triângulo equilátero de cm de lado e cuja
altura mede 5 cm.

Na data do acontecido, duas pessoas avistaram o


balão. Uma estava a 1,8 km da posição vertical do
balão e o avistou sob um ângulo de 60°; a outra es-
tava a 5,5 km da posição vertical do balão, alinhada
com a primeira, e no mesmo sentido, conforme se
vê na figura, e o avistou sob um ângulo de 30°.

Qual a altura aproximada em que se encontrava o


Se M é o ponto médio de aresta DF, o seno do ângulo balão?
BME é
a) 1,8 km
a)
b) 1,9 km
178 b)
c) 3,1 km
c)
d) 3,7 km
d)
e) 5,5 km
e)

7. (UNESP) Do quadrilátero ABCD da figura a seguir, 9. (ENEM) Para determinar a distância de um barco
sabe-se que: os ângulos internos de vértices A e C até a praia, um navegante utilizou o seguinte pro-
são retos; os ângulos CDB e ADB medem, respecti- cedimento: a partir de um ponto A, mediu o ângulo
vamente, 45° e 30°; o lado CD mede 2dm. Então, os visual a fazendo mira em um ponto fixo P da praia.
lados AD e AB medem, respectivamente, em dm: Mantendo o barco no mesmo sentido, ele seguiu
até um ponto B de modo que fosse possível ver o
mesmo ponto P da praia, no entanto sob um ângulo
visual 2α .
A figura ilustra essa situação:

a) √ 6 e √ 3
Suponha que o navegante tenha medido o ângu-
b) √ 5 e √ 3
loα =30º e, ao chegar ao ponto B, verificou que o
c) √ 6 e √ 2 barco havia percorrido a distância AB = 2000 m .
Com base nesses dados e mantendo a mesma tra-
d) √ 6 e √ 5 jetória, a menor distância do barco até o ponto fixo
P será
e) √ 3 e √ 5
12. (UDESC) No site:
a) 1000 m .
http://www.denatran.gov.br/publicacoes/downlo-
ad/minuta_contran/Arquivo%206.pdf (acesso em:
b) 1000 3 m . 23/06/2012), encontra-se o posicionamento ade-
quado da sinalização semafórica, tanto para se-
máforos de coluna simples como para semáforos
3 projetados sobre a via, conforme mostra a Figura 1
c) 2000 m.
3

d) 2000 m .

e) 2000 3 m .

10. (ENEM) Em exposições de artes plásticas, é usu-


al que estátuas sejam expostas sobre plataformas
giratórias. Uma medida de segurança é que a base
da escultura esteja integralmente apoiada sobre a
plataforma. Para que se providencie o equipamen-
to adequado, no caso de uma base quadrada que
será fixada sobre uma plataforma circular, o auxiliar
técnico do evento deve estimar a medida R do raio Para que o motorista de um veículo, ao parar, possa
adequado para a plataforma em termos da medi- visualizar as luzes do semáforo, o grupo focal deve
da L do lado da base da estátua. ser visto sob um ângulo de 20°, conforme mostra a
Figura 2.
Qual relação entre R e L o auxiliar técnico deverá
apresentar de modo que a exigência de segurança
seja cumprida?

a) R ≥ L/ 2

b) R ≥ 2L/ð
179
c) R ≥ L/ ð

Considerando ≅ tg(20º) 0,36, determine os valores


d) R ≥ L/2 que faltam para completar a Tabela 1.

(
e) R ≥ L/ 2 2 )

11. (UNICAMP 2013) Ao decolar, um avião deixa o


solo com um ângulo constante de 15°. A 3,8 km da Analise as proposições em relação às informações
cabeceira da pista existe um morro íngreme. A figu- obtidas na Tabela 1, e assinale (V) para verdadeira
ra abaixo ilustra a decolagem, fora de escala. e (F) para falsa.
( ) Para o semáforo de coluna simples, D é aproxi-
madamente 4,5 m.
( ) Para o semáforo projetado sobre a via, H é apro-
ximadamente 4,2 m.
( ) A altura H do semáforo projetado sobre a via
é aproximadamente 3,1 m maior que a altura H do
semáforo de coluna simples.
Podemos concluir que o avião ultrapassa o morro a
uma altura, a partir da sua base, de
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
a) 3,8 tan (15°) km.
a) F – V – V
b) 3,8 sen (15°) km.
b) V – F – V
c) 3,8 cos (15°) km.
c) F – V – F
d) 3,8 sec (15°) km.
d) V – V – F

e) F – F – V
13. (UEL) Trafegando num trecho plano e reto de Os valores de x e y são, respectivamente:
uma estrada, um ciclista observa uma torre. No ins-
tante em que o ângulo entre a estrada e a linha de
visão do ciclista é 60°, o marcador de quilometra- a) 90 e 90 3
gem da bicicleta acusa 103,50 km. Quando o ângulo
descrito passa a ser 90°, o marcador de quilome-
tragem acusa 104,03 km. b) 90 3 e 90

c) 450 e 450 3

d) 450 3 e 450

15. (UERJ) Um barco navega na direção AB, próximo


a um farol P, conforme a figura a seguir:

Qual é, aproximadamente, a distância da torre à es-


trada? ( = 1,41; = 1,73; = 2,45)

a) 463,4 m

b) 535,8 m

c) 755,4 m
No ponto A, o navegador verifica que a reta AP, da
d) 916,9 m embarcação ao farol, forma um ângulo de 30° com
a direção AB.
e) 1071,6 m Após a embarcação percorrer 1.000 m, no ponto B,
o navegador verifica que a reta BP, da embarcação
ao farol, forma um ângulo de 60° com a mesma di-
180 14. (UERJ) Um foguete é lançado com velocidade reção AB.
igual a 180 m/s, e com um ângulo de inclinação
Seguindo sempre a direção AB, a menor distância
de 60° em relação ao solo. Suponha que sua tra-
entre a embarcação e o farol será equivalente, em
jetória seja retilínea e sua velocidade se mantenha
metros, a:
constante ao longo de todo o percurso. Após cinco
segundos, o foguete se encontra a uma altura de x a) 500
metros, exatamente acima de um ponto no solo, a y
metros do ponto de lançamento.
b) 500
3
c) 1.000

d) 1.000
3

GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
B A C C C B C C B A
11 12 13 14 15
A B D C B
181
Matrizes

182
MATEMÁTICA – MATRIZES
AUTOR: Tiago Augusto Skroch de Almeida
SUMÁRIO
DIA E NOITE: O RELATIVO E O INVERSO NO COTIDIANO

1. Matrizes
1.1. Igualdade de Matrizes
1.2. Matriz Transposta
1.3. Matriz Simétrica

Resumo

Exercícios

2. Matrizes Especiais
2.1. Matriz Quadrada
2.2. Matriz Identidade
2.3. Matriz Nula
2.4. Adição de Matrizes
2.5. Multiplicação de Escalar por Matriz
2.6. Subtracão de Matrizes

Resumo

Exercícios 183

3. Multiplicação de Matrizes

Resumo

Exercícios

4. Determinantes
4.1. Determinante de uma Matriz Quadrada
4.2. Determinante de uma matriz de 1ª ordem
4.3. Determinante de uma matriz de 2ª ordem
4.4. Determinante de uma matriz de 3ª ordem
4.5. Teorema de Laplace

Resumo

Exercícios

Gabarito
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Dia e Noite: O Relativo e o Inverso no Cotidiano


Durante o dia, vivemos sob a luz do Sol, e à noite, o céu
escuro nos envolve. Essa divisão entre dia e noite parece mui-
to clara, mas essa percepção é relativa. Imagine um astro-
nauta que está orbitando a Terra: para ele, o conceito de dia e
noite se alterna muito rapidamente, já que a cada 90 minutos
ele completa uma volta ao redor do planeta. Nesse cenário, o
que chamamos de “dia” e “noite” se inverte com frequência,
mostrando que essas definições podem variar dependendo
do ponto de vista. O que antes era fixo e absoluto na nossa
rotina terrestre se torna algo mais fluido e adaptável.

Essa ideia de relatividade nos faz pensar em como enxerga-


mos e vivemos diferentes situações no nosso dia a dia. Em cer-
tos momentos, algo que parecia claro e fácil pode, de repente,
parecer complicado e confuso, como acontece em fases de transição, como o pré-vestibular.
Situações que antes eram simples, como organizar o tempo para estudar, podem se inverter e ficar
mais desafiadoras. A perspectiva e o contexto influenciam diretamente a maneira como vemos e
lidamos com o mundo.

PARA REFLETIR!
184 Essa ideia de inversão nos leva a pensar sobre as diferentes formas de encarar a realidade, algo que
também pode ser percebido no cotidiano. Durante a juventude, experimentamos mudanças de pers-
pectivas, como quando responsabilidades e expectativas se alteram de repente, ou situações que antes
pareciam simples se tornam mais complexas.

1. Em que momentos sua visão sobre algo se inverteu completamente?

2. Como essas transições afetam sua forma de lidar com os estudos e os desafios diários?

Assim como o conceito de dia e noite pode ser relativo e variável, o estudo das matrizes nos mostra que o mesmo ocorre
no campo da matemática. A igualdade de matrizes, por exemplo, exige que cada elemento de uma matriz seja idêntico à sua
correspondente em outra, tal como a correspondência perfeita entre o dia e a noite. Quando aplicamos a transposição em
uma matriz, mudamos sua forma, assim como a mudança de perspectiva altera nossa visão do mundo. Além disso, uma
matriz simétrica é aquela que permanece a mesma ao ser transposta, refletindo a ideia de equilíbrio e constância em meio
a essas inversões. Dessa maneira, o “mundo inverso” do astronauta e a flexibilidade de pensamento dos jovens se alinham
com a manipulação de matrizes, mostrando que tanto na matemática quanto na vida, as perspectivas e as realidades po-
dem se transformar.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. MATRIZES
As matrizes estão mais presentes no nosso cotidiano do que imaginamos. Elas são usadas em diversas áreas,
como na tecnologia, ciência e economia. Por exemplo, nos sistemas de recomendação de filmes e músicas, os
algoritmos utilizam matrizes para organizar informações, como as preferências dos usuários e as caracterís-
ticas dos produtos. Além disso, em programas de edição de imagens, as matrizes ajudam a manipular pixels,
permitindo ajustar cores, brilho e contraste.
Outro exemplo prático é no planejamento financeiro de empresas, onde as matrizes são utilizadas para or-
ganizar dados de despesas, lucros e investimentos. Com essas informações dispostas em forma matricial,
é possível analisar rapidamente diferentes cenários e tomar decisões mais informadas. Assim, mesmo sem
perceber, as matrizes ajudam a organizar e processar informações de maneira eficiente em muitas atividades
cotidianas.
Matriz do tipo mxn (m por n) é a denominação dada a toda tabela de números dispostos em m linhas e n co-
lunas. Essa tabela deve ser representada por meio de parênteses, colchetes ou chaves. Ex:

1 3   a11  a1n 
1 2 3     
A2 x 3 =  B3 X 2 =  2 5 Amxn =    
3 5 6 , 1 6  , a 
   m1  amn 

O elemento posicionado na linha i e coluna j da matriz é indicado pelo símbolo aij .


Exemplo:

 a11  a1n 
Notação genérica de uma matriz Amxn Amxn

=    

a 
 m1  amn 
185
Essa representação pode ser abreviada por:

Amxn = ( aij ) Amxn = ( aij ) , em que 1≤ i ≤ m e 1≤ j ≤ n


mxn mxn

1.1. Igualdade de Matrizes


Duas matrizes A e B, de mesmo tipo, são iguais, se todos os elementos correspondentes forem iguais.

1.2. Matriz Transposta


Considere a matriz A2 x 3 .
A matriz transposta é definida ao trocar as linhas pelas colunas, ou seja, a linha da matriz A será a coluna da
matriz transposta. A notação para a matriz transposta é a seguinte:

At , (lê-se transposta de A)

Logo, no nosso exemplo A2 x 3 , terá como transposta A3t x 2 .


1 6 
  1 8 5 
A t
= 8 2 A2 x 3 =  
6 2 4
2 x3
5 4
 
Propriedades:

( At )t = A para toda matriz A = (aij ) mxn ;


Se A = (aij ) mxn e B = (bij ) mxn , então ( A + B)t =At + B t ,
Se A = (aij ) mxn e , então (kA)t = kAt ;
Se A = (aij ) mxn e B = (bij ) mxp então ( AB)t = B t At .

1.3. Matriz Simétrica


Dá-se o nome de matriz simétrica a toda matriz quadrada A, de ordem n, tal que:

At = A

OBS: chama-se matriz antissimétrica a toda matriz quadrada A, de ordem n, tal que At = − A .

RESUMO
• Matrizes: Tabelas organizadas em linhas e colunas, usadas para representar dados ou números. Aplicadas
em diversas áreas, como matemática, economia e computação.
• Matriz Transposta: Obtida ao trocar as linhas por colunas de uma matriz. Cada elemento da linha se torna
um elemento da coluna correspondente e vice-versa.
186 • Igualdade de Matrizes: Duas matrizes são iguais quando possuem o mesmo número de linhas e colunas, e
todos os seus elementos correspondentes são idênticos.

EXERCÍCIOS
Matrizes

1. Um professor aplica, durante os cinco dias úteis a) segunda-feira.


de uma semana, testes com quatro questões de
múltipla escolha a cinco alunos. Os resultados fo- b) terça-feira.
ram representados na matriz.
c) quarta-feira.

d) quinta-feira.

e) sexta-feira.

Nessa matriz os elementos das linhas de 1 a 5 re-


2. (FATEC-SP) Sejam  1 −1 e Y =  2 4 
presentam as quantidades de questões acerta- B=   
das pelos alunos Ana, Bruno, Carlos, Denis e Érica, 0 1   −8 2 
respectivamente, enquanto que as colunas de 1 a
5 indicam os dias da semana, de segunda-feira a
sexta-feira, respectivamente, em que os testes fo- , em que a ∊ R . Se X =Y , então:
ram aplicados.
O teste que apresentou maior quantidade de acer- a) 3
tos foi o aplicado na
b) 1
1 cos ϕ
c) 0 5. Considere as matrizes A =  b e B =
2 c 
d) -2
3 a + 2b log10 0 
1
 1  , em que a, b, c e ϕ são números
e) -3  log10 5
 2 
3. (ENEM) Uma empresa avaliou os cinco aparelhos
de celulares (T1, T2, T3, T4 e T5) mais vendidos no último reais. Assim, é correto afirmar:
ano, nos itens: câmera, custo-benefício, design, de- 01) Os valores de a e b para os quais A = B são, res-
sempenho da bateria e tela, representados por I1, I2, pectivamente, 2 e –1.
I3, I4 e I5, respectivamente. A empresa atribuiu notas
de 0 a 10 para cada item avaliado e organizou es- 02) Para que a matriz A seja igual à matriz B, é ne-
sas notas em uma matriz A, em que cada elemento cessário que c seja número negativo.
aij significa a nota dada pela empresa ao aparelho
Ti no item Ij. A empresa considera que o melhor apa- 04) Se b = 0 e c = –1, então o elemento na posição
relho de celular é aquele que obtém a maior soma
“2ª linha, 2ª coluna” da matriz (A ⋅ B) é log10 2.
das notas obtidas nos cinco itens avaliados.
08) Se n = 0 e c = 0, então a matriz A tem inversa,
qualquer que seja o valor de b.

16) Todos os valores de n para os quais A = B são da

π
forma 2k π ± , em que k é número inteiro.
3

Soma:_____

Com base nessas informações, o aparelho de celu-


lar que a empresa avaliou como sendo o melhor é o
 2 4 3
6. (FAAP- SP) Sabendo que as matrizes A =  
a) T1.  5 2 1

b) T2.
 x2 − 2 5 
c) T3.  
B  x + 6 2  obedecem à condição
e = At = B , 187
 3 001 
d) T4.  
conclui-se que x é um número:
e) T5.
a) ímpar positivo

4. (IFF) A inversa da transposta da matriz b) ímpar negativo

c) par positivo
é
d) par negativo

a) e) racional não inteiro

7. (UCSAL-BA) A igualdade matricial

b)
 x x 2 − 1  x 2 + 6 x 30 
2⋅ =  , com x um número real,
 −1 − x   −2 −2 x 

c) é verdadeira se e somente se, x3 for igual a:

a) -64

d) b) 64

c) 0

e) d) -64 ou 64

e) -64, 0 ou 64
8. (VUNESP) Dadas as matrizes

, o determinante de (AB + Aᵗ), em que Aᵗ é a trans-


posta da matriz A, é igual a

a) 20.

b) –20. Qual região foi selecionada para o investimento da


construtora?
c) –18.
a) 1
d) 5.
b) 2
e) –5.
c) 3
9. A e B são matrizes e At é a matriz transposta de A.
d) 4

2 − 3   1 e) 5
   
Se A = 1 y e B = 2 então a matriz At.B será
   
 x 2   1 5 x2 2 − y 
 
nula para: 11. (UEL- PR) Sabendo que a matriz  49 y 3x 
 −1 −21 0 

a) x + y = -3

b) x . y = 2 , é igual a sua transposta, o valor de x + 2 y é:


a) -20

x b) -1
c) =-4
y
c) 1
d) x . y2 = -1
188
d) 13

y e) 20
e) =-8
x

10. (ENEM) Uma construtora, pretendendo investir 12. (UFVJM) Dada a matriz e
na construção de imóveis em uma metrópole com
cinco grandes regiões, fez uma pesquisa sobre
a quantidade de famílias que mudaram de uma sabendo que a matriz B é igual à transposta de A, ou
região para outra, de modo a determinar qual seja, B = A t o determinante da matriz X dada por X =
região foi o destino do maior fluxo de famílias, sem AB, é
levar em consideração o número de famílias que
deixaram a região. Os valores da pesquisa estão a) 49
dispostos em uma matriz A = [aij], i, j ∈ {1, 2, 3, 4, 5}, em
que o elemento aij corresponde ao total de famílias b) 50
(em dezena) que se mudaram da região i para a
região j durante um certo período, e o elemento aii é c) 51
considerado nulo, uma vez que somente são
consideradas mudanças entre regiões distintas. d) 52
A seguir, está apresentada a matriz com os dados
da pesquisa.
13. (UNIVIÇOSA) Dadas as matrizes X e Y, sabendo-
-se que X=Yt, onde Yt é a matriz transposta de Y.

Podemos afirmar que o valor de a e b são iguais a


a) a=0; b=0 ou a=1; b=0
 a11 a12 a13 
b) a=2; b=1 ou a=1; b=1  
 a21 a22 a23 
c) a=3; b=2 ou a=0; b=1 a a33 
 31 a32
d) a=1; b=1 ou a=3; b=2
Diagonal Secundária Diagonal Principal
2. MATRIZES ESPECIAIS 2.2. Matriz Identidade
As matrizes especiais são categorias específicas de
matrizes que possuem características únicas que Matriz Identidade é a matriz quadrada em que os
as tornam úteis em diversas áreas da matemática elementos da diagonal principal são todos iguais a
e suas aplicações práticas. Entre as principais ma- 1 e os demais elementos são todos iguais a 0.
trizes especiais estão as matrizes diagonais, matri-
zes simétricas, matrizes identidade e matrizes nu-
las. As matrizes diagonais têm elementos diferentes Exemplo:
de zero apenas na diagonal principal, o que facilita
cálculos em álgebra linear, como a multiplicação 1 0 0 0
de matrizes e a resolução de sistemas lineares. As  
0 1 0 0
matrizes simétricas, que são iguais à sua transpos-
ta, desempenham um papel crucial em problemas A4 x 4 =
de otimização e em representações geométricas, 0 0 1 0
como transformações e reflexões. A matriz identi-  
dade é fundamental em operações de multiplica- 0 0 0 1
ção, pois atua como o elemento neutro, e a matriz
nula é essencial em operações que envolvem a
adição de matrizes.
A importância das matrizes especiais se estende a
diversas disciplinas, incluindo engenharia, ciência
2.3. Matriz Nula
da computação, estatística e economia. Na enge-
nharia, por exemplo, as matrizes são usadas para É a matriz em que todos os elementos são iguais a
modelar sistemas dinâmicos e resolver problemas zero.
Exemplo:
de circuitos elétricos. Na ciência da computação, 189
elas são utilizadas em algoritmos de processamen-
to de imagens e gráficos, além de serem funda- 0 0 0 0
mentais em machine learning para manipulação A2 x 4 =  
de dados. Em estatística, matrizes são usadas para 0 0 0 0
representar dados e realizar operações que simpli-
ficam a análise de variáveis em estudos de regres-
são. Dessa forma, as matrizes especiais não apenas
simplificam cálculos, mas também são essenciais 2.4. Adição de Matrizes
para o desenvolvimento de modelos que represen-
tam fenômenos complexos em diversas áreas do Uma indústria fabrica peças em duas filiais A e B
conhecimento. para uma montadora de móveis. Cada uma das fi-
liais fábrica dois modelos de peças que são indica-
dos por modelo 1 e por modelo 2. As matrizes a se-
2.1. Matriz Quadrada guir mostram a produção dessa indústria em suas
filiais A e B nos 4 primeiros dias do mês de fevereiro.
É a matriz em que o número de linhas e igual ao nú-
mero de colunas.  59 63 49 55 
Exemplos: A= 
 61 50 58 64 
1 3 
A2 x 2 =   , é uma matriz quadrada de ordem  58 61 54 56 
7 2 B= 
 60 55 56 63 
2.

 3 11 3  Sabendo que nas duas matrizes a linha representa


  o modelo 1 e 2, e as colunas representam os dias,
B3 x 3 =  5 6 6  , é uma matriz quadrada de or-
como poderíamos representar a produção de cada
1 9 2  modelo nas duas filiais como um todo. Escrevemos
 
a matriz C, na qual cada elemento de C(cij) é igual
dem 3. à soma de seus correspondentes em A e B, logo:
DIAGONAIS DA MATRIZ QUADRADA
 59 + 58 63 + 61 48 + 54 55 + 56  Propriedades multiplicação de número por matriz.
C =  1. (s.A) = s(r.A) = (rs).A
 61 + 60 50 + 55 58 + 56 64 + 63  2. r(A + B) = r.A + r.B
3. (r + s ).A = rA + as
Logo: 4. 1.A = A.
117 124 102 111
C = 
121 105 114 127  2.6. Subtracão de Matrizes
Agora que sabemos a adição de matrizes e a mul-
E C é a matriz soma de A e B. tiplicação de escalar por matriz, podemos definir a
Exemplos: subtração de matrizes.
Exemplo:
3 1 2 
B= 
 4 5 6 1 6 4  0 3 2
A=  e B= 
 7 −1 3   5 2 1 4 3 1 
C = 
0 2 4 
 3 1 2   7 −1 3  Calcule A − B = A + (−1).B .,
D = B+C = + 
 4 5 6 0 2 4  (−1).B
O que implica calcular
 0 3 2   0 −3 −2 
10 0 5  (−1).B =
(−1).  =  
D=   4 3 1   −4 −3 −1
 4 7 10 

Sendo A, B e C matrizes do mesmo tipo, valem as 1 6 4   0 −3 −2  1 3 2 


seguintes propriedades:  + = 
 5 2 1   −4 −3 −1 1 −1 0 
• Associativa = (A+B)+C = A+(B+C) Comutativa =
A+B = B+A
190 • Elemento Neutro = A+O = A

RESUMO
• Elemento Oposto = A + A`= A`+ A = O
Logo, A + A` = O e A = A`

2.5. Multiplicação de Escalar


por Matriz • Matriz Quadrada: É uma matriz que tem o mes-
mo número de linhas e colunas. Sua ordem é
O produto de um número por uma matriz terá como representada por n × n, onde n é o número de
resultado uma matriz na qual todos os elementos linhas e colunas.
são da forma: • Matriz Identidade: É uma matriz quadrada em
que todos os elementos da diagonal principal
bij = α .aij em que: são iguais a 1, e os demais elementos são iguais
Anxm = (aij ) nxm e Bnxm = (α .aij ) nxm a 0. Ela é o elemento neutro da multiplicação de
. matrizes.
Exemplos: • Matriz Nula: É uma matriz em que todos os ele-
mentos são iguais a zero. Ela pode ter qualquer
1 6  dimensão e é o elemento neutro na adição de
  0 3 2 matrizes.
A = 2 3 B =  
 4 2 4 3 1  e
• Adição de Matrizes: Para somar duas matrizes,
  elas precisam ter as mesmas dimensões. A adi-
ção ocorre somando-se os elementos corres-
pondentes de cada matriz.
1 6   8 48 
• Multiplicação de Escalar por Matriz: Um núme-
   
=8 A 8.=
2 3 16 24  ro real (escalar) multiplica todos os elementos
 4 2  32 16  de uma matriz, resultando em uma nova matriz
    com os elementos multiplicados por esse esca-
lar.
• Subtração de Matrizes: Para subtrair duas ma-
trizes de mesma dimensão, subtraem-se os ele-
mentos correspondentes de uma matriz em re-
lação à outra
 −2 

EXERCÍCIOS a) 0
 
 2 
Matrizes Especiais

14. (UFES) Os valores de x e y que satisfazem a


 −2 
equação matricial. b) 2
 
 x −2   3 y 7   4 5   3 
 + = 
 4 2 x   1 − y   1 1  são:
 −2 
a) −1/ y =
x= −1 c) 2
 
 4 
b)=x 1/=
y 1

c) x = 2 / y = −1  −2 
d) 6
 
=
d) x 2=
/y 2  5 
e) −2 / y =
x= −1
 −2 
e) 2
A = (aij ) 2 x 2  
15. (F. SANTANA-BA) Dadas as matrizes
 5 
i + j , se..i = j
, tal que aij = e B = (bij ) 2 x 2 , tal que
0.......se..i ≠ j
bij= 2i − 3 j , então A + B , é igual a: 17. (UEL-PR) Uma matriz quadrada A se diz antissi- 191
métrica se At = − A . Nessas condições, se a ma-
triz A a seguir é uma matriz antissimétrica, então
 −1 4  x + y + z é igual a:
a)  −1 −2 
   x y z 
 
=A  2 0 −3 
 1 −4   −1 3 0 
b)  −1 −2   
 
a) 3

 −1 4  b) 1
c)  1 2
 
c) 0

1 −4  d) -1
d) 1 2 
  e) -3

1 4  18. (ENEM) Uma faculdade oferece dois cursos dife-


e) 1 2  rentes na área de Humanas. Para um aluno ingres-
  sar nesses cursos, o vestibular contém questões
objetivas e uma redação, e a nota final do candi-
dato é a soma dessas notas, utilizando o seguinte
critério de pesos:
 −1 0 • questões objetivas: peso 1 para o curso I e peso 1
 −2 
A =  2  , e B =
para o curso II;
16. (UFPA) Sendo calcule o
  • redação: peso 2 para o curso I e peso 3 para o curso II.
 3   1 
Um candidato que concorre aos dois cursos obteve
nota X nas questões objetivas e nota Y na redação.
valor de 2A − B . Para analisar sua nota para o curso I e para o curso
II, o candidato representa sua nota com um produto  0 3
c)  −3 0 
de matrizes A . B, em que a matriz A representa os
pesos, e a matriz B contém as notas obtidas pelo  
candidato. A matriz resultante A . B é uma matriz co-
luna, em que, na primeira linha, tem sua nota final  0 2
para o curso I e, na segunda linha, tem sua nota fi- d)  −2 0 
nal para o curso II.  
Nessas condições, qual representação algébrica
gera o resultado final desse candidato nos dois cur-
sos?  0 −2 
e) 2 0 
 
a)

1 2 y 
b)
21. Se a matriz
x 4 5 é simétrica, então
 
 3 z 6 
c)
x+ y+z é:

a) 7
d)
b) 9

c) 10
e)
d) 11

e) 12
 x 8 y 6 
19. (UFBA) M =   , N =  e
192 10 y  12 x + 4 
 7 16   1 2 y
P=  são matrizes que satisfazem a
 23 13 22. (F. SANTANA) Se a matriz
 x 1 0  é si-
3 2 
igualdade ⋅ M + ⋅ N = P ; logo, y − x é:  x + 1 0 1 
2 3
a) 6
métrica, então x− y é igual a:
b) 4

c) 2 1
a)
d) -3 9

1
7 b)
e) 8
10 c) 1

d) 8
20. (UFRS) A matriz A = (aij ) , de segunda ordem, é
e) 9
definida por aij= 2i − j . Então, A − At é:

0 3  2 −1
a) 3 0 23. (UFSE) São dadas as matrizes A= e
  
0 1 
 1 −2 
0 −3 B=  . A matriz X= A + 2 B , onde A
t t
é
b) 3 0   −1 0 
 
a matriz transposta de A , é igual a:
Considere as matrizes:
Com base nos conhecimentos e nas informações
 4 −2  descritas, assinale a alternativa que apresenta a
a)  
 −5 1  mensagem que foi enviada por meio da matriz M.

a) Boasorte!  
 2 −2 
b)   b) Boaprova!  
 −1 −1 
c) Boatarde!

 2 −3  d) Ajudeme!  
c)  
 0 −1 
e) Socorro!”

 4 −4 
d)  
 −3 1  3. Multiplicação de Matrizes

 4 4 Produto de Linha por coluna:


e)  
3 1 3 2
 2 3 −1 
B = 2 1

A=  E
23. (UNICAMP) Sejam a e b números reais tais que 5 8 2  1 3 
 
a matriz A = satisfaz a equação , em que I é a
C = A.B = 1ª Linha de A multiplica a 1ª coluna de B.
matriz identidade de ordem 2. Logo, o produto ab é
igual a
c11 = 2 x3 + 3 x 2 + (−1) x1 = 6 + 6 − 1 = 11
a) −2.
c12 = 2 x 2 + 3 x1 + (−1) x3 = 4 + 3 − 3 = 4
b) −1. c21 = 5 x3 + 8 x 2 + 2 x1 = 15 + 16 + 2 = 33
193
c) 1. c22 = 5 x 2 + 8 x1 + 2 x3 = 10 + 8 + 6 = 24
d) 2.
 11 4 
Logo, a matriz C é: C = 
24. (UEL- PR) Uma das formas de se enviar uma
mensagem secreta é por meio de códigos mate-
 33 24 
máticos, seguindo os passos: Conclusão:

1. Tanto o destinatário quanto o remetente possuem = 2 x 3 .B3 x 2


C A= C2 x 2
uma matriz chave C;

2. O destinatário recebe do remetente uma matriz Iguais!!!


P, tal que MC=P, onde M é a matriz mensagem a ser
decodificada; Propriedades:
• Associativa;
3. Cada número da matriz M corresponde a uma le-
tra do alfabeto: 1=a, 2=b, 3=c, ..., 23=z; • Distributiva à Direita;

4. Consideremos o alfabeto com 23 letras, excluindo • AxI = A


as letras, k, w e y. • r.(=
A).B r=
( AB) ( A).r.( B)
• ( AB)t = B t . At
5. O número zero corresponde ao ponto de excla-
mação.

6. A mensagem é lida, encontrando a matriz M, fa- OBS:


zendo correspondência número/letra e ordenan-
do as letras por linhas da matriz conforme segue: A MULTIPLICAÇÃO DE MATRIZES NÃO É
m¹¹m¹²m¹³m²¹m²²m²³m³¹m³²m³³. COMUTATIVA, ISTO É, PARA DUAS MATRIZES
QUAISQUER A E B É FALSO QUE AB = BA
NECESSARIAMENTE.
SAIBA MAIS! RESUMO
Introdução ao Produto de Matrizes
Explicação com exemplos práti-
cos, abordando as condições para
a existência do produto de matrizes. Multiplicação de Matrizes: A multiplicação de
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?- duas matrizes é possível quando o número de
v=1RLVZ4g4dXc colunas da primeira matriz é igual ao número
de linhas da segunda. O elemento resultante
em cada posição da nova matriz é obtido pela
Produto de Matrizes - Exercícios Resolvidos soma dos produtos dos elementos correspon-
Resolução de exemplos passo a pas- dentes de uma linha da primeira matriz com
so para facilitar o entendimento. uma coluna da segunda. A matriz resultante
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?- terá o mesmo número de linhas da primeira
v=6rMZ9s2ZFbU matriz e o mesmo número de colunas da se-
gunda matriz.

EXERCÍCIOS
Multiplicação de Matrizes

25. Dadas as matrizes:


1 1 
1) A = (aij ) 4 x 7 , definida por aij = i − j 01) Se x = 0, então A + B =  .
194 1 0 
2) B = (bij )7 x 9 , definida por bij = i
 2 1
3) C (=
= cij ), C AB 02) Se x = 1, então AB =   .
 − 2 1
O elemento c63 é: 04) Existe pelo menos um número real x tal que det
A = det B.
a) -112
08) Se x=0, o determinante de A é igual a 0.
b) -18
16) (det A)(det B) é um polinômio de grau 2.
c) -9
32) O determinante da matriz A.B, para x=2 é igual
d) 112 a 16.
Soma:_____
e) não existe

28. Uma nutricionista recomendou aos atletas de


um time de futebol a ingestão de uma quantidade
 2 −1 mínima de certos alimentos (fruta, leite e cereais)
26. (FAAP-SP) Dada a matriz A=  , ache a necessária para uma alimentação sadia. A matriz D
 1 −1 fornece a quantidade diária mínima (em gramas)
1 0 daqueles alimentos. A matriz M fornece a quanti-
matriz B , tal que A.B = I , sendo I =  . dade (em gramas) de proteínas, gorduras e car-
0 1 boidratos fornecida por cada grama ingerida dos
alimentos citados.
27. (UFPR) Para cada número x, considere as matri-

 x −1 1   x + 2 0
zes: A =   e B=   . Então, é
 −1 x + 1  2 1

correto afirmar:
A matriz que mostra a quantidade diária mínima Uma matriz real quadrada B, de ordem 2, tal que AB
(em gramas) de proteínas, gorduras e carboidratos é a matriz identidade de ordem 2 é:
fornecida pela ingestão daqueles alimentos é:

log 3 27 2 
a)  
 18, 2   2 log 3 81
a)
 36,30 
 
 454, 20   −3 
2 2
b)
 
 29, 70 
 16, 20   3 −5
b)
 
 460, 20 
 −3 
2 2
 48,30  c)  
2 −5 
c)
 36, 00 
   2 
 432, 40 
 3 
 51,90   2 − 
2
 48,30  d)  
d)
   − 3 log 5
 2 
2
 405, 60 
log 2 5 3log 3 81
e)  
 75,90   5 −2log2 81 
 21,50 
e)
  195
 411, 00  31. (UNICENP) Dois alunos fizeram 3 provas de Ma-
temática num determinado mês e o professor, para
calcular a média, adotou o sistema de pesos. As
29. (UNICAMP) Sendo a um número real, considere
matrizes N e P representam, respectivamente, as
a matriz
notas e os pesos aplicados a cada prova. Sendo

A= . 1
8 7 5   
N =  e P =  3 em que o primeiro
Então, A2017 é igual a 6 6 4  2
 
aluno obteve notas 8, 7 e 5 (primeira linha de N), e o
a) segundo obteve 6, 6 e 4 (segunda linha de N), e os
pesos de cada prova são respectivamente 1, 3 e 2 (a
matriz da coluna de P). Para o professor calcular a
média desses dois alunos, ele poderia fazer o se-
b) guinte cálculo:

a) média = N.P

c)
N+P
b) média =
3
d)
N .P
c) média =
6

a b  N+P
d) média =
30. (ITA) Seja a matriz A=  em que 2
c d 
=a 2(1+ log
= 2 5) log 2 8
; ..b 2= , ..c log 3 81
= ..e..d log 3 27 e) média =
3
N .P
4. DETERMINANTES 4.4. Determinante de uma ma-
triz de 3ª ordem
4.1. Determinante de uma Ma-
triz Quadrada
 a11 a12 a13 
 
O determinante de qualquer matriz quadrada Considere a matriz A =  a21 a22 a23  , o deter-
n..x..n é um número real a ela associado. Logo a
cada matriz tem um único determinante.  31 a32 a33 
 a11  a1n  minante de ordem 3 (três linhas e três colunas) é
  obtido ao repetir as duas primeiras colunas à direita
Seja a matriz: Amxn =    
do determinante, ou ainda as duas primeiras linhas
a 
 m1  amn  abaixo do determinante, e efetuando as operações
indicadas a seguir:
O determinante dessa matriz será indicado por:
a11  a1n
Amxn =   
am1  amn

4.2. Determinante de uma ma-


triz de 1ª ordem
Considere a matriz M = [ 4] , temos que
Assim:
det M= 4= 4 . =det A a11 ⋅ a22 ⋅ a33 + a12 ⋅ a23 ⋅ a31 + a13 ⋅ a21 ⋅ a32 − a12 ⋅ a21 ⋅ a33 − a11 ⋅ a23 ⋅ a32 − a13 ⋅ a22 ⋅ a31

196 Se det N = − 5 , temos que a matriz N =  − 5  Esses procedimentos de cálculos sao conhecidos
como Regra de Sarrus.

4.5. Teorema de Laplace


4.3. Determinante de uma ma- A = (aij )
triz de 2ª ordem Considere a matriz , quadrada de ordem
n, n ≥ 2 .
O determinante( det A ) dessa matriz é
igual à soma dos produtos dos elementos de uma
a a12  linha ou uma coluna qualquer pelos respectivos co-
Considere a matriz A =  11 
 a21 a22  fatores.

 a11 a12 a13 


a11 a12  
det A = , logo: Seja, então A =  a21 a22 a23  ,
a21 a22 a
 31 a32 a33 

det A = a11 ⋅ A11 + a12 ⋅ A12 + a13 ⋅ A13 A


, em que ij , é
= a11 ⋅ a22 − a12 ⋅ a21 o cofator de elemento no qual se encontra na linha
i e na coluna j da matriz A.

Det A = a11 ⋅ a22 − a12 ⋅ a21 Cofator Aij


Se A = (a11 ) , então A11 = a11 .
Se A é matriz quadrada de ordem n≥2, então

Aij = (−1)i + j Dij , em que Dij , é o determinante no


qual se obtém de A, suprimindo a linha i e a coluna j.
Como det A = a11 ⋅ A11 + a12 ⋅ A12 + a13 ⋅ A13 , precisamos calcular todos os cofatores da 1ª linha da matriz A:

a22 a23
A11 =(−1)1+1 ⋅ =(−1) 2 [a22 ⋅ a33 − a23 ⋅ a32 ] =a22 ⋅ a33 − a23 ⋅ a32
a32 a33

a21 a23
(−1)1+ 2 ⋅
A12 = (−1)3 [a21 ⋅ a33 − a23 ⋅ a31 ] =
= −1(a21 ⋅ a33 − a23 ⋅ a31 ) =
− a21 ⋅ a33 + a23 ⋅ a31
a31 a33

a21 a22
A13 =(−1)1+3 ⋅ =(−1) 4 [a21 ⋅ a32 − a22 ⋅ a31 ] =a21 ⋅ a32 − a22 ⋅ a31
a31 a32

det A = a11 ⋅ (a22 ⋅ a33 − a23 ⋅ a32 ) + a12 ⋅ (−a21 ⋅ a33 + a23 ⋅ a31 ) + a13 ⋅ (a21 ⋅ a32 − a22 ⋅ a31 )
det A = a11 ⋅ a22 ⋅ a33 + a12 ⋅ a23 ⋅ a31 + a13 ⋅ a21 ⋅ a32 − a11 ⋅ a23 ⋅ a32 − a12 ⋅ a21 ⋅ a33 − a13 ⋅ a22 ⋅ a31

Lembre-se: o determinante de uma matriz pode ser desenvolvido segundo os elementos de qualquer linha ou
coluna. Portante, o resultado será o mesmo! Convém escolher a fila que tenha o maior número de zeros.

PROPRIEDADES DOS DETERMINANTES


• Se todos os elementos de uma fila (linha ou coluna) de uma matriz quadrada forem nulos, o seu determi-
nante é zero.
• Se duas filas (linhas ou colunas) de uma matriz quadrada forem iguais ou proprocionais, seu determinante
é nulo.

• O determinante de uma matriz quadrada A é igual ao determinante de sua transposta At , então:


det A = det A t

• Se uma linha ou coluna de uma matriz quadrada for combinação linear de outras linhas ou colunas, seu
197
determinante é nulo.
• Se trocarmos a posição de duas linhas ou colunas entre si, o determinante da nova matriz será o oposto do
determinante da matriz inicial.


det( A ⋅ B )= det A ⋅ det B

1
det( A−1 ) =

• det A
• Se A é uma matriz quadrada de ordem n e k é um número real, então vale a seguinte relação:

det(k ⋅ Anxn ) =
k n det( A)
• Se todos os elementos de uma matriz quadrada, situados de um mesmo lado da diagonal principal, forem
todos nulos, o determinante dessa matriz será igual ao produtos dos elementos dessa diagonal.

DETERMINANTE = 0
• Possuir uma fila nula.
• Duas filas paralelas iguais.
• Duas filas paralelas proporcionais.
• Uma fila que é combinação linear das outras filas paralelas.
RESUMO
Determinante: O determinante é um número associado a uma matriz quadrada que fornece informações im-
portantes sobre suas propriedades, como se a matriz é invertível ou não. Ele é calculado a partir dos elementos
da matriz seguindo regras específicas. Para matrizes de ordem 2 ou 3, o cálculo é relativamente simples, en-
volvendo produtos e subtrações entre os elementos. Em matrizes de ordem maior, o cálculo é feito por meio de
decomposições ou cofatores. Um determinante igual a zero indica que a matriz é singular, ou seja, não possui
inversa.
Teorema de Laplace: O Teorema de Laplace, também conhecido como Expansão de Cofatores, é um método
para calcular o determinante de uma matriz quadrada de qualquer ordem. Ele envolve expandir o determi-
nante em termos de menores e cofatores, escolhendo uma linha ou coluna da matriz. O determinante é obtido
somando o produto dos elementos dessa linha ou coluna pelos seus cofatores (que são os determinantes das
submatrizes obtidas ao remover a linha e a coluna do elemento escolhido, multiplicados por (-1) elevado à
soma dos índices). Este teorema generaliza o cálculo de determinantes para matrizes de ordem superior.

EXERCÍCIOS
MULTIPLICAÇÃO DE MATRIZES

33. (UFPA) Qual o valor de k, para que o determi- d) – 44


 1 2 0
e) – 45
198 nante da matriz  −1 k 1  seja nulo?
 
