🌾 Aula 1 – Introdução à Disciplina de Produção de Espécies
Forrageiras
📚 Fonte: Aula 1 - Introdução à disciplina de Produção de Espécies
[Link]
🎯 Objetivos da Aula
Conhecer a dimensão da produção de forragem no Brasil;
Compreender os conceitos básicos ligados à produção de
forragem;
Relacionar conceitos com produtividade, condução e
manejo de pastagens;
Observar situações reais de campo para avaliar qualidade e
uso das pastagens.
🌱 Conceitos Fundamentais da Produção de Forragem
1. Diferença entre Pastagem e Forragem
Pastagem: vegetação disponível no campo que os animais
consomem diretamente.
Forragem: material vegetal (verde ou conservado) utilizado
como alimento dos animais.
2. Forragem Verde x Conservada
Verde: consumida diretamente no campo (pasto).
Conservada: processada para posterior uso (feno, silagem).
🐄 Situações Comuns de Pastagens
A aula traz imagens de diferentes cenários com pastagens:
Pastagem bem formada: cobertura uniforme e densa, pronta
para pastejo.
Pastagem apta para entrada dos animais: ponto ideal para
pastejo (antes da senescência).
Pastagem superpastejada: solo exposto, degradação da
vegetação.
Pastagem subpastejada: acúmulo excessivo de biomassa,
perda de qualidade.
Esses exemplos foram discutidos para mostrar a importância do
manejo adequado da entrada e saída dos animais no piquete.
🌎 Panorama das Pastagens no Brasil
Segundo dados da Revista Cultivar (2024):
% da área do
Categoria Área (ha)
Brasil
68.022.44
Pastagens nativas 8,0%
7
Pastagens 112.237.0
13,2%
plantadas 38
180.259.
TOTAL 21,2%
485
Além disso, o país possui 28 milhões de hectares de pastagens
degradadas, o que corresponde a 15,5% do total de áreas de
pastagens, com alto potencial para recuperação.
📊 Medição da Produtividade
Produtividade é medida geralmente em kg de matéria
seca/ha/ano.
Outro conceito muito importante é o de Unidade Animal (UA):
o Representa o consumo médio de um animal adulto (500
kg) com ganho de peso de 0,5 kg/dia.
o Serve para calcular a lotação animal por hectare.
🐃 Outros Conceitos
Boi sanfona: animal que perde peso na seca e ganha na
chuva, consequência de forragens mal manejadas.
Capineira: área destinada ao corte e fornecimento direto aos
animais (sistema de produção intensiva).
Banco de proteína: pastagem com espécies mais ricas em
proteína (ex: leguminosas) usada para equilibrar a dieta dos
animais.
🔁 Sistemas Integrados
A aula menciona sistemas integrados como estratégia sustentável de
produção, como:
ILP (Integração Lavoura-Pecuária)
ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta)
Esses modelos otimizam uso do solo e reduzem impacto ambiental.
✅ Conclusões da Aula
A introdução destaca:
A grandeza da área de pastagens no Brasil;
A importância de conceitos básicos no planejamento
forrageiro;
A necessidade de observar manejo e qualidade da pastagem
para melhorar produtividade e reduzir perdas.
📝 Perguntas de Prova (com respostas diretas):
1. Qual a diferença entre forragem e pastagem?
→ Forragem é o material vegetal usado na alimentação animal
(verde ou conservada); pastagem é o ambiente onde o animal
consome diretamente a vegetação.
2. O que representa uma Unidade Animal (UA)?
→ É o consumo padrão de um animal de 500 kg com ganho de
peso de 0,5 kg/dia, usado para calcular lotação por hectare.
3. Quantos hectares de pastagens degradadas o Brasil
possui, segundo a aula?
→ 28 milhões de hectares, o que representa 15,5% do total de
áreas de pastagens.
4. O que é o boi sanfona e por que ele representa um
problema?
→ É o animal que engorda na época das águas e emagrece na
seca, resultado do manejo inadequado das pastagens.
5. Por que sistemas integrados como ILP e ILPF são
importantes?
→ Porque otimizam o uso do solo, aumentam a produtividade e
reduzem os impactos ambientais.
🌱 Aula 2 – Morfologia de Espécies Forrageiras
📚 Fonte: Aula 2 - Morfologia de espécies [Link]
🎯 Objetivos da Aula:
Identificar as principais famílias botânicas de forrageiras;
Compreender suas características morfológicas;
Relacionar morfologia com propagação, manejo e uso.
