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O documento aborda a interpolação polinomial, especificamente a técnica de Lagrange, e discute a análise de erro e splines. Ele apresenta o problema de encontrar uma função que passe por um conjunto de pontos conhecidos e fornece exemplos e exercícios práticos para determinar polinômios interpoladores. O material é licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0.

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O documento aborda a interpolação polinomial, especificamente a técnica de Lagrange, e discute a análise de erro e splines. Ele apresenta o problema de encontrar uma função que passe por um conjunto de pontos conhecidos e fornece exemplos e exercícios práticos para determinar polinômios interpoladores. O material é licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0.

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Introdução Interpolação polinomial Lagrange Análise de erro Splines

Interpolação

Ricardo Biloti
[email protected]

Cálculo Numérico – UNICAMP

1S/2025

www.ime.unicamp.br/˜biloti/an/interp.pdf Interpolação

É comum conhecermos alguns pontos de uma função, mas não a função em si. O problema
natural é então como aproximar a função a partir apenas destes pontos.
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Problema

Dado um conjunto de pontos,

encontrar uma função que passe por esses pontos

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Vamos considerar o problema de encontrar uma função contı́nua que passe por um conjunto
de pontos no plano, amostras de uma função desconhecida ou complexa o suficiente para
valer a pena aproximá-la por outra mais simples.
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Exemplo

x 0 π/4 π/3 π/2


√ √
2 3
sin(x ) 0 2 2 1

0.8

0.6

0.4

0.2

0 0.4 0.8 1.2 1.6

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Como exemplo, vamos considerar a função seno. De fato, só conhecemos o valor desta
função em alguns ângulos notáveis, como o 0, π/4, π/3 e π/2 (e seus múltiplos). O
problema que se coloca então é, partindo dos valores de seno nestes ângulos, como aproximar
os valores da função para outros pontos não tabelados?

Podemos colocar nosso objetivo da seguinte maneira: desejo encontrar uma função contı́nua
que passe pelos pontos marcados no gráfico. Será que isto é suficientemente preciso?

De fato, apenas pedir uma função contı́nua ainda é muito vago (ou mal posto). Há infinitas
possı́veis soluções para o problema quando colocado assim. Além da curva em preto, a curva
vermelha é outra possibilidade.

É necessário ser mais preciso.


Introdução Interpolação polinomial Lagrange Análise de erro Splines

Interpolação polinomial

Dado um conjunto de pontos,

encontrar um polinômio que passe por esses pontos

p(x ) = a0 + a1 x + · · · + an x n

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Vamos especificar que tipo de curva contı́nua nos interessa. Aqui lidaremos com o problema de
interpolação polinomial apenas, ou seja, procuraremos um polinômio que passe pelos pontos
prescritos.
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Exercı́cio

Qual o polinômio p que passa pelos pontos abaixo?

xk −1 2 3
yk 6 3 10

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Antes de iniciarmos uma discussão teórica, vamos fazer um exercı́cio. Dados três pontos
tabelados, queremos determinar o polinômio que passa por esses três pontos.

A primeira pergunta a fazer é qual o grau mı́nimo do polinômio para termos a chance de
resolver o problema?

Depois de determinado o grau, devemos impor que o polinômio em cada um dos valores para
x assume o valor y correspondente, e com isto determinar os coeficientes do polinômio.
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Exercı́cio: resolução

xk −1 2 3
yk 6 3 10

Se p(x ) = a + bx + cx 2 , então

p(−1) = a − b + c = 6
p(2) = a + 2b + 4c = 3
p(3) = a + 3b + 9c = 10

Resolvendo este sistema linear, descobrimos que

p(x ) = 1 − 3x + 2x 2

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Neste caso, basta um polinômio de grau dois (com três coeficientes a determinar). Como
temos três condições (ditas condições de interpolação), recairemos num sistema com três
incógnitas (os coeficientes do polinômio) e três equações (as condições de interpolação).
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Exercı́cio: resolução alternativa

xk −1 2 3
yk 6 3 10

Se p(x ) = α(x − 2) + β(x + 1) + γ(x + 1)(x − 2), então

p(−1) = −3α = 6 ⇒ α = −2
p(2) = 3β =3 ⇒ β=1
p(3) = α + 4β + 4γ = 10 ⇒ γ = 2
Assim, descobrimos que

p(x ) = −2(x − 2) + (x + 1) + 2(x + 1)(x − 2)


= 1 − 3x + 2x 2

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Ter escrito um polinômio de grau dois geral como a + bx + cx 2 foi uma escolha, porém outras
são possı́veis. Alterar a maneira como p é representado tem o impacto no sistema linear a
ser resolvido. Uma boa escolha tem o potencial de tornar o sistema linear bem mais fácil, ou
até mesmo trivial.
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Exercı́cio

Aproxime f por um polinômio, sabendo que


▶ f (0) = a,
▶ f ′ (0) = b, e
▶ f (L) = c

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Neste problema conhecemos o valor de uma função em dois pontos e sua derivada em
um ponto e queremos novamente encontrar um polinômio que tenha estas mesmas três
caracterı́sticas. Este é um problema comum na área de otimização.

