Interp
Interp
Interpolação
Ricardo Biloti
[email protected]
1S/2025
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É comum conhecermos alguns pontos de uma função, mas não a função em si. O problema
natural é então como aproximar a função a partir apenas destes pontos.
Introdução Interpolação polinomial Lagrange Análise de erro Splines
Licença
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Introdução Interpolação polinomial Lagrange Análise de erro Splines
Problema
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Vamos considerar o problema de encontrar uma função contı́nua que passe por um conjunto
de pontos no plano, amostras de uma função desconhecida ou complexa o suficiente para
valer a pena aproximá-la por outra mais simples.
Introdução Interpolação polinomial Lagrange Análise de erro Splines
Exemplo
0.8
0.6
0.4
0.2
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Como exemplo, vamos considerar a função seno. De fato, só conhecemos o valor desta
função em alguns ângulos notáveis, como o 0, π/4, π/3 e π/2 (e seus múltiplos). O
problema que se coloca então é, partindo dos valores de seno nestes ângulos, como aproximar
os valores da função para outros pontos não tabelados?
Podemos colocar nosso objetivo da seguinte maneira: desejo encontrar uma função contı́nua
que passe pelos pontos marcados no gráfico. Será que isto é suficientemente preciso?
De fato, apenas pedir uma função contı́nua ainda é muito vago (ou mal posto). Há infinitas
possı́veis soluções para o problema quando colocado assim. Além da curva em preto, a curva
vermelha é outra possibilidade.
Interpolação polinomial
p(x ) = a0 + a1 x + · · · + an x n
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Vamos especificar que tipo de curva contı́nua nos interessa. Aqui lidaremos com o problema de
interpolação polinomial apenas, ou seja, procuraremos um polinômio que passe pelos pontos
prescritos.
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Exercı́cio
xk −1 2 3
yk 6 3 10
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Antes de iniciarmos uma discussão teórica, vamos fazer um exercı́cio. Dados três pontos
tabelados, queremos determinar o polinômio que passa por esses três pontos.
A primeira pergunta a fazer é qual o grau mı́nimo do polinômio para termos a chance de
resolver o problema?
Depois de determinado o grau, devemos impor que o polinômio em cada um dos valores para
x assume o valor y correspondente, e com isto determinar os coeficientes do polinômio.
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Exercı́cio: resolução
xk −1 2 3
yk 6 3 10
Se p(x ) = a + bx + cx 2 , então
p(−1) = a − b + c = 6
p(2) = a + 2b + 4c = 3
p(3) = a + 3b + 9c = 10
p(x ) = 1 − 3x + 2x 2
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Neste caso, basta um polinômio de grau dois (com três coeficientes a determinar). Como
temos três condições (ditas condições de interpolação), recairemos num sistema com três
incógnitas (os coeficientes do polinômio) e três equações (as condições de interpolação).
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xk −1 2 3
yk 6 3 10
p(−1) = −3α = 6 ⇒ α = −2
p(2) = 3β =3 ⇒ β=1
p(3) = α + 4β + 4γ = 10 ⇒ γ = 2
Assim, descobrimos que
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Ter escrito um polinômio de grau dois geral como a + bx + cx 2 foi uma escolha, porém outras
são possı́veis. Alterar a maneira como p é representado tem o impacto no sistema linear a
ser resolvido. Uma boa escolha tem o potencial de tornar o sistema linear bem mais fácil, ou
até mesmo trivial.
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Exercı́cio
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Neste problema conhecemos o valor de uma função em dois pontos e sua derivada em
um ponto e queremos novamente encontrar um polinômio que tenha estas mesmas três
caracterı́sticas. Este é um problema comum na área de otimização.
Neste exemplo, vale a pena chamar a atenção de que interpolação além de ser importante
por si só, também é um ingrediente de outros métodos numéricos.
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Exercı́cio
x 1 2
p(x ) 1 −2
p ′ (x ) −1 −7
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Como temos quatro informações, é fácil perceber que precisamos ajustar um polinômio de
grau 3 (com quatro coeficientes a determinar).
