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Parte II (Matemática)

O documento aborda o tema das Séries de Fourier, uma técnica matemática que permite decompor funções periódicas em somas de funções trigonométricas. Através de definições, teoremas e exemplos, são discutidos os conceitos de ortogonalidade e a determinação dos coeficientes da série. O trabalho é parte de uma avaliação da cadeira de Análise Matemática I do curso de Engenharia Eletrónica e de Telecomunicações.

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O documento aborda o tema das Séries de Fourier, uma técnica matemática que permite decompor funções periódicas em somas de funções trigonométricas. Através de definições, teoremas e exemplos, são discutidos os conceitos de ortogonalidade e a determinação dos coeficientes da série. O trabalho é parte de uma avaliação da cadeira de Análise Matemática I do curso de Engenharia Eletrónica e de Telecomunicações.

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Departamento da Engenharia Eletrotécnica

Curso de Engenharia Eletrónica e de Telecomunicações


Cadeira: Análise Matemática I

Tema: Séries de Fourier

1º Ano

Discentes:

➢ Aires Judson Hilário Bila


➢ Egídio Timothy
➢ Eufrasia Remígio Muapala
➢ Florentina Banze
➢ Julia Injala

Docente: Cláudio Mathe


Classificação:……….(Valores)

Songo, Maio de 2025


Departamento da Engenharia Eletrotécnica

Curso de Engenharia Eletrónica e de Telecomunicações

Trabalho de carácter avaliativo para a


cadeira de Análise Matemática I
lecionado pelo Docente, Claúdio Mathe,
no Instituto Superior Politécnico de
Songo.

Songo, Maio de 2025


Índice
Introdução .................................................................................................................................. 4
Séries de Fourier ........................................................................................................................ 5
Série de função ímpar .............................................................................................................. 11
Decomposição de funções 𝒇(𝒙) em serie de Fourier em [𝟎, 𝝅] ............................................... 12
Decomposição de funções em séries de Fourier no intervalo (𝒂; 𝒂 + 𝟐𝒍) ............................... 13
Conclusão ................................................................................................................................. 15
Referências Bibliográficas ....................................................................................................... 16
Introdução
As Séries de Fourier representam uma poderosa ferramenta matemática desenvolvida pelo
físico e matemático francês Jean-Baptiste Joseph Fourier no século XIX. Essa técnica permite
decompor funções periódicas em uma soma infinita de funções trigonométricas, como senos
e cossenos. A principal motivação por trás do estudo das Séries de Fourier está na sua ampla
aplicabilidade em diversas áreas da ciência e engenharia, como no processamento de sinais,
na análise de sistemas elétricos, na solução de equações diferenciais parciais e na compressão
de dados. Ao transformar uma função complexa em componentes harmônicos mais simples,
as Séries de Fourier facilitam a análise e interpretação de fenômenos periódicos de maneira
precisa e eficiente.

4
Séries de Fourier
Definição: 3.1. (Séries Trigonométricas)
É uma série de funções cujos são obtidos multiplicando-se os senos e os co-senos dos múltiplos
sucessivos da Variável independente x por coeficiente, que não dependem do variável x e são
admitidos reais.
Exemplo:

ou:

1
𝑎₀ + ∑(𝑎ₙ cos 𝑛𝑥 + 𝑏ₙ sin 𝑛𝑥)
2
𝑛=1

ou:
1 𝑛𝜋𝑥 𝑛𝜋𝑥
𝑎₀+∑∞
𝑛=1 (𝑎ₙ cos + 𝑏ₙ sin )
2 𝐿 𝐿

Sendo esta uma série de funções, será uma função de variável independente e como os termos
da série são funções trigonométricas, as funções periódicas de período 2π, as funções
periódicas de período 2π, a soma 𝑆(𝑥) será uma função periódica de intervalo 2π.

1
𝐹(𝑥) = 2 𝑎₀ + ∑∞
𝑛=1(𝑎ₙ cos 𝑛𝑥 + 𝑏ₙ sin 𝑛𝑥)

Esta representação é possível se a 𝑓(𝑥) satisfaz as condições de suficiência de Dirichlet.


