Salmoneloses Aviária
Etiologia
• Agente etiológico do gênero Salmonella
• Bacilos gram-negativos não formadores de
esporos e móveis (flagelos peritríquios)
• Família Enterobacteriaceae
• Patógenos onipresentes – infectam ampla
variedade de mamíferos, aves, répteis e até
insetos
• Apresentam importantes implicações de saúde
pública, visto que são capazes de causar
gastrenterite leve a grave nos seres humanos
• Espécies de salmonelas e seus hospedeiros
animais – Salmonella adaptada
– Salmonella abortus equi – cavalo
– S. dublin – vaca
– S. abortus ovis - carneiro
– S. choleraesuis – porco
– S. pullorum e S. gallinarum – aves
– Raramente S. choleraesuis e S. dublin produzem
doenças em seres humanos e outros animais
Taxonomia
• Classificação diferenças bioquímicas e
sorológicas
• Por estarem bioquimicamente relacionadas,
acredita-se que as espécies estejam
relacionadas – classificam-se em uma única
espécie: Salmonella enterica
• 2400 sorotipos
• Substitui o nome da espécie pelo sorotipo
• As espécies de importância clínica em
Veterinária e humana:
– Salmonella choleraesuis
– S. arizonae
– S. enteritidis
– S. typhimurium
– S. ser. typhi – febre tifóide em seres humanos -
não patogênica em animais - pouca importância
zoonótica
• Os demais sorotipos de Salmonella
apresentam pouca ou nenhuma adaptação a
hospedeiros específicos – igualmente
patogênicos para seres humanos e outros
animais.
• As cepas mucóides e encapsuladas são mais
patogênicas do que as demais como acontece
com a S. typhi provoca infecções prolongadas
e sistêmicas em hospedeiros humanos
• A espécie mais comumente isolada de animais
e humanos – S. typhimurium
Epidemiologia
• Fontes de infecção
– Ubiquitários
– Facilmente transmitidos entre animais, humanos e
o ambiente
– Principal via de infecção – GI – contato com o
alimento, água ou objetos contaminados
– Transmissão também ocorre pelo ar – infecção
respiratória – evento pouco comum – partículas
secas transportadas pelo ar na ausência de
material orgânico
– Achado de Salmonella no ambiente indica
contaminação fecal direta ou indireta
Patogenia
• Para que haja infecção, é necessário a ingestão de
numerosos MO para gerar colonização do GI por
Salmonella com ou sem doença clínica
• MO sobrevivem a sua passagem pelo estômago –
colonização das porções médias do íleo no dia da
ingestão – MO se fixam preferencialmente às
pontas das vilosidades – invasão da mucosa –
resposta inflamatória do hospedeiro – lesão e
descamação epitelial do GI – diarréia bacteriana
são as características clínicas mais comuns.
Achados clínicos
• Variam de acordo com a potencialidade da infecção,
imunidade do hospedeiro e fatores de complicação ou
doenças concomitantes
• GASTROENTERITE
• Episódios agudos começam dentro de 3-5 dias após
infecção – animais muito jovens e idosos apresentam
sinais clínicos mais graves
• Febre 40°C a 41,1°C; mal-estar, anorexia, vômitos, dor
abdominal e diarréia
• Diarréia varia quanto a consistência aquosa a mucóide
– sangue fresco em casos graves
• Perda de peso e desidratação – progressivo após alguns
dias
• BACTEREMIA E ENDOTOXEMIA
• Manifestações subclínicas e transitórias de infecção
por Salmonella e se tornam grave em animais
imunossuprimidos
• Outros sinais gerais
– Depressão mental
– Palidez das mucosas
– Fraqueza
– Taquicardia
– Hipotermia
– Colapso cardiovascular
– Ausência ou presença de sinais GI
• OUTRAS SÍNDROMES
• Dentre as salmonelas, destaca-se a Salmonella
enterica sorovar Enteritidis (SE), causadora de
toxinfecções alimentares em seres humanos,
através do consumo, principalmente, de
produtos alimentícios de origem avícola, como
carne, ovos e seus derivados.
• A partir da década de 1990, no Brasil, a S.
