Direito Civil
Direito Civil
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02/03/2025
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PÚBLICO PRIVADO
DIREITO PÚBLICO E PRIVADO INTERESSE - UTILIDADE Proteger os interesses da Satisfação
sociedade individuais
dos interesses
diferenciadores. SUJEITO –
RELAÇÃO
TITULAR DA Relações do Estado com outro Relações entre os indivíduos
Estado, ou com cidadãos
Insatisfatório – Estado coloca-se muitas vezes no mesmo plano que o particular com submissão
às normas de direito privado (ex. venda de bem dominical, locação)
Dicotomia tem origem no direito romano onde o FINALIDADE DA NORMA Normas em que predomina o Atende imediatamente o
(critério finalístico) interesse geral interesse dos indivíduos
direito público corresponde as coisas do Estado
Revive a distinção romana, ignorando que toda norma tem um escopo geral, e que algumas
e privado pertence à utilidade das pessoas, delas se inserem no direito privado (família)
IUS IMPERIUM Regula as relações do Estado e Disciplina as relações
interesses particulares dos cidadãos. de outras entidades com poder particulares entre si com base
de autoridade na igualdade jurídica e no
poder de autodeterminação
Objeção – todos são iguais perante o direito, e no direito privado também há relações jurídicas
de subordinação (pai e filho – curador e curatelado)
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FONTES DIRETAS
(PRIMÁRIAS OU IMEDIATAS) Características:
I. Legislação – mais importante – encontra-se • Generalidade – dirigida a um número
nela toda a expectativa de segurança e indeterminado de indivíduos, por mais restrita
estabilidade que se espera de um sistema que seja (“leis singulares” – atos normativos
positivado. direcionados a uma pessoa não podem ser
considerados lei em seu conteúdo jurídico);
Venosa define como: “regra geral de direito,
abstrata e permanente, dotada de sanção, • Abstração – geração de efeitos para o futuro,
expressa pela vontade de autoridade em função de hipóteses concebidas
competente, de cunho obrigatório e forma idealmente (em regra não devem produzir
escrita”. efeitos pretéritos);
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b) Quanto a Sanção:
• Dispositivas – são relativas, não havendo
determinação de fazer ou não fazer algo e • Perfeitas – a violação autoriza a declaração de
subdividem-se em: nulidade (relativa ou absoluta) do ato.
- Permissivas: sujeitos dispõe como quiser. Ex: Art. 166, I, CC – hipóteses de nulidade
do negócio jurídico.
Ex: Art. 1.639, CC – escolha do regime de
casamento.
• Mais que perfeitas – ocorre duas sanções:
nulidade e ou restabelecimento do status quo
- Supletivas: utilizadas na falta de
e pena ao violador.
regulamentação.
Ex: Casamento de pessoa já casada - Art.
Ex: Art. 327, CC – local de pagamento.
1521, IV CC nulidade do casamento + Art. 235
do CP crime de bigamia;
e) Quanto ao alcance:
d) Quanto à duração:
• Gerais - disciplinam quantidade ilimitada de
➢ Não esquecer quanto a característica são situações jurídicas genéricas.
sempre permanentes. Ex: Constituição Federal, Código Civil.
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FONTES INDIRETAS
(SECUNDÁRIAS OU MEDIATAS) - Jurisprudência contra legem – decisão do
tribunal contrária a lei.
I. Jurisprudência – reconhecimento dos tribunais
de que uma conduta deve prevalecer (costume
judiciário). * Interpretação
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SISTEMAS JURÍDICOS
§ 8º Nas causas em que for inestimável ou
irrisório o proveito econômico ou, ainda,
CIVIL LAW E COMMOM LAW
quando o valor da causa for muito baixo, o juiz Civil Law – direito legislado, calcado na
fixará o valor dos honorários por apreciação positivação do direito pela norma legal.
equitativa, observando o disposto nos incisos do
§ 2º. O operador é eminentemente técnico, faz a
análise do sistema a partir da constituição como
norma legal, seguida da edição de outras normas.
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• Em 1.855 foi confiado a Augusto Teixeira de • Felício dos Santos – 1.881 - Apontamentos para o
Projeto do Código Civil Brasileiro – parecer contrário
Freitas a redação de um projeto de Código Civil, de comissão.
tendo este preparado a “Consolidação das Leis • Proclamação da República em 1889 – novo regime
Civis”. de governo, novas diretrizes, desprezou-se o trabalho
• Decreto n. 2.318 de 1.858 – autoriza ministro da anterior.
justiça a elaboração de um código civil – Teixeira • 1.890 – Ministro da Justiça Campos Salles indicou
de Freitas - elaborou um projeto “esboço”. Coelho Rodrigues que entregou um projeto em 1.893
que teve parecer desfavorável da comissão
Devido as pressões para rápida promulgação, em
designada para examiná-lo.
1.860 optou pela renúncia.
• 1.895 – Nova comissão – exame projetos anteriores.
