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A pesquisa analisou as concepções de estigma social entre 44 pessoas vivendo com HIV/AIDS em Parnaíba/PI, revelando que, mesmo após quase três décadas da epidemia, os participantes ainda enfrentam e internalizam estigmas históricos e sociais relacionados à doença. Os dados obtidos visam apoiar intervenções em saúde pública para reduzir o estigma social associado à soropositividade. O estudo destaca a importância de compreender as experiências de preconceito para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.
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A pesquisa analisou as concepções de estigma social entre 44 pessoas vivendo com HIV/AIDS em Parnaíba/PI, revelando que, mesmo após quase três décadas da epidemia, os participantes ainda enfrentam e internalizam estigmas históricos e sociais relacionados à doença. Os dados obtidos visam apoiar intervenções em saúde pública para reduzir o estigma social associado à soropositividade. O estudo destaca a importância de compreender as experiências de preconceito para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.
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36298/gerais202013e14757

Análise da estigmatização no contexto do HIV/AIDS: Concepções


de Pessoas que Vivem com HIV/AIDS

Analysis of Stigmatization in the Context of HIV/AIDS: Concepts of


People Living with HIV/AIDS

Luciana Kelly da Silva Fonseca ([Link]/0000-0001-8832-5261)1


José Victor De Oliveira Santos ([Link]/0000-0002-6661-2873)2
Ludgleydson Fernandes de Araújo ([Link]/0000-0003-4486-7565)3
Alice Vitória Freire Cordeiro Sampaio ([Link]/0000-0002-7912-0202)4
___________________________________________________________________________
Resumo
A presente pesquisa buscou identificar as concepções acerca do estigma social entre pessoas vivendo com o
HIV/AIDS. Participaram 44 soropositivos, com idade entre 23 e 67 anos (M = 41,00; DP = 10,60), que estavam em
acompanhamento no centro de testagem e aconselhamento (CTA) da Secretária da Saúde da Prefeitura Municipal de
Parnaíba/PI. Utilizou-se entrevista semiestruturada e questionário sociodemográfico para caracterização da amostra.
Constatou-se que, apesar de quase três décadas passadas da epidemia e da sua mudança epidemiológica, as pessoas
que convivem com HIV/AIDS ainda sofrem e internalizam estigmas, que são construções históricas, culturais e
sociais, que giram em torno da doença, assim demonstrando medo do julgamento moral da sociedade. Espera-se que
esses dados possam subsidiar futuras intervenções em saúde coletiva que possam contribuir para atenuar as
vivências de estigma social no contexto da soropositividade para o HIV/AIDS.

Palavras-chave: Estigma social. Preconceito. Pessoas vivendo com HIV/AIDS.

Abstract
The current research sought to identify the conceptions about the social stigma among people living with
HIV/AIDS. Participated 44 HIV-positive individuals, aged between 23 and 67 years (M = 41,00, SD = 10,60),
who were being monitored at the testing and counseling center (CTA) of the Secretary of Health of the
Municipality of Parnaíba/PI, Brazil. Semi-structured interview and sociodemographic questionnaire were used
to characterize the sample. It was found that, despite almost three decades after the epidemic and its
epidemiological change, people living with HIV/AIDS still suffer and internalize stigmas, which are historical,

1
Universidade Federal do Piauí, Parnaíba, Brasil: E-mail: l.kelly_fonseca@[Link].
2
Universidade Federal do Piauí, Parnaíba, Brasil. E-mail: victorolintos@[Link].
3
Universidade Federal do Piauí, Parnaíba, Brasil. E-mail: ludgleydson@[Link].
4
Faculdade Internacional do Delta, Parnaíba, Brasil. E-mail: alicevitoria@[Link].

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Análise da estigmatização no contexto do HIV/AIDS Página 2 de 14

cultural and social constructions, revolving around the disease, as well showing fear of the moral judgment of
society. It is expected that these data may support future public health interventions that can contribute to
alleviate the experiences of social stigma in the context of HIV/AIDS seropositivity.

Keywords: Social stigma. Prejudice. People living with HIV/AIDS.