Teorema de Dirichlet:
O teorema afirma que toda a função 𝑓(𝑥) que satisfaz no intervalo (𝜋, −𝜋) às condições de
Dirchlet em qualquer ponto 𝑥 deste intervalo, em que 𝑓(𝑥) seja contínua pode-se desenvolver
em série trigonométrica de Fourier.
As condições de suficiência de Dirichlet, apesar de mais restritas, asseguram a convergência
da série para a função:
1. A função 𝑓(𝑥) deve ser continua e, portanto, limitada no intervalo (−𝜋, 𝜋), com
excessão, talvez, de um número finito de pontos de descontinuidade de primeira
espécie (finitas).

Exemplo:
5
1 𝑝𝑎𝑟𝑎 − 𝜋 < 𝑥 < 0
𝑓(𝑥)={ e 𝑓 (𝑥 + 2𝜋) = 𝑓(𝑥)
0 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝜋 < 𝑥 < 𝜋

Esta função apresenta, num período, apenas um ponto de descontinuidade finita em 𝑥 = 0


1) Efetuando-se uma partição no intervalo (−𝜋, 𝜋) em um número finito de sub-intervalos,
a função 𝑓(𝑥) em cada m deles será monótona. A função 𝑓(𝑥) tem somente um número finito
de máximos e mínimos em um período. Exemplo:

Podemos considerar 3 sub-intervalos:


No 10 intervalo 𝑓(𝑥) é crescente, no 20 é decrescente e no 30 é crescente.
𝐹(𝑥) apresenta no período um ponto de máximo e um ponto de mínimo.
Contraexemplo:
1
𝑓(𝑥) = sin 𝑥 no intervalo de: − 𝜋 < 𝑥 < 𝜋

Esta função apresenta um número infinito de máximos e mínimos na vizinhança 𝑥 = 0


Ortogonalidade – Integrais de Euler
𝜋
1) ∫−𝜋 cos 𝑛𝑥 𝑑𝑥 = 0 𝑛 = 1, 2, 3, …
𝜋
2) ∫−𝜋 sin 𝑛𝑥 𝑑𝑥 = 0 𝑛 = 0, 1, 2, …
𝜋
3) ∫−𝜋 cos 𝑝𝑥 cos 𝑞𝑥𝑑𝑥= 0 (𝑝 ≠ 𝑞)𝑖𝑛𝑡𝑒𝑖𝑜𝑠
𝜋
4) ∫−𝜋 cos 2 𝑝𝑥 d𝑥 = 𝜋 𝑝 = 1, 2, 3, …
𝜋
5) ∫−𝜋 sin 𝑝𝑥 sin 𝑝𝑥𝑑𝑥 = 0 (𝑝 ≠ 𝑞)𝑖𝑛𝑡𝑒𝑖𝑟𝑜𝑠
𝜋
6) ∫−𝜋 sin2 𝑝𝑥𝑑𝑥 = 0 𝑝=𝑞≠0

6
𝜋
7) ∫−𝜋 sin 𝑝𝑥cos 𝑞𝑥 𝑑𝑥 𝑝 = 𝑞 𝑜𝑢 𝑝 ≠ 𝑞
Determinação dos coeficientes da série de Fourier da função 𝒇(𝒙)
Usando propriedades elementares das funções trigonométricas podemos facilmente
determinar 𝑎𝑛 𝑒 𝑏𝑛 em termos de 𝑓(𝑥) de maneira que no intervalo (−𝜋, 𝜋) a série
trigonométrica abaixo seja igual à função 𝑓(𝑥), isto é:

1
𝑓(𝑥) = 𝑎₀ ∑(𝑎ₙ cos 𝑛𝑥 + 𝑏ₙ sin 𝑛𝑥)
2
𝑛=1

Integramos os dois membros entre (-𝜋, 𝜋)