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Exercı́cio: resolução 1
Se
p(x ) = a0 + a1 x + a2 x 2 + a3 x 3
então
p(1) = a0 + a1 + a2 + a3 =1
p ′ (1) = a1 + a2 + a3 = −1
p(2) = a0 + 2a1 + 4a2 + 8a3 = −2
p ′ (2) = a1 + 4a2 + 12a3 = −7
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A representação canônica para um polinomio geral de grau até 3 leva a um sistema linear
4 × 4 para ser resolvido.
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Exercı́cio: resolução 2
Se
então
p(1) = b2 − b3 =1
′
p (1) = − 2b2 + 3b3 = −1
p(2) = b0 + b1 = −2
p ′ (2) = 2b0 + 3b1 = −7
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Se na resolução anterior, era necessário resolver um sistema linear 4 × 4, com essa escolha
para a representação do polinômio interpolador, ficamos com dois sistemas lineares 2 × 2 para
resolver.
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Exercı́cio: resolução 3
Se
então
p(1) = c0 =1
′
p (1) = −2c0 + c1 = −1
p(2) = c2 = −2
p ′ (2) = 2c2 + c3 = −7
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Com essa última escolha, a expressão do polinômio interpolador foi ainda mais conveniente
e todos os coeficientes podem ser determinados rapidamente.
As três formas propostas são válidas e produzem o mesmo polinômio interpolador, apenas
escrito ou representado de forma distinta.
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Exercı́cio
p(−1) = α0 , p(1) = α1 ,
p ′ (−1) = β0 , p ′ (1) = β1 .
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Este exercı́cio é similar ao anterior, porém agora propomos uma forma bem mais elaborada
de representar o polinômio interpolador.
Siga o roteiro:
1. Represente p como
Caracterı́sticas
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Em primeiro lugar, perceba que você não precisa saber qualquer técnica especial para resolver
o problema de interpolação. No máximo, o problema recairá na resolução de um sistema linear.
Como já destacamos antes, interpolação é uma técnica importante também para a resolução
de subproblemas de outros métodos.
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Formulação
p(xk ) = yk , k = 0, 1, . . . , n.
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Vimos exemplos com diferentes condições de interpolação: sobre o valor de função e sobre
o valor de derivada primeira. Outras condições poderiam ainda ser impostas, como por
exemplo, sobre derivadas de ordem superior, ou condições de suavidade.
Formulação canônica
{1, x , x 2 , . . . , x n }
p(x ) = a0 + a1 x + · · · + an x n
x02
1 x0 ··· x0n a0 y0
1 x1 ··· x12 x1n
a1 y1
.. .. .. .. .. = .
.
. . . . . .
1 xn xn2 · · · xnn an yn
Matriz de Vandermonde
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Saber se o problema de interpolação admite solução, passa a ser uma questão de analisar
se o sistema linear obtido admite solução. Da mesma forma, a unicidade pode ser estudada
através da unicidade de solução para o sistema linear.
Entretanto, vamos reformular o problema e abordar estas duas questões de uma forma mais
simples e construtiva.
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Formulação alternativa
{ℓ0 (x ), ℓ1 (x ), ℓ2 (x ), . . . , ℓn (x )}
p(x ) = a0 ℓ0 (x ) + a1 ℓ1 (x ) + · · · + an ℓn (x )
ℓ0 (x0 ) ℓ1 (x0 ) ℓ2 (x0 ) · · · ℓn (x0 ) a0 y0
ℓ0 (x1 ) ℓ1 (x1 ) ℓ2 (x1 ) · · · ℓn (x1 )
a1
y1
.. .. .. .. .. = ..
. . . . . .
ℓ0 (xn ) ℓ1 (xn ) ℓ2 (xn ) · · · ℓn (xn ) an yn
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Poliômios de Lagrange
ℓ0 (x0 ) ℓ1 (x0 ) ℓ2 (x0 ) · · · ℓn (x0 )
ℓ0 (x1 ) ℓ1 (x1 ) ℓ2 (x1 ) · · · ℓn (x1 )
L= .. .. .. ..
