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SANTOS. Pauta Formativa

O documento discute a importância de pautas formativas em reuniões pedagógicas para promover reflexões e aprendizagens significativas entre docentes. Destaca a necessidade de uma organização cuidadosa das pautas, que deve incluir objetivos claros, estratégias metodológicas diversificadas e momentos de reflexão coletiva. Além disso, sugere a utilização de recursos e ferramentas para facilitar a formação, especialmente em contextos de ensino remoto.

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SANTOS. Pauta Formativa

O documento discute a importância de pautas formativas em reuniões pedagógicas para promover reflexões e aprendizagens significativas entre docentes. Destaca a necessidade de uma organização cuidadosa das pautas, que deve incluir objetivos claros, estratégias metodológicas diversificadas e momentos de reflexão coletiva. Além disso, sugere a utilização de recursos e ferramentas para facilitar a formação, especialmente em contextos de ensino remoto.

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Pauta formativa: construção de saberes docentes em

reuniões pedagógicas.

Edição 1ª

Autora

Andréa Araújo

Diagramação e revisão gráfica

Thaís Laguna

Elos Educacional
Santo André
2022

ISBN Nº 978-65-86579-12-3
Pauta formativa: construção de saberes docentes em

reuniões pedagógicas.
por Andréa Araújo dos Santos

Encontros formativos coletivos são essenciais para a desenvolver diversos tipos de

reflexões e autorreflexões, sempre com o intuito de potencializar o ensino e a

aprendizagem. O objetivo desse texto é trazer alguns pontos teóricos e

metodológicos sobre a importância da elaboração de uma pauta formativa para

esses encontros, pois eles devem ser significativos para os/as docentes e

proporcionar a (re) configuração de novas ações.

Para cada encontro formativo, é necessário organizar uma pauta e, nela, estruturar

cada momento junto aos/às docentes. Organizar e realizar uma formação

pedagógica continuada no contexto da escola não é uma tarefa tão simples, mas é

um rico desafio, pois nos coloca em movimento de inventividade, criatividade e de

alinhamento de intencionalidades, ou seja, é um momento de aprendizado.

Espero, com esse texto, inspirar na constituição dos encontros formativos na sua

escola! Nesse sentido, vamos refletir? Quais são, então, os pontos estruturais para

elaborar uma pauta formativa? Primeiro é fundamental anotar qual é o objetivo que

se pretende alcançar e, assim, tornar esse momento de encontro coletivo o mais

proveitoso possível.
De onde parte esse objetivo? De necessidades observadas no contexto escolar (nas

salas de aulas, nos resultados das avaliações (externas e internas), por exemplo. É

possível também que ele seja ilustrado nas formações coletivas, em um comentário

apresentado por um/a docente, em uma resposta à uma pergunta, em momentos

de diálogos e de dúvidas, em resultados de uma produção em pequenos grupos e

assim por diante. Por isso, o olhar da liderança deve ser apurado para vários

espaços da escola e a escuta ativa cada vez mais desenvolvida e expandida.

O essencial é promover uma pauta para esse momento onde ele deixe de ser

meramente formal e passe a fazer parte da construção de reflexões pautadas nas

necessidades observadas no cotidiano escolar, ou seja, para além de um momento

informativo (que também é importante, mas muitas informações podem acontecer

por e-mail e/ou outras formas comunicativas) ele deve ser, prioritariamente,

formativo.

O momento de formação coletiva deve ser elaborado previamente e várias etapas

precisam ser pensadas para que se possa alcançar o que foi pretendido

apresentando claramente a intencionalidade para cada ação. Lembrar, também, de

elaborar situações que favoreçam o aprendizado ou início de reflexões que serão

norteadoras de encaminhamentos para a necessidade elencada e priorizando a

aprendizagem dos/as alunos/as e, isso, pode acontecer com estudos de casos

criados pelas próprias lideranças que farão a mediação do encontro.

Silvana Tamassia, cita que:

Para isso, novamente destacamos a importância da coordenação


organizar uma pauta formativa que privilegie diferentes estratégias
metodológicas, garantindo, principalmente, momentos de reflexão
em pequenos grupos, momentos de análise de práticas e de leitura e
embasamento teórico. (Tamassia, 2011, p.183)

Para Roberto Sidnei Macedo a formação necessita de um conjunto de condições e

mediações para que as aprendizagens pretendidas sejam alcançadas. Entendemos


que as mediações são ações, de certa forma, mais centralizadas nos/as gestores/as,

mas construindo momentos em que todos se tornem participantes dos processos

de reflexão.

“É nestes termos que Bernard Honoré nos incita em toda a


sua vasta obra sobre a formação a, em de viver as práticas
de formação ingenuinamente, sem questionamentos, ou
se satisfazendo com questões curtas e rapidamente
fechadas em respostas fáceis e reconhecidas como
evidentes, faz-se necessário se dirigir à formação como
fenômeno a se descobrir” (Roberto Sidnei Macedo, p. 117)

Outro ponto bastante interessante para ser debatido em encontros formativos, é a

prática em sala de aula pensando nas estratégias que são aplicadas ou nas que

podem vir a ser e que resultem em resultados positivos para a aprendizagem dos/as

alunos/as. Elaborar momentos para que o corpo docente possa conhecer boas

práticas e refletir sobre elas. Essa ação favorece a construção de novos

encaminhamentos acerca das estratégias apresentadas, possibilitando que sejam

aplicadas em sala de aula, promovendo novas experiências ou aprimorando as já

praticadas com os alunos.