𝜋 𝜋 𝜋 ∞ 𝜋
1
∫ 𝑓(𝑥)𝑑𝑥 = ∫ 𝑎₀𝑑𝑥 + ∑ [∫ 𝑎ₙ cos 𝑛𝑥𝑑𝑥 + ∫ 𝑏ₙ sin 𝑛𝑥𝑑𝑥 ]
−𝜋 −𝜋 2 −𝜋 𝑛=1 −𝜋

Sendo 𝑐𝑜𝑠𝑛𝑥 = 0 e 𝑠𝑒𝑛𝑛𝑥 = 0, então:


𝜋 𝜋
1 1
∫ 𝑓(𝑥)𝑑𝑥 = 𝑎0 ∫ 𝑎0 = 𝑎0 [2𝜋] = 𝑎0 . 𝜋
−𝜋 2 −𝜋 2

Cálculo de 𝒂𝒏
Multiplicando a 𝑓(𝑥) 𝑝𝑜𝑟 𝑐𝑜𝑠(𝑝𝑥), sendo p, número fixo dão e integramos entre (– π, π)
𝜋
∫ 𝑓(𝑥) cos 𝑝𝑥 𝑑𝑥
−𝜋

𝜋 𝜋 ∞
1
=∫ 𝑎₀ cos 𝑝𝑥 𝑑𝑥 + ∑ [∫ (𝑎ₙ cos 𝑛𝑥 cos 𝑝𝑥 + 𝑏ₙ sin 𝑛𝑥 cos 𝑝𝑥)𝑑𝑥]
−𝜋 2 −𝜋 𝑛=1

De acordo com as integrais de Euler, se 𝑛 = 𝑝:


𝜋 𝜋
∫ 𝑓(𝑥) cos 𝑛𝑥 𝑑𝑥 = 𝑎𝑛 ∫ cos 𝑛𝑥 𝑑𝑥 = 𝑎0 . 𝜋
−𝜋 −𝜋

Cálculo de 𝑏𝑛
Multipliquemos a 𝑓(𝑥) por sin 𝑝𝑥 e integremos entre (−𝜋, 𝜋)
𝜋 𝜋 𝜋 ∞
1
∫ 𝑓(𝑥) sin 𝑝𝑥 𝑑𝑥 = ∫ 𝑎0 sin 𝑝𝑥 𝑑𝑥 + ∑ [∫ (𝑎ₙ cos 𝑛𝑥 cos 𝑝𝑥 + 𝑏ₙ sin 𝑛𝑥 cos 𝑝𝑥)𝑑𝑥]
−𝜋 −𝜋 2 −𝜋 𝑛=1

De acordo com as integrais de Euler, se 𝑛 = 𝑝:


𝜋 𝜋
∫ 𝑓(𝑥) sin 𝑛𝑥 𝑑𝑥 = ∫ 𝑏𝑛 sin2 𝑛𝑥 𝑑𝑥 = 𝑎0 . 𝜋
−𝜋 −𝜋
𝜋
1
𝑏𝑛 = ∫ 𝑓(𝑥) sin 𝑝𝑥 𝑑𝑥
𝜋 −𝜋

7
Exemplo: Encontre os coeficientes de Fourier da função 𝑓(𝑥), onde a fórmula é:
−k se − π < x < 0
f(x) = { 𝑒 f(x + 2π) = f(x)
𝑘 𝑠𝑒 0 < 𝑥 < 𝜋
Sol: 𝑎0 = 0. Também se resolve sem fazer a integração, pois a área da curva 𝑓(𝑥) entre o ponto
– 𝜋 𝑒 𝜋 é nula.
1 𝜋 1 0 𝜋
𝑎𝑛 = 𝜋 ∫−𝜋 𝑓(𝑥) cos 𝑛𝑥 𝑑𝑥 = 𝜋 [∫−𝜋(−𝑘) cos 𝑛𝑥 𝑑𝑥 + ∫0 𝑘 𝑐𝑜𝑠(𝑛𝑥)𝑑𝑥] =
1 sin(𝑛𝑥) 0 sin(𝑛𝑥) 𝜋
[−𝑘 |−𝜋 +𝑘 | 0]
𝜇 𝑛 𝑛