 0 1 k  35. (UEL) O conjunto verdade da equação
x 1 −x
a) −1 ± 2
−1 0 0 , no universo dos números reais, é:
x =
b) 2 ±1 0 1 0

c) 2± 2 a) {−1;1}
d) 2±2 b) {−1;0}
e) −4 ± 8 c) {1}
d) {0}
 4 6 −1 3 
34. (UECE) Sejam as matrizes X =  e) ∅
1 2  0 −1 2 1 
 
−1 1 36. (UNESP) Se a e b são as raízes da equação
e Y = .
1 6 2x 8x 0
  2
2 3 log 2 x log 2 x =0 0, x > 0 , então (a + b) é

1 2 3
O valor do determinante da matriz X ⋅Y é:
igual a:
a) – 41

b) – 42 a)
2
3
c) – 43
b)
3 39. (VUNESP) O produto das matrizes

4  2 2  3 −1 
 −   
3  2 2 ⋅ 2 2 
c) é uma matriz de de-
2  2 2   1 3
   
d)
4  2 2   2 2 
3 terminante:

e)
4 a) igual ao determinante de cada uma delas.
5
b) igual a zero.

37. (ITA) Dizemos que uma matriz real quadrada é c) menor que zero.
singular, se det A = 0 , ou seja, se o determinante
d) com valor absoluto menor que 1.
de A é nulo e não singular, se det A ≠ 0 . Mediante
essa definição, qual das afirmações abaixo é ver-
dadeira? e) maior que o determinante de cada uma delas.

a) A soma de duas matrizes A e B é uma matriz sin-


40. (FUNDATEC) O valor real de x na matriz de or-
gular, se det A = − det B .
dem 2x2, para que , é:
b) O produto de duas matrizes é uma matriz singu-
lar se e somente se ambas forem singulares. a) -3 e 3

c) O produto de duas matrizes é uma matriz singu- b) 9 e -9


lar se pelo menos uma delas for singular.
c) 40,5
d) Uma matriz singular possui inversa.
d) 4,5
e) A transposta de uma matriz singular é não sin-
gular. e) 30
199
38. (ITA) Sendo A, B e C matrizes reais n x n, consi- 41. (CESGRANRIO) O determinante da matriz M, de
dere as seguintes afirmações: ordem 3 por 3, é 240, e a matriz K é definida como K =
1.
A( BC ) = ( AB )C 2M. Assim, o valor do determinante da matriz K é:

AB = BA a) 240
2.

3. A+ B = B + A b) 480

4.
det( AB ) = det( A).det( B ) c) 1440

5.
det( A + B=
) det( A) + det( B )
d) 1920
Então podemos afirmar que:
e) 2160
a) 1 e 2 são corretas.

b) 2 e 3 são corretas.

c) 3 e 4 são corretas.

d) 4 e 5 são corretas.

e) 5 e 1 são corretas.
GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
A D D A 29 D A A D E
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
B A A B D D D B B C
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
B D A A E * 44 E B C
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40
C A A C A C C C E A
41 42
A D

*26.

200
201
Físico-Química

202
QUÍMICA - FÍSICO-QUÍMICA

AUTOR: Rodrigo de Souza Rocha


SUMÁRIO
UM CORAÇÃO DE PLÁSTICO

1. A matéria e suas propriedades


1.1. A matéria e seus estados físicos
1.2. Fenômenos físicos e químicos
1.3. Substâncias e misturas
1.4. Substâncias simples
1.5. Substâncias compostas
1.6. Substâncias puras
1.7. Misturas
1.8. Misturas homogêneas e heterogêneas
1.9. Métodos de separação de misturas
1.9.1. Catação
1.9.2. Ventilação
1.9.3. Levigação
1.9.4. Separação magnética
1.9.5. Peneiração
1.9.6. Decantação
1.9.7. Centrifugação
1.9.8. Filtração
1.9.9. Flotação ou flutuação
1.9.10. Dissolução fracionada
1.9.11. Destilação simples
1.9.12. Destilação Fracionada

Resumo
203
Exercícios

UM MUNDO SEM ÁGUA

2. Funções inorgânicas
2.1. Ácidos
2.1.1. Classificação dos ácidos
2.1.2. Nomenclatura dos ácidos
2.1.3. Aplicações de alguns ácidos mais comuns
2.2. Bases
2.2.1. Classificação das Bases
2.2.2. Nomenclatura das bases
2.2.3. Aplicações de algumas bases mais comuns
2.3. Teorias Ácido-Base
2.3.1. Teoria de Arrhenius
2.3.2. Teoria de Bronsted-Lowry
2.3.3. Teoria de Lewis
2.4. Sais
2.4.1. Classificação dos Sais
2.4.2. Nomenclatura dos Sais
2.4.3.Solubilidade dos sais
2.4.4.Aplicações de alguns sais mais comuns
2.5. Óxidos
2.5.1. Classificação dos óxidos
2.5.2. Nomenclatura dos Óxidos
2.5.3. Aplicações de alguns óxidos mais comuns

Resumo

Exercícios

Gabarito
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Um coração de plástico
Pela primeira vez, cientistas detectam microplásticos no sangue humano
Estudo mostra partículas em 80% das pessoas. Elas podem se movimentar pelo corpo
e se alojar em órgãos
Pela primeira vez, cientistas detectaram a presença de microplásticos no sangue hu-
mano. Em um estudo realizado pela Vrije Universiteit Amsterdam, na Holanda, foram
encontradas minúsculas partículas em quase 80% das pessoas. A descoberta, publi-
cada na revista Environment International, mostra ainda que elas podem se movi-
mentar pelo corpo e se alojar em órgãos.
O impacto na saúde ainda é desconhecido, mas os pesquisadores estão preocupa-
dos porque em laboratório, os microplásticos causam danos às células humanas,
além de serem as principais poluidoras do ar, forma como entram no organismo e
provocam milhões de mortes precoces por ano. “Nosso estudo é a primeira indicação
de que temos partículas de polímero em nosso sangue. É um resultado inovador”, disse o professor Dick Ve-
thaak, ecotoxicologista da Vrije Amsterdam, na Holanda. “Mas temos que estender a pesquisa e aumentar o
tamanho das amostras e o número de polímeros avaliados”.
Disponível em: <https://veja.abril.com.br/saude/pela-primeira-vez-cientistas-detectam-microplasticos-no-sangue-humano>. Acesso em: 25 jul.2024

PARA REFLETIR!

Os microplásticos são pequenos fragmentos de plástico, com menos de 5 mm de diâmetro, que resul-
tam da degradação de produtos plásticos maiores. Sua relação com a matéria e suas propriedades
está na forma como interagem com o meio ambiente e organismos vivos. Por serem duráveis, leves e
de diversas composições químicas, os microplásticos podem acumular poluentes e serem ingeridos
204 por animais, entrando na cadeia alimentar. Estudar suas propriedades ajuda a entender seu impacto
ambiental e a desenvolver estratégias para mitigação da poluição plástica.

1. Como você diria, pelo que conhece ou já ouviu, que essas interações químicas complexas poderiam
afetar nossa saúde a longo prazo?

2. O que você sabe sobre os microplásticos que podem carregar patógenos e conter substâncias no-
civas a sua saúde?

3. Como, em sua opinião, poderíamos resolver o desafio do plástico em nossa sociedade?

4. O que você pode fazer pra reduzir a utilização de plástico em seu dia a dia?

A recente descoberta de microplásticos no sangue humano sublinha o


impacto crescente desses materiais na saúde e no meio ambiente. Esses
fragmentos de plástico, resultantes da degradação de objetos maiores,
são um exemplo prático de como as propriedades da matéria podem
mudar com o tempo. Ao estudar os microplásticos, podemos explorar
conceitos relacionados aos estados físicos da matéria e às propriedades
das substâncias. Esses fragmentos são misturas heterogêneas compos-
tas por diferentes polímeros e aditivos, o que influencia sua durabilida-
de e comportamento no ambiente. A interação dos microplásticos com
o meio ambiente gera fenômenos físicos, como a dispersão no ar e na
água, e fenômenos químicos, como reações com poluentes e toxinas.
Compreender essas propriedades nos ajuda a avaliar os riscos associa-
dos aos microplásticos e a buscar soluções para mitigar seu impacto.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. A MATÉRIA E SUAS PROPRIEDADES


Matéria é qualquer substância que possui massa e ocupa espaço, composta por partículas fundamentais
como átomos e moléculas. Suas propriedades podem ser classificadas em físicas, como estado (sólido, líqui-
do, gasoso), densidade, ponto de fusão e condutividade, e químicas, como reatividade, combustibilidade e
acidez. Estudamos essas propriedades para entender como a matéria se comporta e interage sob diferentes
condições, permitindo previsões e manipulações em reações químicas e físicas. Esse conhecimento é essen-
cial para desenvolver novas tecnologias, materiais, medicamentos e para compreender processos naturais,
contribuindo significativamente para avanços científicos e industriais.
Até o século XX definia-se a Química como a ciência que estuda a natureza, a matéria e suas propriedades e
transformações. No entanto, hoje, a Química se sobrepõe com várias outras áreas, gerando estudos como bio-
química, oceanografia e físico-química. Logo, é praticamente impossível determinar uma definição moderna e
abrangente de Química. Para começarmos a entendê-la veremos, a seguir, algumas definições importantes.

1.1. A matéria e seus estados físicos


Matéria é tudo aquilo que ocupa lugar no espaço e possui massa. Exemplos: o ferro, um lápis, uma cadeira,
uma pessoa, o ar, a madeira. Quando os químicos estudam ou observam uma porção limitada da matéria,
esta recebe o nome de sistema. Um sistema pode ser:
Aberto: troca energia e matéria com o ambiente ao redor (chamado de vizinhança);
Fechado: troca apenas energia com as vizinhanças;
Isolado: não faz trocas com as vizinhanças.
A matéria existe em três estados físicos: sólido, líquido e gasoso. No estado sólido, as partículas constituintes
estão organizadas próximas umas das outras e com pouca mobilidade. Ou seja, vibram em posições relativa-
mente fixas. Por isso, no estado sólido o volume e a forma são definidos e não se alteram com o recipiente. No
estado líquido, as partículas estão mais afastadas e livres. Elas conseguem movimentar-se dentro do material,
mas, ainda mantêm-se unidas. Dessa forma, o estado líquido tem volume definido, mas não forma, ele terá a
205
forma do recipiente que o contém. No estado gasoso as partículas constituintes estão afastadas e desorgani-
zadas, movimentando-se caoticamente. Assim, o estado gasoso não tem nem volume e nem forma definidos.
Os gases se expandem ocupando o volume e a forma do recipiente que os contém.
A matéria pode mudar de estado físico, chamadas de mudança de estado físico, sendo que cada um desses
processos recebe os nomes que estão na figura abaixo.

LEGENDA: Mudanças de estado físico da matéria.

Fonte: retirado do material original do EA.

• OBS. 1: a liquefação também pode ser chamada de condensação.


• OBS. 2: chamamos de ponto de fusão a temperatura na qual um sólido transforma-se em líquido ou um
líquido num sólido. Chamamos de ponto de ebulição a temperatura na qual um líquido transforma-se em
gás ou um gás em líquido.
• OBS. 3: a vaporização pode ocorrer de três formas: evaporação, ebulição e calefação. A evaporação é a
mudança de estado físico de forma lenta, espontânea e à temperatura ambiente, como quando as roupas
secam no varal. A ebulição é um processo rápido e controlado por temperatura, como quando fervermos
água para fazer café. A calefação é um processo muito rápido, instantâneo, e ocorre quando a substância
vaporiza em temperatura muito maior que a de ebulição, como quando cai água numa chapa quente.
1.2. Fenômenos físicos e químicos
A matéria pode passar por transformações, sendo essas transformações chamadas de fenômenos, os quais
podem ser físicos ou químicos. Fenômenos físicos são aqueles que não alteram a natureza da matéria. Por
exemplo, a água quando passa do estado sólido para o líquido está apenas mudando o estado físico, mas
continua sendo água, sua molécula continua sendo H2O. Mudanças de estado físico são sempre fenômenos
físicos. Outros exemplos são: misturar substâncias, amassar uma lata de refrigerante, quebrar um lápis. Fenô-
menos físicos são reversíveis.
Fenômenos químicos são aqueles que mudam a natureza da matéria, ou seja, alteram suas propriedades
moleculares por meio de reações químicas. Alguns exemplos são as reações entre ácidos e bases, a queima
de uma folha de papel, a digestão dos alimentos, a fotossíntese. Os fenômenos químicos podem ser reversíveis
ou irreversíveis.

1.3. Substâncias e misturas


A matéria é feita de átomos (como você aprendeu na frente de Química Geral) e quando esses unem-se por
ligações químicas, formam moléculas. Ao reunirmos várias moléculas temos uma substância, que apresenta-
rá propriedades químicas e físicas próprias. Classificamos as substâncias em simples e compostas.

1.4. Substâncias simples


São aquelas formadas por apenas um tipo de elemento químico. Exemplos: Cl2, O3, Fe, H2, He. Quando átomos
de um mesmo elemento químico podem formar substâncias simples diferentes, ocorre o que chamamos de
alotropia. Um exemplo é o oxigênio, que pode formar moléculas de O2 (presente no ar que respiramos) ou de
O3 (ozônio). Assim, O2 e O3 são alótropos em que varia o número de átomos na molécula. Outro exemplo ocorre
com o carbono, que pode formar diversos alótropos, entre eles o grafite e o diamante. A diferença entre eles é
apenas estrutural: o grafite é formado de folhas de carbono e o diamante de estruturas tridimensionais com
carbonos tetraédricos.

206 1.5. Substâncias compostas

São formadas por dois ou mais tipos diferentes de elementos químicos. Exemplos: H2O, CO, NaCl, C2H6O, H2SO4.

1.6. Substâncias puras


Dizemos que uma substância é pura quando existem apenas moléculas da mesma substância, seja ela sim-
ples ou composta. Por exemplo:
Um copo numa mesa contendo apenas água (apenas moléculas de água!) é um sistema aberto com uma
substância pura composta.
• Um cilindro contendo gás oxigênio (O2) é um sistema fechado contendo uma substância pura simples.
• Quando substâncias puras mudam de estado físico, as temperaturas de fusão e de ebulição permanecem
constantes, como indica o gráfico abaixo. Durante a mudança os dois estados físicos vão coexistir.

LEGENDA: Mudança de estado físico para substâncias simples.

Fonte: retirado do material original do EA.


1.7. Misturas
Quando temos duas ou mais substâncias juntas, passamos a ter uma mistura. Numa mistura, as temperaturas
de fusão e de ebulição não permanecem constantes, gerando uma faixa de mudança de estado, como indica
a figura.

LEGENDA: Mudança de estado físico para misturas.

Fonte: retirado do material original do EA.

Existem algumas misturas especiais: as eutéticas e as azeotrópicas.


• Misturas eutéticas: são aquelas em que mesmo não sendo uma substância pura, a temperatura do ponto
de fusão permanece constante durante a mudança de estado físico. Exemplo: álcool + água em quantida-
de específica.

207

LEGENDA: Mudança de estado físico para misturas eutéticas.

Fonte: retirado do material original do EA.

• Misturas azeotrópicas: são aquelas em que a temperatura do ponto de ebulição permanece constante
durante a mudança de estado físico. Exemplo: Bronze em percentagem específica.

LEGENDA:Mudança de estado físico para misturas azeotrópicas.

Fonte: retirado do material original do EA.


1.8. Misturas homogêneas e heterogêneas
Ao observarmos dois sistemas diferentes: uma garrafa contendo álcool de cozinha (mistura de água + álcool)
e um copo com água e óleo, imediatamente notamos a diferença. No primeiro caso vemos apenas uma fase.
No segundo caso vemos duas fases bem definidas, a da água abaixo e do óleo acima.

caso 1 caso 2

Fonte: retirado da apostila original do EA.

Dizemos que o caso 1 é uma mistura homogênea e o caso 2 uma heterogênea. Fase é cada uma das partes
homogêneas de um sistema. Uma mistura deve necessariamente conter dois ou mais componentes. Se esses
componentes apresentarem uma fase apenas, será homogênea. Se apresentarem mais de uma fase, será
heterogênea. As misturas não precisam necessariamente ser líquidas. O ouro 18 quilates, por exemplo, é uma
liga de 75% de ouro e 25% cobre, sendo uma mistura homogênea sólida. O ar é uma mistura homogênea de
gases.

208

Sistema heterogêneo com 3 fases.

Fonte: retirado da apostila original do EA.

1.9. Métodos de separação de misturas


1.9.1. Catação
Os grãos ou fragmentos de um dos componentes são pegos com as mãos ou com uma pinça.
Exemplo: para separar pedras de feijões basta catar um dos componentes.

1.9.2. Ventilação
Pela mistura passa-se uma corrente de ar e esta arrasta o componente mais leve.
Exemplo: quando o feijão é retirado das bainhas, essas são arrastadas por uma corrente de ar e separadas
dos grãos.

1.9.3. Levigação
Pela mistura passa-se uma corrente de água e esta arrasta o componente mais leve.
Exemplo: os garimpeiros usam esse processo para separar o ouro do cascalho em rios. O cascalho mais leve
é levado pela corrente de água e o ouro fica.

1.9.4. Separação magnética


Pela mistura passa-se um imã, se um dos componentes possuir propriedades magnéticas, este será atraído
e consequentemente separado.
Exemplo: usado na reciclagem do lixo, passa-se um imã na mistura de modo que os componentes com metais
são atraídos.

1.9.5. Peneiração
Se a mistura possuir diferentes tamanhos de grãos pode-se utilizar uma peneira.
Exemplo: é usada pelos pedreiros para separar a areia grossa da fina.

1.9.6. Decantação
Usado para separar os componentes de misturas heterogêneas constituídas de um componente sólido e ou-
tro líquido ou de dois componentes líquidos imiscíveis. Esse método consiste em deixar a mistura em repouso
e o componente mais denso, sob a ação da força da gravidade, formará a fase inferior e o menos denso ocu-
pará a fase superior.
Exemplo: para separar água de óleo basta deixar a mistura em repouso e o óleo ficará em cima, sendo possível
retirá-lo.

1.9.7. Centrifugação
É usada para acelerar a decantação da fase mais densa de uma mistura heterogênea constituída de um
componente sólido e outro líquido. Esse método consiste em submeter a mistura a um movimento de rotação
intenso de tal forma que o componente mais denso se deposite no fundo do recipiente.
209
Exemplo: nos laboratórios de análise clínica, o sangue, que é uma mistura heterogênea, é submetido a centri-
fugação para separação dos seus componentes.

1.9.8. Filtração
Na filtração, é feita a passagem da mistura através de filtros que possuem tamanhos diferentes. As partículas
retidas são de tamanho maior do que poros do filtro. É um método simples e barato.
Exemplo: separar areia de água, ao passar por um filtro a areia fica retida.

1.9.9. Flotação ou flutuação


Consiste na separação da mistura pela adição de um líquido de densidade intermediária entre os componen-
tes da mistura.
Exemplo: para separar areia de serragem podemos adicionar água. Com isso, a serragem, por ser menos
densa, flutuará e a areia afundará, ficando no fundo do recipiente. Dessa forma, retiramos a serragem usando
uma colher e depois separamos a areia da água por filtração.

1.9.10. Dissolução fracionada


Consiste em dissolver um dos componentes em um solvente que não dissolva o outro.
Exemplo: para separar areia e sal podemos colocar água, pois o sal dissolve na água e a areia não. Dessa for-
ma, separamos a areia da água com sal por filtração e depois o sal é retirado da água por destilação simples.
1.9.11. Destilação simples
É usada para separar misturas homogêneas quando um dos componentes é sólido e o outro líquido ou entre
dois líquidos miscíveis. Este processo baseia-se na diferença de pontos de ebulição. Consiste em aquecer a
mistura em uma aparelhagem apropriada, como a esquematizada abaixo, até que o líquido entre em ebuli-
ção. Como o vapor do líquido é menos denso, sairá pela parte superior do balão de destilação, chegando ao
condensador, que é refrigerado, condensa-se, voltando novamente ao estado líquido.

Exemplo: separar água de sal, a água evapora e o sal fica no balão.

LEGENDA: Esquema de uma destilação simples.

Fonte: retirado do material original do EA.

1.9.12. Destilação Fracionada


210
É usada na separação de misturas homogêneas quando os componentes da mistura são líquidos. A desti-
lação fracionada é baseada nos diferentes pontos de ebulição dos componentes da mistura. A técnica e a
aparelhagem utilizadas na destilação fracionada são as mesmas utilizadas na destilação simples, entretanto
deve ser colocada uma coluna de fracionamento no balão de destilação. A substância mais volátil sai primeiro.
Exemplo: separar os diversos solventes que compõem o petróleo (hexano, querosene, gasolina, etc).

LEGENDA: Esquema de uma destilação fracionada.

Fonte: retirado do material original do EA.


SAIBA MAIS!
Separação de misturas.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HvvmwLPVBuc.
Acesso em: jul. 2024.

RESUMO
• A matéria tem três estados físicos: sólido, líquido e gasoso.
• Substâncias simples são aquelas formadas de um único elemento químico e substâncias compostas são
formadas de mais de um tipo de elemento.
• Misturas podem ser homogêneas, quando têm uma fase, ou heterogêneas, quando têm mais de uma fase.
• Existem diversos métodos de separação de misturas, cada um específico para uma mistura diferente.

EXERCÍCIOS
A matéria e suas propriedades
211
1. (ENEM 2014) O principal processo industrial utili- 2. (ENEM 2013) Entre as substâncias usadas para o
zado na produção de fenol é a oxidação do cume- tratamento de água está o sulfato de alumínio que,
no (isopropilbenzeno). A equação mostra que esse em meio alcalino, forma partículas em suspensão
processo envolve a formação do hidroperóxido de na água, às quais as impurezas presentes no meio
cumila, que em seguida é decomposto em fenol e se aderem.
acetona, ambos usados na indústria química como
O método de separação comumente usado para
precursores de moléculas mais complexas. Após o
retirar o sulfato de alumínio com as impurezas ade-
processo de síntese, esses dois insumos devem ser
ridas é a:
separados para comercialização individual.
a) flotação.

b) levigação.

c) ventilação.

d) peneiração.

Considerando as características físico-químicas e) centrifugação.


dos dois insumos formados, o método utilizado para
a separação da mistura, em escala industrial, é a:
3. (ENEM 2014) Para impedir a contaminação micro-
a) filtração. biana do suprimento de água, deve-se eliminar as
emissões de efluentes e, quando necessário, tratá-
b) ventilação. -los com desinfetante. O ácido hipocloroso (HClO),
produzido pela reação entre cloro e água, é um dos
c) decantação. compostos mais empregados como desinfetan-
te. Contudo, ele não atua somente como oxidante,
mas também como um ativo agente de cloração.
d) evaporação.
A presença de matéria orgânica dissolvida no su-
primento de água clorada pode levar à formação
e) destilação fracionada.
de clorofórmio (CHCl3 ) e outras espécies orgânicas
cloradas tóxicas.
SPIRO, T. G.; STIGLIANI, W. M. Química ambiental. São Paulo: Pearson, 2009 (adaptado).
Visando eliminar da água o clorofórmio e outras moléculas orgânicas, o tratamento adequado é a:

a) filtração, com uso de filtros de carvão ativo.

b) fluoretação, pela adição de fluoreto de sódio.

c) coagulação, pela adição de sulfato de alumínio.

d) correção do pH, pela adição de carbonato de sódio.

e) floculação, em tanques de concreto com a água em movimento.

4. (UFRGS 2016) A produção de café descafeinado consiste em retirar a cafeína, sem alterar muito o sabor
original do café. Existem diferentes processos para a descafeinação.
Abaixo são apresentadas 2 situações sobre um desses processos.
1 - O processo consiste em utilizar um banho de solvente, como por exemplo o acetato de etila, que dissolve
bem a cafeína e dissolve muito pouco os outros componentes do café.
2 - O solvente utilizado em 1 é retirado através de evaporação.
Assinale a alternativa que indica as propriedades que fundamentam, respectivamente, as situações 1 e 2.

a) Pressão osmótica, ponto de ebulição

b) Solubilidade, ponto de ebulição

c) Dissolução, solubilidade

d) Saturação, pressão osmótica

e) Ponto de ebulição, pressão osmótica

5. (ENEM 2022) A água bruta coletada de mananciais apresenta alto índice de sólidos suspensos, o que a
212 deixa com um aspecto turvo. Para se obter uma água límpida e potável, ela deve passar por um processo de
purificação numa estação de tratamento de água. Nesse processo, as principais etapas são, nesta ordem:
coagulação, decantação, filtração, desinfecção e fluoretação. Qual é a etapa de retirada de grande parte
desses sólidos?

a) Coagulação.

b) Decantação.

c) Filtração.

d) Desinfecção.

e) Fluoretação.

6. (ENEM 2022) O urânio é empregado como fonte de energia em reatores nucleares. Para tanto, o seu mineral
deve ser refinado, convertido a hexafluoreto de urânio e posteriormente enriquecido, para aumentar de 0,7%
a 3% a abundância de um isótopo específico — o urânio-235. Uma das formas de enriquecimento utiliza a pe-
quena diferença de massa entre os hexafluoretos de urânio-235 e de urânio-238 para separá-los por efusão,
precedida pela vaporização. Esses vapores devem efundir repetidamente milhares de vezes através de barrei-
ras porosas formadas por telas com grande número de pequenos orifícios. No entanto, devido à complexidade
e à grande quantidade de energia envolvida, cientistas e engenheiros continuam a pesquisar procedimentos
alternativos de enriquecimento.
ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. Porto Alegre: Bookman, 2006 (adaptado).

Considerando a diferença de massa mencionada entre os dois isótopos, que tipo de procedimento alternativo
ao da efusão pode ser empregado para tal finalidade?

a) Peneiração. e) Separação magnética.

b) Centrifugação.

c) Extração por solvente.

d) Destilação fracionada.
7. (UFU 2021) A demanda pelo gás oxigênio aumentou drasticamente em 2020 devido ao alto número de pa-
cientes acometidos com a Covid-19. A produção industrial do oxigênio para uso medicinal deve considerar um
altíssimo grau de pureza, motivo pela qual a indústria química utiliza processos sucessivos de separação de
misturas, de modo a retirar toda porção particulada do ar e promover a separação entre seus componentes
principais: Nitrogênio (Tebulição = -196°C), Oxigênio (Tebulição = -183°C) e Argonio (Tebulição = -186°C).
Disponível em: https://cfq.org.br/noticia/saiba-como-e-produzido-o-oxigenio-hospitalar/. Acesso em: 05 jun 2021. (Modificado)

O processo abaixo ilustra o procedimento industrial de obtenção de oxigênio líquido.

https://www.megafilter.com.br/post/aplicaçoes-de-oxigênio

Pela análise do processo industrial, verifica-se que


I. a filtragem retira partículas suspensas no ar que, após liquefação, é submetido a uma destilação fracionada.
II. a torre de carbono promove a separação de partículas do ar que tem seus componentes separados por
decantação.
III. a separação dos componentes do ar ocorre em função da diferença nos pontos de ebulição das substân-
cias no estado líquido.
IV. o oxigênio líquido é obtido por meio de uma sequência de reações químicas promovidas industrialmente.
Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas.

a) Apenas II e III.
213
b) Apenas II e IV.

c) Apenas I e III.

d) Apenas I e IV.

8. (ENEM 2021) A imagem apresenta as etapas do funcionamento de uma estação individual para tratamento
do esgoto residencial.

TAVARES, K. Estações de tratamento de esgoto individuais permitem a reutilização da água. Disponível em: https://extra.globo.com. Acesso em: 18 nov. 2014 (adaptado).
Em qual etapa decanta-se o lodo a ser separado do esgoto residencial?

a) 1 c) 3 e) 6

b) 2 d) 5

9. (ENEM 2016) Uma pessoa é responsável pela manutenção de uma sauna úmida. Todos os dias cumpre o
mesmo ritual: colhe folhas de capim-cidreira e algumas folhas de eucalipto. Em seguida, coloca as folhas na
saída do vapor da sauna, aromatizando-a, conforme representado na figura:

(Imagem: reprodução Enem/INEP)

Qual processo de separação é responsável pela aromatização promovida?

a) Filtração simples.

b) Destilação simples.
214 c) Extração por arraste.

d) Sublimação fracionada.

e) Decantação sólido-líquido.

10. (ENEM 2020) A obtenção de óleos vegetais, de maneira geral, passa pelas etapas descritas no quadro

(Imagem: Reprodução Enem/INEP)

Qual das subetapas do processo é realizada em função apenas da polaridade das substâncias?

a) Trituração.

b) Cozimento.

c) Prensagem.

d) Extração.

e) Destilação.
11. (ENEM 2020) Em seu laboratório, um técnico em química foi incumbido de tratar um resíduo, evitando seu
descarte direto no meio ambiente. Ao encontrar o frasco, observou a seguinte informação: “Resíduo: mistura
de acetato de etila e água”.
Considere os dados do acetato de etila:
Baixa solubilidade em água;
Massa específica = 0,9 g cm-3;
Temperatura de fusão = -83 °C;
Pressão de vapor maior que a da água.
A fim de tratar o resíduo, recuperando o acetato de etila, o técnico deve:

a) evaporar o acetato de etila sem alterar o conteúdo de água.

b) filtrar a mistura utilizando um funil comum e um papel de filtro.

c) realizar uma destilação simples para separar a água do acetato de etila.

d) proceder a uma centrifugação da mistura para remover o acetato de etila.

e) decantar a mistura separando os dois componentes em um funil adequado.

12. (ENEM 2017) As centrífugas são equipamentos utilizados em laboratórios, clínicas e indústrias. Seu funciona-
mento faz uso da aceleração centrífuga obtida pela rotação de um recipiente e que serve para a separação
de sólidos em suspensão em líquidos ou de líquidos misturados entre si.
RODITI. I. Dicionário Houaiss de física. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005 (adaptado).

Nesse aparelho, a separação das substâncias ocorre em função

a) das diferentes densidades.

b) dos diferentes raios de rotação.

c) das diferentes velocidades angulares. 215

d) das diferentes quantidades de cada substância.

e) da diferente coesão molecular de cada substância.

13. (ENEM 2017) A cromatografia em papel é um método de separação que se baseia na migração diferencial
dos componentes de uma mistura entre duas fases imiscíveis. Os componentes da amostra são separados
entre a fase estacionária e a fase móvel em movimento no papel. A fase estacionária consiste de celulose pra-
ticamente pura, que pode absorver até 22% de água. É a água absorvida que funciona como fase estacionária
líquida e que interage com a fase móvel, também líquida (partição líquido-líquido). Os componentes capazes
de formar interações intermoleculares mais fortes com a fase estacionária migram mais lentamente.
Uma mistura de hexano com 5% (v/v) de acetona foi utilizada como fase móvel na separação dos compo-
nentes de um extrato vegetal obtido a partir de pimentões. Considere que esse extrato contém as substâncias
representadas.
RIBEIRO, N. M.; NUNES, C. R. Análise de pigmentos de pimentões por cromatografia em papel. Química Nova na Escola, n. 29, ago. 2008 (adaptado).

(Imagem: Reprodução Enem/Inep)


A substância presente na mistura que migra mais lentamente é o(a)

a) licopeno.

b) α-caroteno.

c) γ-caroteno.

d) capsorubina.

e) α-criptoxantina.

14. (UFRGS 2019) O sal de cozinha ( cloreto de sódio) tem solubilidade de 35,6 g em 100 ml de água em tem-
peratura próxima a 0ºC. Ao juntar, em um copo, 200 ml de água a 0,1ºC, três cubos de gelo e 80 g de cloreto de
sódio, o número de componentes e fases presentes no sistema, imediatamente após a mistura, será:

a) um componente e uma fase.

b) dois componentes e duas fases.

c) dois componentes e três fases.

d) três componentes e duas fases.

e) três componentes e quatro fases.

15. (ENEM 2017) A farinha de linhaça dourada é um produto natural que oferece grandes benefícios para o
nosso organismo. A maior parte dos nutrientes da linhaça encontra-se no óleo desta semente, rico em subs-
tâncias lipossolúveis com massas moleculares elevadas. A farinha também apresenta altos teores de fibras
proteicas insolúveis em água, celulose, vitaminas lipossolúveis e sais minerais hidrossolúveis.
Considere o esquema, que resume um processo de separação dos componentes principais da farinha de
linhaça dourada.
216

O óleo de linhaça será obtido na fração

a) Destilado 1.

b) Destilado 2.

c) Resíduo 2.

d) Resíduo 3.

e) Resíduo 4.
16. (UFAC 2009) O gráfico abaixo mostra a curva de aquecimento para o clorofórmio, usualmente utilizado
como solvente para lipídeos.

Analisando a curva, observa-se que: (a) a temperatura de fusão; (b) a temperatura de ebulição; (c) o estado
físico do clorofórmio nos segmentos A e D, são respectivamente:

a) 60 °C , −60 °C, sólido e gás.

b) −60 °C, 60 °C, sólido e líquido.

c) −60 °C, 60 °C, sólido e mudança de líquido para gás.

d) 60 °C , −60 °C, líquido e gás.

e) −60 °C, 60 °C, líquido e mudança de líquido para gás.

17. (UFU MG/2019) O gráfico indica a mudança de estado físico, por alteração na temperatura, de uma liga
metálica de ouro/cobre. A análise gráfica permite concluir que:
217

http://interna.coceducacao.com.br/ebook/content/pictures/2002-11-133-02-i002.gif. Acesso em 08.mar.2019.

a) independentemente da quantidade dos componentes da mistura, as temperaturas de fusão e de ebulição


serão as mesmas.

b) no estado líquido, o ouro e o cobre se aglomeram de modo semelhante à aglomeração dessas substâncias
no estado de vapor.

c) a mistura não possui ponto de fusão e ponto de ebulição, e sim intervalos de fusão e de ebulição.

d) a mudança de temperatura na fusão e na ebulição permanecem constante, coexistindo duas fases em


cada uma dessas etapas.
18. (UFRN 2012) O Rio Grande do Norte é o maior produtor de petróleo do Brasil em terra. O petróleo bruto é
processado nas refinarias para separar seus componentes por destilação fracionada. Esse processo é base-
ado nas diferenças das temperaturas de ebulição das substâncias relativamente próximas. A figura abaixo
representa o esquema de uma torre de destilação fracionada para o refinamento do petróleo bruto. Nela, os
números de 1 a 4 indicam as seções nas quais as frações do destilado são obtidas. Na tabela ao lado da figura,
são apresentadas características de algumas das frações obtidas na destilação fracionada do petróleo bruto.

218

Para a análise da qualidade da destilação, um técnico deve coletar uma amostra de querosene na torre de
destilação. Essa amostra deve ser coletada:

a) na Seção 3.

b) na Seção 2.

c) na Seção 1.

d) na Seção 4.
PROBLEMATIZAÇÃO 2

Um mundo sem água

Mateus estava sentado no sofá, assistindo ao noticiário


da TV, quando as imagens das enchentes no Rio Grande
do Sul tomaram a tela. Casas destruídas, ruas comple-
tamente alagadas, pessoas sendo resgatadas em bar-
cos improvisados. Ele permaneceu em silêncio, com os
olhos fixos na tela, absorvendo o caos e o desespero que
se desenrolavam diante dele. O que mais o chocou, no
entanto, foi a menção de que muitas regiões estavam
sem acesso à água potável. “Como as pessoas podem
sobreviver sem água?” ele se perguntou, sentindo um frio
percorrer sua espinha. Para Mateus, a ideia de viver sem
algo tão essencial parecia inconcebível.
Enquanto refletia, lembrou-se de uma história que havia lido recentemente sobre um homem chamado Lukas
McClicsh. Ele havia desaparecido nas montanhas de Santa Cruz, na Califórnia, e foi encontrado vivo após dez
dias perdido. Sobreviveu comendo frutas silvestres e bebendo água de riachos. O relato era impressionante,
mas o que mais chamava a atenção de Mateus era a incrível capacidade de resistência do ser humano em
situações extremas. Se aquele homem conseguira sobreviver por conta própria nas montanhas, talvez as pes-
soas no Rio Grande do Sul também conseguissem se reerguer com a ajuda das doações que chegavam de
todos os lados.
Mesmo assim, algo continuava a perturbá-lo. Ele desviou o olhar para a janela, onde o céu nublado parecia
prenunciar mais chuva. Pensava nas enchentes como um reflexo das mudanças climáticas e em como o
acesso à água potável poderia se tornar cada vez mais escasso no futuro. Como as pessoas deixaram isso
acontecer? Por que não cuidaram da água enquanto ainda havia tempo? Ele sabia a resposta: estava no
modo como a humanidade usava e desperdiçava os recursos naturais, acreditando que eram infinitos. Um
mundo sem água seria um lugar silencioso e desolado, onde cada gota se tornaria mais valiosa do que qual-
quer riqueza material.
219

PARA REFLETIR!

1. Como a falta de acesso à água potável, como mencionada no texto, pode impactar a vida das
pessoas em situações de desastres naturais, como enchentes? Você já foi impactado por causa de
alguma calamidade? Conte sua história aos colegas e professor.
2. O que podemos aprender com a resiliência de pessoas como Lukas McClicsh e a forma como ele
sobreviveu em condições extremas? Como isso pode se aplicar a situações coletivas de crise?
3. De que maneira as mudanças climáticas estão relacionadas ao aumento de desastres naturais,
como as enchentes? O que você pode fazer para mitigar esses efeitos?

As enchentes e a falta de água potável, como des-


critas na história de Mateus, podem ser conectadas
diretamente ao estudo das funções inorgânicas em
química. Substâncias como ácidos, bases, sais e
óxidos desempenham papéis fundamentais no tra-
tamento e purificação da água. Por exemplo, o uso
de compostos como hipoclorito de sódio (um sal
inorgânico) na desinfecção da água é essencial em
situações de emergência. Além disso, a poluição de
rios e lagos devido à ação de ácidos ou bases pre-
sentes em resíduos industriais intensifica os pro-
blemas ambientais, o que ressalta a importância de
compreender as reações químicas que essas subs-
tâncias podem causar no meio ambiente.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2

2. FUNÇÕES INORGÂNICAS
Funções inorgânicas são categorias de substâncias químicas que incluem ácidos, bases, sais e óxidos, cada
uma com propriedades químicas e físicas específicas. Estas substâncias são classificadas com base em suas
características e comportamento em reações químicas. Estudamos as funções inorgânicas para compreen-
der a reatividade e as interações entre diferentes compostos, o que é fundamental para diversas aplicações
práticas, como na síntese de materiais, tratamentos químicos, produção de medicamentos, e processos in-
dustriais. Esse conhecimento permite o desenvolvimento de tecnologias e soluções inovadoras para proble-
mas ambientais, de saúde e de produção. Veremos a seguir cada uma das funções inorgânicas e suas ca-
racterísticas:

2.1. Ácidos
De acordo com a definição de Arrhenius, ácido é toda substância molecular que quando dissolvida em água
sofre ionização produzindo como íon positivo apenas o cátion H+ (também representado como H3O+) chama-
do de hidrônio ou hidroxônio.
Exemplos:
HCl(g) à H+(aq) + Cl-(aq) ou HCl(g) + H2O(l) à H3O+(aq) + Cl-(aq)
H2S(g) à 2H+(aq) + S-2(aq) ou H2S(g) + 2 H2O(l) à 2 H3O+(aq) + S-2(aq)
H3PO4(g) à 3 H+(aq) + PO4-3(aq) ou H3PO4(g) + 3 H2O(l) à 3 H3O+(aq) + PO4-3(aq)

Portanto, a formulação geral de um ácido é HAX, em que X é um ânion qualquer e o número A depende da
carga do íon. Algumas propriedades dos ácidos são:
• Apresentam sabor azedo, como o vinagre e as frutas cítricas, a exemplo do limão.

220

Exemplo de alimento com sabor ácido.


• Alguns são corrosivos e venenosos.
• A maior parte é solúvel em água.
• São compostos moleculares.
• Quando puros não conduzem a corrente elétrica. Mas, quando dissolvidos em água conduzem, por causa
do processo de ionização e consequente liberação de cátion H3O+ e ânion.

2.1.1. Classificação dos ácidos


a) De acordo com a presença de oxigênio na molécula podem ser:
• Oxiácidos: ácidos que têm oxigênio.
Ex: H2SO4, HNO3 e H3PO4

• Hidrácidos: ácidos que não têm oxigênio.


Ex: HCl , H2S e HBr
b) De acordo com o número de hidrogênios ionizáveis podem ser:
• Monoácidos: apresentam 1 hidrogênio ionizável.
Exemplos: HCl, HBr, HNO3, H3PO2.
OBS.: o H3PO2 é um monoácido, apesar de ter três hidrogênios em sua estrutura. Isso ocorre porque hidro-
gênios ionizáveis são apenas os que estão ligados a oxigênios e nessa molécula, dois hidrogênios estão
ligados diretamente ao fósforo, não sendo ionizáveis.

LEGENDA: Representação da molécula de H3PO2.

Fonte: elaborado pela autora.

• Diácidos: apresentam 2 hidrogênios ionizáveis.


Exemplos: H2S, H2SO4, H2CO3, H3PO3.
OBS.: o H3PO3 é um diácido, apesar de ter três hidrogênios em sua estrutura. Um dos hidrogênios está ligado
diretamente ao fósforo, não sendo ionizável.

LEGENDA: Representação da molécula de H3PO3.

Fonte: elaborado pela autora. 221

• Triácidos: apresentam 3 hidrogênios ionizáveis.


Exemplos: H3BO3, H3PO4 e H3AsO4.

c) De acordo com a força podem ser:


Nem todas as moléculas de um determinado ácido sofrem ionização quando dissolvidas na água. Os ácidos
apresentam, portanto, um grau de ionização (a), que representa a percentagem de moléculas ionizadas. No
caso do ácido clorídrico, de cada 100 moléculas de HCl(g) que são colocadas na água, sabemos que 92 mo-
léculas se ionizam, ou seja, produzem H+ e Cl- e 8 moléculas continuam na forma de moléculas de HCl dis-
solvidas na água. Assim, podemos dizer que o grau de ionização (a) do HCl é de 92%. Já para o HF(g), de cada
100 moléculas que são colocadas na água, apenas 8 moléculas se ionizam produzindo H+ e F-. Assim sendo, o
grau de ionização (a) do HF é de 8%. Quanto maior o grau de ionização, mais forte é o ácido. Temos que:

Ácidos fortes a > 50%

Ácidos fracos a < 5%

Ácidos moderados 5% < a < 50%

Grau de ionização de alguns ácidos em %:

HClO4 HNO3 H2SO4 H3PO4 H2CO3 H3BO3 HCN H2S


97 92 61 27 0,18 0,025 0,008 0,08

Deste modo temos que a fórmula para achar o alfa (a) será:
Temos que a% = a x 100
No entanto, no vestibular, nem sempre temos à disposição o grau de ionização dos ácidos. Mas, existe uma
regra que pode nos ajudar. A força dos oxiácidos é dada pela subtração do número de oxigênios pelo número
de hidrogênios, de modo que:
O - H ≥ 2 ácido forte
O - H = 1 moderado
O - H = 0 ácido fraco

Exemplos:
HClO4, HNO3, H2SO4 são fortes.
HBrO2, HNO2, H3PO4 são moderados.
HClO, H3BO3, H3PO3 são fracos.