Neste exemplo, vale a pena chamar a atenção de que interpolação além de ser importante
por si só, também é um ingrediente de outros métodos numéricos.
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Exercı́cio

Encontre p tal que

x 1 2
p(x ) 1 −2
p ′ (x ) −1 −7

Para que haja solução única, qual deve ser o grau de p?

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Como temos quatro informações, é fácil perceber que precisamos ajustar um polinômio de
grau 3 (com quatro coeficientes a determinar).
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Exercı́cio: resolução 1

Se
p(x ) = a0 + a1 x + a2 x 2 + a3 x 3
então

p(1) = a0 + a1 + a2 + a3 =1
p ′ (1) = a1 + a2 + a3 = −1
p(2) = a0 + 2a1 + 4a2 + 8a3 = −2
p ′ (2) = a1 + 4a2 + 12a3 = −7

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A representação canônica para um polinomio geral de grau até 3 leva a um sistema linear
4 × 4 para ser resolvido.
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Exercı́cio: resolução 2

Se

p(x ) = b0 (x − 1)2 + b1 (x − 1)3 + b2 (x − 2)2 + b3 (x − 2)3

então

p(1) = b2 − b3 =1

p (1) = − 2b2 + 3b3 = −1
p(2) = b0 + b1 = −2
p ′ (2) = 2b0 + 3b1 = −7

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Se na resolução anterior, era necessário resolver um sistema linear 4 × 4, com essa escolha
para a representação do polinômio interpolador, ficamos com dois sistemas lineares 2 × 2 para
resolver.
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Exercı́cio: resolução 3

Se

p(x ) = [c0 + c1 (x − 1)] (x − 2)2 + [c2 + c3 (x − 2)] (x − 1)2

então

p(1) = c0 =1

p (1) = −2c0 + c1 = −1
p(2) = c2 = −2
p ′ (2) = 2c2 + c3 = −7

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Com essa última escolha, a expressão do polinômio interpolador foi ainda mais conveniente
e todos os coeficientes podem ser determinados rapidamente.

As três formas propostas são válidas e produzem o mesmo polinômio interpolador, apenas
escrito ou representado de forma distinta.
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Exercı́cio

Encontre o polinômio interpolador de grau 3 que satisfaz as


condições

p(−1) = α0 , p(1) = α1 ,
p ′ (−1) = β0 , p ′ (1) = β1 .

Dica: represente p como combinação linear de

(x + 2)(x − 1)2 (x + 2)(x − 1)2 (x + 1)(x − 1)2 (x + 1)2 (x − 1)


 
, 1− , ,
4 4 4 4

Faça o gráfico destas funções. O que elas têm de especial?

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Este exercı́cio é similar ao anterior, porém agora propomos uma forma bem mais elaborada
de representar o polinômio interpolador.

Siga o roteiro:
1. Represente p como

(x + 2)(x − 1)2 (x + 2)(x − 1)2


   
p(x ) = c0 + c1 1− +
4 4

(x + 1)(x − 1)2 (x + 1)2 (x − 1)


   
c2 + c3
4 4

2. Imponha as condições de interpolação e descubra os coeficientes c0 , c1 , c2 e c3 .


Como ficou o sistema linear a ser resolvidos?
3. Faça o gráfico das quatro funções utilizadas na representação de p e tente descobrir o
que elas tem de especial que facilitou o problema. Para isso, analise o comportamento
dessas funções nos pontos de interpolação.
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Caracterı́sticas

▶ Pode ser resolvido sem qualquer técnica especial

▶ Polinômio interpolador de baixa ordem

▶ Dificuldade depende de como o problema é formulado

▶ Interpolação é ingrediente para outros métodos

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Com os exemplos e exercı́cios anteriores podemos destacar as principais caracterı́sticas do


problema de interpolação polinomial.

Em primeiro lugar, perceba que você não precisa saber qualquer técnica especial para resolver
o problema de interpolação. No máximo, o problema recairá na resolução de um sistema linear.

Em todos os exemplos procuramos polinômios interpoladores de baixa ordem. Em seus usos


mais comuns, são empregados polinômios de grau baixo (até grau quatro, usualmente).

Como já destacamos antes, interpolação é uma técnica importante também para a resolução
de subproblemas de outros métodos.
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Formulação

Dado Ω = {(xk , yk ) | xk−1 < xk }, k = 0, 1, . . . , n, queremos


encontrar um polinômio p, de grau no máximo n, definido em
[x0 , xn ] tal que

p(xk ) = yk , k = 0, 1, . . . , n.

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Vimos exemplos com diferentes condições de interpolação: sobre o valor de função e sobre
o valor de derivada primeira. Outras condições poderiam ainda ser impostas, como por
exemplo, sobre derivadas de ordem superior, ou condições de suavidade.

Para a discussão analı́tica que se segue, concentraremo-nos em resolver o problema clássico


de interpolação polinomial, no qual um conjunto Ω de pontos no plano é conhecido, com a
propriedade de que não há dois pares amostrados com a mesma abscissa, e o objetivo será
encontrar um polinômio de grau mı́nimo que passe por sobre estes pontos.

