Situação-Problema: O Caso de Marcos A.
Contexto:
Marcos A., 32 anos, foi detido após invadir uma residência durante a madrugada,
causando danos materiais e ameaçando os moradores com um pedaço de madeira. Ele
afirmava que precisava proteger os habitantes da casa de "um grupo secreto que os
espionava por meio de câmeras escondidas". Segundo relatos, Marcos apresentava
comportamento paranoico, discurso desorganizado e forte agitação psicomotora.
Durante a detenção, a polícia observou que Marcos não apresentava sinais de uso de
substâncias psicoativas no momento. Em contato com familiares, foi revelado que ele
tem diagnóstico confirmado de esquizofrenia paranoide e havia interrompido o
tratamento medicamentoso e psicoterapêutico há aproximadamente oito meses.
Diante das circunstâncias, o juiz responsável pelo caso solicitou a realização de uma
avaliação pericial psicológica e psiquiátrica, com o objetivo de determinar se Marcos
era, no momento da ação, capaz de compreender o caráter ilícito de sua conduta ou
de se autodeterminar de acordo com esse entendimento — conforme previsto no
artigo 26 do Código Penal Brasileiro.
Desafio Interdisciplinar:
Para profissionais do Direito:
Quais critérios devem ser considerados para o reconhecimento da
inimputabilidade penal segundo o Código Penal Brasileiro?
Qual é o papel do laudo psicológico/psiquiátrico no processo penal?
Quais as possíveis medidas aplicáveis a Marcos caso seja considerado
inimputável?
Como garantir que o direito à ampla defesa e ao contraditório seja respeitado
mesmo em casos de transtorno mental?
Para profissionais da Psicologia:
Quais instrumentos e métodos podem ser utilizados na avaliação da
imputabilidade em casos de esquizofrenia paranoide?
De que forma o profissional pode avaliar o nexo entre o transtorno mental e a
conduta criminosa?
Quais são os limites éticos da atuação do psicólogo na elaboração do laudo
pericial?
Como lidar com a pressão judicial sem comprometer os princípios da psicologia
enquanto ciência e profissão?