🌾 1. Principais Famílias Forrageiras
Gramíneas (Poaceae) – monocotiledôneas, raízes
fasciculadas;
Leguminosas (Fabaceae) – dicotiledôneas, raízes pivotantes;
Palmáceas – importância localizada em regiões semiáridas (ex:
palma forrageira).
🌾 2. Morfologia de Gramíneas
🌿 Raiz:
Sistema fasciculado, com raízes laterais, adventícias e
verticais.
🌿 Caule:
Chamado colmo, com nós e entrenós;
O nó basal origina perfilhos.
🌿 Folha:
Possui bainha e lâmina (sésil, lanceolada, com nervuras
paralelas);
Disposição alternada nos nós do colmo.
🌿 Inflorescência:
Espiga: flores sésseis no eixo principal;
Cacho (rácemo): espiguetas com pedicelo;
Panícula: flores em eixos secundários com ou sem pedúnculo.
🌿 3. Morfologia de Leguminosas
🌱 Raiz:
Sistema pivotante (raiz principal profunda).
🌱 Caule:
Rizomas: subterrâneos, reservas energéticas;
Estolões: superficiais, semelhante aos rizomas;
Caules aéreos: eretos, prostrados, trepadores, herbáceos ou
lenhosos.
🌱 Folha:
Simples ou compostas:
o Pinadas, digitadas, trifoliadas, bipinadas;
Possuem gavinhas em algumas espécies.
🌱 Inflorescência:
Flor hermafrodita, com vários tipos de agrupamento:
o Espiga: estilosantes, amendoim forrageiro;
o Rácemo: siratro;
o Umbela: cornichão;
o Capítulo: trevos;
Fruto típico: legume.
🌱 4. Comparação Leguminosas x Gramíneas
Raízes: pivotantes (leguminosas) vs. fasciculadas (gramíneas);
Folhas: compostas e variadas (leguminosas) vs. simples,
paralelinérveas (gramíneas);
Inflorescência: geralmente mais complexa nas leguminosas.
🌿 5. Hábito de Crescimento
Prostrado/Rasteiro: crescimento rente ao solo, raízes nos nós
(ex: Cynodon);
Decumbente: colmo deitado, sem enraizamento (ex:
Brachiaria decumbens);
Cespitoso: crescimento ereto, formação de touceiras (ex:
Panicum, Pennissetum);
Semi-cespitoso: intermediário, com melhor cobertura do solo
(ex: Capim-buffel).
🌵 6. Palma Forrageira
Base alimentar em regiões áridas e semiáridas;
Alta palatabilidade, produção de biomassa e resistência
à seca;
Espécies:
o Opuntia ficus-indica: rústica;
o Nopalea cochenillifera: mais exigente em umidade;
Multiplicação por raquetes (cladódios).
🌾 7. Propagação de Espécies Forrageiras
Métodos:
Sementes;
Mudas:
o Rizomas: caules subterrâneos com nós e escamas
foliares;
o Estolões: crescem sobre o solo, originados da base do
colmo;
o Raquetes (palma forrageira).
📆 8. Estação de Semeadura
Verão: espécies tropicais;
Inverno: espécies temperadas;
Safrinha: 2ª safra.
📈 9. Período de Desenvolvimento
Anuais: completam o ciclo em uma estação;
Perene: rebrota por vários anos.
🌾 10. Variedade vs. Cultivar
Variedade (var.):
Origem natural, características morfológicas distintas;
Exemplo: cor de flor, pilosidade.
Cultivar (cv.):
Melhoramento genético feito pelo homem;
Características desejáveis: resistência a pragas, produtividade,
proteína.
✅ Conclusão da Aula
Gramíneas e leguminosas são as principais famílias forrageiras.
Morfologia auxilia na identificação, propagação e manejo.
É essencial conhecer formas de crescimento, formas de
propagação e classificação varietal.
📝 5 Perguntas com Respostas Resumidas
1. Qual a principal diferença entre a raiz de gramíneas e
leguminosas?
→ Gramíneas possuem raiz fasciculada; leguminosas possuem
raiz pivotante.
2. O que são estolões e como se diferenciam dos rizomas?
→ Estolões crescem sobre o solo e são superficiais; rizomas
crescem subterraneamente.