1 𝜋
𝑏𝑛 = ∫ 𝑓(𝑥) sin 𝑝𝑥 𝑑𝑥
𝜋 −𝜋
1 0 𝜋
= [∫ (−𝑘) sin(𝑛𝑥) 𝑑𝑥 + ∫ 𝑘 sin(𝑛𝑥) 𝑑𝑥]
𝜋 −𝜋 0

1 cos(𝑛𝑥) 0 cos(𝑛𝑥) 𝜋
= [𝑘 | −𝑘 | ]
𝜋 𝑛 −𝜋 𝑛 0
Como 𝑐𝑜𝑠(−𝛼) = 𝑐𝑜𝑠 𝛼 e 𝑐𝑜𝑠 0 = 1, isso fornece:
𝑘 2𝑘
𝑏𝑛 = 𝑛𝜋[cos 0 − cos(−𝑘𝜋) − cos 𝑛𝜋 + cos 0] =𝑛𝜋 (1 − cos 𝑛𝜋)
Ora, cos 𝜋 = −1, cos 2𝜋 − 1, cos 3𝜋 = 1, etc; em geral são:
−1 para n ímpar, 2 para n ímpar,
cos 𝑛𝜋 = { 𝑒, 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑎𝑛𝑡𝑜, 1 − cos 𝑛𝜋={
1 para n par, 0 para n par,
Como os coeficientes de Fourier 𝑏𝑛 da função são:
4𝑘 4𝑘 4𝑘
𝑏1 = , 𝑏2 = 0, 𝑏3 =3𝜋, 𝑏4 = 0, 𝑏5 = 5𝜋, …
𝜋

A série de Fourier da função 𝑓(𝑥) é:


4𝑘 1 1
(sin 𝑥 +3sin 3𝑥 +5sin 5𝑥 + ⋯)
𝜋

4𝑘 1
𝑆1 = sin 𝑥 , 𝑆2 = (sin 𝑥 + sin 3𝑥)
𝜋 5
Definição 3.2. (Série de Fourier)
Séries de Fourier são formas de representar funções como soma exponenciais ou sinoides.
Seja 𝑓(𝑥) = 𝑓 (𝑥 = 2𝜋) uma função integrável sobre o intervalo de [𝜋; −𝜋] e 𝑛 𝜖 𝑁. A serie de
Fourier de 𝑓 é a serie trigonométrica.

𝑎0
𝑓(𝑥)~ + ∑[𝑎𝑛 cos 𝑛𝑥 + 𝑏𝑛 sin 𝑛𝑥]
2
𝑛=1

Onde 𝑎0, 𝑎𝑛, 𝑏𝑛 são os coeficientes de Fourier de f definidas por:


𝜋
1
𝑎0 = ∫ 𝑓(𝑥) 𝑑𝑥
𝜋
−𝜋

8
𝜋
1
𝑎𝑛 = ∫ 𝑓(𝑥) cos(𝑛𝑥) 𝑑𝑥
𝜋
−𝜋
𝜋
1
𝑏𝑛 = ∫ 𝑓(𝑥) sin(𝑛𝑥) 𝑑𝑥
𝜋
−𝜋

O símbolo (~) foi usado aqui pois nem sempre esta serie de função converge para 𝑓, mas se 𝑓
for 2π − periódica e seccionalmente diferenciável de serie trigonométrica, e dessa forma
podemos substituir o sinal ~ pela igualdade.

Exemplo:
Desenvolver em série de Fourier as funções supostas periódicas de período 2𝜋: 𝑓(𝑥) =
−𝑥, 𝜋 < 𝑥 < 0
{
𝑥, 0 < 𝑥 < 𝜋
1.

A 𝑓(𝑥) satisfaz as condições de Dirichlet.


