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Constitucion Al

O documento aborda o Direito Constitucional, sua natureza, conceito e objeto, além de discutir o Poder Constituinte e a supremacia da Constituição. Explora as diferentes correntes de pensamento jurídico, como o jusnaturalismo e o juspositivismo, e analisa o movimento do constitucionalismo e suas evoluções, incluindo o neoconstitucionalismo. Também detalha a estrutura da Constituição brasileira, suas naturezas, classificações e o conceito de poder constituinte, diferenciando entre originário, derivado e revisor.

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O documento aborda o Direito Constitucional, sua natureza, conceito e objeto, além de discutir o Poder Constituinte e a supremacia da Constituição. Explora as diferentes correntes de pensamento jurídico, como o jusnaturalismo e o juspositivismo, e analisa o movimento do constitucionalismo e suas evoluções, incluindo o neoconstitucionalismo. Também detalha a estrutura da Constituição brasileira, suas naturezas, classificações e o conceito de poder constituinte, diferenciando entre originário, derivado e revisor.

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 Direito Constitucional: natureza, conceito e objeto.

 Poder Constituinte.
 Supremacia da Constituição e controle de constitucionalidade.
 Aplicabilidade das normas constitucionais. Normas de eficácia plena,
contida e limitada. Normas programáticas.
 Regimes políticos e formas de governo. A repartição de competência
na Federação.
 Direitos e garantias fundamentais: direitos e deveres individuais e
coletivos, direitos sociais, da nacionalidade, direitos políticos e dos
partidos políticos.
 Organização político administrativa da União, dos Estados Federados,
dos Municípios e do Distrito Federal.
 Da Administração Pública.
 Do Poder Legislativo: fundamento, atribuições e garantias de
independência.
 Do Poder Executivo: forma e sistema de governo, Chefia de Estado e
Chefia de Governo, atribuições e responsabilidades do Presidente da
República.
 Do Poder Judiciário: fundamento, atribuições e garantias; Súmulas
Vinculantes e Repercussão Geral.
 Das Funções Essenciais à Justiça.
 Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas: do Estado de
Defesa, do Estado de Sítio, das Forças Armadas, da Segurança
Pública.
 Da Ordem Social: base e objetivos da ordem social, da seguridade
social, da educação, da cultura, do desporto, da ciência e tecnologia,
da comunicação social, do meio ambiente, da família, da criança, do
adolescente, do idoso e dos índios.

ATÇ: O jusnaturalismo é uma corrente de pensamento jurídico que


defende a existência de um direito natural, anterior e superior ao direito
positivo ou estatal. Este direito natural é considerado como tendo uma
origem superior, seja em Deus, na natureza, na razão humana, ou em
princípios morais universais.
O juspositivismo, também conhecido como positivismo jurídico, é uma
corrente de pensamento jurídico que defende que o direito é,
essencialmente, o conjunto de normas escritas e positivadas pelo
Estado. Ou seja, a validade do direito depende da sua criação e aplicação
pelo poder estatal, e não de critérios morais, religiosos ou filosóficos. Em
outras palavras, o juspositivismo enfatiza que o direito é aquilo que é,
independentemente de ser justo ou não. O foco está na lei escrita e na sua
aplicação, e não em princípios superiores ou em direitos naturais.

Constitucionalismo, em termos gerais, é o movimento de organização do


estado, de uma sociedade, é a crença na Constituição como o documento
fundamental que limita o poder do Estado e garante os direitos dos
cidadãos. É um movimento que busca estabelecer governos limitados, onde
as ações e poderes são definidos e restritos por uma Constituição
escrita. Define que não há estado sem constituição mesmo quando suas
normas não estão escritas derivando dos costumes, do direito
consuetudinário.
Segundo o Prof. André Ramos Tavares, o termo “constitucionalismo” é
empregado com 4 (quatro) diferentes sentidos. No primeiro, o
constitucionalismo é visto como um movimento político-social cujo
objetivo é a limitação do poder estatal. No segundo, como a imposição
de que os Estados adotem cartas constitucionais escritas. Na terceira
acepção, o constitucionalismo serve para indicar a função e a posição das
constituições nas diversas sociedades. Por último, o “termo”
constitucionalismo é também usado para se referir à evolução histórico-
constitucional de um determinado Estado.
Em mais detalhes:
 Limitação do Poder: O constitucionalismo é fundamental para que
o poder não se torne arbitrário, protegendo os cidadãos contra
abusos e garantindo o Estado de Direito, onde a lei prevalece sobre
os interesses políticos.
 Constituição como Base: A Constituição é o documento central do
constitucionalismo, estabelecendo as regras básicas da organização
política, os direitos fundamentais e os limites do poder estatal.
 Movimento Histórico: O constitucionalismo tem raízes antigas, com
manifestações em diferentes sociedades, mas se fortaleceu com as
revoluções liberais e o surgimento das constituições modernas.
 Diversas Perspectivas: O constitucionalismo pode ser estudado
sob diferentes ângulos: histórico, jurídico, político e filosófico, cada
um oferecendo uma visão sobre a importância da Constituição e a
busca pela limitação do poder.
 Estado de Direito: A ideia de um Estado de Direito, onde todos
estão sujeitos à lei, é essencial para o constitucionalismo. A lei se
torna a base para a garantia de direitos e a proteção contra abusos.
 Evolução: O constitucionalismo tem evoluído ao longo do tempo,
com a inclusão de direitos sociais, econômicos e culturais nas
constituições, ampliando a proteção aos cidadãos.
Neoconstitucionalismo trata-se de um movimento teórico de
revalorização do direito constitucional, de uma nova abordagem do
papel da constituição no sistema jurídico, movimento este que surgiu a
partir da segunda metade do século XX. O neoconstitucionalismo visa
refundar o direito constitucional com base em novas premissas como a
difusão e o desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais e a
força normativa da constituição, objetivando a transformação de um
estado legal em estado constitucional.

O neoconstitucionalismo, também chamado por alguns de


constitucionalismo contemporâneo, constitucionalismo avançado,
constitucionalismo de direitos, constitucionalismo pós-moderno ou
póspositivismo, tem como marco histórico o pós-Segunda Guerra
Mundial. Ele representa uma resposta às atrocidades cometidas pelos
regimes totalitários (nazismo e fascismo) e, justamente por isso, tem
como fundamento a dignidade da pessoa humana.
Em resumo:

1) O constitucionalismo não foi um movimento homogêneo. Por isso,


Canotilho fala na existência de diversos “movimentos constitucionais”. Há
dois grandes momentos do constitucionalismo: i) constitucionalismo antigo
e; ii) constitucionalismo moderno.
2) Constitucionalismo antigo: Teve origem na Antiguidade clássica (povo
hebreu). Na Idade Média, uma importante manifestação do
constitucionalismo foi a Magna Carta Inglesa (1215). Na Idade Moderna, há
novas manifestações do constitucionalismo, dentre as quais citamos
Petition of Rights (1628), Habeas Corpus Act (1679) e Bill of Rights (1689).
3) Constitucionalismo moderno: Surgem as primeiras Constituições
escritas: Constituição dos EUA (1787) e Constituição da França (1789). Teve
forte viés liberal. Para Canotilho, “o constitucionalismo moderno representa
uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos”. No
início do século XX, o Estado liberal dá lugar ao Estado social.
4) O neoconstitucionalismo marca um amplo conjunto de modificações
ocorrida no Estado e no Direito Constitucional. Tem como fundamento a
dignidade da pessoa humana.
O marco histórico do neoconstitucionalismo é a formação do Estado
constitucional de direito, após o fim da Segunda Guerra Mundial.
O marco filosófico é o pós-positivismo, que prega por uma reaproximação
entre o Direito e a Ética. Princípios passam a ser vistos como normas
jurídicas.
O marco teórico é o conjunto de mudanças que incluem a força normativa
da Constituição, a expansão da jurisdição constitucional e o
desenvolvimento de uma nova dogmática da interpretação constitucional.

ATÇ: O constitucionalismo tradicional entende a Constituição como um


sistema fechado, limitado à letra da norma. Ao interpretá-la, o juiz se
limitava ao seu conteúdo escrito, atuando como "boca da lei". O
neoconstitucionalismo, por outro lado, situa a Constituição como centro do
sistema jurídico. Atribuem-se valores normativos aos princípios e há um
grande destaque para os valores da dignidade da pessoa humana e dos
direitos fundamentais. Busca-se também a concretização dos valores
constitucionalizados.

Direito Constitucional: natureza, conceito e objeto


Direito Constitucional é o ramo do direito público que estuda a constituição.
Constituição é a lei fundamental de um país, que define os direitos e
deveres dos cidadãos, a forma de governo, estrutura e a organização do
estado. É a declaração da vontade política de um povo. Estabelece os
direitos e as responsabilidades fundamentais dos cidadãos. Organiza e
equilibra os poderes. Disciplina a estruturação do estado. Pode reafirmar os
valores culturais, históricos e sociais de uma sociedade.
Uma constituição ideal é um conjunto de leis e normas que regulam a
estruturação de um Estado, a distribuição de poder e os direitos dos
cidadãos. Ser escrita e positivada para garantir segurança jurídica. Deve
conter um catálogo de direitos fundamentais individuais, adotar um sistema
democrático, ordenar, fundar e limitar o poder político, reconhecer e
garantir os direitos e liberdades do indivíduo.
A constituição brasileira é formada de três partes, quais são: Preâmbulo,
Dispositiva e ADCT. Preâmbulo é um declarador de intenções onde constam
os princípios, valores e ideologias do momento da criação da constituição
mas não possui força normativa.
A Constituição tem as seguintes naturezas:
 Natureza Jurídica – A constituição é a lei suprema e fundamental de
um estado. É a fonte primordial de normas e princípios que regem a
sociedade. É a base axiomática do ordenamento jurídico. É a lei mais
importante de todo o ordenamento jurídico. Para Hans Kelsen, a
Constituição é uma norma hipotética fundamental que regula a
criação de outras normas e valida o ordenamento jurídico. A sua
teoria da Constituição é uma das mais influentes no direito
constitucional. A Constituição é uma norma pura, cuja validade deriva
do campo lógico. A Constituição deve conter regras sobre o
funcionamento dos órgãos (poderes) e do processo legislativo. A
constituição deve tratar dos direitos e liberdades fundamentais. A
Constituição deve conter como as leis complementares e ordinárias
devem ser aprovadas (o processo legislativo). A Constituição deve
conter quem é competente para criar leis.
 Natureza Sociológica – A constituição é a soma dos fatores reais de
poder dentro de uma sociedade. Uma constituição só seria legitima
se representasse o efetivo poder social do povo. Ferdinand Lassalle
acreditava que a Constituição de um país deve refletir os valores reais
de poder que nele existem. Ele considerava que as constituições
escritas só são válidas se expressam os valores da
sociedade. Lassalle foi um político e advogado alemão, precursor da
social-democracia alemã. Ele foi um sindicalista combativo e um
defensor dos ideais democráticos
 Natureza Política – A constituição é uma decisão política
fundamental do povo. É a declaração da vontade de um povo. Carl
Schmitt definiu a Constituição como uma decisão política
fundamental, resultante das forças políticas mais importantes da
sociedade.
 Natureza Culturalista - é uma concepção constitucional que
considera a Carta Magna como um reflexo da cultura de um povo. Ela
é um produto da atividade criativa humana e um resultado da
cultura. Considera a Constituição como um reflexo da identidade,
valores e aspirações de um povo. Molda e é moldada pela cultura ao
longo do tempo. Considera aspectos econômicos, sociológicos,
jurídicos e filosóficos. Disciplina as relações e direitos fundamentais
pertinentes à cultura, tais como a educação, o desporto e a cultura
em sentido estrito. O jurista italiano Michele Ainis trouxe à tona a
perspectiva culturalista da Constituição em 1986 J. H. Meirelles
Teixeira avançou no conceito ao introduzir a ideia de "Constituição
Total". Dirley argumenta que “a concepção como fato cultural é a
melhor que desponta na teoria da Constituição”. A Constituição
culturalista resulta em uma Constituição Total que abrange todos os
aspectos da vida da sociedade e do Estado.
 Natureza Aberta - é uma teoria que considera a Constituição como
um sistema aberto de regras e princípios que deve se adaptar ao
tempo e às mudanças sociais. A Constituição deve ser dinâmica e
pluralista, considerando as desigualdades e as particularidades das
minorias. A Constituição deve ser permeável a valores jurídicos
suprapositivos, como a justiça e a realização dos direitos
fundamentais. A Constituição deve ser um processo em formação, no
qual a sociedade e o cidadão são elementos ativos da interpretação
constitucional. A Constituição aberta permite a mutação
constitucional, ou seja, a mudança da interpretação das normas sem
que seja necessária uma alteração formal. A Constituição aberta
permite que a Constituição permaneça atual e evite a perda da sua
força normativa. A Constituição aberta permite que a Constituição
estabeleça as condições de possibilidade diante de projetos políticos
distintos. A Constituição Federal de 1988 é considerada uma
Constituição aberta, ampla e fluida.