• Nabuco de Araújo (1.872) – novo projeto – que • 1.896 – contratação de juristas – Clóvis Beviláqua
com seu falecimento (1.878) não foi finalizado. elaborou novo projeto aproveitando o texto de
Coelho Rodrigues – finalizado em 1899
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• 1.975 – Projeto de Lei n. 634 enviado para o • 2.001 – aprovado o projeto e sancionado
Congresso
• 1.984 – Aprovado pela Câmara dos Deputados • Lei n. 10.406 de 10 de janeiro de
(634-B) - Senado Federal – aprovação (sem 2002 (vigor 10 de janeiro de 2003)
emendas)
• 2.000 – Ricardo Fiuza (deputado relator) - • * Constitucionalização do Direito Civil
aprovação da Resolução CN n 1, de 31 de
janeiro de 2000 – sofrer alterações * PL 04/2025 – atenção as mudanças que o CC pode
constitucionais e legais – revisão sofrer.
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b) Socialidade - Prevalência dos valores coletivos sobre Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar
os individuais. e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de
quem quer que injustamente a possua ou detenha.
§ 1o O direito de propriedade deve ser exercido em
Exemplos: consonância com as suas finalidades econômicas e sociais
e de modo que sejam preservados, de conformidade com
Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas
e nos limites da função social do contrato. naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e
artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas.
Art. 1.239. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de
rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco
ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para
não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio,
desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano
por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua ou rural.
moradia, adquirir-lhe-á a propriedade.
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Eficácia: relativa a produção concreta de efeitos b) Validade material – norma criada pela
pela norma. autoridade competente para legislar sobre
determinado conteúdo (matéria).
a) Eficácia social – condições fáticas exigíveis a) Norma de eficácia plena – não depende de
existentes. outra norma para produzir efeitos.
Ex: lei que prevê a obrigatoriedade de um
determinado sistema de segurança existente.
b) Norma de eficácia limitada – depende de
b) Eficácia técnica – ocorre quando todos os outra norma para produzir efeitos.
requisitos técnicos foram preenchidos para
aplicação da norma.
Ex: Lei que prevê aplicação de multa pelo comércio Ex: art. 7º, I da CF/88
de determinado produto por órgão fiscalizador a
ser criado.
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Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e c) Normas de eficácia contida – criadas de
rurais, além de outros que visem à melhoria de forma plena, com aplicação imediata, mas
sua condição social: que pode ser limitada (restringida) por lei
I - relação de emprego protegida contra que sobrevier.
despedida arbitrária ou sem justa causa, nos
termos de lei complementar, que preverá Ex: art. 5º , XIII da CF/88:
indenização compensatória, dentre outros
direitos; XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho,
ofício ou profissão, atendidas as qualificações
profissionais que a lei estabelecer;
Vigor (força da norma ou força vinculante): § 3º - As taxas de juros reais, nelas incluídas
quando obriga indivíduos e autoridades, comissões e quaisquer outras remunerações
impondo determinado comportamento, assim, direta ou indiretamente referidas à concessão
quando uma norma válida torna-se vigente, de crédito, não poderão ser superiores a doze
torna-se obrigatória. por cento ao ano; a cobrança acima deste limite
será conceituada como crime de usura, punido,
* Ultratividade – quando uma norma não em todas as suas modalidades, nos termos que
vigente tem vigor. a lei determinar. (Revogado pela EC 40/2003)
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Interpretação das Normas Jurídicas Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos
fins sociais a que ela se dirige e às exigências do
- Revelar o sentido da norma; bem comum.
- Fixar seu alcance.
Artigo 8 da Lei Complementar nº 95 de 1998. Art. 8o A vigência da lei será indicada de forma
expressa e de modo a contemplar prazo razoável
para que dela se tenha amplo conhecimento,
• Vigência – forma expressa com prazo razoável reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua
para amplo conhecimento (data da publicação: publicação" para as leis de pequena repercussão.
leis de pequena repercussão) § 1o A contagem do prazo para entrada em vigor
• Período de vacância – “esta lei entra em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-
após decorridos - números de dias – de sua se-á com a inclusão da data da publicação e do
último dia do prazo, entrando em vigor no dia
publicação” subseqüente à sua consumação integral.
• Contagem do prazo – inclusão da data da § 2o As leis que estabeleçam período de vacância
publicação e do último dia do prazo – vigor no dia deverão utilizar a cláusula ‘esta lei entra em vigor
subsequente à consumação integral após decorridos (o número de) dias de sua
publicação oficial’ .
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Art. 2.045. Revogam-se a Lei no 3.071, de 1o de a) Expressa – nova lei declara a revogação dos
dispositivos anteriores.
janeiro de 1916 - Código Civil e a Parte Primeira
Art. 9º da Lei Complementar 95/98 - Regra
do Código Comercial, Lei no 556, de 25 de junho
de 1850. “A cláusula de revogação deverá enumerar,
expressamente, as leis ou disposições legais
revogadas”.