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Introdução medicamentos chamados de antirretrovirais


(ART), que trouxeram uma melhor qualidade de
Transcorrido três décadas desde a vida às pessoas vivendo com HIV/AIDS
aparição dos primeiros casos de infecção pelo (Araújo, 2014). Esses medicamentos são
HIV/AIDS, observa-se essa enfermidade como utilizados para o controle da enfermidade,
problema de saúde de ordem mundial (Reis, ajudando a prolongar a vida ativa das pessoas
Melo, Galvão & Gir, 2014) e uma das doenças infectadas e diminuindo as chances de ação de
que representa um dos sérios problemas de doenças oportunistas (Unaids, 2015). Em 2013,
saúde pública, caracterizada como epidemia mais 2,3 milhões de pessoas passaram a ter
global (Unaids, 2015). A infecção pelo acesso a esses medicamentos, o que elevou o
HIV/AIDS é considerada uma doença crônica, número global de indivíduos recebendo ART
o que implica para os profissionais de saúde para cerca de 13 milhões (Associação Brasileira
desafios que vão além de ações voltadas para a de Estudos Populacionais – ABEP, 2014).
contenção da epidemia. A partir disso, percebe- Apesar da adesão aos ART, um número
se que as ações direcionadas para o tratamento e estimado de 8 milhões de pessoas morreu de
a disseminação de conhecimento são de suma causas relacionadas com a HIV/AIDS em 2010
importância por parte dos responsáveis para que (Qiao, Li & Stanton, 2014), desse modo,
não ocorra discriminação ou propagação do observa-se a necessidade de pesquisas com
estigma social (Araújo, Teva, Quero, Reyes & escopo de conhecer os fatores psicossociais
Bermúdez, 2017; Araújo, Teva & Bermúdez, intrínsecos a essa enfermidade.
2015; Santos, 2014; Teva, Araújo & Bermúdez, O surgimento do HIV/AIDS é visto
2018). como um fator social e histórico que trouxe sob
Nesse contexto, estima-se que sua incumbência uma carga de vulnerabilidade
37.967.000 de pessoas vivem com HIV/AIDS social marcante, bem como alguns preconceitos
globalmente, 17,1 milhões não sabem que têm o e dúvidas a respeito dessa doença, ainda
vírus e precisam ser atingidos com serviços de desconhecida na época de seu surgimento
testagem do HIV, e por volta de 22 milhões não (Araújo, 2014; Carvalho & Paes, 2011). Sendo
têm acesso ao tratamento de HIV/AIDS assim, desenvolveu-se a estigmatização social
(Unaids, 2015). No território Brasileiro, 830.000 que é até hoje vivida de diferentes formas pelas
pessoas vivem com HIV/AIDS (Unaids, 2015). pessoas que convivem com HIV/AIDS. Esse
Em nível de estado, o Piauí registrou cerca de 2.164 construto pode ser definido como um modo de
casos de AIDS entre 2004 e 2013, sendo que a desprestígio ou desqualificação de um indivíduo
maior taxa de incidência no estado ao longo da em função de possuir ou ter a possibilidade de
série histórica foi observada em 2009, quando presença do HIV/AIDS (Zambedetti, 2014).
foi verificada uma taxa de 912 óbitos (Secretaria Atualmente, estigma social e
de Vigilância em Saúde – SVS, 2011). preconceito são prioridades nas pesquisas de
Na década de 1990, surgiram os vários órgãos governamentais, tendo em vista

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Análise da estigmatização no contexto do HIV/AIDS Página 4 de 14