OBS: O ácido sulfuroso (H2SO3) e o ácido carbônico (H2CO3) são ácidos instáveis. Eles se decompõem de acor-
do com as equações abaixo, por isso são classificados como fracos.
H2CO3 à H2O + CO2
H2SO3 à H2O + SO2

No caso dos hidrácidos, não existe uma regra a seguir. No entanto, existem apenas três hidrácidos fortes: HCl,
HBr e HI. E apenas um moderado: HF. Todos os outros hidrácidos são fracos.

d) De acordo com a volatilidade podem ser:


• Ácidos voláteis: são ácidos que apresentam baixo ponto de ebulição, pois passam com mais facilidade do
estado líquido para o gasoso. Os ácidos voláteis são gases ou líquidos voláteis. De modo geral, os ácidos
com menos de 7 átomos são voláteis.
222
Exemplos: HF, HBr, HCl, H2S, HCN, HNO3, HNO2, H2SO3 e HClO3.
• Ácidos fixos: são ácidos que apresentam ponto de ebulição mais elevado. Os ácidos fixos são sólidos ou
líquidos não voláteis. De modo geral, os ácidos com 7 ou mais átomos são fixos.
Exemplos: H2SO4, H3BO3 , H3PO3 e H3PO4.

e) De acordo com o número de elementos químicos podem ser:


• Binários: dois elementos distintos.
Exemplos: HCl, H2S, HI

• Ternários: três elementos distintos.


Exemplos: HCN, HNO3, H2SO4

• Quaternários: quatro elementos distintos.


Exemplos: HCNO, HSCN

2.1.2. Nomenclatura dos ácidos


a) Hidrácidos: o nome deve terminar em ÍDRICO.
Exemplos:
HF = Ácido fluorídrico
HBr = Ácido bromídrico
H2S = Ácido sulfídrico
HCN = Ácido cianídrico
b) Oxiácidos: a nomenclatura dos oxiácidos é mais complexa que dos hidrácidos. De modo geral, os oxiáci-
dos vão ter o nome terminando em ICO, formando o que chamamos de ácidos padrões, que estão no quadro
abaixo.

Fórmula Nome

HClO3 Ácido clórico

HBrO3 Ácido brômico

H2SO4 Ácido sulfúrico

HNO3 Ácido nítrico

H3PO4 Ácido fosfórico

H2CO3 Ácido carbônico

H3BO3 Ácido bórico

No entanto, alguns dos ácidos padrões têm variação no número de oxigênios, podendo ter mais ou menos.
Nesses casos o nome muda, conforme o quadro abaixo.

Com 1 oxigênio a Com 1 oxigênio a Com 2 oxigênios a


Ácido padrão
mais menos menos
PER + elemento + Elemento
Elemento +OSO HIPO + elemento + OSO
ICO +ICO

SAIBA MAIS! 223

Por exemplo, para o ácido clórico temos: Para o ácido fosfórico temos:
HClO4 = ácido perclórico H3PO4 = ácido fosfórico
HClO3 = ácido clórico H3PO3 = ácido fosforoso
HClO2 = ácido cloroso H3PO2 = ácido hipofosforoso
HClO = ácido hipocloroso

2.1.3. Aplicações de alguns ácidos mais comuns


• Ácido clorídrico (HCl): conhecido comercialmente como ácido muriático, está presente no suco gástrico. É
usado para limpar metais e pisos.
• Ácido carbônico (H2CO3): ácido instável libera CO2 ao se decompor, por isso é usado em refrigerantes e
água com gás.

LEGENDA: Água com gás, contendo ácido carbônico.

Fonte: PIXABAY https://pixabay.com/pt/photos/copo-de-%C3%A1gua-%C3%A1gua-%C3%A1gua-mineral-2686973/


• Ácido sulfúrico (H2SO4): constituinte das soluções de baterias de automóveis e usado na produção de fer-
tilizantes e tintas.
• Ácido fosfórico (H3PO4): presente nos refrigerantes à base de cola e usado na fabricação de fertilizantes.

LEGENDA: Refrigerantes à base de cola contêm ácido fosfórico.

Fonte: PIXABAY https://pixabay.com/pt/photos/refrigerantes-refrigerante-coca-cola-2741251/

• Ácido nítrico (HNO3): usado na fabricação de explosivos e fertilizantes.


• Ácido fluorídrico (HF): aplicada na gravação de vidros.

SAIBA MAIS!
Cuidado...é ácido!!
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7cSxEXGyBLA&index=8&lis-
t=PLDymEiDw4ee_DTU6IkS1Kxub7MZCEPi8d. Acesso em: jul. 2024.
224

2.2. Bases
De acordo com a definição de Arrhenius, base é toda substância que, dissolvida em água, sofre dissociação
iônica liberando como único íon negativo o ânion hidróxido, OH-, também chamado de oxidrila ou hidroxila.
Exemplos:
NaOH(S) ® Na+(aq) + OH-(aq)
Ca(OH)2(S) ® Ca+2(aq) + 2 OH-(aq)
Al(OH)3(S) ® Al+3(aq) + 3 OH-(aq)

Portanto, a formulação geral de uma base é X(OH)A, em que X é um cátion metálico qualquer (a única exceção
é o cátion NH4+) e o número A depende da carga do íon. Algumas propriedades das bases são:
• Sabor cáustico ou adstringente (“amarra a boca”), como o sabor de banana verde.
• Muitas são corrosivas.
• São substâncias iônicas, por isso, sólidas à temperatura ambiente (com exceção do NH4OH)
• Conduzem corrente elétrica quando dissolvidas em água, pois sofrem dissociação iônica, e quando fun-
didas.
OBS.: É importante diferenciar dissociação de ionização. O processo de dissociação iônica ocorre quando
compostos iônicos que já têm íons (como bases) são colocados em água e esses íons são liberados. O pro-
cesso de ionização ocorre com moléculas que não têm íons (como ácidos), esses serão formados pela ação
do solvente.
2.2.1. Classificação das Bases
a) De acordo com o número de hidroxilas as bases podem ser:
• monobases: tem um OH-
Exemplos: NaOH, KOH, AgOH
• dibases: tem dois OH-
Exemplos: Ca(OH)2, Mg(OH)2, Zn(OH)2
• tribases: tem três OH-
Exemplos: Al(OH)3, Fe(OH)3, Ni(OH)3
• tetrabases: tem quatro OH-
Exemplos: Pb(OH)4, Mn(OH)4

b) De acordo com a força podem ser:


• Bases Fortes: apresentam grau de dissociação próximo de 100%. São as bases dos metais alcalinos e alca-
linos terrosos (com exceção do Be e Mg).
Exemplos: NaOH, KOH, Ca(OH)2, Ba(OH)2.
• Bases Fracas: apresentam grau de dissociação menor que 5%. São as bases dos demais metais (incluindo
Be e Mg) e o NH4OH.
Exemplos: NH4OH, Mg(OH)2, Be(OH)2, Zn(OH)2, Fe(OH)3.

OBS 1: Lembrando que:

225
OBS 2 :

c) De acordo com a solubilidade em água podem ser:


• Solúveis em água: bases de metais alcalinos e amônio.
Exemplos: LiOH, NaOH, KOH, RbOH, CsOH e o NH4OH.
• Pouco solúveis em água: bases de metais alcalino terrosos (com exceção do Be e Mg)
Exemplos: Ca(OH)2, Sr(OH)2, Ba(OH)2.
• Praticamente insolúveis em água: bases de Be e Mg e dos demais metais.
Exemplos: Be(OH)2, Mg(OH)2, Al(OH)3, AgOH.

2.2.2. Nomenclatura das bases


a) Metais que formam apenas uma base:
Existem metais que formam uma única base, pois formam um único cátion. Esses metais são os metais al-
calinos, alcalinos terrosos, a prata (Ag), o zinco (Zn) e o alumínio (Al). Para as bases desses metais, o nome
é feito da seguinte maneira:
Hidróxido + de + nome do metal
Exemplos:
NaOH: hidróxido de sódio Ca(OH)2:: hidróxido de cálcio
NH4OH: hidróxido de amônio Zn(OH)2:hidróxido de zinco

b) Metais que formam mais de uma base:


Existem metais que formam mais de uma base. São metais que formam mais de um cátion. Para as bases
desses metais deve-se indicar com algarismos romanos a carga elétrica do metal ligado ao grupo OH- ao
se escrever o nome da base. Em uma nomenclatura antiga utilizava-se a terminação OSO para a base
com o metal com menor carga e ICO para o metal com maior carga. Mas, o nome utilizando o número de
oxidação do cátion da base é o recomendado pela IUPAC, sendo então, nome oficial.
Exemplos:
Fe(OH)2: hidróxido de ferro II ou hidróxido ferroso.
Fe(OH)3: hidróxido de ferro III ou hidróxido férrico
Pb(OH)2: hidróxido de chumbo II ou hidróxido plumboso.
Pb(OH)4: hidróxido de chumbo IV ou hidróxido plúmbico.

2.2.3. Aplicações de algumas bases mais comuns


• Hidróxido de sódio (NaOH): conhecida como soda cáustica, é usada para desentupir ralos, na fabricação
de sabão e papel.
• Hidróxido de magnésio (Mg(OH)2): conhecido com leite de magnésia, é usado como laxante e antiácido
estomacal.
• Hidróxido de amônio (NH4OH): essa base é resultante da ionização da amônia em água, de acordo com a
equação NH3 + H2O à NH4OH. No entanto, é uma base instável que logo se dissocia em NH4+ e OH-. É muito
usada em produtos de limpeza.
• Hidróxido de cálcio (Ca(OH)2): conhecida como cal hidratada é resultante da dissolução de cal (CaO) em
água CaO + H2O à Ca(OH)2. É usada na construção civil para preparar argamassa.

2.3. Teorias Ácido-Base


Até o momento vimos que um ácido é uma substância que libera H+ em água e base é uma subs-
tância que libera OH- em água. No entanto, essa é apenas uma definição de ácidos e bases, e exis-
tem outras. Veremos a seguir as três principais.
226
2.3.1. Teoria de Arrhenius
Ácido é aquela espécie química capaz de doar o H+ em água. Base é aquela espécie que em água
doa OH-. Essa teoria é restrita a soluções aquosas, sendo que não é a água o único solvente que
pode promover a ionização.

2.3.2. Teoria de Bronsted-Lowry


Ácido é toda espécie capaz de doar H+ e base é toda espécie capaz de receber H+. Quando um ácido de Brons-
ted doa um H+ ele se transforma em uma base conjugada:
Exemplo:
HCl + NH3 ↔ NH4+ + Cl-
ácido base ácido conj. base conj.

2.3.3. Teoria de Lewis


Na teoria de Lewis base é toda espécie química que pode doar par de elétrons. Ácido é toda espécie química
que pode receber um par de elétrons. Observe a reação de dissociação do HCl em meio aquoso e o esquema
abaixo.
HCl + H2O ↔ Cl- + H3O+

Nessa reação, o HCl é um ácido de Bronsted-Lowry por doar H+ e a água é uma base por receber H+. O HCl
também é um ácido de Lewis, pois seu hidrogênio se ligou a um par eletrônico disponível na molécula de água.
A água é uma base de Lewis, pois forneceu par de elétrons ao H+ do HCl.

2.4. Sais
Os sais, de acordo com Arrhenius, são as substâncias que têm pelo menos um cátion diferente de H+ e pelo
menos um ânion diferente de OH-. São compostos obtidos da reação de um ácido com uma base (reação de
neutralização). São formados pelo cátion da base e pelo ânion do ácido.
Exemplos:
NaOH + HCl à NaCl + H2O
base ácido sal água

No caso acima, o sal formado é o NaCl em que Na+ é o cátion da base e Cl- é o ânion do ácido.
Ca(OH)2 + 2HNO3 à Ca(NO3)2 + 2H2O
base ácido sal água

Agora o sal formado é o Ca(NO3)2 em que Ca+2 é o cátion da base e NO3- é o ânion do ácido. Como o cátion
tem duas cargas positivas e o ânion apenas uma negativa, foram necessários dois ânions para cada cátion.
Outros exemplos de sais: NaBr, K2SO4, (NH4)3PO3.
Algumas propriedades dos sais são:
Tem sabor salgado.
São compostos iônicos e, por isso, sólidos à temperatura ambiente.
Não conduzem corrente elétrica no estado sólido, mas conduzem fundidos ou dissolvidos em água.
Sofrem dissociação iônica ao serem colocados em água, liberando o cátion e o ânion.

2.4.1. Classificação dos Sais 227


a) Quanto ao número de elementos os sais podem ser:
• Binários: com dois elementos.
Exemplos: NaCl, MgCl2
• Ternários: com três elementos.
Exemplos: KCN, CaCO3
• Quaternários: com quatro elementos.
Exemplos: KOCN, NaHCO3

b) Quanto à presença de oxigênio os sais podem ser:


• Oxigenados ou oxissais: com oxigênio.
Exemplo: CaCO3, NaHCO3
• Não oxigenados ou haloides: sem oxigênio.
Exemplo: NaCl, KBr, KCN

Quanto à presença de água os sais podem ser:


Hidratados: com água de cristalização
Exemplo: MgSO4.7H2O, CoCl2.6H2O
Anidros: sem água de cristalização
Exemplos: NaCl, KNO3

c) Quanto à presença de H+ e OH- os sais podem ser:


• Neutros: são sais obtidos a partir de uma reação de neutralização total de um ácido por uma base. Neste
caso, todos os íons H+ do ácido são neutralizados pelos íons OH- da base.
Exemplo: Mg(OH)2 + 2HCl à MgCl2 + 2H2O
Portanto, MgCl2 é um sal normal ou neutro.
• Ácidos: são sais obtidos a partir de uma reação de neutralização parcial de um ácido com uma base, com
excesso de ácido.
Exemplos: NaOH + H2CO3 à NaHCO3 + H2O
Nesse caso sobrou um H+ no ácido sem neutralizar, logo, o NaHCO3 é um sal ácido.

• Básicos: são sais obtidos a partir de uma reação de neutralização parcial de um ácido com uma base, com
excesso de base.
Exemplos: Ca(OH)2 + HCl à Ca(OH)Cl + H2O
Nesse caso sobrou um OH- na base sem neutralizar, logo o Ca(OH)Cl é um sal básico.

2.4.2. Nomenclatura dos Sais


Os sais possuem regras de nomenclatura que dependem das regras de nomenclatura dos ácidos. Ou seja,
dependendo da terminação do nome do ânion vindo do ácido, determina-se o nome do sal. Confira na tabela
abaixo:

Terminação do
Terminação do sal
ácido
ico ato

oso ito

ídrico eto

228
Exemplos:
NaCl: cloreto de sódio.
Cl- vem do ácido clorídrico (HCl)

CaSO4: sulfato de cálcio.


SO4-2 vem do ácido sulfúrico (H2SO4)

AlPO4: fosfato de alumínio.


PO4-3 vem do ácido fosfórico (H3PO4)

Na2SO3: sulfito de sódio.


SO3-2 vem do ácido sulfuroso (H2SO3)

NaClO4: perclorato de sódio.


ClO4- vem do ácido perclórico (HClO4)

OBS.: a nomenclatura de sais ácidos ou básicos é feita da mesma forma daqueles normais adicionando-se
hidrogeno, para os sais ácidos, ou hidróxi, para os básicos.
Exemplos:
KHSO4: hidrogeno sulfato de potássio
Al(OH)2Br: dihidróxi brometo de alumínio
NaHCO3: hidrogeno carbonato de sódio (conhecido como bicarbonato de sódio).

2.4.3.Solubilidade dos sais

Solubilidade em
Ânions dos sais Exceções
água

Metais alcalinos (Li+, Na+, K+, Rb+, Cs+) e NH4+ solúveis ---

Acetatos (H3CCOO-) solúveis Ag+ e Hg+2

Ag+, Pb+2 e
Haletos (Cl-, Br- e I-) solúveis
Hg+2

Nitratos e Nitritos (NO3- NO2-) solúveis ---

Sulfatos (SO4-2) solúveis 2A e Pb+2

Sulfetos (S-2) insolúveis NH4+, 1A e 2A

Restantes insolúveis 1A e NH4+

2.4.4.Aplicações de alguns sais mais comuns


• Bicarbonato de sódio (NaHCO3): usado em fermentos químicos e como antiácido estomacal.
229
• Nitrato de potássio (KNO3): conhecido com salitre é empregado como conservante de alimentos embutidos
e na fabricação de fertilizantes.
• Cloreto de sódio (NaCl): usado na alimentação.

LEGENDA: O principal componente do sal de cozinha é o cloreto de sódio.

Fonte: PYXABAY https://pixabay.com/pt/photos/sal-saleiro-o-sal-de-mesa-3285024/

• Fluoreto de sódio (NaF): aplicado em enxaguantes bucais e pastas de dente.


• Hipoclorito de sódio (NaClO): presente na água sanitária, usada para branquear tecidos e eliminar bacté-
rias.
• Carbonato de cálcio (CaCO3): presente no calcário, é usado na fabricação de cimento e na correção da
acidez do solo.
• Sulfato de cálcio (CaSO4): usado para fazer giz escolar e gesso, que é empregado na construção civil e para
engessar partes fraturadas do corpo.
Exemplos: Li2O, Na2O, K2O, Rb2O, Cs2O, BeO, MgO,
CaO, SrO
• Os óxidos básicos reagem com água formando
uma base e com ácidos formando sal e água.
Veja os exemplos:
Na2O + H2O à 2NaOH
LEGENDA: O principal constituinte do giz é o sulfato de cálcio. CaO + 2HCl à CaCl2 + H2O
Fonte: PIXABAY https://pixabay.com/pt/photos/cores-giz-v%C3%A1rios-orange-verde-red-768691/

Neutros: são óxidos de ametais que não reagem


2.5. Óxidos com água, ácidos ou bases. Só existem três óxi-
dos neutros: N2O, NO e CO.
Os óxidos são compostos binários formados pela
combinação do oxigênio e um outro elemento. Eles • Anfóteros: são, principalmente, os óxidos de me-
são encontrados em vários minérios importantes, tais de transição e dos metais dos grupos 13 e 14
como óxido de ferro, na hematita; de alumínio, na da tabela periódica.
bauxita; de estanho, na cassiterita e dióxido de si-
lício, presente no quartzo e nas areias. Combinado Exemplos: ZnO, Al2O3, Fe2O3, PbO, PbO2
com o carbono, o oxigênio pode formar dois óxidos:
Os óxidos anfóteros reagem com ácidos e bases
os gases monóxido e dióxido de carbono.
formando sal e água. Veja os exemplos:
Nos óxidos, a valência ou número de oxidação do
ZnO + 2HCl à ZnCl2 + H2O
oxigênio é sempre -2. Assim, a fórmula geral dos
ZnO + 2KOH à K2ZnO2 + H2O
óxidos é E2Ox, em que x é a carga do cátion. Sempre
que possível os índices são simplificados. Exemplos
de óxidos são: CO, Na2O, Al2O3, SO2. Al2O3 + 6HCl à 2AlCl3 + 3H2O
Al2O3 + 2KOH à 2KAlO2 + H2O
Apenas os compostos oxigenados do flúor (como,
por exemplo, OF2 e O2F2) não são considerados óxi- • Peróxidos: são óxidos em que o oxigênio tem nox
dos, e sim, fluoretos de oxigênio, pois, como já vi- -1. O principal é a água oxigenada H2O2.Outros
mos, o flúor é mais eletronegativo que o oxigênio. peróxidos são, normalmente, iônicos e formados
Um dos óxidos mais importantes é a água (H2O). pelos metais alcalino e alcalinoterrosos.
Exemplos: Na2O2, K2O2, BaO2
230
2.5.1. Classificação dos óxidos
2.5.2. Nomenclatura dos Óxidos
a) Quanto à natureza das ligações os óxidos po-
dem ser:
a) Para óxidos moleculares
• Iônicos: quando o oxigênio liga-se a metais. São
X óxido de Y nome do elemento
sólidos à temperatura ambiente e fontes de me-
tais. Em que X = mono, di, tri... e Y = di, tri...
Exemplos: Na2O, MgO, Fe2O3
• Moleculares: quando o oxigênio liga-se a ame- Exemplos:
tais. São gases à temperatura ambiente. Muitos
SO3 = trióxido de enxofre.
são poluentes atmosféricos.
CO2 = dióxido de carbono.
Exemplos: CO2, NO2, SO3
CO = monóxido de carbono
N2O3 = trióxido de dinitrogênio.
b) Quanto às propriedades os óxidos podem ser:
• Ácidos: normalmente são formados de ametais
ou de metais com nox maior que +5. b) Para óxidos iônicos:
Exemplos: SO2, N2O3, N2O5, P2O3, Cl2O3, Cl2O5, MnO3, Óxido de nome do Elemento
Mn2O7, CrO3
• Os óxidos ácidos reagem com água forman-
do ácidos e reagem com bases formando sal e Exemplos:
água. Veja os exemplos: Na2O = óxido de sódio
CO2 + H2O à H2CO3 CaO = óxido de cálcio
SO3 + 2 NaOH ® Na2SO4 + H2O Al2O3 = óxido de alumínio

• Básicos: são, principalmente, os óxidos iônicos


formados pelos metais dos grupos 1 e 2 da ta-
bela periódica.
Para óxidos iônicos formados por metais com nox

RESUMO
variável (normalmente metais de transição), adi-
ciona-se o número de oxidação ao final do nome
em números romanos:
Exemplos:
FeO = óxido de ferro II
Fe2O3 = óxido de ferro III • Existem quatro funções inorgânicas: ácidos, ba-
ses, sais e óxidos.
• As bases são substâncias iônicas de sabor ads-
2.5.3. Aplicações de alguns óxi- tringente que possuem a hidroxila OH- como
dos mais comuns ânion.
• Os ácidos são compostos covalentes de sabor
• Óxido de cálcio (CaO): usado na constru- azedo que possuem o hidroxônio H+ como cátion.
ção civil para fazer argamassa e na agri- • Os sais são compostos iônicos gerados em rea-
cultura para corrigir a acidez do solo. ções de neutralização entre ácidos e bases.

• Dióxido de carbono (CO2): é um gás incolor • Os óxidos são substâncias binárias em que um
e inodoro, usado em extintores. Também é dos elementos é o oxigênio e podem ser iônicos
ou covalentes.
usado em refrigerantes e água com gás. No
estado sólido é conhecido como gelo seco.
Atualmente, o teor em CO2 na atmosfera
tem aumentado e esse fato é o principal

EXERCÍCIOS
responsável pelo chamado efeito estufa.

Um mundo sem água

19. (UFRGS 2017) Os compostos inorgânicos encon-


tram amplo emprego nas mais diversas aplicações.
Na coluna da esquerda abaixo, estão listados cin- 231
co compostos inorgânicos; na da direita, diferentes
possibilidades de aplicação.
1 - Mg(OH)2   

2 - HClO
3 - H2SO4  

4 - NaOH  
5 - H3PO4
LEGENDA:Os extintores têm dióxido de carbono. ( ) Usado em baterias
Fonte: PIXABAY https://pixabay.com/pt/photos/extintor-extintor-de-inc%C3%AAndio-237643/

( ) Antiácido
Monóxido de carbono (CO): gás incolor e extrema-
mente tóxico. É formado na queima incompleta de ( ) Usado em refrigerantes
combustíveis. ( ) Usado em produtos de limpeza
Dióxido de enxofre (SO2): gás incolor, tóxico de chei- A sequência correta de preenchimento dos parên-
ro irritante. Forma-se na queima do enxofre. O SO2 teses, de cima para baixo, é:
lançado na atmosfera se transforma em SO3 que
se dissolve na água de chuva constituindo a chu- a) 5 – 1 – 3 – 4.
va ácida, causando um sério impacto ambiental e
destruindo a vegetação. b) 1 – 2 – 3 – 5.

SAIBA MAIS! c) 3 – 4 – 1 – 2.

Chuva ácida entenda tudo! d) 4 – 1 – 5 – 4.


Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=p8U2L_nGuf8. Acesso em: jul. 2024.
e) 3 – 1 – 5 – 2.

20. (ENEM 2011) Em 1872, Robert Angus Smith criou


o termo “chuva ácida”, descrevendo precipitações
ácidas em Manchester após a Revolução Industrial.
Trata-se do acúmulo demasiado de dióxido de car-
bono e enxofre na atmosfera que, ao reagirem com 22. (UFPR 2010) Considere as seguintes reações:
compostos dessa camada, formam gotículas de
chuva ácida e partículas de aerossóis. A chuva áci-
da não necessariamente ocorre no local poluidor,
pois tais poluentes, ao serem lançados na atmos-
fera, são levados pelos ventos, podendo provocar a
reação em regiões distantes. A água de forma pura
apresenta pH 7, e, ao contatar agentes poluidores,
reage modificando seu pH para 5,6 e até menos
que isso, o que provoca reações, deixando conse- Essas reações são consideradas ácidos-base:
quências.
a) somente por Arrhenius.
Disponível em: http://www.brasilescola.com. Acesso em: 18 maio
2010 (adaptado).
b) somente por Lewis.

c) por Arrhenius e Bronsted-Lowry.


O texto aponta para um fenômeno atmosférico
causador de graves problemas ao meio ambiente: d) por Arrhenius e Lewis.
a chuva ácida (pluviosidade com pH baixo). Esse
fenômeno tem como consequência:
e) por Bronsted-Lowry e Lewis.
a) a corrosão de metais, pinturas, monumentos his-
tóricos, destruição da cobertura vegetal e acidi-
23. (ENEM 2014) A elevada acidez dos solos e um
ficação dos lagos.
dos fatores responsáveis por reduzir sua capaci-
dade de troca de cátions intensificando a perda de
b) a diminuição do aquecimento global, já que esse
sais minerais por arraste. Como consequência, os
tipo de chuva retira poluentes da atmosfera.
solos ficam deficientes em nutrientes e com baixo
potencial produtivo. Uma estratégia utilizada no
c) a destruição da fauna e da flora, e redução dos controle dessa acidez e aplicar óxidos capazes de
recursos hídricos, com o assoreamento dos rios. formar bases pouco solúveis em meio aquoso. Ini-
cialmente, para uma determinada aplicação, são
d) as enchentes, que atrapalham a vida do cidadão apresentados os seguintes óxidos: NO, CO2, SO2, CaO
urbano, corroendo, em curto prazo, automóveis e Na2O.
e fios de cobre da rede elétrica.
Para essa aplicação, o óxido adequado para mini-
232 e) a degradação da terra nas regiões semiáridas, mizar o efeito de arraste é o
localizadas, em sua maioria, no Nordeste do
nosso país. a) NO

b) CO2
21. (ENEM 2009) O processo de industrialização tem
gerado sérios problemas de ordem ambiental, eco- c) SO2
nômica e social, entre os quais se pode citar a chuva
ácida. Os ácidos usualmente presentes em maiores d) CaO
proporções na água da chuva são o H2CO3, forma-
do pela reação do CO2 atmosférico com a água, o e) Na2O
HNO3, o HNO2, o H2SO4 e o H2SO3. Esses quatro últimos
são formados principalmente a partir da reação da
água com os óxidos de nitrogênio e de enxofre ge- 24. (ENEM 2017) Muitas indústrias e fábricas lançam
rados pela queima de combustíveis fósseis. para o ar, através de suas chaminés, poluentes pre-
judiciais as plantas e aos animais. Um desses po-
A formação de chuva mais ou menos ácida de- luentes reage quando em contato com o gás oxigê-
pende não só da concentração do ácido formado, nio e a água da atmosfera, conforme as equações
como também do tipo de ácido. Essa pode ser uma químicas:
informação útil na elaboração de estratégias para
minimizar esse problema ambiental. Se considera- Equação 1: 2 SO2 + O2 → SO3
das concentrações idênticas, quais dos ácidos ci- Equação 2: SO3 + H2O → H2SO4
tados no texto conferem maior acidez às águas das
chuvas? De acordo com as equações, a alteração ambiental
decorrente da presença desse poluente intensifica
a) HNO3 e HNO2. o(a):

b) H2SO4 e H2SO3. a) formação de chuva ácida.

c) H2SO3 e HNO2. b) surgimento de ilha de calor.

d) H2SO4 e HNO3. c) redução da camada de ozônio.

e) H2CO3 e H2SO3 d) ocorrência de inversão térmica.

e) emissão de gases de efeito estufa.


25. (ENEM 2010) As misturas efervescentes, em pó ou 27. (ENEM 2022) Os riscos apresentados pelos pro-
em comprimidos, são comuns para a administra- dutos dependem de suas propriedades e da re-
ção de vitamina C ou de medicamentos para azia. atividade quando em contato com outras subs-
Essa forma farmacêutica solida foi desenvolvida tâncias. Para prevenir os riscos devido à natureza
para facilitar o transporte, aumentar a estabilidade química dos produtos, devemos conhecer a lista de
de substâncias e, quando em solução, acelerar a substâncias incompatíveis e de uso cotidiano em
absorção do fármaco pelo organismo. A matérias- fábricas, hospitais e laboratórios, a fim de observar
-primas que atuam na efervescência são, em geral, cuidados na estocagem, manipulação e descarte.
o ácido tartárico ou o ácido cítrico que reagem com O quadro elenca algumas dessas incompatibilida-
um sal de caráter básico, como o bicarbonato de des, que podem levar à ocorrência de acidentes.
sódio (NaHCO3), quando em contato com a água.
A partir do contato da mistura efervescente com a
água, ocorre uma série de reações químicas simul-
tâneas: liberação de íons, formação de ácido e libe-
ração do gás carbônico – gerando a efervescência.
As equações a seguir representam as etapas da
reação da mistura efervescente na água, em que
foram omitidos os estados de agregação dos rea-
gentes, e H3A representa o ácido cítrico.
I - NaHCO3 ↔ Na+ + HCO3-
II - H2CO3 ↔ H2O + CO2
Considere que houve o descarte indevido de dois
III - HCO3 + H+ ↔ H2CO3 conjuntos de substâncias:
IV - H3A ↔ 3H+ + A- (1) ácido clorídrico concentrado com Cianeto de
potássio;
A ionização, a dissociação iônica, a formação do
ácido e a liberação do gás ocorrem, respectiva- (2) ácido nítrico concentrado com sacarose.
mente, nas seguintes etapas:
Disponível em: www.fiocruz.br. Acesso em: 6 dez 2017
a) IV, I, II e III (adaptado).
O descarte dos conjuntos (1) e (2) resultará, respec-
b) I, IV, III e II tivamente, em:

c) IV, III, I e II a) liberação de gás tóxico e reação oxidativa forte.


233
d) I, IV, II e III b) reação oxidativa forte e liberação de gás tóxico.

e) IV, I, III e II c) formação de sais tóxicos e reação oxidativa forte.

d) liberação de gás tóxico e liberação de gás oxi-


26. (UFF 2008) Os alquimistas foram muito impor- dante.
tantes para a química, a ciência da transformação.
Tentando encontrar a pedra filosofal, que teria o e) formação de sais tóxicos e liberação de gás oxi-
poder de transformar qualquer metal em ouro, e o dante.
elixir da longa vida, que tornaria o ser humano imor-
tal, criaram um grande número de aparelhos de la-
boratório e desenvolveram processos importantes 28. (ENEM 2022) Uma antiga forma de produzir um
para a produção de metais, de papiros, de sabões e dos constituintes de argamassas é o aquecimen-
de muitas substâncias, como o ácido nítrico, o áci- to a altas temperaturas de materiais componen-
do sulfúrico, o hidróxido de sódio e o hidróxido de tes dos sambaquis, que são sítios arqueológicos
potássio. Sobre essas substâncias, ácidos e bases, formados essencialmente por restos de moluscos.
pode-se afirmar que: A decomposição térmica da principal substância
desses sítios arqueológicos resulta na formação de
a) as fórmulas do ácido nítrico e do ácido sulfúrico dois compostos apenas. Um deles é um óxido sólido
são HONO3 e H2SO4, respectivamente; e o outro é um óxido gasoso. A reação do primeiro
com água resulta na formação de Ca(OH)2 (aquo-
b) a reação entre ácido nítrico e o ácido sulfúrico so), enquanto a reação do segundo resulta em
conduz à produção de apenas um sal; H2CO3 (aquoso). A fórmula da principal substância
encontrada nesses sítios arqueológicos é:
c) o hidróxido de sódio não reage com o ácido nítri-
co, pois se trata de uma base forte; a) CaO

d) na reação entre ácido sulfúrico e o hidróxido de b) CaC2


sódio podem ser formados dois sais;
c) CaCO3
e) a reação entre o ácido nítrico e o hidróxido de
potássio pode conduzir à formação de dois sais: d) Ca(HCO3)2
o Cu(NO3)2 e o Na2NO3.
e) Ca(OH)HCO3
29. (ENEM 2022) O ácido sulfúrico (H2SO4) é um dos c) eutrofização de mananciais.
ácidos mais utilizados em indústrias e em labora-
tórios. O resíduo ácido gerado pelo seu uso pode d) elevação dos níveis de ozônio na atmosfera.
provocar sérios danos ao meio ambiente. Em um
laboratório, gerou-se uma grande quantidade de e) formação de óxidos de enxofre na atmosfera.
resíduo ácido a partir do ácido sulfúrico, o qual ne-
cessita ser neutralizado para o seu descarte. O téc-
nico desse laboratório tem à sua disposição cinco 32. (ENEM 2021) A presença de substâncias ricas em
substâncias: CaO, K2SO4, NaHSO4, CH3CH2OH e C5H- enxofre, como a pirita (FeS2), em áreas de minera-
9
CONH2. Qual dessas substâncias é a adequada ção, provoca um dos mais preocupantes impactos
para realizar esse tratamento? causados pela exploração dos recursos naturais da
crosta terrestre. Em contato com o oxigênio atmos-
a) CaO férico, o sulfeto sofre oxidação em diversas etapas
até formar uma solução aquosa conhecida como
b) K2SO4 drenagem ácida de minas, de acordo com a equa-
ção química descrita.
c) NaHSO4
4 FeS2(s) + 15 O2(g) + 2 H2O (l) → 2 Fe2(SO4)3(aq) + 2
H2SO4(aq)
d) CH3CH2OH
Um dos processos de intervenção nesse problema
e) C5H9CONH2 envolve a reação do resíduo ácido com uma subs-
tância básica, de baixa solubilidade em meio aquo-
so, e sem a geração de subprodutos danosos ao
30. (UFPR 2021) Apesar de o NH4NO3 ser um com- meio ambiente.
posto de grande periculosidade pelo risco de cau-
sar explosões catastróficas, ele é empregado em FIGUEIREDO, B. R. Minérios e ambientes. Campinas: Unicamp, 2000.

grande escala como fertilizante, pois tem alta pro- Esse processo de intervenção é representado pela
porção de nitrogênio em sua composição. Um dos equação química:
processos industriais para a sua produção envolve
a seguinte reação química: a) Ca (s) + 2 H2 O (l) → Ca(OH)2 (aq) + H2 (g).
Ca(NO3)2(aq) + 2NH3(g) + CO2(g) + H2O(l) → 2NH-
b) CaO (s) + H2 SO4 (aq) → CaSO4 (aq) + H2O (l).
4
NO3(aq) + CaCO3(s)
Conforme apresentado pela equação acima, além c) CaCO3 (s) + H2 SO4 (aq) → CaSO4 (aq) + H2O (l) +
do produto desejado, forma-se um subproduto in- CO2 (g).
234 solúvel que pode ser removido posteriormente. Qual
é o nome recomendado pela IUPAC (União Interna- d) CaSO4 (s) + H2 SO4 (aq) → Ca2+ (aq) + 2 H+ (aq) +
cional de Química Pura e Aplicada) desse subpro- 2 SO4 2− (aq).
duto?
e) Ca(HCO3 ) 2 (s) + 2 H2 O(l) → Ca(OH)2 (aq) + 2 H2O
a) Carbonato de amônio. (l) + 2 CO2 (g).

b) Carbonato de cálcio.
33. (ENEM 2019) O processo de calagem consiste
c) Nitrito de amônio. na diminuição da acidez do solo usando compos-
tos inorgânicos, sendo o mais usado o calcário do-
d) Nitrato de cálcio. lomítico, que é constituído de carbonato de cálcio
(CaCO3) e carbonato de magnésio (MgCO3). Além
e) Nitrito de cálcio. de aumentarem o pH do solo, esses compostos são
fontes de cálcio e magnésio, nutrientes importantes
para os vegetais. Os compostos contidos no calcá-
31. (ENEM 2022) O solvente tetracloroeteno ou per- rio dolomítico elevam o pH do solo, pois:
cloroetileno é largamente utilizado na indústria de
lavagem a seco e em diversas outras indústrias, a) são óxidos inorgânicos.
tais como a de fabricação de gases refrigerantes.
Os vapores desse solvente, quando expostos à ele- b) são fontes de oxigênio.
vada temperatura na presença de oxigênio e água,
sofrem degradação produzindo gases poluentes, c) o ânion reage com a água.
conforme representado pela equação:
d) são substâncias anfóteras.
C2Cl4(g) + O2(g) + H2O(g) → 2HCl(g) + Cl2(g) +
CO(g) + CO2(g)
e) os cátions reagem com a água.
BORGES, L. D.; MACHADO, P. F. L. Lavagem a seco. Química Nova na Escola, n. 1, fev. 2013 (adaptado).

Os produtos dessa degradação, quando lançados


no meio ambiente, contribuem para a:

a) elevação do pH do solo.

b) formação de chuva ácida.


GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
E A A B B B C C C D
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
E A D C A C C A E A
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
D B D A E D A C A B
31 32 33
B B C

235
Química Geral

236
QUÍMICA GERAL

AUTOR: Rodrigo de Souza Rocha


SUMÁRIO
MEU ALIMENTO TRANSGÊNICO 2.4.2. Propriedades Periódicas
1. Estrutura atômica
2.4.2.1. Raio atômico
1.1. O início da Química
2.4.2.2. Eletronegatividade
1.2. A concepção primitiva de átomo e matéria
2.4.2.3. Caráter metálico ou eletropositividade
1.3. Modelo de Dalton (modelo “bola de bilhar”)
2.4.2.4. Energia de Ionização (EI) ou Potencial
1.4. O modelo atômico de Thomson (modelo “pudim de Ionização (PI)
de passas”)
2.4.2.5. Afinidade eletrônica ou eletroafinidade
1.5. O átomo de Rutherford
2.4.2.6. Densidade
1.6. Modelo de Böhr (modelo “quântico”)
1.7. Conceitos fundamentais
Resumo
1.7.1. Partículas fundamentais
1.7.2. Número atômico (Z)
Exercícios
1.7.4. Número de massa (A)
1.7.5. Elemento químico
ESTAMOS TODOS CONECTADOS
1.7.6. Íons 3. Ligações Químicas
1.7.7. Isótopos 3.1. Ligação Iônica
1.7.8. Isóbaros 3.2. Ligação Covalente
1.7.9. Isótonos 3.3.Ligação metálica
237
1.7.10. Isoeletrônicos 3.4. Forças Intermoleculares
1.8. O modelo atômico atual 3.5. Geometria Molecular
1.9. Distribuição eletrônica 3.5.1. Caso 1: moléculas com 2 átomos
1.10. Números quânticos 3.5.2. Caso 2: moléculas com 3 átomos
3.5.3. Caso 3: moléculas com 4 átomos
Resumo 3.5.4. Caso 4: moléculas com 5 átomos
3.5.5. Caso 5: moléculas com 6 átomos
Exercícios 3.5.6. Caso 6: moléculas com 7 átomos

TERRAS RARAS– A ESCASSEZ DE ALGUNS ELEMENTOS


QUÍMICOS Resumo
2. A Tabela Periódica
2.1.Períodos Exercícios

2.2. Classificação dos elementos


Gabarito
2.3. Famílias
2.4. Propriedades periódicas e aperiódicas
2.4.1. Propriedades aperiódicas
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Meu alimento transgênico


Durante o almoço na escola, Vinicius, um estudante curioso, notou
uma notícia sobre alimentos transgênicos na televisão do refeitório. O
termo o intrigou, já que ele conhecia o conceito, mas nunca havia ex-
plorado profundamente. A reportagem falava sobre os alimentos ge-
neticamente modificados, como o milho e a soja, que estavam cada
vez mais presentes em nossa alimentação.
Vinicius ficou dividido entre os argumentos dos especialistas, que
defendiam os transgênicos como solução para a fome, e os críticos,
preocupados com a saúde e o meio ambiente. Terminar o almoço se
tornou um momento de reflexão: será que o milho no seu prato tam-
bém era transgênico?

PARA REFLETIR!

Você viu o susto do Vinícius ao se deparar com alimentos que ele nem sabia como eram produzidos? E
se o feijão que comia na escola fosse transgênico? Ele ao menos, gostaria de saber antes de tomar uma
decisão se iria, ou não comer.

1. 1. Você já percebeu que tudo que é orgânico dura menos e tudo que tem química, como os agrotó-
xicos, fazem durar mais os alimentos? Você já sentiu algum gosto diferente, como de remédio, em
algum alimento? Compartilhe suas experiências e desconfianças alimentares com os colegas.

2. Reflita junto com seus colegas agora, o que vocês pensam sobre como essas alterações podem
238 impactar a saúde de vocês e o meio ambiente?

3. O que você já sabe ou pensa que poderiam ser os efeitos de longo prazo dessas transformações nas
moléculas que compõem nossa dieta?

4. Que outras transformações da matéria você conhece em nossa sociedade?

A história de Vinicius nos leva a refletir sobre como as modificações


genéticas em alimentos transgênicos impactam diretamente a es-
trutura atômica das moléculas. Cada gene inserido altera a sequ-
ência de nucleotídeos, modificando a composição e a estrutura das
proteínas resultantes. Essas mudanças, no nível atômico, afetam
as ligações químicas e, consequentemente, as propriedades dos
alimentos que consumimos. Ao compreender a estrutura atômica,
podemos explorar como pequenas alterações nos átomos e nas mo-
léculas podem gerar grandes impactos em nosso corpo e no meio
ambiente. A seguir, vamos aprofundar nosso entendimento sobre a
estrutura atômica e como ela é a base para entender essas transfor-
mações químicas.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. ESTRUTURA ATÔMICA
A estrutura atômica refere-se à organização dos componentes fundamentais de um átomo: prótons, nêutrons
e elétrons. Os prótons e nêutrons formam o núcleo, enquanto os elétrons orbitam ao seu redor em níveis de
energia específicos. Estudar a estrutura atômica é essencial para entender as propriedades químicas e físicas
dos elementos, a formação de moléculas e as reações químicas. Esse conhecimento permite o desenvolvi-
mento de novas tecnologias, medicamentos e materiais, impactando diversas áreas da ciência e da indústria.