Nestas condições, se n + 1 for a quantidade de pontos de interpolação, veremos que sempre


é possı́vel encontrar um polinômio interpolador de grau n. Demonstramos isto de forma
construtiva a seguir.
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Formulação canônica

{1, x , x 2 , . . . , x n }

p(x ) = a0 + a1 x + · · · + an x n

x02
    
1 x0 ··· x0n a0 y0

 1 x1 ··· x12 x1n 
 a1   y1 
  
 .. .. .. ..   .. = . 
  . 
. . . .  .   . 
 

1 xn xn2 · · · xnn an yn

Matriz de Vandermonde

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Quando escrevemos o polinômio interpolador na forma canônica, o problema de interpolação


recai na resolução de um sistema linear, cuja matriz de coeficientes é conhecida como Matriz
de Vandermonde.

Saber se o problema de interpolação admite solução, passa a ser uma questão de analisar
se o sistema linear obtido admite solução. Da mesma forma, a unicidade pode ser estudada
através da unicidade de solução para o sistema linear.

Entretanto, vamos reformular o problema e abordar estas duas questões de uma forma mais
simples e construtiva.
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Formulação alternativa

{ℓ0 (x ), ℓ1 (x ), ℓ2 (x ), . . . , ℓn (x )}

p(x ) = a0 ℓ0 (x ) + a1 ℓ1 (x ) + · · · + an ℓn (x )

    
ℓ0 (x0 ) ℓ1 (x0 ) ℓ2 (x0 ) · · · ℓn (x0 ) a0 y0

 ℓ0 (x1 ) ℓ1 (x1 ) ℓ2 (x1 ) · · · ℓn (x1 ) 
 a1  
  y1 

 .. .. .. ..  .. = .. 
. . . . . .
    
    
ℓ0 (xn ) ℓ1 (xn ) ℓ2 (xn ) · · · ℓn (xn ) an yn

Ainda temos que resolver um sistema linear...

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Ao invés de escrever o polinômio interpolador como combinação linear dos monômios 1, x ,


x 2 , . . ., x n , podemos escrever o polinômio como combinação linear de (n + 1) polinômios de
grau n, ℓ0 (x ), ℓ1 (x ), . . ., ℓn (x ).

A vantagem em fazer isso é que podemos escolher os polinômios ℓk (x ) de maneira que o


sistema linear fique simples de ser resolvido.
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Poliômios de Lagrange

 
ℓ0 (x0 ) ℓ1 (x0 ) ℓ2 (x0 ) · · · ℓn (x0 )

 ℓ0 (x1 ) ℓ1 (x1 ) ℓ2 (x1 ) · · · ℓn (x1 ) 

L= .. .. .. .. 
. . . .
 
 
ℓ0 (xn ) ℓ1 (xn ) ℓ2 (xn ) · · · ℓn (xn )

Se (
1, i =j
ℓj (xi ) =
0, i ̸= j
então L = I e o sistema linear tem solução trivial.

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Lagrange escolheu os polinômios ℓk de maneira que o sistema ficasse trivial, ou seja, de


maneira que a matriz do sistema linear fosse a identidade.
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Interpolação na forma de Lagrange

ℓj são polinômios de grau n que satisfazem

ℓj (xj ) = 1 e ℓj (xi ) = 0, j ̸= i.

p(x ) = a0 ℓ0 (x ) + a1 ℓ1 (x ) + · · · + an ℓn (x )

p(xi ) = yi ⇒ ai = yi

p(x ) = y0 ℓ0 (x ) + y1 ℓ1 (x ) + · · · + yn ℓn (x )

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Em virtude das duas propriedades chave, o problema de interpolação quando formulado em


termos dos polinômios de Lagrange é facilmente resolvido.

Suponha que o polinômio interpolador é escrito como combinação linear dos polinômios de
Lagrange associados aos nós de interpolação.

Impondo a condição de interpolação p(x) = yi , temos que

p(xi ) = a0 ℓ0 (xi ) + a1 ℓ1 (xi ) + · · · + an ℓn (xi )


= a0 · 0 + a1 · 0 + · · · + ai · 1 + · + an · 0
= ai

Logo ai = yi . Desta forma, construı́mos o polinômio interpolador explicitamente e por


conseguinte, acabamos de mostrar a existência do polinômio interpolador.

A unicidade do polinômio interpolador de grau no máximo n pode ser demonstrada utilizando


o Teorema Fundamental da Álgebra, como se segue.

Suponha que dois polinômios p e q, ambos de grau no máximo n interpolem os mesmos


dados. Sendo assim, r (x ) = p(x ) − q(x ), define também um polinômio de grau no máximo
n, com pelo menos (n + 1) zeros, localizados nos nós de interpolação. Porém o Teorema
Fundamental da Álgebra afirma que o único polinômio de grau no máximo n com (n + 1)
zeros distintos é o polinômio identicamente nulo. Sendo assim p = q.
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Exemplo: polinômios de grau 4

-1

x0 x1 x2 x3 x4

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A figura exibe cinco polinômios de grau 4. Observe o que ocorre nos pontos x0 , x1 , x2 , x3 , x4 2.
Em cada um desses pontos, 4 dos 5 polinômios se anulam, enquanto que apenas um deles
vale exatamente 1. Esses polinômios são conhecidos como Polinômios de Lagrange.