Enteritidis (SE) passou a ser o sorotipo mais
identificado nos casos de toxinfecção
alimentar em seres humanos
Polurose
• A Pulorose é causada pela bactéria:
– Salmonella pullorum.
• É uma doença com alta mortalidade.
As galinhas são as hospedeiras naturais de
Salmonella, sendo as aves mais jovens as mais
suscetíveis.
• A doença pode ocorrer em outras espécies de
aves, como pássaros, papagaios, perus e faisões.
• A Forma de transmissão da doença pode ser
horizontal, ou seja, de ave para ave, ou vertical,
que consiste na transmissão entre mãe e filho,
por meio do ovo contaminado.
• Os Sintomas apresentados pelas aves jovens são
apatia, anorexia, asas caídas, diarreia
esbranquiçada, perda de peso e morte.
• Nas aves jovens sobreviventes, a Pulorose pode
causar cegueira e claudicação. Já nas aves
adultas, os sinais clínicos podem ser inaparentes.
• Porém, quando existem, apresentam-se na forma de apatia,
queda na produção de ovos, diminuição da fertilidade e
eclodibilidade, anorexia, desidratação e diarreia.
• O diagnóstico da doença pode ser comprovado
por meio de exame sorológico. Já o tratamento é
feito com antibióticos, como sulfonamidas,
nitrofuranos e cloranfenicol, os quais reduzem a
mortalidade, mas a ave continua sendo portadora
do agente.
A prevenção contra a Pulorose pode ser feita por
meio de limpeza e desinfecção da granja, ou
ainda pelo controle de insetos e parasitas. Da
mesma forma, é importante que as aves
portadoras do agente sejam eliminadas do
plantel.
Tifo Aviário
• O Tifo Aviário é causado pela bactéria:
• Salmonella gallinarum.
• É mais comum nas aves adultas, e as galinhas são as
hospedeiras naturais, mas pode acometer outras aves.
Pombos e palmípedes (patos e marrecos) são resistentes à
doença.
• Os índices de mortalidade da doença vão de moderados a
altos: 40 a 80% das aves infectadas não sobrevivem.
As formas de transmissão da doença são horizontais direta e
indireta, pelo contato entre as aves ou por meio de vetores,
respectivamente.
– Os Sintomas apresentados podem ser apatia, anorexia, anemia, perda
de peso e queda na produção de ovos.
• O tratamento apenas controla a doença, que não tem
cura. Entretanto, para evitar a contaminação de todo o
plantel, as aves doentes devem ser sacrificadas.
• O diagnóstico pode ser comprovado por meio de
exames laboratoriais.
• Medidas preventivas, como a limpeza e higiene nas
instalações da granja; o controle de insetos, pássaros e
roedores, nas imediações da granja; a remoção de
dejetos; assim como evitar locais com águas paradas,
ou ainda adquirir aves contaminadas, podem ser
bastante eficazes.
Somada a todas as medidas preventivas citadas acima,
a vacinação tambem é recomendada.
Paratifo Aviário
• O Paratifo Aviário é causado por qualquer
espécie de Salmonella, com exceção
da Salmonella gallinarum, Salmonella
pullorum e Salmonella arizonae.
• As aves jovens são as mais suscetíveis à
doença, mas as aves adultas também podem
ser afetadas.
• A transmissão da doença pode ocorrer de forma
horizontal ou vertical.
• Os sintomas do Paratifo Aviário, em aves jovens,
são apatia, penas arrepiadas, asas caídas,
amontoamento e diarreia. Já nas aves adultas, os
sintomas são inapetência, diarreia e queda na
produtividade de ovos.
• Pode ocorrer cegueira e claudicação.
• Os índices de morbidade e mortalidade irão
variar, de acordo com o sorotipo de Salmonella.
• Em aves adultas, as mortes são raras.
• O diagnóstico pode ser comprovado por meio
de sorologia, e o tratamento consiste em
aplicação de antibacterianos, como a
Enrofloxacina, o Trimetropin, a Danofloxacina,
a Sulfa, a Furaltadona e a Gentamicina.
• Dessa forma, pode-se reduzir a mortalidade,
mas as aves continuam portadoras do agente.