O objeto da constituição é o conjunto de princípios e normas que


estabelecem a base jurídica e política de um país. A Constituição pode ter
sentido formal, como o documento escrito, e sentido material, referindo-
se aos princípios fundamentais que regem a ordem jurídica. A ideia moderna
de Constituição firmou duas questões básicas: Ordenar, fundar e limitar o
poder político e reconhecer e garantir os direitos e liberdades do indivíduo.
As Constituições podem ser classificadas de várias formas, dependendo do
critério utilizado:
 Quanto a Origem – Outorgadas que são impostas por um ditador
ou grupo de poder, em regime autoritário. Promulgadas que são
resultantes de um processo democrático, em que o povo elege
uma Assembleia Nacional Constituinte.
 Quanto à Forma – Escritas encontrando-se em um só código.
Costumeiras/Não Escritas/Consuetudinárias que têm por base os
costumes, jurisprudências e convenções resultando, portanto, de
textos e documentos esparsos.
 Quanto a Extensão – Analíticas que abordam diversos assuntos,
por isso o texto é extenso. Sintéticas que só tratam de assuntos
fundamentais para o estado, por isso o texto é conciso.
 Quanto a Estabilidade – Imutáveis onde não podem ser
alteradas. Rígidas onde as alterações só podem ser feitas através
de um processo legislativo mais solene. Flexíveis onde as
alterações não exigem nenhum procedimento mais solene.
 Quanto a Ideologia – Ortodoxas que fundadas numa única
ideologia. Ecléticas que são fundadas em várias ideologias.
 Quanto a Elaboração – Dogmáticas/Sistemáticas são escritas,
consolidam os princípios fundamentais do estado, refletem os
ideais de uma sociedade na época de sua elaboração. Históricas
são formadas a partir da reunião das tradições de um povo,
integram lentamente a história e as tradições de m povo ao longo
do tempo, são comparáveis as constituições costumeiras.
Poder Constituinte
O poder constituinte é a capacidade de criar ou modificar uma Constituição,
estabelecendo a organização jurídica de um Estado. É a mais alta expressão
do poder político. O poder constituinte pode ser originário, derivado, difuso
ou supranacional.
Poder constituinte originário
 É o poder de criar uma nova Constituição
 É inicial, incondicionado, permanente e inalienável
 É exercido quando se cria um novo Estado ou se troca uma
Constituição
Poder constituinte derivado/Reformador
 É o poder de alterar uma Constituição já existente
 Está sujeito a limitações temporais, circunstanciais e materiais
Poder constituinte revisor
 É uma reforma geral da Constituição, que pode ser realizada por
meio de emendas constitucionais.
 É uma espécie de poder constituinte derivado, que é uma
consequência da atividade do poder constituinte originário
 Está condicionado e limitado às regras instituídas pelo poder
constituinte originário
 É um poder jurídico
 No Brasil, a revisão constitucional foi prevista no artigo 3º do Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT)
 A revisão deveria ocorrer após cinco anos da promulgação da
Constituição, em 1988
 A revisão seria realizada por voto da maioria absoluta dos
membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral
 A revisão foi realizada entre 1993 e 1994, resultando em 6
emendas de revisão

Poder constituinte decorrente


 É o poder que os Estados-membros têm para criar suas próprias
Constituições
 É subordinado ao Poder Constituinte Originário
Poder constituinte difuso
 O poder constituinte difuso é um mecanismo que permite a
alteração da Constituição de forma informal, sem modificar o texto
original. Também é conhecido como mutação constitucional.
 O poder constituinte difuso é um poder de fato que se manifesta
por meio de novas interpretações da Constituição.
 As alterações realizadas por esse poder são consequências de
situações sociais, políticas e econômicas.
 O poder constituinte difuso busca interpretar o texto
constitucional de acordo com a realidade social do momento.
 O poder constituinte difuso é menos formal que o poder
constituinte derivado revisor.

Poder constituinte supranacional


 O poder constituinte supranacional é o poder que cria uma
Constituição comunitária, na qual os Estados cedam parte da sua
soberania. O objetivo é legitimar a integração regionalizada.
 O titular deste poder é o cidadão universal, não o povo.
 O poder constituinte supranacional busca criar uma Constituição
baseada no compartilhamento da soberania dos Estados.
 O objetivo é estabelecer normas supranacionais ou universais.
 O poder constituinte supranacional visa a integração dos povos,
instituindo regramentos que ultrapassem as fronteiras de um
Estado.

OBS: Princípio do não retrocesso constitucional afirma que o advento


de uma nova ordem jurídica, de uma nova constituição promulgada deve
respeitar os direitos fundamentais adquiridos no ordenamento anterior. O
princípio do não retrocesso constitucional, também conhecido como
princípio da vedação do retrocesso social, é um limite que impede o Estado
de retroceder em relação a direitos fundamentais já conquistados.

Como funciona:
 O Estado não pode praticar atos que prejudiquem direitos
fundamentais sem que haja uma compensação efetiva.
 O princípio protege a sociedade e os grupos vitimizados contra leis
que possam atingir negativamente os direitos sociais já
conquistados.
 O Estado deve preservar os direitos prestacionais, como o direito à
educação, à saúde ou à segurança pública.
Importância:
 O princípio do não retrocesso constitucional é importante para a
proteção dos direitos fundamentais.
 A ideia de retrocesso social está ligada ao desenvolvimento
econômico e social do Estado.
 A proteção dos direitos sociais deve ser feita de acordo com o
direito adquirido e contramedidas restritivas dos direitos
fundamentais.
OBS: Segundo STF apenas as leis que forem materialmente incompatíveis
com a nova constituição não serão recepcionadas por ela.
Supremacia da Constituição e controle de constitucionalidade
A supremacia da Constituição é um princípio que garante que a Constituição
é a norma mais importante do ordenamento jurídico. O controle de
constitucionalidade é o mecanismo que verifica se as leis e atos normativos
infraconstitucionais estão de acordo, estão compatíveis com a Constituição.
Supremacia da Constituição
 A Constituição é o fundamento de validade de todas as outras
normas
 A Constituição não pode ser alterada por processos legislativos
ordinários
 A Constituição estabelece um quadro jurídico fundamental e
inalterável
Controle de Constitucionalidade
 O controle de constitucionalidade assegura a supremacia da
Constituição
 O controle de constitucionalidade pode ser preventivo ou
repressivo
 O controle de constitucionalidade pode ser difuso ou concentrado
 O controle de constitucionalidade pode ser judicial
O controle de constitucionalidade pode ser classificado de acordo
com: Momento de sua realização, Órgão controlador, Número de órgãos
atuando no controle, Via de argüição da inconstitucionalidade, Efeitos da
decisão de inconstitucionalidade.
Os tipos de controle de constitucionalidade são:
Controle difuso: Realizado por qualquer juiz ou órgão do Poder
Judiciário, em casos concretos. O controle difuso de
constitucionalidade é uma forma de fiscalização judicial que permite
que juízes e tribunais verifiquem se as leis estão de acordo com a
Constituição.

Como funciona:
 O controle difuso pode ser realizado por qualquer juiz ou
tribunal, em casos concretos.
 O juiz ou tribunal pode deixar de aplicar uma lei que
considere inconstitucional.
 A lei não é expurgada do ordenamento jurídico, mas
apenas deixa de ser aplicada naquele caso.
 A decisão é inter partes, ou seja, não afeta terceiros
estranhos à lide julgada.
Controle concentrado: O controle concentrado de
constitucionalidade é um mecanismo jurídico que avalia a adequação
de leis à Constituição Federal. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal
(STF) é o órgão responsável por este controle. Pode ser preventivo ou
repressivo.
Princípios do controle concentrado:
 Baseia-se na ideia de que normas de hierarquia inferior
devem se adequar às normas de hierarquia superior
 As decisões do controle concentrado vinculam a todos,
ou seja, têm eficácia erga omnes
 O controle concentrado pode ser exercido por meio de
ações como a ADI, ADC, ADO, ADPF e ADI-I
Quem pode propor ações de controle concentrado:
1. Presidente da República
2. Mesa do Senado Federal
3. Mesa da Câmara dos Deputados
4. Procurador-Geral da República
5. Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
6. Partido político com representação no Congresso Nacional
As ações de controle concentrado de constitucionalidade são a Ação
Direta de Inconstitucionalidade (ADI), a Ação Declaratória de
Constitucionalidade (ADC), a Ação Direta de Inconstitucionalidade por
Omissão (ADO) e a Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental (ADPF). O controle concentrado de constitucionalidade é
um ataque direto ao ato impugnado em um único Tribunal. Este
Tribunal pode ser o Supremo Tribunal Federal ou os Tribunais de
Justiça dos Estados.
1. Ação direta de constitucionalidade: É uma ação que
pode ser proposta quando um ato normativo já editado
gera controvérsias sobre a constitucionalidade. O objetivo
é confirmar a constitucionalidade do ato.
2. Ação direta de inconstitucionalidade: É uma ação que
pode ser proposta quando um ato normativo já editado
viola a Constituição Federal. Não pode ser proposta contra
um projeto de lei.
OBS: Decisão do STF declarando a inconstitucionalidade de lei de estado
parte, apenas vincula os demais órgãos do Poder Judiciário e a
Administração pública direta e indireta, não o Poder Legislativo em sua
função típica de legislar; Logo, sendo editada nova norma com o mesmo
conteúdo já declarado inconstitucional por decisão do STF em cede de
controle concentrado, poderá ser proposta nova ADI. Art 102 §2° da CF.
3. Ação direta interventiva: A Ação Direta de
Inconstitucionalidade Interventiva (ADI Interventiva) é uma
ferramenta que permite solicitar a intervenção de um ente
federativo em outro. É também conhecida como
Representação Interventiva. Finalidade Assegurar a
manutenção do modelo federativo, solucionar entraves de
cunho federativo, Evitar a desagregação do modelo
federativo. A ADI Interventiva federal é proposta pelo
Procurador-Geral da República. A ADI Interventiva estadual
é proposta pelo Procurador-Geral de Justiça. O Supremo
Tribunal Federal é competente para processar e julgar a
ADI Interventiva.
4. Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão
(ADO): É uma ação que pode ser proposta quando uma
norma constitucional de eficácia limitada não é
regulamentada. O objetivo é determinar a regulamentação
do ato pelo órgão responsável.
5. Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental (ADPF): É uma ação que pode ser proposta
quando um ato normativo já editado viola a Constituição
Federal. É uma ação subsidiária, ou seja, tem caráter
residual somente sendo cabível quando não for possível a
aplicação de nenhuma outra ação de controle.