Segundo Tamassia, nos momentos de reunião pedagógica é preciso formular

espaços para reflexão da prática e estudos e apresenta uma estrutura bastante

potente para essa organização:

• Uma introdução para desenvolver um início acolhedor que pode ser por

meio de um vídeo, um texto, um poema, uma música ou uma imagem. É

importante envolver todos/as. Essa metodologia na introdução do encontro,

promove, inclusive, o desenvolvimento da criatividade, pois depois da

apresentação do vídeo, por exemplo, é fundamental abrir espaço para que

os/as docentes explanem suas percepções;

• apresentar uma pergunta para que os/as docentes apresentem os

conhecimentos prévios acerca do tema central do encontro. Essa


metodologia apoia os/as mediadores/as no desenvolvimento do encontro.

As respostas são termômetros para as ações de mediação. Muitas vezes uma

retomada seja essencial, já em outros momentos o aprofundamento do

tema pode ser mais atrativo. Por isso, a preparação dessa pauta, com

anotações de retomada ou aprofundamentos, é vital para trazer mais

significado para o momento.

• elaborar ações para aprofundar os estudos sobre o tema, por meio de

estudos de casos, leituras de fragmentos de artigos, reflexão com

apresentação de vídeos com depoimentos ou documentários também são

importantes. Esses momentos podem ser por meio de constituição de

pequenos grupos, duplas, trios, para potencializar as reflexões. Onde os/as

docentes possam realizar encaminhamentos sobre os fatos analisados;

• socializar o que foi construído é um ponto chave! A partir dessa construção

que muitas ações pedagógicas em prol do ensino e da aprendizagem podem

ser (re) criadas;

• ao final do encontro solicitar uma avaliação sobre a formação. É assim que,

enquanto mediadores/as podemos rever nossas pautas, no sentido de, cada

vez mais, serem momentos formativos e significativos.

“Para Pierre Dominicé, a formação é um objeto movente, que implica ser

compreendido através dos seus processos, das suas dinâmicas, das evoluções, em

geral contraditórias. “A formação é sempre singular, mas esta singularidade se

constrói através dos percursos socializados, habitados por heranças coletivas”

(Dominicé, 2007, p.199)

Vale lembrar que, nas pautas formativas, previamente construídas, além da

estrutura citada anteriormente, deve conter os recursos que serão utilizados é

fundamental. Por exemplo:


caixa de
flip chart. canetinhas. Datashow.
som.

papéis
fita crepe. post-it.
avulsos.

Como vivenciamos duas experiências em formações continuadas, por conta da

COVID 19, não posso deixar de citar alguns recursos para formações a distância:

• Criar links de plataformas como Meet e Zoom com antecedência e testar

antes do encontro;

• testar as ferramentas: áudio e imagem;

• pensar em estratégias para envolver os/as docentes, como perguntas

direcionadas solicitando a abertura do microfone;

• uso do chat (convidando que todos/as escrevam as suas considerações), cite

que as ideias e respostas deles/as são fundamentais e importantes para o

contexto da escola;

• uso de aplicativos interativos, como Metimenter, Edupulses, Jamboard, entre

outros.

E o gerenciamento do tempo, como fica? Anote, em cada ação, qual é o tempo para

ela. Veja uma dica:

Introdução: tempo total 12 minutos

• realizar a leitura do texto (citar o título, autor e anexar o texto na pauta):

5 minutos;

• abrir espaço para diálogos sobre o texto: 7 minutos.


Para finalizar, quero lembrar que essas reflexões não se findam aqui, pois a

criatividade não tem limites, então, elabore um estoque de perguntas (são elas que

movem o mundo!) Vamos refletir sobre algumas? Elas foram reconfiguradas a partir

do livro: Escolas que aprendem, de Peter Senge.

No que podemos melhorar sobre essa questão?

Para onde devemos ir agora que esse ponto foi ilustrado?

Em sua experiência, com esses alunos/as, quais são as características marcantes


que nos ajudam a modificar esse cenário?

Como você chegou à essa informação, quais são as evidências?

Como eu contribuí para que essa situação?

Quais são os padrões de visões que estamos desenvolvendo? Eles nos apoiam para o
crescimento da aprendizagem?

Mas, imprevistos podem acontecer, não é mesmo? Por isso, rediga uma pauta que

possa ser entendida e aplicada por qualquer pessoa, caso seja necessário!

Nessa perspectiva, as reuniões pedagógicas são momentos de provocações e

aberturas para reflexões, tanto para as necessidades mais emergenciais quanto

para oportunizar as percepções de futuras pautas, com temas que são aderentes à

realidade dos/as docentes, dos/as alunos/as, comunidade, responsáveis e da

dinâmica escolar.

O objetivo é criar momentos para escuta, observações apuradas e

encaminhamentos de melhorias, auxiliando o corpo docente perante as práticas em

sala de aula, para desenvolver um ensino e aprendizagem de qualidade com

equidade.
Macedo, R.S, Compreender/ mediar a formação: o fundante da educação. (2010).

Brasília. Liber Livro editora.

Tamassia, Silvana Aparecida Santana. Ação da coordenação pedagógica e a

formação continuada dos professores do ensino fundamental I: desafios e

possibilidades. 2011. 285 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Pontifícia

Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011. Consultada em 03 de fevereiro

de 2022, no endereço: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/9610

SENGE, P. Escolas que aprendem: um guia da quinta disciplina para educadores,

pais e todos os

que se interessam pela educação. Porto Alegre: Artmed. 2005

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