Larissa Gusmão Guimarães| Cardiologia (P7) 1
Causa frequente de procura dos serviços de emergência.
Ampla possibilidade de diagnósticos e por isso é importante reconhecer precocemente aqueles pacientes com
doenças de maior letalidade, como dissecção de aorta, infarto agudo do miocárdio (IAM) e tromboembolismo
pulmonar, pois a alta hospitalar equivocada desse grupo acarreta aumento significativo de morbimortalidade.
É essencial caracterizar a dor de origem cardiovascular, pautando-se inicialmente em anamnese e exame físico
direcionados, aliado ao eletrocardiograma (ECG).
Estima-se que 60 a 75% das causas de dor torácica tenham etiologia não associada ao aparelho cardiovascular.
Dos pacientes que vão ao consultório com dor no peito, estudos estimam que cerca de um terço a metade
desses pacientes têm dor musculoesquelética no peito, 10 a 20% têm causas gastrointestinais, 10% têm
angina estável, 5% têm problemas respiratórios e aproximadamente 2 a 4% têm isquemia miocárdica
aguda (incluindo infarto do miocárdio)
Classificação da dor torácica em tipos A, B, C e D
A - Definitivamente anginosa: Desconforto retroesternal precipitado pelo esforço, com irradiação típica para o ombro,
a mandíbula ou a face interna do braço, aliviado por repouso ou uso de nitrato em menos de 10 min.
B – Provavelmente anginosa: Tem a maioria das características da dor definitivamente anginosa, porém não todas,
exigindo exames para a confirmação da SCA.
C- Provavelmente não anginosa: Tem poucas características da dor definitivamente anginosa, exigindo exames para
a exclusão de SCA.
D- Definitivamente não anginosa: Nenhuma característica da dor anginosa, mesmo quando localizada em região
retroesternal ou precordial.
Condições de dor torácica
Com risco a vida
Síndrome coronariana aguda
Dissecção da aorta
Embolia pulmonar
Pneumotórax hipertensivo
Ruptura esofágica, perfuração
Tamponamento cardíaco
Arritmias relacionadas à sarcoidose
Condições cardíacas
Isquemia miocárdica estável
Insuficiência cardíaca
Pericardite / miopericardite
Miocardite
Doença da válvula mitral ou aórtica
Causas pulmonares
Condições pulmonares
Pneumotórax
Pneumonia
Malignidade
Asma e DPOC
Pleurite
Sarcoidose
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Síndrome torácica aguda
Hipertensão pulmonar
Condições gastrointestinais
DRGE
Dor esofágica
Úlcera péptica
Esofagite
Esofagite eosinofílica
Hérnias de hiato
Colecistite aguda
Cólica biliar
Pancreatite
Condições musculoesqueléticas
Síndrome de dor torácica musculoesquelética isolada
Doenças reumáticas
Fraturas nas costelas, Ca de pulmão primário invasivo, neoplasias nas costelas
Trauma
Condições psquiátricas
Síndrome do pânico
Depressão
Ansiedade generalizada
Hipocondria
Fobias
Uso de drogas e outras causas
Cocaína
Metanfetamina
Hérpes Zóster
Violência doméstica
Algumas características dessas doenças
Síndrome coronariana aguda:
Localização: região retroesternal
Irradiação: braço esquerdo, ambos os membros superiores ou a mandíbula
Tipo da dor: geralmente em aperto, mas pode ser em queimação
Fatores precipitantes: desencadeada ao esforço ou por estresse emocional
Duração: pode ser de curta duração (2 a 3 min), raramente ultrapassando 10 min nos casos de angina estável.
A dor é mais prolongada em casos de angina instável e dura mais que 20 min nos casos de IAM
Fatores de melhora: alívio com repouso ou uso de nitratos
Sintomas associados: náuseas, vômitos e sudorese aumentam a probabilidade de a dor ser de origem
coronariana.
Dor ou desconforto em qualquer uma das seguintes regiões: tórax, epigástrio, mandíbula, ombro, dorso ou
membros superiores
Geralmente desencadeada ou agravada pela atividade física ou pelo estresse emocional
Algumas características aumentam a chance de a dor torácica não estar relacionada com a SCA:
Dor pleurítica (piora à inspiração)
Dor à palpação da parede torácica
Dor que piora ou aparece com a movimentação do membro superior esquerdo
Dor persistente e constante com duração de muitas horas
Dor breve, que dura poucos segundos.
Larissa Gusmão Guimarães| Cardiologia (P7) 3
Tromboembolismo pulmonar: Geralmente apresenta dispneia súbita acompanhada de dor torácica ventilatório-
dependente. Deve-se suspeitá-lo em pacientes com neoplasias, hemoptise, imobilização prolongada, cirurgia
recente, trombofilia ou trombose venosa profunda.
Pericardite ou derrame pericárdico: Dor torácica súbita ou insidiosa, que frequentemente piora com inspiração ou
deglutição e melhora com inclinação do tronco para a frente, podendo irradiar para pescoço e ombros. No exame
físico, pode haver atrito pericárdico. No ecg em fase aguda, ocorre supradesnivelamento de st difuso e
infradesnivelamento de pr. Pode cursar com derrame pericárdico e achados eletrocardiográficos clássicos de baixa
amplitude e/ou alternância elétrica do complexo qrs.
Dores musculoesqueléticas: As dores musculares são mais insidiosas, com duração mais longa e pioram com a
movimentação do tronco e/ou dos membros superiores e com a palpação do local, melhorando com o uso de
analgésicos comuns e anti-inflamatórios.
A costocondrite se caracteriza por dores nas articulações costoesternais acompanhadas de sinais flogísticos,
que se acentuam à palpação (sinal de tietze). Também melhora com o emprego de analgésicos simples e
anti-inflamatórios.
Dor esofágica: desconforto torácico retroesternal, em queimação, com duração variável, que pode piorar com a
ingesta de alguns alimentos e com o decúbito dorsal. Em geral, é acompanhada de sensação de refluxo ou
regurgitação gastresofágica. Deve ser diferenciada de outros distúrbios de motilidade esofágica, como o espasmo
esofágico.
Referências Bibliográficas
UPTODATE
Manual de cardiologia / coordenação Antonio Carlos Carvalho, Suzi Emiko Kawakami, João Batista Saúd
Pereira; 3. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.