Cálculo dos coeficientes de Fourier:
1 𝜋 1 0 1 𝜋 1 𝑥2 0 1 𝑥2 2𝜋 2
+𝒂𝟎 = 𝜋 ∫−𝜋 𝑓(𝑥) 𝑑𝑥 = 𝜋 ∫𝜋 −𝑥𝑑𝑥 + 𝜋 ∫0 𝑥𝑑𝑥 = (− 𝜋 ∗ ) |−𝜋 + (𝜋 ∗ ) |𝜋0 = =𝜋
2 2 2𝜋
𝜋 𝜋 𝜋
1 1 1
𝑎𝑛 = ∫ 𝑓(𝑥) cos(𝑛𝑥) 𝑑𝑥 = ∫ −𝑥 cos(𝑛𝑥) 𝑑𝑥 + ∫ 𝑥 cos(𝑛𝑥) 𝑑𝑥
𝜋 𝜋 𝜋
−𝜋 −𝜋 −𝜋

Fazendo a integração por partes:


∫ 𝑢 𝑑𝑣 = 𝑢𝑣 − ∫ 𝑣 𝑑𝑢
𝑢 = 𝑥 ∴ 𝑑𝑢 = 𝑑𝑥
−cos (𝑛𝑥)
𝑑𝑣 = cos(𝑛𝑥) 𝑑𝑥 ∴ 𝑣 = 𝑛
1 cos (𝑛𝑥) 𝜋 0 −cos (𝑛𝑥) 1 −cos (𝑛𝑥) 𝜋 𝜋 −cos (𝑛𝑥)
bn =-{[𝜋 ]0 - ∫−𝜋 𝑑𝑥} + 𝜋{x[ ]0 - ∫0 }
𝑛 𝑛 𝑛 𝑛
1 cos(𝑛𝑥) 𝑠𝑖𝑛 (𝑛𝑥) 1 −cos (𝑛𝑥) sin(𝑛𝑥) 𝜋
bn =𝜋 { [ ] 0−𝜋 } + 𝜋{-𝜋 –[ ] 0} =0
𝑛 n^2 𝑛 n2
𝜋 4𝑐𝑜𝑠𝑥 4 cos 3𝑥
Logo, f(x) = 2 - - -…
𝜋 9𝜋

9
Sobre a decomposição de uma função par e ímpar
Uma função é par se seu domínio contem o ponto – 𝑥 sempre que contiver o ponto 𝑥 e se
satisfaz a condição:
𝑓(−𝑥) = 𝑓(𝑥)
Exemplo: 𝑥2, cos(𝑛𝑥), |𝑥|, etc.
Dentre outras propriedades de uma função par, a que importa referir, sendo outras já estudadas,
é:
𝐿

𝑓(𝑥)𝑑𝑥
Prova: Seja 𝑓 uma função par e integrável no intervalo [−𝐿, 𝐿]:

𝑑𝑥, fazendo 𝑥 = 𝑡 no primeiro integral do membro


direito, temos 𝑑𝑥 = −𝑑𝑡, logo:

𝐿 0 𝐿 𝐿 𝐿 𝐿
∫−𝐿 f(x)dx = − ∫𝐿 f(−t)dt + ∫0 f(x)dx = ∫0 f(x)dt + ∫0 f(x)dx = 2 ∫0 f(x)dx

Uma função é ímpar se seu domínio contem – 𝑥 sempre que contiver x e se satisfaz a condição:
𝑓(−𝑥) = −𝑓(𝑥)
Exemplo: 𝑥, 𝑥3, sin(𝑛𝑥), etc.
A função ímpar goza de uma propriedade muito importante que diz:
𝐿
∫ f(x)dx = 0
−𝐿
𝐿
Prova: Seja 𝑓 uma funcao ímpar e integrável no intervalo [−𝐿, 𝐿]: ∫−𝐿 f(x)dx =