• Assim como nas outras formas de
salmoneloses aviárias, as aves doentes devem
ser sacrificadas, para evitar a contaminação de
todo o plantel.
• Algumas medidas preventivas podem ajudar
no controle do paratifo aviário, como:
- Adquirir aves livres da doença;
- Efetivo controle de vetores, como insetos,
pássaros e roedores;
- Higiene e desinfecção das granjas;
- Medidas de biossegurança;
- Aplicação de boas práticas de manejo.
• Tifo Aviário: a principal forma de transmissão
das salmonelas tíficas é da galinha para o ovo,
gerando pintinhos já infectados;
• Paratifo Aviário: geralmente a transmissão das
salmonelas paratíficas se dá no contato com
fezes e ambientes contaminados. Os roedores
são os principais carreadores de Salmonella
para o ambiente.
Diagnóstico
• Deve-se suspeitar de salmonelose em animais com
qualquer doença GI aguda ou crônica –
frequentemente passa despercebida em razão de
enterites virais mais notórias
• Achados clinicolaboratoriais
• Anormalidades hematológicas – dependendo do
estágio da doença
• Anemia hipocrômica arregenerativa
• Linfopenia, trombocitopenia, neutropenia, leucócitos
tóxicos no caso de endotoxemias
• Bacilos nos leucócitos indicam sepse maciça em cães e
gatos
• Isolamento de bactérias
• Exame diagnóstico definitivo
• Amostra de secreções ou líquidos orgânicos
normalmente estéreis – sangue, urina, líquido sinovial,
lavado transtraqueal, líquido cerebroespinhal e medula
óssea – diagnóstico definitivo de salmonelose sistêmica
• Isolamento em caldos de enriquecimento (selenito e
tetrationato) , ambiente ideal de anaerobiose
• Coloração de Gram, observação de motilidade e
reações bioquímicas
• Sorologia
• Identificação de sorotipos de Salmonella – (Ag-Ac)
Tratamento
• Varia de acordo com o grau da infecção
• Inibidores de prostaglendinas - reduz perda
de líquidos
• Infecções agudas devem ser tratadas com
laxantes - redução do tempo de trânsito
intestinal auxiliando na eliminação de
Salmonella
• Antimicrobianos de rotina – cloranfenicol,
sulfonamida- trimetoprima e amoxicilina ou
ampicilina
• Em caso de suspeita de resistência -
aminoglicosídeos como gentamicina e
amicacina ou cefotoxina – uso rotineiro não é
indicado pela ação nefrotoxica.
• Antimicrobianos não são indicados para no
caso de infecção leve sem quadro
gastroentérico para evitar seleção de MO.
Controle e Prevenção
• Os programas de prevenção e controle com as
infecções provocadas por salmonelas
paratíficas contemplam várias medidas
coordenadas aplicadas simultaneamente, com
o objetivo de evitar a transmissão vertical e
horizontal da bactéria
O risco de transmissão vertical pode ser minimizado
pela monitoria de lotes de matrizes testados por
métodos bacteriológicos e sorológicos resultando
em aves livres de Salmonella;
- pela aquisição de linhagens de aves de produção
mais resistentes à infecção por Salmonella;
- por medidas como a eliminação de aves
portadoras da bactéria;
- por tratamento dos ovos ainda no galpão e
cuidados na incubação de ovos sujos e trincados.
• A biosseguridade e o manejo sanitário das
aves constituem-se em importantes
programas para redução de salmonelas no
ambiente - limpeza e desinfecção do galpão,
através do uso de desinfetantes químicos
• O controle de roedores, presentes nos galpões
de aves e responsáveis por importante papel
na epidemiologia da infecção por Salmonella,
ao contaminar o ambiente e transmitir a
bactéria para aves e ovos
• Procedimentos específicos visando ao
controle de salmonelas em rações de aves
incluem a peletização e aplicação de ácidos
orgânicos
– a peletização da ração é realizada em temperatura
superior a 60º C, o processo pode eliminar a
Salmonella da ração, desde que não ocorra
recontaminação pelo manuseio, por ratos ou
insetos.
• Prevenção e controle da Salmonella consiste
na vacinação de aves suscetíveis.