Vamos nomear esses cinco polinômios por ℓ4j , onde j = 0, 1, 2, 3, 4, da seguinte forma: ℓ40 é o
polinômio de grau 4 que vale 1 em x0 , ℓ41 é o polinômio de grau 4 que vale 1 em x1 , ℓ42 é o
polinômio de grau 4 que vale 1 em x2 , e assim por diante.

O que aconteceria se representássemos um polinômio de grau 4 como combinação linear


desses cinco polinômios exibidos?
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Polinômios de Lagrange

Dado (n + 1) pontos distintos x0 , x1 , . . . , xn ,

(x − x0 ) · · · (x − xj−1 )(x − xj+1 ) · · · (x − xn )


ℓj (x ) =
(xj − x0 ) · · · (xj − xj−1 )(xj − xj+1 ) · · · (xj − xn )
Y (x − xk )
ℓj (x ) =
k=0
(xj − xk )
k̸=j

Waring, 1779

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Associados a cada um dos pontos de interpolação distintos, podemos exibir explicitamente a


expressão dos polinômios de Lagrange.

O polinômio de grau n associado a xj será ℓj . Perceba que ℓj é formado pelo produto dos
monônios (x − xk ), para k = 0, 1, . . . , n, excluı́ndo-se k = j. Desta forma, vemos diretamente
que ℓj é de fato um polinômio de grau n.
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Propriedade

(x − x0 ) · · · (x − xj−1 )(x − xj+1 ) · · · (x − xn )


ℓj (x ) =
(xj − x0 ) · · · (xj − xj−1 )(xj − xj+1 ) · · · (xj − xn )

ℓj (xj ) = 1 e ℓj (xi ) = 0, j ̸= i.

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Perceba que o denominador de ℓj é exatamente seu numerador avaliado em xj . Sendo assim,


temos a primeira propriedade interessante dos polinômios de Lagrange: ℓj (xj ) = 1.

Outro fato digno de nota é que como ℓj é o produto de fatores (x − xk ) para k = 0, 1, . . . , n,


excluı́ndo-se k = j, ℓj (xi ) = 0, se j ̸= i.
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Exemplo


Considere f (x ) = x e p o polinômio interpolador em 1, 2 e 4

(x − 2)(x − 4) (x − 1)(x − 4) (x − 1)(x − 2)


p(x ) = f (1) + f (2) + f (4)
(1 − 2)(1 − 4) (2 − 1)(2 − 4) (4 − 1)(4 − 2)

(x − 2)(x − 4) √ (x − 1)(x − 4) (x − 1)(x − 2)


= − 2 +2
3 2 6

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Como temos três pontos de interpolação, estamos procurando por um polinômio interpolador
de grau 2.

Utilizando os polinômios de Lagrange, a solução do problema de interpolação é trivial.


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Exemplo

1.5
f(x)
p(x)
1

1 2 3 4

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Observe o gráfico da função x (curva tracejada) e o gráfico do polinômio interpolador
(curva sólida). Observe que poderı́amos utilizar o polinômio interpolador como uma boa
aproximação para função.

Como, neste caso, estamos interpolando pontos de uma função conhecida, podemos √ nos
perguntar também qual o erro de interpolação, ou seja, se ao invés de computar x com-
putássemos p(x ), por quanto estarı́amos errando? Estudaremos esse problema a seguir.
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Exercı́cio

Interpole os pontos (−3, −1), (3, −2) e (6, 10), construindo o


polinômio na forma de Lagrange.

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Exercı́cio

Aproxime o valor de sin(1), utilizando um polinômio interpolador


de grau 2 e os valores tabelados abaixo. Calcule o erro cometido.

x 0 π/4 π/3 π/2


√ √
2 3
sin(x ) 0 2 2 1

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Repare que para uma interpolação quadrática, apenas três pontos são necessários. Logo, você
tem que decidir quais três pontos dentre os quatro pontos fornecidos utilizar.
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Exercı́cio

Encontre o ponto de intersecção das duas funções tabeladas,


utilizando interpolação quadrática.

x 0.000 0.600 1.200 1.800 2.400 3.000


f (x ) 1.300 1.383 1.223 0.919 0.626 0.435

x 0.400 0.900 1.400 1.900 2.400 2.900


g(x ) 0.615 0.810 1.079 1.425 1.786 1.993

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Para resolver este exercı́cio, primeiro tente identificar aproximadamente onde deve estar
localizado o ponto de intersecção. Por exemplo, perceba que antes de 1.2, f (x ) aparenta
ser sempre maior que g(x ). Claro que isto não pode ser afirmado com certeza, uma vez que
temos apenas alguns pontos amostrados.

Para construir os polinômios interpoladores, selecione os pontos de interpolação mais próximos


da região onde você acredita que esteja o ponto de intersecção. Mais a frente, veremos que
esta estratégia ajuda a reduzir os erros de interpolação.
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Dificuldades

▶ Cara de avaliar (O(n2 ))

▶ overflow / underflow

Na verdade, estes não são problemas da interpolação na


forma de Lagrange, mas sim do algoritmo ingênuo utilizado
para calcular a interpolação de Lagrange.
Salzer, 1972

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No exercı́cio anterior, onde foi pedido para aproximar o valor de sin(1), percebe-se que a
avaliação do polinômio interpolador na forma de Lagrange, quando feita de forma displicente
ou ingênua, torna-se cara, do ponto de vista da quantidade de operações de ponto flutuante
realizadas.