. . . .
ℓ0 (xn ) ℓ1 (xn ) ℓ2 (xn ) · · · ℓn (xn )
Se (
1, i =j
ℓj (xi ) =
0, i ̸= j
então L = I e o sistema linear tem solução trivial.
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ℓj (xj ) = 1 e ℓj (xi ) = 0, j ̸= i.
p(x ) = a0 ℓ0 (x ) + a1 ℓ1 (x ) + · · · + an ℓn (x )
p(xi ) = yi ⇒ ai = yi
p(x ) = y0 ℓ0 (x ) + y1 ℓ1 (x ) + · · · + yn ℓn (x )
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Suponha que o polinômio interpolador é escrito como combinação linear dos polinômios de
Lagrange associados aos nós de interpolação.
-1
x0 x1 x2 x3 x4
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A figura exibe cinco polinômios de grau 4. Observe o que ocorre nos pontos x0 , x1 , x2 , x3 , x4 2.
Em cada um desses pontos, 4 dos 5 polinômios se anulam, enquanto que apenas um deles
vale exatamente 1. Esses polinômios são conhecidos como Polinômios de Lagrange.
Vamos nomear esses cinco polinômios por ℓ4j , onde j = 0, 1, 2, 3, 4, da seguinte forma: ℓ40 é o
polinômio de grau 4 que vale 1 em x0 , ℓ41 é o polinômio de grau 4 que vale 1 em x1 , ℓ42 é o
polinômio de grau 4 que vale 1 em x2 , e assim por diante.
Polinômios de Lagrange
Waring, 1779
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O polinômio de grau n associado a xj será ℓj . Perceba que ℓj é formado pelo produto dos
monônios (x − xk ), para k = 0, 1, . . . , n, excluı́ndo-se k = j. Desta forma, vemos diretamente
que ℓj é de fato um polinômio de grau n.
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Propriedade
ℓj (xj ) = 1 e ℓj (xi ) = 0, j ̸= i.
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Exemplo
√
Considere f (x ) = x e p o polinômio interpolador em 1, 2 e 4
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Como temos três pontos de interpolação, estamos procurando por um polinômio interpolador
de grau 2.
Exemplo
1.5
f(x)
p(x)
1
1 2 3 4
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√
Observe o gráfico da função x (curva tracejada) e o gráfico do polinômio interpolador
(curva sólida). Observe que poderı́amos utilizar o polinômio interpolador como uma boa
aproximação para função.
Como, neste caso, estamos interpolando pontos de uma função conhecida, podemos √ nos
perguntar também qual o erro de interpolação, ou seja, se ao invés de computar x com-
putássemos p(x ), por quanto estarı́amos errando? Estudaremos esse problema a seguir.
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Exercı́cio
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Exercı́cio
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Repare que para uma interpolação quadrática, apenas três pontos são necessários. Logo, você
tem que decidir quais três pontos dentre os quatro pontos fornecidos utilizar.
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Exercı́cio
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Para resolver este exercı́cio, primeiro tente identificar aproximadamente onde deve estar
localizado o ponto de intersecção. Por exemplo, perceba que antes de 1.2, f (x ) aparenta
ser sempre maior que g(x ). Claro que isto não pode ser afirmado com certeza, uma vez que
temos apenas alguns pontos amostrados.
Dificuldades
▶ overflow / underflow
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No exercı́cio anterior, onde foi pedido para aproximar o valor de sin(1), percebe-se que a
avaliação do polinômio interpolador na forma de Lagrange, quando feita de forma displicente
ou ingênua, torna-se cara, do ponto de vista da quantidade de operações de ponto flutuante
realizadas.
Entretanto, quando implementada de maneira criteriosa, tais problemas são todos evitáveis.
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então
wj
ℓj (x ) = ℓ(x )
x − xj
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O primeiro passo é perceber que os fatores constantes que aparecem em cada polinômio de
Lagrange podem ser todos pré-computados, de maneira a reduzir o custo computacional
durante a avaliação do polinômio interpolador.