3. Como é a inflorescência típica das leguminosas?
→ Pode ser espiga, rácemo, umbela ou capítulo; flor
hermafrodita; fruto é legume.
4. Qual a diferença entre variedade e cultivar?
→ Variedade ocorre naturalmente; cultivar é resultado de
melhoramento genético.
5. O que caracteriza o hábito de crescimento cespitoso?
→ Plantas eretas que formam touceiras, com colmos crescendo
verticalmente.
🌿 Aula 3 – Ecofisiologia de Espécies Forrageiras
📚 Fonte: Aula 3 - Ecofisiologia de espécies [Link]
🎯 Objetivos da Aula
Compreender os componentes do ecossistema de
pastagens;
Entender a resposta das forrageiras ao ambiente e ao
manejo;
Avaliar como o ambiente e o manejo interferem no crescimento
e produtividade das plantas;
Refletir sobre a importância da escolha adequada da
espécie forrageira.
🌱 1. O Ecossistema das Pastagens
As pastagens são ecossistemas compostos por:
Plantas forrageiras,
Animais em pastejo,
Solo,
Clima,
Manejo realizado.
Esses componentes estão em constante interação. A forma como se
maneja uma pastagem influencia diretamente:
A resposta fisiológica da planta;
A produtividade;
A sustentabilidade do sistema.
🌿 2. Respostas ao Ambiente:
A plasticidade fenotípica das plantas permite adaptação a
diferentes condições ambientais.
Fatores ambientais que influenciam diretamente o crescimento
forrageiro:
Luz: Essencial para fotossíntese. Sombreamento reduz
crescimento e perfilhamento.
Água: Déficits hídricos afetam absorção de nutrientes e
expansão celular.
Temperatura: Influencia fotossíntese, respiração e divisão
celular.
CO₂: Concentração atmosférica interfere no ritmo da
fotossíntese.
🌾 3. Fisiologia do Crescimento
As plantas respondem às condições ambientais por meio de:
Alteração na arquitetura foliar (ângulo das folhas);
Modificação da relação raiz/parte aérea;
Variação no perfilhamento;
Acúmulo de reservas no sistema radicular.
💧 4. Importância da Adubação
A adubação corrige deficiências nutricionais do solo,
impactando o vigor da planta.
Resulta em maior produtividade e maior capacidade de
recuperação após pastejo.
🐄 5. Pastejo – Intensidade e Método
📌 Intensidade de pastejo:
Refere-se à lotação animal: número de animais por hectare.
Excesso de lotação → superpastejo → degradação da pastagem.
Baixa lotação → subpastejo → acúmulo de biomassa,
senescência precoce.
📌 Métodos de pastejo:
Pastejo contínuo: animais permanecem no mesmo piquete
por tempo indefinido.
Pastejo intermitente/rotativo: há alternância entre os
piquetes, respeitando períodos de descanso e crescimento da
planta.
🌾 6. Diferença Entre Espécies de Forrageiras
Cada espécie responde de forma diferente ao manejo e ao ambiente:
Algumas toleram melhor pisoteio e pastejo intenso;
Outras exigem descanso maior e são menos resistentes;
Algumas são mais produtivas em áreas férteis;
Outras têm maior resiliência em solos pobres.
🌍 7. Pecuária de Baixo Carbono
Uma vaca emite cerca de 500 L de metano/dia (perda de 10%
da energia que poderia ser usada em produção).
Estratégias de manejo, como melhoria na dieta e pastejo
rotativo, podem reduzir essas emissões e aumentar a
produtividade — promovendo uma pecuária de baixo impacto
ambiental.
🌾 8. Resposta da Planta ao Estresse
Estresse hídrico, térmico ou nutricional impacta o
desenvolvimento da planta.
As plantas adaptam-se modificando morfologia, metabolismo e
padrão de crescimento.
🧠 9. Conclusões Finais da Aula:
As condições edafoclimáticas (solo + clima) são
determinantes para o sucesso da pastagem.
A morfologia da planta forrageira afeta sua produtividade.
O produtor tem o poder de:
o Escolher a espécie correta;
o Manejar as condições edáficas (solo);
o Definir o ponto ideal de colheita/pastejo;
o Ajustar o regime e a lotação animal.
📝 5 Perguntas de Prova com Respostas Resumidas:
1. Quais fatores ambientais interferem diretamente no
crescimento das espécies forrageiras?
→ Luz, água, temperatura e CO₂.