Controle preventivo: O controle preventivo de constitucionalidade é


uma verificação da regularidade de uma lei ou ato normativo antes
da sua promulgação. Pode ser exercido pelos poderes Legislativo,
Executivo e Judiciário.
Controle preventivo interno
1. É exercido pelo próprio Legislativo, por meio de comissões ou
órgãos
2. É o mais utilizado no Brasil
Controle preventivo externo
1. É exercido por um órgão ou poder diferente daquele que
produz a lei
2. Exemplo: o veto do Presidente da República
Controle preventivo pelo Judiciário
1. É excepcional
2. O Supremo Tribunal Federal tem conhecido de mandados de
segurança impetrados por parlamentares
Controle preventivo político
1. É exercido por órgãos não-jurisdicionais
2. Exemplo: o veto do Presidente da República

Controle repressivo: O controle repressivo de constitucionalidade é


um mecanismo que fiscaliza a validade de leis e atos normativos do
Poder Público. Ele é realizado sobre leis já aprovadas, e não sobre
projetos de lei. O controle repressivo pode ser exercido por órgãos do
Poder Legislativo, Judiciário ou Executivo.
Poder Legislativo
1. Pode sustar atos normativos do Poder Executivo que excedam
os limites de delegação legislativa
2. Pode analisar a constitucionalidade de medidas provisórias do
Presidente da República
Poder Judiciário
1. Pode verificar se as normas aplicáveis a um caso estão em
conformidade com a Constituição
2. Pode exercer o controle de constitucionalidade através do
controle difuso ou incidental
Poder Executivo
 O Tribunal de Contas da União pode analisar a
constitucionalidade de leis ou atos do Poder Público

ATÇ!!
Controle de Convencionalidade - O controle de convencionalidade
é um mecanismo que analisa se as leis e atos normativos do país
estão de acordo com os tratados internacionais de direitos
humanos. De forma resumida, podemos afirmar que seu objetivo é
assegurar a concordância entre o sistema legal de um país e os
compromissos internacionais assumidos pelo Estado, promovendo a
proteção e defesa dos direitos humanos tanto a nível nacional quanto
internacional.
Como funciona:
 O controle de convencionalidade pode ser realizado em
processos judiciais, em primeira instância ou nos tribunais
superiores.
 O controle de convencionalidade pode ser iniciado por
iniciativa própria do juiz ou do tribunal, ou a partir de uma
provocação das partes.
 O controle de convencionalidade não revoga a lei, mas pode
paralisar o seu efeito prático.

Controle Concentrado Interno de Convencionalidade

O controle concentrado interno de convencionalidade, de acordo com a


doutrina de Valério de Oliveira Mazzuoli, segue as mesmas regras do
controle concentrado de constitucionalidade. Isso significa que as mesmas
normas aplicadas às ações de controle constitucional (como ADI, ADC, ADO
e ADPF) são adotadas nesse controle. Contudo, há uma diferença a que
devemos estar atentos. Ao invés de utilizar o texto da Constituição como
parâmetro para o controle, o julgador utilizará os tratados
internacionais de direitos humanos que foram incorporados ao nosso
ordenamento jurídico. Esses tratados têm um status constitucional
equivalente às emendas constitucionais, sendo assim considerados
parâmetros válidos para o controle concentrado interno de
convencionalidade.

Controle Difuso Interno de Convencionalidade

No contexto dos processos inter partes, o controle de convencionalidade


pode ser realizado com base nos tratados internacionais de direitos
humanos que foram incorporados ao nosso ordenamento jurídico, utilizando-
se do processo comum. Esse controle pode ser iniciado a partir de uma
provocação das partes ou mesmo por iniciativa própria do juiz ou do
tribunal. É importante destacar que esse controle pode ocorrer tanto em
primeira instância quanto nos tribunais superiores, com destaque para o
Supremo Tribunal Federal (STF), que pode analisar a compatibilidade, em
casos específicos, entre um tratado internacional de direitos humanos e a
legislação nacional. Por fim, vale destacar que diversamente do que ocorre
com o controle concentrado de convencionalidade, tanto as normas
incorporadas com base no art 5º, §3º da Constituição quanto em outros
tratados internacionais podem ser consideradas como parâmetro para o
controle difuso de constitucionalidade.

Aplicabilidade das normas constitucionais

A aplicabilidade das normas constitucionais é a capacidade de uma norma


jurídica produzir efeitos. É um ato de incidência que permite compreender a
abrangência e a efetividade dos dispositivos constitucionais. A
aplicabilidade das normas constitucionais pode ser:
Aplicabilidade direta e indireta: A aplicabilidade direta é a capacidade de
uma norma jurídica produzir efeitos sem a necessidade de intervenção
legislativa. Já a aplicabilidade indireta é quando uma norma jurídica precisa
de outras normas para produzir efeitos.
 Aplicabilidade direta. As normas de eficácia plena são autoaplicáveis
e têm aplicabilidade direta, imediata e integral. São aptas a produzir
todos os seus efeitos no momento da entrada em vigor. Não precisam
de regulamentação.
 Aplicabilidade indireta. As normas de eficácia limitada têm
aplicabilidade indireta. Dependem da emissão de uma normatividade
futura. Seu alcance pode ser reduzido por atos do Poder Público.

Aplicabilidade imediata e mediata: Aplicabilidade imediata é quando uma


norma pode ser aplicada sem a necessidade de outras normas ou de
atuação do Estado. Já a aplicabilidade mediata é quando uma norma não
pode ser aplicada diretamente e precisa de outras normas para produzir
efeitos.
 Aplicabilidade imediata. As normas constitucionais que definem os
direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. As normas
de eficácia plena têm aplicabilidade direta, imediata e integral. São
normas que, quando entram em vigor, estão aptas a produzir todos
os seus efeitos jurídicos.
 Aplicabilidade mediata. As normas que não estão aptas a produzir
efeitos imediatamente, sendo sua eficácia plena obtida em momento
posterior. Quando a aplicação dos direitos fundamentais às relações
privadas deve-se passar pela égide do direito comum.

Aplicabilidade integral e não integral: A aplicabilidade integral de uma


norma constitucional significa que ela não pode ser restringida por outra lei,
enquanto a aplicabilidade não integral significa que ela pode ter o seu
alcance reduzido.
 Aplicabilidade integral. As normas de eficácia plena são aquelas que
possuem aplicabilidade integral. São autoaplicáveis, ou seja, não
precisam de outras leis para produzir todos os seus efeitos. São
aplicadas diretamente ao caso concreto. São imediatas, ou seja, não
há nenhuma condição para sua aplicação, basta ser publicada.
 Aplicabilidade não integral. As normas de eficácia contida são aquelas
que possuem aplicabilidade imediata, direta, mas não
integral. Também são conhecidas como redutíveis ou
restringíveis. Podem ter o seu alcance reduzido por atos do Poder
Público supervenientes. Podem sofrer redução de sua eficácia e
aplicabilidade por meio de norma infraconstitucional, por norma da
própria Constituição.
Eficácia das normas
A eficácia de uma norma é a capacidade de produzir efeitos sociais e
jurídicos. Ela é considerada eficaz quando atinge os seus objetivos e
finalidades.
 Eficácia jurídica (Negativa/Normativa/Efeito Paralisante): A
eficácia jurídica é a capacidade de uma norma produzir efeitos no
meio jurídico. É um atributo que pode ser exigido judicialmente. Se
dá de forma direta, imediata e vinculante.
Características da eficácia jurídica: A norma pode revogar normas
anteriores e impedir a introdução de novas normas. A norma pode
produzir efeitos desde logo no mundo dos fatos. A norma pode ser
aplicada perante a autoridade competente. A norma pode ser
exigida judicialmente.
Eficácia plena, contida e limitada:
1. As normas de eficácia plena são autoaplicáveis e não
precisam de complementos. São aquelas que são aplicáveis
imediatamente, sem a necessidade de complementação por
lei. São autoaplicáveis, não-restringíveis e de aplicabilidade
direta, imediata e integral. São aplicáveis desde a promulgação
da Constituição Federal. Não podem ser restringidas por outras
normas da Constituição ou por leis infraconstitucionais. São
autoaplicáveis, ou seja, não precisam de lei posterior para
completar o seu alcance e sentido. São não-restringíveis, ou
seja, não podem ter a sua aplicação limitada por outras leis.
Criam órgãos ou atribuem competências aos entes federativos.
2. As normas de eficácia limitada dependem de
regulamentação. São normas constitucionais que precisam de
uma lei reguladora para que possam ser aplicadas. São
também chamadas de normas não-autoaplicáveis. São normas
que não produzem todos os seus efeitos a partir do momento
em que entram em vigor. São normas que dependem de
complementação legislativa para que possam produzir os seus
efeitos. São normas que possuem aplicabilidade indireta,
mediata e reduzida.
Princípio Programático: As normas constitucionais de eficácia limitada de
princípio programático são normas que definem programas a serem
implementados pelo Estado para atingir fins sociais.
 Características: São normas constitucionais de eficácia limitada, ou
seja, não produzem todos os seus efeitos de imediato. São
incompletas e precisam de outra lei para que produzam efeitos. São
normas que exigem que o Estado se esforce para atingir
determinados resultados. São normas que definem os procedimentos
a serem adotados para a execução de programas estatais.
Princípio Institutivo: As normas de eficácia limitada de princípio
institutivo são normas constitucionais que definem a estrutura de órgãos,
entidades ou institutos. Elas são incompletas e precisam ser
complementadas por leis.
 Características: São normas não autoaplicáveis, ou seja, dependem
de leis para que seus efeitos sejam produzidos. Podem ser
impositivas ou facultativas. São normas de aplicabilidade indireta,
mediata e reduzida. São normas que atribuem a função de estruturar
instituições a normas infraconstitucionais.