1.1. O início da Química


É difícil determinar o momento exato em que o ser humano realizou a primeira transformação da matéria que
pode ser compreendida como conhecimento químico. É provável que uma das primeiras transformações quí-
micas realizadas pelo homem, esteja associada ao uso do fogo. O domínio do fogo pelos primeiros homens
das cavernas representou um marco significativo na evolução humana, não apenas como uma ferramenta
para sobrevivência, mas também como um catalisador para o desenvolvimento do conhecimento químico.
Ao aprenderem a controlar o fogo, os hominídeos puderam cozinhar alimentos, o que não apenas melhorou
a segurança e a qualidade nutricional das suas dietas, mas também permitiu o desenvolvimento de novas
formas de interação com o meio ambiente.
O fogo possibilitou a transformação de materiais naturais, como a madeira em carvão e cinzas, a argila em
cerâmica e a areia em vidro, levando à observação e à experimentação. Essas práticas rudimentares consti-
tuem as bases do que mais tarde seria formalizado como a ciência da química. À medida que a humanidade
progredia, esses conhecimentos empíricos foram se acumulando e se sistematizando, permitindo o surgimen-
to de técnicas e métodos mais sofisticados que formaram os alicerces da Química Moderna.

1.2. A concepção primitiva de átomo e matéria


A Química é a ciência que estuda a matéria e suas transformações. O ser humano sempre se questionou so-
239
bre a composição das coisas e uma das primeiras tentativas que se conhece de explicar isso surgiu na Grécia
Antiga. Dois filósofos, chamados Leucipo (500-420 a.C.) e Demócrito (460- 370 a.C.) observaram que a areia
da praia pareceria contínua ao ser olhada de longe. No entanto, ao analisá-la de perto era possível notar que
a mesma era formada de pequenos grãos. Surgiram as seguintes perguntas: será que toda a matéria também
é formada de pequenas partículas? Uma rocha, por exemplo, pode ser quebrada infinitas vezes ou existe um
limite em que encontramos uma partícula indivisível? Os dois filósofos afirmaram que existiria uma partícula
fundamental, que formaria todas as coisas e seria indivisível, sendo chamada de átomo (a = não, tomo = divi-
sível). Entretanto, essa hipótese ficou apenas no campo das ideias, sem nenhum tipo de experimentação. Pois,
nesta cultura e período histórico, o trabalho manual era visto como atividade de escravos. Aos filósofos cabia
apenas pensar sobre as coisas. Mesmo assim, trata-se de uma hipótese importante cientificamente, porque
iniciou as discussões a respeito da estrutura da matéria.
Um tempo depois, Aristóteles (384- 322 a.C.), outro filósofo grego, propôs que a matéria seria formada por um
elixir fundamental chamado éter. Esse seria constituído dos quatro elementos: fogo, terra, água e ar, os quais,
combinados dois a dois, geravam as propriedades quente, seco, frio e úmido para as coisas, como representa
a figura abaixo.

LEGENDA: Teoria dos elementos fundamentais de Aristóteles.


Fonte: elaborado pela autora.
Por muitos séculos, as ideias de Aristóteles prevaleceram e foram utilizadas pelos alquimistas. Ainda existe
muita discussão em torno da alquimia, até porque, ela existiu em diversas culturas e teve como base saberes
diferentes, mas considera-se que se trata um conjunto de práticas e conhecimentos empíricos envolvidos em
superstições e alegorias, sendo considerada uma protociência. Os alquimistas buscavam, entre outras coisas,
o elixir da longa vida o qual poderia dar a vida eterna e, na presença da pedra filosofal, transmutar qualquer
elemento em ouro. Embora os alquimistas não tenham atingido esses objetivos, a alquimia contribuiu para a
ciência, principalmente, no desenvolvimento de técnicas laboratoriais, isolamento e síntese de substâncias. Por
exemplo, o alquimista suíço Paracelso (1493- 1541) iniciou pesquisas na área da Química médica e o inglês Ro-
bert Boyle (1627- 1691) destacou-se no estudo dos gases, sua constituição e transformações.

1.3 Modelo de Dalton (modelo “bola de bilhar”)


John Dalton (1766- 1844) era um físico e matemático inglês que estudava, principalmente, os gases e a me-
teorologia. Ao realizar essa pesquisa tomou contato com duas novas ideias da época, as Leis Ponderais: Lei
de Lavoisier e Lei de Proust. O contato com essas leis, com as teorias de Isaac Newton e com todos os estudos
sobre gases conhecidos na época, foram fatores que ajudaram Dalton a propor um modelo atômico em 1803,
durante uma palestra para a Royal Institution.
Dalton propôs que a matéria seria formada por átomos, os quais eram esferas maciças, neutras, indestru-
tíveis e indivisíveis. Retomando a ideia original de Leucipo e Demócrito, só que de forma mais detalhada e
baseada em trabalhos experimentais. Assim, o modelo de Dalton baseia-se nas seguintes hipóteses:
• Toda matéria é constituída de pequenas partículas indivisíveis chamadas átomos.
• Todos os átomos de um mesmo elemento químico têm a mesma massa e as mesmas propriedades. Ele-
mentos químicos distintos diferem na massa e propriedades.
• Átomos de elementos diferentes podem combinar-se para formar substâncias. Sendo que uma substân-
cia sempre tem a mesma proporção de átomos constituintes. Essa hipótese verifica-se na Lei de Proust. O
exemplo a seguir trata da água (H2O), a proporção que verificamos é de dois átomos de hidrogênio para
um átomo de oxigênio, se a proporção muda entre estes átomos, sabe-se que não se trata de água, mas
de outra substância. Para ilustrar, temos na figura que segue os átomos de oxigênio (esferas maiores) e
átomos de hidrogênio (esferas menores), na referida proporção:

240

LEGENDA: Representação de moléculas de água.

Fonte: retirado do material original do EA.

• Átomos não podem ser criados nem destruídos, apenas são recombinados em reações químicas, forman-
do novas substâncias.
No entanto, inicialmente, o modelo de Dalton foi duramente criticado pela comunidade científica da época.
Apenas na metade do século XIX é que o modelo passou a ser aceito como plausível. Por analogia, o modelo
de Dalton ficou conhecido como modelo da “bola de bilhar”.

1.4. O modelo atômico de Thomson (modelo “pudim de passas”)


O inglês William Crookes (1831- 1919) inventou o tubo de raios catódicos. Esse equipamento é uma ampola que
contém um gás em baixa pressão. Quando aplica-se uma corrente elétrica no tubo são gerados raios lumi-
nosos, que saem do polo negativo da ampola e vão para o polo positivo. Essa luz foi chamada por Crookes de
raios catódicos, os quais tinham constituição desconhecida. Em outro estudo, o francês Jean Baptiste Perrin
(1870-1942) conseguiu desviar raios catódicos com o uso de um ímã. Os raios eram atraídos pelo polo positivo,
ou seja, isso significava que os raios deveriam ser formados de partículas negativas.
Posteriormente, o inglês Joseph John Thomson (1856- 1940, conhecido como J. J. Thomson) realizou experimen-
tos com tubos de raios catódicos usando diferentes combinações de metais na constituição dos eletrodos e di-
versos gases. Em todos os casos os raios eram gerados e ele encontrava os mesmos valores para a razão entre
a carga e a massa da partícula que formava os raios. Com isso, J. J. Thomson concluiu que todos os elementos
químicos deveriam ter essa partícula, a qual foi chamada de elétron. Outros experimentos confirmaram isso e
o estadunidense Robert Andrews Millikan (1868- 1953) determinou, em um experimento minucioso, que a carga
do elétron era de 1,63 . 10-19 C, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Física em 1923. Com isso, J. J. Thomson
percebeu que o modelo atômico de Dalton não permitia a existência do elétron, o que o levou a propor outro
modelo para o átomo. J. J. Thomson considerou que se existiam elétrons de carga negativa, deveria existir
algo de carga positiva no átomo. Assim, ele propôs, em 1898, que o átomo seria uma esfera de carga positiva
incrustada de elétrons. O valor da carga positiva deveria ser igual ao da negativa, para garantir que o átomo
fosse neutro. Cada elemento químico diferente teria variado número de elétrons. Uma das grandes mudanças
é que nesse modelo o átomo não é mais indivisível, mas sim divisível em duas partes: a “massa” positiva e os
elétrons negativos.

LEGENDA: Esquema do modelo atômico de Thomson.

Fonte: elaborado pela autora.

Por analogia, tal modelo ficou conhecido como “pudim de passas”, pela semelhança com um doce inglês. Por
seus trabalhos J. J. Thomson recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1906.

SAIBA MAIS!
Para saber mais sobre o modelo de Thomson acesse: https://www.youtube.com/
watch?v=4g0tX6WcUvo. Acesso em: ago. 2024.

241

1.5. O átomo de Rutherford


Em 1897, o francês Antoine Becquerel descobriu que alguns elementos químicos tinham a capacidade de emi-
tir radiação, fenômeno que depois foi nomeado de radioatividade (estudaremos esse conteúdo com mais
detalhes nas próximas apostilas). J. J. Thomson tinha um orientando neozelandês chamado Ernest Rutherford
(1871-1937) e o incumbiu de estudar a radiação emitida pelos elementos radioativos. Um de seus mais impor-
tantes experimentos foi fazer a radiação emitida pelo urânio passar por campo elétrico. Ao fazer isso, Rutherford
observou que a radiação dividia-se em três partes, como mostra o esquema abaixo.

LEGENDA: Esquema do desvio sofrido pelas radiações ao passar por um campo elétrico.

Fonte: elaborado pela autora.

Uma parte da radiação era desviada em direção ao polo positivo, indicando ter carga negativa, sendo chama-
da de beta. Outra parte foi atraída para o polo negativo, sinalizando ter carga positiva, recebendo o nome de
alfa. E outra parte não desviou, revelando ser neutra, e recebeu o nome de gama. Além disso, a radiação alfa
desviou menos que a beta, o que indica que a primeira é mais pesada que a segunda. Rutherford queria enten-
der como a radiação alfa interagia com lâminas finas de metais. Para isso, desenvolveu o experimento abaixo.

LEGENDA: Esquema do experimento de Rutherford.

Fonte: retirado do material original do EA.

No experimento mostrado acima, foi verificado que a extrema maioria das partículas alfa vindas do material
radioativo atravessou a fina lâmina de ouro, uma parte delas sofreu desvio e uma mínima parte não atraves-
sou. Esse fato contraria todas as ideias de modelo atômico anteriores, justamente porque se a matéria fosse
formada por átomos esféricos e maciços, esperar-se-ia que a maioria das partículas alfa colidisse com a
placa de ouro e fosse desviada, o que não ocorreu.
Com isso, Rutherford concluiu que:
• Se a maior parte da radiação está atravessando a lâmina significa que a maior parte do átomo deve ser
feita de espaço vazio.
• Se uma parte das partículas alfa, que tem carga positiva, é desviada e repelida, significa que elas estão
colidindo com alguma coisa que também tem carga positiva, indicando que existe uma região pequena e
242 maciça do átomo que é positiva;
Portanto, Rutherford propôs, em 1911, que o átomo teria duas regiões. Uma delas seria o núcleo, uma região bem
pequena que conteria cargas positivas, chamadas de prótons. E a outra região seria um grande espaço vazio,
chamada de eletrosfera, pois Rutherford supôs que os elétrons, partículas já conhecidas na época, estariam
rodando nessa parte do átomo. Afinal, se exista um núcleo positivo era necessário que existissem elétrons ne-
gativos que tornassem o átomo neutro.

LEGENDA: Representação do modelo atômico de Rutherford. O núcleo positivo está representado pela esfera laranja e os elétrons negativos
pelas esferas azuis. Essa representação está fora de escala, pois o núcleo é muito menor que a eletrosfera.

Fonte: PIXABAY (https://pixabay.com/pt/vectors/n%C3%BAcleo-%C3%A1tomo-diagrama-at%C3%B4mica-42693/)

O núcleo realmente é muito pequeno comparado com a eletrosfera. Se fosse possível tornar o núcleo do átomo
do tamanho de uma bola de tênis, a eletrosfera teria aproximadamente 6,4 km de extensão. Os elétrons pos-
suem massa muito menor que os prótons, portanto podemos dizer que praticamente toda a massa do átomo
está no núcleo. Por analogia, esse modelo foi chamado de planetário, pois lembra o sistema solar.
O modelo atômico de Rutherford representou grandes mudanças, pois o átomo deixou de ser uma esfera
maciça. Como, pode-se imaginar, por ser tão diferente, foi bastante criticado em sua época. Além disso, duas
perguntas, para as quais Rutherford não tinha resposta, deixavam dúvidas em relação ao modelo:
1. Se o núcleo é formado de partículas positivas, por que os prótons não se repelem e o núcleo colapsa?
2. De acordo com a teoria eletromagnética clássica, toda partícula carregada em movimento perde energia
na forma de ondas eletromagnéticas. Se os elétrons são partículas carregadas girando em torno do núcleo,
eles deveriam perder energia até colidir com o núcleo. Então, por que isso não ocorre e eles ficam sempre gi-
rando em torno do núcleo? Além disso, sendo os elétrons negativos e os prótons positivos por que eles não se
atraem?
Essas perguntas foram respondidas pelo seu aluno Niels Böhr.

1.6. Modelo de Böhr (modelo “quântico”)


No começo do século XX, ocorrem discussões sobre diversos fenômenos físicos, com cientistas propondo ex-
plicações diferentes para uma mesma situação. As evidências experimentais começaram a indicar que o
mundo microscópico do átomo não seguia as mesmas regras do mundo macroscópico, guiado pela Física
Newtoniana. Surgiu, então, uma nova Física: a quântica.
Nessa época já se sabia que a luz branca, ao passar por um prisma, decompõe-se nas cores do arco-íris. O
físico dinamarquês Niels Henrik David Böhr (1885-1962) estava estudando um fenômeno parecido, mas ao
invés de usar a luz branca, estava usando a luz emitida por diferentes átomos. Ao fazer lâmpadas de diferen-
tes elementos, e passar a luz por um prisma, Böhr não encontrava um espectro contínuo com todas as cores
do arco-íris, pelo contrário, apenas algumas cores eram encontradas. Para uma lâmpada de hidrogênio, por
exemplo, encontrava-se o espectro abaixo.
Para cada elemento, as cores encontradas são outras. Essas linhas espectrais são como a “impressão digital”
de um elemento. Após estudar esses espectros, Böhr propôs, em 1913, um novo modelo atômico, que aprimo-
rava o modelo de seu orientador Rutherford.
O modelo de Böhr utiliza a teoria quântica proposta por Max Planck, em 1900, de que a energia não é emitida
de forma contínua, mas em “pacotes” de energia, chamados de quantum. O modelo atômico de Böhr baseia-
-se nos seguintes postulados:
• Os elétrons não podem ocupar qualquer nível de energia, mas apenas alguns níveis específicos, com
energias quantizadas (estados estacionários), chamadas de camadas. Böhr determinou a existência de
apenas sete camadas, conhecidas como K, L, M, N, O, P e Q. Sendo que, quanto mais afastada do núcleo a
camada estiver, maior é sua energia. Hoje as camadas são numeradas de 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7, e sabemos que,
na verdade, existem mais de sete camadas.

243

LEGENDA: Esquema das camadas do modelo atômico de Böhr.

Fonte: retirado do material original do EA.

• O elétron pode “saltar” de uma camada mais interna para outra mais externa (gerando um estado excita-
do), desde que absorva energia (quantum). Ao retornar para o nível original, o elétron precisa liberar a mes-
ma energia que foi absorvida, a qual é perdida na forma de luz (fóton). Essa luz corresponde aos espectros
luminosos que Böhr encontrava. Cada cor de linha representa a diferença de energia entre uma camada
e outra. Cada elemento produz cores diferentes de luz, porque seus elétrons ocupam níveis de energia di-
versos.
• Cada camada comporta um número máximo de elétrons, conforme o quadro a seguir:

CAMADA K OU 1 L OU 2 M OU 3 N OU 4 O OU 5 P OU 6 Q OU 7

Nº de elétrons 2 8 18 32 32 18 8

Esse modelo ficou conhecido como modelo Rutherford-Böhr, pois é um aprimoramento do modelo de Ruther-
ford.
No entanto, ainda restava uma pergunta: por que os prótons, que são positivos, não se repelem dentro do nú-
cleo? Esse problema foi resolvido em 1932, pelo físico inglês James Chadwick (1891-1974), quando o nêutron foi
identificado. Nêutrons são partículas sem carga elétrica que existem no núcleo do átomo. Sua função é impedir
a repulsão entre os prótons, o que explica porque o núcleo não colapsa pela repulsão entre as cargas positivas.
Portanto, o átomo é composto de uma eletrosfera, onde estão os elétrons em camadas com energias defini-
das, e um núcleo, formado de prótons positivos e nêutrons sem carga.
1.7. CONCEITOS FUNDAMENTAIS
1.7.1. Partículas fundamentais
De acordo com o modelo atômico de Rutherford-Böhr, o átomo é constituído de três partículas fundamentais:
prótons, nêutrons e elétrons.

PARTÍCU- REGIÃO DO CARGA RELATIVA MASSA RELATIVA


SÍMBOLO CARGA (C) MASSA (G)
LA ÁTOMO AO PRÓTON AO PRÓTON

Próton p Núcleo +1,6.10-19 +1 1,6.10-24 1

Nêutron n Núcleo 0 0 1,6.10-24 1

Elétron e- Eletrosfera -1,6.10-19 -1 9,1.10-28 1/1840

Pode-se notar, pelo quadro acima, que praticamente toda a massa do átomo está no núcleo, visto que a mas-
sa do elétron é muito pequena, sendo considerada desprezível.

1.7.2. Número atômico (Z)


Representa o número de prótons (p) existentes num átomo. Esse número define um elemento químico, cada
elemento tem seu número atômico.
Z = nº de prótons
Para átomos neutros, observamos que a quantidade de prótons é igual a de elétrons.
Z = nº de prótons = nº de elétrons (átomos neutros)

244 1.7.4. Número de massa (A)


Representa a soma dos nêutrons e dos prótons de um dado átomo, ou seja:
A=Z+n

1.7.5. Elemento químico


É o grupo de átomos de mesmo número de prótons. Os elementos são representados por símbolos.
Esses símbolos são escritos com a primeira letra em maiúscula e a segunda, se houver, em minúscu-
la. Além disso, indicamos o número de massa de um elemento na parte superior esquerda ou direita
do símbolo e o número atômico na parte inferior esquerda. Genericamente:
A
Z X
23
Exemplo: 11Na corresponde ao átomo de sódio, seu símbolo Na deriva do latim natrium, seu número atômico
(Z) é 11 e o número de massa (A) 23. Como esse átomo é neutro, o número de elétrons é igual ao número de
prótons. Então, a quantidade de partículas fundamentais é:
Prótons (p) = 11
Elétrons (e) = 11
Nêutrons (n) = 12

1.7.6. Íons
Íons são átomos com excesso ou falta de elétrons. Desse modo, quando um átomo perde um elétron
sua carga torna-se (+1) devido ao excesso de um próton. Quando o átomo perde dois elétrons a
carga fica (+2), pois existem dois prótons a mais que elétrons, e assim, sucessivamente. Quando um
átomo recebe um elétron sua carga torna-se –1 quando recebe dois, torna-se –2, e assim, sucessi-
vamente. Íons de carga positiva são chamados de cátions e íons de carga negativa são chamados
de ânions.
Exemplos:
• K+ é um cátion monovalente, pois possui uma carga positiva devido à perda de um elétron.
• Cl– é um ânion monovalente, pois possui uma carga negativa devido ao ganho de um elétron.
• Al3+ é um cátion trivalente, pois possui três cargas positivas devido à perda de três elétrons.
• O2– é um ânion bi ou divalente, pois possui duas cargas negativas devido ao ganho de dois elétrons.

1.7.7. Isótopos
Átomos com mesmo número de prótons. Sendo assim, são sempre átomos de um mesmo elemento
químico.
Exemplos:

1.7.8. Isóbaros
Átomos com mesmo número de massa. Neste caso, não precisam necessariamente ser átomos do
mesmo elemento químico.
Exemplos:

245

1.7.9. Isótonos
Átomos com mesmo número de nêutrons. Neste caso, não precisam necessariamente ser átomos
do mesmo elemento químico.
Exemplos:

e , o boro tem 6 nêutrons (11-5) e o carbono também (12-6).

e , o cálcio tem 20 nêutrons (40-20) e o cloro também (37-17).

1.7.10. Isoeletrônicos
Átomos com mesmo número de elétrons. Neste caso, não precisam necessariamente ser átomos do
mesmo elemento químico.
Exemplos:
Ca2+ e 19K+ e 16S-2, repare que o cálcio tem 18 elétrons (perdeu 2 dos 20 iniciais), o potássio também
20
(perdeu 1 dos 19 iniciais) e o enxofre também (ganhou 2 dos 16 iniciais).
1.8. O modelo atômico atual
A teoria proposta por Planck, de que a radiação é emitida de forma descontínua, ou seja, quantizada, foi usada
por diversos cientistas e fundamentou a Mecânica Quântica. Durante o século XX, alguns pesquisadores de-
senvolveram teorias, leis e princípios que ajudaram a definir o novo modelo atômico. Mas, por que foi necessá-
rio um novo modelo? Ao analisar com mais detalhes as linhas espectrais emitidas pelos elementos químicos,
percebeu-se que cada uma das linhas era formada por outras linhas mais finas e muito próximas, o que foi
chamado de estrutura fina. Como cada linha indica uma transição eletrônica, o físico alemão Arnold Som-
merfeld (1868-1951) propôs, em 1920, que as camadas, identificadas por Böhr, são formadas de subcamadas ou
subníveis de energia.
Posteriormente, em 1924, o francês Louis de Broglie (1892-1987) propôs o Princípio da dualidade onda-partícula:
a toda partícula em movimento está associada uma onda. Isso significa que os elétrons são ondas e partículas
ao mesmo tempo. Ora é possível identificá-lo como onda, como em experimentos de difração e refração, ora
como partícula, como no efeito fotoelétrico.
Em 1926, o alemão Werner Heisenberg (1901-1976) demonstrou, matematicamente, que é impossível conhecer a
velocidade e a posição de um elétron ao mesmo tempo, o que ficou conhecido como Princípio da Incerteza.
Dessa forma, só é possível caracterizar um elétron pela sua energia. Em função disso, em 1927, o austríaco Erwin
Schrodinger (1887-1961) criou uma equação de onda que permite determinar a probabilidade de encontrar o
elétron em uma região do espaço ao redor do núcleo. Essa região de máxima probabilidade de encontrar o
elétron é chamada de orbital. Os cálculos indicam que existem quatro tipos de orbitais, os quais são repre-
sentados pelas letras s, p, d, f, cada um com um formato diferente. O orbital s tem o formato de uma esfera.
O orbital p tem a forma de um haltere, que pode estar posicionado sobre o eixo x, eixo y ou eixo z, conforme o
esquema abaixo, ou seja, cada subnível de energia tem três orbitais p de mesma energia (chamados de de-
generados). Os orbitais d e f têm formas mais complexas, para nosso objetivo basta saber que existem cinco
orbitais d e sete f. Além disso, cada orbital pode acomodar no máximo dois elétrons.

246

LEGENDA: Representação dos orbitais s e p.

Fonte: elaborado pela autora.

SAIBA MAIS!

Para saber mais sobre o modelo de Thomson acesse: https://www.youtube.com/


watch?v=4g0tX6WcUvo. Acesso em: ago. 2024.
De acordo com o modelo atual para o átomo, na eletrosfera existem subníveis de energia, os quais são com-
postos de orbitais. Cada orbital acomoda no máximo dois elétrons, e existe um número limitado de orbitais por
subnível, portanto, existe um limite de elétrons por subnível, como indicado no quadro abaixo.

Nº DE Nº MÁXIMO DE
SUBNÍVEL REPRESENTAÇÃO
ORBITAIS ELÉTRONS

s 1 2 s2

p 3 6 p6

d 5 10 d10

f 7 14 f14

1.9. Distribuição eletrônica


De acordo com o modelo atômico atual, a eletrosfera é formada de camadas, as quais são compostas de
subníveis e, esses, de orbitais. Portanto, podemos ver no quadro abaixo, que cada camada terá um número
máximo de subníveis e elétrons.

CAMADA SUBNÍVEIS PRESENTES Nº MÁXIMO DE ELÉTRONS

K ou 1 s2 2

L ou 2 s2, p6 8

M ou 3 s2, p6, d10 18

N ou 4 s2, p6, d10, f14 32

O ou 5 s2, p6, d10, f14 32

P ou 6 s2, p6, d10 18

Q ou 7 s2, p6 8

Se existem tantos subníveis, como saber em quais deles os elétrons estarão? Quem resolveu esse problema foi 247
Linus Pauling (1901-1994), que calculou as energias dos subníveis e os ordenou em ordem crescente. Assim,
para fazer a distribuição eletrônica de um átomo, basta seguir o diagrama abaixo.

LEGENDA: Diagrama de Linus Pauling para a distribuição eletrônica.

Fonte: retirado do material original do EA.

Nota-se no diagrama que o subnível de maior energia é o 7p6 e o de menor energia é o 1s2. Por exemplo, o áto-
mo de 35Br possui 35 elétrons dispostos na ordem:
1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p5.
Nesse caso, o subnível de maior energia é o 4p e o elétron de diferenciação (último elétron) desse átomo é o
quinto elétron desse subnível. Chamamos de camada de valência o conjunto dos subníveis da camada mais
externa do átomo. No exemplo do Bromo (Z = 35) acima, a camada de valência é a 4ª e compreende os sub-
níveis 4s e 4p.
Para o átomo de 26Fe a distribuição dos 26 elétrons será:
1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d6

No caso do ferro, o subnível de maior energia é o 3d e o elétron de diferenciação é o sexto desse subnível. Já
a camada de valência do ferro é a 4ª e compreende o subnível 4s. Repare que nem sempre o subnível mais
energético está presente na camada de valência.
E a distribuição dos elétrons num íon? Temos que recordar que um cátion (íon positivo) tem falta de elétrons e
que um ânion (íon negativo) tem excesso de elétrons.
Quando um átomo perde elétrons, esse processo ocorre na camada de valência. Por isso, é preciso fazer a
distribuição do átomo neutro e depois retirar os elétrons. Vejamos os exemplos a seguir.
Exemplo 1: 13Al+3  se Z = 13 ele possui 13 elétrons no estado fundamental, então:
1s2 2s2 2p6 3s2 3p1

A camada de valência é a 3ª, composta dos subníveis s e p. Logo, os três elétrons que o alumínio perdeu devem
sair dessa camada, ficando:
1s2 2s2 2p6

Exemplo 2: 23V+2  se Z = 23 ele possui 23 elétrons no estado fundamental, então:


1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d3

A camada de valência é a 4ª, composta do subnível s. Logo, os dois elétrons que o vanádio perdeu devem sair
dessa camada, ficando:
1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 3d3
248
Quando um átomo ganha elétrons, ele os recebe no subnível mais energético. Por isso, é preciso fazer a distri-
buição do átomo neutro e depois acrescentar os elétrons. Veja o exemplo:
S2–  se Z = 16 ele possui 16 elétrons no estado fundamental, então:
16

1s2 2s2 2p6 3s2 3p4

Os dois elétrons ganhados pelo enxofre vão para o subnível 3p, temos:
1s2 2s2 2p6 3s2 3p6

1.10. Números quânticos


A equação de Schorodinger permite calcular, além dos orbitais, os números quânticos de um elétron. Cada
elétron num átomo possui um conjunto de quatro números quânticos que permitem identificá-lo. Em um mes-
mo átomo não vão existir dois elétrons com os mesmos quatro números quânticos. Para compreendê-los é
preciso saber duas importantes regras, que se apresentam a seguir.
Regra de Hund: os orbitais de um mesmo subnível serão preenchidos de modo a se obter o maior número pos-
sível de elétrons desemparelhados (sem par). Ou seja, primeiro preenchemos todos os orbitais com um elétron
e só depois colocamos o segundo.
Princípio da exclusão de Pauli: em um orbital existem no máximo 2 elétrons e eles devem possui spins opostos.
Spin é considerado o sentido de rotação do elétron.
Os números quânticos são:
a) Número quântico principal (n): este número quântico indica qual é a camada onde o elétron se encontra.
Cada camada recebe um número conforme o quadro abaixo.

CAMADA K L M N O P Q

n 1 2 3 4 5 6 7
b) Número quântico secundário (l): corresponde ao subnível do elétron. Cada subnível recebe um número
conforme o quadro abaixo.

SUBNÍVEL S P D F

l 0 1 2 3
c) Número quântico magnético (ml): representa o orbital em que o elétron está. Os orbitais possuem no má-
ximo dois elétrons, então, cada subnível tem número variado de orbitais. Numeramos o orbital central com
o valor zero, os da esquerda são negativos e os da direita positivos. Portanto, dependendo do subnível que o
elétron está situado, o número quântico magnético pode variar de -3 a +3. Existem as seguintes possibilidades
para esse número quântico:

Representação dos orbitais e seus números quânticos magnéticos. 249


Fonte: elaborado pela autora.

d) Número quântico de spin (s): número quântico relacionado à rotação do elétron. Os valores para o momento de
spin podem ser +1/2 ou -1/2. Considera-se que se dois elétrons estiverem ocupando um mesmo orbital, eles
terão rotações contrárias.
Exemplo:
Determine os quatro números quânticos do elétron de diferenciação do cobalto. Dados: Z = 27.
Resposta: De acordo com o diagrama de energia de Linus Pauling, a distribuição eletrônica do cobalto é:
1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d7
O elétron de diferenciação é aquele de maior energia, ou seja, o sétimo elétron do subnível 3d. Então:
• Número quântico principal (n): a camada onde o elétron se encontra é 3, então n = 3.
• Número quântico secundário (l): o subnível onde o elétron se encontra é o d, então l = 2.
• Número quântico magnético (ml): como o orbital é o d, então temos 5 orbitais. De acordo com a Regra de
Hund, devemos distribuir um em cada orbital para depois colocar o segundo elétron. Desse modo, a distri-
buição dos sete elétrons fica:

O último elétron distribuído é o que está em vermelho, logo, o número quântico secundário é mi = –1.
• Número quântico de spin (s): por convenção considera-se que o elétron em questão tem s = –1/2, pois está
“para baixo”.
RESUMO
• No modelo atômico de Dalton o átomo é uma esfera maciça e indivisível.
• No modelo de Thomson o átomo continua sendo uma esfera maciça, mas passa a ser divisível em uma
massa positiva e elétrons negativos.
• No modelo de Rutherford o átomo passa a ser um espaço vazio, chamado de eletrosfera, e um núcleo.
• No modelo de Böhr a eletrosfera passa a ser formada de camadas com energia definidas em que estão os
elétrons.
• No modelo atual existem também subníveis de energia e orbitais.
• Isótopos são átomos com mesmo número de prótons, isótonos com mesmo número de nêutrons, isóbaros
com mesmo número de massa e isoeletrônicos com mesmo número de elétrons.
• Também aprendemos a distribuição eletrônica, de acordo com o diagrama de Linus Pauling.

EXERCÍCIOS
A matéria e suas propriedades

1. (UFPR 2010) Considere as seguintes afirmativas b) {3, 2, - 2, -1/2}


sobre o modelo atômico de Rutherford:
250 c) {3, 2, 2, 1/2}
1. O modelo atômico de Rutherford é também co-
nhecido como modelo planetário do átomo.
d) {3, 2, - 3, 1/2}
2. No modelo atômico, considera-se que elétrons de
cargas negativas circundam em órbitas ao redor e) {3, 2,1, 1/2}
de um núcleo de carga positiva.
3. Segundo Rutherford, a eletrosfera, local onde se 3. (UFPR 2014) As teorias atômicas vêm se desen-
encontram os elétrons, possui um diâmetro menor volvendo ao longo da história. Até o início do século
que o núcleo atômico. XIX, não se tinha um modelo claro da constituição
4. Na proposição do seu modelo atômico, Ruther- da matéria. De lá até a atualidade, a ideia de como
ford se baseou num experimento em que uma lamí- a matéria é constituída sofreu diversas modifica-
nula de ouro foi bombardeada por partículas alfa. ções, como se pode observar no modelo atômico
de Böhr, que manteve paradigmas conceituais so-
Assinale a alternativa correta. bre a constituição da matéria, mas também inseriu
a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. novos conceitos surgidos no início do século XX. No
modelo atômico de Böhr:
b) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
1. O elétron circula em órbita com raio definido.
c) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
2. O elétron é descrito por uma função de onda.
d) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
3. Para descrever o elétron num orbital são neces-
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. sários 4 números quânticos.
4. Toda a massa do átomo está concentrada no
2. (UFPB 2007) Dentre os conjuntos de números núcleo, que ocupa uma porção ínfima do espaço.
quânticos {n,ℓ,m,s} apresentados nas alternativas
a seguir, um deles representa números quânticos Entre as afirmativas acima, correspondem ao mo-
NÃO permitidos para os elétrons da subcamada delo atômico de Böhr:
mais energética do Fe(II), um íon indispensável para
a) 1 e 2 apenas.
a sustentação da vida dos mamíferos, pois está di-
retamente relacionado com a respiração desses
animais. Esse conjunto descrito corresponde a: b) 2 e 3 apenas.

Dado: Fe (Z=26) c) 2, 3 e 4 apenas.


a) {3, 2, 0, 1/2} d) 1 e 4 apenas.
e) 1, 3 e 4 apenas. 6. (UFRGS 2017) A massa atômica de alguns ele-
mentos da tabela periódica pode ser expressa por
números fracionários, como, por exemplo, o ele-
4. (UFF 2010) Em 1913, o físico dinamarquês Niels mento estrôncio cuja massa atômica é de 87,621, o
Böhr mostrou que as leis da Física Clássica não que se deve:
eram válidas para sistemas microscópicos, tais
como o átomo e suas partículas constituintes. Böhr a) à massa dos elétrons.
criou um novo modelo atômico, fundamentado na
teoria dos quanta de Max Planck, estabelecendo al- b) ao tamanho irregular dos nêutrons.
guns postulados. Assinale a opção que apresenta
corretamente um dos postulados de Böhr. c) à presença de isótopos com diferentes números
de nêutrons.
a) O elétron pode-se mover em determinadas órbi-
tas sem irradiar. Essas órbitas estáveis são de- d) à presença de isóbaros com diferentes números
nominadas “estados estacionários”. de prótons.

b) É impossível determinar com precisão a posição e) à grande quantidade de isótonos do estrôncio.


e a velocidade instantâneas de uma partícula.

c) Um mesmo orbital não pode ter mais do que dois 7. (ENEM 2019) Um teste de laboratório permite
elétrons. Num orbital com dois elétrons, um deles identificar alguns cátions metálicos ao introduzir
tem spin + ½ e o outro - ½. uma pequena quantidade do material de interesse
em uma chama de bico de Bunsen para, em segui-
d) O elétron ao saltar de um nível de energia interno da, observar a cor da luz emitida. A cor observada é
E1 para outro mais externo E2 emite um quantum proveniente da emissão de radiação eletromagné-
de energia. tica ao ocorrer a:

e) Num átomo, não existem dois elétrons com os a) mudança da fase sólida para a fase líquida do
quatro números quânticos iguais. elemento metálico.

b) combustão dos cátions metálicos provocada


5. (ENEM PPL 2019) Antes da geração do céu, tere- pelas moléculas de oxigênio da atmosfera.
mos que rever a natureza do fogo, do ar, da água
e da terra. Primeiro, em relação àquilo a que cha- c) diminuição da energia cinética dos elétrons em
mamos água, quando congela, parece-nos estar a uma mesma órbita na eletrosfera atômica.
olhar para algo que se tornou pedra ou terra, mas 251
quando derrete e se dispersa, esta torna-se bafo e d) transição eletrônica de um nível mais externo
ar; o ar, quando é queimado, torna-se fogo; e, inver- para outro mais interno na eletrosfera atômica.
samente, o fogo, quando se contrai e se extingue,
regressa à forma do ar; o ar, novamente concen- e) promoção dos elétrons que se encontram no es-
trado e contraído, torna-se nuvem e nevoeiro, mas, tado fundamental de energia para níveis mais
a partir destes estados, se for ainda mais compri- energéticos.
mido, torna-se água corrente, e de água torna-se
novamente terra e pedras; e deste modo, como nos
parece, dão geração uns aos outros de forma cícli- 8. (ENEM 2019) Em 1808, Dalton publicou o seu fa-
ca. PLATÃO, Timeu (c. 360 a.C.). moso livro intitulado Um novo sistema de filosofia
química (do original A New System of Chemical Phi-
Buscando compreender a diversidade de formas e
losophy), no qual continha os cinco postulados que
substâncias que vemos no mundo, diversas cultu-
serviam como alicerce da primeira teoria atômica
ras da Antiguidade elaboraram a noção de “quatro
da matéria fundamentada no método científico. Es-
elementos” fundamentais, que seriam terra, água,
ses postulados são numerados a seguir:
ar e fogo. Essa visão de mundo prevaleceu até o iní-
cio da Era Moderna, quando foi suplantada diante 1. A matéria é constituída de átomos indivisíveis.
das descobertas da química e da física.
2. Todos os átomos de um dado elemento químico
PLATÃO. Timeu-Crítias. Coimbra: CECh, 2011.
são idênticos em massa e em todas as outras pro-
Do ponto de vista da ciência moderna, a descrição priedades.
dos “quatro elementos” feita por Platão correspon-
3. Diferentes elementos químicos têm diferentes ti-
de ao conceito de
pos de átomos; em particular, seus átomos têm di-
ferentes massas.
a) partícula elementar.
4. Os átomos são indestrutíveis e nas reações quí-
micas mantêm suas identidades.
b) força fundamental.
5. Átomos de elementos combinam com átomos de
outros elementos em proporções de números intei-
c) elemento químico. ros pequenos para formar compostos.
Após o modelo de Dalton, outros modelos basea-
d) fases da matéria. dos em outros dados experimentais evidenciaram,
entre outras coisas, a natureza elétrica da matéria,
a composição e organização do átomo e a quanti-
e) lei da natureza.
zação da energia no modelo atômico. c) As afirmações II e VI pertencem ao modelo atô-
OXTOBY, D. W.; GILLIS, H. P.; BUTLER, L. J. Principles of Modern Chemistry. Boston: Cengage Learning, 2012 (adaptado). mico de Dalton; as afirmações III e V pertencem
ao modelo atômico de Thomson; as afirmações
Com base no modelo atual que descreve o átomo,
IV e VIII pertencem ao modelo atômico de Ru-
qual dos postulados de Dalton ainda é considerado
therford; e as afirmações I e V pertencem ao
correto?
modelo atômico de Rutherford-Bohr.
a) 1
d) As afirmações III e IV pertencem ao modelo atô-
b) 2 mico de Dalton; as afirmações II e VI pertencem
ao modelo atômico de Thomson; as afirmações
c) 3 IV e VIII pertencem ao modelo atômico de Ru-
therford; e as afirmações I e V pertencem ao
d) 4 modelo atômico de Rutherford-Bohr.

e) 5 e) As afirmações III e IV pertencem ao modelo atô-


mico de Dalton; as afirmações II e VI pertencem
ao modelo atômico de Thomson; as afirmações
9. (UFAM 2017) Ao fundamentar o conceito de áto- I e V pertencem ao modelo atômico de Ruther-
mo, os filósofos da antiga Grécia tentavam explicar ford; e as afirmações IV e VIII pertencem ao mo-
a natureza do mundo em que viviam, criando uma delo atômico de Rutherford-Bohr.
base lógica para a existência das coisas. Por por-
tentoso que fosse já esse primeiro objetivo acabou
tornando-se acanhado frente às descobertas e in- 10. (UFRGS 2024) Recentemente, pesquisadores
venções tecnológicas que esse conceito possibili- do Japão conseguiram detectar, em experimentos
tou nos últimos séculos (Química Nova na Escola envolvendo colisões em altas energias, núcleos de
– N° 3, Maio, 1996). O modelo atômico evoluiu, indo sódio estáveis com massa atômica 39. Presume-
em um enorme salto de Rutherford para as ideias -se que a adição de mais nêutrons a esses núcle-
de Bohr. Leia atentamente as afirmações a seguir e os levará à sua instabilidade. Em relação a átomos
relacione-as com os seus respectivos modelos. neutros com núcleos 39Na, são feitas as seguintes
afirmações. (Dados: 11Na23, 19K39, 10Ne20).
I. O átomo possui espaços vazios (eletrosfera).
I - Possuem 28 nêutrons no núcleo.
II. O átomo é uma esfera que tem massa positiva
e os elétrons, carga negativa, ficavam distribuídos II - São isoeletrônicos com átomos de neônio.
quase que uniformemente, como as passas em um III - Possuem massa atômica comparável à massa
252 pudim. de átomos de potássio, embora tenham uma ca-
III. Os elementos são formados por pequeníssimas mada eletrônica a menos.
partículas, os átomos. Quais estão corretas?
IV. A eletrosfera está dividida em sete níveis ou ca- a) Apenas I.
madas eletrônicas.
V. Os átomos de um determinado elemento são di- b) Apenas II.
ferentes dos átomos de outro elemento e o que os
diferencia são suas massas relativas. c) Apenas I e III.
VI. O átomo possui uma região central que é densa,
d) Apenas II e III.
pequena e positiva denominada núcleo.
VII. O átomo possui as seguintes características: di- e) I, II e III.
visível, maciço e esférico.
VIII. O elétron, ao orbitar por uma camada ou nível, 11. (UFRGS 2023) Assinale a alternativa que apresen-
não ganha e nem perde energia, ou seja, sua ener- ta elementos com o mesmo número de nêutrons.
gia é constante.
a) Átomo de cromo com massa 54 e átomo de ferro
com massa 57.
Assinale a alternativa CORRETA:
b) Átomo de cobalto com massa 57 e átomo de co-
a) As afirmações I e V pertencem ao modelo atômi- bre com massa 62.
co de Dalton; as afirmações III e V pertencem ao
modelo atômico de Thomson; as afirmações IV c) Átomo de cobalto com massa 57 e átomo de fer-
e VIII pertencem ao modelo atômico de Ruther- ro com massa 57.
ford; e as afirmações II e VI pertencem ao mode-
lo atômico de Rutherford-Bohr.
d) Átomo de cromo com massa 54 e átomo de
manganês com massa 55.
b) As afirmações I e V pertencem ao modelo atômi-
co de Dalton; as afirmações II e VI pertencem ao
e) Átomo de manganês com massa 55 e átomo de-
modelo atômico de Thomson; as afirmações IV
zinco com massa 63.
e VIII pertencem ao modelo atômico de Ruther-
ford; e as afirmações II e VI pertencem ao mode-
lo atômico de Rutherford-Bohr.
12. (UFPR /2016) As propriedades das substâncias químicas podem ser previstas a partir das configurações
eletrônicas dos seus elementos. De posse do número atômico, pode-se fazer a distribuição eletrônica e loca-
lizar a posição de um elemento na tabela periódica, ou mesmo prever as configurações dos seus íons. Sendo
o cálcio pertencente ao grupo dos alcalinos terrosos e possuindo número atômico Z = 20, a configuração ele-
trônica do seu cátion bivalente é:

a) 1s2 2s2 2p6 3s2

b) 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6

c) 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2

d) 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d2

e) 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 4p2

13. (UFPR 2011) A constituição elementar da matéria sempre foi uma busca do homem. Até o início do século
XIX, não se tinha uma ideia concreta de como a matéria era constituída. Nas duas últimas décadas daquele
século e início do século XX, observou-se um grande avanço das ciências e com ele a evolução dos modelos
atômicos. Acerca desse assunto, numere a coluna da direita de acordo com sua correspondência com a co-
luna da esquerda.
1. Próton.
2. Elétron.
3. Átomo de Dalton.
4. Átomo de Rutherford.
5. Átomo de Bohr.
Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna da direita, de cima para baixo.

a) 2 – 5 – 3 – 1 – 4.

b) 1 – 3 – 4 – 2 – 5.
253
c) 2 – 4 – 3 – 1 – 5.

d) 2 – 5 – 4 – 1 – 3.

e) 1 – 5 – 3 – 2 – 4.