Depois, note também que todos os polinômios de Lagrange diferente entre si apenas por um
único monômio, uma das parcelas do produto que os definem.
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p(x ) = y0 ℓ0 (x ) + y1 ℓ1 (x ) + · · · + yn ℓn (x )
w0 w1 wn
= y0 ℓ(x ) + y1 ℓ(x ) + · · · + yn ℓ(x )
x − x0 x − x1 x − xn
w0 w1 wn
p(x ) = ℓ(x ) y0 + y1 + · · · + yn
x − x0 x − x1 x − xn
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Caracterı́sticas
n
X wj 1
p(x ) = ℓ(x ) yj , wj = Qn
j=0
x − xj k=0 (xj − xk )
k̸=j
▶ wj não depende de y0 , y1 , . . . , yn
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Qualidade da interpolação
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Se estivermos interpolando uma tabela de ponto apenas, não faz sentido perguntar qual o
erro de interpolação, visto que o polinômio interpolador, por construção, honra exatamente
os pontos tabelados, e para outros pontos não há qualquer informação.
Porém, quando interpolamos amostras de uma função, podemos nos perguntar se o polinômio
interpolador é uma boa aproximação para a função, nos pontos que não foram usados na
interpolação.
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√
Exemplo: x
1.5
f(x)
p(x)
1
1 2 3 4
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√
No exemplo anterior, quando interpolamos a função f (x ) = x vimos que de fato o polinômio
interpolador se aproxima muito bem da função, no intervalo de interpolação.
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Hipóteses
Erro de interpolação:
E (x ) ≡ f (x ) − p(x )
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Para investigar o erro de interpolação, vamos fazer algumas hipóteses sobre a função
interpolada.
A intenção é estimar E (x ), o erro num ponto x , que não tenha sido utilizado na interpolação.
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Função auxiliar
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Observe ainda que g(z) = 0 para z ∈ {x0 , x1 , . . . , xn , x }. Ou seja, g tem pelo menos (n + 2)
zeros distintos.
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Resultado de Cálculo
f ′ (c) = 0
f (a) = f (b)
a c b
Teorema de Rolle
Seja f diferenciável em [a, b]. Se f (a) = f (b), então existe
c ∈ (a, b) tal que f ′ (c) = 0.
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f (b) − f (a)
f ′ (c) = .
b−a
O Teorema de Rolle é um caso particular do Teorema do Valor Médio, quando f (a) = f (b).
Com o Teorema de Rolle podemos garantir a existência de pelo menos um zero da derivada
de uma função, se conhecermos dois pontos onde a função tem o mesmo valor.
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g e seus zeros
Por exemplo, para n = 3, os zeros de g são x0 , x1 , x2 , x3 e x .
g tem 5 zeros
g tem 5 zeros
g ′ tem 4 zeros
g ′ tem 4 zeros
g ′′ tem 3 zeros
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g ′′ tem 3 zeros
g (4) (ξ) = 0
ξ
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Análise de g
Para z = ξ,
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Já sabemos que g tem pelo menos (n + 2) zeros. Pelo Teorema de Rolle, g ′ terá pelo menos
(n + 1) zeros. Novamente, pelo Teorema de Rolle, agora aplicado a g ′ , podemos assegurar
que g ′′ terá pelo menos n zeros.
Continuando com esse raciocı́nio, pode-se assegurar que g (n+1) terá pelo menos um zero,
digamos ξ.
Como ω(x ) = x n+1 + q(x ), onde q é um polinômio de grau no máximo n, temos que
ω (n+1) = (n + 1)!. Além disso, p (n+1) ≡ 0 pois p é polinômio de grau menor que (n + 1).