que, apesar de ser largamente aceito o destaque HIV/AIDS. Portanto, a relevância social e
sobre as consequências destes, faltam dados acadêmica deste estudo resulta em possibilitar
sobre como lidar de fato com essa problemática conhecer os aspectos de estigma e discriminação
(Moreira, Meneses, Andrade & Araújo, 2010). A social no contexto da soropositividade para
estigmatização causa alguns danos mentais e HIV/AIDS. Para isso, esta investigação objetiva
sociais negativos na vida de quem a sofre, na identificar as concepções acerca do estigma
medida em que para o estigmatizado as relações social e preconceito vivenciado por pessoas
sociais têm papel determinante em sua vida vivendo com o HIV/AIDS.
(Durães, 2011).
Por causa desses construtos atrelados a Método
essa doença, essas pessoas têm dificuldade em
Tipo da Investigação
falar com outros indivíduos sobre o diagnóstico,
especialmente com pessoas com as quais
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do
possivelmente podem desenvolver algum tipo de
tipo não probabilística e com dados transversais.
relacionamento sexual ou afetivo, com medo de
serem rejeitados. Nesse sentido, diversos são os
Lócus da Investigação
impactos relacionados a essa doença.
A presente investigação foi realizada no
Consequentemente, a culpa por ter se infectado,
Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA),
a não adesão à medicação, a revelação da
na cidade de Parnaíba/PI, cujo espaço é
identidade social, a revolta e o consumo
destinado à vigilância, prevenção e controle das
exagerado de bebida alcoólica podem ser citados
Infecções Sexualmente Transmissíveis, do
como alguns dos aspectos associados a essa
HIV/AIDS e hepatites virais.
doença exprobada (Carvalho & Paes, 2011).
Ademais, a chegada dos medicamentos
Participantes
antirretrovirais ajudou na melhora relevante nas
condições de saúde de pessoas infectadas pelo
Contou-se com 44 pessoas adultas
HIV/AIDS, permitindo ganhos no processo de
vivendo com HIV/AIDS (de um total de 58
desenvolvimento e na qualidade de vida (Guerra
pessoas com HIV) que estavam em
& Seidl, 2009). Porém, quando existe a
acompanhamento no centro de testagem e
descoberta da soropositividade, nasce no
aconselhamento (CTA), de ambos os sexos,
individuo uma gama de aflições e perturbações
com idades entre 23 e 67 anos (M = 41,00; DP=
que vão além de questões biológicas,
10,60). Destes, 54,9% são solteiros, 25,5%
perpassando pelos âmbitos pessoal e social.
casados e o restante da amostra é composto por
Logo, destaca-se a necessidade de
divorciados ou separados e viúvos. No que
estudos que sejam condizentes com o
concerne à escolaridade, 41,2% dos participantes
reconhecimento da repercussão negativa do
têm ensino fundamental incompleto; 19,6%,
estigma social e da discriminação relacionado ao
ensino médio completo e 15,7%, ensino médio

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incompleto; analfabetos caracterizam 11,8% da iniciada a coleta de dados, que foi realizada de
amostra e ensino fundamental completo, ensino forma individual, voluntária e anônima entre as
superior completo e ensino superior completo pessoas que vivem com HIV/AIDS por quatro
atingiram 11,8% da amostra. Quanto à estudantes de iniciação científica que foram
orientação sexual, 78,4% dos participantes são previamente treinados. Na aplicação dos
heterossexuais e 11,8% são homoafetivos e instrumentos, foram explicitados os objetivos do
9,8% são bissexuais. No que diz respeito à renda estudo e a obtenção das devidas autorizações de
mensal, cerca de 41,2% relataram que recebem participação se deu com o preenchimento do
menos de um salário mínimo, 11,8% recebem Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
entre dois e três salários mínimos e 3,9% de acordo com o disposto na Resolução n.
recebem entre três e cinco salários mínimos. 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS)
para que os participantes pudessem autorizar
Instrumentos sua participação na pesquisa e responder aos
instrumentos.
Os resultados decorrentes são descritos É válido salientar que foram garantidos
em três partes, construídos a partir das seguintes sigilo e confidencialidade das respostas dos
perguntas estruturadas: Você já viveu algum tipo participantes e que a desistência poderia ocorrer
de preconceito ou estigma por ser uma pessoa em qualquer momento. O tempo médio para
vivendo com HIV? Como ocorreu essa vivência aplicação dos instrumentos entre os
de preconceito/estigma? participantes foi de 30 minutos e não houve
Utilizou-se, ainda, um questionário desistência ou recusa por parte de nenhum
sociodemográfico para caracterização da participante da pesquisa.
população investigada, contemplando: idade,
sexo, estado civil, religiosidade ou espiritualidade, Procedimento de Análises dos Dados
orientação sexual, grau de escolaridade, renda
familiar. No tratamento da análise dos dados,
utilizou-se o programa de computador Iramuteq
Procedimentos Éticos – Interface de R Pour Analyses
Multidimensionnelles de Textes et de
Inicialmente, esta investigação foi Questionnaires (Camargo & Justo, 2013;
enviada para apreciação do Comitê de Ética em Nascimento & Menandro, 2006; Ratinaud,
Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do 2009), que é compilado a partir do Software R
Piauí. Depois da aprovação (CAAE n. (R Development Core Team, 2011), que
48518815.2.0000.5669), foi mantido contato analisou os córpus textuais atribuídos às
com o CTA para verificar a disponibilidade da perguntas respondidas pelos participantes do
realização da referida pesquisa com os usuários estudo. Tais córpus foram organizados no editor
dessa instituição de saúde. Depois disso, foi de texto OpenOffice Writer, que foram