2. Qual a diferença entre pastejo contínuo e pastejo
rotativo?
→ O contínuo mantém os animais no mesmo piquete, enquanto
o rotativo alterna os piquetes com períodos de descanso.
3. O que significa plasticidade fenotípica nas forrageiras?
→ Capacidade da planta de alterar seu desenvolvimento
conforme as condições do ambiente.
4. Como o sombreamento influencia as forrageiras?
→ Reduz a taxa de fotossíntese, o perfilhamento e o acúmulo de
biomassa.
5. Por que a escolha da espécie forrageira deve considerar
o tipo de solo e o clima?
→ Porque cada espécie responde de forma distinta às condições
ambientais e de manejo, influenciando diretamente a
produtividade e a persistência da pastagem.
🌾 Aula 4 – Valor Nutricional de Forragens
📚 Fonte: Aula 4 - Valor nutricional de [Link]
🎯 Objetivos da Aula:
Entender como componentes da planta afetam a qualidade
da forragem;
Conhecer ferramentas de análise da qualidade forrageira;
Aprender os principais parâmetros bromatológicos;
Avaliar o impacto da adubação nitrogenada na qualidade da
forragem.
🌱 1. Conceitos Básicos de Nutrição Animal
Carboidratos:
Nutriente mais abundante nas plantas;
Principal fonte de energia para os animais;
Divididos em:
o Carboidratos estruturais (CE) → Parede celular:
celulose, hemicelulose e lignina;
o Carboidratos não estruturais (CNE) → amido,
açúcares, frutanas.
Carboidratos Estruturais (CE):
Função estrutural da planta;
Formados por lignina, que resiste à digestão;
Estimulam ruminação, salivação e motilidade ruminal;
Afetam a capacidade de ingestão e o consumo voluntário do
animal.
Carboidratos Não Estruturais (CNE):
Fontes rápidas de energia;
Fermentação rápida no rúmen;
Estão em sementes, folhas, caules e raízes.
🧬 2. Componentes Nutricionais Importantes
Açúcares solúveis: glicose, sacarose, frutose;
Amido;
Ácidos orgânicos;
Proteínas.
🧪 3. Qualidade Bromatológica
O que é?
Análise química feita em laboratório;
Estima a digestibilidade e potencial de consumo da
forragem;
Não mede diretamente o valor nutricional, mas sim
parâmetros que o indicam.
🧮 4. Parâmetros da Análise Bromatológica
🔹 Matéria Seca (MS):
Não é um componente químico, mas base de cálculo para os
outros;
MS = Parte da planta sem água.
🔹 Proteína Bruta (PB):
Determinada via método Kjeldahl;
Baseia-se na quantidade de nitrogênio total × 6,25;
Assumido que toda proteína vegetal contém 16% de N.
🔹 Fibra Bruta (FB):
Composta por celulose, hemicelulose e lignina;
Determinação pelo método Weende (ácido + base fraca);
Subestimada sozinha → pouco confiável isoladamente.
🔹 Fracionamento da Fibra:
Proposto por Van Soest e Wine (1967):
o FDN (Fibra Detergente Neutro): celulose +
hemicelulose + lignina;
o FDA (Fibra Detergente Ácido): celulose + lignina;
o Lignina: parte indigestível da fibra.
🧪 5. Indicadores Complementares
🔹 FDNfe – FDN Fisicamente Efetiva:
Estimula ruminação e motilidade ruminal;
Relacionada ao tamanho das partículas da forragem (≥1,18
mm);
Quanto maior o FDNfe, maior estímulo à mastigação.
🔹 NDT – Nutrientes Digestíveis Totais:
Representa a energia do alimento;
Fórmula:
%NDT = 87,84 - (0,70 × %FDA)
Exemplo: FDA = 25% → NDT = 70,34%.
🔹 MM – Matéria Mineral:
Determinada por incineração a 550–600 °C;
Representa a fração inorgânica (minerais).
🔹 EE – Extrato Etéreo:
Lipídeos (gordura);
Cada grama de óleo fornece 2,25x mais energia que
carboidratos.