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Repristinação
Obrigatoriedade das leis
(§ 3º do art. 2º, LINDB)
• Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a lei,
• restauração da norma - renascimento alegando que não a conhece.
• Excepcional - disposição normativa expressa
• Princípio da obrigatoriedade da lei
• Garantir a eficácia global da ordem jurídica
§ 3o Salvo disposição em contrário, a lei
revogada não se restaura por ter a lei • Ver CPC art. 376
revogadora perdido a vigência. Art. 376. A parte que alegar direito municipal,
estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-
lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar.
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a) Estatuto Pessoal – Como bem pontua o artigo c) O contrato internacional se reputa formado
7º da Lei de Introdução, aplica-se a lei do onde residir o seu proponente, sendo esta a
domicílio para reger: I) nome; II) capacidade; legislação aplicável e o foro competente (art. 9º,
III) personalidade; IV) direito de família. §2º, LINDB). Enfatiza-se que este dispositivo
apenas se aplica a contratos internacionais.
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d) Aplica-se a lei sucessória mais benéfica para Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência
sucessão de bens de estrangeiros situados obedece à lei do país em que domiciliado o defunto
ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a
no Brasil, quando há herdeiros brasileiros situação dos bens.
(art. 10, § 1º da LINDB e 5º, XXXI CF/88).
§ 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados
Em outras palavras, quando o estrangeiro morre no País, será regulada pela lei brasileira em
e deixa bens no Brasil, a competência para benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de
quem os represente, sempre que não lhes seja mais
processar e julgar a ação de inventário e partilha favorável a lei pessoal do de cujus.
desses bens é exclusiva do Brasil. Tal partilha, (Redação dada pela Lei nº 9.047, de 1995)
todavia, não se fará necessariamente com base
na lei brasileira, mas sim na lei sucessória mais § 2o A lei do domicílio do herdeiro ou legatário
benéfica. regula a capacidade para suceder.
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* CONCEPTURO – 1.799, I CC
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III – aqueles que, por causa transitória ou Art. 1.782. A interdição do pródigo só o
permanente, não puderem exprimir sua privará de, sem curador, emprestar, transigir,
vontade dar quitação, alienar, hipotecar, demandar
ou ser demandado, e praticar, em geral, os
atos que não sejam de mera administração.
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* Bens:
* Sentença – sucessão provisória - Antes da partilha – Juiz pode determinar a conversão
- efeito: 180 dias depois de publicada dos bens móveis (deteriorados ou extraviados) em
imóveis ou em títulos garantidos pela União (art. 29,
- averbada no registro civil – art. 104 LRP CC)
- trânsito em julgado: abertura do testamento - Entregues aos herdeiros em caráter provisório e
condicional
ou abertura de inventário e partilha dos bens
- garantia de penhor ou hipoteca equivalente aos
quinhões (não – ascendentes, descendentes e cônjuge
que forem herdeiros) * se não prestar garantia:
- não comparecimento de herdeiro ou administração do curador ou herdeiro que preste
interessado – 30 dias do trânsito – inventário: caução (requerer metade dos rendimentos) (art. 30,
arrecadação dos bens do ausente (arts. 1.819 CC)
a 1.823 do CC - Herança Jacente – 5 anos – - Imóveis – não alienar ou hipotecar – salvo evitar ruína
com autorização judicial (art. 31, CC)
Município ou União) - posse: representação ativa e passiva do ausente (art. 32,
CC)
* Frutos:
- ascendentes, descentes e cônjuge: ficarão com todos os * Sucessão definitiva
frutos e rendimentos dos bens (art. 33, CC)
- outros sucessores: capitalizar metade dos frutos e
rendimentos e prestar contas anualmente ao juiz (art. 33, - Decorridos 10 anos do trânsito em julgado da
CC)
sentença de abertura da sucessão provisória
* Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi (levantamento de cauções) – art. 37, CC
voluntária e injustificada, perderá ele, em favor do
sucessor, sua parte nos frutos e rendimentos. (art.33, par.
único, CC)
* Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois
- Ausente com oitenta anos de idade e de cinco
de estabelecida a posse provisória, cessarão para logo as datam as últimas notícias – art. 38, CC
vantagens dos sucessores nela imitidos, ficando, todavia,
obrigados a tomar as medidas assecuratórias precisas, até a
entrega dos bens a seu dono. (art.36, CC)
* Retorno do ausente:
Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos
seguintes à abertura da sucessão definitiva, ou
algum de seus descendentes ou ascendentes,
aquele ou estes haverão só os bens existentes no
estado em que se acharem, os sub-rogados em seu
lugar, ou o preço que os herdeiros e demais
interessados houverem recebido pelos bens
alienados depois daquele tempo.
Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere
este artigo, o ausente não regressar, e nenhum
interessado promover a sucessão definitiva, os bens
arrecadados passarão ao domínio do Município ou
do Distrito Federal, se localizados nas respectivas
circunscrições, incorporando-se ao domínio da
União, quando situados em território federal.