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Análise da estigmatização no contexto do HIV/AIDS Página 6 de 14

compostos por 44 Unidades de Contextos dos dados em três performances diferenciadas,


Iniciais (UCI), que corresponde ao conteúdo possibilitando uma triangulação de resultados.
textual elaborado pelo participante. Inicialmente, foi feita a Classificação Hierárquica
Foram executadas três tipos de análises Descendente (CHD), que correlaciona o
para cada córpus: primeiramente, foi realizada a conteúdo dos textos baseado na frequência e
Classificação Hierárquica Descendente (CHD), qui-quadrado (X²), criando classes de Unidades
que compila o conteúdo dos textos baseado na de Contextos Elementares (UCE) com
frequência e qui-quadrado (X²), em que os vocábulos semelhantes entre si e ao mesmo
conteúdos relevantes das UCI são selecionados tempo diferente das UCE das demais classes,
e divididos em classes de proximidade sendo essas classes representadas por meio do
semântica, surgindo as Unidades de Contexto dendograma (ver Figura 1), que ilustra as relações
Elementar (UCE); logo depois, fez-se uso da entre as classes (Camargo, 2005). As classes
nuvem de palavras, que organiza as palavras a foram ainda nomeadas e descritas a partir do
partir da frequência de incidência e, por último, conteúdo evidenciado nelas. Em seguida, foi
foi feita a análise de similitude para documentar realizada a análise de nuvem de palavras, que
a coocorrência entre palavras presentes nas falas agrupa as palavras em função da frequência e
dos participantes e então associá-las por grau de exibe o resultado de forma gráfica. E,
semelhança (Ratinaud & Marchand, 2012). finalmente, a análise de similitude, que apresenta
um desenho indicando a conexão entre as
Resultados e Discussões palavras, pelo qual é possível identificar as
coocorrências destas.
Os resultados das perguntas A CHD, obtida a partir das respostas da
estruturadas sobre o estigma social entre pessoas pergunta, refere-se à exposição ou não do
que vivem com HIV/AIDS compuseram um resultado de HIV reagente e da ocorrência ou
córpus textual em que a CHD foi obtida a partir não de discriminação/estigma social. Das 28
das respostas dos participantes, que se referem UCE que surgiram, 22 foram significantes na
às opiniões das pessoas que convivem com o Classificação Hierárquica Descendente,
HIV/AIDS acerca das dificuldades e vivências equivalendo a 78,6% do total, com 319 palavras
de situações de preconceito, discriminação e distintas, que ocorreram 783 vezes, com uma
estigma no contexto da infecção pelo média de 3,26 em termos de ocorrência. No
HIV/AIDS. O córpus foi formado por 44 UCI dendograma, estão expostas as duas classes em
e, ao ser executada a análise de entrada de dados que o córpus se dividiu, com o título e a
no Iramuteq, ficou dividido em 29 Unidades de descrição de cada uma delas (ver Figura 1), o
Contexto Elementar (UCE). número de UCE que a compõe, as variáveis
Foram executados três tipos de análises descritivas e as palavras que mais se associam
para o córpus textual, as quais são com a classe em questão, considerando o
complementares e possibilitam a visualização coeficiente do teste de associação X².

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Análise da estigmatização no contexto do HIV/AIDS Página 6 de 14

Figura 1. Dendograma da Classificação Hierárquica Descendente da estigmatização entre pessoas que


vivem com HIV

Fonte: Elaborada pelos autores.

A CHD é composta pelas classes 1 e 2, Classe 1: Ausência de Sofrimento


sendo que a primeira classe diz respeito à Psicossocial e a Omissão da Condição de
“Ausência de sofrimento psicossocial e à HIV
omissão da condição de HIV”. Nessa classe, o
sofrimento é relatado pelas pessoas que A primeira classe é apresentada de
convivem com a doença como omisso, pois elas maneira que a condição de soropositividade é
descrevem que não haviam compartilhado para ocultada, ou seja, as pessoas relataram que não
ninguém por motivos diversos, então não sofreram discriminação devido à condição de
tinham padecido por nenhum constrangimento. recusa da exposição do diagnóstico, que é
No que tange à segunda classe, denominada representada por 40,91% das UCE. Tal fato
“Exposição da condição de HIV e as vivências assinala que as pessoas vivendo com
de estigma social”, pode-se constatar que as HIV/AIDS não compartilham sua condição de
pessoas que vivem com HIV/AIDS saúde e, por isso, não sofrem nenhuma
demonstraram que já haviam compartilhado sua discriminação/estigma da sociedade, como pode
condição de soropositivo para pessoas próximas ser observado na fala de uma participante cujo
e amigos, de modo que sofreram algum tipo de grupo etário varia de 47 a 54 anos: “Não, pois
preconceito, xingamento e/ou terror social. eu não conto para as outras pessoas que tenho
HIV por ter medo da reação de outras pessoas”.
Isso assinala a questão de que o estigma ainda
hoje é um ator principal na produção e