14. (ENEM 2019) No final do século XIX, muitos cientistas estavam interessados nos intrigantes fenômenos ob-
servados nas ampolas de raios catódicos, que são tubos sob vácuo em que se ligam duas placas a uma
fonte de alta tensão. Os raios catódicos passam através de um orifício no ânodo e continuam o percurso até
a outra extremidade do tubo, onde são detectados pela fluorescência produzida ao chocarem-se com um
revestimento especial, como pode ser observado na figura. Medições da razão entre a carga e a massa dos
constituintes dos raios catódicos mostram que a sua identidade independe do material do cátodo ou do gás
dentro das ampolas.

CHANG, R.; GOLDSBY, K. A. Química. Porto Alegre: Bookman, 2013 (adaptado).

Essa radiação invisível detectada nas ampolas é constituída por:

a) ânions.

b) cátions.
c) prótons.

d) elétrons.

e) partículas alfa.

15. (ENEM 2017) Um fato corriqueiro ao se cozinhar arroz é o derramamento de parte da água de cozimento
sobre a chama azul do fogo, mudando-a para uma chama amarela. Essa mudança de cor pode suscitar in-
terpretações diversas, relacionadas às substâncias presentes na água de cozimento. Além do sal de cozinha
(NaCI), nela se encontram carboidratos, proteínas e sais minerais. Cientificamente, sabe-se que essa mudan-
ça de cor da chama ocorre pela:

a) reação do gás de cozinha com o sal, volátilizando gás cloro.

b) emissão de fótons pelo sódio, excitado por causa da chama.

c) produção de derivado amarelo, pela reação com o carboidrato.

d) reação do gás de cozinha com a água, formando gás hidrogênio.

e) excitação das moléculas de proteínas, com formação de luz amarela.

16. (ENEM 2005) Na investigação forense, utiliza-se luminol, uma substância que reage com o ferro presente
na hemoglobina do sangue, produzindo luz que permite visualizar locais contaminados com pequenas quan-
tidades de sangue, mesmo em superfícies lavadas. É proposto que, na reação do luminol (I) em meio alcalino,
na presença de peróxido de hidrogênio (II) e de um metal de transição (Mn+), forma-se o composto 3-amino
ftalato (III) que sofre uma relaxação dando origem ao produto final da reação (IV), com liberação de energia
(hν) e de gás nitrogênio (N2).
(Adaptado. Química Nova, 25, no 6, 2002. pp. 1003-1011.)

254

Dados: pesos moleculares: Luminol = 177; 3-aminoftalato = 164.

Na reação do luminol, está ocorrendo o fenômeno de

a) fluorescência, quando espécies excitadas por absorção de uma radiação eletromagnética relaxam libe-
rando luz.

b) incandescência, um processo físico de emissão de luz que transforma energia elétrica em energia luminosa.

c) quimiluminescência, uma reação química que ocorre com liberação de energia eletromagnética na forma
de luz.

d) fosforescência, em que átomos excitados pela radiação visível sofrem decaimento, emitindo fótons.

e) fusão nuclear a frio, através de reação química de hidrólise com liberação de energia.

17. (UFRGS 2017) A massa atômica de alguns elementos da tabela periódica pode ser expressa por números
fracionários, como, por exemplo, o elemento estrôncio cuja massa atômica é de 87,621, o que se deve:

a) à massa dos elétrons.

b) ao tamanho irregular dos nêutrons.


c) à presença de isótopos com diferentes números ANOTAÇÕES
de nêutrons.

d) à presença de isóbaros com diferentes números


de prótons.

e) à grande quantidade de isótonos do estrôncio.

18. (UFRGS 2018) O elemento bromo apresenta


massa atômica de 79,9. Supondo que os isótopos
79Br e 81Br tenham massas atômicas, em unida-
des de massa atômica, exatamente iguais aos seus
respectivos números de massa, qual será a abun-
dância relativa de cada um dos isótopos?

a) 75% 79Br e 25% 81Br

b) 55% 79Br e 45% 81Br

c) 50% 79Br e 50% 81Br.

d) 45% 79Br e 55% 81Br.

e) 25% 79Br e 75% 81Br.

19. (UFRGS 2023) Assinale a alternativa que apre-


senta elementos com o mesmo número de nêu-
trons. Sabendo que 55Mn25 54Cr24.

a) Átomo de cromo com massa 54 e átomo de ferro


com massa 57.

b) Átomo de cobalto com massa 57 e átomo de co-


bre com massa 62. 255
c) Átomo de cobalto com massa 57 e átomo de fer-
ro com massa 57.

d) Átomo de cromo com massa 54 e átomo de


manganês com massa 55.

e) Átomo de manganês com massa 55 e átomo de


zinco com massa 63.
PROBLEMATIZAÇÃO 2

Terras raras – A escassez de alguns


elementos químicos

Enquanto navegava na internet após a aula, Lucas, um


estudante interessado em tecnologia, se deparou com
uma manchete que chamou sua atenção: “A escassez
de terras raras e seu impacto no futuro”. Curioso, ele cli-
cou na notícia e começou a ler sobre esses elementos
químicos desconhecidos para muitos, mas essenciais
para a fabricação de celulares, computadores e até car-
ros elétricos.
Lucas descobriu que terras raras, como o neodímio e o
lantânio, eram usadas em componentes eletrônicos, mas
que sua extração e disponibilidade estavam se tornando
um grande desafio global. A reportagem explicava como
a escassez desses elementos poderia afetar a produção
de tecnologia, aumentando custos e dificultando o aces-
so a dispositivos que ele e seus amigos usavam diaria-
mente.
Intrigado, Lucas olhou para seu smartphone e pensou em como esses pequenos elementos tinham um papel
tão crucial em sua vida. Decidido a saber mais, ele passou a pesquisar sobre o impacto ambiental da minera-
ção de terras raras e como a ciência estava buscando alternativas sustentáveis para contornar essa escassez.
A partir desse momento, Lucas percebeu a conexão entre a Química e o mundo ao seu redor, despertando
nele um novo interesse por entender como os elementos da Tabela Periódica moldam o futuro da tecnologia.

256
PARA REFLETIR!

A história de Lucas nos mostrou como elementos químicos que parecem distantes, como as terras
raras, têm um impacto direto no nosso dia a dia, especialmente na tecnologia que usamos. A Tabela
Periódica, com sua vasta diversidade de elementos, é mais do que apenas um quadro na sala de aula –
ela é um mapa dos recursos que moldam o mundo moderno. Pensando nisso, reflita sobre as seguintes
questões:

1. Quais elementos da Tabela Periódica você conhece atualmente e são essenciais para a tecnologia
que usamos diariamente, como smartphones e computadores?

2. Como, em sua percepção, a distribuição desigual e o uso exagerado dos elementos na natureza
influenciam a economia e a política global?

3. Que alternativas sustentáveis você indicaria, que podem ser desenvolvidas para reduzir a depen-
dência de elementos escassos?

A Tabela Periódica é mais do que um simples agrupamento de elementos;


ela é uma ferramenta fundamental para compreendermos como o mundo
ao nosso redor funciona. Através dela, podemos identificar as propriedades
dos elementos, entender suas interações e até prever suas aplicações na vida
cotidiana. No entanto, como vimos na reflexão anterior, a Tabela Periódica
também nos revela os desafios que a humanidade enfrenta, como a escassez
de recursos essenciais. Ao explorarmos os princípios que organizam essa ta-
bela, vamos descobrir como cada elemento desempenha um papel crucial no
avanço da ciência e da tecnologia.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2

2. A TABELA PERIÓDICA
A Tabela Periódica é uma disposição sistemática dos elementos químicos, organizada com base em suas
propriedades atômicas, como número atômico e configurações eletrônicas. Ela agrupa elementos com ca-
racterísticas semelhantes em colunas chamadas grupos e distribui em linhas chamadas períodos. Estudá-la
é crucial para entender as propriedades, reatividade e tendências dos elementos, facilitando a previsão de
comportamentos químicos e a realização de novas descobertas científicas e tecnológicas.
Desde o início do século XIX, os cientistas vêm propondo formas de organizar os elementos químicos. Diversos
cientistas tentaram desenvolver tabelas para os elementos. Um dos primeiros foi o alemão Johann Dobereiner
(1780-1849), que, em 1829, propôs organizar os elementos em trios com propriedades químicas semelhantes,
sendo chamadas de tríades. No entanto, essa regra só funcionava com os elementos mais leves. Em 1862, o
francês Alexandre-Émile Béguyer de Chancourtois (1820-1886) organizou os elementos, conhecidos na época,
em uma espiral em torno de um cilindro, de modo que elementos com propriedades parecidas ficassem na
mesma linha vertical. Tal classificação ficou conhecida como parafuso telúrico, mas funcionava apenas até
o cálcio. Em 1864, o inglês John Newlands (1837-1898) organizou os elementos em ordem crescente de massa
atômica e em linhas horizontais com sete deles. O oitavo elemento tinha propriedades parecidas com o pri-
meiro da linha anterior. Essa distribuição, que repetia-se a cada oito elementos, ficou conhecida como lei das
oitavas, por lembrar a periodicidade das notas musicais.
No ano de 1869, dois cientistas, o russo Dimitri Mendeleev (1834-1907) e o alemão Julius Meyer (1830-1895),
propuseram, ao mesmo tempo e de forma independente, tabelas periódicas muito parecidas e que foram a
base para a tabela atual. Os elementos foram organizados em ordem crescente de massa atômica e dispos-
tos em linhas horizontais e verticais, de modo que elementos na mesma linha vertical tivessem as mesmas
propriedades. Mendeleev percebeu que, para seguir a lógica descrita, era necessário deixar espaços vazios na
tabela. Esses espaços seriam preenchidos por elementos que ainda não eram conhecidos. Mendeleev previu
as propriedades desses elementos desconhecidos, usando como base as dos já descobertos. Veja, no quadro
abaixo, o exemplo para o Germânio.

PROPRIEDADE
PREVISTO POR
MENDELEEV (1871)
ENCONTRADO (1876) 257
Massa 72 72,3

Densidade 5,5 g/ml 5,47 g/ml

Fórmula do óxido XO2 GeO2

Cor Cinza Cinza

Em 1914, o inglês Henry Moseley (1887-1915) fez ajustes na tabela periódica de Mendeleev. Na tabela periódica
moderna os elementos químicos estão dispostos em ordem crescente dos seus números atômicos e não de
massa. Ela é organizada em dezoito linhas verticais e sete horizontais. Cada linha vertical corresponde a uma
família ou grupo e os elementos de uma mesma família possuem propriedades semelhantes. As linhas hori-
zontais correspondem a um período.

2.1 Períodos
A tabela periódica possui sete períodos. Os elementos químicos que compõem um período possuem o mesmo
número de camadas eletrônicas. Ou seja:
5B – 1s2 2s2 2p1 (duas camadas, então o Boro está no 2º período).
9F – 1s2 2s2 2p5 (duas camadas, então o Flúor está no 2º período).
28Ni – 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d8 (4 camadas então o Níquel está no 4º período)
Como nos exemplos acima o Boro e o Flúor possuem o mesmo número de camadas (mesmo que incomple-
tas) então eles estão no mesmo período. Deste modo:
nº do período = nº de camadas
2.2 Classificação dos elementos
Os átomos com distribuição eletrônica que termina em s (bloco s) ou p (bloco p) são chamados de represen-
tativos. Aqueles que possuem seu elétron de diferenciação em orbitais d (bloco d) são chamados de transição
externa ou simples, enquanto os que apresentam os elétrons de diferenciação em f (bloco f) são conhecidos
como de transição interna.

LEGENDA: Classificação dos elementos na tabela periódica.

Fonte: elaborado pela autora.

Além disso, os elementos são classificados em metais e ametais. A maior parte da tabela periódica é forma-
258 da de metais, como pode ser visto na figura abaixo. Anteriormente, existia outra classificação: semimetais ou
metaloides. Esses elementos, por apresentarem propriedades intermediárias entre os metais e os ametais
recebiam essa nomenclatura. Os semimetais eram: B, Si, Ge, As, Sb, Te e Po. No entanto, desde 2001, a IUPAC
não usa mais esta classificação.

LEGENDA: Classificação dos elementos na tabela periódica.

Fonte: elaborado pela autora.

2.3 Famílias
Como já especificado, a tabela tem 18 famílias (ou grupos), e estas são formados por elementos químicos
com propriedades semelhantes. Numa classificação antiga, as famílias dos elementos representativos eram
numeradas de 1A a 8A e as famílias dos elementos de transição de 1B a 8B. No entanto, essa numeração não é
mais usada, a IUPAC utiliza a contagem direta de 1 a 18 para todas as famílias.
No caso dos elementos representativos, numa mesma família, os átomos possuem o mesmo número de elé-
trons na camada de valência, ou seja, para identificar a família em que um elemento representativo está, bas-
ta fazer a distribuição eletrônica e identificar o número de elétrons de valência. Um resumo das famílias dos
elementos representativos e seus nomes estão no quadro abaixo:

GRUPO NOME ELEMENTOS CAMADA DE VALÊNCIA

1 metais alcalinos H, Li, Na, K, Rb, Cs e Fr 1 elétron


2 metais alcalinoterrosos Be, Mg, Ca, Sr, Ba e Ra 2 elétrons
13 família do boro B, Al, Ga, In e Tl 3 elétrons
14 família do carbono C, Si, Ge, Sn e Pb 4 elétrons
15 família do nitrogênio N, P, As, Sb e Bi 5 elétrons
16 calcogênios O, S, Se, Te e Po 6 elétrons
17 halogênios F, Cl, Br, I e At 7 elétrons
18 gases nobres He, Ne, Ar, Kr, Xe e Rn 8 elétrons

OBS.: O hidrogênio é um caso especial. Apesar de estar na família 1, ele não tem as mesmas propriedades dos
elementos desse grupo. No entanto, por ter 1 elétron de valência foi colocado nessa família, mas seu estudo é
feito de forma separada dos outros elementos.
Exemplo: Determine a localização na tabela periódica do Na (Z = 11), O (Z = 8) e Cl (Z = 17).
Resposta: o primeiro passo é determinar a distribuição eletrônica de cada um. Depois, indicar a camada de
valência e contar o número de elétrons nela:
11Na – 1s2 2s2 2p6 3s1 família 1 ou 1A e 3º período.
8O – 1s2 2s2 2p4 família 16 ou 6A e 2º período.
17Cl – 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 família 17 ou 7A 3º período. 259

Para os elementos de transição externa, identificar a família exige somar 2 ao número de elétrons no subnível
d, pois os grupos de transição começam no número 3.
Exemplo: Determine a localização na tabela periódica do V (Z = 23) e Ag (47).
Resposta: o primeiro passo é determinar a distribuição eletrônica de cada um. Depois somar dois ao número
de elétrons d.
23V – 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d3 família 5 e 4º período.
47Ag – 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d9 família 11 e 5º período.

Os elementos de transição interna pertencem à família 3, pois todos eles estão nesse mesmo grupo da tabela.
Eles são escritos na parte inferior da tabela apenas por questão de espaço. Os elementos de transição interna
compreendem os:
Lantanídeos: já foram chamados de terras raras. Possuem seis camadas e seu subnível mais energético é o 4f.
O nome lantanídeos deriva do elemento químico Lantânio.
Actinídeos: possuem sete camadas e o subnível de maior energia é o 5f. O elemento mais importante é o Urâ-
nio. O nome Actinídeos deriva do elemento Actínio.

SAIBA MAIS!
Sugestão de artigo: Origens e consequências da tabela periódica, a mais concisa enciclopédia criada
pelo ser humano. Disponível em: https://www.scielo.br/j/qn/a/qk6zPP7s7ccbkWgnJ4YtcGJ/. Acesso em:
jul. de 2024.

Sugestão de sites: Explore a Tabela Periódica: Disponível em: https://www.tabelaperiodica.org. Acesso


em: jul. 2024.

Tabela Periódica interativa: Disponível em: https://ptable.com/#Properties/Series. Acesso em: jul. 2024.
SAIBA MAIS!
Dica do professor:
Família 1A – Hoje Li Na Koluna o Roubo a Casa Francesa;
Família 2A - Bela Margarida Casou com o Senhor Barão Ramos;
Família 3A – Bobos Alegres Galanteavam a India Tulipa;
Família 4A – Conhecei Sinhá Germana Sendo Plebeia;
Família 5A – Não Posso Assistir Sábado Biologia;
Família 6A – O S Se Te Porquinhos;
Família 7A – Foram Classificados, Brasil, Itália e Atlético;
Família 8A – Helio Negou Arroz a Kristina e Xerém a Renata;

2.4. PROPRIEDADES PERIÓDICAS E APERIÓDICAS


2. 4.1. Propriedades aperiódicas
Quando uma propriedade aumenta ou diminui à medida que crescem os números atômicos, dizemos que
esta é uma propriedade aperiódica. São duas as mais importantes:
Massa atômica: sempre aumenta quando aumenta o número atômico.
Calor específico: é a quantidade de calor necessária para aumentar em 1ºC a massa de 1 grama do elemento
em questão. Essa propriedade sempre diminui quando aumenta o número atômico.

2. 4.2. Propriedades Periódicas


É chamada de periódica a propriedade que atinge um valor máximo ou um mínimo de acordo com os perío-
260 dos, ou seja, aumentam ou diminuem num período. São elas:

2.4.2.1. Raio atômico


É a distância do núcleo até a última camada ocupada por elétrons num átomo. Quanto maior for o número
de camadas num átomo, maior é seu raio atômico. Portanto, ao compararmos elementos de uma mesma
família, verificamos que o primeiro elemento (com menos camadas) é o de menor raio e o último (com mais
camadas) o maior. Ao compararmos os elementos de um mesmo período não existe mais diferença no nú-
mero de camadas. No entanto, dentro de um período vai aumentando o número atômico dos elementos, ou
seja, aumenta o número de prótons. Isso significa que aumenta o número de cargas positivas no núcleo, au-
mentando a atração do centro do átomo pelos elétrons. Com isso, os elétrons são mais atraídos e ficam mais
próximos do núcleo, diminuindo o raio. Assim, o raio varia conforme o esquema abaixo:

Ordem crescente de eletronegatividade

LEGENDA: Variação do raio na tabela periódica.

Fonte: retirado do material original do EA.

O átomo com maior raio na tabela periódica é o Frâncio, porque tem sete camadas e está no começo do seu
período. O elemento de menor raio atômico é o Hélio.
O raio dos átomos neutros não é o mesmo dos íons. Quando é retirado um elétron, o tamanho do átomo dimi-
nui, então, cátions são menores que átomos neutros. Quando ganha-se um elétron o raio do ânion aumenta.
Logo:
cátion < átomo neutro < ânion

2.4.2.2. Eletronegatividade
Esta propriedade define a força com que o núcleo de um átomo atrai seus elétrons e elétrons de outros áto-
mos em uma ligação química. Quanto maior é a eletronegatividade de um átomo, maior é a força de atração
do núcleo pelos elétrons. Portanto, podemos perceber que quanto maior o raio de um átomo menor é a sua
eletronegatividade, pois menor é a força de atração pelos elétrons, visto que esses ficam mais afastados do
núcleo. Logo, a eletronegatividade cresce no sentido contrário ao do raio.

Legenda: Variação da eletronegatividade na tabela periódica.

Fonte: retirado do material original do EA.

O átomo mais eletronegativo da tabela é o flúor, seguido do oxigênio e nitrogênio.


OBS.: É importante notar que os gases nobres são exceções. Como esses elementos são estáveis e não fazem
ligação química, não medimos sua eletronegatividade. Os elementos mais eletronegativos da tabela periódi-
ca são expressos na chamada série de eletronegatividade:
F>O>N>Cl>Br>I>S>C>P>H

SAIBA MAIS!
Dica do professor:
261
Fui Ontem No Clube Briguei I Saí Correndo Para o Hospital

2.4.2.3. Caráter metálico ou eletropositividade


É a tendência de um átomo a doar elétrons. Átomos grandes atraem pouco seus elétrons e, por isso, perdem
elétrons com mais facilidade, tendo maior caráter metálico. Os metais são os átomos que por natureza for-
mam cátions, ou seja, possuem alta eletropositividade.

LEGENDA: Variação da eletropositividade na tabela periódica.

Fonte: retirado do material original do EA.

2.4.2.4. Energia de Ionização (EI) ou Potencial de Ionização (PI)


Consiste na energia necessária para a retirada de um ou mais elétrons de um átomo no estado gasoso. Sendo
representada pela equação genérica:
A  A+ + e-
Quanto maior o fornecimento de energia para retirar um elétron de um átomo, maior é a energia de ionização.
Nota-se que é uma propriedade dependente do raio atômico. Deste modo, quanto menor o raio, maior é a for-
ça de atração do átomo pelo elétron, então, maior será a energia de ionização. Logo, o potencial de ionização
cresce no sentido contrário ao do raio.

Legenda: Variação da energia de ionização na tabela periódica.

Fonte: retirado do material original do EA.

A retirada do primeiro elétron chama-se 1ª energia de ionização, do segundo, 2ª energia de ionização, do ter-
ceiro, 3ª energia de ionização, assim sucessivamente. Essa energia sempre aumenta com a retirada dos elé-
trons, pois o átomo vai tornando-se cada vez menor e tendo um acúmulo de cargas positivas. Então:
1ª EA < 2ª EA < 3ª EA ...
Após a retirada completa de uma camada eletrônica, a energia de ionização aumenta drasticamente. Como
podemos observar para o Al e o Si:

ENERGIA DE IONIZAÇÃO (EI) AL (KJ/MOL) SI (KJ/MOL)


1ª 577 786
2ª 1 817 1 577
3ª 2 745 3 232
262 4ª 11 577 4 356
5ª 14 842 16 091
6ª 18 379 19 805

2.4.2.5. Afinidade eletrônica ou eletroafinidade


É a energia liberada por um átomo quando ele recebe um elétron, sendo representada pela equação genérica:
A + 1e-  A-
Átomos pequenos atraem mais seus elétrons (são mais eletronegativos), por isso, liberam mais energia ao
receber um elétron e têm maior afinidade eletrônica. Os elementos de maiores eletroafinidades são o Cloro
(Cl), seguido do Flúor (F).

Legenda: Variação da afinidade eletrônica na tabela periódica.

Fonte: retirado do material original do EA.


2.4.2.6. Densidade
Para o cálculo da densidade usamos a seguinte fórmula:
Ou seja, a densidade é diretamente proporcional à massa e inversamente proporcional ao volume. A densida-
de tem seus maiores valores no centro da tabela periódica, pois é onde estão os átomos mais pesados e de
menor volume. O elemento químico mais denso da tabela periódica é o ósmio (d = 22,5 g/cm3), ou seja, 1 cm3
de ósmio tem massa de 22,5 g. Transformando para (ton/m3) tem-se 22,5 toneladas a cada metro cúbico, o
que é impressionante, pois um carro normal possui massa aproximadamente de 1,2 tonelada.

LEGENDA: Variação da densidade na tabela periódica.

Fonte: retirado do material original do EA.

RESUMO
A tabela periódica está organizada em ordem crescente de número atômico e elementos da mesma família
têm as mesmas propriedades químicas, pois têm a mesma distribuição eletrônica na camada de valência. 263
Para elementos do bloco s e p, o número de elétrons de valência indica a família da tabela. Para os átomos do
bloco d é necessário somar dois ao número de elétrons d. E para elementos do bloco f o grupo é sempre o 3.
As propriedades periódicas dependem do raio atômico, o qual aumenta dentro de um grupo e diminui dentro
de um período. .

EXERCÍCIOS
A matéria e suas propriedades

20. (UFRGS 2017) O gálio (Ga) é um metal com bai- d) Cr < Cs < K < Ga.
xíssimo ponto de fusão (29,8 °C). O cromo (Cr) é um
metal usado em revestimentos para decoração e e) Ga < Cs < Cr < K.
anticorrosão, e é um importante elemento consti-
tuinte de aços inoxidáveis. O potássio e o césio são
metais altamente reativos. 21. (UFPR 2010) Com base nos elementos da tabela
periódica e seus compostos, considere as seguintes
Assinale a alternativa que apresenta os átomos de
afirmativas:
césio, cromo, gálio e potássio na ordem crescente
de tamanho. 1. Elementos que apresentam baixos valores da pri-
meira energia de ionização, mas altos valores de
Dados: 55Cs, 24Cr, 31Ga, 19K
afinidade eletrônica são considerados bastante
a) Ga < Cr < K < Cs. eletronegativos.
2. Os compostos gerados por elementos de baixa
b) Cs < Cr < K < Ga. eletronegatividade possuem caráter metálico.

c) Ga < K < Cr < Cs. 3. Os compostos gerados por elementos de alta


eletronegatividade possuem caráter covalente.
4. Os elementos representativos que possuem va- 23. (UFPR 2018)
lores mais altos da primeira energia de ionização
são os mais eletronegativos. Na Onda do Sódio Existe um halogênio es-
Assinale a alternativa correta. pecial,
Eu sou o Sódio, me ligo a todos, mas
a) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. não tenho ódio. com o cloro...
Quando estou com a Eu adoro!
b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. água, Que união genial!
não guardo mágoa. Me envolvo em muitas
c) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. Explodo de emoção, reações,
nessa reação. com diferentes emo-
d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. Não esbanjo meu po- ções.
tencial, Base, cátion, sal...
e) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras. sou muito legal. Eu sou mesmo radical!
Minha família é a um,
(Poesia de autoria de equipe participante da Gincana
me dou bem com cada de Química (2011) da Universidade Federal do Ceará.
Disponível em: <http://www.quimica.ufc.br>. Acessado

22. (UFRGS 2022) Em 2021, celebra-se o 154º aniver- um. em 25/07/2017.)

sário de nascimento de Marie Curie e o 110º aniver- Meu período é o terceiro,


sário do Prêmio Nobel de Química, conquistado pela de quem eu sou par-
cientista franco-polonesa. Marie Curie foi a primeira ceiro.
mulher a ganhar o Prêmio Nobel e única pessoa a Acerca das informações químicas do elemento só-
receber a láurea duas vezes em diferentes áreas da dio que podem ser extraídas do texto “Na onda do
ciência, um de Física (1903), pelas descobertas no sódio”, considere as seguintes afirmativas:
campo da radioatividade, e outro de Química (1911),
pela descoberta dos elementos químicos Rádio e 1. Da afirmativa “Minha família é a um”, pode-se
Polônio. Em 1935, foi a vez de Irène Joliot-Curie, filha concluir que sódio pertence à família I e, portanto,
de Marie Curie e Pierre Curie a ganhar o Nobel de possui configuração eletrônica finalizada em ns1.
Química, pela descoberta da radioatividade artifi-
2. Da afirmativa “Meu período é o terceiro”, interpre-
cial, tornando a família Curie a maior ganhadora de
ta-se que a configuração eletrônica é preenchida
prêmios Nobel até hoje. Em relação aos elementos
até o nível n = 3.
químicos rádio e polônio, considere as afirmações
abaixo. 3. O cloro é o “halogênio especial”, pois é com o qual
o sódio reage para formar o cloreto de sódio.
I - O raio atômico do rádio é menor do que o do po-
lônio. 4. No sal de cloreto de sódio, a configuração eletrô-
264 nica do cátion Na+ é preenchida até o nível n = 2,
II - O polônio é mais eletronegativo do que o rádio.
finalizando em 2s2, 2p6.
III - Po2- e Ra2+ têm a mesma configuração eletrônica.
Assinale a alternativa correta.
Quais estão corretas?
a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
a) Apenas I.
b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
b) Apenas III.
c) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
c) Apenas I e II.
d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
d) Apenas II e III.
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras
e) I, II e III.

24. (UFPR 2020) Em 2019, é comemorado o aniver-


sário de 150 anos da primeira versão da tabela pe-
riódica, proposta por Dmitri Mendeleev. Ele criou um
sistema que, além de catalogar os elementos, per-
mitiu prever propriedades em função da posição
que o elemento ocupa na tabela. Em 1869, o sódio
(Na) e o potássio (K) já constavam da primeira ver-
são da tabela periódica. Na versão atual, esses ele-
mentos pertencem ao primeiro grupo, o dos metais
alcalinos. Esses metais reagem de maneira violenta
com água, na qual se produz gás hidrogênio, con-
forme esquematizado abaixo:
2 M (s) + 2 H2O (l) → 2 MOH (aq) + H2 (g), M = Na ou K
A propriedade comum a esse grupo, que é respon-
sável pelo comportamento descrito em água, é o:

a) alto valor de densidade.


b) baixo valor de energia de ionização.

c) baixo valor de volume atômico.

d) alto valor de eletronegatividade.

e) alto valor de afinidade eletrônica

25. (UTFPR 2023) A tabela periódica fornece uma classificação detalhada dos elementos químicos, em que
os blocos refletem a identidade dos orbitais que são ocupados por último, de acordo com o princípio do pre-
enchimento. Além disso, o número de um determinado período identifica o número quântico principal dos
elétrons da camada de valência dos átomos que formam esse período, xxxxxxxxxxxxxxenquanto o número do
grupo está relacionado com o número de elétrons de valência. Com este formato, e a organização dos ele-
mentos por número atômico, é possível usar a tabela periódica para prever as propriedades dos elementos e
dos compostos nos quais eles participam. Analise os itens de I a IV:
O elemento com configuração eletrônica [Ne]3s23p1 tem a primeira energia de ionização mais baixa do que o
elemento com configuração eletrônica [Ne]3s23p5.
O elemento com configuração eletrônica [Ar]4s2 é um metal e possui afinidade eletrônica mais baixa do que o
elemento com a configuração eletrônica [Ar]3d104s24p5.
A eletronegatividade do elemento com configuração eletrônica [He]2s22p5 é maior do que aquela observada
para o elemento [He]2s22p3.
O elemento com configuração eletrônica [Kr]4d105s22p2 pertence ao quinto período do bloco p da tabela pe-
riódica
Assinale a alternativa correta:

a) Estão corretos os itens I, II, III e IV.

b) Apenas os itens I e IV estão corretos.

c) Apenas os itens II, III e IV estão corretos.

d) Apenas os itens I e II estão corretos. 265


e) Apenas os itens II e IV estão corretos

26. (UFPR 2023) Atualmente, as lâmpadas incandescentes e fluorescentes foram praticamente substituídas
por novas lâmpadas LED, que apresentam maior eficiência luminosa e maior tempo de vida útil que as tradi-
cionais. As lâmpadas LED possuem na sua composição os elementos alumínio (Al), cobre (Cu), gálio (Ga), índio
(In), arsênio (As), prata (Ag) e níquel (Ni). Apesar do seu largo uso, ainda não há um programa de reciclagem
no país.

Considerando apenas a composição mencionada, a reciclagem dessas novas lâmpadas traria vantagens
porque:

a) os elementos representativos não metálicos presentes resultam em acúmulo de material biodegradável.

b) os metais nobres entre os metais de transição presentes possuem alto valor agregado.

c) os elementos lantanídeos presentes representam dependência externa para produção.

d) os elementos representativos presentes produzem óxidos alcalinos corrosivos.

e) os semimetais presentes produzem compostos livres de toxicidade.

27. (UFRGS 2022) A indústria automobilística tem usado aços formados por microligas de Nióbio, pois, além de
garantir a segurança do motorista, seu emprego demanda menor quantidade de aço na estrutura do auto-
móvel, tornando-o mais leve e consequentemente reduzindo o consumo de combustível.
BRUZIQUESI, C. G. O. et al. Nióbio: um elemento químico estratégico para o Brasil. Química Nova [online]. 2019, v. 42, n. 10, p. 1184-1188. Disponível em: <http://static.sites.sbq.org.br/quimicanova.sbq.org.br/pdf/v42n10a07.pdf>.Acesso em: 09 nov. 2021.

A vantagem do uso das microligas de Nióbio em aço, em relação à segurança automobilística, deve-se às
propriedades de

a) densidade e tenacidade.

b) condutibilidade elétrica e tenacidade.

c) densidade e eletropositividade.

d) brilho metálico e eletropositividade.

e) brilho metálico e condutibilidade elétrica

28. (UFRGS 2019) O Brasil concentra 98% das reservas conhecidas de nióbio no mundo. O nióbio é muito utili-
zado na produção de aços especiais, que apresentam alta resistência mecânica e são usados na fabricação
266 de dutos para óleo e gás, automóveis, navios, pontes e viadutos. Considere as afirmações abaixo, sobre esse
elemento químico.
I - Está localizado no Grupo 10 e no quarto período da tabela periódica.
II - Apresenta, em um de seus isótopos, 41 prótons e 52 nêutrons no núcleo atômico.
III - Pode ser classificado como um lantanídeo.
Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas III.

d) Apenas I e II.

e) I, II e III.

29. (ENEM 2017) No ar que respiramos existem os chamados “gases inertes”. Trazem curiosos nomes gregos,
que significam “o Novo”, “o Oculto”, “o Inativo”. E de fato são de tal modo inertes, tão satisfeitos em sua con-
dição, que não interferem em nenhuma reação química, não se combinam com nenhum outro elemento e
justamente por esse motivo ficaram sem ser observados durante séculos: só em 1962 um químico, depois de
longos e engenhosos esforços, conseguiu forçar “o Estrangeiro” (o xenônio) a combinar-se fugazmente com o
flúor ávido e vivaz, e a façanha pareceu tão extraordinária que lhe foi conferido o Prêmio Nobel.
LEVI, P. A tabela periódica. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994 (adaptado).

Qual propriedade do flúor justifica sua escolha como reagente para o processo mencionado?

a) Densidade.

b) Condutância.

c) Eletronegatividade.
d) Estabilidade nuclear.

e) Temperatura de ebulição.

30. (UFRN 2012 – Adaptada) O efeito fotoelétrico está presente no cotidiano, por exemplo, no mecanismo que
permite o funcionamento das portas dos shoppings e nos sistemas de iluminação pública, por meio dos quais
as lâmpadas acendem e apagam. Esse efeito acontece porque, nas células fotoelétricas, os metais emitem
elétrons quando são iluminados em determinadas condições. O potássio e o sódio são usados na produção de
determinadas células fotoelétricas pela relativa facilidade de seus átomos emitirem elétrons quando ganham
energia. Segundo sua posição na Tabela Periódica, o uso desses metais está relacionado com:

a) o baixo valor do potencial de ionização dos átomos desses metais.

b) o alto valor da afinidade eletrônica dos átomos desses metais.

c) o alto valor da eletronegatividade dos átomos desses metais.

d) o alto valor do potencial de ionização dos átomos desses metais.

e) Nenhuma das anteriores.

31. (UFMG 2018) A diversidade de materiais existente no mundo tem relação com sua estrutura interna e com
as interações que ocorrem no nível atômico e subatômico. As propriedades periódicas, como raio, eletrone-
gatividade, potencial de ionização e afinidade eletrônica, auxiliam a explicação de como formam esses mate-
riais. Duas dessas propriedades são centrais: raio atômico e raio iônico. Considere a figura abaixo.

267

Disponível em: < https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/raio-atomico-tamanho-atomo.htm> Acesso em 23 de julho de 2024.

Essa figura representa os raios atômicos e iônicos de algumas espécies químicas. Sobre essas espécies e seus
raios, é correto concluir que:

a) o raio dos ânions é maior que o do respectivo elemento no estado neutro, porque o átomo ganhou elétrons
e manteve sua carga positiva.

b) o raio atômico e iônico dos elementos de um mesmo período diminui com o aumento do número atômico
e com a mudança de carga.

c) o raio iônico dos elementos de uma mesma família não segue a periodicidade e varia independentemente
do ganho ou da perda de elétrons.

d) o raio dos cátions é menor que o do respectivo elemento no estado neutro, porque o átomo perdeu elétrons,
aumentando o efeito da carga nuclear.

e) nenhuma das alternativas


PROBLEMATIZAÇÃO 3

Estamos todos conectados


Durante uma aula de ciências, Ana, uma estudante curiosa, viu seu pro-
fessor mostrar como as ligações químicas estão presentes em coisas
que usamos diariamente. Naquele mesmo dia, ao chegar em casa, Ana
resolveu ajudar sua mãe na cozinha. Enquanto cortava uma maçã, lem-
brou-se da explicação do professor: as moléculas de água que manti-
nham a maçã suculenta estavam unidas por ligações químicas.
Naquele dia, uma nova perspectiva se abriu para Ana. Enquanto abria a
torneira ou sentia o aroma do café, ela passou a perceber que cada uma
dessas ações cotidianas envolvia interações químicas que antes não
havia notado. No dia seguinte, ainda refletindo sobre o assunto, Ana se
perguntou como as diferentes ligações químicas, como as covalentes e
iônicas, poderiam influenciar as propriedades dos objetos e substâncias
ao seu redor. Movida pela curiosidade, ela decidiu aprofundar suas pes-
quisas, descobrindo que as ligações químicas são a chave para enten-
der desde a estrutura dos alimentos até os materiais que compõem sua
mochila. Aos poucos, Ana compreendeu que desvendar esses conceitos
era fundamental para entender os mistérios da matéria que iria explorar
nas próximas aulas.

PARA REFLETIR!

1. Por que algumas substâncias que usamos no dia a dia, como o sal de cozinha e o açúcar, se dissol-
vem de maneiras diferentes na água? Você acredita que as ligações químicas poderiam explicar
esse comportamento? Qual sua teoria?
268
2. Em vista de suas observações culinárias como, no seu entender, as diferentes ligações químicas
presentes nos alimentos poderiam influenciar o sabor, a textura ou até a forma como reagem ao
calor?

3. Ao recarregar o celular, você já pensou que a energia que ele usa depende de ligações químicas
presentes nas baterias? Como você acha que as reações químicas nessas pilhas afetam a dura-
bilidade e a eficiência do seu aparelho? Como você acha que as reações químicas nessas pilhas
afetam a durabilidade e a eficiência do seu aparelho?

As ligações químicas são a base de toda matéria, determinando como os átomos se unem para formar as substâncias que
compõem o mundo ao nosso redor. Como vimos na história de Ana, essas ligações influenciam desde a suculência de uma
fruta até a dureza dos materiais que usamos diariamente. A partir dessa reflexão, vamos explorar os diferentes tipos de
ligações químicas, suas características e como elas moldam as propriedades dos compostos, revelando a química oculta
em nosso cotidiano.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

3. LIGAÇÕES QUÍMICAS
Ligações químicas são as forças que mantêm os átomos unidos em moléculas e compostos. Elas podem ser
iônicas, covalentes ou metálicas, dependendo da forma como os elétrons são compartilhados ou transferidos
entre os átomos. Estudar as ligações químicas é essencial para compreender a formação, estabilidade e pro-
priedades das substâncias, permitindo a manipulação de materiais para criar novos produtos, medicamentos
e tecnologias, além de explicar muitos processos biológicos e industriais.
Os químicos se questionavam sobre a formação de substâncias, por isso, foram desenvolvidas formas de ex-
plicar como ocorriam as ligações entre os átomos. Em 1916, o alemão Wanther Kossel (1888-1956) e o estaduni-
dense Gilbert Lewis (1875-1946) perceberam que as substâncias se formavam quando os elementos comple-
tavam oito elétrons na camada de valência. Isso explicava porque os gases nobres, que já têm oito elétrons de
valência, dificilmente faziam ligações químicas. Assim, definiu-se a regra do octeto: um átomo estará estável
quando sua camada de valência possuir oito elétrons.
Em busca de completar oito elétrons de valência e tornar-se estável como os gases nobres, os átomos vão se
unir com outros átomos, formando ligações químicas, que podem ser iônicas, covalentes ou metálicas.
OBS. 1: O hélio é o único gás nobre que não tem oito elétrons na camada de valência, mas sim dois. Isso ocorre
porque o mesmo tem apenas a primeira camada e, nessa podem ficar apenas dois elétrons. Dessa forma, o
hidrogênio e o lítio são elementos que também vão ficar estáveis com apenas dois elétrons, buscando adquirir
a mesma estabilidade do hélio.
OBS. 2: Apesar da regra do octeto poder ser usada para explicar alguns compostos, ela não funciona para
todos, especialmente para os metais de transição. A regra do octeto funciona melhor para elementos repre-
sentativos.

3.1. Ligação Iônica


Vimos que, de acordo com a regra do octeto, os elementos buscam completar oito elétrons de valência. Para
isso, alguns elementos vão perder elétrons e outros vão ganhar. Vimos também, que os elementos que estão
em uma mesma família da tabela periódica têm o mesmo número de elétrons de valência. Portanto, eles terão 269
a mesma tendência de ganhar ou perder elétrons.
Átomos que têm 1, 2 ou 3 elétrons de valência (famílias IA, IIA e IIIA) costumam perder elétrons para ficar com
oito na camada anterior. Por exemplo:
K = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s1
19

O potássio tem apenas um elétron de valência, logo, é energeticamente favorável que ele perca esse elétron
para ficar com oito na camada anterior, ou seja, a terceira, do que ganhar outros sete elétrons. Assim, ele tor-
na-se um cátion de carga +1:

19
K+ = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6
Átomos que têm 5, 6 ou 7 elétrons de valência (famílias VA, VIA e VIIA) costumam ganhar elétrons para com-
pletar oito na camada mais externa. Por exemplo:
Cl = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5
17

O cloro tem sete elétrons de valência, logo, é energeticamente favorável que ele ganhe um elétron e complete
o octeto, do que perca sete. Assim, ele torna-se um ânion de carga -1:

17
Cl- = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6
Já os átomos que têm 4 elétrons de valência (família IVA) podem tanto perder quanto ganhar elétrons, tudo
depende de com que elemento eles se ligam. Na verdade, a maioria dos elementos do grupo 14 forma com-
postos covalentes, como veremos no próximo tópico.
Dessa forma, teremos famílias de elementos que formam preferencialmente cátions e outros que formam
ânions, como indica o quadro abaixo.