Além disso, também é comum encontrar em livros-texto de Cálculo Numérico crı́ticas à


forma de Lagrange, imputando a ela possı́veis problemas de overflow e underflow.

Entretanto, quando implementada de maneira criteriosa, tais problemas são todos evitáveis.
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Interpolação Baricêntrica de Lagrange

(x − x0 ) · · · (x − xj−1 )(x − xj+1 ) · · · (x − xn )


ℓj (x ) =
(xj − x0 ) · · · (xj − xj−1 )(xj − xj+1 ) · · · (xj − xn )
Se
1
ℓ(x ) = (x − x0 )(x − x1 ) · · · (x − xn ), wj = Q
k=0 (xj − xk )
k̸=j

então
wj
ℓj (x ) = ℓ(x )
x − xj

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A interpolação Baricêntrica nada mais é que um algoritmo eficiente e computacionalmente


adequado para a interpolação de Lagrange.

O primeiro passo é perceber que os fatores constantes que aparecem em cada polinômio de
Lagrange podem ser todos pré-computados, de maneira a reduzir o custo computacional
durante a avaliação do polinômio interpolador.

Depois, note também que todos os polinômios de Lagrange diferente entre si apenas por um
único monômio, uma das parcelas do produto que os definem.
Introdução Interpolação polinomial Lagrange Análise de erro Splines

Interpolação Baricêntrica de Lagrange

p(x ) = y0 ℓ0 (x ) + y1 ℓ1 (x ) + · · · + yn ℓn (x )
w0 w1 wn
= y0 ℓ(x ) + y1 ℓ(x ) + · · · + yn ℓ(x )
x − x0 x − x1 x − xn

w0 w1 wn
 
p(x ) = ℓ(x ) y0 + y1 + · · · + yn
x − x0 x − x1 x − xn

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Utilizando os coeficientes wk e o polinômio ℓ de grau (n + 1), o polinômio interpolador pode


ser reescrito de forma muito compacta.
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Caracterı́sticas

n
X wj 1
p(x ) = ℓ(x ) yj , wj = Qn
j=0
x − xj k=0 (xj − xk )
k̸=j

▶ wj não depende de y0 , y1 , . . . , yn

▶ Barata de calcular (O(n2 ))

▶ Barata de avaliar (O(n))

▶ Sem problemas de overflow ou underflow

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Quando o polinômio é reescrito na forma baricêntrica, todos os problemas alardados da


inerpolação de Lagrange são dirimidos.
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Qualidade da interpolação

Se interpolamos as amostras de uma função, quão boa será a


aproximação da função pelo polinômio?

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Se estivermos interpolando uma tabela de ponto apenas, não faz sentido perguntar qual o
erro de interpolação, visto que o polinômio interpolador, por construção, honra exatamente
os pontos tabelados, e para outros pontos não há qualquer informação.

Porém, quando interpolamos amostras de uma função, podemos nos perguntar se o polinômio
interpolador é uma boa aproximação para a função, nos pontos que não foram usados na
interpolação.
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Exemplo: x

1.5
f(x)
p(x)
1

1 2 3 4

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No exemplo anterior, quando interpolamos a função f (x ) = x vimos que de fato o polinômio
interpolador se aproxima muito bem da função, no intervalo de interpolação.
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Hipóteses

▶ f tem (n + 1) derivadas contı́nuas


▶ p tem grau no máximo n
▶ p interpola f em {x0 , x1 , . . . , xn } ⊂ [a, b]

Erro de interpolação:

E (x ) ≡ f (x ) − p(x )

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Para investigar o erro de interpolação, vamos fazer algumas hipóteses sobre a função
interpolada.

A intenção é estimar E (x ), o erro num ponto x , que não tenha sido utilizado na interpolação.
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Função auxiliar

Suponha que queremos analizar o erro em x ∈ (a, b), com x ̸= xk .


Considere a função

g(z) ≡ E (x )ω(z) − E (z)ω(x )

onde ω(z) ≡ (z − x0 )(z − x1 ) · · · (z − xn ).

▶ Quantas derivadas contı́nuas g possui?


▶ Quantos zeros a função g possui?

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Toda função polinomial, como p e w , é infinitamente diferenciável. Como f tem (n + 1)


derivadas contı́nuas e E (x ) = f (x ) − p(x ), então E também terá (n + 1) derivadas contı́nuas.

Com isso temos que g tem (n + 1) derivadas contı́nuas.

Observe ainda que g(z) = 0 para z ∈ {x0 , x1 , . . . , xn , x }. Ou seja, g tem pelo menos (n + 2)
zeros distintos.
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Resultado de Cálculo

f ′ (c) = 0

f (a) = f (b)

a c b

Teorema de Rolle
Seja f diferenciável em [a, b]. Se f (a) = f (b), então existe
c ∈ (a, b) tal que f ′ (c) = 0.

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Teorema do Valor Médio


Seja f diferenciável em [a, b]. Então, existe c ∈ (a, b) tal que

f (b) − f (a)
f ′ (c) = .
b−a

O Teorema de Rolle é um caso particular do Teorema do Valor Médio, quando f (a) = f (b).