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Análise da estigmatização no contexto do HIV/AIDS Página 8 de 14

perpetuação de poder e de controle em todos os infectados acabam escondendo e até mesmo se


campos sociais, fazendo com que alguns grupos isolando dos outros para manter o
sejam desvalorizados (Parker & Aggleton, 2001). relacionamento com os amigos e a família
Essa recusa versa sobre um adiamento da (Araújo, 2014; Carvalho & Paes, 2011).
revelação do diagnóstico afetando diversas áreas, Pesquisas apontam para o fato de que o
como o acesso aos cuidados de saúde e à vida contexto da soropositividade para HIV é de
sexual, afetiva, social e educacional (Kourrouski vivências e atitudes sociais discriminatórias, de
& Lima, 2009). modo que alguns empecilhos contribuem para
Tal fato é salientado por Maldonado, que o resultado do exame de HIV reagente não
Blanco e Rendón (2016), quando os autores seja divulgado, sendo de grande importância a
destacam que o estigma atrelado ao HIV/AIDS manutenção do sigilo desse resultado para as
pode ser de duas formas: externa, que é quando pessoas que convivem com essa enfermidade
se têm uma percepção negativa da pessoa que (Araújo et al., 2015; Galvão, 2009), fazendo com
convive com HIV/AIDS, e isso faz com que as que as pessoas que são acometidas se camuflem
demais pessoas se afastem de um lugar social; e para que não sejam descobertas, o que fica
a segunda forma seria interna, quando as explícito nesta fala de um participante, grupo
construções externas ao redor da doença são etário 39 a 46 anos: “Não, sou uma pessoa
internalizadas pelas pessoas que convivem com simples e normal”.
a enfermidade e que afetam a sua própria
avaliação, tratamento e até mesmo na forma de Classe 2: Exposição da Condição de HIV e
expressão da doença. Como pode ser verificado as Vivências de Estigma Social
na fala de um participante do sexo masculino,
grupo etário 55 anos ou mais: “Ainda não, No que tange à segunda classe,
porque tenho vergonha de contar para as outras representada por 59,09% das UCE, em que são
pessoas”. demonstradas as vivências de sofrimento
Destarte, as pessoas que vivem com psíquico dos soropositivos ocasionado pelos
HIV/AIDS mencionam não haver vantagem em relatos de preconceitos e estigmas sociais que os
compartilhar sua condição de HIV reagente. entrevistados já sofreram, de familiares e/ou
Ilustra-se tal questão na fala desta participante, pessoas próximas, resultante do
grupo etário entre 31 e 38 anos: “Não, até compartilhamento de sua condição de HIV
porque não conto para outras pessoas e faz reagente.
pouco tempo que fui infectada, não vejo Os familiares foram apontados na
necessidade de contar a ninguém”. O construto pesquisa como sendo uma das principais fontes
estigma que ainda permeia a enfermidade pode de apoio ou não para os indivíduos que são
interferir na rede de apoio social das pessoas acometidos pela doença. Em recente estudo,
soropositivas, causando sofrimento e medo do Carvalho e Paes (2011) destacaram que se
afastamento das pessoas queridas e, por isso, os afastar do contato familiar significa prejuízos