fazendo 𝑥 = −𝑡 na primeira parte da integral do membro direito, 𝑑𝑥 =


−𝑑𝑡, logo:
𝐿

𝑓(𝑥)𝑑𝑥 = 0
Geometricamente a proposição é óbvia, uma vez que sendo 𝑓 ímpar a área sob a curva no
intervalo [𝐿, 0] é igual à área sob a curva no intervalo [0, 𝐿], porém como tais áreas têm sinais
contrários a soma se cancela.
Série de uma função par
A série de Fourier de uma função periódica par 𝑓(𝑥), que possui período 2𝜋, é uma serie de
Fourier em cossenos, isto é uma função formada pelo termo constante e pelas funções
𝑎 ∞𝑛
trigonométricas pares 𝑐𝑜𝑠 𝑓(𝑥) = + 𝛴𝑛=1 𝑎n cos nx
2

10
Com coeficientes:

𝑎 𝑑𝑥, e

𝑎𝑛 𝑛𝑥𝑑𝑥
Exemplo: Obter a extensão par da função 𝑓(𝑥) = 𝑥 definida sobre o meio-intervalo [0, 𝜋].
Primeiro constrói-se a extensão 𝑓2, que no intervalo [𝜋, −𝜋] onde é dada por:
𝑓2(𝑥) = |𝑥|
Como 𝑓2 é par, os coeficientes ímpares são nulos, isto é, 𝑏𝑛 = 0 para todo 𝑛 ∈ 𝑁 e os
coeficientes pares 𝑎0 e 𝑎𝑛são dados por:
2 𝜋
𝛼0 = 𝜋 ∫0 𝑥 𝑑𝑥 = 𝜋 e

logo
𝜋 4 1 1
𝑓(𝑥)~ - 𝜋 (cos(𝑥) + cos(3𝑥) + cos(5𝑥) + ⋯ )
2 9 25

Série de função ímpar


A série de Fourier de uma função periódica ímpar 𝑓(𝑥), que possui período 2𝜋, é uma serie
de Fourier em senos, isto é, uma função formada apenas pelas funções trigonométricas ímpares
de forma 𝑛𝑥 𝑑𝑥
2 𝜋
Com coeficiente: 𝑏𝑛 = 𝜋 ∫0 𝑓(𝑥) sin 𝑛𝑥 𝑑𝑥

Exemplo: Obter para a série de Fourier de senos da função 𝑓(𝑥) = 1 sobre 𝑥 ∈ [0, 𝜋].
Deve-se tomar a extensão 𝑓1 ímpar de 𝑓 que no intervalo [−𝜋, 𝜋], onde será dado por:

−1, −𝜋 < 𝑥 ≤ 0
𝑓1(𝑥) = 𝑠𝑖𝑛𝑎𝑙(𝑥) = {
1, 0 < 𝑥 ≤ 𝜋
Como 𝑓1 é ímpar, os coeficientes pares são nulos, isto é, 𝑎0 𝑒 𝑎𝑛 = 0 e os coeficientes ímpares
𝑏𝑛 são dados por:
2 𝜋 2 2(1 − (−1))
𝑏𝑛 = ∫ sin(𝑛𝑥)𝑑𝑥 = (1 − cos(𝑛𝜋)) =
𝜋 0 𝑛𝜋 𝑛𝜋
Assim, 𝑏𝑛 = 0 se 𝑛 é par, mas se 𝑛 é ímpar da forma 𝑛 = 2𝑘 − 1, onde 𝑘 ∈ 𝑁, temos que:
4
b2k-1= 𝜋(2𝑘−1)
, logo:
4 1 1
𝑓1 (𝑥)~ 𝜋 (sin(𝑥) + sin(3𝑥) + sin(5𝑥) + ⋯ )
3 5

11
Decomposição de funções 𝒇(𝒙) em serie de Fourier em [𝟎, 𝝅]
O desenvolvendo de uma função f(x) numa série de senos ou de co-senos é valida em qualquer
intervalo, onde neste caso, far-se-á o desenvolvimento no intervalo [0, 𝜋].
Para o desenvolvimento em co-senos, os coeficientes 𝑎0e 𝑎𝑛 são determinados pela fórmula:
2 𝜋
𝑎0 = ∫0 𝑓(𝑥)𝑑𝑥, e
𝜋