Com o Teorema de Rolle podemos garantir a existência de pelo menos um zero da derivada
de uma função, se conhecermos dois pontos onde a função tem o mesmo valor.
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g e seus zeros
Por exemplo, para n = 3, os zeros de g são x0 , x1 , x2 , x3 e x .

g tem 5 zeros

g tem 5 zeros

g ′ tem 4 zeros

g ′ tem 4 zeros

g ′′ tem 3 zeros
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g ′′ tem 3 zeros

g ′′′ tem 2 zeros

g ′′′ tem 2 zeros

g (4) (ξ) = 0
ξ
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Análise de g

Existe ξ ∈ (a, b) tal que g (n+1) (ξ) = 0.

g (n+1) (z) = E (x )ω (n+1) (z) − E (n+1) (z)ω(x )


= E (x )(n + 1)! − f (n+1) (z)ω(x )

Para z = ξ,

E (x )(n + 1)! = f (n+1) (ξ)ω(x )

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Já sabemos que g tem pelo menos (n + 2) zeros. Pelo Teorema de Rolle, g ′ terá pelo menos
(n + 1) zeros. Novamente, pelo Teorema de Rolle, agora aplicado a g ′ , podemos assegurar
que g ′′ terá pelo menos n zeros.

Continuando com esse raciocı́nio, pode-se assegurar que g (n+1) terá pelo menos um zero,
digamos ξ.

Como ω(x ) = x n+1 + q(x ), onde q é um polinômio de grau no máximo n, temos que
ω (n+1) = (n + 1)!. Além disso, p (n+1) ≡ 0 pois p é polinômio de grau menor que (n + 1).
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Erro de interpolação

Teorema
Se f tem (n + 1) derivadas contı́nuas e o polinômio p, de grau no
máximo n, interpola f em {x0 , x1 , . . . , xn } ⊂ [a, b], então

f (n+1) (ξ)
f (x ) − p(x ) = ω(x ), x ̸= xk ,
(n + 1)!
onde ω(x ) = (x − x0 )(x − x1 ) · · · (x − xn ) e ξ ≡ ξ(x ) ∈ (a, b).

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Observe que a fórmula obtida para o erro de interpolação é exata, porém depende de um
valor ξ desconhecido. Além disso, ξ depende de x também.

Portanto, na prática, não temos como avaliar o erro de interpolação por esta fórmula. Pode-
mos porém utilizá-la como um majorante para o erro de interpolação.
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Exemplo


▶ f (x ) = x

▶ p polinômio interpolador em 1, 2 e 4
Qual o erro máximo?

f ′′′ (ξ) M3
Emax = max ω(x ) ≤ max |ω(x )|,
3! 6

com M3 = max1≤x ≤4 |f ′′′ (x )| e ω(x ) = (x − 1)(x − 2)(x − 4)

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Nesse caso, n = 2. Portanto


f ′′′ (ξ)
E (x ) = ω(x ).
3!
Logo
M3
Emax ≤ max |ω(x )|.
6
Precisamos estimar então M3 e max |ω(x )|.
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Exemplo

3 1 3
M3 = max √ = ,
8 x5 8
√ !
7+ 7
max |ω(x )| = ω = 2.1126
3
Portanto
3/8 · 2.1126
|E (x )| ≤ = 0.13204, para todo x ∈ [1, 4]
3!

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Com efeito, f ′′′ (x ) = 83 √1 5 . Como essa função é decrescente, seu máximo é assumido no
x
extremo esquerdo do intervalo, ou seja, para x = 1. Logo M3 = 3/8.

Para encontrar o máximo de |ω(x )|, impomos a condição de que ω ′ (x ) = 0. Dois pontos
satisfazem essa condição: √
7± 7
x1,2 = .
3
Ambos os pontos estão dentro do intervalo de interesse, mas |ω(x2 )| > |ω(x1 )|. Não é
necessário verificar se o máximo de |ω(x )| está nos extremos do intervalo pois, por construção,
a função ω se anula nos extremos.
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Exercı́cio


Com que grau de precisão podemos aproximar 115 usando
interpolação quadrática sobre os pontos 100, 121 e 144?

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Resolução:

Da fórmula de erro para interpolação temos que:

f ′′′ (ξ) M3
|E (115)| = ω(115) ≤ |ω(115)|,
3! 3!

3 −5/2 3
onde M3 = max |f ′′′ (x )| = x = 10−5 .
max
100≤x ≤144 100≤x ≤144 8 8
Como ω(x ) = (x − 100)(x − 121)(x − 144), temos que ω(115) = 2610. Logo

3/8 · 10−5 · 2610


|E (115)| ≤ = 1.631 · 10−3 .
6
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Exercı́cio

x 1 2 3 4 5 6 7
f (x ) 0.91 1.43 1.58 1.55 1.44 1.30 1.18

▶ Obtenha uma aproximação para o valor máximo de f usando


interpolação quadrática.
▶ Usando interpolação aproxime a solução de f (x ) = 1.15.