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Fonseca, L. K. S. et. al. Página 9 de 14

para as pessoas que são acometidas pelo que você escolheu viver de modo irregular e
HIV/AIDS. No entanto, o que foi encontrado é afrontador, fazendo com que as pessoas pensem
que nem sempre familiares oferecem alento e que determinados comportamentos sexuais que
compreensão, ocasionando o enfrentamento da fogem do padrão normativo da sociedade são
infecção um processo solitário. Pode-se verificar determinantes para o indivíduo ser soropositivo
isso na fala do seguinte participante, grupo (Seffner & Parker, 2016).
etário 23-30 anos: “Já tive vários preconceitos, Destarte, esta investigação apontou para
principalmente por parte da família, não todos, uma prevalência da estigmatização social da
mas alguns já me desejaram a morte”. condição de soropositivo para HIV reagente
Parte das pessoas que vivem com ancorada no sexo masculino, heterossexual e de
HIV/AIDS desta pesquisa relataram que haviam classe socioeconômica baixa. Sabe-se que, diante
compartilhado sua condição de HIV reagente e da realidade brasileira de disparidades
destacaram arrependimento de tê-lo feito. econômicas, sociais e cultuais, esse pode ser um
Denota-se que esses atores sociais narraram que indicativo de como se propaga essa enfermidade
vivenciaram afastamento de pessoas da sua rede e como se dilui o preconceito entre pessoas que
de apoio social, consequência da sua condição convivem com HIV/AIDS. Geralmente, o que
de soropositividade para o HIV, pode ser produz e reproduz a discriminação/estigma
observado na fala da seguinte participante, social são as bases culturais, econômicas,
grupo etário 31-38 anos: “Sim, eu era tratada de políticas e sociais (Garbin, Garbin, Moimaz &
um jeito antes e hoje sou tratada de outra Carmo, 2009).
maneira”. Os dados apreendidos entre os
participantes desta investigação são Nuvem de Palavras da Estigmatização
corroborados com estudos cujos autores Social das Pessoas que Vivem com
mencionam que a soropositividade é uma HIV/AIDS
doença que gera um estigma negativo que causa
uma ambiguidade em torno da aceitação ou não Uma diferente maneira de se dispor os
do diagnóstico por pessoas próximas e dados de forma gráfica no presente córpus é a
familiares e da culpa que é depositada na pessoa nuvem de palavras (ver Figura 2), que agrupa e
(Zambenedetti & Both, 2011). organiza as palavras em função da sua
Destaca-se outro dado relevante, como frequência, sendo possível identificar as
o fato de que quando se perguntou ao palavras-chave centrais. Nesse caso, algumas
entrevistado se ele já havia sofrido algum dessas palavras são: “não”, “saber”, “família”,
preconceito ou estigma: “Sim, por ser gay e “preconceito”, “sim” e “ninguém”.
possuir AIDS, pela família e conhecidos” (sexo
masculino, 47-54 anos). A doença ainda hoje é
vista como algum castigo divino ou como algo

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Figura 2. Nuvem de palavras da estigmatização entre pessoas que vivem com HIV

Fonte: Elaborada pelos autores.

As palavras no centro da nuvem para HIV e o aumento nas vivências de estigma


parecem estar relacionadas aos discursos que social e discriminação (Stringer et al., 2016;
confirmam que as pessoas não contam para Stump, La Pergola, Cross & Else-Quest, 2016).
pessoas próximas ou familiares que têm A seguir é apresentado o resultado da
HIV/AIDS, por receio de sofrer alguma análise de similitude, contendo as ocorrências
discriminação/estigma social. Os relatos não das palavras e indicações das suas conexões.
apresentam pontos positivos, pois até mesmo
quem já contou para alguém já sofreu Análise de Similitude da Estigmatização
discriminação de alguma forma, segundo as falas Social das Pessoas que Vivem com
dos participantes da pesquisa. Ainda, a não HIV/AIDS
revelação da condição de soropositividade acarreta
na omissão de vivências de discriminação e A análise de similitude apresenta um
preconceitos. Tal fato é verificado em estudos desenho indicando a conexão entre as palavras,
prévios, os quais demonstraram que há uma pelo qual é possível identificar as coocorrências
associação entre a condição de soropositividade destas (ver Figura 3).

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Figura 3. Análise de similitude da estigmatização entre pessoas que vivem com HIV

Fonte: Elaborada pelos autores.