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Erro de interpolação
Teorema
Se f tem (n + 1) derivadas contı́nuas e o polinômio p, de grau no
máximo n, interpola f em {x0 , x1 , . . . , xn } ⊂ [a, b], então
f (n+1) (ξ)
f (x ) − p(x ) = ω(x ), x ̸= xk ,
(n + 1)!
onde ω(x ) = (x − x0 )(x − x1 ) · · · (x − xn ) e ξ ≡ ξ(x ) ∈ (a, b).
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Observe que a fórmula obtida para o erro de interpolação é exata, porém depende de um
valor ξ desconhecido. Além disso, ξ depende de x também.
Portanto, na prática, não temos como avaliar o erro de interpolação por esta fórmula. Pode-
mos porém utilizá-la como um majorante para o erro de interpolação.
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Exemplo
√
▶ f (x ) = x
▶ p polinômio interpolador em 1, 2 e 4
Qual o erro máximo?
f ′′′ (ξ) M3
Emax = max ω(x ) ≤ max |ω(x )|,
3! 6
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Exemplo
3 1 3
M3 = max √ = ,
8 x5 8
√ !
7+ 7
max |ω(x )| = ω = 2.1126
3
Portanto
3/8 · 2.1126
|E (x )| ≤ = 0.13204, para todo x ∈ [1, 4]
3!
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Com efeito, f ′′′ (x ) = 83 √1 5 . Como essa função é decrescente, seu máximo é assumido no
x
extremo esquerdo do intervalo, ou seja, para x = 1. Logo M3 = 3/8.
Para encontrar o máximo de |ω(x )|, impomos a condição de que ω ′ (x ) = 0. Dois pontos
satisfazem essa condição: √
7± 7
x1,2 = .
3
Ambos os pontos estão dentro do intervalo de interesse, mas |ω(x2 )| > |ω(x1 )|. Não é
necessário verificar se o máximo de |ω(x )| está nos extremos do intervalo pois, por construção,
a função ω se anula nos extremos.
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Exercı́cio
√
Com que grau de precisão podemos aproximar 115 usando
interpolação quadrática sobre os pontos 100, 121 e 144?
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Resolução:
f ′′′ (ξ) M3
|E (115)| = ω(115) ≤ |ω(115)|,
3! 3!
3 −5/2 3
onde M3 = max |f ′′′ (x )| = x = 10−5 .
max
100≤x ≤144 100≤x ≤144 8 8
Como ω(x ) = (x − 100)(x − 121)(x − 144), temos que ω(115) = 2610. Logo
Exercı́cio
x 1 2 3 4 5 6 7
f (x ) 0.91 1.43 1.58 1.55 1.44 1.30 1.18
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Reduzindo o erro
0.4
0.3
0.2
0.1
0
0 1 2 3 4
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Suponha que uma função foi interpolada apenas em dois pontos. Obviamente, nem sempre
essa interpolação será precisa o suficiente. O que fazer então?
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Reduzindo o erro
0.4
0.3
0.2
0.1
0
0 1 2 3 4
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Podemos ver que a medida que mais pontos são utilizados para interpolar a função,
aparentemente, melhor o resultado fica. Observe por exemplo os polinômios p2 , p3 e p4 , que
interpolam a função em 3, 4 e 5 pontos igualmente espaçados, respectivamente.
Será que essa estratégia de acrescentar pontos à interpolação vai continuar produzindo
polinômios interpoladores de ordem mais alta que gradativamente se aproximarão da função
interpolada?
Introdução Interpolação polinomial Lagrange Análise de erro Splines
Fenômeno de Runge
-4 -2 0 2 4
Pontos equidistantes
Numa malha de pontos regularmente espaçados, os polinômios
interpoladores em geral divergem, mesmo se f for analı́tica.
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Fenômeno de Runge
-4 -2 0 2 4
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Esses pontos mágicos, que garantem a convergência do polinômio interpolador, são os zeros
de polinômios especiais, os polinômios de Chebyshev.
Em resumo, se a interpolação fosse feitas nos pontos de Chebyshev seria possı́vel garantir
que o erro reduziria a medida que mais pontos fossem utilizados.