🔹 CNF – Carboidratos Não Fibrosos:
Incluem beta-glucanas, pectinas, polissacarídeos;
Calculado por:
CNF = 100%MS – (%PB + %EE + %FDNlivre de PB +
%MM)
🧮 6. Estimativa da Produção de Leite
Fórmulas práticas:
1. Leite estimado (kg/vaca) = (consumo PB – 0,73) ÷ 0,074
2. Leite estimado (kg/ha) = leite estimado × massa seca
(kg/ha)
3. Leite estimado (kg/t MS) = leite estimado (kg/ha) ÷
(massa seca (kg/ha) ÷ 1000)
🌿 7. Características Agronômicas Desejáveis:
Alta produção de matéria seca;
Boa relação folha/colmo (ideal = 1:1);
Maior produção de folhas que colmos = melhor qualidade.
🌱 8. Adubação Nitrogenada
Aumenta a produção de biomassa;
Estimula o crescimento das folhas e elongamento de
colmos;
Influencia a relação folha/colmo;
Impacta positivamente o teor de PB na forragem.
✅ Conclusão da Aula:
A qualidade da forragem está diretamente ligada à sua
composição estrutural;
A análise bromatológica é a principal ferramenta de
avaliação;
Adubação correta e seleção de materiais com boa
morfologia impactam positivamente o desempenho animal.
📝 5 Perguntas com Respostas Resumidas
1. O que são carboidratos estruturais e qual sua função na
planta?
→ Composto por celulose, hemicelulose e lignina; dão estrutura
à planta e resistem à digestão.
2. Como é determinada a proteína bruta (PB) de uma
forragem?
→ Pelo método Kjeldahl, multiplicando o teor de nitrogênio total
por 6,25.
3. O que representa o FDN e por que é importante?
→ É a fração de celulose, hemicelulose e lignina; indica teor de
fibra e influencia no consumo e qualidade da silagem.
4. Como a adubação nitrogenada afeta a qualidade da
forragem?
→ Aumenta a produção de biomassa e teor de proteína, melhora
a relação folha/colmo.
5. Qual a fórmula para estimar o %NDT a partir da FDA?
→ %NDT = 87,84 – (0,70 × %FDA)
🌿 Aula 5.1 – Gramíneas Forrageiras de Clima Tropical
📚 Fonte: Aula 5.1 - Gramíneas Forrageiras de Clima [Link]
🎯 Objetivos da Aula:
Conhecer as principais gramíneas forrageiras tropicais;
Identificar características morfológicas, produtivas e de uso;
Entender o papel de cada espécie no planejamento
forrageiro.
🌱 1. Escolha da Forrageira Ideal
Gramíneas vs Leguminosas:
Gramíne
Critério Leguminosas
as
Produtividade Maior Menor
Maior (pH, P,
Exigência Menor
clima)
Qualidade
Menor Maior (PB)
nutricional
Temperadas (C3): Melhor digestibilidade e proteína.
Tropicais (C4): Alta produtividade por área.
🌾 2. Principais Espécies Tropicais
Brachiaria brizantha
Rizomatosa, perene, tolerante à seca e solos úmidos;
PB ~10%, produção: 8–10 t MS/ha/ano;
Cultivares:
o Marandu (Braquiarão): até 6 UA/ha, suscetível à
cigarrinha;
o Xaraés: até 7 UA/ha, sensível a histórico de cigarrinha.
Brachiaria decumbens
Crescimento decumbente;
Produção: 9–11 t MS/ha/ano;
Baixa PB (~5,87%);
Uso: pastejo contínuo e fenação;
Baixa adaptação a consórcios.
Brachiaria humidicola
Agressiva, tolerante à seca, geada e solos pobres;
PB ~11,9%, FB ~37%;
Boa adaptação geral.
Brachiaria ruziziensis
Perene, rasteira, estolonífera, palatável;
Propagação por sementes ou mudas;
Não tolera geada.
Digitaria decumbens (Capim Pangola)
Estolonífera, agressiva, difícil erradicação;
Boa palatabilidade;
Tolerante a seca, geada e inundação;
Produção: 10 t MS/ha/ano, suporta 2,5 UA/ha.
Paspalum notatum (Grama Batatais)
Perene, rizomatosa, PB ~10%;
Suporta 1 a 1,5 UA/ha;
Propagação por sementes.
Pannisetum clandestinum (Quicuio)
Rasteiro, propagação por estolões e rizomas;
PB ~10%.
Pannisetum purpureum (Capim Elefante)
Muito produtivo (até 70 t MS/ha/ano);
PB de 10–13%;
Exigente em solo e água;
Cultivares: Napier, Cameroon, Merker, Capiaçu;
Uso: pastejo, feno, pré-secado, silagem.