Família da
1 2 13 14 15 16 17
tabela periódica
Carga mais
+1 +2 +3 +4 a -4 -3 -2 -1
comum
Pode-se perceber que os átomos com tendência a doar elétrons são metais que têm baixa eletronegativida-
de. Já os que ganham elétron são ametais que têm alta eletronegatividade.
Assim, a ligação iônica ocorre quando unem-se um metal e um ametal. Ocorre uma transferência de elé-
trons e a formação de íons. O ametal recebe os elétrons que o metal perde, gerando um cátion e um ânion,
que, por terem cargas opostas, atraem-se por força eletrostática.
Exemplo 1:

19
K = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s1
Cl = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5
17

Perceba que o potássio, por ter 1 elétron de valência, perde elétrons. Já o cloro, por ter 7, ganha. Podemos re-
presentar essa troca de elétrons pelo esquema abaixo.

Fonte: retirado do material original do EA.

Forma-se, então, o KCl. Repare que na fórmula do composto iônico o cátion é escrito na frente e o ânion de-
pois. Assim, o correto é KCl e não ClK.
Exemplo 2:

13
Al = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p1

16
S = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p4
O alumínio, por ter 3 elétrons de valência, perde elétrons e o enxofre, por ter 6, ganha. Podemos representar
essa troca de elétrons pelo esquema abaixo:

270

Forma-se, então, o Al2O3, pois foram necessários 3 oxigênios para 2 alumínios. Perceba que trocando as cargas
dos íons de lugar, é possível encontrar o número de átomos na fórmula:

PROPRIEDADE DAS SUBSTÂNCIAS IÔNICAS

Alto ponto de fusão (PF) e ponto de ebulição (PE).

São sólidas à temperatura ambiente.

Conduzem a corrente elétrica no estado fundido e aquoso. Não no estado sólido.

Formam cristais duros e quebradiços.

Quando dissolvidos em água liberam o cátion e o ânion (dissociação iônica).

OBS.: O íon amônio (NH4+) é o único grupamento ametálico que forma ligação iônica com outros ametais. Por
exemplo, NH4Cl e (NH4)2SO4 são compostos iônicos, apesar de não terem nenhum metal na estrutura.
SAIBA MAIS!
Artigo: Ligações químicas. Disponível em: http://qnesc.sbq.org.br/online/cader-
nos/04/ligacoes.pdf. Acesso em: jul. 2024.

3.2. Ligação Covalente


Quando um átomo tende a ganhar elétrons e outro a perdê-los, ocorre a formação de uma ligação iônica. A
ligação covalente, por sua vez, ocorre quando ambos os átomos tendem a ganhar elétrons. Nesse caso, ao in-
vés de ocorrer uma transferência de elétrons, há um compartilhamento dos mesmos. Dessa forma, na ligação
covalente não existem cátions e ânions. A ligação covalente ocorre, portanto, entre ametais.
Exemplo 1:
Cl = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5
17

Perceba que o cloro, por ter 7 elétrons de valência, tem tendência de ganhar 1 elétron. Por isso, quando dois
átomos de cloro se unem, eles compartilham um elétron. Com isso, o elétron não é mais apenas de um cloro
ou do outro, mas sim dos dois. Dessa forma, os dois átomos ficam com oito elétrons na camada de valência e
forma-se o que chamamos de ligação simples. Esse processo pode ser representado pelo esquema abaixo:

O desenho acima é chamado de estrutura de Lewis. Outra forma de representar a molécula, chamada de fór-
mula estrutural, é a do esquema a seguir, em que a ligação simples é representada por um traço.
271

Exemplo 2:
H = 1s1
1

N = 1s2 2s2 2p3


7

O nitrogênio, por ter 5 elétrons de valência, quer receber 3. Já o hidrogênio quer receber 1. Lembre-se que o
hidrogênio é uma exceção ao octeto e fica estável com dois elétrons para se tornar como o hélio. Dessa for-
ma, o hidrogênio faz uma ligação apenas para ficar estável. Já o nitrogênio precisa fazer três ligações para
completar seu octeto. Forma-se, então, a molécula de NH3, que tem como fórmula de Lewis o desenho abaixo.

Repare que o nitrogênio completou oito elétrons e os hidrogênios dois. A molécula é formada de três ligações
simples e tem como fórmula estrutural o seguinte desenho:
Exemplo 3:

8
O: 1s2 2s2 2p4
Perceba que o oxigênio, por ter 6 elétrons de valência, tem tendência de ganhar 2 elétrons. Por isso, ao unir-
-se com outro oxigênio, ele precisa compartilhar dois elétrons para completar seu octeto. Forma-se, então, o
composto O2 abaixo:

Perceba que cada um dos oxigênios ficou com oito elétrons. Essa ligação, em que dois pares de elétrons são
compartilhados, é chamada de ligação dupla. E pode ser representada por dois riscos:

Exemplo 4:

7
N = 1s2 2s2 2p3
O nitrogênio, por ter 5 elétrons de valência, quer receber 3. Ao ligar-se com outro nitrogênio, eles compartilham
três pares de elétrons, formando uma ligação tripla, como indicam os desenhos abaixo.

Nos três exemplos acima, temos ligações covalentes comuns. Perceba que as ligações são formadas por um
par de elétrons, sendo que cada elétron do par vem de um átomo diferente. Existe outro tipo de ligação cova-
lente, chamada de ligação dativa ou coordenada. Essa ligação ocorre quando apenas um átomo comparti-
lha um par de elétrons de uma só vez. Ela é quimicamente equivalente à ligação covalente comum e ocorre
quando não é possível fazer mais ligações normais. Observe o exemplo abaixo:

272

Repare que quando os dois oxigênios fizeram ligação dupla, já conseguiram completar seu octeto. O terceiro
oxigênio ainda precisava de dois elétrons. Então, um dos pares não ligantes (pares de elétrons que não estão
fazendo ligação) de um dos oxigênios fez uma ligação coordenada com o terceiro oxigênio. Esse par é utili-
zado pelos dois átomos, de modo que todos ficam com oito elétrons de valência. A ligação coordenada era
representada por uma flecha (), mas hoje ela é representada com um traço simples, igual a qualquer outra
ligação covalente. Assim, a estrutura do ozônio (O3) fica:
O=O-O

PROPRIEDADE DAS SUBSTÂNCIAS MOLECULARES

São sólidos, líquidos ou gasosos nas condições ambientes.

Apresentam baixos pontos de fusão e ebulição (comparados aos iônicos).

São maus condutores de eletricidade, alguns podem conduzir quando em meio


aquoso (ionização).

A maioria dos compostos é solúvel em solventes orgânicos.

OBS. 1: Ligações covalentes podem ser classificadas em ligações sigma (σ) ou pi (π). Toda ligação simples é
sigma, nas ligações duplas uma é sigma e a outra é pi, e nas triplas, uma é sigma e duas são pi. O que difere
essas ligações é o arranjo espacial. As ligações sigma ocorrem em orbitais que estão no mesmo eixo e, por
isso, a sobreposição é boa. As ligações pi ocorrem em orbitais que estão em paralelo, com isso, a sobreposição
é ruim. Dessa forma, a ligação sigma é mais forte e estável que a ligação pi.
Representação da molécula de CH2=CH2.

OBS. 2: A ligação covalente só é feita entre átomo com elétrons desemparelhados. Por exemplo, o átomo de
flúor possui 1 elétron desemparelhado, podendo fazer apenas uma ligação covalente.

Polaridade de ligações covalentes

Quando uma ligação covalente é formada, deve-se levar em conta a eletronegatividade de cada átomo.
Como visto anteriormente, o flúor é um elemento muito eletronegativo. Quando esse se combina com o hidro-
gênio, forma-se uma ligação covalente chamada de polar. O flúor tem mais tendência de atrair os elétrons
compartilhados que o hidrogênio (que possui menor eletronegatividade). Dizemos que a molécula de HF tem
momento dipolar diferente de zero, ou seja, é uma ligação polar, com os elétrons deslocados para o flúor,
como indica o esquema:

273

Nessa representação, o átomo de flúor está com um maior tamanho apenas para indicar que a nuvem ele-
trônica está deslocada para ele. Não necessariamente seu raio atômico é maior.
No caso de uma molécula formada de dois átomos de hidrogênio não há diferença de eletronegatividade,
então o momento dipolar é igual a zero e dizemos que a ligação é apolar.

Resumindo:

TIPO DE LIGAÇÃO CONDIÇÃO


Covalente polar Diferença de eletronegatividade entre os átomos.
Covalente apolar Átomos iguais.
OBS.: De modo geral, substâncias apolares só conseguem se misturar ou se dissolver em outras substâncias
apolares. Substâncias polares se misturam ou se dissolvem em outras substâncias polares.

3.3.Ligação metálica
Vimos que quando um metal se liga a um ametal, forma-se uma ligação iônica. Quando dois ametais se li-
gam, forma-se uma ligação covalente. Então, quando dois metais se ligam, forma-se a ligação metálica. Na
ligação metálica não existe a formação de moléculas isoladas, ocorre um simples empilhamento de átomos,
formando um retículo cristalino. Como a tendência dos metais é perder elétrons, os átomos ficam “mergulha-
dos” em um “mar” de cargas negativas que circulam livremente pela superfície. Assim, as ligações não são
localizadas ou direcionadas entre dois átomos.
PROPRIEDADE DOS METAIS

São sólidos (com exceção do mercúrio, que é líquido).


Apresentam altos pontos de fusão e ebulição.
São maleáveis (podem ser transformados em lâminas).
São dúcteis (podem ser transformados em fios).
São bons condutores de corrente elétrica e de calor
Apresentam brilho característico

3.4. Forças Intermoleculares


As ligações químicas que estudamos ocorrem entre átomos. No entanto, existem também forças de atração
ou repulsão entre moléculas, que não se devem a ligações químicas, e são chamadas de forças intermolecu-
lares ou interações de Van der Waals. Essas forças podem ser de três tipos, como veremos a seguir.

a. Dipolo permanente – Dipolo permanente

Essa é a atração que ocorre entre moléculas polares. Os dipolos de cargas opostas atraem-se, como indica o
esquema abaixo.

b. Ligação de hidrogênio
274
Essa força intermolecular era conhecida como ponte de hidrogênio, mas esse nome está em desuso. Esse é
um tipo de força do grupo dipolo permanente – dipolo permanente, só que mais forte. Essa interação ocorre
entre moléculas polares que apresentem ligações entre o hidrogênio e átomos muito eletronegativos (F, O, N).
Como os átomos de F, O e N são pequenos e existe grande diferença de eletronegatividade entre eles e o H,
ocorrem polos muito intensos em volumes pequenos. Dessa forma, as ligações de hidrogênio são muito fortes.
Com isso, compostos como H2O, HF e NH3 têm pontos de ebulição anormalmente altos.

Representação de ligações de hidrogênio entre moléculas de água. As esferas vermelhas representam oxigênios e as brancas hidrogênios.
c. Dipolo induzido – Dipolo induzido

Também chamada de Força de dispersão de London, é a atração que ocorre entre moléculas apolares. Esse
tipo de molécula não tem dipolo, no entanto, ao se aproximar, a nuvem eletrônica de uma molécula repele-se
pela nuvem da outra. Com isso, momentaneamente, forma-se um dipolo induzido nas moléculas, fazendo
com elas se atraiam. Essa força intermolecular é muito mais fraca que a dipolo permanente – dipolo perma-
nente. Logo, moléculas com esse tipo de interação têm pontos de fusão e ebulição mais baixos que as molé-
culas polares.

.
Fonte: retirado do material original do EA.

d. Dipolo permanente – Dipolo induzido

É a atração entre uma molécula polar e uma molécula apolar. O dipolo positivo da molécula polar atrai a
nuvem eletrônica da molécula apolar. Isso causa uma deformação da nuvem eletrônica na molécula apolar,
provocando a formação de dipolos induzidos.

3.5. Geometria Molecular


Até o momento, estávamos desenhando as moléculas em fórmulas estruturais planas, ou seja, em duas di-
mensões. No entanto, as moléculas existem em 3D, ou seja, de forma espacial. A regra do octeto não nos
permite entender a distribuição espacial dos átomos nas moléculas. No entanto, lembre-se que as ligações
químicas ocorrem na camada de valência dos elementos e envolvem pares de elétrons. Como os elétrons
possuem cargas negativas, isso significa que eles se repelem. Então, numa molécula com várias ligações
covalentes, a situação mais favorável é aquela em que os elétrons ficam o mais afastados possível um dos
outros. Essa lógica é chamada de Teoria da Repulsão dos Pares Eletrônicos da Camada de Valência (TRPECV) 275
e serve de base para prevermos a geometria das moléculas. No entanto, é preciso tomar cuidado, pois além
dos pares de elétrons ligantes (que fazem ligação), algumas moléculas possuem pares não ligantes (que
não fazem ligação). Os pares não ligantes também sofrem repulsão e devem ser considerados na geometria.
O átomo do meio da estrutura (átomo em que os outros se ligam) chama-se átomo central. Por exemplo, na
molécula abaixo, o nitrogênio é o átomo central e existem três pares ligantes (as três ligações com os hidro-
gênios) e um não ligante (o par que sobra no nitrogênio).

Para conhecermos as geometrias, vamos ver exemplos para cada situação.

3.5.1. Caso 1: moléculas com 2 átomos


Para moléculas com dois átomos a única geometria possível é a linear, em que os átomos estão afastados
180º um do outro. Essa é a maior distância possível entre eles. Um exemplo é a molécula de Cl2, em que só exis-
tem dois átomos ligados.

3.5.2. Caso 2: moléculas com 3 átomos


Nesse caso, a molécula pode ser linear ou angular. Se no átomo central não existir nenhum par não ligante a
molécula será linear com ângulo de 180º. Se a molécula tiver pares não ligantes a geometria será angular, pois
o par não ligante vai repelir as ligações químicas. Nesse caso, o ângulo será entre 104º e 107º, dependendo da
molécula e do número de pares não ligantes. Veja os exemplos abaixo.
Exemplo 1:
Na molécula de CO2 o carbono faz quatro ligações, pois tem apenas quatro elétrons de valência. Já os oxigê-
nios fazem duas ligações cada, pois têm seis elétrons de valência. Logo, a molécula é formada de duas liga-
ções duplas. Perceba que o carbono, átomo central, não tem pares não ligantes, apenas pares ligantes. Com
isso, a maneira mais afastada de manter as ligações é com ângulo de 180º e geometria linear.

Exemplo 2:
Na molécula de H2O o oxigênio faz duas ligações, pois tem apenas seis elétrons de valência. Já os hidrogênios
fazem uma ligação cada, pois têm um elétron de valência e precisam completar dois. Assim, a molécula tem
duas ligações simples. No entanto, no átomo central sobram dois pares de elétrons não ligantes, que vão re-
pelir as ligações. Então, a molécula é angular, com ângulo de 104º.

3.5.3. Caso 3: moléculas com 4 átomos


Nesse caso, a molécula pode ser trigonal plana ou pirâmide trigonal. Se no átomo central não existir par não
ligante, a molécula será trigonal plana, com ângulo de 120º. Se existir par não ligante, a molécula será pirâmide
trigonal, com ângulo de 107º. Veja os exemplos abaixo.
Exemplo 1:
Na molécula de BH3 o boro faz três ligações (esse composto não segue a regra do octeto, pois o boro está com
seis elétrons de valência) e os hidrogênios uma cada. Logo, não sobram pares não ligantes no boro e a molé-
cula é trigonal plana, com ângulo de 120º.
276

Exemplo 2:
Na molécula de NH3 o nitrogênio faz três ligações, pois tem cinco elétrons de valência, e os hidrogênios fazem
uma cada. No entanto, sobra um par de elétrons não ligantes no átomo central. Com isso, a molécula é trigonal
plana ou piramidal, com ângulo de 107º. Veja os dois desenhos abaixo.
3.5.4. Caso 4: moléculas com 5 átomos
Nesse caso, a molécula será tetraédrica, com ângulo de 109º. Essa geometria é muito comum nas moléculas
orgânicas com carbonos saturados (que fazem apenas ligação simples). Veja abaixo o formato da geometria
tetraédrica para duas moléculas orgânicas, o metano (CH4) e o etano (C2H6).

3.5.5. Caso 5: moléculas com 6 átomos


Nesse caso, a molécula será uma bipirâmide trigonal, com ângulos de 90º e 120º. Um exemplo desse caso é o
PCl5. Nesse composto o fósforo faz cinco ligações com átomos de cloro (esse composto também não segue a
regra do octeto, pois o fósforo está com dez elétrons de valência, e chamamos isso de expansão do octeto). A
maneira mais afastada possível de deixar as ligações é conforme o desenho abaixo.

277

3.5.6. Caso 6: moléculas com 7 átomos


Nesse caso, a molécula será octaédrica, com ângulos de 90º. Essa geometria é bastante comum em uma área
da Química chamada Química de Complexos. Existem moléculas com centros metálicos rodeados geralmen-
te por seis ligantes. Um exemplo é a molécula de FeCl6. Veja o desenho abaixo.

Cabe ressaltar que existem outras geometrias além das descritas, mas essas já são suficientes para nós. Ca-
sos diferentes são de previsão mais detalhada e requerem conhecimentos mais avançados.
RESUMO
• Ligações iônicas são feitas entre metais e ametais, existe troca de elétrons e formação de íons de cargas
opostas que se atraem.
• Ligações covalentes são feitas entre ametais e existe compartilhamento de elétrons.
• Ligações metálicas são feitas entre metais, forma-se um “mar” de elétrons e não existem moléculas isola-
das.
• As forças intermoleculares podem ser do tipo dipolo induzido – dipolo induzido, para substâncias apolares,
dipolo permanente – dipolo permanente, para moléculas polares, ou ligação de hidrogênio, para molécu-
las polares que tenham F, O ou N ligados ao H.
• A geometria das moléculas pode ser linear, angular, trigonal plana, piramidal, tetraédrica, bipirâmide trigo-
nal ou octaédrica.

EXERCÍCIOS
Estamos todos conectados

32. (UFRGS 2017) Os elementos X, Y e Z apresentam a) 1 – 4 – 3 – 2


as seguintes configurações eletrônicas:
b) 2 – 3 – 5 – 1
X 1s2 2s2 2p6 3s1
Y 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5
278 Z 1s2 2s2 2p6
c) 2 – 3 – 4 – 5

A respeito desses elementos, pode-se afirmar que: d) 3 – 1 – 5 – 2

a) X e Y tendem a formar ligação iônica. e) 3 – 4 – 2 – 1

b) Y e Z tendem a formar ligação covalente.


34. (UFTM 2012) Os veículos automotivos que usam
c) X não tende a fazer ligações nem com Y nem com combustíveis fósseis são um dos principais respon-
Z. sáveis pela má qualidade do ar das grandes ci-
dades e também contribuem para o aquecimento
d) dois átomos de X tendem a fazer ligação cova- global. Além do gás carbônico (CO2) produzido na
lente entre si. combustão, são formados os óxidos nitrosos, que
participam de reações secundárias com o ar, for-
e) dois átomos de Z tendem a fazer ligação iônica mando ozônio (O3), que causa irritação no sistema
entre si. respiratório, podendo levar a sérios problemas de
redução da capacidade pulmonar. A forma geo-
métrica da molécula de gás carbônico e a polari-
33. (UFRGS 2016) O dióxido de enxofre, em contato dade da molécula de ozônio são, respectivamente:
com o ar, forma trióxido de enxofre que, por sua vez,
em contato com a água, forma ácido sulfúrico. Na a) angular e polar.
coluna da esquerda, abaixo, estão listadas 5 subs-
tâncias envolvidas nesse processo. Na coluna da b) angular e apolar.
direita, características das moléculas dessa subs-
tância. c) linear e polar.
1 - SO
2
( ) tetraédrica, polar
d) linear e apolar.
2 - SO3   ( ) angular, polar
e) trigonal planar e apolar.
3 - H2SO4   ( ) linear, apolar
4 - H2O   ( ) trigonal, apolar
35. (ENEM 2011) A pele humana, quando está bem
5 - O2 hidratada, adquire boa elasticidade e aspecto ma-
A sequência correta de preenchimento dos parên- cio e suave. Em contrapartida, quando está resse-
teses, de cima para baixo, é: cada, perde sua elasticidade e se apresenta opa-
ca e áspera. Para evitar o ressecamento da pele é
necessário, sempre que possível, utilizar hidratantes 37. (UFRGS 2018) Considerando a geometria mole-
umectantes, feitos geralmente à base de glicerina e cular de algumas moléculas e íons, assinale a alter-
polietilenoglicol: nativa que lista apenas as espécies com geometria
trigonal plana.

a) CO2, SO2, SO3

b) O3, NH3, NO3-

c) NO3- , O3, CO2

d) NH3, BF3, SO3

e) SO3, NO3- , BF3

A retenção de água na superfície da pele promovi- 38. (ENEM-PPL 2021) Um princípio importante na
da pelos hidratantes é consequência da interação dissolução de solutos é que semelhante dissol-
dos grupos hidroxila dos agentes umectantes com ve semelhante. Isso explica, por exemplo, o açúcar
a umidade contida no ambiente por meio de se dissolver em grandes quantidades na água, ao
passo que o óleo não se dissolve.
a) Ligações iônicas.

b) Forças de London.

c) Ligações covalentes.

d) Forças dipolo-dipolo.

e) Ligações de hidrogênio.

36. (UFRGS 2016) Apreciadores de arte observaram


que famosas telas do pintor holandês Van Gogh
estavam mudando de cor, com efeito mais pro-
nunciado nos tons roxos que passavam a azuis e 279
nos vermelhos que estavam desaparecendo. Quí-
.
micos descobriram que o problema ocorre com o
Pb3O4 presente no pigmento das tintas. Quando A dissolução na água, do soluto apresentado, ocor-
exposto à luz e ao gás carbônico, uma série de re- re predominantemente por meio da formação de
ações consecutivas transforma o pigmento em ou-
tros compostos de chumbo que são esbranquiça- a) ligações iônicas.
dos, fazendo com que a tinta original perca seu tom
característico. b) ligações covalentes.
Entre os compostos presentes nesse processo, é
c) interações íon-dipolo.
possível encontrar:
1 - Pb3O4 d) ligações de hidrogênio.
2 - PbO
e) interações hidrofóbicas.
3 - CO2
4 - Pb(OH)2 39. (UFRGS 2024) Considere a seguinte escala de
5 - PbCO3 energia (em kJ mol-1) para as forças inter e intra-
moleculares mais relevantes que podem ocorrer
Assinale a afirmação correta sobre essas substâncias. nas moléculas: covalente, dipolo-dipolo, iônica, dis-
persão e ligações de hidrogênio.
a) As substâncias 3 e 5 são consideradas molecu-
lares.

b) As substâncias 1 e 3 são apolares com baixos


pontos de ebulição.

c) Apenas a 4 é considerada substância iônica.

d) As substâncias 2 e 5 apresentam chumbo em di- A energia das forças dipolo-dipolo e covalente cor-
ferentes estados de oxidação. responderia, respectivamente, às regiões assinala-
das pelas letras:
e) As substâncias 4 e 5 são praticamente insolúveis
em água.
a) A e C. O conceito químico, associado a essa tira, pode ser
interpretado como:
b) A e E.
a) substâncias apolares são menos densas que a
c) B e D. água.

b) substâncias polares são geralmente solúveis em


d) C e B.
água.
e) D e E. c) substâncias polares são mais densas que subs-
tâncias apolares.
40. (UFPR 2021) O hexafluoreto de tungstênio é d) substâncias apolares são mais solúveis em água
empregado na indústria de semicondutores para que polares.
formar filmes metálicos de tungstênio que servem
de condutores elétricos. O composto é apropriado e) substâncias polares e apolares são miscíveis
para tal aplicação por ser um gás nas condições entre si.
ambientes e reagir na presença do silício de dispo-
sitivos semicondutores. A estrutura do hexafluoreto
de tungstênio que melhor explica as propriedades 43. (USP 2021) Em aquários de água marinha, é co-
citadas é a de: mum o uso do equipamento chamado “Skimmer”,
aparato em que a água recebe uma torrente de
a) estrutura polimérica ligada covalentemente. bolhas de ar, como representado na figura, levando
a matéria orgânica até a superfície, onde pode ser
b) flúor e tungstênio formando ligação metálica. removida. Essa matéria orgânica eliminada é com-
posta por moléculas orgânicas com parte apolar
c) fluoreto e tungstênio formando ligação iônica. e parte polar, enquanto as bolhas formadas têm
caráter apolar. Esse aparelho, no entanto, tem ren-
d) tungstênio metálico dopado com átomos de dimento muito menor em aquários de água doce
flúor. (retira menos quantidade de material orgânico por
período de uso).
e) molécula discreta formada por ligações cova-
lentes. Considerando que todas as outras condições são
mantidas, o menor rendimento desse aparato em
água doce do que em água salgada pode ser ex-
41. (UFMG 2022) Assinale a alternativa que apre- plicado porque:
280 senta corretamente a geometria molecular dos
compostos tetrafluoreto de silício (SiF4), pentaclo-
reto de fósforo (PCl5), hidreto de fósforo (PH3) e íon
nitrito (NO2-), respectivamente:

a) Tetraédrica, piramidal quadrada, trigonal planar


e forma de “T”.

b) Tetraédrica, bipirâmidal, pirâmidal e angular.

c) Pirâmidal trigonal, bipiramidal trigonal, pirâmidal


e trigonal planar.

d) Tetraédrica, bipiramidal trigonal, trigonal planar


e angular

42. (UFRGS 2019) Considere a tira abaixo.

a) a polaridade da molécula de água na água


doce é maior do que na água salgada, tornan-
do as partes apolares das moléculas orgânicas
mais solúveis.

b) a menor concentração de sais na água doce


torna as regiões apolares das moléculas orgâni-
cas mais solúveis do que na água salgada, pre-
judicando a interação com as bolhas de ar.

c) a água doce é mais polar do que água salgada


por ser mais concentrada em moléculas pola-
res como a do açúcar, levando as partes polares
das moléculas orgânicas a interagir mais com a
água doce.
d) a reatividade de matéria orgânica em água sal- Esse composto químico contém em sua fórmula li-
gada é maior do que em água doce, fazendo gações:
com que exista uma menor quantidade de ma-
terial dissolvido para interação com as bolhas a) iônicas apenas.
de ar.
b) covalentes apenas.
e) a concentração de sais na água marinha é
maior, o que torna as partes apolares das molé- c) covalentes e iônicas.
culas orgânicas mais propensas a interagir com
os sais dissolvidos, promovendo menor intera- d) covalentes e de Van der Waals.
ção com as bolhas de ar.
e) iônicas e de Van der Waals.

44. (UFPR 2018) A usina de energia de Hellisheidi,


na Islândia, vem testando um novo método para 46. (UFPR 2017) Os mexilhões aderem fortemente às
combater o aquecimento global: transformar o gás rochas através de uma matriz de placas adesivas
carbônico (CO2) em pedra. O processo ocorre em que são secretadas pela depressão distal localiza-
duas etapas: primeiro o CO2 é dissolvido em água da na parte inferior do seu pé. Essas placas adesi-
em altas pressões (25 bar) e depois injetado no vas são ricas em proteínas, as quais possuem em
solo numa temperatura de 230ºC. A mineralização abundância o aminoácido L-Dopa. Esse aminoáci-
do gás carbônico ocorre de maneira rápida, devido do possui, em sua cadeia lateral, um grupo cate-
à reatividade e composição do solo da região, rica chol (dihidroxibenzeno), que tem papel essencial na
em ferro, cálcio e magnésio. As duas etapas da re- adesão do mexilhão à superfície rochosa. A figura
moção de CO2 estão esquematizadas de maneira ilustra um esquema da placa adesiva do mexilhão
simplificada logo abaixo: e um esquema da principal interação entre o grupo
catechol e a superfície do óxido de titânio, que re-
presenta uma superfície rochosa. A adesão do me-
xilhão à rocha deve-se principalmente à interação
intermolecular do tipo:

281

A remoção desse gás da atmosfera ocorre por:

a) formação de composto iônico.

b) reação de oxidorredução.

c) ligação covalente com a rocha.

d) alteração do estado de agregação.

e) adsorção de CO2 numa matriz porosa a) ligação de hidrogênio.

b) interação íon-dipolo.
45. (UFPR2022) O Paraquat ou dicloreto de
1,1’-dimetil-4,4’-bipiridínio, cuja estrutura é mostra- c) dispersão de London.
da na figura abaixo, é um herbicida que foi ampla-
mente utilizado na agricultura devido ao baixo cus- d) interação eletrostática.
to e à grande eficácia. No entanto, o pesticida foi
proibido no Brasil em 2020, mas o setor sojeiro vem e) dipolo permanente-dipolo induzido.
pressionando para reverter essa decisão, alegando
que a falta do produto compromete a produção do
grão. O Paraquat foi proibido após a divulgação de
pesquisas que comprovam a relação entre o pesti-
cida e o desenvolvimento da doença de Parkinson e
de mutações genéticas que podem causar câncer.
GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
A D D A D C D E E C
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
D B A D B C C B D A
21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30.
A D E B A B A B C A
31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40.
D A D C E E E D D E
41. 42. 43. 44. 45. 46.
B B B A C A

282
283
Química Orgânica

284
QUÍMICA - QUÍMICA ORGÂNICA

AUTOR: Rodrigo de Souza Rocha


SUMÁRIO
AQUECIMENTO GLOBAL E TEMPERATURAS EXTREMAS

1. Química Orgânica
1.1. Histórico
1.2. Postulados da Química Orgânica
1.3. Representação das cadeias carbônicas
1.4. Classificação do átomo de carbono
1.5. A hibridação do carbono
1.5.1. A hibridação sp3
1.5.2. A hibridação sp2
1.5.3. A hibridação sp
1.6. Classificação das cadeias carbônicas

Resumo

Exercícios

O PETRÓLEO VAI ACABAR

2. Hidrocarbonetos
2.1. Alcanos
2.2. Alcenos
2.3. Alcinos
2.4. Alcadienos ou dienos
2.5. Ciclanos ou cicloalcanos
2.6. Ciclenos ou cicloalcenos 285
2.7. Aromáticos
2.8. Nomenclatura dos hidrocarbonetos
2.8.1. Cadeias normais
2.8.2. Cadeias ramificadas
2.8.3. Compostos aromáticos
2.9. Os hidrocarbonetos no nosso dia a dia

Resumo

Exercícios

PETRÓLEO: A RIQUEZA QUE MATA NOSSO PLANETA E ESVAZIA NOSSO BOLSO

3. Petróleo
3.1. Craqueamento do petróleo

Resumo

Exercícios

Gabarito
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Aquecimento global e temperaturas


extremas
Maria acordou cedo, como de costume, para pegar o
ônibus para a escola. Mas aquele dia parecia diferente.
Assim que abriu a janela, sentiu um calor intenso, mui-
to mais forte do que o habitual. O sol, ainda nascendo,
já queimava sua pele, e o ar parecia pesado e seco. O
termômetro na rua marcava 39°C, e ainda nem eram 7
da manhã. Maria suspirou, sentindo o suor se formar na
testa antes mesmo de sair de casa. No ponto de ônibus,
ela se abrigou na sombra de uma árvore, que já não ofe-
recia tanto alívio. Enquanto esperava, viu uma manchete
no celular: “Queimadas na Amazônia e no Pantanal al-
cançam níveis alarmantes”. Aquilo chamou sua atenção.
As notícias falavam sobre incêndios descontrolados,
agravados pela seca e pelo desmatamento.
Maria lembrou das aulas de ciências, onde o professor
explicava como a destruição das florestas contribui para
o aquecimento global, que estava tornando os dias como
aquele cada vez mais frequente. Ela sabia que as árvores da Amazônia e do Pantanal funcionavam como o
“ar-condicionado” do planeta, absorvendo o carbono e ajudando a manter o clima equilibrado. Mas, com as
queimadas, mais CO2 era liberado, agravando o efeito estufa e tornando as ondas de calor mais intensas.
E agora, ela sentia na pele o resultado disso. O ônibus finalmente chegou, e Maria entrou, mas com um pensa-
mento inquieto. Ela se perguntou o que seria de seu futuro se as coisas continuassem daquele jeito. Se as flo-
restas continuassem a queimar, e o planeta a esquentar, como seria viver em um mundo onde o calor extremo
fosse a nova realidade? Ela sabia que as mudanças climáticas não eram um problema distante, mas algo que
já estava afetando seu dia a dia.

286

PARA REFLETIR!

Você já conversou com algum familiar mais velho sobre como eram as condições climáticas na época
em que ele estava na escola?

1. O que as ações humanas têm a ver com isso?

2. O que estamos provocando e quais suas consequências?

Neste momento discutiremos algumas questões sobre o ponto de vista da ecologia, que nos permitirá
refletir um pouco sobre as questões propostas.

A história de Maria e as queimadas na Amazônia e no Pantanal podem ser


relacionadas ao estudo de compostos orgânicos em química. A matéria
orgânica das florestas, como as árvores e plantas, é composta principal-
mente por hidrocarbonetos e outros compostos de carbono. Quando ocor-
rem queimadas, essas substâncias sofrem combustão, liberando dióxido
de carbono (CO₂) e outros gases de efeito estufa na atmosfera. Esses pro-
cessos químicos intensificam o aquecimento global e o desequilíbrio am-
biental. Assim, o estudo dos compostos orgânicos e suas reações, como
a combustão, é fundamental para compreender o impacto das atividades
humanas nas mudanças climáticas.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. QUÍMICA ORGÂNICA

1.1. Histórico
A Química Orgânica é o ramo da Química que estuda os compostos contendo carbono, incluindo suas estru-
turas, propriedades, reações e síntese. Esses compostos podem variar de moléculas simples, como metano, a
complexas, como proteínas e DNA. Estudamos a Química Orgânica porque ela é fundamental para a compre-
ensão dos processos biológicos e da vida, além de ser crucial para a criação de novos materiais, medicamen-
tos, plásticos, combustíveis e outros produtos essenciais. Através desse conhecimento, podemos desenvolver
soluções inovadoras em áreas como saúde, agricultura, energia e meio ambiente, impactando significativa-
mente nosso cotidiano e progresso tecnológico.
A Química Orgânica estuda os compostos que possuem em sua composição o elemento químico carbono,
porém existem substâncias que se enquadram nessa definição e não são consideradas substâncias orgâni-
cas. São elas: os carbonatos (substâncias que possuem como ânion o CO3-), CO2, CO, cianetos (CN-), bicarbo-
natos (HCO3-), H2CO3, C(gr) (carbono grafite) e C(d) (carbono diamante). Estas substâncias são consideradas
compostos inorgânicos.
Os compostos orgânicos, em comparação aos compostos inorgânicos, são mais abundantes na na-
tureza e em nosso dia a dia, o que se deve a capacidade que o átomo de carbono possui de formar cadeias
associado a sua tetravalência. Os compostos orgânicos normalmente não conduzem corrente elétrica e ge-
ralmente possuem menor ponto de ebulição, se comparados aos compostos inorgânicos. Em 1807, o sueco Ja-
cob Berzélius (1779-1848) formulou a Teoria da Força Vital, na qual considerava que apenas seres vivos, como
animais e plantas, eram capazes de sintetizar compostos orgânicos. Berzélius considerava nessa teoria que
os organismos vivos continham uma energia, que era transmitida aos compostos orgânicos produzidos pelos
mesmos, e estava relacionada a força vital do organismo vivo.
Em 1828, o alemão Friedrich Wöhler (1800-1882), que tinha sido aluno de Berzélius, conseguiu sintetizar em la-
boratório a ureia (substância orgânica) a partir do cianato de amônio (substância inorgânica), de acordo com
a reação química abaixo:
287
NH2
+ - Δ
NH4 CNO O C
NH2
cianato de amônio uréia
inorgânico orgânico

Dica do professor!

Para a classificação dos carbonos, o que vale é a ligação carbono-carbono.

Dessa forma, Wöhler comprovou que não somente organismos vivos sintetizavam compostos orgânicos, mas
que os mesmos poderiam ser sintetizados em laboratório a partir de substâncias inorgânicas, sem necessi-
dade da força vital.
Em 1858, o cientista alemão Friedrich August Kekulé (1829-1896) publicou na literatura um estudo sobre subs-
tâncias que possuíam carbono em sua composição como sendo o estudo de Química Orgânica. Assim, pas-
sou a figurar como um ramo da Química, o qual estuda os compostos de carbono.

1.2. Postulados da Química Orgânica


O elemento central da Química Orgânica é o carbono, pois ele é um elemento muito versátil. Kekulé, em seus
estudos de 1858, elaborou três postulados sobre o carbono, os quais são usados até hoje:
Tetravalência: o elemento químico carbono, que está no grupo 14 (4A) da tabela periódica, tem 4 elétrons de
valência (6C: 1s2 2s2 2p2), dessa forma tem a capacidade de fazer quatro ligações químicas, que podem ser
distribuídas das formas abaixo:
Quatro ligações simples (chamadas de sigma):

Duas ligações simples e uma dupla (na ligação dupla uma é chamada de sigma e a outra de pi):

Uma ligação simples e uma tripla (nesse caso uma é chamada de sigma e as outras duas de pi):

Duas ligações duplas:

288

As quatro valências do átomo de carbono são equivalentes. O carbono pode se ligar a praticamente qualquer
tipo de átomo, liga-se com elementos muito eletronegativos, como o F, ou pouco eletronegativos, como o H.
Os átomos de carbono podem ligar-se entre si, formando cadeias. Conforme mostrado abaixo:

C C

C C C C

1.3. Representação das cadeias carbônicas


As cadeias carbônicas podem ser representadas de três formas:
Fórmula estrutural plana: todas as ligações químicas são representadas. Veja o exemplo para a molécula de
butano:

Fórmula condensada: as ligações entre carbonos e hidrogênio não são mostradas. Utiliza-se um índice ao lado
dos hidrogênios para indicar quantos átomos são. Veja o exemplo para a molécula de butano:
Fórmula de traços: representam-se apenas as ligações entre carbonos, sendo que cada ponta, a cada inflexão
da linha corresponde a um carbono. Os hidrogênios são omitidos. Veja o exemplo para a molécula de butano:

1.4. Classificação do átomo de carbono


O átomo de carbono pode ser classificado quanto a:
Sua posição na cadeia: podendo ser primário, secundário, terciário ou quaternário. Carbono primário é aquele
que está isolado ou ligado a somente um átomo de carbono, carbono secundário é aquele que está ligado a
dois átomos de carbono, carbono terciário é aquele que está ligado a três átomos de carbono, carbono qua-
ternário é aquele que está ligado a quatro átomos de carbono.

Veja um exemplo de cada tipo de carbono:

C2H5
1 2 3 4
H3C CH CH2 C CH3

CH3

Em que: 1 – carbono primário, 2 – carbono terciário, 3 – carbono secundário, 4 – carbono quaternário.

Ao tipo de ligação: sendo carbono insaturado o que apresenta dupla ou tripla ligação e carbono saturado o 289
que apresenta apenas ligações simples.
1 2 3 4 5
H 2C CH C C CH 3

Note que os carbonos 1 e 2 fazem uma dupla ligação, por isso são classificados como insaturados, assim como
os carbonos 3 e 4 que fazem uma tripla ligação. Já o carbono 5 é saturado.

ATENÇÃO!

Atenção, classificação da saturação do carbono,


o que vale é a ligação carbono-carbono somente.