Polinômios de grau 1
20
10
0 2 4 6
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A função de interpolação não é mais um polinômio mas sim uma função definida de forma
diferente em cada subintervalo. Em cada um dele a função é um polinômio de grau diferente.
Uma função definida desta forma é dita um polinômio de grau 1 por partes.
Como a condição de interpolação em cada ponto é satisfeita tanto para o segmento de reta
à esquerda e à direita de cada ponto, naturalmente a função total é contı́nua.
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Polinômios de grau 2
20
10
0 2 4 6
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Neste caso, os pontos foram tomados três a três, de maneira que foram construı́dos três
polinômios interpoladores, cada um de grau 2.
Entretanto, também pode-se observar que um polinômio interpolador por partes não será
diferenciável em cada ponto onde há a junção entre dois polinômios.
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Polinômios de grau 3
20
10
0 2 4 6
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Por fim, tomando pontos de quatro em quatro, foram construı́dos dois polinômios interpo-
ladores, cada um de grau 3.
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I0 I1 I2 I3
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Por exemplo, suponha que se deseje interpolar por polinômios de grau no máximo 2. Então
os pontos devem ser tomados três a três.
I0 I1 I2 I3
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s(x ) = pk (x ), se x ∈ Ik
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Erro de interpolação
M2 h2
|E (x )| ≤
8
onde h = max |xk − xk−1 |.
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1
max |E (x )| ≤ max |f ′′ (x )| max |(x − xk−1 )(x − xk )|
x ∈Ik 2 x ∈Ik x ∈Ik
Verifique que maxx ∈Ik |(x − xk−1 )(x − xk )| = 41 hk2 , onde hk = (xk − xk−1 ).
M2 h 2
Emax ≤ ,
8
onde h = max hk .
Desta forma, perceba que ao acrescentar mais ponto, mesmo que regularmente espaçados,
é possı́vel reduzir h e portanto reduzir o erro máximo, preservando o grau do polinômio
interpolador.
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Splines lineares
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Temos a tendência a achar que o resultado da interpolação linear por partes é muito
grosseiro, mas na verdade o resultado anterior garante que ele pode ser tão bom quanto se
queira, desde que pontos suficientes sejam utilizados.
Exemplo
14
M2 = max |f ′′ (x )| = max = 14
[0,2] [0,2] (x − 3)3
Logo,
14h2 7
|E (x )| ≤ = h2 ≤ 10−4
8 4
√
2 7 −2
Portanto h ≤ 7 10 , como h = 2/n, n ≥ 265
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Exercı́cio
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Em primeiro lugar, observe que para conhecer a função cosseno, basta conhece-la no
intervalo [0, π/2]. Para computar cosseno em qualquer outro intervalo basta utilizar relações
trigonométricas para retornar ao problema de computar cosseno neste intervalo.
h2 √
≤ 10−4 ⇒ h ≤ 2 · 10−2 2.
8
√
π/2 π 2 2
Como h = , então n ≥ 10 ≈ 55.5, ou seja são necessários pelo menos 57 pontos.
n 8
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Resumo
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Splines cúbicos
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Splines cúbicos são polinômios de grau 3 por partes com a condição adicional de terem pelo
menos duas derivadas contı́nuas.
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▶ s(xk ) = yk , para k = 0, 1, . . . , n
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Na interpolação por splines cúbicos, um polinômio de grau 3 é utilizado a cada dois pontos,
e não a cada 4 pontos, como no caso da interpolação polinomial de grau três por partes.
Mas como apenas as duas condições de interpolação não são suficientes para determinar
os 4 coeficientes do polinômio cúbico, os dois graus de liberdade restantes são justamente
utilizados para impor a restrição de suavidade.
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Spline cúbico
20
10
0 2 4 6
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Essa é a spline cúbica interpolante para os mesmos pontos dos exemplos anteriores.
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Polinômios de grau 3
20
10
0 2 4 6
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Para efeito de comparação, esta é novamente a interpolação polinomial de grau 3 por partes.
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Spline – A régua
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Spline – A régua
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Spline – Boeing
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