2 𝜋
𝑎𝑛 = ∫0 cos 𝑛𝑥𝑑𝑥
𝜋

E para o desenvolvimento em senos, os coeficientes 𝑏𝑛 são dados por:


2 𝜋
𝑏𝑛 = ∫ 𝑓(𝑥) sin 𝑛𝑥 𝑑𝑥
𝜋 0

Exemplo: Desenvolva a função 𝑓(𝑥) = 𝑥 no intervalo [0, 𝜋] em series de senos


Como função 𝑓(𝑥) = 𝑥, é uma funcao ímpar os coeficientes 𝑎0 𝑒 𝑎𝑛 são nulos.

Logo: 𝑏𝑛 𝑑𝑥
Onde teremos como resultado:
sin 𝑥 sin 2𝑥
𝑥 = 2[ − + ⋯]
1 2
Decomposição de funções 𝒇(𝒙) em serie de Fourier no intervalo [−𝒍, 𝒍]
Podemos definir séries de Fourier de senos e co-senos para funções 2l-periodicas, onde estas
são definidas sobre um intervalo [−𝑙, 𝑙]. Se a função 𝑓 = 𝑓(𝑡) é 2𝑙 − 𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑑𝑖𝑐𝑎, a sua serie
de Fourier sobre [−𝑙, 𝑙] é definida por:
𝑛

𝑖=0

Onde os coeficientes de Fourier são dados por:


𝑙
𝑎0 = ∫ 𝑓(𝑡)𝑑𝑡
−𝑙

1 𝑙 𝑛𝜋𝑡
𝑎𝑛 = ∫ 𝑓(𝑡) cos ( ) 𝑑𝑡
𝑙 −𝑙 𝑙
1 𝑙 𝑛𝜋𝑡
𝑏𝑛 = ∫ 𝑓(𝑡) sin ( ) 𝑑𝑡
𝑙 −𝑙 𝑙

12
Exemplo: Seja 𝑓: 𝐼𝑅 → 𝐼𝑅 periódica de período 2𝑙, definida por 𝑓(𝑥) = 𝑥2, para −𝑙 ≤ 𝑥 < 𝑙.
Determine a série de Fourier de f.
Como f é par, teremos uma série de co-senos cujos coeficientes são dados por:

2 𝑙 2𝑙2 2 𝑙 𝑛𝜋𝑥
𝑎0 = 𝑙
∫0 𝑥 2 𝑑𝑥 = 3
e 𝑎𝑛 = 𝑙
∫0 𝑥 2 ( 𝑙
) 𝑑𝑥, 𝑛 ≥ 1
𝑛𝜋𝑥
Efectuando a mudança de variável, 𝑦 = , obtemos:
𝑙
2𝑙2 𝜋
𝑎𝑛 = 𝑛3 𝜋 3
∫0 𝑦 2 cos 𝑦 𝑑𝑦
Integrando por partes:

𝑛𝜋 𝑛𝜋 𝑛𝜋 𝑛𝜋

𝑦 𝑑𝑦 𝑦 𝑑𝑦 𝑦 𝑑𝑦
𝑛𝜋
Como, ∫0 𝑦𝑠𝑖𝑛 𝑦 𝑑𝑦 = 𝑛𝜋 (−1)𝑛+1 temos
4𝑙 2
𝑎𝑛 = (−1)𝑛 𝑛 ≥ 1
𝑛2 𝜋 2
Portanto a série de Fourier da função f é:

𝑙 2 4𝑙 2 (−1)𝑛 𝑛𝜋𝑥
+ 2 ∑ 2
cos ( )
3 𝜋 𝑛 𝑙
𝑛=1

Decomposição de funções em séries de Fourier no intervalo (𝒂; 𝒂 + 𝟐𝒍)