3. As normas de eficácia contida (Redutivel/Restringível)


são aplicáveis de imediato, mas podem ser restringidas por leis
posteriores. São normas constitucionais que podem ser
aplicadas imediatamente, mas podem ser restringidas por
outras normas. São também conhecidas como normas
redutíveis ou restringíveis. São autoaplicáveis. Possuem
aplicabilidade direta e imediata. Podem ser restringidas por
outras normas constitucionais, legislação infraconstitucional ou
conceitos éticos-jurídicos. Podem ter sua eficácia reduzida por
normas da própria Constituição, como o estado de defesa ou
de sítio.

 Eficácia Social (Positiva): É a capacidade que a norma tem de


atingir, imediatamente, a sociedade. A eficácia social de uma norma
é a capacidade que ela tem de ser respeitada e cumprida pela
sociedade. É a concretização do comando normativo, ou seja, a força
que a norma tem para ser realizada no mundo dos fatos. A eficácia
social está relacionada com a aproximação entre o conteúdo da
norma e as condutas sociais. Uma norma será mais eficaz quanto
maior for a aproximação entre o plano da normatividade e o plano da
realidade.
 Normas autoaplicáveis são normas constitucionais que podem
ser aplicadas sem a necessidade de uma lei
regulamentadora. Elas vigoram imediatamente após a sua
criação. São as normas de eficácia Plena (Direta, Imediata,
Integral) e Contida (Direta, Imediata, Não integral).
 As normas constitucionais não autoaplicáveis, por sua vez,
demandam regulamentação específica para sua aplicação. Elas
exprimem princípios, necessitando de complementação
legislativa posterior para a sua plena aplicabilidade. São as
normas de eficácia Limitada (Não produzem eficácia social)
(Indireta, Mediata, Reduzida/Diferida).

OBS: A abertura e densidade das normas constitucionais


referem-se à relação entre os princípios e regras constitucionais, e à
precisão com que o conteúdo da norma é definido. São conceitos que
afetam a exequibilidade (Possibilidade, Realização, Execução) das
normas e a sua autoaplicabilidade.
 Abertura: A Constituição é um sistema aberto de regras e
princípios. As normas constitucionais são principiológicas e
esquemáticas, o que as torna mais abstratas e menos densas
juridicamente. As normas constitucionais veiculam decisões
fundamentais sobre a organização política da sociedade.
 Densidade: A densidade normativa é a definição do conteúdo
principal da norma, com um certo grau de precisão. Uma
norma é considerada densa quando fornece critérios claros e
precisos para a sua concretização.

OBS: A eficácia horizontal dos direitos fundamentais é a


aplicação desses direitos nas relações entre particulares. Essa teoria
surgiu para combater a opressão e a violência que não provém
apenas do Estado, mas também de atores privados. A teoria da
eficácia horizontal dos direitos fundamentais teve vários autores,
dentre eles Claus-Wilhelm Canaris.
 Principais características: Reconhece que as desigualdades
não se limitam à relação entre Estado e particulares. Obriga o
Estado a impedir que os direitos fundamentais sejam
vulnerados nas relações privadas. Protege os direitos
fundamentais que são imprescindíveis para a preservação da
dignidade da pessoa humana

Regimes políticos e formas de governo


Regime político é o conjunto de princípios que orientam o exercício do
governo, enquanto a forma de governo se refere ao número de governantes
e à distribuição de poder. Enquanto as formas de governo dizem respeito ao
número de governantes e à quantidade de pessoas que exercem o poder,
o regime de governo é um atributo de cada governo que adjetiva o modo
como ele ou seu governante comporta-se. Como regimes de governo, temos
os regimes democráticos, autoritários e totalitários.
Regime político: Regime político, na ciência política, é o nome que se
dá ao conjunto de instituições políticas por meio das quais um Estado
se organiza de maneira a exercer o seu poder sobre a sociedade.
Cabe notar que esta definição é válida mesmo que o governo seja
considerado ilegítimo. A Política do Brasil funciona sob o modelo de
República Federal Presidencialista, formada pela União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, o exercício do poder é atribuído a
órgãos distintos e independentes, submetidos a um sistema de
controle para garantir o cumprimento das leis e da Constituição.
 É o conjunto de instituições políticas que organizam o Estado
para exercer o poder sobre a sociedade.
 Pode ser democrático, autoritário ou totalitário.
 O totalitarismo é um regime político em que um líder governa o
Estado por tempo indeterminado, sem limite algum, e
independentemente da vontade do povo.
Forma de governo: A forma de governo é a maneira como o Estado se
organiza para exercer o poder sobre o povo. As formas de governo
podem ser democráticas ou não democráticas. Formas de governo
conhecidas são a Monarquia, República, Democracia, Tirania,
Principado, Despotismo. O Brasil é uma democracia constitucional e
presidencialista. O povo escolhe os representantes do Executivo e dos
parlamentares por voto direto. A Constituição Federal é a norma
máxima do país. O Brasil já teve governos monárquicos e
republicanos. Entre 1882 e 1889, o país foi governado por Dom Pedro
II, imperador do Brasil. Em 1889, o marechal Deodoro da Fonseca
destituiu o imperador e proclamou a República presidencialista.
 Diz respeito ao número de governantes e à quantidade de
pessoas que exercem o poder.
 Existem vários tipos de formas de governo, como repúblicas
presidencialistas, repúblicas semipresidencialistas, repúblicas
parlamentares, monarquias constitucionais, monarquias
absolutas, ditaduras militares, entre outras.
Brasil:
 O Brasil é uma república federal presidencialista, onde o povo
elege o chefe do Executivo e os parlamentares.
 O exercício do poder é atribuído a órgãos distintos e
independentes, submetidos a um sistema de controle.
 O presidencialismo é o sistema de governo adotado pela
República Federativa do Brasil e que predominou ao longo de
sua história. O país já viveu, no entanto, sob um curto período
de parlamentarismo após se tornar uma República.
 O Brasil adota a forma de governo democrata.
 O Brasil adota o regime de governo republicano.
 A forma de Estado adotada pelo Brasil é a República
Federativa, que é um Estado Democrático de Direito.
A repartição de competência na Federação
A repartição de competências é o mecanismo que define as atribuições e o
poder entre os entes federativos do Brasil. A Constituição Federal de 1988
estabelece a divisão de competências entre a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios.
Como se dá a repartição de competências?
 Repartição vertical - Atribui competências a serem exercidas de
forma conjunta entre os entes federativos.
 Repartição horizontal - Atribui a cada ente federativo uma área
reservada, que lhe cabe disciplinar.

Competências legislativas
 Privativas - A União é a única entidade que pode legislar sobre
determinados assuntos.
 Concorrentes - A União, os Estados e o Distrito Federal podem
legislar sobre determinados assuntos.
Competências administrativas
 Exclusivas - A União é a única entidade que pode executar
determinadas tarefas.
 Comuns - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
podem executar determinadas atividades.
Direitos e garantias fundamentais: direitos e deveres individuais e
coletivos, direitos sociais, da nacionalidade, direitos políticos e dos
partidos políticos.
Direitos e garantias fundamentais são um conjunto de normas
constitucionais que estabelecem e protegem os direitos dos cidadãos. Eles
estão previstos na Constituição Federal de 1988. Os direitos e garantias
fundamentais estão estabelecidos na Constituição Federal em cinco
categorias: Direitos individuais e coletivos, Direitos sociais, Direitos de
nacionalidade, Direitos políticos, Partidos políticos.
Direitos fundamentais são direitos individuais e coletivos que asseguram
liberdades e limitam o poder do Estado. São a base de um Estado
constitucional democrático. Principais características:
 São normas previstas na Constituição
 São garantias individuais e coletivas
 São direitos que devem ser aplicados a toda a população, sem
distinção
 São a expressão das reivindicações políticas de um povo
 São instrumentos que asseguram a liberdade política e pessoal
 São limites ao poder do Estado
As garantias fundamentais são um conjunto de direitos e preceitos
constitucionais que protegem os cidadãos. São a base do Estado
Democrático de Direito e da cidadania. As garantias fundamentais têm
aplicabilidade imediata, mas a sua eficácia plena depende de políticas
públicas. Principais características:
 São instrumentos que asseguram a aplicação do texto
constitucional
 São a marca do Estado de Direito
 São pressuposto lógico de toda cidadania
 São limitados pela própria Constituição
 Podem ser sopesados com outros direitos fundamentais,
respeitada a proporcionalidade
OBS: Os direitos e garantias fundamentais são normas protetivas que estão
previstas na Constituição Federal. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem
decisões sobre esses direitos, como a classificação em gerações e a
definição de parâmetros para a atuação judicial.
Classificação em gerações
 Direitos de primeira geração: direitos civis e políticos, que se
baseiam no princípio da liberdade
 Direitos de segunda geração: direitos econômicos, sociais e
culturais, que se baseiam no princípio da igualdade
 Direitos de terceira geração: direitos que se baseiam no princípio
da solidariedade
Parâmetros para a atuação judicial
 A ausência ou deficiência do serviço público deve ser comprovada
 Deve-se questionar se a obrigação é razoável e viável
 Deve-se determinar a finalidade a ser atingida
 Deve-se prestigiar a resolução consensual e o diálogo institucional
 Deve-se apoiar a decisão judicial em documentos de órgãos
técnicos
 Deve-se permitir a participação de terceiros no processo