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Reduzindo o erro

0.4

0.3

0.2

0.1

0
0 1 2 3 4

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Suponha que uma função foi interpolada apenas em dois pontos. Obviamente, nem sempre
essa interpolação será precisa o suficiente. O que fazer então?
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Reduzindo o erro

0.4

0.3

0.2

0.1

0
0 1 2 3 4

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Podemos ver que a medida que mais pontos são utilizados para interpolar a função,
aparentemente, melhor o resultado fica. Observe por exemplo os polinômios p2 , p3 e p4 , que
interpolam a função em 3, 4 e 5 pontos igualmente espaçados, respectivamente.

Claramente p4 é o polinômio interpolador que mais se aproximou da função original.

Será que essa estratégia de acrescentar pontos à interpolação vai continuar produzindo
polinômios interpoladores de ordem mais alta que gradativamente se aproximarão da função
interpolada?
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Fenômeno de Runge

-4 -2 0 2 4

Pontos equidistantes
Numa malha de pontos regularmente espaçados, os polinômios
interpoladores em geral divergem, mesmo se f for analı́tica.

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Apesar de contra-intuitivo, não há garantia de que o erro de interpolação reduzirá a


medida que mais pontos de interpolação são acrescentados. De fato, usualmente o erro
de interpolação aumenta a medida que o grau do polinômio interpolador, em pontos
regularmente espaçado.

Esse fenômeno é conhecido como Fenômeno de Runge.

Na figura podemos observar o polinômio interpolador de grau 6 (interpola a função em 7


pontos – quadrados) e o polinômio interpolador de grau 10 (interpola a função em 11 pontos
– circulos). Pela figura, fica claro que o erro máximo de interpolação observado no polinômio
de grau 10 é maior.
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Fenômeno de Runge

-4 -2 0 2 4

Pontos adequados (Chebyshev)


Numa malha construı́da adequadamente, os polinômios
interpoladores convergem mesmo para funções Lipschitz contı́nuas.

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Entretanto, é possı́vel garantir que o polinômio interpolador de fato convirja à função, a


medida que mais pontos são utilizados na interpolação, desde que os pontos de interpolação
sejam cuidadosamente escolhidos.

Na figura, para efeito de comparação, observamos a interpolação em 11 pontos igualmente


espaçados (com erro grande), e mais duas interpolações, com 11 pontos e com 15 pontos,
criteriosamente escolhidos. Na interpolação com 15 pontos já fica difı́cil distinguir visual-
mente a função original do polinômio interpolador.

Esses pontos mágicos, que garantem a convergência do polinômio interpolador, são os zeros
de polinômios especiais, os polinômios de Chebyshev.

Em resumo, se a interpolação fosse feitas nos pontos de Chebyshev seria possı́vel garantir
que o erro reduziria a medida que mais pontos fossem utilizados.

A dificuldade em escapar do Fenômeno de Runge é que na maioria em problemas práticos


não há como escolher quais são os pontos de interpolação. De fato, é muito comum que os
pontos disponı́veis para interpolação estejam igualmente distribuı́dos.
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Polinômios de grau 1

20

10

0 2 4 6

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Neste exemplo, ao invés de tentar construir um único polinômio interpolador de grau 6, a


cada dois pontos foi construı́do um polinômio interpolador de grau 1. Desta forma, foram
utilizados todos os 7 pontos, porém o grau do polinômio interpolador permaneceu baixo,
evitando o Fenômeno de Runge.

A função de interpolação não é mais um polinômio mas sim uma função definida de forma
diferente em cada subintervalo. Em cada um dele a função é um polinômio de grau diferente.
Uma função definida desta forma é dita um polinômio de grau 1 por partes.

Como a condição de interpolação em cada ponto é satisfeita tanto para o segmento de reta
à esquerda e à direita de cada ponto, naturalmente a função total é contı́nua.
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Polinômios de grau 2

20

10

0 2 4 6

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Neste caso, os pontos foram tomados três a três, de maneira que foram construı́dos três
polinômios interpoladores, cada um de grau 2.

A função iterpoladora é um polinômio interpolador de grau 2 por partes. Novamente, apenas


pela natural imposição da condição de interpolação, a função interpoladora é contı́nua.

Entretanto, também pode-se observar que um polinômio interpolador por partes não será
diferenciável em cada ponto onde há a junção entre dois polinômios.
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Polinômios de grau 3

20

10

0 2 4 6

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Por fim, tomando pontos de quatro em quatro, foram construı́dos dois polinômios interpo-
ladores, cada um de grau 3.

Apesar de não ser visualmente evidente na figura, a função não é diferenciável em x = 3,


onde os dois polinômios de grau três são colados.
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Interpolação por partes

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Na interpolação por partes o conjunto de pontos de interpolação deve ser fracionado em


porções menores. Dependendo do grau do polinômio interpolador de interesse.
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Interpolação por partes

I0 I1 I2 I3

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Por exemplo, suponha que se deseje interpolar por polinômios de grau no máximo 2. Então
os pontos devem ser tomados três a três.

Sejam os pontos de interpolação originais (x0 , y0 ), (x1 , y1 ), . . . , (xn , yn ), ordenados de modo


que xk > xj se k > j. O intervalo de interpolação I = [x0 , xn ], pode então ser escrito como
I = I0 ∪ I1 ∪ · · · Im (como na figura).
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Interpolação por partes

I0 I1 I2 I3

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Desta forma precisamos resolver m problemas de interpolação, um para cada subintervalo.