1.5. A HIBRIDAÇÃO DO CARBONO


Em 1930, Linus Pauling introduziu o conceito de hibridação para explicar a formação de ligações químicas. Hi-
bridação é a mistura de orbitais atômicos em um átomo para gerar novos orbitais chamados híbridos.
Para o entendimento da teoria da Hibridação, é necessário conhecer alguns conceitos básicos referentes ao
comportamento de elétrons e orbitais, como:
Princípio da exclusão de Pauli: determina que em cada orbital só existem no máximo dois elétrons de spins
contrários.
Ligações covalentes são feitas utilizando elétrons desemparelhados.
Moléculas cujos átomos centrais possuem sobra de pares de elétrons, considera-se que esses pares livres
residem em orbitais do tipo sigma.
Para o carbono estudaremos, a seguir, três tipos de hibridação.
1.5.1. A hibridação sp3
A configuração eletrônica do carbono é dada abaixo:

Então, de acordo com a situação dos elétrons demonstrada acima, o carbono pode fazer duas ligações cova-
lentes, já que existem apenas dois elétrons desemparelhados. Então, como explicar a formação de moléculas
com carbono fazendo 4 ligações? Vamos explicar primeiramente moléculas em que o carbono faz 4 ligações
simples (sigma).
Para o átomo de carbono, primeiramente ocorre uma transição do elétron situado no orbital 2s para o orbital
2pz (formando o chamado estado excitado). Entretanto, para haver a formação de 4 ligações sigma, devem-
-se ter 4 elétrons desemparelhados em 4 orbitais de mesma energia (chamados orbitais degenerados). Então,
ocorre a mistura de 4 orbitais, sendo um do tipo s e três do tipo p, para formar 4 orbitais do tipo sp3. Para faci-
litar essa explicação, acompanhe o esquema abaixo:

290

Estado fundamental: os elétrons residem nos orbitais 1s, 2s, 2px e 2py, havendo apenas dois elétrons desempa-
relhados para a formação de duas ligações covalentes.
Estado Excitado: com a aproximação dos átomos de hidrogênio (ou de outros átomos que formam apenas
uma ligação covalente, tipo F, Cl, Br, I, etc), ocorre a transição de um elétron do orbital 2s do átomo de carbono,
para um orbital p vazio (no caso o pz), fazendo com que existam 4 elétrons desemparelhados, entretanto com
energias diferentes.
Estado Híbrido: ocorre, então, a mistura dos três orbitais p com o 2s, tendo-se quatro orbitais do tipo sp3 (1 orbi-
tal s + 3 orbitais p) com energias iguais e cada um com 1 elétron disponível para fazer a ligação sigma.
Dessa forma, o carbono faz 4 ligações simples. Os orbitais híbridos farão com que o carbono tenha uma geo-
metria tetraédrica, com ângulo de ligação igual a 109º. Veja o esquema abaixo:
1.5.2. A hibridação sp2
Quando o carbono faz uma ligação dupla ocorre a formação de 3 ligações sigma e uma ligação pi. Entretanto,
para haver a formação destas ligações, devem-se ter 4 elétrons desemparelhados, 3 em orbitais de energia
mais baixa (sigma) e 1 em orbital de energia mais alta (pi). Então, ocorre a mistura de 3 orbitais, sendo um do
tipo s e dois do tipo p, para formar 3 orbitais do tipo sp2. Acompanhe novamente o esquema abaixo:

Assim como no caso da hibridação sp3, os elétrons residem nos orbitais 1s, 2s, 2px e 2py, havendo apenas 2
elétrons desemparelhados para a formação de 2 ligações covalentes. O estado excitado também continua
sendo a transição de um elétron do orbital 2s do átomo de carbono, para um orbital p vazio (no caso o pz),
fazendo com que existam 4 elétrons desemparelhados, entretanto com energias diferentes. Ocorre, então, a
mistura do orbital px e py com o 2s, tendo-se 3 orbitais do tipo sp2 (1 orbital s + 2 orbitais p) com energias iguais
e cada um com 1 elétron disponível para fazer as ligações sigma. O orbital restante é do tipo p puro e formará
a ligação pi, de energia mais alta.
A molécula terá geometria trigonal plana, com ângulo de 120º. Veja o esquema abaixo:
291

1.5.3. A hibridação sp
Para moléculas em que o carbono faz 2 ligações duplas ou uma tripla e uma simples formam-se 2 ligações
pi e 2 sigma. Entretanto, para haver a formação destas ligações, devem-se ter 4 elétrons desemparelhados,
2 em orbitais de energia mais baixa (sigma) e 2 em orbital de energia mais alta (pi). Então, ocorre a mistura
de 2 orbitais, sendo um do tipo s e um do tipo p, para formar 2 orbitais do tipo sp. Acompanhe novamente o
esquema abaixo
Os elétrons residem nos orbitais 1s, 2s, 2px e 2py, havendo apenas 2 elétrons desemparelhados para a forma-
ção de duas ligações covalentes. O estado excitado representa a transição de um elétron do orbital 2s do áto-
mo de carbono, para um orbital p vazio (no caso o pz), fazendo com que existam 4 elétrons desemparelhados,
entretanto com energias diferentes. Ocorre, então, a mistura do orbital px com o 2s, tendo-se 2 orbitais do tipo
sp (1 orbital s + 1 orbital p) com energias iguais e cada um com 1 elétron disponível para fazer as ligações sig-
ma. Os orbitais restantes são do tipo p puro e formarão as ligações pi, de energia mais alta.
A molécula terá geometria linear, com ângulo de 180º. Veja o esquema abaixo:

292

Resumindo:

HIBRIDAÇÃO GEOMETRIA TIPOS DE LIGAÇÃO


sp3 Tetraédrica 4 ligações simples

sp2 Trigonal plana 1ligação dupla e 2 simples

sp Linear 2 ligações duplas ou 1 simples e 1 tripla


1.6. Classificação das cadeias carbônicas
As cadeias podem ser classificadas em:

a) Aberta ou fechada
A cadeia aberta pode ser chamada também de alifática ou acíclica e possui todas as extremidades livres,
como nos mostram os exemplos abaixo:

CH3 O CH3

OH

A cadeia fechada pode também ser chamada de cíclica. A cadeia é considerada fechada quando possui
átomos de carbono ligados entre si, sem extremidades livres formando um ciclo.
Existem dois tipos de cadeia fechada a alicíclica (fechada, mas não possui anel aromático), como nos
mostram os exemplos:
H2C CH 2

H2C CH 2

E as fechadas aromáticas, que são aquelas que possuem uma cadeia fechada em sua estrutura. Porém,
essa cadeia se refere a presença de um anel aromático em sua estrutura, também conhecido por núcleo
aromático, benzeno ou anel benzênico. O benzeno pode ser representado de acordo com as estruturas: 293
H
H C H
C C

C C
H C H

As duplas ligações não estão fixas na estrutura, os elétrons das ligações pi (π) se encontram deslocaliza-
dos, chamamos a isso de ressonância.
Em um composto aromático, os anéis aromáticos podem estar condensados ou isolados. Exemplo:

Núcleos condensado Núcleos isolados


Os compostos aromáticos também são classificados em mononucleares ou polinucleares.
Os mononucleares possuem somente um anel aromático. Exemplo:

OH

CH3

Os polinucleares contêm dois ou mais anéis aromáticos. Exemplo:

b) Ramificada ou normal
Cadeia normal é aquela que possui somente carbonos primários e secundários em sua estrutura, não pos-
suindo ramificações de carbono. É importante ressaltar que só são consideradas ramificações que conte-
nham carbonos. Exemplos:

OH O

CH3 CH2 CH2 CH3 OH

Cadeia ramificada é aquela que apresenta ramificações de carbono e possuem carbonos terciários ou
quaternários em sua estrutura. Exemplos:

294 CH3

CH3 CH CH2 CH3

c) Homogênea ou heterogênea
Homogênea é a cadeia que não possui heteroátomos (átomos diferentes de carbono) entre os átomos de
carbono. É importante ressaltar que átomos diferentes do carbono nas pontas da cadeia não são conside-
rados heteroátomos. Exemplos:

OH O CH3

OH CH3 CH CH2 CH3

Heterogênea é a cadeia que possui heteroátomos entre os átomos de carbono na cadeia. Exemplos:

O N

d) Saturada ou insaturada
Cadeia saturada é aquela que possui somente simples ligações entre os átomos de carbono. Pode até
existir uma dupla, desde que não seja entre carbonos. Exemplo:

O
CH3 CH2 C
OH
Cadeia insaturada: é aquela que possui duplas ou triplas ligações entre os átomos de carbono. Exemplos:

CH 2 CH CH3 CH3

e) Cadeia Mista
Em Química Orgânica, uma cadeia mista é uma cadeia carbônica que apresenta segmentos lineares, e
fechados em sua estrutura. Isso significa que parte da cadeia é formada por uma sequência contínua de
átomos de carbono, e também inclui ciclos ou anéis carbônicos, onde os átomos de carbono se conectam
formando uma estrutura fechada. Essa combinação de diferentes tipos de cadeias na mesma molécula
pode influenciar significativamente suas propriedades físicas e químicas.

Exemplos:

SAIBA MAIS!
Site interativo para montagem de moléculas: Disponível em: https://molview.org. 295
Acesso em: ago. 2024.

RESUMO
• O carbono faz quatro ligações químicas, podendo fazer ligações simples, duplas ou triplas, o que faz com
que tenha hibridações diferentes.
• O carbono pode ser primário, secundário, terciário ou quaternário.
• O carbono forma cadeias, que podem ser classificadas de acordo com o esquema:
EXERCÍCIOS
Química Orgânica

1. (ENEM 2013) As moléculas de nanoputians lembram figuras humanas e foram criadas para estimular o inte-
resse de jovens na compreensão da linguagem expressa em fórmulas estruturais, muito usadas em química
orgânica. Um exemplo é o NanoKid, representado na figura:

Em que parte do corpo do NanoKid existe carbono quaternário?

a) mãos

b) cabeça

c) tórax
296 d) abdômen

e) pés

2. (ENEM 2014) O estudo de compostos orgânicos permite aos analistas definir propriedades físicas e químicas
responsáveis pelas características de cada substância descoberta. Um laboratório investiga moléculas quirais
cuja cadeia carbônica seja insaturada, heterogênea e ramificada. A fórmula que se enquadra nas caracterís-
ticas da molécula investigada é:

a) CH3 – (CH)2 – CH(OH) – CO – NH – CH3 .

b) CH3 – (CH)2 – CH(CH3) – CO – NH – CH3 .

c) CH3 – (CH)2 – CH(CH3) – CO – NH2 .

d) CH3 – CH2 – CH(CH3) – CO – NH – CH3 .

e) C6H5 – CH2 – CO – NH – CH3

3. (UFRGS 2017) A geosmina é a substância responsável pelo cheiro de chuva que vem do solo quando começa
a chover. Ela pode ser detectada em concentrações muito baixas e possibilita aos camelos encontrarem água
no deserto.
A bactéria Streptomyces coelicolor produz a geosmina, e a última etapa da sua biossíntese é mostrada abaixo.
Considere as seguintes informações, a respeito da 8,10-dimetil-1-octalina e da geosmina.
I - A 8,10-dimetil-1-octalina é um hidrocarboneto alifático insaturado.
II - A geosmina é um heterociclo saturado.
III - Cada um dos compostos apresenta um carbono quaternário.
Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas III.

d) Apenas I e II.

e) I, II e III.

4. (ENEM 2009) O ácido acetilsalicílico (AAS) é uma substância utilizada como fármaco analgésico no alívio
das dores de cabeça. A figura abaixo é a representação estrutural da molécula do AAS.

Considerando-se essa representação, é correto afirmar que a fórmula molecular do AAS é:

a) C7O2H3COOH.

b) C7O2H7COOH. 297
c) C8O2H3COOH.

d) C8O2H7COOH.

e) C8O2H16COOH.

5. (ENEM 2013) A qualidade de óleos de cozinha, compostos principalmente por moléculas de ácidos graxos,
pode ser medida pelo índice de iodo. Quanto maior o grau de instauração da molécula, maior o índice de iodo
determinado e melhor a qualidade do óleo. Na figura, são apresentados alguns compostos que podem estar
presentes em diferentes óleos de cozinha:

Dentre os compostos apresentados, os dois que proporcionam melhor qualidade para os óleos de cozinha são
os ácidos:

a) esteárico e oleico.

b) linolênico e linoleico.

c) palmítico e esteárico.

d) palmítico e linolênico.
6. (ENEM 2017) O hidrocarboneto representado pela estrutura química a seguir pode ser isolado a partir de
folhas ou das flores de determinadas plantas. Além disso, sua função é relacionada, entre outros fatores, a seu
perfil de instaurações. Considerando esse perfil específico, quantas ligações pi a molécula contém?

a) 1 b) 2 c) 4 d) 6 e) 7

7. (ENEM 2018) O grafeno é uma forma alotrópica do carbono constituído por uma folha planar (arranjo bidi-
mensional) de átomos de carbono compactados e com a espessura de apenas um átomo. Sua estrutura é
hexagonal, conforme figura.

Nesse arranjo, os átomos de carbono possuem hibridação

a) sp de geometria linear.

b) sp2 de geometria trigonal planar.

c) sp3 alternados com carbonos com hibridação sp de geometria linear.

298 d) sp3d de geometria planar.

e) sp3d2 com geometria hexagonal planar.

8. (UFPR 2013) O átomo de carbono sofre três tipos de hibridação: sp3, sp2 e sp. Essa capacidade de combina-
ção dos orbitais atômicos permite que o carbono realize ligações químicas com outros átomos, gerando um
grande número de compostos orgânicos. A seguir são ilustradas estruturas de dois compostos orgânicos que
atuam como hormônios.

Acerca da hibridação dos átomos de carbono nos dois hormônios, considere as seguintes afirmativas:
1. A testosterona possui dois átomos de carbono com orbitais híbridos sp2.
2. A progesterona possui quatro átomos de carbono com orbitais híbridos sp2.
3. Ambos os compostos apresentam o mesmo número de átomos de carbono com orbitais híbridos sp3.
4. O número total de átomos de carbono com orbitais híbridos sp3 na testosterona é 16.
Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.


c) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.

e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.

9. (UFRGS) A síntese da ureia, a partir de cianato de amônio como reagente, segundo a equação a seguir, de-
senvolvida por Wöhler, em 1828, foi um marco na história da Química porque:
NH4+ CNO-  CO(NH2)2

a) Foi a primeira síntese realizada em laboratórios.

b) Demonstrou que os compostos iônicos geram substâncias moleculares quando aquecidos.

c) Provocou a possibilidade de se sintetizar composto orgânicos a partir de inorgânicos.

d) Trata-se do primeiro caso de equilíbrio químico homogêneo descoberto.

e) Provocou que o sal de amônio possui estrutura interna covalente.

10. (UFPI 2008) O Viagra, um dos medicamentos mais conhecidos no mundo, indicado para o tratamento da
disfunção erétil, tem como princípio ativo o sildenafil (estrutura abaixo), na forma de citrato. Nesta molécula, o
número de átomos de carbono com hibridação sp2, é igual a:

299

a) 8 b) 9 c) 10 d) 11 e) 12

11. (UFPE 2004) O β-caroteno, precursor da vitamina A, é um hidrocarboneto encontrado em vegetais, como a
cenoura e o espinafre. Seguindo a estrutura abaixo, indique quais os tipos de hibridação presentes no β -ca-
roteno.

a) sp2 e sp3.

b) somente sp2.

c) sp e sp2

d) sp, sp2 e sp3.

e) sp e sp3.
12. (ENEM 2014) O estudo de compostos orgânicos permite aos analistas definir propriedades físicas e quími-
cas responsáveis pelas características de cada substância descoberta. Um laboratório investiga moléculas
quirais cuja cadeia carbônica seja insaturada, heterogênea e ramificada. A fórmula que se enquadra nas ca-
racterísticas da molécula investigada é:

a) CH3–(CH)2–CH(OH)–CO–NH–CH3.

b) CH3–(CH)2–CH(CH3)–CO–NH–CH3.

c) CH3–(CH)2–CH(CH3)–CO–NH2.

d) CH3–CH2–CH(CH3)–CO–NH–CH3.

e) C6 H5–CH2–CO–NH–CH3.

13. (UFU 2002) O Estradiol, um hormônio esteroide de fundamental importância no desenvolvimento dos ca-
racteres sexuais femininos e na própria fisiologia da reprodução, possui a seguinte fórmula estrutural:

Com referência a esse composto, pode-se afirmar que ele:

a) não possui átomos de carbono com geometria tetraédrica.

b) possui fórmula molecular C17H22O2.

300 c) não apresenta interações do tipo ligação de hidrogênio.

d) possui 6 átomos de carbono com hibridação sp2.

14. (UFRGS 2019) Recentemente, estudantes brasileiros foram premiados pela NASA (Agência Espacial Ame-
ricana) pela invenção de um chiclete de pimenta, o “Chiliclete”, que auxilia os astronautas a recuperarem o
paladar e o olfato. A capsaicina, molécula representada abaixo, é o componente ativo das pimentas.

A cadeia carbônica desse composto pode ser classificada como:

a) alifática, ramificada e homogênea.

b) aromática, ramificada e homogênea.

c) alicíclica, linear e insaturada.

d) mista, insaturada e heterogênea.

e) acíclica, linear e heterogênea.


PROBLEMATIZAÇÃO 2

O petróleo vai acabar

Durante uma visita à biblioteca, João se deparou com


uma revista que trazia uma matéria sobre o petróleo e
sua importância para o mundo moderno, inclusive, dizia
nessa revista que um dia essa substância vai acabar no
mundo e que, se usada de forma incorreta e desequili-
brada, contamina nosso planeta, matando fauna e flo-
ra e, por que não dizer, nós mesmos. Curioso, ele come-
çou a ler sobre como o petróleo é utilizado para produzir
combustíveis, plásticos e muitos outros produtos e se deu
conta que quase tudo a sua volta tem algum elemento
que deriva do petróleo. No entanto, uma pergunta não
saía de sua cabeça: “De que exatamente o petróleo é for-
mado?”. Ele sabia que o petróleo vinha das profundezas
da Terra, mas não entendia bem sua composição. A ma-
téria falava sobre como ele se formava ao longo de mi-
lhões de anos, a partir de restos de organismos antigos,
mas João queria entender mais sobre as moléculas que
compunham essa substância tão essencial e entender
como ela se mistura com o seu próprio modo de vier e
estar no mundo.

PARA REFLETIR!

1. Você já percebeu, assim como o João, que temos muitos materiais derivados do Petróleo em nosso
dia a dia? Liste alguns que se lembre agora. 301

2. O que você pensaria se ouvisse que temos substâncias derivadas do Petróleo, como o plástico, em
nossos cérebros e corações?

3. Você acredita que conseguiria viver sem usar algo derivado do Petróleo? Pense bem! Como seria
essa vida? Compartilhe com seus colegas.

A curiosidade de João sobre a composição do petróleo nos leva


diretamente ao estudo dos hidrocarbonetos, que são os princi-
pais componentes desse recurso natural. Os hidrocarbonetos
são moléculas formadas por átomos de carbono e hidrogênio, e
são a base para a produção de muitos produtos derivados do pe-
tróleo, como combustíveis e plásticos. Compreender a estrutura
e as reações químicas desses compostos é fundamental para ex-
plorar tanto os benefícios quanto os impactos ambientais do uso
do petróleo. Na aula sobre hidrocarbonetos, discutiremos essas
moléculas e como elas desempenham um papel crucial na nossa
vida cotidiana e na economia global.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2

2. HIDROCARBONETOS
Exemplo:
C3H6

H 2C CH CH 3
Hidrocarbonetos são compostos orgânicos for-
mados exclusivamente por átomos de carbono e
hidrogênio. Eles podem ser classificados em alca-
nos, alcenos, alcinos e aromáticos, dependendo C4H8
das ligações entre os átomos de carbono. Estudar
hidrocarbonetos é crucial porque eles são os prin-
cipais componentes do petróleo e gás natural, que
são fontes essenciais de energia e matérias-primas
para a produção de plásticos, solventes, e muitos 2.3. Alcinos
outros produtos químicos. Compreender suas pro-
priedades e reações permite o desenvolvimento de São hidrocarbonetos de cadeia aberta, que pos-
processos eficientes de refino, síntese de novos ma- suem uma tripla ligação entre átomos de carbono
teriais e métodos sustentáveis de utilização e trans- na cadeia. Obedecem a fórmula geral CnH2n-2, sen-
formação de recursos energéticos. do n o número de carbonos.
Hidrocarbonetos são compostos que possuem em Exemplos:
sua estrutura somente átomos de carbono e hidro-
C3H4
gênio ligados de diferentes formas. A cadeia abai-
xo é um exemplo de hidrocarbonetos, cuja fórmula HC C CH 3
molecular é C3H8.

H
C4H6
H3C CH2 C H
H

Os hidrocarbonetos dividem em sete principais gru- Ainda podemos dividir os alcinos em:
302 pos: alcanos, alcenos, alcinos, alcadienos, cicloal-
Alcino Verdadeiro: é aquele que apresenta a tripla
canos, cicloalcenos e aromáticos.
ligação na extremidade da cadeia. Exemplo:

HC C CH 3
2.1. Alcanos
Alcino Falso: é aquele que apresenta a tripla liga-
ção no meio da cadeia. Exemplo:
São hidrocarbonetos de cadeia aberta, que pos-
suem cadeia carbônica saturada, isto é, somente H 3C C C CH3
simples ligações entre os átomos de carbono. São
também conhecidos por parafinas, do latim parum
afinis, que significa pouca afinidade, pois são pouco
reativos. Obedecem a fórmula geral CnH2n+2, sendo 2.4. Alcadienos ou dienos
n, o número de carbonos.
Exemplos: São hidrocarbonetos de cadeia aberta, que pos-
suem duas duplas ligações entre átomos de car-
C2H6 bono na cadeia. Obedecem a fórmula geral CnH2n-2,
CH 3 CH 3 sendo n o número de carbonos.
Exemplos:
C4H6
C4H10
1 2 3 4
H 2C CH CH CH2

2.2. Alcenos H 2C C CH CH 3
São hidrocarbonetos de cadeia aberta, que pos-
suem cadeia carbônica insaturada. Neste caso, a
estrutura apresenta como insaturação, uma du- Os dienos podem ser divididos em:
pla ligação entre os átomos de carbono na cadeia.
Obedecem a fórmula geral CnH2n, sendo n, o número Acumulados: quando as duplas ligações são con-
de carbonos. secutivas na cadeia. Exemplo:

H 2C C CH CH 3
Conjugados: quando as duplas são separadas por
uma ligação simples.
C14H10
H 2C CH CH CH 2

Isolados: quando as duplas são separadas por


mais de uma ligação simples.

H 2C CH CH 2 CH CH 2

2.5. Ciclanos ou cicloalcanos SAIBA MAIS!


São hidrocarbonetos cíclicos de cadeia saturada,
isto é, possuem somente simples ligações entre os Como o petróleo é formado?
átomos de carbono. Seguem a fórmula geral CnH2n.
Disponível em: https://www.nationalgeogra-
Exemplos: phicbrasil.com/meio-ambiente/2023/10/co-
C3H6 mo-o-petroleo-e-formado#:~:text=Entre%20
2021%20e%202022%2C%20a,Capitalist%20em%20
CH 2 setembro%20de%202023. Acesso em: ago. 2024.

H2C CH 2

C5H10

2.8. NOMENCLATURA 303


2.6. Ciclenos ou cicloalcenos DOS HIDROCARBONETOS
São hidrocarbonetos cíclicos, que apresentam uma
dupla ligação entre os carbonos do ciclo. Seguem a 2.8.1. Cadeias normais
fórmula geral CnH2n-2
Exemplos: A nomenclatura oficial dos hidrocarbonetos, de
acordo com a IUPAC (União Internacional da Quí-
C5H8 mica Pura e Aplicada), segue a seguinte regra geral:
Prefixo + infixo + sufixo
• Prefixo: indica o número de carbonos na cadeia.
Cada número de carbonos tem um prefixo espe-
cífico, como indicado no quadro abaixo:

Nº de carbonos Prefixo
C4H6
1 Met

2 Et

3 Prop

4 But
2.7. Aromáticos 5 Pent
São os hidrocarbonetos, que possuem em sua es-
6 Hex
trutura pelo menos um anel benzênico. Exemplos:
C6H6 7 Hept

8 Oct

9 Non

10 Dec
• Infixo: indica o tipo de ligação química, sendo Exemplo 4:
que pode ser: 1 2 3 4
AN  apenas ligações simples na cadeia. H 2C CH CH CH2
EN  uma ligação dupla na cadeia. Prefixo: BUT, pois a cadeia possui dois carbonos.
IN  uma ligação tripla na cadeia. Infixo: DIEN, pois a cadeia possui duas ligações
DIEN  duas ligações duplas na cadeia. duplas. Nesse caso, é preciso numerar a cadeia
de modo que a instauração tenha o menor nú-
DIIN  duas ligações triplas na cadeia. mero possível. Para essa cadeia tanto a nume-
TRIEN  três ligações duplas na cadeia. ração da direita para a esquerda, quanto da es-
querda para a direita seriam possíveis. De modo
TRIIN  três ligações triplas na cadeia. que as duplas ligações estejam nos carbonos 1
E assim por diante. Quando uma cadeia é insa- e 3.
turada, ou seja, apresenta ligações duplas ou Sufixo: O, pois é um hidrocarboneto
triplas, é preciso numerar a cadeia e indicar em
qual carbono se encontra a instauração. A nu- Nome final: BUT + 1,3 - DIEN + O = BUT – 1,3 – DIENO
meração deve ser feita sempre de modo que a ou 1,3 – BUTADIENO. O primeiro nome, com os nú-
instauração fique com o menor número possível. meros no meio é o recomendado pela IUPAC. No
entanto, é possível utilizar no segundo formato.
• Sufixo: indica a função orgânica. Para os hidro-
carbonetos o sufixo é a letra O.
Exemplo 1: Exemplo 5:

CH 3 CH 3

Prefixo: ET, pois a cadeia possui dois carbonos.


Infixo: AN, pois a cadeia possui somente ligações
simples. Prefixo: CICLOPENT, pois a cadeia possui cinco
carbonos em ciclo. Sempre que a cadeia for fe-
Sufixo: O, pois é um hidrocarboneto chada, deve-se usar o termo CICLO na frente do
Nome final: ET + AN + O = ETANO prefixo.
Infixo: AN, pois a cadeia possui somente ligações
simples.
304 Exemplo 2:
Sufixo: O, pois é um hidrocarboneto
Nome final: CICLOPENT + AN + O = CICLOPENTANO

Prefixo: BUT, pois a cadeia possui quatro carbo-


nos.
2.8.2. Cadeias ramificadas
Infixo: AN, pois a cadeia possui somente ligações
simples. Quando vimos a classificação das cadeias carbô-
Sufixo: O, pois é um hidrocarboneto nicas aprendemos que elas podem ser ramificadas,
ou seja, conter radicais. Radicais são grupos de áto-
Nome final: BUT + AN + O = BUTANO mos de carbono que derivam de hidrocarbonetos
pela retirada de um ou mais átomos de hidrogênio
de sua estrutura., como nos mostra o exemplo:
Exemplo 3:
H H
4 3 2 1
H 3C CH2 C H
H 3C CH 2 CH CH 2 H 3C C H2 C
H H
Prefixo: BUT, pois a cadeia possui dois carbonos. ( Hidrocarboneto ) ( Radical ) valência livre

Infixo: EN, pois a cadeia possui uma ligação du-


Estudaremos os radicais monovalentes mais co-
pla. Nesse caso, é preciso numerar a cadeia de
muns, os quais são derivados dos alcanos, e são
modo que a instauração tenha o menor núme-
denominados radicais alquil ou alquilas. Os radicais
ro possível. Para essa cadeia a numeração é da
têm em seus nomes alguns dados, utilizando-se o
direita para a esquerda, de modo que a dupla
prefixo, que indica o número de átomos de carbono,
ligação esteja no carbono 1.
e o sufixo IL ou ILA. No caso de radicais monovalen-
Sufixo: O, pois é um hidrocarboneto tes com três ou mais átomos de carbono, a cadeia
é numerada, para diferenciá-lo de outros radicais,
Nome final: BUT + 1 - EN + O = BUT – 1 – ENO ou como nos mostra o exemplo:
1 – BUTENO. O primeiro nome, com o número no
meio é o recomendado pela IUPAC. No entanto, é
possível utilizar no segundo formato.
1 2 3 3 2 1
H 3C CH CH 3 H 3C CH 2 CH 2
1- propil ou 1-propila
2- propil ou 2- propila
ou isopropila
Observe que, se a cadeia não fosse numerada, ambos os radicais seriam chamados de propil, porém com
estruturas diferentes, o que não procederia. A numeração é de modo que a valência livre tenha a menor nu-
meração possível.
No quadro que segue constam os nomes e as estruturas dos principais radicais alquila (radicais monovalentes
de cadeia saturada) presentes no estudo de Química Orgânica:

NOME DO RADICAL ALQUILA ESTRUTURA

Metil H 3C

Etil CH 3 CH 2

3 2 1
Propil ou n-propil H3C CH 2 CH 2

1 2 3
H 3C CH CH3
Isopropil ou 2- propil

Butil ou n- butil CH3 CH2 CH2 CH2

CH3 CH CH2 CH3


Secbutil

CH3
305
Tercbutil CH3 C CH3

H3C
Isobutil CH CH2
H3C

CH3

H 3C C CH3
Neopentil
CH2

É importante também destacar os radicais mais comuns que possuem insaturação na cadeia:

NOME DO RADICAL ESTRUTURA

Benzil CH2

Propargil HC C CH 2

Vinil H 2C CH

Alil CH 2 CH CH 2
Também existem radicais chamados de arila, que são radicais derivados dos hidrocarbonetos aromáticos e
possuem valência livre diretamente ligada ao anel aromático.

RADICAL ARILA ESTRUTURA

Fenil

CH3

Orto-toluil

CH3

Meta-toluil

Para-toluil H3C

α- naftil

306 β-naftil

Para dar nome às cadeias ramificadas, devemos seguir os seguintes passos:


Deve-se achar a cadeia principal, esta é a maior sequência de átomos de carbono. No caso de hidrocarbone-
tos insaturados, a cadeia principal deverá conter a insaturação. No caso de empate, prevalece como cadeia
principal a mais ramificada;
Numerar a cadeia de modo que a insaturação (dupla ou tripla ligação) tenha a menor numeração possível. Se
a cadeia for saturada, numera-se de modo que as ramificações tenham o menor número possível;
Escrever o número do carbono em que está ligado o radical, colocando-os em ordem alfabética, caso existam
mais de um.
Escrever o nome da cadeia principal, indicando, se houver, a posição da insaturação.
Exemplo 1:

Cadeia principal: é a que possui cinco carbonos (PENT). Ela deve ser numerada da direita para a esquerda,
porque dessa maneira o primeiro radical fica no carbono 2. Assim, a cadeia principal se chamará PENTANO.
Radicais: existe um radical de um carbono (METIL) no carbono 2 e um radical de dois carbonos (ETIL) no car-
bono 3. Eles devem ser colocados em ordem alfabética.
Nome do composto: 3 – ETIL – 2 METIL PENTANO.
Exemplo 2:
5 4 3 2 1
CH3 CH CH C CH2 CH3

6 CH
2 CH3

7CH3

Cadeia principal: é a que possui sete carbonos (HEPT). Ela deve ser numerada da direita para a esquerda, por-
que dessa maneira a dupla ligação fica no carbono 3. Assim, a cadeia principal se chamará HEPT – 3 – ENO.
Radicais: existem dois radicais de um carbono (METIL) nos carbonos 3 e 5. Quando os radicais se repetem é
necessário usar di, tri, tetra... na frente do nome do radical.
Nome do composto: 3,5 – DIMETIL HEPT – 3 – ENO.
Exemplo 3:

CH3

Cadeia principal: é a que possui o ciclo de cinco carbonos (CICLOPENT). Nesse caso, não é necessário numerar
a cadeia, pois só existe um radical. Assim, a cadeia principal se chamará CICLOPENTANO.
Radicais: existe um radical de um carbono (METIL).
Nome do composto: METIL CICLOPENTANO.
Exemplo 4:
CH3

CH2
5
4
1
CH3
307
3 2

H3C

Cadeia principal: é a que possui o ciclo de cinco carbonos (CICLOPENT). A numeração deve começar do car-
bono com mais radicais ou com o radical mais simples. Assim, a cadeia principal se chamará CICLOPENTANO.
Radicais: existem dois radicais de um carbono (METIL) nos carbonos 1 e 3 e um radical de dois carbonos (ETIL)
no carbono 1.
Nome do composto: 1 – ETIL – 1, 3 – DIMETIL CICLOPENTANO.
Exemplo 5:
4
3 CH3
5

1 2

Cadeia principal: é a que possui o ciclo de cinco carbonos (CICLOPENT). Nesse caso, a numeração deve prio-
rizar a dupla ligação, buscando também a menor numeração para os radicais. Assim, a cadeia principal se
chamará CICLOPENTENO. Não é necessário colocar o número 1 ao lado do EM, pois nos ciclos a dupla sempre
será o carbono 1.
Radicais: existe um radical de um carbono (METIL) no carbono 3.
Nome do composto: 3 – METIL CICLOPENTENO.
2.8.3. Compostos aromáticos
Os hidrocarbonetos aromáticos não seguem as mesmas regras de nomenclatura. O mais simples deles é cha-
mado de benzeno. Quando temos somente um radical ligado ao anel aromático, escrevemos simplesmente o
nome do radical seguido da palavra benzeno. Exemplo:
CH CH2

Vinil-benzeno
OBS.: O anel aromático com apenas um radical metil pode ser chamado de metil benzeno ou de tolueno.
Quando existem dois radicais ligados ao anel aromático, o anel deve ser numerado, de modo que os radicais
tenham a menor numeração possível. Os números podem ser substituídos pelos prefixos orto (o - posição 1 e
2), meta (m - posição 1 e 3) ou para (p - posição 1 e 4), de acordo com a numeração dos carbonos aos quais
estão ligados os radicais. Exemplos:

CH3
1
CH3 CH3 6 2
1
1
6 2 CH3 6 2
5 3
4
5
5 3
3 4 CH3 CH3
4

1,2- dimetil-benzeno 1,3- dimetil – benzeno 1,4- dimetil – benzeno


ou ou ou
o- dimetil- benzeno m-dimetil-benzeno p-dimetil- benzeno

308
Outros compostos aromáticos mais comuns têm nomes diferentes:

naftaleno antraceno fenantreno

Para o naftaleno, caso existem radicais, chamam-se as posições acima e abaixo dos anéis de α, de
acordo com a estrutura abaixo:

As posições na lateral do naftaleno são consideradas β:


2.9. Os hidrocarbonetos no nosso dia a dia
Os hidrocarbonetos estão presentes em quase tudo que usamos, os mais comuns e mais presentes são o eti-
leno, o acetileno, o gás metano, a gasolina, o querosene e entre outros.
O eteno, mais conhecido por etileno é um gás, muito utilizado na produção de plástico e no amadurecimento
de alimentos.

A combustão do gás acetileno (etino) libera uma grande quantidade de calor, por isso é utilizado no maçarico
de soldas, o que exige elevadas temperaturas. Além disso, também pode ser usado como matéria-prima na
produção de vários produtos, como PVC, fios têxteis, ácido acético e entre outros. O gás acetileno é altamente
inflamável e se torna explosivo caso seja submetido a compressão. Pode ser obtido de acordo com as reações
abaixo:

CaCO 3 CaO + CO 2

CaO + 3C CaC 2 + CO

CaC2 + H2O HC CH + Ca( OH )2


carbeto ou etileno
carbureto de cálcio

O Metano, mais conhecido como gás natural, ou gás dos pântanos, é utilizado como combustível de 309
automóveis. Consegue ser produzido nos aterros sanitários, em biodigestores, pela decomposição
do lixo por microrganismos. O metano também é encontrado nas jazidas de petróleo.
GLP (gás liquefeito de petróleo), mais conhecido como gás de cozinha é uma mistura gasosa de bu-
tano e propano, que é vendida em botijões para uso doméstico. O GLP é inodoro, por isso é adicionado
nos botijões com essa mistura gasosa, uma substância que produz mal cheiro, para que qualquer
vazamento do mesmo seja detectado, para assim evitar acidentes.

A gasolina que utilizamos é uma mistura de álcool e hidrocarbonetos, dos quais o mais abundante é o isooc-
tano. Quanto maior a porcentagem de isooctano na gasolina, mais qualidade ela possui. O problema de com-
bustíveis como a gasolina é que sua combustão provoca a liberação de uma quantidade muito grande de CO2
na atmosfera, o que causa um aumento no efeito estufa, com sérias consequências ambientais. Falaremos
mais sobre a gasolina no próximo módulo.
RESUMO
• Hidrocarbonetos são compostos constituídos apenas de carbono e hidrogênio.
• Hidrocarbonetos podem ser classificados como alcanos, alcenos, alcinos, alcadienos, ciclanos, ciclenos e
aromáticos.
• A nomenclatura dos hidrocarbonetos é feita seguindo o quadro abaixo:

PREFIXO (Nº DE C) INFIXO (INSTAURAÇÃO) SUFIXO (FUNÇÃO)

1C Met Simples AN

2C Et Dupla EN

3C Prop Tripla IN

4C But Duas duplas DIEN


O (para
5C Pent Duas triplas DIIN
hidrocarbonetos)
6C Hex Três duplas TRIEN

7C Hept Três triplas TRIIN

8C Oct Dupla e tripla ENIN

9C Non
310

EXERCÍCIOS
Estamos todos conectados

15. (UFRGS 2016) Observe a estrutura do p-cimeno abaixo.

Abaixo são indicadas três possibilidades de nomenclatura usual para representar o p-cimeno.
I - p-isopropiltolueno.
II - 1-isopropil-4-metil-benzeno.
III - terc-butil-benzeno.
Quais estão corretas?

a) Apenas I d) Apenas I e II

b) Apenas I e) I, II e III

c) Apenas III
16. (ENEM 2012) Motores a combustão interna apresentam melhor rendimento quando podem ser adotadas
taxas de compressão mais altas nas suas câmaras de combustão, sem que o combustível sofra ignição es-
pontânea. Combustíveis com maiores índices de resistência a compressão, ou seja, maior octanagem, estão
associados a compostos com cadeias carbônicas menores, com maior número de ramificações e com rami-
ficações mais afastadas das extremidades da cadeia. Adota–se como valor padrão de 100% de octanagem o
isômero do octano mais resistente a compressão.
Com base nas informações do texto, qual dentre os isômeros seguintes seria esse composto?

a) n–octano. d) 2,5–dimetil–hexano.

b) 2,4–dimetil–hexano. e) 2,2,4–trimetilpentano.

c) 2–metil–heptano.

17. (UFPR 2016) A qualidade de um combustível é caracterizada pelo grau de octanagem. Hidrocarbonetos
de cadeia linear têm baixa octanagem e produzem combustíveis pobres. Já os alcanos ramificados são de
melhor qualidade, uma vez que têm mais hidrogênios em carbonos primários e as ligações C-H requerem
mais energia que ligações C-C para serem rompidas. Assim, a combustão dos hidrocarbonetos ramificados
se torna mais difícil de ser iniciada, o que reduz os ruídos do motor. O isoctano é um alcano ramificado que foi
definido como referência, e ao seu grau de octanagem foi atribuído o valor 100. A fórmula estrutural (forma de
bastão) do isoctano é mostrada abaixo.
Qual é o nome oficial IUPAC desse alcano?

a) 2,2,4-trimetilpentano. d) 1-metil-1,3-di-isopropilpropano.
311
b) 2-metil-4-terc-butil-pentano. e) 1,1,1-trimetil-4,4-dimetil-pentano.

c) 1,1,1,3,3-pentametilpropano.

18. (UFMT) No Brasil, a hena é muito utilizada nos produtos cosméticos como corante natural, sendo a lawsona
a substância que reage com a queratina dos cabelos, conferindo-lhes tom avermelhado. Assim como a hena,
a camomila (do tipo Matricaria chamomilla) é também muito utilizada em produtos cosméticos, como os
xampus, e, entre os seus constituintes químicos, encontram-se sesquiterpenos, como o camazuleno, derivado
do azuleno. Abaixo, estão as fórmulas estruturais de três compostos citados.

As fórmulas moleculares dos compostos I, II e III são, respectivamente:

a) C10H6O3, C11H12 e C10H8

b) C9H6O3, C11H17 e C10H8

c) C10H6O3, C11H18 e C11H8

d) C10H6O3, C14H16 e C10H8

e) C11H6O3, C14H18 e C11H9


19. (UFRN) A nomenclatura oficial ( IUPAC) do composto

CH3
CH3

a) 1-metil-3-etil-ciclo-butano; d) 1,1-metil-3-etil-butano;

b) 1,1-dimetil-3-etil-butano; e) 1,1-dimetil-3etil-ciclo-butano.

c) 1-etil-3,3-dimetil-butano;

20. (UFPR 2013) O alcatrão de hulha é um líquido escuro e viscoso que apresenta em sua composição o benze-
no, o tolueno, os dimetilbenzenos, o naftaleno e o fenantreno. Sobre o tema, considere as seguintes afirmações:
I. Os hidrocarbonetos aromáticos são aqueles que possuem pelo menos um anel ou núcleo aromático, isto é,
um ciclo plano com seis átomos de carbono que estabelecem entre si ligações ressonantes.
II. Devido à ressonância das ligações duplas, os aromáticos não são compostos estáveis e só reagem em con-
dições enérgicas.
III. O metilbenzeno, conhecido comercialmente por tolueno, é um composto aromático derivado do benzeno
e possui fórmula molecular C7H14.
IV. O benzeno é um composto aromático bastante estável devido à ressonância das ligações duplas.
Está correto apenas o que se afirma em:

a) I, II e IV. d) I, III e IV.

b) II, III e IV. e) I e IV.


312 c) I, II e III.

22. (ENEM 2022) De modo geral, a palavra “aromático” invoca associações agradáveis, como cheiro de café
fresco ou de um pão doce de canela. Associações similares ocorriam no passado da história da química or-
gânica, quando os compostos ditos “aromáticos apresentavam um odor agradável e foram isolados de óleos
naturais. À medida que as estruturas desses compostos eram elucidadas, foi se descobrindo que vários deles
continham uma unidade estrutural específica. Os compostos aromáticos que continham essa unidade estru-
tural tomaram-se parte de uma grande família, muito mais com base em suas estruturas eletrônicas do que
nos seus cheiros, como as substâncias a seguir, encontradas em óleos vegetais.
A característica estrutural dessa família de compostos é a presença de:

a) ramificações.

b) insaturações.

c) anel benzênico.

d) átomos de oxigênio.

e) carbonos assimétricos.

22. (ENEM 2020) Um microempresário do ramo de cosméticos utiliza óleos essenciais e quer produzir um cre-
me com fragrância de rosas. O principal componente do óleo de rosas tem cadeia poli-insaturada e hidroxila
em carbono terminal. O catálogo dos óleos essenciais apresenta, para escolha da essência, estas estruturas
químicas

Qual substância o empresário deverá utilizar?

a) 1 d) 4 313
b) 2 e) 5

c) 3

23. (ENEM 2019) O 2-BHA é um fenol usado como antioxidante para retardar a rancificação em alimentos e
cosméticos que contêm ácidos graxos insaturados. Esse composto caracteriza-se por apresentar uma cadeia
carbônica aromática mononuclear, apresentando o grupo substituinte terc-butil na posição orto e o grupo
metóxi na posição para.A fórmula estrutural do fenol descrito é:

a) d)

e)
b)

c)
24. (ENEM 2018) O craqueamento é um processo químico que converte substâncias de determinada fração
de menor interesse comercial em outras de uma fração mais rentável, baseando-se na quebra de moléculas
longas de hidrocarbonetos com elevada massa molar. A polimerização também é utilizada com obtenção de
moléculas de combustíveis. Nesse processo, ocorre a combinação de moléculas menores, formando molé-
culas maiores. Em duas etapas de um processo de polimerização, temos a formação do produto I e produto
II, como demonstrado a seguir. (Fonseca, M. R. Química: ensino médio. 2. ed. São Paulo: Ática, 2016. Adaptado).

Os produtos I e II, são respectivamente:

a) alcano e alceno. d) alceno e alcino.

b) alceno e alcano. e) alcino e alcano.

c) alcano e alcino.

25. (USP 2018) O gráfico a seguir indica a temperatura de ebulição de bromoalcanos (CnH2n+1Br) para diferentes
tamanhos de cadeia carbônica

314

Considerando as propriedades periódicas dos halogênios, a alternativa que descreve adequadamente o


comportamento expresso no gráfico de temperaturas de ebulição versus tamanho de cadeia carbônica para
CnH2n+1F (☐) e CnH2n+1I (•) é:
(P.E. = ponto de ebulição)

a) c)

b) d)
PROBLEMATIZAÇÃO 3

Petróleo: A riqueza que mata nosso planeta e


esvazia nosso bolso
Carla estava assistindo ao noticiário quando uma matéria chamou
sua atenção. A reportagem explicava como o processo de refino do
petróleo influencia diretamente o preço dos combustíveis, que seu
pai reclamava a cada vez que entrava no posto de combustível,
falando ser impossível sustentar um carro com os aumentos quase
que diários. Carla sabia que o petróleo era extraído do solo e con-
vertido em gasolina, diesel e outros produtos, mas não imaginava
que o processo de refino era tão complexo e caro e agora ela po-
deria conversar com se pai sobre isso e talvez até discutirem juntos
sobre a possibilidade do uso do Álcool, ao invés de combustíveis
derivados de petróleo, que, inclusive, polui menos nosso planeta. A
matéria também mencionava como flutuações no preço do barril
de petróleo e a eficiência das refinarias afetavam o valor pago na
bomba. Ao terminar de assistir, Carla ficou se perguntando: “Como
exatamente o petróleo bruto se transforma nesses produtos, e por
que isso custa tanto?”