Organização político administrativa da União, dos Estados


Federados, dos Municípios e do Distrito Federal.
A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil é
caracterizada por uma federação, onde a União, os Estados-membros, o
Distrito Federal e os Municípios são entes federativos autônomos. Cada um
destes entes tem sua própria estrutura de poder, com poderes executivo,
legislativo e judiciário, e competências definidas pela Constituição. A
federação brasileira é caracterizada por um sistema de descentralização
política e administrativa, onde a União, os Estados e os Municípios têm
poderes e responsabilidades próprios, mas em cooperação. O federalismo
brasileiro é considerado um federalismo "tricotômico", pois os Municípios
também têm um papel importante na organização político-administrativa,
além da União e dos Estados.
 União: Representa o nível federal e tem as competências
privativas e comuns, como a defesa nacional, a política
econômica, a legislação sobre segurança pública e a defesa do
consumidor, entre outras.
 Estados-membros: Têm autonomia para legislar em áreas como
saúde, educação, segurança pública, além de outras
competências comuns com a União e os Municípios.
 Distrito Federal: É um ente federativo peculiar, que funciona
como capital federal e como um Estado-membro, com as
competências dos Estados-membros, além de suas próprias.
 Municípios: São os menores entes federativos, com autonomia
para legislar e administrar em áreas como educação, saúde,
saneamento, transporte, além de outras competências comuns.
Forma de Estado
Primeiramente, pessoal, devemos ter em mente que a República
Federativa do Brasil se constitui, como o próprio nome indica,
num estado Federado. Isso significa dizer que nossa Forma de Estado é
a federação e que, portanto, o poder está descentralizado território.
Todavia, ao contrário da federação existe o chamado estado unitário, que
também é uma Forma de Estado e que se caracteriza, principalmente, por
deixar o poder centralizado em apenas uma unidade de
poder (governo nacional, federal etc.). No entanto, é importante destacar o
alerta que faz o Prof. Pedro Lenza, que leciona que há subclassificações de
estado unitário, quais sejam, (i) Estado Unitário puro; (ii) Estado Unitário
descentralizado administrativamente; e (iii) Estado Unitário descentralizado
política e administrativamente.
Com efeito, dentro de cada classificação encontra-se mais ou menos
centralização do poder, sendo o Estado Unitário puro aquele em que há
“absoluta centralização do exercício do Poder”. Por fim, evidencia-se que é
importante se conhecer a “Forma de Estado” na medida em que é por ela
que conhecemos como o poder está territorialmente repartido, conforme
anota a Prof. Nelma Fontana.
Forma de Governo
Além disso, destaca-se que vigora no Brasil, como Forma de
Governo, a República. A República é marcada pela eleição dos
representantes do povo, bem como pela temporariedade destes no poder.
Além disso, esses governantes podem ser responsabilizados por suas
condutas contrárias ao ordenamento jurídico, à moral, etc. Por outro lado,
também existe, como Forma de Governo, a Monarquia, que é caracterizada
pela hereditariedade e definitividade de seus membros, os quais,
originariamente, não podiam ser responsabilizados por seus atos
(atualmente, claro, houve uma adaptação dessa ausência de
responsabilidade).
Por fim, evidencia-se que é importante se conhecer a “Forma de Governo”
na medida em que é o modo como se dá a instituição do poder na
sociedade e a relação entre governantes e governados, conforme anota a
Prof. Nelma Fontana.
Regime político, Entes federados e Autonomia política
A CF/88 trata do tema em seus artigos 18 e 19, além do artigo 1º, caput,
que preconiza que a República Federativa do Brasil, formada pela união
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se
em Estado Democrático de Direito. Nesse sentido, para além das formas
de governo e de estado, podemos extrair o regime político adotado no
Brasil, qual seja, a democracia.
Ademais, o artigo 18 dispõe que a organização político-administrativa da
República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta
Constituição. Trata-se dos chamados Entes federados (ou Entes
federativos).
Além disso, a autonomia citada anteriormente (autonomia política)
subdivide-se em 4 aptidões, de acordo com o prof. Ricardo Vale e a prof.ª
Nádia Carolina:
 Auto-organização: é a capacidade que os Entes têm de se
auto-organizar por meio de Constituições Estaduais ou Lei
Orgânicas, a depender do caso (Estado e Município,
respectivamente);
 Autolegislação: é a capacidade que os Entes têm para
editarem sua própria legislação;
 Autoadministração: é a capacidade que os Entes têm para
exercer suas atribuições de natureza administrativa, tributária
e orçamentária;
 Autogoverno: é a capacidade que os Entes têm de eleger
seus próprios representantes.
Outrossim, é importante destacar que os Territórios Federais (atualmente
não existentes), quando houver, integrarão a União, e sua criação,
transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão
reguladas em lei complementar.
Portanto, caso lhes questionem se um Território Federal pode ser
considerado Ente federado, a RESPOSTA É NÃO! Eles fazem parte da
União; esta sim considerada um Ente federativo.
Por fim, destaca-se que Brasília é a Capital Federal! (Cuidado, há
diversas questões afirmando que o Distrito Federal é capital federal, o que
está ERRADO. O DF é, como já vimos, um Ente federado).
Organização dos Estados-membros (§ 3º do artigo 18 da CF)
De acordo com o art. 18, §3º, CF/88: Art. 18. (…) § 3º Os Estados podem
incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a
outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante
aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e
do Congresso Nacional, por lei complementar.
Diante do dispositivo constitucional, nota-se ser necessário 03 requisitos
para que os Estados possam se fundir, incorporar, subdividir ou
desmembrar:
 PLEBISCITO à população diretamente interessada,
realizado pelo Congresso Nacional;
 Oitiva das Assembleias Legislativas dos estados
interessados (art. 48, VI, CF/88);
 Edição de Lei Complementar pelo Congresso Nacional.
Por fim, destaca-se que, conforme os ensinamentos do Prof. Ricardo Vale e
da Prof.ª Nádia Carolina: “Na ADIN nº 2.650/DF, o STF considerou que se
deve dar ao termo ‘população diretamente interessada’ o significado de
que, nos casos de desmembramento, incorporação ou subdivisão de Estado,
deve ser consultada, mediante plebiscito, toda a população do (s) Estado (s)
afetado (s), e não apenas a população da área a ser desmembrada,
incorporada ou subdividida”.
Organização dos Municípios (§ 4º do artigo 18 da CF)
De acordo com o art. 18, §4º, CF/88: Art. 18. (…) § 4º A criação, a
incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei
estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e
dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos
Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade
Municipal, apresentados e publicados na forma da lei.
Diante do dispositivo constitucional, e tendo em vista os ensinamentos do
Prof. Ricardo Vale e da Prof.ª Nádia Carolina, esquematiza-se os 5 requisitos
necessários à criação, a incorporação, a fusão e ao desmembramento dos
Municípios:
 Edição de LEI COMPLEMENTAR FEDERAL pelo
Congresso Nacional com vistas a fixar o período dentro
do qual poderá criar, incorporar, fundir ou desmembrar
Municípios;
 Edição de lei ordinária FEDERAL com o intuito de
fixar os requisitos de apresentação e publicação dos
Estudos Viabilidade Municipal;
 Divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, de
acordo com os requisitos fixados pela lei ordinária federal;
 Consulta prévia, por plebiscito, às populações dos
Municípios envolvidos;
 Se as populações, através do plebiscito, opinarem
favoravelmente à alteração federativa: Edição de lei
ordinária ESTADUAL pela Assembleia Legislativa do
Estado em que estiver(em) localizado(s) o(s)
Município(s).
Salienta-se, por fim, que mesmo diante da autorização das populações, fica
facultado à Assembleia do respectivo Estado editar ou não a lei estadual
(discricionariedade).
Vedações federativas (artigo 19 da CF)
Primeiramente, vejamos o dispositivo constitucional:
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes
o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de
dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de
interesse público;
II – recusar fé aos documentos públicos;
III – criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
Com efeito, no inciso I, trata-se da opção do Constituinte Originário de o
Brasil ser um Estado laico, ou seja, que não adota qualquer religião como
oficial.
Ademais, percebe-se que o dispositivo constitucional PERMITE, na forma da
lei, a colaboração de interesse público.
Exemplo de colaboração de interesse público seria se, após um
imprevisível terremoto que destruiu diversas casas, o Município afetado
solicitasse a uma igreja que abrigasse as pessoas.
Outrossim, em seu inciso II, o art. 19 estabelece uma vedação lógica, uma
vez que, se fosse possível aos Entes federativos – os quais emitem
documentos públicos – recusarem fé a documentos públicos de outros
Entes, ter-se-ia um cenário instável em que faltaria segurança jurídica e
acarretaria o declínio do pacto federativo.
Por fim, destaca-se que também é vedado, pelo inciso III do art. 19, criar
distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
Em consonância com esse dispositivo tem-se o art. 12, § 2º, também da
CF/88: “A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e
naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição”.
Exemplo de distinção que a CF autoriza é o art. 12, § 3º, o qual diz serem
privativos de brasileiros natos os cargos de Presidente, de Vice-Presidente
da República, de Presidente da Câmara dos Deputados, de Presidente do
Senado Federal, de Ministro do Supremo Tribunal Federal, da carreira
diplomática, de oficial das Forças Armadas e de Ministro de Estado da
Defesa.
Da Administração Pública.
A Administração Pública é a atividade do Estado que visa satisfazer os
interesses da coletividade, por meio da gestão de recursos e serviços
públicos. Ela engloba órgãos, entidades e agentes que executam políticas
públicas e prestam serviços como saúde, educação, segurança, entre
outros. A Administração Pública está sujeita a um regime jurídico próprio,
que garante legalidade, impessoalidade, publicidade, moralidade e
eficiência.
Classificações
Como vamos falar em administrativa pública, é válido conhecer a
classificação doutrinária sobre o tema.
Sentido Amplo X Sentido Estrito
 Administração Pública em sentido amplo: órgãos de função
administrativa e política. Em sentido amplo, administração pública
refere-se a todo o sistema de governo, incluindo órgãos de função
política (como o legislativo, executivo e judiciário) e órgãos que
exercem funções administrativas, com o objetivo de gerir a coisa
pública e atender aos interesses públicos.
 Administração Pública em sentido estrito: apenas órgãos de
função administrativa. Em sentido estrito, a Administração Pública
refere-se à atividade de execução das políticas públicas e à gestão
administrativa dos órgãos e entidades públicas. Ou seja, é a parte
da administração que se preocupa com a aplicação prática das
decisões políticas, excluindo a formulação e decisão política em
si. Em resumo: A Administração Pública em sentido estrito é o
braço executivo do governo, responsável por colocar em prática as
políticas e decisões políticas, sem participar diretamente na sua
elaboração.
Sentido Subjetivo x Objetivo
 Administração Pública em sentido subjetivo: Foco no sujeito.
Em sentido subjetivo, a Administração Pública refere-se aos entes
e agentes que integram a estrutura do Estado e que estão
incumbidos de realizar atividades administrativas. Ou seja, é o
"quem" da administração, os órgãos, pessoas jurídicas e agentes
públicos que exercem a função administrativa.
 Administração Pública em sentido objetivo: Foco na
atividade. Em sentido objetivo, a Administração Pública refere-se à
própria atividade administrativa, ou seja, o conjunto de funções e
ações que o Estado realiza para atender aos interesses coletivos,
independentemente de quem a exerce. É a função administrativa
em si, como a prestação de serviços públicos, a aplicação da lei e
a gestão de recursos.
Direta X indireta
 Administração Direta: órgãos que integram as pessoas políticas
do Estado. -> Forma Centralizada. A administração direta é a
estrutura do governo que executa diretamente as funções
administrativas, ou seja, os serviços públicos, sem a
intermediação de outras entidades. Ela é composta por órgãos que
fazem parte da estrutura do Poder Executivo (federal, estadual ou
municipal) e não possuem personalidade jurídica própria.
 Administração Indireta: entidades vinculadas à Administração
Direta, entretanto sem hierarquia -> Forma descentralizada. A
administração indireta é um setor da Administração Pública
composta por entidades com personalidade jurídica própria,
autonomia administrativa e financeira, criadas para realizar
atividades de interesse público de forma descentralizada, sob a
supervisão e tutela do Estado. As entidades da administração
indireta (autarquias, empresas públicas, fundações, sociedades de
economia mista, etc.) são consideradas pessoas jurídicas, o que
significa que têm direitos e deveres independentes do Estado.
Essas entidades têm liberdade para gerir seus recursos e tomar
decisões, dentro dos limites estabelecidos por lei e por suas
normas internas. Embora autônomas, as entidades da
administração indireta estão sujeitas à supervisão e à tutela do
Estado, que pode fiscalizá-las e orientá-las. A administração
indireta permite descentralizar a execução das atividades
públicas, transferindo-as para entidades que podem ter maior
flexibilidade e expertise em determinadas áreas.
A administração indireta desempenha um papel fundamental na
organização e execução da política pública, permitindo ao Estado atender às
necessidades da sociedade de forma mais eficiente e
especializada. rincipais exemplos de entidades da administração indireta:
 Autarquias: São entidades criadas por lei para prestar
serviços públicos, como a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) e o Banco Central do Brasil
(BACEN).
 Empresas Públicas: São entidades com personalidade
jurídica de direito privado, criadas para realizar atividades
econômicas, como os Correios e a Caixa Econômica Federal.
 Sociedades de Economia Mista: São empresas de capital
misto, com participação de capital público e privado, como o
Banco do Brasil e a Petrobrás.
 Fundações Públicas: São entidades sem fins lucrativos,
criadas para desenvolver atividades de interesse público, como
a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Princípios expressos da Administração Pública
Os princípios expressos da Administração Pública, de acordo com o artigo 37
da Constituição Federal, são: legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência. Estes princípios norteiam a atuação da
administração pública, tanto direta quanto indireta, em todos os níveis da
federação.
 Legalidade: A Administração Pública só pode agir dentro da lei,
ou seja, deve ter uma base legal para qualquer ato que realize.
Para o cidadão corresponde fazer tudo que a lei não proíba; para o
agente público, fazer aquilo que a lei autorize.
 Impessoalidade: A Administração Pública deve agir de forma
imparcial, sem favorecimentos ou desvantagens pessoais,
buscando sempre o interesse público. Os atos devem ser
praticados buscando o interesse público e não os interesses
pessoais.
 Moralidade: A Administração Pública deve agir de acordo com a
ética e os valores sociais, evitando atos que causem prejuízos à
moralidade. Busca-se práticas éticas por parte dos agentes
públicos.
 Publicidade: A Administração Pública deve divulgar seus atos,
decisões e informações, para que a sociedade possa acompanhar
sua atuação e exercer o controle social. Trata-se da transparência
dos atos da administração, exceto aqueles essenciais à segurança
nacional.
 Eficiência: A Administração Pública deve atuar de forma eficaz,
buscando o melhor resultado com os menores custos, utilizando os
recursos públicos de forma otimizada. Deve-se buscar a maior
produtividade e redução de custos nos atos da administração.
Mnemônico: LIMPE
Princípios Implícitos da Administração Pública
Os princípios implícitos da administração pública são aqueles que, embora
não estejam expressamente mencionados na Constituição Federal ou em
leis, são considerados inerentes ao sistema administrativo e decorrem da
sua lógica e dos seus valores. Eles são inferidos a partir de normas e
dispositivos esparsos e, embora não tenham nome específico, são
reconhecidos pela doutrina e jurisprudência. Os princípios implícitos,
embora não estejam expressos, são fundamentais para garantir a
legalidade, a legitimidade e a eficácia da administração pública. Eles
complementam os princípios expressos e ajudam a interpretar e aplicar as
normas jurídicas. Principais princípios implícitos:
 Supremacia do Interesse Público: A administração pública
deve sempre priorizar o bem-estar da sociedade como um
todo, em detrimento de interesses particulares.
 Indisponibilidade do Interesse Público: O Estado não pode
renunciar ou abdicar dos seus deveres e responsabilidades em
relação ao interesse público.
 Razoabilidade e Proporcionalidade: A atuação
administrativa deve ser razoável e proporcional às
circunstâncias do caso, evitando excessos ou lesões
desnecessárias.
 Controle ou Tutela: A administração deve estar sujeita a
mecanismos de controle, tanto internos quanto externos, para
garantir a legalidade e o bom funcionamento da atividade
administrativa.
 Autotutela: A administração pública tem o poder de rever
seus próprios atos, revogando-os quando inoportunos ou
ilegais.
 Motivação: Os atos administrativos devem ser devidamente
justificados e fundamentados, para que seja possível o seu
controle e fiscalização.
 Continuidade do Serviço Público: O serviço público deve
ser prestado de forma contínua, regular e eficiente, garantindo
o atendimento das necessidades da população.
 Segurança Jurídica: A administração deve agir de forma
previsível e coerente, respeitando a segurança jurídica e os
direitos dos administrados.
 Boa-fé Objetiva: A administração deve agir com lealdade e
transparência, buscando a cooperação e a confiança dos
cidadãos.