Hemartria (Hemarthria altissima)
Perene de verão;
Adaptada a locais úmidos e alagados;
PB 7–10%;
Propagação por mudas.
🌿 3. Gênero Cynodon – Gramas Bermudas e Estrela
Características:
Origem: África tropical;
C4, perenes, ciclo fotossintético eficiente;
Uso: feno, pastejo e silagem;
Alta produtividade: 20–25 t MS/[Link];
Capacidade de suporte: 5–7 UA/ha.
Subtipos:
Grama Bermuda: estolões e rizomas (C. dactylon);
Grama Estrela: apenas estolões (C. nlemfuensis).
🌱 4. Destaque: Tifton 85
Híbrido (Tifton 68 x C. dactylon);
Desenvolvido nos EUA;
Perene, estolonífera;
Tolerante ao frio, exige fertilidade;
Produção >20 t MS/ha/ano;
PB: 11–13%; Digestibilidade: 58–65%;
Propagação por mudas (estolões).
🌿 5. Outros Cynodon
Capim Estrela Africana
Tolerante a solos pobres e encharcados;
Não produz rizomas;
Boa resposta à adubação.
Coast Cross
Híbrido estéril com crescimento prostrado;
Uso: pastejo direto.
Capim Vaquero
Boa produção de biomassa;
PB: 15–20%;
Propagação por sementes.
🌱 6. Milheto (Pennisetum glaucum)
Anual, raízes profundas, resistente à seca;
PB: 12–24%, até 20 t MS/ha;
Rápida rebrota, crescimento vigoroso;
Pastejo após 40–50 dias da semeadura.
🌾 7. Sorgo (Sorghum spp.)
Alta produção de grãos e MS;
Tolerante à seca, mas sensível a doenças:
o Antracnose, míldio, ferrugem, podridão seca;
PB ~19%;
Semeadura: 12 kg/ha;
Altura para pastejo: entrada (60–80 cm), saída (20 cm);
Cultivares: pastejo e silagem;
Sorgo Boliviano Gigante: sacarose nas folhas, alta
palatabilidade.
✅ Conclusão da Aula:
Gramíneas tropicais são essenciais para produção em clima
quente;
Sua escolha deve considerar:
o Tipo de solo,
o Disponibilidade hídrica,
o Objetivo de uso (pastejo, feno, silagem);
Cada espécie/cultivar possui exigências e potencial produtivo
específicos.
📝 5 Perguntas com Respostas Resumidas
1. Qual a principal característica do gênero Cynodon em
termos de uso forrageiro?
→ Alta produtividade, bom valor nutritivo, uso em pastejo,
silagem e feno.
2. Por que o capim Tifton 85 é considerado um dos
melhores híbridos?
→ Elevada produção, boa digestibilidade, tolerância ao frio, bom
perfilhamento e qualidade forrageira.
3. Quais as vantagens do milheto em regiões tropicais?
→ Rápido crescimento, alta rebrota, tolerância à seca, boa
proteína.
4. Qual a diferença entre Brachiaria brizantha Marandu e
Xaraés?
→ Marandu suporta 6 UA/ha e é sensível à cigarrinha; Xaraés
suporta 7 UA/ha, mas é sensível em áreas com histórico da
praga.
5. Que gramínea tropical é indicada para áreas úmidas e
alagadas?
→ Hemarthria altissima (Hemartria), tolerante a encharcamento.
🌾 Aula 5.2 – Gramíneas Forrageiras de Clima Temperado
📚 Fonte: Aula 5.2 - Gramíneas Forrageiras de Clima [Link]
🎯 Objetivos da Aula:
Conhecer as principais gramíneas forrageiras adaptadas a
climas frios;
Identificar características, usos e variedades dessas
espécies;
Compreender a importância do manejo e da escolha da
cultivar ideal.
🌱 1. Características Gerais das Gramíneas Temperadas
Qualidade Produtividad
Clima Fotossíntese
Nutricional e
Temperado Fotossíntese em Alta (PB e Menor que
(C3) temperaturas amenas digestibilidade) tropicais
Tropical Fotossíntese mais Menor Mais
Qualidade Produtividad
Clima Fotossíntese
Nutricional e
(C4) eficiente no calor produtivas
As gramíneas temperadas são ideais para regiões frias devido à sua
qualidade bromatológica superior, com:
Mais proteína bruta (PB),
Maior digestibilidade dos carboidratos,
Melhor desempenho animal por kg de matéria seca.