Em casos em que a função 𝑓(𝑥) é desenvolvida em series de Fourier por um intervalo de
ordem arbitrária [𝑎; 𝑎 + 2𝑙] de comprimento 2𝑙, os limites de integração dos coeficientes
devem ser substituídos respectivamente:
Assim os coeficientes de integração ficam:
1 𝑎+2𝑙
𝑎0 = ∫ 𝑓(𝑥)𝑑𝑥
𝑙 𝑎
1 𝑎+2𝑙 𝑛𝜋𝑥
𝑎𝑛 ∫ 𝑓(𝑥) cos ( ) 𝑑𝑥
𝑙 𝑎 𝑙
1 𝑎+21 𝑛𝜋𝑥
𝑏𝑛 = ∫ 𝑓(𝑥) sin ( ) 𝑑𝑥
𝑙 𝑎 𝑙
O limite superior 𝑏, neste caso 𝑎 + 2𝑙, determina-se achando o valor de 𝑙.
Exemplo: Desenvolva em série de Fourier a função 𝑓(𝑥) 𝑠𝑒 𝑥∈ [4; 8]
Como primeiro passo deve-se achar o valor de 𝑙, no intervalo dado acima:

13
𝑥 ∈ [4,8], 𝑛𝑒𝑠𝑡𝑒 𝑐𝑎𝑠𝑜 𝑎 = 4 𝑒 𝑎 + 2𝑙 = 8
8−4
Isolando 𝑙 teremos: 4 + 2𝑙 = 8 → 𝑙 = =2
2

Então os coeficientes são:


1 8 𝑛𝜋𝑥
𝑎𝑛 = ∫ 𝑓(𝑥) cos( ) 𝑑𝑥
2 4 2

1 8 𝑛𝜋𝑥
𝑏𝑛 = ∫ 𝑓(𝑥) sin( )dx
2 4 2

14
Conclusão
As Séries de Fourier desempenham um papel fundamental na matemática aplicada e em
inúmeras áreas tecnológicas. Ao possibilitar a representação de funções periódicas por meio de
somas de senos e cossenos, elas abrem caminhos para a solução de problemas complexos que
surgem em contextos reais, como em circuitos elétricos, vibrações mecânicas e transmissão de
sinais. Sua utilidade prática e versatilidade tornam as Séries de Fourier um dos pilares da
análise matemática moderna, evidenciando como conceitos teóricos podem ter impactos
significativos no desenvolvimento científico e tecnológico.

15
Referências Bibliográficas
ALVES, Manuel Joaquim. Elementos de Analise Matemática- Parte II. Maputo: s/ed, 2002.
BAPTISTA, M. OLGA; SILVA, M. Anabela. Equações Diferenciais e Séries. 2a ed. Lisboa:
Sílabo, 2009.
BORBA, Milton Procópio. Séries/l: s/ed, s/d.
CANTÃO, Luiza Amália Pinto. Séries Alternadas, Convergência Absoluta E Condicional. São
Paulo: s/ed, s/d.
DEMIDOVITCH, G. Baranenkov B. et al. Problemas e Exercícios de Analise Matemática.
4a ed. Moscovo: Mir Moscovo, 1984.
ERCOLE, Gray. Cálculo E Séries Numéricas. Belo Orizonte: UFMG, 2010.
FONSECA, Daila Silva Seabra de Maura. Convergência de Sequências e Séries Numéricas no
Cálculo: Um Trabalho Visando a corporificação dos Conceitos. Ouro Preto: s/ed, 2012.
MARTINS, Fábio et al. Series De Fourier. Rio De Janeiro: s/ed,2010.
MASSAGO, Sadão. Sequências e Séries s/l: s/ed, 2014.
RODRIGUES, Rosália. Sucessões e Séries De Funções/l: s/ed, s/d.
SÁ, Ana Alves; LOURO, Bento. Sucessões e Séries-Teoria e Prática. Lisboa: Escolar. 2009.
SANTOS, Fabiano J. Introdução as Séries Numéricas s/l: s/ed, 2011

16

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