Cargos Públicos e Ingresso


O ingresso em cargos públicos, em regra, ocorre por meio de concursos
públicos, que visam garantir a seleção de candidatos qualificados. A
Constituição Federal de 1988 estabelece essa modalidade como princípio
fundamental para a ocupação de cargos no serviço público, promovendo a
isonomia e a igualdade de oportunidades. Além do concurso, o ingresso
também pode ocorrer por meio de nomeação para cargo em comissão, de
livre nomeação e exoneração, ou por meio de designação para função de
confiança. A validade de um concurso público é de 2 anos, podendo ser
prorrogada por igual período. Podem ser realizados concursos públicos de
provas ou provas e títulos, dependendo da natureza do cargo e das
necessidades da administração pública.
Os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis tanto
aos brasileiros quanto aos estrangeiros a depender da seguinte regra
(Art. 37, I):
 Brasileiros -> preencham os requisitos estabelecidos em lei
 Estrangeiros -> na forma da lei, ou seja, nas hipóteses que a lei
autorizar
Perceba a importância da lei para estabelecer requisitos. Nesse sentido
temos vários posicionamentos do STF, vejamos um como exemplo. STF,
Súmula Vinculante 44: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a
habilitação de candidato a cargo público.
Já a investidura dependerá de aprovação prévia em concurso público
de provas ou provas e títulos, a depender da complexidade do concurso
(Art. 37, II). Atente-se a exceção, pois os cargos em comissão são de livre
nomeação e exoneração, ou seja, não é necessário concurso.
Concurso Público
Validade (Art. 37, III): até 2 anos, prorrogável uma vez. -> (2 + 2)
Prazo para convocação (Art. 37, IV): Durante o prazo
improrrogável previsto no edital de convocação (2 + 2), o aprovado será
convocado com prioridade sobre novos concursados. Em outras
palavras, a Constituição não impede que a Administração realize novo
concurso dentro do prazo de validade, mas há prioridade de convocação
A não observância do concurso e sua validade implicará a nulidade do
ato e a punição da autoridade responsável (Art. 37, §2º). Ainda, a lei
reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas
portadoras de deficiência (Art. 37, VIII).
Vejamos a Lei 8.112/90:
Art. 5, § 2o – Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o
direito de se inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas
atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras;
para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento) das
vagas oferecidas no concurso.
Contratação por tempo determinado
Trata-se de uma exceção à regra de realização de concurso público, pois é
possível que a lei estabeleça casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de excepcional
interesse público (Art. 37, IX).

Requisitos:
 Excepcional interesse público;
 Temporariedade da contratação;
 Hipóteses expressamente previstas em lei.
Funções de confiança e cargos em comissão
Tanto as funções de confiança quanto os cargos em
comissão destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e
assessoramento (Art. 37, V), entretanto lembre-se que:
Não confunda:
 Função de confiança -> Servidores efetivo
 Cargos em comissão -> Qualquer pessoa, entretanto a lei deve
prever percentual mínimo para servidores de carreira
Associação sindical e direito a greve
É garantido ao servidor público civil o direito à livre associação
sindical (Art. 37, VI). Atente-se a palavra “civil”, pois tal garantia não é
estendida aos militares, por exemplo. Já o direito de greve será exercido
nos termos e nos limites definidos em lei específica (Art. 37, VII). Fato é
que a lei até hoje não foi editado e nos casos práticos se utiliza a lei do setor
privado (Lei no 7.783/1989).
Remuneração dos servidores públicos
A remuneração dos servidores públicos e o subsídio somente poderão
ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa
privativa em cada caso e assegurada revisão geral anual (Art. 37, X).
Acumulação remunerada
A regra é a vedação a acumulação remunerada de cargos públicos.
Entretanto, quando houver compatibilidade de horários é possível nos
seguintes casos (Art. 37, XVI)
 2 cargos de professor;
 1 cargo de professor + 1 cargo técnico ou científico;
 2 cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde
Obs. A proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange
autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista,
suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo
poder público (Art. 37, XVII);
Da mesma forma que a regra é a vedação a percepção simultânea de
proventos de aposentadoria com a remuneração de cargo, emprego ou
função pública (Art. 37, §10º), ressalvado os casos:
 provento + provento/remuneração de cargos acumuláveis
 provento + mandato eletivo
 provento + cargo em comissão