🌾 2. Tipos de Cultivares
🔸 Cultivares graníferas:
Foco em produção de sementes;
Mais baratas;
Ciclo mais curto.
🔸 Cultivares forrageiras:
Ciclo mais longo;
Mais perfilhamento;
Maior custo por serem menos abundantes em sementes.
🌿 3. Espécies Principais
🌱 Azevém (Lolium multiflorum)
Annual, clima frio;
Crescimento cespitoso (em touceiras);
Semeadura: março a abril;
Não tolera calor intenso;
Uso: pastejo, feno, silagem;
Início do pastejo após 55 dias;
Grande variação de produtividade e PB conforme a cultivar:
o Ex: Bar HQ → 4,5 t MS/ha, 18% PB;
o Potro → 7 a 10 t MS/ha, até 26% PB.
📌 Destaque:
A aptidão da cultivar ao pastejo é essencial → afeta persistência e
rebrote.
🌱 Aveia Branca (Avena sativa L.)
Anual de inverno;
Cespitosa, propagação por sementes;
Semeadura: março (implantação precoce);
Sensível a:
o Doenças: ferrugem, carvão, manchas;
o Pragas: pulgões, lagartas;
Requer cuidado com altura de entrada e saída de pastejo;
Início do pastejo: 40 a 45 dias após semeadura.
Principais cultivares:
Afrodite, Taura, Corona, Suprema, Fuerza.
🌱 Aveia Preta (Avena strigosa)
Mais rústica que a branca;
Melhor adaptação a:
o Acidez do solo,
o Seca;
Tolerante a doenças;
Cultivares: IPR61, Tambo, Bagual, Embrapa 139;
MS: até 7 a 8 t/ha; PB: ~13%.
🌱 Centeio (Secale cereale L.)
Cespitosa, anual, clima frio rigoroso;
Semeadura: março a maio;
Alta rusticidade:
o Tolerante à acidez, déficit hídrico e doenças;
Sensível à compactação e baixa fertilidade;
Exige manejo preciso para evitar competição com daninhas.
Cultivares:
Temprano
BRS Serrano: tolerante a doenças e geada.
🌱 Cevada (Hordeum vulgare)
Cespitosa, exigente em fertilidade;
Boa digestibilidade e PB (~20%);
Uso: pastejo e duplo propósito;
Resistente ao frio.
🌱 Trigo (Triticum aestivum)
Uso duplo: grãos e forragem;
Recomendado para pastejo, feno, pré-secado e silagem;
Ciclo mais tardio para variedades forrageiras;
Importância da escolha da cultivar correta:
Cultivares:
BRS Pastoreio:
o Duplo propósito, resistente à geada;
o Silagem: 28 t MV/ha;
o Grãos: 3.037 kg/ha;
Biotrigo Energix:
o Específica para silagem e pré-secado;
o Alta palatabilidade, sanidade foliar.
📊 4. Avaliações Técnicas
Avaliações comparativas mostram:
o Produção de MS das cultivares;
o Custo-benefício entre espécies;
o Importância de ajustar tempo de pastejo com base no
clima e crescimento.
✅ Conclusão da Aula:
O conhecimento das espécies e variedades permite melhor
planejamento e condução da pastagem;
Cultivares forrageiras são essenciais para sistemas
integrados de produção animal em regiões de clima
temperado;
Fatores como resistência ao frio, ciclo e perfilhamento são
decisivos para o sucesso forrageiro.
📝 5 Perguntas de Prova com Respostas Resumidas:
1. Por que o azevém é amplamente utilizado em regiões de
clima temperado?
→ Alta qualidade nutricional, bom rebrote, uso versátil e
adaptado ao frio.
2. Quais as principais diferenças entre aveia branca e
preta?
→ Branca: mais sensível a doenças e geadas; Preta: mais rústica
e resistente à seca e acidez.
3. Qual cultivar de trigo é recomendada para silagem e por
quê?
→ Biotrigo Energix, por ter ciclo precoce, alta palatabilidade e
boa sanidade foliar.
4. Por que o manejo do pastejo é importante nas
forrageiras temperadas?
→ Influencia o rebrote, a persistência da planta e o desempenho
animal.
5. Cite duas vantagens das gramíneas de clima temperado
sobre as tropicais.
→ Melhor digestibilidade e maior teor de proteína.