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DÉCIMAS - Gregório de Matos

O poema de Gregório de Matos critica a hipocrisia e a luxúria do Padre Baltasar Miranda, utilizando metáforas e comparações com animais e situações grotescas. Através de décimas, o autor expõe os vícios e comportamentos imorais do clérigo, revelando a sua relação com mulheres de diferentes etnias. A obra é uma sátira social que destaca a corrupção moral e a falta de vergonha na busca por prazer.

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DÉCIMAS - Gregório de Matos

O poema de Gregório de Matos critica a hipocrisia e a luxúria do Padre Baltasar Miranda, utilizando metáforas e comparações com animais e situações grotescas. Através de décimas, o autor expõe os vícios e comportamentos imorais do clérigo, revelando a sua relação com mulheres de diferentes etnias. A obra é uma sátira social que destaca a corrupção moral e a falta de vergonha na busca por prazer.

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DÉCIMAS (Gregório de Matos) e ele ao feder faça tromba.

1
A vós, Padre Baltasar, 5
Elas sem mágoa, nem dor
vão os meus versos direitos, lhe põem os cornos em pinha,
porque são vossos defeitos porque a puta, e a galinha,
mais que as areias do mar: têm o ofício de pôr:
e bem que estais num lugar ovos a franga pior,
tão remoto, e tão profundo cornos a puta mais casta,
com concubinato imundo, e quando a negra se agasta,
como sois Padre Miranda, e c’o Padre se disputa,
o vosso pobre tresanda lhe diz, que antes quer ser puta,
pelas conteiras do mundo. que fazer com ele casta.

2
Cá temos averiguado, 6
A negrinha se pespega
que os vossos concubinatos c’um amigão de corona,
são como um par de sapatos que sempre o Frisão se entona,
um negro, outro apolvilhado: que ao maior amigo apega:
de uma, e outra cor calçado a mulatinha se esfrega
saís pela porta fora, c’um mestiço requeimado
hora negra, e parda hora, destes do pernil tostado,
que um zote camaleão que a cunha do mesmo pau
toda a cor toma, senão em obras de bacalhau
que a da vergonha o não cora. fecha como cadeado.

3
Vossa luxúria indiscreta 7
Com toda esta cornualha
é tão pesada, e violenta, diz ele cego do amor,
que em dous putões se sustenta que as negras tudo é primor,
uma Mulata, e uma Preta: e as brancas tudo canalha:
c’uma puta se aquieta isto faz a erva, e palha,
o membro mais desonesto, de que o burro se sustenta,
porém o vosso indigesto, que um destes não se contenta
há mister na ocasião salvo se lhe dão por capa
a negra para trovão, para a rua numa gualdrapa,
e a parda para cabresto. para a cama uma jumenta.

4
Sem uma, e outra cadela 8
Há bulhas mnito renhidas
não se embarca o Polifemo, em havendo algum ciúme,
porque a negra o leva a remo, porque ele sempre presume
e a mulata o leva a vela: de as ver sempre presumidas:
ele vai por sentinela, mas elas de mui queridas
porque elas não dêem a bomba; vendo, que o Padre de borra
porém como qualquer zomba em fogo de amor se torra,
do Padre, que maravilha, andam por negar-lhe a graça
que elas disponham da quilha, elas com ele de massa,
se ele com elas à porra.

9
Veio uma noite de fora,
e achando em seu vitupério
a mulata em adultério
tocou alarma por fora:
e por que pegou com mora
no raio do chumbo ardente,
foi-se o cão seguramente:
que como estava o coitado
tão leve, e descarregado
se pôde ir livremente.

10
Porque é grande demandão
o senhor zote Miranda,
que tudo, o que vê demanda,
seja de quem for o chão:
por isso o Padre cabrão
de contino está a jurar
que os cães lhe hão de pagar,
e que as fodas, que tem dado,
lhas hão de dar de contado,
e ele as há de recadar.

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