Do Poder Legislativo: fundamento, atribuições e garantias de


independência.
O Poder Legislativo, no Brasil, é responsável por legislar, fiscalizar os atos
do Executivo e representar o povo. Sua função principal é criar e aprovar
leis, garantindo o cumprimento da Constituição e dos direitos dos
cidadãos. A independência do Legislativo é crucial para o bom
funcionamento da democracia, sendo protegida por imunidades que
garantem o livre exercício das funções parlamentares.
Fundamento: O Poder Legislativo é um dos três poderes do Estado, previsto
na Constituição Federal como um dos pilares da democracia. A sua função
de legislar e fiscalizar é essencial para garantir a representação do povo e o
cumprimento das leis.
Atribuições: As principais atribuições do Poder Legislativo são:
 Legislar: Propor, discutir e votar leis, que são as normas
gerais que regem a sociedade.
 Fiscalizar: Exercer o controle externo sobre os atos do Poder
Executivo, garantindo a boa gestão dos recursos públicos e o
cumprimento da lei.
 Representar: Representar a população e suas demandas,
ouvindo e discutindo os problemas da sociedade.
Garantias de Independência: Para garantir o livre exercício da função
legislativa, o Poder Legislativo possui as seguintes garantias de
independência:
 Imunidade Formal: A imunidade formal, ou processual, é
uma prerrogativa que protege os parlamentares contra prisão e
processo criminal, exceto em casos de flagrante de crime
inafiançável. Esta imunidade, que garante a independência do
Poder Legislativo, permite que a Casa Legislativa suspenda
processos criminais contra seus membros. A imunidade formal
é um direito inerente ao cargo de parlamentar e não pode ser
renunciada. A imunidade formal aplica-se a deputados e
senadores, tanto federais como estaduais.
 Imunidade Material: A imunidade material, ou inviolabilidade
parlamentar, é uma prerrogativa constitucional que garante
aos deputados e senadores a irresponsabilidade criminal e civil
por suas opiniões, palavras e votos proferidos no exercício do
mandato. Essa imunidade visa garantir a liberdade de
expressão e o pleno exercício da função legislativa,
assegurando que os parlamentares possam debater e votar
livremente, sem o receio de serem processados ou condenados
por suas opiniões. A imunidade material é considerada
absoluta, ou seja, não pode ser suspensa, mesmo em casos de
crimes graves ou inafiançáveis, conforme prevê a
Constituição. Embora a imunidade material seja ampla, ela não
é ilimitada. Os parlamentares podem ser responsabilizados por
atos que não estejam diretamente relacionados ao exercício do
mandato, como crimes comuns ou atos de improbidade
administrativa.
 Competência Privativa: O Congresso Nacional tem
competência privativa para exercer diversas atribuições, como
votar os projetos de lei relativos ao orçamento, dar posse ao
presidente e vice-presidente, e aprovar emendas
constitucionais. A competência privativa do Congresso
Nacional, como definida na Constituição Federal, refere-se às
atribuições exclusivas que o Poder Legislativo tem sobre
determinadas matérias, como aprovar tratados internacionais,
autorizar o Presidente da República a declarar guerra, entre
outras. Essas competências não podem ser exercidas por
outros órgãos ou poderes da União.
 Desmembramento de Competências: O Congresso Nacional
é formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal,
garantindo a divisão das funções e a representação de
diferentes interesses.
Estas garantias e atribuições asseguram a independência do Poder
Legislativo, permitindo que ele exerça suas funções de forma autônoma e
sem interferências externas.
Do Poder Executivo: forma e sistema de governo, Chefia de Estado
e Chefia de Governo, atribuições e responsabilidades do Presidente
da República.
No sistema presidencialista brasileiro, o Poder Executivo é exercido pelo
Presidente da República, que acumula as funções de Chefe de Estado
(representando o país em relações internacionais) e Chefe de Governo
(dirigindo a administração pública federal e as políticas públicas). Ele é
eleito diretamente pelo povo e tem um mandato de quatro anos, podendo
ser reeleito para o mandato subsequente.
Forma e Sistema de Governo: A forma de governo refere-se à estrutura
política de um país, como monarquia ou república, enquanto o sistema de
governo define a forma como os poderes são distribuídos e exercidos, como
presidencialismo ou parlamentarismo. No Brasil, a forma de governo é a
república, e o sistema de governo é o presidencialismo.
 Forma de Governo: A forma de governo refere-se à maneira
como um Estado se organiza para exercer o seu poder sobre a
sociedade. É a organização das instituições políticas e a relação
estabelecida entre governantes e governados. As formas de
governo mais comuns são a Monarquia e a República. O Brasil
adota a forma de governo república.
 Sistema de Governo: O sistema presidencialista se
caracteriza pela separação de poderes (Executivo, Legislativo e
Judiciário), com a eleição direta do Presidente e a autonomia do
Poder Legislativo (Congresso Nacional).
Chefia de Estado e Chefia de Governo:
 Chefe de Estado: O Presidente da República representa o país
em suas relações internacionais, é a máxima autoridade do
Estado e exerce o comando supremo das Forças Armadas.
 Chefe de Governo: O Presidente da República dirige a
administração pública federal, formula e executa políticas
públicas, nomeia e exonera Ministros de Estado e tem a
iniciativa de leis.
Atribuições e Responsabilidades do Presidente da República:
As atribuições do Presidente da República estão previstas no artigo 84 da
Constituição Federal:
 Nomear e exonerar Ministros de Estado: Define a
composição do governo e nomeia os titulares das pastas.
 Exercer a direção superior da administração
federal: Dirige as políticas públicas e garante a execução das
leis.
 Sancionar e vetar leis: Aprova ou rejeita as leis aprovadas
pelo Congresso Nacional.
 Manter relações com Estados estrangeiros: Representa o
país em nível internacional, celebrando tratados e acordos.
 Exercer o comando supremo das Forças Armadas: Dirige
as Forças Armadas e nomeia os comandantes.
 Promover ou orientar a política legislativa de interesse
nacional: Tem iniciativa de leis e pode propor medidas
provisórias.
 Tomar medidas provisórias: Em casos de urgência e
relevância, pode editar medidas provisórias com força de lei,
que precisam ser submetidas à aprovação do Congresso
Nacional.
 Direção política do Estado: Define a orientação política do
país e tem a responsabilidade de garantir a estabilidade do
país.
O Presidente da República também pode ser responsabilizado por crimes
comuns (previstos no Código Penal) ou crimes de responsabilidade (atos que
atentam contra a Constituição, a existência da União, a segurança interna
do país ou o livre exercício dos poderes). A responsabilidade do Presidente
da República abrange a sua função como Chefe de Estado e Chefe do Poder
Executivo, bem como a sua responsabilidade por crimes de
responsabilidade, que podem levar ao impeachment. O Presidente dirige a
política interna e externa, promove a política legislativa de interesse
nacional e superintende a administração do país, como estabelecido pelo
artigo 73 da Constituição Federal.
Do Poder Judiciário: fundamento, atribuições e garantias; Súmulas
Vinculantes e Repercussão Geral.
O Poder Judiciário, um dos pilares da democracia, fundamenta-se no
princípio da separação dos poderes, garantindo a independência e a
imparcialidade no exercício da função jurisdicional. Suas atribuições incluem
a interpretação e aplicação das leis, a resolução de conflitos e a proteção
dos direitos e garantias individuais. O Poder Judiciário também possui
garantias como a independência e a autonomia, que asseguram sua
imparcialidade e liberdade em suas decisões. As Súmulas Vinculantes e a
Repercussão Geral são instrumentos que visam a uniformização da
jurisprudência e a segurança jurídica, impactando a atuação do Poder
Judiciário e da Administração Pública.
Fundamento:
 Separação dos Poderes: O Poder Judiciário é um dos três
poderes do Estado (Legislativo, Executivo e Judiciário), com
funções distintas e independentes, visando garantir o equilíbrio
e o funcionamento da democracia.
 Independência e Autonomia: O Poder Judiciário tem
garantias que asseguram sua independência e autonomia em
relação aos outros poderes, evitando ingerências e garantindo
a imparcialidade.
 Jurisdição: O Poder Judiciário exerce o monopólio da
jurisdição, que é o poder-dever de aplicar o direito ao caso
concreto, resolvendo conflitos e protegendo os direitos.
Atribuições:
 Interpretar e Aplicar a Lei: O Poder Judiciário interpreta e
aplica as leis, garantindo que sejam cumpridas e que os
direitos e garantias fundamentais sejam protegidos.
 Resolver Conflitos: O Poder Judiciário resolve conflitos entre
indivíduos, entre indivíduos e o Estado, ou entre diferentes
órgãos do Estado, buscando uma solução justa e equitativa.
 Proteger os Direitos e Garantias Fundamentais: O Poder
Judiciário tem a função de proteger os direitos e garantias
fundamentais, como o direito à vida, à liberdade, à
propriedade, entre outros.
Garantias:
 Vitaliciedade, Inamovibilidade e Irredutibilidade de
Subsídio: O magistrado tem garantias de vitaliciedade,
inamovibilidade e irredutibilidade de subsídio, que asseguram
sua independência e estabilidade, impedindo que seja
removido ou que seu salário seja reduzido.
 Imparcialidade: O Poder Judiciário deve ser imparcial, sem
qualquer influência ou pressão, garantindo que as decisões
sejam tomadas com base na lei e na justiça.
Súmulas Vinculantes:
 Uniformização da Jurisprudência: As súmulas vinculantes
são enunciados aprovados pelo Supremo Tribunal Federal (STF)
que visam uniformizar a jurisprudência e dar segurança
jurídica.
 Efeito Vinculante: As súmulas vinculantes são obrigatórias
para todos os demais órgãos do Poder Judiciário e para a
Administração Pública, garantindo que as decisões sejam
uniformes e que a lei seja aplicada de forma consistente em
todo o país.
Repercussão Geral:
 Delimitação de Competência do STF: O instituto da
repercussão geral foi criado para delimitar a competência do
STF, que passa a julgar apenas casos que envolvem questões
constitucionais de relevância social, política, econômica ou
jurídica.
 Efeito Ultra Partes: A decisão do STF em matéria de
repercussão geral tem efeito ultra partes, ou seja, produz
efeitos para todos os casos que envolvam a mesma questão
constitucional, não apenas para os envolvidos no processo
concreto.
Em resumo, o Poder Judiciário é um pilar fundamental da democracia, com a
função de interpretar e aplicar a lei, resolver conflitos e proteger os direitos
e garantias fundamentais. As Súmulas Vinculantes e a Repercussão Geral
são instrumentos importantes para garantir a uniformização da
jurisprudência e a segurança jurídica.

Das Funções Essenciais à Justiça.