PARA REFLETIR!

O processo de refino do petróleo é essencial para transformar o petróleo bruto em produtos que usamos
diariamente, como gasolina e diesel. No entanto, esse processo complexo e caro impacta diretamente
o preço dos combustíveis e o meio ambiente. Será que existem maneiras de torná-lo mais eficiente e
sustentável?
315
1. O uso excessivo de combustíveis fósseis que degradam a natureza e provocam o aquecimento glo-
bal já atualmente nos atinge. Junto com os colegas, pensem e busquem informações (benefícios e
prejuízos) sobre o uso de álcool como combustível, ou ainda a eletricidade, no caso de carros elétri-
cos. Na sua opinião, qual seria a melhor saída para cuidar do nosso planeta?

A curiosidade de Carla sobre o impacto do refino de petróleo no preço dos combustíveis nos leva a explorar o processo de
refino em profundidade. O petróleo bruto, uma mistura complexa de hidrocarbonetos, passa por várias etapas de refino
para se transformar em produtos úteis, como gasolina e diesel. Essas etapas incluem a destilação fracionada, o craquea-
mento, a reforma e o tratamento químico, todas essenciais para separar e melhorar os componentes do petróleo. Compre-
ender cada uma dessas etapas é fundamental para analisar tanto o custo quanto o impacto ambiental do processo. Na aula
sobre refino de petróleo, discutiremos como essas transformações químicas ocorrem e suas implicações econômicas e
ambientais.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3

3. PETRÓLEO
O petróleo é um material viscoso, menos denso que a água e possui cores que variam do preto ao castanho.
Ele é formado de uma mistura de hidrocarbonetos, com algumas impurezas, das quais a mais indesejada é
o enxofre. A teoria mais aceita para a formação do petróleo é a de que ele surgiu de restos orgânicos, como
animais e plantas mortas. Essa matéria orgânica se depositou no fundo de lagos e mares e, com o passar do
tempo, foi coberta por sedimentos, sendo compactada e comprimida. Com isso, a temperatura e a pressão
aumentaram e a ausência de oxigênio fez com que bactérias anaeróbicas transformassem a matéria orgâ-
nica no petróleo.
O petróleo se acumula nas bacias sedimentares, onde se formam as jazidas. Junto com ele são encontrados o
gás natural, na parte superior, e água, na parte inferior. Por causa da pressão que os gases fazem, inicialmente
o petróleo jorra sozinho. Mas, quando a pressão diminui, o petróleo é extraído da jazida através do bombea-
mento. Inicialmente, o petróleo passa por uma purificação mecânica, como a decantação, para retirada da
água e resíduos sólidos, como areia e argila. Depois ele é transportado através de oleodutos, gasodutos, cami-
nhões ou embarcações para as estações de refinamento, lugar em que é submetido à destilação fracionada.
O petróleo é formado de hidrocarbonetos com todos os tipos de cadeia. Em geral, conforme aumenta o núme-
ro de átomos de carbono na cadeia, aumenta a temperatura de ebulição. A coluna de destilação fracionada
se baseia nessa diferença. As frações mais pesadas do petróleo, que tem maior temperatura de ebulição,
ficam nas bandejas mais baixas da torre. Já as substâncias mais leves evaporam e sobem para o topo da
torre. Veja o esquema a seguir, que é uma simplificação e mostra apenas as principais frações. A partir disso,
é possível observar que uma torre de destilação de petróleo pode ter mais de 50 bandejas de separação.

316

Na parte dos gases se encontra, principalmente, o chamado gás natural e o gás liquefeito de petróleo (GLP). O
gás natural é constituído, essencialmente, de metano (cerca de 90%) e um pouco de etano, propano e butano
e é bastante usado em indústrias. O GLP é constituído principalmente de propano e butano e é usado nas re-
sidências para acender fogões. O GLP não tem cheiro algum, mas, adicionam-se a ele gases com cheiro forte
para que seja possível identificar vazamentos. O GLP também está sendo usado em veículos com o nome de
gás natural veicular (GNV).
A gasolina é a fração do petróleo mais rentável em termos econômicos. É um dos combustíveis de automóveis
mais usados no mundo. No entanto, sua queima libera grandes quantidades de dióxido de carbono, um dos
principais responsáveis pelo aumento do efeito estufa. A qualidade da gasolina está relacionada com sua
resistência à queima, quanto mais resistente ela for à explosão, melhor é sua qualidade. Entre os componen-
tes da gasolina, o heptano é o que tem menor qualidade e o isooctano (2,2,4 – trimetil pentano) é o de maior.
Portanto, essas substâncias foram tomadas como padrões para a determinação da resistência da gasolina à
queima. Foi estabelecido o valor zero para o heptano e 100 para o isooctano.
Assim, quando se diz que uma gasolina tem X% de octanagem significa que ela queima como se fosse consti-
tuída de X% de isooctano e 100 – X% de heptano. Por exemplo, uma gasolina com 70% de octanagem é equiva-
lente a uma mistura de 70% isooctano e 30% heptano. Logo, quando maior a octanagem melhor é o combus-
tível. Além disso, é possível adicionar a gasolina antidetonantes, que são substâncias que dificultam a queima
do combustível, aumentando seu rendimento. Um dos mais utilizados foi o tetraetil chumbo (Pb(C2H5)4), mas,
foi proibido por causa da poluição ambiental que causava.
O querosene é uma das frações do petróleo que é usado como solvente para tintas e combustível para aviões.
O óleo diesel também é usado como combustível, mas, para motores de grande porte, como caminhões e
tratores.

3.1. Craqueamento do petróleo


Como vimos, a parte mais rentável economicamente do petróleo é a gasolina. No entanto, em média, apenas
10% do óleo bruto é gasolina. Para aumentar a produção desse combustível é realizado o processo de cra-
queamento. Os hidrocarbonetos de cadeias maiores são aquecidos entre 450 e 700ºC, tendo suas cadeias
quebradas, produzindo hidrocarbonetos de cadeias menores. Desta forma, podemos obter produtos como a
gasolina a partir de óleos pesados. Esse processo de refino é chamado de craqueamento catalítico do petró-
leo, termo que deriva do verbo inglês to crack, que significa “quebrar”.

SAIBA MAIS!
Revisão sobre petróleo
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=lzw9Spqhaj8. Acesso em: out.
2024.

RESUMO
317

• O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos.


• O petróleo é refinado por meio de uma destilação fracionada, em que as frações são separadas por tama-
nho da cadeia.
• Para aumentar a produção de gasolina é utilizado o craqueamento, que consiste na quebra das moléculas
grandes em moléculas menores.

EXERCÍCIOS
Petróleos

26. (ENEM 2018) O petróleo é uma fonte de energia a) Transformação das frações do petróleo em ou-
de baixo custo e de larga utilização como matéria- tras moléculas menores.
-prima para uma grande variedade de produtos. É
um óleo formado de várias substâncias de origem b) Reação de óxido-redução com transferência de
orgânica, em sua maioria hidrocarbonetos de di- elétrons entre as moléculas.
ferentes massas molares. São utilizadas técnicas
de separação para obtenção dos componentes c) Solubilização das frações de petróleo com a utili-
comercializáveis do petróleo. Além disso, para au- zação de diferentes solventes.
mentar a quantidade de frações comercializáveis,
otimizando o produto de origem fóssil, utiliza-se o d) Decantação das moléculas com diferentes mas-
processo de craqueamento. O que ocorre nesse sas molares pelo uso de centrífugas.
processo?
e) Separação dos diferentes componentes do pe-
tróleo em função de suas temperaturas de ebu-
lição.
27. (ENEM 2015) O quadro apresenta a composição 30. (UFPE 2019)
do petróleo.
ENTENDA O VAZAMENTO DE PETRÓLEO NAS PRAIAS
DO NORDESTE
SÃO PAULO - Um vazamento de petróleo cru se es-
palha pelos nove Estados do Nordeste. O poluen-
te foi identificado em uma faixa de mais de 2 mil
quilômetros da costa brasileira. O governo federal
afirma que análises já apontaram ser petróleo cru,
de origem desconhecida e de tipo não produzido no
Para a separação dos constituintes com o objetivo Brasil. As manchas já foram encontradas em todos
de produzir a gasolina, o método a ser utilizado é a: os Estados nordestinos: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio
Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas,
a) filtração. Sergipe e Bahia. O poluente foi identificado em uma
faixa de mais de 2 mil quilômetros da costa brasi-
b) destilação. leira.

c) decantação. A análise feita pela Marinha e pela Petrobrás “apon-


tou que a substância é petróleo cru, ou seja, não se
d) precipitação. origina de nenhum derivado de óleo”. Conforme o
órgão, a substância é o hidrocarboneto, conhecido
e) centrifugação. como piche, e é a mesma em todos os pontos ana-
lisados.
CORDEIRO, Felipe. Entenda o vazamento de petróleo nas praias do Nordeste. O Estado de S. Paulo. Disponível em:
<https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,entenda-o-vazamento-de-petroleo-empraias-do-no

28. (UFPR) A operação de craqueamento, normal- rdeste,70003026922>. Acesso em: 27 out. 2019 (adaptado).

mente observada na indústria de petróleo, tem por Quanto ao petróleo, é CORRETO afirmar que:
finalidade:
a) contém o benzeno, hidrocarboneto que é tóxico,
a) refinar e separar as diversas frações do petróleo; altamente irritante e que possui cheiro forte ca-
racterístico.
b) diminuir o índice de octano da gasolina;
b) é um material pouco viscoso, mais denso que a
c) retirar hidrocarbonetos de baixo peso molecular água, formado pela mistura de ésteres.
para serem usados como gasolina;
c) é miscível com a água, o que dificulta sua sepa-
318 d) tornar hidrocarbonetos muito ramificados em ração em caso de acidentes ambientais no oce-
moléculas lineares que são mais eficientes como ano.
combustíveis;
d) é um combustível renovável não gerador de efei-
e) romper as ligações entre carbonos em hidrocar- to estufa e que não tem sua origem de matéria-
bonetos de alto peso molecular, gerando radi- -prima fóssil.
cais e, posteriormente, formação de hidrocarbo-
netos de menor cadeia. e) contém o etanol, composto orgânico, inflamável
e utilizado como combustível.

29. (ENEM 2015) Além de ser uma prática ilegal, a


adulteração de combustíveis é prejudicial ao meio 31. (ENEM 2016) O processo de dessulfurização é
ambiente, ao governo e, especialmente, ao consu- uma das etapas utilizadas na produção do die-
midor final. Em geral, essa adulteração é feita uti- sel. Esse processo consiste na oxidação do enxofre
lizando compostos com propriedades físicas se- presente na forma de sulfeto de hidrogênio (H2S)
melhantes às do combustível, mas de menor valor a enxofre elementar (sólido) que é posteriormente
agregado. Considerando um combustível com 20% removido. Um método para essa extração química
de adulterante, a mistura em que a adulteração se- é o processo Claus, no qual parte do H2S é oxida-
ria identificada visualmente é: da a dióxido de enxofre (SO2) e, então, esse gás é
usado para oxidar o restante do H2S. Os compostos
a) etanol e água. de enxofre remanescentes e as demais moléculas
presentes no diesel sofrerão combustão no motor.
b) etanol e acetona.
MARQUES FILHO, J. Estudo da fase térmica do pro-
c) gasolina e água. cesso Claus utilizando fluidodinâmica computacio-
nal. São Paulo: USP, 2004 (adaptado).
d) gasolina e benzeno. O benefício do processo Claus é que, na combustão
do diesel, é minimizada a emissão de gases
e) gasolina e querosene.
a) formadores de hidrocarbonetos.

b) produtores de óxidos de nitrogênio.

c) emissores de monóxido de carbono.


d) promotores da acidificação da chuva. ANOTAÇÕES
e) determinantes para o aumento do efeito estufa.

32. (ENEM 2016) Adicionar quantidades de álcool à


gasolina, diferentes daquelas determinadas pela le-
gislação, é uma das formas de adulterá-la. Um teste
simples para aferir a quantidade de álcool presen-
te na mistura consiste em adicionar uma solução
salina aquosa à amostra de gasolina sob análise.
Essa metodologia de análise pode ser usada por-
que o(a):

a) água da solução salina interage com a gasolina


da mistura, formando duas fases, uma delas de
álcool puro.

b) álcool contido na gasolina interage com a solu-


ção salina, formando duas fases, uma delas de
gasolina pura.

c) gasolina da mistura sob análise interage com a


solução salina, formando duas fases, uma delas
de álcool puro.

d) água da solução salina interage com o álcool da


mistura, formando duas fases, uma delas de ga-
solina com o sal.

e) álcool contido na gasolina interage com o sal da


solução salina, formando duas fases, uma delas
de gasolina mais água.

319
GABARITO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
A B C D B C B B C D
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
A B D D D E A D E E
21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30.
C A E B E A B E C A
31. 32.
D B

320
321
BIOLOGIA
Metabolismo Energético Celular

322
BIOLOGIA
AUTOR: Gabriela Cecy Hauer

SUMÁRIO
UM MUNDO SEM ÁGUA 3.5 Sucessão Ecológica
3.6 Biomas Brasileiros
1. Metabolismo Energético Celular 3.7 Ecossistemas Aquáticos
1.1. Metabolismo 3.8 Alterações Ambientais
1.2. Bioenergética 3.8.1 Poluição Ambiental
1.3. Metabolismo energético aeróbico 3.8.2. Desmatamento
1.3.1. Glicólise 3.8.3 Bioinvasão
1.3.2. Ciclo de Krebs
1.3.3. Fosforilação Oxidativa Resumo
1.4. Metabolismo energético anaeróbico
1.4.1. Respiração celular anaeróbica Exercícios
1.4.2. Fermentação

Resumo ABORTO: DE QUEM É O DIREITO DE NASCER

Exercícios 4. Introdução à Taxonomia e Cladística


4.1. Sistemática e Taxonomia
4.1.1. Cladística
Meu alimento transgênico 4.1.2. Organização atual dos seres vivos
4.2. Mecanismos de reprodução
2. Bioquímica 4.2.1. Reprodução Assexuada
2.1. Água 4.2.2. Reprodução sexuada
2.2. Sais Minerais 4.2.2.1. Reprodução sexuada agâmica
2.3. Lipídios 4.2.3. Reprodução sexuada gâmica
2.3.1. Lipídios como reserva energética 4.3. Embriologia animal
2.3.2. Lipídios impermeabilizantes 4.3.1. Fecundação 323
2.3.3. Lipídios estruturais 4.3.2. Clivagens
2.3.4. Lipídios esteroides 4.3.3. Gastrulação
2.3.5. Pigmentos lipídicos 4.3.4. Neurulação
2.4. Carboidratos 4.3.5. Anexos embrionários
2.4.1. Monossacarídeos
2.4.2. Dissacarídeos Resumo
2.4.3. Polissacarídeos
2.5. Aminoácidos e proteínas Exercícios
2.5.1. Enzimas
2.6. Vitaminas
2.7. Biologia celular Gabarito
2.7.1. Tipos de células
2.7.2. Revestimentos celulares

Resumo

Exercícios

AQUECIMENTO GLOBAL E TEMPERATURAS EXTREMAS

3. Ecologia
3.1. Introdução à Ecologia
3.2. Ciclagem da matéria: ciclos biogeoquímicos
3.2.1. Ciclo da Água
3.2.2. Ciclo do Carbono
3.2.3. Ciclo do Oxigênio
3.2.4. Ciclo do Nitrogênio
3.2.5. Fluxo de Energia
3.2.6. Cadeias e Redes Alimentares
3.2.7 Pirâmides Ecológicas
3.3 Relações Ecológicas
3.3.1 Relações Intraespecíficas
3.3.2 Relações Interespecíficas
PROBLEMATIZAÇÃO 1

Um mundo sem água


Mateus estava sentado no sofá, assistindo ao
noticiário da TV, quando as imagens das
enchentes no Rio Grande do Sul tomaram a
tela. Casas destruídas, ruas inundadas, pessoas
sendo resgatadas em barcos improvisados. Ele
ficou em silêncio, os olhos fixos na cena de caos e
desespero. Mas o que mais o assustou foi a
menção de que muitos lugares estavam sem
acesso à água potável.

“Como as pessoas podem sobreviver sem água?”


Ele se perguntou, sentindo um frio na barriga. Para
ele, a ideia de viver sem algo tão essencial parecia
impossível.

Mateus lembrou-se de uma história que havia


lido recentemente. Um homem chamado Lukas
McClicsh, que havia desaparecido nas
montanhas de Santa Cruz, na Califórnia, foi
encontrado vivo depois de dez dias perdido. Ele
sobreviveu comendo frutas silvestres e
bebendo água de riachos que encontrou pelo
caminho. O relato era impressionante, mas o que
mais chamava a atenção de Mateus era a
resiliência do ser humano em situações extremas.
Se aquele homem havia sobrevivido nas montanhas por conta própria, talvez as pessoas do Rio Grande do Sul
pudessem se recuperar com a ajuda das doações que estavam chegando de todos os cantos.
324 Mas, mesmo assim, algo não saía de sua mente. Mateus olhou pela janela, observando o céu nublado. Ele
pensava na forma como as enchentes eram um reflexo das mudanças climáticas, e como o acesso à água
potável poderia ser algo cada vez mais raro no futuro. Ele se perguntava como as pessoas tinham deixado
isso acontecer? Por que não cuidam da água quando ainda havia tempo? Ele sabia que a resposta estava
na maneira como a humanidade tinha usado e desperdiçado os recursos naturais, como se fossem infinitos.

Pensou que um mundo sem água era um lugar silencioso, desolado, onde cada gota era mais valiosa do que
qualquer dinheiro. E você, como viveria em um mundo assim?

PARA REFLETIR!

1. Diante de cenários cada vez mais catastróficos, você já pensou o porquê de estar estudando
biologia? Claro….. ’’para o vestibular! ’’ você poderia responder. Mas e se você conseguisse estudar
para a vida? Ué, é isso que biologia significa. Biologia é um composto erudito de origem grega, na
qual Bio significa vida e logia vem de Logos, que significa estudo ou tratado. Ou seja, Bio = vida,
logia = estudo.

Depois dessa dica pense, junto com seus colegas, aonde, em suas vidas cotidianas, a BIOLOGIA
surge como parte dessa vida.

2. Depois disso, pensem juntos, o que é e, por que é, para vocês, um ser vivo?

Para iniciar esse capitulo e as nossas aulas você compreenderá algumas características que fazem partes de seres
vivos, como organização celular, reprodução, crescimento, mutação, metabolismo e composição química. Inclusive,
começaremos esta apostila com o metabolismo e a composição química, como água, sais, lipídeos, hormônios e outros.
Ah, e se você acha que isso não é interessante, imagina pensar quanto tempo você vive sem água. Bom, um biólogo sabe te
responder e ainda compreender o porquê. Para dar início as nossas aulas, falaremos de compostos e onde a água se
encaixa, além das características dos seres vivos.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1

1. METABOLISMO
ENERGÉTICO CELULAR

1.1. Metabolismo
Metabolismo é o conjunto de todas as reações
químicas necessárias à vida. Essas reações
metabólicas podem ser divididas em
anabólicas e catabólicas. O anabolismo é
caracterizado pela síntese de moléculas Legenda: Figura 1: Estrutura da molécula de ATP. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

complexas a partir de substâncias simples.


A reação de hidrólise do ATP é espontânea, isto é,
Veremos mais para frente exemplos deste tipo
ocorre sem necessidade de adição de energia,
de metabolismo como Sínteses de proteínas e
sendo considerada exergônica, liberando cerca
até a fotossíntese. Já a reação de catabolismo,
de 7,3 Kcal/mol de energia. São formados como
também chamada de degradação, são aquelas
produtos: uma molécula de ADP (adenosina
onde ocorre a quebra de moléculas complexas
difosfato) e um íon fosfato (Pi).
originando moléculas mais simples, como a
quebra da glicose para liberar energia
(respiração celular) e quebra de gorduras ou ATP → ADP + Pi
proteínas (digestão de alimentos). Nesta frente, nos
ateremos a estes processos e suas relações com a A reação reversa – formação de ATP – não
geração de moléculas energéticas. ocorre espontaneamente, pois se trata de um
processo endergônico, que absorve
aproximadamente 7,3 Kcal de energia.
1.2. Bioenergética Abordaremos a seguir um pouco mais sobre
alguns processos de obtenção de ATP.

A energia é um elemento fundamental nos


processos metabólicos. Várias reações 325
necessárias à vida, não ocorrem
espontaneamente, dessa forma necessitam de
1.3. Metabolismo
adição de energia ao sistema para ocorrerem. Às
reações que absorvem energia, damos o nome de
energético aeróbico
endergônicas. Algumas reações são capazes de
liberar energia, sendo, portanto, chamadas de Também chamado de Respiração Celular, esse
exergônicas. Frequentemente, há processo ocorre na presença de gás oxigênio. É
acoplamento desses tipos de reações, na qual, caracterizado pela catálise (degradação) e
processos exergônicos fornecem energia para oxidação de moléculas orgânicas,
ocorrência de processos endergônicos. principalmente carboidratos, como a glicose.
Algumas células, como os neurônios, só produzem
A energia utilizada pelos sistemas biológicos energia a partir da glicose. Outros tipos celulares,
provém da oxidação de moléculas orgânicas, podem utilizar moléculas de ácidos graxos para
preferencialmente carboidratos e lipídios. oxidação e produção de ATP. Vale ressaltar que
Essas moléculas são obtidas nos organismos apenas em casos extremos de déficit nutricional,
heterotróficos por meio da alimentação, aminoácidos são utilizados nessas vias catabólicas.
enquanto que nos autótrofos elas são
produzidas pelos processos de fotossíntese e/ou Podemos resumir o processo de respiração
quimiossíntese. celular pela equação abaixo, na qual um mol de
glicose (C6H12O6) é degradada na presença de
A oxidação dos alimentos é utilizada como
estratégia para a produção de moléculas que
armazenam grande quantidade de energia, como
C6H12O6 + 6O2 → 6CO2 + 6H2O
o ATP (trifosfato de adenosina). Essa molécula
apresenta estrutura similar a um ribonucleotídeo de oxigênio, gerando moléculas de CO2 e água:
adenosina: uma base nitrogenada do tipo adenina, Estudaremos o processo de respiração celular a
ligada covalentemente a uma ribose contendo três partir da degradação de glicídios, que inclui três
grupos fosfato (FIGURA 1). Entre os grupos fosfato, etapas: Glicólise, Ciclo de Krebs e Fosforilação
existem ligações de alta energia, isto é, ligações Oxidativa.
que se rompidas liberam grande quantidade de
energia.
1.3.1. Glicólise
A glicólise é a primeira etapa do processo de
respiração celular e ocorre no citoplasma das
células. Nessa etapa, a molécula de glicose
Legenda: Figura 3: Esquema da etapa de Crédito: Imagem produzida pelo autor.
preparação para o ciclo de Krebs.

(C6H12O6), é quebrada em duas moléculas de


O acetil-CoA junta-se a um primeiro composto
ácido pirúvico (C3H4O3). Para a ocorrência desta
intermediário do ciclo dando origem ao ácido
primeira etapa, é necessário o consumo de duas
cítrico — motivo pelo qual esse ciclo também
moléculas de ATP (fase de investimento). Essa
é chamado de ciclo do ácido cítrico. O ácido
energia é necessária para ativar a molécula de
formado, inicia uma sequência de reações
glicose, e será recuperada ao longo do processo
originando vários compostos intermediários.
(fase de pagamento) (FIGURA 2).
Como resultado, o primeiro intermediário é
regenerado (FIGURA 4).
Ao ser quebrada, a molécula de glicose gera
energia suficiente para produzir quatro moléculas
No decorrer dessas reações, elétrons são
de ATP. Sendo assim, o saldo da glicólise para cada
transferidos para 3 NAD+ e 1 FAD (aceptor de
molécula de glicose degradada é de 2 ATP (4 ATPs
elétrons dinucleotídeo de flavina-adenina),
produzidos – 2 ATPs consumidos).
originando 3 NADH e 1 FADH2 , que serão utilizados
na terceira etapa da respiração celular.
Ainda nesta etapa, ocorre a liberação de 4
elétrons e 2 íons H+. Tais produtos são capturados por
moléculas de NAD (nucleotídeo de nicotinamida-a-
denina), formando assim uma molécula reduzida,
NADH. O NAD é conhecido como aceptor de elétrons
ou de hidrogênio, e tem como uma de suas funções
transportar e fornecer elétrons às etapas seguintes
da respiração celular.

326
Legenda: Figura 4: Ciclo de Krebs. Crédito: Imagem produzida pelo autor.

Legenda: Figura 2: Esquema geral da glicólise. Crédito: Imagem produzida pelo autor.
Ao longo do ciclo de Krebs, são produzidas, a
Nessa etapa, não há participação do gás partir de cada piruvato: 4 NADH, 1 FADH2, 1 ATP e 3
oxigênio. Os processos de produção de energia CO2. Sendo assim, para cada glicose inicialmente
anaeróbicos (ausência de oxigênio), como a degradada na glicólise, são formados 2 ATP nesta
fermentação lática e a fermentação alcoólica, segunda etapa.
também se iniciam nesse período. A glicose é
degradada a ácido pirúvico primeiramente, e
então, na presença de oxigênio, conclui-se o
processo de respiração celular na mitocôndria.
1.3.3. Fosforilação Oxidativa
Se não tem oxigênio disponível, ocorre a produção
de energia através da fermentação, no citoplasma Esta etapa, também chamada de cadeia
da célula, como veremos adiante. transportadora de elétrons, ocorre em
complexos proteicos presentes na membrana
interna da mitocôndria (FIGURA 5), nas cristas
1.3.2. Ciclo de Krebs mitocondriais.

Cada NADH formado nas etapas anteriores é


Na presença de gás oxigênio, o ácido pirúvico oxidado pela primeira proteína da cadeia
reage, ainda no citoplasma, com uma (complexo I), cedendo um par de elétrons para
coenzima A (coA) sendo oxidado e formando o complexo proteico. Os elétrons apreendidos
o acetil-coenzima A (acetil-CoA) e uma pela proteína são transferidos à uma proteína
molécula de gás carbônico (FIGURA 3). Os ubiquinona, que os vão para o complexo III.
elétrons envolvidos na oxidação do ácido Desse, os elétrons são direcionados ao citocromo C
pirúvico, são utilizados para a redução da NAD+ e posteriormente ao complexo IV, onde serão
a NADH, que será utilizada na etapa seguinte do utilizados para a redução de O2 e H+ em H2O.
processo de respiração celular. A acetil-CoA é Note que apenas nesse momento o oxigênio é
transportada através das membranas externa e necessário à respiração celular. Na ausência
interna da mitocôndria, até a matriz mitocondrial. desse gás, não apenas a fosforilação oxidativa
cessa, mas também a etapa anterior, o ciclo de
Krebs.
1.4.1. Respiração celular
anaeróbica
Este processo ocorre de forma similar à
respiração aeróbica, exceto pela fosforilação
oxidativa. Nessa via metabólica, o complexo IV
da cadeia transportadora de elétrons, utiliza
outras moléculas que não o oxigênio como aceptor
Legenda: Figura 5: Cadeia transportadora Crédito: Imagem produzida pelo autor a partir final de elétrons. Moléculas nitrogenadas, como o
nitrito e o nitrato, são empregadas como
de elétrons. de ilustrações de Servier Medical Art por Flickr.

A FADH2 formada na etapa anterior é oxidada aceptor final de elétrons por bactérias participantes
pelo complexo II, que transfere o par de elétrons, do ciclo do nitrogênio. Bactérias existentes em
sequencialmente, à ubiquinona, ao complexo III regiões com elevada concentração de enxofre,
e ao complexo IV, formando água, como visto podem utilizar essa molécula, ou então,
anteriormente. óxidos de enxofre, no lugar do oxigênio nesta via
de produção de ATP. Microrganismos presentes
A passagem de elétrons pelos complexos I, III e em porções do sistema digestório de mamíferos
IV promove o bombeamento ativo de íons H+ da ruminantes, ou que participam da decomposição
matriz mitocondrial para o espaço em ambiente anóxico, podem utilizar o CO2 como
intermembranas. O fluxo de H+ para esse aceptor final de elétrons formando gás metano
espaço promove o aumento de concentração e (CH4).
diminuição de pH desse compartimento. A
diferença de concentração de H+ entre a matriz O rendimento energético da respiração
mitocondrial e espaço intermembranas é utilizada anaeróbica é equivalente à respiração
como força motriz para produção de ATP. aeróbica, uma vez que o mecanismo de transporte
de elétrons, bombeamento de H+ e síntese de ATP
A membrana interna da mitocôndria possui um via ATP-sintase ocorre normalmente. A única
complexo proteico permeável ao H+ chamado particularidade é que esse processo não ocorre nas
ATP-sintase. O retorno de íons H+ para a matriz mitocôndrias, visto que é exclusivo de organismos
mitocondrial pela ATP-sintase, funciona como força procariontes, ocorrendo em regiões específicas da
propulsora para a síntese de ATP (a partir de ADP membrana plasmática desses organismos.
e Pi).

327
A energia liberada nessa última etapa do
processo de respiração celular é utilizada para
1.4.2. Fermentação
formação de 32 a 34 moléculas de ATP.
Evidentemente, essa é a etapa da respiração Este processo é caracterizado pela oxidação
celular com maior rendimento energético. incompleta de moléculas orgânicas, com
Contabilizando as quatro moléculas de ATP rendimento energético inferior à respiração
produzidas nas duas etapas anteriores (glicólise e aeróbica. É realizado por fungos, bactérias e alguns
ciclo de Krebs), o saldo da respiração celular é de animais.
36 a 38 moléculas de ATP.
Inicia-se com a degradação de uma
molécula de glicose (glicólise) para formação

1.4. Metabolismo
de duas moléculas de ácido pirúvico, 1 NADH e
2 ATP. O ácido pirúvico é parcialmente oxidado

energético anaeróbico
formando NADH, ATP, CO2 e algum composto de
baixa energia. A fermentação pode ser alcoólica,
quando o composto de baixa energia formado é
um álcool (comumente o etanol), ou lática, quando
Muitos organismos são capazes de sobreviver
é formado lactato a partir do piruvato (FIGURA 6).
de forma temporária ou permanentemente em
condições de ausência de oxigênio, sendo
chamados organismos anaeróbios. Dentre esses
organismos, encontramos aqueles que podem
ou não viver na presença de oxigênio, chamados
anaeróbios facultativos, entre eles: as leveduras e
alguns moluscos e anelídeos. Há algumas bactérias
que atuam apenas na ausência de oxigênio, sendo
consideradas seres anaeróbicos obrigatórios.

Além dos organismos citados, nossas células


também são capazes de produzir ATP em
condições de ausência de oxigênio.

O metabolismo energético anaeróbio pode ocorrer


de duas formas: respiração celular anaeróbica e
fermentação. Legenda: Figura 6: Esquematização dos processos Crédito: Imagem produzida pelo autor a partir
de fermentação alcoólica e lática. de ilustrações de Servier Medical Art por Flickr.
A fermentação lática é realizada por algumas

EXERCÍCIOS
bactérias, e é utilizada industrialmente para a
produção de laticínios, como queijos e
iogurtes. Nossas células musculares também
podem realizar esse tipo de fermentação, em
situações que a quantidade de oxigênio não é Metabolismo Energético Celular
suficiente para produção de energia via
respiração aeróbica. As fibras musculares
produzem ácido láctico que se acumula nos 1. (UFPR) A figura abaixo representa o
músculos ocasionando dores (fadiga muscular). transporte de elétrons (e) pela cadeia
respiratória presente na membrana interna das
A fermentação alcoólica é realizada principalmen- mitocôndrias. Cada complexo possui metais que
te por leveduras. Industrialmente, é utilizada para recebem e doam elétrons de acordo com seu
produção de pães, de biocombustíveis e de bebi- potencial redox, na sequência descrita. Caso uma
das alcoólicas (cerveja, vinho, cachaça e entre ou- droga iniba o funcionamento do citocromo c
tros). Agora que você conhece alguns dos jeitos de (cit. c), como ficarão os estados redox dos
se conseguir energia, vamos entender no próximo componentes da cadeia?
capitulo, sobre as macromoléculas e a composição
dos seres vivos.

RESUMO Complexo 1 Ubiquinona Complexo 3 Complexo 4


(UQ)

a) reduzido reduzido reduzido oxidado


Metabolismo energético
b) reduzido reduzido neutro oxidado
Reações podem ser exergônicas, se liberarem
energia, ou endergônicas, se absorverem energia;
c) oxidado oxidado reduzido reduzido

328 A principal forma de reserva energética na célula é


o ATP. A hidrólise do ATP em ADP e Pi é uma reação d) oxidado oxidado neutro reduzido
exergônica;

Metabolismo energético aeróbico: processo de e) oxidado oxidado oxidado neutro

oxidação de moléculas orgânicas para produção


de ATP. Ocorre em três etapas:

1. Glicólise: no citoplasma ocorre a quebra de uma 2. (ENEM) O 2,4-dinitrofenol (DNP) é


glicose, originando 2 ATP, NADH e 2 Piruvatos. conhecido como desacoplador da cadeia de
elétrons na mitocôndria e apresenta um
2. Ciclo de Krebs ou ciclo do ácido cítrico: na efeito emagrecedor. Contudo, por ser perigoso
matriz mitocondrial ocorre a oxidação do e pela ocorrência de casos letais, seu uso como
piruvato, formando CO2, NADH, FADH2, e 2 ATP. medicamento é proibido em diversos países,
inclusive no Brasil. Na mitocôndria, essa substância
3. Cadeia transportadora de elétrons: os captura, no espaço inter membranas, prótons (H+)
elétrons capturados pelo NADH e pelo FADH2 são provenientes da atividade das proteínas da cadeia
transportados através de uma sequência de respiratória, retornando-os à matriz mitocondrial.
proteínas da membrana mitocondrial interna a Assim, esses prótons não passam pelo transporte
fim de reduzir O2 e H+ a H2O. A passagem dos enzimático na membrana interna.
elétrons pela cadeia transportadora cria um GRUNDLINGH, J. et al. 2,4-Dinitrophenol (DNP): a Weight Loss Agent with Significant Acute Toxicity and Risk of Death. Journal of Medical Toxicology, v. 7, 2011 (adaptado).

gradiente de concentração de H+ utilizado para


produção de ATP. O efeito emagrecedor desse composto está
relacionado ao(à):
Metabolismo energético anaeróbico: processos
de síntese de ATP na ausência de O2; a) obstrução da cadeia respiratória, resultando em
maior consumo celular de ácidos graxos.
Respiração anaeróbica: utiliza os mesmos
processos da respiração aeróbica, substituindo o b) bloqueio das reações do ciclo de Krebs,
aceptor final de elétrons da cadeia transportadora resultando em maior gasto celular de energia.
por outras moléculas que não O2 ;
c) diminuição da produção de acetil CoA,
Fermentação: parte do piruvato gerado na resultando em maior gasto celular de piruvato.
glicólise para produzir compostos menos
energéticos (etanol ou ácido lático). d) inibição da glicólise, resultando em maior
absorção celular da glicose sanguínea.
e) redução da produção de ATP, resultando em 5.(ENEM) Há milhares de anos o homem faz uso
maior gasto celular de nutrientes. da biotecnologia para a produção de alimentos
como pães, cervejas e vinhos. Na fabricação de
pães, por exemplo, são usados fungos unicelulares,
3.(ENEM) A fabricação de cerveja envolve a chamados de leveduras, que são comercializados
atuação de enzimas amilases sobre as moléculas como fermento biológico. Eles são usados para
de amido da cevada. Sob temperatura de cerca de promover o crescimento da massa, deixando-a
65 °C, ocorre a conversão do amido em maltose leve e macia.
e glicose. O caldo obtido (mosto) é fervido para a
inativação das enzimas. Após o resfriamento e a O crescimento da massa do pão pelo processo
filtração, são adicionados o lúpulo e a citado é resultante da
levedura para que ocorra a fermentação. A
cerveja sofre maturação de 4 a 40 dias, para ser a) liberação de gás carbônico.
engarrafada e pasteurizada.
PANEK, A. D. Ciência Hoje, São Paulo, v. 47, n. 279, mar. 2011 (adaptado). b) formação de ácido lático.

Dentre as etapas descritas, a atividade biológica no c) formação de água.


processo ocorre durante o(a):
d) produção de ATP.
a) filtração do mosto.
e) liberação de calor.
b) resfriamento do mosto.

c) pasteurização da bebida. 6.(FUVEST) A levedura Saccharomyces


cerevisae pode obter energia na ausência de
d) fermentação da maltose e da glicose. oxigênio, de acordo com a equação
C6H12O6 → 2 CO2 + 2 CH3CH2OH + 2 ATP.
e) inativação enzimática no aquecimento.
Produtos deste processo são utilizados na
indústria de alimentos e bebidas. Esse processo
4.(ENEM) Normalmente, as células do ocorre …………. da levedura e seus produtos são
organismo humano realizam a respiração utilizados na produção de …………..
aeróbica, na qual o consumo de uma
molécula de glicose gera 38 moléculas de ATP. As lacunas dessa frase devem ser preenchidas por:
Contudo, em condições anaeróbicas, o consumo de
uma molécula de glicose pelas células é capaz de a) nas mitocôndrias; cerveja e vinagre.
329
gerar apenas duas moléculas de ATP.
b) nas mitocôndrias; cerveja e pão.

c) no citosol; cerveja e pão.

d) no citosol; iogurte e vinagre.

e) no citosol e nas mitocôndrias; cerveja e iogurte.

7. (UFMG) Dois apreciadores de vinho fizeram


várias suposições sobre o assunto. A alternativa
que contém a suposição biologicamente correta é:

a) “a acidez do vinho é devida aos ácidos


orgânicos presentes nas leveduras utilizadas na
sua fabricação.”

b) “a doçura de alguns vinhos se deve à


Qual curva representa o perfil de consumo de
fermentação completa dos carboidratos de uva.”
glicose, para manutenção da homeostase de uma
célula que inicialmente está em uma condição
c) “a fermentação permite a quebra das ligações
anaeróbica e é submetida a um aumento gradual
peptídicas das proteínas da uva.”
da concentração de oxigênio?
d) “as folhas das parreiras realizam a
a) 1
fotossíntese, sem a qual não haverá a
matéria-prima para a fermentação.”
b) 2
e) “se o álcool não fosse adicionado durante a
c) 3
fabricação dos vinhos, beberíamos suco de uva.”
d) 4

e) 5
8. (UFRS) As hemácias humanas foram a) a farinha é constituída de polissacarídeos,
selecionadas ao longo da evolução de modo utilizados diretamente na fermentação.
a que desempenhassem hoje em dia suas
funções de maneira eficiente. Durante este b) a manteiga e os ovos são os principais alimentos
processo evolutivo, as mitocôndrias e os núcleos para os micro-organismos do fermento.
foram perdidos na fase madura.
c) a subida da bolinha à superfície do copo se deve
Quais dos processos biológicos a seguir à respiração anaeróbica.
continuam a ocorrer, nas hemácias maduras,
apesar desta adaptação? d) os micro-organismos do fermento são
protozoários aeróbicos.
a) Cadeia transportadora de elétrons.

b) Ciclo de Krebs. 12. (PUCPR) Analise as afirmações abaixo, relativas


ao processo do metabolismo energético:
c) Glicólise.
I. Fermentação, respiração aeróbica e respiração
d) Replicação. anaeróbica são processos de degradação das
moléculas orgânicas em compostos mais simples,
e) Transcrição. liberando energia.

II. Todos os processos de obtenção de energia


9. (UFMG) Na fabricação de iogurtes e ocorrem na presença do oxigênio.
coalhadas, utilizam-se “iscas”, isto é, colônias
de micro-organismos que realizam a III. A energia liberada nos processos do
fermentação do leite. Em relação a esse processo, é metabolismo energético é armazenada nas
correto afirmar que: moléculas de ATP.

a) consiste em respiração aeróbica. IV. No processo de fermentação, não existe uma


cadeia de aceptores de hidrogênio que está
b) é realizado por vírus anaeróbicos láticos. presente na respiração aeróbica e anaeróbica.

c) resulta da liberação de ácido lático e energia. V. Na respiração aeróbica, o último aceptor de


hidrogênio é o oxigênio, enquanto na respiração
d) resulta na formação de ácido acético e CO. anaeróbica é outra substância inorgânica.
330
VI. Na fermentação, a energia liberada nas
10. (UECE) Analise o esquema simplificado a seguir: reações de degradação é armazenada em 38 ATPs,
enquanto na respiração aeróbica e anaeróbica é
armazenada em 2 ATPs.

Estão corretas:

a) I , III , IV , V

b) I , III , V , VI
As fases 1 e 2 do esquema resumem,
respectivamente:
c) I , IV , V , VI
a) fotossíntese e fermentação.
d) I , II , IV , V
b) respiração e fotossíntese.
e) I , II , III, IV
c) fermentação e respiração.
13. (ENEM) A célula fotovoltaica é uma
d) fotossíntese e respiração.
aplicação prática do efeito fotoelétrico. Quando
a luz incide sobre certas substâncias, libera
elétrons que, circulando livremente de átomo para
11. (UFMG) Uma receita de pão caseiro utiliza
átomo, formam uma corrente elétrica. Uma célula
farinha, leite, manteiga, ovos, sal, açúcar e
fotovoltaica é composta por uma placa de ferro
fermento. Esses ingredientes são misturados e
recoberta por uma camada de selênio e uma
sovados e formam a massa que é colocada para
película transparente de ouro. A luz atravessa a
“descansar”. A seguir, uma bolinha dessa massa é
película, incide sobre o selênio e retira elétrons,
colocada num copo com água e vai ao fundo.
que são atraídos pelo ouro, um ótimo condutor de
eletricidade. A película de ouro é conectada à
Depois de algum tempo a bolinha sobe à superfície
placa de ferro, que recebe os elétrons e os
do copo, indicando que a massa está pronta para
devolve para o selênio, fechando o circuito e
ser levada ao forno. Com relação à receita é correto
formando uma corrente elétrica de pequena
afirmar que:
intensidade.
DIAS, C. B. Célula fotovoltaica. Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em: 16 ago. 2012 (adaptado).
O processo biológico que se assemelha ao descrito ANOTAÇÕES
é a:

a) fotossíntese.

b) fermentação.

c) quimiossíntese.

d) hidrólise de ATP.

e) respiração celular.

14. (ENEM) Anabolismo e catabolismo são


processos celulares antagônicos, que são
controlados principalmente pela ação hormonal.
Por exemplo, no fígado a insulina atua como
um hormônio com ação anabólica, enquanto o
glucagon tem ação catabólica e ambos são
secretados em resposta ao nível de glicose
sanguínea. Em caso de um indivídu