A palavra “não” aparece no centro da O conjunto de dados desta pesquisa


árvore, dando seguimento às demais demonstrou, por um lado, um discurso negativo
ramificações que partem dela, formando a acerca da soropositividade para HIV/AIDS, tais
árvore e apresentando o maior número de concepções são reforçadoras de preconceitos
palavras associadas. As palavras que se seguem evidenciados nas relações interpessoais; por
dão continuidade à recusa de contar ou não outro lado, a construção social negativa da
sobre o resultado do exame: ninguém, porque, AIDS ainda é bem arraigada na nossa sociedade,
nunca, saber. Tal fato, assim como nas análises mesmo com os avanços no tratamento e na
anteriores (dendograma e nuvem de palavras), condição de melhora de vida das pessoas com
também fizeram parte das ramificações da HIV reagente. Por fim, evidenciou-se entre os
árvore na análise de similitude, de modo que participantes que o não compartilhamento da
essas pessoas com HIV/AIDS, ao não condição de HIV/AIDS é uma estratégia de
revelarem a sua condição de soropositividade defesa, tendo em vista que aqueles que
aos seus pares, consequentemente não compartilharam sua enfermidade tiveram
vivenciaram nenhum tipo de discriminação e/ou experiências de preconceito e/ou estigma
estigma social. Em estudos anteriores, de forma sociais.
consonante, a presente pesquisa demonstrou
que o estigma social e a condição da Considerações Finais
soropositividade estavam associados ao
sofrimento psíquico entre pessoas que vivem O presente estudo abordou a
com HIV/AIDS (Burnham, Cruess, Kalichman, discriminação/estigma social vivenciado pelas
Grebler, Cherry & Kalichman, 2016; Garett, pessoas que vivem com HIV/AIDS. Os dados
Smith, Chiu & Young, 2016). apreendidos evidenciaram que o estigma social e

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Análise da estigmatização no contexto do HIV/AIDS Página 12 de 14

o preconceito são uma realidade no contexto do generalizados, para assim contribuírem para
HIV/AIDS. Assim, apesar de mais de três futuras pesquisas e disseminação de
décadas passadas da epidemia e da sua mudança conhecimento, pois essa temática é de suma
epidemiológica, as pessoas que convivem com importância nos campos da saúde, educação,
HIV/AIDS internalizam estigmas. A partir dos entre outros.
resultados desta pesquisa, salienta-se que foi Dessa forma, espera-se que o conjunto
constatado que a discriminação/estigmatização dos dados desta pesquisa possa subsidiar futuras
social é um fator relevante a ser considerado nas intervenções em saúde, com o escopo de
políticas públicas de saúde. contribuir num maior nível de resiliência, tendo
Outro fator que merece destaque diz em vista que este constructo poderia ser
respeito ao perfil dos participantes, que eram em utilizado nas situações que foram descritas, pois
sua maioria de baixa renda, com nível de poderia proporcionar uma qualidade de vida
instrução baixo, heterossexuais e desempregados. melhor em relação tanto da vivência do estigma
Essas características sociodemográficas e da exclusão social quanto para manejar os
demonstram que essas pessoas estão em uma efeitos colaterais dos remédios, advindos dos
zona de maior vulnerabilidade social, sendo medicamentos antirretrovirais, proporcionando
identificadas poucas informações e/ou métodos uma continuidade da vida, mesmo depois da
preventivos utilizados pelos entrevistados, que infecção pelo HIV/AIDS.
mesmo sabendo de tais riscos mantêm Apesar das fortalezas inerentes a esta
comportamentos sexuais de risco. pesquisa, é válido salientar que ela tem algumas
Faz-se necessário mencionar que esta limitações. Visto isso, sugerem-se estudos
pesquisa ainda revelou que a família entra em futuros com modelos explicativos que
cena como uma instituição de dualidade, sendo contemplem diferentes constructos psicossociais
ora acolhedora, ora discriminatória. Sabe-se que (resiliência, autoeficácia para adesão ao
o papel da família e dos pares para o tratamento, estigma social, conhecimento sobre
enfrentamento das adversidades no contexto do infecção pelo HIV e apoio social) de forma
HIV/AIDS, entre eles o estigma social e o comparativa entre pessoas que vivem com
preconceito, são fatores psicossociais relevantes HIV/AIDS e a população em geral.
para atenuar a vulnerabilidade social das pessoas
que vivem com HIV reagente. Referências
Os dados deste estudo reforçam a
necessidade de programas de intervenção que Araújo, L. F., Teva, I., & Bermudez, M., P.
(2014). Psychological and Socio-
promovam e disseminem informação, métodos
Demographic Variables Associated with
contraceptivos, entre outros. Necessitam-se, Sexual Risk Behavior for Sexually Trans-
mitted Infections/HIV. International Jour-
assim, de estudos que sejam mais condizentes
nal of Clinical and Health Psychology, 14, 120-
com a população, e que tenham maior 127.
abrangência para que se tornem mais

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