As funções essenciais à justiça são as atividades que, segundo a
Constituição Federal, são indispensáveis para o pleno funcionamento da
justiça e o acesso à justiça. Elas são exercidas por diferentes órgãos e
profissionais, com autonomia funcional, e incluem o Ministério Público, a
Advocacia Pública, a Advocacia e a Defensoria Pública. Estas funções são
fundamentais para o sistema judiciário e para a garantia dos direitos dos
cidadãos.
 Ministério Público: Defende a ordem jurídica, o regime
democrático e os interesses sociais e individuais
indisponíveis. O Ministério Público (MP) é uma instituição
estatal com a função de defender os interesses da sociedade,
da ordem jurídica e dos direitos dos cidadãos. Atua em diversas
áreas, incluindo a fiscalização de leis, a promoção de ações
penais, a proteção de direitos sociais e ambientais e a defesa
de interesses de incapazes. O MP tem o poder de instaurar e
conduzir ações penais em casos de crimes, garantindo a
punição de infratores e a proteção das vítimas. O MP
acompanha a aplicação dos recursos públicos, fiscalizando a
gestão das administrações e combatendo a corrupção. O MP
pode ser acionado por qualquer cidadão ou atuar de forma
autônoma (de ofício) para investigar e combater
irregularidades e crimes. Estrutura do Ministério Público:
 Ministério Público Federal (MPF): Defende os
interesses da União e atua em diversas áreas, como
crimes federais, defesa do consumidor, meio ambiente e
recursos naturais.
 Ministério Público do Trabalho (MPT): Defende os
direitos dos trabalhadores e atua em casos de violação
de leis trabalhistas.
 Ministério Público Militar (MPM): Defende os
interesses da União e do Estado em relação a militares e
a crimes militares.
 Ministério Público do Distrito Federal e Territórios
(MPDFT): Defende os interesses do Distrito Federal e
dos Territórios.
 Ministérios Públicos Estaduais (MPE): Defendem os
interesses de cada Estado e atuam em casos de crimes
estaduais, direitos dos consumidores, meio ambiente e
outros temas.
 Advocacia Pública: Representa a União, os Estados e os
Municípios em processos judiciais e extrajudiciais. A Advocacia
Pública, também conhecida como Procuradoria Pública, é a
função essencial à Justiça responsável por defender, promover
e orientar os interesses públicos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios. Ou seja, é a área do direito
que atua em defesa das instituições que representam o poder
público, buscando a legalidade e a eficiência na gestão
pública.
 Advocacia: Defende os interesses de seus clientes, garantindo
o acesso à justiça. A advocacia é a atividade profissional
regulamentada e exercida por advogados, que defendem os
interesses de pessoas físicas e jurídicas, dentro da lei e do
Estado de Direito. O advogado busca solucionar conflitos,
orientar clientes sobre questões legais e atuar na defesa ou
acusação em processos judiciais.
 Defensoria Pública: Oferece assistência jurídica integral e
gratuita aos necessitados, assegurando o acesso à justiça para
todos. A Defensoria Pública é uma instituição pública que
oferece assistência jurídica gratuita a pessoas que não podem
pagar por esse serviço. Ela garante a defesa dos direitos de
todos, especialmente os mais vulneráveis, em âmbito estadual
e federal. Os serviços da Defensoria Pública são totalmente
gratuitos.
Cada órgão tem autonomia para exercer suas funções, sem interferência de
outros poderes ou órgãos. Garantem o acesso à justiça para todos,
defendendo os direitos e interesses da sociedade e dos indivíduos. Estas
funções são fundamentais para o sistema judiciário e para a garantia dos
direitos dos cidadãos.
Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas: do Estado de
Defesa, do Estado de Sítio, das Forças Armadas, da Segurança
Pública.
A "Defesa do Estado e das Instituições Democráticas" na Constituição
Brasileira trata das medidas excepcionais e dos órgãos que atuam para
garantir a ordem e a segurança do país, especialmente em situações de
crise. O Estado de Defesa e o Estado de Sítio são medidas excepcionais,
enquanto as Forças Armadas e a Segurança Pública são órgãos
permanentes que atuam na defesa do Estado e das instituições. A defesa do
Estado e das instituições democráticas visa proteger o país e a sociedade
contra ameaças internas e externas, seja por meio de medidas excepcionais
em casos de crise, seja pela atuação permanente das Forças Armadas e da
Segurança Pública.
 Estado de Defesa: O Estado de Defesa é uma medida
constitucional excepcional utilizada para preservar ou
restabelecer a ordem pública e a paz social em locais
determinados, quando ameaçadas por grave instabilidade
institucional ou calamidades naturais de grandes proporções. É
decretado pelo Presidente da República, após ouvir o Conselho
da República e o Conselho de Defesa Nacional, e deve ser
encaminhado ao Congresso Nacional em 24 horas para
aprovação. O estado de defesa tem duração máxima de 30
dias, podendo ser prorrogado uma vez por igual período, se
persistirem as razões que o justificaram. A duração máxima
total, incluindo prorrogações, é de 60 dias. Ato do Presidente
da República com controle posterior imediato pelo Congresso
Nacional.
 Estado de Sítio: O estado de sítio é uma medida excepcional
prevista na Constituição Federal brasileira que pode ser
decretada pelo Presidente da República, mediante autorização
prévia do Congresso Nacional, em situações de comoção grave
de repercussão nacional ou declaração de estado de guerra ou
resposta a agressão estrangeira. A declaração de estado de
sítio exige a autorização do Congresso Nacional, que deve se
reunir em caso de recesso. Durante o estado de sítio, algumas
garantias constitucionais podem ser suspensas, como a
liberdade de imprensa, o direito de reunião e a garantia de
habeas corpus. O estado de sítio permite que o Executivo
exerça poderes ampliados para garantir a ordem e a
segurança. O estado de sítio pode ter uma duração inicial de
30 dias, podendo ser prorrogado por períodos iguais, mediante
autorização do Congresso. Em territórios sob estado de sítio, a
Justiça Militar pode ter competência para julgar crimes que
atentem contra a segurança do Estado ou a defesa nacional.
 Forças Armadas: São instituições nacionais, permanentes e
regulares, destinadas à defesa da nação, garantidoras dos
poderes constitucionais, da lei e da ordem. As Forças Armadas
são as instituições militares de um país, responsáveis pela
defesa nacional, pela garantia dos poderes constitucionais e
pela segurança da lei e da ordem. No Brasil, são compostas
pela Marinha, pelo Exército e pela Força Aérea. Além da defesa
militar, as Forças Armadas podem ser utilizadas para garantir a
ordem constitucional, como em casos de instabilidade política
ou motins. As Forças Armadas são organizadas sob o comando
supremo do Presidente da República, que é o comandante-em-
chefe. São instituições permanentes e regulares, com estrutura
hierárquica e disciplina, e seus membros (os militares) são
considerados servidores da Pátria com características
especiais.
 Segurança Pública: Segurança pública é a garantia, por
parte do Estado, da convivência social em paz, sem ameaça de
violência, permitindo que todos exerçam seus direitos. É um
dever do Estado, mas também um direito e responsabilidade
de todos os cidadãos. Envolve a preservação da ordem pública
e a proteção das pessoas e do patrimônio. É o dever do Estado,
direito e responsabilidade de todos, exercido para a
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas
e do patrimônio. Os órgãos de segurança pública no Brasil são
divididos em órgãos de âmbito federal e estadual, com a União,
os estados e o Distrito Federal responsáveis pelas suas
respectivas áreas. No âmbito federal, destacam-se a Polícia
Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Ferroviária
Federal. Nos estados, a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo
de Bombeiros Militar são os principais órgãos. Âmbito Federal:
 Polícia Federal (PF): Responsável pela investigação de
crimes federais, controle de fronteiras e execução de
outras atribuições definidas em lei.
 Polícia Rodoviária Federal (PRF): Patrulhamento e
fiscalização das rodovias federais, com atribuições como
prevenção e repressão de infrações de trânsito e crimes
ocorridos nas rodovias.
 Polícia Ferroviária Federal: Patrulhamento e
fiscalização das ferrovias federais.
 Departamento Penitenciário Nacional
(Depen): Responsável pela gestão do sistema
penitenciário federal.
Âmbito Estadual (e Distrito Federal):
 Polícia Civil: Investiga crimes, realiza diligências e
coleta provas, além de cumprir mandados de prisão.
 Polícia Militar (PM): Realiza o patrulhamento ostensivo
e preservação da ordem pública.
 Corpo de Bombeiros Militar: Atua em combate a
incêndios, resgates, defesa civil e outras atividades
relacionadas à segurança pública.
 Polícia Penal: Responsável pela vigilância, ordem e
segurança dos estabelecimentos penais.

OBS: Outros Órgãos e Entidades:


 Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP): Órgão
central do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e
responsável pela formulação e execução de políticas de
segurança pública.
 Secretarias Estaduais de Segurança
Pública: Responsáveis pela coordenação da segurança pública
nos estados.
 Sistema Único de Segurança Pública (SUSP): Sistema que
integra os órgãos de segurança pública, com o objetivo de
fortalecer a cooperação entre eles.
 Conselho Nacional de Segurança Pública (Conseg): Órgão
consultivo e deliberativo em assuntos de segurança pública.
 Ouvidoria das Polícias: Órgão responsável por receber e
investigar denúncias e reclamações contra as polícias.
 Polícia Científica: Realiza perícias e investigações técnico-
científicas em casos de crimes.
Da Ordem Social: base e objetivos da ordem social, da seguridade
social, da educação, da cultura, do desporto, da ciência e
tecnologia, da comunicação social, do meio ambiente, da família, da
criança, do adolescente, do idoso e dos índios.
A Ordem Social, como prevista na Constituição Federal, tem como base o
primado do trabalho e como objetivo o bem-estar e a justiça
sociais. Abrange diversos aspectos, incluindo seguridade social, educação,
cultura, desporto, ciência e tecnologia, comunicação social, meio ambiente,
família, criança, adolescente, idoso e povos indígenas. Base e Objetivos da
Ordem Social:
 Base: Primado do trabalho.
 Objetivo: Bem-estar e justiça sociais.
Seguridade Social é um conjunto integrado de ações de iniciativa dos
Poderes Públicos e da sociedade para assegurar direitos a saúde,
previdência e assistência social. Tem como princípios a universalidade da
cobertura e do atendimento, igualdade, unidade de organização e
solidariedade financeira.
Na Constituição Federal, a educação é definida como um direito de todos e
dever do Estado e da família, promovida e incentivada com a colaboração
da sociedade. O objetivo é o pleno desenvolvimento da pessoa, o preparo
para o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. A
Constituição também estabelece princípios, como a igualdade de condições
de acesso e permanência na escola, e garante direitos como o acesso à
educação básica obrigatória. A Constituição garante o acesso à educação
básica obrigatória, a assistência gratuita aos filhos e dependentes em
creches e pré-escolas, e a atenção às necessidades específicas de pessoas
com deficiência.
Na Constituição Federal, a cultura é abordada como um direito fundamental
do ser humano, e o Estado tem a responsabilidade de garantir o pleno
exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes de cultura nacional. Isso
inclui apoiar e incentivar a valorização e difusão das manifestações
culturais. A Constituição também define o patrimônio cultural brasileiro, que
engloba bens materiais e imateriais que carregam a identidade, ação e
memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.
Na Constituição Federal, o desporto é reconhecido como um direito social e
dever do Estado fomentar as práticas desportivas, tanto formais quanto não
formais, como um direito individual. Isso significa que o Estado deve
garantir o acesso ao desporto, incentivando sua prática e promoção,
garantindo que ele seja acessível a todos.
Na Constituição Federal, a ciência e tecnologia são tratadas como
instrumentos de desenvolvimento social e econômico, com a
responsabilidade do Estado em promover e incentivar o seu avanço. A
Constituição, em seu Artigo 218, estabelece que o Estado deve promover e
incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação
tecnológica.
Na Constituição Federal, a comunicação social, tratada no Capítulo V
(artigos 220 a 224), garante a liberdade de manifestação do pensamento,
criação, expressão e informação, sem restrições, exceto o que a própria
Constituição estabelecer. Isso abrange diversos meios e processos de
comunicação.
Na Constituição Federal, o meio ambiente é um direito fundamental de
todos e um dever do Poder Público e da coletividade, garantindo um
ambiente ecologicamente equilibrado e uma sadia qualidade de vida. Este
direito e dever estão previstos no artigo 225, que estabelece que o meio
ambiente é um bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de
vida. O meio ambiente pode ser classificado em cinco tipos principais:
natural, artificial, cultural, do trabalho e patrimônio genético. O meio
ambiente natural refere-se à natureza em si, como florestas e rios. O meio
ambiente artificial é formado por construções e infraestruturas. O meio
ambiente cultural engloba a cultura e o patrimônio de um grupo social. O
meio ambiente do trabalho inclui os espaços onde as pessoas
trabalham. Por fim, o patrimônio genético refere-se à diversidade de genes
e espécies.
Na Constituição Federal, a família é reconhecida como a base da sociedade
e tem especial proteção do Estado. Essa proteção se manifesta em diversas
áreas, como o direito à família, a promoção do planejamento familiar, a
proteção à criança e ao adolescente, e a proteção aos idosos, entre outros.
Na Constituição Federal brasileira, a criança é tratada como sujeito de
direitos, com a família, a sociedade e o Estado tendo o dever de assegurar-
lhe, com prioridade absoluta, direitos como vida, saúde, alimentação,
educação, lazer, cultura, dignidade, respeito, liberdade e convivência
familiar e comunitária. Este conceito é reforçado no Estatuto da Criança e
do Adolescente (ECA), que estabelece as regras para a proteção e garantia
desses direitos.
Na Constituição Federal, "da adolescente" refere-se à proteção e aos direitos
assegurados aos jovens entre os 12 e 18 anos de idade, conforme
estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O ECA, que
regulamenta o artigo 227 da Constituição, garante a proteção integral do
adolescente, assegurando-lhe direitos fundamentais e priorizando seu
melhor interesse em todas as situações.
Na Constituição Federal, o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.471/2003)
estabelece que a pessoa idosa é aquela com idade igual ou superior a 60
anos. O Estatuto garante direitos e deveres, priorizando a proteção e o
respeito à dignidade da pessoa idosa, incluindo direitos à saúde, transporte,
educação, lazer e participação na vida social.
Na Constituição Federal Brasileira, o termo "índio" refere-se a qualquer
membro de uma comunidade indígena, reconhecido por ela como tal. A
Constituição reconhece a organização social, costumes, línguas, crenças e
tradições dos indígenas, bem como seus direitos originários sobre as terras
que tradicionalmente ocupam. A União é responsável pela demarcação,
proteção e garantia do respeito a esses bens e direitos.

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