Digamos que pj é o polinômio interpolador no intervalo Ij .
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Polinômio interpolador por partes

A função interpoladora é definida como

s(x ) = pk (x ), se x ∈ Ik

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O grau de cada polinômio interpolador depende de quantos pontos de interpolação há em


cada subintervalo Ik . Se todos os polinômios tiverem o mesmo grau, digamos q, diremos que
a função s é um polinômio por partes de grau q.
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Erro de interpolação

O erro de interpolação é limitado pelo erro em cada subintervalo.


Para interpolação linear por partes (splines lineares)

M2 h2
|E (x )| ≤
8
onde h = max |xk − xk−1 |.

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O erro máximo em cada subintervalo é dado por

1
max |E (x )| ≤ max |f ′′ (x )| max |(x − xk−1 )(x − xk )|
x ∈Ik 2 x ∈Ik x ∈Ik

Verifique que maxx ∈Ik |(x − xk−1 )(x − xk )| = 41 hk2 , onde hk = (xk − xk−1 ).

Como maxx ∈Ik |f ′′ (x )| < M2 , temos que

M2 h 2
Emax ≤ ,
8
onde h = max hk .

Desta forma, perceba que ao acrescentar mais ponto, mesmo que regularmente espaçados,
é possı́vel reduzir h e portanto reduzir o erro máximo, preservando o grau do polinômio
interpolador.
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Splines lineares

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Temos a tendência a achar que o resultado da interpolação linear por partes é muito
grosseiro, mas na verdade o resultado anterior garante que ele pode ser tão bom quanto se
queira, desde que pontos suficientes sejam utilizados.

De fato, praticamente todos os gráficos de função exibidos no computador tem apenas a


impressão de serem curvos, mas são na verdade lineares por partes com uma quantidade
grande de pontos.
Introdução Interpolação polinomial Lagrange Análise de erro Splines

Exemplo

Em quantos pontos regularmente amostrados em [0, 2] devemos


tabelar a função f (x ) = (2x + 1)/(x − 3) de maneira a garantir
um erro inferior a 10−4 com splines lineares?

14
M2 = max |f ′′ (x )| = max = 14
[0,2] [0,2] (x − 3)3
Logo,
14h2 7
|E (x )| ≤ = h2 ≤ 10−4
8 4

2 7 −2
Portanto h ≤ 7 10 , como h = 2/n, n ≥ 265

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Exercı́cio

Em quantos pontos é necessário tabelar a função cosseno


para que a sua aproximação por splines lineares tenha sempre
erro inferior à 10−4 ?

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Em primeiro lugar, observe que para conhecer a função cosseno, basta conhece-la no
intervalo [0, π/2]. Para computar cosseno em qualquer outro intervalo basta utilizar relações
trigonométricas para retornar ao problema de computar cosseno neste intervalo.

Como E < 18 M2 h2 , e M2 = max |(cos x )′′ | = 1, temos que

h2 √
≤ 10−4 ⇒ h ≤ 2 · 10−2 2.
8

π/2 π 2 2
Como h = , então n ≥ 10 ≈ 55.5, ou seja são necessários pelo menos 57 pontos.
n 8
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Resumo

▶ É possı́vel construir uma função que interpole uma grande


quantidade de pontos, sem incorrer no Fenômeno de Runge,
desde que trabalhando por partes.

▶ Porém, a função interpolante não será diferenciável nos


pontos de contato entre intervalos adjacentes.

▶ E se realmente precisarmos de uma função interpolante


diferenciável?

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Splines cúbicos

Dado um conjunto de pontos x0 < x1 < · · · < xn , uma spline


cúbica é uma função s satisfazendo
▶ s ∈ C2

▶ s|[xk−1 ,xk ] ∈ P3 ([xk−1 , xk ])

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Splines cúbicos são polinômios de grau 3 por partes com a condição adicional de terem pelo
menos duas derivadas contı́nuas.
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Spline cúbico interpolante

Dado um conjunto de pontos {(xk , yk ) | xk−1 < xk },


k = 0, 1, . . . , n, uma spline cúbica interpolante é uma função s
satisfazendo
▶ s ∈ C2

▶ s|[xk−1 ,xk ] ∈ P3 ([xk−1 , xk ])

▶ s(xk ) = yk , para k = 0, 1, . . . , n

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Na interpolação por splines cúbicos, um polinômio de grau 3 é utilizado a cada dois pontos,
e não a cada 4 pontos, como no caso da interpolação polinomial de grau três por partes.
Mas como apenas as duas condições de interpolação não são suficientes para determinar
os 4 coeficientes do polinômio cúbico, os dois graus de liberdade restantes são justamente
utilizados para impor a restrição de suavidade.
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Spline cúbico

20

10

0 2 4 6

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Essa é a spline cúbica interpolante para os mesmos pontos dos exemplos anteriores.
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Polinômios de grau 3

20

10

0 2 4 6

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Para efeito de comparação, esta é novamente a interpolação polinomial de grau 3 por partes.
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Spline – A régua

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Spline – A régua

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Spline – Boeing

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